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A CAMPANHA DO PARAGUAI

De Corrientes a Curupaiti Vista pelo Tenente Cándido López Apresentação de Marcos Tamoyo

Tenente Cándido López Apresentação de Marcos Tamoyo Todas as telas da obra de Cándido López sobre

Todas as telas da obra de Cándido López sobre a Campanha do Paraguai eram acompanhantes de minuciosas descrições do autor. Hoje as telas, estão em poder do Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires.

CÁNDIDO LÓPEZ Os primeiros passos da arte fotográfica foram dados pelos daguerreótipos, que chegaram ao

CÁNDIDO LÓPEZ

Os primeiros passos da arte fotográfica foram dados pelos daguerreótipos, que chegaram ao Brasil logo depois deste invento ter ocorrido na França.

Na década de 1850 os panoramas e hábitos das principais cidades brasileiras começaram a ser fotografados pela recente descoberta e possuímos hoje, daquele tempo, excelentes coleções como o notável álbum de Victor Frond, Brasil Pitoresco. Em 1865 iniciava-se a Guerra do Paraguai, que durante os cinco anos seguintes ensanguentou a bacia do Prata, onde as forças armadas brasileiras escreverarn a página mais gloriosa de sua História. De 1870 até hoje, várias dezenas de autores, brasileiros, argentinos,uruguaios, paraguaios, europeus e americanos do norte, ocuparam-se daquele tema, deixando-nos volumosa bibliografia. Entretanto, encontramos em todos uma grande pobreza iconográfica.

Embora a fotografia já estivesse sendo usada também na Argentina, raríssimas chapas foram feitas da campanha, seja por falta de sensibilidade para o novo gênero de documentação, seja por dificuldade não só de acesso ao teatro de operações como de material para o trabalho. As reproduções de cenas daquela guerra, que chegaram aos nossos dias, foram quase todas elaboradas por artistas que materializaram descrições dos participantes da luta. Houve, entretanto, entre os pintores daquela época, uma exceção pouquíssima conhecida dos brasileiros.

Trata-se de Cándido López, argentino, oficial e pintor que lutou do início da guerra até Batalha de Curupaiti, onde perdeu mão direita, tendo deixado daquele período um acervo de mais de cinquenta telas, onde os feitos do Exército e da Marinha brasileira são, em muitas delas, fielmente reproduzidos.

Cándido López nasceu em Buenos Aires, em 1840. Teve como mestres os pintores Carlos Descalzo, Baldassare Verazzi e Ignácio Manzoni. Em 1865, no início da guerra, residia ele, já há algum tempo, em San Nicolas de Los Arroyos, onde obtinha sucesso pintando retratos. Desse período, deixou no seu organizado diário interessantes anotações contábeis, onde figuram os valores recebidos pelas obras realizadas e até suas mínimas despesas pessoais. Logo depois da invasão de Corrientes pelas forças paraguaias, formou-se San Nicolas um batalhão de Guardas Nacionais sob o comando de Juan Carlos Boerr, ao qual apresentou-se voluntário Cándido López e foi incorporado no posto de 2º tenente. Esta unidade integrou o 1º Corpo do Exército Argentino, sob as ordens do General Wenceslao Paunero.

Iataí, Uruguaiana, Paso de Ia Patria, Itapiru, Estero Bellaco, Tuiuti, Lataiti-Corá, Boqueron, Sauce e Curuzu foram jornadas de que participou Cândidos, e das quais, nos momentos de

descanso, transportou para o desenho as situações e posições do terreno e das forças, complementando os croquis com minuciosas crônicas dos fatos focalizados. Infelizmente muitos desses comentários foram perdidos ao longo do tempo, existindo hoje apenas os que traduzimos neste trabalho, valendo-nos das seguintes obras:Cândido López de José Leon Pajano e Cândido López-Coleciones del Museo Nacional de Bellas Artes.

Quando no acampamento do Batel, o General Mitre teve conhecimento do que vinha sendo feito pelo tenente e pintor, mandou-o chamar e aconselhou-o a que conservasse aqueles desenhos, pois um dia geriam importantes documentos para a História.

Esta observação do comandante foi consignada no diário de López refletindo ainda o entusiasmo que provocou no artista.

A Batalha de Curupaiti foi a última jornada de que participou Cândido López. No decorrer desta refrega, que foi a de maior sacrifício de vidas para Tríplice Aliança, ele teve a mão direita destroçada um fragmento de granada. Mesmo assim, continuou lutando, empunhando a espada com a esquerda, até que a perda de sangue tirou-o de combate.

Recebidos os primeiros socorros em Curuzu, pouco depois seguia ele para Buenos Aires, onde foi obrigado a amputar o antebraço. A partir daquele momento o pintor mutilado começou a educar sua mão esquerda, num prodigioso esforço paca recuperar o poder elaborativo da sua arte, saindo vencedor de mais esta batalha.

Dezenove anos depois, em 1885, no dia 18 de março, Cándido López expôs no Clube Gimnásia Y Esgrima em Buenos Aires uma primeira série de 29 quadros da sua obra, que foram comprados todos pelo governo argentino.

Batalha de Iataí 17 de agosto de 1865

“

“ com respeito aos uniformes das tropas, teria sido de melhor efeito artístico suprimir tanta variedade de cores. Aí estão os quatro

batalhões orientais, os três brasileiros e os nove argentinos com diferentes fardamentos, para que o historiador, através dos anos, conheça os uniformes que se naquela campanha".

Este comentário do Tenente Cândido López sobre o quadro da Batalha de lataí foi feito numa carta que o pintor escreveu em junho de 1887 ao Senador do Congresso Argentino, D. Eugenio Tello.

Soldados Paraguaios Feridos, Prisioneiros da Batalha de Iataí 18 de agosto de 1865.

Prisioneiros da Batalha de Iataí 18 de agosto de 1865. "Depois de acabada a Batalha de

"Depois de acabada a Batalha de lataí a 17 de agosto de 1865, os soldados regressaram ao local onde haviam deixado as mochilas, para marchar em direção ao inimigo. A tropa ainda não se havia recuperado das fadigas da jornada daquele dia, quando o Comandante Juan Boerr, do Batalhão San Nicolas de Los Arroyos, recebeu ordem para deslocar aquela unidade para o povoamento de Paso de Los Libres, distante pouco mais de meia légua do local onde ocorreu a Batalha de lataí. A ordem foi cumprida imediatamente, sendo este batalhão o primeiro a entrar no povoado. Chegando lá, acampou, na esquina da praça principal, no lado oposto à igreja. Logo depois, foram distribuídas patrulhas para manter a ordem e recolher dispersos.

A cidade não podia apresentar um aspecto mais triste desolador. Tendo fugido a maioria dos habitantes, quase todas as casas estavam saqueadas, de tal maneira que até os telhados haviam sido arrancados: móveis, vidros, jardins, tudo destruído. Em algumas ruas via-se grande quantidade de garrafões e garrafas quebradas, barricas e muitos outros objetos.

No dia seguinte (18 de agosto), chegou o batalhão oriental Libertad, sob as ordens do Comandante D. Cándido Bustamante, e em seguida o batalhão correntino, comandado pelo Major D. Desidério Sosa. Foram estes os três únicos batalhões que guarneceram este povoado. Poucos dias depois; o Batalhão San Nicolas recebeu ordem para deslocar-se e acampar sobre a barranca do rio Uruguai em frente a Uruguaiana, onde já estava acampado o exército. Antes de realizar esta marcha, o batalhão assistiu à missa na igreja do povoado.

Aquela pequena cidade, que nos primeiros dias estava abandonada, logo começou a receber de volta as famílias e comerciantes. Além dos feridos do Exército Aliado, havia uma grande quantidade de paraguaios, o que obrigou a transformar em hospitais algumas casas desocupadas, escolhendo-se para isso as do aspecto mais modesto. Como percorri o povoado várias vezes em missão, tive oportunidade de observar alguns daqueles hospitais, e o que mais me impressionou pelo seu aspecto triste foi um, situado na histórica Rua dos 108. (1) Estava instalado em dois grandes cômodos, rebocados internamente, sem caiação, com uma porta e uma janela de forma quase quadrada, sem nenhum móvel e dando a impressão de nunca ter sido habitado. Para servir como mesa, colocaram uma porta sobre barricas.

Neste pequeno hospital todos os feridos eram paraguaios. Inspiravam compaixão aqueles infelizes atirados no chão, sem nenhuma outra proteção além das suas próprias roupas, que por sorte conservavam, embora em lamentável estado de sujeira. Estavam misturados ali soldados das diversas armas. Os de cavalaria distinguiam-se pelo capacete alto de couro, maior estatura e mais idade que os de infantaria. Estes eram geralmente moços, conservavam seus gorros vermelhos com borla e vivos brancos, pala redonda de couro e uma faixa de pano azul com as iniciais R.P. em vermelho. (2) Aquele grupo de velhos e moços, que já estavam com seus ferimentos tratados, guardava um profundo silêncio.

A guarda deste hospital era feira por soldados do batalhão oriental Libertad, os quais eram reconhecidos a distância por seu uniforme. Os oficiais chamavam a atenção com suas boinas brancas com franja dourada em forma de borla, Pareciam oficiais carlistas."

(1) O nome da Rua dos 108 foi posto em homenagem aos 108 correntinos que acompanharam o General D. Joaquim Madariaga na invasão, por este lugar, à Província de Corrientes, para libertá-la da tirania de Rosas. Em comemoração a este fato,quando fundaram o povoado, puseram-lhe o nome de Paso de los Libres. Mais tarde, o tirano Rosas triunfou na Batalha de Vences, vencida pelo General Urquiza, e então trocaram o nome para Vila Restauración. Depois da queda de Rosas, voltou a ser adotado o nome de fundação.

(2) Entre os prisioneiros de lataí e Uruguaiana, a maior diferença que existia com respeito aos uniformes era que os de cavalaria e artilharia usavam capacete alto de couro com emblema tricolor e bandeirinhas paraguaias pintadas, enquanto os de infantaria tinham gorros redondos de pano com palas de couro, alguns com um lado pintado de vermelho. Foi esta a única vez que esses gorros foram vistos, porque no resto da campanha os soldados paraguaios usaram capacete de couro, sem diferenciar as armas.

Primeiro Corpo do Exército Argentino Passando o Rio Corrientes 22,23 e 24 de junho de 1865

Primeiro Corpo do Exército Argentino Passando o Rio Corrientes 22,23 e 24 de junho de 1865

Passagem do Rio Aiui pelo Paso Aiala 13 de agosto de 1865

Passagem do Rio Aiui pelo Paso Aiala 13 de agosto de 1865 Passagem do Arroio San

Passagem do Arroio San Joaquin 16 de agosto de 1865

Passagem do Rio Aiui pelo Paso Aiala 13 de agosto de 1865 Passagem do Arroio San

Embarque das Tropas Argentinas em Paso de Los Libres 23 de agosto de 1865

Embarque das Tropas Argentinas em Paso de Los Libres 23 de agosto de 1865

Acampamento de Uruguaiana 8 de setembro de 1865

Acampamento de Uruguaiana 8 de setembro de 1865 Acampamento Argentino em Frente de Uruguaiana 14 de

Acampamento Argentino em Frente de Uruguaiana 14 de setembro de 1865

Acampamento de Uruguaiana 8 de setembro de 1865 Acampamento Argentino em Frente de Uruguaiana 14 de

Rendição de Uruguaina 18 de setembro de 1865

Rendição de Uruguaina 18 de setembro de 1865 “No quadro que representa a rendição de Uruguaiana

“No quadro que representa a rendição de Uruguaiana que alguns acham de mau gosto, tive rigorosamente que pintá-Io assim para não faltar à verdade histórica. O dia era nublado e frio, e por conseguinte de aspecto triste.

O uniforme azul-escuro das tropas argentinas contribuía para empobrecer a cor, contrastando com uma coluna de três batalhões brasileiros com uniformes branco, azul-celeste, amarelo e encarnado. Isto quebrou a harmonia do quadro como pintura, mas refletiu a verdade como História. ”

Este comentário do Tenente Cândido López sobre o quadro Rendição de Uruguaiana foi feito numa carta que o pintor escreveu, em junho de 1887, ao Senador do Congresso Argentino, D. Eugenio Tello.

Acampamento Argentino de Uruguaiana 22 de setembro de 1865

Acampamento Argentino de Uruguaiana 22 de setembro de 1865 Ataque da Quarta Coluna Argentina a Curupaiti

Ataque da Quarta Coluna Argentina a Curupaiti sob o Comando do General Emílio Mitri 22 de setembro de 1866

de 1865 Ataque da Quarta Coluna Argentina a Curupaiti sob o Comando do General Emílio Mitri

Depois da Batalha de Curupaiti 22 de setembro de 1866

Depois da Batalha de Curupaiti 22 de setembro de 1866 ''Obedecendo ao toque de retirada, as

''Obedecendo ao toque de retirada, as tropas iniciaram a manobra, sem serem perseguidas. Quando não havia mais nenhum soldado aliado ao alcance dos canhões inimigos, o 12.º Regimento de Infantaria paraguaio saiu das trincheiras para recolher o botim.''

Invernada do Exército Oriental 5 de abril de 1866

Invernada do Exército Oriental 5 de abril de 1866 Este quadro, que faz parte da série

Este quadro, que faz parte da série sobre a Campanha do Paraguai, foi deixado incompleto por Cândido López.

O Ataque da Terceira Coluna Argentina a Cuurupaiti Sob o Comando do General Wenceslau Paunero 22 de setembro de 1866

Comando do General Wenceslau Paunero 22 de setembro de 1866 A 3.ª coluna argentina pertencia ao

A 3.ª coluna argentina pertencia ao 1.º Corpo do Exército Argentino e era comandada pelo venerável Wenceslao Paunero. As oito e meia da manhã, fez alto e tomou posição para o ataque. Durante mais de três horas, aquela tropa esperou com impaciência o momento do combate. Por isso, quando ouviram o toque de atenção que partiu do Quartel-General, puseram-se de pé, como que movidos por uma mola. Os chefes montaram em seus garbosos cavalos e, ao rufar dos tambores, (1) os soldados argentinos marcharam para o ataque com o denodo, entusiasmo, decisão e calor que sempre tiveram sob a gloriosa bandeira de sua pátria.

Quando as divisões entraram em terreno descoberto, sofreram os terríveis efeitos da metralha inimiga, que despedaçava os soldados sem piedade. O primeiro obstáculo que se encontrou para prosseguir avançando foi uma vala que, embora não sendo nem muito larga nem profunda, desorganizava completamente a formação dos batalhões. Com grande trabalho foi ultrapassada, ficando ali muitos mortos e feridos que, derramando seu sangue e dando vivas à Pátria, sentiam a dor de não poder seguir com seus companheiros de armas ao encontro do inimigo.

Neste memorável ataque mostrou-se ao mundo que, se os valentes paraguaios, na sangrenta batalha de 24 de maio, Tuiuti, chegaram até aos canhões argentinos, montados em seus fogosos cavalos, também os argentinos em Curupaiti chegaram até aos canhões dos paraguaios a pé, percorrendo maior distância em terreno cheio de dificuldade e sofrendo maiores perdas.

A parte do General Dom Wenceslao Paunero descreve como se realizou o ataque desta coluna.

‘’Comandante-em-Chefe do 1.º Corpo do Exército Argentino. Acampamento de Curuzu, 25 de setembro de 1866.

Ao Exmo. Sr. Presidente da República Argentina, General-em-Chefe do Exército Aliado, Brigadeiro-General Dom Bartolomé Mitre.

Determinado por V. Excia. o dia 22 do corrente para ser realizado o ataque à linha fortificada do inimigo, o 1.º Corpo do Exército sob minhas ordens pôs-se em movimento na manhã daquele dia, formando a 3.ª coluna de ataque com a seguinte disposição: 4ª Divisão, sob o comando do Coronel D. Antonio Susini, composta dos batalhões Santafecino, 5.º de Linha, Salteño e 2.ª Legião de Voluntários apoiada pela 1.ª Divisão sob as ordens do Coronel D. Ignácio Rivas, composta dos batalhões de 1.º de Linha, Guardas Nacionais de San Nicolas de Los Arroyos, 3.º de

Linha e Legião Militar.

A reserva geral, em cujo comando coloquei-me para dirigir toda a operação, sob a imediata orientação de V. Excia; estava formada pela 2.ª

Divisão, sob o comando do Coronel D. José M. Arredondo, composta dos batalhões 4.º e 6.º de Linha, Riojano, 1,ª Legião de Voluntários e 3.ª Divisão sob o comando do Coronel José R. Esquivel, constituída pelos batalhões Correntino,

Rosario, Catamarqueño e Tucumano.

O assalto às trincheiras inimigas iniciou-se às doze e quinze, com a 4.ª e 1.ª divisões avançando com seus batalhões, sob um mortífero fogo

de bombas, metralha e fuzilaria, até a borda do fosso largo e profundo que, precedido de inabordáveis abatizes de troncos de árvores, tornava impossível cruzar baionetas com o inimigo, não obstante parte da nossa infantaria ter ocupado o fosso.

Empreendido o ataque a nossa esquerda pelo 2.º Corpo brasileiro, cuja 2.ª coluna formava junto com a do Coronel Rivas, e tendo este pedido reforço, enviei em seu apoio a 2.ª Divisão

que, com a mesma intrepidez das outras, chegou até ao pé trincheiras inimigas.

Quando V. Excia, julgou inúteis os esforços da tropa, pois defesas daquela natureza nunca foram conquistadas, por maior que fossem os heroísmos, V. Excia„ ordenou a retirada levando-se os feridos, o que foi cumprido com boa ordem.

A 3.ª Divisão, colocada anteriormente a menos de trezentos metros das fortificações, protegeu esta operação, conservando-se o grosso

dela em expectativa sob incessante fogo de bombas e metralhas, destacando patrulhas para recolher feridos.

Durante mais de duas horas de ataque e mais três que foram necessárias para tirar os feridos do alcance das baterias, não houve um só inimigo que tivesse coragem de sair de suas fortificações.

A marcha escalonada da 3.ª Divisão, apoiada por parte do 2.º Corpo Argentino, que constituía a nossa reserva, começou às cinco da tarde,

trazendo duas peças de artilharia, e sem contra-tempos, hora e meia depois, já noite, chegava ao acampamento.

O comportamento unânime do Corpo do Exército que tenho a honra de comandar, presenciado por V. Excia em todos os movimentos, fez-se credor da alta consideração de V. Excia.

Seria impossível exigir mais nobre bravura no assalto e maior serenidade na retirada. Mencionando os chefes de divisão, Coronéis Rivas, Arredondo, Susini e Esquivel, menciono também os chefes de brigada e de batalhão, oficiais e tropa, que com tanto brilho combateram.

As relações anexas indicarão a V, Excia as maiores perdas já sofridas pelo 1.º Corpo. Mortos: quatro chefes, vinte e dois oficiais e trezentos e setenta subalternos. Feridos: oito chefes, setenta e quatro oficiais e setecentos e cinquenta e oito subalternos.

Contusos: um chefe quinze oficiais e setenta e sete subalternos.

Muito lamento, Exmo. Senhor, os grandes chefes, Coronel Graduado D. Manuel Rosetti e Tenente-Coronel D. Alejandro Diaz, mortos no campo de batalha, Coronel Graduado D. Juan

Batista Charlone e Tenente-Coronel D. Manuel Fraga, mortos em consequência de ferimentos, os quais selaram assim sua reputação nunca desmentida de nobres e valentes soldados, tendo igual destino os vinte e dois bravos oficiais desses dois corpos.

O intrépido Coronel D. Ignácio Rivas, proclamado por V. Excia no meio do campo da batalha, General da República, encontra-se com dois ferimentos e em estado análago ao dos Tenentes-Coronéis D. Rufino Victoria, D. Gaspar Campos, D. Luiz Maria Campos, D. José Giribone e Sargentos-Mores D. Joaquim Lora, D. Pedro Petolaza e D. Baldomero Sotelo.

Não devo concluir esta parte, Exmo Sr, sem fazer um justo elogio ao Corpo Médico do Exército Argentino, tanto do 1.º como do 2.º Corpo, cujos componentes conduziam suas ambulâncias sob o fogo da metralha e bombas do inimigo.

Deus guarde a V. Excia.’’

(1) O senhor Silvano Gogoy, em suas Monografias Históricas, e o Coronel D. Crisóstomo Centurion, nas suas Reminiscências, dizem que o Exército Argentino atacou ao som de clarins e do toque de corneta e tambor. Nem quando o Exército saiu do acampamento houve música, pois esta marcha foi feita em silêncio.

Clareira do Outro Lado do Rio Santa Lucia 25 de novembro de 1865

do Outro Lado do Rio Santa Lucia 25 de novembro de 1865 Acampamento Incendiado do Exército

Acampamento Incendiado do Exército Paraguaio Sob as Ordens do General Resquin na Margem Direita do Rio Santa Lucia 22 de novembro de 1865

do Exército Paraguaio Sob as Ordens do General Resquin na Margem Direita do Rio Santa Lucia

Passagem do Rio Santa Lucia 21 de novembro de 1865

Passagem do Rio Santa Lucia 21 de novembro de 1865 Acampamento em Marcha Passagem do Rio

Acampamento em Marcha Passagem do Rio Batel 16 de novembro de 1865

Passagem do Rio Santa Lucia 21 de novembro de 1865 Acampamento em Marcha Passagem do Rio

Primeiro e Segundo Corpos do Exército Argentino Formados para Ouvir Missa na Margem do Batel 12 de novembro de 1865

para Ouvir Missa na Margem do Batel 12 de novembro de 1865 ''Este quadro poderia ter

''Este quadro poderia ter sido pintado produzindo muito melhor efeito, se eu empregasse os recursos que a arte proporciona, quando o tema é pobre; mas repito, teria fugido à verdade histórica, se suprimisse as cores reais daquele panorama. O naquele dia era nebuloso, o chão estava coberto por um pasto verde-esmeralda sem qualquer variação, os dois corpos do exército formados numa só linha contribuíam para tornar menos pitoresca a pintura, a isto acrescia que nessa extensa linha de tropa com uniforme azul havia dois batalhões vestidos de branco (o 1.º e o 6.º de Linha de Infantaria), os quais apareciam como duas manchas, mas era preciso pintá-los assim para não fugir em nada à verdade história. Neste quadro, como todos da minha coleção, não falta nenhum detalhe.

O General Paunero, que comanda 1.º Corpo do Exército, monta um cavalo branco, o General D. Emílio Mitre, chefe do 2.0 Corpo, um cavalo escuro, sendo o único chefe do alto escalão que usa calças de casimira branca com larga faixa preta. O Coronel Conesa, à frente da 2.ª Divisão Buenos Aires, monta um cavalo malacara (com uma lista branca na testa), sendo conhecido a distância por ser o único chefe que usa dólmã e gorro encarnado, o mesmo que os seus ajudantes.

Teria sido melhor para o quadro pintar o General-em-Chefe passando em revista aquele exército, com uniforme deparada, acompanhado de numerosos ajudantes; entretanto, a realidade não foi essa. O General Mitre apresentou-se discretamente uniformizado; seu maior luxo compreendia um quepe de pano vermelho bordado e um par de luvas brancas. Montava um cavalo escuro muito garboso, e tinha a seu lado o Ajudante-de-Campo D, José M. Lafuente, seguido de um corneteiro (que dizem ter servido com o General Lavalle), logo atrás vinham cinco ajudantes discretamente uniformizados. Os únicos em trajes de parada com capacetes e plumas brancas eram os nove carabineiros componentes da escolta. ”

Este comentário do Tenente Cândido Lopéz sobre o quadro Primeiro e Segundo Corpos do Exército Argentino Formados para Ouvir Missa na Margem do Batel foi feito numa carta que o pintor escreveu, em junho de 1887, ao Senador do Congresso Argentino, D. eugenio Tello.

O Primeiro Corpo do Exército Argentino Passando o Rio Corrientes 5 de novembro de 1865

O Primeiro Corpo do Exército Argentino Passando o Rio Corrientes 5 de novembro de 1865 Itapiru

Itapiru 19 de abril de 1866

O Primeiro Corpo do Exército Argentino Passando o Rio Corrientes 5 de novembro de 1865 Itapiru

Chegada do Exército Aliado á Fortaleza de Itapiru

18 de abril de 1866

Exército Aliado á Fortaleza de Itapiru 18 de abril de 1866 Acampamento Argentino em Frente a

Acampamento Argentino em Frente a Itapiru

12 de abril de 1866

Exército Aliado á Fortaleza de Itapiru 18 de abril de 1866 Acampamento Argentino em Frente a

Itapiru e Paso de La Patria Vistos de Corrales 18 de abril de 1866

e Paso de La Patria Vistos de Corrales 18 de abril de 1866 El Naranial Quartel

El Naranial Quartel General do General - EM - Chefe do Exército Aliado no Acampamento de Ensenaditas 18 de abril de 1866

El Naranial Quartel General do General - EM - Chefe do Exército Aliado no Acampamento de

Passagem do Riachuelo 23 de dezembro de 1865

Passagem do Riachuelo 23 de dezembro de 1865 Acampamento Argentino no Empedrado 11 de Dezembro de

Acampamento Argentino no Empedrado 11 de Dezembro de 1865

Passagem do Riachuelo 23 de dezembro de 1865 Acampamento Argentino no Empedrado 11 de Dezembro de

Acampamento Argentino do Outro Lado do Rio San Lorenzo 2 de dezembro de 1865

Acampamento Argentino do Outro Lado do Rio San Lorenzo 2 de dezembro de 1865

Ataque da Segunda Coluna Brasileira a Curupaiti Sob o Comando do General Alexandre Manuel Albino de Carvalho 22 de setembro de 1866

Alexandre Manuel Albino de Carvalho 22 de setembro de 1866 A 2ª coluna brasileira, que manobrou

A 2ª coluna brasileira, que manobrou e atacou ao lado direito da marchou em contarão com a 3ª argentina, formando com esta, no sistema geral do

ataque, as colunas do centro. Seu comando entregue à perícia do intrépido General Alexandre Manuel Albino de Carvalho, que tinha sob suas ordens a 1ªDivisão, composta de três Brigadas, e Auxiliar.

A 1ª Brigada, comandada pelo Tenente-Coroncl Maia Bittencourt, contava com os batalhões 29º, 34º e 47º de Voluntários da Pátria. Á 4ª, sob as

ordens do Tenente-Coronel Piquet, era constituída pelo 1º, 2º e 5º Esquadrões de Cavaliaria da Guarda Nacional armados como infantes,

'

A Brigada Auxiliar era comandada pelo Tenente-Coronel Paranhos, com os batalhões: 6º de Linha, (2) 10º, 11º, 22º e 46º de Voluntários.

Como reserva desta coluna, marchava a 3ª Divisão, chefiada pelo bravo Coronel Lucas de Lima, com a 6ª, a 8ª e a Brigada Ligeira, constituídas por nove corpos de lanceiros a pé e dois esquadrões a cavalo. Segundo as partes oficiais, o Barão de Porto Alegre movimentou suas colunas às sete e meia da manhã e, depois de superar as muitas dificuldades do terreno, fez alto às oito e quinze; então ordenou ao comandante do Corpo de Sapadores, Major Umbelino Limpio, que marchasse até certa altura e improvisasse uma bateria ligeira, que ficou sob as ordens do Major de Artilharia Montada, Gama Lobo d'Eça, contando 8 peças raiadas e 4 estativas de foguetes, À diretoria, ficou o Major de Artilharia a Pé, Rego Monteiro, com 4 obuses de campanha. Como esta bateria ficou em posição avançada, marcharam em sua proteção os batalhões 8.º de Voluntários da Pátria, sob o comando do Tenente- Coronel Voltaire Carapeba, (3), O 20.º e 46.º, sob as ordens dos Tenentes-Coronéis Carlos de Castro e Antunes de Abreu. Esta bateria foi que iniciou o combate por terra, fazendo um vivo fogo sobre o primeiro fosso, onde algumas forças paraguaias com canhões de pequeno calibre hostilizavam o movimento das tropas brasileiras. Às dez da manhã, os paraguaios retiraram-se, levando sua artilharia para a trincheira principal.

A Esquadra continuava bombardeando vigorosamente, fazendo estremecer a terra. 0 2.º Corpo do Exército Brasileiro, que poucos dias antes, na sua primeira missão de combate, havia seguido uma esplêndida vitória em Curuzu, esperava, cheio de entusiasmo, o momento de enfrentar

novamente o seu adversário, Enfim chegou aquele instante, quando na Esquadra foi desfralda da uma bandeira vermelho e branco anunciando ao Exé

rcito que havia chegado o momento

toque que foi repetido em todas as divisões de um extremo ao outro da extensa linha de batalha e em seguida as unidades marcharam para o assalto. Esta coluna, cuja missão era atacar o centro da trincheira inimiga, portou-se de forma digna de todos os elogios e num ato de verdadeira justiça, o General Albino, na sua parte ao Barão de Porto Alegre, disse: "Neste memorável combate, tão cheio de peripécias, viram-se atos de tanto valor, que honrariam o exército mais aguerrido." Com efeito, tão logo apareceram as tropas à vista do inimigo, tiveram que suportar um tremendo fogo de batalha. Os primeiros que regaram com seu sangue o primeiro fosso foram os da 1ª Brigada, a cuja cabeça ia o valente Tenente-Coronel Maia Bittencourt. Quando os seus batalhões chegaram ao pé da trincheira, estavam quase aniquilados. Logo em seguida, carregou pela direita a Brigada Auxiliar, comandada pelo bravo patriota, Tenente-CoroneI Antônio da Silva Paranhos, levando à frente o glorioso 6.º Batalhão de Linha. (4) Aqueles cinco batalhões, manobrando ao pé da trincheira, sofreram com heroísmo exemplar um fogo incessante à queima-roupa, sucumbindo gloriosamente a maior parte de seus chefes e oficiais. Com razão, o comandante Paranhos, na sua parte oficial, diz o seguinte: “A metralha e a fuzilaria do inimigo não impediram que nos fossos da 2.ª Linha caíssem cadáveres de oficiais e soldados desta brigada. Curupaiti não caiu em nosso poder, mas o inimigo deve estar admirando os bravos que em seus muros foram deixar a sua existência e, por certo, temem a vingança dos seus companheiros de armas”. Na retaguarda dessas duas brigadas (1.ª e Auxiliar), marchava como reserva a 4.ª, comandada pelo intrépido Coronel Piquet, o qual reforçou no momento oportuno aqueles dizimados batalhões. A bateria de artilharia (que iniciou o combate por terra) suspendeu seus fogos ao meio-dia para deixar campo livre afim de que a infantaria pudesse manobrar. Novamente o Major Gama lobo d' Eça recebeu ordem de avançar com a artilharia a cavalo, tendo marchado até o bordo do primeiro fosso, onde colocou 8 canhões e 4 estativas de foguetes, com o que sustentou um continuado fogo até o fim do combate. Os batalhões 8.º, 20.º e 46.º, que protegiam esta bateria, também avançaram para cobrir a retirada daqueles heróis, que haviam combatido sem trégua durante três horas e meia e só deixaram seus postos quando se ouviu o último tiro de canhão inimigo. Por fim, a 3.ª Divisão Lucas Lima, que formou retaguarda como reserva geral desta coluna, embora composta de soldados de cavalaria a pé, armados com lanças, no final do combate atacou com enorme coragem e, demonstrando seu valor, ainda cobriu a retirada, que obedeceu ao toque do Quartel-General. (5) (1) Corno o 2.º Corpo da Exército Brasileiro, em Curuzu, não tinha mais do que dez batalhões de infantaria, foram pedidos reforços desta mesma arma ao General Polidoro, comandante do 1.º Corpo. Este mandou do seu acampamento em Tuiuti cinco batalhões. Á esta brigada foi dado o nome de Auxiliar. O Barão de Porto Alegre, antes de embarcar em Itapiru, havia mandado para o General Polidoro 900 soldados de cavalaria. (2) No ataque a Curupaiti, 0 2.º Corpo do Exército Brasileiro não tinha mais do que dois batalhões de Linha, 0 11.º Provisório e o 6.º, que pertencia ao 2.º Corpo. Nos batalhões de Voluntá-rios da Pátria, havia soldados do Rio de Janeiro, Pará, Pernambuco, Bahia, Paraíba, Alagoas, Minas Gerais e Maranhão. A cavalaria toda da Guarda Nacional do Rio Grande do Sul.(3 ) Este comandante do 8.º de Voluntários do Rio de Janeiro disse em sua parte: “Nesta posição foi morto por bala de canhão valente sergipano Francisco de Camerino, poeta e guerreiro que fez esta campanha sem se alistar em nenhum corpo e, munido de uma carabina segundo sua própria frase, como ' 'franco atirador", ora num lugar ora noutro, entusiasmando os soldados por todas as partes, com seu exemplo e sua palavra inspira-dora.”(4) A bandeira do 6.º Batalhão de Linha foi a primeira que tremulou em Itapiru, em 18 de abril de 1866.(5) O Coronel Lucas de Lima, chefe desta divisão, disse em sua parte: "A 6.ª Brigada (Vasco Alves) e a Brigada Ligeira (Astrogildo) protegeram retaguarda das infantarias, mas no final foram reforçar as colunas de ataque e chegaram também a investir contra a segunda linha inimiga. Estavam armados de lanças.” Deve haver algum erro na redação desta parte; não há dúvida de que os valentes rio-grandenses seriam capazes de ir com suas lanças até ao pé das muralhas de Curupaiti, mas não é possível que um comandante desse semelhante ordem. Sem dúvida, devem ter chegado ao alcance da metralha Inimiga, pois tiveram 312 soldados fora de combate, sendo 31 oficiais.

Ato contínuo a esse sinal convencional, ouviu-se o toque de atenção e marcha que partiu do Quartel-General;

Ataque da Primeira Coluna Brasileira a Curupaiti Sob o Comando do Cooronel Augusto Francisco Caldas 22 de setembro de 1866

do Cooronel Augusto Francisco Caldas 22 de setembro de 1866 "Como disse anteriormente, ao descrever a

"Como disse anteriormente, ao descrever a tomada de posição do Exército Aliado para o assalto a Curupaiti, este ataque foi realizado por quatro colunas paralelas, duas brasileiras pelo lado esquerdo e duas argentinas pela direita. A primeira, ou seja, a mais ocidental, era comandada pelo inteligente e bravo Coronel Augusto Francisco Caldas, levando como vaqueano desta região o incansável Tenente-CoroneI Astrogildo Pereira da Costa. Esta coluna era formada pelas seguintes unidades da 2.a Divisão: 2.ª e 3.ª Brigadas de Infantaria e a 7.ª de Cavalaria a Pé, armadas de carabinas e lanças.

A 2.ª Brigada era comandada rio Tenente-Coronel Barros Vasconcellos com os batalhões 5.º, 8.º e 12.º de Voluntários da Pátria e o 11.º de Linha

Provisório. A 3.ª Brigada era comandada pelo Tenente-Coronel Landulfo Machado com os batalhões 18.º 32.º e 36.º de Voluntários da Pátria.

A 7.a Brigada, que marchava como reserva, estava sob as ordens do Tenente-CoroneI Albino Pereira com os Esquadrões de Cavalaria a Pé, 7º, 8.º e

9.º.

Esta coluna foi, sem dúvida, que percorreu o terreno mais favorável para o ataque, pois. marchava através das elevações adja-centes ao rio, as quais ocultavam seus movimentos ao inimigo. Entretanto, teve problemas, primeiro porque a picada que existia era, em alguns trechos, tão estreita que tornava difícil o deslocamento da tropa; além disso, em alguns lugares o mato era tão alto e fechado que, segundo a parte do Tenente-Coronel Landulfo, comandante da 3.ª Brigada, vários batalhões foram obrigados a abrir caminho com os sabres. E, finalmente, como a picada desembocava em frente a trincheira inimiga, a tropa, quando chegava ali, era varrida pela metralha paraguaia. Entretanto, isto não foi suficiente para impedir que os valentes Voluntários da Pátria e a briosa Guarda Nacional rio-grandense deixassem de chegar ao pé das trincheiras de Curupaiti.

A 2.ª Brigada de Barros Vasconcellos atacou com galhardia e, depois de passar o primeiro fosso perdendo muitos dos seus valentes soldados, teve o

avanço impedido por um grande banha-do intransponível. Esses bravos batalhões fizeram então um movimento rápido pela esquerda, para contornar o obstáculo. Essa marcha, dando o flanco ao inimigo, foi terrível, pois este aproveitou a situação e metralhou-os impunemente.

A 3.ª Brigada de Landulfo Machado, que atacou pela margem do rio Paraguai, fez prodígios de valor, combatendo de forma desesperada. Por três vezes, os batalhões dessas duas brigadas carregaram impetuosamente, rivalizando-se todos em decisão e coragem, morrendo muitos chefes e oficiais, no bordo do fosso. Para suprir as grandes baixas que haviam sofrido aqueles batalhões, aproximou-se para protegê-los a 7.ª Brigada de Albino Pereira, mas esta tropa era de cavalaria a pé, e a presença de Ianceiros à retaguarda daqueles valentes que combatiam com tanto heroísmo, em vez de encorajá-los ainda mais, provocou pânico e confusão." (1) (1) O Tenente-Coronel Landulfo Machado, chefe da 3.ª Brigada, em sua parte oficial sobre a participação dos batalhões 18.º, 32.º e 36.º, disse:

"Os três corpos fizeram três violentos ataques com alguns outros corpos de lanceiros a pé, entretanto ouviram gritos dizendo que a cavalaria cortava a retaguarda, e isto provocou a debandada de muitos soldados, recuando em desordem até entrincheirarem-se nos morrotes de onde mantiveram o fogo até o toque de retirada, combatendo dispersos. O Capitão do 32.º Batalhão, Justino Mello, que substituiu no comando o Capitão Fabrício de Mattos, morto no último ataque, diz a mesma coisa na sua parte.

Vista do Interior de Curupaiti, Observada do Mastro de um NavioArgentino 22 de setembro de 1866

do Mastro de um NavioArgentino 22 de setembro de 1866 Como os escritores da Guerra do

Como os escritores da Guerra do Paraguai se ocuparam tanto com as famosas trincheiras de Curupaiti, descrevendo-as de modo bombástico e fantástico, as gerações futuras poderiam pensar que as obras daquela posição tivessem sido executadas por algum engenheiro com grande conhecimento militar.

Curupaiti, como disse o engenheiro Thompson, historiador dessa campanha e que serviu a Solano López, não era mais do que uma barranca alta e plana, de I.800 metros de extensão, com 9 metros de altura pelo lado do rio e 6 pelo lado da terra. Seu lado direito acabava no rio Paraguai e sua esquerda na grande lagoa Mendes, ao lado de um morro intransponível”. Todo o terreno que ficava na frente daquela barranca era cheio de pequenos lagos e pântanos. Quando chovia, apenas uma ou outra elevação ficava acima da água. A obra que se fez não foi nada mais do cavar um largo fosso na frente e, com a terra daí proveniente, fazer no lado oposto urna muralha reforçada com paliçada a pique, deixando de espaço em espaço aberturas para colocar as peças de artilharia. Na retaguarda de cada peça foi construído um paiol. Como o alinhamento da barranca era ondulado, isto permitia ao inimigo cruzar seus fogos em todas as direções. Também foram cortadas árvores e colocadas antes do fosso.

AÍ está tudo o que foi feito, e creio que para fazer isto não foram necessários grandes planos ou coisa parecida, pois o terreno era um livro aberto que

ensinava o que fazer. Foi por esta razão, sem dúvida, que Solano López, que sempre incumbiu o engenheiro Thompson dos projetos das fortificações, não o ocupou dessa vez, pois, como ele mesmo disse, na véspera da batalha foi mandado ao local apenas para verificar o que havia sido feito.

Não há dúvida de que o valente general paraguaio D. José Diaz, que foi quem dirigiu aquele trabalho, desenvolveu uma grande atividade para Fazer tudo aquilo em poucos dias, com cin-co mil soldados que trabalharam dia e noite.

O que tornou famosa e memorável a Batalha de Curupaiti não foi a defesa da posição, que nada teve de heróica, pois desta vez os valentes

paraguaios combateram com grandes vantagens.O que causou assombro a todos foi o heroísmo com que atacaram os Aliados, que sem nenhum apreço à vida marcharam com seus chefes à frente dos dizimados batalhões, levando as suas bandeiras até ao pé das muralhas sem poder aproximar-se do inimigo, que, completamente oculto atrás de suas defesas, desfechava à queima-roupa certeiro fogo.

Foi esta a razão da enorme diferença de baixas entre os dois exercitos. Enquanto os Aliados tiveram mais de quatro mil homens fora de combate, os paraguaios não chegaram a ter cem. (1) Entretanto, o ataque foi realizado com tanto vigor e as tropas demonstraram tanta bravura e coragem que, na retirada, o inimigo se limitou a continuar a fizer fogo, sempre oculto nas suas trincheiras, Todos estão de acordo em que naquele ataque não houve um só soldado aliado que penetrasse na inexpugnável Curupaiti. Entretanto, alguma coisa deviam temer os paraguaios, pois, apesar disso, mais tarde mandaram alargar e aprofundar o fosso e reforçaram a artilharia até ao ponto de deixar Humaitá desprovida desta arma. (2) Em Curupaiti, os paraguaios obtiveram um esplêndido triunfo, fácil e indiscutível, rechaçando os Aliados, que voltaram a ocupar as posições conquistadas em Curuzu, onde acamparam novamente sem perder ou ganhar um palmo de terreno. É verdade que não triunfamos, mas esta batalha foi tão extraordinária que o Congresso Argentino concedeu uma medalha aos soldados da sua Pátria.” (1) Os escritores paraguaios desta campanha exageram as baixas que sofreu o Exército Aliado em Curupaiti. O senhor Thompsom diz que ficaram nove mil homens fora de combate. Isto significa a metade do Exército, porque naquele dia ele se compunha de aproximadamente 18.000 homens. O senhor Silvano Godoy, na sua interessance Monografia, diz que ficaram no campo de batalha uns cinco mil, que devem ser mortos, pois feridos seriam muito poucos. O Coronel D. Crisóstomo Centurion, nas suas Reminiscências, declara que ficaram no campo de batalha mais de cinco mil cadáveres. Isto é um exagero, pois é sabido que nas batalhas o numero de feridos é mais do que o dobro do dos mortos. Ora, se morressem cinco mil, quantos seriam os feridos? Dessa forma, todo Exército Aliado teria ficado fora de combate em Curupaiti. (2) Thompson c Centurion„

Vistas das Trincheiras de Curupaiti e Parte do Campo de Batalha 22 de setembro de 1866

(2) Thompson c Centurion„ Vistas das Trincheiras de Curupaiti e Parte do Campo de Batalha 22

Ataque da Esquadra Brasileira às Baterias de Curupaiti 22 de setembro de 1866

Brasileira às Baterias de Curupaiti 22 de setembro de 1866 Depois que o Barão de Porto

Depois que o Barão de Porto Alegre conquistou Curuzu, com a cooperação eficaz da Esquadra, os encouraçados foram deslocados para a vanguarda, passando a vigiar a Fortaleza de Curupaiti e bombardeando diariamente o campo inimigo. Ao mesmo tempo, fazia minucioso reconhecimento da costa. A 22 de setembro de 1866, às sete da manhã, o Almirante Tamandaré mandou levantar âncoras e ato contínuo ordenou que os encouraçados Bahia e Lima Barros descobrissem a posição inimiga. (1) A parte do comandante da corveta Beberibe, Capitão-de-Fragata Delfim de Carvalho (Barão da Passagem), em cujo bordo se encontrava o Chefe de Estado-Maior (Barão do Amazonas), assinala que o Almirante portou-se com valor, cruzando o rio em bote várias vezes durante a pior fase do combate, indo pessoalmente dar ordens, desde a canhoneira Parnaíba à corveta Beberibe, e da mesma forma a outros navios. Para maior ilustração deste combate transcrevo parte do Visconde de Tamandaré:

“Comandante-ern-Chefe da Força Naval do Brasil no Rio da Prata, a bordo do vapor Apa em frente a Curuzu, 24 de setembro de 1866'’. Exmo. Sr. Conselheiro Affonso Celso de Assis Figueiredo, Ministro Secretário de Estado dos Negócios da Marinha. Peço desculpas a V. Excia. por não dar mais detalhes do que ocorreu por terra no ataque a Curupaiti, isto porque o tempo de que disponho é suficiente apenas para relatar a parte desempenhada pela Esquadra naquela jornada. Achando-se a Esquadra ancorada no dia 22 às 7 da manhã nas posições representadas no plano anexo nº 1 , ordenei que avançassem os encouraçados Bahia e Lima Barros até descobrirem o Forte de Curupaltl e rompessem fogo contra ele, ao mesmo tempo que toda a linha de trincheiras do inimigo era bombardeada pelos seguintes navios: Barroso, Tamandaré, Ipiranga, Belmonte, Parnaíba, bombardeiras Pedro Afonso e Forte de Coimbra e as chatas n.ºs 1, 2 e 3. Sucessivamente foram os outros navios da Esquadra tomando as posições indicadas no plano n.º 2 (2) abaixo de Curupaiti, os quais bom bardeavam o campo inimigo sem estar expostos às baterias do forte. Às oito da manhã o inimigo já fazia um vivo fogo de artilharia sobre as colunas do exército, que avançavam.

Ao meio-dia, o Capitão-de-Mar-e-Guerra José Maria Rodrigues rompia a estacada com os encouraçados Brasil, Barroso e Tamandaré e colocava-os em posição de metralhar a bateria inimiga ao mesmo tempo que o Lima Barros, o Bahia o Parnaíba, o Magé e Beberibe (com a insígnia do Barão do Amazonas), colocados obliquamente ao lado do Chaco, tentavam destruir a artilharia inimiga, composta de seis peças de libre 68 e algumas de calibre 32. Nesta ocasião mandei convergir o bombardeio para a fortaleza, porque os Aliados já avançavam e o fogo de artilharia e fuzilaria era geral em toda a extensão da trincheira. As canhoneiras fundeadas na margem esquerda começaram a trabalhar somente com rodízio de proa. Às três da tarde, ainda continuava o fogo vivíssimo da artilharia dos paraguaios e do Exército Aliado, sem nenhuma vantagem para qualquer dos lados. Nesta ocasião o General Mitre e o Barão de Porto Alegre resolveram efetuar a retirada para as posições que ocupavam em Curuzu.

O Forte de Curupaiti dirigiu seus fogos para os navios que estavam do lado do Chaco desde o meio-dia, principalmente para os encouraçados Brasil e

Tamandaré, os quais ficaram com as couraças de E.B. seriamente danificadas.

Algumas chapas foram rompidas, muitas cavilhas saltaram e as casamatas desses navios a E.B. sofreram bastante. Duas peças de 68 do Brasil foram destruídas e grande número de balas entraram nas casamatas pelas vigias, Causando os estragos e feridos que constam das partes anexas que envio. As avarias dos outros encouraçados não foram consideráveis.

A posição que ocupavam os navios acima da estacada ficou dificílima de ser sustentada depois da retirada dos exércitos por isso mandei que a

Esquadra se retirasse em ordem para a posição que ocupava anteriormente. Três peças de calibre 68 da bateria de Curupaiti foram destruídas pela Esquadra. A canhoneira Parnaíba recebeu duas balas e algumas metralhas, mas não teve avarias de importância.

Causou muitas perdas aos artilheiros paraguaios o fogo do fuzilaria que mandei fazer do Chaco pelo 16.º Batalhão de Voluntários, que se achava embarcado. Tivemos vinte e um homens fora de combate e vários feridos levemente, (3) entre estes o Capitão-de-Mar-Guerra Elizário António dos Santos, (4) comandante da 2.ª Divisão. Os navios formados do lado do Paraguai receberam algum fogo de metralha, fuzilaria e algumas balas que o inimigo atirava por elevação, mas não sofreram nenhuma avaria, apenas tiveram os feridos que constam da relação n.º 3. Nesta ocasião, não posso deixar de recomendar muito a V. Excia. todos os chefes, comandantes e oficiais de todas as classes e guarnições da Esquadra em geral, pelo entusiasmo e decisão com que entraram em combate, não deixando nada a desejar pelo lado da perícia e disciplina. Peço também a atenção de V. Excia. para os serviços do meu Estado-Maior, cujos oficiais ocupei na transmissão das minhas ordens nos botes dos navios empenhados na ação, servi-ço este que sempre cumpriram com a maior satisfação.

O Barão do Amazonas, Chefe de Estado-Maior, continua prestando serviços condizentes com o seu procedimento heróico na Batalha do Riachuelo,

quando durante quase um ano comandou a Esquadra no Paraná. Recomendo também a V, Excia. o 2.º Tenente da Marinha Sueca, Alfredo Lindback, que ao meu lado acompanhou rodas as operações da Esquadra nos diversos combates em Paso deIa Patria e aqui no rio Paraguai, portando-se como um digno oficial da ilustre marinha do seu país. Amanhã pretendemos fazer uma junta de guera em que tomará parte o General Polidoro, a fim de ser resolvido o que será conveniente fazer nas atuais circunstâncias. Faltam algumas partes dos comandantes, que serão remetidas na primeira ocasião.

Deus guarde V. Excia. Visconde de 'Tamandaré.“

Esta parte, bem como as dos comandantes da 2.ª e 3.ª' Divisões respectivamente Capitães-de-Mar-Guerra Elizário Antônio dos Santos e José Maria Rodrigues, e as dos comandantes dos demais navios deixam algo a desejar: primeiro, não aparecem as partes dos comandantes das canhoneiras Belmonte, Ivaí,Henrique Martins e Chuí. Além disso, não dizem qual foi o navio que conduziu 0 16.º Batalhão de Voluntários, nem onde desembarcou para tomar posição no Chaco em frente à Fortaleza de Curupait. Também não foi dito que quantidade de disparos dc canhão fez a Esquadra.(5)

Sabe-se que o vapor Greenbalgh (6)foi o encarregado das comunicações do Almirante com os Generais Mitre e Porto Alegre e que os transportes 16 de Abril, Marcílio Dias, Leopoldina, Maracanã etc. ocuparam-se com o transporte de feridos do Exército, mas não se sabe em que navio foi içada a bandeira vermelha e branca, que era o sinal convencionado para o Exército iniciar aquele assalto impossível.

(1) Vinte e dois navios da Esquadra Brasileira tomaram parte neste combate, mas o Almirante Tamandaré na sua parte geral não menciona mais de 13, que foram os que verdadeiramente atacaram as trincheiras. Os demais bombardearam o campo a muita distância, sem estarem expostos ao fogo do inimigo, como disse o Almirante em sua parte. Também na obra escrita sobre esta campanha pelo senhor Schneider, com anocações do senhor J. M. da Silva Paranhos está dito: “Sustentaram o fogo cinco encoraçados, cinco bombardeiras e os vapores Beberibe, Magé e Parnaíba; as outras canhoneiras ancoradas no lado do Chaco trabalharam somente com rodízio de proa. (2) Na mesma obra do senhor Schneider, com anotações de J. M. da Silva Paranhos, é dito: "Os planos que se refere este documento não chegaram à Secretaria da Marinha. (3) A Esquadra teve quatro oficiais e um marinheiro mortos,e trinta marinheiros soldados feridos. (4) Barão de Angra. 5) O senhor Thompson, na sua história sobre esta campanha, dlz que a Esquadra fez 5.000 disparos de canhão. Não podemos desmenti-lo categoricamente, mas é de supor que este cálculomseja exagerado, dado o númeto de navios que entraram em com bate, pois muitos deles apenas fizeram alguns disparos sobre o campo inimigo. (6) A Canhoneira Greenhalgh tinha este nome em memória do valente guarda-marinha que na Batalha do Riachuelo teve sob sua custara a bandeira da canhoneira Parnaíba, morrendo gloriosamente no seu posto de honra.

Marcha do Exército Aliado para Tomar Posição Para o Ataque a Curupaiti 22 de setembro de 1866

Posição Para o Ataque a Curupaiti 22 de setembro de 1866 Na véspera do ataque a

Na véspera do ataque a Curupaíti, foi avisado que ao toque de alvorada a almoçaria e em seguida colocaria nas mochilas toda a roupa, com exceção das mantas, que deveriam ser enroladas na cintura. (1) Ao mesmo tempo que a Esquadra Brasileira começava a bombardear o campo inimigo, (2) o Exército Aliado tomava posição para o ataque. 0 2.º Corpo do Exército Brasileiro deixava suas trincheiras de Curuzu e 1.º e o 2.º Corpos do Exército Argentino, seu acampamento na margem do rio Paraguai. Aquela marcha foi imponente e grandiosa. De qualquer ponto de observação, viam-se colunas de infantaria que marchavam silenciosas, umas sobre terreno alagado e outras pisando um campo verde-esmeralda. O céu estava completamente limpo e sob a luz de um sol ardente as armas brilhavam como relâmpagos no meio daquele matizado de uniforme. (3) Como as colunas eram muito extensas e o campo irregular, com pequenas elevações e árvores isoladas era impossível abranger com a vista, de urna vez, todo o Exército. Ànossa extrema esquerda, sobre o morrote que bordeja orio Paraguai, marchava a 1ªColuna Brasileira, comandada pelo Coronel Augusto Francisco Caldas; à direita desta, vinha a 2.ª, sob as ordens do Coronel Alexandre Manuel Albino de Carvalho. Quase em contato com esta, marchava o 1º Corpo do Exército Argentino (3.ªcoluna), sob o comando do General Wenceslao Paunero e ànossa extrema direita, um pouco recuado, entre elevações e estreitos, 0 2.ºCorpo do Exército Argentino, comandado gelo General D. Emílio Mitre. (4) Depois de uma marcha pausada, o Exército fez alto e, avançando as divisões que deveriam iniciar o ataque, formaram em colunas paralelas por brigadas; então, tocou descansar nos postos, enquanto continuava o ruído do bombardeio da Esquadra, o que nos fazia imaginar o grande estrago que estava causando àposição inimiga. As trincheiras de Curupaiti ficaram muito distantes e escondidas por um alto capinzal e uma elevação coberta de arbustos, de onde alguns soldados que subiam procuravam observar a posição inimiga, mas logo eram percebidos, recebíamos disparos de canhões de grosso calibre, cujas balas caíam antes da nossa posição.

Ficamos sob aquele sol abrasador até meio-dia, quando o General-em-Chefe do Exército Aliado ordenou ao seu corneteiro o toque de atenção e carga, toque que sem dúvida foi executado por aquele veterano, com o mesmo entusiasmo com que cumpria as ordens do General Lavalle. (5) Instantaneamente esse toque foi ouvido por todo o Exército e as colunas de atague puseram se em movimento.

A parte do GeneraI-em-Chefe, que transcrevo, dáuma relação exata da formação do Exército e corno transcorreu o ataque:

Presidente da República General-em-Chefe do Exercito Quartel-GeneraI, Curuzu, 24 de setembro de 1866 Ao Exmo. Sr Ministro Interino da Guerra, Coronel D. Julian Martinez. ‘’Sirva-se V. Excia, dar conhecimento a S. Excia. o senhor Vice-Presidente da República que no dia 22 do corrente, no comando do 1.ºe 2.ºCorpo

do Exército Argentino, sob as ordens imediatas do General Paunero e do General Emílio Mitre e 2.ºCorpo do Exército Brasileiro, sob as ordens imediatas do Barão de Porto Alegre, formando um total de rnais de dezoito mil homens, achando-se equilibradas as forças de ambos os aliados, empreendi o ataque sobre as linhas fortificadas de Curupaiti, defendidas por 56 peças de artilharia e guarnecidas por 14 batalhões, segundo as informações obtidas.

O ataque foi precedido por um vivo bombardeio de quatro horas, feito pela Esquadra Brasileira sob o comando do Almirante Tamandaré, que forçou

as estacadas do rio em frente a Curupaiti, ultrapassando a linha de torpedos. Ao meio-dia foi dada a ordem de avançar, o que foi feito em quatro colunas de ataque convenientemente apoiadas por suas reservas e por duas baterias, urna argentina e outra brasileira, que atiravam dos dois flancos da frente de ataque, cruzando seus fogos. As duas colunas da esquerda, ao lado do rio, eram compostas de tropas brasileiras e as duas da direita pertenciam ao Exército Argentino. As duas colunas centrais, que constituíam a base do ataque, marcharam decididamente para o assalto, apoiadas peIas colunas dos flancos, que marchavam paralelamente. Com esta formação foi tentado o assalto sob o fogo de fuzilaria e metralha do inimigo, forçando-se sua primeira linha de fortificações e avançando-se até o fosso da segunda linha, defendida por uma larga faixa de abatizes sobre a qual convergiam todos os fogos da artilharia paraguaia. Contido o ímpeto do ataque pela linha de abatizes com mais de sessenta metros de largura que era constituída por grossas árvores de espinhos enterradas no chão, as quais não foi possível queimar. procurou-se abrir passagem por onde penetrassem algumas companhias que dominassem com seus fogos o parapeito inimigo e permitissem entulhar o fosso com faxinas e as escadas que eram levadas. Como V. Excia muito bem sabe, as linhas de abatizes nunca foram forçadas em assalto franco, nem pelas melhores tropas do mundo; assim sendo, foi necessário reforçar o ataque com a segunda linha de reservas, comprometendo-se, nas duas colunas centrais, vinte e quatro batalhões em combate (doze em cada urna). Enquanto isso, as colunas dos extremos manobravam procurando forçar os flancos da linha inimiga que se apoiava à direita no rio Paraguai e à esquerda em dois lagos, sendo ainda protegida por um bosque e dois esteiros intransponíveis que se prolongavam até a retaguarda da nossa direita. Nesse lado se localizavam algumas baterias de flanco e de revés dos paraguaios. Estabeleceu-se neste ponto uma bateria argentina apenas para responder ao fogo pois não era possível flanquear por ali a posição inimiga, por serem os esteiros e o bosque intransponíveis. O ataque pelo centro, reforçado pelas reservas, foi mantido durante duas horas e quinze minutos, dominado pela última linha do inimigo que fazia fogo com trinta peças, que atiravam à metralha. Nestas circunstâncias, de comum acordo o Barão de Porto Alegre, e vendo que não era possível forçar com vantagem a linha de abatizes a não ser comprometendo nossas últimas reservas, o que não permitiria que obtivéssemos os frutos dessa vitória parcial, se conseguida, pois não teríamos tropa suficiente para penetrar em ordem na linha adversária e fazer frente ao inimigo, concordamos em ordenar retirada simultânea e em ordem, reunindo previamente todos os nossos feridos. Assim foi feito depois das duas da tarde, retirando-se os batalhões com suas bandeiras desfraldadas para a retaguarda da nossa linha de reservas, que ficou convenientemente localizada, a oitocentos metros da linha inimiga, protegendo este movimento. Da hora em que se iniciou a retirada até depois das cinco da tarde, mantivemos a mesma disposição, avançando uma linha de atiradores sobre a trincheira inimiga e mantendo o fogo sob o tiro de metralha, sem que um só inimigo se atrevesse a sair de suas fortificações, e só fomos hostilizados pela sua artilharia, o que foi respondido pela nossa.

Depois das cinco da tarde, quando já havíamos recolhido todos os nossos feridos, ordenei um movimento de retirada por escalões sob o fogo das baterias de flanco do inimigo. Antes do amanhecer, voltamos a ocupar as nossas posições anteriores em Curuzu, onde permanecemos até a presente data. O denodo das tropas, tanto brasileiras como argentinas, não poderia ter sido maior nesta jornada e nenhum elogio se faz necessário para que todos recebam a merecida justiça. Portanto, limito-me a dizer que o comportamento de todos foi heróico e, estando presente durante as cinco horas de combate, considero a todos, sem exceção alguma credores da gratidão do povo e da consideração do governo, recomendando muito especialmente aqueles que, com tanto ímpeto, marcharam para o assalto e morreram gloriosamente em cima da trincheira inimiga. Nossas perdas foram consideráveis, o total para ambos os exércitos deve atingir 3.000 homens entre mortos e feridos, dos quais mais de quatrocentos mortos, correspondendo aproximada- mente a metade a cada um dos aliados que uma vez mais fraternizaram no campo de batalha, derramando generosamente seu sangue em hora de sua causa. Do Exército Argentino tornaram no assalto dezessete batalhões, caindo mortos ou feridos a maior parte dos chefes que os conduziram, incluindo-se entre os mortos, em consequência dos ferimentos recebidos, os Coronéis Rosetti e Charlone, os Comandantes Fraga e Alejandro Diaz e o Sargento-mor Lucio Salvadores, além de muitos outros oficiais. Entre os feridos tivemos o Coronel Rivas, que comandava a principal coluna de ataque, os Comandantes Calvete, Ayala, Gaspar e Luiz Maria Campos y Giribone e Sargentos-Mores Lora Retolanza, Fernandez, Mansilla (contuso) e muitos outros oficiais, cuja relação será feita oportunamente para honra e glória deles. Deus guarde V. Excia. Bartolomé Mitre’’

(1) Antes de marchar para o ataque, as mochilas foram colocadas na elevação ao lado do rio e ficaram cuidadas por alguns soldados enfermos, O único batalhão que entrou em combate de capote foi 9.º de Linha. Os seus soldados, de longe, pareciam soldados russos na Criméia.

(2) A Esquadra Brasileira, antes de fazer fogo contra as trincheiras de Curupaiti, bombardeou o campo inimigo, onde havia alguma tropa paraguaia de avançada.

(3) As unidades do Exército Argentino naquela época não tinham uniformes iguais. O de Linha de Infantaria, os batalhões da Legião e 0 1.º e 2.º de Voluntários usavam quepe vermelho, enquanto os Outros batalhões de Linha, azuis.

Por algum tempo os da 2.ª Divisão Buenos Aires usaram quepe encarnado com uma chapa de metal redonda, onde era gravado o número do batalhão. Os oficiais da Legião Militar e 1.º, 2.º, e 6.º de Linha e alguns das Guardas Nacionais usavam largas calças vermelhas os do 1.º de Voluntários, dólmã encarnado guarnecido com galões pretos. Os soldados deste corpo, em vez de bombachas azuis e polainas, como usavam os demais corpos de Linha, usavam calças com franja verde. A Guarda Nacional usava quepe branco, jaqueta cinza com colarinho e ombreiras azul-celeste, e botões de metal amarelo (estes uniformes eram chamados ingleses; uma vez gastos, não voltaram a ser usados na campanha).

(4) Camo já se disse, o ataque foi feito por quatro colunas paralelas, duas brasileiras e duas argentinas, aquelas pelo lado esquerdo e estas pelo lado direito.

(5) O Sargento-Mor José Obregoso, veterano da Independência, foi durante algum tempo corneteiro do General Lavalle.

Creio que em nossa história militar e a única vez que um militar com este posto serviu corno corneteiro.

Vista do Interior de Curuzu, Tomada de Montante 20 de setembro de 1866

de Curuzu, Tomada de Montante 20 de setembro de 1866 O Barão de Porto Alegre, comandante

O Barão de Porto Alegre, comandante do 2.º Corpo do Exército Brasileiro, teve a glória de conquistar esta posição no dia 3 de setembro de 1866 com grande derramamento de sangue dos seus valentes batalhões de Voluntários da Pátria. Imediatamente abriu um fosso de trezentos metros, apoiando o lado esquerdo no bosque da barranca do rio e o flanco direito numa lagoa. Colocou em posição sua artilharia juntamente com a conquistada ao inimigo e deste modo ficou resguardado de algum ataque vindo de Curupaiti. Nessa área acampou o seu exército e nos ranchos abandonados pelos paraguaios, rodeados de altos curupaies, (1 ) instalou o seu Estado-Maior. Numa daquelas altas árvores, ainda se conservava uma tosca e frágil escada, de onde o inimigo observava a esquadra quando esta evoluía do outro lado da ilha. (2) Ao lado da muralha junto ao rio, (3) estavam sepultados os oficiais que sucumbiram gloriosamente na luta. Umas humildes cruzes marcavam este cemitério, que era olhado com veneração e respeito por seus camaradas. Um grupo de soldados fardados como zuavos chamavam atenção pelos seus vistosos uniformes, únicos no Exército. (4) O rio Paraguai não podia apresentar um aspecto mais alegre e pitoresco. Grande quantidade de navios se movia em todas as direções. Ali estava a numerosa Esquadra Brasileira, os poucos navios argentinos e seus transportes fretados. A estes se somava um grande número de embarcações de dimensões e formas variadas. Do outro lado da ilha de Curuzu, via-se uma fila interminável de mastros com bandeiras de diversas nações, sendo as italianas em maior número. '' ( 1 ) O patriota Almirante José Murature, argentino, que me honrava com sua amizade e carinho, foi quem me deu o material para este croqui e foi este o Último que minha mão direita desenhou, dois dias antes de ser destroçada pela metralha inimiga. Por coincidência, foi para este lugar que me transportaram quando fui ferido e retirado do combate, e onde encontrei o Dr. Lucilo Del Castillo, que, com toda a solicitude, fez os primeiros curativos no meu ferimento.

O senhor Jorge Thompson, a serviço de Solano López, diz que durante o bombardeio da Esquadra Brasileira em 2 de setembro, na véspera do

ataque a esta posição, este vigia foi feito em pedaços por uma bala de canhão, O senhor Juan C. Centurion, coronel paraguaio, nas suas memorias ou reminiscências históricas, faz mesma afirmação.

(2)

(3)

No assalto a Curuzu, as forças brasileiras tiveram 11 oficiais mortos e 40 feridos.

(4)

Eram duas companhias de negros baianos que serviam a bordo. Dizem que era a guarda do Almirante da Esquadra, Raras vezes eram vistos em

terra. Um capitão dessas companhias participou do ataque a Curuzu agregado ao 8.º Batalhão de Voluntários da Pátria do Rio de Janeiro e teve a glória de abaixar a bandeira paraguaia que ali tremulava.

Desembarque do Exército Argentino em Frente às Trincheiras de Curuzu 12 de setembro de 1866

em Frente às Trincheiras de Curuzu 12 de setembro de 1866 ‘’Estando o Exército Argentino acampado

‘’Estando o Exército Argentino acampado no memorável campo de Tuiuti, recebeu no dia 11 de setembro ordem para marchar. Depois da revista e do toque de oração, os batalhões ensarilharam as armas, desmontaram as barracas uma vez tudo organizado, com as unidades bem equipadas e em correta formação, as colunas marcharam para o lado esquerdo deste extenso. (1) A noite chegou rapidamente e, devido aos acidentes do terreno, a marcha foi lenta. Os soldados ora tropeçavam nos morrotes dos formigueiros, ora pisavam em esqueletos ou cadáveres mumificados dos paraguaios mortos nas sangrentas batalhas de 24 de maio (Tuiuti). Os oficiais deram ordem à tropa para guardar total silêncio, Por isso, só se ouvia choque dos cantis e o ruído damarcha quando se pisava o capim. A noite estava completamente escura, nada se via, mas todos sabiam que marchávamos pela margem da grande lagoa Piris e que a jornada so terminaria quando chegássemos à margem do rio Paraguai, onde desemboca a mencionada lagoa. Ali, éramos esperados pelos transportes brasileiros que nos conduziriam a Curuzu. O embarque efetuou-se com toda a rapidez e a frota pôs-se em marcha em seguida. Ao amanhecer, os primeiros navios chegaram ao seu destino, tendo-se aproximado da costa pelo canal da direita, (2) e ancorado um pouco antes de Curuzu, onde se realizou o desembarque. Os primeiros batalhões que chegaram a terra foram o 1.º de Linha, comandado por D. Manuel Rosetti, e o San Nicolas, naquela época sob comando do Major D, Pedro Retolaza. (3)

O desembarque ocorreu num denso canavial, anteriormente queimado pelos paraguaios, através do qual existia uma picada por onde as tropas deveriam passar, até chegar ao pequeno descampado em frente à trincheira de Curuzu. Aquela jornada foi bastante fatigante para os soldados que já haviam feito uma marcha noturna equipados e estavam mal-dormidos, por terem passado o resto da noite apertados nos navios. O desembarque continuou durante todo o dia. o 1.º Corpo do Exército, sob o comando do General wenceslao Paunero, acampou entre o rio Paraguai e uma grande lagoa, tendo à sua esquerda a trincheira de Curuzu. A direita, numa área estreita e encharcada, ficava o 2.º Corpo do Exército, sob o cornando do General Emílio Mitre. Os últimos batalhões localizaram-se junto a uma grande pântano rodeado por um morro intransponível. No dia seguinte (13 de setembro), o General-em-Chefe do Exército Aliado, com todo o seu Estado-Maior desembarcou da nossa velha nau capitânia, a Guardia Nacional, que nesse dia, por sorte, salvou-se de um grande desastre. (4) No dia 14, todo o Exército Argentino achava-se naquela área, já tendo chegada a artilharia que fora embarcada em Itapiru- Nos dias 15 e 16, os soldados de todos os corpos ocuparam-se fazendo escadas e faxinas de bambu. De 17 a 20 choveu copiosamente, tornando intransitável todo o acampamento. A Fortaleza de Curuzu consistia numa trincheira de terra bem compactada, com um fosso na frente e fortificada com 13 canhões de diferentes calibres. Seu flanco direito apoiava-se na barranca rio, e pela esquerda terminava numa extensa lagoa com uma paliçada. (5) No interior da fortaleza existia um pequeno morro onde predominavam os altos curupaies. Na barranca do rio existia uma caprichosa linha de árvores que seguiam sem interrupção até chegar à Fortaleza de Curupaiti. Um promontório que avançava no rio ocultava esta posição, ficando visível somente a estacada que atravessava o rio naquele ponto. Em frente à ilha de Curuzu, apareciam os mastros do encouraçado Rio de janeiro, posto a pique por um torpedo paraguaio no dia 2 de setembro véspera gloriosa conquista desta posição. (6) mais adiante estavam os encouraçados vigiando Curupaiti." (1)Ao mesmo tempo que o Exército Argentino desocupava esta área ela era ocupada pela 3.ªDivisão do 1.º Corpo do Exército Brasileiro, composto da 5.ª e 6.ª Brigadas, comandadas pelo Coronéis Augusto Guimarães e Costa Pereira, sobas ordens do General Guilherme de Souza. Vinte e um dias depois (2 de outubro) de regresso de Curupaiti, as tropas argentinas voltaram ocupar esta área, onde permaneceram até 22 de julho de 1867, quando foi executada marcha de flanco, por Tuiu-Cue.

(2)Antes de chegar a Curuzu o rio Paraguai é dividido em dois braços por uma pitoresca ilha, também chamada Curuzu. O canal da direita é multo mais estreito que o da esquerda, mas tem profundidade suficiente para os navios.

(3)Estes dois batalhões focam conduzidos pelo belo transporte brasileiro Marcilio Dias. Este navio foi construído no Rio de Janeiro, tendo sido batizado com este nome em memória ao intrépido marinheiro que a bordo da canhoneira* parnaíba sucumbiu gloriosamente lutando contra quatro soldados paraguaios na Batalha Naval do Riachuelo, em 11 de junho de 1865.

(4)O senhor Lucio Ravier, atual cônsul argentino em Punta Arenas, que fazia parte da tripulação da Guardia Nacional escreveu: ''Antes de chegar a Curuzu sentiu-se que o fundo do navio batera em alguma coisa, causando um pouco de alarme. Entretanto, o prático assegurou que o navio estava navegando pela parte mais profunda do canal. Quando estava sentido examinado o casco, viram-se flutuando os pedaços de um torpedo, que por sua má construção havia-se desmanchado."

(5)Foi por ali que o valente Tenente-Coronel da Guarda Nacional, Astrogildo Pereira da Costa, no dia 3 de setembro de 1866, frente do 34.º Batalhão de Voluntários da Pátria, comandado pelo bravo Maior Francisco de Lima e flanqueou a posição inimiga, atravessando a lagoa com agua até o peito.

(6)O senhor Juan C Centurion, nas suas Memórias ou Reminiscências Histórias, disse: "Em 2 de setembro, este encouraçado aproximou-se da estacada de Curupaiti e ali chocou-se com um torpedo. " Estava equivocado: o encouraçado foi posto a pique quase em frente a Curuzu. Cucupaiti e a estacada ficavam muito distantes daquele ponto.

Hospital de Sangue Brasileiro Paso de La Patria 17 de julho de 1866

de Sangue Brasileiro Paso de La Patria 17 de julho de 1866 Ataque do Boqueron Visto

Ataque do Boqueron Visto do Potrero Piris 18 de julho de 1866

de Sangue Brasileiro Paso de La Patria 17 de julho de 1866 Ataque do Boqueron Visto

Acampamento da Artilharia do Corpo de Exército do Barão de Porto Alegre Abaixo de Itapiru 13 de agosto de 1866

de Exército do Barão de Porto Alegre Abaixo de Itapiru 13 de agosto de 1866 Batalha

Batalha de Iataiti Corá 11 de julho de 1866

de Exército do Barão de Porto Alegre Abaixo de Itapiru 13 de agosto de 1866 Batalha

A 1º de julho, às 3 da tarde, mais ou menos, os paraguaios atacaram uma companhia do Batalhão Catamarca, que estava de avançada numa moita de palmeiras ao norte do Paso Leguizamon e perseguindo-a até o mesmo Paso. Neste ponto, a companhia recebeu apoio do resto do seu batalhão e do Corrientes, rechaçando os paraguaios até o Paso de lataiti Corá. O Batalhão e do Corrientes deixou suas avançadas no Paso Leguizamon. No dia seguinte, 2 de julho bem Brigada constituída pelo 1.º de Linha e o Batalhão San Nicolas recebeu ordem de preparar-se para ir apoiar o Corrientes no Paso Leguizarnon. As 3 da tarde, mais ou menos, ouviu-se um grande tiroteio na direção daquele local e imediatamente foi posto em marcha o 1.º de Linha, seguido Batalhão San Nicolas comandados, respectivamente, pelos Coronéis Roseti e Boer.

Antes de chegar àquela posição, o 1.º de Linha entrou em combate com as tropas que vinham perseguindo o Corrientes, além de outras, numerosas, que avançavam pelo outro lado do Paso Leguizamon.

Por alguns momentos o 1.º de Linha esteve ameaçado por um regimento de cavalaria que se aproximava pelo seu flanco esquerdo tornando sua situação insustentável. Mesmo assim seu chefe preferiu formar quadrado, desobedecendo à ordem de retirada do Coronel Riva, e quando o San Nicolas e o corrientes avançaram, repelindo energicamente o inimigo, 1.º de Linha contra-atacou, equilibrando o combate e obrigando o inimigo, face à furiosa pressão dos três batalhões, a recuar, perseguido. Diante da aproximação da Brigada Arredondo, que rapidamente acudia ao combate, os paraguaios aceleraram a retirada, que degenerou em debandada, O incêndio do campo dificultou a total destruição do inimigo, a perseguição foi interrompida por ordem do General Paunero, ao ser alcançada a moita de palmeiras, de onde os batalhões vitoriosos regressaram ao Paso Leguizamom

O General-em-Chefe, que observava este combate, ordenou que a 2.ª Brigada sob o comando do Coronel Charlone ocupasse a moita de palmeiras, ordem que foi imediatamente executada, mas, quando os batalhões alcançaram aquele ponto foram vigorosamente atacados.

A Brigada Charlone lutou galhardamente até o seu último cartucho, sendo reforçada pelo 4.º e 6.º de Linha e apoiada pelo 1.º de Linha e pela 1.ª Legião de Voluntários, que deslocando-se de suas posições, atacaram violentamente, levando o inimigo a completa derrota.

Os batalhões San Nicolas, Corrientes e Rioja, no Paso Leguizamon, estavam prontos para tomar parte neste novo combate, como também à nossa esquerda o 5.º de Linha, o Santa Fé e a 2.ª Legião de Voluntários.

Este quadro representa o que as últimas luzes do dia e o incêndio do campo, avivado por forte vento, permitiram ver da desordenada retirada.

A Esquadra Brasileira no Canal Privado de Paso de La Patria 23 de abril de 1866

no Canal Privado de Paso de La Patria 23 de abril de 1866 A Esquadra Brasileira,

A Esquadra Brasileira, nos dias 16, 17 e 18 de abril, havia apoiado com suas forças a do território Paraguaio pelo Exército Aliado. Uma vez ocupado Itapiru, a Esquadra continuou seus movimentos, penetrando no Canal Privado de Paso de Ia Pátria, ficando o campo fortificado onde estava concentrado o Exército Paraguaio, ao dos seus canhões. Enquanto o Exército Aliado efetuava reconhecimentos para as futuras operações, a Esquadra bombardeava diariamente as trincheiras paraguaias. Na manhã de 23 de abril, notou-se um grande incêndio no campo inimigo, provocado pelo Comando paraguaio, que resolveu ocupar uma posição mais ao norte, menos exposta aos fogos da Esquadra. A 24 do mesmo mês, os Aliados ocupavam o campo fortificado de Paso de Ia Pátria.

Campo Fortificado de Paso de La Patria 27 de abril de 1866

Campo Fortificado de Paso de La Patria 27 de abril de 1866 Surpresa à Vanguarda do

Surpresa à Vanguarda do Exército Aliado no Estero Bellaco 2 de maio de 1866

de Paso de La Patria 27 de abril de 1866 Surpresa à Vanguarda do Exército Aliado

Episódio do 1º de Cavalaria no Estero Bellaco 2 de maio de 1866

Episódio do 1º de Cavalaria no Estero Bellaco 2 de maio de 1866 Tuiti 24 de

Tuiti 24 de maio de 1866

Episódio do 1º de Cavalaria no Estero Bellaco 2 de maio de 1866 Tuiti 24 de

Episódio da Segunda Divisão Buenos Aires na Batalha de Tuiuti 24 de maio de 1866

Episódio da Segunda Divisão Buenos Aires na Batalha de Tuiuti 24 de maio de 1866 Batalha

Batalha de Tuiuti 24 de maio de 1866

Episódio da Segunda Divisão Buenos Aires na Batalha de Tuiuti 24 de maio de 1866 Batalha