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“AVALIAÇÃO INTEGRADA DO IMPACTO DO USO DE AGROTÓXICOS NA MICROBIOTA DO SOLO. ESTUDO DE CASO:

“AVALIAÇÃO INTEGRADA DO IMPACTO DO USO DE AGROTÓXICOS NA MICROBIOTA DO SOLO. ESTUDO DE CASO: PATY DO ALFERES - RJ”

por

CLÁUDIO MÁRCIO DE MESQUITA

Orientador: Prof. Dr. Aldo Pacheco Ferreira

Dissertação apresentada a Escola Nacional de Saúde Pública-FIOCRUZ, para obtenção do título de Mestre em Ciências na área de Saúde Pública: Área de Concentração Saneamento Ambiental.

RIO DE JANEIRO - BRASIL

Estado do Rio de Janeiro

Março - 2005

FICHA CATALOGRÁFICA

Cláudio Marcio de Mesquita

Avaliação integrada do impacto do uso de pesticidas na microbiota do solo. Estudo de caso: Paty do Alferes - RJ / Cláudio Marcio de Mesquita

Rio de Janeiro, 2005

Dissertação (Mestrado) – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca. Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental

1.

Sustentabilidade 2. Microbiota do solo 3. Agrotóxicos 4. Respiração basal

5.

Biomassa microbiana 6. Coeficiente metabólico

Dedico,

Aos meus pais pelo carinho, criação e a transmissão de valores que são as maiores riquezas educacionais que já recebi e a minha irmã que sempre me incentivou em todos os meu projetos.

AGRADECIMENTOS

A

FIOCRUZ

e

a

ANVISA

pelas

bolsas

desenvolvimento da pesquisa.

concedidas

e

suporte

financeiro

para

A ENSP e ao departamento de Saneamento Ambiental por ter me proporcionado a

oportunidade de realização do curso.

A EMBRAPA-Agrobiologia que abriu as portas de seu laboratório de solo para que

fosse possível a realização das análises químicas.

A equipe do laboratório de solos da EMBRAPA-Agrobiologia, em especial ao técnico

Flávio e ao pesquisador Nelson que muito colaboraram na execução das análises.

A Doutora Norma Rumjanek da EMBRAPA-Agrobiologia e sua equipe, em especial

ao Enderson, que ajudaram nas análises químicas e na interpretação de muitos resultados.

A Secretaria Municipal de Agricultura Abastecimento e Meio Ambiente de Paty do

Alferes e em especial ao engenheiro agrônomo Fortunato Gabriel Gonçalves Delgado pela imensa colaboração na coleta das amostras de solo e no fornecimento de valiosas informações.

Ao professor doutor Francisco Roma Paumgartten pelos valiosos comentários ao projeto de qualificação.

Em especial ao professor doutor Aldo Pacheco Ferreira pela acolhida, incentivo, ajuda e fé no meu potencial.

Aos demais companheiros da turma de mestrado de 2003, Ana, Leila, João Vitor, Fábio, Brás e Vicente que me acompanharam, colaboraram e incentivaram durante estes dois anos.

Aos meus amigos pelo apoio e incentivo.

Sumário

Lista

de

figuras.

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8

Lista

de

fotos.

 

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9

Lista de

 

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10

Lista de

 

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11

Lista de

 

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12

Lista de

 

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13

RESUMO.

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14

ABSTRACT.

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16

1 Introdução.

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18

 

1.1

18

1.2

JUSTIFICATIVA PARA A ESCOLHA DO

20

1.3

FORMULAÇÃO DA

 

21

1.4

RELEVÂNCIA DO

 

23

2 Objetivos de

 

24

 

2.1 OBJETIVO

 

24

2.2 OBJETIVOS

 

24

3 Referencial

 

25

 

3.1

PRESSUPOSTOS

 

25

4 Revisão de

 

26

 

4.1

26

 

4.1.1 Consumo de

 

27

4.1.2 Impacto dos agrotóxicos na saúde da

29

4.1.3 O impacto dos agrotóxicos no meio

37

 

4.2

SOLO .

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40

4.2.1

Qualidade do

40

 

4.2.2

Biodiversidade do

 

41

 

4.3

INDICADORES BIOLÓGICOS.

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42

 

4.3.1 Respiração basal do solo

 

43

4.3.2 Biomassa microbiana do solo (BMS)

 

44

4.3.3 Quociente metabólico (qCOB 2 B)

 

45

 

4.4 SAÚDE PÚBLICA

 

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46

4.5 SUSTENTABILIDADE

 

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48

5

Metodologia.

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49

5.1

SÍTIO DE

 

49

5.2

52

5.3

ANÁLISE DA BIOMASSA MICROBIANA DO

 

54

5.4

ANÁLISE DA RESPIRAÇÃO BASAL DO

 

56

5.5

QUOCIENTE

 

56

5.6

ANÁLISE

 

56

5.7

ANÁLISE DOS RESULTADOS DAS

 

58

5.8

METODOLOGIA DE

 

59

5.9

ANÁLISE DOS ASPECTOS ÉTICOS DA

 

59

6

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60

 

6.1

COMPARAÇÃO

 

COM

AMOSTRA

DE

MATA

CLIMAX

61

 

LOCAL

 

6.1.1 Biomassa microbiana do solo

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61

6.1.2 Respiração basal do solo

 

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63

6.1.3 Quociente metabólico

 

66

 

6.2

COMPARAÇÃO ENTRE OS RESULTADOS DAS AMOSTRAS COLETADAS EM JUNHO E NOVEMBRO.

 

68

 

6.2.1

Biomassa microbiana do

 

68

6.2.2

Respiração basal do

69

6.2.3 Quociente 69 6.3 COMPARAÇÃO POR ALTURA DE 71 6.3.1 Biomassa microbiana do solo .
6.2.3
Quociente
69
6.3 COMPARAÇÃO POR ALTURA DE
71
6.3.1 Biomassa microbiana do solo
.
71
6.3.2 Respiração basal do
72
6.3.3 Quociente metabólico
73
6.4 COMPARAÇÃO COM DADOS DA
75
7 Discussão dos
77
7.1
COMPARAÇÃO
COM
AMOSTRA
DE
MATA
CLÍMAX
78
LOCAL
7.1.1 Biomassa microbiana do solo
78
7.1.2 Respiração basal do solo
79
7.1.3 Quociente metabólico
80
7.2
COMPARAÇÃO ENTRE OS RESULTADOS DAS
81
AMOSTRAS COLETADAS EM JUNHO E NOVEMBRO.
7.2.1 Biomassa microbiana do solo
81
7.2.2 Respiração basal do solo
82
7.2.3 Quociente metabólico
83
7.3
COMPARAÇÃO POR ALTURA DE
84
7.3.1 Biomassa microbiana do solo
84
7.3.2 Respiração basal do solo
84
7.3.3 Quociente metabólico
85
7.3
COMPARAÇÃO COM DADOS DA
87
8 Conclusão.
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9 Recomendações
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93
Referências
94

Lista de figuras

01

Área de coleta

53

Lista de fotos

01

Sítio de estudo na região de Caetés, na cidade de Paty do Alferes-RJ, em junho de 2004

51

02

Área de coleta da amostra clímax local na região de Caetés, na cidade de Paty do Alferes-RJ, em junho de 2004

55

Lista de Gráficos

01

Gráfico comparativo dos valores de C-biomassa das ASE e da respectiva AMC, em dois períodos diferentes de amostragem, na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ.

63

02

Gráfico comparativo dos valores de C procedentes da RBS das ASE e AMC coletadas na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ, em dois períodos diferentes.

66

03

Gráfico do quociente metabólico (qCOB 2 B) das ASE e AMC coletadas na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ, em dois períodos diferentes.

68

04

Médias dos valores de C-biomassa das amostras de solo conforme a altura da coleta no sítio de estudo na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ, em dois períodos diferentes

72

05

Médias dos valores de RBS das amostras de solo conforme a altura da coleta no sítio de estudo na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes- RJ, em dois períodos diferentes

73

06

Médias dos valores de q(COB 2 B) das amostras de solo conforme a altura da coleta no sítio de estudo na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes- RJ, em dois períodos diferentes

75

Lista de Tabelas

01 Incremento no consumo de defensivos agrícolas no mercado mundial no período 1985/1990 e consumo no ano de 1985.

29

02 Consumo de Defensivos Agrícolas por unidade de área em alguns países em

1989.

29

03 Mortes

por subdesenvolvidos (em todas as idades).

com

envenenamento

Defensivos

Agrícolas

para

países

33

04 Distribuição de agrotóxicos, por nome técnico, utilizado em Paty do Alferes, RJ.

38

05 Relação dos agroquímicos utilizados pelos agricultores da região de Paty do Alferes.

52

06 Resultados das análises de BMS das amostras de solo coletadas no sítio de estudo e em área de mata clímax local na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ, em dois períodos diferentes. 62

07 Resultados das análises de umidade das ASE e AMC coletadas na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ, em dois períodos diferentes. 64

08 Resultados das análises de Respiração Basal das ASE e AMC coletadas na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ, em dois períodos

65

09 Resultados qCOB 2 B das ASE e AMC coletadas na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ, em dois períodos diferentes. 67

diferentes.

10 Análise estatística do Desvio Padrão (DP), Coeficiente de Variação (CV) e a Amplitude de Variação (AV) dos valores de BMS das amostras coletadas no sítio de estudo na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ, em dois períodos diferentes.

69

11 Análise estatística do Desvio Padrão (DP), Coeficiente de Variação (CV) e a Amplitude de Variação (AV) dos valores de RBS das amostras coletadas no sítio de estudo na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ, em dois períodos diferentes.

70

12 Análise estatística do Desvio Padrão (DP), Coeficiente de Variação (CV) e a Amplitude de Variação (AV) dos valores de qCOB 2 Bdas amostras coletadas no sítio de estudo na região de Caetés na cidade de Paty do Alferes-RJ, em dois períodos diferentes.

71

13 Média dos valores das análises de BMS, RBS e q(COB 2 B) das amostras de solo de acordo com a altura da coleta nos meses de junho e novembro de 2004.

74

14 Resultados de análises de C-BMS, RBS e qCOB 2 Bobtidos na literatura e a média dos resultados obtidos no presente trabalho.

76

Lista de Quadros

01

Principais ações e lesões causadas pelos agrotóxicos

30

02

Sintomas que os agricultores relataram terem apresentado durante e/ou logo após a preparação e/ou aplicação de pesticidas na lavoura. Paty do Alferes, Rio de Janeiro, Brasil.

34

03

Inseticidas e fungicidas usados no município de Paty do Alferes, Rio de Janeiro, Brasil.

35

04

Classificação toxicológica de praguicidas quanto à periculosidade.

36

05

Concentrações de carbono e respectivas absorbâncias a 495 nm

55

Lista de Siglas

AMC

Amostra de Mata Clímax local

ASE

Amostra do Sítio de Estudo

AV

Amplitude de variação

BMS

Biomassa Microbiana do Solo

BM

Biomassa Microbiana

C

Carbono

CV

Coeficiente de Variação

DP

Desvio Padrão

N

Nitrogênio

P

Fósforo

qCOB 2 B

Quociente metabólico

RB

Respiração Basal

RBS

Respiração Basal do Solo

S

Enxofre

WHO

World Health Organizations

RESUMO

Autor: Cláudio Márcio de Mesquita. Orientador: Profº Doutor Aldo Pacheco Ferreira

O Brasil é um país de perfil agroexportador e depende muito do resultado do setor agrícola

para o equilíbrio da sua balança comercial. Por conta disso, os agrotóxicos têm um papel de grande importância para agricultura e seu uso é incentivado com o objetivo de aumentar a produtividade do setor, mas também são responsáveis pela contaminação do solo, ar e água e por diversas interações danosas a biodiversidade e ao meio ambiente. A cultura de tomate é um exemplo fiel deste quadro, pois é caracterizada pelo uso maciço e indiscriminado de

agrotóxicos. Dentre as alterações ocasionadas por esta prática uma das mais importantes são

as relacionadas ao solo e sua microbiota. No entanto, os estudos e os conhecimentos a respeito

das interações decorrentes dos agrotóxicos e seus metabólitos sobre o solo, sua microbiota e a repercussão disso para a saúde ambiental e a saúde da população são muito escassos. O objetivo deste trabalho é avaliar o impacto causado pelos agrotóxicos e seus resíduos na microbiota do solo, em uma cultura de tomate, e avaliar os efeitos deste impacto sobre a saúde do ambiente. O sítio de estudo foi uma área delimitada (20 x 10 m) de uma plantação de tomates localizada no distrito de Caetés município de Paty do Alferes-RJ, onde dentre os diversos manejos realizados o uso abusivo e indiscriminado de agrotóxicos nas plantações sem nenhum tipo de prática conservacionista é preocupante. Neste sítio, por se tratar de um terreno com acentuada declividade foram coletadas 9 amostras, 3 em cada altura do terreno:

topo, meio e base, distanciadas lateralmente 3 metros uma da outra. Foi coletada uma amostra de uma área próxima de mata clímax local para fazer uma avaliação comparativa. Foram feitas duas coletas de amostras a primeira no mês de junho de 2004, por ser inverno na região e a plantação se encontrar em meio a manejos usuais, como a utilização de agrotóxicos. A segunda coleta ocorreu no mês de novembro de 2004 quando já havia terminado o ciclo de cultivo do tomate nesta área e, portanto as plantações deram lugar à vegetação de pastagem sem nenhum manejo e aplicação de agrotóxicos. As amostras coletadas foram submetidas às análises químicas de biomassa microbiana e respiração basal e com os resultados das mesmas foi calculado o coeficiente metabólico. Com os resultados obtidos das amostras do sítio de

estudo nas duas coletas foi feito um comparativo entre elas e seus valores médios, com as respectivas amostras de mata clímax local e com valores da literatura. A comparação dos resultados mostrou que em momentos diferentes e sob tipos de manejos diferentes o solo do sítio de estudo apresentou alterações provocadas pela ação dos agrotóxicos. Na comparação com a amostra de mata clímax local foi constatado diferença entre os valores. Com relação à comparação dos resultados obtidos das amostras do sítio de estudo nas duas coletas com os dados de literatura foi possível verificar que os valores encontrados nas análises foram menores que os encontrados em literatura para áreas com a mesma classe de solo. Todas estas constatações mostraram que o solo no sítio de estudo encontrava-se impactado tanto em junho quanto em novembro de 2004 e que esse impacto tem um efeito na saúde do ambiente.

Palavras chaves: Impacto ambiental, Agrotóxico, Microbiota do solo, Respiração Basal do solo, Biomassa Microbiana do solo, Coeficiente Metabólico.

ABSTRACT

Author: Cláudio Márcio de Mesquita. Adviser: Profº Doutor Aldo Pacheco Ferreira

Brazil is a country of agribusiness profile and depends a lot on the agricultural section result for the balance of its trade balance. Due to that, the toxic agrochemical products have a great importance for agriculture and their use is motivated with the objective of increasing the productivity of the section, but they are also responsible for the contamination of the soil, air and water and for several harmful interactions on the biodiversity and the environment. The tomato plantations are an example faithful of this picture because they are characterized by the great and indiscriminate toxic agrochemical products use. Among the alterations caused by this practice one of the most important are related to the soil and its microbial community. However, the studies and the knowledge regarding the current toxic agrochemical product interactions and their metabolites on the soil and microbial community and the repercussion of that for the environmental health and the health of the population are very scarce. The objective of this work is to assess the impact provoked by agrochemicals and referred metabolites to the soil microbial community in a tomato culture and assess the effects provoked by these impact in the environmental health. The study ranch is a delimited area (20 x 10 m) of a tomato plantation localited in the district of Caetés municipal district of Paty do Alferes-RJ, where among the several accomplished agricultural practices the abusive and indiscriminate toxic agrochemical product use in the plantations without any type of conservative practice is a concern. In this ranch 9 samples were collected, and in function of the steepness of the land, 3 in each height of the land: top, half and base, distanced 3 meters sidelong one between each other. It was collected a sample of a nearby area in climax site forest to make a comparative valuation . Sample were two sample collectioned twices, the first in the month of June of 2004, during winter when the plantation was under usual handlings, such as application of agrochemical products. The second collection happened in November of 2004 after the tomato harvesting and therefore the plantation gave place to the pasture vegetation without any handling and toxic agrochemical application. The collected samples were submitted to the chemical analyses of microbial biomass and basal respiration and the results were used for calculating the metabolic quotient. With the obtained results

from the samples of this study ranch in the two collections a comparative one was made between them and their medium values, with the respective samples collected in climax site forest and with values of the literature. The comparison of the results showed that in different moments and under different land uses, the soil presented alterations probably associated to the toxic agrochemical action. In comparison with a sample colected in climax site forest difference was verified. In relation to the comparison of the results to literature data it was possible to verify that the values found in the analyses were lower than that found in literature for areas with the same soil. These data suggested that the soil in the study ranch was impacted in June and November of 2004 and that the impact may be associated to the environmental health.

Key-words: Environmental impact, Toxic agrochemical products, Soil Microbiota, Soil Basal Respiration, Soil Microbial Biomass, Metabolic Quotient.

Capítulo 1

Introdução

1.1 – APRESENTAÇÃO

A atividade agrícola no Brasil é de grande importância para o equilíbrio da balança comercial, por conta da expectativa com relação ao setor agrícola, os investimentos no campo em mecanização e consumo de agroquímicos são muito grandes. O Brasil atualmente é o maior consumidor de agrotóxicos da América do Sul e um dos principais do mercado mundial, isso retrata bem a dependência química das plantações brasileiras aos agrotóxicos. Além disso, esse quadro retrata o grande risco a que são submetidos o meio ambiente e a saúde da população, nestas regiões.

O presente estudo tem como intenção avaliar o impacto causado pelo uso abusivo e indiscriminado de agrotóxicos e seus metabólitos na microbiota do solo de uma cultura de tomates e avaliar os efeitos deste impacto sobre a saúde do ambiente.

Os agrotóxicos têm um papel de grande importância para agricultura, por outro lado são responsáveis pela contaminação do solo, ar e água e por diversas interações danosas a biodiversidade e o meio ambiente.

As áreas agrícolas em todo mundo estão sujeitas a diversos riscos ambientais, segundo DUMANSKI & PIERI (2000) estima-se que 40% das terras agrícolas do mundo sofrem degradação e um dos principais fatores responsáveis é o uso indiscriminado de agrotóxicos para controle de pragas e doenças nas plantações.

Esse uso indiscriminado de agrotóxicos ocorre muito por conta de pressões por altas produtividades na área agrícola, onde os trabalhadores rurais cada vez mais deixam de obedecer a regras de segurança pessoal e não respeitam a capacidade de absorção e recuperação do ambiente. Por conta disso, vêm aumentando o número de áreas agrícolas impactadas, e o agravamento da situação de outras que já estavam. Isso, ao longo dos anos, vêm diminuindo a produtividade do solo e influenciando na economia, na saúde do meio ambiente e das populações.

1.2 – JUSTIFICATIVA PARA A ESCOLHA DO TEMA

O interesse pelo tema originou-se ainda na época de atuação na iniciativa privada, onde

trabalhava em uma empresa de controle de pragas urbanas, e lidava com controle de pragas e via uma enorme lacuna de informações quanto a determinadas ações de pesticidas no meio ambiente.

O uso de pesticidas de um modo geral é cercado de questões que necessitam de maiores

estudos, pois não se conhece, com exatidão, o quanto às interações, que ocorrem entre pesticidas e a microbiota do solo, são danosas ao meio ambiente. Da mesma forma não se conhece todos os processos de decomposição destas substâncias, quais os metabólitos

gerados, sua toxicidade final e os prejuízos que isso trás para o meio ambiente. Somado a isso, a constatação da falta de um trabalho educacional sistemático na população rural, abordando questões importantes como o descarte de embalagens vazias, uso racional de agrotóxicos e medidas de prevenção à saúde, agravam ainda mais o problema dos agrotóxicos

no ambiente rural.

Conhecer os efeitos provocados por um agente químico em um determinado meio, o solo, é muito importante para que se possa fazer deste conhecimento uma ferramenta útil para um uso mais racional, com maior eficiência e sem tantos danos ao meio ambiente e a saúde da população.

1.3– FORMULAÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA

Os agrotóxicos figuram atualmente como um dos principais poluidores e agentes causadores

de impacto nos agroecossistemas, principalmente no solo. Eles são responsáveis pelos mais

diversos tipos de interações, onde muitas levam a degradação dos recursos naturais fundamentais para fertilidade do solo, alterações na sua estruturação e principalmente diminuem a diversidade de organismos (ZILLI et al., 2003). Sob este aspecto, a qualidade do solo pode ser diretamente comprometida pelo uso inadequado e em excesso de agrotóxicos, principalmente na supressão de determinados organismos vivos do solo que atuam diretamente na ciclagem de nutrientes. Essa alteração na diversidade de microrganismos provoca uma eliminação de espécies sensíveis e a proliferação de outras resistentes ou mais tolerantes aos agrotóxicos, em um processo conhecido como redundância (KENNEDY,

1999).

Os conhecimentos ainda escassos sobre a diversidade taxonômica de grupos funcionais não permitem a avaliação da contribuição efetiva dos componentes dos grupos funcionais na estabilidade e atividade dos processos (WATANABE, 2001). Assim torna-se necessário estabelecer indicadores confiáveis de qualidade do solo que sejam sensíveis a estresses ambientais e que reflitam realmente o nível quantitativo e qualitativo do impacto em um determinado ambiente.

O entendimento atual do conceito de qualidade de solo compreende o equilíbrio entre os

condicionantes geológicos, hidrológicos, químicos, físicos e biológicos (BRUGGEN & SEMENOV, 2000; SPOSITO & ZABEL, 2003). Esse termo, muitas vezes utilizado como

sinônimo de saúde do solo, refere-se a sua capacidade de sustentar a produtividade biológica dentro das fronteiras do ecossistema, mantendo o equilíbrio ambiental e promovendo a saúde

de plantas e animais e do próprio ser humano (DORAN et al., 1996; SPOSITO & ZABEL,

2003).

Os indicadores microbiológicos devem regular os processos ecológicos do solo e refletir as condições dos manejos atuais. Desta maneira são úteis para determinação dos efeitos positivos e negativos sobre a qualidade do solo e a sustentabilidade das práticas agrícolas (LOPES,

2001).

A diversidade e quantidade microbiana, representada pela biomassa microbiana (BM),

figuram como um dos mais importantes indicadores para análise da qualidade de um solo, pois têm um importante papel uma vez que dela vai depender a ciclagem dos nutrientes e o seu armazenamento, o fluxo de energia e a transformação de C, N e P (DIAZ-RAVIÑA et al. 1993; DE-POLLI & GUERRA, 1999; GAMA-RODRIGUES et al., 1997; ESPÍNDOLA,

2001).

Um outro indicador importante para avaliação da qualidade do solo é a respiração basal (RB), pois esta reflete a atividade da microbiota do solo responsável pela degradação de compostos orgânicos (LOPES, 2001).

E por último o quociente metabólico (qCOB 2 B) que é obtido pela razão entre a respiração basal e

a biomassa microbiana. Ele é utilizado como um indicador de impacto do solo uma vez que

retrata o quanto este meio pode ou não estar impactado.

Entendendo o solo como um corpo vivo acredita-se que a qualidade pode influenciar não só

na

fertilidade e na biodiversidade de organismos vivos presentes nele, mas como na qualidade

da

saúde do homem que vive e trabalha neste solo. Através de dados obtidos dos indicadores,

BMS, RBS e qCOB 2 B busca-se uma melhor compreensão do impacto provocado por agrotóxicos especificamente no solo, e a influência deste impacto na saúde do ambiente.

Espera-se que, com dados obtidos através dos bioindicadores, seja possível a adoção de medidas corretivas e preventivas que levem a um manejo sustentável do ambiente e principalmente do solo.

1.4 – RELEVÂNCIA DO ESTUDO

A saúde pública emerge no Brasil como questão social amplamente vinculada ao

desenvolvimento do capitalismo, tornando-se mais claramente configurada durante a década

de 20 (GURGEL, 1998).

A questão do uso de agrotóxicos nas plantações para o controle de pragas e doenças

responsáveis por perdas significativas no setor agrícola, é uma questão que desperta a atenção dos órgãos de saúde pública. Primeiro pela necessidade de se conhecer, mais detalhadamente,

as alterações que os agrotóxicos podem promover ao meio ambiente e segundo que tipo de

impacto essas alterações ambientais podem provocar na saúde da população rural exposta

diretamente a estes produtos.

Desta forma este estudo pretende fornecer informações que possam ser úteis na avaliação da saúde do meio ambiente em decorrência da ação dos agrotóxicos no solo.

Pretende também propor medidas alternativas de manejo agrícola e descarte de embalagens para que se minimize os riscos a saúde humana e ao meio ambiente e garanta a sustentabilidade do solo para os anos futuros.

Capítulo 2

Objetivos de estudo

2.1 – OBJETIVO GERAL

Avaliar o impacto causado pelo uso de agrotóxicos na microbiota do solo

2.2 - OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Avaliar o impacto dos resíduos de agrotóxicos na microbiota do solo através da utilização da Biomassa Microbiana (C-Biomassa), Respiração Basal e Quociente Metabólico (qCO2), como bioindicadores;

Avaliar a relação dos efeitos do impacto provocado pelos agrotóxicos na microbiota do solo com a saúde do ambiente.

Capítulo 3

Referencial teórico

3.1- Pressupostos Teóricos

Embora a utilização de agrotóxicos tenha o intuito de combater apenas as pragas e doenças que atingem as plantações, este uso quando feito de maneira indiscriminada e abusiva pode provocar sérios danos ao meio ambiente e a saúde da população. Além do uso indevido dos agrotóxicos, outras práticas agrícolas como o desmatamento, as queimadas e o descarte de embalagens vazias também podem trazer grandes prejuízos ao meio ambiente e representar um risco à saúde da população rural.

Para avaliar estes efeitos o presente projeto se prontifica a analisar, em um campo de teste onde se desenvolve uma plantação de tomates, o impacto que a utilização indiscriminada de agrotóxicos pode provocar na microbiota do solo e de que maneira isso pode afetar a sua sustentabilidade e a qualidade do meio ambiente.

A metodologia para atender a proposta em questão consistiu de duas etapas:

1.

A primeira etapa foi o levantamento de dados bibliográficos conseguidos através de livros,

revistas especializadas nacionais e internacionais dados publicados por universidades e centros de pesquisa, Internet, dados nacionais e de países que possuem legislação pertinente.

2. A segunda etapa foi à elaboração de análises laboratoriais (análises químicas) possibilitando, assim, a obtenção de valores que sirvam de comparação para análise do impacto provocado por agrotóxicos no ambiente. Na vertente microbiológica foram executados os seguintes testes: Visando a avaliação dos efeitos de agrotóxicos:

a) a biomassa microbiana do solo;

b) a respiração basal do solo;

c) o quociente metabólico em épocas distintas, (jun/2004 e nov/2004).

Capítulo 4

Revisão da Literatura

IV.1 – AGROTÓXICOS

Os agrotóxicos são substâncias que possuem um papel importante no que se refere ao combate a pragas e doenças que assolam a agricultura, além de combater vetores de transmissão de diversas doenças de importância à saúde pública. No entanto, os agrotóxicos oferecem um grande perigo ao homem, devido à capacidade de provocar danos à saúde humana e diversos tipos de impactos ao meio ambiente. Esse perigo aumenta proporcionalmente à medida que há combinação de fatores como a toxicidade do produto, o tempo de exposição, a freqüência, a dose e principalmente a forma de manipulação e utilização destes produtos no momento da aplicação.

Os agrotóxicos são substâncias cuja definição dada de acordo com a NRR 5 (Norma Regulamentadora Rural), que acompanha a legislação federal nº 7.802, de 11 de julho de 1989, atualmente regulamentada pelo decreto lei 4.074/02, de 4 de janeiro de 2002, é:

Entende-se por agrotóxicos as substâncias, ou mistura de substâncias, de natureza química quando destinadas a prevenir, destruir ou repelir, direta ou indiretamente, qualquer forma de agente patogênico ou de vida animal ou vegetal, que seja nociva às plantas e animais úteis, seus produtos e subprodutos e ao homem.

Os agrotóxicos recebem inúmeros outros nomes de acordo com o seu uso e a praga a qual se deseja combater. É comum encontrarmos denominações genéricas como pesticidas ou praguicidas que de uma maneira em geral define as substâncias químicas destinadas a matar, repelir, atrair, regular, e interromper o crescimento de pragas.

Neste trabalho se optou por adotar o termo agrotóxico de maneira geral onde se englobam os pesticidas ou praguicidas, inseticidas, rodenticidas, acaricidas, herbicidas, desfolhantes,

dessecantes, reguladores de crescimento, fertilizantes e outras substâncias químicas naturais

ou sintéticas passiveis de aplicação nas plantações ou no solo.

Independente do nome que se dá a estas substâncias, é importante avaliar não só o seu papel

no combate as pragas e vetores que assolam o homem no campo ou no ambiente urbano, mas

também o grande número de ações impactantes que elas provocam no meio ambiente e na saúde das populações de forma direta ou indireta.

IV.1.1 - Consumo de agrotóxicos

O Brasil atualmente é o maior consumidor de agrotóxicos da América do Sul e um dos

principais do mercado mundial, apresentando uma elevada taxa de crescimento anual, como mostra a TABELA 1, retratando bem a dependência química cada vez maior que as plantações brasileiras têm aos agrotóxicos.

Os recordes de safra são obtidos as custas da utilização de toneladas de agrotóxicos gerando os mais diversos impactos no meio ambiente e alterando decisivamente a biota e a biodiversidade dos ecossistemas.

TABELA. 1: Incremento no consumo de agrotóxicos no mercado mundial no período 1985/1990 e consumo no ano de 1985

País

Taxa Crescimento Anual (%) (1985-1990)

% em Relação ao Consumo Mundial (1985)

EUA

1.0

29,8

Japão

3.0

13,0

França

2.5

8,5

URSS

4.5

5,5

Brasil

6,5

5,3

Reino Unido

2.0

3,7

Canadá

2.5

3,4

Itália

3.5

3,2

Alemanha

1.0

3,1

Índia

7.0

2,7

China

5.0

2,6

Espanha

5.5

1,9

Austrália

4.5

1,8

Hungria

4.0

1,6

Coréia

3.5

1,4

México

2.0

1,2

Outros

4.5

12,4

Fonte: MYAMOTO, 1990 (retirado de GOELLNER, s/d).

TABELA. 2: Consumo de Agrotóxicos por unidade de área em alguns países em 1989

País

Agrotóxicos (kg i.a/ha)

Japão

10,0

Itália

5,92

EUA

5,50

Reino Unido

4,65

Alemanha

4,27

URSS

3,26

Brasil

1,23

Fonte: ASGROW WORLD AGROCHEMICAL MARKETS, 1990. (Adaptado de GOELLNER, s/d).

IV.1.2 – Impacto dos agrotóxicos na saúde da população

Um dos grandes problemas pertinente aos agrotóxicos é o relacionado à saúde humana. Os casos de intoxicação aguda ou crônica segundo PIMENTEL (1993) vêm ocorrendo no mundo na ordem de 1 milhão de pessoas com conseqüentes 20.000 mortes por ano. Dados mais recentes estimam que, 3 milhões de pessoas são contaminadas por agrotóxicos em todo o mundo por ano, sendo 70% desses casos nos países em desenvolvimento (PERES et al., 2001). Além disso, estudos científicos têm relacionado o uso de agrotóxicos ao aparecimento de determinadas patologias como alergias, dermatoses, neoplasias, casos de má formação congênita, efeitos neurológicos e psicológicos, como síndrome neuroléptica, perda auditiva, depressão grave que leva ao suicídio além de seqüelas como esterilidade e câncer (PIMENTEL, 1993:4; GURGEL, 1998; PINHEIRO at al., 1993; RATIS, 1999).

O Dr. Flávio Zambrone, médico do Centro de Intoxicação da UNICAMP, relacionou no quadro 1 as principais ações e lesões causadas pelos agrotóxicos, geralmente em áreas irrigadas, as pessoas expostas (GARCIA, 1991; LUNA, 1999).

QUADRO 1: Principais ações e lesões causadas pelos agrotóxicos

AÇÕES OU LESÕES CAUSADAS PELOS AGROTÓXICOS AO HOMEM

TIPO DE AGROTÓXICO UTILIZADO.

Lesões hepáticas

Inseticidas organoclorados

Lesões renais

Inseticidas organoclorados

Fungicidas fenil-mercúricos

Fungicidas metoxil-etil-mercúricos

Neurite periférica

Inseticidas organofosforados

Herbicidas clorofenóxis (2,4-D e 2,4,5-T)

Ação neurotóxica retardada

Inseticidas organofosforados

Desfolhantes (DEF e merfós ou Folex)

Atrofia testicular

Fungicidas tridemorfo (Calixim)

Esterilidade masculina por oligospermia

Nematicida diclorobromopropano

Cistite hemorrágica

Acaricida clordimeforme

Hiperglicemia ou diabetes transitória

Herbicidas clorofenóxis

Hipertemia

Herbicidas dinitrofenóis e pentaclorofenol

Pneumonite e fibrose pulmonar

Herbicida paraquat (Gramoxone)

Diminuição das defesas orgânicas pela

Fungicidas trifenil-estânicos

diminuição dos linfócitos

imunologicamente competentes

(produtores de anticorpos)

Reações de hipersensibilidade (urticárias,

Inseticidas piretróides

alergia, asma)

Teratogênese

Fungicidas mercuriais

Dioxina presente no herbicida 2,4,5-T

 

Herbicida dinitro-orto-cresol

Mutagênese

Herbicida trifluralina

Inseticida organoclorado

Inseticida organofosforado

Carcinogênese

Diversos inseticidas, acaricidas, fungicidas,

herbicidas e reguladores de crescimento

Fonte: GARCIA, 1991.

No Brasil estudos mostram que a ocorrência de intoxicações nos aplicadores de agrotóxicos vêm aumentando. Em um estudo feito por ARAÚJO (2000) foi levantada a ocorrência de um caso de intoxicação aguda em cada 8 agricultores examinados e que a estimativa de contaminação da população brasileira por agrotóxicos por ano é de cerca de 2%. Além disso, existe o problema da sub-notificação onde se considera que para cada caso registrado em hospitais existem aproximadamente 250 outros não registrados (RUEGG, 1991), neste caso os números divulgados por pesquisas seriam muito maiores.

A utilização dos agrotóxicos sempre envolve riscos e estes, assim como os efeitos que estas substâncias podem provocar na saúde humana, vão depender fundamentalmente do perfil toxicológico do produto, do tipo e da intensidade da exposição e da susceptibilidade da população exposta (DELGADO & PAUMGARTTEN, 2004).

Um dos principais problemas que leva ao grande número de casos de intoxicações ocupacionais está relacionado à falta de informação das pessoas que manipulam e aplicam os agrotóxicos nas plantações, os agricultores. No campo o problema é grave, pois segundo LUNA (1999) os trabalhadores rurais não são capazes de entender as recomendações contidas nos rótulos dos produtos, e não utilizam o receituário agronômico como orientação técnica, acarretando problemas de intoxicações agudas. A falta de informação e treinamento não só leva os agricultores a aplicar os agrotóxicos de maneira incorreta e abusiva como também os leva a não dar a devida importância a equipamentos de proteção, que são considerados pela maioria como incômodos e desnecessários. PERES (2001) em seu estudo relata a realidade rural da cidade de Nova Friburgo, com relação à utilização de agrotóxicos: “o difícil acesso às informações e à educação por parte dos usuários desses produtos, bem como o baixo controle sobre sua produção, distribuição e utilização são alguns dos principais determinantes na constituição dessa situação como um dos principais desafios de saúde pública”.

Por conta disso os agrotóxicos vem fazendo um grande número de vítimas por todo mundo, principalmente nos países em desenvolvimento como mostra a TABELA 3.

TABELA 3: Mortes por envenenamento com agrotóxicos para países subdesenvolvidos (em todas as idades)

Países Subdesenvolvidos

Ano

Morte por envenenamento

Taxa por 100.000

Venezuela

1980

825

5.9

Argentina

1980

327

1.2

Brasil

1980

304

0.3

Tailândia

1980

284

0.6

Equador

1978

258

3.3

Egito

1978

249

0.6

Filipinas

1977

242

0.5

Colômbia

1977

197

0.8

Salvador

1981

124

2.5

Guatemala

1977

122

1.7

Síria

1980

101

1.1

Ilhas Maurícios

1980

92

9.9

Porto Rico

1980

31

1.0

Kwait

1981

26

1.6

Honduras

1980

18

0.5

Paraguai

1980

17

1.0

Chile

1980

14

0.1

Suriname

1980

13

3.4

Trinidad / Tobago

1977

10

0.9

Costa Rica

1978

8

0.4

Panamá

1980

3

0.2

Cabo Verde

1980

2

0.7

Bahamas

1980

1

0.5

St. Kitts / Nevis

1980

1

2.0

Média

136,2

1.7

FONTE: OMS, 1980 (adaptado de GOELLNER, s/d).

A realidade ocorrida nas plantações de tomate é um retrato fiel do que acontece em muitas outras culturas pelas diversas regiões do país. Segundo ARAÚJO (2000) o plantio de tomate demanda o uso intensivo de agrotóxico e isso representa um grande risco epidemiológico à saúde humana relacionado ao consumo do fruto pela população, tanto local quanto de outras regiões. O mesmo autor, em estudo realizado em regiões de plantação de tomate no estado de Pernambuco, mostra que muitos dos agrotóxicos utilizados, apesar de possuírem registro, não são recomendados para esta cultura e não existe qualquer tipo de controle sistemático dos resíduos nos alimentos ou nos produtos comercializados.

O perigo desta prática pode ser bem entendido pelo que descreve SARTORATO (1996) em seu trabalho, onde na revisão de literatura ele cita (COUTINHO et al., 1994:27) e (TRAPÉ, 1994:581) (WHO/EHC 78;1988) que falam sobre a utilização ampla de ditiocarbamatos em olerícolas e horticulturas brasileiras e dos principais efeitos que essas substâncias e seus metabólitos podem provocar a saúde humana como câncer, mutagênese e a teratogênese.

Neste mesmo estudo é citada uma análise feita no estado do Rio de Janeiro em 466 amostras de diferentes espécies de hortaliças e frutas comercializadas no estado, onde em 63% das amostras foram encontrados resíduos de agrotóxicos da classe dos ditiocarbamatos, dentre eles o Mancozeb (etileno bis-ditiocarbamato de manganês e zinco) produto bastante utilizado nas plantações de tomate em Paty do Alferes. Deste universo de análise, 24% das amostras continham níveis de resíduos acima do tolerado pela legislação vigente e que, em particular, a cultura de tomate apresentou um nível de 38,2% de resíduos acima do limite de tolerância (CALDAS & REIS, 1991).

Um estudo feito na cidade de Paty do Alferes por DELGADO & PAUMGARTTEN (2004) mostra os principais sintomas que os agricultores da região apresentam decorrente da ação dos agrotóxicos, como mostra no QUADRO 2, abaixo.

QUADRO 2. Sintomas que os agricultores relataram terem apresentado durante e/ou logo após a preparação e/ou aplicação de pesticidas na lavoura. Paty do Alferes, Rio de Janeiro, Brasil.

 

%

Agricultores Entrevistados Relataram já ter “passado mal” Relataram nunca ter “passado mal”.

55

100

34

62,0

21

38,0

Agricultores que apresentaram sintomas:

-

-

Dor de cabeça Enjôo Diminuição de visão Vertigem/ tonteira Irritação da Pele Perda de Apetite Tremores Vômitos Crise Alérgica (espirro) Diarréia Dores no peito Secura na garganta Nervosismo

24

71,0

17

50,0

13

38,0

12

35,0

10

29,0

8

24,0

5

15,0

5

15,0

2

6,0

2

6,0

2

6,0

1

3,0

1

3,0

Fonte: (DELGADO & PAUMGARTTEN, 2004).

Neste mesmo estudo DELGADO & PAUMGARTTEN listam, no QUADRO 3, os principais agrotóxicos utilizados na região de Paty do Alferes, sendo muitos deles de classificação toxicológica I e II, ou seja, extremamente tóxico e muito tóxico respectivamente, segundo classificação toxicológica do Ministério da Agricultura/Ministério da Saúde, baseada no Decreto 98.816/90 de 11 de janeiro de 1990, que regulamenta a Lei 7.802/89.

QUADRO 3. Inseticidas e fungicidas usados no município de Paty do Alferes, Rio de

Janeiro, Brasil.

Grupo químico

Produto

Princípio ativo

Classe

Comercial

toxicológica

 

Tamaron

Metamidofós

I

Hamidop

Metamidofós

I

Organofosforados

Elsan

Fentoato

I

Kilval

Vamidotion

II

Ortho Naled

Naled

II

Sumithion

Fenitrotion

II

Orthene

Acefato

III

 

Diafuran

Carbofurano

I

Carbamato

Cartap

Cartap

II

Sevin

Carbaril

II

 

Baytroid

Ciflutrin Alfa Fenvalerato Permetrina

I

Sumidan

I

Ambush

II

Decis

Deltametrina

II

Piretróide

Ripcord

Cipermetrina

II

Corsair

Permetrina

II

Nor-trin

Cipermetrina

II

Bulldock

Betaciflutrin

II

Outros

Vertimec

Abamectina

II

 

Daconil

Clorotalonil

I

Dacostar

Clorotalonil

I

Rubigan

Fenarimol

II

Dithane

Mancozeb

III

Manzate

Mancozeb

III

Orthocide

Captan

III

Fungicidas

Curzate

Cimoxanil

III

Benlate

Benomil

III

Cerconil

Clorotalonil

III

Cobre Sandoz

Óxido cuproso

IV

Funguran

Oxicloreto de cobre

IV

Cuprogarb

Oxicloreto de cobre

IV

Microzol

Enxofre

IV

Cercobin

Tiofanato metílico

IV

Thiovit

Enxofre

IV

Acaricida

Tedion

Tetradifon

III

Kumulus-s

Enxofre

IV

FONTE: (DELGADO & PAUMGARTTEN, 2004).

Em relação à classificação toxicológica dos agrotóxicos, ela é feita segundo o grau de toxicidade das substâncias que é medido através de um parâmetro conhecido como DL-50 (Dose letal 50%) que corresponde às doses que provavelmente matam 50% dos animais de um lote utilizados para experiência. São valores calculados estatisticamente a partir de dados obtidos experimentalmente e que servem para estabelecer uma classificação toxicológica das substâncias como na Quadro 4.

Quadro 4: Classificação toxicológica de praguicidas quanto à periculosidade.

   

Cor da

 

DL 50 (mg/kg)

 

Tarja do

 

Oral

Dérmica

Classe

Categoria

rótulo do

Formulações

Formulações

produto

Sólidas

Líquidas

Sólidas

Líquidas

Ia

Extremamente tóxico

Vermelha

< 5

< 20

< 10

< 40

Ib

Altamente tóxico

Amarela

5 a 50

20 a 200

10a 100

40 a 400

II

Moderadamente tóxico

Azul

50 a 500

200 a 2000

100 a 1000

400 a 4000

III

Levemente tóxico

Verde

> 500

> 2000

> 1000

> 4000

Fonte: (SUCEN, 2000).

Num outro estudo, realizado por RAMALHO et al. (2000), foi feito um levantamento da quantidade de agrotóxicos, por princípio ativo, utilizados por área no município de Paty do Alferes, TABELA 4.

TABELA 4: Distribuição de agrotóxicos, por nome técnico, utilizado em Paty do Alferes, RJ.

Nome técnico

Quantidade do

Quantidade

Área

Quantidade/

Princípio ativo

total

área

 

(kg)

(%)

(ha)

(kg ha-1)

Mancozeb Malathion Methamidophos Óxido cuproso Oxicloreto de cobre Permethrin Cartap Enxofre Vamidothion Thiophanate methyl + chlorotalonil Mancozeb + thiophanate Maneb + zineb Chlorotalonil Thiophanate methyl

2182,16

30,91

72,93

29,18

1211,40

17,59

49,46

24,49

1062,66

15,43

106,69

9,96

845,24

12,28

123,55

6,84

239,04

3,47

10,68

22,38

228,90

3,32

97,04

2,36

227,44

3,30

97,72

2,33

220,16

3,20

40,46

5,44

143,70

2,09

33,04

4,35

86,10

1,25

8,64

9,97

78,00

1,13

10,50

7,43

65,00

0,94

8,00

8,13

61,50

0,89

14,60

4,21

54,13

0,79

18,08

2,99

Fonte: IBGE 1995

IV.1.3 - O impacto dos agrotóxicos no meio ambiente

O uso abusivo e de forma indiscriminada dos agrotóxicos, principalmente na agricultura, é o

principal fator de desequilíbrio e impacto dos agroecossistemas. Estes desequilíbrios são os mais diversos possíveis, seja pela contaminação das comunidades de seres vivos que o compõem, seja pela sua acumulação nos segmentos bióticos e abióticos dos ecossistemas, biota, água, ar, solo, sedimentos, etc (PERES et al., 2003).

O uso em massa e sem um acompanhamento correto dos agrotóxicos aumenta as proporções

dos efeitos danosos que estes podem provocar ao meio ambiente. Os sinais de impactos geralmente não são imediatos, pois podem ser crônicos quando interferem na expectativa de

vida, crescimento, fisiologia, comportamento e reprodução dos organismos e/ou ecológicos quando interferem na disponibilidade de alimentos, de habitats e na biodiversidade,

incluindo os efeitos sobre os inimigos naturais das pragas e a resistência induzida aos próprios agrotóxicos,” (LUNA, 1999).

Outro ponto importante citado pelo mesmo autor acima em seu artigo é que “há interferência dos agrotóxicos sobre a dinâmica dos ecossistemas, como nos processos de quebra da matéria orgânica e de respiração do solo, ciclo de nutrientes e eutrofização de águas. Pouco se conhece, entretanto sobre o comportamento final e os processos de degradação desses produtos no meio ambiente”.

Os agrotóxicos por sua vez têm seu papel de importância para agricultura, mas por outro lado são responsáveis pela contaminação do solo, ar e água e por diversas interações danosas a biodiversidade e ao meio ambiente. Uma grande parte dos agrotóxicos que são aplicados nas plantações para o controle de pragas acaba atingindo o solo e as águas, além disso, resíduos destes produtos atingem estes meios por conta de embalagens vazias de agrotóxicos descartadas inadequadamente, descarte inadequado de sobra de misturas ou a percolação destes resíduos pelo solo atingindo os lençóis de águas subterrâneas (PERES, 1999; SILVA et al., 2001; MORAES & JORDÃO, 2002).

Por outro lado, os resíduos de inseticidas aplicados provocam impacto na população microbiana do solo o que pode levar a estimulação, decréscimo ou modificação dos processos biológicos do solo como nitrificação, amonificação, respiração, ATP e outros processos essenciais à saúde do solo, fertilidade e produtividade dos campos agrícolas (VIG et al., s/d).

O descarte das embalagens vazias de agrotóxicos quando feito de maneira inadequada pode também provocar uma série de prejuízos ao meio ambiente. Quando este descarte é feito diretamente em contato com o solo pode haver a contaminação do mesmo provocando alterações decorrente da ação química dos agrotóxicos e seus metabólitos que escorrem das paredes internas das embalagens. Além disso, a composição química do material destas embalagens lhes confere uma alta estabilidade e persistência no ambiente provocando também uma poluição física e visual.

Segundo SETHUNATAN (1973), quando em contato com o solo ou a água, as embalagens, principalmente plásticas, podem sofrer três tipos diferentes de reação: degradação completa sem a formação de metabólitos; degradação incompleta com acúmulo de metabólitos não degradáveis; e, pequenas alterações levando ao acúmulo e a alta persistência dos produtos em função de deposições sucessivas.

Os resíduos dos agrotóxicos, uma vez depositados no solo, permanecem na faixa superficial de 15 cm (HARRIS, 1969; LICHTENSTE1N, 1962). Essa faixa do solo é também a região de maior atividade da fauna e da flora do solo (ALEXANDER, 1961) servindo de plataforma para interação do resíduo dos agrotóxicos com estas. A quebra das moléculas dos pesticidas pelos microrganismos é considerada uma das mais importantes atividades ocorridas nesta faixa do solo (VIG et al., s/d)

No entanto, apesar da atividade dos microrganismos os resíduos de agrotóxicos permanecem certo tempo ativos no solo. Esse tempo varia de acordo com o tipo de substância. Os herbicidas derivados de fenoxi, toluinas e nitrilas permanecem em média de um a seis meses enquanto os derivados de uréias, triazinas e picloram de um a dezoito meses (HELLWELL,

1988).

No solo, um dos maiores prejuízos causados pela excessiva quantidade e diversidade de substâncias químicas lançadas sobre ele, é a redução da biodiversidade e a supressão de microrganismos que possuem funções importantes na quebra da matéria orgânica, fixação de nutrientes no solo e na participação da catalise do ciclo de vários nutrientes.

IV.2 - SOLO

O solo é um dos compartimentos mais importantes do meio ambiente, segundo o

RELATÓRIO DO ESTADO DO AMBIENTE (1999) pode ser definido como uma camada

superficial da terra substrato essencial para a biosfera terrestre, e têm como principal função

ser suporte e fonte de nutrientes para a vegetação e, como tal, base de toda a cadeia alimentar.

É no solo que ocorrem inúmeros fenômenos como os ciclos hidrológicos, ciclos orgânicos e

inorgânicos, e a partir dele são disponibilizadas várias atividades benéficas ao homem como a agricultura, suporte para os reservatórios de água e etc.

O solo é tido como um organismo vivo onde sua atividade biológica determinará o seu

potencial (RELATÓRIO DO ESTADO DO AMBIENTE, 1999).

IV.2.1 – Qualidade do solo.

O entendimento atual do conceito de qualidade de solo compreende o equilíbrio entre os

condicionantes geológicos, hidrológicos, químicos, físicos e biológicos (BRUGGEN & SEMENOV, 2000; SPOSITO & ZABEL, 2003). Esse termo, muitas vezes utilizado como

sinônimo de saúde do solo, refere-se a sua capacidade de sustentar a produtividade biológica dentro das fronteiras do ecossistema, mantendo o equilíbrio ambiental e promovendo a saúde

de plantas e animais e do próprio ser humano (DORAN et al., 1996; SPOSITO & ZABEL,

2003).

A importância da qualidade do solo está