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olhar e ver Avaliação imagiológica do conflito femoro-acetabular » Rev Medicina Desp in forma , 1

Avaliação imagiológica

do conflito femoro-acetabular

» Rev Medicina Desp in forma, 1 (6), pp.28-29, 2010

 

Dr. Miguel castro | Dr. alberto Vieira Departamento de Radiologia. Hospital de São João. Faculdade de Medicina do Porto.

abstract

 

O

conflito femoro-acetabular, uma entidade clínica até há pouco tempo ignorada, é actualmen-

te

reconhecida como uma importante causa de sintomatologia e osteoartrose precoce da anca,

demonstrando particular incidência em indivíduos jovens e activos. O reconhecimento imagio- lógico dos factores de predisposição para este processo patológico e das suas consequências é fundamental para a atempada instituição das adequadas medidas profiláticas/terapêuticas.

The femoro-acetabular impingement, a clinical entity until recently ignored, is now recognized as an important cause of symptoms and early osteoarthritis of the hip, showing a particular focus on young physically active individuals. Imaging recognition of predisposing factors for this disease and its consequences is critical to the timely decision of appropriate prophylaxis / therapy.

palaVras-chaVe

Conflito Femoro-acetabular; Aspectos Imagiológicos

keyworDs

(Femoro-acetabular Impingement; Imagiological Findings)

Introdução

O conflito femoro-acetabular é uma en-

tidade clínica recentemente descrita que

se vem progressivamente reconhecendo

como uma das mais importantes causas de osteoartrose da anca em indivíduos jovens e activos, emergindo como uma importante complicação a médio/longo prazo da prática desportiva. Caracteri- za-se por um conflito, durante a mobili- zação da anca, tipicamente durante a fle-

xão e a rotação interna, decorrente entre

femoral, sendo então estas classificadas como de tipo misto (1-3) . Embora a radio- grafia convencional represente o método

imagiológico de avaliação inicial (inci- dências antero-posterior e lateral “frog leg”), esta acaba por ser frequentemente não diagnóstica. A ressonância magnéti- ca (RM) e particularmente a artrografia por RM apresentam-se como os méto- dos de imagem mais sensíveis e específi- cos para a demonstração das anomalias estruturais femoro-acetabulares, bem

o

anel acetabular e a cabeça femoral, que

como as alterações associadas do labrum,

leva a uma degenerescência do labrum

da cartilagem ou da medula óssea (4) .

e

a lesões cartilagíneas irreversíveis. De

acordo com os achados clínicos e ima-

prática clínica, constata-se que em gran-

Tipo “Pincer”

giológicos podem-se definir dois tipos

Fisiopatologia

de conflito femoro-acetabular cuja dis- tinção é importante já que o tratamento cirúrgico é distinto. No tipo “Pincer” as alterações patológicas encontram-se a nível acetabular enquanto que no tipo “Cam” o processo patológico é predo- minantemente femoral. No entanto, na

Esta forma de conflito femoro-acetabu- lar surge mais frequentemente em mu- lheres de meia idade, fisicamente acti- vas. O contacto entre o anel acetabular e a zona de junção entre o colo e a cabeça femoral é secundário a um hiper-cobri- mento (focal ou generalizado) da cabeça femoral pelo acetábulo. Como conse-

de parte das situações de conflito femo-

ro-acetabular existe quer um compo- nente acetabular quer um componente

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quência deste processo patológico pode ocorrer degenerescência do labrum e da cartilagem acetabular que levam a

um agravamento do hiper-cobrimento

e à perpetuação do processo fisiopato-

lógico. Esta forma de conflito está mais frequentemente associada a lesões na vertente articular antero-superior, mas associa-se a lesões da cartilagem e do labrum postero-inferior do acetábulo num número significativo de casos (1,3,5) .

Diagnóstico imagiológico

A utilização dos métodos imagiológicos

permite identificar a predisposição para

este tipo de conflito, que ocorre nas situa- ções em que há uma uma hiper-cobertura focal (retroversão acetabular, persistência do “os” acetabular) (fig.1) ou generaliza-

da (“coxa profunda”, “protusio acetabuli”)

(fig.2) da cabeça femoral pelo acetábulo (4,6) .

A profundidade acetabular pode ser quan-

tificada com o recurso ao índice acetabu-

lar ou ao ângulo de Wiberg (fig. 2 e 3) (6,7) .

lar ou ao ângulo de Wiberg (fig. 2 e 3) ( 6 , 7 ) .

Figura 1 - Sinal do cruzamento ou do oito. A seta corresponde

ao ponto onde a parede anterior e a posterior do acetábulo se

cruzam, situação consistente com retroversão acetabular.

cruzam, situação consistente com retroversão acetabular. Fig. 2 - Coxa profunda. Nestas situações verifica-se que o

Fig. 2 - Coxa profunda. Nestas situações verifica-se que o ace- tábulo (seta vermelha) cruza medialmente a linha ílio-isquial (seta branca). Quando a cabeça femoral também cruza me- dialmente a linha ílio-isquial denomina-se de “protusio ace- tabuli”. O ângulo de Wiberg é definido por duas linhas com origem no centro da cabeça femoral, sendo que uma é vertical e a outra passa no bordo mais lateral do anel acetabular. Um ângulo superior a 39º é sugestivo de conflito do tipo Pincer.

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olhar e ver Fig. 3- O índice acetabular (medido na anca esquerda) corresponde ao ângulo formado

Fig. 3- O índice acetabular (medido na anca esquerda) corresponde ao ângulo formado entre uma linha horizon- tal e uma outra definida pelo ponto mais medial da zona eslerótica do tecto acetabular e o ponto mais lateral do anel acetabular. No conflito Pincer este ângulo é inferior ou igual a 0. Na anca direita o ângulo de Wiberg é supe- rior a 39º (ver legenda anterior).

Por outro lado, nos doentes com semio- logia sugestiva desta entidade clínica, os métodos de imagem podem demonstrar as alterações decorrentes deste tipo de conflito, que incluem a presença de her- niações da sinovial na cabeça ou colo fe- moral (aspecto até à pouco tempo con- siderado sem significado clínico), lesões da cartilagem e labrum acetabular (mais comuns na vertente antero-superior, mas com possível atingimento da ver- tente postero-inferior – aspecto raro no tipo Cam) (fig.4) e nas fases mais avan- çadas manifestações de osteoartrose (6,8) .

çadas manifestações de osteoartrose ( 6 , 8 ) . Fig. 4 - Imagem sagital de

Fig. 4 - Imagem sagital de RM ponderada em DP. Obser- va-se avulsão da vertente antero-superior do labrum (seta vermelha) e irregularidade da cartilagem acetabular (seta branca), o tipo mais comum de lesão condro-labral em ambos os tipos de conflito femoro-acetabular. Geode acetabular (seta laranja).

Tipo “Cam”

Fisiopatologia

Este tipo de conflito femoro-acetabular surge mais frequentemente em atletas jovens do sexo masculino e resulta de

uma anormal morfologia da vertente an- terior da zona de junção entre a cabeça e

o colo femoral que conduz a microtrau-

matismos de repetição do anel aceta- bular com consequente erosão/avulsão da cartilagem e labrum acetabulares. Nesta forma de conflito não há habitu- almente lesão da cartilagem ou do la- brum postero-inferior do acetábulo (6,8,9) .

postero-inferior do acetábulo ( 6 , 8 , 9 ) . Fig. 5 - Deformidade em

Fig. 5 - Deformidade em “punho de pistola”. Resulta de uma rectificação (achatamento ou convexidade superior) da zona de transição lateral entre a cabeça e o colo femoral (se- tas), que em situações normais é superiormente côncava.

Diagnóstico imagiológico

A predisposição para este tipo de con- flito surge quando existe uma deformi- dade em “punho de pistola” da transição entre a cabeça e o colo femoral (fig.5), quando está presente uma “bosseladu- ra” óssea no colo proximal, nas situa- ções de retroversão da cabeça femoral ou de coxa vara. A avaliação do ângulo alfa pode ser muito útil no diagnóstico

e quantificação da deformidade do tipo “Cam” (fig.6) (8,10) .

deformidade do tipo “Cam” (fig.6) ( 8 , 1 0 ) . Fig. 6- Imagem de

Fig. 6- Imagem de RM, ponderada em eco de gradiente, no plano axial (orientada pelo colo femural). O ângulo alfa permite quantificar a perda de esfericidade da cabeça fe- moral. É definido por duas linhas com um ponto comum no centro da cabeça femoral, sendo que uma se prolonga pelo eixo central do colo e a outra se dirige para o ponto da periferia da cabeça femoral que excede o seu raio. Um ângulo superior a 55º sugere perda da esfericidade da ca- beça femoral. Notar a “bosseladura” na vertente anterior da transição entre a cabeça e o colo femoral.

As alterações secundárias a este tipo de conflito e que podem ser identifi-

cadas imagiologicamente são seme- lhantes às descritas para o conflito femoro-acetabular do tipo “Pincer”, com a particularidade de que estão ge- ralmente restritas ao compartimento antero-superior da articulação coxo- femoral (fig.7) (8,9) .

da articulação coxo- femoral (fig.7) ( 8 , 9 ) . Fig. 7- Imagem de artro-RM,

Fig. 7- Imagem de artro-RM, ponderada em T1, no plano axial (orientada pelo colo femoral). Identifica-se avulsão do labrum antero-superior (seta), bem como herniação si- novial (círculo), aspecto até há pouco tempo considerado sem significado patológico.

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