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Centro de Formação Profissional “Aloysio Ribeiro de Almeida”

Desenho
Técnico
Presidente da FIEMG
Robson Braga de Andrade

Gestor do SENAI
Petrônio Machado Zica

Diretor Regional do SENAI e


Superintendente de Conhecimento e Tecnologia
Alexandre Magno Leão dos Santos

Gerente de Educação e Tecnologia


Edmar Fernando de Alcântara

Elaboração
Flávio Baroncelli

Unidade Operacional

Centro de Formação Profissional “Aloysio Ribeiro de Almeida”


Varginha – MG
2004
Sumário

APRESENTAÇÃO............................................................................................................................ 4

1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................................. 6

2. FORMATOS DE PAPEL - NBR - 5984/1980 (DIN 476)................................................................ 8

3. LEGENDA..................................................................................................................................... 9

4. LINHAS....................................................................................................................................... 10

5. IDENTIFICAÇÃO DE VISTAS..................................................................................................... 17

6. SUPRESSÃO DE VISTAS.......................................................................................................... 44

7. IDENTIFICAÇÃO E LEITURA DE COTAS, SÍMBOLOS E MATERIAIS.................................... 47

8. SÍMBOLOS E CONVENÇÕES.................................................................................................... 55

9. ESCALA NBR 8196/1983 (DIN 823)........................................................................................... 60

10.CORTE....................................................................................................................................... 62

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................................... 74
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Apresentação

“Muda a forma de trabalhar, agir, sentir, pensar na chamada sociedade do


conhecimento. “
Peter Drucker

O ingresso na sociedade da informação exige mudanças profundas em todos os


perfis profissionais, especialmente naqueles diretamente envolvidos na produção,
coleta, disseminação e uso da informação.

O SENAI, maior rede privada de educação profissional do país,sabe disso , e


,consciente do seu papel formativo , educa o trabalhador sob a égide do conceito
da competência:” formar o profissional com responsabilidade no processo produtivo,
com iniciativa na resolução de problemas, com conhecimentos técnicos aprofundados,
flexibilidade e criatividade, empreendedorismo e consciência da necessidade de
educação continuada.”

Vivemos numa sociedade da informação. O conhecimento , na sua área


tecnológica, amplia-se e se multiplica a cada dia. Uma constante atualização se
faz necessária. Para o SENAI, cuidar do seu acervo bibliográfico, da sua infovia,
da conexão de suas escolas à rede mundial de informações – Internet- é tão
importante quanto zelar pela produção de material didático.

Isto porque, nos embates diários,instrutores e alunos , nas diversas oficinas e


laboratórios do SENAI, fazem com que as informações, contidas nos materiais
didáticos, tomem sentido e se concretizem em múltiplos conhecimentos.

O SENAI deseja , por meio dos diversos materiais didáticos, aguçar a sua
curiosidade, responder às suas demandas de informações e construir links entre
os diversos conhecimentos, tão importantes para sua formação continuada !

Gerência de Educação e Tecnologia

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Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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1. Introdução
Na indústria, para a execução de uma determinada peça, as informações podem
ser apresentadas de diversas maneiras:

 A palavra - dificilmente transmite a idéia da forma de uma peça.

 A peça - nem sempre pode servir de modelo.

 A fotografia - não esclarece os detalhes internos da peça.

 O desenho - transmite todas as idéias de forma e dimensões de uma peça, e


ainda fornece uma série de informações, como:
• material de que é feita a peça
• o acabamento das superfícies
• a tolerância de suas medidas, etc.

O desenho mecânico, como linguagem técnica, tem necessidade fundamental do


estabelecimento de regras e normas. É evidente que o desenho mecânico de uma
determinada peça possibilita a todos que intervenham na sua construção, mesmo
que em tempos e lugares diferentes, interpretar e produzir peças tecnicamente
iguais.

Isso, naturalmente, só é possível quando se têm estabelecidas, de forma fixa e


imutável, todas as regras necessárias para que o desenho seja uma linguagem
técnica própria e autêntica, e que possa cumprir a função de transmitir ao
executor da peça as idéias do desenhista.

Por essa razão, é fundamental e necessário que o desenhista conheça com


segurança todas as normas do desenho técnico mecânico.

Como em outros países, existe no Brasil uma associação (ABNT) que estabelece,
fundamenta e recomenda as normas do desenho Técnico Mecânico, as quais
serão expostas gradativamente no desenvolvimento deste curso, como também
as normas DIN.

Normas ABNT
Editadas e distribuídas pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Normas ISO
Editadas e distribuídas pela ISO - Insternational Organization for Standardization.

Normas DIN
DIN - Deutsche Normen (antigamente Deutsche Industrie - Normen).

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Editada pelo DIN - Deutsche Institut fur Normung – Instituto Alemão para
Normalização.

Representante no Brasil: ABNT - que possui na sua sede no Rio de Janeiro e na


Delegacia de São Paulo coleções completas e em dia de todas as normas DIN.

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2. Formatos de papel - NBR - 5984/1980 (DIN 476)


O formato básico do papel, designado por A0 (A zero), é o retângulo cujos lados
medem 841mm e 1.189mm, tendo a área de 1m2. Do formato básico, derivam os
demais formatos (fig.1).

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Fig.1
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3. Legenda
A legenda deve ficar no canto inferior direito nos formatos A3, A2, A1 e A0, ou ao
longo da largura da folha de desenho no formato A4 (fig.2).

A legenda consiste de : Fig.2

1. título do desenho
2. número
3. escala
4. firma
5. data e nome
6. descrição dos componentes: - quantidade
- denominação
- peça
- material, normas, dimensões

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4. Linhas
A linhas de qualquer desenho devem ser feitas todas a lápis, ou a nanquim,
uniformemente negras, densas e nítidas.

São necessárias três espessuras de linhas: grossa, média e fina, a grossa de


espessura livre, a média de metade da espessura da grossa e a fina com metade
da espessura da média. A NB-8 de 1950 recomenda que, quando a linha grossa
tiver menos de 0,4mm de espessura, utiliza-se a linha fina com um terço da
grossa ou igual à média. Todos os requisitos do desenho de engenharia podem
ser obedecidos utilizando-se essas espessuras de linhas. A tabela 1 mostra os
vários tipos de linhas aprovados pela BS308 com sua aplicações, enquanto que a
tabela 2 mostra as linhas conforme reza a NB-8.

Tabela 1
Tipos de linha aprovadas pela BS308 (Norma Britânica).

Tabela 2
Tipos de linhas segundo a NB-8.

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Aplicações de linhas (fig.3)


A. Contorno visível G. Contorno de secção de revolução
B. Linha de cota H. Limite de vista parcial
C. Linha de chamada J. Contorno não-visível
D. Linha de extensão K. Linha de centro
E. Hachurada L. Posição extrema de peça móvel
F. Contorno de peça adjacente M. Plano de corte
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Aperfeiçoamento

Fig.3
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Ao analisarmos um desenho, notamos que ele apresenta linhas de tipos e


espessuras diferentes. O conhecimento destas linhas é indispensável para a
interpretação dos desenhos.

Tipos e Emprego
Quanto à espessura, as linhas devem ser:

 Grossas
 Médias
 Finas

A espessura da linha média deve ser a metade da linha grossa e a espessura da


linha fina, metade da linha média.

Linhas para arestas e contornos visíveis


São de espessura grossa e de traço contínuo (fig.4).

Linhas para arestas e contornos não visíveis


São de espessura média e tracejadas (fig.5).

Linhas de centro e eixo de simetria


São de espessura fina e formadas por traços e pontos (fig.6).

Fig.4

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Aperfeiçoamento

Fig.5
Fig.6
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Linhas de cota
São de espessura fina, traço contínuo, limitadas por setas nas extremidades
(fig.7).

Linhas de chamada ou extensão


São de espessura fina e traço contínuo. Não devem tocar o contorno do desenho
e prolongam-se além da última linha de cota que limitam (fig.8).

Fig.7

Linhas de corte
São de espessura grossa, formadas por traços e pontos. Servem para indicar
cortes e seções (fig.9).

Linhas para hachuras


São de espessura fina, traço contínuo ou tracejadas, geralmente inclinadas a 45º
e mostram as partes cortadas da peça. Servem também para indicar o material de
que é feita, de acordo com as convenções recomendadas pela ABNT.

Fig.8

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Aperfeiçoamento

Fig.9 Fig.8
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Linhas de rupturas
Para rupturas curtas, são de espessura média, traço contínuo e sinuoso e servem
para indicar pequenas rupturas e cortes parciais (fig.10).

Para rupturas longas, são de espessura fina, traço contínuo e com zigue-zague
(fig.11).

Linha para representações simplificadas


São de espessura média, traço contínuo e servem para indicar o fundo de filetes
Fig.10
de roscas e de dentes de engrenagens (fig.12).

Fig.11

Linha de centro, de simetria, arestas e contornos não visíveis


A aparência de um desenho perfeito pode ser prejudicada por linhas de centro e
de simetria descuidadamente produzidas.

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Aperfeiçoamento

Fig.12
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Tente observar as seguintes regras simples:

1. Certifique-se de que os traços e os espaços de uma linha tracejada tenham o


mesmo comprimento por toda ela. Um traço de cerca de 3mm seguido por um
espaço de 2mm produzirão um linha tracejada de boa proporção.

2. Onde são definidos centros, então as linhas (de centro) deverão cruzar-se em
trechos contínuos e não nos espaços (fig.13).

3. As linhas de centro não devem estender-se para os espaços entre as vistas e


também não devem terminar em outra linha do desenho (fig.14).

4. Quando um ângulo é formado Fig.13


por linhas de simetria, traços longos devem-se
interceptar e definir o ângulo (fig.15).

5. Geralmente, as linhas tracejadas que representam um detalhe não-visível


devem tocar uma linha externa sem interrupção, como mostrado abaixo. As
tracejadas também se encontram e se cruzam, e a junção deve ser arranjada
como um “T” ou um “X” (fig.16).

____________________________________________________________ 15
Aperfeiçoamento

Fig.14Fig.16 Fig.15
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Exercícios
1. Coloque dentro dos círculos dos desenhos, os números correspondentes aos
tipos de linhas indicadas na tabela 2.

2. Escreva os nomes e tipos de linhas assinaladas por letras no desenho abaixo:

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Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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5. Identificação de vistas
Uma peça que estamos observando ou mesmo imaginando, pode ser desenhada
(representada) num plano. A essa representação gráfica se dá o nome de
“Projeção”.

O plano é denominado “plano de projeção” e a representação da peça recebe,


nele, o nome de projeção.

Podemos obter as projeções através de observações feitas em posições


determinadas. Podemos então ter várias “vistas” da peça (fig.17).

Tomemos por exemplo uma caixa de fósforos.

Para representar a caixa vista de frente, consideramos um plano vertical


Fig.17 e vamos
representar nele esta vista (fig.18).

A vista de frente é, por isso, também denominada projeção vertical e/ou elevação.

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Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Fig.18

As projeções verticais ou elevações das peças. Elas são as vistas de frente das
peças para o observador na posição indicada (fig.19).

Voltemos ao exemplo da caixa de fósforos.

O observador quer representar a caixa, olhando-a por cima.

Então usará um plano, que denominaremos de plano horizontal, e a projeção que


representa esta “vista de cima” será denominada projeção horizontal vista de cima
ou planta (fig.20).
Fig.19

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Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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A projeção horizontal, vista de cima ou planta das peças, para o observador na


posição indicada (fig.21).

Fig.22
O observador poderá representar a caixa, olhando-a de lado.

Teremos uma vista lateral, e a projeção representará uma vista lateral que pode
ser da direita ou da esquerda (fig.22)

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Aperfeiçoamento

Fig.21
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Reparemos que uma peça pode ter, pelo que foi esclarecido, até seus vistas;
entretanto, uma peça que estamos vendo ou imaginando, deve ser representada
por um número de vistas que nos dê a idéia completa de peça, um número de
vistas essenciais para representá-la a fim de que possamos entender qual é a
forma e quais as dimensões da peça. Estas vistas são chamadas de “vistas
principais”.

Ao selecionar a posição da peça da qual se vai fazer a projeção, escolhe-se para


a vertical, aquela vista que mais caracteriza ou individualiza a peça; por isso, é
comum também chamar a projeção vertical (elevação) de vista principal.

As três vistas, elevação, planta e vista lateral esquerda, dispostas em posições


normalizadas pela ABNT nos dão as suas projeções.

A vista de frente (elevação) e a vista de cima (planta) alinham-se verticalmente


(fig.23).

Fig.23

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Aperfeiçoamento
Fig.24
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A vista de frente (elevação) e a vista de lado (vista lateral esquerda) alinham-se


horizontalmente (fig.24).

Finalmente, temos a caixa de fósforos desenhada em três projeções (fig.25).

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Aperfeiçoamento

Fig.24
Fig.25
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Por esse processo podemos desenhar qualquer peça (fig.26).

Fig.26

Na vista lateral esquerda das projeções das peças abaixo, existem linhas
tracejadas. Elas representam as arestas não visíveis (fig.27).

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Aperfeiçoamento

Fig.27
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Nas projeções abaixo, aparecem linhas de centro.

Nas projeções abaixo, foram empregados eixos de simetria.

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Aperfeiçoamento

Fig.28
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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As projeções desenhadas anteriores apresentaram a vista lateral esquerda,


representando o que se vê olhando a peça pelo lado esquerdo, apesar de sua
projeção estar à direita da elevação.

Nos casos em que o maior número de detalhes estiver colocado no lado direito da
peça, usa-se a vista lateral direita, projetando-a à esquerda da elevação,
conforme exemplo (fig.30).

Fig.29
Fig.31

Os desenhos abaixo mostram as projeções de várias peças com utilização de


apenas uma vista lateral. De acordo com os detalhes a serem mostrados, foram
utilizadas as laterais esquerda ou direita (fig.31 e 32).

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Aperfeiçoamento

Fig.30
Fig.32
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Em certos casos, porém, há necessidade de se usar duas laterais para melhor


esclarecimento de detalhes importantes. Quando isso acontece, as linhas
tracejadas desnecessárias podem ser omitidas, como no exemplo a seguir
(fig.33).

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Aperfeiçoamento

Fig.33
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Exercícios
1. Complete, as projeções das peças apresentadas e coloque nome em cada
uma das vistas.

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Aperfeiçoamento
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2. Complete, as projeções das peças apresentadas e coloque nome em cada


uma das vistas.

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Aperfeiçoamento
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3. Complete, as projeções das peças apresentadas.

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Aperfeiçoamento
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4. Desenhe, as plantas e as vistas laterais esquerdas das peças apresentadas.

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Aperfeiçoamento
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5. Complete, à mão livre, as plantas e as vistas laterais esquerdas das peças


apresentadas.

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Aperfeiçoamento
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6. Desenhe as projeções das peças apresentadas.

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Aperfeiçoamento
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7. Identifique as vistas de frente, de cima e as laterais esquerda e direita nas


projeções apresentadas.

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Aperfeiçoamento
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Aperfeiçoamento
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8. Coloque em baixo de cada vista, as iniciais correspondentes:

VF - Vista de Frente
VS - Vista Superior
VLE - Vista Lateral Esquerda
VLD - Vista Lateral Direita

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Aperfeiçoamento
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9. Desenhe, a terceira vista das projeções apresentadas.

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10. Complete as projeções abaixo.

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6. Supressão de vistas
Quando representamos uma peça pelas suas projeções, usamos as vistas que
melhor identificam suas formas e dimensões. Podemos usar três ou mais vistas,
como também podemos usar duas vistas e, em alguns casos, até uma única vista.

A seguir estão representadas peças com duas vistas. Continuará havendo uma
vista principal - vista de frente - sendo escolhida como segunda vista aquela que
melhor complete a representação da peça (fig.34).

A seguir estão representadas peças por uma única vista. Neste tipo de projeção é
indispensável o uso de símbolos (figs.35 e 36).

Fig.34

Fig.35

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Aperfeiçoamento
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Fig.36

Exercício
1. Empregando duas vistas, desenhe,as peças apresentadas.

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Aperfeiçoamento
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7. Identificação e Leitura de Cotas, Símbolos e


Materiais
Para execução de uma peça, torna-se necessário que se coloque no desenho,
além das projeções que nos dão idéia da forma da peça, também as suas
medidas e outras informações complementares. A isto chamamos
Dimensionamento ou Cotagem.

A Cotagem dos desenhos tem por objetivos principais determinar o tamanho e


localizar exatamente os detalhes da peça. Por exemplo, para execução da peça
ao lado necessitamos saber as suas dimensões e a exata localização do furo
(fig.37).

A Anotação - “ESP. 8” - Refere-se à Espessura da Peça.

Para a Cotagem de um desenho são necessários três elementos (fig.38):

 Linhas de Cota
 Linhas de Extensão
 Valor Numérico da Cota

Fig.37

Como vemos na figura acima (fig.38), as Linhas de Cota são de espessura fina,
traço contínuo, limitadas por setas nas extremidades. As linhas de extensão são
de espessura fina, traço contínuo, não devem tocar o contorno do desenho da
peça e prolongam-se um pouco além da última linha de cota que abrangem.

 número que exprime o valor numérico da cota pode ser escrito:


____________________________________________________________ 47
Aperfeiçoamento

Fig.38
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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•acima da linha de cota, eqüidistante dos extremos (fig.39);

•em intervalo aberto pela interrupção da linha de cota (fig.40).

Fig.39

No mesmo desenho devemos empregar apenas uma destas duas modalidades. O


valor numérico colocado acima da linha de cota é mais fácil e evita a possibilidade
de erros.

Regras de Cotagem
Em desenho técnico, normalmente, a unidade de medida é o milímetro, sendo
dispensada a colocação do símbolo junto ao valor numérico da cota.

Se houver o emprego de outra unidade, coloca-se o respectivo símbolo ao lado


do valor numérico (fig.41).
Fig.40

As cotas devem ser colocadas de modo que o desenho seja lido da esquerda
para a direita e de baixo para cima paralelamente à dimensão cotada (fig.42).

Fig.42
Fig.41
____________________________________________________________ 48
Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Cada cota deve ser indicada na vista que mais claramente representar a forma do
elemento cotado. Deve-se evitar a repetição de cotas (fig.43).

As cotas podem ser colocadas dentro ou fora dos elementos que representam,
atendendo aos melhores requisitos de clareza e facilidade de execução (fig.44).

Nas transferências de cotas para locais mais convenientes, devemos evitar o


cruzamento das linhas de extensão com linhas de cota.

Fig.43

As linhas de extensão são traçadas perpendicularmente à dimensão cotada ou,


em caso de necessidade, obliquamente, porém paralelas entre si (fig.45).

Fig.44
Fig.45
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Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Evite a colocação de cotas inclinadas no espaço hachurado a 30º (fig.46).

Não utilize as linhas de centro e eixos de simetria como linhas de cota. Elas
substituem as linhas de extensão (fig.47).

Fig.46

Cotagem por meio de faces de referência (Fase A e B)(Fig.48).

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Aperfeiçoamento

Fig.48
Fig.47
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Exercícios
1. Localize as cotas necessárias para execução das peças abaixo
representadas. Não coloque o valor numérico das cotas. Trace apenas as
linhas de cota e de extensão.

2. Faça a cotagem completa dos desenhos abaixo.


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Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Cotagem de Detalhes
As linhas de cota de raios de arcos levam setas apenas na extremidade que toca
o arco (fig.49).

Conforme o espaço disponível no desenho, os ângulos podem ser cotados assim


(fig.50).

Fig.49
A Cotagem de Chanfros se faz como indicam as figuras a seguir (fig.51). Quando
o chanfro for de 45º, podemos simplificar a cotagem usando um dos sistemas
apresentados.

Fig.50

A Cotagem de Círculos se faz indicando o valor de seu diâmetro por meio dos
recursos apresentados nas figuras abaixo, que são adotados conforme o espaço
disponível no desenho (fig.52).
Fig.52
Fig.51

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Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Para cotar em espaços reduzidos, colocamos as cotas como nas figuras a seguir
(fig.53).

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Aperfeiçoamento

Fig.53
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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8. Símbolos e Convenções
A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), em suas Normas NB-8 e
NB-13, recomenda a utilização dos símbolos abaixo, que devem ser colocados
sempre antes dos valores numéricos das cotas.

Ø Indicativo de Diâmetro
Indicativo de Quadrado
R Indicativo de Raio

Estas duas linhas finas cruzadas indicam que se trata de superfície plana.

Quando, nas vista cotada, for evidente que se trata de diâmetro quadrado ou raio,
os respectivos símbolos podem ser dispensados (fig.55).

Fig.54

Fig.55

____________________________________________________________ 55
Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Símbolos em Materiais Perfilados


Os símbolos abaixo, devem ser colocados sempre antes da designação da bitola
do material.

Convenções para Acabamento de Superfícies

Superfícies em bruto, porém limpas de rebarbas e saliências (fig.56).

Superfícies apenas desbastadas (fig.56).

Superfícies alisadas (fig.57).

Superfícies polidas (fig.57).

____________________________________________________________ 56
Fig.57
Fig.56 Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Para outros graus de acabamento, devendo ser indicada a maneira de obtê-los


(fig.58).

Superfícies sujeitas a tratamento especial, indicado sobre a linha horizontal. Ex.:


cromado, niquelado, pintado, etc (fig.58).

Quando todas as superfícies de uma peça tiverem o mesmo acabamento, o


respectivo sinal deve ficar em destaque (fig.59).

Se, na mesma peça, houver superfícies com graus de acabamento diferentes dos
da maioria, os sinais correspondentes serão colocados nas respectivas
superfícies e também indicados entre parênteses, ao lado do sinal em destaque.
Fig.58

Exemplo de aplicação dos símbolos e convenções (fig.61).

Fig.61
____________________________________________________________ 57
Aperfeiçoamento

Fig.59
Fig.60
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Exercícios
1. Localize as cotas necessárias para execução das peças abaixo
representadas. Não coloque o valor numérico das cotas. Tracem apenas as
linhas de cota, de extensão e os símbolos necessários.

2. Qual o tipo de acabamento utilizado nas superfícies indicadas pelas letras:


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Aperfeiçoamento
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3. Qual o tipo de acabamento geral da peça abaixo?

4. Qual o tipo de acabamento para as partes torneadas com 25 mm de diâmetro?

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Aperfeiçoamento
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9. Escala NBR 8196/1983 (DIN 823)


Escala é a proporção definida existente entre as dimensões de uma peça e as do
seu respectivo desenho.

O desenho de um elemento de máquina pode estar em:

 escala natural 1 : 1
 escala de redução 1 : 5
 escala de ampliação 2 : 1

Na representação através de desenhos executados em escala natural (1 : 1), as


dimensões da peça correspondem em igual valor às apresentadas no desenho.

Na representação através de desenhos executados em escala de redução, as


dimensões do desenho se reduzem numa proporção definida em relação às
dimensões reais das peças.

Na escala 1 : 2, significa que 1mm no desenho corresponde a 2mm na peça real


(fig.62).

Fig.62

____________________________________________________________ 60
Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

Na representação através de desenhos executados em escala de ampliação, as


dimensões do desenho aumentam numa proporção definida em relação às
dimensões reais das peças.

Na escala 5 : 1, significa dizer que 5mm no desenho correspondem a 1mm na


peça real (fig.63).

Exercícios
1. Complete o quadro abaixo:

Fig.63

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Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

10.Corte

Corte total
É aquele que atinge a peça em toda a sua extensão (fig.64).

Lembre-se que em desenho técnico mecânico os cortes são apenas imaginarios.

Os cortes são imaginados e representados sempre que for necessário mostrar


elementos internos da peça ou elementos que não estejam visíveis na posição em
que se encontra o observador.

Você deve considerar o corte realizado por um plano de corte , tambem


imaginário.

No caso de corte total, oFig.64


plano de corte atravessa completamente a peça,
atingindo suas partes maciças, como mostra a figura a seguir (fig.65).

Os cortes podem ser representados em qualquer das vistas do desenho técnico


mecânico. A escolha da vista onde o corte é representado depende dos
elementos que se quer destacar e da posição de onde o observador imagina o
corte.
Fig.65
Considere o modelo a seguir, visto de frente por um observador (fig.66).

____________________________________________________________ 62
Aperfeiçoamento

Fig.66
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

Nesta posição, o observador não vê os furos redondos nem o furo quadrado da


base. Para que estes elementos sejam visíveis, é necessário imaginar o corte.
Imagine o modelo secionado, isto é, atravessado por um plano de corte (fig.67).

O plano de corte paralelo ao plano de projeção vertical é chamado plano


longitudinal vertical . Este plano de corte divide o modelo ao meio, em toda sua
extensão, atingindo todos os elementos da peça.

Veja as partes em que ficou dividido o modelo atingido pelo plano de corte
longitudinal vertical.

Fig.67

Imagine que a parte anterior do modelo foi removida. Assim, você poderá analisar
com maior facilidade os elementos atingidos pelo corte. Acompanhe a projeção do
modelo secionado no plano de projeção vertical (fig.69).

Fig.69
Fig.68
____________________________________________________________ 63
Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

Na projeção do modelo cortado, no plano vertical, os elementos atingidos pelo


corte são representados pela linha para arestas e contornos visíveis.

A vista frontal do modelo analisado, com corte, deve ser representada como
segue (fig.70).

As partes maciças do modelo, atingidas pelo plano de corte, são representadas


hachuradas.

Neste exemplo, as hachuras são formadas por linhas estreitas inclinadas e


paralelas entre si.

As hachuras são formas convencionais de representar as partes maciças


atingidas pelo corte. A ABNT estabelece o tipo de hachura para cada material.

Os furos não recebem hachuras, pois são partes ocas que não foram atingidas
pelo plano de corte. Os centros dos furos são determinados pelas linhas de centro
centro, que tambem devem ser representadas nas vistas em corte.

Indicação do plano de corte


Observe novamente o modelo secionado e, ao lado, suas vistas ortográficas
(fig.71).

Fig.70

A vista superior e a vista lateral esquerda não devem ser representadas em corte
porque o observador não as imaginou atingidas pelo plano de corte. A vista frontal
Fig.71
____________________________________________________________ 64
Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

está representada em corte porque o observador imaginou o corte vendo o


modelo de frente.

Sob a vista representada em corte, no caso a vista frontal frontal, é indicado o


nome do corte: Corte AA .

Observe, na figura anterior, que a vista superior é atravessada por uma linha traço
e ponto estreita, com dois traços largos nas extremidades. Esta linha indica o
local por onde se imaginou passar o plano de corte.

As setas sob os traços largos indicam a direção em que o observador imaginou o


corte.

As letras do alfabeto, proximas às setas, dão o nome ao corte. A ABNT determina


o uso de duas letras maiúsculas repetidas para designar o corte: AA, BB,CC etc.

Quando o corte é representado na vista frontal, a indicação do corte pode ser feita
na vista superior, como no exemplo anterior, ou na vista lateral esquerda, como
mostra a ilustração a seguir (fig.72).

Segundo a ABNT, sempre que a representação do corte for clara, não há


necessidade de indicar o plano de corte em outra vista.

Como o corte pode ser imaginado em qualquer das vistas do desenho técnico,
agora você vai aprender a interpretar cortes aplicados na vista superior (fig.73).

Imagine o mesmo modelo anterior visto de cima por um observador.

Para que os furos redondos fiquem visíveis, o observador deverá imaginar um


corte. Veja, a seguir, o modelo secionado por um plano de corte horizontal
(fig.74). Fig.73
____________________________________________________________
Fig.72 65
Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

Este plano de corte, que é paralelo ao plano de projeção horizontal, é chamado


plano longitudinal horizontal. Ele divide a peça em duas partes. Com o corte, os
furos redondos, que antes estavam ocultos, ficaram visíveis.

Imagine que o modelo foi removido. Veja como fica a projeção do modelo no
plano horizontal (fig.75).
Fig.74

Observe novamente o modelo secionado e, ao lado, suas vistas ortográficas


(fig.76).

O corte aparece representado na vista superior. As partes maciças atingidas pelo


corte foram hachuradas. Fig.75
Fig.76
____________________________________________________________ 66
Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

A vista frontal e a vista lateral esquerda estão representadas sem corte, porque o
corte imaginado atingiu apenas a vista superior.

O nome do corte: Corte AA aparece sob a vista superior, que é a vista


representada em corte.

A indicação do plano de corte, na vista frontal, coincide com a linha de centro dos
furos redondos.

As setas, ao lado das letras que dão nome ao corte, indicam a direção em que o
corte foi imaginado.

Quando o corte é imaginado na vista superior, a indicação do local por onde


passa o plano de corte pode ser representada na vista frontal ou na vista lateral
esquerda.

Observe mais uma vez o modelo com dois furos redondos e um furo quadrado na
base. Imagine um observador vendo o modelo de lado e um plano de corte
vertical atingindo o modelo, conforme a figura a seguir (fig.77).

Observe na figura seguinte, que a parte anterior ao plano de corte foi retirada,
deixando visÌvel o furo quadrado (fig.78).

Finalmente, veja na prôxima ilustração, como ficam as projeções ortográficas


deste modelo em corte (fig.79).

____________________________________________________________ 67
Fig.78 Aperfeiçoamento
Fig.77
Fig.79
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

O plano de corte, que é paralelo ao plano de projeção lateral, recebe o nome de


plano transversal.

Na vista lateral, o furo quadrado, atingido pelo corte, aparece representado pela
linha para arestas e contornos visíveis. As partes maciças, atingidas pelo corte,
são representadas hachuradas.

O furo redondo, visível pelo observador, tambem é representado pela linha para
arestas e contornos visíveis.

Nas vistas ortográficas deste modelo em corte transversal, a vista frontal e a vista
superior são representadas sem corte.

Quando o corte é representado na vista lateral, a indicação do plano de corte


tanto pode aparecer na vista frontal como na vista superior.

Corte em Desvio
Certos tipos de peças, como as representadas abaixo, por apresentarem seus
elementos internos fora de alinhamento, precisam de outra maneira de se
imaginar o corte (fig.80).

O tipo de corte usado para mostrar elementos internos fora de alinhamento é o


corte em desvio.

Imagine o primeiro modelo (Fig. 80) sendo secionado por um plano de corte
longitudinal vertical que atravessa o furo retangular e veja como fica sua
representação ortográfica (fig.81).

Fig.81
____________________________________________________________ 68
Aperfeiçoamento
Fig.80
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
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Você deve ter observado que o modelo foi secionado por um plano que deixou
visível o furo retangular. Os furos redondos, entretanto, não podem ser
observados.

Para poder analisar os furos redondos, você terá de imaginar um outro plano de
corte, paralelo ao anterior. Veja, a seguir (fig.82), o modelo secionado pelo plano
longitudinal vertical que atravessa os furos redondos e, ao lado, sua
representação ortográfica.

Em desenho técnico existe um modo de representar estes cortes reunidos: é o


corte em desvio.

O corte em desvio torna possível analisar todos os elementos internos do modelo


ou peça, ao mesmo tempo. Isso ocorre porque o corte em desvio permite
representar, numa mesma vista vista, elementos situados em diferentes planos de
corte.

Você deve imaginar o plano de corte desviado de direção, para atingir todos os
elementos da peça (fig.83).

Fig.82

A vista frontal, representada em corte, neste exemplo, mostra todos os elementos


como se eles estivessem no mesmo plano.

____________________________________________________________ 69
Aperfeiçoamento Fig.83
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

Se você observar a vista frontal, isoladamente, não será possível identificar os


locais por onde passaram os planos de corte. Nesse caso, você deve examinar a
vista onde é representada a indicação do plano de corte.

Observe abaixo (fig.84) que o corte é indicado pela linha traço e ponto na vista
superior. Os traços são largos nas extremidades e quando indicam mudanças de
direção dos planos de corte. O nome do corte é indicado por duas letras
maiúsculas, representadas nas extremidades da linha traço e ponto. As setas
indicam a direção em que o observador imaginou o corte.

Meio-corte
Há tipos de peças ou modelos em que é possível imaginar em corte apenas uma
parte, enquanto que a outra parte permanece visível em seu aspecto exterior.
Este tipo de corte È o meio-corte corte.

O meio-corte é aplicado em apenas metade da extensão da peça.

Somente em peças ou modelos simétricos longitudinal e transversalmente,é que


podemos imaginar o meio-corte. Fig.84

Observe o modelo a seguir, representado em perspectiva. Em seguida, imagine


este modelo dividido ao meio por um plano horizontal e depois, dividido por um
plano vertical (fig.85).

Você reparou que, nos dois casos casos, as partes resultantes da divisão são
iguais entre si? Trata-se, portanto, de um modelo simétrico longitudinal e

____________________________________________________________ 70
Aperfeiçoamento

Fig.85
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

transversalmente. Neste modelo é possÌvel imaginar a aplicação de meio-corte


corte.

Acompanhe a aplicação do meio-corte em um modelo simétrico nos dois sentidos


(fig.86).

Imagine o modelo atingido até a metade por um plano de corte longitudinal (P1).
Depois, imagine o modelo cortado até a metade por um plano de corte transversal
(P2) (fig.87).

Fig.86

Imagine que a parte atingida pelo corte foi retirada (fig.88).

Observando o modelo com meio-corte, você pode analisar os elementos internos.


Além disso, ainda pode observar o aspecto externo, que corresponde à parte não
atingida pelo corte.

O modelo estava sendo visto de frente, quando o corte foi imaginado. Logo, a
vista onde o corte deve ser representado é a vista frontal.

Analise a vista frontal representada em projeção ortográfica com aplicação do


meio-corte (fig.89). Fig.87
____________________________________________________________ 71
Fig.88
Aperfeiçoamento
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

A linha traço e ponto estreita, que divide a vista frontal ao meio, é a linha de
simetria.

As partes maciças, atingidas pelo corte, são representadas hachuradas.

Fig.89 internos, que se tornaram visÌveis com o corte, é indicado


O centro dos elementos
pela linha de centro centro. Neste exemplo, os elementos que ficaram visíveis
com o corte são: o furo passante da direita e metade do furo central.

Metade da vista frontal não foi atingida pelo meio-corte: o furo passante da
esquerda e metade do furo central não são representados no desenho. Isso
ocorre porque o modelo é simétrico. A metade da vista frontal não atingida pelo
corte é exatamente igual à outra metade. Assim, não é necessário repetir a
indicação dos elementos internos na parte não atingida pelo corte. Entretanto, o
centro dos elementos não visíveis deve ser indicado.

Quando o modelo é representado com meio-corte, não é necessário indicar os


planos de corte. As demais vistas são representadas normalmente.

Analise mais uma vez a perspectiva do modelo e, ao lado, suas vistas ortográficas
(fig.90).

Corte Parcial
Em certas peças, os elementos internos que devem ser analisados estão
concentrados em partes determinadas da peça (fig.91).

Nesses casos, não é necessário imaginar cortes que atravessem toda a extensão
da peça. É suficiente representar um corte que atinja apenas os elementos que se
Fig.90
____________________________________________________________ 72
Aperfeiçoamento Fig.91
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

deseja destacar. O tipo de corte mais recomendado nessas situações é o corte


parcial.

Observe um modelo em perspectiva, com aplicação de corte parcial (fig.92).

A linha contínua estreita irregular e à mão livre, que você vê na perspectiva, é a


linha de ruptura. A linha de ruptura mostra o local onde o corte está sendo
imaginado, deixando visíveis os elementos internos da peça. A linha de ruptura
tambem é utilizada nas vistas ortográficas (fig.93).

Fig.92

A vista representada em corte é a vista frontal porque, ao imaginar o corte, o


observador estava vendo a peça de frente.

Nas partes não atingidas pelo corte parcial, os elementos internos devem ser
representados pela linha para arestas e contornos não visíveis.

Veja agora uma outra maneira de representar a linha de ruptura, na vista


ortográfica, através de uma linha contínua estreita, em ziguezague (fig.94).

Fig.93

As partes hachuradas representam as partes maciças do modelo, atingidas pelo


corte.

____________________________________________________________ 73
Aperfeiçoamento
Fig.94
Leitura e Interpretação de Desenho Técnico Mecânico
____________________________________________________________

Referências Bibliográficas
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1999.

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Rio de Janeiro, 1994.

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larguras das linhas. Rio de Janeiro, 1984.

______. NBR 10068: Folha de Desenho – leiaute e dimensões. Rio de Janeiro,


1987.

______. NBR 10126: Cotagem em Desenho Técnico. Rio de Janeiro, 1987

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______. NBR 12298: Representação de Área de Corte por Meio de Hachuras em


Desenho Técnico. Rio de Janeiro, 1995.

FRENCH, Thomas Ewing; VIERCK, Charles J. Desenho Técnico e Tecnologia


Gráfica. São Paulo : globo, 1995.

MICELI, Maria Tereza; FERREIRA, Patrícia. Desenho Técnico Básico. Rio de


Janeiro : Ao Livro Técnico, 2001.

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Aperfeiçoamento