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16/03/2017

TEMA: Características gerais do processo de fadiga


Prof. MSc. Eng. Eurico Montenegro
FADIGA - CCE0696
ENGENHARIA MECÂNICA
Recife, 16 de março de 2017
Aula 03

TÓPICO

OBJETIVO DA AULA
Ao final desta aula, você deverá:
1. Saber o conceito de processo de fadiga;
2. Conhecer as zonas típicas de uma fratura por fadiga;
3. Conhecer o método de ensaio de fadiga;
4. Identificar uma máquina de ensaio de fadiga;
5. Conhecer a curva tensão-ciclagem;
6. Conhecer a curva de fluência;
7. Exercício de Fixação.

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TÓPICO

INTRODUÇÃO
o A fadiga é um problema que afeta qualquer componente estrutural ou parte que
move. Exemplos: automóveis nas ruas, aviões (principalmente nas asas) no ar, navios
em alto mar, constantemente em choque com as ondas, reatores nucleares etc.
(perceba então a importância do fenômeno de fadiga).
o Pode-se afirmar que 90% das falhas em serviço de componentes metálicos que
experimentam movimento de um jeito ou de outro é devido à fadiga.
Frequentemente, a superfície de fratura por fadiga irá mostrar algumas
características macroscópicas de fácil identificação e associação ao fenômeno da
fadiga, tais como as marcas de praia.
o As rupturas promovidas por processos de fadiga distinguem-se por apresentarem três
estágios conhecidos. O primeiro estágio é o que abrange o período de nucleação da
falha, onde a iniciação ocorre devido à máxima tensão principal de cisalhamento a
45º com a tensão principal de tração aplicada. O segundo estágio compreende a
propagação de uma trinca, na direção ortogonal à tensão de tração. Finalmente,
ocorre a ruptura catastrófica, que é o terceiro estágio, no momento em que a seção
resistente diminui o suficiente para que não mais suporte um ciclo de carga e rompa
por sobrecarga.
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CARACTERÍTICAS GERAIS DO PROCESSO DE FADIGA


o Fadiga – é um tipo de falha que ocorre em materiais sujeitos à tensão
que varia no tempo;
o A falha pode ocorrer a níveis de tensão substancialmente mais baixos do
que o limite de resistência do material;
o É responsável por aproximadamente 90% de todas as falhas de metais,
afetando também polímeros e cerâmicas;
o Ocorre subitamente e sem aviso prévio;
o A falha por fadiga é do tipo frágil, com muito pouca deformação plástica.
O processo de fadiga, ocorre em 3 etapas:
1- Nucleação de uma fissura em alguma irregularidade
(ponto de concentração de tensões);
2- Propagação da fissura;
3- Ruptura catastrófica quando se atinge o KIC do
material.

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CARACTERÍTICAS GERAIS DO PROCESSO DE FADIGA


ZONAS TÍPICAS DE UMA FRATURA POR FADIGA E FISSURA NA
ETAPA DE PROPAGAÇÃO

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CARACTERÍTICAS GERAIS DO PROCESSO DE FADIGA


ENSAIOS DE FADIGA
o Ensaios de Fadiga - consiste em
submeter uma série de corpos de
prova a cargas variáveis, com tensões
máximas decrescentes de valor e que
levem um corpo de prova à ruptura,
após um certo número de ciclos que
é registrado.
Nas curvas dos gráficos observa-se:
1- Curva do gráfico (a) - representa um ensaio
realizado em material ferroso;
2- Curva do gráfico (b) - representa um ensaio
realizado em material não ferroso.

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CARACTERÍTICAS GERAIS DO PROCESSO DE FADIGA


MÁQUINA DE ENSAIOS DE FADIGA
motor
junta contador
flexível
amostra
carga carga

ANALISE DAS CURVAS DO GRÁFICO


Limite de resitência
Tensão

fratura

Tempo
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CARACTERÍTICAS GERAIS DO PROCESSO DE FADIGA


MÁQUINA DE ENSAIOS DE FADIGA

Figura (a) – Máquina de fadiga tipo flexão alternada .

Figura (b) – Máquina de fadiga


tipo universal de ensaios.

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CURVA TENSÃO-CICLAGEM (A CURVA S-N)


o A curva Tensão-Ciclagem (Stress-Number of Cycles) - é um gráfico que
relaciona o número de ciclos até a fratura com a:
Quanto menor a tensão,
Tensão,S (MPa)

maior é o número de ciclos


que o material tolera.
Ligas ferrosas normalmente
possuem um limite de
fadiga. Para tensões abaixo
deste valor o material não
apresenta fadiga.

Ligas não ferrosas não possuem um


S1 limite de fadiga. A fadiga sempre
ocorre mesmo para tensões baixas
e grande número de ciclos. Vida de fadiga a
uma tensão S1
Limite de fadiga
(35 a 60%) do limite
de resistência (T.S.)
Número de ciclos até a fratura (N)
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FATORES QUE AFETAM A VIDA DE FADIGA


o Nível médio das tensões:
 Quanto maior o valor médio da tensão, menor é a vida;

o Efeito de superficies:
 A maior parte das trincas que iniciam o processo de falha se origina na
superfície do material. Isto implica que as condições da superfície afetam
fortemente a vida de fadiga;
 Projeto da superfície: evitando cantos vivos;

 Tratamento da superfície:
a) Eliminar arranhões ou marcas através de polimento;
b) Tratar a superfície para gerar camadas mais duras (carbonetação) e que geram
tensões compressivas que compensam parcialmente a tensão externa.

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FLUÊNCIA
o Fluência - é a deformação plástica que ocorre
em materiais sujeitos a tensões constantes, a
temperaturas elevados:
 Turbinas de jatos, geradores a vapor;
 É muitas vezes o fator limitante na vida útil da
Forno peça.
 Se torna importante, para metais a
temperaturas de ≈ 0,4Tf

Carga constante

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CURVA DE FLUÊNCIA
ε Terciária Na região Primária - o material
Vida de ruptura encrua, tornando-se mais rígido,
e a taxa de crescimento da
deformação com o tempo
diminui;
Secundária
Na região Secundária - a taxa de
crescimento é constante (estado
Primária estacionário), devido a uma
competição entre encruamento e
recuperação;
Na região Terciária - ocorre uma
aceleração da deformação
causada por mudanças
microestruturais tais como
Deformação instantânea
rompimento das fronteiras de
(elástica) grão.
Tempo
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CURVA DE FLUÊNCIA
INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA E TENSÃO
o As curvas de fluência variam em função da temperatura de
trabalho e da tensão aplicada:
 A taxa de estado estacionário aumenta.
ε Temperatura aumentando ε Tensão aumentando

Tempo Tempo
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CURVA DE FLUÊNCIA
INFLUÊNCIA DA TENSÃO
o Relação entre σ e taxa de fluência estacionária:
n
ε = K 1σ
ln ε = ln K 1 + n ln σ
Tensão (MPa)

Onde: K1 e n são constantes do


material.

Taxa de fluência estacionária (%/1000 h)

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CURVA DE FLUÊNCIA
INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA
Taxa de fluência estacionária (%/1000 h)

o Relação entre Τ e a taxa de fluência


estacionária:
 − Qc 
ε = K 2σ n exp  
 RT 
Onde: K2 e n são constantes do material;
o OndQc é a energia de ativação para
fluência;
o caso apresente, em que faixa de
temperaturas ocorre o fenômeno.

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EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
1. Avalie se as afirmações abaixo são verdadeiras (V) ou falsas (F), em
relação à “Características gerais do processo de fadiga”.
( ) Zonas tipicas de uma fratura por fadiga e fissure na etapas de propagação;
( ) Os ensaios de fadiga consiste em submeter uma série de corpos de prova a
cargas variáveis;
( ) Sofre influencia da temperatura e tensão para fraturar.
A sequência correta é:
a) V - V – V;
b) V - V – F;
c) V - F – V;
d) F - V – V;
e) F - F – V.

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EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
2. Quais são as etapas em que pode-se dividir o processo de fadiga de
um material metálico?
a) Propagação Fase I - após aplicação de um determinado número de ciclos
de carregamento, formam-se extrusões e intrusões, onde é intensa a
concentração de tensões;
b) Propagação Fase II - ocorre a propagação de uma trinca bem definida com
velocidade elevada, surgindo estrias com o avanço da trinca;
c) Fratura Final (Catastrófica): a trinca percorreu uma área suficiente e o
material não consegue suportar a carga aplicada, resultando na fratura da
peça;
d) As alternativas (a), (b) e (c) são corretas;
e) Apenas as alternativas (a) e (c) são corretas.

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EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
3. Relacione as colunas entre si, sobre os seus conhecimentos adquiridos
sobre as Máquinas de Ensaios de Fadiga:
(1) Curva tensão-ciclagem; ( ) Não possuem um limite de fadiga;
(2) Ligas não ferrosa; ( ) Fatores que afetam a vida de fadiga;
(3) Quanto menor a tensão; ( ) É um gráfico que relaciona o nº. de ciclos;
(4) Nível médio das tensões; ( ) Maior é o nº. de ciclos que o material tolera;
(5) Curva de fluência; ( ) Variam em função da temperatura e tensão.

4. A deformação e rompimento de materiais, se deve ao deslizamento de


planos cristalinos, que é facilitado pelo movimento de discordâncias, uma
vez que os elementos de liga geralmente ocupam posições substitucionais e
intersticiais :
( ) Certo ( ) Errado
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Bibliografia Recomendada
o NORTON, Robert L., Projeto de Máquinas uma abordagem integrada. Porto Alegre: Bookman,
2004;
o STROHAEKER, Telmo Roberto. Mecânica da Fratura. Porto Alegre: Gráfica UFRGS, 2000;
o Charles, J. A.; Greenwood, G. W.; Smith, G.C. ? Future Developments of Metals and Ceramics,
The Institute of Materials, 1992;
o BRANCO, C.M., FERNANDES, A.A., CASTRO, P.M.S.T., Fadiga de Estruturas Soldadas. Rio de
Janeiro: Fundação Calouste Gulbenkian, 1986.

Bibliografia Complementar
o CHARLES, J.ª; Smith, G.C. Advances in Physical Metallurgy, The Institute of Metals,1992;
o HERTZBERG, R.W. Deformation and Fracture Mechanics of Engineering Materials, 3rd ed.,
New York: John Wiley & Sons, 1986;
o ANDERSON, T.L., Fracture mechanics. Fundamentals and applications, 2ª ed., CRC Press,
1995;
o DIETER, G.E. Mechanical Metallurgy, SI Metric Edition, McGraw-Hill Book Company, N.Y, 1988.

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REFLEXÃO

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Obrigado!
Eurico Montenegro
eurico.montenegro@gmail.com
(81) 9 9800.1656 / 9 8406.0033 - (81) 3311.4856

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