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5 motivos para usar Scrivener

Já escrevi, em dezembro do ano passado, sobre Scrivener,


um programa para escritores. Agora, antes de publicar
este post, o texto seencontra entre os mais acessados do
blog.

Algumas pessoas também me mandam mensagens, pedindo


que eu fale mais a respeito dessa ferramenta.

Resolvi, assim, explicar algumas das razões que


tornaram Scrivener essencial no meu dia-a-dia:

1. A lógica de Scrivener é simples: tudo sempre à


mão

O volume de informações a que tenho acesso cresce sem


parar, numa escala inimaginável há 20 anos. Não se trata de
utilizar ou não esses conhecimentos, mas de mantê-los
sempre por perto, pois tenho certeza (ou a ilusão) de que,
um dia, precisarei deles.
Scrivener resolve esse problema com as possibilidades que
oferece para o autor se organizar.

Darei um exemplo prático:

Suponhamos que eu esteja escrevendo um texto sobre o


escritor italiano Carlo Emilio Gadda. Tenho duas teses de
doutorado sobre ele, no formato Word, que um amigo me
enviou. Consegui também, na Web, o PDF de uma
dissertação de mestrado. Como o ensaio que estou
escrevendo é biográfico, fiz uma pesquisa iconográfica e
reuni cerca de 50 fotos de Gadda, dos locais onde viveu e de
fatos históricos de que participou, direta ou indiretamente.
Além disso, tenho cerca de 30 páginas da Web reunidas
sobre o tema — sites que visitei e fui adicionando a um
caderno do Evernote.

Claro, não posso esquecer de minhas anotações pessoais: as


que fiz lendo alguns de seus livros no Kindle; as que estão,
feitas a lápis, nas margens de exemplares da minha
biblioteca (e que escaneei); e notas de obras gerais, algumas
histórias da literatura italiana.

Tenho também o mapa mental que desenhei para o ensaio,


uma espécie de planejamento dos temas que pretendo
abarcar.

Muito bem.

Como você faz para reunir tudo isso no Word? Simples:


você não faz.

Se você depender do Word para escrever esse ensaio, terá de


acumular um volume significativo de papel sobre a
escrivaninha. Ou ter uma eficiente secretária, que arquive
essas informações de maneira que ela possa localizar, com
rapidez, exatamente aquilo de que você necessita, no
momento em que necessita.

Com Scrivener, não.

Basta que, no Fichário, na pasta Pesquisa, eu abra uma


subpasta denominada “Carlo Emilio Gadda” e coloque ali
todo esse material. Posso acrescentar, inclusive, a entrevista
que Gadda concedeu a certa rádio de Milão ou uma antiga
gravação da tevê italiana que, de forma surpreendente,
descobri no YouTube.

Quando começo a escrever meu ensaio, abro dois campos de


trabalho no Editor: à minha esquerda, o ensaio; à direita, os
arquivos que vou consultando à medida que escrevo.

E… pronto. Tudo está à mão — bastando um movimento


rápido do mouse.

2. Scrivener fotografa as versões do meu trabalho


Outra suposição:

Depois de escrever duas laudas, descubro uma nova


informação — e percebo que ela, sim, é o grande início do
ensaio.

Claro, eu poderia “copiar” o que está escrito e “colar” num


outro arquivo. Mas por que teria esse trabalho se, no
Inspetor, tenho a opção de fotografar as versões do trabalho
— por data, horário e com o nome que eu desejar?

Mas vamos complicar as coisas.

Você fotografou a primeira versão. Depois, começou a


escrever o ensaio, agora com o novo início. Mas, quando
chegou à terceira página, seu terrível senso crítico acendeu
um sinal vermelho na sua cabeça: você não estaria sendo
piegas nesta nova versão?
Scrivener resolve, mais uma vez, o seu problema: basta
fotografar o novo ensaio e… o programa (na versão para
Mac) permite que você compare — por parágrafo, oração e
palavra — as duas versões.

3. Scrivener dá uma visão completa do meu


trabalho

Ainda estamos no ensaio sobre Gadda. Ele está ficando


maior do que imaginei. Estou na 4ª parte — e percebo que
há muito mais para escrever.

Mas será que a ordem que estou seguindo é realmente


adequada? E como posso alterá-la sem ter de renomear os
arquivos ou, pior, sem me embaralhar ou perder partes do
que escrevi?
Simples: com um clique do mouse, transformo o Editor, a
parte central do programa, num quadro de cortiça em que os
arquivos aparecem (com um título e uma sinopse) na forma
de fichas que posso mover e remover até encontrar a
seqüência adequada para meu trabalho.

Se eu preferir, o mesmo espaço pode ser transformado num


“esboçador”, em que os textos aparecem de forma vertical,
um sob o outro, mas também com a possibilidade de serem
remanejados.

Mas ainda não estou satisfeito.

Gostaria de reunir, na terceira parte do ensaio, os trechos


em que analiso Aquela confusão louca da Via Merulana.
Terei de pesquisar arquivo por arquivo?

Não com Srivener. É simples: coloco os termos de minha


busca no campo de pesquisa e o programa mostra todos os
arquivos em que o título do livro aparece.

Resumindo: mudanças estruturais podem ser feitas a


qualquer momento, de forma rápida e sem jamais perder a
visão do conjunto.

4. As estatísticas são perfeitas

Não se trata apenas de saber quantas palavras escrevi em


cada arquivo. Ou quantos caracteres.

Trata-se de ter objetivos.

Meu editor estabeleceu um número de palavras máximo


para o ensaio — e tenho de dividi-lo entre as partes do
trabalho, mas de maneira a nunca perder de vista o número
total.
Scrivener oferece todos os números — além de uma
simpática barra, na parte inferior do Editor, que muda de
cor à medida que me aproximo do meu objetivo.

Mas não é tudo.

O programa também mostra quantas vezes repeti cada uma


das palavras utilizadas — o que ajuda a corrigir possíveis
cacoetes verbais.

5. Posso trabalhar em diferentes computadores

Scrivener grava automaticamente seu trabalho a cada dois


segundos — sem que você perceba.

Mas gosto de fazer backups em dois locais diferentes:


num pen-drive e num serviço de nuvem.

À noite, ao terminar o trabalho, gravo o arquivo no formato


“zip” (o que Scrivener faz automaticamente, incluindo a
data) nos dois locais.

No dia seguinte, não trabalharei em casa, mas num café em


que gosto de passar as tardes.

Se tenho Scrivener no notebook, posso acessar meu


trabalho, exatamente como o deixei na noite anterior,
abrindo o projeto a partir da nuvem ou do pen-drive.

E o melhor: se você costuma trabalhar num PC e


seu notebook é um Mac, não importa: o arquivo “zip” abre
nos dois.

— Há várias outras funções de Scrivener que são sedutoras.


Falarei sobre elas no futuro.