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Nº CNJ : 0003343-65.2012.4.02.

9999
RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL ANTONIO IVAN
ATHIÉ
APELANTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
PROCURADORA : MARIA DA PENHA BARBOSA BRITO
APELADA : FILOMENA RODRIGUES DE FREITAS ASSIS
ADVOGADO : CLEMILSON RODRIGUES PEIXOTO
ORIGEM : 1ª VARA ESTADUAL DE GUAÇUÍ/ES (020103576771)

RELATÓRIO

Cuida-se de apelação cível interposta pelo Instituto Nacional do Seguro Social


- INSS contra sentença de fls. 157/165 que, nos autos da ação ajuizada por
FILOMENA RODRIGUES DE FREITAS ASSIS, julgou procedente o pedido
de concessão de aposentadoria rural por idade.

Em suas razões (fls. 189/196), o recorrente sustenta que a autora não faz jus
ao benefício pleiteado por não ostentar a condição de segurada especial, tendo
em vista que o número de propriedades que possue, a área total dessas
propriedades, as notas fiscais de atividade rural presentes nos autos e a
utilização de empregados em uma das propriedades, configuram atividade de
produtores rurais e descaracterizam a atividade rural em regime de economia
familiar. Aduz, ainda, que os documentos apresentados nos autos são
extemporâneos e que os honorários advocatícios devem ser fixados em 5%
(cinco por cento) do valor da condenação.

Contrarrazões às fls. 201/204.

O Ministério Público Federal entendeu desnecessária sua intervenção no feito


(fls. 207/209).

É o relatório. Peço dia.

Rio, / / 2013.

ANTONIO IVAN ATHIÉ

Desembargador Federal - Relator

VOTO

Conheço do recurso interposto porque presentes os seus pressupostos.


O artigo 201 da Constituição Federal, juntamente com as disposições do artigo
48 da Lei nº 8.213/91, asseguram aos trabalhadores rurais o benefício de
aposentadoria por idade, desde que respeitado o período de carência, quando
exigida, e cumprido o requisito etário de 60 anos para o homem e 55 anos para
a mulher.

Assim, para a concessão do referido benefício faz-se necessária a observância


dos seguintes requisitos: a) idade mínima; b) comprovação do efetivo
exercício da atividade rural.

O primeiro requisito restou plenamente demonstrado nos autos pela autora,


que à época do requerimento administrativo do benefício (12/03/2009), já
havia completado 55 (cinquenta e cinco) anos, visto que nasceu em
05/12/1953 (fl. 13), preenchendo o requisito etário.

Quanto à comprovação do enquadramento como segurada especial é possível


afirmar, após análise dos documentos acostados aos autos, que há suficiente
início de prova material exigido pela legislação para o deferimento do
benefício, a teor do disposto no art. 55, §3º, da Lei nº 8.213/91, corroborado
pela prova testemunhal produzida em Juízo.

Estão nos autos cópias, sem impugnação, da certidão de casamento da autora,


realizado em 25/12/75, em que consta a atividade de lavrador de seu marido
(fl. 16), além de declaração de exercício de atividade rural emitida pelo
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guaçui-ES (fls. 11/12), Carteira do
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guaçui-ES (fl. 13), guias de
arrecadação dos trabalhadores na agricultura do Estado do Espírito Santo (fls.
14) e comprovantes de pagamento de ITR e escrituras de compra e venda de
imóvel rural em que consta o marido da autora como comprador (fls. 18/37).

Ressalte-se que o Superior Tribunal de Justiça já firmou orientação no sentido


de que a qualificação profissional do marido, como rurícola, constante de atos
do registro civil, se estende à esposa, sendo assim, considerada como início
razoável de prova material.

Por sua vez, os depoimentos de fls. 148/149, são unânimes em afirmar que a
autora exerce a atividade rural em regime de economia familiar há mais de
30 anos.

As razões aduzidas pelo recorrente não são suficientes para descaracterizar a


atividade rural em regime de economia familiar da apelada. Ambos os
depoimentos testemunhais presentes nos autos confirmam que a autora sempre
trabalhou com sua família no meio rural, explorando produtos agrícolas para a
subsistência da própria família, esclarecendo que atualmente só possuem uma
pequena propriedade rural e que trabalham em regime de parceria (meeiros)
em uma lavoura de café em propriedade rural de outra pessoa.

No que se refere ao cadastro no CNIS do marido da autora como contribuinte


individual, deve ser ressaltado que foi esporádico, tendo ocorrido somente nos
períodos de 09/2004 a 11/2004 e 08/2007 a 02/2009, o que é insignificante em
relação à todo período trabalhado.

Em relação à extemporaneidade de alguns documentos apresentados pela


autora, deve ser reconhecida a dificuldade da comprovação documental no
meio rural, face às características e peculiaridades do mesmo, além do baixo
grau de instrução dos seus habitantes.

Dessa forma, os documentos colacionados aos autos constituem início de


prova material nos termos do que exige a legislação aplicável ao caso, que
somados à prova testemunhal produzida são aptos a comprovar o exercício de
atividade rural, em período superior ao exigido pela legislação aplicável.

No que toca aos honorários de sucumbência, em princípio, para que se


proceda à modificação do percentual fixado na sentença, é necessária a
demonstração, no caso concreto, de que o valor arbitrado ficou muito além ou
muito aquém do devido, evidenciando-se exorbitante ou irrisório, segundo os
parâmetros estabelecidos no art. 20 e §§ 3º e 4º do CPC.

Considerando-se que, via de regra, as causas de natureza previdenciária


envolvem montantes de patamar não tão elevado, é razoável a fixação da
verba honorária em percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da
condenação, incidindo apenas sobre as parcelas vencidas até a data da
prolação da sentença (nos termos da Súmula 111 do STJ). Neste sentido: TRF
da 2ª Região, AC nº 200402010034238/RJ.

Portanto, não há o que ser alterado no percentual fixado para os honorários


advocatícios.

Ante o exposto, nego provimento à apelação do INSS.

É como voto.

ANTONIO IVAN ATHIÉ

Desembargador Federal - Relator

EMENTA
PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL - APOSENTADORIA RURAL
POR IDADE. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE RURAL. PROVA
DOCUMENTAL CORROBORADA POR PROVA TESTEMUNHAL -
RECURSO DESPROVIDO.

I - A Autora comprovou com documentos, seguidos por prova testemunhal,


ter todos os requisitos da Lei nº 8.213/91 para auferir benefício previdenciário
rural por idade.

II - Recurso do INSS desprovido.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, em que são partes as acima


indicadas, acordam os Membros da Primeira Turma Especializada do Tribunal
Regional Federal da 2ª Região, por unanimidade, em negar provimento ao
recurso, nos termos do Voto do Relator.

Rio de Janeiro, 30 / 04 / 2013 (data do julgamento).

ANTONIO IVAN ATHIÉ

Desembargador Federal - Relator