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Jay Costa Owen, Novembro 2016, Composição I

DALWOOD AND ROOM 100, CHELSEA HOTEL


Jay Costa Owen

Dexter Dalwood (1960) é um artista britânico que, actualmente, reside e trabalha em


Londres. Em 1999, pinta a obra Room 100, Chelsea Hotel, óleo sobre tela. 1

Room 100 at New York’s Chelsea Hotel é o local infame da morte violenta de Nancy
Spungen, possivelmente às mãos do seu namorado Sid Vicious. O quarto caótico
encontra-se desprovido de detalhes, desumanizada em sua simplicidade. Não
obstante, a composição está repleto de pares: as lâmpadas, as portas do armário, os
pés e a cabeceira da cama; estes atuam como formas agrupadas, insinuando uma
união eterna (o amor de Nancy e Sid). A cama quebrada é simbólica da tragédia que
ocorre no quarto do hotel. Ao pé da cama existe uma televisão virado de lado, onde a
imagem encontra-se congelada retratando duas figuras vestidas de preto, uma grande
e outra pequena, exibindo a fragilidade e o egotismo. No chão, Dexter Dalwood expõe
um conjunto de velas derretidas, que simboliza a cultura de drogas, mas também
sugere o ditado “those who shine brightest burn quickest”. 2

Dexter Dalwood é um raro exemplo de um artista capacitado para examinar como a


história é construída e interpretada através da realização de pinturas que são
intelectualmente desafiantes e visualmente sedutores. Ele possui um profundo
conhecimento cultural e histórico, como também percebe as conexões entre história
da arte, política, música, literatura e experiência pessoal. É recomendado, sempre que
possível, uma observação de perto das suas pinturas, pois o evento ou situação
retratada nas suas obras reflete os estilos de pintura que se desenvolveram ao longo
dos períodos referidos no trabalho.

Nas obras de Dexter Dalwood, a pintura não é apenas examinado e celebrado em


termos da sua história e do seu legado; Dalwood também demonstra a relevância
contemporânea da pintura como forma de comunicar como experienciamos o mundo
em que vivemos. “On the flat, painted surface Dalwood creates a breathtaking
pluralism that refracts and collides the memory of the past with future recollections of
the present.” 3

1
Anexo – Imagem na pág. 4
2
Dexter Dalwood. Room 100, Chelsea Hotel. [Consulta 21 Nov. 2016] Disponível em: <
https://www.saatchigallery.com/artists/artpages/dalwood_Room_100_Chelsea_Hotel.htm >
3
Dexter Dalwood. [Consulta 21 Nov. 2016] Disponível em: < http://www.simonleegallery.com/artists/dexter_dalwood/ >
Jay Costa Owen, Novembro 2016, Composição I

Não é nenhuma coincidência que as personagens retratadas nas suas pinturas


encontram-se fisicamente ausentes, representados apenas através da retratação do
ambiente em que eles poderiam outrora ter ocupado. O próprio artista relata “The
viewer must use their imagination to complete my images, so I create images that
trigger memories, or play upon images they may already have in mind about certain
events. I like the idea of painting something that you may know a little about - the date,
the place, the person - but that you don’t necessarily have a specific image for”. 4

A cor também é um elemento fundamental na composição da pintura de Dexter


Dalwood. A mais antiga teoria sobre cores de que se tem relato é da autoria do filósofo
grego Aristóteles. Este concluiu que as cores eram uma propriedade dos objetos.
Assim como peso, material e textura, eles tinham cores. Mais tarde, as anotações e
estudos do Leonardo da Vinci são reunidos num só livro intitulado Tratado da pintura e
da paisagem. Ele viria a opor-se a Aristóteles ao afirmar que a cor não era uma
propriedade dos objetos, mas da luz. Posteriormente, surgem mais duas teorias; Isaac
Newton acreditava na teoria corpuscular da luz tendo grandes desavenças com
Huygens que acreditava na teoria ondulatória. No século XIX o poeta Goethe
apaixonou-se pela questão da cor e passou trinta anos a tentar terminar o que
considerava ser a sua obra máxima: um tratado sobre as cores que deitaria abaixo a
teoria de Newton. Actualmente, o estudo da teoria das cores divide-se em três
matérias com as mesmas características que Goethe propunha para cores: a cor física
(óptica física), a cor fisiológica (óptica fisiológica) e a cor química (óptica físico-
química).

As cores representadas na obra Room 100, Chelsea Hotel, são cores frias, sombrias e
saturadas, sugerindo uma atmosfera indefinida e misteriosa, ao mesmo tempo
simbolizando a tragédia que ocorra no quarto do hotel. Renoir uma vez afirmou: " Na
natureza, o branco não existe, sobre a neve existe um céu. O céu é azul; sobre a
neve, esse azul deve ver-se". É isso que conseguimos ver nesta obra de Dalwood,
uma multiplicidade de brancos manchados de violeta, azul e ocre, que nos dão as
variações cromáticas e luminosas das paredes e lençóis da cama.5 O chão, pintado
com tons de magenta, poderá representar uma cor de afirmação, de força, de
romance, de excitação, de vitalidade; uma cor extrovertida, ambiciosa e impulsiva.

4
Interview by Dale Berning, The Observer, Sunday 20 September 2009 [Consulta 21 Nov. 2016]
Disponível em: < https://www.theguardian.com/artanddesign/2009/sep/20/guide-to-painting-dexter-dalwood >
5
Ver também; a obra de Claude Monet, The Magpie (1868-1869), como exemplo.
Jay Costa Owen, Novembro 2016, Composição I

Sendo que esta cor também poderá representar perigo, agressão, domínio e ação.
Todos estes adjetivos eventualmente poderão ser associados à relação de Nancy
Spungen e Sid Vicious, e ao que ocorra no quarto 100. Uma das histórias diz que Sid
estava drogado e a matou. Outra versão envolve dinheiro desaparecido durante o
assassinato e conta que Nancy foi assassinada por um traficante que vivia no
apartamento. A terceira versão da história diz que Nancy, drogada, se matou. 6

Assim sendo, Dexter Dalwood utiliza as cores com grande sentido estético e histórico.
Pinta e retrata assuntos que poderão ser familiares ao seu público, já conhecendo, o
lugar, a data, ou até a pessoa explícita na história retratada na obra. Como artista
examina a história em questão e interpreta-a através da realização de pinturas que
são intelectualmente desafiantes e visualmente sedutores. Por exemplo, como o
própio artista relata, “I'm currently working on a series of works for a forthcoming show
entitled Endless Night. This series is basically a fictionalised display of homicides and
suicides. They are carefully constructed scenes - a mixture of direct and obscure
references. I'm interested in how art history gets separated from real history, and how
you can put that back into time. For example, I didn't realise Manet was painting when
Lincoln was shot. So there's a painting called Death of Lincoln that references Manet.
Another painting is called Death of David Kelly - a very simple image, based on him at
the moment of his death”.7 Assim, Dalwood conecta um profundo conhecimento cultural
e histórico com um vasto talento e gosto pela pintura e pela arte.

6
Gerald, Cole. Sid And Nancy. Methuen. 1986. ISBN 10: 0413412105
7
Interview by Dale Berning, The Observer, Sunday 20 September 2009 [Consulta 21 Nov. 2016]

Disponível em: < https://www.theguardian.com/artanddesign/2009/sep/20/guide-to-painting-dexter-dalwood >


Jay Costa Owen, Novembro 2016, Composição I

Anexo

1
Dexter Dalwood, Room 100, Chelsea Hotel (1999)

3
Webgrafia

Dexter Dalwood. [Consulta 21 Nov. 2016] Disponível em: <


http://www.simonleegallery.com/artists/dexter_dalwood/ >

Dexter Dalwood. Room 100, Chelsea Hotel. [Consulta 21 Nov. 2016] Disponível em: <
https://www.saatchigallery.com/artists/artpages/dalwood_Room_100_Chelsea_Hotel.ht
m>

Interview by Dale Berning, The Observer, Sunday 20 September 2009 [Consulta 21


Nov. 2016] Disponível em: <
https://www.theguardian.com/artanddesign/2009/sep/20/guide-to-painting-dexter-
dalwood >

Bibliografia

Gerald, Cole. Sid And Nancy. Methuen. 1986. ISBN 10: 0413412105