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Como os muçulmanos encaram o

Natal

Yahoo Notícias22 de dezembro de 2016

Para os católicos, o Natal é o dia de celebrar o nascimento de Jesus. No entanto,


a celebração da data não faz parte das celebrações islâmicas. Isso porque, para
os muçulmanos, Jesus não é filho de Deus, mas sim um profeta, e eles não
comemoram o aniversário de profetas.

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“Os cristãos também não comemoram o nascimento de Moisés, Abraão, Davi e
muitos outros profetas. Mas existe uma resposta para isso: Jesus foi revelado
para os cristãos, como Mohammad foi revelado para os muçulmanos. Em tudo
que vivemos existe uma liderança e na religião não seria diferente. No entanto,
não é só o islã que não comemora o Natal, outras culturas como a indiana e a
japonesa também não comemoram”, afirma Fernando Salim Pereira Ahmed
Carim, 47, escritor e divulgador do Islã.

Ainda que para os muçulmanos Jesus não seja filho de Deus, isso não significa
que é proibido participar das celebrações de Natal. “Não há nenhum problema
celebrar a data de nascimento dele junto de amigos e familiares de outras
religiões, pois não há nenhum impedimento legal —dentro das leis da religião—
que nos impeça”, fala Rafael Maron, assistente administrativo.

No entanto, segundo Muhammad Usman, 35, coordenador de ensino, muitas


pessoas veem como pecado comemorar o Natal. “Eles acham que é pecado e
não celebram com ninguém, mas eu não compartilho dessa opinião. Visito meus
amigos e alunos, participo de ceias com suas famílias, trocamos presentes no
amigo-secreto e fazemos churrasco —só não tomo bebida alcoólica ou como
carne de porco, de resto, divido tudo com eles”, conta.

Para Carim, essa “proibição’ de desejar feliz natal e celebrar ao lado dos colegas
cristãos não existe. “Não é um pensamento islâmico, pois Komeinni, um líder
religioso da comunidade islâmica muçulmana, sempre distribuiu presentes a seus
vizinhos cristãos nessa época como prova de amizade, carinho e respeito”, fala.

Seguidor do Islamismo Tradicional e da linha mística conhecida como sufismo,


que prega desenvolvimento espiritual e libertação do ego e das características
negativas do ser, Maron é incentivado sempre a buscar fazer o bem para as
pessoas e a respeitar e amar todos ao seu redor. “Por isso, sempre que posso
atendo às celebrações de Natal da minha família, que é cristã, e busco estar com
eles para fortalecer os laços familiares nesse período e lembrar de pessoas
iluminadas, como Jesus. Claro que quando estou com eles não tomo bebidas
alcoólicas, nem como carne de porco —coisas que são proibidas no Islã”, fala.

Como não celebram o Natal, o islã tem outras festas religiosas em seu calendário
e uma delas é o Eid ul-Fitr, que acontece todos os anos após o último dia do mês
do Ramadan, quando os muçulmanos jejuam durante todo o mês. “Dedicamos
esse tempo a pensar em nossos irmãos necessitados, que não tem o que comer
e vemos como é difícil suportar a fome, que tantos passam por isso não só por
um mês, mas dias após dias”, fala Carim.

“O Eid ul-Fitr é uma festa para marcar o fim do jejum, que começa da hora que o
Sol nasce até a hora que ele se põe, uma celebração por todo o esforço que
fizemos jejuando. São 3 dias de festa”, fala Maron.

Na manhã do primeiro dia, é feita uma oração em congregação e o líder religioso


do local faz um pequeno sermão. Depois, as comemorações variam. “Geralmente
se faz um café da manhã após a oração e também jantares. Todos participam,
homens e mulheres, e é importante também pagar uma certa quantidade em
caridade, para os pecados e erros feitos durante o jejum do Ramadan”, explica o
assistente administrativo.

Uma outra festa religiosa islâmica é o Eid ul Adha, que é uma festa de sacrifico,
que acontece durante o Hajj [peregrinação anual à Meca]. “Todos
os muçulmanos que estão nesse dia fazendo peregrinações devem sacrificar um
carneiro e distribuir a carne aos necessitados. Depois, mais tarde, visitamos
amigos e parentes e levamos presentes e muitas carnes”, fala Carim.