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DIREITO ADMINISTRATIVO

A Administração
02 Pública

02.1 – Introdução

Noções Gerais
Noções Iniciais:
Para Maria Sylvia Di Pietro a idéia de administração pública abrange duas acepções:
! administração pública em sentido objetivo: a atividade administrativa exercida pelo Estado;
! administração pública em sentido subjetivo: o conjunto de órgãos e de pessoas jurídicas aos
quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Estado.

Em sentido amplo e subjetivo a administração pública abrange os órgãos


governamentais (governos) e os órgãos administrativos. Em sentido estrito e próprio
a administração pública refere-se tão somente aos órgãos administrativos, sendo
estes objeto de estudo do Direito Administrativo, que não compreende, portanto, os
órgãos políticos, que exercem a atividade política e são objeto de estudo do Direito
Constitucional.

Elementos da Administração Pública:


A administração pública é composta por entidades, órgãos e agentes públicos. As entidades são as
pessoas jurídicas públicas ou privadas que fazem parte da administração. Órgãos são os elementos
despersonalizados incumbidos da realização da função da entidade a que pertence e os agentes
públicos são aqueles que exercem esta função. Veremos a seguir cada um destes elementos:

Administração Pública
Entidade pública Órgão público Agente público
(ex: Município) (ex: Secretaria de Educação) (ex: professor de escola pública)

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Entidades Públicas
Personalidade Jurídica Pública:
Todas as pessoas jurídicas públicas são do Estado ou de entidades por ele constituídas ou
reconhecidas e têm por finalidade a satisfação dos interesses públicos. As pessoas jurídicas públicas
podem ser político-administrativas ou somente administrativas.

Pessoas jurídicas públicas


Político- As pessoas jurídicas públicas político-administrativas são a
Administrativas União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Estas têm
além do poder administrativo, o poder normativo, ou seja, a
possibilidade de legislar.
Administrativas São as pessoas jurídicas públicas com função meramente
administrativa. Nestas se encontram as autarquias, unidades
servientes e instrumentais que têm por finalidade administrar, e
também as fundações públicas.

Pessoas Jurídicas Privadas Colaboradoras com o Estado:


Existem também as pessoas jurídicas privadas que colaboram com o Estado, denominadas por alguns
de entes paraestatais (funcionam ao lado do Estado) e se classificam em dois grandes ramos: as
sociedades de economia mista e as denominadas empresas públicas. Além das paraestatais, existem
também as paraestatais de cooperação.

Entidades Públicas
Entidades Estatais A União, os Estados e os Municípios

Entidades Autárquicas Autarquias.

Entidades Fundacionais Fundações.

Entidades Paraestatais São as empresas públicas e sociedades de economia mista.

Entidades Paraestatais Existem entes em situação peculiar, que colaboram com o Estado
de Cooperação mas que não se enquadram exatamente na administração direta ou
indireta (ex.: os serviços sociais autônomos: SENAI, SESC; os
conselhos profissionais: CREA, OAB; e as empresas controladas pelo
poder público, sem serem contudo, empresas públicas ou sociedades
de economia mista).

Órgãos Públicos
Noções Iniciais:
Os órgãos públicos são divisões das entidades estatais, ou centros especializados de competência,
instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à
pessoa jurídica a que pertencem (ex: Ministério do Trabalho).

Autonomia:
Em princípio, os órgãos públicos não têm personalidade jurídica própria. Os atos que praticam são
atribuídos ou imputados à entidade estatal a que pertencem. Contudo, podem os órgãos públicos ter
representação própria, por seus procuradores, bem como ingressar em juízo, na defesa de suas
prerrogativas, contra outros órgãos públicos.

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Classificação dos Órgãos Públicos:
Os órgão públicos podem ser classificados:
! quanto à estrutura: em simples ou compostos;
! quanto à atuação funcional: em singulares ou colegiados;
! quanto à posição estatal: em independentes, autônomos, superiores ou subalternos.

Agentes Públicos
Conceito:
Agentes públicos são todas as pessoas, vinculadas ou não ao Estado, mas que prestam serviço
público de forma permanente ou ocasional. Podem eles serem divididos em:

1) Agentes Políticos:
São os que ocupam os cargos principais na estrutura constitucional, em situação de representar a
vontade política do Estado. São agentes políticos: os chefes do executivo, seus ministros e
secretários, deputados, senadores, vereadores, magistrados, membros do Ministério Público,
membros do Tribunal de Contas e os representantes diplomáticos.

2) Agentes Administrativos:
São todos aqueles que se vinculam ao Estado ou às suas entidades autárquicas, fundacionais e
paraestatais investidos a título de emprego. Representam a grande massa dos prestadores de serviço à
Administração, são os servidores públicos (civis e militares) e os servidores temporários.

3) Agentes por Colaboração ou Delegados:


São particulares que colaboram com o poder público voluntária ou compulsoriamente, ou também
por delegação. Nessa categoria encontram-se os concessionários e permissionários de obras e
serviços públicos; os serventuários de ofícios ou cartórios não estatizados, os leiloeiros, os tradutores
e intérpretes públicos, além de outros.

4) Agentes Honoríficos:
São cidadãos convocados, designados ou nomeados para prestar transitoriamente, determinados
serviços ao Estado, em razão de sua condição cívica, honorabilidade ou de sua notória capacidade
funcional, mas sem qualquer vínculo empregatício ou estatutário e, normalmente sem remuneração
(exercem o múnus público). São os jurados, mesários eleitorais, comissário de menores e outros
dessa natureza.

5) Agentes Credenciados:
São os que recebem a incumbência da Administração para representá-la em determinado ato ou
praticar certa atividade específica, mediante remuneração do Poder Público credenciante.

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02.2 – A Atividade Administrativa

Noções Gerais
Noções Iniciais:
Como vimos, em sentido objetivo, a administração pública é a atividade concreta e imediata que o
Estado desenvolve, sob regime jurídico de direito público e por meio de seus órgãos para a
consecução dos interesses coletivos.

Natureza:
A natureza da administração pública como atividade é de um múnus público, isto é, a de um encargo
de defesa, conservação e aprimoramento dos bens, serviços e interesses da coletividade.

Finalidade:
Os fins da Administração Pública resumem-se no bem comum da coletividade administrada.

Poder-dever do Administrador:
A administração, em regra, tem não só o poder, mas também o dever de agir, dentro de sua
competência e de acordo com o determinado em lei.

Regime Jurídico da Administração Pública


Noções Iniciais:
Por regime jurídico da administração pública podemos entender o sistema de princípios e normas que
regem a atividade administrativa.

A Administração Pública pode submeter-se a regime de jurídico de direito privado ou a regime


jurídico de direito público. As empresas públicas e as sociedades de economia mista e as suas
subsidiárias que explorem atividade econômica, por exemplo, se sujeitam ao regime jurídico próprio
das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e
tributárias.

É importante salientar que, quando a Administração emprega modelos privatísticos,


nunca é integral a sua submissão ao direito privado (possui privilégios como: o juízo
privativo, a prescrição qüinqüenal, o processo especial de execução e a
impenhorabilidade de seus bens; e sempre se submete à restrições concernentes à
competência, finalidade, motivo, forma, procedimento e publicidade).

Regime Jurídico Administrativo:


A expressão regime jurídico administrativo é reservada tão-somente para abranger o conjunto de
traços, de conotações, que tipificam o Direito Administrativo. Baseia-se nas prerrogativas e sujeições
da Administração Pública. Muitas dessas prerrogativas e restrições são expressas sob a forma de
princípios que informam o direito público e, em especial, o Direito Administrativo.

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Princípios da Administração Pública
1) Legalidade (art. 37 da Constituição Federal):
Este princípio, juntamente com o controle da Administração pelo Poder Judiciário, nasceu com o
Estado de Direito. Segundo o princípio da legalidade, a Administração Pública só pode fazer o que a
lei determina. O administrador não pode agir, nem deixar de agir, senão de acordo com a lei, na
forma determinada. No direito administrativo, o conceito de legalidade contém em si não só a lei,
mas também, o interesse público e a moralidade.

2) Impessoalidade (art. 37 da Constituição Federal):


Este princípio atualmente possibilita duas interpretações distintas: a primeira significa dizer que a
Administração não pode atuar com vistas a prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, uma vez
que é sempre o interesse público que tem que nortear o seu comportamento. A administração deve
servir a todos, sem preferências ou aversões pessoais ou partidárias.
No segundo sentido, o princípio significa, segundo José Afonso da Silva, que “os atos e provimentos
administrativos são imputáveis não ao funcionário que os pratica, mas ao órgão ou entidade
administrativa da Administração Pública, de sorte que ele é o autor institucional do ato”. O mérito
dos atos pertence à Administração, e não às autoridades que os executam. A publicidade dos órgãos
públicos deve ser impessoal, não podendo conter nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal (art. 37, § 1o, da CF).

3) Moralidade (art. 37 da Constituição Federal):


Alguns autores entendem que o conceito de moral administrativa é vago e impreciso ou que acaba
por ser absorvido pelo próprio conceito de legalidade, mas no entanto, antiga é a distinção entre
Moral e Direito, ambos representados por círculos concêntricos, sendo o maior correspondente à
moral e, o menor, ao direito. Assim, não se identifica com a legalidade (porque a lei pode ser imoral
e a moral pode ultrapassar o âmbito da lei) e produz efeitos jurídicos, porque acarreta a invalidade do
ato, que pode ser decretada pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário. A apreciação
judicial da imoralidade ficou consagrada pelo dispositivo concernente à ação popular (art. 5º,
LXXIII, da Constituição Federal) e implicitamente pelos artigos 15, V, 37, § 4º, e 85, V, este último
considerando a improbidade administrativa como crime de responsabilidade.

Trata-se não da moral comum, mas da moral administrativa, ou ética profissional, que
consiste no “conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma
profissão”. Para anular um ato administrativo, o Judiciário pode examinar não só a
legalidade estrita, mas também a moralidade do ato, bem como a sua conformidade com o
interesse público.

improbidade administrativa " O ato de improbidade administrativa é aquele contrário


à moralidade administrativa. A Lei de Improbidade trouxe hipóteses que a
improbidade depende de prova e outras em que se presume. Presume-se atos de
improbidade, entre outros a venda de bem público abaixo do valor de mercado e
compra de bens acima do valor de mercado (superfaturamento).

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4) Publicidade (art. 37 da Constituição Federal):
Os atos públicos devem ter divulgação oficial, como requisito de sua eficácia, salvo as exceções
previstas em lei. Entre as exceções estão a segurança nacional (art. 5o, XXVIII, da CF), certas
investigações policiais (art. 20 do CPP), processos cíveis em segredo de justiça (art. 155 do CPC) etc.

5) Eficiência (art. 37 da Constituição Federal):


É o dever da boa administração imposto a todo agente público com o objetivo de realizar suas
atribuições com presteza, perfeição e rendimento funcional.

6) Finalidade:
A administração deve agir com a finalidade de atender ao interesse público visado pela lei. Regra
básica da administração é o atendimento ao interesse público. O ato administrativo não tem
legalidade se o administrador agiu no interesse próprio, e não no interesse público, ainda que
obedecida formalmente a letra da lei. O interesse que deve ser atendido é o chamado interesse
público primário, referente ao bem-estar coletivo, da sociedade como um todo, que nem sempre
coincide com o interesse público secundário, referente a órgãos estatais ou governantes do momento.
O interesse público prevalece sobre o interesse individual, respeitadas as garantias constitucionais e
pagas as indenizações devidas, quando for o caso.

Caso o administrador não atenda a este princípio, dar-se-á o desvio de finalidade, que é uma
forma de abuso do poder, acarretando a nulidade do ato.

7) Indisponibilidade:
A administração não pode transigir, ou deixar de aplicar a lei, senão nos casos expressamente
permitidos, nem dispor de bens, verbas ou interesses fora dos estritos limites legais.

8) Continuidade:
Os serviços públicos não podem parar, devendo manter-se sempre em funcionamento, dentro das
formas e nos períodos próprios de prestação. Não deveria haver greve sem limites no serviço público.
Mas o assunto ainda aguarda regulamentação por lei complementar, como manda o art. 37, VII, da
CF. Para o militar há proibição expressa de greve (art. 42, § 5o, da CF).

O particular contratado para executar serviço público não pode interromper a obra sob a
alegação de não ter sido pago. Em relação à administração não vigora a exceptio non
adimpleti contractus (art. 477 do CC). Contudo, o art. 78, da Lei de Licitações e Contratos
permite a suspensão dos serviços no caso de atraso de pagamento por mais de 90 dias, salvo se
houver calamidade pública, perturbação da ordem ou guerra.

9) Probidade:
Os atos da Administração Pública deverão estar revestidos de probidade.

10) Prestação de Contas:


O dever de prestar contas é decorrência natural da Administração como encargo de gestão de bens e
interesses alheios.

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O Uso e Abuso do Poder
Uso do Poder:
O uso do poder é prerrogativa da autoridade. Mas o poder há que ser usado normalmente, sem abuso.
Usar normalmente do poder é empregá-lo segundo as normas legais, a moral da instituição, a
finalidade do ato e as exigências do interesse público. Abusar do poder é empregá-lo fora da lei, sem
utilidade pública.

Abuso do Poder:
O abuso do poder ocorre quando a autoridade, embora competente para praticar o ato, ultrapassa os
limites de suas atribuições ou se desvia das finalidades administrativas. Portanto, o gênero abuso de
poder ou abuso de autoridade reparte-se em duas espécies bem caracterizadas: o excesso de poder e o
desvio de finalidade.

Excesso de Poder:
O excesso de poder ocorre quando a autoridade, embora competente para praticar o ato, vai além do
permitido e exorbita no uso de suas faculdades administrativas. Excede, portanto, sua competência
legal e, com isso, invalida o ato, porque ninguém pode agir em nome da Administração fora do que a
lei lhe permite. O excesso de poder torna o ato arbitrário, ilícito e nulo.

Desvio de Finalidade:
O desvio de finalidade ou de poder verifica-se quando a autoridade, embora atuando nos limites de
sua competência, pratica o ato por motivos ou com fins diversos dos objetivados pela lei ou exigidos
pelo interesse público.

Forma do Abuso:
O abuso do poder tanto pode revestir a forma comissiva como a omissiva, porque ambas são capazes
de afrontar a lei e causar lesão a direito individual do administrado.

Remédios:
Para seu combate o constituinte armou-nos com o mandado de segurança, cabível contra ato de
qualquer autoridade, e assegurou a toda pessoa o direito de representação contra abusos de
autoridade, complementando esse sistema de proteção contra os excessos de poder com a Lei de
Abuso de Autoridade, que pune criminalmente seus autores.

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02.3 – A Administração Direta e Indireta

Noções Gerais
Noções Iniciais:
A administração pode ser:
! direta: exercida pelos próprios órgãos do Estado;
! indireta: exercida por entidades interpostas - pessoas jurídicas, públicas ou privadas, que agem
em nome do Estado, desempenhando serviços públicos.

É incorreto falar-se em Administração direta e indireta em relação aos outros dois


Poderes, o Legislativo e o Judiciário.

Administração Direta:
Compõem a administração direta as entidades político-administrativas de estatura constitucional:
! a União;
! os Estados: tem sua existência reconhecida pela Constituição Federal, são criados através de
leis federais e são regidos pelas Constituições Estaduais;
! o Distrito Federal – previsto pela Constituição Federal, é regido pela Lei Orgânica do Distrito
Federal;
! os Territórios – embora não sejam unidades político-administrativas dotadas de autonomia são
tidos como pessoas jurídicas de direito público interno de administração direta.
! os Municípios – previstos pela Constituição Federal como entidades autônomas, são criados
por leis estaduais e regidos pelas respectivas leis orgânicas.
Possuem natureza de pessoa jurídica de direito público interno de administração direta.

São pessoas jurídicas de direito público externo as entidades regulamentadas pelo direito
internacional, abrangendo as nações estrangeiras e organismos internacionais (ex: ONU).

Administração Indireta:
Também denominada administração descentralizada, a administração indireta é o conjunto de
entidades dotadas de personalidade jurídica própria, mas que prestam serviços públicos ou serviços
de interesse público e são vinculadas e fiscalizadas pelo Poder Público. As entidades da
administração indireta estão arroladas no Decreto-Lei 200/67 (reforma administrativa federal), com
alterações posteriores. São elas:
! as autarquias;
! as fundações governamentais
! as empresas públicas;
! as sociedades de economia mista;

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A descentralização consiste na atividade administrativa transferida para outra pessoa. A
delegação de competência é instrumento da descentralização administrativa.

Descentralização e Desconcentração:
A descentralização difere da desconcentração. Na descentralização a entidade pública
transfere serviços para outra entidade autônoma, enquanto que na desconcentração a
entidade pública distribui o serviço entre seus próprios departamentos ou órgãos
subalternos.

Há outras formas de descentralização que não se enquadram na administração indireta, tais


como as concessionárias, as permissionárias e as autorizatárias de serviços públicos.

Responsabilidade:
O poder público que criou as entidades da administração indireta responde subsidiariamente pelas
obrigações patrimoniais destas, no caso de extinção ou de insuficiência de bens.

Autonomia:
Os órgãos da administração indireta são autônomos, sujeitando-se, contudo, à supervisão do
Ministério respectivo (ou Secretaria), através de uma série de medidas, como indicação ou nomeação
dos dirigentes da entidade, aprovação de suas contas e outros, não significando contudo que estejam
hierarquicamente subordinados à administração direta.

Autarquias
Noções Iniciais:
As autarquias são entidades dotadas de personalidade jurídica pública que exercem serviço autônomo
e tem capacidade de auto-administração, patrimônio e receitas próprias. São criadas por lei para
realizar atividades típicas da administração pública que requeiram para seu melhor funcionamento,
gestões administrativa e financeira descentralizadas. São autarquias, entre outras, o INSS, a OAB, a
USP (Universidade de São Paulo) e o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica – Lei
n° 8.884/94).

Características:
- Só podem ser criadas ou extintas por lei específica (art. 37, XIX, Constituição Federal).
- Adquirem personalidade jurídica com a lei que a instituiu.
- São responsáveis pelos próprios atos. A responsabilidade do Estado é subsidiária.

Patrimônio:
As autarquias possuem patrimônio próprio, sendo todos os seus bens públicos. Não são passíveis de
execução, penhora ou serem objeto de direitos reais de garantia.

Princípio da Especialidade:
O princípio da especialidade aplica-se mais às autarquias. Não podem elas ter outras funções além
daquelas para as quais foram criadas, salvo alteração legal posterior.

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Regime Jurídico:
As autarquias submetem-se ao regime público, idênticos aos das entidades da administração direta.
Seus atos são administrativos e os contratos são administrativos em grande parte e as compras e
contratações são sujeitas a licitação. O regime de pessoal das autarquias é o mesmo dos servidores
públicos da administração direta (art. 39, Constituição Federal).

Controle:
Incide sobre as autarquias o controle administrativo (supervisão do Estado) e o controle financeiro do
Tribunal de Contas.

Fundações Governamentais
Noções Iniciais:
As fundações públicas são entidades, criadas por lei, com função de realizar atividades não lucrativas
e atípicas do Poder Público, mas de interesse coletivo, como a educação, cultura e pesquisa (ex.:
Fundação Pe. Anchieta, Fundação de Amparo à Pesquisa).

Personalidade Jurídica:
Predomina hoje na doutrina o entendimento quase unânime de que as fundações criadas pelo poder
público são uma espécie de autarquia - autarquias fundacionais - com personalidade jurídica, portanto
de direito público, apesar dos termos da lei.

As fundações, conforme a Constituição e entendimento do STF passaram a ser


consideradas pessoas jurídicas de direito público, sendo espécie do gênero autarquia
(fundações autárquicas).

Patrimônio:
O patrimônio é exclusivo público.

Regime Jurídico:
Pessoal regido por legislação trabalhista; contratos não são administrativos, mas sujeitos à licitação:
atos dos dirigentes não são atos administrativos, mas a estes se equiparam para efeito de mandado de
segurança e ação popular.

Controle:
Controle administrativo da administração direta, controle do Conselho de Curadores, do Ministério
Público (consideradas pessoas jurídicas públicas, não incide o controle do Ministério Público) e do
Tribunal de Contas.

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Empresas Públicas
Noções Iniciais:
São pessoas jurídicas de direito privado criadas por lei específica, com capital exclusivamente
público, para realizar atividades econômicas de interesse do Estado ou para a prestação de serviço
público, instituidora nos moldes da iniciativa particular, podendo revestir qualquer forma e
organização empresarial (ex.: Embratel, EBTC).

Empresa estatal e empresa pública são sinônimas, ou seja, pertencem ao poder público.

Patrimônio:
O patrimônio da empresa pública, embora público por origem, pode ser utilizado, onerado ou
alienado na forma regulamentar ou estatutária, independentemente de autorização legislativa
especial, porque tal autorização está implícita na lei instituidora da entidade. O seu patrimônio, bens
e rendas, podem servir para garantir empréstimos e obrigações resultantes de suas atividades
sujeitando-se a execução pelos débitos da empresa. A empresa pública não está sujeita a falência,
mas seus bens são penhoráveis e executáveis e a entidade pública que a instituiu responde,
subsidiariamente, pelas suas obrigações.

Regime Jurídico:
As empresas públicas adquirem personalidade jurídica com o registro de seu ato constitutivo e
regem-se pelas normas aplicáveis às empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e
tributárias. Seu pessoal não é tecnicamente funcionário, só para efeitos penais e para fins de
cumulação de cargos (os funcionários estão sujeitos à proibição constitucional de acumulação de
cargos, empregos ou funções), para os demais efeitos serão simplesmente empregados regidos pela
legislação trabalhista, previdenciária e acidentária comum, competindo à Justiça do Trabalho dirimir
os litígios resultantes de suas atividades funcionais. Os atos dos dirigentes não são atos
administrativos, equiparam-se a atos de autoridade para efeito de mandado de segurança e ação
popular, os contratos não são administrativos, mas a licitação é obrigatória.

Controle:
O controle administrativo é pela administração direta e controle financeiro pelo Tribunal de Contas.

Sociedades de Economia Mista


Conceito:
As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de Direito Privado, criadas por lei, com
participação do Poder Público e de particulares no seu capital e na sua administração, para a
exploração de atividade econômica ou prestação de serviço de interesse coletivo outorgado ou
delegado pelo Estado. Em relação aos atos daquelas que exploram atividade econômica não pode ser
impetrado mandado de segurança. São exemplos de sociedades de economia mista o Banco do Brasil
e a Petrobrás.

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Forma:
A forma usual da sociedade de economia mista tem sido a de sociedade anônima, não importando,
porém, que o Estado seja sócio majoritário ou minoritário, mas sim que a sua direção seja conferida
por lei ou convenção ao Poder Público.

Patrimônio:
O patrimônio é formado com bens públicos e subscrições particulares. A sociedade de economia
mista não está sujeita a falência, mas seus bens são penhoráveis e executáveis e a entidade pública
que a instituiu responde, subsidiariamente, pelas suas obrigações.

Regime Jurídico:
Adquirem personalidade jurídica com o registro de seus estatutos e regem-se pelas normas aplicáveis
às empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias. Seu pessoal não é
tecnicamente funcionário, só para efeitos penais e para fins de cumulação de cargos, para os demais
efeitos serão simplesmente empregados regidos pela legislação trabalhista, previdenciária e
acidentária comum, competindo à Justiça do Trabalho dirimir os litígios resultantes de suas
atividades funcionais.

Diferenças entre empresa pública e sociedade de economia mista


Empresa pública Sociedade de economia mista
Formada somente com recursos públicos. Formada com recursos públicos e privados.

Podem adotar qualquer forma societária. Devem ser sempre constituídas na forma de
sociedades anônimas.

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Questões de Concursos

Nas questões a seguir, assinale a alternativa que julgue correta.

01 - (Magistratura/RS – 2003)São pessoas jurídicas de direito público interno consoante


classificação legal (art. 41 do Código Civil)
( ) a) a União, as autarquias e as empresas públicas.
( ) b) os Estados, os Municípios e as demais entidades de caráter público criadas por lei.
( ) c) os Estados, os Municípios e as Sociedades de economia mista.
( ) d) a União, o Poder Legislativo Estadual e os Municípios.
( ) e) a República Federativa do Brasil, os Estados e os Municípios.

02 - (Magistratura/RS – 2000) Tomando por tema a Administração Pública, considere as assertivas


abaixo.
I – A União e as autarquias são pessoas jurídicas de direito público interno; a primeira,
direta, e as segundas, indiretas.
II – Os Municípios são pessoas jurídicas públicas criadas por lei estadual.
III – Em nome dos princípios da igualdade e do interesse público, que norteiam toda
Administração Pública , o Município pode desapropriar bens do Estado.
Quais são corretas?
( ) a) Apenas I
( ) b) Apenas II
( ) c) Apenas III
( ) d) Apenas I e II
( ) e) I, II e III

03 - (Magistratura/SP 174) As autarquias federais


( ) a) são pessoas jurídicas de direito privado, com patrimônio e atribuições próprias.
( ) b) agem por delegação, uma vez que são hierarquicamente subordinadas a Ministérios.
( ) c) subordinam-se às normas de licitação dispostas na Lei n° 8.666, de 21 de junho de
1993.
( ) d) têm todo o seu pessoal necessariamente sujeito ao regime da CLT – Consolidação das
Leis Trabalhistas.

04 - (Magistratura/SP - 172) Em face do princípio da legalidade, consagrado constitucionalmente,


pode-se afirmar que a Administração Pública só pode fazer o que a lei
( ) a) e o regulamento determinam.
( ) b) determina.
( ) c) e o regulamento determinam ou autorizam.
( ) d) determina ou autoriza.

05 - (Magistratura/SP - 171) Assinale a alternativa correta.


( ) a) As entidades paraestatais são pessoas jurídicas de Direito Público.
( ) b) Os Estados membros possuem soberania, independência política, administrativa e
financeira.
( ) c) As autarquias são pessoas jurídicas de Direito Privado.
( ) d) As fundações públicas deverão ser criadas por lei específica.

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06 - (Magistratura/SP - 170) Em relação às sociedades de economia mista, pode-se dizer:
I) são pessoas jurídicas de direito privado, com participação do Poder Público e de
particulares no seu capital e na sua administração;
II) quando utilizadas para explorar atividades econômicas, devem operar sob as mesmas
normas aplicáveis às empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e
tributárias;
III) o seu pessoal não está sujeito à proibição constitucional de acumulação de cargos,
empregos ou funções.
Quanto às afirmativas acima,
( ) a) apenas I e II são corretas.
( ) b) apenas I e III são corretas.
( ) c) apenas II e III são corretas.
( ) d) todas são corretas.

07 - (Ministério Público/RS – 41) Assinale a alternativa incorreta:


( ) a) As autarquias são pessoas jurídicas de direito público, de natureza meramente
administrativa, criadas por lei específica.
( ) b) Os municípios são pessoas jurídicas de direito público, de natureza administrativa,
instituídos por legislação específica.
( ) c) As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado, com criação
autorizada por lei específica e se destinam à realização de obras e serviços de interesse
coletivo.
( ) d) As fundações estatais são pessoas jurídicas de direito público, criadas por lei
específica, e com as atribuições estabelecidas no seu ato de instituição.
( ) e) As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, cujo criação é
autorizada por lei específica, para realização de obras e serviços.

08 - (Ministério Público/MG – 40) Assinale a alternativa incorreta:


( ) a) As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado;
( ) b) As sociedades de economia mista podem ser criadas e organizadas para a prestação e
exploração de serviços públicos;
( ) c) Os servidores das sociedades de economia mista se submetem ao regime trabalhista
comum;
( ) d) Os servidores das empresas públicas, embora sujeitos à aprovação em concurso
público para ingresso nos quadros da entidade, não adquirem estabilidade;
( ) e) As empresas públicas podem adotar qualquer forma societária dentre as em direito
admitidas, e o seu capital é composto de recursos públicos e particulares.

09 - (Ministério Público/SP – 82) As entidades paraestatais diferenciam-se das entidades autárquicas,


pois
( ) a) as paraestatais são criadas por lei específica e as autarquias independem de lei.
( ) b) as paraestatais possuem patrimônio próprio, ao contrário das autarquias, que não o
possuem.
( ) c) as paraestatais não são sujeitas à licitação para compras, serviços, obras e alienação de
seus bens, mas as autarquias se submetem aos processos licitatórios.
( ) d) as paraestatais exercem funções públicas típicas, ao passo que as autarquias exercem
funções públicas atípicas.
( ) e) as paraestatais dependem do registro de seu estatuto para adquirir personalidade, ao
contrário da autarquia, que adquire personalidade com a lei que a institui.

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10 - (Delegado/SP – 1999) O CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica – pela sua
natureza jurídica é
( ) a) autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda.
( ) b) órgão colegiado subordinado diretamente ao Presidente da República.
( ) c) autarquia federal vinculada ao Ministério da Justiça.
( ) d) órgão vinculado ao Conselho Monetário Nacional.

11 - Diz-se que só existe em relação à sociedade de economia mista prestadora de serviço


público e não quanto à exploradora de atividade econômica:
( ) a) a obrigação de realizar seleção pública para contratação de seus empregados.
( ) b) legitimidade passiva para Mandado de Segurança.
( ) c) obrigação de licitar.
( ) d) controle pelo Tribunal de Contas.

12 - Lei especial federal criou pessoa jurídica estatal de direito privado, com capital próprio e
exclusivo da União. Esta pessoa é classificada como:
( ) a) autarquia federal.
( ) b) sociedade de economia mista federal.
( ) c) empresa pública federal.
( ) d) entidade paraestatal pública.
( ) e) associação federal da União.

13 - As autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista são entidades:


( ) a) totalmente independentes do respectivo Poder Executivo.
( ) b) subordinadas hierarquicamente ao respectivo Poder Executivo.
( ) c) vinculadas e, portanto, fiscalizadas pelo respectivo Poder Executivo.
( ) d) não vinculadas ao respectivo Poder Executivo.
( ) e) nem fiscalizadas e nem vinculadas ao respectivo Poder Executivo.

14 - Por excelência, a autarquia desempenha tão somente:


( ) a) atividades comerciais.
( ) b) serviços públicos, ou seja, “atividades típicas”.
( ) c) atividades industriais.
( ) d) “atividades atípicas”, comércio e indústria.
( ) e) atividades econômicas.

15 - No direito brasileiro atual, a sociedade de economia mista pode revestir:


( ) a) qualquer forma em direito admitida.
( ) b) apenas a forma de sociedade anônima.
( ) c) apenas a forma de sociedade de capital e indústria.
( ) d) apenas a forma de autarquia.
( ) e) a forma de sociedade civil.

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Gabarito

01.B 02.D 03.C 04.D 05.D 06.A 07.B 08.E 09.E 10.C

11.B 12.C 13.C 14.B 15.B

Bibliografia

! DIREITO ADMINISTRATIVO
Maria Sylvia Zanella Di Pietro
Atlas

! DIREITO ADMINISTRATIVO
Hely Lopes Meirelles
Malheiros

! MANUAL DE DIREITO ADMINISTRATIVO


José Cretella
Forense

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Direito Administrativo
02 – A Administração Pública

Atualizada em 10.02.2006

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