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Direito da Responsabilidade 1. A.a0 conduzir um automével de que era proprietirio colidiu, num cruzamento, com um. outro automével propriedade de sociedade B ¢ conduzido por C, seu funciondcio. Do acidente resultaram danos em ambos os veiculos. Quem responder pelos referidos danos nas trés seguintes situagées que devem ser consideradas separadamente: 1": Ficou provado que a colisio se deveu ao facto de A ter softide um ataque cardiaco enquanto conduzia. ‘Tépicos de corree¢io: Trata-se de colisdo de veiculos provocada pelo risco de utilizagdo associado ao uso dos ‘mesmos. De acordo com 0 506° CC, a responsabilidade reparte-se na proporgdo do risco que cada um dos detentores em causa tiver posto para a verificagdo da mesma. A possibilidade de o condutor de algum veiculo softer um ataque cardiaco enquanto 0 dirige esté compreendida nos riscos préprios ligados d sua utilizagao. Nessa medida, dando este Jinico facto como provado, a colisdo imputa-se exclusivamente & concretizagéo de um risco colocado por A e, por isso, apenas ele é responsavel pelos danos provocados no veiculo da sociedade B (503%n.*L). 2%: Ficou provado que C estava sob 0 efeito do dlcool no instante da colisto, situagao alids frequente e do conhecimento da sociedade B. Topicos de correcgao: Por forga do disposto no artigo 165° CC, existe uma espécie de relagdo de comissdo entre a sociedade Be C, seu funciondrio, Os requisitos exigidos pelo artigo 500° para a responsabilizagéo do comitente pelos danos causados pelo comissério estariam, em principio, verificados 1° velagio de subordinagdo; 2° danos causados no exercicio da funedo; 3° obrigagdo de indemnizar por factos ilicitos a cargo de C (os requisitos estabelecidos pelo n.° 1 do artigo 483° estariam preenchidos, incluindo a imputabilidade de C, uma vez que a acedo deste é “libera in causa"). Em tal caso, a sociedade B teria depois direito de regre sso contra C, caso the fosse exigido o cumprimento da obrigagdo de indemnizar. Convém sublinhar, no entanto, dois aspectos. - por um lado, néio se pode concluir automaticamente que 0 facto de C conduzir aleoolizado é “causa adequada” & produgio do dano concretamente verificado; o referido C sujeitar-se-d certamente &s consequéncias da contra-ordenagao ou do crime ligado d condugao sob efeito do élcool, mas dai néo se pode retirar de imediato que tem a obrigagao de indemntzar pelos danos causados no veiculo de 4 — tudo dependeria do estabelecimento do nexo de causalidade, cuja demonstragdo pertenceria ao lesado (A); - por outro lado, caso a colistio fosse imputdvel a C, a sociedade B poderia responder ndo a titulo de comitente mas como co-responsével (por factos ilicitos) pelo dano provando-se “culpa in eligendo” ou “culpa in vigilando” (e existindo nexo de causalidade entre condugdo sob efeito do dlcool e 0 dano causado). 3% Nada ficou provado quanto a culpa dos intervenientes, Tépicos de correegio: Nada se tendo demonsirado quanto & culpa dos intervenientes na colisdo, entraria em Jfancionamento a presungao legal estabelecida pelo n.* 3 do artigo 503° CC: partir-se-ia enido do principio de que a C actuou com culpa, pelo que entraria (de novo) em funcionamento o disposto no artigo 500° CC. Por isso, a sociedade B responderia como comitente, a menos que algum dos dois (comitente ou comissdrio) conseguisse fazer a prova do contrério (ou seja, a prova de que néo houve culpa de C) Caso a referida prova fosse feita, a sociedade B responderia como detentora do veiculo (nos termos do n.° 1 do artigo 503° CC), 0 mesmo sucedendo com A, repartindo-se entre eles a obrigacdo de indemnizar na proporgio dos riscos colocados por cada qual 2..A € veterindrio e dono de algum gado. O seu vizinho B, também criador, teve os seus animais infectados com carbinculo, mas no tomou as medidas necessarias para impedir a propagagiio da doenga, nem sequer avisou A, de modo que varios animais deste foram afectados. A administrou-thes o tratamento adequado, mas, porque se tratava de uma estitpe rara ¢ nio identificada da bactéria, esse tratamento veio a agravar a doenga. A perdeu assim 50% do gado infectado, quando as mortes néo costumam exceder 30%, se for aplicado o tratamento devido. Quid juris? Topicos de correegdo: Esté-se perante um caso de responsabilidade subjectiva por factos ilicitos nos termos gerais do artigo 483%.° 1 CC. Caberia, portanto, antes de mais, idemificar os respectivos pressupostos. - acedo/inaceao; - ilicitude; - culpa, - nexo de causalidade; - dano. O mais saliente seria, porém, a avaliagdo do terceiro e do quarto requisitos. No que toca culpa, haveria que discutir sobre a existéncia de algum dever imposto a B de 1) tratar convenientemente o gado infectado e de 2) informar A: s6 assim se poderia afirmar a existéncia de negligéncia da sua parte e, assim, da correspondente culpa. Cré-se que: - estando em causa a saride piiblica, - e sendo ambos criadores de gado (ainda para mais vizinkos), 08 referidos deveres existiriam. Ora, como nao foram cumpridos, existiria culpa. Quanto ao nexo de causalidade, adoptando-o na sua vertente negativa (ou sefa, como afirmacéo de que ele se encontra estabelecido a menos que a ligacio cause/efeito ocorra por razées absolutamente extraordindrias, fora de qualquer controlo humano), 0 requisito estaria igualmente preenchido (pois foi em virtude de o gado de B estar infectado que o de A também ficou). Caberia a A fazer a demonstracdo da ocorréncia de todos os requisitos a que se aludiu. Por outro lado, no obstante a conduta de A ter contribuido para a maior dimensao do dano, néo se pode falar em culpa do lesado (artigo 570° CC) na medida em que a sua conduta (tratamento inadequado dos animais) ndo é censurével. Os danos acrescidos sofrides por A so ainda imputéveis 4 omissao negligente de B.