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Moçambique

Cabo Delgado,
Nampula, Niassa,
Zambézia e Sofala
Pemba, Caixa Postal, 260
E-mail: emclpemba@teledata.mz

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o

Depois do dilúvio, o inferno no Chókwè

Dramas
página 5

páginas 4 e 5
Naíta Ussene

Raptado 1o Secretário da
Frelimo em Marínguè página 2
2 Savana 08-02-2013
TEMA DA SEMANA

Militares “estremecem” investimentos em Nacala


- Aiuba Cuereneia desdramatiza a situação, mas o edil de Nacala reconhece o problema

A
zona franca de Nacala na medida em que a área económi-
Porto, extremo norte ca especial de Nacala foi definida
da província de Nam- pelo Governo de Moçambique e a
pula, vive momentos entidade que reivindica o espaço é
conturbados. Em causa o ministério de Defesa, ao que nos
está o braço de ferro que divide as respondeu: “Não houve nenhuma
autoridades responsáveis pela gestão
insubordinação e muito menos
das áreas de Desenvolvimento Acel-
diferendo entre as partes, o que está
erado (GAZEDA) e o comando
militar instalado na até então base a acontecer são problemas de inter-
aérea de Nacala. Os militares estão pretação das delimitações mas que já
a desobedecer as autoridades gover- estão a ser clarificados”.
namentais e proíbem a continuidade Por sua vez Agostinho Manjate,
das obras e de outras actividades na vice ministro da Defesa, disse que
área onde estava instalada a base. O as zonas de servidão militar são para
director do GAZEDA, Danilo Nala, serem protegidas. Falando concre-
protestou a atitude militar alegando tamente do caso de Nacala, manife-
que estremece os investimentos. O stando total ignorância em matéria
exército diz que vai continuar a de- jurídica, Manjate referiu que a zona
fender a área e o ministro de Plani-
de servidão militar foi criada na base
ficação diz que o problema não é
de um decreto e esta só pode deixar
grave e está a ser resolvido.
Pouco mais de USD400 milhões de ser se o governo aprovar outro
decreto dizendo que esta lei foi

Naíta Ussene
estão a ser postos em causa pelo
comando militar da região de Naca- revogada.
la, ao decidir embargar os projectos Lembre-se que em 2007, o governo
que estão a ser erguidos em volta da criou a Zona Económica Especial de
Desta vez a ordem do comandante não funcionou em Nacala
cintura da então base aérea daquela Nacala e a 27 de Abril de 2010, na
cidade portuária. será viável com empresas construídas norte-americanos, e diz que agora procedimentos relacionados com sua XV Sessão de Conselho de Min-
O comando do exército afecto a em torno dela”. é incapaz de cumprir o cronograma a gestão destas áreas, são geridos istros, o governo apreciou e aprovou
base de Nacala Porto decidiu, há Nala lamentou ainda o facto das de reembolso na medida em que a ao nível central, nós limitamo-nos duas resoluções para acomodar a
dois meses, impedir a continuidade empresas autorizadas a montar seus decisão da paralisação prejudicou a a materializá-los. Tal como outros Zona Económica Especial de Naca-
das obras na cercaria da base ale- projectos nas cercarias da base aé- calendarização do pagamento das casos, este assunto está a ser tratado la. A primeira resolução estabelece a
gando que se trata da zona sujeita a rea estarem agora a somar prejuízos dívidas e entrada em funcionamento ao nível superior e eu não posso co- desafectação do Aeródromo Militar
servidão militar, uma área destinada cada dia que passa porque o exército da estância. mentar sobre isso”, Chale Ossufo.
ao apoio e protecção das instalações de Nacala do ministério da Defesa
se recusa a permitir que elas fun- Por sua vez, Aiuba Cuereneia, min-
militares. Nacional e sua afectação à empresa
cionem. A voz do presidente do istro de Panificação e Desenvolvi-
Por ordens militares, todas as obras Aeroportos de Moçambique.
Apontou como exemplo o caso de Município mento referiu que a situação de Na-
em volta da base de Nacala estão in- O Governo aprovou ainda uma reso-
um hotel que deveria ter sido inau- Contactado pelo SAVANA na man- cala não pode ser elevado ao nível de
terrompidas. A situação está a deixar lução que visa transformar o aeró-
gurado este mês, mas que, o facto hã desta quinta-feira, Chale Ossufo, conflito na medida em que não passa
os investidores numa situação de de- dromo militar de Nacala em Aero-
não irá se materializar porque as presidente do Município de Nacala- de pequeno diferendo resultante de
sespero e preocupação. porto Internacional para satisfazer a
obras de finalização foram interrom- porto, embora tenha reconhecido má interpretação das delimitações
Dizem que o comportamento mili- demanda dos grandes investimentos
pidas, o equipamento já montado foi a existência do diferendo, recusou da área do quartel e da zona destina-
tar, que dura dois meses, poderá em curso na região. Na base desta
vandalizado e roubado. tecer qualquer comentário sobre a da à edificação das infra-estruturas
afugentar e levar abaixo o ambicioso decisão, o governo solicitou, ao gov-
projecto desenvolvimentista desen- O empresário proprietário do hotel, matéria alegando que o assunto já aeroportuárias.
que não quis ser identificado, diz que está sob égide do governo central. Questionámos ao titular da pasta erno brasileiro, a concessão de um
hado pelo governo.
Mesmo assim, os militares dizem solicitou créditos bancários para er- “O governo central é que decretou de Panificação e Desenvolvimento crédito no valor de 114 milhões de
que não vão ceder e as obras vão pa- guer a infra-estrutura. Deve ao ban- parte do nosso município como o facto de uma entidade inferior dólares americanos para a edificação
rar definitivamente porque estão a co cerca de oito milhões de dólares zona económica especial, todos os sobrepor-se as decisões do Governo, da infra-estrutura.
ser executadas e erguidas no espaço
que lhes pertence.
Os militares entraram nos cam-

Raptado 1º Secretário da Frelimo em Marínguè


pos das obras em Dezembro pas-
sado sem nenhuma documentação

O
e informação aos proprietários dos
talhões, afirmando apenas que cum- 1º Secretário da Fre- o Hospital Central da Beira”, frisou
priam ordens superiores. limo em Maríngue, Bongece, sublinhado, no entanto, que
De lá a esta parte não permitem a André Madumana, foi desconhecia os motivos do sequestro.
saída ou entrada de qualquer pessoa raptado nesta quarta- Mas algumas fontes na Beira associam
ou equipamento. -feira, naquele distrito, o sequestro de Madumana com a apre-
supostamente por homens ligados
Danilo Nala, director-geral do ensão há duas semanas de uma arma
à Renamo. pesada, um canhão sem recuo de cali-
GAZEDA, negou que as áreas em
Ao que apurámos, Madumana foi bre 82 milímetros B10, no distrito de
redor da base sejam da pertença guerrilheiro da Renamo, tendo pas-
dos militares, na medida em que, o Marínguè, suspeitando-se que estava
sado, há cinco anos, para a Frelimo a ser movimentada para Gorongosa,
Governo de Moçambique extinguiu depois de algumas desiteligências onde se encontra o líder da Renamo,
a base área de Nacala e ordenou a com o partido de Afonso Dhlaka- Afonso Dhlakama, há pouco mais de
transformação da mesma em aero- ma. três meses.
porto civil. Num primeiro contacto com o
É que, segundo as mesmas fontes, os
Segundo Nala, foi por via dessa de- SAVANA nesta quinta-feira, He-
homens armados da Renamo em Ma-
cisão que o executivo foi à busca de rinques Bongece não confirmou o
rínguè, acreditam que Madumana, uma
financiamento externo para a edifi- rapto, alegando que desconhecia
antiga alta patente do movimento, terá
cação da respectiva infra-estrutura. o assunto. Contudo, mais tarde
tomado conhecimento da movimenta-
Bongece contactou o SAVANA,
Ademais, avança Nala, mesmo na ção da arma através de algumas fontes
para confirmar que efectivamente
capital do país, as infra-estruturas de dentro do antigo Quartel General,
Madumana havia sido raptado na
militares estão cercadas de edifícios o que facilitou o trabalho das forças
quarta-feira, mas foi solto 24 horas
civis e não se verifica nenhum con- policiais na apreensão da mesma. Num
depois com ferimentos graves.
Naíta Ussene

strangimento no funcionamento “Foi raptado por homens armados breve contacto com o SAVANA, Fer-
desses serviços. da Renamo, mas foi solto após ter nando Mazanga, porta voz da Renamo,
“Esta medida é inconcebível e não sido torturado. Neste momento disse que não tinha conhecimento do
pode ser permitida porque em toda a (tarde desta quinta-feira) está para assunto.
parte do mundo, os aeroportos pos- ser transferido de Marínguè para Homens armados da Renamo acusados de raptar secretário da Frelimo
(Redacção)
suem infra-estruturas de apoio em
seu redor. Na verdade, o aeroporto só
Savana 08-02-2013 3
TEMA
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DA SEMANA
4 Savana 08-02-2013
TEMA DA SEMANA

Nas próximas cheias, à Chiaquelane

Havemos de voltar
Por Emídio Beúla
Fotos de Naíta Ussene


Às casas, às nossas lavras/ às
praias,/ aos nossos campos/
havemos de voltar (…)”,
declara Agostinho Neto em
seu poema de combate inti-
tulado “Havemos de voltar”. Se os
angolanos voltaram à “Angola liber-
tada, Angola independente” profeti-
zada por aquele que mais tarde viria
a ser o primeiro presidente do país,
os residentes de Chókwè voltaram,
13 anos depois, ao descampado de
Chiaquelane, às tendas de miséria,
aos donativos que nunca chegam,
enfim, ao sofrimento humano bana-
lizado. Nas suas zonas de origem a
água continua a baixar e brevemen-
te poderão retornar à vida normal.
Mas desta vez partem conscientes
de que um dia, à Chiaquelane, “Ha-
vemos de voltar”. Com ou sem poe-
mas, com ou sem chuvas...

Debaixo de uma sombra de cajueiro,


Guida José Macuácua, 19 anos, con-
ta ao SAVANA que não viu as vio-
lentas águas que sacudiram Chókwè
nos últimos dias do primeiro mês.
Na noite de 22 de Janeiro, não hou-
ve aulas na escola secundária onde
ela faz a 11ª classe. “Os professores
mandaram-nos voltar para infor- !"#$%&'"&()*+$&$,)'$&-$.$/*0$'$&!1%&!"##1$#&#*.2)/$%"#&"&-1/"-+*3$#&4#&*.#+*+)*56"#&7)($.*+8%*$#9&1#&3"%'$'"*%1#&:".";-*8%*1#&.<1&%"-":"(&-1(*'$&"9&!$%$&#1:%"3*3"%9&
mar aos nossos pais que devíamos recorrem a produtos deteriorados
abandonar as zonas de risco porque
naquela noite ia entrar água na ci- e até hoje ainda não beneficiaram antes, mas não acreditou no aviso. e 22 de Janeiro. Mas por volta das
dade”. de nenhuma reabilitação. Aliás, foi Para quem viveu as cheias de 2000, oito horas da noite de 22, Chaúque
Como Guida, milhares de pessoas por ali onde a água encontrou o livre era inconcebível ver Chókwè inun- é solicitado por um superior hie-
que se refugiaram em Chiaquelane trânsito para inundar toda a planí- dando sem chuvas intensas, sem rárquico para se deslocar à sede da
não viram a água que transformou a cie, incluindo a própria cidade. trovões e sem relâmpagos. “Tive o autarquia de Chókwè. “Fui a correr
planície de Chókwè num autêntico aviso cedo, mas não acreditei porque e quando cheguei vi os meus colegas
mar, como se a foz do Limpopo fos- Ninguém acreditava nas em 2000 a água primeiro encheu a a arrumar documentos e material
se ali mesmo. cheias barragem de Macarretane e depois informático em cima de mesas e se-
Se a água foi vista por poucos, os “O que a água não pode numa ci- inundou a escola agrária, na zona cretárias. Disseram-me que naque-
estragos por ela causados estão in- dade desprotegida? Perdi tudo meu mais baixa da cidade”, lembra. la noite ia entrar água na cidade”.
tactos e deverão continuar por mui- irmão, tudo”, responde Agostinho Sem nenhum sinal de perigo à vis- Mesmo incrédulo, corre para casa
to tempo. Tal como acontece com Chaúque. Funcionário da autarquia ta desarmada do cidadão comum, para “salvar” a família. Pelo caminho
os diques de protecção de Chókwè de Chókwè, Chaúque, 26 anos, teve o jovem foi trabalhar nos dois dias cruza-se com um senhor que ao som
que romperam nas cheias de 2000 a informação das cheias três dias seguintes, segunda e terça-feira, 21 do microfone anuncia cheias imi-
nentes. “Consegui fazer uma mala,
arrumei as coisas sensíveis sobre
Guida José Macuácua
a mesa e levei a minha esposa e os
meus dois filhos para a paragem. Já
eram 22 horas e foi difícil apanhar perfície através do sistema de esgo-
o transporte. Liguei para um amigo tos. Mais tarde, por volta das 10 ho-
que tem carro e ele veio nos ajudar”. ras da manhã, a água varria a cidade
O único lugar seguro que lhe vinha em fortes correntes. “Todos estavam
na memória era Chiaquelane, o preocupados em sair para zonas se-
mesmo para onde foi parar em 2000 guras. Fui para Chiaquelane ao en-
como vítima das cheias. contro da família”, conta, parado no
Na verdade, naquela noite agitada interior do edifício onde funciona o
de 22 de Janeiro muitas famílias conselho municipal, na manhã desta
dirigiam-se para Chiaquelane, mais quarta-feira.
tarde decretado pelo Governo como
centro de acolhimento das vítimas Comércio informal vibrante
de cheias em Chókwè. Cerca de 16 mil pessoas não con-
Depois de deixar a família debaixo seguiram sair das zonas de risco e
de uma árvore, Chaúque regressa à permaneceram quase 15 dias nos
cidade e constata, por volta das cin- tectos de casas e em cima de árvores.
co horas, que as cheias anunciadas “Houve dificuldades em socorrer as
ainda não chegaram. “Fui até ao dis- pessoas sitiadas”, admite o edil local,
trito de Guijá e lá vi que a água es- Jorge Macuácua.
tava a entrar. Voltei a Chókwè e fui Dificuldades também se registam no
directo ao “Quinto bairro” onde te- fornecimento de produtos de pri-
nho um estabelecimento comercial. meira necessidade aos acolhidos no
Deixei a geleira em cima da mesa”, centro de Chiaquelane. Isso apesar
conta. do largo movimento de solidarieda-
As mulheres constituem a frente que de entulho a entulho vai catando lixo para recuperar o que menos se estragou de interno e além fronteiras. “Desde
A água vinha de baixo e fez-se à su-
Savana 08-02-2013 5
TEMA DA SEMANA

de um conhecido no dia que choveu


em Chiaquelane, ela passa as noites
longas com quatro menores, sendo
dois netos, um filho e um acolhido.
“Ele perdeu os pais”, diz em Chan-
gana, língua falada em Chókwè.
Cecília não conseguiu retirar pra-
ticamente nada da casa, excepto as
roupas que ela e os menores tra-
ziam. “Saímos às correrias na tarde
de quarta-feira, a água já a entrar”.
No centro de Chiaquelane, ela re-
clama de muitas coisas: nunca re-
ceberam sal, óleo alimentar, sabão,
a água é escassa e não chega para
todos.
Não sabe dizer quando pensa em
Agostinho Chaúque voltar à proveniência, tanto mais
que o “Governo desaconselha o
que estamos lá, só recebemos um regresso das populações”. Mas de
pedaço de lona na segunda-feira (4 uma coisa ela tem certeza: a casa,
de Fevereiro)”. de construção precária, foi-se com
O alerta vermelho continua, mas a água. Para quem faz essas contas, Doadas por uma Igreja, estas são as poucas tendas visíveis em Chiaquelane, o resto são pedaços de lonas esticadas sobre
algumas famílias já começaram a vi- Chiaquelane pode ser solução, pelo estacas
sitar as suas residências para realizar menos enquanto durar a ajuda.
trabalhos de limpeza. O presidente A mesma ajuda que nunca chega à
do conselho municipal diz que ain- família da Guida Macuácua, excep-

BUCG e IGEPE associam-se ao


da é prematuro precisar a data de to as duas tendas que recebeu de
regresso. “O alerta vermelho conti- confissão religiosa, faz cinco dias.
nua e não aconselhamos ninguém a A comida (arroz e feijão) é distribu-
voltar. As pessoas que circulam na
cidade fazem parte das 16 mil que
não puderam sair”, explica.
ída no centro de Chiaquelane, a cer-
ca de um quilómetro do local onde
a família de Guida se aportou. E ela
movimento de solidariedade

O
Mais ainda, todos os serviços conti- assiste todos os dias ao movimento
nuam encerrados e muitos ainda cer- dos camiões do INGC (Instituto movimento de so- Além do material escolar, a cons- despejados por comerciantes. A
cados de entulhos de lixo. Apenas o Nacional de Gestão de Calamida- lidariedade conti- trutora chinesa está a limpar as permanência desses produtos
comércio informal está vibrante no des) e do PMA (Programa Mundial nua a chegar de vias da cidades, tendo mobilizando em alguns locais constitui um
mercado de Chókwè. Vende-se um de Alimentação) carregados de sa- todos os cantos, oito máquinas, entre camiões bas- atentado à saúde pública, não
pouco de tudo, incluindo produtos cos de cereais. “Sempre que acom- o que contrasta culantes e pá escavadoras. O tra- só pela proliferação de mosca
que foram saqueados dos estabeleci- panho os meus sobrinhos à escola, com as carências vividas em balho decorre em parceria com o e mau cheiro que exalam, mas
mentos comerciais submersos. vejo camiões com comida na zona Chiaquelane. Uma empresa conselho municipal local e iniciou porque muitas pessoas, sobre-
do mercado de Chiaquelane”, diz. de construção civil, a BUCG logo que as águas começaram a tudo senhoras, estão a catar es-
Ela prefere ficar em casa, pois no (Beijing Urban Construction baixar. Muitas vias estavam cheias ses entulhos.
O regresso precipitado centro não há disponibilidade de Group Co. Ltd), em parceria de lama e entulhos de produtos ali- “Já tentamos de todas as for-
Feita de material precário (caniço e professores para o ensino secundá- com o IGEPE (Instituto de mentares deteriorados que foram mas proibir as pessoas de des-
chapas de zinco), a casa de Chaúque rio. Mesmo no primário, as crianças Gestão das Participações do pejarem produtos deteriorados
no “Quinto Bairro” resistiu à fúria estudam em péssimas condições. Estado), doou esta quarta-feira aqui na cidade. As pessoas que
das águas. Mas todo o interior ficou Sob um intenso calor, uma tenda material escolar a mais de duas estão a catar esse lixo à procura
alagado e os móveis que estavam chega a acolher mais de 200 alunos, centenas de alunos de ensino de alimentos já foram sensibili-
arrumados em cima da mesa foram muitos ainda traumatizados com a primário na sede de Chókwè. zadas sobre os perigos de saúde
atingidos. “Tudo se estragou, per- violenta mudança para Chiaquela- São menores cujas famílias que correm, mas elas reclamam
di tudo”, repete, respirando fundo. ne.
Apesar d’água ter baixado, muitos
não conseguiram abandonar a que estão com fome”, explica
Enquanto a vida não retorna à nor- cidade devido à falta de meios Jorge Macuácua.
bairros ainda não reúnem condições malidade, Guida vai cuidando dos
de habitabilidade. Há muita lama de resgate. A ajuda é constitu- Três camiões do PMA distri-
seus sobrinhos. Logo pela manhã ída por uma pasta, cadernos, buíram no início da semana na
e o cheiro exalado é nauseabun- cedo, os irmãos mais velhos aban-
do. Mesmo assim, Chaúque pensa lápis e pequenos brinquedos. cidade de Chókwè 10 quilos de
donam as tendas e lançam-se à luta “Para nós a educação é a coisa arroz e dois de feijão nhemba
em voltar para casa este Domingo. pela sobrevivência. “Os meus irmãos
“Tenho de recomeçar a minha vida, mais importante neste mo- por cada família. Na semana
saem para fazer biscates e comprar mento. Temos de ajudar as passada, a Comunidade Islâ-
perdi tudo”. comida e as cunhadas vão à procura
O bairro onde ele vive resulta da ex- crianças a voltar a escola neste mica tinha levado comida para
de água”, conta.
pansão da cidade e localiza-se numa momento de sofrimento”, assi- as pessoas que não saíram da
A comida (arroz e feijão) é distribu-
área propensa a inundações. Mas ele nala Roy He, representante da cidade.
ída no centro de Chiaquelane, a cer- Roy He
não considera a hipótese de um dia BUCG em Moçambique.
ca de um quilómetro do local onde
vir a mudar para um local seguro. a família de Guida se aportou. E ela
Mudar de casa é um processo difícil, assiste todos os dias ao movimento
diz, e envolve muitos custos. Como, dos camiões do INGC (Instituto
por exemplo, pagar diariamente Nacional de Gestão de Calamida-
60 meticais de transporte de ida e des) e do PMA (Programa Mundial
volta, para quem pretenda viver em de Alimentação) carregados de sa-
Chiaquelane e trabalhar na cidade cos de cereais. “Sempre que acom-
de Chókwè. “O meu salário no mu- panho os meus sobrinhos à escola,
nicípio não chega para custear essa vejo camiões com comida na zona
despesa”, reclama. Um conhecido do mercado de Chiaquelane”, diz.
seu interrompe-lhe a conversa para
lhe informar que o corpo do seu tio
acabava de ser localizado no meio
de um entulho. “Tenho de ir tratar
disso, meu tio foi arrastado pelas
águas que cortaram a estrada que
liga Chókwè e Guijá”, despede-se.

Em Chiaquelane falta mui-


ta coisa
“A semana passada não recebemos
nada, mas ontem (terça-feira) re-
cebemos 20 quilogramas de arroz e
dois de feijão nhemba”, conta Ce-
cília Alfredo Sitoi, 50 anos. No pe-
queno pedaço de lona que recebeu Já com pastas e cadernos doados pela BCUG e IGEPE, as crianças aguardam pela reabertura das escolas
Cecília Sitoi
6 Savana 08-02-2013
SOCIEDADE

AMM trava nova batalha com UEM e MISAU


-MISAU diz que não tem competências para intervir neste imbróglio
- UEM não comenta
Por Argunaldo Nhampossa

E
stá instalado mais um Mabota.
braço de ferro entre a A LDH considera ainda que o MI-
Associação Médica de SAU não pode continuar no silên-
Moçambique (AMM), cio ou abster-se de tomar posição
o Ministério da Saúde neste caso, seja alegando incompe-
(MISAU) e a Faculdade de Me- tência ou autonomia da Faculdade
dicina, da Universidade Eduardo de Medicina, ou ainda que se trata
Mondlane. de um assunto entre estudantes e a
É causa está o facto da Faculdade direcção da Faculdade. No enten-
de Medicina ter decido reprovar der da LDH, este posicionamento
cerca de uma centena de estudan- do MISAU fere gravemente a efi-
tes do 6º ano, (médicos estagiários) cácia e os efeitos que o acordo ru-
que aderiram à greve geral dos mé- bricado visa produzir.
dicos no passado mês de Janeiro. Enquanto isso, Luísa Panguene,
No entanto, a AMM considera do Ministério de Saúde, sacode o
a decisão de injusta, ilegal e ino- capote e diz que a sua instituição
portuna e apela ao bom senso da não tem competências para intervir
direcção da Faculdade de modo a neste imbróglio, dado que o mesmo
manter a tranquilidade obtida a 15 envolve a AMM e a Faculdade de
de Janeiro de 2013. Medicina.
Panguene lembrou que o MISAU

Urgel Matula
está a fazer tudo de modo a hon-
Faculdade sem competências rar o compromisso assumido no
No entender da AMM, o Conse-
passado dia 15 de Janeiro entre o
lho da Faculdade não tem compe- LDH considera abuso de poder o acto de reprovação dos médicos estagiários
MISAU e AMM, para evitar per-
tências para reprovar aqueles estu- o estágio que possam fazer uma
do da AMM. Janeiro último, não há nenhuma seguições e represálias aos médicos,
dantes. Entende que a reprovação avaliação consensual e objectiva,
É preciso sublinhar que o despacho irregularidade que possa justificar a mas em relação aos médicos estagi-
não deve ser efectuada por critérios facto que não foi tomado em con-
arbitrários, mas sim por “critérios da Faculdade de Medicina está cla- medida tomada pela Faculdade. ários nada pode fazer. A Faculdade
ramente em contramão com o Me- sideração pela Faculdade”, sublinha “Trata-se de um acto praticado ar- de Medicina da UEM não aceitou
de não aquisição de competência
morando de Entendimento rubri- a LDH. bitrariamente com recurso a abuso fazer comentários em torno desde
clínica”.
cado entre a AMM e o Ministério Segundo a nota da LDH, dado de competências e má-fé da di- assunto. Manuel Cabinda, director
Para a AMM, o comunicado da
de Saúde a 15 de Janeiro de 2013. que a greve dos médicos é reco- recção da Faculdade”, sublinha a do gabinete do reitor, referiu que
Faculdade de Medicina não invo-
ca qualquer dispositivo legal que os nhecida do acordo celebrado entre LDH dirigida pela conhecida ac- caso UEM queira reagir, irá fazê-lo
estudantes do 6º ano terão violado,
Abuso de poder o MISAU e a AMM assinado em tivista dos direitos humanos, Alice através do seu porta-voz.
repisando que a decisão foi tomada No entanto, a Liga Moçambicana
dos Direitos Humanos (LDH) diz

Mais sequestros em Maputo


na base de juízo de opiniões.
“Na vigência do Regulamento Pe- que a reprovação daqueles estudan-
dagógico da Universidade Eduardo tes é um acto de abuso de poder e
Mondlane os estudantes do 6º ano, constitui ameaça ao exercício da
pelas 10 semanas (7dias x 10 sema- greve na função pública. -Trata-se do rapto de Intiase Golam, co-proprietário da Golam Motors e Hotel 2001
nas = 70 dias) de estágio nas unida- Para a LDH, trata-se de um acto
des sanitárias do Serviço Nacional lamentável e grosseiro que visa ins- -NaBeira,ummenorde11anos,raptadoháumasemana,continuanasmãosdossequestradores
de Saúde, e pela ausência de 9 dias, talar medo e institucionalizar a prá- e a polícia lamenta a falta de colaboração por parte da família
em nenhum momento ultrapassam tica da bajulação no sector público.
Por Eduardo Conzo

N
os 25% estipulados no referido re- A LDH ressalva que o despacho da
gulamento, que pelos cálculos arit- Faculdade de Medicina não apre- uma verdadeira demons- confirmou a ocorrência, mas não dem que o sector judicial, recorrendo
méticos são (9 dias/70 dias) 12.9% senta requisitos legais que funda- tração de poder ante as aceitou avançar com quaisquer por- a matéria de direito, não tem como
do tempo. Os Médicos Estagiários, mentem a sua legalidade. manifestas fragilidades das menores, alegadamente porque “não manter os acusados sob custódia, pois,
após o levantamento da greve efec- “A avaliação final do médico esta- autoridades moçambicanas temos detalhes porque ainda estamos o processo acusatório contra os indi-
tuaram até 2 semanas de compen- giário, carece da apreciação do mé- da administração da jus- a trabalhar”. ciados tem falta de quase tudo que
sação dos 9 dias de paralisação das dico supervisor e de um júri que in- tiça, a gang ou as gangs criminosas “O que é certo é que aconteceu e sustente as acusações.
actividades”, sublinha o comunica- tegra médicos que acompanharam que, nos últimos tempos, têm estado a confirmo. Temos muita fé de que em Sobre a contínua e persistente falta de
aterrorizar as principais cidades mo- breve iremos trazer novidades sobre colaboração das famílias das vítimas,
çambicanas, com sequestros seguidos este sequestro. Estamos a trabalhar assim como a sistemática soltura dos
de resgates milionários fez, ao longo no sentido de esclarecer o assunto. Os indiciados, Cossa não aceitou comen-

BREVES
da semana passada, mais vítimas. autores vão ser conhecidos, ninguém tar.
Na cidade de Maputo, um grupo de vai ficar oculto, pois estamos a tra- “Por enquanto não há muita coisa a
sequestradores raptou Intiase Golam, balhar. Mais dias, menos dias, vamos avançar. Quando chegar a vez iremos
co- proprietário da Golam Motors, localizar os raptores”, - repetiu Pedro esclarecer. Qualquer informação adi-
uma popular casa do sector da impor- Cossa, porta-voz do Comando Geral cional neste momento poderá afectar
Índice de volume de negócios recua 0.7% tação, exportação e venda de acessó- da Polícia. o ambiente das investigações” – ano-
rios para diversas máquinas e viaturas, Este é um discurso que vem sendo tou.
O índice geral do Volume de Negócios de Novembro passado situada na baixa da cidade. feito há muito pelas autoridades po-
Intiase Golam é também co-pro- liciais, mas a distância entre as pala- Beira
registou um ligeiro recuo de 0.7%, quando comparado com o
prietário do Hotel 2001. Até este vras de Cossa e a realidade no terreno, Enquanto isso, na cidade da Beira,
idêntico período do mês anterior, indicam os resultados do Índi-
momento não se conhece o paradeiro continua bastante larga. as autoridades policiais continuam
ce das Actividades Económicas do Instituto Nacional de Esta- de Intiase Golam, nem os valores que Efectivamente, as autoridades poli- também à busca de pistas que possam
tísticas (INE) libertados nesta quarta-feira. estão a ser exigidos pelos sequestra- ciais já detiveram vários indiciados de esclarecer as circunstâncias e trazer
dores. fazerem parte da rede dos sequestros de volta ao convívio familiar, o menor
O INE justifica a queda no índice do Volume de Negócios em Sabe-se, entretanto, que o bando já no país, com particular incidência Anub, de 11 anos de idade, raptado
Novembro com a redução do volume de vendas de minerais não entrou em contacto com a família do para a cidade de Maputo, mas, dias na manhã da quinta-feira da sema-
metálicos e de metais de base. sequestrado, mas não foram avança- depois, os indiciados foram restitu- na passada, naquela que é a segunda
dos os valores exigidos. ídos à liberdade pelos juízes de ins- maior cidade do país.
“Assim, o sector da Indústria, como resultado destas diminui- Sabe-se também, tal como tem esta- trução por manifesta falta de prova Já na sexta-feira, as autoridades poli-
ções, é o único que apresenta índice negativo do volume de ne- do a ser prática noutros casos, que o material. ciais lamentaram publicamente a falta
gócios, que se fixou em 4,9% negativos”, sublinha o INE na sua bando raptor deu indicações precisas Embora com ares de confiança, Cossa de colaboração por parte das autori-
edição 104 de “Índice das Actividades Económicas”, documento à família no sentido de não tentar co- não conseguiu esconder algum senti- dades policiais no sentido de ajuda-
que divulga os principais resultados dos Inquéritos Mensais à locar as autoridades policiais no meio mento de desalento e frustração pela rem a esclarecer o mais rapidamente
Economia iniciados em Janeiro de 2004. da estória. sistemática soltura dos indiciados de possível o caso, resgatando o menor e
Na manhã desta terça-feira, o porta- fazerem parte do bando raptor. mandando para as celas os promoto-
-voz do Comando Geral da Polícia Entretanto, algumas pessoas enten- res do sequestro.
Savana 08-02-2013 7
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8 Savana 08-02-2013
SOCIEDADE

SADC debate RDC em Maputo


…cimeira, desta sexta-feira, acontece numa altura em que o M23 avança para a estratégica cidade de Goma

O
Presidente moçambica- próximo de Goma, junto à estrada
no, Armando Guebu- que liga ao principal aeroporto da
za, convocou para esta cidade.
sexta-feira uma cimeira Avançaram igualmente a norte da
extraordinária de Che- cidade, próximo da fronteira ruan-
fes de Estado e de Governo da desa, até ao Cemitério de Kanya-
Comunidade de Desenvolvimento muranga, precisou a mesma fonte.
da África Austral (SADC), para Recorde-se que o Movimento de
discutir os últimos desenvolvimen- 23 de Março (M23) ocupou Goma
tos da República Democrática de a 20 de Novembro, tendo-se retira-
Congo (RDC). do a 1 de Dezembro, após de uma
Segundo uma nota da presidên- mediação dos estados da região dos
cia moçambicana, está prevista Grandes Lagos, em troca de aber-
a participação do Presidente da tura de negociações com Kinsha-
Tanzania,Jakaya Kikweti, e o Pre- sa, que tiveram lugar durante dois
sidente da RDC, Joseph Kabila. meses em Kampala, a capital do
Kikweti é também presidente da Uganda
Troika, Órgão da SADC para a A acção do M23 acontece dias de-
Cooperação nas áreas de Política, pois de Pretoria ter anunciado a
Defesa e Segurança. detenção na terça-feira de dezano-
A Cimeira de Maputo acontece ve supostos rebeldes congoleses que
numa altura em que rebeldes do alegadamente pretendiam receber
M23 desdobraram as suas posi- treinos para derrubar o Presidente
ções, avançando algumas centenas congolês Joseph Kabila.
de metros nos arredores de Goma, Armando Guebuza, que é igual- Rebeldes do M 23 movimentam-se para Goma
uma estratégica cidade do leste da mente presidente em exercício da o dossier M23 estará também por pertencem a mesma etnia, Tutsi. com Kinshasa, a 23 de Março de
RDC. SADC, deverá manter um encon- cima da mesa. O M23 (Movimento do 23 de 2009, e que se amotinaram, em
Um oficial do M23, citado pela tro este sábado com o presiden- Sublinhe-se que o vizinho Ruanda Março) é essencialmente composto Abril, na região oriental do Kivu-
agência France Press, diz que os te sul-africano, Jacob Zuma, em é acusado de apoiar moral, material por antigos rebeldes congoleses do -Norte, acusando o governo de não
rebeldes deixaram a sua posição Pretória, no quadro da cooperação e militarmente o M23, um movi- Congresso Nacional para a Defesa respeitar as disposições deste acor-
de Munigi para se posicionarem a bilateral entre os dois países, mas mento liderado pelo general Bosco do Povo (CNDP), integrados no do.
algumas centenas de metros mais analistas em Maputo acreditam que Ntaganda. Ntaganda e Kagame exército da RDC após um acordo

Funcionários da AT líderes UCM cria clínica


da corrupção em Janeiro jurídica
Por Argunaldo Nhampossa Por José Chirinza, na Beira

O A
Gabinete Central de tentaram extorquir 200 mil meticais a cionários de uma direcção provincial Universidade Cató- nente prática para os estudantes,
Combate à Corrupção um empresário estrangeiro que exer- de finanças, que desviaram uma re- lica de Moçambi- irá igualmente servir às pessoas
(GCCC) tramitou du- ce actividades económicas no país. quisição de combustível no valor de que (UCM) acaba que precisam de ajuda, que não
rante o mês de Janeiro, Duce conta que o empresário tinha 106 mil meticais. de criar uma clínica conseguem ter por via de paga-
31 processos crimes, re- que receber dois milhões de meticais Duce conta que a dupla pagou a um jurídica para assis- mento”, explicou Vilanculos.
lacionados com o combate ao fenó- em 2011 de reembolso pelo excesso operador para fazer senhas de com- tência legal a cidadãos desprovi- Segundo Vilanculos, na Facul-
meno, onde os funcionários da Auto- do IVA cobrado nesse ano. Mas de- bustíveis que mais tarde foram vendi- dos de meios na cidade da Beira, dade de Direito em Nampula
ridade Tributária (AT) estão no topo pois do reembolso, os funcionários das e dois funcinários apoderaram-se província de Sofala. já existe uma unidade de acon-
da lista. Dos 31 processos tramitados em causa exigiram 200 mil meticais do valor em causa. Segundo o vice-reitor para área selhamento jurídico que faz os
13 foram acusados e outros seis sub- alegando que agilizaram o processo, No rol dos casos tramitados em Ja- académica na UCM, Martins mesmos serviços. Acrescenta que
metidos ao julgamento. facto que fez com que o empresário neiro consta também, um processo Vilanculos que falava nesta a clínica da Beira será uma ino-
Os 13 processos deduzidos pelo denunciasse o caso às instâncias com- contra três funcionários de uma di- terça-feira numa conferência vação, tendo em conta que os es-
GCCC envolvem um total de 22 petentes. recção provincial de justiça, que se de imprensa, na Beira, a UCM tudantes terão acompanhamento
funcionários de instituições públicas. O magistrado falou também, do pro- envolveram num esquema de actos de pretende com a iniciativa profis- e avaliação, contrariamente ao
Funcionários da AT aparecem desta- cesso que corre contra cinco funcio- troca de favores e cobranças ilícitas a sionalizar os estudantes, antes da que acontece na chamada capital
cados na lista dos mais corruptos. nários de uma direcção de indústria e um empreiteiro. conclusão do curso. no Norte.
Segundo Bernardo Duce, nos casos comércio, que são acusados de desvio “O grupo cobrou 200 mil meticais a Ao que apurámos, numa primei- Aulas teológicas obrigatórias na
que envolvem funcionários da AT, de 109 mil meticais, dos cofres do um empreiteiro para adjudicar, sem ra fase será implementada na ci- UCM
quatro são acusados de desvio de Estado, referentes a taxas cobradas passar de concurso público, uma obra dade da Beira, onde está sedeada A partir deste ano lectivo, a
valores provenientes de receitas de pela emissão de alvarás e vistorias de de construção de um edifício de Ser- a faculdade e no ano seguinte nas UCM irá introduzir aulas obri-
importação de mercadorias no valor estabelecimentos comerciais. viços de Identificação Civil”, expli- restantes delegações da UCM gatórias de teologia em todos os
de 364 mil meticais. Os outros dois Outro processo, rola contra dois fun- cou. que leccionam o curso de direito. cursos leccionados na instituição,
Ainda no mês de janeiro, foi deduzi- Vilanculos, que falava no térmi- segundo deu a conhecer Martins
da uma acusação contra um membro no do Conselho Universitário Vilanculos.
da PRM que negociou com um ar- daquela instituição de ensino su- O vice-reitor da UCM para área
guido um processo para depois rasgá- perior, repisou que a Clínica irá académica defende que a intro-
-lo em troca de 10 mil meticais. funcionar como um laboratório dução de uma cadeira teológica
Ainda no decurso deste período, o para os estudantes de direito no visa adequar a Universidade às
GCCC submeteu para o julgamen- terceiro ano, no qual com apoio políticas e princípios da igreja
to seis processos. Estes processos dos docentes irão dar assistência católica, patrono desta institui-
correm contra um gestor de clientes jurídica a cidadãos que manifes- ção de ensino.
do Fundo de Investimento e Patri- tarem interesse. “Estamos a discutir a introdução
mónio do Abastecimento de Água Acrescenta que durante a assis- de uma cadeira obrigatória de
(FIPAG), que recebia valores da cele- tência os estudantes irão prestar teologia, uma vez que nós somos
bração de contratos e não canalizava aos carenciados, os mesmos terão uma universidade da Igreja cató-
aos cofres da instituição e os restantes acompanhamento e apoio dos lica. Esta matéria teológica vai
são contra quatro agentes da PRM e respectivos docentes. identificar a universidade com a
um da Polícia Municipal por prática “Para além de ser uma compo- Igreja”, explicou Vilanculos.
de cobranças ilícitas na via pública.
Savana 08-02-2013 9
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UNICEF Mozambique pretende recrutar um/a imentos técnicos. NOVO, NOVO, Grande Inovação. Agora
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fones: 21477080 ou 847700298.
10 Savana 08-02-2013
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CONCURSO DE JORNALISMO DA SADC


O Secretariado da SADC anuncia o lançamento do Concurso de Jornalismo de 2010.
O concurso cobre o jornalismo escrito, radiofónico, televisivo e o fotojornalismo
Regulamento do concurso devem conter os detalhes de contacto do jornalista,
#$%04#$)& 46' ;&2&<-'/' 2#,& ,'((*5 & *$)*-*>& ;?(#%&5
a) Os trabalhos a concurso deverão ter sido publicados o número de telefone e, caso seja relevante, o número
ou difundidos entre Janeiro e Dezembro de 2010 por de fax e o endereço de correio electrónico
um órgão de comunicação social registado e/ou auto-
rizado, ou apresentados no site de um órgão de comu- h) Os trabalhos apresentados a concurso a nível nacional
nicação social registado ou autorizado em qualquer serão objecto de triagem e avaliação pelo Júri Nacio-
Estado-Membro da SADC; nal, que seleccionará o melhor trabalho em cada uma
das quatro categorias e o enviará ao Júri Regional,
b) Os trabalhos a serem submetidos ao concurso devem através do Secretariado da SADC;
estar relacionados com assuntos e actividades que pro-
movam a Integração Regional na região da SADC; i) Caberá ao Júri Regional apurar os melhores trabalhos
regionais;
c) Podem participar no concurso todos os jornalistas
oriundos da região da SADC, à excepção dos que fun- j) O Júri Regional reserva-se o direito de não atribuir os
cionam em instituições contratadas pela SADC e dos ,-@6#&( (* '( &=-'( ',-*(*$2')'( $A& ('2#(/B*-*6 &(
funcionários do Secretariado da SADC; requisitos do concurso;
d) Todos os trabalhos a concurso devem ser redigidos CD E )*%#(A& )& FG-# H*<#&$'0 (*-8 /$'0I
numa das línguas de trabalho da SADC, ou seja, em
francês, inglês ou português, devendo os referidos tra- l) Os vencedores serão anunciados e os prémios entre-
balhos ser apresentados tal como foram publicados ou gues numa cerimónia que terá lugar durante a Cimeira
difundidos (recortes de jornal, endereços de internet, de Chefes de Estado e de Governo da SADC;
revistas, cassetes áudio e vídeo);
m) O concurso cobre o jornalismo escrito, radiofónico
e) Aguardam-se trabalhos nas seguintes categorias: e televisivo e o fotojornalismo e os vencedores de cada
categoria serão contemplados com um prémio de US$
i. Jornalismo escrito: artigos publicados em jornais, 2000 (dois mil dólares americanos).
boletins informativos e na Internet;
ii. Jornalismo radiofónico: material radiofónico; n) Os prémios monetários serão acompanhados por um
iii. Jornalismo televisivo: material televisivo; %*-2#/%')& '((#$')& ,*0& J-*(#)*$2* )' KEL" *6 *+*--
iv. Fotojornalismo: ;&2&<-'/'( ,4=0#%')'( %&6 46' cício;
legenda ou texto;
o) Os prémios serão entregues directamente aos respecti-
> Os trabalhos a serem apresentados a concurso na área vos vencedores. Caso algum vencedor não possa estar
do jornalismo escrito presente à cerimónia de entrega dos prémios, a SADC
devem ter um mínimo de 600 (seiscentas) palavras e fará diligências no sentido de entregar o prémio no
um máximo de 2000 país de origem do vencedor;
(duas mil) palavras. Para mais detalhes e submissão de candidaturas queira
>Os materiais radiofónicos ou televisivos devem ter contactar o Júri Nacional, na Direcção de Informação e
uma duração mínima de cinco Comunicação – Gabinete de Informação, Av. Francisco
minutos e uma máxima de trinta minutos, devendo Orlando Magumbwe, 780, 5º. Andar- Maputo.
todos os materiais radiofónicos O Secretariado da SADC não será responsável por qual-
ser acompanhados de uma transcrição numa das três quer perda ou dano causado ao trabalho ou material
línguas de trabalho apresentado a concurso.
da SADC.
Member States
f) Todos os trabalhos a concurso devem ser enviados ao
Júri Nacional do Concurso até 30 de Março de 2011; Angola, Madagascar, South Africa, Zambia, Botswana, Mala-
we, Swaziland, Zimbabwe, D.R.Congo, Mauritius , Nami-
g) Todos os trabalhos a serem apresentados a concurso bia, Lesotho, Mozambique e United Republic of Tanzania
Savana 08-02-2013 11
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684,9-#.3#/01:09;9#<3:,159-#.9#'=#>#?70,49#!@A209-
3F SA – Federação Unida dos Trabalhadores da Dinamarca, coopera com sindi-
Oportunidade de emprego pós-formação catos da África Austral apoiando-os na capacitação institucional com o objectivo
)* (*-M#- 6*07&- &( #$2*-*((*( )&( 2-'='07')&-*( /0#')&(5 * ' N&<'- 46 ,',*0
Inscrições abertas ,-*,&$)*-'$2* %&6& &-<'$#B'>O*( )' (&%#*)')* %#M#01
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planos de implementação e monitoria dos orçamentos e planos de activida-
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9 Curso para Despachantes Aduaneiros 12 Semanas QUALIFICACOES:


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Facilidade de pagamento $c d^5 ]c E$)'-5 T',42&5 T&>'6=#34*5 e*0*;&$* $-1 ^]9_]9ff * P'+ $-1 ^]9]^fgh
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Conta bancária/BCI: 013310244101
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*(28 ,-*M#(2& ,'-' _] )* T'->& )* ^_]91
12 Savana 08-02-2013
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Savana 08-02-2013 13
SOCIEDADE

Mediterranean condenada a devolver talhão na Beira


- Trafulhices da era Chivavice Muchangage penalizam CMB
Por Domingos Bila, na Beira

A
Mediterranean Shiping Trata-se do fim de um conflito que resentada por Amina Esmail. O problema surgiu com um negó- Shiping Company, tendo esta de-
Company (MSC), uma se arrasta desde o ano 2002, tendo O mesmo declara nulidade dos cio de terras por parte de um fun- molido a casa que se encontrava no
firma ligada a área de se caracterizado por despejos dos actos administrativos proferidos cionário do Conselho Municipal local e construído um edifício.
navegação, foi recente- moradores da casa ora existente que pelo Conselho Municipal da Bei- da Beira, na era de Chivavice Mu- Na luta judicial cuja sentença
mente condenada pelo se encontrava alienada. ra, obrigando-se assim a que se changage. Tal funcionário identifi- saiu favorável a referida família,
Tribunal Administrativo a devolver De acordo com o acórdão número execute “operações materiais que cado na referida sentença por Pe- as partes designadamente a MSC
o talhão número 29 localizado na 183/2012, a referida empresa deve tornem possível o reingresso formal drito Raul Rocha, terá em negócios e CMB estão cientes da obriga-
rua Poder Popular na cidade da proceder a entrega efectiva e mate- e material do talhão, livre de pes- pouco transparentes trespassado toriedade do cumprimento deste
Beira, a família Esmail. rial do talhão a referida família rep- soas e bens, na sua esfera jurídica”. o referido talhão a Mediterranean acórdão que não é passível de
qualquer recurso, conforme relata-
ram fontes destas instituições que
falaram ao SAVANA na condição
de não serem identificadas, uma
aproximação entre as partes evitaria
prejuízos avultados.
Entre outros pontos, o Tribunal
Administrativo ordena o CMB a
revogar as autorizações do uso de
aproveitamento e de trespasse do
talhão acima referido, concedidos a
favor de Pedrito Raul Rocha e da
MSC, e ainda proceder a substitu-
ição dos registos anulados e cance-
lados a favor de Amina Esmail.

Comissão de
Ética apresenta
órgãos sociais
- Igualmente, este
organismo vai apre-
sentar as modalida-
des que vão nortear
a sua organização e
funcionamento
A Comissão Central de
Ética, recentemente em-
possada pela Presidente da
Assembleia da República,
Verónica Macamo, vai pro-
mover uma conferência de
imprensa nesta sexta-feira,
nas instalações deste órgão
legislativo para, dentre
vários aspectos, apresentar
os seus órgãos sociais bem
como as modalidades que
vão nortear a sua organi-
zação e funcionamento. A
colectiva de imprensa será
orientada pelo porta-voz
da Comissão, o reverendo
Jamisse Taimo.
Segundo se sabe, cabe a
esta Comissão a adminis-
tração do sistema de con-
flitos estabelecidos por Lei;
a avaliação e fiscalização da
ocorrência de situações que
configurem conflito de in-
teresses e a determinação de
medidas apropriadas para a
sua prevenção e eliminação,
incluindo a apresentação
de queixa ou participação
criminal junto do Minis-
tério Público, receber e dar
andamento às denuncias
públicas relativas a situ-
ações de conflitos de inter-
esses, devendo deliberar
sobre elas ou remete-las aos
órgãos competentes para a
promoção do procedimen-
to disciplinar ou criminal.
(Redacção)
14 Savana 08-02-2013 Savana 08-02-2013 14
NO CENTRO DO FURACÃO

O país dos cinco cortes de cabelo


Por Fernando Magalhães*
Em meados da longínqua aliados chineses (morreram mais de um aperitivo. Numa extremidade
década de 60, vivíamos nós 300 mil na guerra da Coreia) e per- havia uma espécie de salão caixa de
guntámos porquê. Aliados chineses? vidro e lá dentro, muito só, sorriso
na então Lourenço Marques, o Estávamos enganados… a guerra permanente nos lábios, estava Kim Um grande repórter:
Eugénio Lisboa presidiu a um tinha sido integralmente feita e Il-sung, mais velho e mais gordo
júri nomeado pelo Município vencida pelo povo coreano dirigido do que nas fotografias. De vez em
que me atribuiu um primeiro pelo querido líder e marechal de aço. quando um grupo de convidados
Lembro-me de incontidos sorrisos aproximava-se da parede de vidro, Fernando Magalhães
prémio de reportagem. Trat- em alguns camaradas dirigentes. Eu, fazia uma reverência e brindava. Por Eugénio Lisboa*
ava-se da minha descoberta mais do que frustrado estava sobr- O querido líder, do outro lado do
da Bolsa de Joanesburgo, na etudo preocupado. É que os meus vidro, acenava com a mão esquerda, ernando Magalhães, falecido em Lisboa, Fernando Magalhães com vista à publicação de um
Hollard Street, uma ruazinha companheiros jornalistas começa- sorria e levantava a sua taça. Depois no primeiro dia de Fevereiro, após alguns livro onde elas se acolhessem. Ver-se-ia assim mel-
vam a revelar “comportamentos o grupo brindante recuava, olhos no meses de sofrimento, foi um grande e sin- hor o que foi o trabalho de investigação e análise,
de uns 200 metros onde se pouco próprios da nossa disciplina”. chão, para dar oportunidade a out- gular jornalista. na prosa enxuta e desafiadora de um dos nossos
concentrava mais dinheiro e Sussurravam entre si como con- ros. Privei com ele, de perto, em Moçambique, grandes jornalistas (e, neste “nosso”, incluo Portugal
spiradores, ouviam-se risinhos e Pressuroso, um guia-intérprete in- nos anos sessenta e setenta e, depois, em Lisboa, a e Moçambique).
se fazia mais negócio do que
em toda a África. Decidi pois o mesmo já se passava com alguns
representantes das nossas organi-
troduziu-nos no salão caixa de vidro
(muito florido, com muitas sedas,
F
partir da segunda metade dos anos noventa. Tínha-
mos uma tertúlia mensal no concelho de Cascais, de *Ensaísta, crítico literário
homenageá-lo agora à minha brocados e aveludados) para con- que faziam parte, sempre, o Fernando Magalhães,
zações populares. Adiante.
maneira: oferecer-lhe a report- A visita estava a acabar mas faltava hecermos o grande líder em carne e o Carlos Adrião Rodrigues (antigo Governador do NdR: Fernando Magalhães começou a sua activi-
agem que na altura não tive o grande final, a festa do encontro osso. Tivemos até oportunidade de Banco de Moçambique, já falecido), o João Afon- dade como repórter na “Tribuna” de João Reis, na
a coragem de escrever, porque com o querido líder. descobrir que na zona posterior do so dos Santos (advogado na Beira e membro dos então Lourenço Marques, onde “militaram” também
Era ao fim da tarde mas foram- pescoço se notava um tumor bem Democratas de Moçambique), eu próprio, e, oca- Luis Bernardo Honwana, José Mota Lopes e José
ainda não era claro para mim grande (maior que uma bola de té- sionalmente, outros elementos (o Salvador Amaro, Craveirinha, entre outros. No período de transição,
nos buscar muitas horas antes, “a
que um jornalista não pode preparação”. Reuniram toda a del- nis ou de bilhar) que os milhões de a Joana Pereira Leite, etc). retoma à “Tribuna”de onde sai inusitadamente de-
deixar de denunciar o totali- egação, com excepção de Samora imagens do querido líder, mostradas Em Moçambique, a tertúlia era aos sábados, em pois do seu director, o poeta Rui Knopfli, ter sido
Machel, numa ampla sala de hospi- ao seu povo e ao mundo, não rev- casa do Adrião Rodrigues, e aí conspirávamos os expulso de Moçambique pelo Alto-Comissário por-
tarismo quando o descobre no
tal. Mandaram-nos despir. Depois elavam. Soube mais tarde, muito em nossos textos e disparos para A Voz de Moçam- tuguês, Vitor Crespo. Após a independência, é um
exercício da sua função. segredo, por um camarada jornalista bique e, durante algum tempo, para A Tribuna. O colaborador próximo de Jorge Rebelo, o ministro
urinámos para um tubinho. Em fila
(camaradas dirigentes à frente) com chinês que se tratava de um depósito Fernando Magalhães pecara, literariamente falando, da Informação, sendo o primeiro responsável pelo
stávamos em Março de apenas uma vez, com uma magra ficção que não teve que viria a ser a AIM (Agência de Informação de
o tubinho erguido na mão direita de cálcio não removível por se situar
1975 e eu, jornalista ex- seguimento. O seu temperamento era, sobretudo, de Moçambique). De novo em rota de colisão por não
e todos em pêlo avançámos para numa zona demasiadamente próxi-
periente, preparava-me Samora Machel e Kim Il-sung, durante a visita do antigo presidente moçambicano a Coreia do Norte jornalista e, nesse pelouro, ele era único. Lembro- concordar com as políticas adoptadas, comunica a
uma enfermaria onde um camarada ma da espinal-medula e do cérebro.
para mudar de paradigma, me de um concurso literário (que incluía a sub- Rebelo a renúncia à nacionalidade moçambicana e
ou dos EUA. Adiante. de olhos sempre no chão e muitas No dia seguinte lá fomos, muito Adiante e passemos à nossa muito coreano (julgo que médico ou en- Kim foi muito afável. Cumprimen-
como é moda dizer agora. espécie do jornalismo), em que tivemos, por uma auto-exila-se em Portugal onde entra para a RTP.
Aterrámos pois em Pyongyang com reverências, lembrando gueixas. de manhãzinha em peregrinação ambicionada visita ao complexo in- fermeiro) nos auscultava, outro via- tou-nos, disse umas palavras e até
Ia ser finalmente um verdadeiro jor-
E
nalista moçambicano, livre da odiosa
censura colonial e “engajado” (como
o aeroporto cheio de coreografias,
danças, canções e bandeirinhas e eu
Na recepção, lá estava, em grande, o
rosto sorridente de Kim, e também,
ao monumento de 20 metros de
altura, todo de bronze dourado, es-
dustrial desse “modelar país amigo”.
Tínhamos sido informados de que
nos os olhos e um outro tirava-nos
uma amostra de sangue. Aqui já se
abraçou os agraciados com a Ordem
dos Combatentes Anti-Imperialis-
razão qualquer, de congeminar um Prémio Hors
Concours, para não ficar por assinalar uma fabulosa
reportagem do Fernando Magalhães.
Quase duas décadas depois, volta a Moçambique
como correspondente da televisão portuguesa e
colabora com Joaquim Furtado na série “Guerra”,
de olhos e ouvidos bem abertos, de- fardado ou à civil, a meio corpo ou trategicamente colocado em frente nos seriam mostradas moderníssi- ouviam reclamações algo coléricas, tas. Minutos depois, com excepção
se dizia então), na missão de infor- Entre nós, ele recortava o perfil de um personagem um premiado trabalho de investigação onde, entre
sejoso de aprender. Sabia apenas que corpo inteiro, em todas as paredes. à Biblioteca Nacional e Museu da mas fábricas, muitas quais, pelo seu não só de alguns dos meus jornal- de Samora Machel, que permane-
mar, defender, educar e ser educado peculiar: objectivo, friamente analista, raramente outras situações, são passados depoimentos pondo
a cidade tinha sido completamente Nos longos corredores a caminho Revolução. valor estratégico e a sempre presente istas como também de camaradas ceu a conversar com Kim, fomos
pelo meu povo, libertado pela Freli- dava escape aos ventos da indignação: mais depressa em causa a versão da Frelimo sobre o denominado
arrasada por bombardeamentos aé- dos quartos, de três em três metros, Perguntámos ao guia quantos livros ameaça do imperialismo ianque, “altamente responsáveis”, nomeada- devolvidos ao salão de festas para o
mo. Era o meu velho sonho tornado se inclinava a um desprezo distante do que a uma “Massacre de Mueda” e o ataque ao posto de Chai.
realidade. reos americanos durante a guerra da multiplicavam-se as imagens do havia na biblioteca. Disse-nos que funcionavam dentro de galerias mente de um famoso comandante da convívio possível.
O último banquete foi opíparo e fúria incontida. Escondia o tu-
Este trabalho, melhor, esta missão, Coreia e que, sobre as ruínas, Kim querido líder e à entrada de todos os mais de um milhão. De que tipo? enormes, escavadas em montanhas. guerrilha (ainda não havia generais multo das emoções no exercício de
Il-sung erguera uma urbe que pre- quartos havia uns quadrinhos com Todos escritos pelo querido líder ou Aí já ia também parte da delegação da Frelimo e ainda se acreditava que muito brindado, tanto por nós como
de cobrir a visita do presidente (ain- uma ironia que se alcandorava, por
tendia socialista, moderna e exem- um miúdo a perorar a outros miú- sobre o querido líder e com muitas política e não apenas nós, pobres no “nosso exército popular” não se- por eles. De tal forma que o nosso
da só da Frelimo) Samora Machel, vezes, até ao nível do humor negro.
plar. dos e a graúdos que o ouviam entre traduções. Julgámos ouvir mal. Um jornalistas. O meu amigo “camarada riam necessárias patentes) exigindo guia-intérprete acabou por se deixar
aos “países amigos e irmãos” da A sua prosa era secamente acuti-
À entrada da cidade, o guia core- espantados e veneradores. Alguém milhão e só sobre Kim Il-sung? O dirigente altamente responsável”, explicações. Tudo para o nosso bem, enredar num debate sobre a necessi-
República Popular da China e da lante, às vezes, subtilmente per-
ano apontou-nos um enorme cartaz dos nossos perguntou o que é isto guia confirmou, feliz. E então não depois de me ouvir alguns reparos explicavam os guias intérpretes, já dade de democracia no socialismo.
República Popular Democrática versa, nunca romântica. Recente-
que vínhamos da guerra no mato e Será que isso acontecia no “juche”?
da Coreia, enchia-me de orgulho. com a efígie de Kim e explicou-nos camarada? e a resposta veio rápida: há nada de Marx, Lenine, Mao? sobre aquela estranha forma de so- mente, ofereceu-me, num gesto de
poderíamos ser portadores de doen- De toda a argumentação do cama-
Além do mais fora-me confiada a em mau castelhano: Ali está escrito, ilustram a história do nosso querido Que não, não eram necessários. Es- cialismo, tranquilizou-me: “Culto amiga homenagem, uma reporta-
rada guia-intérprete a provar que a
responsabilidade de chefiar a dele- bem-vindo a Pyongyang a cidade líder e marechal de aço, ainda crian- tavam ultrapassados pela filosofia da personalidade, especificidades ças que assim seriam detectadas e gem saborosamente mortífera
RDPD era um verdadeiro estado
gação de jornalistas moçambicanos. onde já foi instalado o verdadeiro ça mas já divulgando a linha política “juche”do querido líder. do socialismo asiático; já discutimos tratadas. Adiante. A fila lá seguiu acerca de uma viagem à Coreia
democrático, lembro-me bem de
O Boeing da CAAC (Linhas Aé- comunismo. Alguém lá de trás da correcta. Mais resmungos “pouco próprios isso entre nós. Agora é que a visita nuazinha (éramos só homens, julgo do Norte, quando Samora Machel
um exemplo decisivo: no país de
reas da RPC) deslizava suavemente carrinha, acho que o Miguéis Lopes Chegado finalmente ao meu belo da linguagem do nosso partido” e vai começar. Abre os olhos”. que as poucas camaradas estavam, era ainda vivo e Presidente. O
Kim Il-sung, qualquer camarada
sobre as nuvens aproximando-se de Jr. ou o Albino Magaia, rosnou: o aposento, lá estava ele, fitando-me lá fomos, numa longa coluna au- Estávamos preparados para uma algures, a ter tratamento igual) por texto é de uma maldade saudável
podia escolher entre cinco cortes de
Pyongyang quando um “camarada comunismo não foi instalado em de frente, de trás e de lado, umas vez- tomóvel a velocidade desenfreada longa visita ao campo mas acabá- um corredor onde subitamente se e ferina, digna dos melhores mo-
cabelo! Confirmei mais tarde que
dirigente altamente responsável” lugar nenhum do mundo, camarada, es como querido líder, outras como por largas avenidas vazias, visitar mos num imponente edifício no desencadeou um chuveiro infernal mentos do ( Jonathan) Swift de “A
era verdade.
se veio sentar ao meu lado e me ainda estamos na fase da edificação marechal de aço. Sorridente, olhava- a cidade “onde já fora edificado o centro de Pyongyang. Lá dentro de água com desinfectante. Alguns Modest Proposal”.
Quanto à reportagem, nunca a con-
disse com convicto: – Agora vais do socialismo. E o guia solícito a me também da primeira página do verdadeiro comunismo”. Era a hora apresentaram-nos “algumas das berros e alguma desorganização, O Fernando escondia, com pudor,
segui escrever. O mesmo aconteceu
conhecer um país socialista verda- replicar que não, não, não, no nos- jornal nacional, à minha espera na das crianças irem para as creches ou gigantescas fábricas”. Estavam de como acontece com as vacas quando os seus afectos e só em raros mo-
com a maioria dos outros jornalistas.
deiramente organizado, talvez mais so país o querido e glorioso líder secretária. Ao lado, uma avantajada escolas, todas muito organizadas, de facto escondidas em montanhas tomam o primeiro banho carracici- mentos – e sempre “defendendo-
Ficaram-se pelas fotos, com umas
organizado que a China ou a RDA e marechal de aço Kim Il- sung já resma de 10 ou 11 calhamaços (em mãozinha dada, lencinho vermelho de papelão dentro de grandes vit- da. Depois toalha felpuda, secagem se” com o apetrecho da ironia –
legendazinhas de circunstância. Não
(antiga República Democrática construiu o verdadeiro comunismo! português) com o seu nome e efígie de “pioneiras” ao pescoço, em inter- rines. Um camarada carregava num e devolução das nossas roupas, ainda deixava escapar um sinal de maior
tenho dúvidas que aquela viagem
Alemã). Toma atenção que vais A réplica veio noutro rosnanço do explicando a sua filosofia “juche” (da mináveis filas, professores à frente botão e a montanha abria-se. Mais quentes, impecavelmente engoma- entrega. Mas era um ser raro e a
foi extremamente pedagógica para
aprender muito. género, este camarada é parvo ou auto-suficiência). (lindo!) e cantando (informou-nos um toque revelava-nos zonas com das. Lembrei-me das palavras do sua morte deixa, na nossa ter-
todos, que foi o que eu disse ao meu
Devo referir que este então “cama- quê? Mas do que víamos, lá que a Desesperado e ansioso por descan- o guia) odes ao querido líder. Visitá- maquinazinhas a trabalhar e bone- meu “amigo camarada altamente re- túlia, um feio buraco negro. Não
amigo, então camarada altamente
rada dirigente altamente respon- cidade era bonita, isso era. sar os olhos, escancarei a janela do mos uma das creches. Danças e mais quinhos cumprindo a sua função sponsável” sobre a exemplar organi- há muito, partira de nós o Adrião
responsável.
sável” – ainda hoje meu amigo, acho Chegámos ao belo hotel e sobre quarto. Caía a noite e sobre a ci- canções (já não perguntámos nada) de operários. A visita acabou com zação norte-coreana. Ali estava ela. Rodrigues: duas presenças insub-
Lisboa, Dezembro de 2010 stituíveis.
eu, era dos poucos a tratar-me por a entrada, bem em grande, muito dade pairava um silêncio estranho, e depois, para todas, uma sessão de a reconstituição de algumas das E chegou o grande momento. No
tu. Para os outros, como estava es- grande, sorria-nos a imagem de Kim inédito numa capital. Lá em cima, tiro com espingardinhas de pressão, grandes batalhas vencidas pelo que- enorme salão de festas do palácio Seria interessante – e reco-
*texto oferecido a Eugénio Lisboa,
tabelecido e mesmo que fôssemos Il-sung. Solícito, o pessoal não nos dominando Pyongyang, qual Cristo tendo como alvos o “cachorro presi- rido e glorioso líder e marechal de da Assembleia Popular esperavam- mendável – que, num qualquer de-
como homenagem de amizade. Foi
velhos conhecidos, eu era o “cama- deixou levar as malas. Eles de fato à do Corcovado, resplandecia envolv- dente imperialista americano” (lá aço contra o imperialismo. Lembro- nos muitas centenas de altas enti- partamento universitário, alguém
publicado no livro “Eugénio Lisboa
rada Magalhães”. Claro que havia Mao, com um bem grandinho “pin” ida em focos luminosos a estátua estava ele caricaturado) e o navio me de muitas luzinhas a apagar e a dades, claro que todas com o seu - Vário, Intrépido e Fecundo. Uma
se dispusesse a fazer ou mandar
outra excepção, mas Samora Machel do querido líder no peito. Elas, de do querido líder. O que vale é que espião americano “USS Pueblo” que acender e, acho eu, canhões, carros “pin” do grande líder. Como em Homenagem”(pag. 121 a 126), editado fazer um inventário exaustivo
longo vestido tradicional, em cetim o jantar, como todos os outros, foi anos antes tinha sido capturado pela de combate e soldados em miniatu- qualquer reunião burguesa falava- pela Operaomnia em 2011 e promovido dos trabalhos de reportagem de
tratava todos por tu, do guerrilheiro
analfabeto, ao embaixador da URSS com florinhas, com o mesmo “pin”, óptimo e muito bem brindado. marinha norte-coreana. ra. Não havia qualquer referência aos se (aqui sussurrava-se) e bebia-se pela Universidade de Aveiro.
16 Savana 08-02-2013
INTERNACIONAL

Editora constituída arguida por publicar


livro de Rafael Marques
- Jornalista activista angolano, arguido no mesmo processo, é o autor de Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola, que a
editora publicou em 2011.

Q
uando soube da investi- nenhuma apreciação do caso. “Ndalu”, deputado do MPLA no
gação do jornalista e ac- “Um erro”, segundo a defesa poder e presidente da empresa sul-
tivista angolano, Rafael Seja como for, diz o advogado: “Este africana de diamantes De Beers em
Marques, sobre crimes processo parece-me um erro.” Um Angola, e dois generais, Armando
contra populações nas erro, no sentido em que poderá vir a da Cruz Neto e João de Matos,
zonas de extracção de diamantes das confirmar com maior alcance públi- que ocuparam o cargo de chefe do
Lundas, em Angola, Bárbara Bu- co os factos expostos no livro. E um Estado-Maior General das Forças
lhosa, responsável da editora Tinta erro, considera, de quem interpôs a Armadas Angolanas.
da China, não teve dúvidas de que queixa-crime: nove queixosos, sete Com uma acusação, haverá jul-
queria publicar esse trabalho em generais e as duas empresas de se- gamento
forma de livro. Fez as diligências gurança de que são accionistas e que Pela defesa, José Manuel Mesquita
para verificar factos e ficou convicta operavam nas zonas diamantíferas não arrisca antecipar uma decisão
da sua veracidade. em Angola – Sociedade Mineira do do MP, mas lembra que a difamação
Relatórios internacionais e teste- Cuango e TeleService (esta última, não é punível desde que os factos im-
munhos de vítimas apontavam num entretanto, abandonou a zona de ex- putados sejam verdade ou mereçam
mesmo sentido: graves violações de tracção de diamantes). credibilidade por parte do autor ou
Rafael Marques, jornalista e activista angolano, um dos mais incómodos para o
direitos humanos estavam, há vários regime de Luanda O advogado do escritório PLMJ, de do editor. E isso está garantido, as-
anos, a ser cometidas por empresas José Miguel Júdice, que representa segura. Existem relatórios internac-
de segurança contra as populações no Departamento de Investigação este é “um processo político de in- os generais angolanos e as duas em- ionais e testemunhos locais a con-
indefesas com a conivência de gene- e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, timidação” e uma “pressão sobre presas de segurança, João Medeiros, firmar a realidade descrita no livro,
rais em Angola. Publicou. E, por ter perguntaram-lhe como tinha con- todos os editores a quem possam confirmou ao PÚBLICO que a que- que, por outro lado, “merece toda a
publicado, foi constituída arguida, hecido Rafael Marques e por que se chegar manuscritos sobre questões ixa-crime foi interposta em Março credibilidade do autor e da editora”,
por difamação e injúria, no mesmo interessara pelo seu trabalho. sensíveis e em que estão envolvidas de 2012, em Portugal, país onde o acrescenta. Pela acusação, João Me-
processo em que também Rafael Para a editora, o importante, no mo- pessoas com muito poder”. livro foi editado, e que, entre os que- deiros limita-se a dizer: “Vamos ver.”
Marques é arguido. mento de publicar o livro, foi dar a A editora fica com termo de identi- ixosos, está o general Hélder Vieira No caso de o MP deduzir acusação,
Diamantes de Sangue: Tortura e conhecer uma situação “de extrema dade e residência até o Ministério Dias “Kopelipa”, ministro de Estado o advogado de Bárbara Bulhosa não
Corrupção em Angola, que vendeu gravidade, que não era conhecida e Público (MP) decidir se deduz ou e chefe da casa militar da Presidên- pedirá a instrução do processo (que
até agora cerca de sete mil exem- que estava a acontecer”. “Para mim, não acusação. Mas, tal como expli- cia da República. (É uma das mais ainda daria hipótese ao arquivamen-
plares, traça um retrato implacável [a opção de publicar o livro] não cou o advogado Manuel Magalhães influentes figuras em Angola e do to do mesmo). “Vamos logo para ju-
da vida nas zonas de exploração dia- tem nada a ver com Angola. Podia e Silva, quando Rafael Marques, seu círculo mais íntimo do chefe de lgamento.” Será uma forma de expor
mantífera das Lundas, no Nordeste ser noutro país qualquer”, disse ao cliente, soube em Dezembro que Estado, e uma das figuras visadas a verdade, sugere: “Se querem ques-
esquecido do país. Por isso mesmo, PÚBLICO. “O que me interessava era constituído arguido, também o por um inquérito-crime aberto na tionar a veracidade dos factos, vamos
o assunto interessou a Bárbara Bul- era a questão dos direitos humanos advogado de Bárbara Bulhosa, José Procuradoria-Geral da República ver a veracidade dos factos.”
hosa, enquanto editora. Quinta-fei- e a denúncia de situações terríveis Manuel Mesquita, explica que, na em Portugal, por branqueamento de *Artigo retirado da edição de 31
ra, 31 de Janeiro, quando foi ouvida para as populações.” Considera que abertura de um processo, os visados capitais e fraude fiscal). de Janeiro do Público editado em
são sempre constituídos arguidos, Entre os queixosos, estão também o Lisboa. Título da responsabilidade do
não resultando essa designação de general António dos Santos França SAVANA

Autoridades angolanas
suspendem actividades da IURD França tenciona retirar forças no Mali

A O
número de soldados fran- “Por isso nós vamos, progressiva- A França iniciou sua operação mili-
s autoridades angolanas No comunicado citado pela à Lusa, ceses no Mali deve come- mente, passar o bastão à Misma tar no Mali no dia 11 de Janeiro para
suspenderam as activi- anuncia-se ainda que a Procurado- çar a diminuir “a partir (Missão Militar Africana, nr). Nós bloquear uma ofensiva para o sul de
dades da Igreja Univer- ria Geral da República vai “apro- de Março, se tudo correr mesmos vamos continuar a agir no grupos armados islamitas que con-
sal do Reino de Deus fundar as investigações e a con- como previsto”, declarou norte, onde ainda há focos terroris- trolavam o norte havia mais de nove
(IURD) e interditaram sequente responsabilização civil e o chefe da diplomacia francesa, Lau- tas”, acrescentou. meses.
os cultos e demais actividades de criminal”. rent Fabius, numa entrevista conce- Esta força africana deve chegar a cer- Desde então, as grandes cidades do
outras seis igrejas evangélicas, não A Comissão de Inquérito (CI) dida ao jornal Metro e publicada nes- ca de seis soldados, sendo que apenas norte, Gao e Timbuktu, foram reto-
legalizadas. concluiu ainda que as mortes se ta quarta-feira. dois já estão no Mali. Um contingente madas. Em Kidal, no extremo nor-
A suspensão das actividades da deveram à superlotação no interior “Acredito que a partir de Março, se distinto de dois mil chadianos já foi deste do Mali, os soldados franceses
IURD é uma das conclusões da e exterior do Estádio da Cidadela, tudo correr como previsto, o número quase que totalmente mobilizado. controlam o aeroporto, enquanto
Comissão de Inquérito nomeada causada por “publicidade engano- de tropas francesas deve diminuir”, “Uma primeira fase foi cumprida, de a cidade é patrulhada por cerca de
pelo Presidente José Eduardo dos sa”. declarou Fabius. forma muito eficaz, para bloquear os 1.800 militares chadianos, segundo
Santos, na sequência da morte Dias antes da cerimónia, a IURD A França tem mobilizados actual- grupos terroristas e reconquistar as ci- Paris.
de 16 pessoas, por asfixia e es- espalhou profusamente, por Lu- mente no Mali cerca de 4.000 sol- dades” do norte, declarou Fabius. Ainda nesta terça-feira, pela primeira
dados. “Os grupos narcoterroristas foram vez as autoridades francesas apre-
magamento, no passado dia 31 de anda, publicidade ao evento, que
“A França não tem a intenção de ficar contidos, graças aos ataques. Mas sentaram um registo dos combates
Dezembro, na capital angolana. designou de “Dia do Fim”, na qual
de forma duradoura no Mali. Os af- ainda pode ser que haja acções indi- que opõem soldados da França e do
O culto, denominado “Vigília do convidava todos a “dar um fim a ricanos e os próprios malianos é que viduais. É preciso permanecer alerta, Mali e islamitas em território. “Várias
Dia do Fim”, concentrou dezenas todos os problemas”, designada- devem ser os garantes da segurança, tanto no Mali como nos países vizin- centenas” de combatentes islamitas
de milhares de pessoas que ultra- mente “doença, miséria, desem- da integridade territorial e da sobera- hos. Cada um deve ter em mente que morreram em mais de três semanas
passaram, em muito, a lotação au- prego, feitiçaria, inveja, problemas nia desse país”, afirmou o ministro o risco ainda está presente”, acrescen- de intervenção militar.
torizada do Estádio da Cidadela. na família, separação,dívidas”. das Relações Exteriores. tou Fabius. (Redacção e AI)
Savana 08-02-2013 17
INTERNACIONAL

O “pânico e o terror caminham de braços


dados” na Guiné-Bissau
L
iga Guineense dos Direitos nidade Económica de Estados da
Humanos considera que Es- África Ocidental), um efectivo de
tado e cidadãos estão “reféns” mais de 600 militares instalados em
das Forças Armadas. E que Bissau após o golpe, “não protegem
com o golpe do ano passado ninguém a não ser os golpistas”, de-
o país foi empurrado para a sua “fase nuncia a Liga.
mais obscura” desde a liberalização O estado a que a Guiné-Bissau
política. chegou tem raízes profundas. A Liga
A Guiné-Bissau tornou-se um país considera que a “impunidade foi in-
onde “o pânico e o terror caminham stitucionalizada” desde o conflito
de braços dados” e a população vive político-militar de 1998, como prova
“entrincheirada” no receio de “novas o facto de “os autores morais e mate-
violências”. A sociedade guineense riais das sucessivas convulsões políti-
vive num “clima de insegura e am- cas e militares”, que na maior parte
argurada impotência e refém de uma dos casos culminaram com perda de
classe política e castrense dividida, vidas, continuarem impunes. Exem-
imprevisível e violenta”. plo disso são os casos dos assassina-
O quadro é traçado pela Liga tos do Presidente da República, João
Guineense dos Direitos Humanos no Bernardo Vieira, e do chefe de Esta-
seu relatório bienal, apresentado esta do Maior, Baptista Tagme Na Waie,
Militar pontapeando um activista dos Direitos Humanos na Guiné Bissau
quinta-feira em Bissau. É o primeiro em Março de 2009.
retrato que a organização faz do país apresentação do anterior relatório, política como consequência da cróni- poder” por militares. Os “desmandos” “A corrida desenfreada ao poder, o
desde o golpe de Estado de Abril o país sofreu duas alegadas tenta- ca instabilidade”. levam a Liga a considerar as Forças enriquecimento ilícito decorrente do
do ano passado. Mostra uma Guiné tivas de golpe, em Abril de 2010 e São historiados episódios de violên- Armadas como a “principal ameaça à tráfico de drogas, a não subordinação
em que “os cidadãos e o Estado” es- em Dezembro de 2011, e o golpe cia, assassinatos e detenções arbitrári- paz e estabilidade”. das forças armadas ao poder político
tão “reféns de uma estrutura armada consumado de 12 de Abril, antes da as, quer antes quer depois do golpe O golpe de 12 de Abril, “expressão e consequentes atentados recorrentes
obsoleta, repressora e violenta” – as segunda volta das eleições presiden- que afastou o Governo de Carlos máxima da intriga política e da tu- à ordem constitucional criaram bases
Forças Armadas. ciais. Foi um tempo “marcado mais Gomes Júnior, num contexto de “im- tela militar sobre o poder político”, para a anarquia e desordem que têm
No período que decorreu desde a uma vez pelos assassinatos de índole punidade generalizada” e de “abuso de “empurrou o país para a fase mais desestruturado claramente os alicerc-
obscura e de imposição de terror da es do Estado”, denuncia a Liga.
sua existência enquanto Estado após Tornaram-se comuns as “sucessi-
a liberalização política” iniciada com vas interferências” dos militares que,
as eleições multipartidárias, em 1994. “aliadas ao clientelismo, à corrupção
“Instalou-se no país um clima de au- e à impunidade foram e continuam a
têntica afronta aos direitos humanos”, ser obstáculos à consolidação das in-
denuncia a Liga. O tráfico de droga, stituições”, agravaram o clima de se-
que se tornou marca da Guiné, “au- gurança e fizeram fracassar substan-
mentou significativamente atingindo cialmente os esforços internacionais
proporções alarmantes”. para a estabilização”.
Para os defensores dos direitos hu- O “contrabando de estupefacientes”,
manos, o golpe, liderado pelo chefe que, segundo diferentes denúncias,
de Estado Maior, António Indjai, incluindo das Nações Unidas, se gen-
“traduziu-se no maior retrocesso so- eralizou “com o cunho e protecção de
cial dos últimos anos”. Levou a que alguns efectivos ao mais alto nível das
se tivesse instalado um “clima de au- Forças de Defesa e Segurança” é con-
têntica afronta aos direitos humanos siderado o “principal factor da insta-
e de ameaças sérias à consolidação da bilidade política”. As ligações entre
paz e do Estado de direito”. “certos elementos das forças armadas
A situação “agravou-se ainda mais” e as redes de tráfico de droga, servem
com o anúncio de um “suposto ataque” de mecanismos adicionais pelos quais
de militares a uma unidade de elite, oficiais superiores têm vindo a con-
os pára-comandos, a 21 de Outubro, solidar o seu poder”.
que provocou a morte de seis pessoas. Os problemas que preocupam a or-
Esse episódio “serviu como pretexto ganização de direitos humanos vão
para as autoridades militares e os seus além do campo político-militar. Os
comparsas políticos desencadearem indicadores “alarmantes” na saúde,
acções de execuções extrajudiciais, educação e justiça no país africano de
detenções ilegais, espancamentos e 1,5 milhões de habitantes são anali-
torturas dos cidadãos e adversários sados detalhadamente. Bem como os
políticos com o objectivo de silen- efeitos da “inoperância” das autori-
ciar as vozes críticas”. Dois políticos dades face a situações como a muti-
anti-golpe, Iancuba Indjai e Silvestre lação genital feminina, o casamento
Alves, foram raptados e brutalmente precoce, a violência sexual e domés-
espancados. Cinco civis e militares, tica, o tráfico de seres humanos ou o
acusados de participação no alegado desrespeito dos direitos das crianças.
ataque, foram assassinados. A Liga Para a Liga, “a única saída” para a
diz ter informações, “de fontes fide- quebrar o “ciclo vicioso” da instabili-
dignas”, de que os seus dirigentes, dade e das “violações sistemáticas” de
particularmente o presidente, Luís direitos humanos passa por “reformas
Vaz Martins, constam de uma “lista sérias” nas forças armadas.
negra”. Carmelita Pires, ministra da Justiça
da Guiné-Bissau entre 2007 e 2009,
membro da Liga Guineense dos Di-
Medo e impunidade reitos Humanos, disse ao PÚBLICO
“Vive-se um clima de tensão, de que o relatório procura identificar
medo generalizado, de terrorismo do os “entraves ao funcionamento das
Estado contra os seus próprios ci- instituições democráticas”. Questio-
dadãos”. O relatório denuncia alter- nada sobre o tipo de reacção que a or-
ações ao nível dos comportamentos. ganização espera do actual poder em
“As pessoas, que outrora defendiam Bissau disse: “Espero que não suscite
de forma intransigente e imparcial outra que não seja a de considerar o
os direitos cívicos, estão relegadas relatório um elemento de protecção
ao silêncio, pois paira sobre elas a dos direitos humanos, que sirva de
ameaça, por parte de um esquadrão motivação para a comunidade in-
de morte e tortura, [de] acabarem ternacional e para o próprio Estado
inutilizadas por causa dos espanca- da Guiné nesta fase de transição e
mentos desumanos ou acabarem na no período de normalização da vida
morgue”. democrática”. (Publico)
18 Savana 08-02-2013
OPINIÃO

EDITORIAL Cartoon
A tragédia da água e o
abuso do meio ambiente
A natureza não tem sido simpática para Moçambique. As chuvas que nor-
malmente caiem nesta altura do ano deixaram desta vez um rasto de danos
materiais, mataram pessoas e, no caso de Chókwè, a cidade ficou completa-
mente submersa. Estradas e pontes ficaram danificadas, pondo em causa a
circulação de pessoas e de mercadorias.
O atraso que isso representa para a economia nacional e para o bem estar das
pessoas ainda está por ser contabilizado, mas não restam dúvidas que foi um
grande abalo.
É certamente o resultado das mudanças climáticas, que sobre países vulne-
ráveis como Moçambique se repetirá nos próximos anos. E é sobre isto que
devemos fazer uma análise fria e desapaixonada sobre como lidamos com o
nosso meio ambiente.
A vulnerabilidade de Moçambique é definida pelos relevantes fóruns das Na-
ções Unidas que lidam com questões ambientais e das mudanças climáticas.

3M
Moçambique torna-se vulnerável devido à sua localização ao longo da costa,
com uma parte considerável do território nacional situado em zonas de pla-
nície, onde os principais rios da região fazem a sua última viagem em direcção
ao mar. Países insulares também cabem na definição de vulnerabilidade devi-
do aos ventos fortes que ciclicamente os fustigam no meio do mar.
Por Venâncio Mondlane Jr

N
Mas, a maior vulnerabilidade surge na sequência da forma como os seres hu-
manos lidam com a natureza. Moçambique é um exemplo clássico da vio- este texto interessam-me as realmente se sabe, de determos mais Como disse um grande evangélico,
lência que o ser humano inflige sobre a natureza, devido a decisões políticas qualidades humanas mais cultura, mais informação e melhor nenhum ser humano tem capacida-
que tornam o nosso eco-sistema extremamente vulnerável, com as trágicas quotidianas, mais vulgares, raciocínio. A mentira pode ser com- de de controlar o que sente o cora-
consequências como as que temos estado a testemunhar desde Janeiro.
mas que revelam com certa parada a um tubo de escape quebrado ção. Partindo desta premissa, a única
Estamos todos falados da selvática devastação das florestas moçambicanas
profundidade, os amontoa- em vários pontos, em que os gases são coisa que está sob nosso controlo é a
para alimentar a indústria internacional de madeira. As nossas árvores saem
dos de lixo no interior do ser humano. libertos fora do percurso previsto pelo expressão da vontade por palavras. A
tranquilamente a partir dos nossos portos sem o devido processamento que
Tais qualidades chamá-las-ei de os inventor da viatura. Adaptando esta teoria da atracção resolve esta ques-
lhes poderia adicionar valor. Tudo isto acontece aos olhos de quem deveria
tomar medidas para reverter a situação, mas que prefere acautelar interesses três molwênes: 3M. Vamos a elas: analogia ao nosso corpo, diríamos que tão magistralmente. Quanto mais
políticos e preservar o seu lugar privilegiado na mesa do poder. o tubo de escape quebrado é o nosso palavras de mansidão pronunciares,
A ocupação desordenada de espaços públicos, muitas vezes com a anuência MENTIRA coração e o inventor é Deus. Mentir tanto mais probabilidades tens de im-
das autoridades ou pelo menos com a conivência destas, tornou-se na ordem Parece-me um dos mais antigos vícios é, portanto, uma opção, voluntária, em pulsionar um coração manso, no con-
do dia em Moçambique, onde assentamentos humanos tomam lugar sem a da alma humana. Nos relatos sagra- ajustar-se ao Bem ou ao Mal. trário, quanto mais expelires palavras
necessidade de observância das melhores práticas universais de ordenamento dos mais longínquos, foi a mentira A par da mentira quotidiana existe a incendiárias, brasas tomam conta do
urbano. Nos grandes centros urbanos, tudo quanto é espaço livre é local para responsável pela expulsão do Homem mentira estruturada. Muito matreira, teu coração queimando-o, instalando
betão. Espaços verdes, que contribuam para um meio ambiente mais são, não do Jardim do Éden. Podemos afirmar dissimulada, uma verdadeira maestra nele a frouxidão e a porta de entra-
produzem dinheiro. que o verdadeiro sustento do pecado do carnaval mascarado. Esta é progra- da para o stress, depressão, aumento
Também é comum a edificação de infra-estruturas habitacionais ou para o original foi justamente a mentira. mada, feita com cálculo, recheada de da pressão arterial etc. Se involunta-
desenvolvimento de actividades económicas em locais que são cursos naturais Em consequência desta origem que detalhes e munida com recursos pré- riamente murmurares, no segundo
de água. E é assim que quando as chuvas caiem em grande quantidade a água, se perde no tempo, podemos dizer vios para a sua autodefesa. É o tipo de seguinte nada te impede de sorrires e
encontrando o seu caminho natural barrado, provoca os estragos a que já sem muito risco, que a mentira foi-se mentira que normalmente tem planos abafar tudo com uma palavra caridosa
estamos há muitos anos habituados. consolidando no ser Humano, quase alternativos A, B, C…etc. no teu espírito.
A edificação dessas infra-estruturas poderia minimizar os danos se ela fosse Foi a mentira estruturada que colocou
como um elemento instintivo. Quase
antecedida de trabalhos de arruamento, parcelamento e construção de canais José Sócrates numa polémica acadé-
congénita. Se a ave tem instinto de MALDIZER
de evacuação das águas, o que geralmente não acontece. Cada interessado mica por nós muito bem conhecida;
voo, o homem tem-no de mentir. É Traço peculiar dos nossos tempos é o
ergue a sua obra seguindo critérios próprios e diferenciados.
como se a mentira fosse uma iguaria foi esta mesma mentira, o plágio, que hábito, quase generalizado, de se dizer
Os bairros periféricos das nossas grandes cidades são autênticos centros de
que podemos consumir, gratuitamen- levou, Karl-Theodor Zu Guttenberg, mal dos outros. Falar mal de alguém,
imundice e de um valente atentado contra a saúde pública. Concebidos pelos
te, em cada esquina. o ex-Ministro da Defesa da Alema- seja por que razão for, passou a uma
colonos para albergar a mão-de-obra indígena, estes locais já não deveriam
Interesse particular tem a mentira nha a demitir-se; Em Moçambique espécie de ritual obrigatório. Parece
continuar a serem habitados por seres humanos nas condições em que se
encontram. Nestes bairros, sem quaisquer sistemas de evacuação, qualquer quotidiana, aquela que normalmente as cábulas e a fraude académica atin- impossível entabular-se uma conversa
emergência tornar-se-á, num destes dias, numa tragédia de proporções que acompanha as nossas conversas di- giram o estatuto de legal. Na política descontraída, isto é, não formal, que
serão agora difíceis de prever. árias, nos intervalos do trabalho, na ela atinge o auge nas campanhas elei- se estenda para além de 15 minutos,
As autoridades municipais que foram eleitas para gerir estes locais terão todos copa, nos cafés, bares, nas caminhadas, torais. Na estética física, nos salões de sem que não se faça uma vítima de
os argumentos na face da terra para justificar a sua falta de acção, incluindo a enfim, nas nossas conversas normais e beleza e nos centros de bate-chapa e uma pontiaguda má-língua.
lendária expressão de que “não temos dinheiro”. habituais. Dizer de alguém e de um pintura corporal. Este hábito está de tal maneira en-
Não constitui novidade a ocupação ilegal de espaços livres — em alguns casos assunto algo original e novo, impele a cravado na nossa mente e no nosso
em locais onde os residentes já foram indemnizados para os abandonar — inventar factos e fenómenos, só para MURMÚRIO quotidiano, que mal podemos aceitar,
mas que passa impune somente porque as autoridades receiam que qualquer alimentar a ocasião. Portanto, a men- A viagem de 60 dias rumo à terra sem agravos, que acontece connosco.
acção de repressão contra os prevaricadores resultará na perca de votos nas tira quotidiana, é sempre ocasional, prometida, durou 40 anos devido aos A reacção natural é: eu não minto,
próximas eleições. transitória e não muito estruturada. É murmúrios dos hebreus liderados por eu não murmuro, eu não digo mal de
Moçambique nunca conseguirá gerir de forma segura o caudal dos rios que sustentada por um défice de conheci- Moisés. Muitos deles morreram sob ninguém. Isto dito com uma espon-
atravessam o seu território em direcção ao mar, enquanto não for capaz de mento ou por uma forte ansiedade de o tórrido brasido do deserto. O mur- taneidade, com uma convicção quase
construir sistemas de retenção de água para uso na agricultura em momentos camuflar esse défice. Particular pico a múrio é justamente isto, uma espécie infantil, que, sem exagero, podemos
de seca e libertação controlada em momentos de abundância de chuvas. E mentira atinge no ambiente de copos, de baptismo de fogo, que vai quei- dizer que é a justificação sonâmbula,
enquanto isso, o país continuará a ser vítima das águas que vêm dos países vi- que hoje se está convertendo em ele- mando, chamuscando tudo até nos um bloqueio mental. Instintivamen-
zinhos à montante, que se libertam da água em excesso quando chega a época mento da nossa cultura, propagando- tornar irreconhecíveis. Murmúrios te, defendemo-nos. É uma muralha
chuvosa. É verdade que a construção destes sistemas de retenção de água re- são reflexo de um esgoto interrom-
-se como um verdadeiro enxame, cujo construída para que não vejamos ao
querem avultados montantes em dinheiro, mas também é possível equacionar
zumbido vai se agravando a medida pido, de uma ruptura na tolerância e longe a luz que nos pode libertar.
pequenos sistemas privados, construídos nas propriedades agrícolas que se
que o cérebro é cavalgado pelo álcool. na compreensão. É a fera que ainda Mais interessante, é que somos nós
encontram nos vales ao longo dos rios. Estes sistemas são relativamente mais
Uma das motivações da mentira quo- habita no homem e que rosna contra mesmos os defensores dessa muralha
baratos, mas a sua execução deverá contar com o envolvimento do governo,
que deve disponivbilizar o equipamento de escavação, a troco de contraparti-
tidiana, parece-me, inelutavelmente, a humanidade. que nos oprime. O ser humano mais
das negociadas com os agricultores privados situados nessas zonas. a vaidade. A vaidade de querer de- Mas existe uma forma prática de aca- se dispõe a defender uma opressão
monstrar que sabemos mais do que bar com o murmúrio? Claro que sim! vaidosa que a liberdade humilde.

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Savana 08-02-2013 19
OPINIÃO

Meu ser original R5 0)(5),-L

Que tal uma rusga?


D
e forma recorrente, ouço a deslocar-se ao referido mercado Muitos estão “carecas” de saber da incrementar o orçamento quantas a polícia teme mostrar-se actuante.
pessoas questionarem a e que ao localizar o seu bem a se- exiguidade de meios circulantes vezes forem necessárias para termos Os moçambicanos, por exemplo,
manutenção do merca- nhora negociasse o preço e fizesse para uma resposta rápida as neces- agentes da lei e ordem motivados e saberiam que indo ali a Julius Nye-
do do Estrela Vermelha, tempo durante as negociações até sidades que a manutenção da lei e com os meios indispensáveis para o rere, no edifício da Segunda Es-
mercado informal para que eles chegassem ao local para ordem impõem. cabal exercício da sua missão. Não quadra para meter uma queixa de
uns e negro para outros, uma vez apreenderem a dita lona. Estupe- Nalgumas zonas, chega-se a exigui- estou com isso a sugerir que tendo qualquer ordem lá encontrariam
que, a luz do dia, são comerciali- facta, mas sentindo que aquele era o dade de cursos humanos para cobrir os meios aqueles sirvam a um grupo agentes motivados e cientes das
zados produtos de vária ordem cuja único meio apontado pelos agentes essa área de jurisdição. A falta de de moçambicanos em detrimento suas obrigações. Pessoalmente, não
proveniência em muitos casos é du- da lei e ordem que a atenderam, a motivação de parte da corporação é da maioria. tive lá solução para nenhuma queixa
vidosa. senhora foi àquele mercado infor- apontada como o móbil para justi- Nem estou a dizer que deverão usar submetida.
A maior parte das vezes que se so- mal e começou por dizer que queria ficar a sua inoperância. Já ouvi, por esses meios para reprimir a oposi- Para alguns, o “start” no combate à
fre um assalto é comum ouvir-se o comprar uma lona. Prontamente, exemplo, que nalguns casos os po- ção. Tão menos estou a armar-me pobreza urbana ou campesina deu-
seguinte: “se fores ao Estrela agora, lá surgiram uns vendedores carre- lícias trabalham em edifícios cujas em carapau de corrida julgando que -se com a aquisição do tradicional
vais apanhar os teus bens rouba- gando lonas para mostrá-la. Desse condições deviam ser melhoradas basta isto que elenquei para termos Xirico e evoluiu com a compra da
dos”. lote, surgiu também a sua. Por ela para evitar a entrada das águas das uma polícia imaculada, ética e com actual aparelhagem Bose, JVC...
Bem, sabendo que naquele merca- ser vítima de larápios que vezes chuvas. Se os relatos dessas insu- agentes probos, dado que resta o Então, que combate podemos fazer
do são comercializados bens de ori- sem conta retiram um pisca aqui, ficiências iniciam aqui, na cidade desafio da despartidarização/freli- contra a pobreza se somos obriga-
gem duvidosa desde bebidas, cigar- outro ali e farol acolá, a dita senho- capital, onde existe um Município, mização que vem sendo denuncia- dos a pagar duas vezes pelo mesmo
ros, aparelhagens, faróis de carros, ra, como muitos fazem nos dias de um Governo da Cidade e funciona da. Mas, sem dúvida, seria um bom bem? Se conseguimos evoluir do
telefones celulares a uma gama in- hoje, pautou por usar esmalte para o Governo Central o que dizer das começo. Um começo que devolveria Xirico para Bose ou JVC e alguém
finita de outros bens, é de se morrer as unhas e jorrou-o num cantinho zonas mais recônditas deste país? confiança aos cidadãos, pois sabe- nos assalta, vende de dia, no mer-
de espanto que anos a fio passem e, da sua lona o que a permitiu saber Que não se pense que somente os riam que os seus bens, sejam eles de cado negro, essa nossa aparelhagem
aquele mercado, esteja tão robusto que era precisamente aquela a lona polícias é que têm falta de meios que natureza forem não lhes serão sem ser perturbado por nenhuma
quanto intocável. do seu carro. para exercer as suas funções. Soube surripiados, sob olhar impávido de rusga, de que desenvolvimento es-
Comentando sobre a onda de rou- Quando ela telefonou para os agen- que as forças da guarda fronteira, quem deve velar pela nossa segu- tamos a falar?
bo de piscas, espelhos retrovisores, tes investidos de poder para man- essas que velam pela integridade rança. Saberiam ainda que os seus
faróis, símbolos dos carros entre ter a lei, a ordem e tranquilidade territorial, nalguns casos debatem- haveres não estariam expostos de * Comunicóloga, Deputada da As-
outros, estava patente no rosto das públicas estes fizeram-se ao local -se com a falta de alojamento, meios forma arrogante e não seriam co- sembleia da República pela Bancada
minhas amigas de ocasião um cer- e apreenderam a lona que foi res- de comunicação, falta de lanchas mercializados em mercados onde da Renamo
to cansaço de ir ao Estrela comprar tituída a legítima proprietária. Nos para o controlo lacustre, falta de

Aguarda mais um bocado


esses bens que, muitas vezes, são dias seguintes, a “minha fonte” diz uniforme o que coloca oficiais e
os mesmos que foram retirados ter sofrido insónias, e revelou ter guardas subalternos identificados
das suas viaturas, residências e/ tido pesadelos, pois receava pela sua da mesma forma, falta de botas, de
ou foram-lhes arrancados na via integridade física, pela sua seguran- tendas individuais, falta de colchões Por Tavares Cebola

A
pública. Enquanto trançávamos ça. Diz que temeu sofrer represálias para tornar as bases de ferro um lu-
os nossos cabelos, cada uma foi se por ter chamado polícias àquele lo- gar de repouso depois e uma dura cabei de reler “Cartas a blique nada antes dos trinta anos”.
lamentando do facto de, para recu- cal intocável. Em pouco tempo, na- missão. Há insuficiências dessa or- Jovens Poetas” de Rainer Isto parece excessivo, mas creio que
perar os seus bens roubados, dever quele salão de cabelereiro, ficou cla- dem nalguns locais para onde estas Rilke e Virgínia Woolf. a maturidade necessária para se pu-
comprá-los no mercado Estrela. ro que por aquela experiência outras forças são destacadas. Apesar de não coinci- blicar com segurança só vem depois
Houve quem dissesse que, com au- clientes tinham passado. Só faltou Creio que na senda do discurso dos direm em suas posições de muita leitura e vivência, e outras
xílio policial de agentes a paisana, ouvir-se um coro questionando o esforços que são envidados para me- sobre poesia, os dois estão de acor- coisas mais.
conseguiu recuperar a lona da sua porquê das autoridades temerem lhorar estas situações, seria de bom do em que não se deve ter pressa Os jovens moçambicanos que já se
viatura. exercer a sua função naquele pon- tom que o Governo fizesse uma dis- em publicar. Há semanas, quando julgam escritores por terem lido um
Dizia a senhora que, tendo ido me- to da capital da nossa República, a tribuição racional dos recursos, se é conversava com um amigo sobre li- livro, ou por terem participado em
ter queixa numa esquadra, os poli- semelhança do que se vê na zona que realmente pretendemos ser uma teratura moçambicana, e perguntei alguns debates, ou terem tido cursos
ciais de plantão aconselharam-na militar, na dita Colômbia. nação livre da pobreza. É preciso sobre o que achava dos autores mais de literatura brasileira e portugue-
jovens, a queixa era precisamente a sa no Instituto Camões e no Cen-
fragilidade dos textos desses auto- tro Cultural Brasil - Moçambique,
res, que motivados por um grande leiam mais, muito mais, e vivam,
interesse em ganhar reconheci- antes de pensarem em colocar as
mento publicam precipitadamente. vossas cenas cá pra fora, pra malta.
Woolf recomenda a John: “não pu- É sempre melhor assim.

Ossos do ofício
H
carlosserra_maputo@yahoo.com
http://www.oficinadesociologia.blogspot.com
á situações em que o tamanho da revolta que estava a Uma vez que a família estava 310
o facto de levarmos
muito a sério a nos-
decorrer nos seus pés. O alarido dos
manifestantes, os apitos fizeram
na varanda da sala, ele dirigiu-
-se à varanda do quarto e de Etnicidade

A
sa profissão pode com que a mulher e os filhos se lhe lá tentou atirar-se para bai-
ter consequências viessem juntar. Ele então levantou- xo. Sem medir muito bem a etnicidade é uma recursos sociais e naturais raros,
desastrosas. -se e disse que como jornalista, não consequência do acto que iria verdadeira face de maiores serão as probabilidades
Quando foi a 01 e 02 de Se- podia ficar sentado na varanda a cometer, a sorte foi que a sua Jano: só afirma um de conflito político e maior o
tembro de 2010, em que se assistir os acontecimentos como flat fica no primeiro andar e “nós” na condição de ardor colocado a esgrimir ima-
registou levantamentos po- um mero e comum cidadão. Tinha mesmo assim, entre o primei- negar um “eles”. Mas ginadas fronteiras étnicas.
pulares na cidade de Maputo, que descer e ir registar os factos de ro andar e o rés do chão existe não basta o percurso da alteri- Na proporção da conflitualida-
ele chegou a casa por volta perto. A sua proposta recebeu um um para-peito. Foi neste para- dade para haver conflito. A di- de, poderão ser facil e rapida-
das cinco da tarde sem que veemente não da família. -peito que se estatelou com as ferença não é, por si só, poten- mente disponibilizados elevados
tivesse avaliado devidamente Por via das dúvidas, e porque a mu- pernas desconjuntadas. ciadora de conflito. É preciso potenciais de símbolos identitá-
a dimensão do que estava a lher receava que ele de facto saísse Ficou de gesso dois meses e até que o relacionamento seja, por rios, de reforço das crenças nas
acontecer a sua volta mas, já à rua, trancou a porta de saída e hoje, passado este tempo todo, um lado, frequente e, por outro, comunidades de origem, de
em casa sentado na varanda, escondeu a chave nos seios. Estava continua a coxear da perna es- mediatizado e condicionado estigma, de estereotipagem, de
vendo as vagas de multidões literalmente impossibilitado de sair. querda, impossibilitado de an- pelo acesso a recursos vitais. sinais vitimários e de bodes ex-
que subiam do centro da cida- Ficou desesperado mas, logo lhe dar de pressa e muito menos de Quanto mais intensas forem as piatórios. Crises sociais podem
de para periferia, pôde avaliar ocorreu uma ideia pioneira. correr. São os ossos do ofício. relações inter-étnicas num ha- facilmente degenerar em violên-
bitat onde estejam em disputa cia e em indiferenciação social.
20 Savana 08-02-2013
OPINIÃO

A TALHE DE FOICE ESPINHOS DA MICAIA


Por Machado da Graça Por Fernando Lima

Causas e efeitos Tubarões Azuis

N H
o ano 2000 houve grandes gem da água das chuvas, quando ela é á uns anos, um voluntarioso mi- Mas, num ponto os comentaristas reúnem
chuvadas, em Maputo, que violenta. Esqueceu-se completamen- nistro moçambicano arregaçou as alguma unanimidade. Ao longo dos anos
provocaram enormes estra- mangas e foi ao Brasil ver como tem havido um investimento sério no capital
te a lição de 2000 e, ao que parece,
gos. funcionava o mecanismo da co- humano que são as jovens cabo-verdianas e
deve-se ter pensado que nunca mais mercialização do frango que tão cabo-verdianos. No desporto e não só, os re-
voltaria a chover como naquele ano. fortemente penalizava os produtores nacio- sultados começam a vir ao de cima.
Uma das zonas que mais sofreu foi a O buraco perto da Escola Portugue- nais.
Av. Julius Nyerere, desde a Praça do sa abriu, de novo, no mesmo sítio, e As políticas de investimento na formação
Destacamento Feminino até à Praça
dizem-me que, mais perto do Xique- As confederações económicas sul-africanas, complementarizam outras opções de fundo
dos Combatentes, vulgo Xiquelene. desesperadas com o mesmo efeito demolidor que vêm puxando para posições de topo no
lene, também aconteceu o mesmo.
Em dois ou três sítios a água das chu- dos galináceos congelados da América do Sul, continente africano este país de solos e clima
vas, transformada em rios caudalo- propôs um embargo, apesar de Jacob Zuma e agreste. Cabo Verde começa a rivalizar com
As mesmas causas provocaram os
sos, desceu do Polana Caniço e, com Lula da Silva manterem o melhor dos rela- países nossos vizinhos, como são as Maurí-
mesmos efeitos, como normalmente
violência, abriu enormes crateras na cionamentos. cias e o Botswana. Sem recursos naturais as-
acontece.
avenida, impossibilitando completa- sinaláveis, Cabo Verde procura capitalizar no
mente o seu uso até hoje. No fim do dia, o consumidor assobia para o que são potencialmente as suas mais-valias:
Porque tudo leva a acreditar que nada ar com o papo nacionalista pois o que o atrai o turismo e a indústria de serviços, preocu-
foi feito para o evitar. Nada foi feito mesmo na vitrina da loja ou num qualquer pando-se com índices relevantes em matéria
Recentemente o município iniciou
para drenar as águas que descem da- “coleman” informal é o preço que tem de pa- de boa governação, democracia e ambiente de
a reabilitação daquela via, usando
meios de razoável dimensão, que não quela encosta. Tapou-se o buraco de gar. negócios.
devem ter sido baratos. E, pelo me- 2000, pôs-se-lhe alcatrão em cima e
pronto. Estava tudo resolvido. No desporto, no futebol, o adepto não quer Como fez o voluntarioso ministro da estória
nos até ao desvio que dá para a Esco- ouvir falar muito de planos e de orçamen- dos frangos, está na hora do ministro ou do
la Portuguesa, zona que melhor co- tos. A equipa ganha, está tudo bem, a equipa seu vice (habitualmente o homem mais voca-
nheço, as obras estavam adiantadas. Quem terá planeado a obra? Quem perde, é problema do treinador, das noitadas cionado para os assuntos de bola), darem um
Dizia-se mesmo que a avenida não é o responsável por esta aparente dos jogadores, do presidente do clube ou da salto ao país da “coladera” e do “funáná” para
demoraria a ser reaberta ao trânsito. incúria que conduziu ao desastre? federação, quando está em causa a selecção verem como se faz por lá. De caminho, po-
Quem é que levou a que, durante sei nacional. dem mesmo organizar umas tantas outras de-
Só que... lá quanto mais tempo, não se possa legações para saberem sobre branqueamento
Só que este ano voltou a chover mui- transitar por uma artéria vital para a Em Cabo Verde há uma equipa a quem cha- de capitais, combate à droga, emigração ilegal,
to em Maputo e tudo voltou a acon- circulação entre a cidade de cimento maram de “Tubarões Azuis” e vive em estado promoção do património cultural ou gestão
e os subúrbios. Vital, inclusive, para de graça por estes dias. Os homens da bola, aero-portuária. Sobretudo agora que o legado
tecer como descrevo no primeiro pa-
mais concretamente do futebol, apuraram-se Amílcar Cabral até faz esquecer que uma boa
rágrafo. a entrada na cidade de quem vem do
para a Taça das Nações Africanas e deixaram parte dos administradores coloniais, há falta
Norte? para trás na fase de grupos Marrocos e An- de portugueses, vinham exactamente de Cabo
Aqui há tempos um amigo citou-me gola, teoricamente equipas muito mais fortes. Verde.
a seguinte frase, da sabedoria popu- Quem é o responsável por que se vá Mesmo perdendo com o Gana, entre outras
lar: a água nunca esquece o seu ca- gastar mais uma enorme quantidade honrarias, houve até tolerância de ponto para Se Bissau não quer aprender e espera ansio-
minho! de dinheiro, de alguma forma saído receber a equipa de regresso a casa. samente pelo próximo golpe dos narco-gene-
dos nossos bolsos? rais, há muito que beber das pequenas ilhas
Só que os homens esquecem-se disso. De uma assentada esqueceram-se todas as do Atlântico a que o jargão político chama
E o resultado é que, aparentemente, Talvez sejam perguntas que alguém, polémicas em torno da selecção. O recruta- de país irmão.
mento local e no exterior, os estágios, os pré-
estava-se a reabilitar a avenida sem, na Assembleia Municipal, deva fazer
mios de jogo e as qualificações do treinador. Para além do grogue, claro está.
antes, resolver o problema da drena- ao executivo.

SACO AZUL | Por Luís Guevane

Jantar de gala (Matola no Coração)

O
cancelamento do jantar de do mais alto magistrado da Nação. Críticas de, etc. Não! É um momento de solidarie- signifique passar por uma privação. A
gala, por parte do Muni- choveram, aliás, caíram como enxurradas, dade que mostra um elevar da consciência dimensão do problema deve elevar o
cípio da Matola, alusivo à reprovando o facto de tal ocorrer num dos responsáveis pela gestão do município, nível da nossa solidariedade.
comemoração do dia 05 de momento de dor nacional. Aquelas tantas mostra que têm Matola no Coração.
Fevereiro, é uma atitude horas de cobertura televisiva teriam sido Isto até pode ser efémero, não interessa, Cá entre nós: como estamos na África
que mostra solidariedade para com os mais úteis mostrando em directo como mas foi um momento de solidariedade. Foi subsaariana, aliás, em Moçambique, é
munícipes afectados pelo drama das os moçambicanos estavam a ser colhidos uma mensagem muito forte para todos.
de esperar que os que cancelaram o jantar
enxurradas. Cancelar o jantar de gala pelas cheias. Teriam sido, mas não foram. Quantas vezes não acontecem festas de
de gala mostrando que “têm mais coração
e direccionar o respectivo montante Mostraram alguma falta de sincronismo na arromba numa flat, num apartamento ou
que outros”, que são flexíveis, sensíveis e
para uma ajuda solidária aos afectados super estrutura governativa. É que a cober- numa moradia vizinha, quando ao lado o
tudo mais, tenham que sofrer alguns ar-
é de aplaudir. tura televisiva, em directo, revoltou meio outro foi colhido por uma situação de in-
ranhões na sua imagem para permanece-
Embora não seja do domínio público mundo. Sem esta a festa teria acontecido felicidade? Uns choram pelo ente querido
quanto dinheiro teria sido destinado “normalmente”. que se foi e outros festejam mais um ani- rem no nível que os munícipes conhecem.
para o tal jantar, ainda assim, o gesto Este momento de solidariedade, esta ati- versário de vida, uma festa de amigos, um O nível do “não fazem nada”. A profun-
não deixa de ser louvável. tude do Município da Matola, é claro que feito qualquer, etc. Ninguém vai deixar de didade dos arranhões dependerá do nível
Esta atitude contraria uma outra, me- não resolve o problema da peste dos bu- comemorar. Ninguém vai deixar de chorar. de permeabilidade dos gestores. Aliás, a
nos flexível, que teve cobertura directa racos que afecta profundamente a saúde Ninguém vai deixar de rir, comer, saltar, promoção da imagem do edil e seus cola-
da televisão que se pretende pública, rodoviária da Matola, não dá solução ao alegrar-se… A verdade é que é importante boradores poderá ser proporcional à ma-
durante um tempo demasiado consi- dilema da drenagem das águas pluviais, sermos solidários para com os que preci- turidade do partido a que eles pertencem.
derável, alusivo à festa de aniversário não minimiza o problema da criminalida- sam do nosso ombro amigo, sem que isso A ver vamos!
Savana 08-02-2013 21
OPINIÃO

Um olhar desapaixonado ao “agronegócio”


brasileiro em Moçambique
Por: Célio Panquene

O
jornal Brasil de Fato, iares não associados ao agronegócio os seus parceiros pretendem de- produção de agrotóxicos, equipa- emplo, nos sectores mineiro e en-
descreve, “O governo (2/3 a ¾ do total). Nesse processo, senvolver está em total contradição mento de irrigação, maquinaria ergético que estão a merecer, neste
brasileiro junto com converte-se o campesinato em im- com o preceituado na Constituição agrícola, monopólio de compra até momento, um grande interesse por
o sector privado está a enso sector de subsistência, não as- sobre o papel da agricultura no país, ao processamento industrial dos parte de companhias multinacion-
colaborar com o Japão similável ao sistema económico do pois não atende as necessidades do produtos agrícolas. E o resto da ais. É sensato pensar que os políti-
para promover um projeto de agro- próprio agronegócio (...)1. povo por ser extremamente ex- população fica se debatendo com cos não devem tomar decisões de
negócio em grande escala no nor- Gregório A. Abudo, presidente da cludente e implicar a expropriação os inúmeros prejuízos dela decor- interesse nacional sem a devida as-
te de Moçambique. Denominado União Provincial das Cooperativas de terra dos camponeses, popu- rentes. sessoria técnica e, sobretudo, sem
ProSavana, o projecto poderá dis- de Nampula, desabafou para a im- lações que dependem da terra para o consentimento do povo. Para
ponibilizar 14 milhões de hectares prensa, “O Governo convidou-nos a sua subsistência. Este modelo Toda e qualquer política de de- o efeito, os tomadores de decisão
de terra para empresas brasileiras a algumas reuniões, mas tudo que de agricultura, como ficou visto, senvolvimento deve sair de dentro precisam cultivar humildade e
do agronegócio para a produção nos foi mostrado foram apresen- degrada o solo comprometendo a do país e deve espelhar a vontade vontade política para receberem de
de soja, milho e outras culturas tações em power point, sem nen- sua capacidade produtiva, contam- do povo, ela não deve vir de fora braços abertos assessoria técnica,
de rendimento que serão exporta- huma oportunidade de levantar ina a água (do subsolo, lagos e rios) e como um fardamento pronto- abrir espaço para o diálogo com a
das pelas empresas transnacionais questões (...). Queremos transpar- em decorrência do uso abusivo a-vestir, sob pena de ser aliení- sociedade civil e partes interessa-
japonesas”. Um outro jornal bra- ência. Queremos saber dos detal- de químicos – vale lembrar que a gena, por conseguinte, enfermar das, aceitando críticas como parte
sileiro, no caso, Folha de S. Paulo, hes. Os Governos de Moçambique, maioria da população no país con- de graves consequências. Assim, do diálogo democrático.
cita o Ministro da Agricultura de Brasil e Japão estão a avançar, a some água directamente dos seus entende-se que as políticas de de- É preciso (re)lançar o ProSavana a
Moçambique nos seguintes ter- portas fechadas”2. reservatórios naturais. senvolvimento agrícola devem, em um debate genuinamente nacional,
mos: “Os agricultores brasileiros O argumento de que o ProSa- Devido ao agronegócio o Brasil é primeiro plano, visar o empondera- pois parece que tal não aconteceu
têm experiência acumulada que é vana não afectaria os camponeses o primeiro colocado no ranking mento dos camponeses e pequenos em devida altura, avaliando pelo
muito bem-vinda. Queremos repe- porque seria desenvolvido em ter- mundial do consumo de agrotóxi- agricultores nacionais e nunca ex- distanciamento de posições, prin-
tir em Moçambique o que fizeram ras desocupadas está longe de ser cos. O uso desses químicos consti- cluí-los do processo. cipalmente entre a União Nacional
no cerrado há 30 anos”. verdade conforme atesta Jacinto tui um problema de saúde pública A independência de Moçambique dos Camponeses e do Governo.
Para empreendermos uma análise Mafalacusser, pesquisador do In- e preservação da natureza. Estes logrou duas coisas inalienáveis – a Como também por haver pouco
crítica ao agronegócio que preten- stituto de Investigação Agrária de ocupam o quarto lugar no ranking libertação do homem e a devolução conhecimento no país sobre os
demos implantar em Moçambique Moçambique (IIAM), “Não é ver- de intoxicações. O argumento seg- da terra aos seus legítimos donos, o reais contornos da história do
com a ajuda do Brasil temos nec- dade que haja terra abandonada no undo o qual este empreendimento povo moçambicano. Deste modo, agronegócio brasileiro.
essariamente que estudar a casa do Corredor de Nacala”3. irá empregar 90% de mão-de-obra clama-se por discernimento e sa-
próprio professor. O “agronegócio” nacional é, simplesmente, ilusório. gacidade plausíveis ao fazer acor-
provocou a devastação de 80% do Mais do que nunca o povo bra- A percentagem sugere muita gente, dos que envolvem a concessão de 1
DELGADO, Guilherme.Questão
cerrado, causou uma grande ex- sileiro está ciente dos problemas mas em termos reais não o é, pois 14 milhões de hectares de terra agrária brasileira no pós-guerra e sua
clusão social de maiorias de famíl- ambientais e sociais causados pelo devido à alta mecanização, ela dis- por 50 anos renováveis ao preço de configuração contemporânea. Rio de
ias camponesas e pequenos agri- agronegócio. Hoje se assiste a um pensa em grande escala o trabalho 9,00 euros anuais por hectare, com Janeiro: Ipea, 2005.
cultores e promoveu irreparáveis forte e crescente movimento em humano, principalmente o não o agravante de haver expropriação
danos ambientais. É isso que que- prol de uma agricultura ecológica e qualificado. Na agricultura “agro- de terras de famílias camponesas. 2,3
Fonte: http://www.advivo.com.
remos repetir no nosso país? sustentável. A legislação brasileira businessista” à moda brasileira, Moçambique de hoje não é o de há br/blog/luisnassif/projeto-brasileiro-
O “agronegócio” naquele país con- desencoraja actividades com im- os ganhos económicos são con- 30 anos. Hoje dispomos de quad- pode-afetar-milhoes-em-mocam-
struiu-se dentro de um contexto de pactos adversos ao meio ambiente centrados numa pequena minoria ros com as mais diversas quali- bique
confrontações de interesses políti- e às comunidades. Isto é notório capitalista que detém o oligopólio ficações que podem assessorar o
cos e sociais ao longo da história e quando o presidente da Associação de toda a rede do complexo agro- Governo a firmar acordos susten- 4
Folha de S. Paulo. Disponível em:
atendeu a um interesse hegemôni- Mato-Grossense dos Produtores industrial, desde a produção de se- táveis, não só no sector agrícola, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/
co. Após a II Guerra Mundial de Algodão (Ampa), Carlos Er- mentes melhoradas passando pela como também nos demais, por ex- mercado/me1408201102.htm
estruturou-se um debate teórico nesto Augustin, faz as seguintes
e político em torno da questão revelações em entrevista à Folha

A rotunda das formigas


agrária brasileira, tendo por justi- de S. Paulo: “Moçambique é um
ficativa imediata a necessidade de Mato Grosso no meio da África,
uma reforma agrária ampla. Por com terra de graça, sem tanto im-

Q
um lado os capitalistas olhavam pedimento ambiental e frete muito
para a agricultura como um ob- mais barato para a China”, em out- uando circulo nesta ci- me e deixa-me ali, observando. dos os acessos ao não destino. Vão
stáculo para o desenvolvimento ro desenvolvimento afirma, “Hoje, dade tem um lugar onde Tudo se move, transportando ho- dando passagem uns aos outros
industrial capitalista face ao atraso além de a terra ser caríssima em damos um nó. Um lu- mens e mulheres numa correria como se existisse uma regra, sem
das forças produtivas e relações Mato Grosso, é impossível obter li- gar diferente de todos como se tivessemos pressa de che- regra. Uma norma é fazer barulho
sociais agrárias e, por outro lado cença de desmatamento e limpeza os outros lugares por gar onde não queremos ir. Será que para que outros saibam que ali es-
organizações do sindicalismo de área.” Finalizando o seu discur- onde passamos. Na realidade só alguém chega a horas nesta terra? tamos, tentando desse modo gan-
rural clamam por uma reforma so com uma declaração no mínimo passamos nesse lugar e raramente Todos vão em diferentes direcções, har espaço para ali ficarem pouco
agrária. Com o Golpe Militar de interessante. “Quem vai tomar paramos para o observar. Entra- todos tem onde ir, um destino. Mas tempo. Quem já se encontra no
1964 derrota-se o movimento conta da África? chinês, europeu mos nele tensos, vamos com facas e este, será também um destino? não destino, normalmente tem
pela reforma agrária e a questão ou americano? O brasileiro, que na boca, quer de janelas abertas ou Sempre que o sol se levanta, e o vantagem em relação aos que se
agrária é remetida à solução pela tem conhecimento do cerrado”4. fechadas. Os chapas passam por calor se começa a fazer sentir, as encavalitam nos acessos a este. As-
modernização técnica. A partir dos este lugar como se de uma grande formigas com rodas saiem dos seus sim que conseguem entrar na roda,
anos de 1970 começou-se a falar A Constituição da República de avenida se tratasse, quase sem parar, casulos, o calor activa os seus movi- a velocidade aumenta e saiem tão
da existência de uma “agricultura Moçambique, no seu artigo 103, e ganhando prioridade sobre todos mentos. Começam a circular pelos rápido que nem nos aprecebemos
moderna” ou de uma “agricultura números 1 e 2 respectivamente, os outros.É um lugar redondo, onde carreiros por entre predios e casas, que ali estavam. Passaram com um
capitalista” no Brasil, de “empresas refere: “Na República de Moçam- as tangentes são constantes, onde os tais casulos. Parece que todos destino, sem olhar. Passaram sem se
os encontros e desencontros acon- os carreiros se cruzam neste lugar, aperceberem que ali existe um não
rurais” e de “empresários rurais”. bique a agricultura é a base do
tecem num abrir e fechar de olhos. neste não destino. Poucos são os destino.
Ao viabilizar-se esta estratégia do desenvolvimento Nacional. O Es-
Sempre que chegamos a ele, abran- que param, e desses nenhum fica Eu tambem passo tantas vezes sem
“agronegócio” como orientação tado garante e promove o desen-
damos e observamos o que nos vai tempo suficiente para dizer que era saber que ele existe, poucas vezes o
concertada de política económica, volvimento rural para a satisfação
em volta. Todos os veiculos que por aquele o seu destino. menciono. Mas hoje, este não des-
agrícola, imiscuindo-se também no crescente e multiforme das ne-
ele passam, olham-se pelo canto do Todos os dias bem cedo, e tam- tino tornou-se um destino, um des-
campo ambiental, agrava o quadro cessidades do povo e o progresso
olho, olham-se como se não se vis- bém ao final do dia, quando o sol tino meu, um lugar a observar, um
da exclusão no campo agrário. Este económico e social do país.” Cerca
sem, ignorando-se. se poem, os carreiros que se inter- destino desta cidade, a rotunda das
formato de agricultura, pratica- de 80% da população economica-
Paro e observo, levo com a chamada sectam neste não destino, enchem formigas.
mente, prescinde da força de tra- mente activa no país depende da
balho assalariada não especializada produção agrária. de atenção de outro que por ali só se. Formigas com rodas, tambem
quer passar, passa por mim, olha- apelidadas de carros, enchem to- T’agu
e da massa de agricultores famil- O agrobusiness que o Governo e
22 Savana 08-02-2013
DESPORTO

Supertaça com sabor à vingança

Olho por olho dente por dente


Por Paulo Mubalo

A
s equipas do Maxaque- tante.
ne e da Liga Muçul- E não ficou por aí, defrontou de-
mana protagonizam, pois o Ferroviário da Beira e o Cos-
este sábado no Estádio ta do Sol tendo vencido por 2-0 e
Nacional do Zimpeto, 5-2, respectivamente.
arredores da capital, aquilo que se Mais do que as vitórias alcançadas,
pode considerar o primeiro desafio o técnico português quis através
oficial da época 2013. É uma parti- desses jogos aprimorar os aspectos
da que cheira à vingança, pois co- de índole técnico-táctico, o entro-
locará em campo alguns jogadores samento dos jogadores mormente
dispensados pelo português Litos com a integração de novos recrutas,
e que vão alinhar pelo Maxaquene, que como é óbvio, trazem consigo
por um lado, e os que por outras características e modelos de jogos
razões se transferiram da equipa diferentes.
tricolor para a muçulmana. De qualquer das formas, ficou claro
Para já antevê-se dificuldades que os muçulmanos ainda precisam
acrescidas para as duas formações de jogos de rodagem por forma a

Urgel Matula
tendo em conta que, tanto os pupi- que o seu treinador possa trabalhar
los de Arnaldo Salvado como os de paulatinamente no melhoramento
Litos ainda não atingiram níveis de das qualidades individuais de cada
rendimento consentâneos com as atleta e limar as últimas arestas ten- Será desta que a Liga Muçulmana conquistará a supertaça?
suas capacidades. Mas teoricamen- do em conta os desafios que vão ter
te, e sobretudo pelos resultados que pela frente ao longo deste ano. um esquerdino que dá indicações Salvado em muitas ocasiões, têm dores, pois cada qual tem a obriga-
foi alcançando, ainda que jogando à de ter passado pelas escolas de for- sido determinantes na vitória dois ção de mostrar porque faz parte do
feijões, a Liga reúne mais possibili- E… mação a julgar pela forma descom- tricolores. onze inicial.
dades de triunfar. Dados avançados por entendidos plexada como o faz, à mistura com Até porque os jogadores do Ma- Importa salientar que em 2011 e
na matéria mostram uma Liga com um perfeito domínio da bola. xaquene dispensados da Liga que- ainda a contar para a mesma com-
Contagem decrescente uma concorrência muito grande de A este e outros jogadores dos sec- rerão vingar-se e mostrarem que o petição, mas com os papeis inverti-
Enquanto vai a meio a contagem jogadores no sector defensivo, o tores retromencionados, a Liga tem técnico Litos esteve simplesmente dos (a Liga Muçulmana jogava na
decrescente rumo à participação que de certa forma vai ser benéfico no ataque avançados que, em dia de equivocado sobre as suas reais po- qualidade de campeã nacional e o
dos dois combinados nacionais nas para o próprio clube. inspiração, poderão provocar ver- tencialidades. Maxaquene de vencedor da Taça de
afrotaças-2013, a supertaça, uma Para já, Zainadine Júnior, o defe- dadeiros ataques de nervos aos de- Estamos a falar de Carlitos, Micas,
Moçambique) os tricolores vence-
prova disputada entre o campeão sa de rasgos individuais e remates fesas contrários pela genica, entrega Maurício, Calima e Isac.
ram o seu antagonista por uma bola
e o vencedor da Taça de Moçam- fortes pode se considerar como dos e raiva que demonstram, a exemplo Mas, facto análogo será corporiza-
sem concorrência.
bique, serve de apiritivo e quiçá de poucos com a situação de titulari- de Liberty, Hélder Pelembe, Zicco, do pelos jogadores da Liga, no caso,
Hélder Pelembe e Liberty, ainda Mas, reza a história que igualmente
termómetro para avaliar o potencial dade meio resolvida a menos que se Sonito, entre outras estrelas cinti-
dos nossos representantes. que tenham saído por razões dife- perderam o ano passado diante do
embandeire em arco e deixe os seus lantes para o nível daquilo que é o
Os muçulmanos terão como ad- créditos, já firmados, diga-se, em nosso futebol. rentes. Ferroviário de Maputo na marca-
versário o Botswana United, para mãos alheias. Entretanto, a crise directiva que, ção de pontapés de grandes pena-
a pré-eliminatória da Taça CAF e Aguiar e Chico terão de trabalhar Maxaquene de alguma forma foi afectando o lidades.
realizaram um estágio de cerca de arduamente se quiserem conquistar Quanto ao Maxaquene, é bom que Maxaquene se bem que ainda não Os ingressos para esse embate entre
duas semanas na vizinha África do a confiança do técnico. se diga que a astúcia, o pragma- foi totalmente ultrapassada, é ine- o Maxaquene e a Liga Muçulmana
Sul, descrito pela equipa técnica No meio-campo, a Liga conta com tismo, a leitura profícua dos acon- gável que poderá ser esquecida pelo estarão à disposição ao preço único
como tendo sido bastante impor- a prestação do malawiano Joseph, tecimentos do técnico Arnaldo menos para essa partida pelos joga- de 50 meticais.

FMBoxe refém de fundos para Brasil 2016


Por Zaqueu Massala

A
Federação Moçambicana campeonato devido a problemas or- Sem avançar mais detalhes, Duménia, “É lamentável falar de apoios ao boxe que o alojamento será na delegação
de Boxe não tem dinhei- ganizacionais, situação que deu azo explicou que a participação das meni- porque praticamente não existem. A do Ministério das Obras Públicas e
ro para dar início aos tra- à renúncia do próprio presidente. O nas no boxe tem sido muito fraca, não maioria dos empresários nacionais só Habilitação, localizada no município
balhos de preparação de mesmo decidiu abandonar o cargo se sabendo as razões que estarão por têm apoiado o futebol”. disse. da Matola”.
atletas que irão representar quase no fim do seu mandato. detrás dessa situação. Enquanto isso, o porta voz da Fede- Na ocasião, a fonte explicou também
o país nos próximos jogos olímpicos Depois da renúncia do presidente foi “Eu não sei o que está a acontecer com ração, António Paulo, disse que este que para manter a modalidade a fun-
agendados para 2016 no Brasil. Em criada uma comissão interna com vista as meninas, posso dizer que o boxe organismo está a organizar uma for-
cionar a Federação precisa de 525 mil
contacto com SAVANA, na manhã a manter as actividades da FMB, en- tem fraca participação de atletas femi- mação para novos árbitros tendo em
meticais e parte deste valor já está ga-
desta terça-feira, o porta voz da co- quanto se espera por uma Assembleia ninas, não conheço as razões”. conta que o sistema que se usa para
missão de gestão daquele organismo Mas adiante, Duménia, explicou que apitar é electrónico. rantido graças ao apoio do Instituto
Geral.
, António Mondlane, explicou que neste momento a federação já fez uma “O sistema de arbitragem que se usa Nacional do Desporto e Município da
Maria Duménia, secretária executiva
até ao momento ainda não arrancou a da Federação, disse que a nova comis- lista de 8 atletas que vão participar nos actualmente é electrónico e como nós Matola.
preparação por falta de fundos. são está a organizar-se para uma As- jogos de preparação para a qualifica- não o tínhamos na próxima semana Segundo a fonte, vão tomar parte os
A Federação Moçambicana de Boxe sembleia Geral a ser realizada na pri- ção aos jogos olímpicos a terem lugar vou para a Suazilândia buscar dois seguintes clubes, Academia de Mapu-
está a enfrentar problemas de falta de meira semana de Março. E será neste no Brasil em 2016. técnicos informáticos que vão perma- to, Nampula, Inhambane, Gaza, Ma-
fundos para continuar a massificar a mesmo período que a nova comissão Segundo explicou a fonte, até aqui necer uma semana para introduzir o nica, Sofala, Lucas Sónia da cidade de
sua modalidade. também vai cessar as suas funções. ainda não existe nenhum plano para programa nos computadores” Maputo, Paulo Jorge, Rectificadora
A falta de transporte, lanche, água, Entretanto, era suposto que a selecção o arranque da preparação para o feito. Questionado sobre os valores dos dois LM, Ferroviário, Matchedje, e o Nú-
entre outras coisas continua ainda a estivesse a treinar para os Jogos Olím- Fazendo uma análise dos jogos reali- técnicos estrangeiros que estarão em
cleo do Jardim.
ser um calcanhar de Aquiles para o picos a serem realizados no Brasil, zados na época passada, a fonte referiu Moçambique por sete dias, a fonte
O SAVANA ficou a saber que en-
organismo que dirige os destinos da em 2016, mas a falta de fundos está -se nos seguintes termos: respondeu:
“Em relação aos jogos de qualificação “Estamos a contar com apoio de um quanto se espera pela data das eleições,
modalidade no país. a comprometer o início da preparação.
para olímpicos realizados época passa- empresário local, senhor Big Ben, que desfilam três nomes para a presidên-
No terreno, o SAVANA constatou Lembre-se que a nível nacional o
da os resultados foram péssimos, mas disponibilizou trinta mil meticais para cia deste organismo, nomeadamente,
que os problemas acima mencionados boxe é praticado nas províncias de
valeu a pena participarmos nos jogos custear todas as despesas, nós como Benjamim Uamusse, conhecido nos
vêm do passado. Aliás, foi a falta destes Nampula, Manica, Inhambane, Sofa-
recursos que fez com que no ano pas- la, Niassa, Gaza e Maputo . da SCASA porque ganhámos duas federação não temos dinheiro”. meandros desportivos por Big Ben,
sado esta instituição não organizasse o medalhas de bronze”. “Está tudo apostos para o arran- por sinal o primeiro a manifestar a sua
De acordo com a fonte, apesar de um
que do campeonato, em princípio os candidatura; Spiros Esculudes, que já
campeonato ou as competições. maior número de capitais ter uma as- Empresários não apoiam o
combates serão realizados na Escola foi presidente e António Balú.
Lembre-se que no ano passado a sociação de boxe, a modalidade é pra- boxe
Secundária da Zona Verde, enquanto
Federação não conseguiu realizar o ticada a conta gota.
Savana 08-02-2013 23
DESPORTO

Nacional de básquete às moscas BREVES


Por Zaqueu Massala

O
Campeonato Nacional que nunca tinha esperado por este maior atenção não é o público, mas Sexo mahala para selecção da Nigéria
de Basquetebol em se- tipo resultados”. os resultados alcançados durante a
niores femininos, que A fraca afluência do público no prova. A selecção da Nigéria recebeu há dias uma oferta invulgar de
arrancou na última sex- local da realização de jogos ou seja “O nosso grande objectivo são os incentivo: caso lograsse conquistar o CAN os seus jogadores
ta-feira, 1 de Fevereiro no pavilhão de Desportivo de Ma- resultados, por isso não estamos teriam a seu bel prazer uma semana de sexo mahala.
em Maputo, está a ser marcado puto, também foi contestado por preocupados com o público que O repto foi lançado pela Associação Nigeriana de Prostitutas. A
por uma fraca afluência do público, alguns atletas de Quelimane, Teni- deveria estar aqui para assistir os organização enviou representantes à África do Sul, onde decor-
o que retira brilho à competição. nha, Olga e Lizandra não escon- jogos”, rematou Nazir Salé. re a competição, e apresentou uma oferta em jeito de incentivo:
Das quatro bancadas que compõem deram a sua indignação ao afirmar Para ele, os bons resultados da sua uma semana de sexo de borla para os jogadores interessados.
o Pavilhão do Desportivo, apenas que nunca tinham participado num equipa são fruto de muita prepa- Jéssica Elvis, secretária da Associação, apresentou a oferta à co-
uma é que, salvo raras excepções, campeonato nacional com pouca ração e entrega ao trabalho. “Ago- mitiva nigeriana, mas esta não foi oficialmente aceite.
apresenta um número de especta- afluência do público. Para elas foi ra estamos a colher os resultados,
dores que chega a 100, dentre eles uma novidade mas pela negativa. estamos satisfeitos e gostaríamos Gana acusado de subornar Níger
jornalistas e alguns familiares de jo- “Para nós é muito estranho parti- que continuássemos até o fim deste
gadores que vieram das províncias. cipar num campeonato nacional campeonato em grande”. Os órgãos de comunicação social “Ghana News Agency” e
João Manuel, treinador da Sopro- sem presença do público, até parece Na primeira jornada: Liga Muçul- “Radio Gold” noticiaram, recentemente, que antes do encontro
tecção de Quelimane, disse que que não estamos na capital do país. mana 158- Soprotecção -25; Costa decisivo do Grupo “B”, entre o Gana e Níger, o capitão dos
não teve tempo suficiente para Mesmo lá nas províncias há sem- do Sol 77- Maxaquene -67; A Po- “Black Giants”, Asamoah Gyan tinha-se encontrado com o
preparar-se para este campeonato pre pessoas a assistir o basquetebol, litécnica- 72- Ferroviário de Ma- defesa adversário Kofi Dankwa, com o objectivo de suborná-lo.
o que condicionou o desempenho mas aqui o cenário é diferente”, re- puto-58. Outros resultados; Liga Em comunicado, a Federação Ganesa de Futebol veio negar
da equipa. mataram. Muçulmana- 112- Costa do Sol- as acusações, classificando-as de ridículas. Para além disso, os
Ademais, a falta de público para dar Apesar da participação de sete 25; Ferroviário 79- Maxaquene. jornalistas dos respectivos órgãos de comunicação social que
mais força aos jogadores também equipas nomeadamente, Liga Mu- Entretanto, para Egino Macia do faziam a cobertura da CAN-2013 foram expulsos.
influenciou bastante para a fraca çulmana, A Politécnica, Ferroviário Maxaquene, o objectivo não passa O Gana venceu a partida por 3-0.
prestação da equipa de Quelimane. de Maputo, Costa do Sol, Maxa- por ganhar o campeonato, mas sim
“Nós fomos apanhados de surpresa, quene, Soprotecção de Quelimane preparar a equipa para as próximas Selecção de Cabo Verde ovacionada
não tivemos tempo suficiente para e Abílio Antunes de Chimoio, que épocas.
nos preparar para este campeonato, tentam dar o seu máximo para con- “Devo dizer que neste campeona- O seleccionador e os jogadores de Cabo Verde mostraram-se
logo no início da prova, percebe- quistarem o título, o público tem to eu não estou preocupado com simplesmente emocionados pela recepção de que foram alvos,
mos que não iríamos longe. Posso pautado pela ausência. os resultados, mas sim com a pre- salientando que nunca tinham visto algo assim no arquipélago.
dizer que os meus atletas não da- Mas, no campo meramente des- paração da minha equipa para as O técnico Lúcio Antunes e os jogadores Héldon (avançado do
vam grandes esperanças e acaba- portivo, a Liga Muçulmana con- próximas temporadas, até porque Marítimo) e Vozinha (guarda-redes do Progresso de Sambizan-
mos por perder com a Liga Mu- tinua a superiorizar-se em relação muitos atletas que estão a disputar ga, Angola) disseram à agência Lusa estarem felizes por verem
çulmana 158-28 pontos”, observou aos seus adversários. E o seu trei- o campeonato são de escalão jú- o povo a agradecer todo o esforço feito por jogadores e equipa
Manuel, para depois acrescentar nador, Nazir Salé, disse que a sua nior”, justificou. técnica durante a Taça das Nações Africanas (CAN2013).
“Nunca vi algo assim em Cabo Verde. Estamos todos muito

Os contornos do CAN 2013


contentes com esta recepção. Demos tudo de nós para dignifi-
car a nossa bandeira”, disse Vozinha.
O seleccionador disse estar muito feliz pela recepção apoteóti-

D
ca, após a estreia num CAN, tendo Cabo Verde sido eliminado
esde o passado dia 19 de vivem também problemas de organi- colonialismo. Os países lusos por pelo Gana, nos quartos de final da prova que se está a disputar
Janeiro a 10 de Feverei- zação, que iniciaram já em 2008, no exemplo, ainda lutavam pelas suas na África do Sul.
ro próximo, as atenções CAN do Gana. independências, e alguns anglófonos
de milhões de africanos A ausência dessas selecções reduz como o Zimbabwe também.
continuarão centradas no igualmente o número de estrelas na Assim, explica-se que da primeira
CAN da África do Sul, que pela ter- competição, sendo que os Camarões até à quarta edição, o CAN não teve
ceira vez joga-se na região da África têm das melhores de África, a par da mais do que seis equipas.

Nigéria-Burkina Faso
Austral. Passam 17 anos desde que Costa de Marfim. Ver Eto´o e Song Razões políticas e de transportação
pela primeira vez a competição des- fora dessa competição, significa afas- explicam a exiguidade de equipas na
ceu para essa região, depois de ter tar também alguma audiência televi- Taça das Nações Africanas. Por essa
sido realizada várias vezes na África siva. São esses e outros jogadores que altura, o continente já estava liber-
do Norte e do Oeste. tornam o CAN na terceira maior
A África do Sul abriu o caminho em
1996, e seguiu-se Angola 14 anos
prova de futebol do Mundo, a seguir
ao Mundial e ao Europeu.
tado à excepção de países lusófonos
e alguns anglófonos. Ainda assim, o
CAN foi disputado com este núme-
!"# !$

A
depois, isto é, em 2010. A Líbia era Porém, a África conta com outros ro de equipas até 1990. No entanto,
inicialmente o país escolhido pela de igual dimensão como Yaya Tou- em 1976, participaram 12 equipas, final do CAN2013 que decorre na África do Sul, marcada para
CAF, Confederação Africana de ré, médio do Manchester City, eleito no CAN seguinte em 1978 voltou- domingo, às 20h30 no Soccer City de Joanesburgo, terá como
Futebol, para hospedar a competição melhor jogador do continente em -se para o número de oito selecções. protagonistas Nigéria e Burkina Faso, duas selecções integran-
em 2013, no entanto, a eclosão do 2011 e 2012. É sem dúvida a maior tes do grupo C da primeira fase, que quarta-feira eliminaram o
A África do Sul assinala uma vira-
conflito civil que matou Muhamar referência dessa competição ou não Mali e Ghana, respectivamente, em partidas das meias-finais.
gem na história da Taça das Nações
Khadafi impediu que fosse lá. fosse para muitos especialistas euro- Esta será a primeira vez que Burkina faso disputa o jogo decisivo, enquanto
Africana. Foi na terra de Nelson
A exemplo do que ocorreu em 1996, peus o melhor médio defensivo do a Nigéria já conquistou o troféu em duas ocasiões (1980 e 1994).
Mandela onde pela primeira vez a
a África do Sul foi novamente o mundo hoje. Para chegarem ao jogo decisivo, os burkinabes “vestiram” a camisola de
competição registou a participação
refúgio para a CAF, e assim está a Yayá Touré e outros talentosos afri- equipa surpresa, tendo vencido o seu grupo, onde constava o detentor do
de dezasseis selecções. Ou seja, há 17
acontecer. Pela segunda vez, o CAN canos que evoluem nos melhores troféu (Zâmbia) e ainda o seu adversário da final e a Etiópia. Um empar-
anos que a competição é disputada
joga-se na terra de Nelson Mandela, clubes do mundo foram os respon- ceiramento, de resto, em que era a única selecção sem título.
com a ausência de três grandes selec- sáveis pela alegria de milhões de pes- por esse número de equipas.
A África do Norte domina a Taça
No seu percurso, empatou com a Nigéria e com a Zâmbia, e conseguiu a
ções do continente. soas cujo quotidiano é preenchido maior goleada do campeonato à Etiópia (4-0), classificando-se em primei-
Egipto, Camarões e Senegal, estão por conflitos, fome e seca. das Nações Africanas com doze
títulos. O Egipto é o maior contri-
ro, seguido dos nigerianos.
a assistir ao CAN pela televisão. Nos quartos-de-final venceu o Togo no prolongamento, após igualdade
É a segunda vez consecutiva que buinte com sete títulos, seguido pelo
A(&B(=!,(%.!,(C%$-, sem golos ao cabo do tempo regulamentar. Quarta-feira, afastou a selecção
os faraós não disputam a Taça das Marrocos, Argélia, Tunísia, Sudão e
O CAN da África do Sul vai assi- mais titulada presente na prova no desempate por grandes penalidades,
Nações Africanas, uma equipa que a Etiópia com um título cada. Se-
nalar a transição dos anos de dis- após empate a um golo depois dos 120 minutos de jogo.
conquistou as três das últimas qua- gue-se a zona Ocidental, com onze
putas de pares para ímpares. Não é O seu adversário foi segundo no mesmo grupo preliminar, depois derrotou
tro edições. Os Camarões também títulos, sendo os Camarões e o Gana
a primeira vez que a Confederação a principal candidata ao título Cote D’Ivoire nos quartos-de-final por 2-1
falharam. os principais vencedores. Nigéria
Africana de Futebol faz jogar duas e quarta-feira goleou o Mali, nas meias-finais, por 4-1.
Razões diferentes impedem essas com dois e a Costa de Marfim são as
edições em dois anos seguidos. Em Para a atribuição do terceiro lugar, o Ghana e o Mali jogam às 20h00 de
equipas, as mais tituladas e quiçá co- outras equipas da região com títulos.
1962 e 63, a CAF realizou um CAN sábado no estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth.
tadas, de estarem na África do Sul. Na África Central há três títulos, dos
após o outro. Angola, que participou pela sétima vez na prova, terminou em 14ª lugar
Os Leões indomáveis estão a ser as- quais dois pertencem ao RD Con-
Depois de 65, a prova não foi dis- entre 16 participantes, com duas derrotas e um empate no grupo A, tendo
solados por uma crise organizativa go e um ao Congo Brazzaville. Para
putada nos dois anos seguintes por falhado o apuramento à fase seguinte.
e para os egípcios, a instabilidade África Austral, somente dois títulos,
questões de políticas. Muitos paí- Os Palancas Negras empataram com Marrocos e perderam com a África
política do país será a maior razão. por obra e graças da África do Sul e
ses nessa altura estavam a arrumar do Sul (0.2) e Cabo Verde (1-2).
O Senegal, ou os leões da Teranga, da Zâmbia.
a casa, depois de se libertarem do (Angolapress)
24 Savana 08-02-2013
CULTURA

Viagem do “Comboio Marrabenta” até Gwaza Muthini


Por Abdul Sulemane

A
VI edição do “Festival da estação central dos Caminhos-
Marrabenta” que de- -de-Ferro de Moçambique, em
correu de sexta-feira a Maputo, “Comboio Marrabenta”.
Domingo passado em O mesmo levava artistas da capital
Maputo e Marracuene que iam actuar no concerto que es-
sob o lema “Integração de gerações tava agendado para às 15:30 horas.
e Internacionalização do Festival”,
Entretanto, só por volta das 18:00
animou as cerimónias centrais da
horas é que o primeiro artista su-
celebração dos 118 anos da batalha
de Marracuene, celebrada como biu ao palco. Facto justificado pe-
Gwaza Muthini. los organizadores como tendo sido
Como tem sido hábito, as cerimó- originado por motivos técnicos. O
nias centrais do evento que teve SAVANA constatou no local que
como lema “118 anos Rumo ao até por volta da hora do início do
Desenvolvimento e Valorização “Show” havia grupos ainda a faze-
da Cultura Moçambicana” com- rem inscrição para actuarem.
preenderam na manhã de sábado, O músico Roberto Isaias foi o pri-
o habitual “Kuphalha” e deposição meiro a subir ao palco para brindar
de coroa de flores no monumento o público que aguardava impacien-
erguido em memória dos heróis da te pelo início do concerto, segui-

Naíta Ussene
batalha de Marracuene, cujas ceri- do pelo grupo de Makwayela dos
mónias foram dirigidas pela admi- TPM que deu um “show” digno de
nistradora daquele distrito, Maria realce. Seguiu depois a actuação de
Vicente. grupos locais entre os quais Grupo Nacionais e estrangeiros aderiram à festa de Gwaza Muthini em Marracuene
Já no período da tarde, centenas de Momemo, grupo Marracuene, Ce-
pessoas esperavam na estação de cília Ngwenha e grupo da Escola benta” terminou no Centro Cultu- ter levado ao palco do Centro Cul- e os moçambicanos Dilon Djind-
comboios de Marracuene pela ca- Sagrada Família “The Best Waves”. ral de Matalane, em Marracuene, tural Franco-Moçambicano artistas ji, Neyma, Orquestra Djambu e
ravana artístico-cultural que partiu Refira-se que o “Festival Marra- depois de na sexta-feira e sábado como o congolês Sam Manguana Makwayela dos TPM.

Eduardo White vence Prémio BCI 2012 Faleceu Chico Ventura,


Por Abdul Sulemane ex-Eyuphuro

A
obra “Libreto da Mi- como a originalidade, criatividade, um texto dramático, um género Por Abdul Sulemane

F
séria” do escritor mo- coesão, estrutura e correcção lin- pouco cultivado, quer em termos
çambicano Eduardo guística. Sendo assim, “por una- da crítica literária do país, o júri aleceu recentemente em Nampula o músico, Chico Ventu-
White foi recentemente nimidade relativa ao equilíbrio da decidiu atribuir o Prémio BCI de ra, ex-guitarrista da banda Eyuphuro. “ Chico estava isola-
premiada com o valor obra, aos critérios estabelecidos, Literatura – Edição 2012 à obra do sem apoio ou solidariedade, assim como atenção, depois
de 200 mil meticais, no âmbito da de minha partida para Europa. Chico começou a beber sem
acrescidos do facto de se tratar de O Libreto da Miséria, de Eduardo
terceira edição do Prémio BCI de controlo com más companhias, etc. Isso deu cabo da vida de
White”.
literatura – edição 2012. O livro um dos melhores do país, para mim. Trabalhar ao longo dos 12 anos
Ainda durante a sua intervenção,
destaca o poeta e um louco, filhos com o Chico foi um grande privilégio”, lamenta Gimo Remane,
Jorge Oliveira referiu que sem
assumidos da grande personagem fundador do grupo Eyuphuro.
pretender interferir nas políticas
do tecido social moçambicano, que Gimo Remane, radicado na Dinamarca, disse que teve a triste in-
editoriais das empresas ligadas ao
é a miséria. “Receber esse prémio formação na passada manhã do dia 4 de Fevereiro do corrente ano.
ramo, a classe de júri do concurso
constitui uma enorme alegria e sa- “Foi com profunda mágoa que recebi a notícia da morte do grande
tisfação, e acho que surge num bom recomenda que as editoras pautem
músico moçambicano, Chico Ventura. Era assim que eu o trata-
momento, pois irá ajudar a elevar a por uma melhor e mais atenciosa
va. Nascido na província de Sofala, Chico Ventura passou parte da
minha auto-estima”, disse Eduardo revisão dos textos, quer no que tan-
sua vida na província de Nampula. Foi em Nampula onde encon-
White. ge à ortografia, quer na rigorosida-
trei este artista e ainda em Nampula aprendi a conhecê-lo como
Na ocasião, o Secretário-Geral da de da construção literária.
amigo, colega de profissão e músico, mas foi a sua qualidade de
Associação dos Escritores Moçam- A produção literária moçambicana
homem íntegro que mais me marcou durante os vários momen-
bicanos (AEMO), Jorge Oliveira, Este prémio surgiu num bom momen- exige já profissionais devidamente
tos que partilhámos nas andanças pelo mundo da música”, recorda
disse que a obra conseguiu conci- to, vai elevar a minha auto-estima, credenciados na área da revisão e
Gimo acrescentando: “muito cedo ganhou o carinho dos habitantes
liar todos os critérios de avaliação, !"# $%&' "&($)*+,- edição de textos.
daquele canto de Moçambique. Foi assim que o convidei a integrar
o conceituado agrupamento Eyuphuro e na companhia dos outros
músicos fizemos as viagens pelo mundo fora para divulgar a música
de Nampula em particular e a nossa cultura em geral, recorda.
Brana expõe “Crónicas de Maputo” no BCI Com Chico Ventura os Eyuphuro gravaram o seu primeiro CD
“Mama Mosambique”, para além das inúmeras viagens pelos quatro

E
cantos do mundo. Das músicas que constam deste álbum se pode
sta patente até dia 16 de encontrada em inúmeros passeios aos te de Artistas e Professores “Dusan
escutar a mestria de Chico Ventura e o seu estilo único de tocar a
Fevereiro corrente na Me- cantos de Maputo a artista descortina Miskovic). Membro da Associação
guitarra solo sem “descansar”
diateca do BCI a exposição lugares, pormenores de gentes e tona- Artística Cultural “Núcleo de Arte”;
da artista servia, Brana Sto- lidades cromáticas que talvez possam Maputo; Moçambique. com os ritmos tradicionais
jovic, intitulada “Crónicas nos ter passado despercebido em inú- Frequentou o curso de cenografia da da província de Nampula e os
de Maputo”. Brana é artista plástica meras caminhadas diárias das nossas Academia de Belas Artes de Roma instrumentos tradicionais que
multifacetada, com pulso artístico viagens incansáveis a esta cidade que onde, em 30 de Outubro de 2007, eram a marca dos “Eyuphuro”.
que sai da alma e de várias formações sobre ela dormimos e acordamos com obteve a Licenciatura com 110/110 Terminada a sua aventura nos
e experiências. De Kragujevac-Sérvia sonhos e olhares diferentes. valores e distinção, discutindo uma “Eyuphuro”, Chico Ventura
a Maputo já lá vão sensivelmente 4 E que cada um vai descrevendo no tese com o título “O espaço cénico partiu para uma nova aventu-
anos que vive estes dois pólos. seu porta diário o sonho que gosta- de J. Svoboda” e realizando um pro- ra, desta feita na província do
“Crónicas de Maputo” é o retrato da ria de nela viver como Brana, sem jecto de cenografia e figurino para Niassa onde continuou a par-
paixão que a artista vai vivendo por excepção fez, com alma de artista, “Medea”, “Sonho de uma noite verão” tilhar as suas qualidades com
estas terras vermelhas e de verde flo- criatividade e mestria no pincel, em e “Amadeu ou como se desembara- os músicos daquela cidade.
rescendo acácias, pelas gentes jovem cima destas belas capulanas que lhe çar”. Frequentou a Escola de Design Foi assim que conviveu com
revestidas de cores quentes e da ca- serviram de caderno para contar uma de Belgrado, ramo design industrial “os Massukos” durante os pri-
pulana de tradição longínqua que co- crónica de forma surrealista. e arquitectura de interiores, obtendo meiros anos da sua formação
brem as coxas das donzelas dos deu- Brana Stojovic é membro da Asso- o diploma de Escola Superior com o como agrupamento musical.
ses desta terra a séculos. ciação de artistas NULUP ”Dusan máximo dos valores. Chico Ventura
Pela sua intimidade com a paisagem Miskovic” (Associação Independen- A.S
Dobra por aqui
SUPLEMENTO HUMORÍSTICO DO SAVANA Nº 996 8 DE FEVEREIRO DE 2013
2 Savana 08-02-2013 Savana 08-02-2013 3
SUPLEMENTO
Savana 08-02-2013 27
OPINIÃO

Fernando Manuel (texto)


e Urgel Matula (fotos)

As águas em que
navegamos
F
ica-se com a impressão de que a igreja católica romana está a ser
cada vez menos concorrida por jovens que pretendam a carreira
de padre ou freiras. A origem desta situação está nessa controversa
lei de celibato que proíbe os padres de se casar, as freiras idem com
o agravante, no caso das freiras, de que elas nunca podem celebrar
missas.

Isto para além de ser anacrónico, joga a favor de todas as outras confissões
religiosas que admitem naturalmente que os padres se casem e as freiras
celebrem missas. Aliás, o que história nos diz é que a igreja anglicana
surgiu da dissidência entre o rei da Inglaterra (daí o nome de anglicana)
Eduardo VIII que se viu impossibilitado de se divorciar por ordem do
Papa. Desobedeceu a esta ordem, criou a sua própria ramificação onde
se admite o divórcio, onde se admite que os padres se casem e inclusiva-
mente que em alguns casos, as mulheres celebrem missas.

A igreja anglicana está bem radicada e tem tradições seculares em


Moçambique. Isso bem o testemunha o bispo da diocese dos Libombos,
Dom Dinis Sengulane e um dos fiéis da sua igreja recém crismado, de
nome Walter Sambo.

Trata-se de duas mulheres de diferentes níveis de mediatismo. A presi-


dente da Liga dos Direitos Humanos, Alice Mabota, que não tem papas
na língua, embora frequentes vezes as suas posições sejam polémicas e a
chefe da bancada da moribunda Renamo, Maria Angelina Enoque, pode-
se adivinhar aqui o futuro de diferentes rumos para cada uma delas.

Temos mais um jornal novo na já saturada praça maputense. É um jornal


electrónico que tem por nome Horizonte 25. O seu director e propri-
etário é Paulo Davis. Bom de papo segundo se diz, ele está em seu estilo
a tagarelar com outro tagarela profissional já com longos anos de carreira
e que nos desperta todas as manhãs com sua voz que já nos tornou famil-
iares na rádio de nome Emílio Manhique. É o Jornal da manhã.

Por falar de jornalistas, temos em dupla, Eunice Matavela, da TVM, e


Jeremias Mondlane, da Rádio Moçambique. É só papo que às vezes não
é furado.

Terminamos com outra área. A justiça com a veterana Benvinda Levi e


Gilberto Correia, bastonário da ordem dos advogados. Talvez se possa
perceber porque a nossa justiça navega nas águas em que navega.
À HORA DO FECHO
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IMAGEM DA SEMANA

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Foto Naíta Ussene

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da festa presidencial dos 70 anos. Em espaço alugado, e para todos sabe-
rem, cancelou o jantar de gala alusivo à cidade e diz que o montante vai
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seu espaço que, neste caso, não foi usado à última hora.

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amigos. Incluindo o cunhado de Malehice ...

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de celebração. Um punhado de generais macondes uniram-se ao antigo
ministro da mola que fez a transição para a economia de mercado para
tentarem assegurar que venha a pingar gás ou petróleo para os seus bolsos.
E também para as respectivas contas bancárias ...

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-(0)&0#'(.)5 )5 *ù-85 /'5 (5 5 ,#.#-')5 .,)465 )-5 ")'(-5 )5
^-").%/&#_5 &á5 0ã)5 4()5 0&,5 5 'é5 -5 -/-5  5 *,5 *),5 '5
-(.#)5 )-5 *,)$.)-5 $/(.)5 à5 '#),5 ù5 5 á!/-5 *,) /(-5 5 ,!#ã)85
Eles bem sabem das luvas dos alugueres de quartéis e outras propriedades
castrenses mais para o sul ...

R5/'5-5*)5,5*),5)(.(.5ï5)5.,)0),5)-5*.,ċ-85*)#-55--)-
biado nos “Continuadores” pela dedicatória ao cachimbo, o nosso homem
-(.7-5,#0#(#)5)'55'5*/&##.5,/(#ã)5)5!,(5&ù,5)'5
)5*+/()5&ù,5)'5()'55#5,/--85á5'&-5+/50ð'5*),5'5888
Ainda o caso de contaminação no Chókwè
R5/'5(5'&5'-')65*,5&ï'55'#(#-.,55/éã)5&'ã5/-
sada de plágio, é um secretário de estado tuga com um CV altamente

Vector Lda. multada


)(.,)0,-)85,5&ï'55.,5-.)5&#!)5)5()5+/5ï5)5'#),5/,)5
ŀ((#,)5)5*ù-655-!/()5)5-/565)'é)/55-/5,,#,5(5/#.),5
Ernst & Young com a idade provecta de 16 anos. Se se começa a levantar
por cá o véu ...
-empresa de capitais sul-africanos manuseava produtos químicos não autorizados R55#!,$55.(5'#&!,-5.'ï'5(ã)5-.á5'/#.)5'85&)5'()-5()5
)/.,)5&)5)5.&â(.#)85 '5ï/65*)#-5)5-â(&)5-5'),.-5
-Engenheira transportada para o hospital de JHB continua a inspirar cuidados

A
5ŀ'5)5()65-/-*(/5-5.#0#-5)5!,/*)5*),5-#-5'--85ŀ(&5
sempre há alguma coisa a perder ...
empresa Vector Limi- Com um capital social de 20 mil (!("#,)-5 B+/.,)5 *),./!/--5 5
tada, que fumigou o meticais, a empresa tem como ob- dois moçambicanos), ficaram gra-
estaleiro da construto- jecto a prestação de serviços na área vemente contaminados durante uma Em voz baixa
,5 *),./!/-5 *135 5 de controlo de pestes e ervas dani- operação de fumigação no estaleiro
provocou a contaminação nhas; turismo; e desenvolvimento ou 5 *1365 '5 &(65 #-.,#.)5 5 R5'55*,)*ĉ-#.)65)5")''5+/5ï5/-)55(.,&#-')552--)55
grave de seis engenheiros ligados à aquisição e gestão de propriedade "ĉ%1î85 protagonismo na pública das xitimelas, é a própria cara da capa da revista
fiscalização, foi multada pelo Minis- imobiliária. 5)(.'#(éã)65+/5&0)/5)#-5)-5 *!5*&5-/5'*,-85/'5*)65*)5'-')588855
.ï,#)55!,#/&./,55*!,5jff5'#&5 5^5'*,-5)*,5-'5&#(é5),- engenheiros a parar na sala de cui-
meticais e desactivar o seu escritório respondente do Ministério de In- )-5 #(.(-#0)-5 ()5 )-*#.&5 ,#-
que estava a funcionar ilegalmente, dústria e Comércio e não está regis- vado de Maputo e um deles mais ção da obra, Caniçado-Chicualacua, !/()5/'5 )(.5&#!55*1365
*/,)/5)555 )(.5&#!5 .5 ()5 #(#-.ï,#)5 5 !,#/&./,5 tarde evacuado para Joannesburgo, uma empreitada de 135km dirigida 5-#./éã)5&ù(#55 ,.5($)-655
ao assunto. como aplicadora de pesticidas. Usa ocorreu após uso de um inseticida *&5*13855ŀ-&#4éã)5ï5&055 engenheira transportada para Joan-
!/()5 (-.â#)5 /ù-65 " 5 5 produtos não registados e funciona B )- ),.)5 5 &/'ù(#)C5 &.'(.5 cabo pela empresa portuguesa Con- nesburgo, continua a inspirar cuida-
Repartição, Registo e Controlo de no quintal da casa do proprietário da .ĉ2#)85 -5 (!("#,)-5  .)-5 sulgal, que convidou a moçambicana dos.
!,)+/ù'#)-5 ()5 #(#-.ï,#)5 5 '*,-85 ,'4(5 *,)/.)-5 &.- )(-.#./ù'5 5 +/#*5 5 ŀ-&#4- Secon para fazer parte do projecto. (Redacção)
!,#/&./,65#(-*.),-5-.5#(-.#- mente tóxicos que colocam a perigo
tuição governamental visitaram, se- a saúde pública”, frisou a fonte. LISTA DE PESTICIDAS INSPECCIONADOS NA EMPRESA VECTOR, LDA - MATOLA
mana passada, os escritórios da em- 5 -+/ð(#5 -.-5 )(-..éċ-65 MARCA DO PRODUTO SUBSTANCIA ACTIVA REGISTO/AGENTE
presa na Rua Mário Esteves Coluna, /'5 )(.5)5 5ŀ(é)/5)5 Novan Profi Diclovos 124/kg Não registado
número 225, na cidade da Matola, 5 +/5 -,á5 ,.)5 /'5 *,)- Maxotorce Ant Hydramethylon 10g/kg Não registado
e constaram que a Vector funciona cesso crime contra o proprietário da Killem Super Methomyl 10 g/kg + Tricosene 0,5 Não registado
em condições não recomendáveis, na empresa por perigar a saúde pública. g/kg
casa do seu proprietário, um cidadão 5 5 /5 #!/&'(.5 ),(-5 Curagel Zinc Phosphid 40 g/kg Não registado
de origem sul-africana. *,5+/5(.,)55jn5"),-5B*,4)5 Degesch Rat Bait blocks Brodifacoun 0,05 g/kg Não registado
Registada em Moçambique em terminou nesta quarta-feira) a em- Alumionium Phosphid 56% Aluminium Phosphid 560 g/kg Registado – Afrigrow
2009, a Vector Limitada é detida por *,-50)&05.))-5)-5*,)/.)-5+/ù- FT (No Reg. : DSV 1071)
Gert Erasmus Hattingh Delport, micos que tem a sua guarda. Maxoforce Gel Hydramethylon 21,5 g/kg Não registado
um cidadão de origem sul africana. ),7-5+/5"á5.,ð-5-'(-5-#-5 Dimilin SC 48 Diflobenron 480 g/kg Não registado
Savana 08-02-2013 1
EVENTOS

Sapo.MZ 4 Anos de referência

Por Edson Bernardo


Foto Urgel Matula

O
portal Sapo.MZ com- ção do Carnaval Sapo vai juntar a promoção do nosso aniversário, vência com Moçambique. da Sapo Internacional, este ano
pleta esté ano o seu neste Sábado milhares de pessoas o que reflete o nosso maior com- Os concertos ao vivo vão acom- a Sapo.MZ estará revolucionária
quarto aniversário num desfile inédito, trazendo de promisso para com Moçambique. panhar o camião alegórico desde em conteúdos de imagem, mú-
de promoção da mo- volta o denominado “Sapódro- O Carnaval Sapo foi um suces- o Circuito do Repinga, termi- sica e vídeo, optimizados para
çambicanidade pelo mo”, um camião alegórico, que se so o ano passado, na primeira nando na Av.Marginal, junto ao os smartphones e o novo canal
mundo fora. Em comemoração irá acompanhar por bailarinas, e vez que o realizamos, e para dar Centro de Conferências Joaquim Txiling, virado pa camada mais
do seu sucesso no país, com mais a com a participação de músicos continuidade a este movimento Chissano. jovem. “Teremos ainda muitas
de três milhões de visualizações moçambicanos, que irão fazer festivo, incentivando esta tradi- Com o seu sucesso, o Sapo.MZ novidades para apresentar. Lan-
e mais de 200 mil visitantes desta festa a cara de Moçambi- ção, que se tornou num atractivo tem assumido um papel funda- çaremos igualmente o Sapo Es-
mensais, o Sapo.MZ prepara-se que. mundial, queremos promover um mental na dinamização da ima- tudante, um canal virado para os
pré universitários e universitários,
para celebrar em grande com os Numa conferência de imprensa carnaval à moda moçambicana, gem de Moçambique no mundo
com foco no Mercado de traba-
moçambicanos, oferecendo uma realizada na última quinta-feira, desta vez com mais música, mais digital, através do desenvolvi-
lho e aconselhamento de profis-
gama de entretenimento já mais Inês Condeço, directora geral da dança e entretenimento. mento de diversos sites, canais e
sões a seguir.
visto no país. Sapo internacional, disse que o Mais música e entretenimento, aplicações. O Portal Sapo, presente em cinco
A celebrar no próximo dia 20 Sapo.MZ tornou-se uma refe- estarão a cargo dos moçambica- Para o recente ano, o portal vai países da comunidade lusófona
de Fevereiro, o seu quarto ani- rência incontornável na vida dos nos, Dama do Bling, Liloca, que se apresentar com uma nova cara, – Portugal, Cabo Verde, Ango-
versário inicia com a celebração moçambicanos e além fronteiras, pela primeira vez se juntam ao lançando um homepage mais la, Moçambique Timor-Leste, e
da grande festa do carnaval, a por isso o empenho da sua equipe Carnaval Sapo, e o brasileiro Ro- irreverente e criativo, seguindo Brasil, faz parte do Grupo Por-
famosa festa de origem brasilei- em querer fazer deste momento, bson, que pela segunda vez subirá uma lógica multiplataforma (PC, tugal Telecom, que tem no conti-
ra, que junta a música, dança e um marco na história do entre- ao palco para sambar e “marra- Telemóveis, Smartphones e ta- nente Africano um dos principais
muita festa. À semelhança tenimento moçambicano. “Este bentar”, alguns dos passos que já blets). focos de investimento a par com
do ano passado, a segunda edi- ano começamos mais cedo com aprendeu nos seus anos de convi- De acordo com a directora geral o Brasil.
2 Savana 08-02-2013
EVENTOS

CDM disbonibiliza 4 milhões de meticais ao INGC


Por Edson Bernardo

A
Cervejas de Moçambi- ao Intituto Nacional de Gestão de
que, SA, sensibilizada Calamidades, INGC, afirmou que
com a actual realidade a CDM, como empresa cidadã e
do país após as enxura- no quadro das acções de Respon-
das, está ciente das pri- sabilidade Social, para além de
vações provocadas pelas mesmas prestar a sua solidariedade, “ ma-
no seio das populações mais vul- nifesta a sua consternação com a
neráveis, sendo que recentemente, situação das famílias, para juntos
dentro das suas condições, decidiu encontrar alternativas para o alí-
responder às necessidades mais vio provocado por esta catástrofe
básicas das comunidades. Entre natural”. Por seu turno, Casimiro
os danos e prejuízos imensuráveis Abreu, director geral adjunto do
provocados a CDM decidiu con- INGC, disse: “para esta contri-
tribuir com produtos diversos, que buição, a CDM preocupou-se em
irão suprir as necessidades destas conhecer, inicialmente, as reais ne-
populações no que diz respeito a cessidades do INGC para o alívio
saúde, higiene e bens alimentares. das vítimas das cheias, daí que, em
Este compromisso traçado pela resposta ao nosso plano de contin-
CDM está avaliado em 4 milhões gência, nos faz agora a entrega de
de meticais, contribuição que visa vários produtos, tais como redes
ser um acréscimo a iniciativas mosquiteiras, enxadas, pás, anci-
idênticas. nhos, purificadores de água Cer-
José Moreira, administrador da teza, mantas, lonas plásticas, sais
Cervejas de Moçambique, SA, na de reidratação, bem como água
ocasião da entrega dos donativos em garrafa e em lata, açúcar, entre
Director Adjunto do INGC, Casimiro Abreu, recebendo a doação da administração da CDM, Josése Moreira
outros”.

Crónicas de Maputo em forma de tela


ACJM capacita 40 DJs
Por Nélia Jamaldine Por Redacção

A A
artista plástica de na- tão várias actividades profissionais, tura está patente na Mediateca do Associação Coalizão da formar a vida de muitos jovens”
cionalidade Sérvia Bra- exposições individuais e colectivas Banco Comercial de Investimentos Juventude Moçambi- disse o presidente da ACJM José
nislava Stojanovic mais em várias partes do mundo. ( BCI) e decorrerá até o dia 16 do cana (ACJM) formou A. Macamo.
conhecida por Brena, De referir que a exposição de pin- Corrente mês. recentemente 40 Disc Através desta iniciativa, a organi-
realizou uma exposição Jockeres (DJ´s) das mais zação identificou elementos deter-
de pintura de sua autoria nesta conhecidas casas nocturnas de Ma- minantes para que os números de
quarta-feira intitulada Crónicas de puto intitulada “Zero Infecções nas seroprevalência no seio de adoles-
Maputo. Discotecas”. centes e jovens tenham tendência a
Crónicas de Maputo é a sua se- Trata-se duma iniciativa que con- decrescer.
gunda exposição só que desta vez tou com a colaboração da Asso- Por seu turno o Secretário-geral
individual em Moçambique e re- ciação Moçambicana dos Dj´s, da Associação Moçambicana dos
trata a sua paixão por estas terras para, ao nível dos seus “líderes” das DJ´s, DJ Celsinho, disse: “a causa
vermelhas e de verde florescendo as noites, no caso Dj´s, ajudarem a abraçada é muito nobre, primei-
acácias, por gente jovem revestida reduzir e controlar os jovens numa ro porque constitui um momento
de cores quentes em torno da ale- situação de riscos de vária ordem, de aprendizagem para nós como
gria das cores e capulana que na sua designadamente infecção, gravidez animadores das noites porque des-
óptica identificam a cultura do país. indesejada, e DTS. Esta teve como ta forma iremos contribuir para o
Stojanovic traz em suas telas, a inti- base as actuais abordagens que são combate e redução dos índices de
midade com a paisagem encontra- baseadas na resolução de proble- infecção pelo HIV-SIDA no seio
da em inúmeros passeios aos cantos mas, permitindo desta forma que da camada jovem que é tida como
de Maputo onde descortina luga- os adolescentes e jovens descubram sendo a mais vulnerável”.
res, pormenores de gentes e tonali- comportamentos e estratégias bem Refira-se que numa parceria entre
dades cromáticas que talvez possam sucedidas, para obterem conheci- a ACJM, AMODEFA e núcleo de
ter passado despercebido em enú- mentos, habilidades e atitudes para Mavalane Contra Drogas e Sida
meras caminhadas diárias das via- melhor administrarem a sua sexu- num passado recente estas levaram
gens incansáveis a esta cidade que alidade. a cabo o primeiro concurso nacio-
sobre ela se dorme e se acorda com “A estratégia está a surtir efeitos nal de DJ´s Feminino, designado
sonhos e olhares diferentes. positivos, visto que os preservativos “Ladies Mix Biz”.
“Vivo há quatro anos em Moçam- que são disponibilizados nas casas A Associação Coalizão da Juventu-
bique e sinto-me em casa pois, fui de banho das discotecas, tem sido de Moçambicana tem em vista este
acolhida pelo povo e logo me iden- levados pelos utentes daquelas ca- ano, ampliar o seu raio de actuação,
tifiquei com a cultura e hoje trago sas nocturnas, facto que nos leva a prevendo abranger as províncias de
exposto nas telas o meu sentimento afirmar que temos estado a trans- Sofala e Cabo Delgado.
em relação a cultura e vivência mo-
çambicana” disse Brana.
Nascida em 1983, Branislava Sto-
janovic formou-se em 2002 em
Design Industrial e Arquitectura
de Interiores pela Escola de Design
de Belgrado e em Cenografia pela
Academia de Bela Artes de Roma
desde 2007. Desenvolveu desde en-
Savana Eventos

Redacção
Edson Bernardo
Maquetização
Hermenegildo Timana
Comercial
Benvinda Tamele
Telefone
(+258) 823051790 Branislava Stojanovic no meio e algumas simpatizantes das suas obras José Macamo
Savana 08-02-2013 3
EVENTOS

Rio Tinto apoia vítimas das cheias


Por Edson Bernardo

A
mineradora Rio Tinto terrível acontecimento.”
Moçambique procedeu O grupo internacional líder no sec-
na manha da última tor de mineração, apesar de estar no
terça feira à entrega de país para desenvolver negócios que
mais de dois milhões de envolve a descoberta, mineração e
meticais, destinados a responder a processamento de recursos mine-
demanda apresentada pela INGC, rais, refere ter participação activa
referentes ao apoio das vitimas das no sector de responsabilidade social
cheias no país. O acto de responsa- nos países em que está baseada.
bilidade social teve lugar no Cen- A exemplo disso tem contribuido
tro Operativo de Emergencia, CE- em diferentes sectores sociais, com
NOE, onde a Rio Tinto procedeu a maior enfoque para sector econo-
entrega dos donativos em bens de mico do país, com desenvolvimen-
primeira necessidade e lonas. to d eprojectos cumunitários e de
Segundo o Representante da Rio educação.
Tinto em Moçambique, Eric Fin- Com a sua presença e nome, a Rio
layson, “ Este é um momento ex- Tinto iniciou uma mobilização in-
tremamente difícil para milhares de terna junto aos seus trabalhadores
famílias em Moçambique. Quere- no intuito de angariar mais apoio
mos exprimir a nossa solidariedade para as vítimas das cheias, quer seja
para com as pessoas afectadas, con- em géneros alimentícios, vestuá-
tribuindo para o esforço de ajuda rio, produtos de higiene ou outros,
que está sendo levado a cabo. Os ainda no âmbito das necessidades
nossos pensamentos vão para as fa- apresentadas pelo INGC. José Vale, Director Geral de Recursos Humanos da Vale, aquando da entrega dos donativos a INGC
mílias que tentam recuperar deste

Sónia Sultuane interpreta mCel e músicos angariam fundos


obras de Gaudí Por Redacção

A
Por Redacção rede de telefonia móvel Promovida por artistas com vínculo ças, daí nos associarmos a esta cau-
Foto Naita Ussene mcel, lançou na última contratual com a maior operadora sa nobre”, segundo frisou.

O
terça feira, em confe- de telefonia móvel do País, a ini- “Estamos a falar de cerca de 150
Centro Cultural da Em- na luminosidade das cores inven- ciativa visa fazer um apelo à socie- mil pessoas desalojadas, razão pela
rência de imprensa, a
baixada de Portugal em tadas e reinventadas, na dimensão dade civil para a tomada de acções qual estamos a fazer este espectá-
iniciativa “Música é
Maputo, inicia as suas simbólica e poética dos elementos imediatas, no sentido de se evitar a culo”, realçou o músico Stewart
convocados e sobretudo no arroja- vida”. A mesma com sentido a cha-
atividades culturais do eclosão de uma catástrofe humana, Sukuma, continuando por dizer
do investimento nas asas de ima- mar atenção e sensibilizar a socie-
ano de 2013 com a inau- nas regiões do país afectadas pelas que “Aceitamos qualquer tipo de
guração da exposição de artes plás- ginação que nos levam muito além dade civil para contribuirem com
cheias. apoio, seja material ou monetário,
ticas de Sónia Sultuane. A exposi- daquilo que é a nossa existência o seu pouco para minimizar as ne-
No mesmo evento, as pessoas fize- pois pretendemos, particularmente
ção intitulada Códigos de Gaudí, imediata, prosaica e contingente. cessidades das vitimas das recentes
ram doações que a serem canaliza- satisfazer as grandes preocupações
inaugurada nesta quinta-feira, foi Enfim, tal como a vida, a arte, por enxuradas no país, culminou com a
mais abstracta que ela seja, é um das aos necessitados nos centros de dos afectados, nomeadamente em
inspirada nas obras de Antonio realização de um espectáculo musi-
círculo perfeito. Neste caso, de um acomodação. Intervindo na confe- redes mosquiteiras, tanques de
Gaudí, um arquitecto catalão, que cal, envolvendo grandes figuras da
lirismo incontornável, tais são as água, cobertores, entre outros ma-
se tornou um símbolo de Barcelo- praça, que aceitaram abraçar a ini- rência de imprensa do lançamento
dimensões de interioridade, e não teriais que possam contribuir para a
na, Espanha, pelas suas claras influ- ciativa pelos Moçambicanos. da iniciativa, o administrador co-
ências da arquitectura gótica. só, que estes Códigos de Gaudí nos melhoria do saneamento do meio”,
É um momento sensivel e de sen- mercial da mcel, Cláudio Chiche,
A segunda exposição individual permitem entrever.” , por Francisco indicou.
sibilização, em que os músicos referiu que “as enxurradas estão e
da artista plástica, Sónia Sultuane, Noa, na sua apresentação “Poemas Para Sukuma, que recentemente
Stewart Sukuma, Mingas, Gpro, ainda continuam a criar sérios pro- visitou alguns locais de reassenta-
apresenta um conjunto de instala- pintados”, patente no catálogo da
subiram ao palco não só para canta- blemas às populações nas regiões mento na província de Gaza, “a voz
ções de pintura, dominados pela vi- exposição.
Ainda no início das suas activida- rem os seus hinos, mas para contri- afectadas, pelo que a mcel não po- dos artistas tem uma força inques-
são de Gaudí, na sua interpretação
des, o Centro Cultural da Embai- buir com suas canções e letras sobre dia ficar indiferente a um momen- tionável, por isso mesmo achamos
da arquitectura moderna.
A artista, que viveu de perto as xada de Portugal, organiza ainda o sentido de dar a mao. to tão delicado como este, em que, que podemos fazer alguma coisa,
obras do arquitecto, afirma que diversas actividades paralelas a esta As receitas deste grandioso espec- para além de as pessoas perderem se tivermos o apoio necessário dos
experimentou-as em Barcelona, exposição, com destaque às conver- taculo serão revertidas na íntegra os seus bens, cria-se um ambiente nossos parceiros para levarmos a
num momento de particular afeti- sas com nomes como o de Francis- a favor das vítimas das inundações. propício para a ocorrência de doen- cabo a nossa tarefa”.
vidade, apresentando-nos agora a co Noa, com o tema “A Dimensão
sua interpretação das sensações que Estética na Era do Vazio”, no dia
ali viveu. 13 de fevereiro às 18h00, Lionel
Esta visão pessoal e afetiva dos Papane, sobre “Portais para a Me-
conceitos imortais e universais ditação”, e Denise Sultane, sobre
de Gaudí transborda no “festivo, “O Bem-estar Através da Cor/A
intenso e diversificado colorido, Cor e as Sensações”, ambas no dia
no carácter ornamental de cada 20 de fevereiro às 18h00
quadro, nas suas formas curvas, .

Sónia Sultuane , reconhece talento de Antoni Gaundí


4 Savana 08-02-2013
EVENTOS
publicidade

Kulima apela boas práticas Historia do futuro urbano


de prevenção do Hiv-Sida exposta no ICMA
Por Zaqueu Massala Por Nélia Jamaldine

K O
ulima, organismo para durante relações sexuais não se pre- Instituto Cultura Mo-
o desenvolvimento só- vine. A nossa obrigação é sempre çambique Alemanha
cio económico integra- persuadir essas pessoas a se preve- (ICMA), inaugura nes-
do, realizou na última nirem ou seja a usar o preservativo ta sexta-feira no Centro
semana quinta-feira um durante as suas relações sexuais, se- Cultural Brasil Moçam-
workshop nacional com jornalistas gundo a pesquisa feita em 2009 um bique (CCBM), uma exposição
de diferentes órgãos de Maputo. pouco por todo o país indica que intitulada “Post-Oil City” Cidade
O encontro que juntou cerca de 20 11,5% de pessoas são infectadas”. pôs - petróleo com o subtítulo – A
participantes teve como principal Segundo a fonte, Kulima desem- Historia do futuro urbano.
objectivo persuadir a sociedade em penha as suas actividades sobre o Trata-se de uma colectânea de pro-
geral sobre a promoção de Mudan- mecanismo de prevenção do Hiv- jectos desenvolvidos na Ásia, Áfri-
ças Sociais e de comportamentos -Sida nas seguintes províncias, ca e América que aborda questões
na área de Hiv-Sida. Zambézia, Nampula, Gaza, cidade actuais de como modificar a cida-
De acordo com o coordenador do de Maputo e Maputo província, de na transição de energias fosseis
projecto kulima, Flávio Sarava, onde trabalha com os líderes comu- para energias renováveis e quais os
um dos principais objectivos deste nitários, associações, entre outros. efeitos que as energias renováveis
encontro é transmitir a mensagem Para tornar possível as suas acti- trazem para os sistemas urbanos na
vidades, o projecto de Kuilima é Exposição projecta um futuro renovável
sobre os riscos do Hvi-Sida aos ór- sustentabilidade e nas políticas de
gãos de informação para que estes financiado pelo Fundo Global, modalidade. urbanismo num novo laboratório ais a 9 projectos de referência, que
também nos ajudem a difundir a em parceria com o Fundo para o “ Torna-se claro que as actuais vi- experimental para se atingir, não só, mostram o planeamento actual e
mesma mensagem através dos seus Desenvolvimento da Comunidade, sões de desenvolvimento são base- mudanças ecológicas como tam- passado nas áreas de sustentabili-
meios para os outros locais onde FDC, num valor estimado em cer- adas nas utopias urbanas da cidade bém sociais. dade, transporte urbano e sistemas
não conseguimos chegar. ca de 2 mil dólares por ano. moderna. Muitas das soluções de- Cidade pôs - petróleo retrata tanto urbanos.
Adélia Pintos, do jornal Magazine o futuro quanto o passado se inter- “Post-Oil City” tendo sido já apre-
Explicou também que o problema senvolvidas para problemas urbanos sentada na Alemanha, na Áustria
do vírus do Hiv-Sida não é um as- Independente, disse que o encontro em meados do século XX, como ligando com a história do futuro
e na Suíça, desde 2011 passa por
sunto novo, mas é importante que serviu para despertar alguns pontos tráfego ou lixo, são, hoje, retomadas, urbano em que se planeja o futuro
diversos países em todo o mundo,
cada dia ou cada ano que passa as de índice do Hiv-Sida no nosso desenvolvidas e convertidas em rea- numa visão do passado. fazendo parte do programa de ex-
pessoas tomem consciência e sai- país, “ foi um encontro muito im- lidade” disse o arquitecto responsá- Para ilustrar este fenómeno o Ins- posições internacionais do Institut
bam prevenir porque o SIDA existe portante, aprendi muita coisa que vel pela exposição Thilo Fuchs. tituto para Relações Exteriores em für Auslandsbeziehungen, ifa.
e é uma realidade, daí que as pesso- eu não sabia e vou transmitir as ou- Fuchs acrescentou ainda que a mu- cooperação com Revista de Arqui- A exposição estará patente no
as devem mudar o seu comporta- tras pessoas sobre as mudanças do dança climática, o anunciado fim tectura e Urbanismo de curadoria CCBM até ao dia 28 de Fevereiro
mento sobretudo nas suas relações comportamento, é preciso projectar dos combustíveis fósseis e a crise de Nikolaus Kuhnert e Anh-Linh podendo os interessados marcar vi-
sexuais. o futuro, há muitos jovens que não do sistema financeiro tornam o Ngo comparou 11 projectos actu- sitas guiadas.
“É do conhecimento de todos que se querem prevenir esquecem que
o problema do Hiv-Sida, não é algo isso pode pôr em causa muitas vi-
novo, há muita gente que sabe que das sobretudo dos seus filhos” fri-
o Sida existe, mas mesmo assim sou.

YPG & The Pioneers no seu


primeiro concerto do ano
Por Edson Bernardo

N
o seu primeiro concerto Prontos para oferecer ao público
do ano, a banda moçam- uma noite de entretenimento e de
bicana YPG & The Pio- muita animação, a banda propoe se
neers vai actuar na noite a trazer novos temas, e alguns te-
desta sexta feira, no Gil mas já conhecidos pelo público fã.
Vicente, iniciando deste modo a sua Parar fazer parte desta festa, a ban-
da tem como convidados o músico
temporada de 2013.
Abba Meskel , moçambicano ra-
Já bem conhecidos na praça, a ban- dicado em Durban, que também
da, oferece um leque de sons e rit- compõe temas no estilo reggae e
mos atractivos para um grupo de dancehall. De Moçambique, foi
apreciadores de música alternativa. convidado o músico e produtor
Buscando um pouco daquilo que moçambicano Luarbeatz, autor de
são os ritmos africanos misturados uma das mais escutadas mixtapes
com outros ritmos do mundo, a
banda, composta por nove elemen-
de 2012 intitulada Boca Livre. O melhor dia dos namorados
Para animar a noite estarao presen-
tos oferece desde a música reggae
hip-hop e ragga/dancehall.l
tes tambem os DJS midnightma- é no Waterfront
chiine.
O Restaurante Waterfront em parceria com a Rá-
dio SAVANA 100.2 FM vão sortear no próximo
dia 13 de Fevereiro, jantares para dois casais por
ocasião do dia de São Valentim.
Acompanhe as emissões diárias da Savana FM e
saberá como participar do sorteio.

YPG & The Pioneers vestem a musica que cantam