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CARACTERIZAÇÃO BIOGEOQUÍMICA COM BASE EM

FORAMINÍFEROS PARÁLICOS DOS CANAIS E DE ZONAS DE


MANGUEZAL NOS ESTUÁRIOS DOS RIOS UNA, PARDO E
JEQUITINHONHA, BAHIA

Isabel Honorata de Souza AZEVEDO,1,2,3 Antônio Fernando Souza de QUEIROZ,1,2


Simone Souza de MORAES1,3, Olívia Maria Cordeiro de OLIVEIRA2, Ícaro Thiago
Andrade MOREIRA2

1
Mestranda em Geoquímica: Petróleo e Meio Ambiente, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia,
Campus de Ondina, 40170-290 Salvador-BA, Brasil
2
Núcleo de Estudos Ambientais, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, Campus de Ondina,
40170-290 Salvador-BA, Brasil
3
Grupo de Estudos de Foraminíferos, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, Campus de
Ondina, 40170-290 Salvador-BA, Brasil

Resumo. Foraminíferos de zonas parálicas são amplamente reconhecidos como eficazes


ferramentas para identificar variações ambientais antigas e recentes provenientes de fatores naturais
e abióticos. Este trabalho tem por objetivo caracterizar as zonas de manguezais e canais estuarinos
dos rios Una, Pardo e Jequitinhonha utilizando os foraminíferos parálicos e dados geoquímicos do
sedimento. Na primeira campanha (período chuvoso), foram obtidas 770 testas de foraminíferos nos
canais e 763 nos manguezais, dentre as quais, respectivamente, 12,21% e 4,06% estavam vivos no
ato da coleta. Nesse período, foram registradas 19 espécies (13 encontradas nos canais e 17 nas
zonas de manguezal), sendo que Ammonia beccarii, Haplophragmoides wilbert, Nonion grateloupi,
Miliammina fusca, Trochammina inflata e Trochammina squamata são comuns aos três ambientes
estudados. Na segunda amostragem (período seco), registrou-se 125 testas nos canais e 272 nos
manguezais, das quais, respectivamente, 9,6% e 9,55% estavam vivos no momento da coleta. Nessa
campanha, foram identificadas 20 espécies (14 encontradas nos canais e 17 nas zonas de
manguezal), sendo A. beccarii, A. tepida, H. wilbert, T. inflata, T. squamata e Quinqueloculina fusca
encontradas nas três áreas de estudo. Ressalta-se que no rio Pardo foi registrada a presença das
espécies planctônicas Globigerinoides trilobus e Neogloboquadrina pachyderma, as quais são típicas
de ambientes marinhos distantes da costa, mas que provavelmente devido a influencia das correntes
de marés, foram transportadas para dentro do estuário. O trabalho ainda se encontra em andamento,
mas o estudo das associações de foraminíferos já está contribuindo para o reconhecimento das
condições dominantes dos ambientes estuarinos e áreas de manguezais analisadas, onde os
parâmetros abióticos são muito variáveis.

Palavras chave: Foraminíferos, Una, Canavieiras, Belmonte, zonas de manguezal.


1. Introdução:

O termo estuário é utilizado para designar ambientes que representam uma fronteira
entre os meios marinhos e fluviais, comunicando áreas oceânicas às zonas litorâneas (MAIA
et al., 2006). Já o manguezal é uma área situada na interface de ambientes terrestres e
marinhos e, assim como os estuários, estão entre os mais importantes ecossistemas
costeiros não só por sua biodiversidade como também pelo grande número de espécies de
alto valor econômico e social (SALEM et al., 2012).
Nas regiões de grandes movimentações urbano-industriais são encontrados
frequentemente os denominados elementos químicos não essenciais, produzidos
normalmente como rejeitos em processos fabris. Esses elementos químicos podem estar
associados ao material em suspensão em águas estuarinas, ligados a sólidos inorgânicos,
sólidos orgânicos e microorganismos. Existe ainda uma grande probabilidade de se unirem
a partículas sedimentares de granulometria muito fina, como silte e argila, devido à sua
grande superfície específica disponível (FRANZ, 2012).
Sendo assim, programas de diagnóstico, monitoramento e manejo de canais
estuarinos e zonas de manguezal, tornam-se cada vez mais necessários, devido à
quantidade de impactos gerados por conta desses eventos em áreas costeiras (QUEIROZ et
al., 2000). Também deve ser destacado que a aplicabilidade e o uso de bioindicadores tem
intensificado os estudos com organismos bentônicos já que estes são os mais expostos à
poluição (TEODORO et al., 2010). Dentre os organismos bentônicos, os foraminíferos
representam um dos grupos mais eficientes em estudos ambientais por conta de sua alta
sensibilidade, visto que tais microorganismos são pouco tolerantes a poluentes,
especialmente elementos químicos não essenciais e hidrocarbonetos (SAMIR, 2000).
Estes organismos tendem a ser os primeiros da comunidade parálica a responder
aos efeitos de estresse ambiental (PRAZERES et al., 2011), de modo que estudos
realizados com associações de foraminíferos bentônicos em regiões estuarinas e zonas de
manguezal são ferramentas muito importantes na indicação da qualidade ambiental dessas
áreas (LAUT et al., 2010).
O objetivo deste trabalho foi caracterizar a qualidade ambiental das zonas estuarinas
Jequitinhonha, Una e Belmonte utilizando os foraminíferos parálicos como organismos
indicadores do estudo através de um estudo integrado com outros parâmetros geoquímicos
dos sedimentos.

2. Materiais e Métodos:

No âmbito do cumprimento dos objetivos deste trabalho estão previstas quatro


coletas. A primeira foi realizada de 25 a 27/11/2011, a segunda de 21 a 23/04/2012, a
terceira de 16 a 18/10/2012 e a última será realizada de 7 a 09/05/2013.
Dessas coletas, será obtido um conjunto amostral de 192 amostras, correspondentes
a 30 amostras de sedimentos superficiais de fundo nos canais estuarinos dos rios Una,
Pardo e Jequitinhonha (Figura 1), sendo 10 amostras em cada canal e 18 amostras de
sedimento superficial das proximidades de espécimes de Avicennia em zonas de manguezal
dos municípios de Una, Belmonte e Canavieiras (6 amostras em cada manguezal).
Em ambos os casos, as amostras foram acondicionadas em frascos plásticos com
tampa rosqueada, sendo adicionado o fixador Rosa de Bengala para corar os indivíduos
capturados vivos no ato da coleta. Em Laboratório, todas as amostras de sedimentos foram
submetidas às análises de granulometria e também as análises de sedimento: fósforo
assimilável, matéria orgânica e nitrogênio total. Por fim, Todos os métodos analíticos
escolhidos para as análises de determinação de nutrientes no sedimento seguiram os
procedimentos padrões estabelecidos pelos Laboratórios do Núcleo de Estudos Ambientais
– NEA (Instituto de Geociências/ Universidade Federal da Bahia).
Figura 1. Mapa de localização dos Municípios de Una, Canavieiras e Belmonte.

Fonte: PETROTECMANGUE-BASUL (QUEIROZ, 2011).

3. Resultados e Discussões:

Considerando-se a análise granulométrica, na primeira campanha (período chuvoso)


houve predomínio de areia grossa no canal do estuário do rio Una e de areia muito fina nos
rios Pardo e Jequitinhonha. Enquanto que para a segunda campanha, o rio Una apresentou
a mesma fração granulométrica, enquanto que nos rios Pardo e Jequitinhonha foi registrada
a predominância da areia fina. Essa situação evidencia a presença de um ambiente de alta
energia hidrodinâmica na região do canal do rio Una, enquanto que os canais dos rios Pardo
e Jequitinhonha um ambiente de baixa energia.
Já as zonas de manguezal dos estuários dos rios Una, Pardo e Jequitinhonha, houve
predomínio da fração silte para as três regiões. Essa situação sugere um ambiente de baixa
energia devido a sua composição granulométrica ser silte.
No rio Una, na primeira campanha, foram identificadas 12 espécies (04 encontradas
no canal e 12 registradas para o manguezal). Para a segunda campanha foram identificadas
16 espécies (11 registradas para o canal e 13 encontradas no manguezal) sendo as
espécies Ammonia beccarii, Haplophragmoides wilbert e Trochammina squamata,
encontradas tanto nas regiões do canal, quanto nas zonas de manguezal, a presença
dessas espécies no ambiente indica elevado teor de matéria orgânica. Tal informação é
confirmada através dos dados de M.O. para a região, pois durante a primeira campanha foi
registrado o valor de 3,32% e na segunda estação o valor de 1,07% nas áreas dos canais.
Enquanto que para as zonas de manguezal, obteve-se um valor de 1,9% no primeiro
período de coleta e 1,64% na segunda amostragem. Além disso, durante a segunda
campanha, houve uma abundância da espécie T. inflata, que são típicas de regiões com
baixas concentrações de oxigênio dissolvido. Seguindo essa informação salienta-se que,
realmente, as maiores concentrações de oxigênio foram na primeira campanha, o que pode
está relacionado ao aumento de fluxo dos rios, devido as chuvas atípicas desse período
(Nov/2011). Enquanto que segunda campanha houve uma redução das concentrações de
oxigênio, as perdas de oxigênio dissolvido geralmente estão relacionadas ao consumo pela
decomposição da matéria orgânica, por perdas para a atmosfera, respiração de organismos
aquáticos, nitrificação e oxidação química de íons metálicos, como ferro e manganês
(FIORUCCI et al., 2005).
O rio Pardo, na primeira campanha, foi encontrado 13 espécies (11 no canal e 10 no
manguezal), dentre as quais A. beccarii, H. wilbert e T. inflata foram encontradas tanto na
área do canal, quanto na zona de manguezal. A presença dessas espécies indica que o
canal e zona de manguezal do rio Pardo são ambientes com altas concentrações de matéria
orgânica e nutrientes. Para a segunda campanha, foram obtidas 14 espécies (11 no canal e
7 no manguezal), destacando-se as espécies A.beccarii, E. excavatum, H. wilbert e T.
inflata, sendo que as espécies A. beccarii e o gênero Elphidium são típicas de ambientes
impactados, sugerindo que estão nessa região por serem espécies oportunistas, pois estão
presentes em uma área com altos teores de M.O. e fósforo. Assim, os dados de M.O. para o
rio Pardo na primeira campanha foi de 1,84% e de fósforo assimilável foi de 235,5% para
segunda campanha o valor de M.O. de 0,46% e fósforo assimilável de 39,42%.
Já a zona de manguezal, na primeira campanha, obteve-se um valor de M.O. de
1,84% e de fósforo assimilável de 273,5% e durante a segunda campanha o valor de M.O.
foi de 1,93% e de fósforo assimilável de 147,5%. Cabe ressaltar que foram registrados para
o canal e zona de manguezal do estuário do rio Pardo os maiores índices para M.O. e
fósforo assimilável, dentre as três áreas de estudo. Além disso, foram encontradas na zona
de manguezal as espécies planctônicas Neogloboquadrina trilobus e Neogloboquadrina
pachyderma, típicas de ambientes marinhos distantes da costa (Boltovskoy, 1965), mas que
provavelmente tenham sido transportadas para a zona de manguezal pelas correntes
marinhas.
Já o rio Jequitinhonha, na primeira campanha, foram identificadas 10 espécies (6 no
canal e 10 no manguezal), sendo as espécies: A. beccarii, H. wilbert e T. inflata
consideradas abundantes na região do canal e na zona do manguezal, devido a quantidade
alta de M.O. que foi de 0,81% e fósforo assimilável que foi de 52,82% para o canal na
primeira campanha. Enquanto que na zona de manguezal, obteve-se um valor de 1,17%
para M.O. e um valor de 77,25% para fósforo assimilável. Na segunda campanha, houve
registro de espécies no canal possivelmente devido aos baixos teores de fósforo assimilável,
nitrogênio total e M.O. Seguindo essas informações, tem-se o valor de 5,09% para fósforo
assimilável, 0,6% para nitrogênio total e 0,09% para M.O. na região do canal. Já para a zona
de manguezal foram identificadas 10 espécies, das quais se destacam H. wilbert,
Quinqueloculina fusca e T. inflata como principais (apresentando uma frequência acima de
5%). Além disso, as espécies H. wilbert e T. inflata destacaram-se como as espécies com
maior quantidade de testas coradas, provavelmente devido o aumento de nutrientes. Tais
dados são justificados, pela abundância de nutrientes e M.O. na região que foram de
48,86% para fósforo assimilável, e 1,17% para M.O.

4. Referências:

FRANZ, C.; MAKESCHIN, F.; ROIG, H.; SCHUBERT, M.; WEIB, H. E LORZ, C. Sediment
characteristics and sedimentations rates of a small river in Western Central Brazil. Environ
Earth Sci, 65: 1601-1611, 2012.

LAUT, L. L. M.; FERREIRA, D. E. DA SILVA.; SANTOS, V. F.; FIGUEIREDO JR, G.;


CARVALHO, M. DE ARAÚJO. E MACHADO, O. F. Foraminifera, Thecamoebians and
Palynomorphs as Hydrodynamic Indicators in Araguari Estuary, Amazonian Coast, Amapá
State – Brazil. Anuário do Instituto de Geociências – UFRJ. 33(2): 52-65, 2010.