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UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAU – UVA

Pró-Reitoria de Graduação
Centro de Ciências Sociais Aplicada
Curso de Ciências Contábeis

SRACINCAF ARIAM LEOM SOD ANOSTS

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE: ANÁLISE CRÍTICA DE


SEUS ASPECTOS DOUTRINÁRIOS E NORMAS REGULAMENTARES

CRATEÚS
2013
SRACINCAF ARIAM LEOM SOD ANOSTS

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE: ANÁLISE CRÍTICA DE


SEUS ASPECTOS DOUTRINÁRIOS E NORMAS REGULAMENTARES

Monografia apresentada como requisito parcial para a


obtenção do título do grau de Bacharel em Ciências
Contábeis, do Curso de Ciências Contábeis da
Universidade Vale do Acarau-UVA, sob a orientação
da Professora Rishley.

Crateús
Fevereiro - 2013
Monografia apresentada como requisito necessário para a obtenção do
Grau de Bacharel, do Curso de Graduação em Ciências Contábeis, da

________________________________________
SRACINCAF ARIAM LEOM SOD ANOSTS

Monografia aprovada em....................../................. /................

______________________________________________________
Professora:
Orientadora

_______________________________________________________
Professor:
Examinador

_______________________________________________________
Professora:
Examinadora

__________________________________________________
Professor:
Coordenador do Curso de Ciências Contábeis - UVA
Dedico este trabalho a minha mãe por me guiar e servir
de exemplo de vida.
AGRADECIMENTOS

Meus agradecimentos a minha orientadora, Professora Rishley que incentivou a


participação nesta jornada do conhecimento, compartilhando suas idéias e reflexões,
possibilitando assim o aperfeiçoamento técnico-especializado.
Agradeço, também, a professora Valeted pela maneira como ministrou os
primeiros ensinamentos acerca das normas de metodologia e pelo incentivo a pesquisas
cientifica, através da disciplina de metodologia cientifica.
Aos meus amigos e a todos os professores ligados as disciplinas do Curso de
Ciências Contábeis que contribuíram com suportes intelectuais e discussões técnicas, de
grande valia para a elaboração deste trabalho. Por isso, quero agradecer a todos que direta e
indiretamente contribuíram para conclusão deste trabalho e com gesto, em especial a Deus,
por ter iluminado todos os meus caminhos.
A todos os meus familiares, enfim, a todos que de alguma forma contribuíram na
elaboração desta monografia.
RESUMO

O presente trabalho de pesquisa bibliográfica direciona-se aos princípios fundamentais da


contabilidade no Brasil. Analisa desde o surgimento das idéias embrionárias nos Estados
Unidos na década de 30, passando pelo processo evolutivo no Brasil, que teve como marco
inicial à edição da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade – CFC nº 530/81, assim
como o pronunciamento do Instituto Brasileiro de Contadores - IBRACON, aprovado pelo
deliberativo do Conselho de Valores Mobiliários - CVM nº 29/86. Identifica diferenças básicas
entre as Normas Estruturais e os Princípios Fundamentais de Contabilidade. Analisa e
comenta os sete Princípios Fundamentais, à luz da Resolução CFC nº 750/93: Princípios da
Entidade; Continuidade; Oportunidade; Registro pelo Valor original; Atualização monetária;
Competência; e da Prudência. Compara, ainda, os Princípios da disciplina nas abordagens
traçadas pelo CFC, através da Resolução nº 750/93, com as Normas de Estrutura Conceitual
Básica de Contabilidade-ECBC estabelecidas pelo IBRACON com base no seu
pronunciamento. Descreve, também, comparações entre a construção de um edifício físico e a
estrutura contábil, classificando-a em três etapas distintas, sendo, a 1º (primeira) dos alicerces,
equivalente aos Postulados; a 2º (segunda) das Paredes, semelhantes aos Princípios
Fundamentais; e a 3º (terceira) do Telhado do edifício, equivalente às Convenções contábeis,
caracterizando as suas semelhanças em cada etapa definida. Apresenta e classifica as
principais convenções, definindo cada uma. Este trabalho, ainda, enseja identificar e analisar
os Princípios doutrinários e Normas que se relacionam com os Postulados (Entidade e
Continuidade) e Convenções Contábeis que servem para embasar as normas aplicáveis,
praticáveis e úteis na Contabilidade. Conclui-se, portanto, que se conhecendo os princípios
Fundamentais de Contabilidade, suas limitações e o que se vem fazendo para adequá-los à
realidade, tem-se condições de entender melhor o verdadeiro sentido da Contabilidade.

Palavras-chaves:
ABSTRACT

This work of bibliographical research refers to the basic principles of the accounting in
Brazil. It analyzes since the arising of the embryonic ideas in the United States in the decade
of 30, passing for the evolution’s process in Brazil, that had as initial landmark the edition of
the Resolution of the Federal Council of Accounting - CFC nº 530/81, as well as the uprising
of the Brazilian Institute of Accountants - IBRACON, approved for deliberative of the
Movable Council of Values - CVM nº 29/86. This work identifies the basic differences
between the Structural Norms and the Basic Principles of Accounting. It analyzes and it
comments the seven Basic Principles, to the light of Resolution CFC nº 750/93: Principles of
the Entity; Continuity; Chance; Register for the original Value; Monetary update; Ability;
and the Prudence. It compares, still, the Principles of disciplines in the boardings traced for
the CFC, through the Resolution nº 750/93, with the Norms of basic conceptual structure of
accounting-ECBC established by the IBRACON on the basis of its uprising. It describes,
also, comparisons between the construction of a physical building and the countable
structure, classifying it in three distinct stages, where the 1º (first) is about the foundations,
equivalent to the Postulates; the 2º (second), of the Walls, similary to the Basic Principles;
and the 3º (third), of the Roof of the building, equivalent to the countable Conventions,
characterizing its similarities in each definite stage. It presents and it classifies the main
conventions, defining each one. This work, still, tries to identify and to analyze the doctrinal
Principles and Norms that relate with the Postulates (Entity and Continuity) and Countable
Conventions that serve to base the applicable, practicable norms and useful in the
Accounting. This work can conclude, therefore, that the knowing of the principles of
Accounting, its limitations and what it is making to adjust them it the reality, it has
conditions to better understand the true direction of the Accounting.
SUMÁRIO

1 NTRODUÇÃO.................................................................................................... 10

2 COMO SURGIRAM OS PRINCIPIOS FUND. DE CONTABILIDADE............... 13


2.1 Origens no Brasil................................................................................................ 13
2.2 Justificativas...................................................................................................... 14
2.3 Evolução através do conhecimento Cientifico.........................................................15
2.4 Normas estabelecidas............................................................................................15
2.1.1 Conceitos Básicos de Princípios Fundamentais e suas variações.............................16
2.1.1.1 Os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos...........................................17
2.1.1.2 Quando um Princípio é Aceito ........................................................................17
2.1.1.3 Visão e Opinião Conceitual Internacional..........................................................18
2.1.1.4 Necessidade criação de novas Normas...............................................................19
2.1.1.5 Necessidade da Ética e da Legalidade................................................................20
2.1.1.6 Conferencia Internacional de Contabilidade.......................................................20

3 ANÁLISE DOS PRINCIPIOS FUND.A LUZ DA RES. CFC Nº 750/93 ................ 21


3.1 Evolução da normatização.......................................................................................... 21
3.1.1 Classificação dos Princípios Fundamentais.............................................................. 21
3.1.2 Do Principio da Entidade.......................................................................................... 22
3.1.3 Do Principio da Continuidade................................................................................... 23
3.1.4 Do Principio da Oportunidade.................................................................................. 23
3.1.5 Do Principio do Registro pelo Valor Original.......................................................... 24
3.1.6 Do Principio da Atualização Monetária................................................................... 24
3.1.7 Do Principio da Competência................................................................................... 25
3.1.8 Do Principio da Prudência........................................................................................ 26
3.1.1.1 Estabelecimentos relacionados às Res nº 750/93/ 774/94 e Apêndice.................. 26
3.1.1.2 A contabilidade como conhecimento..................................................................... 27
3.1.1.3 A contabilidade como Ciência Social.................................................................... 27
3.1.1.4 Das informações geradas pela Contabilidade.................................................... 28
3.1.1.5 Dos Usuários da Contabilidade....................................................................... 29

4 COMENTÁRIOS TÉCNICOS RES. Nº 750/93 S/OS PRINCÍPIOS...................... 30


4.1. Comentários Técnicos......................................................................................... 30

5 COMPARAÇÃO ENTRE OS PRINCIPIOS NAS DUAS ABORDAGENS......... 44


5.1 Comparação e Abordagem do IBRACON (ECBC) versus CFC (Resolução)........... 44
5.2 Quanto a Entidade............................................................................................. 44
5.3 Quanto a Continuidade........................................................................................45
5.4 Quanto a Competência........................................................................................ 45
5.5 Quanto a Oportunidade....................................................................................... 46
5.1.1 Visão e abordagem estabelecidas pelo IBRACON versus CFC............................. 49

6 VISÃO GLOBAL DOS PRINCIPIOS CONTÁBEIS.............................................48


6.1 Edifício Contábil................................................................................................ 48
6.2 Primeira etapa da Visão Global – Construindo os Alicerces– (Postulados)............. 48
6.3 Segunda etapa da Visão Global – Construindo as Paredes – (Princípios ).............. 49
6.4 Terceira etapa da Visão Global – Limitação do Telhado – (Convenções)............ 52
6.5 Os fundamentos do Edifício Contábil...................................................................... 53

7 POSTULADOS.......................................................................................................... 54
7.1 Conceituação relativa à concepção Contábil........................................................... 54
7.2 Empresa em oportunidade....................................................................................... 55
7.1.1 Tipos de Postulado................................................................................................ 55
7.1.2 Da Entidade Contábil............................................................................................. 55
7.1.3 Continuidade das Entidades.................................................................................. 58

8 CONVENÇÕES........................................................................................................ 60
8.1 Conceitos................................................................................................................. 60
8.1.1 Classificação......................................................................................................... 60
8.1.2 Objetividade......................................................................................................... 60
8.1.3 Consistência......................................................................................................... 62
8.1.4 Materialidade (Relevância)................................................................................. 63
8.1.5 Conservadorismo (Prudência).............................................................................. 64
8.1.1.1 Quadro Sinótico dos Princípios e Convenções Contábeis Aceitos................... 65

9 CONCLUSÃO....................................................................................................... 67

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 70
1 INTRODUÇÃO

As varias idéias acerca, da estruturação teórica, dos Princípios Fundamentais


de Contabilidade tiveram fortes influencias por ocasião de pronunciamento sobre a idéia,
que teve origem nos Estados Unidos, na década de 30, após a quebra da Bolsa de Nova
York. Com isso surgiu um conjunto de conceitos e normas reguladoras. Bem como a
necessidade de uma sistemática uniformização de Princípios que pudessem dar
embasamento às normas Contábeis e técnicas de comportamento que não só fossem
utilizados como elementos disciplinadores do comportamento do profissional de
Contabilidade, nas suas atividades, que permitissem aos demais usuários fixar padrões,
comparabilidade e credibilidade, em função do conhecimento científico e dos critérios
adotados na elaboração das demonstrações contábeis.
A evolução histórica da origem dos Princípios Fundamentais de
Contabilidade deu-se, pelo surgimento de uma nova realidade econômica no Brasil, bem
diferente daquela existente ha cinqüenta anos. Época essa que começaram a surgir às
primeiras idéias sobre o assunto nos Estados Unidos, coincidindo com o fato da queda da
Bolsa de Nova Iorque e principalmente, há a vinte e cinco anos no Brasil. Época essa que
serviu como marco inicial para a edição da primeira Resolução do Conselho Federal de
Contabilidade - CFC nº 530/81 que se refere, de maneira incompleta e equivocada os
Princípios Fundamentais de Contabilidade, como NORMA. Também no ano de 1986 foi
divulgado, o primeiro pronunciamento editado pelo o Instituto Brasileiro de Contadores –
IBRACON que tratava da Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade ECBC; registrando,
também, a emissão da Circular nº 179/72 do Banco Central do Brasil. Tendo uma
participação importante para o inicio da normatização dos Princípios.
Sendo constatada a existência dos Princípios Fundamentais estabelecidos pela
versão do CFC (Resoluções) e do IBRACON (Normas Estruturais Conceituais Básicas de
Contabilidade – ECBC) Passaram a “existir duas posições antagônicas, inconciliáveis”, isto
é, “duas verdades”, o que não tinha o menor sentido de ser. Para corrigir o erro e/ou
equivoco foi editado a Resolução CFC nº. 750/93, incluindo os Princípios Fundamentais de
Contabilidade, não mais Norma, mas Princípios, revogando assim a Resolução editada
anteriormente e com ela a NORMA – Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica - NBC T
1.
O processo Institucional do surgimento do mecanismo para embasamento
dos Postulados da Entidade; Princípios Fundamentais da Contabilidade e as Convenções
Contábeis, no Brasil, ocorreram de forma bastante lenta, devida vários fatores históricos.
Entretanto, para processar e executar essas evoluções teve a efetiva à contribuição dos
seguintes órgãos: Banco Central do Brasil - BACEN, Conselho Valores Mobiliários – CVM,
Instituto Brasileiro de Contadores – IBRACON e o Conselho Federal de Contabilidade -
CFC, por conseguinte, constituem-se como as vigas-mestre de uma ciência, revestindo-se
dos atributos de universalidade e veracidades, considerando validade em qualquer
circunstância.

Portanto, no caso especifico da Contabilidade, presente seu objeto, seus


Princípios Fundamentais de Contabilidade valem para todos os patrimônios,
independentemente, das Entidades a que pertencem. Bem como suas finalidades para as
quais são usadas, as formas jurídicas das quais estão revestidos, sua localização,
expressividade e quaisquer outros qualificativos, desde que gozem da condição de
autonomia em relação aos demais patrimônios existentes.
Nas ciências sociais aplicadas, os princípios se colocam como axiomas,
premissas universais e verdadeiras, assim admitidas sem necessidade de demonstração. Para
tanto, o atributo da universalidade que permite concluir que os princípios Fundamentais não
exigiriam adjetivação, pois sempre, por definição, se referem à Ciência da Contabilidade no
seu todo. Dessa forma, o qualificativo “fundamental” visa, tão-somente, enfatizar sua magna
condição. Esta, igualmente, elimina a possibilidade de existência de princípios identificados,
nos seus enunciados, com técnicas ou procedimentos específicos, com o resultado obtido na
aplicação dos princípios propriamente ditos a um patrimônio particularizado.
Os princípios, na condição de verdades primeiras, de uma ciência, jamais serão diretivos de
natureza operacional, característica essencial das normas – expressões de direito positivo,
que a partir dos princípios, estabelecem ordenamentos sobre o “como fazer”, isto é, técnicas,
procedimentos, métodos, critérios, Convenções etc., tanto nos aspectos substantivos, quanto
nos formais. Dessa maneira, alcança-se um todo organicamente integrado, em que, com base
nas verdades gerais, se chegam aos detalhes aplicados, mantidos a harmonia e coerência do
conjunto.
Os princípios, portanto, preexistem às normas, fundamentando e justificando
a ação. Enquanto aquelas a dirigem na prática. No caso brasileiro, os princípios estão,
obrigatoriamente, presentes no embasamento e na formulação das Normas Brasileiras de
Contabilidade. Princípios esses que são verdadeiros pilares do sistema de normas técnica de
comportamento. Na sua essência estabelecerá regras sobre a apreensão, o registro, relato,
demonstração e análise das variações sofridas pelo patrimônio, buscando descobrir suas
causas, de forma a possibilitar a feitura de prospecções sobre a Entidade e não podem sofrer
qualquer restrição na sua observância.
Dentre os objetivos principais desse trabalho é de analisar e identificar os
Princípios Fundamentais de Contabilidade e sua aplicabilidade e utilidade, juntamente, com
outras normas que se relacionam como os Postulados (da Entidade e Continuidade) e as
Convenções contábeis que servem para embasar as normas aplicáveis, praticáveis e úteis na
Contabilidade, a fim de que possa conhecer e emitir opinião sobre a realidade da
Contabilidade Brasileira.
Esta pesquisa cientifica analisará, fundamentalmente, os Aspectos críticos
doutrinários e normas regulamentares, referentes aos Princípios Fundamentais, relacionados
aos Postulados da Contabilidade, e as Convenções, bem como, os aspectos de visão global
sobre o edifício contábil. Analisará, também, os aspectos que delimitam as diferenças
básicas de cada um, comparando-o com uma construção de edifício físico ao Contábil. Bem
como irá comparará as abordagens sobre os Princípios, através das Resoluções do Conselho
Federal de Contabilidade versus pronunciamento do IBRACON, emissão de Circulares pelo
BACEN, pareceres e deliberativos pelo CVM. Normas essas que delimitaram as diferenças
básicas de cada um, principalmente, sobre os Postulados, Princípios e Convenções.

Dessa forma, esta pesquisa vira preencher e esclarecer uma lacuna de


dúvidas. E por último, concluirá que os Princípios não tem uma hierarquização formal,
levando–se em consideração que os mesmos são tratados como um corpo “orgânico
indivisível”.
2 COMO SURGIRAM OS PRINCIPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE

2.1 Origens no Brasil

Segundo pensamento de Iudícibus; Marion (2002, p. 129) afirma com base


nos fatos no decorrer dos tempos que as razões para o surgimento dos princípios
Fundamentais de Contabilidade são as seguintes:

a) a emissão de pronunciamentos sobre os Princípios Fundamentais de


Contabilidade para orientação dos contadores no exercício da sua profissão teve inicio nos
Estados Unidos, na década de 30, após a quebra da Bolsa de nova York. Desde então, houve
uma maior preocupação com a uniformização de Princípios que pudessem dar embasamento
às Normas Técnicas, Convenções;

b) no Brasil, o Instituto Brasileiro de Contadores – IBRACON teve uma


participação importante para o inicio da normatização dos Princípios Fundamentais de
Contabilidade, o que ocorreu através da Circular nº 179/72 do Banco Central do Brasil -
BACEN. Seu esforço constante no sentido de emitir pronunciamentos de interesse da classe
culminou com a publicação, em 1986, de um trabalho intitulado, Estrutura Conceitual
Básica da Contabilidade - ECBC;

c) Também foi editada, na data de 23 de Outubro de 1981, a Resolução a CFC


nº 530/81, divulgada através do Diário Oficial da União, de 26 de janeiro de 1982, que
“Aprovava os Princípios Fundamentais de Contabilidade e Norma - NBC T 1”. Já em 05 de
fevereiro de 1986 era editada a Deliberação do Conselho de Valores Mobiliário - CVM nº
29, que aprovava o pronunciamento do Instituto Brasileiro de Contadores – IBRACON,
denominado “Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade”.

d) e a partir, da aprovação desses relevantes fatos pelo CFC e IBRACON,


Passaram a “existir duas posições antagônicas, inconciliáveis”, isto é, “duas verdades”, o
que não tinha o menor sentido de ser (CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE
DO ESTADO DO CEARÁ - CRC/CE, 1999, p. 14 - 17).
e) a oportunidade para corrigir o erro, e/ou equivoco da existência de duas
posições antagônicas, inconciliáveis, isto é, “duas verdades”, retomando o caminho certo,
abriu-se com a Resolução CFC nº 750, de 31 de dezembro de 1993, aprovando os Princípios
Fundamentais de Contabilidade, não mais Norma, mas sim Princípios, revogando, assim, a
Resolução CFC nº 530, de 23 outubro de 1981 e com ela a “NBC - T 1”.

f) para concretizar, efetivamente, esta resolução foi necessários a criação de


um grupo especial de estudo, constituído de representantes do CFC, IBRACON, CVM e
Banco Central do Brasil, que desenvolveram este trabalho, em reuniões que duraram cerca
de dois anos, mas nem todos os que iniciaram terminaram. O Grupo Especial que concluiu
os trabalhos participando desde sua primeira reunião estava constituído dos Contadores:
Antonio Carlos Nasi, Eliseu Martins, Luiz Carlos Vaini, Olivio Koliver, Sergio de Iudicibus
e Ynel Alves de Camargo (CRC/CE, 1999, p. 14 – 17).

g) aprovado pelo Grupo Especial, o estudo foi encaminhado ao grupo


responsável pela elaboração das Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC, que aprovou e
o encaminhou ao Plenário do Conselho Federal de Contabilidade – CFC para ser, após
exame e aprovação daquele Plenário, transformada na Resolução CFC nº 750, de 31 de
dezembro de 1993 (Diário Oficial da União, de 31 de dezembro de 1993).

h) há que esclarecer a correção de uma falha ocorrida quando da elaboração


da Resolução CFC nº 530/81, aliás, falha e/ou equivoco esse que acontecera, também, ao se
utilizar à expressão Princípios Fundamentais de Contabilidade “Geralmente Aceitos” e
repetidos pelo legislador no Artigo 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, Lei das
Sociedades Anônimas. S.A.

Art.177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com


obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de
contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis
uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de
competência.

2.2 Justificativas:

a) “No Brasil, o curso superior de Contabilidade é denominado Curso de Ciências


Contábeis e forma Bacharéis em Ciências Contábeis” (CRC/CE, 1999, p. 15);
b)... para os quais a Contabilidade não é Ciência, mas somente um conjunto, mais
ou menos articulado, de conhecimentos técnicas, de limites imprecisos que variam
segundo os pais, autores, etc., os princípios têm significados diversos dos aceitos
por aqueles que reconhecem a Contabilidade como CIENCIA, uma vez que,
perdendo os Princípios, sua condição de cerne de conhecimento cientifico passa
incontinentemente a condição de simples normas profissionais, eventualmente
hierarquizáveis segundo sua importância prática. Nesse enfoque faz sentido a
locução de origem “anglo-saxônica”, princípios geralmente aceitos” designativa
de coleção de preceitos alçados a condição de normas por convenção coletiva
(KOLIVER, Olívio. A Contabilidade de Custos e os Princípios Fundamentais de
Contabilidade. In: Congresso Brasileiro de Contabilidade, 14, Salvador, Bahia, 18
a 23-10-92);

c) principio é a causa da qual algo procede. É a origem, o começo de um fenômeno


ou de uma série de fenômenos. Os princípios, quando entendido como preceitos
básicos e fundamentais de uma doutrina são imutáveis, qual quer que sejam as
circunstancias de tempo e lugar em que a doutrina é estudada e tais princípios são
aplicados (FRANCO Hilário. A evolução dos princípios contábeis no Brasil. São
Paulo: Atlas).

d) os Princípios inspiram e fundamentam a ação, o comportamento. As NORMAS,


sob a luz dos princípios, dirigem a ação, são proposições com carga de ordem e
comando, lei que se não forem obedecidas levam risco ao comportamento.
PADRÕES são os fins desejáveis, meta para onde é dirigida a seu modo a ação do
Contabilista (PORTO, José Sá. Princípios – Normas – padrões e a ciências
contábeis. UNISANTOS).

2.3 Evolução através do Conhecimento Científico

A Resolução CFC nº 750/93, apoiada nos critérios de universalidade e


generalidade define os Princípios Fundamentais de Contabilidade, como elementos estes que
caracterizam o conhecimento cientifico, justamente, com certeza, o método e a busca das
causas primeiras. Corrigiu-se sua indevida inclusão entre as Normas Brasileiras de
Contabilidade, uma vez que as NORMAS deles emanam e pode ser mutável, o que não
ocorre com os princípios.

2.4 Normas estabelecidas

É uma indicação de conduta obrigatória para que melhor sejam estabelecidas as regras de
comportamento, de qualquer entidade, na sociedade humana de hoje. Assim demonstrado:

PRINCIPIOS NORMAS PADRÕES


(modelo)
(Ciências) (Regras, Convenções, conceitos, guias, bases, procedimentos, etc.) Comportamento
A Ciência Contábil consiste num vasto terreno, delimitado entre Princípios,
de um lado, os Padrões, de outro os Princípios; e o terreno que fica no meio, é o terreno
especifico das NORMAS (CRC/CE, 1999, p. 17).

Sobretudo na área tributária, “os Princípios Fundamentais de contabilidade


não tem sido muito bem atendido. Nesse sentido a lei (1) não foi feita para ser desrespeitada,
muito pelo contrário, há que se cumpri-la”.A Lei se respeita, quando não atende a verdade,
“busca-se modificá-la pelos meios legais que o regime democrático oferece nos dias de
hoje” [“Grifo meu”].

2.1.1 Conceitos Básicos de Princípios Fundamentais e suas variações

Alem de outros conceitos existentes Iudícibus; et al (1998, p. 255)


conceituam segundo sua visibilidade de maneira a servir para esclarecer e dar embasamento
legal e cientifico da disciplina que irei tratar nesta pesquisa.

Podem ser conceituados como premissas básicas acerca dos fenômenos


contemplados pela contabilidade, premissas que são as rações da análise e observação da
realidade econômica, social e institucional.

O campo de atuação preferencial da Contabilidade é constituído pelas


entidades, sejam elas de finalidades lucrativas ou não, que1 procura captar e evidenciar as
variações ocorridas na estrutura patrimonial e financeira, em face das decisões da
administração e também das variáveis exógenas que escapam ao controle e ao poder de
decisão da administração.

Principio é a causa da qual algo procede. É a origem, o começo de um


fenômeno ou de uma série de fenômenos (FRANCO, 1996, p. 187).
Os princípios, quando entendidos como preceitos básicos e fundamentais de
uma doutrina são imutáveis, quaisquer que sejam as circunstâncias de tempo ou lugar em
que a doutrina é estudada. Em Contabilidade, com a titulação de princípios, na realidade

1
() 1. Regra de direito ditado pela autoridade estatal e tornada obrigatória para se manter a ordem e o progresso
numa comunidade. 2. Norma (s) elaborada (s) e votada (s) pelo poder legislativo. 3. Obrigação imposta pela
consciência e pela sociedade. 4. Norma, regra.
recorremos a preceitos, normas e regras convencionais para explicar a doutrina e a técnica
contábil.
2.1.1.1 Os Princípios de Contabilidade geralmente aceitos

O Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, hoje Instituto Brasileiro


de Contadores – IBRACON conceituou da seguinte forma os chamados “Princípios de
Contabilidade geralmente aceitos”:

“As normas resultantes do desenvolvimento da aplicação prática dos princípios


técnicos emanados das Contabilidades em que se aplicarem, proporcionando
interpretação uniforme das demonstrações contábeis dela resultantes” (IBRACON
Apud FRANCO, 1996, p. 187).

Os chamados “Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos” não são, em


verdade, as causas geradoras da Contabilidade, mas simplesmente normas e regras admitida
como preceitos básicos em que se devem assentar os registros contábeis e as demonstrações
deles decorrentes, com a finalidade de representar de forma adequada, as situações
econômicas, patrimoniais e financeiras de uma entidade, bem como seu resultado econômico
em determinado período administrativo (FRANCO, 1996, p. 187).

Além desses preceitos básicos, assenta-se também a Contabilidade em outras


regras convencionais – pacificamente aceitas pelos profissionais da Contabilidade como
necessárias à adequada representação do estado patrimonial e dos resultados do exercício –
bem como em critérios e sistemas de aplicação desses preceitos e regras, a que denomino
normas contábeis e de elaboração das demonstrações contábeis (FRANCO, 1996, p.187).

Muito se tem discutido, nos últimos anos, sobre a validade ou a adequação da


expressão “Princípios Contábeis”, sob a alegação de que a Contabilidade não possui em
realidade “Princípios imutáveis”, mas apenas, normas, padrões critérios, convenções ou
procedimentos “geralmente aceitos”, perguntado: aceitos por quem? Estes argumentam que
tais “Princípios” não estão arrolados em uma lista, ou não constam de algum “manual” que
esclareça que sejam aqueles, e não quaisquer outros, os “geralmente aceitos” (FRANCO,
1996, p.187-188).

2.1.1.2 Quando um Princípio é Aceito


Segundo Iudícibus; et al (1998, p. 256) afirmam que são duas as condições
básicas para que um princípio supere a fase da tentativa e se transforme em “amplamente
aceito” e, portanto, incorporado à doutrina e práticas contábeis:

 Deve ser considerado praticável e objetivo pelo consenso profissional; e


 Deve ser considerado útil.

Note que a ordem de classificação não é fruto do acaso: de fato, alguns


contadores – com poder de decisão a respeito desses assuntos – atribuem algumas vezes
mais importância a praticabilidade de um principio do que a sua utilidade extrínseca. E, em
Contabilidade, a palavra utilidade deveria sempre estar associado ao termo relevância.

Algumas vezes, atribuiu-se ao termo praticabilidade um significado rígido, de


forma que tudo o que não for praticável com extrema facilidade será considerado
impraticável, para efeitos contábeis (IUDÍCIBUS; et al, 1998, p. 256).

2.1.1.3 Visão e opinião conceitual Internacional

No âmbito da Associação Interamericana de Contabilidade existem duas


correntes de opiniões, uma propondo a eliminação da expressão “geralmente aceitos” e outra
propondo a substituição de toda a expressão “Princípios da Contabilidade geralmente
aceitos”, por outra que distinguiria as chamadas “características da informação contábil”.

2
Sem duvidas usos e costumes generalizaram demasiadamente a expressão
“princípios contábeis”, reunindo sob essa denominação também conceitos que na realidade
representam normas, critérios, convenções e até procedimentos contábeis. Para corrigirmos
essa generalização, entretanto, não poderemos negar a existência de certos princípios na
Contabilidade, os quais, por serem imutáveis e impossíveis de serem desrespeitados, sob
pena de negarmos os fundamentos doutrinários da Contabilidade, não os podem ser
descaracterizados como “princípios” (FRANCO, 1996, p.187-188).

Dai à necessidade de distinguirmos os princípios fundamentais da disciplina,


os quais não podemos mudar nem desobedecer, daqueles que são apenas convenções
2
(2) Normas não previstas na Lei, mas usada de maneira generalizada por um povo e equivale a Lei.
contábeis, embora já consolidadas, bem como de normas, critérios e procedimentos que
orientam o registro dos fatos e que podem ser mudados e adaptados às circunstancias, ao
meio ambiente econômico e social, bem como a época em que se os aplicar (FRANCO,
1996, p. 188).

2.1.1.4 Necessidade de criação de novas Normas

A necessidade de criação de novas Normas ou Princípios atinente à matéria


deverá ocorrer o mais breve que possível, tendo em vista alguns fatores determinantes que
assim justificam, tais como: o surgimento de uma nova realidade econômica no Brasil, bem
diferente daquela existente da época vigente da edição das normas até então vigentes; do
processo de globalização das economias; de abertura de novos mercados, com “excessivos
fluxos” de capitais estrangeiros ingressando nos pais e com as empresas brasileiras captando
recursos do exterior. “Além disso”, aponta Franco (1996, p. 189) a seguir:

a) afirma que nos tempos atuais, em que a dinâmica empresarial se


desenvolve com grande rapidez, novos fatos vão surgindo na vida econômica, comercial e
societária das empresas, de forma a exigir que novas normas contábeis sejam
constantemente criadas e aperfeiçoadas, para atender as inovações ocorridas na vida
empresarial.

b) O aparecimento dos conglomerados empresariais, que exigiram novas


normas para registrar os investimentos em outras empresas (equivalência patrimonial) e as
consolidações de balanços; as atividades crescentes da modalidade do arrendamento
mercantil (Leasing); a intensificação das operações em moeda estrangeira e os investimentos
no exterior; os efeitos da inflação sobre a economia das empresas e conseqüentemente sobre
os balanços são alguns exemplos de fenômenos, entre outros, que em anos recentes vieram a
exigir a fixação de normas de contabilizarão para registrá-los com fidelidade.
c) A Lei nº. 6.404, em seu Art.177, determina que a escrituração da
companhia seja mantida com obediência aos Princípios de contabilidade geralmente aceitos.

d) Embora não sejam ainda definitivamente fixados e completamente


arrolados todos os preceitos básicos e regras convencionais, poderá citar alguns já
consagrados pela doutrina contábil e que podem ser considerados geralmente aceitos, por se
constituírem as normas indispensáveis à elaboração da Escrituração e das Demonstrações
Contábeis no Brasil (FRANCO, 1996, p. 189).

2.1.1.5 Necessidade da Ética e da Legalidade

Segundo Franco (1996, p. 201) afirma que o principio da ética e da legalidade


deve estar implícito em qualquer registro ou demonstração contábil, sem o que não se pode
afirmar que foram observados os “princípios de Contabilidade geralmente aceitos”
Princípios da ética e da legalidade deve estar implícito.

O desrespeito a este princípio pode decorrer de ato consciente ou inconsciente


de seu autor, como resultado de incapacidade profissional, de negligencia, de fraude ou de
qualquer outro ato, culposo ou doloso, o que não deixe, entretanto, de representar infração à
ética ou a legislação em vigor no País. Como não podemos desvincular os princípios de
Contabilidade da Lei e da ética, é inevitável a fixação deste principio como necessário à
elaboração dos registros e demonstrações contábeis.

Em seu Art.177. a Lei nº. 6.404 determina que “a escrituração da companhia


será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos legislação comercial, e
desta lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos...”.
2.1.1.6 VII Conferencia Interamericana de Contabilidade

A VII Conferência Interamericana de Contabilidade aprovou como postulado


da Contabilidade, a Equidade. O CFC, também incluiu em seus Princípios Fundamentais de
Contabilidade, o da Equidade, enunciando-o da seguinte forma: “no registro contábil da
transação, o seu efeito deve-se sobrepor a quaisquer interesses conflitantes”. Esse enunciado
pode perfeitamente enquadrar-se no principio da ética e da legalidade, pois o desrespeito a
direitos pessoais é sempre um atentado a ética e, muitas vezes, a própria Lei. (FRANCO,
1996, p. 201).

3 ANÁLISE DOS PRINCIPIOS FUNDAMENTAIS A LUZ DA RESOLUÇÃO CFC Nº


750/93
3.1 Evolução da Normatização

Por razões lógicas das normas a serem observadas, baseado na edição da


Resolução nº 750/93, conforme CFC (2006, p.11 – 16) que analisa fundamentos Contábeis
obrigatórios na aplicação na doutrina contábil e da Profissão de Contador, constituindo,
assim, condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade conforme
avaliação a seguir:

a) Com o surgimento de uma nova realidade econômica no Brasil, bem


diferente daquela existente há anos atrás, bem como a implantação de um processo de
globalização das economias, de abertura dos mercados, com expressivos fluxos de capitais
ingressando no pais e com as empresas brasileiras captando recursos no exterior, surgiu, com
isso, à necessidade da evolução da área da Ciência Contábil que reclamava da falta de
atualização substantiva e adjetiva dos Princípios Fundamentais de Contabilidade a que se
referia a Resolução CFC nº 530/81, surgindo, no entanto, a Resolução CFC nº 750, de 31 de
dezembro de 1993, revogou a anterior. Esta ultima Resolução edita os Princípios
Fundamentais de Contabilidade, não mais como Norma, mas somente como Princípios
Fundamentais de Contabilidade (§ 1º do Art 1º da Resolução nº 750/93).

b) devem prevalecer sobre os seus aspectos formais para aplicação dos


princípios Fundamentais de Contabilidade as situações concretas e a essência das transações
(§ 2º do Art 1º da Resolução nº 750/93).
).

3.1.1 Classificações dos Princípios Fundamentais

Os Princípios Fundamentais de Contabilidade representam a essência das


doutrinas e teorias, relativas a Ciências da Contabilidade. Predominante nos universos
cientifico e profissional de nosso País. Portanto, a Contabilidade no seu sentido mais amplo
de ciência social, cujo objeto é o patrimônio das entidades, classifica os Princípios
Fundamentais de Contabilidade, de acordo com o Artigo 3º da Resolução nº. 750/93, assim
discriminados:
 o da Entidade;
 o da Continuidade;
 o da Oportunidade;
 o do Registro pelo valor original;
 o da Atualização Monetária;
 o da Competência; e
 o da Prudência.

3.1.2 Do Principio da Entidade

a) Conforme Iudícibus; Marion (2002, p. 91) produzem o seguinte conceito


de Entidade:

Se o conceito de entidade pode ser entendido num sentido macro também pode ser
detalhado num sentido micro. Tome-se o caso de uma grande empresa
multidivisional. Como toda essa empresa é considerada, principalmente para
finalidades de contabilidade geral (voltado para os usuários externos), uma
entidade contábil. Entretanto, as operações de suas divisões, heterogêneas entre si,
podem ser tão importantes para um melhor entendimento do desempenho do todo
que, contabilmente, principalmente para finalidades gerenciais (mas nos casos
mais complexos até para os usuários externos), seja interessante, para efeito de
evidenciação, considerar cada divisão como uma entidade (ou subentidades) à
parte, com seus relatórios de receitas, despesas e investimentos.

b) Por alguns autores considerados como um dos postulados Ambientais da


Contabilidade, esse princípio é o inicio de todo o encadeamento do raciocínio contábil e do
arcabouço estrutural da disciplina. Poderá ser observado ainda as seguintes idéias:

 A Contabilidade é planejada, mantida e produz suas avaliações e de demonstrações


relativas às entidades, de qualquer natureza e fim, que tenham exercido atividade
econômica.

 É da natureza dos negócios e das operações que os sócios, proprietários ou quotistas de


determinada entidade sejam também entidade distinta. Entretanto, é preciso considerar que,
para a Contabilidade, o patrimônio de uma pessoa física que porventura participe do capital
de outra entidade (esta como pessoa jurídica) também pode ser considerado uma entidade
contábil;
 O importante para caracterizar bem o princípio é que, para todos os efeitos, o patrimônio
de uma entidade não se confunde com o de outra, os patrimônios dos sócios não se
confundem com o da empresa (IUDÍCIBUS; MARION, 2002, p. 90 – 91).

3.1.3 O Princípio da Continuidade

Conforme o CFC (2006, p. 12) define a Continuidade ou não da Entidade,


bem como sua vida definida ou provável, devem ser consideradas quando da classificação e
avaliação das mutações patrimoniais, quantitativas e qualitativas. A Continuidade influencia
o valor econômico dos ativos e, em muitos casos, o valor ou o vencimento dos passivos,
especialmente quando a extinção da Entidade tem prazo determinado, previsto ou previsível.
A observância do Princípio da Continuidade é indispensável à correta aplicação do Princípio
da Competência, por efeito de se relacionar diretamente à quantificação dos componentes
patrimoniais e à formação do resultado, e de constituir dado importante para aferir a
capacidade futura de geração de resultado (Art. 5º da Resolução nº 750/93).

3.1.4 O Principio da oportunidade

Conforme CFC (2006, p. 13) afirma que o Princípio da Oportunidade refere-


se, simultaneamente, à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas
mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta,
independentemente das causas que as originaram. Como resultado da observância do
Princípio da Oportunidade:

 desde que tecnicamente estimável, o registro das variações patrimoniais deve ser feito
mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência;
 o registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando os
aspectos físicos e monetários;
 registro deve ensejar o reconhecimento universal das variações ocorridas no patrimônio da
Entidade, em um período de tempo determinado, base necessária para gerar informações
úteis ao processo decisório da gestão (Art. 6º da Resolução 750/93).
3.1.5 O Principio do Registro pelo Valor Original

Conforme CFC (2006, p. 13 - 14) afirma que os componentes do patrimônio


devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior,
expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações
patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no
interior da Entidade. Do Princípio do Registro pelo valor original, resulta:

a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada,
considerando-se como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da
imposição destes;

 uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterado
seus valores intrínsecos, admitindo-se, tão-somente, sua decomposição em elementos e/ou
sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais;

 uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterado
seus valores intrínsecos, admitindo-se, tão-somente, sua decomposição em elementos e/ou
sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais;

 os Princípios da Atualização Monetária e do Registro pelo Valor são compatíveis entre si


e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de
entrada (Art. 7º da Resolução nº 750/93).

3.1.6 O Princípio da Atualização Monetária.

Conforme CFC (2006, p. 12) conclui que os efeitos da alteração do poder


aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis através do
ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais. São resultantes
da adoção do Princípio da Atualização Monetária:

 a moeda, embora aceita universalmente como medida de valor, não representa unidade
constante em termos do poder aquisitivo;
 para que a avaliação do patrimônio possa manter os valores das transações originais (art.
7º), é necessário atualizar sua expressão formal em moeda nacional, a fim de que
permaneçam substantivamente corretos os valores dos componentes patrimoniais e, por
conseqüência, o do patrimônio líquido;

 a atualização monetária não representa nova avaliação, mas, tão-somente, o ajustamento


dos valores originais para determinada data, mediante a aplicação de indexadores, ou outros
elementos aptos a traduzir a variação do poder aquisitivo da moeda nacional em um dado
período (Art. 8º da Resolução nº 750/93).

3.1.7 O Princípio da Competência

Conforme CFC (2006, p. 14 – 15) define que as receitas e as despesas devem


ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre
simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou
pagamento. O Princípio da Competência determina quando as alterações no ativo ou no
passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes
para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da
Oportunidade. O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é
conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração.

I - As receitas consideram-se realizadas:

 nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem


compromisso firme de efetivá-lo, quer pela investidura na propriedade de bens
anteriormente pertencentes à Entidade, quer pela fruição de serviços por esta prestada;

 quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o
desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior;

 pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros;

 no recebimento efetivo de doações e subvenções.


II - Consideram-se incorridas as despesas:

 quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua


propriedade para terceiro;
 pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; e
 pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo (Art. 9º da Resolução nº
750/93).

3.1.8 - O Princípio da Prudência

Conforme CFC (2006, p. 15 - 16) afirma que o Princípio da Prudência


determina a adoção do menor valor para os componentes do Ativo e do maior para os do
Passivo sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das
mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido.

O Princípio da Prudência impõe a escolha da hipótese de que resulte menor


patrimônio líquido, quando se apresentarem opções igualmente aceitáveis diante dos demais
Princípios Fundamentais de Contabilidade. Observado o disposto no art. 7º da Resolução, o
Princípio da Prudência somente se aplica às mutações posteriores, constituindo-se
ordenamento indispensável à correta aplicação do Princípio da Competência. A aplicação do
Princípio da Prudência ganha ênfase quando, para definição dos valores relativos às
variações patrimoniais, devem ser feitas estimativas que envolvem incertezas de grau
variável (Art. 10 da Resolução nº 750/93).

I - Inobservância ao código de Ética – Constituição de Infração

A inobservância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade constitui


infração nas (alíneas “c”, “d” e “e” do art. 27 do Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de
1946) quando aplicável, ao Código de Ética Profissional do Contabilista. (CFC, 2006, p. 16).

3.1.1.1 Esclarecimentos relacionados às Resoluções nº 750/93 e nº 774/94 e seu apêndice


Os Princípios Fundamentais de Contabilidade, aprovados pela Resolução CF
nº 750/93, requerem para o seu amplo entendimento e compreensão, pelos usuários da
informação contábil3 e para a perfeita compreensão pelos profissionais da contabilidade, um
grau de detalhamento que não é possível abranger os próprios enunciados (CFC, 2006, p.
18).

Para tanto, foi editado a Resolução nº 774/94, de 16 de dezembro de 1994,


que trata do apêndice à mesma. Que trata da necessitando e conveniência de um maior
esclarecimento sobre o conteúdo e abrangência dos Princípios Fundamentais de
Contabilidade. Assim tornando de forma mais adequada à compreensão sobre tão importante
assunto. Desta forma complementa explicitando e esclarecendo de forma clara e direta todas,
as duvidas surgidas e não possível de serem contidas na Resolução 750/93. (CFC, 2006, p.
18).

3.1.1.2 A Contabilidade como conhecimento

A contabilidade ao longo dos tempos vem procurando se modernizar a cada


dia que se passa através da aplicação de uma metodologia racional em busca das causas em
nível qualitativos semelhantes às demais ciências, delimitando os campos de sua
abrangência como Ciência, tantos nas ciências formais quanto factuais. “Nos princípios
científicos jamais pode haver hierarquização formal, dado que eles são os elementos
predominantes na constituição de um corpo orgânico”, proposições que se colocam no início
de uma dedução, e são deduzidos de outras dentro do sistema. Nas ciências sociais, os
princípios se colocam como axiomas, premissas universais e verdadeiras, assim admitidas
sem necessidade de demonstração, ultrapassando, pois, a condição de simples conceitos
[“Grifo meu”].

3.1.1.3 Contabilidade como ciência social

Os Princípios Fundamentais de Contabilidade representam o núcleo central da


própria Contabilidade, na sua condição de ciência social, sendo a ela inerentes. Os princípios
constituem sempre as vigas-mestras de uma ciência, revestindo-se dos atributos de
universalidade e veracidade, conservando valida em qualquer circunstância. No caso da
3
() Fornecedores, Governo, entidades Sindicais, Bancos, Acionistas, etc.
Contabilidade, presente seu objeto, seus Princípios Fundamentais de Contabilidade valem
para todos os patrimônios, independentemente, das Entidades a que pertencem às finalidades
para as quais são usadas, as formas jurídicas da qual estão revestidos, sua localização,
expressividade e quaisquer outros qualificativos, desde que gozem da condição de
autonomia em relação aos demais patrimônios existentes (CFC, 2006, p. 20).

Nos princípios científicos jamais pode haver hierarquização formal, dado que
eles são os elementos predominantes na constituição de um corpo orgânico, proposições que
se colocam no início de uma dedução, e são deduzidos de outras dentro do sistema. Nas
ciências sociais, os princípios se colocam como axiomas, premissas universais e verdadeiras,
assim admitidas sem necessidade de demonstração, ultrapassando, pois, a condição de
simples conceitos (CFC, 2006, p.20).

Os princípios simplesmente são e, portanto, preexistem às normas,


fundamentando e justificando a ação, enquanto aquelas a dirigem na prática. No caso
brasileiro, os princípios estão, obrigatoriamente, presentes na formulação das Normas
Brasileiros de Contabilidade verdadeiros pilares do sistema de normas, que estabelecerá
regras sobre a apreensão, o registro, relato, demonstração e análise das variações sofridas
pelo patrimônio, buscando descobrir suas causas, de forma a possibilitar a feitura de
prospecções sobre a Entidade e não podem sofrer qualquer restrição na sua observância
(CFC, 2006, p.20 - 21).

3.1.1.4 Das informações geradas pela Contabilidade

Os requisitos referidos levam à conclusão de que deve haver consistência nos


procedimentos que a Entidade utiliza em diferentes períodos e, tanto quanto possível,
também entre Entidades distintas que pertençam a um mesmo mercado, de forma que o
usuário possa extrair tendências quanto à vida de uma Entidade e à sua posição em face das
demais Entidades ou mesmo do mercado como um todo. Tal desiderato é extremamente
incentivado pelo sistema formal de normas, cuja coerência estrutural é garantida pela
observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e seus ordenamentos aplicados.
Evidentemente o preceito em análise, conhecido por “consistência”, não constitui princípio
da Contabilidade, mas regra técnico-comportamental (4). Tanto isso é verdade que
procedimentos aplicados, mesmo fixados como norma, podem ser alterados em função das
necessidades dos usuários ou mesmo da qualidade dos resultados da sua aplicação, enquanto
que os princípios que os fundamentam permanecem inalterados (CFC, 2006, p. 22).

3.1.1.5 Dos Usuários da Contabilidade

Os usuários tanto podem ser internos como externos e, mais ainda, com
interesses diversificados, razão pela qual as informações geradas pela Entidade devem ser
amplas e fidedignas e, pelo menos, suficientes para a avaliação da sua situação patrimonial e
das mutações sofridas pelo seu patrimônio, permitindo a realização de inferências sobre o
seu futuro. Os usuários internos incluem os administradores de todos os níveis, que
usualmente se valem de informações mais aprofundadas e específicas acerca da Entidade,
notadamente aquelas relativas ao seu ciclo operacional. Já os usuários externos concentram
suas atenções, de forma geral, em aspectos mais genéricos, expressos nas demonstrações
contábeis (CFC, 2006, p. 23).

O tema é vital e, por conseqüência, deve-se manter vigilância sobre o grau em


que os objetivos gerais da Contabilidade aplicada a uma atividade particularizada estão
sendo alcançados. O entendimento das informações pelos próprios usuários pode levá-los a
conclusão da necessidade de valer-se dos trabalhos de profissionais da Contabilidade (CFC,
2006, p. 23 - 24).

4 COMENTÁRIOS TÉCNICOS DA RESOLUÇÃO Nº 750/93 SOBRE OS


PRINCÍPIOS

A Resolução CFC nº 750/93 que dispõe sobre os Princípios Fundamentais de


Contabilidade, elencando-os em seu artigo 3º e conceituando-os nos seus artigos seguintes
até ao dez. Aos quais carecem de alguns comentários técnicos para facilitar sua interpretação
e torná-los mais praticáveis, objetivos e úteis, por aqueles que os manuseiam.

4.1 Comentários Técnicos

I - O Principio da Entidade
“Art. 4º ..........................................................................................................................”
a) autonomia Patrimonial

O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela


pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestir-se do atributo de
autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma
Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e obrigações (CFC, 2006, p.
24).

“O Principio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da


Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um
patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de
pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer
natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos” (IUDÍCIBUS; MARION, 2002, p.130).

b) Da soma ou da agregação de patrimônios

O Patrimônio da Entidade corolário de notável importância, notadamente


pelas suas repercussões de natureza prática: as somas e agregações de patrimônios de
diferentes Entidades não resultam, em nova Entidade. Tal fato assume especial relevo por
abranger as demonstrações contábeis consolidadas de Entidades pertencentes a um mesmo
grupo econômico, isto é, de um conjunto de Entidades sob controle único (CFC, 2006, p.
25).

II - O Principio da Continuidade

“Art. 5º ..........................................................................................................................”

a) Aspectos conceituais

O Princípio da Continuidade afirma que o patrimônio da Entidade, na sua


composição qualitativa e quantitativa, depende das condições em que provavelmente se
desenvolverão as operações da Entidade. As suspensões das suas atividades podem provocar
efeitos na utilidade de determinados ativos, com a perda, até mesmo integral de seu valor. A
queda no nível de ocupação podem também provocar efeitos semelhantes (CFC, 2006, p.
26).

III - O Principio da Oportunidade

“Art. 6º ................................................................................................................”

a) Considerações

Conforme o CFC (2006, p. 28 – 29) faz os seguintes comentários acerca da


matéria:

 o Princípio da Oportunidade deve ser observado, como já foi dito, sempre que haja
variação patrimonial, cujas origens principais são, de forma geral, as seguintes:

 O Princípio da Oportunidade abarca dois aspectos distintos, mas complementares: a


integridade e a tempestividade, razão pela quais muitos autores preferem denominá-los de
Princípio da Universalidade;

 O Princípio da Oportunidade tem sido confundido algumas vezes, com o da


Competência, embora os dois apresentem conteúdos manifestamente diversos. Na
oportunidade, o objetivo está na completeza da apreensão das variações, do seu oportuno
conhecimento, enquanto, na competência, o fulcro está na qualificação das variações diante
do Patrimônio Líquido, isto é, na decisão sobre se estas o alteram ou não. Em síntese, no
primeiro caso, temos o conhecimento da variação, e, na competência, a determinação de sua
natureza.

b) A integridade das variações

A integridade diz respeito à necessidade de as variações serem reconhecidas


na sua totalidade, isto é, sem qualquer falta ou excesso. Concerne, pois, à completeza da
apreensão, que não admite a exclusão de quaisquer variações monetariamente quantificáveis.
Como as variações incluem elementos quantitativos e qualitativos, bem como os aspectos
físicos pertinentes, e ainda que a avaliação seja regida por princípios próprios, a integridade
diz respeito fundamentalmente às variações em si.Tal fato não elimina a necessidade do
reconhecimento destas, mesmo nos casos em que não há certeza definitiva da sua
ocorrência, mas somente alto grau de possibilidade... (CFC, 2006, p. 30).

Existe obrigatoriedade para que as variações sejam registradas no momento


em que ocorrerem, mesmo na hipótese de alguma incerteza de ocorrência do fato gerador.
“Sem os registros destes fatos, no momento da ocorrência, ficarão incompletos, os registros
sobre o patrimônio até aquele momento, e, em decorrência, insuficientes quaisquer
demonstrações ou relatos, e falseadas as conclusões, diagnósticos e prognósticos dos
eventos” [“Grifo meu”].

IV - O Princípio do Registro pelo Valor Original

“Art. 7º ........................................................................................................................”.

a) Considerações

Conforme o CFC (2006, p. 30 – 33) faz os seguintes comentários acerca da


matéria:

 O Princípio do Registro pelo Valor Original ordena que os componentes do patrimônio


tenham seu registro inicial efetuado pelos valores ocorridos na data das transações havidas
com o mundo exterior à Entidade, estabelecendo, pois, a viga-mestra da avaliação
patrimonial: a determinação do valor monetário de um componente do patrimônio.

 No caso de doações recebidas pela Entidade, também existe a transação com o mundo
exterior e, mais ainda, com efeito, quantitativo e qualitativo sobre o patrimônio. Como a
doação resulta em inegável aumento do Patrimônio Líquido, cabe o registro pelo valor
efetivo da coisa recebida, no momento do recebimento, segundo o valor de mercado.
Mantém-se, no caso, intocado o princípio em exame, com a única diferença em relação às
situações usuais: uma das partes envolvidas – caso daquela representativa do mundo externo
– abre mão da contraprestação, que se transforma em aumento do Patrimônio Líquido da
Entidade recebedora da doação. Acessoriamente, pode-se lembrar que o fato de o ativo ter-se
originado de doação, não repercute na sua capacidade futura de contribuir à realização dos
objetivos da Entidade.

b) A manutenção dos valores originais nas variações internas


Os Princípios em análise, como não poderia ser diferente, em termos lógicos,
mantém-se plenamente nas variações patrimoniais que ocorrem no interior da Entidade,
quando acontece a agregação ou a decomposição de valores. Os agregados de valores – cuja
expressão mais usual são os estoques de produtos semifabricados e prontos, os serviços em
andamento ou terminados, as culturas em formação, etc. – representam, quantitativamente, o
somatório de inúmeras variações patrimoniais qualitativas, formando conjuntos de valores
constituídos com base em valores atinentes a insumos de materiais, depreciações, mão-de-
obra, encargos sociais, energia, serviços de terceiros, tributos, e outros, classes de insumos
que, em verdade, representam à consumação de ativos, como estoques, equipamentos ou,
diretamente, recursos pecuniários (CFC, 2006, p. 32).

“A importância dos fatos mencionados, referentes ao Principio em tela,


classifica como ciência aplicada, particularmente, na área de custos, constitui-se na diretiva
preditiva, principalmente, de avaliação que se enquadra no ciclo operacional da entidade, em
que não existe propriamente a criação de valores, mas a simples redistribuição de valores
originais. “Por fim, destaco o valor econômico, sabendo que tal ajuste não resulta em
essência, modificação do valor original” [“Grifo meu”].
c) Custo Original Como Base de Valor

Com a mesma linha de pensamento Iudícibus; Marion (2002, p. 101 -102)


complementam com os seguintes comentários acerca da matéria:

 O mais antigo e mais discutido Principio propriamente dito da Contabilidade (já que os
dois anteriormente estudados são, por alguns, considerados como Postulados ambientais), é
considerado por parte dos estudiosos da doutrina contábil como uma conseqüência direta da
continuidade.

 até alguns anos atrás, esse princípio foi entendido numa acepção por demais conservadora
de custo original como valor (e não como base de valor), isto é, não apenas o valor de um
ativo – seu custo original – não poderia ser alterado (nem mesmo por ajustamento pelas
variações do poder aquisitivo da moeda), como somente os ativos que custam algo para a
entidade (para adquiri-los ou fabricá-los) poderiam ser considerados ativos. Os doados,
mesmo que apresentassem benefícios para a entidade, nunca seriam considerados ativos.
“Até antes de 1995 era muito comum à utilização no Brasil da expressão
Custo Original Corrigido, utilizados nos Balanço patrimoniais que registrava a Correção
Monetária de Balanço, contrariando assim o Principio Fundamental de Contabilidade do
Custo do valor Original”.

V - O Principio da Atualização Monetária

“Art. 8º ........................................................................................................................”

Conforme o CFC (2006, p. 33 – 34) faz os seguintes comentários acerca da matéria:

a) Aspectos conceituais

O Princípio da Atualização Monetária existe em função do fato de que a


moeda – embora universalmente aceita como medida de valor – não representa unidade
constante de poder aquisitivo. Por conseqüência, sua expressão formal deve ser ajustada, a
fim de que permaneçam substantivamente corretos – isto é, segundo as transações originais
– os valores dos componentes patrimoniais e, via de decorrência, o Patrimônio Líquido.
Como se observa, o Princípio em causa constitui seguimento lógico daquele do Registro
Pelo Valor Original, pois preceitua o ajuste formal dos valores fixados segundo este,
buscando a manutenção da substância original, sem que isso implique qualquer modalidade
de reavaliação.

Em diversas oportunidades no passado, o princípio foi denominado de


“correção monetária”, expressão inadequada, pois ele não estabelece qualquer “correção” de
valor, mas apenas atualiza o que, em tese, não deveria ter variado: o poder aquisitivo da
moeda. Esta é, aliás, a razão pela qual o princípio, quando aplicado à prática, se manifesta
por meio de índice que expressa a modificação da capacidade geral de compra da moeda, e
não da variação particular do preço de um bem determinado.

b) Dos indexadores da atualização

A atualização monetária deve ser realizada mediante o emprego de meios –


indexadores, moedas referenciais, reais ou não – que reflitam a variação apontada por índice
geral de preços da economia brasileira. A utilização de um único parâmetro de caráter geral e
de forma uniforme por todas as Entidades é indispensável, a fim de que sejam possíveis
comparações válidas entre elas.

É indispensável um indexador que poderá não resolver, inteiramente, o


questionamento da atualização monetária, pois não alcança a questão da fidedignidade de
que se reveste o dito indexador, na expressão do poder aquisitivo da moeda. Pois não se trata
de uma questão atinente aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, mas, simplesmente,
de um problema ligado a Ciência Econômica no campo teorico-doutrinário, e a política
aplicada.

1) Atualização Monetária - Complemento a Resolução CFC N º 750/93

Em 2001, o CFC emitiu a Resolução nº 900/01, que visa dar subsídios


complementares à aplicação do Princípio da Atualização Monetária, em vista das propostas
internacionais sobre o tema, decorrente da estabilidade econômica ensejada pelo Plano Real.
Apesar da tentativa de se equalizar as normas brasileiras e internacionais, não se pode deixar
de comentar o quão é indevida e errada essa proposição em nosso país. Como já ressaltamos
neste livro, a inflação brasileira dos últimos anos, após o Plano Real, não vêm atingidos
patamares como os advogados por essa norma, mas estão em níveis significantes e de forte
impacto quando não reconhecidos. (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2003, p. 84);

“Lamenta-se a postura do CFC em adotar tal complemento à norma antes”.


Para maiores detalhes e esclarecimentos ver Capitulo 36, Correção Integral das
Demonstrações Contábeis (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2003, p. 84).

2) Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional

O texto abaixo acrescenta dados formais dos “Princípio da Atualização


Monetária”, referente aos registros contábeis e seus ajustamentos da expressão formal dos
valores. Conforme o “caput” do art. 8º da Resolução CFC nº 750/93, com isso obriga que
“Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos
registros contábeis através do ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes
patrimoniais” contidas (Resolução CFC Nº 900/01, de 22 de março de 2001):
a) A aplicação do” Princípio da Atualização Monetária “é compulsória quando a
inflação acumulada no triênio for de 100% ou mais”; “A inflação acumulada será
calculada com base no Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), apurado
mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas, por sua aceitação geral e
reconhecimento por organismos nacionais e internacionais (Art 1º da Resolução nº
900/01);

b) “A aplicação compulsória do” Princípio da Atualização Monetária “deverá ser


amplamente divulgada nas notas explicativas às demonstrações contábeis” (Art 2º
da Resolução nº 900/01);

c) Quando a taxa inflacionária acumulada no triênio for inferior a 100%, a


aplicação do Princípio da Atualização Monetária somente poderá ocorrer em
demonstrações contábeis de natureza complementar às demonstrações de natureza
corrente, derivadas da escrituração contábil regular (Art 3º da Resolução nº
900/01); e

d) No caso da existência das ditas demonstrações complementares, a atualização


deverá ser evidenciada nas respectivas notas explicativas, incluindo a indicação da
taxa inflacionária empregada. A Atualização Monetária, neste caso, não originará
nenhum registro contábil (Art 3º da Resolução nº 900/01).

VI - O Princípio da Competência

“Art. 9º .........................................................................................................................”

Conforme o CFC (2006, p. 35 – 38) faz os seguintes comentários acerca da


matéria:

a) As variações patrimoniais e o Princípio da Competência

A compreensão do cerne do Princípio da Competência está diretamente ligada


ao entendimento das variações patrimoniais e sua natureza. Nestas encontramos duas
grandes classes: a daquelas que somente modificam a qualidade ou a natureza dos
componentes patrimoniais, sem repercutirem no montante do Patrimônio Líquido, e a das
que o modificam. As primeiras são denominadas de “qualitativas”, ou “permutativas”,
enquanto as segundas são chamadas de “quantitativas”, ou “modificativas”... (CFC, 2006, p.
35).

A competência é o princípio que estabelece quando um determinado


componente deixa de integrar o patrimônio, para transformar-se em elemento modificador
do Patrimônio Líquido. Da confrontação entre o valor final dos aumentos do Patrimônio
Líquido – usualmente denominados “receitas” – e das suas diminuições – normalmente
chamadas de “despesas” –, emerge o conceito de “resultado do período” (DRE): positivo, se
as receitas forem maiores do que as despesas; ou negativo, quando ocorrer o contrário (CFC,
2006, p. 35 - 36).

Observa-se que o Princípio da Competência não está relacionado com


recebimentos ou pagamentos, mas com o reconhecimento das receitas geradas e das
despesas incorridas no período. Mesmo com desvinculação temporal das receitas e despesas,
respectivamente do recebimento e do desembolso, em longo prazo ocorre à equalização
entre os valores do resultado contábil e o fluxo de caixa derivado das receitas e despesas, em
razão dos princípios referentes à avaliação dos componentes patrimoniais (CFC, 2006, p.
36).

Quando existem receitas e despesas pertencentes a um exercício anterior, que


nele deixarem de ser consideradas por qualquer razão, os componentes ajustes devem ser
realizados no exercício em que se evidenciou a omissão. (CFC, 2006, p. 36).

1) Alguns detalhes sobre as receitas e seu reconhecimento

A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e


direitos da Entidade – entendida a palavra “bem” em sentido amplo, incluindo toda sorte de
mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis – com a transferência da
sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo
compromisso firme de fazê-lo num prazo qualquer. Normalmente, a transação é formalizada
mediante a emissão de nota fiscal ou documento equivalente, em que consta a quantificação
e a formalização do valor de venda, pressupostamente o valor de mercado da coisa ou do
serviço. Embora esta seja a forma mais usual de geração de receita, também há uma segunda
possibilidade, materializada na extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como no caso
do perdão de multa fiscal, da anistia total ou parcial de uma dívida, da eliminação de passivo
pelo desaparecimento do credor, pelo ganho de causa em ação em que se discutia uma dívida
ou o seu montante, já devidamente provisionado, ou outras circunstâncias semelhantes.
Finalmente, há ainda uma terceira possibilidade: a de geração de novos ativos sem a
interveniência de terceiros, como ocorre correntemente no setor pecuário, quando do
nascimento de novos animais. A última possibilidade está representada na geração de
receitas por doações recebidas, já comentadas anteriormente (CFC, 2006, p. 37).
A exemplo de obras de engenharia, em que usualmente estará presente os tres
requisitos nos contratos de fornecimento, o reconhecimento da receita não deve ser
postergado até o momento da entrega da obra, pois este procedimento redundaria num
quadro irreal da formação do resultado, em termos cronológicos. O procedimento correto
está na globalização (1) da receita aos esforços despendidos, geralmente, expressos por
custos – reais ou estimados – ou etapas vencidas.

2) Realização da Receita - classificação da receita Realizada

Segundo Iudícibus; Martins; Gelbcke (2003, p. 62 - 64), classificam a receita


realizada da seguinte forma:

 Receitas a serem Reconhecidas Proporcionalmente a Certo Período Contábil já


Decorrido;
 Produtos cuja Produção é Contratada para Execução a Longa Prazo;
 Reconhecimento da Receita antes da Transferência por Valorização de Estoques;
 Reconhecimento da Receita após o Período de Transferência do Produto ou Serviço.

Conclui Iudícibus; Martins; Gelbcke (2003, p. 61) afirmam que a receita é


considerada realizada quando:

A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela


Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela Entidade
são transferidos para outra Entidade ou pessoa física com a anuência destas e
mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a
Entidade produtora.

Segundo Iudícibus; Martins; Gelbcke (2003, p. 61), Portanto, considera-se


que o Princípio da Realização da Receita escolhe, como ponto normal de reconhecimento e
registro da receita nos livros da empresa, aquele em que produtos ou serviços são
transferidos aos clientes. Esse ponto é praticamente coincidente, muitas vezes, com o
momento da venda. A Contabilidade assim o faz por que:
 a transferência do bem ou serviço normalmente se concretiza quando todo, ou
praticamente se concretiza quando todo, ou praticamente todo, o esforço para obter a receita
já foi desenvolvido;

 nesse ponto, configura-se com mais objetividade e exatidão o valor de mercado (de
transação) para a transferência;

 nesse ponto já se conhecem todos os custos de produção do produto ou serviço


transferido e outras despesas ou dedução da receita diretamente associável ao produto ou
serviço, tais como: comissões sobre vendas, despesas com conserto ou reformas parciais
decorrentes de garantias concedidas etc. Os desembolsos com tais despesas podem ocorrer e
até ocorrem, após a transferência, mas o montante é conhecido ou razoavelmente estimável
já no ato da transferência (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2003, p. 61).

3) O reconhecimento das Despesas e seu confronto com as Receitas

Seguindo a mesma linha de pensamento Iudícibus; Marion (2002, p. 113)


afirmam que no reconhecimento das despesas é importante ressaltar que o mesmo não está
relacionado ao montante de recursos efetivamente pago no período, mas ao consumo de
ativos, a ocorrência de um fato gerador da despesa e a seu confronto com as receitas
atribuídas ao período da forma vista no item anterior, ou ao período, quando não for possível
o confronto direto com as receitas.

4) Despesas do período

Segundo Iudícibus; Marion (2002, p. 114) afirmam que Todas as despesas e


perdas ocorridas em determinado período deverão ser confortadas com as receitas
reconhecidas nesse mesmo período ou a ele atribuídas, havendo alguns casos especiais:

a) “Os gastos de períodos em que a entidade é total ou parcialmente pré-


operacional são normalmente ativados para amortização, para despesas somente a
partir do exercício em que a entidade ou a parcela do ativo respectivo começar a
gerar receitas”;
b) parcela dos gastos dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento que
superar o montante necessário para manter o setor em funcionamento,
independentemente dos projetos em execução; tais gastos incluem os salários fixos
dos pesquisadores e as depreciações dos equipamentos permanentes. Todo gasto
incremental necessário para determinado projeto poderá ser ativado e, quando o
projeto iniciar a geração de receitas, amortizada como despesa contra tais receitas.
(Entretanto, os procedimentos reais das empresas, no que se refere, tem variado
entre dois extremos): ou ativar tudo ou jogar tudo como despesa nos períodos em
que ocorrerem.

5) Propaganda

Segundo Iudícibus; Marion (2002, p. 114) afirmam que, Normalmente, os


gastos com propaganda e promoção de venda, mesmo institucional, devem ser considerados
como despesas dos períodos em que ocorrem:

Nesse procedimento de reconhecimento de despesas ou postergação de seu


reconhecimento, é preciso considerar que somente um motivo muito forte e
preponderante pode fazer com que um gasto deixe de ser considerado como
despesa no período em que ocorrer.

6) Pré-operacional

Segundo Iudícibus; Marion (2002, p. 114 - 115) ressaltam que a importância


da ativação das despesas, classificadas como pré-operacioanais, a saber:
 Os juros e encargos financeiros decorrentes da obtenção de recursos para construção ou
financiamento de ativos de longo prazo de maturação ou construção somente podem ser
ativados durante o período pré-operacional; e

 Entretanto, seu montante deve ser contabilizado em conta especificas de ativo a ser
amortizada (transferido para despesa) a partir do exercício em que o ativo entrar em
operação. As despesas financeiras são apropriadas aos períodos em que são incorridas.

7) Despesas de exercícios anteriores

Segundo Iudícibus; Marion (2002, p. 115) afirmam que existem situações em


que se têm valores, quer de receitas, quer de despesas, que competem a exercício anterior,
mas que deixaram de nele ser considerados. Duas diferentes e extremadas posições tem sido
discutidas. Na primeira, defende-se que tais ajustes devem ser feitos ao resultado do
exercício em que se descobre o erro. Na segunda, defende-se que o ajuste deve ser feito
contra conta de reserva. Nossa legislação Comercial (Lei nº 6.404/76) preferiu uma versão
próxima a primeiras, só admitindo como ajuste de exercício anterior aquele relativo a erro
ou mudança de critério contábil que não se deva a fatos subseqüentes. A atual tendência é de
se evitarem esses ajustes a contas que não do resultado do período, preferindo-se sua
discriminação dentro da demonstração do resultado.
O Regime da Competência, como um todo, poderia ser assim enunciado.

“Receitas e Despesas devem ser reconhecidas e atribuídas aos períodos contábeis de acordo
com a ocorrência de fatos geradores específicos e não pela entrada ou saída de caixa. As
despesas deverão, sempre que possível, ser confrontada diretamente com as receitas
reconhecidas no período” (EUDICIBUS; MARION, 2002, p. 115).

8) Os gastos Deferidos

Os gastos diferidos que não vierem a gerar receitas deverão ter seus valores
específicos descarregados como perda no período em que se caracterizar a impossibilidade
de geração de receita ou o fracasso ou desmobilização do projeto. (perda)... (IUDÍCIBUS;
MARTINS; GELBCKE, 2003, p. 65).

Os gastos com propaganda e promoção de venda, mesmo institucional,


deverão ser considerados como despesas dos períodos em que ocorrerem:

a) Somente um motivo muito forte e preponderante pode fazer com que um gasto
deixe de ser considerado como despesa do período, ou através do confronto direto
com a receita ou com o período. Se formos conservadores no reconhecimento da
receita, devemos sê-lo, em sentido oposto, com a atribuição de despesas
(IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2003, p. 65).

b) Os juros e encargos financeiros decorrentes da obtenção de recursos para


construção ou financiamento de ativos de longo prazo de maturação ou construção
somente poderão ser ativados durante o período pré-operacioanal. Entretanto, seu
montante deverá ser contabilizado em conta especifica de ativo a ser amortizado a
partir do exercício em que o ativo entrar em operação. As demais despesas
financeiras serão apropriadas aos períodos em que foram incorridas (IUDÍCIBUS;
MARTINS; GELBCKE, 2003, p. 65).

9) Esclarecimentos

Segundo Iudícibus; Martins; Gelbcke (2003, p. 65) Afirmam que é


importante esclarecer que os princípios da realização da receita e de confrontação das
despesas são, em conjunto, também conhecidas por Regime de Competência.

10) Pontos divergentes e convergentes


Há situações em que se tem valor, quer de receita, quer de despesas, que
competem a exercício anterior, mas que deixaram de nele ser considerados. Duas diferentes
e extremadas posições tem sido discutidas. Na primeira, defende-se que tais ajustes devem
ser feitos ao resultado do exercício em que se descobre o erro. Na segunda, defende-se que o
ajuste deve ser feito à conta de reserva. Por estas razões defendem. (IUDÍCIBUS;
MARTINS; GELBCKE, 2003, p. (65).

VII - O Principio da Prudência


“Art. 10 ..........................................................................................................................”

Conforme o CFC (2006, p. 39 – 40) faz os seguintes comentários acerca da


matéria:

a) Aspectos conceituais

A aplicação do Princípio da Prudência – de forma a obter-se o menor


Patrimônio Líquido, dentre aqueles possíveis diante de procedimentos alternativos de
avaliação – está restrita às variações patrimoniais posteriores às transações originais com o
mundo exterior, uma vez que estas deverão decorrer de consenso com os agentes
econômicos externos ou da imposição destes. Esta é a razão pela qual a aplicação do
Princípio da Prudência ocorrerá concomitantemente com a do Princípio da
COMPETÊNCIA, conforme assinalado no parágrafo 2º, quando resultará, sempre, variação
patrimonial quantitativa negativa, isto é, redutora do Patrimônio Líquido.

A prudência deve ser observada quando, existindo um ativo ou um passivo já


escriturados por determinados valores, segundo os Princípios do Registro Pelo Valor
Original e da Atualização Monetária, surge dúvida sobre a ainda correção deles. Havendo
formas alternativas de se calcularem os novos valores, deve-se optar sempre pelo que for
menor do que o inicial, no caso de ativos, e maior, no caso de componentes patrimoniais
integrantes do passivo. Naturalmente, é necessário que as alternativas mencionadas
configurem, pelo menos à primeira vista, hipóteses igualmente razoáveis. A provisão para
créditos de liquidação duvidosa constitui exemplo da aplicação do Princípio da Prudência,
pois sua constituição determina o ajuste, para menos, de valor decorrente de transações com
o mundo exterior, das duplicatas ou de contas a receber. A escolha não está no
reconhecimento ou não da provisão, indispensável sempre que houver risco de não-
recebimento de alguma parcela, mas, sim, no cálculo do seu montante.
Cabe observar que o atributo da incerteza, à vista no exemplo referido no
parágrafo anterior, está presente, com grande freqüência, nas situações concretas que
demandam a observância do Princípio da Prudência. Em procedimentos institucionalizados,
por exemplo, em relação aos “métodos” de avaliação de estoques, o Princípio da Prudência,
raramente, encontra aplicação.

5 COMPARAÇÃO ENTRE OS PRINCIPIOS NAS DUAS ABORDAGENS

A Resolução CFC Nº 774/94, de 16 de dezembro de m1994, foi emitida com


o objetivo de estabelecer comentários e esclarecimentos acerca dos enunciados contidos na
Resolução 750/93. A seguir, foi feita uma comparação entre os Princípios Fundamentais de
Contabilidade, definidos pelo Conselho Federal de Contabilidade - CFC e aqueles tratados
pelo Instituto Brasileiro de Contadores - IBRACON, através da abordagem da estrutura
Conceitual Básica de Contabilidade (ECBC), buscando enfatizar as principais diferenças
encontradas entre as duas concepções.
5.1 Comparação e Abordagem do IBRACON (ECBC) versus CFC (Resolução)

Segundo visão de Iudícibus; Marion (2002, p.133 - 134) afirmam que na


abordagem da estrutura Conceitual Básica de Contabilidade (ECBC), os conceitos são
tratados de forma hierarquizada: postulados princípios propriamente ditos e convenções. A
nosso ver, existe essa necessidade mais para entender a evolução e o entrelaçamento dos
vários conceitos que pelo fato de serem mais ou menos importantes na prática. A
argumentação utilizada pelo CFC para a não-aceitação desse enfoque é semelhante:

“Nos princípios científicos jamais pode haver hierarquização formal, dado que eles
são os elementos predominantes na constituição de um corpo orgânico (...)”
(IUDÍCIBUS; MARION, 2002, p.134).

5.2 Quanto a Entidade

Afirma Iudícibus; Marion (2002, p. 134), que a principal diferença observada


na comparação entre tratamentos dados ao Principio da Entidade constitui-se na própria
definição do que seja “entidade”.

De acordo com a Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade, a entidade é


vista sob um prisma mais amplo, num sentido econômico, organizacional e de controle,
identificada com uma massa de recursos administráveis. Dessa forma, tanto pode ser
considerada entidade o “consolidado” – composto pela companhia mãe e suas controladas,
como também cada “divisão” da empresa. Essa definição vai depender de se mostrar
interessante para a obtenção de uma melhor evidenciação (IUDÍCIBUS; MARION, 2002,
p.134).

No documento do CFC, a entidade é conceituada sob o aspecto estritamente


jurídico. O conceito de garantia de propriedade ganha uma maior importância, sendo
utilizado como critério para caracterizar o direito ao exercício de poder sobre o patrimônio.
Decorre dai à ênfase dada à idéia de que:

“As divisões ou departamento de uma entidade não possam constituir novas


entidades, ou ‘ micro entidades’, precisamente porque lhes faltará o atributo da
autonomia” (IUDÍCIBUS; MARION, 2002, p. 134).
Verifica-se, no entanto, que essas diferenças ficam limitadas tão somente
sobre o aspecto conceitual, não atingindo o núcleo básico comum do princípio, qual seja o
de que o patrimônio de uma entidade não se confunde com o de outra e que os patrimônios
dos sócios não se confundem com o da empresa (IUDÍCIBUS; MARION, 2002, p.134).

5.3 Quanto a Continuidade

Segundo Iudícibus; Marion (2002, p. 134) afirmam que as abordagens


enfatizam a interligação do Principio da Continuidade com outros princípios, especialmente,
o da Competência, sendo a sua aplicação fundamental para a correta avaliação patrimonial.

Segundo Iudícibus; Marion (2002, p. 134) afirmam que tomando como base o
texto do CFC, é tratada a mudança no “estado das coisas”: descontinuidade, suspensão
temporária das atividades ou mesmo modificação no volume de operações, de forma a afetar
o valor de alguns componentes patrimoniais. A expressão going concerne não é julgada
adequada, por se fundamentar na idéia da entidade em movimento. O argumento para
rejeição consiste em que uma entidade com suas atividades reduzidas ou suspensas
temporariamente continuará sendo objeto da Contabilidade, enquanto dispuser de
patrimônio.

5.4 Quanto a Competência

Segundo Iudícibus; Marion (2002, p. 136) afirmam que por considerar


importante o estudo detalhado de receitas e despesas, a competência é discutida pela ECBC
no Principio da Realização da Receita e no Principio do Reconhecimento das Despesas e seu
Confronto com as receitas. O CFC enfoca ambos os aspectos no denominado Princípio da
Competência. Ao se compararem os tratamentos especiais dispensados a algumas receitas,
são notadas algumas diferenças entre as duas concepções.

O CFC cita somente a situação de reconhecimento proporcional para as


receitas de serviços, não fazendo menção aos alugueis e receitas de juros. Assim, considera
como base para reconhecimento apenas os serviços prestados, não considerando a alternativa
do decurso do tempo (IUDÍCIBUS; MARION, 2002, p. 136).
Também não é mencionado na Resolução do Conselho Federal de
Contabilidade o reconhecimento de receita após a transferência, situação contemplada na
ECBC (muito embora, trata-se de casos raros na prática) (IUDÍCIBUS; MARION, 2002. p.
136).

5.5 Quanto a Oportunidade e a Prudência

A Estrutura Conceitual Básica de Contabilidade não contempla um principio


especifico correspondente ao Principio da Oportunidade, conforme tratado na Resolução do
CFC nº 750/93.

Por sua vez, os Princípios da Prudência e do Conservadorismo tratam da


mesma idéia básica, não apresentando diferenças relevantes em seu conteúdo, segundo
afirmam Iudícibus; Marion (2002 p. 136).

5.1.1 Visão e abordagem estabelecidas pelo – IBRACON (ECBC) versus CFC:

VISÃO E ABORDAGEM ACERCA DO ASSUNTO


PRINCIPIOS IBRACON (ECBC) CFC
FUNDAMENTAIS Estabelecido nos Pronunciamentos Estabelecido pela
Resolução nº 750/93
HIERARQUIZAÇÃO Necessidade, mais para entender bem a Inadequada, pois jamais
DOS PRINCIPIOS evolução e o entrelaçamento dos vários pode haver hierarquização
conceitos do que pelo fato de serem mais ou formal nos princípios
menos importantes na prática. científicos – elementos
predominantes na
constituição de um corpo
orgânico.

* Entidade conceituada num sentido *Entidade conceituada no


econômica, organizacional e de controle. sentido estritamente
ENTIDADE jurídico.
*Admite a idéia da formação de entidades
no sentido macro (consolidado) e micro *Não admite que qualquer
(divisões da empresa). divisão ou agregação de
patrimônios resulte em
novas entidades.
* Ênfase na justificativa a adoção do valor * Ênfase a mudança no
de entrada na avaliação patrimonial. “estado das coisas”:
descontinuidade, suspensão
*Aceita a denominação going concern temporária das atividades
CONTINUIDADE como indicadora da continuidade. ou modificação no volume
das operações.

*Contesta a denominação
going concern porque uma
entidade com atividades
suspensas ou reduzidas
continuará sendo objeto da
Contabilidade.

* Principio do Custo Original como Base de * Principio do Registro pelo


Valor: Valor Original:
= valor de entrada como base para os = Obrigatoriedade da
registros contábeis. Contem a idéia de adoção de valores originais
manutenção do seu poder aquisitivo no e do uso da moeda do Pais
CUSTO DA MOEDA tempo. nos registros das transações.

* Principio do Denominador Comum


Monetário: *Principio da Atualização
= Avaliação dos componentes patrimoniais Monetária:
em moeda corrente do País. = Reconhecimento da
alteração do poder
* Dispõe sobre a inadequação do padrão aquisitivo da moeda
monetário e aplicação do conceito de nacional.
valores presente. Expressão “correção
monetária” julgada
inadequada.

* Tratada através de dois Princípios: * Define em um principio:


- Realização da Receita - Princípio da
- Reconhecimento das Despesas e seu Competência.
com * Proporcional aos serviços
efetivamente realizados.
* Proporcional a certo período contábil
decorrido e, em alguns casos, aos serviços Contempla apenas receitas
realizados. de serviços.
Contempla receitas de serviços, alugueis e
juros. * Produção demanda largo
* Produtos ou serviços de longo prazo de espaço de tempo:
execução:

- proporcional: - Proporcional:
COMPETÊNCIA - Ao grau de acabamento; - Aos esforços
- Aos custos incorridos no período de dispendidos, expressos por
apuração. custos – reais ou estimados
* Antes da transferência: – ou etapas vencidas.
- Em certos casos de crescimento * Antes da transferência:
vegetativo ou acréscimos de valor natural. - Trata apenas da
- Casos em que risco de não-venda é geração de novos ativos
praticamente nulo. sem interveniencia de
* Após a transferência, em casos especiais. terceiros.
- Não faz alusão a essas
situações.
* Situação não
contemplada.

* Não contempla. * Princípio da


Oportunidade:
OPORTUNIDADE
- Refere-se à
tempestividade e a
integridade do registro do
Patrimônio e das suas
mutações.
MATERIALIDADE/ * Convenção da Materialidade. *Não contempla.
OBJETIVIDADE
* Convenção da Objetividade.

Fonte: (IUDÍCIBUS; MARION, 2002. p. 137 - 139).

6 VISÃO GLOBAL DOS PRINCIPIOS CONTÁBEIS

Para estabelecer uma visão conjunta de aprendizado, de forma global e criar


um bom entendimento acerca dos Princípios Fundamentais de Contabilidade, através da
estrutura conceitual, que se realiza a partir de um entendimento didático e pedagógico para
uma complexa compreensão dessa estrutura referente ao conjunto de Postulados, Princípios
e Convenções Contábeis em que se foca matéria de maneira didática e cientifica, que ocorre
através de uma comparação da construção de um edifício (INCDICIBUS; MARION, 2002.
p. 96 - 99), conforme o entendimento a seguir:

6.1 Edifício Contábil


Comparação dos aspectos globais dos Princípios Fundamentais de
Contabilidade, equivalentes na área contábil com uma construção de um edifício, incluindo
os Alicerces, Paredes Telhados e suas equivalências no Edifício contábil, a baixo:

EDIFÍCIO
POSTULADOS PRINCIPIOS CONVENÇÕES
1. ALICERCE 2. PAREDES 3. TELHADO

EDIFICIO

1. ALICERCE (postulados)
ENTIDADE CONTABIL CONTINUIDADE

2. PAREDES (princípios)
CUSTO DENOMINADOR REALIZAÇÃO DA CONFRONTAÇÃO ESSENCIA
HISTÓRICO COMUM RECEITA DA DESÉSA SOBRE A
MONETÁRIO FORMA

3. TELHADO (convenções)
OBJETIVIDADE MATERIALIDADE CONSISTENCIA CONSERDORISMO

Essa estrutura visa preparar meios para atingir o objetivo da contabilidade


que, acima de tudo, é prover dados e informações para tomada de decisão por parte dos
usuários (INCDICIBUS; MARION, 2002. p. 96).

6.2 Primeira Etapa da visão global - Construindo os Alicerces - (Postulados)

Para uma melhor aprendizagem de contabilidade é importante uma eficiente


base teórica, no inicio dessa disciplina. Os princípios fundamentais de Contabilidade são
partes indispensáveis dessa base teórica. É praticamente impossível um domínio satisfatório
da Contabilidade sem uma visão de conjunto desses princípios.

Todavia, esta visão não poderá ser extensa e nem profunda, já que estamos
tratando de uma introdução a Teoria da Contabilidade, outras disciplinas na área contábil
também exploram esses temas. Também será aprofundado na pós-graduação. Uma boa
metodologia de ensino é aquela que abrange o conjunto dos princípios fundamentais de
Contabilidade, permitindo ao estudante uma aprendizagem rápida e suficiente para utilizá-lo
como um instrumento teórico que permitira a compreensão inteligível do processo contábil.
Para esta visão conjunta, a proposta metodológica do ensino baseia-se em um
edifício, sendo composto por três partes: Alicerce (fundação e colunas), Paredes (formando
compartimentos), e Telhado que irá abrigá-lo. Assim, respeitando a hierarquia dos
princípios, o alicerce será constituído pelos postulados (entidade contábil e continuidade), as
paredes serão os princípios propriamente ditos (custo histórico como base de registrar inicial
de valor, denominador comum monetário, realização da receita e confrontação da despesa) e
o telhado significará as convenções (materialidade, conservadorismo, consistência e
objetividade). Trata-se, ainda, como um princípio embrionário, o princípio da essência
econômica prevalecendo sobre a forma jurídica.

6.3 Segunda Etapa da visão global - Construindo as Paredes - (Princípios)

Na reflexão da primeira etapa, iniciamos com uma comparação da construção


de um prédio, cujo alicerce eram os postulados ambientais (entidade e continuidade) e que
nesta etapa vou identificar a parte relevante do enunciado que são os Princípios
Fundamentais de Contabilidade que na comparação são equivale às paredes do Edifício
(INCDICIBUS; MARION, 2002, p. 117).

Conforme a visão metodológica utilizada para a pesquisa bibliográfica que


melhor explica a questão e facilitar a compreensão do entendimento didático, segundo
(IUDÍCIBUS; MARION, 2002, p. 117 – 119):

As Paredes desta construção, apoiadas nos Alicerces, representam os princípios contábeis


propriamente ditos que são os preceitos básicos orientadores dos registros contábeis.

Um dos principais compartimentos no nível das paredes é o principio do


custo como base de valor; talvez o mais utilizado na Contabilidade de custo. Esse princípio
diz que os registro contábeis serão realizados ao custo de aquisição ou ao custo de
fabricação (como, por exemplo, os estoques).

Esta proposta só será valida para uma empresa (entidade) que está em
continuidade.Como já vimos, não estando em continuidade não seria adequado trabalhar a
valores de entrada (custo). Em outras palavras, estando à entidade em descontinuidade, tira-
se o pilar da continuidade e todo o edifício desmorona. Todavia, o custo histórico não é
plenamente aceito. A própria legislação societária admite a reavaliação para bens do ativo.

Aperfeiçoamento e mudanças nos princípios são possíveis, já que esses não


são como verdades inquestionáveis. Assim, pode-se dizer que os princípios são mutáveis.
Mudar paredes, compartimentos, não é tarefa simples, porem é possível faze-los sem que a
estrutura seja destruída. Assim, os princípios se encontram numa hierarquia de menor
importância que os postulados. Porém, um aspecto importante é que as paredes não podem
ser modificadas fora dos limites do telhado. O telhado limita-se em suas dimensões, na
estrutura do edifício. Veremos no próximo capítulo que o telhado representa as convenções,
que são restrições ou limitações aos princípios contábeis. Por exemplo, no telhado, temos a
convenção da objetividade que diz que ao registrar pelo valor do custo temos que ter um
documento (nota fiscal, escritura, laudo etc.).

No nível de ajustar paredes, novos compartimentos poderão ser construídos,


desde que em cima das colunas (postulados) e abrigados pelo telhado (convenções). Por
exemplo, um novo princípio está sendo construído na estrutura conceitual. Básica da
contabilidade – a essência econômica prevalecendo sobre a forma jurídica, A estrutura
conceitual básica da contabilidade possui um grande relacionamento com os aspectos
jurídicos que cercam o patrimônio, mas não raro, a forma jurídica pode deixar de retratar a
essência econômica. Nessas ocasiões, deve a Contabilidade guiar-se pelos seus objetivos de
bem informar, seguindo, se necessários, a essência em vez da forma.

Um outro principio existente que orienta os registros contábeis para a


consecução do objetivo da Contabilidade é o denominador comum monetário. Por meio
desse principio, temos a avaliação monetária que homogeneíza e agrega deferentes itens em
um denominador comum monetário, num único relatório.

Terminando as paredes, a Contabilidade de custos irá usar muito o princípio


da realização da receita e da confrontação da despesa. Ambos os princípios detalham e
explicam o que chamamos de regime de competência. Poderíamos dizer que há duas formas
distintas de se fazer Contabilidade. Uma considerada não científica, que é o regime de caixa,
em que, na apuração do resultado, levamos em consideração somente a receita recebida e a
despesa paga. A outra, convencionada como a melhor, é o regime de competência, onde a
receita considerada é a gerada no período (não importando se foi recebida). É a despesa
considerada é a consumida no período (não importando se foi paga). O regime de caixa nada
tem a ver com o arcabouço contábil em estudo. Aliás, ele é a anticontabilidade dentro de um
rigor científico, embora seja útil em determinadas circunstancias. Por outro lado, o regime
de competência é o estilo contábil onde todo o arcabouço proposto se ajusta perfeitamente.
(Regime de caixa cabe melhor para uma contabilidade gerencial, voltada para a tendência da
escola americana).

O principio da realização da receita mostra o momento de se reconhecer à


receita, contabilizando-a. De maneira geral, é o momento da transferência do bem ou serviço
para o cliente. Após a identificação exata da receita, faz-se um esforço de associar
(confrontar) toda a despesa sacrificada para a obtenção daquela receita, fato esse que
chamamos de principio da confrontação da despesa. Desta comparação (receita e despesas)
obtemos o resultado de um período.

Há despesas ou deduções facilmente identificadas, como as receitas. Outras


precisarão ser estimadas como o caso de provisão para devedores duvidosos de correntes de
duplicadas ainda não recebidas e geradas pela receita já reconhecida. Outras ainda, por
características independentes, serão deduzidas da receita na condição de despesas do
período, como é o caso de despesas administrativas que não possuem nenhuma relação com
a receita.

Todavia, o fato de se apurar resultado só por ocasião da venda limitaria


demais os relatórios contábeis em certos tipos de atividades com estoque de longa
maturação, como a pecuária, a construção civil, o envelhecimento de bebidas etc. Nesses
casos, seria possível reconhecer a receita antes da venda, considerando o ganho da
manutenção desses estoques. Algumas exceções, portanto, serão encontradas neste principio.
Como não se trata dos postulados, os princípios são limitados e possíveis de ajustes e
mudanças, como já dissemos.

6.4 Terceira Etapa da visão global – Limitação do telhado - (Convenções)

Até então vimos à finalidade do Alicerce (postulados) e das Paredes


(Princípios) na construção de um edifício.
Como ressaltado por (Iudícibus; Marion, 2002, p. 123) que Seria absurdo
pensar que parte da construção não está embaixo do telhado. Conclui-se então que o telhado
abriga a construção; portanto, restringe a área, não havendo flexibilização do prédio além
desse limite. As convenções têm a função do telhado, ou seja, restringem o campo de ação
dos princípios. Dessa forma, as convenções estabelecem limites no procedimento do
profissional contábil.

Por exemplo, os registros contábeis deverão ter suporte em documentação


gerada nas transações ou evidencias que possibilitem a avaliação. Sendo assim, não haveria
distorções nos relatórios contábeis, pois o profissional teria usado de objetividade para
descrever o evento contábil.

O próprio estabelecimento de um novo princípio, a essência sobre a forma,


está sujeito ao telhado. Este novo princípio terá que ser útil (relevante, material), praticável e
objetivo.

Se uma empresa (entidade) adquire um bem de uso duradouro (continuidade),


devemos registrá-lo pelo custo de aquisição (custo histórico) para quando existir venda
(realização da receita) podemos comparar a depreciação deste bem (confrontação da
despesa) com a receita gerada para apurar o resultado (lucro ou prejuízo). Entretanto, para
concretizar esse registro no ativo (por meio do denominador comum monetário) teríamos
que ponderar as seguintes indagações:

O valor é relevante e material? (admita, por exemplo, que se trata de uma aquisição de uma
chave de fenda: nesse caso, não compensaria ativar para fazer em seguida às depreciações;
poderíamos tratar como uma despesa.);

 Existem documentos, suportando essas operações? (Caso contrário teria dificuldade em


fazer os registros contábeis de forma objetiva);
 Existe algum procedimento anterior nessa seqüência de lançamentos que não poderia
mudar? Esse tipo de bem duradouro sempre foi classificado como estoque de consumo e,
nesse caso, não poderia quebrar a consistência; e

 No momento da aquisição desse bem, não estaria o mesmo obsoleto, ou danificado pelo
transporte, ou não ajustado às necessidades da empresa etc.? (Numa dessas hipóteses,
poderíamos ter perda real e seria prudente ou conservador considerar o menor valor no ato
de ativar o bem.).

A materialidade considera que toda informação contábil tem um custo e só


seria válido executar essa informação se o beneficio (ao usuário ou sistema) representar um
valor maior que o custo da informação (papel, espaço, equipamentos, salários, encargos etc.)
preparada pela Contabilidade.

O conservadorismo será retratado num sentido de antecipar prejuízo e nunca


antecipar lucro. A Contabilidade não poderá influenciar o usuário por meio de um otimismo
que poderá não se concretizar.

6.5 Os fundamentos do Edifício Contábil

Ainda que não apareça, o ALICERCE (postulado) é a parte principal de uma


construção. Mesmo que as paredes ou telhados sofram mudanças, não afetam a estrutura do
prédio.

O número 1 (um) coloca duas colunas que sustentam todo o edifício. Esses
dois pilares, que são aprofundados no solo, correspondem ao alicerce, à base do edifício,
representado, na teoria da Contabilidade, pelos postulados.

7 POSTULADOS

7.1 Conceituação relativa à Concepção Contábil


Segundo Iudícibus; Marion (2006, p. 98 - 99) concluem os seguintes
conceitos a cerca da matéria:

São dogmas ou premissas que não precisam ser demonstrados, comprovados,


mas que há aceitação geral, sem nenhum questionamento. Em outras palavras, é a exposição
de uma verdade que não está sujeita a verificação. Por exemplo, se eu disser que “o sol
nasce todos os dias” não preciso demonstrar isso, pois é uma observação da realidade.

Todavia, todo o planejamento de minha vida está em função de que haverá


luz em cada dia de vinte e quatro horas. Eu não questiono a hipótese do sol não brilhar. Se
isso acontecer, muitas regras seriam mudadas no meu cotidiano. Porem, não penso em vinte
e quatro horas de trevas e vivo na hipótese da luz a cada dia.

No mundo contábil, partindo do pressuposto de que sempre teremos uma


pessoa (física ou jurídica) para fazer Contabilidade e a essa pessoa chamamos de entidade
contábil; partindo ainda da hipótese de que essa pessoa chama-se de entidade contábil;
partindo ainda da hipótese d que essa pessoa tem uma vida por prazo indeterminado, que é
um empreendimento em andamento – isto é, a pessoa (entidade) está em continuidade.

Toda estrutura contábil está construída em cima do fato de se ter uma pessoa
para prestar serviços contábeis e que essa pessoa (entidade) não está sujeita a morte, ou seja,
é vista como algo imortal (continuidade é algo em andamento) com a presunção de continuar
operando por muito tempo. Num exemplo extremo, partindo da hipótese de que existe céu
onde não haverá mais morte, sofrimento etc., seria absurdo admitir um curso de primeiros
socorros e ética médica, já que lá nunca seriam solicitados estes serviços profissionais.

Da mesma forma, não haveria razão de ser das normas, dos princípios
contábeis se não existisse um cliente sequer, um único usuário; assim, partimos da premissa
de que há pessoas interessadas nos relatórios contábeis. Portanto, serão estabelecidos
princípios que norteiam a elaboração de relatórios contábeis aos seus usuários.

Para estabelecer esses princípios, como já vimos, consideramos que a


entidade contábil está em continuidade.Se uma empresa tiver apenas seis meses de
existência, não poderia contabilizar depreciação, classificar os ativos e passivos de longo
prazo, chamar grupos de contas de permanente, investimentos etc. Para uma empresa em
descontinuidade precisaríamos de regras especiais, totalmente opostas ao arcabouço que
estamos construindo. Por exemplo, para uma empresa em descontinuidade ou em liquidação,
teríamos que avaliar o ativo apreço de saída ou mercado, ou ainda de liquidação forçada.
Uma máquina que custou R$ 51.000 e pela qual o mercado estaria disposto a pagar R$
41.000 teria em condição de descontinuidade, de ser indicado no ativo por R$ 41.000.

7.2 Empresa em continuidade

Segundo Iudícibus; Marion (2006, p. 99) conclui os seguintes conceitos a


cerca da matéria:

Entretanto, para uma pessoa em continuidade, pressupondo-se vida longa, faz


- se necessário um conjunto de regras, normas e princípios uniformes. Assim, uma empresa
em continuidade poderá avaliar o seu ativo a preço de entrada, ou seja, pelo seu custo, pois
este ativo não será liquidado. Em se tratando de imobilizado, considerando que não está a
venda, mas sim em uso, não haveria razão para avaliá-lo a preço de venda, mas pelo custo.

Tratando-se de estoque, ainda que seja vendido, avalia-se ao preço do custo,


pois a empresa no momento da sua venda (continuidade) compara o preço de venda com o
do custo para apurar o resultado (lucro ou prejuízo). Com essas duas premissas da entidade
contábil e da continuidade, o alicerce da construção está pronto e, portanto, podemos
levantar as paredes que serão sustentadas por estes fundamentos. (postulados).

7.1.1 Tipos de Postulado

7.1.2 Da Entidade contábil

Por estas razões define Iudícibus; Martins; Gelbcke (2003, p. 54) que “a
Contabilidade é mantida para as Entidades; os sócios ou quotistas destas não se confundem,
para efeito contábil, com aquelas...”.
Entidades são conjuntos de pessoas, recursos e organizações capazes de
exercer atividade econômica, como meio ou como fim. Quando afirmamos que os sócios ou
quotistas para cuja entidade estamos mantendo registros contábeis não se confundem (seus
interesses e contabilizações) com a entidade, estamos formalizando a grande abstração
contábil.

De fato, a Contabilidade realiza um grande esforço para manter registros


separados para a cada entidade. Digamos a que a entidade/foco seja a empresa ABC Ltda,
com os sócios A, B e C. Quando, como contadores, estamos mantendo a contabilidade para a
entidade Empresa ABC Ltda. está acompanhando a evolução do patrimônio liquido da
Entidade e não dos sócios. Entretanto, o mesmo contador poderia manter a contabilidade
para o sócio A (pessoa física), para o sócio B (outra entidade) e para o quotista C (outra
pessoa física). O mesmo contador poderia cuidar de quatro entidades distintas, embora com
grandes relacionamentos de interesses.

Nem sempre é tão fácil imaginar e realizar a separação contábil. R Anthony


apresenta o conhecido exemplo de uma entidade representada por um pequeno comercio,
uma loja cujos sócios são maridos e mulher, e cujas atividades comerciais se desenvolvem
na loja, no nível da rua, ao passo que o casal exerce suas atividades familiares na sobreloja.
Contas de telefone, água e luz vêm para o sobrado como um todo. Entretanto, a
contabilidade deveria fazer um esforço de alocação das despesas a serem apropriadas para a
entidade comercial e para a entidade familiar.

Tradicionalmente, os teóricos da Contabilidade dão, para o Postulado da


Entidade, a conotação analisada anteriormente. Entretanto, tal significado, conquanto
importante e consubstanciando, na Contabilidade, antiga regra jurídica, não explica toda a
dimensão do termo entidade para a Contabilidade.
Entretanto, da mesma forma que, para certas finalidades informativas de
usuários especiais, são válidas as consolidações de entidades, representando a resultante
outra entidade, também são vislumbradas, dentro de uma entidade maior, digamos uma
grande empresa multidivisional, atomizações da visão da entidade em microentidades,
segmentos de interesse e de controle, que merecem, a juízo da administração, reporte
separado de receitas e despesas, de investimentos e retornos, de metas e realizações.

I - Aqui também vale a máxima


a soma das partes (divisões) não é necessariamente, igual ao todo (empresa-
entidade/macro no caso). É principalmente por isso que cada entidade contábil é digna da
atenção toda especial da Contabilidade, pois sua individualidade é marcante e suas
realizações são peculiares em termos de contribuições para adicionar valor e utilidade aos
recursos que manipula.

Para entender a Contabilidade e como ela atua, é preciso entender o pano de


fundo de sua atuação, isto é, as Entidades, de toda natureza e fins.

Por outro lado, para captar a essência operacional das entidades, é preciso,
além do estudo cuidadoso de seu processo interno de produção, o entendimento do ambiente
dentro do qual as entidades atuam. Fatores externos a entidade podem ser tão ou mais
importantes para o sucesso ou insucesso final do que mecanismos internos.

Podemos, assim, caracterizar melhor o Cenário ou Cenários dentro dos quais


as Entidades operam. Na verdade, agora podemos afirmar que quem, destramente ou não,
procura nadar dentro do rio, às vezes tempestuoso, que é o cenário, são as entidades e não,
propriamente, a Contabilidade. Todavia, esta vive para aqueles, eis que não podemos
desligar a visão contábil e a construção de uma técnica toda peculiar das vicissitudes e
dificuldades de cada cenário.

Particularmente, as companhias abertas representam um tipo de entidade que


merece um tratamento especial por parte da Contabilidade. Abertura significa
responsabilidade e oportunidade. Oportunidade de garantir um crescimento sustentado e
firme com o auxilio do aparte de capital de risco, muito mais maleável do que o de
empréstimo; responsabilidade operacional, por outro lado, e de evidenciação plena, pois os
investidores atuais ou potenciais precisam ter as melhores condições possíveis para avaliar a
tendência do empreendimento.

A entidade contábil consubstanciada, portanto, por uma sociedade aberta


representa a sublimação máxima e o maior desafio para a Contabilidade (IUDÍCIBUS;
MARTINS; GELBCKE, 2003, p. 54 - 55).

7.1.3 Da Continuidade das Entidades


Razões que Iudícibus; Martins; Gelbcke (2003, p. 54) afirmam que “Para a
contabilidade, a Entidade é um organismo vivo que irá viver (operar) por um longo período
de tempo (indeterminado) até que surjam fortes evidencias em contrário”.

A Contabilidade entre a vida e a morte, escolhe sempre a primeira. De fato,


esta é uma constatação do histórico dos negócios; não existe, a priori, nenhum motivo para
julgar que um organismo vivo venha ter morte súbita ou dentro de curto prazo. Ainda mais,
as entidades são organismos que renovam suas células vitais através do processo de
reinvestimento.

Segundo Iudícibus; Martins; Gelbcke (2003, p. 55) concluem que o Postulado


da Contabilidade tem outro sentido mais profundo que é o de encarar a entidade como algo
capaz de produzir riqueza, e gerar valor continuadamente, sem interrupções. Na verdade,
exercício financeiro anual ou semestral é uma ficção determinada pela necessidade de se
tomar o pulso do empreendimento de tempos em tempo. Mas as operações produtivas da
entidade têm uma continuidade fluidificante: do processo de financiamento ao de estocagem
de fatores de produção, passando pelo uso desse no, processo produtivo, até a venda que irá
financiar novo ciclo e assim por diante.

A Entidade, para a contabilidade, não é uma “aventura”, como as antigas


expedições em busca de especiarias. Armava-se o navio, chegava-se, com muita sorte, ao
destino, comprovavam-se as especiarias e voltava-se a Portugal ou Espanha, vendendo-se o
carregamento. Estava encerrada a aventura ou ciclo. Cada navio era, ao mesmo tempo, um
centro de custo e de lucro, bem como de investimento. Seria difícil imaginar a apuração de
resultados, digamos, mensais para tal tipo de empreendimento. O tempo não tinha maior
sentido em si, a não ser quando o ciclo se completasse.

É bem diferenciada a visão que a Contabilidade tem da Entidade em


continuidade... (going concern dos norte-americanos). Os autores norte americanos falam,
literalmente, em “algo em andamento (movimento)” para se referirem a Contabilidade (mas
esse postulado também está sempre presente nos autores europeus).
Segundo Iudícibus; Martins; Gelbcke (2003, p. 56) Observam que Não que a
Contabilidade recuse a noção de que possa ocorrer a descontinuidade. Mas o faz apenas
quando há fortes e decisivas evidencias de que a descontinuidade possa ocorrer.

Neste ultimo caso os Conceitos ou Princípios Contábeis Fundamentais não se


aplica aquela Entidade como se faz as outras “em marcha”. Entretanto, para que isso ocorra
(reconhecimento do estado de descontinuidade imediata ou iminente), é preciso fazer uma
avaliação extremamente rigorosa e minuciosa da situação da entidade e de seus prospectos
financeiros e econômicos mediatos. Os auditores Independentes, principalmente, tomam
grandes cuidados antes de reconhecerem o perigo da descontinuidade, mas, se tiverem
evidencia dela, não podem fugir da responsabilidade de sua evidenciação no seu relatório.
Antes que tal reconhecimento ocorra, todavia, a entidade é considerada em continuidade, e
todos os princípios contábeis se aplicam integralmente da forma como serão definidos mais
adiante (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2003, p. 55).

8. CONVENÇÕES CONTÁBEIS

8.1 Conceitos

São restrições aos princípios (também conhecidas como convenções ou


qualificações), representam o Complemento dos Postulados e Princípios, no sentido de
delimitar–lhes conceitos, atribuições e direções a seguir e de sedimentar toda a experiência e
bom-senso da profissão no trato de problemas contábeis. Se os princípios norteiam a direção
a seguir e, às vezes, os vários caminhos paralelos que podem ser empreendidos, as
restrições, a luz de cada situação, nos darão as instruções finais para a escolha do percurso
definitivo.
As convenções também serão enunciadas. Entretanto, tais enunciações serão
apenas indicativas e terá menor peso do que no caso dos princípios. (IUDICIBUS;
MARION, 2002, p. 121).

Conforme visão de Iudícibus; et al (1998, p. 261) define que dentre da ampla


margem de liberdade que os princípios permitem ao contador no registro das operações, as
convenções vêm restringir ou limitar ou mesmo modificar parcialmente o conteúdo dos
princípios, definindo mais precisamente seu significado.

8.1.1 Classificação

As Convenções compõe-se, principalmente dos seguintes aspectos:


 Objetividade
 Consistência
 Materialidade
 Conservadorismo (Prudência).

8.1.2 - Objetividade

Segundo Iudícibus; Marion (2002, p. 121-122) afirmam que não haja


distorções nas informações contábeis, o contador deverá escolher, entre vários
procedimentos, o mais adequado (o mais objetivo) para descrever um evento contábil. Um
dos aspectos quase sempre abordado é que os registros contábeis deverão ter suporte, sempre
que possível, em documentação gerada nas transações ou evidencia que possibilite (além do
registro) a avaliação. Exemplo: (Notas fiscais, escrituras e ata, etc.).

I - Falta de documento

Para respaldar o registro de um fato, através de um lançamento contábil e que


não possua documento poderá ser realizado, baseado nas seguintes providencias:

Numa situação em que não haja documento para suporte de contabilizarão, poder-
se-iam convocar peritos em avaliação que, através de laudos, forneceriam um valor
objetivo para o contador desenvolver, de maneira imparcial, a sua contabilidade. É
importante a impessoalidade (neutralidade) do contador (em relação aos usuários
dos informes contábeis) que, quando mais objetivo for, mais imparciais (não
enviesados) serão aqueles informes. Observe que, no exemplo em que
abordávamos a compra de uma máquina por 5.000.000,00, cujo preço tabelado no
mercado era de 6.000.000,00, o contador fez o registro por 5.000.000,00 (suporte
na documentação gerada na transação). Se, por exemplo, a maquina adquirida por
5.000.000,00 tivesse como preço de mercado 8.000.000,00, o contador seria
objetivo se a registrasse por 5.000.000,00. Portanto, de nada valeria a opinião do
contador sobre o melhor preço a ser registrado. Ele (o contador) será, então,
objetivo, neutro, imparcial e impessoal. (técnico) (IUDICIBUS; MARION, 2002,
p. 121-122).

Esta convenção pode ser explicada d a melhor forma possível pelo exemplo
que, a seguir, será relatado. Suponha-se que o contador, para a avaliação de bem, dispusesse
de duas fontes, a saber: a fatura relativa à compra do bem e o laudo do maior especialista
mundial, em avaliação, deverá escolher, como valor de registro, o indicado na fatura. Entre
um critério subjetivo de valor, mesmo ponderável, e outro objetivo, o contador deverá optar
pela hipótese mais objetiva. A finalidade desta convenção é eliminar ou restringir áreas de
excessivo liberalismo na escolha de critérios, principalmente de valor. Em tese, é uma
convenção que contem seus méritos. Entretanto, seria necessário definir de forma mais
precisa o que vem a ser objetividade. De fato, John W. Wagner assim se define a respeito da
objetividade na contabilidade:

Objectivity may be most usefully examined as a quality emerging from a social


psychological process of perception,” Em outro trecho do seu artigo, afirma: “If
we really wish to obtain greater objectivity in accounting we will not do so either
by eliminating the use of judgement or by permitting each individual to exercise
his judgement freely. Instead what we must have are (a) standards of competence
and ethics (....) (b) reference points (.......). (IUDÍCIBUS; et al, (1998, p. 263).

Em suma, nem só o que é material, palpável, tem a qualidade ser objetivo.


Mesmo porque a objetividade atribuída a tais elementos é uma imagem criada por nossa
mente, que se utiliza, assim, do julgamento. Portanto, um julgamento pode ser objetivo,
também, profissional (IUDÍCIBUS; et al (1998, p. 263).

Seria indesejável para a Contabilidade se não tivesse as Convenções


(restrições), pois os registros são baseados na impessoalidade e objetividade, respaldados
por um documento hábil (Nota Fiscal, escritura. Ata e etc.), segundo as convenções. Pois a
opinião particular não tem valor que respalde o valor objetivo para o contador desenvolver
seu trabalho, de maneira imparcial a sua contabilidade. É importante a impessoalidade
(neutralidade) do contador (em relação aos usuários contábeis) e não o registro efetuado
através de “achalogia”.
8.1.3 - Consistência

Segundo linha de pensamento de Iudícibus; Marion (2002, p. 122) afirma que


uma vez adotado certo critério contábil, dentro de vários igualmente relevantes, ele não
deverá ser mudado, de ano para ano (ou constantemente), porque, em assim o fazendo,
estaríamos impossibilitando a comparação dos relatórios contábeis (no decorrer do tempo) e
dos estudos preditivos (tendências).

Faz-se necessário afirmar que, a princípio, não se poderá mudar de critério


através de evidenciação, pelo menos, nos relatórios contábeis para evitar as implicações
lógicas no lucro e considerar este fato tão somente como uma exceção, conforme prevê a Lei
6.404/76, a lei das S. A, conforme as seguintes observações:

Isso quer dizer que, se condições supervenientes induzirem a mudar de critério,


não deva ser feito. Através de evidenciação (Notas explicativas) pelos menos nos
relatórios contábeis, expondo a mudança de critério e suas implicações no lucro da
empresa (se houve), a mudança será realizada. Com a Lei das Sociedades por
Ações, em vigor desde 1976, observamos mudanças de critérios em diversas
empresas. Entretanto, isso não pode ser encarado como quebra de consistência,
porque se trata de uma mudança esporádica e, em certos casos, até compulsória.
Nesse caso, a mudança deverá ser evidenciada em Notas Explicativas, ou seu
efeito no Patrimônio (IUDICIBUS; MARION, 2002, p. 122).

I – Uniformidade

Segundo Iudícibus; Marion (2002, p. 123) afirmam que é importante ressaltar,


aqui, que aquela lei consolidou como notável contribuição a Contabilidade, a uniformidade
nos relatórios contábeis. Dessa forma, diversos tipos de sociedades apresentam relatórios
padronizados, a mesma estrutura em sua forma final, facilitando a comparação dos relatórios
entre empresa do mesmo ramo operacional ou, ainda, de atividade diferente (evidentemente
que a comparação tornar-se-ia difícil, por exemplo, entre uma Indústria e uma Instituição
Financeira ou empresa de Seguros, dados as peculariedades de ramos de afetividades).

Todavia, é preciso destacar que uniformidade não é consistência, sendo esta


um conceito básico enquanto aquela não. A uniformidade está mais no terreno legal do que
no cientifico. Na realidade, a consistência refere-se ao contexto temporal, no âmbito da
própria empresa, enquanto que a uniformidade abrange relatórios estruturados dentro das
mesmas normas legais, em empresas distintas.

Conforme visão de Iudícibus; et al (1998, p. 261) afirmam que assim, a


convenção da consistência diz-nos que, uma vez adotado determinado processo, entre os
vários possíveis que podem atender a um mesmo principio geral ele não deverá ser mudado
com demasiada freqüência, pois assim estaria sendo prejudicada a comparabilidade dos
relatórios contábeis. Se por exemplo, for adotado o método PEPS para avaliação de
estoques, em lugar do UEPS (ambos atendem ao mesmo principio geral, isto é, “Custo
Como Base de Valor”), deverá ser usado sempre o mesmo método nos outros períodos. É se
houver a necessidade inadiável de se adotar outro critério, essa adoção e seus efeitos no
resultado devem ser declarados como nota explicativa dos relatórios de maneira a cientificar
o leitor.

Aceitamos como perfeitamente válido esta convenção, pois sua finalidade é


reduzir a área de inconsistência entre relatórios de uma mesma empresa, contribuindo, de
carta forma, para um progresso mais rápido rumo à padronização e unificação contábil
dentro do mesmo setor de atividade.

8.1.4 - Materialidade (Relevância)

I - Custo versus beneficio

Através da materialidade definiremos o que é material (relevante) que o


Contador deve informar em seus relatórios. Um ângulo bastante interessante para visibilizar
à materialidade é a análise do binômio CUSTO versus BENEFÍCIO. Há determinadas
informações contábeis cujo custo, para evidenciá-las (tempo do pessoal da contabilidade,
material, computador...), é maior que o beneficio que trará aos usuários (acionistas,
administradores...) daquelas informações.

Conforme visão de Iudícibus; et al (1998, p. 262) afirmam que esta


convenção reza que, a fim de evitar desperdício de tempo e de dinheiro, deve-se registrar na
Contabilidade apenas os eventos dignos de atenção e na ocasião oportuna. Por exemplo,
sempre que os empregados do escritório se utilizam papeis e impressos da firma, registra-se
uma diminuição do ativo da empresa, diminuição esta que poderia, teoricamente, ser lançada
nos registros contábeis a medida de sua ocorrência. Entretanto, isto não é feita, pela
irrelevância da operação, e a de sua ocorrência. Entretanto, isto não é feito, pela irrelevância
da operação, e a despesa só é apurada no fim do período por diferença de estoques.

8.1.5 - Conservadorismo (prudência)

Segundo linha de pensamento de Iudícibus; Marion (2002, p. 124) conclui


que a posição conservadora (precaução - prudência) do Contador será evidenciada no
sentido de antecipar prejuízo e nunca antecipar lucro. Dessa forma, ele não estará
influenciando os acionistas, por exemplo, a um otimismo que poderá ser ilusório.
Assim, se a empresa detiver um estoque cujo custo de aquisição (ou de
fabricação) seja de r$ 10.000,00 (dez mil reais), e o valor de reposição (preço que a empresa
pagaria se comprasse o seu estoque hoje) fosse de 8.100,00 (oito mil e cem reais), o
contador deve antecipar o prejuízo de R$ 1.900,00 (mil e novecentos reais), sem
perspectivas no aumento do preço, mesmo que a mercadoria não tenha sido vendida. Note
que o prejuízo ainda não ocorreu; todavia, para não esconder dos acionistas uma situação
negativa que poderá ocorrer num futuro próximo, o prejuízo será antecipado. De maneira
geral, os estoques deverão ser avaliados entre o valor de realização líquido menos a margem
de lucro e o valor de realização líquido.

I - Duvidas do Contador

Alem das afirmações acima e por razões lógicas de coerência contábil


Iudícibus; Marion (2002, p. 124) afirma que Se o contador estiver em dúvida diante de dois
montantes, igualmente válidos de dívida da empresa com terceiros, ele deverá registra o
maior valor. Assim, se, no momento do pagamento da dívida, prevalecer o maior valor,
ninguém terá surpresa desagradável. Na Contabilidade, como medida de prudência, será
evidenciada uma situação pessimista evitando transtorno não previstos.

Portanto, o objetivo do conservadorismo é não dar imagem otimista em


situação alternativa que, com o passar do tempo, poderá reverter-se.
Conforme visão de Iudícibus; et al (1998, p. 261 - 262) afirmam que esta
convenção consiste em que, por motivos de precaução, sempre que o contador defrontar com
alternativas igualmente válidas de atribuir valores diferentes a um elemento do ativo (ou do
passivo), deverá optar pelo mais baixo para o ativo e pelo mais alto para o passivo. Se, por
exemplo, o valor de mercado do inventário final de mercadorias for inferior ao valor de
custo, deverá ser escolhido o valor de mercado, por ser o mais baixo.

Esta é uma convenção que modifica o princípio geral do custo como base de
valor. (Adotado também pela Lei das S.A.). Outra implicação da convenção notamo-la na
apuração de resultados. É freqüentemente citada pelos contadores a seguinte máxima:

 “Considere para a despesa do exercício o maior montante possível, mas atribua à receita o
menor montante possível”;

 a regra “Custo ou Mercado o Mais Baixo” está intimamente ligada ao conservadorismo.


Em outras palavras, o custo é à base de valor para a contabilidade, mas, se o valor de
mercado for inferior ao de custo, adotaremos o valor de mercado.

Embora certa dose de conservadorismo, no bom sentido do termo, não seja de


todo desprezível. No caso, deve-se adoção irrestrita dessa convenção, em todas a s situações,
pode tornar-se um meio seguro de impedir o progresso da teoria contábil. Criando assim.
Problemas para as empresas, pois, ao se reverterem as causas que deram origem à aplicação
do conservadorismo sem abandonar a convenção, perde-se o controle de seus impactos nos
resultados.

8.1.1.1 Quadro sinótico dos Princípios e Convenções Contábeis Aceitos

Elementos No que Consiste Validade Atual Conseqüências Observações


Premissas básicas Para alguns há Forma de ser Derivam do
A. PRINCIPIOS sobre fenômenos discussão da prática consenso
econômicos contábil profissional (útil e
contemplados pela prático)
Contabilidade
Contabilidade Total Proteção contra Antigamente, a
executada para malversações e Contabilidade era
1. Entidade entidades como confusões para o proprietário.
pessoas distintas dos
sócios
Presume-se, em Boa “Custo como A aceitação da
geral, que a empresa Base de Valor” Descontinuidade
2. Continuidade operará mudaria a
indefinidamente. Contabilidade
Receita ocorre Discutível Afeta Aspectos da
3. Realização quando é realizada resultados Competência
(Oportunidade) (na transferência)
O que vale são os Discutível Possível Custo, no caso
4. Custo Como Base preços originais de afastamento igual a custo
de Valor aquisição ou dos valores de Histórico ou Custo
fabricação mercado Histórico
Corrigido.
Despesas atribuídas Boa “Ajuste” É muito difícil
5. Confronto das de acordo com seu obter exatidão total
Despesas com as “fato gerador” e não
Receitas pagamento
6. Denominador a) Contabilidade só Limitado Balanço em Aceito no Brasil
Comum Monetário registra eventos moeda durante muitos
avaliáveis em moeda constante anos
(dinheiro)
b) Poder aquisitivo é
constante
Restringem, Razoável Prática Tão importantes
B.CONVENÇÕES Qualificam e Contábil quanto princípios
delimitam
princípios.
Não muda de Ótimo Comparabilida Auditores praticam
1. Consistência critério, sem aviso de
2. Conservadorismo Ex.: Custo ou Muito discutido Demonstrativo Vem de longa data
mercado, o mais irrreais
baixo
Não se preocupa Muito Boa Economia Questão de bom
3. Materialidade com miudezas -senso
(Relevância)
Sempre que Boa, quando não Fé da Inerente a própria
4. Objetividade possível, apoiar-se exagerada. Contabilidade finalidade
em documentos e perante juízo e informativa
evidencias as terceiros (externa) da
objetivas possíveis. Contabilidade
Conhecendo-se os princípios, suas limitações e o que se vem fazendo para
C.CONCLUSÕS adequá-los a realidade, teremos condições de entender melhor o verdadeiro
sentido da Contabilidade.

Fonte: (IUDÍCIBUS; et al, 1998 p. 264).


9 CONCLUSÃO

Idéias embrionárias sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade


surgiram nos Estados Unidos, a partir da emissão de pronunciamentos sobre a matéria, na
Década de 30, após a queda da Bolsa de Nova York. Na época, o fato foi o marco referencial
que trouxe uma maior preocupação com a uniformização de Princípios que pudessem dar
um embasamento as Normas Técnicas de Comportamento da Contabilidade.

No Brasil, Em 23 de outubro de 1981, era editada a Resolução do Conselho


Federal de Conatbilidade-CFC nº 530/81 que aprovava os Princípios Fundamentais de
Contabilidade e NORMA – Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas 1 – “NBC T-1”.
Surge, também, em 05 de fevereiro de 1986, a edição do Deliberativo do Conselho de
Valores Mobiliários – CVM nº 29/86, que aprovava o Pronunciamento do Instituto
Brasileiro de Contadores-IBRACON, denominado de “Estrutura Conceitual Básica da
Contabilidade – ECBC”.

Diante dos fatos verifica-se a existência de duas posições antagônicas,


inconciliáveis, isto é, duas verdades. Na intenção de retornar o caminho do certo e evitar os
equívocos, edita-se a segunda Resolução CFC nº 750/93 que trata dos Princípios
Fundamentais de Contabilidade não mais como NORMA, mas sim como PRINCIPIOS,
revogando-se, na integra, a resolução CFC nº 530/81 e com ela a NBC T-1. Como
conseqüência, nasce, também, a Resolução CFC nº 774/94-Apêndice, editada com o
objetivo de estabelecer os comentários complementares a Resolução CFC nº 750/93, que
evita idéias vagas e confusas na interpretação da mesma, acerca dos Princípios
Fundamentais.

Os Princípios são causas e origens de um fenômeno, ou uma serie desses, que


quando entendidos como “Preceitos e Fundamentos de uma Doutrina são imutáveis, pois na
contabilidade recorre-se a Preceitos, Normas e regras Convencionais para explicar a doutrina
e a técnica contábil. Os “Usos e Costumes” generalizam a expressão Princípios Contábeis
que na realidade são Normas, Critérios, Convenções e procedimentos contábeis e que para
corrigir essa generalidade não podemos negar a existência de certos princípios, por serem
imutáveis e impossíveis de serem desrespeitados, sob pena de negarmos os fundamentos
doutrinários da contabilidade que não podem ser descaracterizados como “Princípios”. Dai a
necessidade de distinguir os Princípios Fundamentais de Contabilidade, daquele que são
apenas Convenções Contábeis, mesmo já tendo sido consolidados como normas, critérios e
procedimentos que orientam os registros dos fatos e que podem ser mudados e adaptados as
circunstancias do meio Ambiente e Social.

É necessário que se estabeleça, na prática, uma diferenciação sobre o prisma


conceitual entre a concepção do pronunciamento do IBRACON, através da Estrutura
Conceitual Básica de Contabilidade–ECBC que tratava de forma hierarquizada os Princípios
Fundamentais de Contabilidade. Enquanto que a argumentação estabelecida pelo CFC nº
750/93 é da não aceitação desse enfoque. Por entender que os “Princípios são científicos” e
jamais pode haver hierarquização formal, pois compõem um corpo orgânico indivisível.
É estabelecido um entendimento pedagógico sobre uma visão global dos
Postulados, Princípios Fundamentais de Contabilidade e Convenções contábeis através de
uma comparação entre uma construção de um edifício físico e a contabilidade. Compara-se o
Edifício da seguinte forma: os Postulados ao Alicerce; Os Princípios as Paredes; e as
Convenções ao Telhado do edifício, conclui-se, no entanto, que todas as normas tem sua
característica fundamental, equivalente na construção do edifício físico e o edifício contábil.

Os conceitos de Postulados, Princípios e Convenções Contábeis são


apresentados de forma genérica, sendo necessários estabelecer as diferenças conceituais,
limitações, suas restrições e comparações na forma e essência, que servem para embasar
cada um.

Os Princípios e Convenções contábeis aceitos, discriminam e classificam no


que consiste, suas validades e as conseqüências da aplicabilidade que resultam por
discussão, ajustes e observações de cada um na competência de atuação entre si.

No âmbito dessa complexa realidade conclui-se que se conhecendo,


profundamente, os Princípios Fundamentais de Contabilidade, os Postulados, e
particularmente, as Convenções que estabelecem as normas técnicas de comportamento do
profissional da Ciência Contábil, suas limitações, restrições, aplicabilidades e o que se vem
fazendo para adequá-los a nova realidade. Teremos com certeza condições de entender
melhor o verdadeiro sentido da Contabilidade.

Levanta-se a necessidade da criação de novas Normas ou Princípios que


substituirão ou complementarão os já existentes. Tal criação de normas justifica-se pelo
surgimento da dinâmica da nova realidade econômica no Brasil, da Globalização das
economias; da Abertura de novos mercados, com excessivos fluxos de capitais estrangeiros,
ingressando no país e com as empresas brasileiras captando recursos no exterior.
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