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Volatilidade: o que é e como

impacta seus investimentos


Categoria: Finanças Publicado em: 13/04/2017

Você sabe como a volatilidade impacta os investimentos? Ou


nem sequer compreende bem o que é volatilidade? Será que
ela o faz ganhar ou perder dinheiro? Chegou a hora de colocar
um fim nas suas dúvidas!
Vamos falar neste artigo sobre uma variável econômica que
muitas vezes passa despercebida por investidores.
Se você é daqueles que pensa apenas no preço e no volume
de negociação ao investir em um título, saiba que está
cometendo um equívoco.
É isso mesmo: a falta de análise sobre risco e retorno pode
levar à impulsividade e prejudicar seus rendimentos.
O que é volatilidade

Volatilidade é uma medida estatística que aponta a frequência


e a intensidade das oscilações no preço de um ativo, em um
período determinado de tempo. Por meio dela, o investidor
pode ter uma ideia estimada da variação do preço de um título
no futuro.
Em outras palavras, a volatilidade vai permitir que você estude
melhor o papel em que pretende aplicar capital e dimensione
sua capacidade de fornecer bons rendimentos.
A partir desse entendimento, pode escolher quando quer
arriscar mais ou menos na hora de investir, criando uma
estratégia de investimento.
A propósito, é impossível falar em volatilidade sem mencionar a
palavra risco. Ambas as definições estão interligadas. Mas
como saber quando é mais ou menos arriscado aplicar em
determinado ativo?
Justamente a partir da volatilidade, uma medida estatística que
indica a possibilidade de ele cair ou subir em um determinado
período de tempo.
Quanto mais volátil for um ativo, mais significativa é a sua
variação em relação às flutuações de mercado. Em outras
palavras, trata-se de um investimento mais arriscado, pelo
menos para os iniciantes.
Se você tem um ativo de alta volatilidade e está ciente disso,
pode usar tal conhecimento em seu favor. Como ele vai oscilar
bastante, é importante estar atento ao melhor momento de
alta para vendê-lo, criando assim uma oportunidade
interessante.

Como a volatilidade auxilia o


investidor

A volatilidade é uma medida importante para mensurar a


variação do preço de qualquer ativo financeiro: seja uma ação,
um título de renda fixa, ou qualquer outro tipo de investimento.
Se você compreende conceitos como os de volatilidade e risco,
pode estimar melhor as possibilidades de perdas e ganhos de
sua aplicação, diversificando a carteira, maximizando lucros
e minimizando prejuízos.
De forma resumida, entender a volatilidade de um ativo ajuda a
determinar o rumo dos seus investimentos.
Mas é provável que você já tenha ouvido a palavra “volátil” ser
aplicada de diferentes formas dentro do mercado financeiro.
Isso porque a volatilidade não se refere apenas à oscilação no
preço de ativos: ela pode estar relacionada, por exemplo, ao
próprio mercado.
Como o mundo financeiro é influenciado por uma série de
fatores externos, como a própria política, ele também está
sujeito a uma menor ou maior volatilidade.
O nacionalismo econômico que está sendo implementado por
Donald Trump nos Estados Unidos, por exemplo, é uma
medida que poderá impactar diretamente em oscilações nos
mercados financeiros.
Quem afirma isso é a economista-chefe da Organização para
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Catherine
Mann.
Em entrevista à Reuters, divulgada pela Folha, ela afirmou que
taxas de juros mais altas nos Estados Unidos podem
provocar volatilidade nos mercados financeiros, enquanto
potencialmente elevam o dólar.
“O nacionalismo econômico é uma questão muito maior porque
não sabemos como a linguagem se traduz em política nesse
momento”, afirma a especialista.
Viu só como a volatilidade é um conceito amplo? É por isso
que, ao compreendê-lo, você terá uma vantagem interessante
no mercado de investimentos.
Riscos através da volatilidade

Conforme enfatizamos no início deste artigo, há uma relação


intrínseca entre risco e volatilidade.
Para entender melhor como esses conceitos estão interligados,
vamos começar falando primeiro sobre o que são riscos. Você
saberia definir essa palavra no contexto do universo de
investimentos?
Quando falamos em risco, estamos nos referindo à chance do
retorno de um investimento acabar sendo diferente do que
você esperava ao aplicar. Ou seja: o conceito está atrelado
à possibilidade de perda de parte – ou mesmo de todo – o
valor aplicado em um ativo.
Mas diante de tantos riscos possíveis no mercado de
investimentos, como é possível dimensionar as perdas?
É aí que entra a volatilidade. Ela será a medida utilizada para
mensurar o risco de perda, já que informa a frequência e a
intensidade na variação dos preços dos ativos.
Um ativo mais arriscado é mais volátil, com maior chance de
perda (mas também de ganho, vale lembrar), enquanto
um ativo mais seguro é menos volátil, em que a
probabilidade de perder e de ganhar é menor.
Como calcular a volatilidade
Agora que você já sabe o que é a volatilidade, deve estar se
perguntando: “como essa variável é calculada para estimar a
oscilação no preço de um determinado ativo?”.
Não existe uma única resposta. Há diversas formas para
identificar essa medida de risco.
Uma forma para determinar a medida a partir do desvio
padrão da rentabilidade histórica de um determinado
investimento.
Essa é considerada uma medida de volatilidade absoluta, que
varia de acordo com o período de tempo determinado de
avaliação. Por meio dela, o período escolhido é vital na hora do
cálculo.
Há, ainda, formas de avaliar o quanto um ativo é volátil de uma
maneira relativa. Nesse caso, sua volatilidade pode ser
determinada em relação à oscilação do próprio mercado.
Para isso, a medida beta, uma outra forma de mensuração, é a
mais usada, pois determina a volatilidade de um ativo
específico frente a um índice de mercado.
É importante compreender, ainda, mais três conceitos com os
quais você provavelmente irá se deparar ao analisar a
volatilidade: volatilidade histórica, implícita e real. Vamos
por partes.

Volatilidade histórica
A volatilidade histórica é aquela que já é conhecida pelo
mercado. Ela é calculada pelas variações de preço ao longo de
determinado período. Ou seja: ela pode servir como referência
de estimativa para uma volatilidade futura, mas isso não
significa que a previsão se concretizará.
Volatilidade implícita
Já a volatilidade implícita pode ser concebida como a
estimativa da volatilidade futura adotada pelo mercado
financeiro. Ela é calculada a partir da volatilidade histórica e
outras variáveis, como os preços de ativosnegociados no
mercado, principalmente derivativos.

Volatilidade real
Por fim, temos ainda a volatilidade real – aquela que
representa a variação efetiva do preço do ativo no futuro. A
partir do momento em que a oscilação for conhecida, ela já vai
passar a representar a volatilidade histórica.

Volatilidade dos fundos de


investimento

Se você está pensando em aplicar em um fundo, independente


de ser um fundo de renda fixa de curto ou longo prazo ou um
fundo de investimento em ações, precisa considerar a
volatilidade antes de aplicar.
A vantagem é que, agora que você já conhece o conceito e a
lógica, fica fácil entender quais são os fundos mais ou menos
arriscados.
Os fundos podem ter uma volatilidade maior ou menor. Se for
maior, você tem maiores chances de ganhos, mas também
de perdas. Se você optar com um fundo de menor volatilidade,
esse risco será mais controlado.
É comum que muitos investidores optem por aplicar em um
determinado fundo simplesmente porque ele rendeu mais nos
últimos meses ou no último ano. Essa é uma avaliação
superficial, já que não considera a volatilidade do produto.
Se ele tiver alta volatilidade, o fato de ter rendido mais no mês
passado não significa que isso irá se repetir no próximo mês.
De certa forma, então, não considerar a volatilidade do fundo
em que você aplica pode gerar perdas e insatisfação com o
resultado das suas aplicações.
É por isso que a relação entre risco e retorno é tão
importante. Só porque um fundo teve alta no último ano, não
significa que sua rentabilidade será a mesma no ano atual, já
que as variáveis da economia mudam constantemente.
Volatilidade no mercado de
ações

No mercado acionário, acompanhar a volatilidade dos papéis é


bem importante na hora de estudar seus investimentos.
Afinal, ao comprar um título de alta volatilidade, você estará
fazendo um negócio potencialmente mais arriscado.
No mercado de ações, a volatilidade é uma variável muito
comum.
Ao acompanhar a volatilidade dos seus ativos, então, você
pode encontrar boas perspectivas de venda para obter
lucros. Como diz a frase popular: “Enquanto alguns choram,
outros vendem lenços”.
Se você quiser acompanhar a volatilidade dos ativos que lhe
interessam na bolsa de valores para estruturar seus próximos
investimentos, pode fazer isso diretamente no site da
Bovespa, através deste link.
Volatilidade cambial
A volatilidade cambial diz respeito às oscilações das taxas de
câmbio no mercado financeiro, de modo que as alterações no
valor das moedas impactam diretamente nos negócios e
rendimentos.
Um exemplo bem prático é a variação do dólar. Sua oscilação
impacta não apenas a quem investe diretamente na moeda
americana, mas também quem aplica em empresas que
dependem muito de sua cotação, como aquelas que negociam
contratos de exportação.
“A volatilidade do câmbio é perversa e afeta de forma maligna
vários setores do país. Afeta os exportadores, pois com essa
volatilidade o empresário não fazplanejamento de longo
prazo e só pontualmente usufrui da taxa alta para antecipar
recursos de negócios já fechados”, explica o especialista em
gestão de negócios internacionais Hugo Teixeira, em coluna
publicada no Jornal do Comércio.
Conforme Teixeira, a volatilidade cambial também alimenta a
expectativa inflacionária, pois centenas de itens, partes,
peças, alimentos e remédios passam a ser importados.
De modo geral, esse tipo de volatilidade impacta não somente
na economia de um país, mas também se reflete na economia
internacional.
Volatilidade do Tesouro Direto

Se você prefere fazer investimentos de baixo risco,


provavelmente alguém já lhe sugeriu começar uma aplicação
no Tesouro Direto, o programa que vende títulos públicos do
governo.
Trata-se de uma modalidade bem atraente, pois paga juros
interessantes e oferece grande segurança.
Por se tratar de um investimento de renda fixa, você já pode ter
uma ideia melhor do rendimento que terá ao final da aplicação.
A baixa volatilidade é uma característica, principalmente, de
investimentos pós-fixados em renda fixa cujos rendimentos são
atrelados à taxa Selic (os dois índices de juros são bem
semelhantes).
No entanto, isso não significa que esses investimentos no
Tesouro estejam isentos de riscos. Embora as oscilações na
Selic e na inflação sejam monitoradas para não ocorrerem de
forma muito dramática, não há 100% de garantia que essas
alterações não se concretizem.
Quer uma prova disso? Já houve períodos em que o governo
decidiu suspender o sistema do Tesouro Direto devido à
volatilidade das taxas. O blog Valor Econômico noticiou essas
ocorrências.
Em junho de 2015, por exemplo, a suspensão ocorreu em
decorrência da forte volatilidade das taxas de juros.
O mercado foi surpreendido pelo Índice de Preços ao
Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de junho, que subiu 0,99%,
acima do 0,82% que era esperado. No total, naquele mesmo
ano, o sistema desligou as chaves 88 vezes.
“O sistema é parecido com o das bolsas de valores, que
interrompe os negócios para proteger os investidores das
oscilações muito intensas das taxas de juros. Interrompemos
os negócios quando percebemos que as cotações do
mercadoestão se afastando muito da nossa precificação”,
explicou na época Débora Marques Araújo, analista de
finanças e controle do Tesouro Nacional, em entrevista ao
blog Isto É Dinheiro.
De certa forma, o governo assim protege o seu investimento –
o que ainda torna a aplicação no Tesouro Direto menos
arriscada. Mas as paradas no sistema evidenciam que nem
esse tipo de negócio está livre da volatilidade de mercado.
Mesmo assim, é preciso dizer que se trata de um
dos investimentos mais seguros disponíveis para pessoas
físicas. Isso porque você está aplicando em dívida do governo.
O maior risco que você corre é o de o governo ver suas contas
desajustadas e imprimir muito dinheiro para honrar suas
dívidas, o que elevaria a inflação e reduziria o poder de compra
de títulos não atrelados ao Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA).
Então, para se proteger, você pode adquirir títulos que pagam
juros mais a variação do IPCA.
Volatilidade de curto prazo

Por definição, a volatilidade de curto prazo é uma característica


do mercado de investimentos, atrelada a todos os tipos de
ativos que têm a possibilidade de render mais do que a taxa
básica de juros da economia, a Selic.
Portanto, dessa categoria, podemos excluir as aplicações que
não têm esse potencial de rendimento, pois seguem a variação
da Selic.
Não podem ser considerados ativos financeiros com
volatilidade de curto prazo, portanto, a caderneta de poupança,
os títulos do Tesouro Direto pós-fixados que seguem a
variação da Selic e os fundos referenciados DI.
Esses são considerados ativos praticamente “livres de risco”- e
não à toa são escolhidos pelos investidores com perfil
conservador.
Os produtos com uma volatilidade de curto prazo mais
significativa, como você já pode imaginar, são ações,
commodities e seus derivativos.
No mercado acionário, deve-se considerar uma volatilidade
diária no preço dos títulos. Estar atento a isso, especialmente
nas operações de Day Trade(operação de compra e venda de
um papel no mesmo dia), é muito importante para o investidor.
Além disso, para investimentos nesse mercado, é
recomendado que o investidor tenha um sólido conhecimento
sobre o tema.
No mercado de ações, a chave para obter rendimentos
interessantes é usar a volatilidade dos ativos em seu favor. No
começo, essa tarefa pode parecer difícil. Mas, à medida que
você adquire um know how, traçar uma estratégia deixa de ser
algo tão complicado.
Nesse sentido, vale repetir: volatilidade, por si só, não é
sinônimo de risco. O risco deve ser sempre associado a
seu como um todo.
Uma única aplicação com grande volatilidade dentro de uma
carteira cheia de investimentos pouco voláteis não representa
um grande risco, desde que garantidos os devidos seguros.

Exemplos de volatilidade em
investimentos

Independente das fórmulas para calcular a volatilidade, o que


interessa a você, investidor, é entender o quanto um ativo é
volátil antes de optar por alocar parte de seu capital nele. Para
isso, podemos começar tomando um exemplo básico ao
comparar duas ações.

Exemplo 1:
Imagine que uma ação custa R$ 10,00 e oscila em média entre
10 centavos para cima ou para baixo em um dia.
Agora imagine que uma ação custa os mesmos R$ 10,00, mas
oscila em média R$ 2,00 para cima ou para baixo todos os
dias. Você consegue identificar qual desses títulos é mais
volátil?
Podemos dizer que o primeiro investimento é mais previsível,
menos volátil, já que a variação é menor. Já o segundo tem
uma margem de oscilação maiore, portanto, é mais volátil e
menos previsível.
Ao considerar o investimento, porém, você não precisa
observar a volatilidade apenas a curto prazo. Se você quiser,
pode usufruir de um índice que aponta a volatilidade anual do
ativo.
Abaixo, trazemos mais um exemplo dentro desse contexto.

Exemplo 2:
Imagine dois ativos, ambos custam hoje R$ 100,00. O ativo “x”
apresenta uma volatilidade anual de 30% e o ativo “y”
apresenta uma volatilidade de 60% por ano.
Em números, isso significa que o ativo “x” pode flutuar entre R$
70 e R$ 130, enquanto o ativo “y” oscila entre R$ 40 e R$ 160.
Fica fácil, assim, ver qual oferece mais riscos e maiores
possibilidades de ganho.
No mercado financeiro, vale lembrar que, quanto maior a
volatilidade, maior o potencial de valorização.
Se você investir no ativo “y”, terá melhores chances de ganhar
dinheiro – já que a margem de oscilação é maior. Na mesma
medida, porém, você poderá perder mais dinheiro,
justamente pela maior volatilidade no preço.
Cabe a você colocar na balança e analisar o cenário para
decidir quando quer arriscar mais ou menos. Tudo isso dentro
de um portfólio de investimentos, para equilibrar riscos e
investir com segurança.

Conclusão: a relação da
volatilidade com suas aplicações

Dominar o conceito de volatilidade é imprescindível para


qualquer investidor. Não importa se você aplica em renda
fixa ou variável, de forma autônoma ou através de fundos.
Para dimensionar os riscos de suas aplicações e planejar sua
vida financeira, saber o quanto um ativo é volátil se mostra
crucial.
Em termos práticos, a volatilidade é uma medida importante
para que você possa equilibrar suas aplicações: se você
apostar todas as fichas em títulos cujos valores oscilam muito,
pode acabar tendo muitas perdas.
É preciso equilibrar o risco na hora de definir onde alocar o
capital e, a partir daí, diversificar os investimentos de maneira
inteligente.
Escolher um determinado ativo apenas com base no
rendimento que ele apresentou no último mês ou no ano
passado representa uma decisão equivocada. É preciso
observar também seu índice histórico de volatilidade.
Se for muito alto, não há nenhuma garantia que o bom
rendimento do mês passado irá se repetir neste mês.
Mas para qual perfil de investidor os títulos com alta
volatilidade são indicados? Geralmente, para os que já
possuem experiência no mercado e têm uma postura mais
arrojada.
Vale lembrar que as variações constantes dos títulos muito
voláteis podem ser desagradáveis e gerar ansiedade para
quem está começando.
Você pode imaginar que não é bacana ver o valor do seu
investimento subir muito e, logo após, decair significativamente.
É preciso ter uma estratégia traçada a longo prazo e um
certo aporte financeiro para operar dessa forma, já que
eventualmente as desvalorizações são inevitáveis nesse tipo
de negócio.
A melhor dica, portanto, é criar uma estratégia de
investimentos que inclua alguns títulos e ações mais voláteis
em meio a ativos financeiros menos voláteis.
Assim, você pode equilibrar riscos, minimizar possíveis perdas
e poderá maximizar seus rendimentos de uma forma
sustentável.