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07/08/2017 TJSE ­ Sistema de Controle Processual

Gerada em 
  07/08/2017
17:13:35

Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe
 
 
­ 
 
SENTENÇA 
 

Dados do Processo:
Número: Situação:
201689000505 JULGADO
Classe: Julgamento:
Ação Penal ­ Procedimento Ordinário 04/08/2017 Competência:
Segredo de Justiça: Impedimento/Suspeição: Arauá
NÃO NÃO Distribuido Em:
Tipo do Processo: Processo Sigiloso: 23/06/2016
Eletrônico NÃO
Número Único: Delegacia:
0000487­26.2016.8.25.0005 Delegacia de Arauá

 
Partes do Processo:
Tipo Nome Representante da Parte
Autor AUTORIDADE POLICIAL
Réu JOSE CARLOS DE JESUS SANTOS Advogado: BRUNO CAIQUE MENEZES FONTES ­ 9608/SE

 
   
SENTENÇA

Processo nº 201689000505

Autor: MINISTÉRIO PÚBLICO

Réu:JOSÉ CARLOS DE JESUS SANTOS

I­ RELATÓRIO

O  presentante  do  MINISTÉRIO  PÚBLICO  DO  ESTADO  DE  SERGIPE  com  ofício  neste
Juízo  ofereceu  DENÚNCIA  em  face  de  JOSÉ  CARLOS  DE  JESUS  SANTOS,  já
qualificado nos autos, imputando­lhe a prática dos delitos capitulados nos art. 157, §2º,  I
do  Código  C/C  art.  14,  II,  c/c  com  art.  147,  todos  do  Código  Penal  Brasileiro,  contra  a
vítima JOSÉ IVALDO SANTOS LIMA

Narra  a  peça  acusatória  que,  no  dia  22  de  junho  de  2016,  por  volta  das  15h,  em  via
pública, na praça do Conjunto Cohab, nesta cidade de Arauá­SE, o denunciado, mediante
grave ameaça exercida com emprego de arma de fogo, tentou subtrair coisa alheia móvel,
uma  roçadeira  que  estava  em  posse  da  vítima,  além  de  ameaçá­la,  no  recinto  da
delegacia, quando de sua prisão em flagrante.

Diz a exordial que a vítima estava roçando canteiros públicos, prestando serviços para a
Prefeitura  Municipal,  quando  foi  abordada  pelo  denunciado,  que  sacou  um  revólver  e
anunciou  o  roubo.  Ato  contínuo,  o  réu  se  afastou  um  pouco,  o  que  possibilitou  que  a

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07/08/2017 TJSE ­ Sistema de Controle Processual

vítima soltasse a roçadeira e saísse correndo até a casa de sua mãe, em seguida, pegou
uma moto e se dirigiu à delegacia para noticiar o ocorrido.

A  força  policial  mobilizada  e  com  auxílio  da  vítima  encontrou  o  denunciadoem um ponto


de  ônibus,  sendo  preso  em  flagrante.  Com  ele  foi  encontrado  um  revólver  calibre  22,
conforme auto de Apresentação e Apreensão n° 001/2016, p. 14.

Instantes  depois,  já  na  delegacia,  o  denunciado,  avistando  a  vítima,  disse­lhe:  “Deu
queixa? Hoje eu estou aqui, mas você tem filho e eu vou sair daqui um dia.”, constituindo
referida abordagem uma ameaça.

Acompanha a inicial acusatória o Inquérito Policial de fls. 04/36.

A denúncia foi recebida no dia 12 de setembro de 2016, conforme despacho de fl. 47.

Mandado de citação devidamente cumprido à fl.63.

Transcorrido  prazo  sem  apresentação  de  defesa,  em  prol  do  réu  foi  nomeado,  à  fl.90,  o
Bel.Bruno Caíque Menezes Fontes, OAB/SE 9608, que ao aceitar o múnus, respondeu
à acusação, fls.99/108.

Laudo de exame pericial da arma apreendida às fls.74/77, que apontou a impossibilidade
de definição da recentidade e eficiência de disparos.

Em  audiência  de  instrução  criminal,  termo  de  fl.139,  foram  colhidos  os  depoimentos  da
vítima e da testemunha/policial militar Rodrigo Sotero de Oliveira, sendo dispensada pelo
MP  a  oitiva  de  Néviton  Mário  da  Silva  Santos,  e  na  mesma  ocasião  foi  procedida  a
qualificação e interrogatório do acusado (mídia acostada nos autos).

O  Parquet  apresentou  suas  razões  finais  às  fls.  146/150,  nas  quais  requereu  a
condenação do réu como incurso na conduta tipificada nos art. 157, caput c/c art. 14, II
do Código de Penal c/c com art. 147, também do Código Penal Brasileiro, afastando
a qualificadora do § 2º, I, do crime de roubo, dada a inexistência da potencialidade
da  arma  de  fogo  utilizada,  por  estar  desmuniciada  na  ocasião  da  abordagem
relatada.

A Defesa do réu formulou alegações finais (fls. 153/170), nas quais pugna pela extinção
da  punibilidade  em  relação  ao  crime  de  ameaça,  por  se  tratar  de  delito  de  ação  penal
condicionada à representação, e por não haver anuência da vítima para tanto. Demandou
ainda a absolvição do delito de roubo, por atipicidade da conduta, conforme art. 386, III do
CPP,  tendo  em  vista  a  falta  de  consumação  delitiva,  em  detrimento  da  desistência
voluntária  do  denunciado.  Em  não  sendo  acolhido  o  pedido  anterior,  requereu  a
desclassificação do crime de roubo qualificado tentado para o previsto no art. 157, caput,
do Código Penal, igualmente na forma tentada.

Após, vieram os autos conclusos para sentença.

Eis o breve relatório.

II­ FUNDAMENTAÇÃO

Ab initio,  constato  que  o  processo  seguiu  seus  trâmites  de  forma  regular,  não  havendo,
assim, óbices que maculem a apreciação do mérito.

Cuida­se de ação penal pública na qual o Parquet imputa ao acusado JOSÉ CARLOS DE
JESUS SANTOSa prática dos delitos capitulados nos art. 157, caput, na forma do art.14,
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II, c/c art.147, todos do Código Penal, pois no dia 22 de junho de 2016, por volta das 15h,
em  via  pública,  na  praça  do  Conjunto  Cohab,  nesta  cidade  de  Arauá­SE,  o  denunciado,
mediante  grave  ameaça  exercida  com  emprego  de  arma  de  fogo,  tentou  subtrair  coisa
alheia  móvel,  uma  roçadeira  que  estava  em  posse  da  vítima,  além  de  ameaçá­la,  no
recinto  da  delegacia,  quando  de  sua  prisão  em  flagrante.  Ainda  no  indigitado  dia,  já  na
delegacia, o denunciado, avistando a vítima, disse­lhe: “Deu queixa? Hoje eu estou aqui,
mas  você  tem  filho  e  eu  vou  sair  daqui  um  dia.”,  constituindo  referida  abordagem  uma
ameaça.

Da  análise  dos  autos  verifico  que  a  materialidade  e  a  autoria  do  delito  de  roubo
simples  tentado,  praticado  contra  a  vítima  José  Ivaldo  Santos  Lima,  não  estão
devidamente  comprovadas,  considerando  a  ocorrência  do  instituto  da  desistência
voluntária, o que merece maiores considerações.

II.1­  DA  OCORRÊNCIA  DA  DESISTÊNCIA  VOLUNTÁRIA­ART.15  DO  CP,  APLICÁVEL


AO CRIME DE ROUBO

Em  detida  análise  das  provas  carreadas  aos  autos  extrai­se  a  conclusão  de  que  o  réu,
voluntariamente,  após  a  abordagem  da  vítima,  para  a  qual  apontou  a  arma  visando
subtrair a roçadeira, desistiu de prosseguir na execução do roubo, inexistindo elementos
que  indiquem  que  outros  fatores  influenciarem  nesta  decisão,  como  a  intervenção  de
terceiros.

Neste espeque, é salutar relembrar o acervo oral colacionado ao ato instrutório.

A vítima asseverou que o réu, louco ou doido, ao abordá­lo, pediu o motor(roçadeira), o
que  lhe  foi  negado,  ato  contínuo  o  agressor  apontou  a  arma  de  fogo  paro  seu  rosto,
paralisando­o, mas não efetuou disparo, e logo em seguida saiu de costas. Aproveitando
a  oportunidade,  o  sr.  José  Ivaldo  largou  a  roçadeira  naquele  local  e  saiu  correndo  até  a
casa da mãe, pegou a motocicleta e foi até a delegacia, acionando os policiais, encontrou
o  réu,  nas  proximidades,  no  ponto  de  ônibus,  conversando  com  duas  mulheres,
realizando­se a prisão em flagrante do envolvido. Já na delegacia, reconheceu novamente
o réu algemado e primeiro disse que dele ouviu: “quando eu sair, eu te pego”. Depois, ao
ser questionado do teor da ameaça, confrontando a descrita na denúncia, alterou a versão
para registrar que escutou do agressor: “Deu queixa? Hoje eu estou aqui, mas você tem
filho  e  eu  vou  sair  daqui  um  dia.”.  Pontuou  outrossim,  que  policiais  presentes  no  local
ouviram a ameaça que lhe foi proferida.

O  sr.  Rodrigo  Sotero  de  Oliveira,  policial  militar/condutor,  informou  em  Juízo  que  o  réu
estava nas proximidades do local indicado pela vítima, a cerca de 30 metros de onde fora
feita  a  abordagem  do  sr.José  Ivaldo.  Acrescentou  que  não  presenciou  a  referida
abordagem, mas encontrou a arma de fogo que o réu portava, calibre 22, de inox. Quanto
ao evento da ameaça perpetrada na delegacia, nada soube dizer sobre a fala do réu:“Deu
queixa? Hoje eu estou aqui, mas você tem filho e eu vou sair daqui um dia.” Disse ainda
que o réu não estava em seu perfeito juízo, e que justificou sua ação dizendo que estava
precisando da máquina para trabalhar.

O denunciado disse que não tentou subtrair a roçadeira da vítima, alegando que apenas
tentou  iniciar  uma  conversa  para  pegar  o  contato  dele,  visando  repassar  para  sua  mãe,
mas a vítima levantou a máquina, e em resposta arrastou a arma para ele, contudo não
anunciou  assalto,  e  não  tinha  intenção  de  levar  a  máquina(roçadeira),  tendo,  logo  após,
saído do local. Frisou ainda que a vítima é conhecida da comunidade, e que não proferiu
qualquer ameaça na delegacia.

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Destarte,  é  nítido  que  a  explanação  fática  acima  relembrada  coaduna  para  o


entendimento  de  que  o  réu,  em  que  pese  tenha  negado  o  anúncio  do  roubo,
simplesmente, após apontar a arma para a vítima, resolveu sair do local. Ora, a res furtiva
não  foi  levada  por  decisão  exclusiva  do  réu,  posto  que  a  vítima  permaneceu  neutra,
paralisada, quando teve a arma apontada para o seu rosto.

Neste desiderato, relembre­se que o réu deu as costas ao ofendido, não subtraiu a res e
saiu andando, sequer empreendeu fuga. Inclusive, seguindo a presente linha narrativa, o
acusado  é  encontrado  a  cerca  de  30  metros  da  abordagem  em  análise,  e  estava
conversando no ponto de ônibus, com duas mulheres. Ante o critério da razoabilidade e
das  regras  de  comum  experiência  em  casos  de  ocorrência  de  roubo,  é  inusitado  que  o
envolvido permaneça no local em atitude de tranquilidade, salvo se submetido à desordem
motora ou psíquica.

No  exercício  de  subsunção  do  caso  concreto  aos  ditames  da  lei  penal,  tendo  como
paradigma do direito penal mínimo e o primado da justiça, vê­se que dos atos praticados
até  a  desistência  da  ação  não  se  perfez  a  hipótese  de  roubo,  ainda  que  tentado,  mas
simplesmente o crime de ameaça.

Assim,  não  há  a  necessidade  de  aplicação  de  incriminação  severa,  por  inexistir  fato
gravoso, considerando que voluntariamente o agente desistiu da ação criminosa, antes de
obter o domínio sobre a res, restando­lhe a responsabilidade pelo ato que praticou até a
desistência.

Em  consonância  com  a  fundamentação  explicitada  encontra­se  a  jurisprudência


colacionada:

Ementa:  RECURSO  EM  SENTIDO  ESTRITO.  ROUBO  TENTADO.  REJEIÇÃO  DA


DENÚNCIA.  ART.  395  ,  III  ,  DO  CPP.  DESISTÊNCIAVOLUNTÁRIACONFIGURADA.
DECISÃO  MANTIDA.  Hipótese  em  que  o  acusado  adentrou  na  lanchonete  da  vítima,
armado, e perguntou onde estava o dono e o caixa do estabelecimento, não tendo aquela,
que  se  encontrava  na  porta  do  estabelecimento  comercial,  se  pronunciado.  E  diante  do
silêncio do ofendido e de seus funcionários, o denunciado, por livre e espontânea vontade,
evadiu­se  do  local,  sem  nada  levar,  sendo  preso  alguns  minutos  depois.  Caracterizada,
portanto, a desistênciavoluntária,  na  medida  em  que  o  denunciado,  por  opção  própria,
não  prosseguiu  com  os  atos  executórios,  pelo  que  deve  ser  mantida  a  decisão  que
rejeitou  a  denúncia.  RECURSO  EM  SENTIDO  ESTRITO  IMPROVIDO.  (Recurso  em
Sentido  Estrito  Nº  70069993590,  Quinta  Câmara  Criminal,  Tribunal  de  Justiça  do  RS,
Relator: Cristina Pereira Gonzales, Julgado em 31/08/2016).  TJ­RS ­ Recurso em Sentido Estrito RSE
70069993590 RS (TJ­RS)

Em semelhante diretriz o seguinte posicionamento:

Ementa: APELAÇÃO CRIMINAL ­ TENTATIVA DE ROUBO QUALIFICADO PELA LESÃO
CORPORAL DE NATUREZA GRAVE (ART. 157, § 3º, C∕C ART. 14, II, DO CP) ­ PLENA
DEVOLUTIVIDADE  DO  RECURSO  DA  DEFESA  ­  INEXISTÊNCIA  DE  TENTATIVA  ­
AGENTES  QUE  DESISTIRAM  VOLUNTARIAMENTE  DE  CONTINUAR  A  EXECUÇÃO
DO  CRIME  ­  SUBSISTÊNCIA  DA  LESÃO  CORPORAL  DE  NATUREZA  GRAVE  ­
DESCLASSIFICAÇÃO  EX  OFFICIO,  RESTANDO  PREJUDICADOS  OS  APELOS.  Está
consagrado na jurisprudência dos tribunais pátrios que o recurso de apelação da defesa é
dotado  de  plena  devolutividade,  de  forma  que  a  instância  recursal,  proibida  de  piorar  a
situação (non reformatio in pejus), pode absolver o réu, afastar uma qualificadora, afastar
uma causa de aumento, rever a dosimetria, dentre outros aspectos. A tentativa é o início
da execução de um crime que somente não se consuma por circunstâncias alheias
à vontade do agente, consoante redação do art. 14, inciso II, do Código Penal. Não
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há qualquer informação nos autos de que o crime de roubo deixou de se consumar
por  alguma  circunstância  alheia  à  vontade  dos  acusados.  Na  verdade,  é  possível
perceber que, logo depois que a arma foi disparada contra a vítima, tanto o menor, quanto
os  apelantes,  desistiram  voluntariamente  da  execução  do  crime  de  roubo,  deixando  o
estabelecimento  comercial  sem  subtrair  qualquer  valor  de  propriedade  do  ofendido,  fato
que  atrai  a  incidência  da  causa  de  exclusão  da  tipicidade  prevista  no  art.  15  do  Código
Penal.  A  voluntariedade  da  desistência,  segundo  o  autorizado  magistério  de  ALBERTO
SILVA  FRANCO,  pressupõe  que  "[...]  não  se  origine  de  causas  impeditivas,  mas  sim
quando  renasce  de  motivos  autônomos,  que  como  tais  não  precisam  ser  éticos  ou
valorados (por exemplo, o remorso, arrependimento, vergonha, comiseração, para com a
vítima, comoção espiritual, temor ante a descoberta, medo de pena, etc.)". (Código Penal
e sua interpretação. Doutrina e Jurisprudência. 8ª ed., São Paulo: RT; 2007, p. 140). Não
obstante  a  conduta  dos  réus  esteja  amparada  pelo  instituto...  TJ­ES  ­  Apelação  APL
00045438420108080038 (TJ­ES) Data de publicação: 09/12/2011

Eis que, diante do exposto, alternativa adequada é a minimização do caráter punitivo do
agente  que  por  sua  própria  vontade,  não  concluiu  a  ação  delitiva  de  considerável
gravidade.  Relembrando  lição  do  Curso  de  Direito  Penal  do  Prof.  Dotti:  A  desistência
voluntária  é  “a  atitude  do  agente  que,  podendo  chegar  à  consumação  do  crime,
interrompe o processo executivo por sua própria deliberação” (DOTTI, 2010, p. 413).

Sendo assim, o crime de roubo não restou devidamente configurado, por ocorrência
do  instituto  da  desistência  voluntária,  devendo  o  réu  ser  responsabilizado
criminalmente em razão da prática delitiva cometida até a desistência, qual seja, o crime
de ameaça.

II.2­  DA  AUSÊNCIA  DE  PROVAS  QUANTO  AO  CRIME  DO  ART.147,  OCORRIDO  NA
DELEGACIA

Da  prova  vastamente  visitada  no  tópico  anterior  observa­se  a  fragilidade  de


fundamentos  para  o  decreto  condenatório  em  decorrência  da  suposta  ameaça
proferida pelo réu na delegacia.

Anote­se  que  a  vítima  afirmou  que  policiais  que  estavam  na  delegacia  ouviram  a
ameaça proferida, mas não há em juízo nenhuma prova neste sentido, ao contrário,
a  testemunha/condutor  policial  militar,  que  supostamente  teria  ouvido  a  ameaça
proferida,  segundo  o  relato  do  inquérito  policial,  disse  em  juízo,  que  nada  sabia
sobre a referida.

Além disto, há contradição quanto ao teor da ameaça, nos relatos da vítima, posto
que  num  primeiro  momento  afirmou  que  ouviu:  “quando  eu  sair,  eu  te  pego”,  e
depois  alterou  a  versão  para  dizer  que  a  ameaça  foi  nos  seguintes  termos:  “Deu
queixa?  Hoje  eu  estou  aqui,  mas  você  tem  filho  e  eu  vou  sair  daqui  um  dia.”
Gerando assim a incerteza que abala a possibilidade de condenação por este crime.

Realmente,  em  casos  desta  natureza,  a  palavra  da  vítima  se  reveste  de  grande
importância.  Contudo,  diante  da  contradição  acima  referida,  e  principalmente  pela
ausência  de  testemunha  que  pudesse  confirmar  ocorrido,  que  supostamente  foi
presenciado  por  várias  pessoas,  no  ambiente  da  delegacia,  entendo  como  medida
adequada  a  absolvição,  em  nome  do  in  dubio  pro  reo.  Eis  o  respaldo
jurisprudencial:

  Ementa:  PENAL.  PROCESSUAL  PENAL.  INJÚRIA  E  AMEAÇA.  RECURSO  DO


https://www.tjse.jus.br/tjnet/consultas/internet/exibeIntegra.wsp?tmp.numProcesso=201689000505&tmp.dtMovimento=20170804&tmp.seqMovimento=1&t… 5/8
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  Ementa:  PENAL.  PROCESSUAL  PENAL.  INJÚRIA  E  AMEAÇA.  RECURSO  DO


MINISTÉRIO  PÚBLICO.  CONDENAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PROVAS
CONCRETAS  DA  AUTORIA  DOS  DELITOS.  SENTENÇA  ABSOLUTÓRIA  MANTIDA.  1.
Mantém­se  a  sentença  que  absolveu  o  réu  dos  crimes  de  injúria  e  ameaça  quando
ausente a comprovação da autoria dos delitos. 2. Recurso desprovido.  TJ­DF ­ Apelacao Criminal
APR 20130110987282 DF 0003381­57.2013.8.07.0012 (TJ­DF) Data de publicação: 10/03/2015

 Ementa:  APELAÇÃO CRIMINAL. AMEAÇA.  ART.  147  DO  CP.  RECURSO  MINISTERIAL.


PRELIMINAR DA DEFESA DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO POR VIOLAÇÃO
DO PRINCÍPIO DO "FAVOR REI". IMPOSSIBILIDADE. O MINISTÉRIO PÚBLICO  PODE
RECORRER  DAS  DECISÕES  ABSOLUTÓRIAS  NOS  TERMOS  DO  ART.  593  DO  CPP.
MÉRITO.  CONDENAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  PROVAS  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRIME.
APELAÇÃO  IMPROVIDA  POR  UNANIMIDADE.  1.  O  Princípio  do  Duplo  Grau  de
Jurisdição  garante  às  partes  a  possibilidade  de  submeter  a  outro  órgão  da  jurisdição,
hierarquicamente  superior  na  estrutura  jurisdicional,  o  reexame  das  decisões  proferidas
em primeiro grau, desde que atendidos os requisitos previstos em lei; 2.[...]; 3. Da análise
do  contexto  probatório,  não  se  extrai  a  conclusão  irrefutável  de  que  o  agente  tenha
praticado a conduta descrita na denúncia; 4. A prova do crime para a imposição de uma
condenação  penal  deve  ser  cabal  e  induvidosa.  Não  havendo  prova  segura  da  ameaça,
impõe­se  a  absolvição  do  réu;  5.  Recurso  improvido  por  unanimidade.  TJ­PE  ­  Apelação  APL
3419949 PE (TJ­PE) Data de publicação: 04/09/2015

 
 

III – DISPOSITIVO

Ante  as  considerações  explanadas,  JULGO  IMPROCEDENTE  o  pedido  formulado  na


denúncia,  e  por  tudo  mais  que  dos  autos  consta,  DESCLASSIFICO  o  crime  do
art.157, do CP, nela contido, para o delito do artigo 147, CP, e, por consequência, na
forma  das  razões  acima  e  anteriormente  declinadas,  CONDENO  o  acusado  JOSÉ
CARLOS  DE  JESUS  SANTOS  como  incurso  na  sanção  prevista  nos  art.  147  do
Código Penal.Em  tempo,  absolvo  o  réu  da  segunda  incriminação,  de  cometimento
do crime de ameaça, praticado na delegacia, com fulcro no art.386, VII do CPP.

Passo, doravante, à dosimetria da pena, a teor do artigo 68 do Código Penal:

Analisadas as diretrizes do artigo 59 do Código Penal, quanto à culpabilidade, denota­se
que o réu agiu com dolo normal à espécie, nada tendo a se valorar; o réu é reincidente
(circunstância  que  será  valorada  em  momento  oportuno)  e  possui  maus  antecedentes,
pois em consulta realizada no site do TJ/SE, constatei que ele foi condenado, por roubo
qualificado,  com  sentença  transitada  em  julgado  no  processo  nº  201420300075,  razão
pela  qual  majoro  a  reprimenda  legal  em  02  (dois)  meses;poucos  elementos  foram
coletados a respeito de sua conduta social, por conseguinte deixo  de  valorá­la;  não  há
nos autos elementos suficientes à aferição da personalidade do acusado; o motivo para
o seu comportamento delituoso é inerente ao tipo penal; as circunstâncias encontram­se
detalhadas nos autos, mas não há nada que extrapole o tipo penal;as consequênciassão
comuns do tipo penal; não há registro de que a vítimacontribuiu para o cometimento do
delito.Tudo  na  forma  do  quanto  se  contém  e  guarda  o  art.  59  do  Código  Penal,
considerando ainda o quanto dispõe o art. 68, do mesmo Diploma Legal, fixo a pena base
fixo a pena base em 03 (três) meses de detenção. Reconheço a agravante insculpida no
art.  61,  I,  do  CP,  da  reincidência,  vez  que  o  réu  cometeu  o  delito  antes  do  interstício
quinquenal  preconizado  no  art.64,  I,CP,  considerando  sua  condenação  nos  autos
201521900195, com pena pendente de cumprimento, pelo que aumento a presente em 02
(dois)  meses.  Não  há  circunstâncias  atenuantes,  causas  de  diminuição,  nem  causas  de
aumento  de  pena,  totalizando  05  (cinco)  meses  de  detenção,  tornando­a  em

https://www.tjse.jus.br/tjnet/consultas/internet/exibeIntegra.wsp?tmp.numProcesso=201689000505&tmp.dtMovimento=20170804&tmp.seqMovimento=1&t… 6/8
07/08/2017 TJSE ­ Sistema de Controle Processual

definitiva.Considerando  que  a  pena  de  multa  cominada  ao  tipo  é  alternativa,  deixo  de
aplicá­la.

DA DETRAÇÃO E DO REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DA PENA

Considerando  que  o  réu  é  reincidente  e  possui  maus  antecedentes,deve  iniciar  o  seu


cumprimento em regime inicial semiaberto,a teor do art. 33, §2º e §3º, do Código Penal.

Em virtude de estar o sentenciadosegregado desde o dia 22/06/2016, deve tal período ser
considerado por esta Magistrada para fins de fixação do regime inicial de cumprimento da
pena privativa de liberdade, em observância ao art. 387, §2º do CPP, alterado pela Lei nº
12.736/2012.

Nesse  espeque,  é  imperiosa  a  conclusão  de  que  o  réu  já  cumpriu  a  totalidade  da  pena
que lhe fora imposta.

Com efeito, ainda que o sentenciado fosse condenado ao tempo máximo previsto para o
tipo penal em análise, restaria igualmente encerrada a sua punição. Destarte, é categórica
a extinção de sua punibilidade neste feito, o que encontra parâmetro na jurisprudência:

Ementa: PRISÃO CAUTELAR. DETRAÇÃO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. O apelante
que  permaneceu  custodiado  cautelarmente  por  mais  tempo  do  que  a  pena  imposta  na
sentença, deverá ser operada a detração, para efeito de extinção da punibilidade  pelo
cumprimentointegral  da  reprimenda.  TJ­RO  ­  Apelação  APL  00030959320128220013  RO  0003095­
93.2012.822.0013 (TJ­RO) Data de publicação: 26/06/2014

Pois  bem,  diante  do  exposto,  declaro  extinta  a  punibilidade  de  JOSÉ  CARLOS  DE
JESUS SANTOS, com fulcro no artigo 61 do Estatuto Processual Penal.

Expeça­se  prontamente  o  pertinente  alvará  se  soltura,  devendo  o  sentenciado  ser


posto  imediatamente  em  liberdade,  salvo  se  existir  outra  ordem  de  prisão  em  seu
desfavor.

III.2. DAS PROVIDÊNCIAS FINAIS.

Condeno  o  Estado  de  Sergipe  a  pagar  em  prol  do  Dr.  BRUNO  CAÍQUE  MENEZES
FONTES  OAB/SE  9608,  a  importância  de  R$  900,00  (novecentos  reais),  a  título  de
honorários  advocatícios,  haja  vista  a  ausência  de  Defensor  Público  lotado  nesta
Comarca. Oficie­se à PGE e à DPE.

Após o trânsito em julgado:

a) lance­se o nome do réu no rol dos culpados;

b)  oficie­se  o  TRE  deste  Estado  comunicando  a  condenação  do  Réu,  com  sua  devida
identificação pessoal, acompanhada de fotocópia da presente decisão, para cumprimento
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do disposto no art. 71, § 2º, do Código Eleitoral c/c o art. art. 15, inciso III, da CF/88;

c) comunique­se, ainda, aos Órgãos de Estatística Criminal do Estado;

d) fica, a priori, o sentenciado obrigado ao pagamento das custas processuais nos termos
do artigo 804 do Código de Processo Penal.

e) oficie­se o Juízo das Execuções Criminais competente para fins de ciência da presente
sentença, e correlata extinção de punibilidade neste feito;

Publique­se.  Registre­se.  Intime(m)­se  o(s)  réu(s),  pessoalmente,  expedindo  Carta


Precatória, se necessário, bem como seu(s) defensor(es) e o Ministério Público.

Intime­se também a vítima, conforme determina o artigo 201, §§ 1º e 2º do Código de
Processo Penal.

Providências de praxe.

Após, arquive­se.

Arauá­SE, 04/08/2017.

Maria Alice Alves Santos Melo Figueiredo
Juiz(a) de Direito

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