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A VIDA AMOROSA DE SALAZAR

A VIDA AMOROSA DE SALAZAR


(PRIMEIRA PARTE)
O PORTUGAL SALAZARISTA
HOMENS ILUSTRES COM AMORES CLANDESTINOS
Nós desgraçadamente vivemos durante muitos anos num país
extremamente conservador, o país de António de Oliveira Salazar. E não
rotulamos o país correspondente ao governo de Marcello Caetano com o
mesmo epíteto, pois consideramos que Marcello Caetano era um político
um pouco mais aberto, urbano e arejado do que Salazar e nessa medida
era menos conservador. E no período final da sua vida, quando já se
encontrava no exílio, na bela cidade do Rio de Janeiro, até disse que não
acreditava em Deus nem na religião católica.
Mas no longo consulado de Salazar o país era realmente tão conservador
que aos jovens de hoje deve parecer que esse país tão cinzento e tão
obscurantista é uma invenção dos historiadores e não uma sinistra
realidade. E nós próprios, que vivemos nesse país até aos trinta anos,
duvidamos da nossa memória e das longínquas recordações que guardamos
desse Portugal de moral reaccionária e de práticas políticas ditatoriais.
Mas não há volta a dar-lhe, esse Portugal existiu, foi mesmo uma realidade.
E era um Portugal sem partidos e com as eleições aldrabadas, do tipo das
eleições no Iraque no tempo de Saddan Hussein. Era um país sem liberdade
de expressão de pensamento, sem liberdade de reunião, sem liberdade de
imprensa, enfim sem liberdade nenhuma.
Era também um Portugal que apregoava os valores da religião, da pátria e
da família como os valores supremos. Era a célebre trindade constituída
por Deus, pela pátria e pela família que na altura era de bom senso e de
bom gosto e era in. Era obviamente inconcebível nessa época uma pessoa
imaginar que o dirigente máximo desse Portugal jesuítico, reaccionário e
amordaçado não respeitasse ele próprio os valores que aos sete ventos
propagandeava.
Hoje sabemos que em Salazar, por detrás do homem austero e moralista,
estava um sedutor, um conquistador e um devasso. Infelizmente nessa
altura nada se sabia e o dirigente máximo do regime fascista era
considerado um modelo de virtudes. Dizia-se até que tinha renunciado a
uma vida normal de homem casado e de chefe de família, com mulher e
filhos, para casar unicamente com a pátria portuguesa.
Isto quer dizer que o ditador fizera a mesma coisa que os padres, que
renunciam a casar carnalmente com uma mulher, para casar
espiritualmente com Deus, com Cristo, com a Virgem Maria e com a Igreja
Católica. Claro que Salazar se situava num plano um pouco mais rasteiro,
casava-se unicamente com a pátria.
No fundo, era como se o fruste e finório campónio que frequentara o
seminário de Viseu tivesse sido ordenado padre, com votos de castidade e
tudo. Mas essa ordenação e esses votos não se destinavam a exercer um
poder moral e espiritual numa paróquia qualquer, mas sim a exercer o
sacerdócio da política em toda a sua plenitude.
Enfim, tratava-se de um sacerdote maquiavélico, de um padre sinistro, de
um cardeal cínico e pragmático ao serviço do poder. Mas não obstante tudo
isto, todos julgavam o homem puro e casto e portanto intocável do ponto
de vista da moral católica sobre a sexualidade. E a censura prévia
providenciava para que a imagem de homem impoluto de Salazar não
desbotasse.
Mas agora, passados que foram muitos anos com o país sem censura e sem
mordaças, sabe-se finalmente que a reputação de homem austero de
Salazar era uma refinada mentira e que o homem tinha uma vida amorosa
digna dos maiores libertinos. Aliás, neste aspecto Salazar nem está
desacompanhado, pois sabe-se actualmente que alguns grandes homens
tiveram uma vida amorosa clandestina, como é o caso de um Mão Tsé-
Tung, de um John Kennedy, de um Franklin Roosevelt e até possivelmente
do próprio Jesus Cristo.
Com efeito, em relação a Cristo têm aparecido muitos livros a provar que
Jesus teve afinal uma vida normal de homem casado, à semelhança do que
aconteceu com os seus companheiros de percurso, os apóstolos, que eram
todos casados. Aliás, esses livros acabam por nos dar uma imagem mais
favorável de Cristo, pois mostram Cristo como uma figura mais humane e
portanto mais próxima de nós.
E Jesus Cristo casado, mesmo com a prostituta Maria Madalena, é uma
figura muito mais verosímil do que Jesus Cristo solteiro. Com efeito, um
homem com a estrutura moral e espiritual de Jesus Cristo teria
forçosamente que ser casado, pois só assim seria respeitado no seio de
uma comunidade completamente diferente da sociedade dos dias de hoje.
Com efeito, na comunidade judaica contemporânea de Cristo os homens
solteiros eram pura e simplesmente postos de lado e até mesmo os casais
sem filhos eram marginalizados.
Nós no entanto não temos nada a dizer em desabono da vida amorosa de
Cristo, pois parece ter sido uma vida impecável do ponto de vista moral,
em tudo digna do grande homem que Cristo foi. Já o mesmo não se pode
dizer da vida amorosa de Salazar, que foi uma verdadeira lástima, sem
dignidade nenhuma. Mas sobre os pormenores sórdidos da vida amorosa de
António de Oliveira Salazar e acerca d livro que sobre o assunto a
jornalista Felícicia Cabrita recentemente publicou falaremos no próximo
número deste jornal.

A VIDA AMOROSA DE SALAZAR


(SEGUNDA PARTE)
PERFIL DE SALAZAR COMO GRANDE CONQUISTADOR
O PRIMEIRO AMOR DE SALAZAR: FELISMINA
Na primeira parte do nosso artigo sobre a vida amorosa de Salazar falámos
do contexto histórico em que Salazar viveu e falámos também de alguns
grandes homens que, tal como Salazar, tiveram uma vida amorosa
clandestina. E terminámos dizendo que a vida amorosa de Salazar foi uma
verdadeira lástima, sem dignidade nenhuma.
Com efeito, sabemos hoje que Salazar foi um conquistador e um libertino e
que nessa conformidade teve inúmeros casos amorosos. E sabemos
também que na maior parte desses casos amorosos não se limitou a ter
relações platónicas com as namoradas. As namoradas de Salazar não eram
meninas de sacristia e portanto já sabiam que as relações sexuais também
faziam parte do programa do namoro. Neste aspecto até podemos
considerar Salazar, que era normalmente um homem antiquado, como um
homem avançado em relação ao seu tempo, pois os seus namoros incluíam
relações sexuais, como acontece nos dias de hoje.
Quanto aos locais dos encontros amorosos, Salazar encontrava-se com as
namoradas nos mais variados sítios. Os encontros tanto podiam ter lugar
em casa das amantes como em hotéis. Mas Salazar também recebia as
amantes na sua residência oficial, no Palácio de São Bento, ou na sua
residência de verão, no Forte de Santo António da Barra. Isto quer dizer
que Salazar se encontrava com as suas namoradas nos sítios onde mais lhe
convinha e não tinha qualquer problema em o fazer nas residências que o
Estado lhe destinava.
Em relação às mulheres que foram amantes de Salazar, elas eram das mais
variadas condições e classes sociais. E assim Salazar teve relações
amorosas com mulheres pobres e com mulheres ricas, com mulheres do
campo e com mulheres da cidade, com mulheres de baixa condição e com
mulheres da mais fina aristocracia, com mulheres solteiras e com mulheres
casadas, enfim, no que concerne ao sexo e ao amor, Salazar não era
esquisito, não tinha preconceitos nem complexos, podemos dizer que tudo
o que vinha à rede era peixe.
Mas isto não quer dizer que não fosse exigente, no que respeita aos dotes
de beleza das suas namoradas. Basta ver as fotos das namoradas de Salazar
que aparecem no livro da jornalista Felícia Cabrita sobre a vida amorosa de
Salazar para se chegar à conclusão que Salazar não era peco em questões
amorosas. Efectivamente, as fotografias que aparecem no livro de Felícia
Cabrita mostram-nos mulheres muito belas, apenas com excepção da
governanta, a Maria de Jesus, que não era demasiado feia, mas que não
tinha a beleza das outras.
E até se diz que Salazar não teve relações com a sua empregada
doméstica, pois se provou que Maria de Jesus morreu virgem. Mas isto não
é assim tão linear, estilo causa e efeito, pois houve testemunhas que viram
Salazar entrar no quarto dela nos mais diversos lugares. Com efeito, o
facto de se ter provado que a governanta do Presidente do Conselho
morreu virgem não quer dizer que Salazar não tivesse tido relações
amorosas com ela. Essas relações até podiam não ter acabado em coito
vaginal. E de qualquer maneira o coito vaginal não é a única forma de
coito.
Em relação a todas as mulheres com quem Salazar privou intimamente, o
seu número é muito grande, pelo que nós apenas vamos mencionar as
principais. E a primeira foi Felismina de Oliveira, que Salazar conheceu,
quando ela tinha dezoito anos e ele dezasseis, na já desaparecida estação
de caminho de ferro de Viseu. Salazar na altura estudava para padre e
frequentava o seminário de Viseu, mas esse facto não o impediu de ter um
caso amoroso com a dita Felismina.
A Felismina tornara-se entretanto grande amiga de uma das irmãs de
Salazar, a Marta, e nas férias grandes hospedava-se em casa de Salazar, no
Vimieiro, passando lá longas temporadas. A presença diária e constante de
uma garota de dezoito anos tinha o condão de excitar Salazar, que
aproveitava todas as ocasiões para beijar a Felismina e para lhe dar uns
apalpões. E parece que a relação só não acabou em coito, devido à
presença fiscalizadora da irmã de Salazar.
Se nos lembrarmos que Salazar era seminarista e ainda só tinha dezasseis
anos, temos que concordar que Salazar, no que concerne à sua actividade
como conquistador, estava a ter um começo meteórico. Aliás, na sua
actividade académica e política, Salazar teve igualmente um começo
meteórico que o levou rapidamente a professor catedrático, a Ministro das
Finanças e a Presidente do Conselho de Ministros. Mas os leitores terão que
esperar pelo próximo número deste jornal para tomar conhecimento dos
factos políticos e dos factos amorosos que povoaram o período mais
importante da vida de Salazar.

A VIDA AMOROSA DE SALAZAR


(TERCEIRA PARTE)
TRÊS NAMORADAS DE SALAZAR:
FELISMINA, JÚLIA PERESTRELO E MARIA LAURA

Esta é a terceira parte do nosso ensaio sobre a vida amorosa de Salazar.


Nos dois números anteriores deste jornal falámos do contexto histórico em
que Salazar viveu e falámos também de alguns grandes homens que, tal
como Salazar, tiveram uma vida amorosa clandestina. E falámos
igualmente das namoradas e dos encontros amorosos de Salazar em geral.
E terminámos com uma descrição relativamente detalhada do primeiro
amor de Salazar: a Felismina de Oliveira.
Hoje vamos continuar a falar da Felismina e também de outras mulheres
que se seguiram à Felismina na vida amorosa de Salazar. Com efeito, a
partir de certa altura a Felismina começou a ter inúmeros problemas de
consciência a propósito do seu namoro com Salazar, pois era uma católica
muito convicta e não queria que Salazar renunciasse ao sacerdócio por sua
causa. Mal ela sabia que a carreira de padre era um objectivo que nessa
altura Salazar já pensava em pôr de parte. Mal ela sabia também que
Salazar já há muito que estava farto dela.
O único problema de Salazar era desenvencilhar-se da Felismina sem
grandes traumas e realmente Salazar até arranjou uma saída airosa. Numa
primeira fase propôs-lhe que continuassem apenas como amigos e mais
tarde convenceu-a a colaborar com o regime e até a utilizou como
informadora, pois a Felismina, além de gostar muito de Salazar, também se
tornou uma apoiante fanática da ditadura salazarista.
Vivendo em Viseu, onde exercia a profissão de professora primária,
informava regularmente o Presidente do Conselho sobre os indivíduos que
contestavam o regime na cidade de Viriato. E também denunciava alguns
contactos que ela considerava suspeitos entre figuras locais do regime
salazarista e elementos locais da oposição democrática. Como era pouco
inteligente, não se apercebia que esses contactos eram normais num meio
pequeno. E como era fanática, via comunistas em todo o lado.
Graças ao seu posicionamento político, a Felismina teve uma carreira
brilhante como professora primária, chegando a inspectora do ensino
primário. E continuou toda a vida a amar Salazar, convencida que ele
também a continuava a amar e que só não casara com ela, primeiro por
causa de Deus e depois por causa da pátria.
Mas a verdade é que Salazar a certa altura se fartou da Felismina e passou
a interessar-se por uma menina de alta sociedade, a Júlia Perestrelo, que
era filha dos donos da quinta do Vimieiro, na qual o pai de Salazar era
feitor. Salazar dava-lhe explicações e apaixonou-se pela Júlia, começando
a trocar recados e carícias amorosas com a menina e a assediá-la
sexualmente durante as explicações.
No entanto, neste caso Salazar não teve sorte, pois a família Perestrelo era
uma família nobre e fez-lhe ver que ele, apesar de licenciado em Direito
com dezanove valores, era um indivíduo de baixa condição, sem categoria
nem pergaminhos, pois não passava do filho de um dos empregados da
quinta. Mas Salazar, embora magoado, não esmoreceu na sua actividade de
conquistador, pois entretanto conheceu mais duas mulheres, a Glória
Castanheira e a sobrinha desta, a Maria Laura.
Entre a Glória Castanheira e a Maria Laura, Salazar optou pela Maria Laura.
A Maria Laura era casada, mas isso não demoveu Salazar dos seus intentos
amorosos. Salazar era Ministro das Finanças e vivia em Lisboa. Tinha um
quarto escuro e acanhado num rés-do-chão da Rua Duque de Loulé e foi aí
que teve os primeiros encontros amorosos com a Maria Laura.
Nessa altura, com trinta e nove anos, Salazar tinha uma imaginação
transbordante para as coisas do amor. Com a ajuda do jogo de luzes de
uma lanterna transformava o quarto escuro e acanhado da Rua Duque de
Loulé numa alcova das mil e uma noites e dizia à Maria Laura para se
imaginar numa paisagem paradisíaca com o sol a esconder-se e a levantar-
se no horizonte. Era um cenário romântico um bocado pacóvio, mas a
verdade é que funcionava.
E eram assim as noites de amor de Salazar com a Maria Laura. E Salazar foi
amante dela durante muito tempo. A Maria Laura divorciou-se e depois
voltou a casar-se. Mudou de marido mas não mudou de amante, pois
manteve sempre a ligação com Salazar. É certo que houve altos e baixos
nessa relação, pois a Maria Laura era uma mulher muito gastadora e
Salazar era muito forreta.
E era aliás por ser muito forreta que Salazar tinha a alcunha do “Botas.”.
Mas também a relação com a Maria Laura acabou por chegar ao fim. No
entanto, não houve problema para o nosso galante Presidente do Conselho,
pois passado pouco tempo Salazar conheceu outra mulher, a Maria Emília
Vieira.
No próximo número deste jornal falaremos da relação amorosa de Salazar
com a Maria Emília Vieira e falaremos também do tórrido e romântico
romance de amor entre Salazar e Christine Garnier. Salazar era muito
patriota e normalmente preferia produtos portugueses. A propaganda do
regime aconselhava toda a gente a comprar produtos portugueses e dizia
que o que era nacional era bom. E tal como nós temos visto, no capítulo
amoroso Salazar consumia de preferência mulheres portuguesas.
Mas o Presidente do Conselho vai abrir uma excepção a esta regra,
apaixonando-se perdidamente pela atraente jornalista e escritora francesa
Christine Garnier. Com este tórrido e romântico romance de amor e com
os outros romances de amor que preencheram o período final da vida de
Salazar chegará ao fim este nosso ensaio sobre a vida amorosa de Salazar.

A VIDA AMOROSA DE SALAZAR


(QUARTA PARTE)
A AMANTE COMPARTILHADA
COM NORBERTO LOPES:
MARIA EMÍLIA VIEIRA;
A AMANTE FRANCESA:
CHRISTINE GARNIER

Terminámos o nosso terceiro e último artigo sobre a vida amorosa de


Salazar, dizendo que a relação com a Maria Laura acabou por chegar ao
fim. E dissemos também que não houve problema para o nosso galante
Presidente do Conselho, pois passado pouco tempo Salazar conheceu outra
mulher, a Maria Emília Vieira. A Maria Emília Vieira era bailarina e
astróloga e era uma mulher de costumes livres. Salazar apreciava muito a
Maria Emília na cama e até dizia a alguns amigos mais íntimos que ela era a
sua guloseima.
Mas Salazar apreciava igualmente a Maria Emília como astróloga e não
tomava nenhuma decisão importante sem primeiro a consultar. E até
mesmo nas decisões que tinha que tomar na sua actividade política como
Presidente do Conselho Salazar se socorria muitas vezes dos horóscopos da
Maria Emília para decidir.
Com a Maria Emília passou-se até um caso interessante, pois ela foi ao
mesmo tempo amante de Norberto Lopes e de Salazar. O Norberto Lopes,
que era um excelente jornalista, foi director de dois jornais diários muito
importantes: o Diário de Lisboa e A Capital. Além de proeminente
jornalista, o Norberto Lopes era também uma das principais figuras da
oposição democrática ao regime ditatorial de Salazar.
Mas isso não impediu que Norberto Lopes e Salazar tivessem usufruído
durante bastante tempo da mesma amante. Embora na política fossem
adversários, quanto a assuntos de cama, estavam ambos de acordo: ambos
gostavam da Maria Emília. Acontece até que o Norberto Lopes acabou por
casar com a Maria Emília, mas não obstante o casamento o triângulo
amoroso manteve-se, com conhecimento de todos os intervenientes.
Digamos que Salazar e Norberto Lopes eram, respectivamente, um amante
e um marido civilizados.
Christine Garnier foi a mulher que se seguiu nesta lista de namoradas que
não é necessariamente cronológica, pois Salazar às vezes tinha ligações
com duas mulheres ao mesmo tempo e era por isso que lhe davam a
alcunha do “Troca-Tintas”. Christine Garnier veio a Portugal com o
objectivo de escrever um livro sobre Salazar. Mas a jornalista e escritora
francesa não pretendia falar do Salazar político.
Christine Garnier pretendia falar principalmente do homem no seu dia a
dia e na sua intimidade e por isso coabitou com Salazar na sua residência
oficial, na sua residência de férias e até na casa onde Salazar nasceu, no
Vimieiro. O seu objectivo era obviamente conhecer o ambiente em que
Salazar tinha nascido e tinha crescido (Vimieiro) e os lugares onde habitava
em Lisboa.
Quando conheceu Christine Garnier Salazar já tinha sessenta e dois anos,
mas ainda estava em grande forma, sexualmente falando. Não havia viagra
nesse tempo, mas Salazar também não precisava. E supomos que também
não precisava de afrodisíacos. Salazar tinha uma inteligência fulgurante e
um cérebro portentoso e por isso não tinha qualquer problema em
relacionar-se sexualmente com mulheres na cama.
O viagra e os afrodisíacos podem ajudar ao pleno êxito do desempenho
masculino na relação amorosa, mas a erecção do pénis depende
principalmente da mente. E até ao momento fatídico da queda da cadeira a
mente de Salazar manteve-se sempre sã. Essa queda da cadeira foi um
acidente com uma cadeira de lona. Esse acidente estúpido e fatídico na
sua residência de verão é que matou duplamente Salazar.
O dirigente máximo do regime e o grande conquistador de mulheres
morreram nesse momento. Mas quando conheceu Christine Garnier Salazar
ainda estava na plena posse das suas faculdades mentais. E pode dizer-se
que com Christine Garnier o amor, na cama e fora dela, eclodiu com toda a
força, pois Salazar até se tornou gastador, enviando flores, garrafas dos
melhores vinhos e outras prendas caras à sua amada.
Salazar inclusivamente até pediu ao seu amigo íntimo, Marcello Mathias,
que era na altura embaixador em França, para comprar uma jóia muito
valiosa em Paris. Essa jóia era um presente para Christine Garnier. Com a
formosa jornalista francesa passou-se ainda outro facto muito curioso.
Numa altura em que Christine Garnier se encontrava em Portugal a viver
no Forte de Santo António da Barra, residência de verão de Salazar, este
apercebeu-se a certa altura que Christine Garnier só se besuntava com
muitos cremes para a face, para as mãos e para o corpo todo, mas tomar
banho não era com ela. Como Christine Garnier não tomava banho há
muito tempo o cheiro que a francesa exalavas não era muito agradável.
Os camponeses nessa altura normalmente não se lavavam ou só tomavam
banho uma vez por ano ou em dia de festa, mas Salazar, apesar de ser
originário do campo, era um indivíduo com elevados padrões de higiene.
Como o cheiro da francesa tivesse começado a incomodar as suas narinas
sensíveis, Salazar encarregou a governanta, a Maria de Jesus, de preparar
um bom banho de imersão para a sua namorada. E com certeza que nessa
noite o leito do amor lha pareceu um jardim florido e os beijos de
Christine Garnier lhe souberam a água de rosas.
No próximo número deste jornal publicaremos o último artigo deste nosso
ensaio sobre a vida amorosa de Salazar. Falaremos de Mercedes de Castro
Feijó, a amante do Hotel Borges, e de Carolina de Asseca, a noiva
aristocrática de Salazar. E também falaremos das pupilas de Salazar.
Salazar tratava-as como um pai. Mas foi um pai normal? Ou foi um pai
pedófilo? De Salazar é de esperar tudo. Era um homem de moral sólida e
temente a Deus só para inglês ver.

A VIDA AMOROSA DE SALAZAR


(QUINTA PARTE)
MERCEDES DE CASTRO FEIJÓ,
A AMANTE DO HOTEL BORGES;
CAROLINA DE ASSECA,
A NOIVA DESCARTÁVEL
E AS PUPILAS DE SALAZAR
Este é o último artigo deste nosso ensaio sobre a vida amorosa de Salazar.
Neste artigo iremos falar de Mercedes de Castro Feijó, a amante do Hotel
Borges, e de Carolina de Asseca, a noiva aristocrática de Salazar. E
também falaremos das pupilas de Salazar. E vamos começar este artigo
falando da relação amorosa entre Salazar e Mercedes de Castro Feijó.
Na mesma altura em que se divertia á grande e à francesa com Christine
Garnier, Salazar conheceu outra mulher, Mercedes de Castro Feijó, filha
do poeta António Feijó. Parece que Salazar não a amava e que foi ela
quem tomou a iniciativa de declarar o seu amor a Salazar. E parece que
também foi a Mercedes de Castro Feijó quem tomou a iniciativa de
convidar Salazar a ir com ela para a cana.
Mas embora não gostasse da Mercedes, Salazar não se limitava com certeza
a espetar-lhe a tesoura. É que a Mercedes de Castro Feijó, além de ser
filha de um poeta e diplomata ilustre e de uma nobre aristocrata sueca,
não era de maneira nenhuma uma mulher para deitar fora. E a melhor
prova disso é que Salazar a visitava regularmente no Hotel Borges.
Esses encontros amorosos tinham lugar no Hotel Borges para evitar que a
Christine Ganier soubesse que Salazar tinha outra namorada. E mesmo
assim houve um dia em que Salazar se viu em apuros para as despistar,
pois apareceram as duas ao mesmo tempo no Palácio de São Bento.
Foram portanto muitas as ocasiões em que Salazar se deslocou ao Hotel
Borges para se encontrar com a Mercedes de Castro Feijó. Nessa altura só
em certos hotéis, os hotéis de engate, era permitido o relacionamento
sexual dos clientes com total liberdade. Nos hotéis respeitáveis e
decentes, como era o caso do Hotel Borges, nem sequer era permitido que
as senhoras recebessem visitantes masculinos nos seus quartos.
E assim, foi com grande espanto que o rapaz do elevador viu o Senhor
Presidente do Conselho, com o respeitoso consentimento dos empregados
da recepção, subir no elevador do hotel para ir visitar a Mercedes de
Castro Feijó nos seus aposentos. O rapaz até julgou que a hóspede estava
doente e que Salazar a ia medicar. E de certo modo até julgou com acerto,
pois Salazar nestas coisas não perdoava e com certeza até deu uma ou
duas injecções à Mercedes de Castro Feijó.
Salazar teve muitas relações amorosas, teve muitas amantes, mas não teve
filhos. Teve, no entanto na mesma as alegrias da paternidade, pois a
governanta Maria de Jesus, com autorização do Presidente do Conselho,
trouxe duas sobrinhas dela para o Palácio de São Bento. Salazar afeiçoou-
se às miúdas e convivia muito com elas. Estas duas meninas ficaram
conhecidas como as pupilas de Salazar.
Destas duas meninas, Salazar gostava especialmente da Maria da
Conceição, que o Presidente do Conselho tratava carinhosamente por
Micas. A Maria da Conceição chegou ao Palácio de S. Bento quando tinha
seis anos de idade e conviveu com Salazar até ao fim da sua adolescência.
Nós lembramo-nos que nessa altura se dizia que Salazar se aproveitava
sexualmente da convivência com as meninas, sentando-as em cima dos
seus joelhos, acarinhando-as e apalpando-as discretamente e fazendo com
elas ainda outras coisas mais.
Mas nós nunca acreditámos nesses boatos que corriam e que pretendiam
antes de tudo enxovalhar o nome de Salazar. Que um padre, um bispo ou
até um cardeal sejam pedófilos, como se sabe através dos meios de
comunicação social, nós até acreditamos, é absolutamente natural, pois
são pessoas sexualmente carentes.
Salazar, no entanto, era precisamente o contrário de um carente, era um
indivíduo totalmente realizado no que respeita ao aspecto sexual. Com
tantas namoradas, o grande problema de Salazar era o problema de
poupança de esperma. Salazar precisava de poupar esperma e não de
esbanjá-lo a torto e a direito. Pensamos portanto que Salazar até se podia
excitar uma vez ou outra com as suas pupilas, mas isso não invalida que de
uma maneira geral gostasse delas como um pai normal e não como um pai
pedófilo.
Neste rol de casos amorosos também temos que incluir Carolina de Asseca,
uma mulher de sangue azul de quem Salazar esteve noivo, ma com quem
acabou por não casar, deixando a nobre aristocrata no maior desespero. A
justificação foi que Salazar preferia estar casado com a pátria, mas nós
pensamos que ele preferia permanecer solteiro, para poder ter vários
esquemas, podendo assim saltar de mulher em mulher com inteira
liberdade. Realmente, na sua actividade amorosa, Salazar foi sempre um
implacável destruidor de corações, um autêntico D. Juan. Mas as mulheres
gostavam muito dele e não lhe guardavam rancor.
Enfim, este Salazar que aqui retratámos é completamente diferente do
Salazar austero que conhecemos há muitos anos, quando vivíamos num
país cinzento que ele governava com mão de ferro. E se é verdade que
Salazar foi um indivíduo detestável na sua actividade política, já o mesmo
não se pode dizer de Salazar na sua actividade amorosa. Na sua actividade
amorosa Salazar até foi uma personagem simpática. E até é um exemplo a
seguir por todos os homens solteiros e por todos os homens machistas,
mulherengos e engatatões de Portugal.
Salazar foi o vencedor do concurso
Os Grandes Portugueses

Salazar com uma das suas pupilas

Salazar no Vimieiro com Christine Garnier


Salazar com uma das suas pupilas

O livro de Felícia Cabrita

(Copiado de: http://antonio-rocha.blogspot.pt/2006/11/vida-amorosa-de-


salazar.html?m=1 a 09/04/2016)