You are on page 1of 3

Livro: A psicologia da Dor

Autora: Andréa G. Portnoi

Parte 1 – Um olhar da Psicologia sobre a Dor

Dor é uma experiência sensorial e emocional. As síndromes de dor crônica têm a dor como sintoma
principal e são classificadas de acordo com a região acometida em: cervicobraquialgia, lombalgia,
fibromialgia, cefaleia.
Na fibromialgia prevalece a dor generalizada, referidas nos músculos e em suas estruturas anexas (tendões
e ligamentos), em distintas regiões do corpo. Geralmente concomitantes a outras manifestações corporais,
como cansaço, rigidez muscular, perturbações do sono etc. (usar perguntas referentes a esses sintomas ou
testes psicológicos) (investigar medicamentos utilizados: analgésicos, anti-inflamatórios ou
antidepressivos?)
Ler: “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica”.
Concomitância de dor crônica a depressão, somatização ou conversão histérica e transtornos de
ansiedade.
Investigar a história de vida (anamnese)
O isolamento social é uma das consequências mais comuns e mais lamentáveis da dor crônica. A luta
interna com o medo da dor estabelece obstáculos à criação de laços interpessoais autênticos e profundos com outras
pessoas. Não raro, esta luta toma tanto espaço no cotidiano do paciente, que as pessoas mais próximas não sabem
mais como conectar-se com ele. Em outros casos, o paciente fica preso a relacionamentos interpessoais pobres, não
recíprocos de cuidado, ou de exploração, nos quais a dor se tornou pretexto para desqualificar suas necessidades
emocionais, ou para evitar discutir e resolver assuntos difíceis.

1- Dor – Visão Psicanalítica

A dor corresponderia ao fracasso do sistema nervoso em proteger o aparelho psíquico, afastando


grandes quantidades de energia oriundas do mundo externo. Em decorrência desse fracasso, altos níveis
de energia externa afetam o sistema nervoso e aumentam os níveis de excitação que causam desprazer,
percebido como dor, e buscam uma descarga motora. E “da vivência da dor resulta a repulsa, uma defesa
primária do aparelho psíquico, uma aversão a manter investida a imagem mnêmica hostil”. Dor = excesso
de energia não escoada e trauma (a dor pode se manisfestar como excesso não introjetado pelo aparelho
psíquico).
Tratamento: como por base as sensações corporais. A dor marca o limite do eu atravessado por
um excesso. Ela erotiza o corpo que arrisca revelar-se como carne crua, reveste o corpo orgânico que tanto
horroriza a histérica.
Queixa de dor com características imprecisas.
Verificar: a dor (sintoma) tem relação com a história do sujeito, tem um sentido e se oferece à
decifração? Ou não se apresenta como sintoma analítico, mostrando-se impermeável à interpretação,
remetendo a um sentido de satisfação pulsional.
Quando sofre de dor a pessoa deixa de se interessar por qualquer coisa que não se relacione com
seu sofrimento. A melancolia consistira no luto pela perda da libido. Na melancolia, diferentemente do
luto, não se sabe o que foi perdido, embora a perda possa estar referida a um objeto. Para Freud, tanto
quanto a angústia, a dor é efeito de uma perda, ambas têm relação com a separação: A dor é, portanto, a
reação genuína frente à perda do objeto; a angústia o é frente ao perigo que essa perda traz e, em ulterior
deslocamento, ao perigo da perda mesma do objeto.
A dor faz-nos conhecer partes de nosso corpo das quais não tínhamos conhecimento antes de
a sentirmos. (falar isso!, e acrescentar por isso vamos fazer vivências para a exploração e
conscientização corporal)
Investigar a função da dor.
A dor crônica se manifesta no lugar de uma dor de luto ou de uma dor de amor.

2- Dor – Visão Comportamental


A dor é um sinal de algo prejudicial que precisa ser sanado. Mas o que precisa ser sanado?
Escolas teóricas da terapia comportamental:
- condicionamento clássico (S-R): indivíduos com dor crônica tendem a evitar situações (estímulos) em
que já sentiram dor. Como resultado dessa evitação, levam uma vida passiva e vazia, que os deixa mais
sensíveis à dor. Durante a exposição graduada, o paciente enfrenta intencionalmente as situações que
eliciam a ansiedade por terem relação com a vivência dolorosa ou traumática do seu passado. A exposição
à situação aversiva promove a diminuição da ansiedade;
- modelo operante (Cpt – Conseq.): a pessoa que tem dor crônica esquiva-se e fugi da situação aversiva
(reforço negativo – retirada de algo aversivo). Porém, o reforçamento positivo também está envolvido na
manutenção da dor, pois a pessoa recebe reforço de outras pessoas. A dor muda o contexto dos
comportamentos interpessoais de tal maneira que as pessoas que convivem com o indivíduo que apresenta
dor crônica começam a reforçar as condutas dele que, normalmente, não reforçariam.
Investigar os reforçadores (o que mudou na vida do paciente): negativo (quais atividades
diárias o paciente reduziu?) e positivo (o que tem ganhado de bom? Atenção, compreensão,...)
Outra vertente do modelo operante diz respeito ao controle por regras. Uma regra é um comportamento verbal que
especifica uma relação funcional. Se a conduta do paciente seguir a lógica contida na regra, perderá os reforçadores
que estão disponíveis para ela no seu ambiente, mas não especificados nas regras. E o comportamento de dor pode
continuar em função dessas regras, apesar da disponibilidade de reforçadores importantes para comportamentos
mais adequados.
Tratamento (modelo operante): consiste em promover as atividades que o paciente abandonou. Por
meio de um treino gradual para retomar essas atividades.

– terapia de aceitação e compromisso (dentro do modelo operante): as pessoas se esquivam de


sentimentos e sensações, de partes da sua vivência interna e não somente de situações externas. mais do
que a dor em si, a luta contra a dor causa sofrimento e ameaça a qualidade de vida. A dor aguda tem
como função nos alertar sobre possíveis danos nos tecidos e, por isso, apesar de desagradável, é um
fenômeno adaptativo. Contudo, quando se torna crônica, e, principalmente, quando as causas da dor não
são bem definidas, as tentativas contínuas de controlála podem se tornar ineficazes. Os mesmos
comportamentos que seriam funcionais se a dor fosse aguda são contraprodutivos quando a dor já se
tornou crônica. Atrapalham o engajamento em atividades valorizadas pela pessoa na família, no trabalho
ou na comunidade. Esses comportamentos se manifestam em forma de regras como “uma
pessoa com dor não deve sair de casa, precisa descansar e evitar atividades físicas” ou “precisa resolver
primeiro a dor antes de ocuparse de qualquer outro assunto”. A ACT propõe uma atitude chamada
mindfulness, que consiste em observar pensamentos, sensações e sentimentos da maneira como se
apresentam no momento atual, sem julgá-los, tomá-los como literalmente verdadeiros ou
intelectualizá-los, possibilitando que entrem e saiam do nosso campo de atenção, sem tentativas da nossa
parte de influenciá-los ou elaborá-los.

- modelo cognitivo com ênfase no papel causal de crenças e distorções cognitivas: a depressão, o medo e a raiva
podem ocorrer em função do que a pessoa acredita sobre a dor (e não somente pela percepção atual da dor), mas
podem também ser promovidos por crenças relacionadas com outros aspectos da vida: a inabilidade física
decorrente da dor, os familiares que não compreendem o paciente e as suposições que ele faz a respeito dessas
experiências adversas.

3- Dor – Visão Psicofisiológica


4- Dor – Visão Biopsicossocial

Parte 2 – A psicologia e a clínica de dor

5- História e evolução das clínicas de Dor


6- A comunicação Médico-Paciente da Dor Total no Câncer

--
área de pesquisa:
- Relação entre as síndromes de dor crônica (fazer contato com o Dr Sérgio e Dr Mussi) e o repertório
restrito das habilidades sociais relacionadas ao trabalho.
- Relação entre as síndromes de dor crônica e Às condições psíquicas devido a repertório de habilidades
sociais.
- Comportamental: A dor muda o contexto dos comportamentos interpessoais de tal maneira
que as pessoas que convivem com o indivíduo que apresenta dor crônica começam a reforçar
as condutas dele que, normalmente, não reforçariam.
- O isolamento social é uma das consequências mais comuns e mais lamentáveis da dor crônica. A luta interna com
o medo da dor estabelece obstáculos à criação de laços interpessoais autênticos e profundos com outras pessoas.
Não raro, esta luta toma tanto espaço no cotidiano do paciente, que as pessoas mais próximas não sabem mais como
conectarse com ele. Em outros casos, o paciente fica preso a relacionamentos interpessoais pobres, não recíprocos
de cuidado, ou de exploração, nos quais a dor se tornou pretexto para desqualificar suas necessidades emocionais,
ou para evitar discutir e resolver assuntos difíceis. . O isolamento social é uma das consequências
mais comuns e mais lamentáveis da dor crônica. A luta interna com o medo da dor estabelece obstáculos à criação
de
laços interpessoais autênticos e profundos com outras pessoas. Não raro, esta luta toma tanto espaço no cotidiano
do
paciente, que as pessoas mais próximas não sabem mais como conectar-se com ele. Em outros casos, o paciente
fica
preso a relacionamentos interpessoais pobres, não recíprocos de cuidado, ou de exploração, nos quais a dor se
tornou
pretexto para desqualificar suas necessidades emocionais, ou para evitar discutir e resolver assuntos difíceis.