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URBANISMO

Para Santos (s/d):


O Urbanismo é um campo do conhecimento, ora considerado como ciência ora como técnica, que tem a
cidade como principal objecto de estudo e intervenção. Surge como campo do conhecimento, no final do
século XIX, na Europa, período pós-revolução industrial, em busca de transformações necessárias à
realidade caótica das cidades. No entanto uma maior maturidade teórica só foi alcançada no século XX.
Observa-se hoje que ainda conserva-se um conceito tradicional sobre o mesmo, como preso a aspectos
estético-funcionais. Porém o Urbanismo ultrapassou largamente esta visão, não se limitando a uma
simples técnica do engenheiro ou do arquitecto para intervir no espaço urbano, pois abrange o campo da
comunidade, da planificação social.
(Santos, s/d., 2)

Segundo Portes (2013), o urbanismo actual das cidades é considerado disperso e gera
problemas ambientais, face ao espalhamento da malha urbana sobre a paisagem natural,
eliminado florestas, se apropriando dos recursos naturais, aumentando a demanda por
consumo e energia, produzindo resíduos em excesso como resultados do modelo de consumo.

Portes afirma que:


A dispersão urbana exige intenso uso de veículos para transporte de mercadorias e pessoas (em âmbito
local, urbano, regional, nacional e internacional) que acarretam a poluição do ar através da emissão de
gases provenientes de combustíveis fósseis nos diversos meios e redes de transporte, bem como da
impermeabilização do solo decorrentes da pavimentação excessiva, que além de exercer sérios danos ao
ciclo hidrológico, proporciona enchentes face à deficitária infra-estrutura urbana, bem como impacta o
clima urbano de forma considerável.
(Portes, 2013:23)

Professor Bernardo Secchi (2005), por exemplo, ainda que numa postura relativista, evidencia
no seu conceito de Urbanismo, a existência ou a busca de transformações físicas:
Portanto, por Urbanismo entendo não tanto um conjunto de obras, de projectos, de teorias ou normas
associadas a um tema, a uma linguagem e a uma organização discursiva; muito menos o entendo como
um determinado sector do ensino, mas ao contrário como um testemunho de um vasto conjunto de
práticas, quais sejam as da contínua e consciente modificação do estado do território e da cidade.

Urbanismo não apenas desenha a cidade que se quer, mas também determina como essa deve
ser obtida e usada, ou seja, acreditando na utopia de poder formatar a sociedade que aí habita.

2.1.1. Urbanização
Para Maniçoba (2006:75), “a definição mais comummente ligada ao termo urbanização refere-
se a esta como sendo o crescimento de números de cidades e o aumento da população urbana”.
Souza (1996:5 apud Maniçoba, 2006:75) confirma esta afirmação “segundo a qual a
urbanização, considerada em seu sentido quantitativo, é o aumento do percentual da
população vivendo em espaços urbanos, bem como o crescimento destes”.

Becker (1991:52 apud Maniçoba, 2006:76) “refere-se à urbanização como estratégia do Estado
para a ocupação de um dado território. Segundo esta autora, a relevância da urbanização como
instrumento de ocupação está ligada a três papeis fundamentais exercidos pelos núcleos
urbanos: a atracção dos fluxos migratórios, a organização do mercado de trabalho e controlo
social, o que atribui a urbanização um novo significado”.

A noção de urbanização abrange quer o fenómeno demográfico em si (concentração


populacional em espaços urbanos), quer o processo de reabilitação/requalificação em cidades
como resultado de alterações no modo de vida da população1.

Castells (1983:39 apud Maniçoba, 2006:76), em sua análise sobre o fenómeno urbano, destaca
que, das inúmeras definições dadas pelos sociólogos para o termo urbanização, é possível
distinguir dois sentidos distintos: 1) concentração espacial de uma população, a partir de certos
limites de dimensão e de densidade; 2) difusão do sistema de valores, atitudes e
comportamentos denominados cultura urbana.

Segundo Sposito (s/d), entender a cidade de hoje, apreender quais processos dão conformação
à complexidade de sua organização e explicam a extensão da urbanização neste século, exige
uma volta às suas origens e a tentativa de reconstruir, ainda que de forma sintética, a sua
trajectória.

A urbanização está associada ao processo de industrialização que trouxe população das áreas
rurais para o centro das cidades. Esse processo traduz-se espacialmente por uma concentração
da população e das actividades nos centros das cidades. No sentido social e demográfico,
significa a transferência de populações destas para as primeiras, e deslocamento de
contingentes do pequeno ou médio para o grande urbano, com a incorporação rápida de modos
de vida nas urbes por áreas dispersas (Costa, 2010).

Para Gaspar (s/d,:285), “urbanizar implica ainda o acesso a um mínimo de infra-estruturas –


vias, abastecimento de águas, esgotos, energia – e de serviços, que constituirão os requisitos
básicos que permitem identificar o fenómeno em diferentes latitudes e distintos níveis de
desenvolvimento económico e tecnológico”.

O conceito de urbanização abriga, no sentido físico, a conotação de ocupação do solo, ao se


tornar urbano ou deste urbano se tornar mais denso, e de sua extensão por áreas urbanas, de
expansão urbana e rural. Há diferentes formas de urbanização e de dispersão do tecido urbano,
além de diferentes formas de caracterizar este processo.

Para Costa e Silva (2012):


A urbanização resulta fundamentalmente da transferência de pessoas do meio rural (campo) para o meio
urbano (cidade). Assim, a ideia de urbanização está intimamente associada à concentração de muitas
pessoas em um espaço restrito (a cidade) e na substituição das actividades primárias (agropecuária) por
actividades secundárias (indústrias) e terciárias (serviços).
(Costa e Silva, 2012:21)
Silva e Macêdo, afirmam que:

1
http://conceito.de/urbanizacao
É preciso entender que a urbanização não consiste apenas no crescimento das cidades. Para que ela
ocorra é necessário um conjunto de mudanças que irão se expressar tanto na paisagem urbana da cidade
como no comportamento e estilo de vida das pessoas. Primeiro é necessário que a população urbana
cresça mais que a população do campo, ou seja, que a população urbana aumente em relação à
população total do país ou da região. Pode ocorrer inclusive o crescimento da cidade sem haver
necessariamente urbanização, desde que a população rural cresça na mesma proporção que a população
urbana. Na realidade, o crescimento das cidades não tem limites, pois a cidade pode expandir-se
indefinidamente. A urbanização, no entanto, tem limites. Nos países em que a população urbana
ultrapassa 95% do total, podemos, dizer, que esses países já os atingiram.
(Silva e Macêdo , 2009:3)

Ainda segundo os mesmos autores, “outro aspecto importantíssimo é que a urbanização é


sobretudo um aspecto espacial. Esse processo é resultante de modificações sociais e
económicas substanciais que estão na base do desenvolvimento do próprio capitalismo” (Silva e
Macêdo, 2009:3).

O rápido processo de urbanização traz consigo problemas urbanos devido ao crescimento


desordenado das cidades. A falta de planeamento tem como consequência problemas de
ordem ambiental e social. O inchaço populacional, provocado pelo acúmulo de pessoas e a falta
de uma infraestrutura adequada gera transtornos para a população urbana que, devido ao
crescimento desordenado, acaba ocupando locais inadequados para moradia (Jordão Filho e
Oliveira, 2013).

De acordo com Garcia (2012 apud Jordão Filho e Oliveira, 2013:58), “as consequências da
urbanização que podem ser citadas são a moradia, o desemprego, o transporte, a violência e a
poluição do ar”.

2.1.2. Planeamento Urbano


Segundo Jordão Filho e Oliveira (2013:55), o planeamento urbano é um processo no qual são
criados programas que buscam melhorar aspectos relacionados à qualidade de vida da
população, dentro de uma dada área urbana ou de uma nova área urbana em uma dada região.
O objectivo é o de proporcionar aos habitantes uma vida mais digna.

O conceito de planeamento urbano sempre esteve relacionado a outros termos, como, desenho
urbano, urbanismo e gestão urbana. “Todos esses vocábulos, apesar de serem distintos, têm
algo em comum: o seu objecto de estudo é a cidade, considerada tanto em relação a suas
características físicas quanto sociais, culturais e económicas” (Duarte, 2007:24 apud Jordão
Filho e Oliveira, 2013:55).

Considerando que as mudanças concretas na cidade podem alterar as relações económicas,


sociais e culturais, compete ao planeamento urbano prever essas modificações na organização
espacial da cidade. Por meio do planeamento urbano são tomadas medidas para o alcance dos
objectivos almejados, tendo em vista os recursos disponíveis e os factores externos que podem
influir nesse processo (Jordão Filho e Oliveira, 2013).
O planeamento urbano reconhece e localiza as tendências ou as propensões naturais (locais ou
regionais) para o desenvolvimento. Além de estabelecer regras de ocupação do solo, define as
principais estratégias e políticas do município, explicitando as restrições, as proibições e as
limitações que deverão ser observadas, de forma a manter e aumentar a qualidade de vida de
seus munícipes.

2.2. SUSTENTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


Para o proposto trabalho, inicialmente buscou-se a compreensão do conceito de
sustentabilidade e como alguns autores apropriam-se deste termo sob os diversos olhares
baseados na literatura. Nessa linha de pensamento separou-se por dimensões, pois o tema a
ser tratado perpassa pelo enfoque ambiental, social, político, económico.

Ao se definir desenvolvimento sustentável também está se discutindo o que é sustentabilidade.

Para alguns autores como Clovis Cavalcanti sustentabilidade “significa a possibilidade de se


obterem continuamente condições iguais ou superiores de vida para um grupo de pessoas e
seus sucessores em dado ecossistema” (Cavalcanti, 2003).

Para o autor, as discussões actuais sobre o significado do termo “desenvolvimento sustentável”


mostram que se está aceitando a ideia de colocar um limite para o progresso material e para o
consumo, antes visto como ilimitado, criticando a ideia de crescimento constante sem
preocupação com o futuro.

Para Henri Acselrad, as seguintes questões discursivas têm sido associadas à noção de
sustentabilidade:
 da eficiência, antagónica ao desperdício da base material do desenvolvimento, com
reflexos da racionalidade económica sobre o “espaço não-mercantil planetário”;
 da escala, determinante de limites quantitativos para o crescimento económico e suas
respectivas pressões sobre os recursos ambientais;
 da equidade, articuladora analítica entre princípios de justiça e ecologia;
 da auto-suficiência, desvinculadora de economias nacionais e sociedades tradicionais
dos fluxos de mercado mundial, como estratégia apropriada para a capacidade de auto-
regulação comunitária das condições de reprodução da base material do
desenvolvimento;
 da ética, evidenciadora das interacções da base material do desenvolvimento com as
condições de continuidade da vida do planeta.
(Acselrad, 2001).

A sustentabilidade não é um objectivo a ser alcançado, não é uma situação estanque, mas sim
um processo, um caminho a ser seguido. Advém daí que a expressão mais correcta a ser
utilizada é um projecto “mais” sustentável. Todo o trabalho nesta área é feito a partir de
intenções que são renovadas contínua e progressivamente.
2.2.1. Sustentabilidade Urbana
A associação da noção de sustentabilidade ao debate sobre desenvolvimento das cidades tem
origem nas rearticulações políticas pelas quais um certo número de actores envolvidos na
produção do espaço urbano procura dar legitimidade a suas perspectivas, evidenciando a
compatibilidade delas com os propósitos de dar durabilidade ao desenvolvimento, de acordo
com os princípios da Agenda 21, resultante da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento e
Meio Ambiente (Acselrad, 1999:81).

A sustentabilidade urbana “possui sua ênfase nas esferas social e de comunidade, já que os
principais problemas urbanos têm sua origem nas relações humanas. Por outro lado, a
expansão urbana nega os limites naturais impostos aos recursos finitos do planeta, colocando
em conflito o sistema económico vigente que promulga o desenvolvimento ilimitado do capital”
(Portes, 2013:23).

A sustentabilidade urbana é definida por Henri Acselrad como a capacidade das políticas
urbanas se adaptarem à oferta de serviços, à qualidade e à quantidade das demandas sociais,
buscando o equilíbrio entre as demandas de serviços urbanos e investimentos em estrutura
(Acselrad, 2001). No entanto, também é imprescindível para a sustentabilidade urbana o uso
racional dos recursos naturais, a boa forma do ambiente urbano baseado na interacção com o
clima e os recursos naturais, além das respostas às necessidades urbanas com o mínimo de
transferência de dejectos e rejeitos para outros ecossistemas actuais e futuros.

Neste sentido, também é fundamental para a sustentabilidade urbana o uso racional dos
recursos naturais, a boa forma do ambiente urbano baseada na interacção com o clima e os
recursos naturais, a partir de respostas às necessidades urbanas com o mínimo de transferência
de dejectos e rejeitos para outros ecossistemas actuais e futuros. Assim, o equilíbrio entre
inputs e outputs no sistema urbano, pode ser subsidiado pelo uso racional de energia, a partir
do aproveitamento dos recursos naturais de climatização, base conceitual da bioclimatologia
arquitectónica e urbana (Barbirato, Barbosa e Torres, s/d).

Porém, é preciso entender, como destaca Canepa (2007 apud Barbirato, Barbosa e Torres, s/d),
que “o desenvolvimento sustentável caracteriza-se não como um estado fixo de harmonia, mas
sim como um processo de mudanças, no qual se compatibiliza a exploração de recursos, o
gerenciamento de investimento tecnológico e as mudanças institucionais com o presente e o
futuro.”

Acserald (2001), apresentou três matrizes discursivas que enfatiza as diferentes representações
de cidade, resultando em propostas de acções para a questão ambiental urbana. Essas matrizes
são:
1-) Representação técnico-material da cidade
1.1. Modelo da racionalidade eco-energética: uma cidade em que para uma mesma oferta de
serviços, reduz o consumo de combustível fóssil e recursos naturais, explorando os recursos
locais e renováveis.
1.2. Modelo de metabolismo urbano: - fluxos e stocks de matéria e energia, circulação, troca e
transformação dos recursos em trânsito.

2-) A cidade como espaço da “qualidade de vida”


2.1. Modelo de ascetismo e de pureza: questionar as bases técnicas urbanas, pois o aumento do
tráfego ocasiona substâncias nocivas e tóxicas à saúde.
2.2. Modelo da cidadania: políticas urbanas, em estruturas que favorecem o diálogo e a
negociação entre os envolvidos.
2.3. Modelo do património: materialidade, carácter, identidade, valores e lembranças obtidos
ao longo da existência da cidade.

3-) A restauração da legitimidade das políticas urbanas


3.1. Modelo da eficiência: extensa autonomia energética e económica das localidades.
3.2. Modelo da equidade: desigualdade intertemporal e maior acesso aos serviços urbanos.

Essas três matrizes estão interligadas, pois, para se obter a racionalidade eco-energética é
preciso buscar uma maior eficiência no uso dos recursos naturais, equidade no acesso aos
serviços urbanos, incentivando o uso de meios de transporte menos poluentes, aproximando-se
do modelo da pureza. Para se obter uma cidade sustentável é necessário considerar essas três
matrizes agindo em conjunto (Sampaio, 2009).

A construção de cidades sustentáveis busca uma série de proposições de aplicações de boas


práticas, que consideram preocupação da situação ambiental local e do planeta nos tempos
presente, passado e futuro.

Roger-Machart, apud Sampaio (2009) afirma que uma cidade sustentável é a que preenche as
necessidades de seus actuais cidadãos, sem esgotar os recursos das futuras gerações de todo o
mundo por meio da gerência cuidadosa da demanda por recursos, maximização da
circularidade do uso dos recursos e maximização da eficiência do uso dos recursos.

Esse conceito se refere apenas à questão dos recursos naturais, propondo técnicas de reúso,
reciclagem, redução, aumentando a eficiência dos recursos naturais para não privar às gerações
futuras o acesso ao mesmo. A dificuldade que se tem é como tratar a sustentabilidade no meio
urbano, uma vez que a existência de grandes cidades, grandes aglomerações urbanas e seu
constante crescimento vão contra a proposição de uma cidade ambientalmente sustentável.
Observamos concentrações de actividades de negócios nas áreas centrais, recebendo
investimentos imobiliários e de infra-estrutura enquanto as periferias se tornam cada vez sem
recursos.

De acordo com Acselrad (2004 apud Sampaio, 2009) é possível encontrar na literatura dois tipos
de tratamento para questão da sustentabilidade urbana: “um tratamento normativo,
empenhado em delinear o perfil da “cidade sustentável” a partir de princípios do que se
entende por um urbanismo ambientalizado; e um tratamento analítico, que parte da
problematização das condições sociopolíticas em que emerge o discurso sobre sustentabilidade
aplicado às cidades.

Ambos tratam da busca de um ambiente mais sustentável para ser aplicado nas cidades,
partindo de argumentos diferentes para enunciar essa justificativa. Uma parte da questão
ambiental e outro da questão social e política. Porém, é com a união desses dois argumentos
que se pode alcançar a sustentabilidade urbana.

Segundo Sattherthwaite (2004 apud Sampaio, 2009) afirma que a sustentabilidade urbana deve
atingir a sociedade ou as condições de vida. São actividades específicas dentro de áreas urbanas
que devem ser sustentáveis como no caso de mercados habitacionais sustentáveis e
desenvolvimento territorial sustentável ou transporte sustentável, agricultura sustentável,
modos de vida sustentáveis.

Pode-se definir que as cidades com desenvolvimento sustentável representam um local mais
igualitário a todos, com preocupação com o meio ambiente e a população que nela vive.

São diversas propostas apresentadas por diferentes autores de múltiplas áreas, pois a
sustentabilidade urbana é um conceito interdisciplinar e de difícil caracterização. Para atingir a
aplicabilidade no meio urbano, depende de acções políticas, sociais e ambientais.

Costa (1999 apud Martins e Cândido, 2013:3) mostra que:


A noção de desenvolvimento urbano sustentável apresenta alguns conflitos teóricos, quais sejam: o
conflito entre a trajectória da análise ambiental e a da análise urbana que, mesmo como origem em áreas
diferentes, convergiram recentemente na proposta de desenvolvimento sustentável; e o conflito entre
formulações teóricas e propostas de intervenção, o que se tem traduzido no distanciamento entre análise
social/urbana crítica e planeamento urbano. Sendo importante considerar que a maioria das discussões
teóricas acerca do desenvolvimento sustentável, refere-se ao desenvolvimento da sociedade e não
especificamente ao desenvolvimento urbano, além do que a adopção do conceito de desenvolvimento
urbano sustentável faz-se muitas vezes com base nas práticas do planeamento urbano, sem questionar as
formulações teóricas que lhe servem de suporte.
(Martins e Cândido, 2013:3)

Ainda segundo estes autores, a sustentabilidade urbana como um tema que envolve um
conjunto de aspectos que são dinâmicos e que afecta de forma diversificada e em dimensões
diferentes cada população, além das cidades constituírem formações humanas que carregam
uma história, especificidades, potencialidades e diversas características locais que fazem parte
da sua morfologia e identidade, a sustentabilidade deve ser tratada como uma temática que
gera contradições, que é carregado de valores, emoção, percepção, sensibilidade, ética e que,
seu entendimento está relacionado ao processo de evolução de cada sociedade, assim,
apresentando suas peculiaridades em cada território urbano específico, o que requer um olhar
atento a toda problemática urbana que se estabeleceu ao longo da história (Martins e Cândido,
2013:3).
2.3. RAÍZES DA URBANIZAÇÃO MOÇAMBICANA
Segundo Baia (2009:10), “as primeiras formas de povoamento que se pode considerar de
cidades em Moçambique eram capitais de estados ou centros comerciais. Citam-se a capital do
Estado do Zimbabwe, a capital do Estado de Gaza e os Estados do Mataca e dos Mutapas.”
Diversos centros comerciais permanentes foram construídos através do contacto comercial com
os árabes: Chibuene (em Vilanculos ao sul de Moçambique), Sofala (no centro de Moçambique)
e Ilha de Moçambique (em Nampula ao norte de Moçambique). Trata-se de cidades, anteriores
a chegada dos portugueses em Moçambique, onde os comerciantes locais estabeleciam seus
empórios de ligação com lugares distantes e, ai, residiam com suas famílias.

No início do século XX começam surgir cidades nitidamente marcadas pela presença colonial
portuguesa: construídas para os europeus, as novas cidades são portos de escoamento de
produtos de exportação, são lugares de estabelecimento da administração colonial, o que as
diferenciam das cidades europeias resultantes da Revolução Industrial (Baia, 2009). Pois, para o
caso de Moçambique pode referir-se que:
Relativamente tarde, só depois da separação administrativa de Moçambique da Índia Portuguesa em
1752, foi introduzido o municipalismo português em sete povoações em 1762/64 (Inhambane, Sofala,
Sena, Tete, Quelimane, Moçambique e Ibo). Em 1818, a capital na Ilha de Moçambique foi elevada a
categoria de “cidade”. Tinha nessa altura cerca de 5000 habitantes. A maioria – era africana – mas as elites
eram imigrantes da europa e da Índia incluindo alguns dos seus descendentes locais.
(Serra, 200:23 apud Baia, 2009:11)

Ainda segundo Serra (2000:440), as cidades resultantes da implantação colonial portuguesa em


Moçambique foram caracterizadas pela coexistência de duas áreas: uma que albergava
população de origem europeia e asiática, com um traçado geométrico que indicava
preocupações com o planeamento urbano e; outra, não planeada e com infraestruturas
precárias, onde viviam africanos como mão-de-obra necessária para os trabalhos de construção
civil, para os carregamentos no porto, para os trabalhos domésticos.

Em Moçambique, o sistema de dominação colonial portuguesa organizou-se em cidades


construídas, na sua maioria, a partir de centros de serviços que mantinham uma estreita ligação
com a metrópole colonial. Grande parte das actuais cidades moçambicanas não só resultou de
antigos centros de negócios, mas também, e fundamentalmente, de concentrações de serviços
portuários. A função principal dos antigos centros de negócios era a exportação de matérias-
primas do interior de Moçambique e de outros países do hinterland para Portugal e outras
metrópoles europeias (Baia, 2009:12).

Depois da independência em 1975, Portugal deixou de influenciar, pelo menos de uma forma
directa, as políticas de desenvolvimento territorial do país. A adopção do modelo de
desenvolvimento socialista introduziu novas singularidades nas relações sociedade-espaço.
Deste modo, “o desenvolvimento urbano em Moçambique começou a ser determinado pela
primazia do político e a sua independência em relação à economia” (Baia, 2009:13).

Segundo Araújo:
Em Moçambique, as décadas de 70, 80 e 90 foram caracterizadas pela ocorrência de factores conjunturais
adversos (guerra colonial, guerra civil calamidades naturais) que alteraram o desenvolvimento normal da
distribuição da população a partir dos centros urbanos. Este fenómeno […] inverteu o sentido da expansão
urbana, com todas as consequências sociais, económicas e ambientais daí decorrentes. Isto sucedeu
porque os factores conjunturais referidos tornaram o meio rural extremamente repulsivo e os espaços
urbanos e urbanizados adquiriram valores atractivos.
(Araújo, 2003:168 apud Baia, 2009:15)

Ainda segundo Araújo (2003:169 apud Baia, 2009:15), outro factor que em África, em particular
em Moçambique, tem tido implicações directas no processo urbano é aquele que diferentes
autores designam por reclassificação urbana. Esta consiste no aumento, por decreto, da área
das cidades, alterando seus limites administrativos, com o argumento de que a cidade necessita
de novas áreas de expansão.

2.3.1. Os Sistemas de Planeamento em Moçambique


O actual sistema de planeamento moçambicano, procede do sistema de planeamento
português. A Política de Ordenamento do Território de 2007, que conduz o ordenamento
territorial do país, inspira-se na Lei de Bases da Política do Ordenamento do Território e do
Urbanismo português de 1998 (Sicola, 2014).

Em Moçambique independente, o sistema de planeamento urbano e territorial teve início na


década de oitenta, aquando da 1ª Reunião Nacional de Planeamento Urbano, em que foram
definidos os tipos de intervenções prioritárias necessárias as 12 cidades existentes no país (As
dez capitais provinciais mais as vilas de Nacala e Chócue) (Battino, 2000 apud Sicola, 2014).

Sob a direcção do Instituto Nacional de Planeamento Físico (INPF) previu-se a existência de três tipos de
planos: os planos de intervenções prioritárias, o plano de estrutura e os planos parciais de urbanização.
Foram elaborados guias de orientação para o uso dos terrenos urbanos bem como normas destinadas aos
técnicos e profissionais designados de “guião metodológico para os técnicos médios de planeamento
físico” cuja ênfase foi dado aos planos parciais de urbanização e as normas de uso de solo e
infraestruturas. Estes dois planos diferentes no tempo, no contexto e na escala.
(Battino, 2002 apud Sicola, 2014:4).

A Lei de Ordenamento do Território (Lei 19/2007, de 18 de Julho) é o principal instrumento que


rege o planeamento e o ordenamento do território em Moçambique. Esta lei veio clarificar o
sistema de planeamento Moçambicano e agregar um conjunto de leis anteriores tidas como
relevantes para o processo de planeamento moçambicano: Lei de Terras nº19/97 de Outubro;
Lei das Autarquias locais nº 2/97 de 18 de Fevereiro; Lei de Tutela Administrativa do Estado nº
7/97 de 31 de Maio; Lei de Finanças Autárquicas nº de 11/97 de 31 de Maio (Silva e Cabral,
1996 apud Banco Mundial, 2009).

A nível municipal há a considerar:


Os Planos de Estrutura Urbana (PE) - que estabelece a organização espacial da totalidade do território do
município ou povoação, os parâmetros e as normas para a sua utilização, tendo em conta a ocupação
actual, as infra-estruturas e os equipamentos sociais existentes e a implantar e a sua integração na
estrutura espacial regional;
Os Planos Gerais de Urbanização (PGU) e Planos Parciais de Urbanização (PPU) - que determinam a
estrutura e qualifica o solo urbano, tendo em consideração o equilíbrio entre os diversos usos e funções
urbanas, definem as redes de transporte, comunicações, energia e saneamento, os equipamentos sociais,
com especial atenção às zonas de ocupação espontânea como base sócio espacial para a elaboração do
plano;
Os Planos de Pormenor (PP), definem com pormenor a tipologia de ocupação de qualquer área específica
do centro urbano, estabelecendo a concepção do espaço urbano dispondo sobre usos do solo e condições
gerais de edificações, o traçado das vias de circulação, as características das redes de infra-estruturas e
serviços, quer para novas áreas ou para áreas existentes caracterizando as fachadas dos edifícios e
arranjos dos espaços livres…”(Decreto nº 23/2008 de 1 de Julho).
(Sicola, 2014:8).

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