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A DISSERTAÇÃO

Por que dissertar?
Ao se comunicar com alguém, por escrito, você poderá ter diferentes intenções. Se
você pretende formar na mente de seu leitor a imagem de um objeto, de um lugar ou
de uma pessoa, com suas características de forma, cor, luz, som etc. estará fazendo
uma descrição. Se você tiver a intenção de contar um ou mais acontecimentos reais
ou imaginários, envolvendo pessoas, fatos, lugares e um tempo determinado, estará
criando uma  narração. Mas, se você quiser expor idéias a respeito de um assunto,
analisando­as e descutindo­as, você estará redigindo uma dissertação. Ela tem como
finalidade examinar criticamente um assunto, propondo e defendendo um ponto de
vista. Essa defesa deverá fazer­se através de argumentação convincente. É o tipo de
redação que mais se cobra dos estudantes principalmente nos vestibulares.
Dificuldades da dissertação:  Exige­se de uma dissertação que, além da correção
gramatical,   ela   tenha   outras   qualidades,   como   originalidade,   clareza,   unidade   e
coerência.   Para   haver  originalidade  é   necessário   evitar­se   a   frase   feita,   o   lugar
comum, o clichê, as idéias vulgares. Quanto à clareza, é inimiga das frases ambíguas
ou  de  duplo,  sentido,  dos   períodos   longos,  dos   detalhes   desnecessários.  Por  fim,  a
unidade e a coerência dependem da ordem adequada em que se colocam as idéias,
e   da   relação   harmoniosa   entre   a   idéia   predominante   e   as   secundárias.   Devem­se
evitar as digressões, os desvios do assunto.

APRENDENDO A TER OPINIÃO

Um assunto que tem sido alvo de muitas discussões entre educadores e mesmo entre
parlamentares é o ensino religioso nas escolas públicas. Esse tipo de ensino já foi
obrigatório e passou a ser facultativo de acordo com a nova Constituição: 

Artigo 210
     
         1º   O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos
horários normais das escolas publicas de ensino fundamental.

Discussão oral
a) Você acha que a formação religiosa é importante para a sua cultura geral?
b) Deve haver nas escolas imposição  de uma religião predominante no país, no caso
do Brasil o catolicismo?
c) Na sua opinião, o povo brasileiro é, de um modo geral, bastante religioso?
d) Quais são as religiões que você conhece?
e) As religiões têm desenvolvido no homem uma preocupação com o bem­estar social
ou individual? Justifique.
f) O que você entende pela afirmação “A religião é o ópio do povo?”.” Você concorda?
g) Você já ouviu falar em sincretismo religioso? O que vem a ser isso?
h) Você concorda com obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas publicas? Por
quê?
Opinando
Depois de ter discutido amplamente o assunto, redija um ou dois parágrafos
posicionando­se diante da obrigatoriedade ou não do ensino religioso.
Para isso, leia os parágrafos que trazem a opinião de outras pessoas:
 
“As   religiões   são   importantes   como   cultura   geral.   Através   delas   podemos
entender   as   diferenças   entre   os   povos.   De   certa   maneira,   o   catolicismo   explica   o
Brasil; o budismo explica a china; o candomblé a África. Com esse enfoque, poderia
até ser matéria obrigatória“.
(Carla Camuratti, atriz)

“Não concordo, por que sempre é discriminatório. Tenho certeza de que quando
se fala em aula de religião pensa­se no catolicismo, mas na escola publica existem
crianças de todas as formações religiosas. A formação religiosa deve ser dada no lar”
(Roger, líder do Ultraje a Rigor)

“Deveria   ser   uma   disciplina   histórica,   não   para   manipular,   fazer   cabeças   e
colocar valores com dois pesos: certo/errado; pecado/não­pecado. As religiões têm uma
fundamentação  social   e  isso   deve  ser  ensinado   aos   jovens,   começando  no   segundo
grau, quando há mais capacidade de discernimento e possibilidade de desenvolver
espírito crítico“.
(Beth Goulart, atriz)

“É perda de tempo. A escola publica deve ensinar como sobreviver no Brasil.
Isso, sim, é necessário. Não que eu seja ateu, mas considero uma perda de tempo
incluir aulas de religião em qualquer escola”
(Agildo Ribeiro, humorista)

“Sou   a   favor,   desde   que   não   se   imponha   uma   religião.   É   importante   dar   a
entender às crianças que existem várias religiões, e passar informações sobre todas
elas, falando das respectivas históricas e culturas. Acho que se deve instigar a visão
critica do aluno. A fé cada um deve escolher por si“.
(Giulia Gam, atriz)

(Todas essas opiniões foram extraídas da revista nova Escola nº 22) 

O PARÁGRAFO DISSERTATIVO

Ao   produzirmos   um   texto,   costumamos   dividi­lo   em   parágrafos.   O   texto


dissertativo costuma ser composto por uma média de três ou quatro parágrafos: um
para introdução, um ou dois para o desenvolvimento e um para a conclusão. Esse
número,   no   entanto,   pode   sofrer   variações.   Pudemos   observar   também   que   uma
dissertação é desenvolvia a partir de uma idéia central. Veremos que um parágrafo
dissertativo   também   costuma   apresentar   a   mesma   estrutura,   ou   seja,   uma   idéia
central, o desenvolvimento dessa idéia e uma conclusão referente a ela.
Leia o seguinte parágrafo:
“A televisão brasileira presta culto à frivolidade. A sociedade desenha a nas
novelas é um convite à transgressão. A exaltação ao sucesso sem balizas  éticas, a
trivialização da violência e a apresentação de aberrações num clima de normalidade
têm   transformado   adolescentes   em   aspirantes   à   contravenção.   A   televisão   precisa
receber um choque de responsabilidade ética”

 Qual é a idéia central desse parágrafo?

A partir dessa idéia central, são apresentadas outras idéias que se relacionam
a   ela,   a   fim   de   reforçá­la,   explicá­la,   defendê­la,   enfim,   delimitala   melhor.   Essas
outras idéias constituem o desenvolvimento do parágrafo.
Observe os argumentos empregados nele:
1º ­ A sociedade desenhada nas novelas é um convite à transgressão.
2º ­ A exaltação do sucesso sem balizas éticas,   a trivilização da violência e a
apresentação   de   aberrações   num   clima   de   normalidade   têm   transformado
adolescentes em aspirantes à contravenção.
Em seguida, o parágrafo é concluído com a seguinte idéia:

A televisão precisa receber um choque de responsabilidade ética

         
Como   vimos,   o   parágrafo   dissertativo   é   desenvolvido   a   partir   de   uma   idéia
central (normalmente correspondendo à sua introdução), apresentando também um
desenvolvimento dessa idéia e uma conclusão referente a ela.

Exercícios
1 ­ Desenvolva os parágrafos de acordo com o tópico frasal:

a) A adolescência é difícil para pais e filhos...  
b) A televisão transforma, desfaz e cria hábito...

2   ­  Identifique   a   introdução,   o   desenvolvimento   e   a   conclusão   de   cada   um   dos


parágrafos apresentados a seguir.

A)  A  televisão,   embora   jovem,   é um   aparelho  que  atende  a   necessidades  humanas
muito antigas, que em outras épocas foram, bem ou mal, atendidas por outros meios.
Há   100   anos,   os   trabalhadores   e   as   trabalhadoras   satisfaziam   suas   fantasias   com
romances   populares,   vendido   aos   milhões   para   a   população   de   baixa   renda.   Esses
livretos apaixonavam as pessoas, faziam­nas sonhar, fabricavam, enfim, sensações de
ansiedade e prazer.
(Ciro Marcondes Filho. Televisão: a vida pelo vídeo. São Paulo, Moderna, 1988.)
B)  A importância que os  meios de comunicação de massa adquirem  na educação e
formação   de   opinião   pública   é   cada   dia   maior.   O   legislador   preocupado   com   essa
influência  na formação das crianças recomenda que as emissoras de rádio e televisão
somente   exibam   ao   público   infanto­juvenil   programas   com   finalidades   educativas,
artísticas, culturais e informativas (art.76 do Estatuto da Criança e do Adolescente).
Não   tem   sido   esse,   contudo,   o   conteúdo   dos   programas   de   televisão,   sobretudo   as
novelas e seriados, que têm abusado de temas que desconsideram tais recomendações.
(Siro   Darlam   de   Oliveira.   “Você   acha   que   as   novelas   prejudicam   a   formação   das
crianças?” In: Isto é, 04/06/1997)

C)  A   Fórmula   1   é   um   dos   esportes   mais   cultuados   atualmente   e   tem   muitos


seguidores.   Sua   competitividade   vem   crescendo   a   cada   temporada,   embora   tenha
perdido boa parte do seu charme. Afinal, quando de liga a televisão, o que se vê é um
monte de pilotos correndo atrás dos outros só para fazer valer o salário milionário que
recebem. Perdeu­se aquele glamour que havia em torno desse 22 pilotos concentrados
no mesmo objetivo: ser campeão.
(Thyagi Szöke Medeiros Carneiro, Instituto de Ensino santo Ivo. “A  Fórmula 1 perdeu
seu charme”. IN:Zap!/ O Estado de São Paulo, 20/11/1998.)

3 ­  O seguinte parágrafo foi propositalmente desordenado. Reescreva­o, ordenando­o
de acordo com a seguinte estrutura: introdução, desenvolvimento e conclusão.
Na verdade, para algumas pessoas, stress  simplesmente não existe, talvez porque a
percepção   dessas   pessoas     para   os   acontecimentos   cotidianos   seja   diferente   da   de
outras pessoas. Imagine uma situação em que você  está preso num engarrafamento:
para algumas pessoas isso é motivo para começar a se irritar, buzinar, gritar, enfim, se
descontrolar   totalmente.   Já   para   outras   pessoas,   essa   situação   é   facilmente
contornada, por exemplo lendo alguma coisa, ouvindo música, cantando, até mesmo
fazendo a barba!
Não importa o que você está fazendo, o que importa é que aquela situação vai passar
tranqüilamente e seu corpo vai agradecer por não colocá­lo em stress.
Muito se fala em  stress  hoje em dia. E não é para menos. Com tantas atividades e
responsabilidades nos cercando todos os dias, fica difícil não se sentir estressada.

A DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO E DO TEMA
A unidade, uma condição indispensável à redação, pode ser obtida expondo­se
uma idéia principal, que é, a predominante do texto, que  no caso é o assunto.
Ora   suponha   que   você   seja   solicitado   a   escrever   sobre   um   assunto   como   a
violência. Por ser tão atual, serão muitas e variadas as idéias que vão surgir na sua
cabeça, e você poderá ter dificuldades em organizar a sua dissertação, principalmente
se   o   tempo   for   controlado.   Sua   redação   provavelmente   acabará   contendo   apenas
idéias gerais sobre o assunto, porque ele é muito amplo. Como fazer então?
É preciso delimitar o assunto, isto  é, restringi­lo, escolhendo um só aspecto
para ser analisado. Ao delimitar o assunto, você estará escolhendo o tema da sua
redação.
Observe:
Assunto: Tema:

A violência no trânsito
A criança vítima da violência
Violência A crescente violência urbana
A violência contra o índio brasileiro
A   violência   gerada   pelo   tráfico   de
drogas
Etc.
   
Exercícios
1 ­ Ao sugerir três temas para um mesmo assunto, como Esporte, poderíamos pensar
em 1º o futebol brasileiro; 2º o esporte na formação da personalidade; 3º o esporte
como lazer. Faça o mesmo com os seguintes assuntos:
 Ecologia
 Preconceito
 Televisão

2 ­ O futebol brasileiro é uma delimitação possível para Esporte. Mas, se você pensar
na situação atual desse esporte, ou na relação do povo com ele, outros temas poderão
surgir. Tente encontrar pelo menos dois.

3­  a)Leia  os textos abaixo e delimite o assunto comum entre eles.
      b)Estabeleça o tema de cada um dos três textos.

Texto I ­Educação e cidadania
“Conhecer é poder”, disse o filósofo Hobbes.  E, de fato, só o homem dotado de
conhecimento e de consciência é que desenvolve as seguintes capacidades: não aceita
um   mundo   pronto   para   uso   e   consumo   e   está   sempre   em   defesa   de   um   eficiente
processo educacional.
O   indivíduo   que   conhece,   que   questiona,   não   aceita   um   mundo   de   “segunda
mão”.   Não   aceita   o   mundo   já   pensado   e   definido   por   outros.   Não   aceita   fórmulas
prontas e explicações dadas por certas ideologias sociais dominantes.   Se o brasileiro
dominasse mais o conhecimento, por exemplo, não aceitaria as disparidades sociais, a
proliferação dos miseráveis, o aumento da violência e da corrupção, a aglomeração de
crianças nas ruas, a falência do sistema de saúde e, principalmente do ensino público.
Assim,   não   aceitar   é   pensar   a   própria   realidade.   E   poder   pensar   é   sentir­se   mais
cidadão.
Uma sociedade que desenvolve a capacidade de pensar e de escolher o próprio
mundo é porque tem como prioridade a educação dos seus  cidadãos.  Poder escolher é
um   exercício   que   se   faz   diariamente   nos   bancos   das   escolas.     Exercício   em   que   a
principal regra é lutar contra a ignorância daqueles que nos querem manter passivos e
acuados na nossa própria angústia existencial.
Só o investimento na educação é que tira as pessoas da ignorância e fornece­lhes
o conhecimento e o direito de escolher a própria realidade e atuar sobre ela.   O país
que tem como prioridade a educação do seu povo favorece o crescimento existencial do
próprio homem e a formação de uma verdadeira cidadania.  Célia
Regina Cavícchia Vasconcelos

Texto II – Por que somos ignorantes
Não existem meninos de rua – o que existe de fato são meninos fora da escola.
E é justamente   a partir daí que se deve entender não apenas o massacre do Rio, o
marco na história da violência no Brasil, mas um de nossos principais gargalos ao
desenvolvimento: educação.
Por que não se investiu em educação básica?  Há várias explicações. E nenhuma
delas é dinheiro – já que sobravam recursos para usina nucleares, pontes, estradas,
etc.     Uma   delas,   porém,   é   medo.     Educação   significa   cidadania.   E   cidadania,
reivindicação.  Melhor, portanto, deixar o populacho na ignorância.
A ignorância não é privilégio da “esquerda” ou da “direita”.   Quantos líderes
sindicais   acompanham     os   debates   e   as   decisões   sobre   ensino,   freqüentando   as
comissões   no   Congresso   ou   o   Ministério   da   Educação?   Detalhe:     os   filhos   de
trabalhadores estudam (quando o fazem)  em escola pública.  Melhora­la é, portanto,
melhorar o nível de vida. Na sua alienação, preferem lutar basicamente por aumento
salarial, algo logo comido pela inflação. 
Peguem­se os dirigentes da toda­poderosa Fiesp.  Eles são capazes de dizer qual
a taxa de inflação há   dois anos. Mas se perguntarmos sobre qual a percentagem de
crianças que deixam a escola antes de concluir o primeiro grau, vão se sentir tão à
vontade como se dissertassem sobre a vida sexual dos macacos no Punjab, na Índia.
Só   alguns   empresários   sabem   a   verdadeira   relação   entre   ensino   básico   e   o
desenvolvimento econômico. E que trabalhador sem escola significa menos lucro.  Mas
daí à ação vai uma longuíssima distância.  Alguém consegue imaginar um presidente
da Fiesp pressionando o secretário da Educação ou ministro sobre como usar melhor as
verbas? Ou fazendo propostas concretas sobre como poderia haver um entrosamento
entre os setores público e privado para melhorar o ensino?
Vai demorar algum tempo, mas dirigentes empresariais e sindicais vão acabar
se   convencendo.     Até   porque   não   tem   jeito:   fora   da   escola   não   há   solução.     Há
assassinatos. Gilberto Dimenstein – Folha de São Paulo 

Texto III – Vai demorar
Todos sabemos que a parte mais importante de um prédio não são as paredes.
Tampouco é a cobertura.
A essência de uma obra é a fundação, um maciço de alvenaria que se enterra no
solo.  Se ela é mal feita, todo o resto será inconfiável.
A construção de um país sólido também depende de um bom alicerce.   Assim
como no prédio,  a base de uma nação não está à vista de todos.  Encontra­se enterrada
na cabeça de seus habitantes.  Refiro­me à educação.
Precisa ser consistente, sólida.   Do contrário, a grande nação não passará de
uma utopia. Ou voltando à nossa metáfora, não será um prédio de paredes rachadas e
sob risco de desmoronamento. 
No   Brasil,   desde   os   jesuítas   da   era   colonial,   a   educação   jamais   foi   uma
prioridade real. Nossa história, aliás, é marcada por uma espécie de culto à ignorância.
O acesso às letras costuma iluminar mentes. E uma sociedade vazada de luz
perde a aparência bovina.  Pensa, questiona, reivindica. 
Daí a preferência pela manutenção do modelo das trevas. Ora por descaso, ora
para obter mão de obra barata, ora para manter invisíveis os desvios do regime, ora
para pôr antolhos no eleitorado.
Professor, Fernando Henrique disse outro dia que 1996 será o ano da educação.
Bom, muito bom, ótimo. Nunca é tarde para começar.   Mas é bom que se diga: vai
demorar até que tenhamos níveis aceitáveis de educação.
Mencione­se,  por  eloqüente,  o exemplo do Japão. Os  japoneses  lançaram  as
bases de seu desenvolvimento há 136 anos (1860), com a revolução educacional Meiji.
Eliminaram­se, já naquela ocasião, os maiores focos de analfabetismo.
Nosso   atraso   impõe   uma   dificuldade   adicional.     Para   recuperar   o   terreno,
precisamos   reforçar   o   alicerce   sem   pôr   a   casa   abaixo.   É   como   calçar   sapatos   sem
desgrudar do chão a planta dos pés.
Se Fernando Henrique cumprir a palavra, talvez  comecemos a notar alguma
diferença dentro de 20, talvez, 30 anos. E o Brasil de nossos tataranetos pode ter uma
edificação segura. Se o presidente ficar na retórica...
Josias de Souza – Folha de São Paulo 

4 ­   Escolha um dos quatros temas abaixo e escreva uma dissertação entre 25 e 35
linhas. Você pode­se apoiar nas idéias dos textos lidos.
Obs.: Lembre­se de que o texto deverá ter um parágrafo para introdução, dois ou três,
para desenvolvimento e 1 para conclusão.
a) Para ser cidadão é necessário ter educação.
b) A   necessidade   do   investimento   no   processo   educacional   no
Brasil.
c) A educação é o prefácio da vida (Guizot).
d) Educação e cidadania

A ESTRUTURA DO TEXTO DISSERTATIVO

O texto dissertativo caracteriza­se por apresentar a exposição de uma idéia, um
conceito   ou   um   ponto   de   vista   sobre   um   determinado   assunto.   Além     disso,   é
desenvolvido   a partir de uma idéia central, sendo baseado em argumentos lógicos.
Para fundamentar a idéia central, o autor pode utilizar em sua argumentação recursos
diversos, como exemplos, comparações, dados estatísticos.    Na conclusão desse tipo de
texto, são sintetizadas as idéias desenvolvidas nos parágrafos  anteriores e confirmada
a idéia central.
A   argumentação   é   um   recurso   bastante   empregado   em   textos   dissertativos,
como um elemento fundamental em sua elaboração. Esse tipo de texto é organizado em
três momentos principais: 
●  introdução – na introdução é apresentada a idéia central do texto. A partir dessa
idéia   principal,   as   outras   idéias   e   os   demais   parágrafos   são   desenvolvidos,   com   o
objetivo de fundamentá­la, explicá­la   ou prova­la. A introdução deve apresentar de
maneira   clara   o   assunto   a   ser   tratado,   sendo   geralmente   feita   em   apenas   um
parágrafo.
●desenvolvimento – o desenvolvimento contém os argumentos que fundamentam e
comprovam   a   idéia   central.   Ele   deve   ser   bem   organizado   e   coerente   com   a   idéia
exposta na introdução, seguindo uma linha de raciocínio. Nessa parte do texto, o autor
estará construindo a sua defesa, o seu ponto de vista sobre o problema em questão.
Normalmente, cada argumento  é desenvolvido em um parágrafo e pode ser apoiado
com exemplos, citações, dados estatísticos, comparações e outras informações.
●conclusão   –  a   conclusão   é   a   parte   final   do   texto,   a   síntese   do   que   foi   dito   na
introdução   e   no   desenvolvimento.   Ela   reforça   o     ponto   de   vista   do   autor   sobre     o
assunto, podendo trazer propostas de ação, apresentar uma solução para o problema
em   questão,   confirmar   a   idéia   central,   etc.   Essa   parte   do   texto   deve   ser,
preferencialmente, constituída de um parágrafo.

Leia a seguir um texto dissertativo que trata de uma questão relacionada ao tema
tabagismo. Ele foi produzido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Ao lado dele,
apresentamos   algumas   explicações   de   como   o   texto   foi   estruturado.   Verifique,
portanto, a importância dos argumentos em sua elaboração. 

Uma sociedade sem fumo
      Pelo potencial nocivo que encerra, por sua 1º parágrafo 
      Introdução      

disseminação   universal   em   todos   os O   autor   lança   a   idéia   de   que   “o


segmentos   da   sociedade,   o   tabagismo tabagismo   configura   uma   das
configura umas das mais perniciosas formas mais   perniciosas   formas   de
de toxicomania. Por isso é difícil entender que toxicomania”.   A   essa   idéia,   que
venha   sendo   tão   amplamente   divulgado   e será   desenvolvida   ao   longo   do
utilizado, com o aval da sociedade. texto,chamamos   de  idéia
central.
                             
                 Desenvolvimento          A experiência  da Lei  Seca nos  Estados 2º parágrafo
Unidos, e até  mesmo os  escassos  resultados             Valendo­se   de   uma
que se verificam com a repressão policial ao experiência   ocorrida   em   um
comércio   e   ao   consumo   de   drogas outro   país,   o   autor   argumenta
alucinógenas,   nos   mostram   que   a   proibição que proibir não é o caminho para
não é o caminho.  É preciso que a sociedade eliminação de em problema. 
possa   repudiar   o   fuma   e   configura­lo   como
um ato anti­social.
      Toda e qualquer forma de publicidade do 3º parágrafo
fumo   deve   ser   rigorosamente   ser   proibida.            Nesse parágrafo, o autor é
Não   basta   inserir,   em   letras   microscópicas, categórico  ao argumentar que a
que   o   fumo   é   nocivo   à   saúde     nas   vistosas publicidade do fumo deveria ser
propaganda   veiculadas   nas   páginas   de expressamente proibida.
revistas  ou nos outdorrs, ou exibi­las poucos
segundos   após   artificiosos   comerciais   na
televisão.
            No   plano   individual,   há   que   se 4º parágrafo
conscientizar   os   “fazedores   de   opinião”,             Segundo   o   autor,
principalmente os médicos, da importância do determinados   profissionais   são
seu papel. Não apenas como exemplo, tantas essenciais   para   a   conscientização
vezes   negligenciado,   mas   pela   ação   e   pela da população.
autoridade de sua palavras.
            O   surgimento   de   medicamentos   que 5º parágrafo
              Conclusão               

substituem   a   nicotina   parede   constituir,   e,         No último parágrafo, o autor


pacientes   devidamente   orientados, aponta   o   surgimento   dos
importante e eficaz instrumento à disposição medicamentos   que   substituem   a
do   médico   para   auxiliar   na   erradicação   do nicotina   como   um   importante
fuma   pra   que   possamos,   no   ano   2000, ajuda   e   finaliza   reafirmando   seu
comemorar a  meta  de  Organização Mundial objetivo maior, retomando o título
da Saúde: uma sociedade sem fumo. do texto. 

  http://www.cardiol.br/fumo.htm, 17/06/1999

Proposta para a escrita de uma dissertação:
Como já foi dito o texto dissertativo além de servir para demonstrar o nosso
ponto de vista sobre determinado assunto, serve também para expormos um problema,
mostrando os fatores que desencadeiam   esse problema, quais são as conseqüências
decorrentes dele e de que maneira é possível resolve­lo.
Sendo   assim,   para   melhor   escrevermos   é   necessário   que   tenhamos   idéia   das
causas e conseqüências de alguns problemas de nossa sociedade. Falaremos a seguir
de um grave problema social: o desemprego. 
Para isso observemos o quadro abaixo:

Causas Conseqüências
▪Crescimento   populacional   maior   que   o ▪   Lesão   dos   direitos   humanos   (direito   à
crescimento econômico alimentação, moradia, lazer, saúde, etc)
▪   Crise   econômica   interna   não   atrai   os ▪   Queda   da   qualidade   de   vida   da
investidores de capital estrangeiro população
▪   Máquinas   substituem   a   mão­de­obra ▪ Aumento de subempregos
humana  com o progresso industrial ▪ Aumento da pobreza da população
▪   Má   distribuição   dos   recursos ▪   Crescimento   da   criminalidade   e   da
econômicos violência
▪   Exploração   ineficiente   dos   recursos ▪ Famílias desestruturadas
naturais do país ▪   Aumento   de   doenças   como   infarto,
▪ Ausência de alternativas de trabalho estresse e depressão
▪ Crise econômica mundial ▪   Jovens   deixam   o   estudo   para   procurar
▪   Falta   de   atualização,   informação   e trabalho e assim ajudar na renda familiar.
formação   dos   oferecedores   de   mão­de­
obra
Possíveis soluções para o desemprego:
 O governo precisa lanças um plano econômico que viabilize a criação de empregos
 É preciso que haja um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis  do país  como
o turismo, a agricultura, a piscicultura
 A criação de cooperativas de trabalho  pode ser uma boa alternativa para contornar a
crise 
Com todas essas idéias levantadas o próximo passo é   elaborar a idéia
central, que deve se basear no seu tema. Segue abaixo uma sugestão que poderá ser
trabalhada por você.  
Assunto: Desemprego
Tema:  As causas e as conseqüências do desemprego
Título: _________________________________________
Idéia central: (grifada abaixo)

O   mundo   mudou.   A   vida   mudou.   E,   com   essas   mudanças,  surge   um   dos


maiores flagelos da sociedade  moderna: o desemprego. 

Oservação: 
1 – Seu texto deverá ter entre 20 e 30 linhas.
2 – Evite usar expressões do tipo  “eu acho”, “eu penso”, etc.
3­ Procures distribuir de maneira adequada o seu texto na folha de papel, deixando
espaço para parágrafo e ocupando toda a linha. 
4 – Preste atenção à estrutura de seu texto, para que ele tenha início, meio e fim. 

O OBJETIVO DO TEXTO 

Para conseguir a unidade do texto, você já sabe que deve em primeiro lugar
delimitar o assunto, escolhendo um tema ou idéia dominante e, em seguida, colocar
um problema.
Agora   você   verá   como   explicitando   o   objetivo   do   texto   ficará   mais   fácil
desenvolver e concluir a dissertação.
O objetivo é a posição que você assumirá diante do problema levantado. É o
ponto   a   que   você   quer   chegar.   Para   consegui­lo,   você   selecionará   idéias   que   irá
defender,   bem   como   organizará   dados   que   valerão   como   provas   do   que   quer
demonstrar.
Observe:

“Nada mais compreensível e elogiável do que o governador, com o intuito de
preservar a autoridade de seu governo, recorrer à ação enérgica da polícia, quando a
ordem pública se vê ameaçada.  Nada, porém, mais lamentável do que transformar,
graças   à   truculência,   e   ao   despreparo   policial,   uma   manifestação   pacífica   em
espetáculo de agressões e violências gratuitas“.
(...)
“Conflitos entre policiais e manifestantes são rotineiras mesmo em sociedades 
democráticas desenvolvidas. Há, contudo, que se exigir da polícia, no Brasil, um 
mínimo de discernimento, para que não transforme qualquer missão em batalha 
campal“.

Nos trechos acima, correspondentes á introdução e à conclusão de um texto 
podemos encontrar expresso o objetivo desse texto: “mostrar que a polícia no Brasil 
tem que ser mais criteriosa quanto ao uso da violência“.
Exercício

1 ­ Proponha um objetivo para os temas abaixo:

a) A leitura entre os jovens.
b) Os conflitos pela posse de terra no Brasil.
c) A necessidade de educação sexual na escola.

2 ­ Estabeleça um objetivo para o seguinte tema  “As graves conseqüências da gravidez
na adolescência” e em seguida leia os trechos abaixo para escrever sua dissertação. Ela
deverá ter entre 25 e 35 linhas e você deverá observar a estética  do seu texto na folha.

1 –“ Antes de ficar grávida,   pensava em estudar. Não quer dizer que eu parei de
pensar assim. (...) Mas tem que pensar de uma forma diferente, agora tem que pensar
mais nele (filho), pensar no que vai ser para ele, pensar menos em mim.” 

2  –  “No  ano   passado   foram   realizados   689   mil   partos   de   adolescentes   no  Brasil,   o
equivalente a 30% do total. O número é um golpe contra as várias iniciativas voltadas
para a prevenção da gravidez na adolescência.”

3   ­   “Cerca   de   20%   das   crianças   que   nascem   a   cada   ano   no   Brasil   são   filhas   de
adolescentes. Comparado à década de 70, três vezes mais garotas com menos de 15
anos   engravidam   hoje   em   dia.   A   maioria   não   tem   condições   financeiras   nem
emocionais para assumir essa maternidade. Acontece em todas as classes sociais mas
a incidência é maior e mais grave em populações mais carentes. O rigor religioso e os
tabus morais internos à família, a ausência de alternativas de lazer e de orientação
sexual   específica   contribuem   para   aumentar   o   problema.   Por   causa   da   repressão
familiar, algumas adolescentes grávidas fogem de casa. Quase todas abandonam os
estudos.   Com   isso,   interrompem   seu   processo   de   socialização   e   abrem   mão   de   sua
cidadania.   Psicólogos,   assistentes   sociais,   médicos   e   pedagogos   concordam   que   a
liberalização da sexualidade, a desinformação sobre o tema, a desagregação familiar, a
urbanização acelerada, as precariedades das condições de vida e a influência dos meios
de comunicação são os maiores responsáveis pelo aumento do número de adolescentes
grávidas. “

3 ­   “Os números são assustadores: por ano, são mais de 600.000 (seiscentos mil!!)
partos   de   adolescentes   no   Brasil;   por   ano,   são   feitos   algo   em   torno   de   500.000
(quinhentos mil!!) abortamentos no Brasil, todos clandestinos e ilegais, uma vez que
nossa legislação os proíbe. Com isso, podemos estimar que 1.100.000 (um milhão e cem
mil!!)   adolescentes   engravidam   por   ano   no   Brasil.   Pensando   relativamente,   a
expectativa é de que uma em cada 17 adolescentes engravide nos próximos meses. Não
é de espantar? Como se isso fosse pouco, veja os dados da OMS:"O Brasil, segundo a
Organização Mundial de Saúde, é o país onde mais se pratica aborto (10% dos abortos
mundiais), sendo que para cada criança que nasce, duas são abortadas. São 13.090
abortos por dia, 570 por hora, 0,5 por minuto. Como conseqüência do aborto praticado
por parteiras e curiosas, ou por médicos em lugares sem a mínima condição de higiene,
são muitos os casos em que a mulher sofre seqüelas graves."

4 – “A mulher adolescente, ao se descobrir grávida, se vê diante de três caminhos: o
abortamento, o casamento forçado ou ser mãe solteira.    Dá para imaginar como deve
ser   ruim   estar   diante   dessa   dúvida?  
Mas, se é assim tão ruim, por que será que tantas mulheres jovens passam por esse
problema   a   cada   ano   no   Brasil?   Os   estudiosos   têm   diversas   respostas   para   esta
pergunta,   das   quais   quero   destacar   duas,   que   me   parecem   as   mais   importantes.
Uma das causas de termos tantas gestações inoportunas em nosso meio é a falta de
um trabalho regular de orientação sexual nas escolas. O que se percebe é que, de uma
maneira geral, os jovens e as jovens têm uma informação razoável sobre os métodos
contraceptivos (métodos para evitar gravidez), pois a mídia tem divulgado bastante
esses métodos. Mas apenas a informação não basta, estão aí os números que já citei
para   provar.   Falta   um   trabalho   que   propicie   aos   jovens   um   conhecimento   mais
abrangente de tais métodos de contracepção e que também lhes propicie transformar
essas   informações   que   têm   em   conhecimento.   A   diferença   entre   informação   e
conhecimento é a seguinte: o conhecimento é a informação da qual me aproprio, que
torno minha. Por exemplo, uma coisa é eu saber que alguém pode engravidar (isso é
informação), outra coisa é eu saber que eu (ou minha namorada) posso engravidar
(isso   é   conhecimento).   Deu   para   entender?   Digo   de   outra   forma:   os   casais
adolescentes que engravidam até sabem que transar pode gerar gravidez, mas não
acreditam   que   isso   possa   acontecer   com   eles.Aí,   dançam.   Outra   das   causas   da
gravidez   inoportuna   é   a   falta   de   diálogo   em   casa.   De   uma   forma   geral,   casais
adolescentes que engravidam vêm de famílias onde a sexualidade é tabu, assunto no
qual não se toca, um grave erro de grande parte das famílias brasileiras. Por não
terem com quem dialogar sobre a própria sexualidade, os jovens acabam por fazer uso
inadequado   da   sexualidade   recém­descoberta.   Precisamos   incentivar   os   pais   a
conversarem mais sobre esse tema!

5 ­ Dados sobre a Gravidez na Adolescência:

 18% das adolescentes de 15 a 19 anos já haviam ficado grávidas alguma
vez. 

 Uma em três mulheres de 19 anos já são mães ou estão grávidas do 1º
filho. 

 Uma em dez mulheres de 15 a 19 anos já tinham 2 filhos. 

 49,1% destes filhos foram indesejados. 

 54% das adolescentes sem escolaridade já haviam ficado grávidas. 

6   –   “  Os   problemas   Sociais     vividos   pelas   adolescentes   grávidas   são   muitos:  


Marginalização   pessoal,    Rejeição   familiar,     Preconceito   da   sociedade,   Abandono
escolar,   Menores   chances   de   qualificação   profissional,   Dependência   econômica   da
família ou do pai da criança,. Casamento precoce. A tolerância social à gravidez fora do
matrimônio   varia   de   uma   cultura   para   outra.   As   meninas   mães   enfrentam   uma
realidade que as supera e por isso navegam na desorientação e na angústia do futuro
incerto.   Tudo     isso   se   agrava   quando   se   trata   de   mães   solteiras   pobres,   que   não
encontram aceitação na comunidade e muitas vezes, tão pouco, em sua própria família.
A maternidade precoce implica no abandono de estudos, no distanciamento do grupo
de amigos e do estilo de vida natural para a idade. Todas estas questões conduzem a
um     processo depressivo,  ao  isolamento,  a   sentimentos   de  desproteção e  abandono.
Nestes adolescentes, se observa,  baixa escolaridade ou abandono escolar, baixa auto­
estima,   submissão,   poucas   oportunidades   educativas   e   de   emprego,   ou   atividade
produtivas excessivas e mal remuneradas. Estes jovens se caracterizam, portanto, por
situar­se em um grupo de alto risco quanto a sua saúde mental, pois se encontram com
fortes carências afetivas familiares. O ciclo tende a repetir­se, já que estes jovens, em
sua   maioria,   são   filhos   de   mães   adolescentes   e   muitas   vezes   foram   filhos
abandonados.”

7   ­   Eu,   Grávida?   Era   uma   vez   um   bebê   que   nasceu   todo   sorridente,   manhoso,
faminto... A família estava em êxtase, era a garotinha mais linda que já tinham visto!
Encheram­na de mimos, procuraram sempre o melhor para ela, embora muitas vezes
ela   não   concordasse   que   isso   fosse   realmente   o   melhor!   Tinham   sonhos   para   essa
garotinha,   viam­na   cheia   de   glórias,   famosa,   bem   sucedida,   de   dar   orgulho   para   a
família e inveja para os vizinhos. A garotinha cresceu, foi à escola e conheceu outras
garotinhas   e  garotinhos.   Aprendeu  muitas   coisas,  umas   boas,   outras   ruins.   Entrou
naquela fase em que as garotinhas se tornam mulheres, mas então algo inesperado (ou
esperado) acontece, muda a sua vida e a faz balançar sobre os eixos. Para a família foi
um choque, algo que nunca foi planejado e muito menos sonhado. Mas que agora faz
parte da sua realidade. A garotinha está confusa, cheia de amor, ódio, alegria, tristeza,
sonhos e pesadelos, está perdida em seus próprios pensamentos e ações. O que me
levou até aqui? Será que eu quis isso? Foi força do destino ou um descuido meu? O que
é que eu faço agora?

Estabeleça um objetivo para o seguinte tema  “As graves conseqüências da gravidez na
adolescência” e em seguida leia os trechos abaixo para escrever sua dissertação. Ela
deverá ter entre 25 e 35 linhas e você deverá observar a estética  do seu texto na folha.

Outras propostas
A corrupção na política brasileira
“A qualidade dos homens públicos é tão ruim, e eles se encontram tão distanciados de
suas responsabilidades, que, em benefício do particular, eles respondem com anistias
e legalizações das práticas condenadas. O Congresso vai dessa forma se tornando de
fácil   acesso   a   quadrilhas   de   toda   natureza,   que   lá   chegando   providenciarão   a
legalização ostensiva ou a impunidade dissimulada de seus negócios“.

Antonio B. Santos, Painel do leitor, Folha de S. Paulo, 12/9/95

“(...) Talvez a figura do intelectual da classe média crie identificações que não existem
quando o caso é ali na esquina, com o sujeito que apanha da polícia, é enfiado num
camburão, não sabe o que  é advogado, não tem direito a falar ou calar e não faz a
menor idéia do que seja ter um milhão e setecentos mil dólares num banco fora do
país.   [quantia   relativa   a   uma   suposta   conta   bancária   do   ex­presidente   do   Banco
Central, Francisco Lopes]”.

 Marcos Augusto Gonçalves, Folha de S. Paulo, 2/5/99

“A sociedade  cobra,  exige  ética  na política e na  administração  pública, mobiliza­se,


mas não consegue fazer valer, de fato, a punibilidade, que leve os delinqüentes a pagar
na proporção da lesão que perpetraram ao patrimônio coletivo. O dinheiro subtraído do
erário é como se fosse de ninguém, porque não há os que, nas instituições do Estado, se
empenhem decididamente para recuperá­lo“.

O Estado de S. Paulo, 27/6/93

“(...) O canalha sai na Caras. O honesto ninguém vê. O canalha alegra nossa vida com
a exibição de suas riquezas: o paletó de comodoro com o escudinho, as amantes de
Chanel,   a   Mercedes   com   cascatinha   e   jacaré...   Já   o   honesto   não   é   respeitado   nem
dentro da própria casa; é visto com rancor pela própria mulher, invejosa das peruas
ricas dos corruptos: Você não é honesto, não; você é bobo! Nós vamos acabar na rua da
amargura... ­­ esganiça­se a mulher. Diante do canalha, perdemos o ar, olhando seu
descaro luminoso, sua “revolução” ética: Meu Deus, em que desvão morais este homem
andou,   em   que   maravilhosos   mundos   do   mal...”.   E   o   canalha   percebe   nosso
encantamento e faz perfil de medalha.”
Arnaldo Jabor, Folha de S. Paulo, 27/4/99

“Claro que não é possível ter uma administração absolutamente sem corrupção, mas é
possível   diminuir   essa   corrupção.   (...)   O   partido   não   fiscaliza   seus   membros.   Ao
contrário,   boa   parte  desses   partidos,  no  momento em   que  um   dos   seus  membros   é
ameaçado   por   uma   punição,   corre   em   socorro,   num   espírito   de   corporação
inadmissível.”

Samir Achôa, ex­deputado federal, Folha de S. Paulo, 21/4/99

“(...) E ai o FHC disse que nomeou o Chico Lopes porque ”quem não tem cão caça com
gato”. E aí uma agência de publicidade na Gabriel Monteiro da Silva estendeu a faixa:
Quem não tem cão caça com gato. Mas não precisa ser gatuno, né, presidente?” 

José Simão, Folha de S. Paulo, 3/5/99

“Concordo   que   a   corrupção   está   ligada   ao   poder,   à   formação   cultural,   à   postura


política, à impunidade e à falta de mecanismo de combate a ela. Mas penso também
em  um  aspecto  educacional. As pessoas que praticam  atos  de  corrupção, desde um
pequeno contínuo de uma prefeitura até o presidente da república, não são educadas
para ficar com vergonha de seus atos.”

Naief Saad Neto, delegado, Folha d e S. Paulo, 21/4/99  

“A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade  é uma coisa muito
nossa.”

Jô Soares

“(...) Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eriteu a conquistar a
índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os
pescadores, repreendeu­o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que
não era medroso nem lerdo, respondeu assim: Basta, senhor, que eu porque roubo em
uma barca sou ladrão, e vós porque roubais em uma armada, sois imperador? Assim é.
O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os
piratas, o roubar com muito os Alexandres.”

Padre Antônio Vieira, Sermão de Bom Ladrão

“A corrupção é um fenômeno sociológico, não é só uma questão de comportamento e
hábito. O mal corrupção é o poder, o poder é que induz à corrupção, principalmente o
poder político. Quanto mais a pessoa for encantada e obcecada pelo poder, maior essa
tentação de corrupção.”
Miguel Colasuonno, vereador, Folha de S. Paulo, 21/4/99  

“Não é possível ter uma administração pública sem corrupção, mas  é possível uma
administração   pública   com   menos   corrupção.   Nosso   drama   no   Brasil   é   que,
infelizmente, o mundo político ainda é um mundo de negócios, vai­se para a política
pra ficar rico.”

Francisco Whitaker, ex­vereador, Folha de S.Paulo, 21/4/99

Tema da Dissertação: Corrupção no Brasil
01. Leia os textos de apoio e procure fazer uma associação entre eles, isto é: tentar
retirar de cada fragmento a idéia central que está sendo desenvolvida em torno do
tema.
02. Tente também traçar algumas abordagens em seu texto, divididas, devidamente,
em parágrafos.
03. Entre as idéias com as quais trabalhavam os textos de apoio podemos citar:
 O modo como a sociedade se posiciona ou “reage” diante da corrupção
 O ingresso na vida política como um meio de enriquecer (O que faz com que
fiquemos incrédulos em relação aos homens públicos) 
 A   corrupção   estendida  não   só  ao   cenário   político,   envolvendo,   portanto,   o
“cidadão normal”
 A questão da impunidade, principalmente se considerarmos pessoas que estão
ligadas ao poder
 A corrupção  como um “fenômeno” social
 A corrupção relacionada ao comportamento individual, atingindo valores como
ética e moral

Obs:  Evite   o   tom   agressivo   ou   radical   do   tema,   bem   como   a   citação   de   nomes
específicos. 

OITO MEDIDAS PARA DIMINUIR A CORRUPÇÃO JÁ

PROBLEMA TESE DO PROBLEMA SOLUÇÃO


FISIOLOGIS­ No Brasil, só o Executivo  Cortar o número de cargos 
MO dispõe de mais de 20 000  em comissão pela metade. 
dos chamados cargos de  Especialistas afirmam que a
confiança ­ raios de  iniciativa não diminuiria 
corrupção que trazem para em nada  eficiência da 
dentro da máquina  máquina pública. Nos 
administrativa pessoas  Estados Unidos, esses 
mais comprometidas com  cargos não passam de 2 000
seus padrinhos políticos do
que com a função
LICITAÇÕES Estudo feito pela  Adotar o pregão eletrônico. 
FRAUDULEN­ Transparência  A licitação via internet é o 
TAS Internacional aponta que  melhor meio de conferir 
no Brasil, metade das  transparência ao processo. 
empresas que participam  Nos estados em que já é 
de licitações públicas  adotado, o pregão diminui 
recebe pedidos de propina em  20% o preço praticado 
nas licitações. No governo 
federal, representaria uma 
economia de 2,6 bilhões de 
reais ao ano
FALTA DE  Estima­se que 20% dos  Dobrar o número de fiscais. 
FISCALIZA­ÇÃO recursos transferidos da  Auditoria feita pela 
União para os municípios  Controladoria Geral da 
vão parar nas mãos dos  União em 741 prefeituras 
corruptos. Isso representa  encontrou irregularidades 
uma perda de 18 bilhões  em 90% delas. No entanto, a
de reais de dinheiro  CGU só conseguiu fiscalizar
público 5% do total do dinheiro que 
a União destina aos 
municípios. 
IMPUNIDADE Apesar do aumento do  Diminuir o número de 
número de prisões feitas  recursos cabíveis em um 
pela Polícia Federal, entre processo. Hoje, os advogados
1996 e 2004 os tribunais  dispõem  de até 21 
brasileiros registraram  instrumentos diferentes, 
uma única condenação, em entre agravos e embargos, 
última instância, pelo  capazes de postergar 
crime de lavagem de  decisões judiciais ­­ em 
dinheiro  alguns casos, por mais de 
uma década   
NEPOTISMO  Um em cada quatro  Proibir a contratação de 
deputados federais tem, ao familiares para cargos de 
menos, um parente  confiança. Parentes no 
empregado na Câmara ­­  serviço público, só se for 
prática assumida  concordado.
abertamente. O próprio  Os concursos públicos são o 
presidente da Câmara,  melhor filtro para 
Severino Cavalcanti,  diferençar os competentes 
emprega em seu gabinete  dos simplesmente 
a filha e a neta apadrinhados
FINANCIA­ Hoje, um candidato a  Um fundo público passaria 
MENTO DE  cargo eletivo pode ter até  a financiar as eleições. Cada
CAMPANHA  100% de sua campanha  partido receberia uma cota 
financiada por uma única  proporcional ao seu número 
empresa ­­ o que o torna  de votos, assim como ocorre 
refém de interesses  em países europeus, como a 
privados Alemanha

FUNCIONÁ­RIO Pela lei, servidores  Criar uma lei que 


PÚBLICO  envolvidos em denúncias  estabeleça o rito 
CORRUPTO de corrupção permanecem  sumaríssimo (julgamento 
na função até que sejam  que ocorre em velocidade 
julgados e condenados.  maior que a normal) nos 
Esse processo pode levar  processos de corrupção 
anos, período em que o  envolvendo funcionários 
corrupto continua  públicos 
dilapidando os cofres 
públicos 
ADITIVOS  Criados para atender a  Acabar com a praga, 
CONTRA­TUAIS situações especiais os  eliminando a possibilidade 
aditivos, valores  de alterar os valores 
acrescentados ao contrato  originais dos contratos
original firmado entre as 
empresas e o  poder 
público, tornaram­se uma 
forma de burlar a Lei de 
Licitações 

Chega de abafa
Tales Alvarenga
Lula não tem outra escolha. Ou limpa a imagem de seu governo com o auxílio
de quantas CPIs forem necessárias, ou pode desistir de chegar ao fim do mandato
como um presidente íntegro. O essencial, do ponto de vista ético, é ser honesto e não
apenas parecer  honesto.  Do ponto  de vista  político, no entanto, parecer honesto  é
suficiente. O governo petista pode ser honesto, mas não parece.
A continuar o jogo de acobertamento, no qual o governo tenta esconder a lama
com guardanapos de papel, pode­se prever que reapareçam as multidões de “caras­
pintadas” exigindo a apuração das denúncias que o governo insiste em abafar. Se o
Planalto e o   Congresso querem evitar essa desmoralização, que tratem de fazer a
faxina por conta própria. Ainda há tempo e a oportunidade é boa, não apenas para
devolver  credibilidade  ao governo   Lula  como  também   para   reformar  e  reforçar  as
instituições do Executivo e do Congresso.
O governo petista perdeu o prumo moral pela primeira vez quando o assessor
palaciano   Waldomiro   Diniz,   braço­direito   do   ministro   José   Dirceu,   foi   flagrado
pedindo propina a um explorador do jogo. Esse caso foi abafado. Vieram as recentes
denúncias   sobre   corrupção     nos   Correios   e   no   Instituto   de   Resseguros   do   Brasil.
Diante do risco de uma CPI, o governo começou a liberar verbas para deputados, em
troca do abafamento número 2. Finalmente, explodiu a acusação feita pelo deputado
Roberto Jefferson, do PTB, à Folha de S. Paulo ­­ e, agora, é inimaginável promover o
abafa número 3.
Segundo   Jefferson,   desta   vez   estaria   envolvido   o   tesoureiro   do   PT,   Delúbio
Soares, braço­direito de toda a cúpula do governo. Delúbio arrecada e paga. Segundo
Jefferson, ele estava dando 30 000 reais a cada deputado que aceitasse votar a favor
dos projetos do governo.
Entre   os   políticos,   a   ética   é   um   instrumento   maleável.   Tomar   dinheiro   de
empresários e banqueiros antes de eleição é um ato tido como moralmente aceitável,
embora seja de fato um primeiro passo para   a corrupção. O PT e o governo Lula
estão fazendo muito mais do que isso. Então dando uma mesada aos deputados para
monitorar   seus   votos.   Essa   denúncia   não   está   apenas   na   entrevista   do   deputado
Roberto Jefferson. Foi feita diretamente a Lula pelo governador Marconi Perillo, de
Goiás, é reforçada por depoimento do deputado petista Miro Teixeira e pelo prefeito
do Rio de Janeiro, Cesar Maia. Está escorada ainda numa reportagem do Jornal do
Brasil de setembro de 2004. A matéria do jornal foi abafada no Congresso.
Não há provas de que a história da propina de Delúbio seja verdadeira. As
denúncias e os indícios são, porém, avassaladores. Lula estava informando. Ministros
do   governo   também.   A   coisa   era   abertamente   comentada   em   Brasília.   Metido   na
roubalheira nos Correios, o deputado Roberto Jefferson deixou claro que se fosse para
o   banco   da   CPI   levaria   junto   para   o   cadafalso   o   ministro   José   Dirceu   e   os
“operadores” do PT Delúbio Soares e Silvio Pereira. Mas claro, impossível. Jefferson
pode estar mentido. Mas, a esta altura, é melhor apurar do que abafar mais uma vez.
O Brasil se cansou de tanto abafa.      
   Revista Veja 15/06/05

A PROBLEMÁTICA DA VIOLÊNCIA
1   ­           A   questão   da   violência   e   as   violações   dos   direitos   humanos   no   Brasil,
especialmente as que atingem a vida e a integridade física dos indivíduos, têm sido
amplamente divulgadas na sociedade em geral, aparecendo com bastante  ênfase nos
meios   de   comunicação   de   massa   e,   segundo   as   pesquisas   de   opinião   pública,
constituem­se em uma das maiores preocupações da população nas grandes cidades.
O interesse dos meios  de comunicação por esta  temática  encontra  sua maior
justificativa   em   dados   estatísticos   bastante   alarmantes.   Nos   últimos   15   anos,   os
homicídios triplicaram no Brasil e matam­se 50% mais jovens em São Paulo do que em
Nova   York,   sendo  esta   uma   das  cidades   mais   violentas   entre  as   cidades   de  países
desenvolvidos. O assassinato tem sido a principal causa de morte de adolescentes do
sexo masculino em São Paulo ­ em cada 100 mil adolescentes paulistanos, 88 foram
assassinados no ano passado ( Folha de São Paulo, 11/11/96).
Somando­se   a   esses   dados,   entre   1979   e   1978,   ocorreram   272   casos   de
linchamento no Brasil, sendo que 181 aconteceram no Estado de São Paulo. É esse
Estado que também apresenta a maior taxa de mortalidade entre policiais e civis e a
prática   da   tortura   é   sistematicamente   empregada   em   interrogatórios   nos   distritos
policiais (Sérgio Adorno, 1994).
Conforme   coloca   Maria   Victória   Benevides   (1996),   esta   realidade   serve   para
desmascarar a imagem tradicional de que o brasileiro é "um povo sentimental, ordeiro
e pacífico". Hoje, a violência, estampada nos grandes centros do país, comprova que a
sociedade   brasileira   é   extremamente   violenta,   e   esta   se   apresenta   sob   diferentes
formas de manifestações. Por isto, para Vera Telles (1996),  é mais fácil se falar de
violências no plural, ou seja, a violência urbana, a policial, a familiar e a escolar.
Estas,   no   entanto,   não   são   características   apenas   da   sociedade   brasileira.
Outras   sociedades   da   América   Latina   e   da   América   Central   também   vivem
experiências   de   elevadas   taxas   de   violações   dos   direitos   humanos,   entre   estas,   a
violação do direito à vida é muito freqüente, como é o caso do Peru, Colômbia, Bolívia,
El Salvador e Guatemala (Sérgio Adorno, 1994).
Segundo   Nancy   Cardia   (1995),   apesar   das   violações   dos   direitos   humanos
constantes no Brasil e estarem amplamente divulgadas, não têm conseguido tornar­se
um tema de debate social mais amplo, com maior clamor público. Os protestos e as
manifestações têm sido muito localizadas e pontuais, a exemplo dos assassinatos mais
recentes   de   jovens   de   classe   média   em   bares   e   restaurantes   de   São   Paulo,   o   que
mobilizou   parte   da   população   desta   cidade   no   movimento   intitulado:   "Reage   São
Paulo".
Neste quadro merece destacar que boa parte da população brasileira que sofreu
alguma forma de agressão, parece desconhecer as formas, os mecanismos de reparação
ou   desacreditar   nas   instituições   públicas.   A   maioria   da   população   não   procura   a
justiça  para  reclamar a violação dos  seus  direitos. Pesquisa  recente, realizada  pelo
Instituto   Brasileiro   de   Geografia   e   Estatística   ­   IBGE,   mostra   que   metade   da
população pesquisada que declarou ter­se envolvido em algum conflito, afirmou não ter
ido à justiça e, mais de 50% dentre essas pessoas afirmaram fazer justiça "por conta
própria", o que de certa forma, reforça a necessidade dessas pessoas resolverem seus
problemas de modo individual e privado.
Esta forma de a população tentar resolver ou reparar violações, não contribui
para   o   avanço   da   democracia,   uma   vez   que   não   são   priorizados   os   mecanismos   de
atendimentos públicos, mas aqueles que atendem parte da população.
Na opinião de Tereza Caldeira (1996), a privatização da segurança não é uma
alternativa à segurança pública deficiente e, conseqüentemente, não é remédio para a
violência. Ela pode oferecer aos que pagam a ilusão de proteção. Mas, "num país com o
grau extremo de desigualdade social como o Brasil, a difusão da segurança privada
tende   a   ser   mais   um   sistema   perverso   de   aprofundamento   dessa   desigualdade.   A
criminalidade violenta distribuí­se iniquamente: os moradores dos bairros pobres são
sabidamente   as   maiores   vítimas   da   violência   das   grandes   cidades   brasileiras,
enquanto os mais ricos são os que vivem nos locais mais seguros".
E esta mesma autora chama a atenção para o fato de que o abandono do espaço
público e a proliferação de espaços fortificados privados para uso coletivo também não
resolvem   a   questão   da   violência,   como   é   o   exemplo   dos   condomínios   fechados   que
desenvolvem   práticas   sistemáticas   de   revistas   nos   empregados,   nas   portarias   dos
prédios.   Estas   são   medidas   muito   mais   de  controle  e  de   exclusão   social   do   que   de
segurança ao conjunto daquela população.
Na verdade, ao adrentrarmos na questão da violência, percebemos como coloca
Maria Victória Benevides, que "inexiste vontade política" para enfrentar os diferentes
tipos de violência, bem como "inexiste uma tomada de consciência da sociedade de que
ela   é   responsável,   ou   seja,   de   que   o   problema   da   violência   tem   raízes   econômicas,
sociais   e   culturais;   que   diz   respeito   aos   governos   e   aos   políticos,   mas   também   às
famílias,   às   escolas,   às   igrejas,   às   empresas,   aos   sindicatos   e   associações   de
profissionais, aos meios de comunicação, à sociedade civil" (1996, p.76).
Esta posição vem ao encontro dos estudos realizados por Rodrigues Guerreiro
(Colômbia)   e   João   Yunes   destacados   em   artigo   de   Gilberto   Dimenstein   (1996).A
violência,   para   esses   autores,   é   hoje   uma   questão   mundial,   pois   afeta   as   grandes
metrópoles, inclusive as dos países de Primeiro Mundo. É considerada "um problema
de utilidade pública e usar apenas a repressão simplesmente não funciona. O germe da
violência se propaga em proporções semelhantes às das doenças infecciosas". E o mais
grave é que esta problemática não pode ser combatida com vacinas para que se possa
obter resultados mais rápidos como nos casos dessas doenças.Estes pesquisadores, ao
investigarem  as   causas   da   violência,   evidenciaram   que  são  vários   os   fatores   que  a
determinam:   desemprego,  renda,  escolaridade,  religião,  cor   e desestrutura   familiar,
entre outros.
Esta   multiplicidade   de  fatores   torna   a   problemática   da   violência   muito  mais
difícil   de   ser   combatida,   uma   vez   que,   pela   sua   complexidade,   requer   definição   e
implementação   de   políticas   públicas   sociais   nas   áreas   básicas,   destinadas   ao
atendimento de todos os cidadãos. Mas, no Brasil, o que se tem assistido, além da
ausência de políticas nesta direção, é a vivência de práticas sistemáticas de violência e
de violação de direitos praticadas pelo próprio Estado, quando, por exemplo, este não
garante  aos  cidadãos   os   direitos  que  lhes   são assegurados,  constitucionalmente,  há
várias décadas, como é o caso do direito à educação, entre outros.       

2 ­ Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)

(O Rappa)  mas também trazem a dúvida
a minha alma está armada se não é você que está nessa prisão
e apontada para a cara me abrace e me dê um beijo
do sossego (sego)
pois paz sem voz  
não é paz é medo (medo) faça um filho comigo
mas não me deixe sentar
às vezes eu falo com a vida na poltrona no dia de domingo
às vezes é ela quem diz procurando novas drogas
qual a paz que eu não quero de aluguel nesse vídeo
conservar coagido pela paz
para tentar ser feliz que eu não quero
as grades do condomínio seguir admitindo
são para trazer proteção

Segurança circuito   fechado   de   TV.   Só   entravam


O ponto de venda mais forte do no   condomínio   os   proprietários   e
condomínio   era   a   sua   segurança. visitantes devidamente identificados e
Havia   as   belas   casas,   os   jardins,   os crachados.
playgrounds,   as   piscinas,   mas   havia, Mas os assalto começaram  assim
acima de tudo, segurança. Toda a área mesmo.   Ladrões   pulavam   os   muros     e
era cercada por um muro alto. Havia assaltavam as casas.
um   portão   principal   com   muitos Os   condomínios   decidiram
guardas que controlavam tudo por um colocar torres com guardas ao longo do
muro   alto.   Nos   quatro   lados.   As ser feito um rigoroso controle de saídas.
inspeções   tornaram­se   mais   rigorosas Para sair, só com um exame demorado
no portão de entrada. Agora não só os de crachá e com autorização   expressa
visitantes   eram   obrigados   a   usar da   guarda,   que   não   queria     conversa
crachá.   Os   proprietários   e   seus nem aceitava suborno.
familiares   também.   Não   passava Mas os assaltos continuaram.
ninguém pelo portão sem se identificar Foi   reforçada   a
para a guarda.  Nem as babás. Nem os guarda.Construíram   uma   terceira
bebês. cerca. As famílias de mais posses, com
Mas os assaltos continuaram. mais   coisas   para   serem   roubadas,
Decidiram   eletrificar   os   muros. mudaram­se   para   uma   chamada   área
Houve   protestos,   mas   no   fim   todos de   segurança   máxima.   E   foi   tomada
concordaram. O mais importante era a uma   medida   extrema.   Ninguém   pode
segurança. Quem tocasse  no fio  de alta entrar   no   condomínio.   Ninguém.
tensão   em   cima   do   muro   morreria Visitas,   só   num   local   predeterminado
eletrocutado.   Se   não   moresse,   atrairia pela guarda, sob sua severa vigilância e
para   o   local   um   batalhão   de   guardas por curtos períodos.
com ordens de atirar  para matar. E ninguém pode sair.
Mas os assaltos continuaram. Agora,   a   segurança   é   completa.
Grades   nas   janelas   de   todas   as Não   tem   havido   mais   assaltos.
casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões Ninguém   precisa   temer   pelo   seu
ultrapassassem   os altos muros, e o fio patrimônio. Os ladrões que passam pela
de   alta   tensão,   e   as   patrulhas,   e   os calçada só conseguem espiar através do
cachorros, e a segunda cerca, de arame grande portão de ferro e talvez avistar
farpado, erguida dentro   do perímetro, um   ou   outro   condômino     agarrado   às
não     conseguiram     entrar   nas   casas. grades   da   sua   casa.,   olhando
Todas as janelas foram engradadas. melancolicamente para a rua.
Mas os assaltos continuaram. Mas surgiu um outro problema.
Foi   feito   um   apelo   para   que   as As   tentativas   de   fuga.   E   há
pessoas   saíssem     de   casa     o   mínimo motins   constantes   de   condôminos   que
possível.   Dois   assaltantes   tinham tentam   de  qualquer   maneira   atingir   a
entrado no condomínio no banco de trás liberdade. 
do   carro   de   um   proprietário,   com   um A guarda tem sido obrigada   a
revólver   apontado   para   a   sua   nuca. agir com energia. 
Assaltaram a casa, depois   saíram   no Luis Fernando Veríssimo, Comédias 
carro roubado, com   crachás   roubados. para se ler na escola
Além do controle de entradas, passou a

Proposta:
Depois da leitura de todos estes textos, desenvolva uma dissertação sobre um dos 
temas abaixo:
1­Violência urbana: um problema a ser resolvido pelo povo ou pelo estado?  
2­Violência urbana: causas e conseqüências
3­ Violência urbana: como conseguir a PAZ?