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Programação I

Sônia Virginia Alves França

Volume 1

Recife, 2009
Universidade Federal Rural de Pernambuco

Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade


Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros
Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho
Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski
Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire
Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira
Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena
Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos

Produção Gráfica e Editorial


Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira e Italo Amorim
Revisão Ortográfica: Marcelo Melo
Ilustrações: Diego Almeida
Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
Sumário

Apresentação.........................................................................................5

Conhecendo o Volume 1.......................................................................6

Capítulo 1 – Introdução ao C................................................................9

1.1. Programas e Programação de Computadores.............................9

1.2. Linguagens de Programação...................................................... 11

1.3. Breve Histórico da Linguagem de Programação C....................14

1.4. Criação, Compilação e Execução de um Programa...................15

Capítulo 2 – Conceitos Preliminares para Programar em C............20

2.1. Estrutura de um Programa Básico em C....................................21

2.2. Palavras Reservadas do C.........................................................24

2.3. Uso de Comentários...................................................................25

2.4. Os Fundamentos do Ambiente C................................................27

2.5. Conhecendo o Dev-cpp..............................................................30

Capítulo 3 – Tipos de Dados, Variáveis e Constantes......................36

3.1. Tipos de dados...........................................................................36

3.2. Variáveis e Constantes...............................................................38

3.3. Operador de Atribuição (=).........................................................45

Capítulo 4 – Comandos de Entrada e Saída de Dados.....................50


4.1. Entrada de Dados.......................................................................50

4.2. Saída de Dados..........................................................................55

4.3. Erros Frequentes no Uso dos Comandos de Entrada e Saída..61

4.4. Primeiros programas em C.........................................................62

Capítulo 5 – Operadores, Expressões e Funções Matemáticas......71

5.1. Operadores Básicos...................................................................71

5.2. Operadores Aritméticos de Atribuição .......................................83

5.3. Operadores ++ e --.....................................................................83

5.4. Conversão de tipo.......................................................................84

5.5. Funções Matemáticas (biblioteca math.h)..................................86

Considerações Finais..........................................................................96

Conhecendo a Autora..........................................................................97
Apresentação

Caro(a) cursista,

Seja bem-vindo (a) ao primeiro módulo da disciplina Programação I. Nesta disciplina,


você irá aprender a programar na linguagem de programação C, uma das mais utilizadas
mundialmente. Desenvolver programas e garantir que estes sejam confiáveis, eficientes
e agradáveis de usar requer conhecimento técnico e muito treinamento.

Este livro foi escrito pensando em você, que está iniciando neste mundo da
programação de computadores e que precisa ser apresentado, com tranquilidade, a um
conjunto de novos conceitos. Os assuntos serão transmitidos gradativamente, de forma
que você os absorva com naturalidade.

Este livro contém muitos exemplos de questões resolvidas, comentadas em


detalhes, para que você não encontre dificuldades para aprender cada assunto. Além
de apresentar dicas para que você desenvolva seus programas de forma eficiente e
não cometa os principais erros de programação que ocorrem com quem está iniciando
a programar. Ao final de cada capítulo, você poderá testar o seu aprendizado e assimilar
melhor o que foi estudado, através da resolução de exercícios. Isto é muito importante!
Não deixe de resolvê-los.

De antemão, informamos que programar é muito bom, você vai gostar! Nada melhor
do que ver um programa rodando e saber que foi você quem o criou. Mas, não desanime
se encontrar alguma dificuldade durante esta caminhada. Às vezes ocorre um erro no
programa e não sabemos onde está o problema. Seja persistente! Ao longo do tempo,
a experiência vai te deixar mais seguro e você conseguirá encontrar tais erros com
facilidade.

O objetivo deste primeiro módulo é fazer uma introdução à linguagem C, conhecer


um pouco da sua história e iniciar o estudo da sintaxe da linguagem, que possibilitará o
desenvolvimento de programas básicos. Ao final deste primeiro módulo, você já estará
desenvolvendo seus primeiros programas em C. O que você está esperando? Vamos
começar?

Bons estudos!

Professora Sônia Virginia Alves França


Programação I

Conhecendo o Volume 1

Neste primeiro volume, você irá encontrar o módulo 1 da disciplina:


Programação I. Este volume está estruturado em cinco capítulos, que
serão estudados ao longo de 15h/aula. Para facilitar seus estudos,
veja a organização deste primeiro volume.

Capítulo 1: Introdução ao C

Carga Horária do Capítulo 1: 2 h/aula

Objetivos do Capítulo 1: Introduzir os conceitos básicos da


área de programação e apresentar um breve histórico sobre a
linguagem C.

Conteúdo Programático do Capítulo 1

» Conceito de programas e programação de computadores;

» Linguagens de programação;

» Breve histórico da linguagem de programação C;

» Etapas do desenvolvimento de um programa.

Capítulo 2: Conceitos Preliminares para Programar em C

Carga Horária do Capítulo 2: 3 h/aula

Objetivos do Capítulo 2: Apresentar detalhes mais específicos


da linguagem, necessários para dar início à programação
em C. Neste capítulo, também será apresentado o ambiente
de programação que utilizaremos no desenvolvimento dos
programas.

Conteúdo Programático do Capítulo 2

» Estrutura de um programa básico C;

» Palavras reservadas do C;

» Uso de comentários;

» Fundamentos do ambiente C;

» Conhecendo o Dev-cpp.

6
Programação I

Capítulo 3: Tipos de Dados, Variáveis e Constantes

Carga Horária do Capítulo 3: 2 h/aula

Objetivos do Capítulo 3: Apresentar os tipos de dados


suportados pelo C e introduzir o conceito de variáveis e
constantes

Conteúdo Programático do Capítulo 3

» Tipos de dados;

» Variáveis e constantes;

» Operador de atribuição;

Capítulo 4: Comandos de Entrada e Saída de Dados

Carga Horária do Capítulo 4: 4 h/aula

Objetivos do Capítulo 4: Apresentar os comandos de entrada


e saída de dados do C. Neste capítulo, você terá acumulado
conhecimento suficiente para desenvolver os primeiros
programas em C.

Conteúdo Programático do Capítulo 4

» Entrada de dados;

» Saída de dados;

» Desenvolvimento dos primeiros programas C.

Capítulo 5: Operadores, Expressões e Funções Matemáticas

Carga Horária do Capítulo 5: 4 h/aula

Objetivos do Capítulo 5: Apresentar os operadores


básicos (aritméticos, relacionais e lógicos), além de funções
complementares para o desenvolvimento de programas que
executem expressões mais complexas.

Conteúdo Programático do Capítulo 5

» Operadores aritméticos, lógicos e relacionais;

» Operadores aritméticos de atribuição;

» Operadores ++ e --;

7
Programação I

» Conversão de tipos;

» Funções matemáticas.

Ao final de cada capítulo você encontrará:

» A seção “Atividades e Orientações de Estudo”: que contém


exercícios para a fixação do assunto estudado, além de
indicação de fóruns de discussão.

» A seção “Conheça Mais”: que contém dicas de sites e livros


que devem ser lidos para ampliar os seus conhecimentos.

» A seção “Vamos Revisar?”: que apresenta um resumo dos


principais tópicos abordados no capítulo.

8
Programação I

Capítulo 1 – Introdução ao C

Vamos conversar sobre o assunto?

Neste primeiro capítulo, será feita uma apresentação do que é


programação e quais as principais linguagens de programação do
mercado, dando ênfase à linguagem C. Este capítulo é importante,
porque conheceremos um pouco da história da linguagem de
programação que iremos aprender nesta disciplina. Sempre que
conhecemos uma pessoa nova, queremos saber alguns detalhes
da sua vida, não é mesmo? Quantos anos ela tem, onde nasceu,
quem são seus pais, etc. Neste capítulo, também serão introduzidos
conceitos utilizados na área de programação, visando a nossa
preparação para nos lançarmos nesse mundo intrigante da criação de Saiba Mais

programas computacionais. Então, prontos (as) para o desafio? 1


Além dos
software
aplicativo e
1.1. Programas e Programação de software de
sistema, ainda é
Computadores possivel utilizar
a categoria
software
Um programa de computador é um conjunto de instruções que embutido ou
embarcado,
descrevem uma tarefa que será executada por um computador. destinado a
Um programa de computador também é conhecido como software, funcionar dentro
de uma máquina
software aplicativo, software de sistema ou simplesmente programa. que não é um
computador.
O termo software é mais utilizado quando é feita uma referência à Normalmente,
parte não física do sistema computacional, juntamente com o termo estes software
têm um
hardware, que faz referência ao conjunto de componentes eletrônicos propósito muito
específico, como,
que constituem um computador. por exemplo:
controlar a
Os programas que permitem ao usuário fazer uma ou mais tarefas injeção eletrônica
de um carro
específicas, como as planilhas eletrônicas, editores de texto e jogos ou gerenciar
o cozimento
são chamados de software aplicativo ou aplicação. Já os programas dos alimentos
que dão suporte funcional aos computadores, como os sistemas no forno de
microondas. Mais
operacionais e drivers de dispositivos, são chamados de software de recentemente,
surgiu também
sistema1. o software como
serviço, que é
O ato de desenvolver programas é chamado de programação um software que
roda diretamente
de computadores. A programação é o processo de escrita, teste na internet, não
e manutenção de um programa (ASCENIO e CAMPOS, 2002). sendo necessário
instalar nada no
O desenvolvimento de programas baseado em metodologias ou computador do
usuário.
processos formalizados é conhecido por engenharia de software.

9
Programação I

Os programas são escritos em uma linguagem de programação.


Assim como o Português, o Inglês e o Espanhol, as linguagens
de programação têm as suas regras e devemos seguí-las para
escrever nossos programas corretamente. Portanto, a programação
de computadores é uma ciência e, por isso, devemos seguir uma
metodologia para termos como resultado: programas seguros e
eficientes.

Em uma disciplina anterior, vocês aprenderam a desenvolver


algoritmos, que são uma sequência de passos para realizar uma
tarefa ou resolver um problema. Utilizamos algoritmos no nosso
cotidiano para realizar atividades corriqueiras, definindo a sequência
de passos que deve ser executada para atingirmos um objetivo, como,
por exemplo, os passos que executamos para tomar banho, calibrar
um pneu ou fazer um bolo (Figura 1.1).

Figura 1.1: Exemplos de algoritmos

Para efetuarmos estas atividades, seguimos uma sequência


lógica de passos. Se esses passos não tiverem uma lógica, podemos
não conseguir atingir o nosso objetivo. Se vocês observarem, para
fazer um bolo, existe uma ordem em que os ingredientes devem ser
adicionados à receita, caso não sigamos esta ordem, o bolo não ficará
bom. Na programação irá ocorrer a mesma coisa, devemos passar as
instruções ao computador, utilizando uma linguagem de programação,
seguindo uma lógica – a lógica computacional.

Na próxima seção vamos abordar as linguagens de programação,


de uma forma mais abrangente, tratando os principais conceitos que
envolvem este assunto. Vamos seguir em frente?

10
Programação I

1.2. Linguagens de Programação

É através das linguagens de programação que poderemos criar


nossos programas. Uma linguagem de programação é um conjunto de
regras sintáticas e semânticas usadas para definir um programa. O
conjunto de códigos (palavras e símbolos), compostos de acordo com
essas regras, constituem o código fonte do nosso programa. Para
ser executado pelo processador, o código fonte precisa ser traduzido
para código de máquina.

Aprender uma linguagem de programação é um pouco similar


a aprender um novo idioma. Temos que saber o significado das
palavras, as regras da estruturação das frases, etc., para podermos
nos comunicar corretamente no novo idioma.

Por que você


não faz o que
eu quero?

Figura 1.2: Aprenda a dar ordens ao seu computador

Existem várias linguagens de programação. Vocês sabiam que


cada linguagem de programação possui o seu conjunto de regras e
um modo de funcionamento próprio? A escolha de uma linguagem
de programação para o desenvolvimento de um programa deve estar
atrelada ao tipo de problema que deseja resolver. Existem linguagens

11
Programação I

que são melhores para resolver um certo tipo de questão do que


outras.

De acordo com Sebesta (2003), as linguagens de programação


vêm sendo classificadas de várias formas: por geração, de acordo com
o paradigma de programação, quanto ao grau de abstração, de acordo
com a estrutura de tipos, dentre outras. Uma das classificações mais
utilizadas é quanto ao grau de abstração. Segundo esta classificação,
as linguagens de programação são divididas em três grupos:
linguagens de máquina, linguagens de baixo nível e linguagens
de alto nível.

A linguagem de máquina é a linguagem natural dos computadores.


Estas linguagens são ininteligíveis para o ser humano não treinado.
As linguagens de máquina são representadas por sequências de
bits (zeros e uns). Estas sequências representam instruções que
serão executadas pelo processador do computador. As instruções
correspondem a sequências muito simples de operações, tais como:
transferir um dado em memória para a CPU ou somar dois valores. As
linguagens de máquina são dependentes do processador, isto é, uma
determinada linguagem de máquina só poderá usada por um tipo de
computador.

As linguagens de baixo nível são próximas da linguagem de


Saiba Mais máquina. No entanto, os zeros e uns que formam uma instrução
foram substituídos por palavras que representam tais instruções,
2
No contexto da
informática, a tornando-as um pouco mais legíveis. Estas linguagens são mais
portabilidade de
um programa é a
voltadas para a máquina, isto é, são escritas usando as instruções
sua capacidade do microprocessador do computador. São chamadas de linguagens
de ser compilado
ou executado Assembly (que significa montagem). Estas linguagens apresentam
em diferentes
arquiteturas (seja
as seguintes vantagens: os programas são executados com maior
de hardware ou velocidade de processamento (já que são executadas diretamente
de software).
pela máquina) e ocupam menos espaço na memória. No entanto, de
Esse termo modo geral, os programas em Assembly têm pouca portabilidade2 (um
também vem
sendo utilizado código gerado para um tipo de processador não serve para outro) e
pelas empresas não são estruturados, tornando a programação mais difícil.
de telefonia
móvel, quando
se referem à As linguagens de alto nível são mais próximas à linguagem
portabilidade
humana (do Inglês, por exemplo) e mais distantes das linguagens
de número, ou
seja, você muda de máquina. Por isso, são linguagens mais simples de entender, já
de operadora,
mas não muda que, em geral, utilizam uma sintaxe estruturada, tornando seu código
o número do
mais legível. Necessitam de compiladores ou interpretadores
celular.
para gerar instruções do microprocessador. Interpretadores fazem

12
Programação I

a interpretação de cada instrução do programa fonte executando-a


dentro de um ambiente de programação, Basic e Java são exemplos de
linguagens interpretadas. Os compiladores fazem a tradução de todas
as instruções do programa fonte gerando um programa executável.
Estes programas executáveis (*.exe) podem ser executados fora dos
ambientes de programação. A linguagem C e Pascal são exemplos de
linguagens compiladas.

As linguagens de alto nível ainda podem ser divididas de acordo com


a sua aplicação: genéricas (como C, Java e Pascal, que servem para
o desenvolvimento de programas de propósito geral) ou específicas
(como Fortran - utilizada para execução de cálculos matemáticos,
LISP - desenvolvimento de aplicações na área de inteligência artificial
e CLIPPER – utilizada para aplicações que manipulam bancos de
dados). As vantagens das linguagens de alto nível são: portabilidade
(por serem compiladas ou interpretadas podem ser executadas em
várias plataformas com pouquíssimas modificações) e facilidade de
desenvolvimento de programas. No entanto, as rotinas geradas são
mais genéricas (e mais complexas) e por isso são mais lentas e
ocupam mais memória.

A figura 1.3, a seguir, apresenta um trecho de código escrito em


linguagem de máquina, linguagem de baixo nível e linguagem de alto
nível, respectivamente.

Linguagem de Linguagem de Linguagem de Alto Nível


Máquina Baixo Nível

10110101 LOAD BASE


11100110 ADD BONUS Salario = Base + Bonus
11000100 STORE SALARIO

Figura 1.3: Trecho de código em diferentes linguagens

Notem como o código em linguagem de máquina é incompreensível.


Difícil entender essas sequências de zeros e uns, não é mesmo?
O código na linguagem de baixo nível é mais legível e passamos
a entender as instruções. Na linguagem de alto nível, o código fica
menor e muito mais simples. Em qual tipo de linguagem vocês querem
programar? Nem precisamos parar para pensar, não é mesmo?

13
Programação I

Figura 1.4: Linguagens de baixo nível x linguagens de alto nível

1.3. Breve Histórico da Linguagem de


Programação C

Vamos conhecer um pouco sobre a história do C? A linguagem


de programação C nasceu em 1972 nos laboratórios Bell, Estados
Unidos. Seus criadores são Brian Kernighan e Dennis M. Ritchie. A
Saiba Mais
linguagem C foi criada a partir da linguagem B (sugestivo, não é?),
3
Uma linguagem
que havia sido desenvolvida no final dos anos 60 por Ken Thompson.
é considerada
estruturada O C é uma linguagem de alto nível, compilada e estruturada3.
quando
permite que o No entanto, o C possui instruções de baixo nível, bem próximas à
programador linguagem de máquina, que só o Assembler possui. O objetivo dos
pegue trechos
de maior uso do seus criadores era usar o C para desenvolver o sistema operacional
seu programa e
transforme-os UNIX, que originalmente foi escrito em Assembly (linguagem de baixo
em pequenos nível). Desde então, espalhou-se por muitos outros sistemas e tornou-
módulos
(procedimentos se uma das linguagens de programação mais usadas, e influenciando
e funções) que
serão reutilizados o desenvolvimento de muitas outras linguagens como C++ e Java.
sempre que
necessário. Com a linguagem C podemos construir programas organizados
e concisos (características dos programas das linguagens de alto

14
Programação I

nível), ocupando pouco espaço de memória e com alta velocidade


de execução (como o Assembler). Infelizmente, dada toda a
flexibilidade da linguagem, também poderemos escrever programas
desorganizados e difíceis de serem compreendidos. Portanto, cabe
ao programador de C utilizar boas práticas de programação, para ter
programas legíveis e de fácil manutenção.

Existem inúmeras razões para que o C seja uma das linguagens


mais preferidas dos programadores. As características da linguagem
C mostram o porquê de sua ampla aceitação. Vejamos algumas
características da linguagem C.

» Portabilidade entre máquinas e sistemas operacionais;

» Dados compostos em forma estruturada;

» Programas estruturados;

» Total interação com o sistema operacional;

» Código compacto e rápido, quando comparado ao código de


outras linguagens de alto nível.

Agora que já conhecemos um pouco mais da linguagem C, vamos


entender o processo de desenvolvimento de um programa. Quais são
os passos que devemos seguir para termos um programa pronto?
Vamos começar a falar sobre isto agora mesmo. Continuem firmes na
leitura!

1.4. Criação, Compilação e Execução de um


Programa

Nesta seção, vamos estudar as etapas de desenvolvimento de um


programa em C. O desenvolvimento de um programa é dividido em
três etapas, como mostra a figura 1.5.

Figura 1.5: Estados do desenvolvimento de um programa em C

A primeira etapa para o desenvolvimento de um programa em C é

15
Programação I

a criação do programa fonte, que consiste no “texto” formado pelo


conjunto de comandos que nós desejamos que o computador execute.
O programa fonte deve ser escrito respeitando as regras da linguagem.
De modo geral, os programas fontes são digitados em editores de
texto genéricos ou específicos dos ambientes de programação. No
próximo capítulo deste volume, vamos conhecer detalhadamente o
ambiente de programação que será utilizado para o desenvolvimento
dos nossos programas em C.

Com o programa fonte pronto, passamos para a etapa de


compilação. O compilador é um programa que verifica se o
programa fonte não apresenta nenhum erro de sintaxe e gera o
programa executável. Quando o programa fonte apresenta algum
problema, dizemos que ocorreu um “erro de compilação”. Assim, o
programador deverá avaliar o programa fonte, para a retirada de tais
erros. Normalmente, os compiladores indicam os prováveis erros de
sintaxe cometidos pelo programador. Se o programa não tiver erros
de sintaxe, o compilador irá gerar o programa executável.

A etapa final consiste na execução do programa executável.


Neste momento, o programador deverá testar se o programa
Saiba Mais
está produzindo os resultados esperados. Quando o programa
4
Bug é um erro apresenta algum erro nesta fase, como, por exemplo, mostrar um
no funcionamento resultado incorreto, dizemos que ocorreu um “erro de lógica” ou
de um programa.
É também “erro de execução”. Isso ocorre porque, apesar do programa não
chamado de
erro de lógica, ter apresentado erros de sintaxe, o que tornou possível a geração
e pode causar do programa executável, a sequência de comandos não foi definida
discrepâncias
no objetivo ou de forma correta. Quando ocorre um erro de lógica, o programador
impossibilidade
de utilização de deverá revisar o seu programa fonte e passá-lo novamente pela fase
um programa de de compilação, para que um novo executável, sem erros, seja gerado.
computador.
O uso do Como o compilador não nos avisa onde estão os erros de lógica, estes
termo bug
para descrever são mais difíceis de serem corrigidos.
defeitos
inexplicáveis foi Após ter certeza que o programa executável está correto, sem
parte do jargão da
engenharia por erros de lógica, o programador poderá entregá-lo ao seu cliente. É
várias décadas. importante fazermos vários testes nos nossos programas. Testar com
Acredita-se que o
termo foi criado vários valores e verificar se está realmente tudo como esperado. Não
por Thomas
Edison quando fica bem nosso cliente ficar ligando, dizendo que o programa está com
um inseto (bug, BUG!4 Lembrem-se sempre, o computador só executa as instruções
em Inglês) causou
problemas de que nós mandarmos. Se houver erros, a responsabilidade será nossa
leitura em seu
fonógrafo em que não fizemos o programa corretamente! Vocês não vão querer
1878. passar por uma situação como essa? Vão?

16
Programação I

Nesta fase de execução do programa executável, nós também


devemos verificar a usabilidade do programa, ou seja, se o programa
ficou fácil de ser utilizado pelo seu usuário. Quando o programa é de
difícil utilização ou confunde o usuário, induzindo-o ao erro, ele perde
o interesse em utilizá-lo ou comprá-lo. Também devemos verificar se
nosso programa tem um bom desempenho, ou seja, se ele processa
rapidamente as operações. Usuário não gosta de programa lento, não
é mesmo?

Atividades e Orientações de Estudo

Agora é o momento de analisarmos se os assuntos abordados


neste capítulo foram bem absorvidos. Foram vistos muitos conceitos
novos, não é mesmo? Vamos responder as questões a seguir. Caso
sintam necessidade, releiam alguma seção que não foi muito bem
assimilada ou complementem as respostas com a leitura dos sites
indicados na próxima seção. Vocês estão preparados(as)?

1. Para que serve uma linguagem de programação?

2. Quais as desvantagens das linguagens de baixo nível?

3. Por que desejamos programas portáveis?

4. O que motivou a criação da linguagem C?

5. A linguagem C é de baixo ou alto nível?

6. A linguagem C é compilada ou interpretada?

7. Por que os erros de lógica são mais difíceis de serem


corrigidos?

8. Por que devemos nos preocupar com a usabilidade dos nossos


programas?

Conheça Mais

Para ampliar os seus conhecimentos sobre os assuntos


tratados neste capítulo, visite o site da OReilly. Neste endereço,

17
Programação I

http://oreilly.com/pub/a/oreilly/news/languageposter_0504.html, foi disponibilizado


um pôster, muitíssimo interessante, como uma “árvore genealógica”
das principais linguagens de programação dos últimos 50 anos. Vale
a pena dar uma olhada.

É muito importante que vocês se cadastrem em algum fórum de


discussão sobre a linguagem C. Assim, vocês poderão conversar e
trocar ideias com programadores de C mais experientes. Exemplos
de fóruns de C: DevMedia e Linha de código.

Vamos revisar?

Vamos dar uma reforçada em nosso aprendizado com esta


pequena revisão dos principais conceitos apresentados neste capítulo.
Observem o resumo a seguir:

» Programa: é um conjunto de instruções que descrevem uma tarefa


que será executada por um computador.

» Programação de computadores: é o processo de escrita, teste e


manutenção de um programa.

» Algoritmo: sequência de passos para realizar uma tarefa ou


resolver um problema.

» Linguagem de programação: é um conjunto de regras sintáticas e


semânticas usadas para definir um programa.

» Linguagem de máquina: é a linguagem natural dos computadores.


As instruções são formadas por zeros e uns. Estas linguagens não
são legíveis para um programador sem experiência.

» Linguagens de baixo nível: são linguagens escritas usando as


instruções do microprocessador do computador. Estas linguagens
são mais difíceis de entender e criar programas.

» Linguagens de alto nível: são linguagens mais próximas à


linguagem humana e mais distantes das linguagens de máquina.
São linguagens mais simples de entender, já que, em geral,
utilizam uma sintaxe estruturada, tornando seu código mais legível.

» Compiladores: são programas que fazem a tradução de todas


as instruções do programa fonte gerando um programa executável.

18
Programação I

» Interpretadores: são programas que interpretam cada instrução


do programa fonte executando-a dentro de um ambiente de
programação.

» Compilação: é o processo, executado pelo compilador, que verifica


se existem erros de sintaxe no código fonte e gera um programa
executável.

» Erro de sintaxe: ocorre durante o processo de compilação do


programa, quando o programador, ao editar o seu programa
fonte, não respeita alguma regra de sintaxe da linguagem de
programação.

» Erro de lógica: ocorre durante a execução de um programa, devido


um erro na lógica dos comandos.

19
Programação I

Capítulo 2 – Conceitos
Preliminares para Programar
em C

Vamos conversar sobre o assunto?

Neste capítulo, serão abordados conceitos preliminares que


irão nos preparar para programar em C. Estes conceitos estão
relacionados à estrutura de um programa básico em C. Aqui, também,
será apresentado o ambiente de programação que utilizaremos
Saiba Mais
para o desenvolvimento dos nossos programas – o Dev-cpp. Este
5
O Dev-cpp é ambiente apresenta uma interface amigável, que facilitará o processo
uma ferramenta
gratuita e pode
de programação. Vocês devem baixar e instalar o Dev-Cpp5, o
ser baixada quanto antes, no computador que será utilizado para a prática desta
acessando o site:
www.bloodshed. linguagem.
net/devcpp.html
É importante que vocês tenham paciência neste início de
aprendizado, já que precisamos, inicialmente, acumular o conhecimento
necessário para a construção de um programa completo em C.
Visando facilitar o aprendizado, em alguns momentos, será feito um
Saiba Mais
paralelo entre a sintaxe do C e do Portugol do VisuAlg6 (linguagem
6
Conheça
utilizada para escrever algoritmos).
mais o VisuAlg
pesquisando no
site: http://www.
apoioinformatica.
inf.br/visualg/
linguagem.htm

20
Programação I

Figura 2.1: Qualidades de um programador: atenção, paciência e persistência

Vale lembrar que qualquer linguagem de programação é assimilada


através da resolução de exercícios. É importantíssimo que a prática
de programar faça parte da rotina de vocês. Assim, separem sempre
um tempo para resolver as questões propostas neste material. Vocês
vão perceber o quanto é bom ver um programa rodando! Que venha
o C!

2.1. Estrutura de um Programa Básico em C

Nesta seção, vamos estudar a estrutura de um programa básico


em C. Visando facilitar o entendimento e não sobrecarregar vocês
com muitos detalhes, alguns elementos da estrutura do programa
serão omitidos. Mas, no momento certo, abordaremos tais elementos,
certo? Assim, a estrutura do programa que será apresentada nesta
seção, é a estrutura mínima de um programa em C.

Nas linguagens de programação em geral, existe uma estrutura que


indica a ordem em que deve ser disposto cada elemento do programa.
Esta ordem deve ser respeitada para que nossos programas fiquem
corretos. Como será a estrutura de um programa em C?

A estrutura básica de um programa C deve seguir a seguinte


ordem:

1. Inclusão de bibliotecas (quando necessário);

2. Declaração das constantes (quando necessário);

3. Programa principal;

21
Programação I

» Declaração de variáveis (quando necessário);

» Sequência de comandos.

Para entendermos melhor a estrutura básica de um programa C,


vamos analisar o programa de exemplo 2.1, abaixo. Este programa
calcula o cubo de um número inteiro fornecido pelo usuário. Na
sequência, temos este programa resolvido utilizando o portugol, que é
do conhecimento de vocês. Assim, fica fácil compararmos a estrutura
do programa em C, com a estrutura do algoritmo. Não se preocupem
em entender cada comando do exemplo abaixo, estamos apenas
começando a estudar a linguagem C, certo?

Exemplo 2.1: Programa C – Cálculo do cubo de um número

1 #include <stdio.h>

2 main()

3 {

4 int num,c;

5 printf(“Cubo de um numero\n\n”);

6 printf(“Digite o numero: “);

7 scanf(“%d”,&num);

8 c = num*num*num;

9 printf(“\nCubo de %d = %d”,num,c);

10 getche();

11 }

Segue abaixo o algoritmo, escrito no VisuAlg, que calcula o cubo


de um número.

22
Programação I

Exemplo 2.2: Algoritmo – Calculo do cubo de um número

1 algoritmo “Cubo”

2 var

3 num, c: inteiro

4 inicio

5 escreval(“Cubo de um numero”)

6 escreva(“Digite o numero: “)

7 leia(num)

8 c <- num*num*num

9 escreval(“Cubo de “, num, “ = “, c)

10 fimalgoritmo

Um programa em C inicia com a inclusão de bibliotecas. Uma


biblioteca é um arquivo que contém comandos complementares,
que são utilizados pelo nosso programa. Para a inclusão de uma
biblioteca devemos usar um comando que é chamado de diretiva de
compilação. Este comando informa ao compilador quais bibliotecas
devem ser anexadas ao programa executável. Assim, o comando para
a inclusão de uma biblioteca tem a seguinte sintaxe:

Sintaxe

#include <nome_do_arquivo_da_ biblioteca>

De acordo com a sintaxe, para incluir uma biblioteca ao nosso


programa devemos colocar a diretiva de compilação #include e, entre
os símbolos < e >, colocamos o nome do arquivo da biblioteca. De
maneira geral, os arquivos de biblioteca têm a terminação .h (esse h
vem de header, ou seja, este é um arquivo de cabeçalho). Para cada
biblioteca, que será incluída no nosso programa, devemos colocar
um comando #include. No exemplo 2.1, na linha 1, é feita a inclusão
de uma biblioteca: stdio.h. Na medida em que formos aprendendo
os comandos, serão indicadas quais bibliotecas devem ser incluídas
no programa. A quantidade de bibliotecas e quais bibliotecas serão

23
Programação I

incluídas dependem dos comandos que serão utilizados no programa.


Pode ser que em um programa não seja necessário incluir nenhuma
Saiba Mais biblioteca.

7
Do Inglês, O segundo item da estrutura de um programa C é a declaração
main significa
principal. Todo
das constantes, esse item é opcional, só constará no nosso programa,
programa C caso seja necessário. Veremos a declaração de constantes, em
começa a sua
execução a partir detalhes, no próximo capítulo. No exemplo 2.1 não foi necessário o
do programa
principal. Assim,
uso de constantes.
o programa
principal é uma O terceiro item da estrutura do programa C é o programa principal.
parte obrigatória
na estrutura de É no programa principal que colocaremos a sequência de comandos
um programa C. que deve ser executada para a solução do problema que desejamos
resolver. Nós devemos informar onde começa e termina o programa
principal. O programa principal inicia com: main()7, como mostra a linha
2, do exemplo 2.1. A sequência de comandos do programa principal é
delimitada por um par de chaves: { (abre chaves) e } (fecha chaves).
Saiba Mais As chaves que delimitam o corpo do programa principal8 aparecem
nas linhas 3 e 11, do exemplo 2.1. Fazendo uma comparação com
8
Chamamos o algoritmo do exemplo 2.2, as chaves fazem o papel do “inicio” e
de corpo do
programa “fimalgoritmo”, das linhas 4 e 10.
principal toda
a sequência Logo no início do programa principal, devem ser declaradas as
de comandos
que faz parte variáveis (que serão abordadas no próximo capítulo). A declaração
do programa
de variáveis é um item opcional, pode acontecer de não precisarmos
principal. Ou seja,
a sequência de declarar variáveis no nosso programa. No exemplo 2.1, a declaração
comando que
aparece entre de variáveis é feita na linha 4. Foram declaradas duas variáveis do
as chaves de
tipo inteiro: num e c. No algoritmo, exemplo 2.2, as variáveis são
abertura e término
do programa declaradas fora do programa principal, na seção de declaração de
principal.
variáveis (linhas 2 e 3).

Após a declaração das variáveis, colocamos a sequência de


comandos que o programa deverá executar. O programa termina com
o fecha chaves que delimita o programa principal.

Agora que já sabemos como é a estrutura de um programa básico


em C, vamos começar a aprender a sintaxe dos comandos para
darmos início ao desenvolvimento dos nossos programas.

2.2. Palavras Reservadas do C

Como mencionado no capítulo anterior, as linguagens de


programação são formadas por um conjunto de regras de sintaxe e

24
Programação I

semântica que ditam como o programa deve ser escrito. Com isso,
dentro dessas regras, existe um conjunto de palavras que tem um
significado para a linguagem de programação – são as palavras
reservadas. Uma palavra reservada é, essencialmente, um comando
e, na maioria das vezes, as palavras reservadas de uma linguagem
definem o que pode ser feito e como pode ser feito.

As palavras reservadas são de uso exclusivo da gramática da


linguagem, por isso, não podem ser utilizadas, pelo programador, para
dar nome a alguma variável, constante ou função do seu programa.
Assim, um programador não pode ter uma variável chamada “int” no
seu programa C, já que “int” é uma palavra reservada que indica um
tipo de dado.
Saiba Mais
Na linguagem C temos 32 palavras reservadas. Todas as palavras
9
A sigla ANSI
reservadas do C são escritas em minúsculo. A tabela abaixo mostra significa:
as palavras reservadas, conforme definido pelo padrão ANSI9, para a American
National
linguagem C. Standards
Institute (Instituto
Nacional
auto default float unsigned Americano de
Padronização). É
break do for return uma organização
case double goto short que tem por
objetivo facilitar a
char else union signed padronização dos
const typedef if sizeof trabalhos de seus
membros.
switch while int static
volatile enum long struct
continue extern register void

No Dev-cpp, ambiente de programação que será utilizado, sempre


que digitarmos uma palavra reservada no nosso programa, esta Saiba Mais
aparecerá em negrito. Isto facilita no momento da programação, pois
não precisaremos decorar esta lista de palavras reservadas. Que Ao desenvolver
10

nossos
alívio! Assim que uma palavra ficar em negrito no nosso programa, programas
utilizando boas
poderemos verificar se estamos utilizando-a de forma correta. práticas de
programação,
teremos como
resultado um
2.3. Uso de Comentários código fonte
mais legível e
um progama
Os comentários são utilizados para documentar um programa. A executável mais
seguro e eficiente.
colocação de comentários em um programa é uma das boas práticas Ao longo deste
de programação10. Os comentários irão facilitar o entendimento material serão
ensinadas boas
e manutenção de programas. Por exemplo, um programador é práticas de
programação.
responsável por desenvolver o sistema de controle de vendas

25
Programação I

da sua empresa. Como o sistema é grande, após um tempo, ele


não lembrará mais o porquê de ter colocado uma sequência de
comandos no seu programa. Se o programa estiver bem comentado,
o programador poderá, rapidamente, ter esta resposta. Além disso,
quando desenvolvemos programas em grupo, é importante que os
demais membros do grupo entendam o raciocínio do nosso programa
e isso pode ser explicado através dos comentários.

Os comentários podem ser colocados em qualquer parte do


programa. Quando o compilador identifica um comentário, ele os
ignora, já que os comentários são apenas informações para o
programador. A linguagem C fornece dois tipos de comentários: de
linha e de bloco. Vamos detalhar como funciona cada um deles.

Os comentários de linha são mais utilizados quando desejamos


comentar uma única linha do nosso programa. Um comentário de
linha possui a sintaxe a seguir:

Sintaxe

// texto do comentário

Um comentário de linha inicia com duas barras “//” e, na sequência,


vem o texto do comentário. O exemplo 2.3, a seguir, apresenta um
programa comentado. Na linha 7, temos o exemplo de um comentário
Saiba Mais de linha. Este comentário serviu para informar para que serve a
variável C. Assim que o compilador encontra “//”, ele ignora todo texto
11
No Dev-cpp, que vem após as duas barras11. Este tipo de comentário age apenas
quando
colocamos um na linha que ele é inserido.
comentário, as
letras do texto O segundo tipo de comentário disponível na linguagem C é o
comentado ficam
cinza. comentário de bloco. Os comentários de bloco são utilizados quando
queremos fazer um comentário maior, que compreenda mais de uma
linha de comentário. A sintaxe do comentário de bloco é a seguinte:

Sintaxe

/* texto do comentário

texto do comentário

texto do comentário */

Um comentário de bloco inicia com barra-asterisco “/*” e termina


por asterisco-barra “*/”. O compilador irá ignorar tudo o que encontrar

26
Programação I

entre estes dois símbolos. Veja no exemplo 2.3, que nas linhas 2, 3,
e 4 aparece um comentário de bloco. Este tipo de comentário do
exemplo é utilizado para identificar quem é o programador quando
o programa foi feito e o que o programa faz. Devemos adotar este
tipo de comentário no início dos nossos programas. Assim, ao abrir
um programa, rapidamente, saberemos para que ele serve. Devemos
tomar cuidado para não esquecer o “*/” que fecha o comentário de
bloco.

Exemplo 2.3: Programa C Comentado – Cálculo do cubo de um número

1 #include <stdio.h>

2 /* Programador: Sônia França

3 Data: 09/03/2009

4 Programa calcular o cubo de um número */

5 main()

6 {

7 int Num, C; // C guarda o cubo do numero

8 printf(“Cubo de um numero\n\n”);

9 printf(“Digite o numero: “);

10 scanf(“%d”,&Num);

11 C = Num*Num*Num;

12 printf(“\nCubo de %d = %d”,Num,C);

13 getche();

14 }

2.4. Os Fundamentos do Ambiente C

Na seção 1.5, do capítulo anterior, foram abordados os processos


de criação, compilação e execução de um programa. Nesta seção,
vamos detalhar um pouco mais estes processos, entendendo os

27
Programação I

fundamentos do ambiente C. A figura 2.2 apresenta um ambiente


C, com as seis fases pelas quais passa um programa, desde a sua
edição, até a sua execução.

Figura 2.2: Ambiente C

A fase 1 compreende a edição do nosso programa. O programa


é criado com a utilização de um editor e é armazenado no disco do
computador (HD - Hard Disk). O arquivo que contém o nosso programa
tem a terminação .c, e este é chamado de programa fonte ou código
fonte.

Ao terminar a edição do programa, o programador solicita que


o seu código fonte seja compilado. O compilador traduz o código
fonte para o código em linguagem de máquina (também chamado
de código objeto). Vocês se lembram das diretivas de compilação?
Antes da tradução, temos a fase 2, em que o pré-processador

28
Programação I

analisa o código fonte, executando as diretivas de compilação. O


pré-processador também é responsável por eliminar os comentários
que o programador colocou no seu código fonte. O pré-processador é
ativado automaticamente pelo compilador. Na fase 3, é que ocorre o
processo de compilação, após o código fonte ter sido pré-processado.
Para que o processo de compilação seja concluído, o programa não
pode apresentar erros de sintaxe.

Na fase 4, ocorre o processo de linking, que consiste na ligação do


código objeto, gerado pelo compilador, com o código das funções que
estão disponíveis nas bibliotecas que incluímos no nosso programa.
Ou seja, no exemplo 2.1, em que foi incluída uma biblioteca, o linker
deverá localizar o arquivo da biblioteca e fazer a ligação com o código
objeto. Esta fase termina com a geração do programa executável,
armazenando-o no disco do computador. No Dev-cpp, o programa
executável é armazenado no mesmo diretório que estiver armazenado
o código fonte. Na Figura 2.3, temos um diretório contendo o arquivo
do código objeto (.c – C source file) e o programa executável (.exe –
application). O arquivo do programa executável não pode ser editado,
o que nós podemos editar é o arquivo do código fonte.

Figura 2.3: Diretório contendo código objeto e o programa executável Saiba Mais

CPU é a sigla
12
As fases 5 e 6 consistem na execução do programa executável. para Central
Para dar início a execução de um programa, é necessário que o mesmo Processing
Unit, em Inglês,
esteja na memória principal do computador. Isto é feito na fase 5, pelo ou Unidade
Central de
carregador do programa. O carregador pega o programa executável Processamento.
que está armazenado no disco e o transfere para memória principal. A CPU é a parte
do computador
Assim que o programa está na memória principal do computador, ele que processa
as instruções
está pronto para ser executado. A execução de um programa é feita contidas em um
pela CPU12, que executa as instruções do programa, uma após a programa.

outra, até o seu término.

29
Programação I

Na próxima seção, vamos conhecer o Dev-Cpp, que possibilitará a


criação, compilação e execução dos nossos programas. Com o Dev-
cpp poderemos observar as fases aqui descritas.

2.5. Conhecendo o Dev-cpp

Saiba Mais O Dev-Cpp é um ambiente de programação que edita, compila


e executa programas C e C++13. Sabem porque iremos usar o Dev-
13
C++ é uma cpp para desenvolver nossos programas? O Dev-cpp é gratuito
linguagem de
programação que (muito importante!) e possui uma interface bastante amigável (mais
surgiu a partir
do C.
importante ainda!). A Figura 2.4 apresenta a tela principal do Dev-
cpp.

Figura 2.4: Tela principal do Dev-cpp

Como mencionado no início deste capítulo, vocês deverão “baixar”


o Dev-cpp e instalar no seu computador, para que possamos fazer
os nossos programas. O processo de instalação não apresenta
dificuldades. Vocês só devem ficar atentos no momento que for
questionado sobre qual idioma deseja utilizar, para que faça a escolha
do idioma correto (Português), certo? Assim, a interface do Dev-cpp
ficará toda em Português, facilitando os seus estudos.

Vamos analisar a tela principal do Dev-cpp, apresentada na figura


2.4. Na parte 1 temos o menu principal do Dev-cpp, que disponibiliza

30
Programação I

as seguintes opções:

» Arquivo: o menu arquivo disponibiliza, basicamente, as opções


para criar, salvar, imprimir e fechar arquivos.

» Editar: neste menu encontraremos as opções: copiar, colar,


selecionar, refazer e desfazer.

» Localizar: as opções deste menu nos possibilitam localizar


alguma palavra no programa fonte, além de permitir substituições
de uma palavra por outra.

» Exibir: neste menu temos as opções que nos permite exibir ou


esconder itens da interface do ambiente, como por exemplo:
barra de ferramenta e barra de status.

» Projeto: permite a adição ou remoção de arquivos em um


projeto.

» Executar: é através deste menu que iremos chamar as opções


para a compilação e execução do nosso programa.
Saiba Mais
» Debug: o debugador auxilia o programador a encontrar erros
no programa, tornando possível acompanhar passo a passo a
O CVS, ou
14

execução dos comandos do programa. Neste menu teremos as Concurrent


Version System
opções para utilização do debugador. (Sistema
de Versões
» Ferramentas: no menu ferramentas temos as opções para Concorrentes)
é um sistema
configurar o ambiente (mudar cores, tipo de letra, dentre outros) de controle de
versões que
e também a opção para atualização do Dev-cpp. permite que
se trabalhe
» CVS14: este menu é utilizado por quem faz o controle de com diversas
versões do
versões dos programas. Apesar de ser uma função bastante mesmo arquivo.
interessante, é mais utilizado quando trabalhamos em grupo ou Este sistema
mantém as
com programas grandes. versões antigas
do seu arquivo
» Janela: neste menu estão disponíveis as opções que nos e os logs de
quem e quando
permitem escolher qual janela de edição deve ficar visível manipulou os
arquivos.
no momento. Utilizamos esta opção quando temos vários
programas abertos ao mesmo tempo. É especialmente
útil para se
» Ajuda: neste menu encontramos o help do Dev-cpp. controlar versões
de um software
durante seu
Na parte 2, da Figura 2.4, temos os ícones de atalhos para as desenvolvimento,
opções mais utilizadas no Dev-Cpp. Se vocês deixarem o mouse ou para
composição
sobre o ícone, aparecerá um texto, que informa o que ele faz. Na parte colaborativa de
um documento.
3 temos a área de edição do programa. Para a área de edição ficar

31
Programação I

disponível, vocês deverão escolher a opção Arquivo/Novo/Arquivo


Fonte. É nesta área que digitaremos os nosso programas (código
fonte). A parte 4 fica visível quando nosso programa apresenta algum
erro de compilação. O compilador indicará em qual linha foi encontrado
um erro, e fornece uma dica do que pode ser o erro. Mesmo que
vocês tenham instalado o Dev-cpp em Português, as mensagens de
erro são apresentadas em Inglês. Por isso, é importante que vocês
comecem a se familiarizar com estas mensagens, para que consigam
tirar mais rapidamente os erros dos programas.

Segue abaixo um roteiro do que vocês precisam fazer para editar,


compilar e executar seus programas no Dev-cpp:

1. Crie um arquivo fonte novo na opção: Arquivo/Novo/Arquivo


Fonte;

2. Digite o programa fonte na área de edição. Ao terminar de editá-


lo, salve o arquivo;

Saiba Mais 3. Compile o programa na opção: Executar/Compilar;

15
O erro de 4. Se der algum erro no programa, vejam as indicações de
compilação pode erro fornecidas pelo compilador15. Conserte os erros, salve o
não estar na linha
que o complilador arquivo e compile novamente. Isto deve ser feito até que seja
está indicando. O
erro poderá estar: apresentada uma mensagem indicando que o programa não
na linha que ele tem erros de compilação.
está indicando,
na linha
imediatamente 5. Se vocês acessarem o diretório que o arquivo do código fonte
acima, ou ainda,
foi armazenado, notarão que foi criado um arquivo com a
em linhas mais
acima (menos extensão .exe (com o mesmo nome do arquivo do código fonte).
comum de
acontecer). Este é programa executável. Para executá-lo, escolha a opção
Executar/Executar no Dev-cpp. Imediatamente, aparecerá a
janela de execução do programa, como mostra a Figura 2.5.

Figura 2.5: Janela do programa em execução

É nesta janela que o programa será executado. Aqui o usuário

32
Programação I

deverá fornecer os dados solicitados pelo programa, neste caso o


programa está solicitando que seja digitado um número. Além disso,
também receberá os resultados fornecidos pelo programa. Quando
a execução de um programa é finalizada, esta janela será fechada
automaticamente.

Agora que já conhecemos o ambiente de desenvolvimento de


programa C, precisamos aprender os comandos para fazer um
programa completo. Nos próximos capítulos iremos ver tais comandos,
para podermos começar a programar. Não fiquem ansiosos(as), a
nossa hora de programar está chegando!

Atividades e Orientações de Estudo

Vamos resolver mais uma lista de exercícios? Note que estamos


conhecendo, aos poucos, os detalhes que envolvem a programação
de computadores. A resolução das atividades propostas fará com que
estes conceitos sejam assimilados de forma mais natural. É sempre
importante complementar o nosso conhecimento com a leitura de
livros e materiais disponíveis na Internet, indicados na seção “Conheça
Mais”. Será que vocês estão lembrados (as) das respostas para as
questões abaixo?

1. Quando é que precisamos incluir uma biblioteca em um


programa C?

2. O que é diretiva de compilação?

3. O que deve ter no corpo do programa principal?

4. O que é uma palavra reservada?

5. Por que devemos comentar nossos programas?

6. Qual a função do pré-processador no momento da compilação


de um programa?

7. Qual o papel do linker no processo de compilação?

8. Qual elemento do computador é responsável pela execução do


programa?

33
Programação I

Conheça Mais

Vocês poderão aprender mais sobre boas práticas de programação


nos sites:
http://www.ibm.com/developerworks/aix/library/au-hook_duttaC.html

http://www2.eletronica.org/artigos/eletronica-digital/programando-em-c-
boas-praticas

Para conhecer mais detalhes do ambiente de programação que


iremos utilizar, acessem os sites:
http://www.bloodshed.net/dev/index.html

http://www.uniqueness-template.com/devcpp/

Vamos revisar?

Nesta seção iremos revisar os principais tópicos vistos neste


capítulo. Vale a pena dar uma lida para verificar como está o nosso
aprendizado. Observem o resumo a seguir:

» A estrutura básica de um programa C deve seguir a seguinte ordem:


inclusão de bibliotecas, declaração das constantes e programa
principal. No corpo de programa principal temos: declaração de
variáveis e sequência de comandos.

» Uma biblioteca é um arquivo que contém comandos


complementares, que são utilizados pelo programa. Para a inclusão
de uma biblioteca devemos usar um comando que é chamado de
diretiva de compilação.

» As palavras reservadas de uma linguagem definem o que pode


ser feito e como pode ser feito. O programador não pode utilizar uma
palavra reservada da linguagem para dar nome as suas variáveis,
constantes e funções.

» O uso de comentário nos programas é uma boa prática de


programação, e facilita o entendimento do código fonte.

34
Programação I

» Passos para o desenvolvimento de um programa: edição, pré-


processamento, compilação, ligação (linking), carregamento e
execução.

» O compilador traduz o código fonte para o código em linguagem


de máquina. O pré-processador analisa o código fonte, executando
as diretivas de compilação.

» O linker faz a ligação do código objeto, gerado pelo compilador,


com o código das funções que estão disponíveis nas bibliotecas
que incluímos no programa.

» Ao ser executado, um programa deve ser carregado na memória.


O carregador, também conhecido por loader, e responsável por
acessar o programa armazenado no disco e carregá-lo para a
memória principal do computador.

» Os programas são executados passo a passo pelo processador


do computador.

35
Programação I

Capítulo 3 – Tipos de Dados,


Variáveis e Constantes

Saiba Mais Vamos conversar sobre o assunto?

16
A linguagem Programas são feitos para manipular dados. Armazenar notas,
C não possui
o tipo lógico,
calcular médias, alterar um endereço, etc. Os dados são a essência
que armazena de um programa. Dados precisam ser armazenados e modificados
verdadeiro ou
falso. ao longo da execução do programa. Neste capítulo, iremos conhecer
os tipos de dados suportados pela linguagem C e aprender a definir
constantes e variáveis.

Saiba Mais Inicialmente, os comandos serão apresentados em separado. Mas,


logo em seguida, veremos o ponto em que cada comando deve ser
17
Bit é uma colocado na estrutura do programa, certo? Tenham paciência! Vocês
abreviatura de
“Binary Digit” irão notar que muito dos conceitos estudados nos capítulos anteriores
(dígito binário).
Este termo foi
serão referenciados neste capítulo. Mas isto não é problema, não é
criado pelo mesmo? Vamos continuar os nossos estudos, conhecendo mais um
engenheiro belga
Claude Shannon pouco da linguagem C.
que em 1949
para simbolizar
uma unidade de
informação. Tudo 3.1. Tipos de dados
na informática é
medido em bits,
desde o tamanho Nesta seção, vamos aprender um conceito importante em
de um número
até a velocidade programação, que é: tipo de dados. De maneira geral, os programas
de transferência
de dados em uma
manipulam dados, armazenando-os e, muitas vezes, modificando seus
rede. Por ser uma valores. Primeiramente, vamos conhecer quais os tipos de dados são
unidade binária,
pode ter apenas manipulados na linguagem C. Basicamente, a linguagem C, manipula
dois valores, zero
ou um.
quatro tipos de dados: inteiro, real, caractere e void16. Para cada tipo
de dado, é necessária uma quantidade de bits17 para armazená-lo.
A partir do bit, Além disso, cada tipo de dado possui um conjunto de operações
surgiu o byte, que
nada mais é do que pode ser executada sobre ele. Nas subseções seguintes, vamos
que um conjunto
de 8 bits. detalhar cada tipo de dado separadamente.
Existem diversos
múltiplos dos
bytes: um kilobyte 3.1.1. Inteiro
(KB), equivalente
a 1.024 bytes; Os dados do tipo inteiro são toda e qualquer informação numérica
um megabyte
(MB), equivalente que pertença ao conjunto dos números inteiros relativos (negativo,
a 1.024 KB; e
um gigabyte, nulo ou positivo). Os números inteiros, em C, se dividem em três tipos,
equivalente a como mostra a tabela a seguir.
1.024 MB.

36
Programação I

Tipo Tamanho Intervalo Suportado

short 16 bits -32.768 a +32.767

int 32 bits -2.147.483.648 a + 2.147.483.647

-9.223.372.036.854.775.808
long 64 bits a
+9.223.372.036.854.775.807
Atenção
Qual a diferença entre cada um deles? A diferença entre os tipos
short, int e long é a quantidade de memória18 que é reservada para A memória
18

é a parte do
armazená-los. Veja como é simples: à medida que se utiliza mais computador que
memória, aumenta o intervalo do valor que pode ser armazenado. Por tem como função
o armazenamento
exemplo, para armazenar um dado do tipo short, são reservados 16 de dados. Quando
um dado vai ser
bits de memória. Com isso, o tipo short pode suportar um número armazenado,
inteiro no intervalo de -32.768 a +32.767, como apresentado na precisamos
reservar uma
tabela. Portanto, dependendo do valor que será armazenado, deve quantidade de
memória para
ser escolhido um tipo (short, int ou long) que comporte tal valor. Por isto.
exemplo, para armazenar a idade de um funcionário, o tipo short
é o mais adequado (já que a idade de uma pessoa é um valor que
raramente ultrapassa 100). No entanto, para armazenar a quantidade
de eleitores de uma cidade, deve-se usar o tipo int (note que em
muitas cidades, a quantidade de eleitores ultrapassará o maior valor
suportado pelo tipo short: 32.767). Para facilitar nosso estudo, neste
material, sempre será usado o tipo int para armazenar os dados
inteiros.

3.1.2. Real

Os dados do tipo real são toda e qualquer informação numérica


que pertença ao conjunto de números reais (negativo, positivo ou
nulo). Os números reais, em C, podem ser de dois tipos, como mostra
a tabela abaixo:

Tipo Tamanho Intervalo Suportado

float 32 bits 3.4E-38 a 3.4E+38

double 64 bits 1.7E-308 a 1.7E+308

Para o tipo float são reservados 32 bits de memória, o que


possibilita armazenar um valor no intervalo 3.4–38 a 3.438. Como o tipo
float suporta valores bem altos, neste material, sempre será usado o
tipo float para armazenar os dados reais.

37
Programação I

3.1.3. Caractere

Na linguagem C, os caracteres são do tipo char, representados


por toda e qualquer informação composta por um único caractere
alfa numérico (a, b, c,...z, A, B, C,...Z, 0...9) ou especial (como por
exemplo: ; # ? @ ! < ?). O tipo char armazena um único caractere.
Quando se deseja armazenar vários caracteres, é necessário definir
um vetor de caractere (mais detalhes na seção 3.2.2). Por exemplo,
o nome de um aluno é formado por uma cadeia de caracteres,
assim, será necessário usar um vetor de caracteres. Cada caractere
armazenado ocupa o espaço de 8 bits de memória. Um caractere
deve ser representado entre apóstrofo, por exemplo: ‘a’. Mas, quando
temos uma cadeia de caracteres, esta deve ser representada entre
aspas dupla, por exemplo: “Pedro Goncalves”.

3.1.4. Void

Em Inglês, void quer dizer vazio e é isto mesmo que o void é. Void
é um tipo que não armazena nada (um tanto esquisito, não é?). Este
tipo serve para indicar que um resultado não tem um tipo definido. Ele
é utilizado quando estamos definindo funções nos nossos programas.
Permite-nos desenvolver funções que não retornam nada e funções
que não têm parâmetros. Voltaremos a falar do tipo void no Volume 2,
no capítulo que aborda modularização.

3.2. Variáveis e Constantes

Agora que já sabemos os tipos de dados manipulados pela


linguagem C, vamos aprender como reservar espaços de memória
para o armazenamento dos nossos dados.

Qualquer dado que seja manipulado pelo programa deve ficar


armazenado na memória principal do computador. Para que o
armazenamento seja possível, precisaremos reservar espaços na
memória principal do computador. As variáveis e constantes são
unidades básicas de armazenamento dos dados em programação.
Elas são um espaço de memória reservado para armazenar um certo
tipo de dado e possuem um identificador (nome) para referenciar o
seu conteúdo. Dessa forma, nossos dados ficam armazenados em
constantes ou variáveis.

Uma variável pode conter, a cada instante, valores diferentes. No

38
Programação I

entanto, as constantes referem-se a valores fixos que não podem


ser alterados durante a execução do programa. O modo como cada
constante é representada depende do seu tipo (este assunto será
detalhado um pouco mais a frente).

Para entender o conceito de variáveis e constantes, vamos fazer


a seguinte analogia: um armário cheio de gavetas de tamanhos
diferentes. Acompanhem o raciocínio: Pedro tem um armário e
decide que em cada gaveta será guardado um tipo de roupa: camisa,
bermuda, calça, etc.

Figura 3.1: Armário cheio de gavetas

Em uma dada gaveta, só podem ser armazenadas camisas. Não


será permitido o armazenamento de calças nesta gaveta. Para facilitar
a identificação, Pedro coloca uma etiqueta informando o que cada
gaveta guarda. Com isso, Pedro poderá identificar, rapidamente, em
qual a gaveta estão guardadas suas camisas.

Agora vamos associar a ideia das gavetas com a ideia de variáveis,


constantes e tipo. As gavetas que guardam as roupas são como os
espaços de memória que armazenam nossos dados. Assim como uma
gaveta só pode armazenar um tipo de roupa, os espaços de memória
são especificados para armazenar um tipo de dado. Dependendo do
tipo de roupa, a gaveta precisa ser maior ou menor. Da mesma forma,
dependendo do tipo de dado, é feito uma reserva de mais ou menos
memória para armazená-lo (de acordo com as tabelas da seção 3.1).

As etiquetas das gavetas são os identificadores dos nossos

39
Programação I

espaços de memória. Assim, facilmente iremos encontrar um dado


armazenado nos nossos espaços de memória. Quando temos uma
variável, o conteúdo da nossa gaveta pode mudar ao longo do
tempo. Mas, no caso de uma constante, seu conteúdo será sempre o
mesmo.

Nas próximas seções, vamos aprender as regras para dar nomes


às nossas variáveis e constantes e como criar as nossas gavetas –
espaços de memória (variáveis e constantes).

3.2.1. Identificadores

Para que o compilador saiba quais dados estamos querendo


manipular, eles precisam ter um nome. É como nós, todos temos um
nome. Sabemos quando alguém está nos chamando quando falam
o nosso nome. Vai acontecer a mesma coisa com os espaços de
memória dos nossos programas, precisamos identificá-los de alguma
forma. Os identificadores são os nomes que damos às nossas
variáveis, constantes, funções e procedimentos usados no programa.
Para criar um identificador é necessário respeitar as regras a seguir:

» O primeiro caractere deve ser uma letra ou _ (underscore);

» O restante do nome deve ser formado por caracteres


pertencentes ao seguinte conjunto: a,b,c,..z, A,B,C,...Z,
0,1,2,...,9, _ (ou seja: letras, números e underscore);

» Não deve haver espaço em branco (ou seja, não existem


identificadores compostos, formados por dois ou mais nomes);

» Não utilizar acentos, nem cedilha;

» Os identificadores podem ter até 32 caracteres;

» Não deve haver identificadores repetidos (Se dermos o mesmo


nome para duas variáveis do nosso programa, o compilador
não vai saber qual delas será chamada, e isso não pode
acontecer).

A linguagem C faz distinção de maiúsculas e minúsculas. Assim,


os identificadores: Media, MEDIA, MediA e media são diferentes.
O fato de termos uma única letra de forma diferente (maiúscula ou
minúscula), já faz com que os identificadores se diferenciem. Esta
propriedade é chamada de case sensibility (sensibilidade a letras
maiúsculas e minúsculas).

40
Programação I

DICA: Boa Prática de Programação

Escolham bem os nomes das variáveis e constantes do


programa. Os identificadores escolhidos devem ser claros, a fim
de explicitar o conteúdo que será armazenado, mas também
não devem ser extensos para não dificultar a escrita.

A seguir, vamos verificar exemplos de identificadores corretos e


incorretos:

» Identificadores corretos: a, x2, Nome_Aluno, Media,


SalarioFuncionario. Note que, quando queremos usar
identificadores com mais de uma palavra, que foi o caso de
Nome_Aluno, usamos o _ para ligar uma palavra a outra. Ou
usamos as palavras juntas, como o exemplo SalarioFuncionario.
Lembrando que não podemos usar espaço em branco.

» Identificadores incorretos: 2m (começou com número),


media* (caractere * não é permitido), Nome disciplina (não pode
haver espaço em branco), funcionário (não pode acentuar).

Até este momento, vimos os conceitos de tipos de dados, variáveis,


constantes e identificadores. Na próxima seção, estes conceitos
serão utilizados em conjunto, para que possamos declarar as nossas
variáveis, ou seja, criar espaços de memória para armazenar os dados
manipulados pelo nosso programa. Continuemos a nossa leitura.

3.2.2. Declaração de Variáveis

Para que se possa usar uma variável em um programa,


primeiramente, é necessário fazer a declaração dela. A declaração
de uma variável informa ao processador duas coisas: o identificador
(nome) da variável e o seu tipo de dado. As variáveis precisam de
um nome para que o processador saiba onde desejamos armazenar
o nosso dado. Além disso, toda variável precisa ser associada a um
tipo de dado, para que o processador reserve o espaço de memória
necessário para o seu armazenamento. Como visto na seção 3.1, cada
tipo de variável, ocupa uma quantidade de bits diferente. Resumindo,
toda variável possui um nome, um tipo e um conteúdo (ou valor que é
armazenado na variável).

41
Programação I

A declaração de variáveis deve obedecer a seguinte sintaxe:

Sintaxe

tipo [variavel_1, variavel_2, ...];

Onde tipo é o tipo de dado (int, float, char) e variavel_1 é o nome


da variável a ser declarada. O nome da variável deve seguir a regra
dos identificadores (mencionadas na seção 3.2.1). Se houver mais de
uma variável do mesmo tipo, seus nomes são separados por vírgulas.
Notem que, no final do comando, aparece um ponto e virgula (;),
indicando ao compilador que o comando terminou.

Exemplo 3.1: Declaração de Variáveis

1 int idade, matricula;

2 float media, total;

3 char letra, nome_aluno[20];

As variáveis idade e matricula são espaços de memória que


armazenam números inteiros. As variáveis media e total armazenam
números reais. Note que na linha 3, temos as variáveis letra e
nome_aluno. Quando uma variável caractere tem apenas um único
caractere, na sua declaração, é necessário apenas dar um nome a
esta variável.

Quando houver necessidade de armazenar vários caracteres,


temos o que é chamado de cadeia de caracteres, vetor de caracteres
ou string. Uma cadeia de caracteres forma uma palavra ou frases. Para
declarar uma variável capaz de armazenar uma cadeia de caracteres,
devemos colocar ao lado do nome da variável, entre colchetes, um
valor inteiro, que significa quantos caracteres podem ser armazenados
nesta cadeia. Assim, a variável nome_aluno, declarada na linha 3, tem
capacidade de armazenar uma palavra/frase com até 20 caracteres.

A figura 3.2 representa a memória do computador, após a declaração


das variáveis do exemplo. Cada caixa representa uma variável. E,
cada variável possui o seu identificador. Assim, esta declaração de
variáveis resultou na reserva de seis espaços na memória. Toda vez
que precisarmos acessar ou armazenar o conteúdo de uma variável,
utilizaremos o seu identificador.

42
Programação I

Figura 3.2: Representação da memória do computador


após a declaração de um conjunto de variáveis

Atenção

Como dito anteriormente, o C difere as letras minúsculas


das maiúsculas. Assim, os tipos de dados e comandos que
iremos aprender ao longo da disciplina, DEVEM ser escritos em
minúsculo. Se vocês fizerem a seguinte declaração : Int x,y; Vai
ocorrer um erro no momento da compilação do seu programa,
já que o C não conhece o tipo Int com “I” maiúsculo. Fiquem
atentos, pois esse é um erro comum para quem está começando
a programar em C.

De acordo com o que foi visto, quando estudamos a estrutura


da um programa C, as variáveis devem ser declaradas logo quando
inicia o corpo do programa principal. Vamos estudar, a seguir, como
fazemos para declarar as nossas constantes.

3.2.3. Declaração de Constantes

Diferente das variáveis, as constantes mantêm seu valor ao


longo do programa. Para indicar ao compilador que se trata de uma
constante, a diretiva de compilação #define é utilizada. Segue a
sintaxe da declaração de uma constante.

Sintaxe

#define <identificador> <valor>

43
Programação I

Não é necessário colocar o ponto e vírgula no final da linha e


também não precisa informar o tipo de dado da constante. O valor
de uma constante não pode ser modificado, de maneira alguma, ao
longo da execução do programa.

O modo como cada constante é representada depende do seu


tipo. Constantes do tipo inteiro são representadas por números sem
o componente fracionário, por exemplo, 123 e 2009. Constantes reais
precisam do uso de ponto decimal seguido do componente fracionário
do número, por exemplo, 302.54. Constantes caractere são colocadas
entre apóstrofos, por exemplo, ‘a’. Constantes cadeia de caractere
são colocadas entre aspas duplas, por exemplo, “Casa” e “Maria”. A
seguir são apresentadas as declarações de quatro constantes:

Exemplo 3.2: Declaração de Constantes

1 #define DIAS 7

2 #define PI 3.1416

3 #define RESPOSTA ‘s’

4 #define DISCIPLINA “Matemática”

De acordo com o exemplo, a constante DIAS irá armazenar sempre


7. Como o valor que esta constante recebeu foi um valor inteiro, o
compilador entende, automaticamente, que esta é uma constante
inteira. Da mesma forma, como a constante PI recebeu 3.1416 (um
número real), o compilador saberá que se trata de uma constante do
tipo real. A constante RESPOSTA armazena um char e DISCIPLINA
uma cadeia de caracteres.

É interessante declarar uma constante quando sabemos que um


valor não será modificado ao longo da execução do programa. Por
questões de padronização, declare as suas constantes com todas as
letras em maiúsculo, como apresentado nos exemplos. Assim você
estará diferenciando-as das variáveis.

De acordo com a estrutura de um programa C, as nossas


constantes são declaradas no início do programa, logo após incluirmos
as bibliotecas que serão utilizadas. Estão lembrados(as) disso? Se
não estão, deem uma revisada na seção 2.1, certo?

Ao serem criadas, as constantes já recebem o valor que elas vão


armazenar ao longo do programa. Isto não acontece com as variáveis.

44
Programação I

Mas como fazemos para armazenar um valor em uma variável? Esta


resposta vocês encontrarão na próxima seção.

3.3. Operador de Atribuição (=)

Esse operador é utilizado para armazenar um valor em uma dada


variável. Assim, o operador de atribuição nos possibilita armazenar
um dado em um espaço de memória, que foi previamente declarado.
É importante que o dado que será armazenado seja compatível com
o tipo da variável que receberá a atribuição. Por exemplo, as variáveis
reais podem receber valores reais e inteiros. No entanto, uma variável
inteira não pode receber um valor real. Segue a sintaxe do operador
de atribuição.

Sintaxe

Variavel = Valor;

Variavel_1 = Variavel_2;

Variavel = Expressão Aritmética;

Variavel = função;

Variavel_1 = variavel_2 = variavel_3 = valor;

O operador de atribuição é representado pelo símbolo =. No lado


esquerdo do operador da atribuição, temos a variável que vai receber
o valor. No lado direito do operador, temos o valor que será atribuído
à variável. Ao final da linha de atribuição deve ter um ponto e vírgula.

Notem que o operador de atribuição permite várias possibilidades.


Para um melhor entendimento, o exemplo 3.3 apresenta cada uma
das possibilidades do operador de atribuição.

45
Programação I

Exemplo 3.3: Comando de atribuição

1 float Media, X, Y, Z;

2 int J, L, M, K, A, B;

3 char Letra;

4 Media = 7.5;

5 Letra = ’D’;

6 X = Y;

7 K = A + B;

8 Z = sqrt(4);

9 J = L = M = 10;

Nas linhas 1, 2 e 3, temos a declaração das variáveis. Lembrem


que só podemos armazenar algum valor, caso tenhamos declarado
as variáveis. Uma vez que é necessário ter reservado espaços de
memória para nossos dados, entendido?

Saiba Mais Na linha 4, a variável Media recebeu 7.5 (para números reais,
devemos utilizar ponto ao invés de virgula, para separar a parte inteira
19
Onde aparece o da parte fracionária do número)19.
= do comando de
atribuição, nos
lemos: “recebe”. Na linha 5, temos uma atribuição para uma variável char com um
Assim, o
comando da linha
único caractere. Note que, neste caso, o valor que a variável receberá
4 do exemplo 3.3, vem entre apóstrofo. Assim, a variável Letra está recebendo D.
seria lido: “Media
recebe 7.5”.

Atenção

O operador de atribuição não é usado para variáveis do tipo


char com vários caracteres. Este tipo de atribuição será visto no
capítulo “Comandos de Manipulação de Caracteres”, do Volume
4.

Na linha 6, a variável X receberá o valor que está armazenado


na variável Y. Na linha 7, a variável K irá receber o resultado da

46
Programação I

expressão A + B, ou seja, será obtido o valor armazenado na variável


A, depois o valor da variável B, os valores são somados e o resultado é
atribuído a variável K. Uma variável sempre recebe um valor. Quando
a atribuição tem uma expressão matemática, a expressão é resolvida
e o resultado é atribuído à variável.

Na linha 8, a variável Z receberá o resultado da chamada da função


sqrt (que faz o cálculo da raiz quadrada de um número). Veremos
mais detalhes sobre estas funções no capítulo 5.

Na linha 9, aparece o que chamamos de atribuição em cadeia.


Quando várias variáveis vão receber o mesmo valor, ao invés de ser
feita uma atribuição de cada vez, podemos dizer: variavel1 = variavel2
= variavel3 = valor. Nós podemos atribuir o mesmo valor a quantas
variáveis quisermos. Coloquei um exemplo com três variáveis, certo?
No exemplo da linha 9, as variáveis K, L e M vão receber 10. Mas
tem um detalhe, nós só podemos usar a atribuição em cadeia quando
todas as variáveis que irão receber o valor são do mesmo tipo. Assim,
nesta atribuição do exemplo, as três variáveis K, L e M são do mesmo
tipo: int.

Atividades e Orientações de Estudo

Temos agora mais uma lista de exercícios para consolidar o nosso


entendimento do assunto visto neste capítulo. Vocês perceberam
quantas coisas novas nós já aprendemos até aqui? Como uma
linguagem de programação envolve vários detalhes, são os exercícios
que vão nos ajudar a não esquecer deles. Prontos (as) para acertar
todas as questões?

1. Identifique os tipos dos valores abaixo (int, float, char de um


caractere ou char de vários caracteres):

1) 1000 2) “09” 3) – 1.56 4) “VERDADE”

5) – 456 6) 34 7) ‘C’ 8) 45.8976

9) “BRASIL” 10) ‘l’ 11) - 5.6 12) 300

2. A seguir, temos exemplos de identificadores. Assinale os


identificadores válidos e descreva o erro dos operadores
inválidos.

47
Programação I

1) endereco 2) 21brasil 3) fone$com 4) nome_usuario

5) usuario6 6) nome*usuario 7) end*a-6 8) #media

9) nome aluno 10) média 11) _pais 12) Media_da_Turma

3. De acordo com as declarações abaixo, assinale os comando de


atribuição inválidos e descreva o erro.

int NUM, X, SOMA;

float MEDIA, K, L;

( ) SOMA = NUM + 2;

( ) MEDIA = SOMA;

( ) NUM = K + L;

( ) X = X + 1

( ) L = SOMA - K;

( ) SOMA + 2 = NUM + 10;

( ) S = SOMA;

( ) X = SOMA - NUM;

Conheça Mais

Comece a aprofundar mais seus conhecimentos com a leituras dos


livros clássicos da linguagem C:

O mais autêntico de todos, tem como autores os criadores


desta linguagem: C - A Linguagem de Programação, de B.
W. Kernighan e D. M. Ritchie, editora Campus. Este é um livro
relativamente difícil de ler, mas é a “Bíblia” da linguagem.

Dois textos mais didáticos são:

C Completo e Total, de Herbert Schildt, pela editora MAKRON


Books.

Como programar em C, de H. M. Deitel e P. J. Deitel, pela


editora LTC.

48
Programação I

A vantagem de ver vários livros é que um autor acaba


complementado o que o outro escreveu. Além disso, um autor pode
explicar um certo assunto de forma mais clara que o outro. Por isso é
bom sempre dar uma olhada em livros novos e materiais disponíveis
na Internet.

Vamos revisar?

Vamos fazer uma revisão do assunto que foi visto neste capítulo,
fazendo a leitura do resumo a seguir:

» Os tipos de dados manipulados pelo C são: inteiro, real, caractere


e void.

» O tipo inteiro se divide em: int, short ou long. A diferença entre os


três tipos é a quantidade de memória reservada para armazená-
los.

» O tipo real se divide em: float e double.

» O tipo char armazena um caractere. Quando desejamos armazenar


vários caracteres, para formar um nome ou frase, precisamos
declarar uma cadeia de caracteres.

» As variáveis são espaços de memória onde armazenamos nossos


dados. Uma variável possui um nome, um tipo e um valor.

» Para que um variável passe a existir, precisamos fazer a sua


declaração. Ao declarar uma variável, damos a ela um nome, e
informamos que tipo de dado pode ser armazenado na variável.

» Os nomes das variáveis são os identificadores. Para dar um


nome a uma variável, precisamos seguir a regra de criação de
identificadores.

» As constantes são espaços de memória onde armazenamos um


valor que não será alterado durante a execução do programa.

» O comando de atribuição é utilizado quando desejamos armazenar


um valor em uma variável.

» A atribuição de um valor a uma variável só poderá ser executada


se o tipo de dado que a variável armazena for compatível com o
valor que será atribuído.

49
Programação I

Capítulo 4 – Comandos de
Entrada e Saída de Dados

Vamos conversar sobre o assunto?

Um programa que não fornece resultados, nem recebe valores


para serem processados, não tem muita utilidade. De um modo
geral, o objetivo pelo qual escrevemos programas é a obtenção de
resultados (Saídas) depois da realização de cálculos ou pesquisas
(Processamento) através do fornecimento de um conjunto de dados
(Entradas). Neste capítulo, iremos a estudar os comandos de entrada
e saída de dados. Assim, com o comando de entrada poderemos
fornecer dados para que sejam processados pelo programa.
Com o comando de saída poderemos receber os resultados do
processamento dos nossos dados. Uma boa notícia é que, a partir
Saiba Mais
deste capítulo, teremos adquirido conhecimento suficiente para
20
Voce sabe construir um programa completo em C! Ficaram felizes? Então não
quem inventou o
mouse? Embora
vamos perder mais tempo, vamos logo aprender os comandos de
tenha sido entrada e saída de dados.
inventado por Bill
Enghlish, a sua
patente pertence
a Douglas
Engelbart. Ele
4.1. Entrada de Dados
apresentou este
periférico pela
O comando de entrada de dados é utilizado quando desejamos
primeira vez em
1968 e o chamou fornecer um valor para um nosso programa. A entrada de dados é
de “XY Position
Indicator For A feita através de um dispositivo de entrada de dados. Os dispositivos
Display System”.
mais comuns são: teclado, mouse20, tela sensível ao toque, scanner,
O primeiro
mouse era feito dentre outros. A figura 4.1 apresenta alguns destes dispositivos.
de madeira,
com apenas um
botão. O invento
de Engelbart
ficou sem
muita utilização
devido a falta de
necessidade de
tal dispositivo, já
que a maioria dos
computadores
utilizavam
apenas textos
sem cursores
na tela. Vocês
se imaginam
sem um mouse
em seus
computadores?
Figura 4.1: Dispositivos de Entrada de Dados

50
Programação I

Nesta seção, iremos aprender como executar a entrada de um


dado (ou a leitura de um dado, como também é chamada) através do
teclado. A execução do comando de leitura pressupõe que os dados
serão fornecidos do meio externo (teclado), e serão armazenados na
memória (variáveis).

O comando que faz a leitura de um dado fornecido via teclado e


o armazena em uma variável do programa é o scanf. Fazendo um
paralelo com o Portugol, o scanf é o comando leia. Vamos ver a sua
sintaxe.

Sintaxe

scanf(“string de controle”, &variavel);

O comando scanf tem um certo nível de detalhes, para entendê-lo,


vamos por partes. Na primeira parte do scanf, entre as aspas, aparece
a string de controle. O que vem a ser a string de controle? A string de
controle indicará que tipo de dado será lido neste momento. A string
de controle deve assumir um dos valores abaixo:

String de Controle Significado

%d leitura de números inteiros

%f leitura de números reais

%c leitura de um caractere
Saiba Mais
%s leitura de cadeia de caracteres
Nós acessamos
21

Assim, quando formos ler um dado que vai ser armazenado em uma variável
através do seu
uma variável do tipo inteiro, a string de controle deve ser “%d”. Se nome. No entanto,
o processador
o valor a ser lido, for um número real, a string de controle será “%f”. acessa uma
Quando o dado a ser lido for um único caractere, a string de controle variável utilizando
o endereço de
é “%c” e para ler uma cadeia de caracteres, é utilizado “%s”. Com a memória dela.
Cada variável
resolução de exercícios, vocês não esquecerão o significado de cada criada no nosso
string de controle, certo? programa possui
um endereço de
memória. Nós
Na segunda parte do scanf, colocamos o nome da variável que não precisamos
vai armazenar o valor que será fornecido via teclado, entendido? conhecer o
endereço de
Notem que antes do nome da variável, aparece um & (e-comercial). memória de uma
variável, certo?
O & faz parte da sintaxe do scanf e não pode ser esquecido. NUNCA! Só precisamos
Na linguagem C, o & significa: “Endereço de memória”21. Assim, saber o nome
dela.
o comando scanf indica que o dado será lido via teclado e será

51
Programação I

armazenado no endereço de memória da variável. O comando scanf


também termina com ponto e vírgula.

Vamos analisar o exemplo 4.1, que apresenta o uso do scanf.

Exemplo 4.1: Comando de Entrada - scanf

1 int idade;

2 float salario;

3 char letra, nome[20];

4 scanf(“%d”, &idade);

5 scanf(“%f”, &salario);

6 scanf(“%c”, &letra);

Nas linhas 1 a 3, temos as declarações das nossas variáveis. No


scanf da linha 4, temos a leitura da variável idade. Como esta variável
é do tipo int, a string de controle é “%d”. Na linha 5, temos a leitura
da variável salário, que é do tipo float. Assim, a string de controle é
“%f”. Por fim, na linha 6, temos a leitura da variável letra, que é do
tipo char, contendo apenas um caractere. Por conta disso, a string de
controle foi “%c”. A string de controle vem sempre entre aspas duplas,
certo? Note que também foi declarada uma variável chamada nome,
que é uma cadeia de 20 caracteres. No entanto, o comando scanf não
funciona corretamente nas leituras de cadeias de caractere. Portanto,
quando for necessário fazer a leitura de variáveis deste tipo, teremos
que usar um outro comando, que será visto na próxima seção.

4.1.1. Entrada de Cadeia de Caracteres

Como mencionado, o comando scanf não funciona de maneira


correta ao ler uma cadeia de caracteres. O problema é que, se nesta
cadeia de caractere tiver um espaço em branco, separando uma
palavra da outra, ao encontrar o espaço em branco, o processador
entende que a leitura terminou, desprezando parte do nosso dado.
Então já viu, não dá para ficar com o dado pela metade, não é
mesmo?

A solução é usar outro comando de leitura, específico para a leitura


de cadeias de caracteres. Este comando é o gets. A sintaxe do gets
é a seguinte:

52
Programação I

Sintaxe
fflush(stdin);

gets(variável);

Para a execução de um gets, precisamos informar apenas a


variável que irá receber o valor lido. Note também que antes do gets,
temos o comando fflush. É assim mesmo. Sempre que tivermos um
gets, antes temos que executar um fflush. Não esqueça disso, certo?

O comando fflush é um comando que limpa o buffer de entrada de


dados (stdin). Estão querendo saber o que é o buffer de entrada? O
buffer é um espaço de memória que armazena, temporariamente, os
nossos dados. É assim, suponha que o programa está solicitando que
seja digitado o nome do usuário. O usuário vai teclando cada letra que
forma seu nome. Ao terminar de digitar, ele tecla enter. O enter indica
ao processador que o usuário encerrou aquela entrada de dados.
Enquanto não for teclado o enter, o processador vai armazenado cada
tecla que está sendo pressionada, no buffer de entrada. Após o enter
ser pressionado, o processador pega o nome completo do usuário,
que está no buffer de entrada, e transfere para a variável.

Pode parecer complexo, mas não é. A questão é que, enquanto não


terminamos de digitar o dado, ele está sendo formado. Só depois de
finalizada a entrada, é que ele é pode ser transferido para a variável.
A Figura 4.2 ilustra o esquema da entrada de dados.

4.2: Esquema da entrada de dados

A execução do fflush nos assegura que o buffer de entrada está


limpo, sem o conteúdo de algum dado que foi teclado anteriormente.

53
Programação I

No caso de entradas de dados usando o scanf, não é necessário


limpar o buffer de entrada.

Atenção

O gets e o fflush são comandos que se encontram em


uma biblioteca chamada stdio.h. Portanto, se você for
utilizar estes comandos, esta biblioteca deverá ser incluída
na seção de inclusão de bibliotecas do programa. A inclusão
é feita com a diretiva de compilação #include e fica assim:
#include <stdio.h>.

Vamos agora analisar o exemplo 4.2, que apresenta o uso do


comando gets.

Exemplo 4.2: Comando de Entrada - fgets

1 char nome_aluno[20], endereco[50];

2 fflush(stdin);

3 gets(nome_aluno);

4 fflush(stdin);

5 gets(endereco);

Na linha 1, temos as declarações das variáveis nome_aluno e


endereco. A variável nome_aluno armazena até 20 caracteres e a
variável endereco armazena até 50 caracteres. Antes de executar o
gets da linha 3, responsável por ler o nome_aluno, temos, na linha
2, o fflush, responsável por limpar o buffer de entrada. Na sequência,
temos a leitura da variável endereco. Assim, é necessária a execução
de um novo fflush antes do gets da linha 5. Notem que na leitura de uma
variável cadeia de caractere, só usamos o nome dela, desprezamos o
colchetes e o número que indica quantos caracteres ela armazena.

Agora que sabemos como fazer a entrada de dados via teclado,


vamos aprender a apresentar os dados na tela. Só falta este comando
para darmos início a criação dos nossos programas. Estamos bem
perto! Vamos em frente!

54
Programação I

4.2. Saída de Dados

O comando de saída de dados é utilizado quando desejamos ver


o resultado do processamento do nosso programa. Este comando
também é utilizado para passar mensagens na tela, solicitando que
o usuário faça algo, como por exemplo, digitar a idade dele. Os
dispositivos de saídas de dados mais comuns são: monitor, impressora
e caixas de som. A figura 4.3 apresenta tais dispositivos.

Figura 4.3: Dispositivos de saída de dados

Vamos agora aprender o comando que fornece a saída de dados


para o dispositivo de saída padrão que é a tela do computador. Este
comando é o printf. Fazendo um paralelo com o Portugol, o printf é o
comando escreva. Vamos ver a sua sintaxe.

Sintaxe

printf(“string de controle”);

printf(“string de controle”, lista de argumentos);

Existem duas sintaxes para o printf. Na primeira, só temos a string


de controle, entre as aspas dupla. Usamos esta sintaxe quando
queremos escrever apenas texto na tela. Na segunda, além da string
de controle, temos a lista de argumentos. Esta sintaxe é aplicada
quando iremos escrever texto e valores armazenados nas variáveis.
Apesar de aparecer aqui uma string de controle, ela não é similar a
do scanf, certo? No printf, a string de controle é uma “máscara” que
especifica (formata) o que será impresso e de que maneira será
impresso. Na string de controle pode conter: texto, códigos especiais
e especificadores de formatos. Calma! Vamos detalhar mais.

Primeiramente, vamos ver quais são os códigos especiais que


podem aparecer na string de controle do printf. Os códigos especiais
são formados por uma barra invertida (\), seguida de uma letra. O
código especial, indica uma ação que deve ser executada pelo printf.

55
Programação I

A tabela a seguir apresenta os códigos especiais e o seu significado.

Código Especial Ação

\n Muda o cursor para o início da linha seguinte.

\t tabulação (tab)

\” Escreve uma aspas dupla na tela

\\ Escreve uma barra invertida na tela

\a Dá um alerta sonoro

Vamos analisar exemplos bem simples de printf, que escrevem,


apenas um texto na tela.

Exemplo 4.3: Comando de Saída – printf – Escrevendo textos apenas

1 printf(“Ola Mundo!”);

2 printf(“\nBom Dia...”);

3 printf(“\n\nIsso eh um teste.\a”);

4 printf(“\n\nAte \nmais... \ntchau”);

A execução desta sequência de printf do exemplo 4.3, resulta na


seguinte tela (Figura 4.4).

Saiba Mais

22
A tela tem
as seguintes Figura 4.4: Tela de execução de um programa: uso do printf
dimensões: 80
colunas x 25
linha. Assim,
conseguimos
Vamos entender cada printf do exemplo 4.3. Um detalhe essencial
escrever 80 que devemos saber: o printf escreve um texto na tela, a partir do ponto
caracteres em
uma linha de tela. em que o cursor se encontra no momento. Quando um programa
E conseguimos
ter uma tela com
é executado, o cursor se encontra na primeira coluna, da primeira
até 25 linhas. linha da tela22. No primeiro printf do exemplo, a string de controle tem

56
Programação I

apenas o texto que queremos colocar na tela: “Ola Mundo!”23. Após


terminar este printf, o cursor estará posicionado após a exclamação.
Saiba Mais
Na sequência, na linha 2, temos um printf cuja string de controle é:
“\nBom Dia...”. O \n serviu para fazer com que o cursor mudasse para 23
Atenção: Não
use acentos nos
o início da linha seguinte e logo em seguida, o texto “Bom dia..” foi textos que serão
escritos na tela.
impresso, e o cursor ficou no final desta linha. No volume 4,
aprenderemos
No printf da linha 3, temos a string de controle: “\n\nIsso eh um como acentuar
nossos textos.
teste.\a”. A string de controle começa com dois “\n”. Isso faz com que
o cursor mude de linha duas vezes. Assim, teremos uma linha em
branco na tela. Além disso, na string de controle, também temos um
“\a”, que faz com que seja disparado um beep(sinal sonoro) quando
este printf for executado. É interessante usar o sinal sonoro quando
quisermos chamar a atenção do usuário.

Finalmente, na linha 4, temos o printf com a string de controle:


“\n\nAte \nmais... \ntchau”. Como a string de controle começa com
dois “\n”, o cursor muda de linha duas vezes, e escreve “Ate”. Na
sequência, temos outro “/n”, o que fez o cursor mudar novamente
de linha e escrever “mais...”. Por fim, temos outro “\n”, o cursor vai
mudar de linha e escreve “tchau”. Notem que um único printf, pode
resultar em um texto em várias linhas da tela. Isso não é possível no
Portugol.

Vamos ver agora, como escrevemos textos e valores, armazenados


nas nossas variáveis, na tela do computador. Para isto, temos que
saber mais um detalhe que vai aparecer na string de controle, que
são os especificadores de formato. Um especificador de formato
marca o lugar e o formato de impressão das variáveis, contidas na
lista argumentos (vejam a segunda sintaxe do printf). Deve haver um
especificador de formato para cada variável a ser impressa. Todos os
especificadores de formato começam com um %. Os especificadores
de formato são apresentados na tabela a seguir.

Especificador de Formato Uso

%d Escrever um valor do tipo inteiro

%f Escrever um valor do tipo real

%c Escrever um caractere

%s Escrever uma cadeia de caracteres

%% Escrever o caractere ‘%’

57
Programação I

Neste caso de impressão na tela, quando temos textos e valores,


na string de controle, devemos colocar um especificador de formato,
no ponto onde queremos que um valor seja impresso. O especificador
deve ser relativo ao tipo de dado que será impresso. Após a string
de controle, coloca-se uma vírgula, e na sequência vem a lista de
variáveis que será impressa. Assim, nós primeiro montamos a frase
(string de controle), informando em que ponto entrarão os valores
(usando os especificadores de formato) e, depois, informamos quais
variáveis serão utilizadas. Vamos ver alguns exemplos.

Exemplo 4.4: Comando de Saída – printf – Escrevendo textos e valores

1 int X, Y, mat, idade;

2 float A;

3 X = 1;

4 Y = 3;

5 A = 7.5;

6 mat = 123;

7 idade = 25;

8 printf(“O valor de A = %f”, A);

9 printf(“\n\nO aluno de matricula %d tem %d anos”,


mat, idade);

10 printf(“\n\nResultado da soma: %d”, X+Y);

A sequência do exemplo 4.4 é iniciada com a declaração das


variáveis e com a atribuição de valores, para que possamos entender
melhor a montagem dos printf. No primeiro printf, da linha 8, queremos
que seja apresentado o valor da variável float A. Assim, montamos a
string de controle, informando o ponto da frase onde deve ser colocado
o valor da variável A, utilizando o especificador de formato de valores
reais, o “%f”. Veja na Figura 4.5, a tela resultante da execução desta
sequência de comandos.

58
Programação I

Figura 4.5: Tela de execução de um programa usando printf com textos e valores

Quando pedimos para que um número real seja apresentado na


tela, este é mostrado com uma precisão de seis casas decimais.
Por isso, o valor da variável A, aparece como 7.500000. Podemos
decidir quantas casas decimais devem ser apresentadas, uma vez
que nem sempre queremos trabalhar com tantas casas decimais,
bem como, poderemos precisar trabalhar com um número maior de
casas decimais. Aprenderemos daqui a pouco como informar quantas
casas decimais devem ser apresentadas, quando um número real for
impresso na tela. Por enquanto, vamos continuar a análise do exemplo
4.4, certo?

No segundo printf, na linha 9, queremos que seja apresentado o


número de matrícula do aluno e a sua idade. Aqui temos um printf que
irá apresentar mais de um valor. O raciocínio é o mesmo. Montamos a
string de controle, informando onde vai aparecer o valor das variáveis,
utilizando o especificador de formato. O que muda é depois da string
de controle. Após a vírgula, devemos colocar as variáveis que serão
impressas, na ordem que elas devem aparecer na frase. Ou seja, se
na ordem da frase, vem primeiro a matrícula do aluno, então, coloca-
se primeiro a variável mat. Quando temos mais de uma variável,
elas são separadas por vírgula. Notem que continuamos usando os
códigos especiais na string de controle, neste caso foi colocado o “/n”,
para mudar o cursor de linha.

Na linha 10, temos um printf que irá apresentar o resultado de um


expressão matemática. Isto também é possível. Assim, na parte do
printf que indicamos a variável que será impressa, nós colocamos a
expressão matemática. A expressão é resolvida e o seu resultado é
apresentado na tela.

Vamos ver agora como fazer para que nossos números reais sejam
apresentados com a quantidade de casa decimais que quisermos. O
que vai mudar é o especificador de formato dos números reais, o “%f”.
Agora ele deve ser assim: entre o “%” e o “f”, colocaremos um ponto,

59
Programação I

seguido de um número, que representa quantas casas decimais nós


queremos que sejam apresentadas. Vejam os printf do exemplo 4.5.

Exemplo 4.5: Comando de Saída – printf – formatando números reais

1 float A, B,C;

2 A = 3.4;

3 B = 1.12345;

4 C = 7.56789;

5 printf(“A = %.1f”, A);

6 printf(“\n\nB = %.2f”, B);

7 printf(“\n\nC = %.2f”, C);

Primeiro, temos as declarações e atribuições para três variáveis


reais. Na linha 5, temos o printf que imprime o valor da variável A,
vejam como ficou o especificador de formato: “%.1f”. Neste caso,
queremos que seja apresentada apenas uma casa decimal deste
número. Vejam a Figura 4.6, que apresenta a tela resultante da
execução desta sequência de comandos.

Figura 4.6: Tela de execução de programa: formatação de números reais

Nas linhas 6 e 7, temos os printf que imprimem os valores das


variáveis B e C. Neste caso, queremos que sejam apresentadas duas
casas decimais, por isso, o especificador de formato ficou: “%.2f”.
Só vamos ver mais um detalhe. Notem que, quando pedimos para
que um número seja apresentado com poucas casas decimais, o
printf apresenta um valor arredondado. Como assim? Veja o valor
que foi atribuído a variável C, na linha 4 do exemplo: 7.56789. Veja

60
Programação I

agora o valor que foi apresentado na tela de execução do programa:


7.57. Funciona assim: se queremos que sejam apresentadas apenas
duas decimais, o printf vai verificar qual valor tem na terceira casa
decimal, se tiver um valor maior ou igual a cinco, ele arredonda o valor
apresentado. Se for um número menor que 5, ele não arredonda.
Observe o valor da variável B.

Terminamos aqui os comandos de entrada e saída. Como estes


comandos tem muitos detalhes, ficamos sujeitos a cometer vários
erros quando os utilizamos: esquecer uma vírgula, uma aspa, dentre
outros. Na próxima seção, iremos ver uma lista dos erros mais comuns
que ocorrem com o uso destes comandos. Com esta lista, poderemos
encontrar os erros dos nossos programas mais rapidamente, certo?

4.3. Erros Frequentes no Uso dos Comandos


de Entrada e Saída

Nesta seção, será apresentada uma lista com os erros que são
mais frequentemente cometidos por quem está iniciando a programar,
e que precisa ficar atento a tantos detalhes da sintaxe dos comandos.
Vamos ver, na tabela abaixo, os erros que podemos cometer no uso
do scanf, gets e printf.

Comando Erros Consequência

Scanf Esquecer o & antes do O programa compila, como se


nome da variável. não tivesse erro, mas durante a
execução ele trava.

Trocar a string de controle. O programa compila, mas a


Por exemplo, no lugar de variável receberá um valor
um %d, usar um %f. esquisito (normalmente, um valor
bem grande)

Esquecer o ; no final do O compilador avisa que tem erro.


comando.

Esquecer as aspas da O compilador avisa que tem erro.


string de controle.

Esquecer a vírgula entre O compilador avisa que tem erro.


a string de controle e a
variável.

Fazer a leitura de uma O compilador avisa que tem erro.


variável que não foi
declarada.

61
Programação I

Gets Esquecer de colocar o O programa compila, como se


comando fflush antes do não tivesse erro, mas durante a
gets. execução, o processador pula a
execução do comando gets.

Esquecer de incluir a O compilador avisa que tem erro.


biblioteca stdio.h.

printf Não fechar a string de O compilador avisa que tem erro.


controle.

Esquecer a vírgula entre O compilador avisa que tem erro.


as variáveis que serão
impressas.

Usar um especificador O programa compila, mas será


de formato incompatível impresso um valor esquisito.
com o valor que será
impresso.

Esquecer de colocar um O programa compila, mas não


especificador de formato. imprime o valor da variável.

Notem na coluna “consequência”, que mesmo que sejam cometidos


alguns tipos de erros, o programa vai compilar e só durante a execução
é que notaremos algo estranho. Atenção: podem ocorrer outros erros
que não foram mencionados nesta lista, estes são apenas os mais
comuns.

Pronto, enfim poderemos começar a fazer os nossos primeiros


programas! Já sabemos declarar variáveis, atribuir valores a elas,
ler valores via teclado e apresentar resultados na tela. Com esses
comandos, já podemos fazer uns programas simples em C. Para
começar, vocês já tem devem ter instalado o Dev-cpp nos seus
computadores. Na próxima seção, veremos dois programas completos
comentados. Agora é de verdade, vamos programar!

4.4. Primeiros programas em C

É isso, vamos começar com o nosso primeiro programa em C.


Ele será simples, mas com o tempo iremos aumentado o nível de
complexidade dos nossos programas. Antes de tudo, vamos a alguns
detalhes (Mais detalhes?). Primeiro, vocês devem executar o Dev-
cpp e escolher a opção: Arquivo/Novo/Arquivo Fonte. NÃO devemos
trabalhar com projetos, certo? Em seguida, comecem a digitar o
programa.

62
Programação I

Atenção

Por padrão, o Dev-cpp salva os nossos programas no formato


do c++ (ou seja, .cpp). Sempre que forem salvar os programas,
lembrem de informar que vocês querem que este seja salvo no
formato .c. Fiquem atentos a isso!

A Figura 4.7 mostra a tela de como devemos salvar nossos


programas. No momento que solicitamos que o programa seja salvo,
é aberta uma janela para escolha do diretório que o programa será
salvo, o nome dele e podemos também escolher o formato, na opção:
“Save as Type”. Nesta opção, você deve escolher: “C source files
(*.c)”. Só isso. Se você salvar seu programa como .cpp, ele ficará
dando erros.

Figura 4.7: Tela do Dev-cpp: salvando um programa c.

O nosso primeiro programa em C irá ler dois números inteiros e


apresenta a soma destes dois números. Segue abaixo o programa
completo. Em seguida, vamos comentar cada linha.

63
Programação I

Programa Completo 4.1: Ler dois números inteiros e calcula a soma

1 //Ler dois numeros e calcula a soma

2 main()

3 {

4 int n1, n2, soma;

5 printf(“Calcular a soma de dois numeros\


n\n”);

6 printf(“Primeiro valor: “);

7 scanf(“%d”, &n1);

8 printf(“Segundo valor: “);

9 scanf(“%d”, &n2);

10 soma = n1 + n2;

11 printf(“\n\nA soma dos dois numeros = %d\n\


n”,soma);

12 system(“pause”);

13 }

Comentários sobre cada linha do Programa completo 4.1

» Linha 1: De acordo com a estrutura de um programa C,


Saiba Mais este inicia com inclusão das bibliotecas, quando necessário.
Neste exemplo, não utilizamos nenhum comando que se fez
24
Ao ler um necessária a inclusão de biblioteca. Assim, na linha 1 temos um
enunciado de
uma questão comentário, indicando o que o programa faz. Sempre coloquem
procure
identificar as
esse tipo de comentário no programa. Assim, ele ficará bem
variáveis de documentado.
entrada, ou seja,
quais valores
serão fornecidos » Linha 2: início do programa principal, que é definido pelo:
pelo usuário e “main()”.
qual resultado o
programa precisa
processar. E » Linha 3: temos um abre chaves, que irá delimitar o corpo do
assim, faça a programa principal.
declaração das
suas variáveis.
» Linha 4: temos as declarações das três variáveis do programa24:

64
Programação I

n1 e n2 (para armazenar os números que serão fornecidos pelo


usuário) e soma (que armazena a soma dos dois números).
Importante
» Linha 5: um printf que serve para colocar, no início da tela,
o título do que o programa faz. Isso é importante para que o 25
Sempre que
temos que fazer
usuário saiba para que serve o programa. uma leitura de
dados (com
» Linha 625: colocamos este printf para que o usuário saiba que scanf ou gets),
devemos colocar
precisa fornecer o primeiro valor. uma mensagem
para que o
» Linha 7: scanf que lê o primeiro valor e armazena na variável usuário saiba
o que ele deve
n1. digitar. Assim,
todo scanf (ou
gets), deve ter
» Linha 8: printf para que o usuário saiba que precisa fornecer o
um printf antes,
segundo valor. informado o
que o usuário
tem que fazer. O
» Linha 9: scanf que lê o segundo valor e armazena na variável programa precisa
n2. se comunicar com
o usuário.
» Linha 10: agora que já temos os dois valores armazenados
nas variáveis n1 e n2, podemos executar a soma. Nesta linha,
temos o comando que atribui a soma das variáveis n1 e n2 para
a variável soma.

» Linha 11: printf que apresenta o resultado, que está armazenado


na variável soma.

» Linha 12: nesta linha, temos um comando novo. É o seguinte,


assim que é terminada a execução do nosso programa, o
processador fecha, automaticamente, a janela onde o programa
estava sendo executado. Por conta disso, acabamos sem
ver algum resultado que tenha sido impresso na tela. Para
fazer com que a janela não feche ao término da execução, foi
colocado o comando system(“pause”). Este comando dá uma
Saiba Mais
pausa na execução do programa e fica aguardando que o
usuário pressione alguma tecla26. Com esta pausa, poderemos 26
O comando
ver os resultados apresentados. Assim que pressionamos algo system(“pause”)
escreve na tela
no teclado, a janela irá fechar. Portanto, no final dos nossos de execução
do programa
programas, teremos que colocar o system(“pause”), certo? a seguinte
Um outro comando que faz a mesma coisa é o getche(), no mensagem:
“Press any key
próximo exemplo, usaremos o getche(), para que vocês possam to continue...”
ou “Pressione
conhecê-lo. qualquer tecla
para continuar...”
» Linha 13: fecha chaves, indicando o final do programa
principal.

65
Programação I

Vocês devem digitar, compilar e executar este programa utilizando


o Dev-cpp. Comecem a se familiarizar com a sintaxe do C. Também
procurem se familiarizar com o ambiente de programação. Em breve,
vocês não estarão mais tendo que consultar as sintaxes dos comandos
com tanta frequência. Vamos logo fazer outro programa!

Nosso segundo programa irá ler o nome do usuário e o ano em


que ele nasceu e como resultado imprime uma mensagem dizendo
quanto anos o usuário tem.

Programa Completo 4.2: Ler o nome e a idade do usuário


e informar a sua idade.

1 #include <stdio.h>

2 //Ler o nome e a idade do usuário e informar a


sua idade.

3 main()

4 {

5 char nome[20];

6 int ano, idade;

7 printf(“Calcular a idade o usuario\n\n”);

8 printf(“Seu nome: “);

9 fflush(stdin);

10 gets(nome);

11 printf(“Ano que voce nasceu: “);

12 scanf(“%d”, &ano);

13 idade = 2009 - ano;

14 printf(“\n\n%s, voce esta com %d anos.”,


nome, idade);

15 getche();

16 }

66
Programação I

Programa Completo 4.2: Ler o nome e a idade do usuário e


informar a sua idade.

Vamos ver o que está sendo feito em cada linha do programa


completo 4.2.

» Linha 1: Neste programa nós teremos que ler uma variável


que é uma cadeia de caractere: o nome do usuário. Assim,
precisaremos usar o gets e o fflush. Estes comandos ficam na
biblioteca stdio.h. Na linha 1, temos a inclusão desta biblioteca.

» Linha 2: Comentário indicando o que o programa faz.

» Linha 3: início do programa principal, que é definido pelo:


main().

» Linha 4: temos um abre chaves, que irá delimitar o corpo do


programa principal.

» Linha 5: declaração da variável do tipo char, que armazena o


nome do usuário.

» Linha 6: declaração das variáveis inteiras: ano (que armazena


o ano de nascimento do usuário) e idade (que armazenará a
idade do usuário, que será calculada pelo programa).

» Linha 7: printf que indica o que o programa faz, no início da


tela de execução.

» Linha 8: printf que solicita que seja digitado o nome do


usuário.

» Linha 9: temos o comando fflush, que DEVE sempre vir antes


do comando gets.

» Linha 10: gets que efetuará a leitura do nome do usuário.

» Linha 11: printf para que o usuário saiba que precisa fornecer o
ano de nascimento.

» Linha 12: scanf que lê o ano de nascimento do usuário.

» Linha 13: atribuição que descobre quantos anos o usuários


tem. Para isso, subtraímos o ano atual (2009), do ano que o
usuário nasceu. O resultado é atribuído para a variável idade.

» Linha 14: printf que apresenta o resultado. Notem que o nome


do usuário vai aparecer na frase. A string de controle começa no
dois “\n”, solicitando que o cursor mude de linha e logo temos

67
Programação I

um “%s”, isto é porque queremos que a resposta seja iniciada


com o nome do usuário. Um exemplo de frase de resposta é:
“Carolina, você esta com 10 anos”.

» Linha 15: temos o comando getche(), similar ao system(“pause”),


faz com que a tela de execução não feche ao final do programa.
A vantagem do getche() é que ele não escreve nada na tela.
Lembram que o system(“pause”) coloca uma frase na tela?

» Linha 16: fecha chaves, indicando o final do programa


principal.

A seguir, temos as telas de execução dos programas completos


4.1 e 4.2.

Tela de execução do Programa Tela de execução do Programa


completo 4.1 completo 4.2

Figura 4.8: Telas de execução dos programas completos 4.1 e 4.2

Com esses dois programa completamente comentados, já dá para


vocês começarem a treinar sozinhos. Não queiram acertar tudo de
primeira, vão com calma e sejam persistentes. Vejam que a sintaxe da
linguagem C é cheia de detalhes que precisamos ter muita atenção.
Na próxima seção, vocês encontrarão sugestões de exercícios.

Atividades e Orientações de Estudo

Como vocês já devem ter notado, uma linguagem de programação


envolve muitos detalhes. Vocês só irão aprender realmente, se fizerem
muitos exercícios. É a prática que fará com que esta gama de detalhes
seja assimilada. Portanto, aqui vai mais uma lista de exercícios. Esta
é para ser resolvida no computador, certo? Podem começar a ligar
seus computadores!

68
Programação I

1. Faça um programa que leia dois números reais A e B e os


imprima na tela. O valor da variável A deve ser apresentado
com duas casa decimais e o valor da variável B com três casas
decimais.

2. Faça um programa que leia o nome do usuário e escreva uma


frase de saudação, desejando um bom dia de trabalho para
o mesmo. A resposta deve ter o formato deste exemplo: “Ola
Joao, tenha um otimo dia de trabalho!”. Faca o programa soar
um sinal sonoro(beep) ao escrever esta frase.

4. Faça um programa que leia dois números inteiros A e B e


imprima o resultado da subtração de A por B. A resposta deve
ter o seguinte formato: “6 – 2 = 4”.

3. Faca um programa que leia o nome do usuário e a sua idade e


imprima quantos anos ele terá em 2020. A resposta deve ter o
formato deste exemplo: “Carlos, em 2020 voce estara com 45
anos”.

5. Faça um programa que leia o nome do usuário, a idade do


usuário, o nome da mãe do usuário e a idade da mãe do
usuário. O programa deverá imprimir na tela quantos anos a
mãe do usuário tinha quando ele nasceu. A resposta deve ter
o formato deste exemplo: “Carlos, quando voce nasceu, Dona
Cecilia tinha 27 anos”.

Conheça Mais

Aumente os seus conhecimentos sobre comandos de entrada


e saída de dados acessando site especializados na linguagem C.
Muitos professores e instituições disponibilizam materiais na rede e o
principal, vocês podem encontrar muitos enunciados de exercícios.

Vocês já se inscreveram em um fórum de discussão da linguagem


de programação C? Nessa fase em que estamos iniciando a programar,
ter auxílio de programadores experientes é muito importante. Não
deixem de se inscrever, certo?

69
Programação I

Vamos revisar?

Para dar uma revisada nos tópicos tratados neste capítulo, leiam o
resumo a seguir:

» Dispositivos de entrada: são utilizados para passar informações


para o computador. São exemplos de tais dispositivos: teclado e
mouse.

» Dispositivos de saída: são utilizados para apresentar informações


processadas pelo computador.

» scanf: um dos comandos de leitura do C. Este comando não é


adequado para a leitura de cadeia de caracteres.

» gets: comando específico para a leitura de cadeia de caracteres.


Para utilizá-lo, é necessário incluir no programa a biblioteca
stdio.h.

» fflush: comando que faz a limpeza do buffer de entrada de dados.


Sempre que fizermos uma leitura de cadeia de caracteres, devemos
colocar o comando fflush.

» printf: comando de saída de dados. O printf pode ser usado para


imprimir textos, valores de variáveis e resultados de expressões
aritméticas.

» getche() e system(“pause”): comandos para provocar uma parada


na tela de execução, fazendo com que o usuário possa conferir o
resultado processado pelo programa.

70
Programação I

Capítulo 5 – Operadores,
Expressões e Funções
Matemáticas

Vamos conversar sobre o assunto?

Gostaram de ter feito os primeiros programas em C? Foram


programas simples, que utilizavam o assunto visto até o momento.
Vamos continuar avançando no estudo da linguagem C e aumentando,
gradativamente, o nível de complexidade dos nossos programas.
Neste capítulo, iremos aprender quais operadores estão disponíveis
na linguagem C e como utilizá-los, através da montagem de
expressões aritméticas, relacionais e lógicas. Também iremos abordar
as principais funções da biblioteca matemática. Com o assunto deste
capítulo, teremos habilidades para resolver questões que requerem
a construção de expressões, seja aritmética, relacional ou lógica.
Vamos em frente!

5.1. Operadores Básicos

Em toda linguagem de programação, existem operadores que


nos permitem armazenar, modificar, comparar e avaliar dados no
computador. Aqui veremos três tipos de operadores: aritméticos,
relacionais e lógicos. Nas próximas seções, será feito o detalhamento
de cada um dos tipos de operadores.

5.1.1 Operadores Aritméticos

Usamos os operadores aritméticos quando precisamos executar


operações aritméticas (matemáticas) sobre os nossos dados
(variáveis). A tabela abaixo apresenta os operadores aritméticos do C.
Notem que o operador da multiplicação é um asterisco.

Operador Descrição

+ Adição

- Subtração

* Multiplicação

71
Programação I

/ Divisão

% Retorna o resto da divisão


inteira de a por b

() Parênteses

Vamos dar uma atenção especial aos operadores da divisão(/)


e resto(%). O resultado de uma divisão, em C, depende dos tipos
dos dados que estão sendo divididos. A tabela abaixo apresenta o
resultado da operação de divisão, de acordo com os tipos de dados
do numerador e do denominador.

numerador / denominador resultado

inteiro / inteiro inteiro

inteiro/ real real

real / inteiro real

real/real real

Quando dois números inteiros são divididos, o resultado é a parte


inteira do quociente da divisão. Quando pelo menos um dos elementos
(numerador e/ou denominador) é real, o resultado é um número real.
Vamos analisar a sequência de comandos a seguir:

Exemplo 5.1: Uso de Operadores Aritméticos

1 int X, Y, Z, W;

2 float K, L, M;

3 X = 19;

4 Y = 3;

5 Z = X/Y;

6 W = X % Y;

7 K = 19;

8 L = 3;

9 M = K/L;

72
Programação I

Nas linhas 1 e 2, temos as declarações das variáveis: quatro


inteiras (X, Y, Z e W) e três reais (K, L, e M). Nas linhas 3 e 4 são
atribuídos valores nas variáveis X e Y, que passam a armazenar
tais valores. Na linha 5, temos um comando de atribuição, em que
a variável Z receberá o resultado da divisão entre a variável X (19)
e a variável Y (3). Como as variáveis X e Y são inteiras, o resultado
será a parte inteira do quociente da divisão. Assim, se temos: 19/3 =
6.333333, será considerado apenas a parte inteira do resultado, ou
seja, 6. Portanto, nesta atribuição da linha 5, a variável Z vai receber
6.

Na linha 6, a variável W vai receber o resto da divisão de X por


Y, ou seja, o resto da divisão de 19 por 3. A figura 5.1 ilustra como a
operação do resto é feita.

Figura 5.1: Resto de uma divisão

A operação do resto funciona da seguinte forma: os dois números


vão sendo divididos, neste caso: 19 é dividido por 3 (primeiro quadro
da figura 5.1). Assim, 19 por 3 dá 6 e sobra 1. Como o 1 não dá pra
ser dividido por 3, a conta para e pega o resto da divisão que é 1.
Portanto, o resultado da operação X%Y (neste caso, 19%3) é 1. Este
resultado será atribuído a variável W.

Atenção

O operador do resto (%) só pode ser usado quando as


variáveis envolvidas são do tipo inteiro. Não poderemos usar tal
operador para obter resto de divisão de números reais. Outra
coisa: o operador % não tem nada haver com percentagem,
certo?

Nas linhas 7 e 8, são atribuídos valores nas variáveis K e L, que


passam a armazenar tais valores. Na linha 9, temos um comando

73
Programação I

de atribuição, em que a variável M receberá o resultado da divisão


entre a variável K (19) e a variável L (3). As variáveis K e L são reais
(float). Dessa forma, teremos 19/3 = 6.333333. O resultado completo
será atribuído a variável M, ou seja 6.33333, sem desprezar a parte
fracionária do resultado.

A figura 5.2 apresenta o valor que ficou armazenado em cada uma


das variáveis, após a execução da sequência de comandos. Note que,
nas variáveis reais, mesmo que seja atribuído um valor inteiro, como
por exemplo, na linha 7, que foi atribuído 19 à variável K, no momento
que o valor é armazenado, ele passa a ter a parte fracionária do
número. Por isso, a variável K aparece com 19.000000 de conteúdo
(lembrem-se que o ponto deste número, está representando uma
virgula, certo?).

Figura 5.2: Resultado final das variáveis

5.1.1.1 Prioridade dos Operadores

Uma questão que devemos tomar bastante cuidado ao montar


uma expressão aritmética é a prioridade dos operadores. A prioridade
que o operador aritmético tem sob o outro é que vai determinar como
a expressão será resolvida. Na matemática, quando montamos uma
expressão, usamos parênteses, colchetes e chaves. Nas linguagens
de programação, nós só temos os parênteses.

Os parênteses têm um papel importante nas expressões e


possibilitam que a ordem das operações seja alterada. Expressões
entre parênteses são calculadas primeiro, portanto eles fornecem
o maior grau de prioridade às expressões que envolvem. Podemos
ter pares de parênteses envolvendo outros pares. Dizemos que os
parênteses estão aninhados. Neste caso, as expressões dentro dos
parênteses mais internos são avaliadas primeiro.

74
Programação I

A tabela abaixo apresenta a prioridade de resolução dos operadores


aritméticos:

Prioridade Operador

1º Operações embutidas em parênteses “mais internos”

2º % (resto) e/ou * (multiplicação) e/ou / (divisão)

3º + (adição) e/ou – (subtração)

De acordo com a tabela, as expressões entre parênteses tem maior


prioridade, portanto, são resolvidas primeiro. Na sequência, resolve
os operadores resto e/ou multiplicação e/ou divisão, e, finalmente,
resolve os operadores de adição e/ou subtração. Quando aparecem
operadores de mesma prioridade em uma expressão, o operador mais
à esquerda será avaliado primeiro.

Vamos analisar o exemplo 5.2, a seguir, e verificar qual o valor


final das variáveis A, B, C e D.

Exemplo 5.2: Prioridade de Operadores

1 int X, Y, Z, W, A, B, C, D;

2 X = 19;

3 Y = 3;

4 Z = 4;

5 W = 2;

6 A = X + Y * Z;

7 B = (X + Y) * Z;

8 C = X – Y * Z / W;

9 D = (X-Y) * (Z/W);

Na linha 1, temos as declarações das variáveis que serão usadas


(todas elas são do tipo int). Nas linhas 2 a 5, são atribuídos valores
às variáveis X, Y, Z e W. Vamos acompanhar a resolução de cada
expressão das linhas 6 a 9 na figura 5.3. A parte da expressão que

75
Programação I

aparece circulada, é a que tem prioridade de resolução.

Figura 5.3: Acompanhamento da resolução das expressões aritméticas

No primeiro quadro (atribuição para a variável A), aparecem


na expressão os operadores da adição e multiplicação. Como a
multiplicação tem prioridade, esta é resolvida primeiro. Posteriormente,
o operador da adição é resolvido e assim o resultado que será
atribuído à variável A.

No segundo quadro (atribuição para a variável B), a expressão


também é composta por operadores de adição e multiplicação. No
entanto, a adição aparece entre parênteses. Sabe-se que a operação
dentro dos parênteses terá prioridade. Assim, a adição é resolvida e,
posteriormente, a multiplicação.

No terceiro quadro (atribuição para a variável C), aparecem na


expressão os operadores de subtração, multiplicação e divisão.
O operador de subtração é o de menor prioridade. No entanto, os
operadores de multiplicação e divisão tem a mesma prioridade. Dessa
forma, o operador da multiplicação será resolvido primeiro, já que ele
aparece mais à esquerda da expressão. Na sequência, a divisão é
resolvida. E, finalmente, a subtração.

Finalmente, no quarto quadro (atribuição para a variável D),


aparecem na expressão os operadores de subtração, multiplicação,
divisão e parênteses. Primeiro, é resolvida a expressão dentro
do parêntese mais à esquerda. Posteriormente, a expressão
entre parênteses mais à direita. Finalizando com a resolução da
multiplicação.

76
Programação I

5.1.2 Operadores Relacionais

Os operadores relacionais são utilizados para comparar valores


de variáveis ou expressões aritméticas. Uma expressão aritmética
tem como resultado um valor numérico. No caso de uma expressão
relacional, o resultado será sempre um valor lógico: “Verdade” ou
“Falso”. Na tabela abaixo são apresentados os operadores relacionais
do C.

Operador Descrição

== Igualdade

!= Diferença (≠)

< Menor

> Maior

<= Menor ou Igual (≤)

>= Maior ou Igual (≥)

Vamos aprender como montar uma expressão relacional. Segue


abaixo as possíveis sintaxes de expressões relacionais.

Sintaxe

Variavel operador Valor

Variável1 operador variável2

Variavel operador Expressão Aritmética

Expressão Aritmética operador Expressão Aritmética

Notem que podemos montar a expressão relacional de várias


formas. Na tabela abaixo são apresentados exemplos de expressões
relacionais.

Exemplo 5.3: Expressões relacionais

1 X == 10

2 X > Y

3 X < Y + Z

4 X * Y > Z / W

77
Programação I

Na linha 1, temos uma expressão relacional que verifica se a


variável X é igual a 10 (ou ela será igual a 10 ou não, resultando
em verdade ou falso). Na linha 2, temos uma expressão relacional
que compara duas variáveis. Esta expressão verifica se o valor da
variável X é maior que o valor da variável Y. Na linha 3, a expressão
relacional compara o valor da variável X com o resultado da expressão
aritmética Y + Z. Por fim, na linha 4, temos uma expressão relacional
que compara o resultado de duas expressões aritméticas.

Suponha que X = 1, Y = 5, Z = 8 e W = 2. Vamos ver o resultado


das expressões do exemplo 5.3 (V é verdade e F é falso):

Resultados das expressões relacionais do exemplo 5.3

1 X == 10 => 1 == 10 => F

2 X > Y => 1 > 5 => F

3 X < Y + Z => 1 < 5 + 8 => 1 < 13 => V

4 X * Y > Z / W => 1 * 5 > 8 / 2 => 5 > 4 => V

Quando as expressões relacionais são compostas por expressões


aritméticas (como os exemplos das linhas 3 e 4), a prioridade de
resolução é da expressão aritmética. Assim, primeiro resolve-se
a expressão aritmética e a comparação é feita com o resultado da
mesma.

5.1.3 Operadores Lógicos

Os operadores lógicos servem para interligar duas ou mais


expressões relacionais. Uma expressão lógica representa a união
de expressões relacionais, permitindo que os resultados de várias
expressões relacionais sejam transformados em um único resultado
lógico (verdade ou falso).

Os operadores lógicos são: E, OU e NÃO. A tabela a seguir


apresenta como os operadores lógicos são representados na
linguagem C.

78
Programação I

Operador Lógico Operador Lógico em C

E &&

OU ||

NÃO !

Os resultados das expressões lógicas obedecem às tabelas que


veremos a seguir, que dependem dos resultados das expressões
relacionais envolvidas. Quando montamos uma expressão lógica, as
expressões relacionais devem ser colocadas entre parênteses.

Começaremos estudando a tabela de resultados do operador lógico


E. Quando este operador interliga duas expressões relacionais, o
resultado da expressão lógica só será verdade se as duas expressões
relacionais forem verdade. Em qualquer outra situação, o resultado
será falso.

Tabela de Resultado do Operador Lógico E (&&)

Expressão Relacional 1 Expressão Relacional 2 Resultado

V V V

V F F

F V F

F F F

Vejamos um exemplo: um aluno só será aprovado se a sua média


for maior ou igual a 7. E, se a quantidade de faltas for menor que 15.
As duas condições precisam ser verdade, para o aluno ser aprovado.
Se o aluno tem a média maior que 7, mas tem mais de 15 faltas, ele
não será aprovado. A expressão lógica para testar esta situação é
apresentada na linha 1 do exemplo 5.4, a seguir.

Exemplo 5.4: Expressões Lógicas com operador e (&&)

1 (media >= 7.0) && (faltas < 15)

2 (A < 5) && (B <> 5)

3 (X > 10) && (Y > 50) && (Z < 25)

79
Programação I

Quando temos mais de duas expressões relacionais, como é o


caso do exemplo da linha 3, a expressão lógica vai sendo resolvida da
esquerda para a direita. Para acompanhar a resolução das expressões
do exemplo, vamos supor que: media = 8.0, faltas = 18, A=3, B=4, X =
15, Y= 70 e Z=30. Vejamos a figura 5.4 a seguir.

Figura 5.4: Resultado das expressões lógicas do operador &&

No primeiro quadro da figura, a primeira expressão relacional é


verdade e a segunda expressão é falsa. De acordo com a tabela
de resultados do operador lógico E, verdade && falso dá falso. No
segundo quadro, as duas expressões relacionais são verdade. Assim,
de acordo com a tabela de resultados do operador lógico E, verdade
&& verdade dá verdade. Finalmente, no terceiro quadro temos três
expressões relacionais. Neste caso, iremos resolver a expressão
lógica, da esquerda para a direita. Começamos encontrando o
resultado da primeira expressão relacional, com a segunda (ou seja,
(X>10) && (Y>50)). E depois, pegamos este resultado e continuamos
resolvendo o restante da expressão, sempre da esquerda para a
direita. Podemos interligar vária expressões relacionais, através dos
operadores lógicos.

Agora vamos analisar a tabela de resultados do operador lógico


OU. Quando tivermos duas expressões relacionais interligadas pelo
operador lógico ou, o resultado da expressão lógica só será falso se
as duas expressões relacionais forem falsas. Nos demais casos, o
resultado da expressão será verdade.

Tabela de Resultado do Operador Lógico OU (||)

Expressão Relacional 1 Expressão Relacional 2 Resultado

V V V

V F V

F V V

F F F

80
Programação I

Vejamos um exemplo: para o aluno ingressar em um curso superior


- ele deve ser aprovado no vestibular OU ele deve ser um portador de
diploma. Apenas uma situação precisa ser verdade. Assim, se o aluno
nem passou no vestibular, nem é portador de diploma, não poderá
ingressar no curso. A expressão lógica para testar esta situação
é apresentada na linha 1 do exemplo 5.5, a seguir. Vejam outros
exemplos de expressões lógicas com o operador OU.

Exemplo 5.5: Expressões Lógicas com operador ou (||)

1 (Aprove_Vestibular == ‘S’) || (Portador_Diploma == ‘S’)

2 (A < 3) || (B < 2)

3 (X < 12) || (Y > 1) || (Z < 35)

A tabela de resultados do operador lógico NÃO é apresentada a


seguir. Notem que a finalidade deste operador é inverter(ou negar,
como é comumente chamado) o resultado de uma expressão
relacional. Assim, se a expressão relacional é verdade, a sua negativa
é falso.

Tabela de Resultado do Operador Lógico Não (!)

Expressão Relacional Resultado

V F

F V

No exemplo 5.6, temos duas expressões lógicas com o operador


NAO. Este operador deve ser colocado na frente da expressão
relacional.

Exemplo 5.6: Expressões Lógicas com operador não (!)

1 !(X < 12)

2 !(Y == 10)

A figura 5.5, ilustra uma situação cotidiana, do uso de operadores


lógicos.

81
Programação I

Figura 5.5: Uso cotidiano de operadores lógicos

Nós também poderemos ter expressões lógicas, em que aparecem


mais de um tipo de operadores lógicos, além de operadores
aritméticos. Vejamos o exemplo 5.7.

Exemplo 5.7: Expressões Lógicas com vários operadores

1 (X > 10) && (Y < 30) || (Z == 1)

2 (A == 2) || (B <> C) && (D < 1) || (E > 10)

3 !(A == 1) || (B <= C + B)

4 (X + Y < Z + W) && (A < 3 + D) || (F < 5)

Nestes casos, vamos ver a tabela de prioridade de operadores,


para a resolução de tais expressões.

Prioridade Operador

1º Operações embutidas em parênteses “mais internos”;

2º Resto e/ou multiplicação e/ou divisão;

3º Adição e/ou Subtração;

4º Operadores Relacionais;

5º Operadores Lógicos.

Primeiro, resolveremos as expressões aritméticas (seguindo


a prioridade dos operadores aritméticos), depois as expressões
relacionais e, finalmente, as expressões lógicas.

82
Programação I

5.2. Operadores Aritméticos de Atribuição

A linguagem C oferece um conjunto de operadores que é uma


combinação de operador de atribuição e operador aritmético, são
os operadores aritméticos de atribuição. Eles são utilizados para
representar de maneira reduzida uma operação aritmética, seguida de
uma atribuição. A próxima tabela apresenta os operadores aritméticos
de atribuição e como utilizá-los em nossos programas.

Operador Exemplos de Uso Descrição

+= X += 4; Equivale a X = X + 4;

-= Y -= X; Equivale a Y = Y – X;

*= Z *= W; Equivale a Z = Z * W;

/= K /= 7; Equivale a K = K / 7;

%= L %= M; Equivale a L = L % M

Como pode ser visto, a sintaxe do operador aritmético de atribuição


é: um operador aritmético(+, -, *, /, %) seguido do operador da
atribuição (=). Uma expressão com este tipo de operador, significa que
a variável do lado esquerdo da atribuição, além de receber o resultado,
também fará parte da expressão aritmética. Vejamos o exemplo dado
para o operador +=. A expressão X += 4, quer dizer que: será obtido
o valor da variável X, adiciona 4, e este resultado é atribuído a própria
variável X. Neste caso, é como se fosse um acumulador: acumule 4
ao valor que já tem na variável X.

5.3. Operadores ++ e --

Os operadores ++ e -- são utilizados após o nome de uma variável


e servem para incrementar (++) ou decrementar (--) uma unidade da
variável, ou seja, somar 1 ou subtrair 1 do valor da variável. A tabela
abaixo apresenta os operadores ++ e --, seguidos de exemplos de
uso. Após o ++ ou --, devemos colocar um ponto e vírgula.

Operador Exemplos de Uso Descrição

++ X++; Equivale a X = X + 1;

-- Y--; Equivale a Y = Y -- 1;

83
Programação I

No exemplo X++, significa que, se X=5, será somado 1 ao valor da


variável X, e assim, X finalizará com 6. Da mesma forma, no exemplo
Saiba Mais Y--, significa que, se Y=5, será subtraído 1 do valor da variável Y, e
assim, Y finalizará com 428.
28
Os operadores
++, -- e
operadores
aritméticos 5.4. Conversão de tipo
de atribuição
fazendo com
que as nossas Quando usamos operadores aritméticos, temos que lembrar que
expressões
fiquem menores, o resultado da expressão depende do tipo das variáveis envolvidas.
já que precisamos
escrever menos
Por exemplo, quando dividimos dois números inteiros, o resultado é a
coisas para a parte inteira do quociente da divisão. Mas quando dividimos números
montagem da
expressão. reais, o resultado vem completo, a parte inteira e a parte fracionária
do quociente. Outro detalhe que precisamos lembrar é que alguns
operadores só podem ser usados por um tipo de dado. Este é o caso
do operador do resto, nós só podemos utilizá-lo com dados do tipo
inteiro.

Por conta disso, algumas vezes desejamos, momentaneamente,


modificar o tipo do conteúdo de uma variável. Isto é, queremos que
uma variável se “comporte” como se ela fosse de um tipo diferente do
que ela foi declarada. Por exemplo: declaramos uma variável como
int e queremos, momentaneamente, que seu conteúdo seja utilizado
como um float. Este procedimento é chamado de conversão de tipo
ou casting (moldagem, em Inglês).

A conversão de tipo é usada em uma expressão aritmética e é feita


da seguinte forma: antes da variável, colocamos entre parênteses, o
tipo que queremos que a variável seja nesta expressão aritmética.
É importante salientar que a conversão de tipo é feita com o dado
armazenado em uma variável, mas a variável continua tendo o seu tipo
original. Vamos ver o exemplo 5.8, que apresenta uso de conversão
de tipo.

84
Programação I

Exemplo 5.8: Conversão de tipo

1 int A,B,C;

2 float X,Y;

3 A=3;

4 B=5;

5 X=6.5;

6 C = (int)X % B;

7 Y = (float)A/B;

Nas linhas 1 e 2, temos as declarações de cinco variáveis. Nas


linhas 3, 4, e 5 foram atribuídos valores as variáveis A, B e X. Na linha
6, precisamos executar uma operação para obter o resto da divisão
entre a variável X (que é do tipo float) e a variável B (que é do tipo
int). Esta operação não seria possível, já que o operador do resto
não aceita números reais na expressão. No entanto, esta operação
se torna possível, se fizermos a conversão de tipo da variável X.
Queremos que, nesta expressão, o conteúdo de X seja um inteiro.
Para isso, colocamos (int) na frente da variável X, como mostra a linha
6 do exemplo. Como a variável X tem 6.5 armazenado, nesta conta,
a parte fracionária será desprezada e a conta será feita considerando
que X é 6. Assim, 6 % 5 = 1. Então, 1 é o valor que será atribuído a
variável C.

Vamos ver agora a atribuição da linha 7. Neste caso, estamos


querendo fazer a divisão entre dois números inteiros. Esta conta
é possível, mas ela traz como resultado, apenas a parte inteira do
quociente. No entanto, há situações em que queremos dividir dois
números inteiros, e receber o resultado completo, parte inteira
e fracionária do quociente. Este é o caso da linha 7. Para que o
resultado venha completo, basta que o conteúdo de uma das variáveis
se comporte como um float. Com isso, um float dividido por um int,
temos como resultado um float. Dessa forma, fizemos a conversão
de tipo da variável A, solicitando que seu conteúdo se comporte como
um float. Nesta linha 7 teremos, então, 3.0/5 = 0.6. Este é o valor que
será atribuído a variável Y.

85
Programação I

5.5. Funções Matemáticas (biblioteca math.h)

A linguagem de programação C possui uma biblioteca que agrupa


um conjunto de funções matemáticas. É a biblioteca math.h. Nesta
seção, vamos ver quatro funções matemáticas, da biblioteca math.h,
que utilizaremos com mais frequência nos nossos programas. São as
funções para encontrar a raiz quadrada de um número, potência (elevar
um número a uma potência) e duas funções de arredondamento. Esta
biblioteca possui outras funções, mas estas são as mais utilizadas
nos nossos programas.

As funções matemáticas precisam receber um ou vários parâmetros


e nos retornam um resultado. Por exemplo, para descobrir a raiz
quadrada de um número, a função precisa saber de que número será
calculada a raiz quadrada. Este número que é fornecido à função é o
parâmetro. Vamos ver a tabela a seguir, em que é feita a descrição
destas funções.

Função Descrição Exemplos de uso

sqrt Função para encontrar a raiz R = sqrt(16);


quadrada de um número. A função
sqrt precisa receber como parâmetro, R = sqrt(A);
o número que desejamos encontrar a
sua raiz quadrada. O resultado desta
função é um número real. Como uma
função retorna um resultado, devemos
atribuí-lo a uma variável.

pow Função para encontrar a potência de P = pow(3,4);


um número, ou seja, eleva um número
a um expoente: AB. Assim, se A = 4 e P = pow(A, 3);
B = 3, 4 elevado a 3 é 64. A função
pow irá receber dois parâmetros. O
primeiro é a base (neste exemplo é o
A) e o segundo é o expoente (neste
caso é o B). Esta função retorna um
número real como resultado.

ceil A função ceil serve para arredondar Z = ceil(1.67);


um número real. Esta função
arredonda o número para cima. Z = ceil(Z);
Assim, ela retornará como resultado:
o primeiro número inteiro maior
que o número que desejamos
arredondar. Por exemplo: se
x = 1.34, e desejamos arredondar com
a função ceil, o resultado será 2.0. Ou
seja, o primeiro número inteiro acima
de 1.34. Apesar do arredondamento,
esta função retorna um número real
como resultado.

86
Programação I

floor A função floor serve para arredondar Z = floor(1.67);


um número real. Esta função
arredonda o número para baixo. Z = floor(Z);
Assim, ela retornará como resultado:
o primeiro número inteiro menor
que o número que desejamos
arredondar. Por exemplo: se
x = 1.34, e desejamos arredondar com
a função floor, o resultado será 1.0. Ou
seja, o primeiro número inteiro abaixo
de 1.34. Apesar do arredondamento,
esta função retorna um número real
como resultado.

Atenção

Sempre que usarmos estas funções nos nossos programas,


devemos incluir a biblioteca matemática, com a diretiva de
compilação: #include <math.h>.

Devemos ficar atentos ao tipo de dado que a função retorna, para


que seja feita a atribuição para uma variável compatível com o tipo do
resultado. Por exemplo, não podemos atribuir o resultado da função
pow, para uma variável inteira.

Programas Resolvidos

Nesta seção, vamos acompanhar a resolução de dois programas


completos, que utilizarão os comando aprendidos neste capítulo.
Vamos lá?

No primeiro programa que iremos analisar, o aluno fornecerá seu


nome e as duas notas que tirou nas provas de programação. Como
resultado, o programa vai imprimir a média do aluno. Segue abaixo o
programa completo 5.1. Em seguida, vamos comentar cada linha.

87
Programação I

Programa Completo 5.1: Ler o nome e duas notas


do usuário e imprimir a média.

1 #include <stdio.h>

2 //ler o nome e as duas notas do aluno e imprimir a


media

3 main()

4 {

5 char nome[20];

6 float nota1, nota2, media;

7 printf(“Calcular a media do aluno\n\n”);

8 printf(“Seu nome: “);

9 fflush(stdin);

10 gets(nome);

11 printf(“Nota 1: “);

12 scanf(“%f”, &nota1);

13 printf(“Nota 2: “);

14 scanf(“%f”, &nota2);

15 media = (nota1 + nota2)/2;

16 printf(“\n\n%s, sua media = %.2f”, nome,


media);

17 getche();

18 }

Comentários sobre cada linha do Programa completo 5.1:

» Linha 1: Como iremos ler o nome do aluno, precisamos incluir


a biblioteca stdio.h onde estão os comandos fflush e gets.

» Linha 2: Comentário informando o que o programa faz.

88
Programação I

» Linha 3: início do programa principal, que é definido pelo:


“main()”.

» Linha 4: um abre chaves, que irá delimitar o corpo do programa


principal.

» Linhas 5 e 6: declarações das quatro variáveis do programa:


nome, nota1, nota2 e media.

» Linha 7: um printf que serve para colocar, no início da tela, o


título do que o programa faz.

» Linha 8: printf para que o usuário saiba que precisa fornecer


seu nome.

» Linha 9: comando fflush, que DEVE sempre vir antes do


comando gets. Utilizado para limpar o buffer de entrada de
dados.

» Linha 10: gets que efetuará a leitura do nome do usuário.

» Linha 11: printf para que o usuário saiba que precisa fornecer a
primeira nota.

» Linha 12: scanf que lê a primeira nota e armazena na variável


nota1.

» Linha 13: printf para que o usuário saiba que precisa fornecer
a segunda nota.

» Linha 14: scanf que lê a segunda nota e armazena na variável


nota2.

» Linha 15: cálculo da média do aluno. Notem que a soma das


nota1 e nota2 aparece entre parênteses. Devemos lembrar que
o operador da divisão tem prioridade maior que o operador da
soma. Assim, para que a soma das notas seja feita primeiro,
ela deve vir entre parênteses. Não esqueçam deste detalhe!

» Linha 16: printf que apresenta a média do aluno. Notem que na


mensagem, também será escrito o nome do aluno. A média do
aluno será apresentada com duas casas decimais (%.2f)

» Linha 17: comando getche que faz com que a tela de


execução do programa fique aberta, e assim podemos ver o
resultado do programa. Nesta linha também poderíamos usar o
system(“pause”).

89
Programação I

» Linha 18: fecha chaves, indicando o final do programa


principal.

É importante que vocês digitem estes programas resolvidos, no


Dev-cpp, assim vão se familiarizando com a sintaxe do C, certo?
Vamos fazer o outro programa?

Nosso segundo programa irá ler um número e vai imprimir a sua


raiz quadrada. Segue abaixo o programa completo 5.2. Em seguida,
vamos comentar cada linha.

Programa Completo 5.2: Ler um número e imprimir a raiz quadrada

1 #include <math.h>

2 //ler um número e encontrar a raiz quadrada

3 main()

4 {

5 float num, raiz;

6 printf(“Calcular a raiz quadrada de um numero\


n\n”);

7 printf(“Numero: “);

8 scanf(“%f”, &num);

9 raiz = sqrt(num);

10 printf(“\n\nA raiz quadrada de %.1f = %.1f.”,


num, raiz);

11 getche();

12 }

Comentários sobre cada linha do Programa completo 5.2:

» Linha 1: Para encontrar a raiz quadrada, iremos utilizar a


função sqrt da biblioteca math.h. Assim, precisamos incluí-la no
nosso programa.

» Linha 2: Comentário informando o que o programa faz.

90
Programação I

» Linha 3: início do programa principal, que é definido pelo:


“main()”.

» Linha 4: um abre chaves, que irá delimitar o corpo do programa


principal.

» Linha 5: as declarações das duas variáveis do programa: num


e raiz.

» Linha 6: printf que serve para colocar, no início da tela, o título


do que o programa faz.

» Linha 7: printf para que o usuário saiba que precisa fornecer o


número.

» Linha 8: scanf que lê o número e armazena na variável num.

» Linha 9: cálculo da raiz quadrada do número. Usamos a função


sqrt, passando como parâmetro o número que foi digitado pelo
usuário (que está armazenado na variável num). O resultado
da função sqrt é atribuído à variável raiz.

» Linha 10: printf que apresenta o resultado. Notem que será


apresentada apenas uma casa decimal (%.1f) das variáveis
num e raiz.

» Linha 11: comando getche que faz com que a tela de execução
do programa fique aberta, e assim podemos ver o resultado do
programa.

» Linha 12: fecha chaves, indicando o final do programa


principal.

A figura 5.6 apresenta as duas telas de execução dos programas


completos 5.1 e 5.2.

Figura 5.6: Telas de execução dos programas completos 5.1 e 5.2

91
Programação I

Com estes dois programas comentados, podemos dar início à


resolução de mais uma lista de exercícios. Continuem programando!

Atividades e Orientações de Estudo

Temos mais uma lista de exercícios para consolidar o entendimento


do assunto visto neste capítulo. A maior parte das questões deve ser
resolvida no computador, certo? Continuem fazendo os programas
e sempre que der erro tenham calma para encontrá-los. Fiquem
atentos(as) com a sintaxe de cada comando, para não cometer erros
com tanta frequência. Vamos iniciar nosso novo treino?

1. Dados os valores inteiros abaixo:

MEDIA NOTA TOTAL Z K X I J A

0 2 10 0 7 4 80 -1 -4

Quais os valores resultantes depois da execução dos passos a


seguir:

1) X = TOTAL/NOTA; 6) K += 9;

2) X = X+1; 7) Z = J / 5;

3) NOTA = X; 8) K = I % 5;

4) TOTAL = NOTA + X + TOTAL; 9) I ++;

5) MEDIA = 3; 10) I = I+2*A;

2. De acordo com os valores das variáveis abaixo, encontre o


resultado das expressões lógicas com VERDADE ou FALSO:

A B C D E

10 3 2 2 25

a) A == D

b) (A>B) && (C==D)

c) (E+2<B+C) && (A==10)

92
Programação I

d) (D*E>100) || (B<5)

e) (E==25) && (A >B+C+D) && (C<B)

f) !(A < 15) && (B>=3)

g) (D>2) || (C == 7) && (E > 20)

3. Faça um programa que leia um número qualquer e imprima o


seu cubo.

4. Uma empresa vai dar um aumento de salário ao seu


funcionário. Faça um programa para ler o salário do funcionário
e o percentual de reajuste. Calcular e escrever o valor do novo
salário.

5. Faça um programa para ler o número de votos brancos, nulos


e válidos de uma eleição. Calcular e escrever o percentual que
cada um representa em relação ao total de eleitores.

6. Faça um programa que leia o número total de prestações de


um consórcio, o total de prestações pagas e o valor atual da
prestação. O programa deve calcular e apresentar o saldo
devedor atual e a quantidade de prestações sem pagar.

7. Dada as seguintes entradas: quilometragem inicial,


quilometragem final, litros consumidos, preço do litro de
combustível. Faça um programa que imprima o seguinte
Relatório: distância percorrida, Valor total gasto e o consumo do
carro(quantos quilômetros percorre com 1 litro de combustível).

8. Um motorista de táxi deseja calcular o rendimento de seu carro


na praça. Sabendo-se que o preço do combustível é de R$2.59,
faça um programa para ler: a marcação do odômetro (Km) no
início do dia, a marcação (Km) no final do dia, a quantidade
de litros de combustível gasto e o valor total (R$) recebido dos
passageiros. Calcular e escrever: a média do consumo em km/l
e o lucro (líquido) do dia.

9. Faça um programa que leia os preços de uma mercadoria em


abril e maio. Tendo como base a variação dos preços desta
mercadoria, calcule a taxa de inflação.

10. Faça um programa que leia o tempo de duração de um evento


em uma fábrica expressa em segundos e mostre-o expresso
em horas, minutos e segundos.

93
Programação I

11. Faça um programa para um caixa eletrônico, que lê o valor


que o cliente quer sacar e calcula o menor número possível de
notas de 100,00, 50, 20 e 10 reais em que o valor lido pode ser
decomposto. Escrever o valor do saque e a relação de notas
necessárias. Suponha que o sistema monetário não utiliza
centavos. Atenção: Só digite números múltiplos de 10.

Exemplo: Valor: R$ 380,00

Notas de R$ 100,00: 3

Notas de R$ 50,00: 1

Notas de R$ 20,00: 1

Notas de R$ 10,00: 1

Conheça Mais

Pesquisem na Internet outra funções matemáticas disponíveis na


biblioteca math.h. Comecem a pesquisa pelo site:

http://visualcplus.blogspot.com/2006/03/mathh.html

Vamos revisar?

Para revisarmos os tópicos tratados neste capítulo, observem o


resumo a seguir:

» Os operadores aritméticos são utilizados quando desejamos


resolver expressões aritméticas. Devemos prestar atenção no tipo
das variáveis que estão sendo utilizadas na expressão, pois o tipo
interfere no resultado da expressão.

» Os operadores relacionais são utilizados quando desejamos


comparar valores de variáveis. O resultado de uma expressão
relacional é sempre “verdade” ou “falso”.

» Os operadores lógicos servem para interligar duas ou mais


expressões relacionais. O resultado de uma expressão lógica é
sempre “verdade” ou “falso”.

94
Programação I

» Podemos utilizar os operadores aritméticos de atribuição para


reduzir o tamanho das expressões aritméticas.

» Os operadores ++ e – incrementam ou decrementam 1 de uma


variável.

» Na biblioteca math.h podem ser encontradas funções matemáticas


para encontrar a raiz quadrada de um número, potência,
arredondamento de números reais, dentre outras.

Referências

ARAÚJO, Jairo. Dominando a Linguagem C. São Paulo:


Ciência Moderna, 2004.

ASCENIO, Ana Fernanda Gomes e CAMPOS, Edilene


Aparecida Veneruchi. Fundamentos de Programação de
Computadores. São Paulo: Prentice Hall, 2002.

DEITEL, H, M e DEITEL, P. J. Como Programar em C. Rio de


Janeiro: LTC, 1999.

LAUREANO, Marcos. Programando em C Para Linux, Unix e


Windows. Rio de Janeiro: Brasport, 2005.

MIZRAHI, Victorine Viviane. Treinamento em Linguagem C –


Curso Completo. São Paulo: Makron, 1999.

MONTGOMERY, Eduard. Programando em C: Simples e


Prático. São Paulo: Alta Books, 2006.

OLIVEIRA, Ulisses. Programando em C – Volume I –


Fundamentos. São Paulo: Ciência Moderna, 2004.

SCHILDT, Herbert. C Completo e Total. São Paulo: Makron,


1996.

SEBESTA, Robert. Conceitos de Linguagem de Programação.


São Paulo: Makron, 2003.

95
Programação I

Considerações Finais

Neste volume, tivemos a oportunidade de iniciar nosso


aprendizado na linguagem de programação C. Nos capítulos 1 e
2, conhecemos os principais conceitos desta área (programação,
linguagem de programação, um pouco do histórico do C, dentre
outros), nos preparando para um melhor entendimento da linguagem
de programação C. Nos capítulos 3, 4 e 5, começamos a estudar a
sintaxe da linguagem de programação C, vimos os tipos de dados
manipulados pela linguagem, os comandos de entrada e saída
e a utilização dos operadores aritméticos, relacionais e lógicos.
Estes assuntos nos deram o conhecimento suficiente para iniciar
o desenvolvimento dos nossos primeiros programas em C. Mas
estamos apenas no início. Temos mais três volumes, que nos darão
a capacidade de desenvolver programas maiores. Continuem firmes
nos estudos! Até o próximo módulo.

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Programação I

Conhecendo a Autora

Sou graduada em Ciência da computação pela Universidade


Federal de Sergipe. Fiz mestrado e doutorado na Universidade Federal
de Pernambuco, desenvolvendo pesquisas nas áreas de Sistemas
Distribuídos e Geoprocessamento. Começei a ensinar em 2000, nos
cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação. Desde
o início da minha carreira como professora, ministro disciplinas de
Programação e tenho uma paixão pela linguagem C. Atualmente,
encontrei uma nova paixão: Educação a Distância.

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