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DIREITO PENAL

I – Parte Introdutória

HISTÓRIA DO DIREITO PENAL


 O direito penal tem 150 anos – muito novo
 Alemanha é o berço do direito penal brasileiro.
 Itália e o berço do Direito Processual Penal brasileiro
- 1700 – Crise de vingança.
- Condi – Teoria do Direito Natural. Aquilo que você recebe e não pode questionar.
- Era do idealismo Alemão – Meados de 1800 – Russeau – Contrato Social – norteia
relação entre as pessoas na relação comercial.
- Ente estatal para a resolução de conflitos (França).
- Alemanha cria direito baseado na vivência – criação do direito positivo. – O principal
nome foi o austríaco Franz Von Listz, que defendeu uma pesquisa sobre as causas da
criminalidade para que a função de pena pudesse ser estruturada e fosse possível saber lidar
com o criminoso. Questões sociais eram as principais causas da criminalidade. Com isso, a
função da pena seria o combate ao crime como fenômeno social. A ideia de responsabilidade
moral distinguia os imputáveis e excluía o livre arbítrio.
- 1905 – Hans Wezel – Direito finalístico – de acordo com a finalidade da pessoa.
- 1945 – Fim do direito finalístico com o Tribunal de Nunemberg
 Ética – conceitos valorativos exteriorizados
 Moral – conceitos interiorizados
Nunemberg – Criação do primeiro conceito de Direito Penal

Direito Penal moderno – Analogia a crimes previstos em lei


- 1978 – Alemanha cria o Direito Penal – Pós-Moderno – Tratar o preso como ser
humano e com dignidade.
- 1980 – Brasileiros foram para a Alemanha e copiam o código Penal Geral. Mesmo
com novo Código, criminalidade aumenta.
- 1988 – Constituição Federal é modificada de liberal para democrática de direito.
- Correntes filosóficas não terminal
Alemanha vive hoje a quarta geração do Direito Penal. Brasil continua com o Direito
Positivista.

CONCEITOS DE DIREITO PENAL


Aspecto formal ou estático - Direito Penal (norma) é o conjunto de normas que
qualifica certos comportamentos humanos como infrações penais (crime ou contravenção)
define seu agente (quem cometeu o crime) e fixa sanções (pena ou medida de segurança) a
serem aplicadas.

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Aspecto material – Refere-se a comportamentos considerados altamente reprováveis
ou danosos ao organismo social, afetando bens jurídicos indispensáveis à própria conservação
e progresso.
Aspecto sociológico ou dinâmico – Instrumento de controle social (assim como as
outras faces do direito, civil, administrativo) visando assegurar a necessária disciplina social,
bem como a convivência harmônica dos membros do grupo.
Quando as regras de conduta são violadas, surge o poder do Estado (dever) de aplicação
sanções civis e penais. O que diferencia uma norma penal das demais é a consequência que traz
consigo. A Ciência do direito não se limita apenas a abstrair da norma o seu significado, mas
deve se ater às manifestações sociais da conduta criminosa e às condições pessoais daquele que
a pratica.
Criminologia (fato) – ciência empírica que estuda o crime, o criminoso, a vítima e o
comportamento da sociedade. Visa o conhecimento do crime como um fenômeno individual da
sociedade. É uma ciência causal-explicativa que retrata o delito enquanto fato perquirindo
(indagando) suas origens, razões de sua existência, contornos e forma de exteriorização.
Política Criminal (valor) - é uma ciência de caráter teleológico, que analisa as raízes
do crime para discipliná-lo. Tem a finalidade de trabalhar estratégias e meios de controle social
da criminalidade.

FUNCIONALISMO

Analisa a real função do Direito Penal.


 Teleológico ou moderado – função é assegurar bem jurídicos (pensamento
brasileiro, controle social e limitação do poder punitivo estatal)
 Sistêmico ou radial – Assegurar o império da norma, norma não pode ser
violada.

CARACTERÍSTICAS DA NORMA

Lei Penal Incriminadora – define infrações e comina sansões. Constituída de duas


formas:
 1º preceito primário – parte descritiva (definição da conduta)
 2º preceito secundário – pena ou sansão (pena aplicável)

 Artigo – art.
 Parágrafo - §
 Incisos – I, II, III...
 Alínea – letra entre aspas “b”

Vacátio Legis – Carência necessária para que a Lei possa entrar em vigor quando a
população tomar consciência dela. Três meses de carência para que a população conheça a Lei.

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Legislação com pena abstrata no Código Penal. A pena em concreto só ocorre na
sentença, no Código estão colocadas as penas máxima e mínima. Norma é descrita. Código
penal foi feito para controle social.
- Ato – parte da conduta
- Fato – qualquer acontecimento
- Conduta – fato que se adequa a norma

Lei Penal Não Incriminadora – Permissiva justificante (torna lícita determinada


conduta), Permissiva exculpante (elimina a culpabilidade), explicativa ou interpretativa
(esclarece o conteúdo da norma), complementar (delimita aplicação das leis incriminadoras) e
extensão ou integrativa (viabiliza a tipicidade de alguns fatos.

FUNÇÕES

A norma tem duas fontes:


- Fonte de Produção (Material) – Art. 22, T – Constituição Federal, apenas o
Congresso Nacional.
- Fonte de Conhecimento (Formal) – através da “Vacátio Legis”. A fonte imediata
(a lei, CF com mandados de criminalização de condutas, tratados e convenções internacionais
– não são instrumentos para criação de crimes ou penas – jurisprudência, princípios e
complementos da fonte penal em branco) e a fonte mediata (costumes e princípios gerais do
direito - doutrina).
- Fonte Informal (costumes) – Não criam infrações penais por causa do princípio da
reserva legal. Vetor de interpretação das normas penais.

Três princípios Alemães contidos no Código Penal trazidos em 1984


1. Agir Comunicativo – Cada sociedade assume a responsabilidade pelo leigo.
2. Sociedade de Risco – Cada um deve fazer o que for necessário para cuidar da
própria segurança.
3. Imputação Objetiva – Punição será dada conforme o crime, mas será abatida em
relação ao que a vítima faz para propiciar o crime.

Conceito de direito penal segundo Mezge. – Conjunto de normas que regula o exercício
do poder punitivo do estado associado ao delito como pressuposto, uma pena como
consequência.

FASES

- Interpretação gramatical – literal


- Interpretação extensiva – norma disse menos do que devia e o aplicador (juiz)deverá
ampliar o seu conceito.
- Interpretação restritiva – norma disse mais do que devia e, por isso, o interprete
deverá reduzir seu campo de atual.

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EFEITOS

- Erga Ommes – Norma é feita para todo mundo e a partir, do momento que ela entra
em vigor não é permitido o seu desconhecimento.
- Taxatividade – Norma penal tem que ser taxativa, clara e especificar o que ela quer.
- Exclusividade – Só o Congresso Nacional pode dispor sobre matéria criminal.
- Imperatividade – Imposta a todos.
- Generalidade – Todos devem respeitar a lei.
-Impessoalidade – diz respeito a fatos (futuros) e não a pessoas.

CATEGORIAS

- Direito material – tudo aquilo que está na lei


- Direito formal – forma com a qual exteriorizo o direito material

- Substantivo – direito material que cria figuras criminosas e contravencionais


- Adjetivo – direito processual que instrumentaliza a atuação do Estado diante de um
crime.

- Objetivo – traduz o conjunto de leis, observando a legalidade


- Subjetivo – direito de punir do Estado – criar e executar normas penais – não pe
incondicionado já que deve e=respeito aos princípios fundamentais da CF, só pode ser aplicado
a crimes cometidos no território brasileiro e podem prescrever.

OBS: O Direito Penal é de titularidade exclusiva do Estado, com algumas exceções


como o Estatuto do índio (Lei nº 6.001/73).

OBS: Tribunal Penal Internacional (TPI) – tem caráter subsidiário ao Direito Penal
nacional, não é exceção à exclusividade do Estado de punir, mas pode intervir quando o Estado
for omisso, falhe ou seja insuficiente.

- de Emergência – criação de normas com função nitidamente punitivista e ignorando


as garantias do cidadão.
- Simbólico – criação de leis apenas baseadas na opinião pública para dar sensação
ilusória de tranquilidade penal.
- Promocional – uso político e demagogo do DP para transformação social.
- Intervenção – usado apenas na proteção de bens jurídicos individuais e daqueles que
causem perigo concreto.
- Proteção de contextos da vida em sociedade – enfoque na coletividade, proteção de
interesses difusos e das futuras gerações.

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- Garantista – respeito as garantias consagradas na CF. Podem ser primárias (proibições
e obrigações) ou secundárias (formas de reparação ao dano). Estabelece critérios de
racionalidade e civilidade à intervenção penal.

A privatização do Direito Penal diz respeito a criar um enfoque mais direcionado à


vítima. Fundamento de uma Justiça restaurativa, marcado pelo surgimento de uma terceira via
que é a reparação. (Ex: Juizados especiais)

RETRIBUIÇÃO -> PREVENÇÃO -> REPARAÇÃO

A velocidade do Direito Penal está relacionada ao tempo que o Estado demora para
punir os infratores.
 Velocidade 1 – Penas privativas de liberdade, procedimento garantista mais demorado
 Velocidade 2 - Penas alternativas, procedimento flexibilizado mais célere.
 Velocidade 3 – Penas privativas de liberdade, procedimento flexibilizado mais célere.

INTERPRETAÇÃO DA LEI

Quanto à origem – Pode ser autêntica (legislativa), doutrinária (científica) ou


jurisprudencial.
Quanto ao modo – Pode ser Gramatical, filológica ou literal; História (origem da Lei),
sistemática, progressiva ou evolutiva; e lógica (razão).
Quanto ao resultado - Pode ser declarativa ou declaratória (igual), restritiva (restringe)
ou extensiva (amplia).
Outras interpretações – Exofórica (significado não está no ordenamento jurídico),
Endofórica (significado está no próprio ordenamento jurídico) e conforme a CF (o que estiver
em desacordo com a CF não tem legalidade).

ANALOGIA E INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA

- Analogia - é aquela que não está na norma, mas por semelhança aplico algo parecido.
Não existe uma lei a ser aplicada ao caso concreto motivo pelo qual é preciso socorrer-se da
previsão legal empregada a outra situação similar. Meios para suprir a lacuna. Seu fundamento
é sempre a inexistência. Só é permitida em favor do réu.
- Interpretação analógica – está dentro da norma. Decorre de uma lacuna, um vazio
normativo e não de uma lei pendente de interpretação.
- Interpretação valorativa – por valores.

ANALOGIA

– In Bonam Partem – em favor do acusado

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- In Malem Partem – em prejuízo ao acusado
- In Dubio Pro Reu – na dúvida em prol do acusado

TEORIA GERAL DA NORMA PENAL

Tipo normal – aquele que possui elementos objetivos – descreve o que a norma tipifica.
Tipo anormal – possui elementos objetivos.

DIFERENÇAS ENTRE LEI E PRINCÍPIOS

Lei – Havendo embate entre Leis, uma delas prevalecerá. Elaboradas para reger
abstratamente determinado fato.
Princípios – invoca-se a proporcionalidade, ou seja, aplica-se em conjunto, na medida
de sua compatibilidade. Não há revogação de princípios. Possuem maior abstração quando
comparados à Lei. Aplicam-se a um grupo indefinido de hipóteses.
Legalidade – tem que ter lei
(formal – obediência aos trâmites e
procedimentos, lei vigente/ material –
deve respeitar o conteúdo da CF e de
tratados internacionais, lei válida)
Anterioridade – haver lei
Legalidade
anterior
Culpabilidade – tem que ter
consciência
Reserva legal – tem que ter
Culpabilidade
vindo do congresso

Subjetivo - analisa porque a


pessoa cometeu o crime
Anterioridade Reserva legal
Normativo - analisa os
costumes da região

OB – diz respeito a norma


SUB – diz respeito a pessoa

Tipos permissivos ou não – incriminadores – Art. 23


Tipos previstos no Código Penal – parte especial – Art. 121
Tipos proibitivos e incriminadores
Norma exemplificada ou explicativa

PRINCÍPIOS

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PRINCÍPIO DA EXCLUSIVA PROTEÇÃO DE BENS JURÍDICOS

Bem jurídico pressupões a relevância para a sociedade de determinado bem material ou


imaterial e que deve encontrar respaldo na CF.

PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA

Orienta e limita a ação do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta


somente poderá ocorrer se constituir meio necessário para a proteção de determinado bem
jurídico.

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

Quando a ofensa for mínima, incapaz de atingir materialmente e de forma relevante o


bem jurídico protegido. É a infração bagatelar ou crime de bagatela. Deverá ser feito um juízo
entre as consequências do crime praticado e a reprimenda a ser imposta ao agente. Instrumento
de interpretação restritiva do tipo penal. Para ser aplicada precisa ter os seguintes requisitos:
mínima ofensividade, ausência de periculosidade, reduzido grau de reprovabilidade do
comportamento e inexpressividade da lesão jurídica. Ex: Clipe de papel. Pode ser própria (crime
nasce irrelevante) ou imprópria (tem aplicação relevante, mas não é necessária).

PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL

Conduta não será considerada típica se for socialmente adequada ou reconhecida


socialmente. Tem duas funções: restringir o âmbito de abrangência do tipo penal e orientar o
legislador na seleção dos bens jurídicos que devem ser tutelados ou não.

PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU MATERIALIZAÇÃO DO FATO

Estado só pode incriminar fatos. O Direito Penal brasileiro adotou o Direito Penal do
Fato, mas que considera circunstâncias relacionadas ao autor (análise da pena).

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. (CP,
art. 1º). Possui três fundamentos: Político (vinculação dos poderes Executivo e Judiciário,
impedindo poder punitivo arbitrário), Democrático (divisão dos poderes que representam o
povo) e Jurídico (lei prévia e clara que produz efeito intimidativo).

PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL

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Nenhuma conduta será tipificada como crime ou contravenção e nenhuma pena será
cominada a não ser por meio de dispositivo cujo conteúdo tenha sido devidamente debatido e
votado no Congresso em forma de Lei ordinária ou complementar.

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

Antes da lei não existe transgressão à lei, proibindo-se a retroatividade maléfica. A


criação de tipos e a cominação de leis exige lei anterior.

PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE OU DA DETERMINAÇÃO

Dirigido ao legislador exigindo dos tipos penais clareza, não devendo deixar margens a
dúvidas de modo a permitir à população em geral o pleno entendimento do tipo criado.

PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE OU DA LESIVIDADE

Exige que do fato praticado ocorra lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado

PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL

Proíbe-se o castigo penal pelo fato de outrem. Não existe a responsabilidade coletiva.
Há obrigatoriedade de individualização da acusação (cada um vai responder pelo que fez) e há
obrigatoriedade na individualização da pena (Cada um vai pagar pelo que fez).

PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA

Não basta que o fato seja materialmente causado pelo agente, ficando sua
responsabilidade penal condicionada à existência da voluntariedade (culpa ou dolo).

PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE

O Estado só pode impor sansão penal ao agente imputável (penalmente capaz), com
potencial consciência de ilicitude (possibilidade de conhecer o caráter ilícito de seu
comportamento), quando dele exigível conduta diversa (podendo agir de outra forma).

PRINCÍPIO DA IGUALDADE

Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza. Princípio de estende
a estrangeiros, mesmo que não residentes no país. Igualdade na aplicação do Direito.

PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (OU DA NÃO CULPA)

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Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória. Prisão preventiva é uma decretação excepcional, sobre quem paira indícios
suficientes de autorias, mas que ainda não pode ser considerado culpado. Cumpre à acusação
o dever de demonstrar a responsabilidade do réu. Na dúvida, o réu será beneficiado (in dubio
pro réu). OBS: Sentença recente considerou que o acusado comece a cumprir pena a partir da
apreciação do recurso em segundo grau. A essa altura o agente já teve ampla possibilidade de
defesa. Nessa altura já foi considerado o fato e suas circunstâncias. O conceito de trânsito em
julgado não está relacionado ao esgotamento de todos os recursos, mas ao esgotamento da
análise fática. O garantismo não pode ser sinônimo de impunidade.

PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

A ninguém pode ser imposta pena ofensiva à dignidade da pessoa humana, vedando-se
reprimenda indigna, cruel, desumana ou degradante. Mandamento guia Estado na criação,
aplicação e execução das leis penais.

PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA

A conduta será individualizada na definição do crime e de sua pena, na imposição da


pena e na fase de execução.

PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE

Para que a sanção penal cumpra a sua função, deve se ajusta à relevância do bem jurídico
tutelado, sem desconsiderar as condições pessoais do agente. Mandamento fundado na teoria
geral da pena.

PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE

Nenhuma pena passará da pessoa do condenado podendo a obrigação de reparar o dano


e a decretação da perda de bens ser, nos termos da Leis, estendidos aos sucessores e contra eles
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO BIS IN IDEM

Ninguém pode ser processado, condenado ou executado duas vezes pelo mesmo fato.
Com exceção a crimes de genocídio.

PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE NORMATIVO-TÍPICA

Manutenção do carácter proibido da conduta, porém com o deslocamento do conteúdo


criminoso para outro tipo penal. Conduta permanece criminosa.

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PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE

Aplica-se a lei penal do local do crime, não importando a nacionalidade do agente, da


vítima ou do bem jurídico.

CLASSIFICAÇÃO DA LEI

1. Completa- dispensa completo valorativo e normativo


2. Incompleta – depende de complemento valorativo ou normativo
a. Tipo aberto - complemento valorativo, juízo de valor do magistrado.
b. Norma penal em branco – é aquela onde o preceito primário está completo
permanecendo indeterminado o seu conteúdo. Precisa de outra norma para
completá-la. Preceito primário não é completo.
i. Homogênea (imprópria, em sentido amplo) – fonte de produção é a
mesmo.
ii. Heterogênea (própria ou em sentido estrito)– fonte de produção é
diversa. Fonte legislativa que não é o Direito Penal.

OBS:
Princípios – norteadores de garantias para o crime
Legalidade – Até 1988 – dava ao Estado o direito de fazer o que tinha para proteger a
sociedade
Culpabilidade – Juízo de censura ou reprovação que se estabelece sobre um fato típico
e ilícito e que tem três pressupostos:
3. Imputabilidade
4. Potencial consciência da ilicitude
5. Exigibilidade de conduta diversa
i.
COMBINAÇÃO DE LEIS

- Duas correntes
- Não é possível combinar leis porque o juiz estaria legislando
- (Majoritária) A combinação é perfeitamente possível porque ela significa
aplicação da norma ao caso concreto e apenas vincula as partes envolvidas.

CÓDIGO PENAL

Art. 1º

Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
- Só a lei escrita pode criar crimes e sanções penais.

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- Proíbe-se a utilização da analogia para criar tipo incriminador, fundamentar ou agravar
pena. Analogia in bonam partem é perfeitamente possível (Princípio da Equidade)

PRINCÍPIO DA ATIVIDADE DA NORMA

Erga Ommis – Senão conhece não tem culpa


Lei é feita para o futuro

Conduta (crime)

Processo

Sentença (inocente
ou culpado)
Pena

Extinta a punibilidade
(fim da culpa)

Conduta (crime)– processo – sentença (inocente ou culpado) – pena – extinta a


punibilidade (fim da culpa)

Art. 2º

Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando
em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.

Parágrafo único. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se
aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.

PRINCÍPIO DA EXTRA ATIVIDADE DA NORMA

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Tudo que beneficiar o agente deve ser usado – aplicado. Aplica-se em regra a lei penal
vigente ao tempo da realização do fato criminoso. A lei penal deve ser editada antes da prática
da conduta que busca incriminar.

Extra-atividade da Lei - Será permitida a retroatividade da lei em caso de beneficiar o


réu. Retroatividade é a capacidade da Lei ser aplicada a fatos anteriores à sua vigência. Ultra-
atividade é a aplicação da Lei Penal mesmo após sua revogação ou cessação de seus efeitos.

Abolitio criminis – trata-se da revogação de um tipo penal pela superveniência de lei


descriminalizadora. A descriminalização representa causa extintiva de punibilidade. Neste
caso, cessarão tanto a execução quanto os efeitos penais da sentença condenatória. No entanto,
subsiste a obrigação de indenizar o dano causado. Descriminalizar significa retirar o caráter
criminosos, mas não o caráter de ilicitude.

Art. 3

A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou


cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua
vigência.

 Lei excepcional é aquela feita para vigorar em período de calamidade, estado de guerra,
ou qualquer necessidade estatal.
 Lei temporária é a que criminaliza determinada conduta por um período pré-fixado para
sua vigência.

São autorrevogáveis pois se consideram revogadas assim que termina o prazo


estipulado. As duas leis são ultra ativas.

O Código Penal não disciplinou a possibilidade da retroatividade da jurisprudência.


Uma norma penal em branco não pode revogar uma lei excepcional, era preciso criar
uma nova norma.

A norma penal em branco pode ser revogada de forma expressa (quando a norma revoga
a norma anterior) ou tácita (lei mais nova que dispõe sobre todo o conteúdo da anterior).

Derrogação – parte da norma que pode ser usada por que a outra parte já está disposta
em outra lei mais nova.

Art. 4º

Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja
o momento do resultado.

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Tempo da ação – Teoria da atividade – ação ou omissão.

Pelo princípio da coincidência todos os elementos do crime (fato típico, ilicitude e


culpabilidade) devem estar presentes no momento da conduta. O momento do crime também é
importante para determinar qual a Leis que será usada para reger o caso concreto.

Irretroatividade da Lei – somente poderá retroagir em casa de beneficiar o réu.

Novatio legis – lei que não existia no momento do crime e passa a considerar a conduta
como crime. – irretroativa. Novatio legis in pejus – a nova lei que prejudicar o réu é irretroativa.

Novatio legis in mellius – lei posterior que beneficie o réu, poderá ser aplicada aos fatos.
Ela pode ser aplicada, mesmo se o agente já tiver sido condenado em sentença transitada em
julgado. Se implicar juízo de valor a lei deve ser revisada pelo juiz da revisão criminal, no
entanto, se representar mera aplicação matemática, será feita pelo juiz da execução. No período
de vacatio legis a lei penal não possui eficácia, não podendo ser utilizada.

Lei intermediária – aquela que deverá ser aplicada porque benéfica ao réu, embora não
fosse a lei vigente no tempo do fato, nem a lei vigente no momento do julgamento. Ela é
retroativa e ultra-ativa.

Art. 5º

Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de


direito internacional, ao crime cometido no território nacional.

§ 1o para os efeitos penais, consideram -se como extensão do território


nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço
do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem,
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto -mar.

§ 2o é também aplicável a lei brasileira a os crimes praticados a bordo de


aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando -se
aquelas em pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo
correspondente, e estas em porto ou mar territorial do brasil.

Fronteiras de atuação da lei penal nacional. Entende-se como território


nacional a soma do espaço físico e jurídico.

REGRAS ESPECIAIS

- Processo no local em que ocorre o fato

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- Carta precatória – ativa de pessoas de outra comarca ou estado feito por outro juiz
- Carta Rogatória – depoimento fora do país

O acessório acompanha o principal – os processos são colocados juntos mesmo quando


o falso testemunho ocorre em outra comarca.

- Princípio da conexão não é aplicado em crimes de espaço máximo.


- Princípio da prevenção – traz a responsabilidade para si aquele que primeiro tomar
conhecimento – crime em trânsito processo no local em que é feito o flagrante.

Aeronaves – dentro de aeronaves a competência é sempre da Justiça Federal, assim


como as embarcações de grande porte.

Embarcações de pequeno e médio porte – competência do Estado.


Embarcações ou aeronave oficial – extensão do território nacional (fora do país).
Presidente ou chefe de governo Aeroportos internacionais – competência federal
Embaixadas não são consideradas extensão do território que representam, apesar de
invioláveis.
Direito de passagem inocente – passou, não atracou, não incide a lei brasileira sobre o
navio/embarcação.

Art. 6º

Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo


ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.

LUGAR DO CRIME

Teoria da Ubiquidade ou Teoria Mista/Alternativa – quando o crime tem


desdobramentos em dois países diferentes, o fato é considerado praticado tanto no território
brasileiro como no estrangeiro, será aplicável a lei brasileira.
Código de Processo – Teoria do Resultado

ART. 7ª

Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:


I – os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de
Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia
mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;

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II – os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
b) praticados por brasileiro;
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou
de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam
julgados.
§ 1o Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que
absolvido ou condenado no estrangeiro.
§ 2o Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das
seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira
autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido
a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo,
não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
§ 3o A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra
brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.

ART. 8º

A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime,
quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas.

ART. 9º

A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as


mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil para:
I – obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis;
II – sujeitá-lo a medida de segurança.
Parágrafo único. A homologação depende:
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja
autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da
Justiça.

ART. 10ª

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O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos
pelo calendário comum.

ART. 11º

Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações


de dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro.

ART. 12º

As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se
esta não dispuser de modo diverso.

EFICÁCIA DA LEI PENAL EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS

DIPLOMATA – intermedeia relações entre países – tem imunidade absoluta.


CONSUL – Cuidar da relação do povo dele – cidadão com o estado onde ele está – tem
imunidade relativa, só tem imunidade sobre os crimes funcionais (praticados por funcionários
públicos).
EMBAIXADOR – resolve assuntos do país e do cidadão – condensa tanto o diplomata
quanto o cônsul – tem imunidade absoluta.

OBS: IMUNIDADE É DO PAÍS (IRRENUNCIÁVEL) – País dá e apenas o país


pode retirar – a pessoa não tem poder sobre isso. – Extensiva a todos os familiares e funcionários
da embaixada, desde que sejam do país de origem.

EMBAIXADA – enquanto houver uma pessoa do país é extensão do território. Sem


ninguém é apenas um local.

ASILO POLÍTICO – de 30 a 90 dias de processo até ser aceito o pedido pelo outro
país.

IMUNIDADE PARLAMENTAR – pode ser investigado, mas só será processado se


o Congresso aceitar. Só há imunidade a fatos relacionados ao parlamento, mesmo que
praticadas dentro doa parlamento. Deve haver vínculo entre as palavras do parlamentar e sua
função no parlamento. Alcança crimes cometidos pelos parlamentares após a diplomação. São
obrigados a testemunhar, mas podem escolher quando e como. Parlamentares licenciados não
possuem imunidade.
Foro especial se estende da diplomação até o fim do mandato. Por isso, não poderão ser
presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Realizada a prisão, os autos serão remetidos
à casa que vai deliberar sobre a continuidade ou não.

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Âmbito – Nacional – Deputados Federais, Senadores e Presidente da República.
Julgados pelo STF.
- Estadual – Deputados estaduais. Julgado pelo tribunal de Justiça.
- Municípios – vereadores.
OBS: Apenas com relação às ações que desempenham no órgão público.
O vereador não detém prerrogativa de foro.

EFICÁCIA DA LEI ESTRANGEIRA

Direito Criminal prevalece sobre qualquer outro.

Ação Civil ex-delito – Art. 63 – CPP – suprimiu a fase de conhecimento por causa de
uma ação transitada em julgado no Penal.

Pode ter duas ações penais – uma em cada país. A pena cumprida em outro país é
descontada da pena estipulada no país inicial em caso da mesma pena e crime. Sentença em
outro país com aplicação da lei brasileira. Passa por tradutor juramentado, homologa no STJ e
pede indenização no Civil. Homologação da sentença estrangeira para internar no manicômio.
A decisão de homologação de sentença estrangeira não atinge o seu mérito.

Obrigação de reparação do dano – necessidade de requerimento da parte interessada.


Medida de Segurança – para homologação é necessário que haja tratado de extradição
com o país ou requisição do Ministério da Justiça para países sem tratado.
Extraterritorialidade – não terá validade, já que os fatos poderão ser novamente
julgados pela lei brasileira.

Para uma sentença gere efeitos de reincidência não é necessário que ela seja homologada
no país.

EXTRADIÇÃO – Nasceu no Brasil não Extradita – Estrangeiro extradita se houver


tratado. – Naturalizados só poderão ser extraditados por causa de tráfico de drogas. Quem define
o que é crime é a população. A extradição só é concedida através de sentença.

REEXTRADIÇÃO - Quando uma pessoa já extraditada é novamente extraditada.


Passa de um país a outro.

Quando a pessoa passa a ser extraditada fica em sua residência, caso tenha residência
no Brasil, ou é levado à Papuda em Brasília, caso não tenha residência, até que seja feita uma
sentença pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

DEPORTAÇÃO - É deportado aquele que está irregular dentro do país.

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EXPULSÃO - A pessoa será expulsa do território nacional quando atentar contra a
segurança pública, praticar crimes contra o sistema financeiro ou moralidade pública. A pessoa
expulsa fica três anos proibida de retornar ao país. Será expulsa quem cumprir pena e não tiver
residência fixa no país.

Não extradita para países que cumpram pena de morte ou infamantes. Obrigação que
cumpra sentença da extradição. Em caso de acordo de não morte pode extraditar para países
que tenham pena de morte.

OUTROS PRINCÍPIOS

PRINCÍPIO DA JUSTIÇA UNIVERSAL

Banco de dados universal. – Onde estiver o criminoso ele deverá ser punido. – Um crime
é crime em qualquer lugar do mundo. O sujeito que pratica crime pode ser punido em qualquer
lugar do mundo.

PRINCÍPIO DA NACIONALIDADE ATIVA

Quem deve punir é o país do criminoso.

PRINCÍPIO DA NACIONALIDADE PASSIVA

Quem pode punir é o país da nacionalidade.

PRINCÍPIO MISTO OU TEMPERADO

Aproveita parte dos três princípios anteriores, possível ter processo nos dois países.
(Costuma ser usado no Brasil).

TEORIA DA FICÇÃO

Pela teoria da ficção todo mês penal terá – 30 dias e todo ano penal terá 360 dias.

Prazo material – Código Penal


Prazo formal – Processo Penal

Conto o dia do começo. – Prazo é improrrogável ou intransferível, venceu o prazo está


na rua. – Prazo penal não para. – Abre sempre no primeiro dia útil subsequente.

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O Código Penal, assim com o Código de Processo Penal, será subsidiário em relação à
legislação especial. Da mesma forma, a parte geral do Código Penal (Art. 1 ao 120) sempre será
subsidiária com relação à parte especial (Art. 121 ao 361). Prevalece a lei do especial quando
há referência à lei do Código Penal.
O prazo processual não computa o dia o começo, mas inclui-se o dia de vencimento.
Pode ser prorrogado. Já o prazo penal é improrrogável e inclui em sua contagem o dia do
começo. A diferença na contagem dos prazos foi fixada apenas e somente para favorecer o réu.
O juiz irá desprezar as frações de dia nas penas e as frações de real nas multas.
Quando há conflito aparente de normas é necessário observar três princípios
fundamentes para resolver o conflito: especialidade (que se afaste a lei geral para a aplicação
da lei especial), subsidiariedade (relação de maior ou menor gravidade) e consunção (princípio
da absorção).

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II – DO CRIME
TEORIA GERAL DO CRIME

Estudos dos contornos que devem estar presentes no fato jurídico.


Crime é fato típico, antijurídico e culpado.
TIPO – É o fato material que se amolda perfeitamente à previsão legal.
FATO MATERIAL – é qualquer acontecimento.

O conceito de infração penal varia conforme o enfoque:


Enfoque formal – está rotulado em uma norma penal incriminadora e é passível de
pena.
Conceito material – comportamento humano causador de relevante e intolerável dano
ao bem jurídico e passível de sanção.
Conceito analítico – considera elementos estruturais que compõem a infração penal,
prevalecendo fato típico, ilícito e culpável.

INFRAÇÃO PENAL (gênero) pode ser dividida em crime ou contravenção penal.


Condutas mais graves são etiquetadas como crimes e mais leves como contravenções penais.

Crime Contravenção Penal


Punição com penas mais
Tipo de pena privativa de Penas menos severas (prisão
severas (reclusão, detenção,
liberdade simples, multa)
multa)
Ação penal pública e privada
Ação penal pública
Espécie de ação penal (condicionada ou
incondicionada
incondicionada)
Punição da tentativa Pune Não pune
Extraterritorialidade da lei Admitida Não admitida
Justiça Estadual (salvo
Competência para
Justiça Federal e Estadual hipótese de prerrogativa de
processo e julgamento
foro)
Limite das penas 30 anos 5 anos
Período de prova do sursis
(suspensão de execução da
2 a 4 anos ou 4 a 6 anos 1 a 3 anos
pena por prazo
determinado)
Cabimento de prisão
Cabe Não cabe
preventiva ou temporária
Possibilidade de confisco Pode Não pode
Inexcusável, serve no
Ignorância ou errada Quando escusáveis podendo
máximo para diminuição da
compreensão da lei a lei deixar de ser aplicada
pena

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SUJEITOS DO CRIME

ATIVO – aquele que pratica a infração, capaz e que possui mais de 18 anos.
Existem três correntes que falam sobre a figuração da pessoa jurídica como sujeito do
crime. A primeira corrente afirma não ser possível pois a pessoa jurídica não pratica crime. A
segunda corrente admite que, apesar que apenas a pessoas física praticar crimes, a jurídica
também pode ser responsabilizada penalmente. Por último a terceira corrente garante que ambas
praticam crimes, apesar de a pessoa jurídica somente ser responsabilizada quando houver
intervenção da pessoa física. No entanto o STF já criou jurisprudência afirmando que a
penalização da pessoa jurídica independe da pessoa física.
A Lei nº 9.605/9, ao dispor sobre a punição da pessoa jurídica, estabelece que a
responsabilização civil, administrativa e penal tem lugar em decorrência de atos ordenados pelo
representante legal ou contratual no interesse ou benefício da entidade.
Relação entre a Lei e as pessoas físicas e jurídicas de direito privado – lei transcende
indivíduos e representa a vontade do Estado na relação entre particulares.
Relação entre a Lei e o Poder Público – lei representa própria vontade do Estado, é
inerente. O Estado atua sempre visando um fim que lhe é superior.
Uma corrente afirma que o faro de a Lei e a constituição não diferenciarem as pessoas
jurídicas de direito privado e direito público não significa que as duas possam ser penalizadas
da mesma maneira, uma vez que a entidade pública é o próprio Estado e constituiria ônus para
a própria sociedade.
A segunda corrente se posiciona ao contrário da primeira, afirmando que a pessoa
jurídica de direito público pode sim receber as mesmas punições das privadas. No entanto, a lei
determinas algumas punições que não podem ser dirigidas as públicas. Nenhuma pena pode
fazer com que a pessoa jurídica de Direito Público pare de funcionar, sob pena de penalizar a
própria sociedade. No caso das sociedades mista, admite-se a penalização na esfera penal.
O crime quanto ao sujeito ativo classifica-se em:
- Comum – quando o tipo penal não exige qualidade ou condição especial do agente
- Próprio – quando o tipo penal exige qualidade ou condição especial do agente
- Mão própria – além do tipo penal exigir qualidade e condição especial do agente a
conduta somente poderá ter sido praticada por ele, o que caracteriza ação penal de conduta
infungível.

PASSIVO – é a pessoa ou ente que sofre as consequências da infração penal. Pode ser
qualquer pessoa física, jurídica, indeterminado ou destituído de personalidade jurídica. Pode
ser:
- Constante (mediato, formal, geral ou genérico) – o Estado
- Eventual (imediato, material, particular ou acidental) – titular do interesse penalmente
protegido. Pode ser classificado em comum ou próprio (quando exige ou não qualidade ou
condição especial do indivíduo – homicídio/infanticídio).
São considerados crimes de dupla subjetividade passiva aqueles que têm
obrigatoriamente mais de uma vítima. O homem não pode ser, ao mesmo tempo, sujeito passivo
e ativo de crime, porque, como coloca o Princípio da Alteridade ninguém poderá ser
responsabilizado pela conduta que não excede a suas esfera individual.

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Sujeito passivo não se confunde com vítima, pois a vítima é qualquer pessoa física ou
moral que sofre por causa de um tipo penalizante, compreende uma definição mais abrangente.
Vítima existem quando há ou não crime, no entanto, quando há crime sujeito passivo e vítima
se reúnem na mesma pessoa. É fundamental o estudo do ofendido e de seu comportamento para
compreender o crime como um todo. Cifra negra é o número de crimes que não são
comunicados pelas vítimas.
Tipos de vítimas
- Ideais – inocentes
- Por ignorância – menos culpadas que o delinquente
- Provocadoras – tão culpadas quando o delinquente
- Agressoras – culpadas por estarem em tal situação
- Indiferentes – escolhidas ao acaso pelo delinquente
- Indefinidas ou indeterminadas – sofre agressões da sociedade moderna
- Determinadas – eram o alvo da ação do delinquente
- Falsas – simuladas (sabem que não são vítimas) ou imaginárias (creem que são vítimas,
mas não são)
- Reais – fungíveis (inteiramente inocentes, podem ser acidentais e indiscriminadas) ou
não fungíveis (desempenham papel no ato, podem ser imprudentes, alternativas, provocadoras
e voluntárias).

VITIMIZAÇÃO – Ação ou efeito de alguém se alto vitimar ou vitimar a outrem. É o


processo mediante o qual alguém vem a ser vítima de sua própria conduta ou da conduta de
terceiros, ou fato da natureza. O vitimário é o agente que faz surgir uma vítima. Nesse caso,
apenas o vitimário pode ser culpado (atentado terrorista), a vítima é a única culpada (suicídio)
ou há uma correlação de culpas entre o vitimário e a vítima. Nesse último caso há três hipóteses:
a vítima é menos culpada que o vitimário (turista em bairro perigoso), a vítima é tão culpada
quanto o agressor (racha) e a vítima é mais culpada que o agressor (homicídio privilegiado).
Segundo o preceito sedimentado, inexiste compensação de culpas em direito penal.

Primária – vítima diretamente atacada


Secundária – estabelecimentos comerciais
Terciária – crimes contra a ordem pública
Mútua – atos mutuamente consensuais

Objeto material – pessoal ou coisa sobre a qual recai conduta criminosa. Exceção – nem
todo tipo penal tem objeto material.
Objeto jurídico – bem jurídico protegido pelo tipo penal. Não pe possível haver crime
sem objeto jurídico.

Falso
Homicídio Furto Peculato
Testemunho
Pessoa física Pessoas física Funcionário Só testemunha,
Sujeito ativo capaz e com 18 capaz e com 18 público (crime perito, contador,
anos completos anos completos próprio) tradutor ou

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que mata que subtrai interprete
alguém coisa alheia (crime de mão
móvel própria)
Sujeito passivo
Estado Estado Estado Estado
constante
Estado e Estado e
Pessoa (física
eventual eventual
Sujeito passivo ou jurídica)
Pessoa morte particular lesado particular lesado
eventual desfalcada de
pela ação do pela ação do
seu patrimônio
agente agente
Dinheiro, valor
Objeto Pessoa morta ou qualquer
Coisa subtraída Não tem
Material (cadáver) outro bem
móvel
Regularidade
das atividades e Prestígio da
Objeto
Vida Patrimônio a moralidade da administração
Jurídico
Administração da justiça
pública

CRIMES

1. Crime Material – Quando o resultado é consumado (resultado naturalístico –


modificação do mundo exterior – exige sua ocorrência para a consumação) –
homicídio – tipo penal descreve a conduta e o resultado naturalístico.
2. Crime Formal – Não precisa da consumação do fato (consumação antecipada)
(resultado naturalístico é previsto, mas dispensável, pois a consumação ocorre com
a conduta) - ameaça
3. Crime de Mera conduta – Crimes sem resultado (descreve a conduta, mas não há
resultado naturalístico. Pune-se o agente pela simples atividade) – porte ilegal de
arma de fogo. – consuma-se no momento em que é praticado.
4. Crime próprio (especial) – exige que o agente ostente certas características –
infanticídio, só a mãe pode cometer, peculato
5. Crime comum (gerais) – pode ser praticado por qualquer pessoa – furto, roubo
6. Crime de mão própria (infungível - indelegável) – somente pode ser cometido por
determinado agente designado no tipo penal. Exige atuação pessoal do sujeito ativo
– falso testemunho, auto aborto
7. Crime doloso – sempre o agente quiser ou assumir o risco de produzir o resultado
8. Crime culposo – crime em que o agente não desejava o resultado, mas por,
imprudência, imperícia ou negligência o fato ocorreu.
9. Crime preterdoloso – dolo com relação ao fato antecedente e culpa no consequente
– lesão corporal seguida de morte

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10. Crime instantâneo – acontece naquele momento específico
11. Crime permanente – ação se prorroga no tempo – a qualquer momento pode ser feito
o flagrante. Consumação se protai no tempo até que cesse a conduta típica.
12. Crime continuado – é uma ficção jurídica. Dois ou mais crimes da mesma espécie,
praticados nas mesmas condições de tempo são tratados como crime único, majorando-
se a pena. OBS: No crime permanente e no crime continuado aplica-se a lei penal mais
grave
13. Crime consumado – crime em que se reúne todos os requisitos de ordem legal
14. Crime exaurido – contempla atos posteriores à consumação.
15. Crime tentado – por circunstâncias alheias à vontade do agente, o não ocorre.
16. Crime de dano – dano efetivo ao bem jurídico
17. Crime de perigo – dispensa a efetiva lesão ao bem jurídico tutelado
18. Crime instantâneo de efeitos permanentes – aquele que ocorre em um momento
específico, mas os efeitos perduram até que seja declarada sua nulidade.
19. Crime simples – formado por um tipo penal e sem circunstância que aumente ou
diminua a gravidade.
20. Crime conexo – atrai crimes para o de maior rito. Ligar processos, práticas
criminosas.
21. Crime de continência – reunião de pessoas que praticam o crime – traz todo mundo
para o mesmo processo – Princípio da continência – atrai pessoas. Ligar pessoas que
praticam crimes.
22. Crime complexo - junção de duas ou mais figuras autônomas que unidas dão lugar
a uma terceira, a partir daí os crimes autônomos passam a ter como função, valorar
a pena (extorsão + sequestro).
23. Crime ultra complexo – quando um crime complexo é acrescido de outro.
24. Crime qualificado – crimes que sofrem agravamentos devido a condutas
subsequentes – extorsão mediante sequestros com morte da vítima.
25. Crime privilegiado – lei considera circunstâncias que diminuem a gravidade da
ação.
26. Crime plurisubjetivo – concurso de agentes é imprescindível a sua configuração
27. Crime unisubjetivo – pode ser praticado por uma ou várias pessoas
28. Crime comissivo – viola um tipo proibitivo – ação de realizar ato ilícito por um tipo
penal incriminador
29. Crime omissivo – viola um tipo mandamental – pode fazer mas não faz – não
realização de ato – comportamento ideal. Podem ser próprios (dever genérico de
agir, descrito na própria norma incriminadora) e impróprios (dever jurídico de evitar
a produção do evento
30. Crime de conduta mista – ação seguida de omissão, exige dois comportamento do
agente um comissivo e um omisso
31. Crime unisibsistente – realizado com apenas um ato, não admite tentativa
32. Crime plurisubsistente – diversos atos provocam a consumação, admite a tentativa.
33. Crime habitual – reiteração de atos, ocorre apenas quando há repetição da conduta.
Consuma-se na reiteração da conduta típica.

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34. Crime progressivo – nele o agente desde o início, objetivando o resultado mais
grave, prática crescentes e sucessivas violações ao bem jurídico tutelado. Autor só
responderá pelo delito visado.
35. Progressão Criminosa – agente tem uma intenção e após conseguir o seu intento
passa ato contínuo a uma nova intenção mais gravosa. Ele deverá responder pela
mais grave.
36. Crime principal – independe da existência de outro - roubo
37. Crime assessório – pressupões a existência de outro crime – receptação
38. Quase-crime ou crime impossível – Não há crime
39. Crime funcional – praticado por funcionário público
40. Crime putativo – é o crime imaginário ou erroneamente suposto

Hoje o crime é composto de: Fato típico, Ilicitude e Culpabilidade

ELEMENTOS DO FATO TÍPICO

Fato típico pode ser conceituado como ação ou omissão humana, antissocial que,
norteada pelo princípio da intervenção mínima, consiste em uma conduta produtora de um
resultado que se submete ao modelo de conduta proibida pelo Direito Penal, seja crime ou
contravenção penal.

1. Conduta (dolosa ou culposa) – uma vez ausente não se pode falar em crime
2. Resultado
3. Nexo causal
4. Tipicidade

TEORIAS DA CONDUTA

1. Teoria Causal ou Naturalística – O homem não age por finalidade, o homem


age por instinto. Desprovido de qualquer finalidade. Relação de causa e efeito. O fato típico é
um processo interno da vontade (sem finalidade); movimento corporal que exterioriza a
vontade; resultado dessa atuação. Já a ação dolosa ou culposa (culpabilidade) é o conteúdo da
vontade. Formada da fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade), antijuridicidade
(forma: presença ou não de causa excludente) e Culpabilidade (imputabilidade e dolo ou culpa
– finalidade)
2. Teoria Finalista – Teve como percussor Hans Welzel. Como você prova a
finalidade de alguém. A pessoa afirma a finalidade do crime, porque o crime foi cometido.
Finalidade reside na diferença entre a moral e a ética. Para Welzel, quando a gente agisse
finalisticamente e o resultado fosse o pretendido o crime deveria ser caracterizado como crime
doloso. Também seria doloso quando, embora não fosse a sua finalidade aquele resultado, o
agente assumisse o risco de produzi-lo (dolo eventual). Agora, se ao agir acontecesse um
resultado totalmente diferente do pretendido, por quebra do dever objetivo de cuidado o crime
seria culposo.

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Até 11 de julho de 1984, encontra o tipo, vai para o dolo e descobre se houve culpa ou
culpabilidade, ou seja, ele teve consciência do que estava fazendo? Crimes eram imputados a
maiores que possuíam consciência. Com a Teoria Finalística é movimentada na reforma penal.
Hoje em dia todo mundo sem exceção pratica crime. A consciência, hoje, é pressuposto de pena.
Criança recebe medida socioeducativa e o louco recebe uma medida de segurança. Encontra o
tipo, vai para o dolo e culpa.
Eles adotam a teoria Normativa pura que afirma que culpabilidade representa
meramente u juízo de reprovação, uma valoração que se faz sobre a conduta típica e ilícita do
agente, cujos elementos serão a imputabilidade, a consciência da ilicitude e a exigibilidade de
conduta adversa.

CONDUTA – Movimentos humanos voluntários dirigido a um fim.


Causas de exclusão da conduta
Caso fortuito ou força maior – Estão além da vontade do homem e podem advim de
homens e de fatos da natureza.
Atos involuntários - quando ocorre de maneira que o autor não teve vontade de praticar
o crime. No volante, desmaia, bate em outro carro e mata outra pessoa.
Atos reflexos – Conhecido como acidente. Não foi por querer, não deixaram de prestar
socorro, não houve previsão para que isso acontecesse e não havia nenhum indício de que isso
aconteceria.

OUTRO CASO: Quem foi comprar? Vendeu a quantia permitida. Não houve
traficância. Na culpa existe negligência, imperícia e imprudência. Nesses casos de atos
involuntários e reflexos o autor do crime não tem culpa da ação.

TEORIA SOCIAL (nunca foi aceita no Direito Brasileiro) – Para ser um bem jurídico
tutelado é necessário que seja social e penalmente relevante. É uma teoria que tenta ser
empurrado pelo Direito americano. Doutrinadores como Capez e Damásio de jesus foram
contra a aplicação dessa teoria por dizer que o brasileiro não tem capacidade de opinar. É uma
teoria vinda do Direito Alemão. O que é socialmente relevante? Seria uma causa que valia a
prisão? A sociedade teria a missão de escolher o que ela acha que deveria ser punido e o que
ela acha que é relevante.

TEORIA DO RESULTADO

TEORIA DA OMISSÃO – A omissão é o deixar de fazer aquilo que a norma


estabelece. O art. 13 é o único artigo finalista do Código Penal.
TEORIA NORMATIVA – a omissão é um nada, e o nada nada pode causar a
não ser que exista previsão legal. Toda lei tem resultado normativo.
TEORIA NATURALÍSTICA – A omissão é um deixar de fazer o que deveria
ser feito. Logo, quem se omite responde inclusive pelo resultado.
Relação de causalidade (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11/7/1984.)

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ILICITUDE

É a conduta típica não justificada, espelhando a relação de contrariedade entre o fato


típico e o ordenamento jurídico como um todo.
O ônus da prova sobre a causa de exclusão da ilicitude é da defesa.

CULPABILIDADE

Juízo de reprovação que recai na conduta típica e ilícita que o agente se propõe a realizar.
Trata-se de um juízo à necessidade de aplicação da sanção penal. Terceiro substrato do crime.

ART. 13

O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.

O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Superveniência de causa independente - § 1º A superveniência de causa relativamente
independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores,
entretanto, imputam-se a quem os praticou.
Relevância da omissão - § 2º A omissão é penalmente relevante quando o omitente
devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Por exemplo um
médico passando por um acidente e não presta socorro, não tem a obrigação contratual,
mas tem a obrigação moral).
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; (Assumir
a posição de garantidor, chamar a pessoa, dar carona, se acontecer alguma coisa com a
pessoa, você responde)
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11/7/1984.) Relação de causalidade

Crime omissivo – viola um tipo mandamental – pode fazer mas não faz – não realização
de ato – comportamento ideal. Podem ser próprios (dever genérico de agir, descrito na própria
norma incriminadora) e impróprios (dever jurídico de evitar a produção do evento

Crimes omissivos impróprios – Assume a posição de garantidor e, portanto, você


responde também pelo resultado. Esse sempre será um crime material. Ex: Se uma criança for
menor de 18 anos, precisa de tratamento médico e a mãe não deixa esse tratamento acontecer
por causa de princípios religiosos, e a menina morrer, a mãe responde por homicídio culposo,
por que a criança é menor de idade.

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A regra é que todos os crimes estejam na categoria de crimes omissivos próprios, que
estão na primeira corrente, normativa (sempre serão crimes formais, ou de mera conduta que
não responsabilizam o agente pelo resultado). Ex: Art. 135 – Crime omissivo, deixar de prestar
socorro, quando possível fazê-lo.
O agente deve ter conhecimento da situação causadora de perigo; ter consciência da sua
posição de garantidor; e ter possibilidade física de impedir a ocorrência do resultado.
Crimes omissivos por comissão – Deixo de ajudar porque recebi uma ordem. (Não foi
recepcionada pelo Direito Brasileiro).

Resultado naturalístico (quando há modificação do mundo exterior), normativo


(previsto na norma, lei e indispensável em qualquer delito).

Nexo causal é a ligação entre a conduta e o resultado. Se não houver resultado não há
como falar de crime. Se não conseguir ligar a conduta ao resultado não pode estabelecer a
autoria do crime. Crimes qualificados pelo resultado acabador. Se não houver ligação não tem
crime qualificado.

Crimes qualificados pelo resultado –


1 – Dolo no antecedente e também dolo no consequente. EX: Art. 129, parágrafo 2
2 – Culpa no antecedente, mais dolo no consequente. Ex: Art. 129 Parágrafo 3
3 – Dolo no antecedente e culpa no consequente (crime Praeter doloso) Ex: Art. 121

CAUSAS E CONCAUSAS

Causa é todo dado secundário que agregado à figura típica pode modificar a
caracterização do crime ou ser por ele desprezado. Buscas no resultado o que cada um fez
efetivamente, perguntando qual a intensão do agente, e fazendo ele responder pelo que
efetivamente causou. Ligar a conduta do agente ao resultado.
Espécies – relativamente independente (não tem contato com o desdobramento) ou
absolutamente independentes (resultado material).

Concausas
Mais de uma causa concorrendo para a produção do resultado.
Absolutamente independentes - o comportamento paralelo será punido na forma
tentada
Preexistente – Por si não levariam a morte. Se a causa é pré-existente ou
absolutamente independente, então não pode ser culpado por ela. Por exemplo: Homem
envenenado é esfaqueado. Se morrer por causa do esfaqueamento, o homem que envenenou
não responde por homicídio, responde pelos atos até então praticados (tentativa de homicídio).
Concomitantes – Atuam na mesma condição. (junto). Fizeram ao mesmo
tempo. Que comete o crime paga pelo crime, o outro responde por tentativa. Autoria colateral.
Sem a ação não haveria ocorrido o resultado.

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Superveniente – Vem depois. Causa que veio posteriormente, e que no evento
cronológico não é suficiente para dizer que cometeu o crime. Se estiver dentro do
desdobramento causal responde pelo crime praticado.

Relativamente independentes – se originam do comportamento concorrente. As causas


se conjugam para produzir o resultado.

ART. 14

Diz-se o crime:
Crime consumado I – consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua
definição legal;
Tentativa II – tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente.
Pena de tentativa Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa
com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.

Iter Criminis – Caminho do crime. Possui quatro elementos.

Cogitação – Cogitar não significa premeditar. Quem cogita pode ser responsabilizado
pelo crime? Não tem punição se estiver apenas na cabeça.
Preparação – Preparando o ato criminoso. Se não ferir nenhuma lei não é punido.
Execução – Ato criminoso está sendo executado, sem lesão da vítima, sem punição.
Quando há ato executório inequívoco para a consumação (Não tem mais volta), nesse caso ou
ele responde pelo crime consumado ou pela tentativa.
Consumação – Responde pelo crime. Considera-se consumado o crime quando nele se
reúnem todos os elementos da sua definição legal.

Todo crime que pode ser separado em partes pode ser tentado. Quando não dá para
fracionar não há tentativa.

Desistência Voluntária – situação em que os atos executórios ainda não se esgotaram,


entretanto, o agente, voluntariamente, abandona o seu dolo inicial. Agente pode prosseguir, mas
não quer.

ART. 15

Persistência voluntária e arrependimento eficaz


O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o
resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

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Crimes de adequação mediata da figura típica (temporal) (A atira em B e B tomba morto
– art. 121) e existem outros crimes que também são de adequação mediata pessoal (A=B=C
atiram em D e D permanece vivo – todos aderiram a atividade criminoso.

Condício sine quanon - Condição sem a qual o crime não teria ocorrido. (Dolo ou
quebra do dever objetivo) Só pode ser responsabilizado aquele que agiu por dolo e por culpe e
que tinha consciência daquilo que fazia. Se não conseguir atribuir por dolo ou por culpa não
tem crime. Todo fato sem a qual o resultado não teria ocorrido é causa.
Direito católico abre a possibilidade de pena no mundo.
Dolo e culpa para estabelecer o nexo causal.

Adequação típica
Direta quando liga a pessoa ao resultado
Mediata quando tem que recorrer a terceira norma para se aproximar da intensão do
agente.
Autor é quem realiza verbo núcleo do tipo (verbo do crime)
Coautor é aquele que assessora na realização do verbo núcleo do tipo
Partícipe é aquele que auxilia sem nunca ingressar no verbo núcleo do tipo
Liame subjetivo – todos sabem o que vai acontecer
Todos respondem à medida da sua culpabilidade

CRITÉRIO OBJETIVO – quando mais longe da consumação, maior a diminuição,


quando mais perto, menor a diminuição.

Arrependimento posterior – a lei compensa com redução da pena


Na desistência voluntária ocorre o abandono durante a execução, no arrependimento
eficaz, depois de esgotados os atos executórios, o agente evita a consumação; no
arrependimento posterior, após a consumação do crime, o agente repara o dano ou restitui a
coisa.

ART. 16

Nos crimes cometidos sem violência.


Só existe para direito penal crime culposo com a previsão legal.
Causa excludente de punibilidade. Praticou crime, mas o agente não será punido porque
o estado foi omisso ou aplicou pena que anula a outra pena.
Apropriação indébita
Causa de diminuição de pena
312 e 171 causa de exclusão de pena

ART. 17

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Crime impossível –
1. Absoluta ineficácia do meio empregado para a prática criminosa.
2. Absoluta impropriedade do objeto (material) (pessoa ou coisa sobre a qual recai a
conduta).
Se não for absoluta a ineficácia ou a impropriedade, haverá ao menos crime tentado.
Flagrante preparado. Fraude.

ART. 18

CRIME DOLOSO

Dolo é intensão, vontade mais finalidade. Componente implícito da conduta. É formado


por vontade (volitivo) e consciência (intelectivo)
Espécies de dolo.
1. Dolo direto é a vontade de produzir lesão ao bem jurídico tutelado
2. Dolo indireto (mesmo que segundo grau) – É subdividido em dolo eventual (ter
previsão e aceitar o risco de produzir o resultado) e dolo alternativo (ter previsão e vontade de
produzir ao menos um dos resultados, deve responder pelo crime mais grave).
3. Dolo genérico (quando não há finalidade – tipo subjetivo) e dolo específico (quando a
pessoa age com uma finalidade específica – elemento subjetivo do tipo)
4. Dolo de dano (cópia fiel do dolo direito – vontade de produzir lesão ao bem jurídico
tutelado)
5. Dolo de perigo – dividido em abstrato (exposição) e concreto (precisa que a pessoa seja
contaminada, pelo menos uma)
6. Dolo geral – Sinônimo similar ao dolo genérico. É a mesma coisa que erro sucessivo.
Quando o agente supondo já ter alcançado um resultado por ele visado, pratica nova ação que
efetivamente o provoca.
7. Dolo antecedente – anterior a conduta. Não interessa ao direito penal.
8. Dolo subsequente – é posterior ao crime. Será sempre irrelevante penalmente.
9. Dolo de propósito – premeditado
10. Dolo de Ímpeto – sob forte emoção
11. Dolo abandonado – desistência voluntário ou arrependimento eficaz

CRIME CULPOSO

Culpa – Quebra Culpa – Quebra do dever objetivo de cuidado. Se adaptar ao grupo


social a que está inserido. Em regra são crimes materiais.
Culpa lato senso - Não é usual
Conduta humana voluntário - ação ou omissão dirigida e orientada pelo querer, mas
que causa um resultado involuntário.

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Violação de um dever objetivo de cuidado – individuo atua sem tomar as devidas
providências e sem levar em consideração o interesse de terceiros.
Culpa stricto senso - Imprudência (aquele que está dentro da conduta, no decorrer da
conduta – positiva/ação), negligência (aquele que deveria ter tomado um cuidado anterior a
conduta – negativa/omissão) e imperícia (aquele que não tem habilitação técnica). O julgador
deve examinar as circunstâncias que envolvem o caso concreto.
Resultado Naturalístico Involuntário – causam modificação involuntário no meio
externo. No entanto, há casos em que não é necessário o resultado naturalístico para que seja
punido.
Nexo entre conduta e resultado – deve estar presente a relação voluntária entre a ação,
omissão e o resultado.
Resultado involuntário previsível – não é previsto, mas previsível. Trata-se de culpa
consciente. Pressupõe que o agente portador de inteligência mediana (conceito do homem
médio) é capaz de concluir que a conduta é ilícita. A previsibilidade é inafastável.
Tipicidade – Para crime culposo é necessária expressa qualificação do tipo. Não se pune
conduta culposa, salvo quando houver expressa disposição em lei.

ESPÉCIES DE CULPA
Culpa consciente com previsão ou ex-lascivia – agente prevê resultado, mas acha que
pode evita-lo
Culpa inconsciente, sem previsão ou ex-ignorantia – agente não prevê resultado, mas
era previsível
Culpa própria ou culpa propriamente dita – não quer e não assume risco, mas é causado
por imprudência, Imperícia e negligência.
Culpa imprópria ou culpa por equiparação, por assimilação ou por extensão – agente
imagina situação achando que exclui a ilicitude e provoca intencionalmente o resultado.

Não existe compensação de culpas no direito penal.

EXCLUSÃO DA CULPA
Caso fortuito e força maior – fatos imprevisíveis que não se submeter à vontade de
ninguém.
Princípio da confiança – alguém age nos limites do dever de cuidado não responde pelo
resultado lesivo.
Erro profissional – não caracteriza culpa, a menos que haja dolo ou imperícia.
Rico tolerado – determinado pela necessidade – medico que faz experimentos em
humanos com autorização.

ART. 19

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CRIME PRETERDOLOSO

O agente pratica delito distinto do que havia projetado cometer, advindo da conduta
dolosa resultado culposo mais grave do que o projetado. O comportamento é doloso, mas o
resultado (mais grave) é involuntário. – Lesão corporal seguida de morte.
Os elementos deste tipo de crime são a conduta dolosa visando determinado resultado,
a provocação de resultado culposo mais grave que o desejado, o nexo causal entre conduta e o
resultado e a tipicidade, pois não se pune o crime preterdoloso sem previsão expressa em lei.

ART. 20

ERRO DE TIPO

Erro de tipo que antes de 1984 era conhecido como erro quanto ao fato. É uma confusão
mental quanto ao fato em si. – Exclui o crime ou permite a punição por crime culposo quando
houver previsão. O agente não sabe exatamente o que faz.
Pode ser dividido em dois:
Erro de tipo essencial, no qual se avisado do erro, o agente para de agir criminosamente.
Inevitável – justificável - exclui o dolo e a culpa
Evitável – Injustificável – Exclui o dolo, mas mantem a culpa caso haja previsão.
Erro de tipo acidental, no qual o agente corrige os caminhos ou sentido da conduta e
continua agindo de forma ilícita. Incide a responsabilidade penal.
Erro quanto ao objeto – Agente se confunde quanto ao objeto. (Objeto material
- Pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta do agente.) Circunstancia aumenta ou diminui a
pena (Ineficaz, queria cometer o crime e cometeu, mesmo que o objeto a ser roubado não fosse
o previsto pelo autor), elementar se tirar acaba a pena (Sujeito rouba um saco achando que
açúcar, mas é cocaína, não há crime porque o objeto era o açúcar e cocaína é elementar do crime
de tráfico de drogas).
Erro quanto a pessoa – Agente equivoca-se quanto a pessoa. Implica a
existência da vítima real e da vítima virtual. Todas as características da vítima virtual se
transferem para a vítima efetiva. Vai responder como se tivesse matado quem você queria. Não
há falha operacional.
Erro na execução (aberratio ictos) – (pessoa X pessoa) acidente ou erro no uso
dos meios de execução. Agente responde pelo crime considerando as qualidades da vítima
pretendida. (Marido que quer matar a mulher mas mata outra pessoa no ato). (Concurso formal
de crimes – uma ação dois ou mais resultados).
Resultado diverso do pretendido – (coisa x pessoa) Se o erro for na execução
a punição é por crime culposo se houve previsão. Responderá a título de culpa se houver
previsão legal.

Erro sobre o nexo causal – resultado se produz com nexo diferente. Pode ser em
sentido estrito (quando um ato causa o resultado – homem joga outro do penhasco para que
morra afogado, mas vitima bate a cabeça na pedra e morre por traumatismo craniano) ou dolo
geral aberratio causae (quando há pluralidade de atos – homem atira em outro e o joga na agua,

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achando que este está morto, mas a vítima morre afogada). Agente é punido pelo crime
desejado, a título de dolo, considerando o nexo ocorrido.

Erro de tipo essencial X delito putativo por erro de tipo – em ambos os casos o
agente não sabe o que faz. No entanto, no primeiro o agente pratica tipo penal sem querer, no
segundo o agente pratico fato atípico sem querer. Delito putativo por erro de tipo é o crime
impossível.
Erro de subsunção – ocorre quando o agente decifra equivocadamente o sentido
jurídico do seu comportamento. Não afasta a responsabilidade penal. Não há falsa percepção
da realidade e o agente sabe da ilicitude de seu comportamento.
Erro provocado por terceiro – Erro induzido. Agente provocador e agente provocado.
Agente provocador é punido como autor mediato.

Descriminantes putativas
Causas excludentes de ilicitude. É um erro quanto à sua existência ou seus limites,
engana-se quanto aos pressupostos fáticos do evento.
ART. 21

ERRO DE PROIBIÇÃO

Erro de proibição que antes de 1984 era conhecido como erro de Direito. É uma
confusão mental quanto aos limites de uma causa de justificação – Exclui a pena ou permite
punição com pena menor. Nesse caso está falando em um instituto/ de matéria penal. O agente
sabe o que está fazendo, mas ignora o caráter ilícito do seu ato.
O erro é escusável quando o agente atua ou se omite em ter a consciência da ilicitude
do fato em situação na qual não é possível lhe exigir que tenha essa consciência.

Espécies
Direito – se equivoca quanto ao conteúdo
Indireto – descriminante putativa por erro de proibição

O erro de tipo é o equívoco que recai sobre as circunstâncias do fato, sobre elementos
do tipo penal já o erro de proibição, por sua vez, recai sobre a ilicitude do fato.

ART 23

Esses artigos, se acontecerem, exclui o crime. Todo fato típico é também ilícito, a não
ser que ocorra uma causa excludente da ilicitude. Só pode alegar excludente de ilicitude quem
já sabia disso antes do fato. A consciência tem que ser anterior ao fato.
A expressão excesso pressupõe uma inicial situação de legalidade, seguida de uma tuar
extrapolando limites. O exagero, decorrendo dolo ou culpa será punido

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ART. 24

Estado de necessidade – poder vir das mais diversas formas, inclusive do estado de
necessidade. Ataques de animais. Em relação à função.
Se há dois bens em perigo, permite-se que seja sacrificado um deles, pois a tutela penal,
nas circunstâncias do caso concreto, não consegue proteger a ambos.
Requisitos – perigo atual (perigo iminente real ou putativo), que a situação de perigo
não tenha sido causada voluntariamente pelo agente, salvar direito próprio ou alheio e
inexistência de dever legal de enfrentar o perigo, inevitabilidade de comportamento lesivo,
inexigibilidade de sacrifício do interesse ameaçado, conhecimento da situação de fato
justificante.

ART. 25
Legítima Defesa – alguém tem que ter provocado a agressão para que o outro se
defenda. Se o animal for açulado, ele se transforma em um mero instrumento de defesa de seu
dono. Em relação à pessoa.
- Legítima defesa putativa (imaginária) – Autoriza a reação como legítima defesa real.
Se provar, não responder pelo crime.

Requisitos – agressão injusta, atual ou iminente, uso moderado dos meios necessários e
proteção do direito próprio ou de outrem, conhecimento da situação de fato significante.
Quando há erro de execução na legitima defesa, a situação deve ser considerada como
se praticada contra o real agressor, não descaracterizando a legítima defesa.

Estrito cumprimento do dever legal – Se o dever é legal, é previsto em lei. Quem tem
dever legal é funcionário público. Saber se ele agiu no estrito cumprimento do dever. Cabe
homicídio doloso, dependendo do caso, se estiver ausente sem justificativa. Me comporto nos
exatos limites que a lei me permite. Cede espaço à obediência hierárquica, excludente de
culpabilidade. O agente deve ter conhecimento de que está praticando a conduta em face de um
dever imposto pela lei.

Exercício regular de um direito – Teoria do Homem médio. O que o grupo disser que
é necessário é o que é colocado como lei para aquele grupamento social. (Ex: Jogo de futebol,
MMA). São requisitos dessa justificante a proporcionalidade, a indispensabilidade e o
conhecimento do agente de que atua concretizando seu direito previsto em Lei.
- Ofendículos: Material colocado à disposição do patrimônio, para assegurar o
patrimônio. O problema começa no momento em que esse material começam a atuar.
- Defesa mecânica pré-disposta: Legítima defesa deve ser no momento e não, anterior.
Agressão injusta - somente poderá vir de um ser-humano.

ART. 26 (41, 96 A 99)

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Excludente de culpabilidade (Exclui a pena).
Culpabilidade: Juízo de censura ou reprovação que se estabelece sobre um fato típico
e ilícito e que tem como pressupostos a imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude e
também a exigibilidade de conduta adversa.
Imputabilidade - O imputável é aquele que tem capacidade de entendimento e se
coloca de acordo com a determinação (acima de 18 anos). (vontade e consciência). Utilizado o
Critério biopsicológico, aquele em que em razão de condição mental era, ao tempo da conduta,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento. Não basta ser portador de anomalia psíquica para ser inimputável. Será
denunciado e processado, mas ao final, deve ser absolvido (absolvição imprópria). Em se
tratando de delido permanente a imputabilidade dever ser aferida no momento em que sessa a
conduta.
Potencial consciência da ilicitude – possibilidade que tem o agente imputável de
compreender a reprovabilidade de sua conduta.
Exigibilidade de conduta adversa – exige-se que nas circunstancias tivesse a
possibilidade de atuar de acordo com o ordenamento jurídico.
Sansão é gênero que comporta duas espécies: 1 Pena: A partir dos 18 anos destinada ao
imputável. 2 Medida de Segurança: A partir dos 18 anos destinada ao inimputável e ao semi-
impultável.

Medidas de segurança
Medida de segurança detentiva – equivale a internação.
Medida de segurança restritiva – equivale a tratamento ambulatorial.
Medida de segurança não está ligado a apenas inimputabilidade e a semi-
imputabilidade. Ela tem ligação com a penas de detenção e pena de retenção. O que vai
determinar a internação ou tratamento é o tipo de pena aplicado ao crime.
Na medida de segurança, a pessoa é internada por que é perigoso. Critério
periculosidade. Não acontece por tempo indeterminado, é pega a pena máxima para o crime e
a pessoa ficar internada até esse tempo.
Inimputável é aquele que não tem capacidade de entendimento e autodeterminação e
não terá em momento algum. Categorias: Louco de todo o gênero, aquele que tem
desenvolvimento mental incompleto, desenvolvimento mental retardado (oligofrênico).
Dependente químicos e alcoólatras - Estágio de iniciante (toma esporadicamente),
intermediário (tem que tomar todo dia) e dependência rígida (não pode dispor da substância
sem grave sofrimento físico e mental – estará no quadro de patologia – apenas nesse estágio é
inimputável).
No caso da semi-imputabilidade (fronteiriço): Louco de todo o gênero (imputa a menor
pena), aquele que tem desenvolvimento mental incompleto (converte a pena em medida de
segurança), desenvolvimento mental retardado (oligofrênico) (para o processo e interna o
sujeito).

ART. 27

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Não interessa o que foi feito antes dos 18 anos. Menor idade e culpabilidade são
incomunicáveis. Após os 18, é colocado como bons antecedentes, zera o currículo criminal.
OBS: Menores de 18 anos: Ato infracional (previsão Estatuto da Criança e do
Adolescente – ECA): Inimputável por critério biológico (Art. 27 CP).

ART. 28

Violenta emoção – abrupto – Diminuição da pena


Paixão – Duradouro – Crime Passional – Premeditação aumenta a pena

Nenhuma das duas exclui responsabilidade penal.

PRINCÍPIO DA ACTIO LIBERA IN CAUSA (AÇÃO LIVRE NO AGIR)

Embriaguez preordenada – Se colocar em situação de inimputabilidade para praticar o


crime. A pena sobe, normalmente 1/3 a mais.

A embriaguez segue três fatores


- Fase do macaco – Tudo é motivo de brincadeira (ainda tem consciência)
- Fase do leão – começa a ficar irritadiço (pode ter como pode não ter)
- Fase do porco – Problemas fisiológicos – coma alcoólico ou pré-coma alcoólico (não
tem consciência)

Responsabilidade objetiva – o código determina, tem que fazer e ponto final.

Voluntária – Hoje eu vou beber – Vai responder pelo que fizer


Culposa – Quebra do dever objetivo de cuidado. – beber e dirigir. - Vai responder pelo
que fizer
Fortuito – caso inesperado. (Parcial você tem pena diminuída, se for total tem isenção
de pena)
Força Maior – obrigado a ingerir algo para alguma coisa. (Parcial você tem pena
diminuída, se for total tem isenção de pena)

Vis absoluta (coação física irresistível) – excludente de ilicitude. – Sem dolo e sem culpa
não pode ser responsabilizado pelo crime. Não há escolha.
Vis relativa – Coação moral irresistível (não tem escolha, tem crime, consciência viciada
e não tem pena) e coação moral resistível (tem crime, consciência viciada, tem escolha e
responde por pena diminuída). Há escolha.

ART. 29

Concurso de agentes (codelinquência, coautoria ou coparticipação)


Autor – quem pratica o verbo núcleo do tipo
Coautor – ajuda a realizar o verbo núcleo do tipo
Partícipe – auxilia sem nunca ingressar no verbo núcleo do tipo

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Autor intelectual – quem organiza a atividade criminosa e nunca realiza verbo (Art. 62
do CP)
Autoria colateral – ocorre quando os coautores, não guardam liame subjetivo (aquilo
que une as intensões) entre si, não sabem um da atividade do outro, mas praticam o crime ao
mesmo tempo.
Autoria colateral incerta – sem pune pela certeza do direito. Os dois respondem
por tentativa.
Crime monosubjetivo (de concurso eventual) – eventualmente várias pessoas
podem se reunir para a prática daquele crime, mas é geralmente feito por uma pessoa só.
Crime plurisubjetivo (de concurso necessário) – precisa de um número
determinado de pessoas para ser pluri.

Diferença entre o Art. 29 e o Art. 288 do CP

Elo de ligação ou nexo causal (conduto e resultado ou conduta e resultado agravador)


Liame Subjetivo (liga a intenção do agente ao resultado).

Art. 288 você se associa para a prática de crimes. Caracterizado esse art. Todos
respondem pelo 288. Não precisa conhecer todos.
Concurso material de crimes – soma a pena de cada um deles.
Associação é de pessoas – não importa a idade ou problema mental – mas tem que ser
com a finalidade de cometer crimes
Concurso de agentes - precisa entrar na fase de execução do crime, quando tem mais de
um agente. Todos se conhecem.
Delito multitudinário – aquele onde não há planejamento com os demais indivíduos, não
há prévio ajuste entre eles, mas em algum momento haverá um gatilho que faz com que as
condução se tornam convergentes.

Requisitos – Pluralidade de agentes, relevância causal das condutas, liame subjetivo


entre os agente e identidade da infração penal

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