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RESUMO DOS INFORMATIVOS - SITE DIZER O DIREITO

DIREITO ADMINISTRATIVO

1. PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS
1.1. AUTOTUTELA: Recebimento de auxílio-moradia com má-fé e inexistência de
decadência – (Info 839)

Servidor que recebeu auxílio-moradia apresentando declaração falsa de que havia


se mudado para outra cidade terá que ressarcir o erário e devolver os valores
recebidos mesmo que já se tenha passado mais de 5 anos desde a data em que o
pagamento foi autorizado.
STF. 1ª Turma. MS 32.569/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o ac. Min. Edson
Fachin, j. 13/09/16 (Info 839).

1.2. Princípio da intranscendência e atos praticados pelas gestões anteriores – (Info


825) - ATENÇÃO!!! = CONCURSOS FEDERAIS!!!

Segundo a posição que prevalece no STF, se a irregularidade no convênio foi


praticada pelo gestor anterior e a gestão atual, depois que assumiu, tomou todas as
medidas para ressarcir o erário e corrigir as falhas (exs: apresentou todos os
documentos ao órgão fiscalizador, ajuizou ações de ressarcimento contra o antigo
gestor etc.), neste caso, o ente (Estado ou Município) não poderá ser incluído nos
cadastros de inadimplentes da União.
Assim, segundo esta acepção, o princípio da intranscendência subjetiva das sanções
proíbe a aplicação de sanções às administrações atuais por atos de gestão praticados
por administrações anteriores.
Segundo o Min. Luiz Fux, “não se pode inviabilizar a administração de quem foi
eleito democraticamente e não foi responsável diretamente pelas dificuldades
financeiras que acarretaram a inscrição combatida”. Penso que seja a posição que
prevalece no STF.
A própria AGU admite esta tese: Súmula 46-AGU: Será liberada da restrição
decorrente da inscrição do município no SIAFI ou CADIN a prefeitura
administrada pelo prefeito que sucedeu o administrador faltoso, quando tomadas
todas as providências objetivando o ressarcimento ao erário.

Vale ressaltar, no entanto, que o Min. Marco Aurélio recentemente manifestou-se


contrariamente à tese afirmando que:
A inscrição do nome do Estado-Membro em cadastro federal de inadimplentes em
face de ações e/ou omissões de gestões anteriores não configura ofensa ao princípio
da intranscendência. Vigora, no âmbito da Administração Pública, o princípio da
impessoalidade, previsto no art. 37, CF/88. A relação jurídica envolve a União e o
ente federal, e não a União e certo Governador ou outro agente. O governo se alterna
periodicamente nos termos da soberania popular, mas o Estado é permanente. A
mudança de comando político não exonera o Estado das obrigações assumidas. No
caso concreto (ACO 732/AP), o STF julgou o pedido de forma favorável ao Estado
porque a União não havia respeitado o devido processo legal. Dessa forma, esta
argumentação do Min. Marco Aurélio não foi adotada pela Turma como razão de
decidir. Por isso, penso que a posição do referido Ministro é minoritária e, em
concursos públicos, acredito que ainda se deve adotar o entendimento no sentido
de que é possível aplicar o princípio da intranscendência para esta situação.
STF. 1ª Turma. ACO 732/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016 (Info
825).
STF. 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgados
em 23/6/2015 (Info 791).
OBS:
O que é o princípio da intranscendência subjetiva das sanções? Significa que não
podem ser impostas sanções e restrições que superem a dimensão estritamente
pessoal do infrator e atinjam pessoas que não tenham sido as causadoras do ato ilícito.
Na jurisprudência do STF encontramos dois exemplos de aplicação desse princípio
em casos envolvendo inscrição de Estados e Municípios nos cadastros de
inadimplentes da União:

1ª acepção: quando a irregularidade foi praticada pela gestão anterior: Existem


julgados do STF afirmando que se a irregularidade no convênio foi praticada pelo
gestor anterior e a gestão atual, depois que assumiu, tomou todas as medidas para
ressarcir o erário e corrigir as falhas (exs: apresentou todos os documentos ao órgão
fiscalizador, ajuizou ações de ressarcimento contra o antigo gestor etc.), neste caso, o
ente (Estado ou Município) não poderá ser incluído nos cadastros de inadimplentes
da União. Segundo esta acepção, o princípio da intranscendência subjetiva das
sanções proíbe a aplicação de sanções às administrações atuais por atos de gestão
praticados por administrações anteriores. Logo, deve-se aplicar o princípio da
intranscendência subjetiva das sanções, impedindo que a Administração atual seja
punida com a restrição na celebração de novos convênios ou recebimento de repasses
federais. Nesse sentido: STF. 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel.
Min. Luiz Fux, julgados em 23/6/2015 (Info 791).

2ª acepção: quando a irregularidade foi praticada por uma entidade do


Estado/Município ou pelos outros Poderes que não o Executivo: O princípio da
intranscendência subjetiva das sanções pode ser aplicado também nas situações em
que uma entidade estadual/municipal (ex: uma autarquia) descumpriu as regras do
convênio e a União inscreve não apenas essa entidade, como também o próprio ente
(Estado/Município) nos cadastros restritivos. (STF. Plenário. ACO 1848 AgR, Rel.
Min. Celso de Mello, julgado em 06/11/2014)

Também viola o princípio da intranscendência quando o Estado-membro é incluído


nos cadastros de inadimplentes da União por irregularidades praticadas pelos outros
Poderes que não o Executivo: O Estado só pode sofrer restrições nos cadastros de
devedores da União por atos praticados pelo Poder Executivo. Dessa forma, atos do
Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e dos entes da
Administração Pública indireta (como as autarquias e as empresas públicas) não
podem gerar sanções da União contra o Estado, diante da ausência de ingerência
direta do Executivo sobre eles. (STF. Plenário. ACO 1.612-AgR, Rel. Min. Celso de
Mello, DJe 13/2/2015; STF. Plenário. ACO 2099 AgR, Rel. Min. Teori Zavascki,
julgado em 18/12/2015).
1.3. Observância do devido processo legal, contraditório e ampla defesa antes da
inclusão de entes federativos nos cadastros federais de inadimplência – (Info 825) –
ATENÇÃO!!! CONCURSOS FEDERAIS!!!

É necessária a observância da garantia do devido processo legal, em especial, do


contraditório e da ampla defesa, relativamente à inscrição de entes públicos em
cadastros federais de inadimplência.
Assim, a União, antes de incluir Estados-membros ou Municípios nos cadastros
federais de inadimplência (exs: CAUC, SIAF) deverá assegurar o devido processo
legal, o contraditório e a ampla defesa.
STF. 1ª Turma. ACO 732/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 10/5/2016 (Info 825).
STF. Plenário. ACO 1995/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 26/3/2015 (Info 779).

1.4. Princípio da intranscendência subjetiva na inscrição de unidade federativa em


cadastro de inadimplentes – (Info 791) – ATENÇÃO!!! ADVOCACIA PÚBLICA!!!

O Estado de Pernambuco celebrou convênio com a União por meio do qual recebeu
determinadas verbas para realizar projetos de interesse público no Estado,
assumindo o compromisso de prestar contas da utilização de tais valores perante a
União e o TCU. Ocorre que o Estado não prestou contas corretamente, o que fez com
que a União o inserisse no CAUC. Ao julgar uma ação proposta pelo Estado-
membro contra a União, o STF exarou duas importantes conclusões:
1) Viola o princípio do devido processo legal a inscrição de unidade federativa em
cadastros de inadimplentes antes de iniciada e julgada tomada de contas especial
pelo Tribunal de Contas da União. Em casos como esse, mostra-se necessária a
tomada de contas especial e sua respectiva conclusão, a fim de reconhecer que houve
realmente irregularidades. Só a partir disso é possível a inscrição do ente nos
cadastros de restrição ao crédito organizados e mantidos pela União.
2) O princípio da intranscendência subjetiva impede que sanções e restrições
superem a dimensão estritamente pessoal do infrator e atinjam pessoas que não
tenham sido as causadoras do ato ilícito. Assim, o princípio da intranscendência
subjetiva das sanções proíbe a aplicação de sanções às administrações atuais por
atos de gestão praticados por administrações anteriores. A inscrição do Estado de
Pernambuco no CAUC ocorreu em razão do descumprimento de convênio
celebrado por gestão anterior, ou seja, na época de outro Governador. Ademais,
ficou demonstrado que os novos gestores estavam tomando as providências
necessárias para sanar as irregularidades verificadas. Logo, deve-se aplicar, no caso
concreto, o princípio da intranscendência subjetiva das sanções, impedindo que a
Administração atual seja punida com a restrição na celebração de novos convênios
ou recebimento de repasses federais.
STF. 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgados
em 23/6/2015 (Info 791).

1.5. Princípio da autotutela e necessidade de se garantir contraditório e ampla


defesa – (Infos 763 e 732)

A Administração Pública pode anular seus próprios atos quando estes forem
ilegais. No entanto, se a invalidação do ato administrativo repercute no campo de
interesses individuais, faz-se necessária a instauração de processo administrativo
que assegure o devido processo legal e a ampla defesa.
Assim, a prerrogativa de a Administração Pública controlar seus próprios atos não
dispensa a observância do contraditório e ampla defesa prévios em âmbito
administrativo.
STF. 2ª Turma. RMS 31661/DF, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/12/2013 (Info
732).
STF. Plenário. MS 25399/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/10/2014 (Info
763).

1.6. Conselho Superior do MPE ou Colégio de Procuradores poderão anular


questão de concurso público do MP, mesmo sem previsão no edital – (Info 740)

É válido recurso contra a decisão da comissão examinadora do concurso de Promotor


de Justiça, mesmo que não tenha previsão no edital, desde que seja previsto na Lei
Orgânica da carreira.
O julgamento do recurso pelos órgãos internos do MP é válido mesmo sem a
participação da OAB. Isso porque tal decisão nada mais é do que o exercício do
princípio da autotutela.
STF. 1ª Turma. MS 32176/DF, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 18/3/2014 (Info 740)

2. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
2.1. Divulgação de vencimentos dos servidores públicos com relação nominal –
(Info 782)

É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração


Pública, dos nomes de seus servidores e do valor dos correspondentes vencimentos
e vantagens pecuniárias.
STF. Plenário. ARE 652777/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 23/4/15 (repercussão
geral) (Info 782)

3. NEPOTISMO
3.1. Não haverá nepotismo se a pessoa nomeada possui um parente no órgão, mas
sem influência hierárquica sobre a nomeação – (Info 815)

Não há nepotismo na nomeação de servidor para ocupar o cargo de assessor de


controle externo do Tribunal de Contas mesmo que seu tio (parente em linha
colateral de 3º grau) já exerça o cargo de assessor-chefe de gabinete de determinado
Conselheiro, especialmente pelo fato de que o cargo do referido tio não tem
qualquer poder legal de nomeação do sobrinho.
A incompatibilidade da prática enunciada na SV 13 com o art. 37 da CF/88 não
decorre diretamente da existência de relação de parentesco entre pessoa designada
e agente político ou servidor público, mas de presunção de que a escolha para
ocupar cargo de direção, chefia ou assessoramento tenha sido direcionado à pessoa
com relação de parentesco com quem tenha potencial de interferir no processo de
seleção.
STF. 2ª Turma. Rcl 18564/SP, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min.
Dias Toffoli, julgado em 23/2/2016 (Info 815).
OBS SOBRE O JULGADO:
Não há nepotismo se a pessoa que será nomeada para o órgão público possui ali um
parente, mas este não detém competência legal para selecioná-la ou nomeá-la para o
cargo de chefia, direção ou assessoramento pleiteado, ou não exerce ascendência
hierárquica sobre quem possui essa competência.
Vedar o acesso de qualquer cidadão a cargo público apenas por conta de relação de
parentesco com servidor público que não tenha competência para selecionar ou
nomear para o cargo pleiteado é, em alguma medida, negar o princípio constitucional
da impessoalidade.
Além disso, não existia, no caso concreto, nenhum indício de a autoridade nomeante
tivesse algum parentesco com o nomeado nem suspeita de que estaria havendo
designações recíprocas mediante ajuste ("nepotismo cruzado").
Por fim, importante esclarecer que, ao se analisar a estrutura administrativa da Corte
de Contas não se verifica a existência de hierarquia entre os cargos de chefe de
gabinete e de assessor de controle externo.

3.2. Norma que impede nepotismo no serviço público não alcança servidores de
provimento efetivo – (Info 786)

A Constituição do Estado do Espírito Santo prevê, em seu art. 32, VI, que é “vedado
ao servidor público servir sob a direção imediata de cônjuge ou parente até segundo
grau civil”.
Foi proposta uma ADI contra esta norma.
O STF julgou a norma constitucional, mas decidiu dar interpretação conforme à
Constituição, no sentido de o dispositivo ser válido somente quando incidir sobre
os cargos de provimento em comissão, função gratificada, cargos de direção e
assessoramento. Em outras palavras, o STF afirmou que essa vedação não pode
alcançar os servidores admitidos mediante prévia aprovação em concurso público,
ocupantes de cargo de provimento efetivo, haja vista que isso poderia inibir o
próprio provimento desses cargos, violando, dessa forma, o art. 37, I e II, da CF/88,
que garante o livre acesso aos cargos, funções e empregos públicos aos aprovados
em concurso público.
STF. Plenário. ADI 524/ES, rel. orig. Min. Sepúlveda Pertence, red. p/ o acórdão Min.
Ricardo Lewandowski, j. 20/5/2015 (Info 786).

4. PODER DE POLÍCIA
4.1. Poder de polícia de trânsito e guardas municipais – (Info 793) –
IMPORTANTE!!! – (MPSP-2015)

As guardas municipais podem realizar a fiscalização de trânsito?


SIM. As guardas municipais, desde que autorizadas por lei municipal, têm
competência para fiscalizar o trânsito, lavrar auto de infração de trânsito e impor
multas.
O STF definiu a tese de que é constitucional a atribuição às guardas municipais do
exercício do poder de polícia de trânsito, inclusive para a imposição de sanções
administrativas legalmente previstas (ex: multas de trânsito).
STF. Plenário.RE 658570/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Roberto Barroso, j. 6/8/2015 (Info 793).
(MPSC-2016): A fiscalização do trânsito, com aplicação das sanções administrativas
legalmente previstas, embora possa se dar ostensivamente, constitui mero exercício
de poder de polícia, não havendo, portanto, óbice ao seu exercício por entidades
não policiais.

5. CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
5.1. O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado
não transfere automaticamente ao Poder Público a responsabilidade pelo seu
pagamento – (Info 862) – IMPORTANTE!!!

O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não


transfere automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo
seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º,
da Lei 8.666/93.

Obs: a tese acima foi a fixada pelo STF. No entanto, penso que é importante um
esclarecimento revelado durante os debates: é possível sim, excepcionalmente, que
a Administração Pública responda pelas dívidas trabalhistas contraídas pela
empresa contratada e que não foram pagas, desde que o ex-empregado reclamante
comprove, com elementos concretos de prova, que houve efetiva falha do Poder
Público na fiscalização do contrato.
STF. Plenário. RE 760931/DF, rel. orig. Min. Rosá Weber, red. p/ o ác. Min. Luiz Fux,
j. 26/4/17 (repercussão geral) (Info 862).

6. LICITAÇÕES
6.1. É inconstitucional lei estadual que exige nova certidão negativa não prevista
na Lei 8.666/93 – (Info 838) – IMPORTANTE!!!

É inconstitucional lei estadual que exija Certidão negativa de Violação aos Direitos
do Consumidor dos interessados em participar de licitações e em celebrar contratos
com órgãos e entidades estaduais.
Esta lei é inconstitucional porque compete privativamente à União legislar sobre
normas gerais de licitação e contratos (art. 22, XXVII, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 3.735/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 8/9/16 (Info 838).
OBS:
Certidão de Violação aos Direitos do Consumidor (CVDC): O Estado do Mato Grosso
do Sul editou uma lei prevendo que para a pessoa (física ou jurídica) participar de
licitações ou assinar contratos com a Administração Pública estadual acima de
determinado valor, ela deveria apresentar uma certidão negativa de violação aos
direitos do consumidor. De acordo com a lei, a pessoa ficaria impedida de tirar essa
certidão negativa se já tivesse sido condenada, administrativa ou judicialmente, por
ofensa a direitos do consumidor, nos últimos 5 anos.

Essa Lei estadual é constitucional? NÃO.


Estados, DF e Municípios podem suplementar normas gerais fixadas pela União: A
Constituição previu que compete privativamente à União fixar as normas gerais sobre
licitações e contratos:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:


(...)
XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as
modalidades, para as administrações públicas diretas,
autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal
e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as
empresas públicas e sociedades de economia mista, nos
termos do art. 173, § 1°, III;

Isso significa que os Estados, DF e os Municípios podem editar leis tratando sobre
licitações e contratos, desde que sejam referentes a normas “não gerais”. Em outras
palavras, tais entes podem suplementar as normas gerais fixadas pela União,
conforme autorizam os arts. 24, § 2º, 25, §1º, e 30, II:

Art. 24 (...)
§ 2º - A competência da União para legislar sobre normas
gerais não exclui a competência suplementar dos Estados.

Art. 25 (...)
§ 1º - São reservadas aos Estados as competências que não lhes
sejam vedadas por esta Constituição.

Art. 30. Compete aos Municípios:


II - suplementar a legislação federal e a estadual no que
couber;

Assim, a ordem constitucional reconhece, em favor dos Estados-membros, autonomia


para criar direito em matéria de licitações e contratos independentemente de
autorização formal da União. Todavia, essa autonomia não é incondicionada, devendo
ser exercida apenas para a suplementação das normas gerais expedidas pela União.

Requisitos para que a suplementação feita pelos Estados, DF e Municípios seja


válida: Para se analisar se a suplementação feita pelos Estados, DF e Municípios foi
válida ou não, deverá ser feito um exame em duas etapas:
1ª) identificar quais são as normas gerais fixadas pela União no caso concreto como
modelo nacional;
2ª) verificar se as inovações feitas pelo legislador estadual, distrital ou municipal sobre
o tema são compatíveis com as normas gerais impostas pela União.

Lei do Estado do MS afrontou as normas gerais fixadas pela União: O principal


diploma que trata sobre licitações e contratos é a Lei nº 8.666/93. Nela, a União fixou
as normas gerais sobre o tema. A Lei nº 8.666/93 exige algumas certidões referentes à
regularidade fiscal e trabalhista (art. 29), mas não faz qualquer exigência quanto à
inexistência de condenações relacionadas com a violação de direitos do consumidor.
Assim, a lei editada pelo Estado do MS criou novas condições que somente lei federal
poderia prever. Ao criar requisito de habilitação obrigatório para a maioria dos
contratos estaduais, o Estado-membro se arvorou na condição de intérprete primeiro
do direito constitucional de participar de licitações. Criou, ainda, uma presunção legal,
de sentido e alcance amplíssimos, segundo a qual a existência de registros
desabonadores nos cadastros públicos de proteção do consumidor seria motivo
suficiente para justificar o impedimento à contratação de pessoas físicas e jurídicas
pela Administração local.
A lei estadual impugnada introduziu um requisito genérico e inteiramente novo para
habilitação em qualquer licitação. Ao assim prever, a legislação estadual afrontou as
normas gerais do ordenamento nacional de licitações e contratos e se apropriou de
competência da União.

6.2. É constitucional lei estadual que determina que a Administração Pública irá,
preferencialmente, utilizar “softwares” livres – (Info 780)

O Governo do Rio Grande do Sul editou uma lei estadual determinando que a
administração pública do Estado, assim como os órgãos autônomos e empresas sob
o controle do Estado utilizarão preferencialmente em seus sistemas e equipamentos
de informática programas abertos, livres de restrições proprietárias quanto à sua
cessão, alteração e distribuição (“softwares” livres).
Determinado partido político ajuizou uma ADI contra essa lei afirmando que ela
teria inconstitucionalidades materiais e formais.
O STF julgou improcedente a ADI e afirmou que a lei é constitucional.
A preferência pelo “software” livre, longe de afrontar os princípios constitucionais
da impessoalidade, da eficiência e da economicidade, promove e prestigia esses
postulados, além de viabilizar a autonomia tecnológica do País.
Não houve violação à competência da União para legislar sobre licitações e
contratos porque a competência da União para legislar sobre licitações e contratos
fica restrita às normas gerais, podendo os Estados complementar as normas gerais
federais.
A referida lei também não viola o art. 61, II, “b”, da CF/88 porque a competência
para legislar sobre “licitação” não é de iniciativa reservada ao chefe do Poder
Executivo, podendo ser apresentada por um parlamentar, como foi o caso dessa lei.
STF. Plenário. ADI 3059/RS, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz
Fux, julgado em 9/4/2015 (Info 780).

7. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR


7.1. A Súmula Vinculante 5 continua válida – (Info 849)

A Súmula Vinculante 5 continua válida.


O STF rejeitou proposta da OAB que pretendia o cancelamento do verbete.
Após a edição da SV 5, não houve mudança na legislação, na jurisprudência ou na
percepção da sociedade a justificar a revisão ou o cancelamento do enunciado.
A súmula vinculante deve ter certo grau de estabilidade, somente devendo ser
cancelada ou revista em caso de superveniência de fatos suficientemente relevantes.
Assim, a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo
disciplinar não ofende a CF.
STF. Plenário. PSV 58/DF, j. 30/11/16 (Info 849).
(PGEMS-2014): Servidor público estatutário de autarquia estadual, em sede de
recurso administrativo manejado em face de decisão proferida em processo
administrativo disciplinar (PAD) que lhe aplicou pena de “advertência”; alegou,
exclusivamente, que mesmo sendo-lhe garantido direito à informação, à
manifestação e à consideração de tal manifestação, não foi assistido por advogado
durante todo o PAD. Você, na condição de Procurador(a) do Estado, com
fundamento na jurisprudência vinculante sobre o tema, acaso tivesse que realizar
parecer, pugnaria: Pelo indeferimento do recurso administrativo, pois não há
nulidade a ser reconhecida exclusivamente por ausência de advogado constituído
no processo administrativo em análise. BL: SV 5, STF.

(DPEPR-2014) O verbete sumular vinculante de n. 5, que dispõe que “a falta de


defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a
Constituição” somente é aplicável ao procedimento disciplinar na esfera cível-
administrativa, não sendo aplicável no procedimento disciplinar no âmbito da
execução penal.

OBS:
SV 5-STF: A falta de defesa técnica por advogado no processo
administrativo disciplinar não ofende a Constituição.

A OAB tem legitimidade para propor o cancelamento de SV? SIM. A CF/88 determina
que a proposta de cancelamento da súmula vinculante poderá ser provocada pelas
mesmas autoridades e entidades que podem propor a ADI. Em outras palavras, quem
pode propor ADI pode também pedir o cancelamento de súmula vinculante. No caso,
a OAB encontra-se no rol de legitimados da ADI (art. 103, VII, da CF/88) e,
consequentemente, pode requerer o cancelamento de súmula vinculante.

STF continua entendendo que a falta de defesa técnica no PAD não ofenda a CF: O
precedente que deu origem à SV 5 foi o RE 434.059/DF (DJe 12.9.2008). Neste
julgamento, o STF concluiu que a falta de defesa técnica por advogado no PAD não
ofende a CF. Após a edição da SV 5, não houve mudança na legislação, na
jurisprudência ou na percepção da sociedade a justificar a revisão ou o cancelamento
do verbete.

Estabilidade: A súmula vinculante deve ter certo grau de estabilidade, somente


devendo ser cancelada ou revista em caso de superveniência de fatos suficientemente
relevantes, sob pena de se negar autoridade e se transformar o verbete vinculante num
precedente qualquer, eliminando sua função no sistema, principalmente a de dar
estabilidade e segurança às decisões da Corte.

A participação do advogado no PAD é permitida e até recomendável, só não é


obrigatória: Os Ministros ressaltaram que não é proibida a participação dos
advogados nos processos administrativos disciplinares. Pelo contrário, a
Administração Pública deve viabilizar a presença de advogado nesses procedimentos
administrativos, devendo também cientificar os servidores públicos que eles possuem
o direito de contratar um profissional para fazer a sua defesa. Isso não significa,
contudo, que, não havendo advogado, o PAD seja nulo. Para o Min. Roberto Barroso,
o PAD deve observar cautelas inerentes ao processo penal, mas não se pode fazer uma
equiparação plena entre um e outro porque, após o PAD, haverá ainda a possibilidade
de revisão judicial da decisão que lá for tomada.

Existem processos judiciais que dispensam advogado: Importante relembrar que, caso
se reconheça que a SV 5 viola a Constituição, também deveria ser reconhecida a
inconstitucionalidade das normas que, em processo judicial, dispensam a presença de
advogado (exs: processos trabalhistas, juizados especiais etc.).

SV 5 não se aplica para processos disciplinares que apuram falta grave no sistema
prisional: Vale ressaltar que a SV 5 refere-se ao típico processo administrativo
disciplinar, ou seja, aquele que tramita no âmbito da Administração Pública. Este
enunciado não se aplica para o processo administrativo que apura infrações
cometidas no sistema penitenciário. Assim, mesmo havendo precedentes do STF
exigindo advogado nos processos de apuração de falta grave do condenado, estes não
podem ser invocados para justificar o cancelamento da SV 5.

7.2. Ausência de transcrição integral de dados obtidos por meio de interceptação


telefônica não gera nulidade – (Info 834)

Mesmo em matéria penal, a jurisprudência do STF e do STJ é no sentido de que não


é necessária a degravação integral das escutas, sendo bastante que dos autos
constem excertos suficientes a embasar o oferecimento da denúncia.
O servidor processado, que também é réu no processo criminal, tem acesso à
integralidade das interceptações e, se entender necessário, pode juntar no processo
administrativo os eventuais trechos que considera pertinentes ao deslinde da
controvérsia.
O acusado em processo administrativo disciplinar não possui direito subjetivo ao
deferimento de todas as provas requeridas nos autos, ainda mais quando
consideradas impertinentes ou meramente protelatórias pela comissão processante
(art. 156, §1º, Lei nº 8.112/90).
STF. 1ª Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Roberto Barroso, j. 9/8/16 (Info 834).

7.3. Empréstimo das interceptações telefônicas do processo criminal para o PAD –


(Info 834)

A prova colhida mediante autorização judicial e para fins de investigação ou


processo criminal pode ser utilizada para instruir procedimento administrativo
punitivo.
Assim, é possível que as provas provenientes de interceptações telefônicas
autorizadas judicialmente em processo criminal sejam emprestadas para o processo
administrativo disciplinar.
STF. 1ª Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Roberto Barroso, j. 9/8/2016 (Info 834).
OBS:
É possível a utilização, em processo administrativo disciplinar, de prova emprestada
validamente produzida em processo criminal? SIM. A jurisprudência do STJ e do STF
são firmes no sentido de que é admitida a utilização no processo administrativo de
“prova emprestada” do inquérito policial ou do processo penal, desde que autorizada
pelo juízo criminal e respeitados o contraditório e a ampla defesa (STJ. 1ª Seção. MS
17.472/DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 13/6/2012).

Este “empréstimo” da prova é permitido mesmo que o processo penal ainda não tenha
transitado em julgado? SIM. É possível a utilização, em processo administrativo
disciplinar, de prova emprestada validamente produzida em processo criminal,
independentemente do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Isso
porque, em regra, o resultado da sentença proferida no processo criminal não
repercute na instância administrativa, tendo em vista a independência existente entre
as instâncias (STJ. 2ª Turma. RMS 33.628-PE, Rel. Min. Humberto Martins, j. 2/4/13.
Info 521).

É possível utilizar, em processo administrativo disciplinar, na qualidade de “prova


emprestada”, a interceptação telefônica produzida em ação penal? SIM, desde que a
interceptação tenha sido feita com autorização do juízo criminal e com observância
das demais exigências contidas na Lei nº 9.296/1996 (STJ. 3ª Seção. MS 14.140-DF, Rel.
Min. Laurita Vaz, julgado em 26/9/2012).

Ex.: a Polícia Federal, por meio de interceptação judicial deferida pelo juízo criminal,
conseguiu captar conversa na qual determinado servidor público exige quantia para
praticar certo ato relacionado com suas atribuições. Com base nessa prova e em outras
constantes do inquérito, o MPF oferece denúncia contra esse servidor. A
Administração Pública, por sua vez, instaura processo administrativo disciplinar.

O STF também decidiu no mesmo sentido.

7.4. Desnecessidade de intimação do servidor após o relatório final – (Info 834)

Não é obrigatória a intimação do interessado para apresentar alegações finais após


o relatório final de processo administrativo disciplinar. Inexiste previsão na Lei
8.112/90 de intimação do acusado após a elaboração do relatório final da comissão
processante.
STF. 1ª Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Roberto Barroso, j. 9/8/2016 (Info 834).
STJ. 1ª Seção. MS 18.090-DF, Rel. Min. Humberto Martins, j. 8/5/2013 (Info 523).

7.5. Inexistência de impedimento de que os membros da comissão do primeiro


PAD, que foi anulado, participem da segunda comissão – (Info 834) –
IMPORTANTE!!!

Respeitados todos os aspectos processuais relativos à suspeição e impedimento dos


membros da Comissão Processante previstos pelas Leis 8.112/90 e 9.784/99, não há
qualquer impedimento ou prejuízo material na convocação dos mesmos servidores
que anteriormente tenham integrado Comissão Processante, cujo relatório
conclusivo foi posteriormente anulado (por cerceamento de defesa), para comporem
a segunda Comissão de Inquérito.
Assim, não há qualquer impeditivo legal de que a comissão de inquérito em
processo administrativo disciplinar seja formada pelos mesmos membros de
comissão anterior que havia sido anulada.
STF. 1ª Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Roberto Barroso, j. 9/8/2016 (Info 834).
STJ. 1ª Seção. MS 16.192/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 10/04/2013.
OBS:
O STF e o STJ, ao interpretarem este dispositivo, entendem que, quando ele diz
"constituição de outra comissão", não exige que nesta outra comissão os membros
sejam diferentes daqueles que compuseram a primeira. Em outras palavras, se o
motivo pelo qual o primeiro PAD foi anulado não está relacionado com a isenção da
comissão, não existe impedimento legal para que os membros da primeira participem
da comissão que irá conduzir o segundo processo.
Aplica-se aqui a mesma lógica que é utilizada no processo judicial: a anulação de uma
decisão/sentença judicial não impede que o juiz que decidiu aprecie novamente a
causa, salvo se o vício estava relacionado com ele.

8. CONCURSO PÚBLICO
8.1. POSSE TARDIA EM CARGO PÚBLICO POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL:
A nomeação tardia a cargo público em decorrência de decisão judicial não gera direito
à promoção retroativa – (Info 868) – IMPORTANTE!!!

A nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, por meio de ato


judicial, à qual atribuída eficácia retroativa, não gera direito às promoções ou
progressões funcionais que alcançariam se houvesse ocorrido, a tempo e modo, a
nomeação.
STF. Plenário. RE 629392 RG/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 8/6/17 (repercussão
geral) (Info 868).
OBS:
Imagine a seguinte situação hipotética: João foi aprovado em todas as provas teóricas
do concurso de Defensor Público, no entanto, foi eliminado no exame psicotécnico,
fato ocorrido no ano de 2013. O candidato ingressou com ação ordinária questionando
os critérios utilizados no teste psicotécnico aplicado. O pedido de tutela provisória
antecipada, contudo, foi negado. Todos os demais candidatos aprovados tomaram
posse. A ação foi julgada procedente em todas as instâncias, mas a Fazenda Pública
sempre recorria e João ainda não havia tomado posse. Somente em 2017, quando
houve o trânsito em julgado, ele foi nomeado e empossado. Significa que, enquanto
os demais candidatos foram nomeados e estavam trabalhando desde 2013, João,
mesmo tendo direito, só conseguiu ingressar no serviço público 5 anos mais tarde.
Inconformado com a situação, João propôs ação de indenização contra o Poder Público
alegando que teria direito de receber, a título de reparação, o valor da remuneração
do cargo referente ao período de 2013 até 2017.

O pedido de indenização formulado por João encontra amparo na jurisprudência? O


candidato que teve postergada a assunção em cargo por conta de ato ilegal da
Administração tem direito a receber a remuneração retroativa?
 Regra: NÃO. Não cabe indenização a servidor empossado por decisão judicial
sob o argumento de que houve demora na nomeação. Dito de outro modo, a
nomeação tardia a cargo público em decorrência de decisão judicial não gera
direito à indenização.
 Exceção: será devida indenização se ficar demonstrado, no caso concreto, que
o servidor não foi nomeado logo por conta de uma situação de arbitrariedade
flagrante.
O tema foi decidido pelo STF em sede de recurso extraordinário sob a sistemática da
repercussão geral:
Na hipótese de posse em cargo público determinada por
decisão judicial, o servidor não faz jus à indenização, sob
fundamento de que deveria ter sido investido em momento
anterior, salvo situação de arbitrariedade flagrante.
STF. Plenário. RE 724347/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio,
red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em
26/2/2015 (repercussão geral) (Info 775).

Por que o candidato não terá direito ao pagamento da remuneração retroativa? O


direito à remuneração é consequência do exercício de fato do cargo. Dessa forma,
inexistindo o efetivo exercício, a pessoa não faz jus à percepção de qualquer
importância, a título de ressarcimento material, sob pena de enriquecimento sem
causa.

E quanto aos efeitos funcionais, o candidato terá direito? Suponhamos o seguinte: os


candidatos que tomaram posse em 2013 já passaram do estágio probatório e foram
promovidos de Defensores Públicos de 3ª classe para Defensores Públicos de 2ª classe.
João deveria ter tomado posse em 2013 juntamente com eles, mas isso só acabou
ocorrendo em 2017 por erro da Administração Pública. A sentença reconheceu que
João tem direito à nomeação com eficácia retroativa à data em que os demais
candidatos na mesma situação foram nomeados (2013). Isso significa que João terá
direito de assumir já como Defensor Público de 2ª classe (“promovido”), assim como
os outros estão atualmente? NÃO. A promoção ou a progressão funcional, a
depender do caráter da movimentação, se vertical ou horizontal, não se resolve apenas
mediante o cumprimento do requisito temporal. Pressupõe a aprovação em estágio
probatório e a confirmação no cargo, bem como o preenchimento de outras condições
indicadas na legislação ordinária. Diante disso, uma vez empossado, cumpre ao
servidor cumprir todas as regras relacionados com o regime jurídico do cargo,
incluídas aquelas relativas ao estágio probatório e as específicas de cada carreira.
Assim, somente considerado o desempenho do agente, por meio de atuação concreta
a partir da entrada em exercício, é possível alcançar a confirmação no cargo e
eventuais promoções.

8.2. Inconstitucionalidade de permuta de serventia sem concurso público após a


CF/88 – (Info 841)

O art. 236, § 3º, da CF é uma norma constitucional autoaplicável. Logo, mesmo antes
da edição da Lei 8.935/94, ela já tinha plena eficácia e o concurso público era
obrigatório como condição não apenas para ingresso na atividade notarial e de
registro, como também nos casos de remoção ou permuta.
As normas estaduais que admitem a remoção na atividade notarial e de registro
independentemente de prévio concurso público são incompatíveis com o art. 236, §
3º, da Constituição, razão pela qual não foram por essa recepcionadas.
O prazo decadencial de 5 anos, de que trata o art. 54 da Lei nº 9.784/99, não se aplica
à revisão de atos de delegação de serventias extrajudiciais editados após a CF/88,
sem o atendimento das exigências prescritas no seu art. 236. Assim, se uma pessoa
assumiu uma serventia notarial ou registral sem concurso público após a CF/88, este
ato poderá ser anulado mesmo que já se tenham passado mais de 5 anos.
A decisão que anula o ato de investidura em serventia notarial e registral sem
concurso público não viola o direito adquirido nem a segurança jurídica.
STF. 1ª Turma. MS 29415/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz
Fux, j. 27/09/16 (Info 841).

8.3. Restrição a candidatos com tatuagem – (Info 835) – IMPORTANTE!!! – (MPRR-


2017)

Editais de concurso público não podem estabelecer restrição a pessoas com


tatuagem, salvo situações excepcionais em razão de conteúdo que viole valores
constitucionais.
STF. Plenário. RE 898450/SP, Rel. Min. Luiz Fux, j. 17/8/16 (repercussão geral) (Info
835).
(MPRR-2017-CESPE): De acordo com o entendimento do STF, no que se refere à
inscrição de candidatos que possuam tatuagens gravadas na pele, não havendo lei
que disponha sobre o tema, os editais de concursos públicos estão impedidos de
restringi-la, com exceção dos casos em que essas tatuagens violem valores
constitucionais. BL: Info 835, STF.

OBS:
Imagine a seguinte situação hipotética: João prestou concurso para soldado da Polícia
Militar. O edital do certame previa restrições para candidatos que possuem tatuagens.
Segundo o edital, seriam excluídos do concurso candidatos que possuíssem tatuagens
localizadas em regiões do corpo que ficassem visíveis quando o indivíduo estivesse
usando short e camisa (ex: antebraço). João foi aprovado em todas as fases, mas
eliminado do concurso porque possui uma tatuagem tribal, medindo 14 por 13 cm na
panturrilha.

É possível que o edital do concurso preveja a eliminação do candidato pelo simples


fato de ter uma tatuagem? Essa previsão é válida?
 Regra: NÃO. Em regra, os editais de concurso não podem estabelecer restrição
a pessoas com tatuagem.
 Exceção: é possível que o edital imponha restrições a candidatos que possuam
tatuagens cujo conteúdo viole valores constitucionais.

Restrições a cargos públicos somente podem estar relacionadas com o exercício das
funções: Qualquer obstáculo a acesso a cargo público deve estar relacionado
unicamente ao exercício das funções como, por exemplo, idade ou altura que
impossibilitem o exercício de funções específicas. A criação de barreiras arbitrárias
para impedir o acesso de candidatos a cargos públicos fere os princípios
constitucionais da isonomia e da razoabilidade.

No passado, a tatuagem foi associada a setores marginais da sociedade: A tatuagem,


no passado, especialmente durante o século XIX, era uma prática associada a
determinados grupos sociais que viviam à margem da sociedade, sendo conhecida
como "flor do presídio". Desse modo, durante muitos anos, no imaginário social a
tatuagem foi vista como marca da marginalidade e da delinquência. Segundo os
sociólogos, no entanto, o sentido estigmatizador do uso da tatuagem começou a
mudar a partir da década de 80.

Tatuagem é forma de liberdade de manifestação: O certo é que, atualmente, a


tatuagem, por si só, não pode ser confundida como uma transgressão ou conduta
atentatória aos bons costumes. Não há qualquer ligação objetiva e direta entre o fato
de um cidadão possuir tatuagens em seu corpo e uma suposta conduta atentatória à
moral, aos bons costumes ou ao ordenamento jurídico. A decisão do indivíduo fazer
uma tatuagem está diretamente relacionada com a sua liberdade de pensamento e de
expressão (art. 5º, IV e IX, da CF/88).

Restringir o acesso de candidato tatuado é forma de discriminação arbitrária: Não é


razoável restringir o acesso do candidato a uma função pública pelo simples fato de
possuir tatuagem. Esta restrição é flagrantemente discriminatória e carente de
qualquer justificativa racional que a ampare. O fato de uma pessoa possuir tatuagens,
visíveis ou não, não pode ser tratado pelo Estado como parâmetro discriminatório
quando do deferimento de participação em concursos de provas e títulos para ingresso
em carreira pública. Isso porque o fato de o candidato possuir tatuagem não macula,
por si, sua honra pessoal, o profissionalismo, o respeito às Instituições e, muito menos,
lhe diminui a competência. O respeito à democracia não se dá apenas na realização de
eleições livres, mas também quando se permite aos cidadãos se manifestarem da
forma que quiserem, desde que isso não represente ofensa direta a grupos ou
princípios e valores éticos. O desejo de se expressar por meio de pigmentação
definitiva não pode ser obstáculo a que um cidadão exerça cargo público. Um policial
não se torna melhor ou pior em suas funções apenas por ter tatuagem. O Estado não
pode querer representar o papel de adversário da liberdade de expressão, impedindo
que candidatos em concurso ostentem tatuagens ou marcas corporais que
demonstrem simpatia por ideais que não sejam ofensivos aos preceitos e valores
protegidos pela Constituição Federal.

Exceções: Vale ressaltar, entretanto, que é possível que a Administração Pública


impeça o acesso do candidato se a tatuagem que ele possui tiver um conteúdo que
viole os valores previstos na Constituição Federal. É o caso, por exemplo, de tatuagens
que contenham obscenidades, ideologias terroristas, que sejam discriminatórias, que
preguem a violência e a criminalidade, a discriminação de raça, credo, sexo ou origem.
Isso porque tais temas são, inegavelmente, contrários às instituições democráticas. Se
a Administração proibir tatuagens como essa, não será uma prática desarrazoada ou
desproporcional.

Voltando ao exemplo dado: No caso concreto, o STF considerou que a conduta da


Administração Pública de eliminar João não foi correta porque a tatuagem tribal não
se mostra contrária aos valores previstos na Constituição Federal, sendo legítima
manifestação de expressão do indivíduo.

8.4. Surgimento de vaga durante o período validade do concurso e abertura de novo


certame logo depois do primeiro concurso expirar – (Info 834)

Determinado candidato foi aprovado fora do número de vagas. Todos os aprovados


dentro do número de vagas foram nomeados e empossados. Durante o prazo de
validade do concurso, um servidor se aposentou, mas não houve autorização do
Ministério do Planejamento para que o órgão federal fizesse o provimento desta
vaga. Um mês após o fim do prazo de validade do concurso, a Administração
Pública abriu novo concurso para este cargo.
O STF entendeu que este candidato não possui direito líquido e certo à nomeação
porque:
 foi aprovado fora do número de vagas previsto no edital; e
 o prazo de validade do concurso em que ele foi aprovado expirou antes da
abertura do novo certame.
 realmente surgiu uma vaga decorrente da aposentadoria, mas não houve
manifestação do órgão competente se havia disponibilidade orçamentária
para que este cargo fosse imediatamente provido.
O mero surgimento de vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo
não gera direito subjetivo à nomeação do candidato aprovado fora do número de
vagas, cabendo a ele demonstrar, de forma inequívoca, que houve preterição
arbitrária e imotivada por parte da administração pública. No caso concreto, o STF
entendeu que isso não ficou comprovado.
Assim, para o Tribunal, a situação não se enquadra nas hipóteses previstas no RE
837311/PI.
STF. 1ª Turma. RMS 31478/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Edson Fachin, julgado em 9/8/2016 (Info 834).

8.5. Surgimento de novas vagas e discussão sobre direito subjetivo à nomeação


(Info 811) – IMPORTANTE!!!

O surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo,


durante o prazo de validade do certame anterior, não gera automaticamente o direito
à nomeação dos candidatos aprovados fora das vagas previstas no edital,
ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada por parte da
administração, caracterizada por comportamento tácito ou expresso do Poder
Público capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação do aprovado
durante o período de validade do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo
candidato.
Assim, o direito subjetivo à nomeação do candidato aprovado em concurso público
exsurge nas seguintes hipóteses:
a) quando a aprovação ocorrer dentro do número de vagas dentro do edital;
b) quando houver preterição na nomeação por não observância da ordem de
classificação; e
c) quando surgirem novas vagas, ou for aberto novo concurso durante a
validade do certame anterior, e ocorrer a preterição de candidatos de forma
arbitrária e imotivada por parte da administração nos termos acima.
STF. Plenário. RE 837311/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09/12/2015 (repercussão
geral) (Info 811).

8.6. Teoria do fato consumado: inaplicabilidade em concurso público (Info 808 e


753) – IMPORTANTE!!! (MPDFT-2015)

O candidato que toma posse em concurso público por força de decisão judicial
precária assume o risco de posterior reforma desse julgado que, em razão do efeito
“ex tunc”, inviabiliza a aplicação da teoria do fato consumado em tais hipóteses.
A posse ou o exercício em cargo público por força de decisão judicial de caráter
provisório não implica a manutenção, em definitivo, do candidato que não atende
a exigência de prévia aprovação em concurso público (art. 37, II, da CF/88), valor
constitucional que prepondera sobre o interesse individual do candidato, que não
pode invocar, na hipótese, o princípio da proteção da confiança legítima, pois
conhece a precariedade da medida judicial.
Em suma, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que assumiram
o cargo público por força de decisão judicial provisória posteriormente revista.
STF. 1ª Turma. RMS 31538/DF, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Marco
Aurélio, julgado em 17/11/2015 (Info 808).
STF. Plenário. RE 608482/RN, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 7/8/2014
(repercussão geral) (Info 753).

8.7. Momento para comprovação do limite de idade – (Info 791)

O limite de idade, quando regularmente fixado em lei e no edital de determinado


concurso público, há de ser comprovado no momento da inscrição no certame.
STF. 1ª Turma. ARE 840.592/CE, Min. Roberto Barroso, j. 23/6/2015 (Info 791).

8.8. Controle de questões de concurso pelo Poder Judiciário – (Info 782)

É possível que o Poder Judiciário anule questão objetiva de concurso público que
foi elaborada de maneira equivocada? É possível que seja alterada a pontuação dada
ao candidato na questão sob o argumento de que a correção feita pela banca foi
inadequada?
 Regra: NÃO. Os critérios adotados por banca examinadora de concurso
público não podem ser revistos pelo Poder Judiciário. Não é possível
controle jurisdicional sobre o ato administrativo que corrige questões de
concurso público. Não compete ao Poder Judiciário substituir a banca
examinadora para reexaminar o conteúdo das questões e os critérios de
correção utilizados.
 Exceção: apenas em casos de flagrante ilegalidade ou inconstitucionalidade,
a Justiça poderá ingressar no mérito administrativo para rever critérios de
correção e de avaliação impostos pela banca examinadora.
STF. Plenário. RE 632853/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/4/2015
(repercussão geral) (Info 782).

8.9. Súmula vinculante 43 – (Info 780)

Súmula vinculante 43-STF: É inconstitucional toda modalidade de provimento que


propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público
destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual
anteriormente investido.
STF. Plenário. Aprovada em 08/04/2015 (Info 780).

8.10. É inconstitucional lei estadual que cria Serviço de Interesse Militar Voluntário
Estadual – (Info 780)
O Estado de Goiás editou uma lei criando algo que ele chamou de Serviço de
Interesse Militar Voluntário Estadual (SIMVE). Esse SIMVE funcionaria, em linhas
gerais, da seguinte forma: as pessoas poderiam se alistar para trabalhar
“voluntariamente” como soldado na Polícia Militar ou no Corpo de Bombeiros
Militar. Haveria uma espécie de seleção (menos rigorosa que um concurso público)
e, se a pessoa fosse escolhida, ela receberia, como contraprestação pelo trabalho
desempenhado, um subsídio e atuaria como se fosse um soldado. Esse contrato seria
por um prazo determinado.
O STF entendeu que esse SIMVE é formal e materialmente inconstitucional.
O SIMVE viola a regra do concurso público (art. 37, II, da CF/88).
Além disso, o STF afirmou ainda que a Lei estadual possui um vício formal, já que
trata sobre prestação voluntária de serviços na PM e Corpo de Bombeiros de forma
diametralmente oposta ao que diz a Lei federal 10.029/2000.
STF. Plenário. ADI 5163/GO, rel. Min. Luiz Fux, julgado em 26/3/2015 (Infos 780 e
781).

8.11. Súmula vinculante 44 – (info 780)

Súmula vinculante 44-STF: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a


habilitação de candidato a cargo público.
STF. Plenário. Aprovada em 08/04/2015 (Info 780).

8.12. Constitucionalidade do art. 19-A da Lei 8.036/90 – (Info 779)

É nula a contratação de pessoal pela Administração Pública sem a observância de


prévia aprovação em concurso público, razão pela qual não gera quaisquer efeitos
jurídicos válidos em relação aos empregados eventualmente contratados,
ressalvados os direitos à percepção dos salários referentes ao período trabalhado e,
nos termos do art. 19-A da Lei 8.036/90, ao levantamento dos depósitos efetuados no
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS.
Neste julgado, o STF declarou que o art. 19-A da Lei 8.036/90 é CONSTITUCIONAL.
STF. Plenário. ADI 3127/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 26/3/2015 (Info
779).

8.13. Questão da prova objetiva que exige do candidato saber quantas afirmações
estão corretas – (Info 778)

Determinada candidata impetrou mandado de segurança questionando três


questões da prova objetiva do concurso para Procurador da República. As questões
impugnadas foram formuladas da seguinte forma: eram apresentadas quatro
afirmações; após essas assertivas, existiam quatro alternativas; a letra “A” dizia:
“apenas uma está correta”; letra “B”: “duas estão corretas”; letra “C”: “três estão
corretas”; letra “D”: “todas estão corretas”.
Segundo a autora, essa forma de questão objetiva estaria em desacordo com as
Resoluções do CNMP e do CNJ sobre concursos públicos.
O STF concordou com a tese da impetrante? Essa forma de questão objetiva violou
a resolução do CNMP?
NÃO. Apesar de as referidas questões apresentarem realmente uma estrutura
objetiva diversa das demais perguntas normalmente feitas em prova objetiva, isso
não significa qualquer nulidade, sendo apenas uma forma de dificultar o nível da
prova igualmente a todos os candidatos e condizente com o objetivo de um concurso
destinado a medir conhecimentos de vários tipos, ou seja, não só jurídicos, mas
também lógicos e gramaticais.
Ademais, entendeu-se que não se poderia invocar a Resolução 57/2009 do CNJ
porque, embora o CNJ e o CNMP possuam estruturas semelhantes e mesma origem
constitucional, são órgãos autônomos, de forma que o CNMP disciplinou o tema na
forma que entendeu melhor e não vedou esse tipo de questão.
STF. 1ª Turma. MS 31323 AgR/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 17/3/2015 (Info
778).

8.14. Critério de desempate em concursos de remoção de serventias notariais e


registrais – (Info 777)

A lei estadual do Estado “X” prevê que, em caso de empate entre os candidatos em
concurso de remoção para serventias notariais e registrais, o primeiro critério de
desempate é o maior tempo de serviço público.
Ocorre que a Lei Federal 10.741/2003 (Estatuto do Idoso) determina que o primeiro
critério de desempate em concurso público será a idade, dando-se preferência ao
de idade mais elevada (art. 27, parágrafo único).
Qual das duas legislações deverá prevalecer no caso?
A legislação estadual. O Estatuto do Idoso, por ser lei geral, não se aplica como
critério de desempate, no concurso público de remoção para outorga de delegação
notarial e de registro, quando existir lei estadual específica que regule o certame e
traga regras aplicáveis em caso de empate. Desse modo, em nosso exemplo, a vaga
deve ficar com o candidato que tiver maior tempo de serviço público (e não
necessariamente com o mais idoso).
STF. 1ª Turma. MS 33046/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10/3/2015 (Info 777).

8.15. Posse em cargo público por determinação judicial e dever de indenizar – (Info
775) – IMPORTANTE!!!

O candidato que teve postergada a assunção em cargo por conta de ato ilegal da
Administração tem direito a receber a remuneração retroativa?
 Regra: NÃO. Não cabe indenização a servidor empossado por decisão
judicial sob o argumento de que houve demora na nomeação. Dito de outro
modo, a nomeação tardia a cargo público em decorrência de decisão judicial
não gera direito à indenização.
 Exceção: será devida indenização se ficar demonstrado, no caso concreto,
que o servidor não foi nomeado logo por conta de uma situação de
arbitrariedade flagrante.
Nas exatas palavras do STF: “Na hipótese de posse em cargo público determinada
por decisão judicial, o servidor não faz jus à indenização, sob fundamento de que
deveria ter sido investido em momento anterior, salvo situação de arbitrariedade
flagrante.”
STF. Plenário. RE 724347/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Roberto Barroso, julgado em 26/2/2015 (repercussão geral) (Info 775).
8.16. Sociedade de economia mista que contrata escritório de advocacia em vez de
convocar advogados aprovados – (Info 763) – IMPORTANTE!!!

Se existem candidatos aprovados para advogado da sociedade de economia mista e


esta, no entanto, em vez de convocá-los, contrata escritório de advocacia, tal
contratação é ilegal, surgindo o direito subjetivo de que sejam nomeados os
aprovados.
Segundo entende o STF, a ocupação precária por terceirização para desempenho de
atribuições idênticas às de cargo efetivo vago, para o qual há candidatos aprovados
em concurso público vigente, configura ato equivalente à preterição da ordem de
classificação no certame, ensejando o direito à nomeação.
A competência para julgar essa ação é da Justiça do Trabalho. Isso porque essa
Justiça laboral especializada é competente para julgar não apenas as demandas
relacionadas com o contrato de trabalho já assinado, mas também para as questões
que envolvam o período pré-contratual.
STF. 2ª Turma. ARE 774137 AgR/BA, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em
14/10/2014 (Info 763).

8.17. Serviços sociais autônomos não precisam realizar concurso público – (Info 759)
– IMPORTANTE!!!

Os serviços sociais autônomos precisam realizar concurso público para contratar seu
pessoal?
NÃO. Os serviços sociais autônomos, por possuírem natureza jurídica de direito
privado e não integrarem a Administração Pública, mesmo que desempenhem
atividade de interesse público em cooperação com o ente estatal, NÃO estão sujeitos
à observância da regra de concurso público (art. 37, II, da CF/88) para contratação de
seu pessoal.
STF. Plenário. RE 789874/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/9/2014
(repercussão geral) (Info 759).

8.18. Concurso público e natureza classificatória da prova de títulos – (Info 757)

As provas de títulos em concurso público para provimento de cargos públicos


efetivos na Administração Pública, em qualquer dos Poderes e em qualquer nível
federativo, não podem ter natureza eliminatória.
A finalidade da prova de títulos é, unicamente, a de classificar os candidatos, sem
jamais justificar sua eliminação do certame.
STF. 1ª Turma. MS 31176/DF e MS 32074/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em
2/9/2014 (Info 757).

8.19. Contratação pela Administração Pública sem concurso público e ausência de


efeitos trabalhistas – (Info 756)

É nula a contratação de pessoal pela Administração Pública sem a observância de


prévia aprovação em concurso público, razão pela qual não gera quaisquer efeitos
jurídicos válidos em relação ao empregado eventualmente contratado, ressalvados:
 o direito de ele receber os salários referentes ao período trabalhado; e
 o direito de ele levantar os depósitos do FGTS (art. 19-A da Lei 8.036/90).
STF. Plenário. RE 705140/RS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 28/8/2014
(repercussão geral) (Info 756).

8.20. CLÁUSULA DE BARREIRA EM CONCURSO PÚBLICO É


CONSTITUCIONAL – (Info 736) – IMPORTANTE!!!

É constitucional a regra denominada “cláusula de barreira”, inserida em edital de


concurso público, que limita o número de candidatos participantes de cada fase da
disputa, com o intuito de selecionar apenas os concorrentes mais bem classificados
para prosseguir no certame.
STF. Plenário. RE 635739/AL, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/2/2014 (Info
736).

8.21. Inconstitucionalidade de dispositivo da CE que amplie as hipóteses do art. 19


do ADCT da CF/88 – (Info 734)

É inconstitucional dispositivo de Constituição estadual que preveja estabilidade


para servidores públicos admitidos sem concurso público fora das hipóteses
previstas na CF/88.
O STF, contudo, decidiu modular os efeitos de uma decisão que julgou determinado
artigo da CE/AC, determinando que ela somente terá eficácia a partir de 12 meses
contados da data da publicação da ata de julgamento.
STF. Plenário. ADI 3609/AC, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 5/2/2014 (Info 734).

8.22. INCONSTITUCIONALIDADE DO PREENCHIMENTO DE CARGOS POR


CONCURSO INTERNO – (Info 727)

É inconstitucional a lei estadual que prevê que determinados cargos da


Administração Pública serão preenchidos mediante concurso do qual somente
participarão servidores públicos (concurso interno).
Essa espécie de “promoção interna” viola o princípio da ampla acessibilidade aos
cargos públicos (art. 37, II, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 917/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Teori Zavascki, julgado em 6/11/2013 (Info 727).

8.23. VEDAÇÃO PARA MULHERES DEVE SER JUSTIFICADA,


PROPORCIONAL E PREVISTA EM LEI – (Info 718)

A imposição de discrímen de gênero para fins de participação em concurso público


somente é compatível com a Constituição nos excepcionais casos em que
demonstradas a fundamentação proporcional e a legalidade da imposição, sob pena
de ofensa ao princípio da isonomia.
STF. 2ª Turma. RE 528684/MS, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 3/9/2013 (Info
718).

8.24. TESTE FÍSICO EM CONCURSO PÚBLICO E INEXISTÊNCIA DE DIREITO


À SEGUNDA CHAMADA – (Info 706)
Os candidatos em concurso público NÃO têm direito à prova de segunda chamada
nos testes de aptidão física em razão de circunstâncias pessoais, ainda que de caráter
fisiológico ou de força maior, salvo se houver previsão no edital permitindo essa
possibilidade.
STF. Plenário. RE 630733/DF, rel. Min. Gilmar Mendes, 15/5/2013 (Info 706).

9. ORGANIZAÇÕES SOCIAIS
9.1. Constitucionalidade da Lei 9.637/98 – (Info 781) – IMPORTANTE!!!

Organizações sociais são pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos,
prestadoras de atividades de interesse público e que, por terem preenchido
determinados requisitos previstos na Lei 9.637/98, recebem a qualificação de
“organização social”.
A pessoa jurídica, depois de obter esse título de “organização social”, poderá
celebrar com o Poder Público um instrumento chamado de “contrato de gestão” por
meio do qual receberá incentivos públicos para continuar realizando suas
atividades.
Foi ajuizada uma ADI contra diversos dispositivos da Lei 9.637/98 e também contra
o art. 24, XXIV, da Lei 8.666/93, que prevê a dispensa de licitação nas contratações
de organizações sociais.
O Plenário do STF não declarou os dispositivos inconstitucionais, mas deu
interpretação conforme a Constituição para deixar explícitas as seguintes
conclusões:
a) o procedimento de qualificação das organizações sociais deve ser conduzido de
forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do
art. 37 da CF, e de acordo com parâmetros fixados em abstrato segundo o disposto
no art. 20 da Lei 9.637/98;
b) a celebração do contrato de gestão deve ser conduzida de forma pública, objetiva
e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF;
c) as hipóteses de dispensa de licitação para contratações (Lei 8.666/1993, art. 24,
XXIV) e outorga de permissão de uso de bem público (Lei 9.637/1998, art. 12, § 3º)
são válidas, mas devem ser conduzidas de forma pública, objetiva e impessoal, com
observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF;
d) a seleção de pessoal pelas organizações sociais deve ser conduzida de forma
pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37
da CF, e nos termos do regulamento próprio a ser editado por cada entidade; e
e) qualquer interpretação que restrinja o controle, pelo Ministério Público e pelo
Tribunal de Contas da União, da aplicação de verbas públicas deve ser afastada.
STF. Plenário. ADI 1923/DF, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz
Fux, julgado em 15 e 16/4/2015 (Info 781)

10. EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA


10.1. CE não pode ampliar a abrangência do art. 19 do ADCT da CF/88 – (Info 759)

É INCONSTITUCIONAL norma da Constituição estadual que amplia a


abrangência do art. 19 do ADCT da CF/88 e confere estabilidade para servidores das
empresas públicas e sociedades de economia mista que ingressaram sem concurso
público até cinco anos antes da CF/88.
STF. Plenário. ADI 1808/AM, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/9/2014 (Info
759).

11. AGÊNCIAS REGULADORAS


11.1. Lei estadual que trata sobre a nomeação e destituição de dirigentes de agências
reguladoras – (Info 759)

CONSTITUCIONAL lei estadual que prevê que os dirigentes de determinada


agência reguladora somente poderão ser nomeados após previamente aprovados
pela Assembleia Legislativa.
Por outro lado, é INCONSTITUCIONAL a lei estadual que estabelece que os
dirigentes de agência reguladora somente poderão ser destituídos de seus cargos
por decisão exclusiva da Assembleia Legislativa, sem qualquer participação do
Governador do Estado. Essa previsão viola o princípio da separação dos poderes (at.
2º da CF/88).
STF. Plenário. ADI 1949/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/9/2014 (Info 759).

12. RESPONSABILIDADE CIVIL


12.1. Constitucionalidade do art. 1ºC da Lei 9.494/97 – (Info 824)

A fixação do prazo prescricional de 5 anos para os pedidos de indenização por danos


causados por agentes de pessoas jurídicas de direito público e de pessoas jurídicas
de direito privado prestadoras de serviços públicos, constante do art. 1º-C da Lei
9.494/97, é constitucional.
STF. Plenário. ADI 2418/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016 (Info
824).
OBS:
MP 2.102-27/2001 e o art. 1ºC da Lei nº 9.494/97: A MP 2.102-27/01 inseriu o art. 1º C
na Lei nº 9.494/97 prevendo o seguinte:

Art. 1º-C. Prescreverá em cinco anos o direito de obter


indenização dos danos causados por agentes de pessoas
jurídicas de direito público e de pessoas jurídicas de direito
privado prestadoras de serviços públicos.

Esse dispositivo inserido é constitucional? SIM. Em verdade, esse preceito apenas


reproduz o que já era previsto no art. 1º do Decreto 20910/32. A única novidade foi
incluir, entre os destinatários da norma, as pessoas jurídicas de direito privado
prestadoras de serviço público, atribuindo-lhes o mesmo regime prescricional das
pessoas jurídicas de direito público.

Essa equiparação se justifica em razão do disposto no § 6º do art. 37 da CF/88, que


expressamente equipara essas entidades às pessoas de direito público relativamente
ao regime de responsabilidade civil pelos atos praticados por seus agentes. Vale
ressaltar que, em razão da previsão específica do art. 1º C da Lei nº 9.494/97, o prazo
prescricional para ações de indenização contra a Fazenda Pública e contra as pessoas
jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos é de 5 anos, não se
aplicando o prazo de 3 anos previsto no art. 206, § 3º, V, do Código Civil.
13. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
13.1. Estado deve indenizar preso que se encontre em situação degradante – (Info
854) – IMPORTANTE!!! – (TJPB-2015) (TJDFT-2015)

Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em


seus presídios os padrões mínimos de humanidade previstos no ordenamento
jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição, a
obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos
detentos em decorrência da falta ou insuficiência das condições legais de
encarceramento.
STF. Plenário. RE 580252/MS, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Gilmar
Mendes, j. 16/2/17 (repercussão geral) (Info 854).
OBS:
Estado é responsável guarda e segurança dos presos: O Estado é responsável pela
guarda e segurança das pessoas submetidas a encarceramento, enquanto ali
permanecerem detidas. Assim, é dever do Poder Público mantê-las em condições
carcerárias com mínimos padrões de humanidade estabelecidos em lei, bem como, se
for o caso, ressarcir os danos que daí decorrerem. A jurisprudência do STF entende
que o Estado possui responsabilidade objetiva pela integridade física e psíquica
daqueles que estão sob sua custódia.
“A negligência estatal no cumprimento do dever de guarda e
vigilância dos detentos configura ato omissivo a dar ensejo à
responsabilidade objetiva do Estado, uma vez que, na
condição de garante, tem o dever de zelar pela integridade
física dos custodiados” (trecho do voto do Min. Gilmar
Mendes no ARE 662563 AgR, julgado em 20/03/2012).

Dever imposto pelo ordenamento nacional e internacional: O dever do Estado de


garantir a segurança pessoal, física e psíquica dos detentos é imposto não apenas no
ordenamento nacional, mas também por compromissos internacionais assumidos
pelo Brasil.
Vejamos o fundamento constitucional, legal e convencional:
 Constituição Federal, art. 5º, XLVII, “e”; XLVIII; XLIX;
 Lei 7.210/84 (LEP), arts. 10; 11; 12; 40; 85; 87; 88;
 Lei 9.455/97 (Lei de tortura);
 Lei 12.874/2013 (Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura);
 Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos das Nações Unidas, de 1966,
arts. 2; 7; 10; e 14;
 Convenção Americana de Direitos Humanos, de 1969, arts. 5º; 11; 25;
 Princípios e Boas Práticas para a Proteção de Pessoas Privadas de Liberdade
nas Américas – Resolução 01/08, aprovada em 13 de março de 2008, pela
Comissão Interamericana de Direitos Humanos;
 Convenção da ONU contra Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis,
Desumanos ou Degradantes, de 1984; e
 Regras Mínimas para o Tratamento de Prisioneiros – adotadas no 1º Congresso
das Nações Unidas para a Prevenção ao Crime e Tratamento de Delinquentes,
de 1955.
Péssimas condições do sistema prisional: Como é do conhecimento de todos, o
sistema prisional brasileiro vive uma grande crise. São observados inúmeros
problemas, como a superlotação e a falta de condições mínimas de saúde e de higiene.

O STF, inclusive, já reconheceu que o sistema penitenciário brasileiro vive um "Estado


de Coisas Inconstitucional", com uma violação generalizada de direitos
fundamentais dos presos. As penas privativas de liberdade aplicadas nos presídios
acabam sendo penas cruéis e desumanas. A ausência de medidas legislativas,
administrativas e orçamentárias eficazes representa uma verdadeira "falha estrutural"
que gera ofensa aos direitos dos presos, além da perpetuação e do agravamento da
situação. Nesse sentido: STF. Plenário. ADPF 347 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 9/9/2015 (Info 798).

Responsabilidade civil do Estado: A Constituição Federal determina que cabe ao


Estado responder pelos danos causados por ação ou omissão de seus agentes, em face
da autoaplicabilidade do art. 37, § 6º:
Art. 37 (...)
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o
responsável nos casos de dolo ou culpa.

O Estado possui o dever de manter em seus presídios os padrões mínimos de


humanidade previstos no ordenamento jurídico. Se esse dever é descumprido, surge
para o Poder Público a responsabilidade de ressarcir os danos, inclusive morais,
comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta ou insuficiência das
condições legais de encarceramento. Assim, ocorrido o dano e estabelecido o seu nexo
causal com a atuação da Administração ou dos seus agentes, nasce a responsabilidade
civil do Estado.

Não aplicação do princípio da reserva do possível: Não há como acolher o argumento


que invoca o "princípio da reserva do possível". Segundo este princípio, os recursos
públicos são limitados e as necessidades ilimitadas, de forma que não há condições
financeiras de o Estado atender a todas as demandas sociais. Ocorre que só faz sentido
considerar este princípio em ações judiciais nas quais está sendo pedida a
implementação de direitos fundamentais a prestações, especialmente direitos de
natureza social (ex: saúde, educação etc.). Em tais casos, discute-se se é possível
conceder o direito pleiteado mesmo que não haja, em tese, capacidade financeira do
Estado. Aqui, contudo, a situação é diferente. Neste caso, a matéria jurídica se situa
no âmbito da responsabilidade civil do Estado de responder pelos danos causados por
ação ou omissão de seus agentes, nos termos previstos no art. 37, § 6º, da CF/88. Trata-
se de dispositivo autoaplicável (de eficácia plena), que não depende de lei ou de
qualquer outra providência administrativa. Ocorrendo o dano e estabelecido o seu
nexo causal com a atuação da Administração ou dos seus agentes, nasce a
responsabilidade civil do Estado.

A criação de subterfúgios teóricos, tais como a separação dos Poderes, a reserva do


possível e a natureza coletiva dos danos sofridos, para afastar a responsabilidade
estatal pelas calamitosas condições da carceragem afronta não apenas o sentido do art.
37, § 6º, da CF, como também gera o esvaziamento dos dispositivos constitucionais,
convencionais e legais que impõem ao Estado o dever do Estado de garantir a
integridade física e psíquica dos detentos.

Quem deverá pagar esta indenização? O Estado-membro responsável pela unidade


prisional. Se as péssimas condições forem verificadas em presídio federal (o que não
se tem verificado na prática), neste caso a indenização seria paga pela União.

Como é o pagamento desta indenização? Pode ser de outra forma que não seja
dinheiro? NÃO. Durante os debates do julgamento, o Min. Barroso propôs que a
indenização não fosse em dinheiro, mas sim por meio de remição da pena. Em vez de
receber uma reparação pecuniária, os presos que sofrem danos morais por cumprirem
pena em presídios com condições degradantes teriam direito ao "abatimento" de dias
da pena. Vale ressaltar que esta solução do Ministro Barroso não tem previsão na lei e
seria feita por meio da aplicação, por analogia, do art. 126 da LEP:
Art. 126. O condenado que cumpre a pena em regime fechado
ou semiaberto poderá remir, por trabalho ou por estudo, parte
do tempo de execução da pena.

Pela proposta do Ministro, os danos morais causados a presos por superlotação ou


condições degradantes deveriam ser reparados, preferencialmente, pela remição de
parte do tempo da pena – à razão de um dia de remição para cada 3 a 7 dias cumpridos
sob essas condições adversas, a critério do juiz da Vara de Execuções Penais
competente. Barroso argumentou que, com a solução, ganha o preso, que reduz o
tempo de prisão, e ganha o Estado, que se desobriga de despender recursos com
indenizações, dinheiro que pode ser, inclusive, usado na melhoria do sistema.

O voto do Min. Barroso foi acompanhado por Luiz Fux e Celso de Mello, sendo,
portanto, minoritário (vencido).

Assim, a maioria do STF decidiu que a indenização deve ser mesmo em pecúnia.

Valor da condenação: O Estado do Mato Grosso do Sul foi condenado a indenizar o


preso em R$ 2 mil.

13.2. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO: Prazo prescricional da ação de


ressarcimento ao erário – (Info 830)

O STF decidiu que "é prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública
decorrente de ilícito civil." (RE 669069/MG). Em embargos de declaração opostos
contra esta decisão, o STF afirmou que:
a) O conceito de ilícito civil deve ser buscado pelo método de exclusão: não se
consideram ilícitos civis aqueles que decorram de infrações ao direito público,
como os de natureza penal, os decorrentes de atos de improbidade e assim por
diante.
b) As questões relacionadas com o início do prazo prescricional não foram
examinadas no recurso extraordinário porque estão relacionadas com matéria
infraconstitucional, que devem ser decididas segundo a interpretação da legislação
ordinária.
c) Não deveria haver modulação dos efeitos, considerando que na jurisprudência
do STF não havia julgados afirmando que as pretensões de ilícito civil seriam
imprescritíveis. Logo, o acórdão do STF não frustrou a expectativa legítima da
Administração Pública.
STF. Plenário. RE 669069/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 3/2/16 (repercussão geral)
(Info 813).
STF. Plenário. RE 669069 ED/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 16/6/16 (Info 830).

13.3. Responsabilidade civil do Estado em caso de morte de detento – (Info 819) –


IMPORTANTE!!!

Em caso de inobservância de seu dever específico de proteção previsto no art. 5º,


inciso XLIX, da CF/88, o Estado é responsável pela morte de detento.
STF. Plenário. RE 841526/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 30/3/2016 (repercussão
geral) (Info 819).
OBS:
Responsabilidade civil do Estado: É a obrigação que a Administração Pública tem de
indenizar os danos patrimoniais ou morais que seus agentes, atuando nesta qualidade,
causarem a terceiros.

Qual é o tipo de responsabilidade civil do Estado? Responsabilidade objetiva. Isso


está previsto no art. 37, § 6º da CF/88 e no art. 43 do Código Civil:

Art. 37 (...)
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito
de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

ATENÇÃO: O §6º acima não está escrito expressamente que a responsabilidade é


objetiva. A doutrina e a jurisprudência, no entanto, de forma pacífica assim entendem
por um motivo: o dispositivo exige dolo ou culpa para que o agente público responda
regressivamente, mas não faz esta mesma exigência para que o Estado tenha que
indenizar. Logo, interpreta-se que a exigência de dolo ou culpa é unicamente para a
ação regressiva.

Requisitos para que haja a responsabilidade civil do Estado: Quando se fala que a
responsabilidade do Estado é objetiva, isso significa que a pessoa que sofreu um dano
causado por um agente público terá que provar apenas três elementos:
a) conduta praticada por um agente público, nesta qualidade;
b) dano;
c) nexo de causalidade (demonstração de que o dano foi causado pela conduta).

Teorias do risco administrativo e do risco integral: A responsabilidade civil do Estado


é objetiva, ou seja, o lesado não precisa comprovar a culpa da Administração Pública.
No entanto, ainda persiste uma dúvida: o Estado deverá sempre indenizar? Ele poderá
alegar excludentes de responsabilidade para se isentar da indenização? Sobre este
tema, destacamos a existência de duas teorias principais:
Teoria que rege a teoria da responsabilidade civil do Estado:
 Regra: teoria do risco administrativo (o Estado pode invocar causas
excludentes de responsabilidade).
 Exceção: em alguns poucos casos, acolhe-se a teoria do risco integral.

Qual é o tipo de responsabilidade civil aplicável nos casos de omissão do Estado? Se


a Administração Pública causa um dano ao particular em virtude de uma conduta
omissa, a responsabilidade nesta hipótese também será objetiva? Existe intensa
divergência sobre o tema:

Veja alguns precedentes reconhecendo a responsabilidade objetiva:

(...) Responsabilidade objetiva prevista no art. 37, § 6º, da CF/88


abrange também os atos omissivos do Poder Público. (...)
STF. 2ª Turma. RE 677283 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 17/04/2012.

(...) A jurisprudência da Corte firmou-se no sentido de que as


pessoas jurídicas de direito público respondem objetivamente pelos
danos que causarem a terceiros, com fundamento no art. 37, § 6º, da
CF/88, tanto por atos comissivos quanto por atos omissivos, desde
que demonstrado o nexo causal entre o dano e a omissão do Poder
Público. (...)
STF. 2ª Turma. ARE 897890 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
22/09/2015.

ADVERTÊNCIA: o Estado responde de forma objetiva pelas suas omissões. No


entanto, o nexo de causalidade entre essas omissões e os danos sofridos pelos
particulares só restará caracterizado quando o Poder Público tinha o dever legal
específico de agir para impedir o evento danoso e mesmo assim não cumpriu essa
obrigação legal. Assim, o Estado responde de forma objetiva pelas suas omissões,
desde que ele tivesse obrigação legal específica de agir para impedir que o resultado
danoso ocorresse. A isso se chama de "omissão específica" do Estado. Dessa forma,
para que haja responsabilidade civil no caso de omissão, deverá haver uma omissão
específica do Poder Público (STF. Plenário. RE 677139 AgR-EDv-AgR, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 22/10/2015).

Se um detento é morto dentro da unidade prisional, haverá responsabilidade civil do


Estado? SIM. A CF/88 determina que o Estado se responsabiliza pela integridade
física do preso sob sua custódia:

Art. 5º (...) XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade


física e moral;

Logo, o Poder Público poderá ser condenado a indenizar pelos danos que o preso
venha a sofrer. Esta responsabilidade é objetiva. Assim, a morte de detento gera
responsabilidade civil objetiva para o Estado em decorrência da sua omissão
específica em cumprir o dever especial de proteção que lhe é imposto pelo art. 5º, XLIX,
da CF/88.

Ressalta-se, no entanto, que a responsabilidade civil neste caso, apesar de ser objetiva,
é regrada pela teoria do risco administrativo. Desse modo, o Estado poderá ser
dispensado de indenizar se ficar demonstrado que ele não tinha a efetiva
possibilidade de evitar a ocorrência do dano. Nas exatas palavras do Min. Luiz Fux:
"(...) sendo inviável a atuação estatal para evitar a morte do preso, é imperioso
reconhecer que se rompe o nexo de causalidade entre essa omissão e o dano.
Entendimento em sentido contrário implicaria a adoção da teoria do risco integral, não
acolhida pelo texto constitucional (...)".

Em suma:
 Em regra: o Estado é objetivamente responsável pela morte de detento. Isso
porque houve inobservância de seu dever específico de proteção previsto no
art. 5º, inciso XLIX, da CF/88.
 Exceção: o Estado poderá ser dispensado de indenizar se ele conseguir provar
que a morte do detento não podia ser evitada. Neste caso, rompe-se o nexo de
causalidade entre o resultado morte e a omissão estatal.

Exemplo: Imagine que um detento está doente e precisa de tratamento médico. Ocorre
que este não lhe é oferecido de forma adequada pela administração penitenciária. Há
claramente uma violação ao art. 14 da LEP. Neste caso, se o preso falecer, o Estado
deverá ser responsabilizado, considerando que houve uma omissão específica e o
óbito era plenamente previsível. Suponha, no entanto, que o preso estivesse bem e
saudável e, sem qualquer sinal anterior, sofre um mal súbito no coração e cai morto
instantaneamente no pátio do presídio. Nesta segunda hipótese, o Poder Público não
deverá ser responsabilizado por essa morte, já que não houve omissão estatal e este
óbito teria acontecido mesmo que o preso estivesse em liberdade.

O Estado pode ser responsabilizado pela morte do detento mesmo que ele se suicide?
SIM. Existem precedentes do STF e do STJ nesse sentido: STF. 2ª Turma. ARE 700927
AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/08/2012. Todavia, aqui também, como
se adota a teoria do risco administrativo, o Estado poderá provar alguma causa
excludente de responsabilidade. Assim, nem sempre que houver um suicídio, haverá
responsabilidade civil do Poder Público.

O Min. Luiz Fux exemplifica seu raciocínio com duas situações:


 Se o detento que praticou o suicídio já vinha apresentando indícios de que
poderia agir assim, então, neste caso, o Estado deverá ser condenado a
indenizar seus familiares. Isso porque o evento era previsível e o Poder Público
deveria ter adotado medidas para evitar que acontecesse.
 Por outro lado, se o preso nunca havia demonstrado anteriormente que
poderia praticar esta conduta, de forma que o suicídio foi um ato
completamente repentino e imprevisível, neste caso o Estado não será
responsabilizado porque não houve qualquer omissão atribuível ao Poder
Público.

Vale ressaltar que é a Administração Pública que tem o ônus de provar a causa
excludente de responsabilidade.

Obs: Durante os debates o Min. Marco Aurélio defendeu que a responsabilidade do


Estado em caso de violações a direitos dos detentos seria baseada no risco integral.
Trata-se, contudo, de posicionamento minoritário.

13.4. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO: Prazo prescricional da ação de


ressarcimento ao erário – (Info 813) – IMPORTANTE!!! (MPSC-2016)

É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito


civil.
Dito de outro modo, se o Poder Público sofreu um dano ao erário decorrente de um
ilícito civil e deseja ser ressarcido, ele deverá ajuizar a ação no prazo prescricional
previsto em lei.
Vale ressaltar, entretanto, que essa tese não alcança prejuízos que decorram de ato
de improbidade administrativa que, até o momento, continuam sendo considerados
imprescritíveis (art. 37, § 5º).
STF. Plenário. RE 669069/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 03/02/2016
(repercussão geral).
Principais argumentos:
 A prescritibilidade é a regra no Direito brasileiro, ou seja, em regra, as pretensões
indenizatórias estão sujeitas a prazos de prescrição. Para que uma pretensão seja
imprescritível, é indispensável que haja previsão expressa neste sentido.
 O § 5º do art. 37 da CF/88 deve ser lido em conjunto com o § 4º, de forma que ele,
em princípio, se refere apenas aos casos de improbidade administrativa.
 Se fosse realizada uma interpretação ampla da ressalva final contida no § 5º, isso
faria com que toda e qualquer ação de ressarcimento movida pela Fazenda Pública
fosse imprescritível, o que seria desproporcional.
 A prescrição é um instituto importante para se garantir a segurança e estabilidade
das relações jurídicas e da convivência social. É uma forma de se assegurar a ordem
e a paz na sociedade.
 Desse modo, a ressalva contida na parte final do § 5º do art. 37 da CF/88 deve ser
interpretada de forma estrita e não se aplica para danos causados ao Poder Público
por força de ilícitos civis.
 A tese acima fixada não vale para improbidade administrativa.

Por enquanto, podemos dizer que a jurisprudência entende o seguinte:


 Ações de ressarcimento decorrentes de ato de improbidade administrativa:
IMPRESCRITÍVEIS (§ 5º do art. 37 da CF/88).
Obs: apesar de já existirem precedentes neste sentido, isso poderá ser alterado pelo
STF, que irá novamente apreciar a questão em outro recurso extraordinário. O
Ministros Roberto Barroso e Marco Aurélio, por exemplo, indicaram que irão votar
no sentido de que mesmo as pretensões de ressarcimento nas ações de improbidade
são prescritíveis.
 Ações de reparação de danos à Fazenda Pública decorrentes de ilícito civil: estão
sujeitas à prescrição (são prescritíveis) (RE 669069/MG).

13.5. Inconstitucionalidade de lei estadual que preveja pensão para cônjuges de


todos os falecidos por crimes hediondos – (Info 773)

É inconstitucional lei estadual (distrital) que preveja o pagamento de pensão


especial a ser concedida pelo Governo do Estado (Distrito Federal) em benefício dos
cônjuges de pessoas vítimas de crimes hediondos, independentemente de o autor
do crime ser ou não agente do Estado. Tal lei amplia, de modo desmesurado
(irrazoável), a responsabilidade civil do Estado prevista no art. 37, § 6º, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 1358/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/2/2015 (Info
773).

13.6. “Caso Varig”: responsabilidade da União por plano econômico que


determinou o congelamento das tarifas – (Info 738)

STF reconheceu que a União deve indenizar companhia aérea, que explorava os
serviços de aviação, sob o regime de concessão, pelos prejuízos causados
decorrentes de plano econômico que determinou o congelamento das tarifas de
aviação.
STF. Plenário. RE 571969/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 12/3/2014 (Info
738).

14. MINISTÉRIO PÚBLICO


14.1. Ilegitimidade ativa do MP para impetrar MS questionando decisão
administrativa que reconheceu a prescrição em processo administrativo – (Info 831) –
IMPORTANTE!!!
O Procurador-Geral da República não possui legitimidade ativa para impetrar
mandado de segurança com o objetivo de questionar decisão que reconheça a
prescrição da pretensão punitiva em processo administrativo disciplinar.
A legitimidade para impetrar mandado de segurança pressupõe a titularidade do
direito pretensamente lesado ou ameaçado de lesão por ato de autoridade pública.
O Procurador-Geral da República não tem legitimidade para a impetração, pois não
é o titular do direito líquido e certo que afirmara ultrajado.
Para a impetração do MS não basta a demonstração do simples interesse ou atuação
como custos legis, uma vez que os direitos à ordem democrática e à ordem jurídica
não são de titularidade do Ministério Público, mas de toda a sociedade.
STF. 2ª Turma. MS 33736/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 21/6/16 (Info 831).
OBS:
E o § 6º do art. 103-B da CF/88? Quando o § 6º do art. 103-B da CF/88 prevê que o
PGR oficiará junto ao CNJ, esta atuação restringe-se ao âmbito interno do conselho,
não significando que ele tenha legitimidade para impetrar mandado de segurança
contra as decisões ali proferidas.

15. TETO REMUNERATÓRIO


15.1. As vantagens pessoais do servidor também devem respeitar o teto, mesmo que
sejam anteriores à EC 41/2003 (Info 808) – IMPORTANTE!!!

Alguns servidores continuavam tentando excluir do teto as vantagens pessoais que


haviam adquirido antes da EC 41/2003 (que implementou, na prática, o teto no
funcionalismo). Argumentavam que a garantia da irredutibilidade de vencimentos,
modalidade qualificada de direito adquirido, impediria que as vantagens
percebidas antes da vigência da EC 41/2003 fossem por ela alcançadas. O STF
acolheu esse argumento? As vantagens pessoais anteriores à EC 41/2003 estão fora
do teto?
NÃO. Computam-se para efeito de observância do teto remuneratório do artigo 37,
XI, da Constituição da República, também os valores percebidos anteriormente à
vigência da EC 41/2003 a título de vantagens pessoais pelo servidor público,
dispensada a restituição de valores eventualmente recebidos em excesso e de boa-
fé até o dia 18/11/2015.
STF. Plenário. RE 606358/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 18/11/2015
(repercussão geral) (Info 808).

15.2. Eficácia imediata do teto de retribuição fixado pela EC 41/2003 – (Info 761)

O teto de retribuição fixado pela EC nº 41/2003 é de eficácia imediata e todas as


verbas de natureza remuneratória recebidas pelos servidores públicos da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios devem se submeter a ele, ainda que
adquiridas de acordo com regime legal anterior.
A aplicação imediata da EC nº 41/2003 e a redução das remunerações acima do teto
não afrontou o princípio da irredutibilidade nem violou a garantia do direito
adquirido.
Em outras palavras, com a EC nº 41/2003, quem recebia acima do teto fixado, teve a
sua remuneração reduzida para respeitar o teto. Essa redução foi legítima.
STF. Plenário. RE 609381/GO, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 2/10/2014 (Info
761).
16. TETO CONSTITUCIONAL
16.1. É inconstitucional lei estadual que fixa teto remuneratório para servidores do
Poder Judiciário – (Info 774)

Lei do Estado da Bahia fixava um teto remuneratório exclusivo para os servidores


do Poder Judiciário.
O STF entendeu que essa lei é inconstitucional.
O teto para o funcionalismo estadual somente pode ser fixado por meio de emenda
à Constituição estadual, não sendo permitido mediante lei estadual.
Além disso, a Constituição do Estado da Bahia adotou subteto único (§ 12º do art.
37 da CF/88) e a lei viola a sistemática escolhida porque fixou um teto apenas para
os servidores do Poder Judiciário, excluindo-o para os demais Poderes.
STF. Plenário. ADI 4900/DF, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o acórdão Min.
Roberto Barroso, j. 11/2/2015 (Info 774).

17. SERVIDORES PÚBLICOS


17.1. Jornada de trabalho diferenciada para servidores médicos e dentistas – (Info
869)

A jornada de trabalho do MÉDICO servidor público é de 4 horas diárias e de 20


horas semanais, nos termos da Lei nº 12.702/2012.
A jornada de trabalho do ODONTÓLOGO servidor público é de 6 horas diárias e
de 30 horas semanais, nos termos do DL 2.140/84.
Essas regras acima explicadas não se aplicam no caso de médicos e odontólogos que
ocupem cargo em comissão ou função de confiança, considerando que, neste caso,
terão que cumprir a jornada normal de trabalho.
STF. 2ª Turma. MS 33853/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 13/6/17 (Info 869).

17.2. Se a pessoa acumular licitamente dois cargos públicos ela poderá receber acima
do teto – (Info 862) – IMPORTANTE!!!

Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e


funções, a incidência do art. 37, XI, da Constituição Federal pressupõe consideração
de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto
remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público.
Ex: se determinado Ministro do STF for também professor da UnB, ele irá receber
seu subsídio integral como Ministro e mais a remuneração decorrente do
magistério. Nesse caso, o teto seria considerado especificamente para cada cargo,
sendo permitido que ele receba acima do limite previsto no art. 37, XI da CF se
considerarmos seus ganhos globais.
STF. Plenário. RE 612975/MT e RE 602043/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 26 e
27/4/17 (repercussão geral) (Info 862).

17.3. EC 70/2012 produz efeitos financeiros somente a partir da data de sua


promulgação – (Info 860)
Os efeitos financeiros das revisões de aposentadoria concedida com base no art. 6º-
A da EC 41/2003, introduzido pela EC 70/2012, somente se produzirão a partir da
data de sua promulgação (30/3/2012).
STF. Plenário. RE 924456/RJ, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o ac. Min. Alexandre
de Moraes, j. 5/4/17 (Info 860).

17.4. Magistrado que estava recebendo abono de permanência e foi promovido terá
direito de continuar percebendo o benefício – (Info 859)

A ocupação de novo cargo dentro da estrutura do Poder Judiciário, pelo titular do


abono de permanência, não implica a cessação do benefício.
Ex: determinada pessoa ocupa o cargo de Desembargador do Trabalho e está
recebendo abono de permanência; se ela for promovida ao cargo de Ministro do
TST, terá direito de continuar recebendo o abono, não sendo necessário completar
cinco anos no cargo de Ministro para requerer o benefício.
STF. 1ª Turma. MS 33424/DF e MS 33456/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 28/3/17
(Info 859).

17.5. Regime de subsídio e pagamento de 13º e férias a Prefeito e Vice-Prefeito –


(Info 852)

O art. 39, § 4º, da Constituição Federal não é incompatível com o pagamento de


terço de férias e décimo terceiro salário.
STF. Plenário. RE 650898/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto
Barroso, j. 1º/2/17 (repercussão geral) (Info 852).
OBS:
Segundo o Min. Luís Roberto Barroso, o regime de subsídio é incompatível apenas
com o pagamento de outras parcelas remuneratórias de natureza mensal, o que não é
o caso do décimo terceiro e das férias, que são verbas pagas a todos os trabalhadores
e servidores, com periodicidade anual.
A Constituição Federal prevê, em seu art. 39, § 3º, que os servidores públicos gozam
de terço de férias e 13º salário, não sendo vedado o seu pagamento de forma cumulada
com o subsídio.
Os agentes políticos, como é o caso dos Prefeitos e Vice-Prefeitos, não devem ter um
tratamento melhor, mas também não podem ter uma situação pior do que a dos
demais trabalhadores. Se todos os trabalhadores em geral têm direito a um terço de
férias e têm direito a décimo terceiro salário, não se mostra razoável que isso seja
retirado da espécie de servidores públicos (Prefeitos e Vice-Prefeitos).
Assim, não é inconstitucional o pagamento de terço de férias e 13º salário a Prefeitos
e Vice-Prefeitos.

E a previsão do pagamento de verba de representação? Aqui temos uma situação de


inconstitucionalidade. Esta verba de representação não é uma quantia paga a todos os
trabalhadores e servidores, não havendo, portanto, razão para que seja excepcionada
do regime de subsídio (parcela única).

Assim, o STF julgou constitucional a previsão de terço de férias e 13º salário e, por
outro lado, inconstitucional o pagamento da chamada "verba de representação".
17.6. Aposentadoria compulsória não se aplica a cargos comissionados – (Info 851) –
IMPORTANTE!!!

Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se submetem à


regra da aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF, a qual atinge
apenas os
ocupantes de cargo de provimento efetivo, inexistindo, também, qualquer idade
limite para fins de nomeação a cargo em comissão.
Ressalvados impedimentos de ordem infraconstitucional, não há óbice
constitucional a que o servidor efetivo, aposentado compulsoriamente, permaneça
no cargo comissionado que já desempenhava ou a que seja nomeado para cargo de
livre nomeação e exoneração, uma vez que não se trata de continuidade ou criação
de vínculo efetivo com a Administração.
STF. Plenário. RE 786540/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 15/12/16 (repercussão geral)
(Info 851).

17.7. Inconstitucionalidade de norma estadual que amplie as hipóteses do art. 19 do


ADCT da CF/88 – (Info 840)

O art. 19 do ADCT da CF/88 previu que os servidores públicos que estavam em


exercício há pelo menos 5 anos quando a Constituição Federal foi promulgada,
deveriam ser considerados estáveis, mesmo não tendo sido admitidos por meio de
concurso público. Desse modo, quem ingressou no serviço público, sem concurso,
até 05/10/1983 e assim permaneceu, de forma continuada, tornou-se estável com a
edição da CF/88.
É inconstitucional Constituição estadual ou lei estadual que amplie a abrangência
do art. 19 do ADCT e preveja estabilidade para servidores públicos admitidos sem
concurso público mesmo após 05/10/1983 (5 anos antes da CF/88).
STF. Plenário. ADI 1241/RN, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 22/09/2016 (Info 840).
OBS:
Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da
administração direta, autárquica e das fundações públicas, em
exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo
menos cinco anos continuados, e que não tenham sido
admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são
considerados estáveis no serviço público.
(...)
§ 2º — O disposto neste artigo não se aplica aos
ocupantes de cargos, funções e empregos de confiança ou em
comissão, nem aos que a lei declare de livre exoneração, cujo
tempo de serviço não será computado para os fins do "caput"
deste artigo, exceto se se tratar de servidor.
§ 3º — O disposto neste artigo não se aplica aos
professores de nível superior, nos termos da lei.

17.8. A questão dos 13,23% e as súmulas vinculantes 10 e 37 – (Info 829)


O art. 1º da Lei nº 10.698/2003 concedeu reajuste aos servidores públicos federais
de todos os Poderes, porém em percentuais diferentes. A diferença entre o maior e
o menor reajuste foi de 13,23%.
Os servidores que receberam o menor percentual alegaram que o mencionado art.
1º representou uma revisão geral anual, tendo, no entanto, violado o art. 37, X, da
CF/88, considerando que foi feita com índices diferentes, o que não é permitido por
esse dispositivo constitucional. Diante disso, pediram que fosse concedida a
incorporação dos 13,23% em sua remuneração.
A 1ª Turma do TRF1 (órgão fracionário do Tribunal) concedeu a incorporação
pedida.
Para o STF, esta decisão violou as súmulas vinculantes 10 e 37.
A 1ª Turma do TRF1, mesmo sem dizer isso expressamente, fez um controle de
constitucionalidade do art. 1º da Lei 10.698/03 concluindo que este dispositivo
incidiu em inconstitucionalidade por omissão parcial. No entanto, como se trata de
órgão fracionário do TRF, houve violação ao art. 97 da CF/88 e da SV 10: "Viola a
cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de
tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou
ato normativo do Poder Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte."
Além disso, houve violação da SV 37: "Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem
função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento
de isonomia."
STF. 2ª Turma. Rcl 14872, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 31/5/2016 (Info 828).

17.9. Revogação de lei que concedeu aumento sem que tenham se iniciado seus
efeitos financeiros – (Info 819)

Lei estadual de 2007 fixou aumento na remuneração dos servidores públicos


estaduais. A Lei entrou em vigor na data de sua publicação, mas estabeleceu que os
efeitos financeiros desse aumento seriam contados somente a partir do primeiro
dia do ano seguinte.
Ocorre que, antes que chegasse a data prevista como início do reajuste, a referida
Lei foi revogada por uma outra.
O STF entendeu que esta Lei revogadora é inconstitucional por violar o direito
adquirido (art. 5º, XXXVI, da CF/88) e o princípio da irredutibilidade dos
vencimentos (art. 37, XV).
A Lei que concedeu o reajuste entrou em vigor na data de sua publicação. Apenas
os efeitos financeiros é que foram postergados para o dia 1º/1/2008.
No momento em que a Lei entrou em vigor, os servidores passaram a ter direito
adquirido ao reajuste, ainda que os efeitos financeiros somente fossem em data
futura.
STF. Plenário. ADI 4013/TO, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 31/3/2016 (Info
819).

17.10. Súmula Vinculante 55 (Info 818)

Súmula vinculante 55: O direito ao auxílio-alimentação não se estende aos


servidores inativos.
STF. Plenário. Aprovada em 17/03/2016, DJe 28/03/2016.
OBS:
Conversão da súmula 680 do STF: A conclusão exposta nesta SV 54 já era prevista em
uma súmula “comum” do STF, a súmula 680 (de 24/09/2003). O Plenário do STF tem
convertido em súmulas vinculantes algumas súmulas “comuns” com o objetivo de
agilizar os processos e pacificar os temas. Essa foi uma das escolhidas.

O que é o princípio da paridade? Era uma garantia que os servidores públicos


aposentados possuíam, segundo a qual todas as vezes que havia um aumento na
remuneração recebida pelos servidores da ativa, esse incremento também deveria ser
concedido aos aposentados.

Ex: João é servidor aposentado do Ministério da Fazenda, tendo se aposentado com os


proventos do cargo de técnico A1. Quando era concedido algum reajuste na
remuneração do cargo técnico A1, esse aumento também deveria ser estendido aos
proventos de João.

No dicionário, paridade significa a qualidade de ser igual. Assim, o princípio da


paridade enunciava que os proventos deveriam ser iguais à remuneração da ativa.

A paridade estava prevista na redação original do § 4º do art. 40 da CF/88 (antes das


emendas constitucionais que o modificaram). Dizia este dispositivo: "Os proventos da
aposentadoria serão revistos, na mesma proporção e na mesma data, sempre que se
modificar a remuneração dos servidores em atividade, sendo também estendidos aos
inativos quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores
em atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou reclassificação do
cargo ou função em que se deu a aposentadoria, na forma da lei."

Por que a paridade era algo positivo para os servidores aposentados? Os servidores
aposentados possuem um poder de pressão e de barganha menor que os servidores
em atividade. Isso porque estes últimos podem fazer greve, dificultar a prestação dos
serviços públicos, realizar operações padrão etc. Todos esses mecanismos servem
como instrumento de pressão contra o Governo. Desse modo, sem o princípio da
paridade, a Administração Pública pode reajustar apenas a remuneração dos
servidores da ativa, não concedendo o mesmo aumento aos aposentados. Com isso,
agrada aqueles que podem causar maiores transtornos e faz economia ao não
beneficiar os inativos. Com a paridade, os aposentados eram sempre agraciados
quando os servidores ativos conseguiam alguma conquista remuneratória para a
categoria.

O princípio da paridade ainda existe? NÃO. “Esse princípio foi revogado, restando
somente para os servidores com direito adquirido, que já preenchiam os requisitos
para a aposentadoria antes da edição da EC 41 (art. 3º, EC 41), ficando também
resguardado o direito para aqueles que estão em gozo do benefício (art. 7º, EC 41) e os
que se enquadrarem nas regras de transição do art. 6º da EC 41 e do art. 3º da EC 47.”
(MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo. 7ª ed., Niterói: Impetus, 2013, p. 774).
Desse modo, se você ingressar no serviço público hoje, não terá a garantia da paridade
quando se aposentar.

No lugar da paridade, existe hoje o chamado “princípio da preservação do valor real”,


previsto no art. 40, § 8º, da CF/88, segundo o qual os proventos do aposentado devem
ser constantemente reajustados para que seja sempre garantido o seu poder de
compra.
Art. 40 (...) § 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para
preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme
critérios estabelecidos em lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 41/2003)

Auxílio-alimentação (vale alimentação): A União e alguns Estados e Municípios


possuem leis prevendo a concessão de auxílio-alimentação ("vale alimentação") a seus
servidores públicos. No âmbito do Poder Executivo federal, por exemplo, esta verba
encontra-se disciplinada pela Lei nº 8.460/92:

Art. 22. O Poder Executivo disporá sobre a concessão mensal do


auxílio-alimentação por dia trabalhado, aos servidores públicos
federais civis ativos da Administração Pública Federal direta,
autárquica e fundacional.
§ 1º A concessão do auxílio-alimentação será feita em pecúnia e terá
caráter indenizatório.
(...)
§ 3º O auxílio-alimentação não será:
a) incorporado ao vencimento, remuneração, provento ou pensão;

Exclusão dos aposentados do direito ao auxílio-alimentação: Quando o auxílio-


alimentação foi instituído pela lei federal e pelas leis estaduais e municipais, foi
previsto que esta verba seria paga somente aos servidores ativos. Os servidores
aposentados não concordaram e passaram a ajuizar ações pedindo que o valor do
auxílio-alimentação também fosse estendido a eles, sob o argumento de que teriam
direito com base no princípio da paridade (previsto na antiga redação do § 4º do art.
40 da CF/88).

O STF concordou com a tese dos aposentados? Mesmo sem previsão legal, os
servidores inativos também possuem direito ao auxílio-alimentação? As leis que
preveem o pagamento de auxílio-alimentação apenas aos servidores ativos violam o
princípio da paridade? NÃO. O direito ao auxílio-alimentação (vale-alimentação) não
pode ser estendido aos servidores inativos com base no princípio da paridade. Isso
porque esta verba tem natureza indenizatória e é destinada apenas a cobrir os custos
de refeição devida exclusivamente ao servidor que se encontrar no exercício de suas
funções, não se incorporando à remuneração nem aos proventos de aposentadoria.
Mesmo quando vigorava o princípio da paridade, algumas verbas concedidas aos
servidores ativos não precisavam ser estendidas aos aposentados se ficasse
demonstrado que tais quantias eram próprias do serviço e incompatíveis com o
inatividade. O exemplo mais marcante era o direito ao adicional de férias. Ora, o
servidor inativo não recebe esta verba porque o aposentado não tem férias. Outro
exemplo seriam as horas extras. Para o STF, o auxílio-alimentação é mais um exemplo
dessas verbas que são próprias da atividade e incompatíveis com a aposentadoria.
Segundo este ponto de vista, o valor pago a título de auxílio-alimentação destina-se a
custear as despesas que o servidor público tem com alimentação no horário do almoço
ou lanche pelo fato de ter saído para trabalhar e, por isso, não estar fazendo suas
refeições em casa. Este é o argumento que, em tese, justificaria ser uma verba exclusiva
dos servidores da ativa. Quando foi em 2003, o Tribunal decidiu deixar ainda mais
clara a sua posição e editou a súmula 680, prevendo que "o direito ao auxílio-
alimentação não se estende aos servidores inativos". Agora, este enunciado é alçado à
condição de súmula vinculante.

No âmbito do Poder Executivo federal, o valor mensal do auxílio-alimentação é


fixado por meio de ato do Ministro do Planejamento. Considerando que esta quantia
possui caráter indenizatório e que há muito tempo não é reajustada, é possível que o
Poder Judiciário aumente este valor em ação proposta por sindicato dos servidores
públicos? NÃO. Não é possível a correção ou majoração de auxílio-alimentação pelo
Poder Judiciário, por configurar indevida ingerência na esfera exclusiva do Poder
Executivo. Aplicação da SV 37. Nesse sentido: STF. 2ª Turma. AgRg no REsp
1556358/RS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 19/11/2015.

O servidor público federal tem direito de receber auxílio-alimentação quando está de


férias ou licença? SIM. O servidor público tem direito de continuar recebendo o
auxílio-alimentação mesmo durante o período em que estiver de férias ou licença. Isso
porque o art. 102, incisos I e VIII da Lei nº 8112/90 prevê que o afastamento em virtude
de férias ou licença deve ser considerado como tempo de efetivo exercício. Nesse
sentido: STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.360.774-RS, Rel. Min. Humberto Martins,
julgado em 18/6/2013 (Info 525).
Obs: alguns podem achar este entendimento do STJ contraditório em relação ao
raciocínio que inspirou a SV 55, no entanto, é o que prevalece.

17.11. Declaração de inconstitucionalidade de lei que efetuou transposição e


exoneração do servidores – (Info 810)

No julgamento da ADI 3819, o STF declarou inconstitucional lei estadual, posterior


à CF/88, que transformou ocupantes de determinado cargo público em Defensores
Públicos. Entendeu-se que houve violação ao princípio do concurso público.
Os servidores foram, então, exonerados pelo Governador do Estado, mas
conseguiram ser reintegrados por decisão do STJ, que entendeu que, antes da
exoneração, deveria a eles ser garantido devido processo legal, com contraditório e
ampla defesa.
O STF, em reclamação, cassou essa decisão do STJ por entender que ela contrariou
a autoridade da decisão proferida pelo STF no julgamento da ADI 3.819/MG.
STF. 2ª Turma. Rcl 16950/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 1º/12/2015 (Info
810).

17.12. Adicional por tempo de serviço e direito adquirido – (Info 809)

Não há garantia à continuidade de recebimento de adicional por tempo de serviço


em percentual superior àquele previsto em legislação posterior sob o fundamento
de direito adquirido.
STF. Plenário. MS 22423/RS, rel. orig. Min. Eros Grau, red. p/ o acórdão Min. Gilmar
Mendes, julgado em 26/11/2015 (Info 809).

17.13. Revisão geral dos servidores antes da EC 19/98 – (Info 790)


Súmula vinculante 51-STF: O reajuste de 28,86%, concedido aos servidores
militares pelas Leis 8.622/1993 e 8.627/1993, estende-se aos servidores civis do Poder
Executivo, observadas as eventuais compensações decorrentes dos reajustes
diferenciados concedidos pelos mesmos diplomas legais.
STF. Plenário. Aprovada em 17/06/2015.

17.14. Remunerações acima do teto constitucional e base de cálculo para incidência


do IR e da contribuição previdenciária – (Info 781)

Existem determinados servidores, especialmente aposentados, que, por terem


vantagens pessoais incorporadas em seus vencimentos (ex: quintos), “no papel”,
deveriam receber mais do que o teto. Ex: João, Desembargador aposentado,
incorporou diversas gratificações pessoais ao longo de sua carreira. Assim, a
remuneração bruta de João é de R$ 50 mil, mas ele só receberá, de fato, até o valor
do teto, devendo ser ressaltado que a quantia que superar o limite constitucional
não lhe será paga. O valor que, no momento do pagamento, é descontado da
remuneração total do servidor por estar superando o teto constitucional é chamado
de “abate-teto”.
O servidor público, antes de receber sua remuneração líquida, é obrigado a pagar
imposto de renda e contribuição previdenciária. Esse valor já é descontado na folha
pela entidade pagadora. Assim, o Tribunal de Justiça, antes de pagar a remuneração
de um Desembargador, já desconta os valores que ele deverá pagar de IR e
contribuição previdenciária. As alíquotas do IR e da contribuição previdenciária
incidem sobre o valor da remuneração do servidor público. Ex: valor do IR = 27,5%
multiplicado pela remuneração do servidor. Em termos tributários, podemos dizer
que a base de cálculo do IR e da contribuição previdenciária é a remuneração do
servidor.
Se o servidor tem uma remuneração “no papel” superior ao teto, o imposto de renda
e a contribuição previdenciária incidirão sobre essa remuneração total ou sobre a
remuneração total menos o abate-teto? Em outras palavras, a remuneração de João
é 50 mil; ocorre que o teto do funcionalismo é 33 mil; João pagará IR e CP sobre 50
mil ou sobre 33 mil?
Sobre os 33 mil. A base de cálculo para se cobrar o IR e a contribuição
previdenciária é o valor da remuneração do servidor depois de ser excluída a
quantia que exceder o teto.
Como o recurso extraordinário foi julgado sob a sistemática de repercussão geral, o
STF definiu, em uma frase, a tese que será aplicada em todos os demais casos
idênticos. A tese firmada foi a seguinte: “Subtraído o montante que exceder o teto e
subteto previsto no artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, tem-se o valor que
vale como base para o Imposto de Renda e para a contribuição previdenciária”.
STF. Plenário. RE 675978/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/4/2015
(repercussão geral) (Info 781).

17.15. Aposentadoria dos policiais civis e militares – (Info 781)

Foi ajuizada ação direta de inconstitucionalidade por omissão contra o Governador


e a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo afirmando que eles estavam
sendo omissos porque ainda não haviam editado lei complementar estadual
prevendo critérios diferenciados para aposentadoria de policiais civis e militares
do sexo feminino nos termos do art. 40, §§ 1º e 4º, da CF/88. O STF julgou a ação
improcedente por dois motivos:
 Quanto às policiais civis, o pleito formulado na ação já foi atendido com a
edição, pelo Congresso Nacional, da Lei Complementar federal 144/2014, de
abrangência nacional, que deu à policial civil o direito de se aposentar
voluntariamente, com proventos integrais, independentemente de idade,
após 25 anos de contribuição, desde que conte pelo menos 15 anos de
exercício em cargo de natureza estritamente policial.
 Quanto às policiais militares, o STF entendeu que não se aplica a regra de
aposentadoria especial do art. 40, § 4º, da CF/88, porque os militares não
podem ser considerados, atualmente, como servidores públicos, sendo a
eles aplicável um regime jurídico próprio disciplinado pelo art. 142, § 3º, X
(e não pelo art. 40, § 4º). Não havendo determinação constitucional expressa,
a decisão de conceder aposentadoria com critérios facilitados para policiais
militares mulheres é uma escolha discricionária de cada Estado-membro.
STF. Plenário. ADO 28/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 16/4/2015 (Info 781).

17.16. Inconstitucionalidade de subsídio vitalício a ex-governador – (Info 780)

Algumas Constituições estaduais preveem que a pessoa que tiver exercido o cargo
de Governador do Estado fará jus, após deixar o mandato, a um subsídio mensal e
vitalício. Alguns chamam isso de representação, outros de pensão vitalícia e outros
de pensão civil. A previsão desse pagamento é compatível com a CF/88?
NÃO. Essa regra fere o princípio da isonomia. Não há uma justificativa razoável
para que seja prevista genericamente a concessão da “pensão” para ex-
governadores, configurando um tratamento privilegiado sem haver fundamento
legítimo.
STF. Plenário. ADI 4552 MC/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 9/4/2015 (Info
780).

17.17. SÚMULA VINCULANTE 42-STF (Info 777)

SÚMULA VINCULANTE 42-STF: É inconstitucional a vinculação do reajuste de


vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção
monetária.

17.18. Pensão por morte e menor sob guarda (Lei 8.112/90) – (Info 766)

O menor que, na data do óbito do servidor, esteja sob a guarda deste último, tem
direito à pensão temporária até completar 21 anos de idade (art. 217, II, "b" da Lei
nº 8.112/90).
Vale ressaltar que é irrelevante o fato de a guarda ser provisória ou definitiva.
STF. 1ª Turma. MS 31687 AgR/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/3/2014 (Info
738).
STF. 2ª Turma. MS 31770/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/11/2014 (Info
766).
17.19. A ampliação de jornada de trabalho sem alteração da remuneração do servidor
viola a regra constitucional da irredutibilidade de vencimentos – (Info 765) –
IMPORTANTE!!!

O STF possui entendimento consolidado no sentido de que o servidor público não


tem direito adquirido de manter o regime jurídico existente no momento em que
ingressou no serviço público. No entanto, as mudanças no regime jurídico do
servidor não podem reduzir a sua remuneração, considerando que o art. 37, XV, da
CF/88 assegura o princípio da irredutibilidade dos vencimentos.
No caso concreto, os servidores de determinado órgão público tinham jornada de
trabalho de 20 horas semanais. Foi editada, então, uma Lei aumentando a jornada
de trabalho para 40 horas semanais, sem, contudo, majorar a remuneração paga. O
STF entendeu que a lei que alterou a jornada de trabalho não poderia ser aplicada
aos servidores que, antes de sua edição, já estivessem legitimamente subordinados
à carga horária inferior. Isso porque se fossem obrigados a trabalhar mais sem
aumento da remuneração, haveria uma redução proporcional dos vencimentos
recebidos.
Assim, nas hipóteses em que houver aumento de carga horária dos servidores, essa
só será válida se houver formal elevação proporcional da remuneração; caso
contrário, a regra será inconstitucional, por violação da norma constitucional da
irredutibilidade vencimental.
STF. Plenário. ARE 660010/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 30/10/2014
(repercussão geral) (Info 762).
STF. Plenário. MS 25875/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/10/2014 (Info
762).

17.20. GDASST e extensão aos inativos – (Info 763)

Súmula Vinculante 34-STF: A Gratificação de Desempenho de Atividade de


Seguridade Social e do Trabalho – GDASST, instituída pela Lei 10.483/2002, deve
ser estendida aos inativos no valor correspondente a 60 (sessenta) pontos, desde o
advento da Medida Provisória 198/2004, convertida na Lei 10.971/2004, quando tais
inativos façam jus à paridade constitucional (EC 20/1998, 41/2003 e 47/2005).
STF. Plenário. Aprovada em 16/10/2014.

17.21. Aumento da remuneração de servidores públicos por meio de decisão judicial


– (Info 763 e 756) – IMPORTANTE!!!

Súmula vinculante 37-STF: Não cabe ao poder judiciário, que não tem função
legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de
isonomia.
STF. Plenário. Aprovada em 16/10/2014.

(...) O Poder Judiciário não tem poder para conceder aumentos para servidores
regidos pelo regime estatutário com base no princípio da isonomia.
STF. Plenário. RE 592317/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2014
(repercussão geral) (Info 756).
17.22. Impossibilidade de mudança no regime jurídico do servidor se houver redução
da remuneração – (Info 762)

O STF possui entendimento consolidado no sentido de que o servidor público não


tem direito adquirido de manter o regime jurídico existente no momento em que
ingressou no serviço público. No entanto, as mudanças no regime jurídico do
servidor não podem reduzir a sua remuneração, considerando que o art. 37, XV, da
CF/88 assegura o princípio da irredutibilidade dos vencimentos.
No caso concreto, a lei duplicou a jornada de trabalho dos servidores públicos e
permitiu que eles continuassem a prestar a jornada menor, desde que recebessem
apenas a metade da remuneração. O STF entendeu que essa modificação da jornada
de trabalho não foi válida para os médicos que já eram servidores do órgão antes
da Lei. Isso porque se eles continuassem a trabalhar na mesma jornada de trabalho
anterior, iriam receber apenas a metade da remuneração. Logo, houve,
indiretamente, uma redução do valor dos vencimentos.
STF. Plenário. MS 25875/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/10/2014 (Info
762).

17.23. Licença para acompanhamento de cônjuge – (Info 760) – Atenção! Concursos


Federais!

A Lei n. 8.112/90 prevê que poderá ser concedida licença ao servidor público federal
para acompanhar seu cônjuge ou companheira que foi deslocado para outro ponto
do território nacional, podendo ali exercer provisoriamente atividade compatível
com seu cargo em órgão ou entidade da Administração Federal direta, autárquica
ou fundacional. Tal licença remunerada está prevista no § 2º do art. 84.
Contudo, o servidor não terá direito a essa licença remunerada se o cônjuge se
mudou para outro Município para assumir um cargo público decorrente de
concurso público para o qual foi aprovado.
Em suma, a licença para o acompanhamento de cônjuge ou companheiro de que
trata o § 2º do art. 84 da Lei n. 8.112/90 não se aplica aos casos de provimento
originário de cargo público.
STF. 1ª Turma. MS 28620/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23/9/2014 (Info 760).

17.24. Instituição de gratificação por ato infralegal – (Info 757)

É inconstitucional ato normativo interno de tribunal que institua gratificação


remuneratória aos seus servidores.
STF. Plenário. ADI 1776/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/9/2014 (Info 757).

17.25. Vedação à vinculação ou equiparação de espécies remuneratórias – (Info 755)

É incompatível com a CF/88 (art. 37, XIII e art. 39, § 1º) a lei estadual que equipara
a remuneração de uma carreira a de outra distinta.
STF. Plenário. ADPF 97/PA, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 21/8/2014 (Info 755).

17.26. Servidor público em inatividade não goza do adicional de férias – (Info 755)
É INCONSTITUCIONAL lei estadual que prevê que o servidor público, mesmo
quando for para a inatividade, continuará tendo direito, todos os anos, ao adicional
de férias (terço de férias).
Essa lei viola o princípio da razoabilidade já que o servidor público em inatividade
não pode gozar de férias, porquanto deixou de exercer cargo ou função pública,
razão pela qual a ele não se estende adicional de férias concedido a servidores em
atividade.
STF. Plenário. ADI 1158/AM, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/8/2014 (Info 755).

17.27. Gratificação de desempenho genérica deve ser estendida aos aposentados e


pensionistas – (Info 755) – IMPORTANTE!!!

a) as vantagens remuneratórias legítimas e de caráter geral conferidas a


determinada categoria, carreira ou, indistintamente, a servidores públicos, por
serem vantagens genéricas, são extensíveis aos servidores inativos e pensionistas;
b) nesses casos, a extensão alcança os servidores que tenham ingressado no serviço
público antes da publicação da EC 20/1998 e da EC 41/2003 e se aposentado ou
adquirido o direito à aposentadoria antes da EC 41/2003;
c) com relação aos servidores que se aposentaram após a EC 41/2003, devem ser
observados os requisitos estabelecidos na regra de transição contida em seu art. 7º,
em virtude da extinção da paridade integral entre ativos e inativos contida no art.
40, § 8º, da CF, redação original, para os servidores que ingressaram no serviço
público após a publicação da EC 41/2003; e
d) com relação aos servidores que tivessem ingressado no serviço público antes da
EC 41/2003 e se aposentaram ou adquiriram o direito à aposentadoria após a sua
edição, é necessário observar a incidência das regras de transição fixadas pela EC
47/2005, a qual estabeleceu efeitos retroativos à data de vigência da EC 41/2003.
STF. Plenário. RE 596962/MT, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/8/2014 (Info
755).
STJ. STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1.372.058-CE, Rel. Min. Benedito Gonçalves,
julgado em 4/2/2014 (Info 534).

17.28. Aposentadoria por invalidez com proventos integrais – (Info 755) –


IMPORTANTE!!!

A CF/88 prevê, em seu art. 40, § 1º, I, a possibilidade de os servidores públicos


serem aposentados caso se tornem total e permanentemente incapazes para o
trabalho. Trata-se da chamada aposentadoria por invalidez.
Em regra, a aposentadoria por invalidez será paga com proventos proporcionais ao
tempo de contribuição. Excepcionalmente, ela será devida com proventos integrais
se essa invalidez for decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou
doença grave, contagiosa ou incurável, especificada em lei.
Assim, a concessão de aposentadoria por invalidez com proventos integrais exige
que a doença incapacitante esteja prevista em rol taxativo da legislação de regência.
O art. 41, § 1º, I, da CF/88 é bastante claro ao exigir que a lei defina as doenças e
moléstias que ensejam aposentadoria por invalidez com proventos integrais. Logo,
esse rol legal deve ser tido como exaustivo (taxativo).
STF. Plenário. RE 656860/MT, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 21/8/2014 (Info
755).
17.29. Ajuda de custo para transporte e mudança de magistrados – (Info 753)

A LC 35/1979 (Loman) prevê, em seu art. 65, I, o pagamento de indenização para


custeio de despesas com transporte e mudança:
Apesar de a Loman falar que a matéria será regulada em lei, esse diploma legal
nunca foi editado. Por conta disso, o STF afirmou que é possível aplicar, de forma
subsidiária, a norma que rege os servidores públicos federais (Lei 8.112/1990) que,
em seu arts. 53 e 54, disciplina a ajuda de custo para transporte e mudança.
STF. 2ª Turma. AO 1656/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/8/2014 (Info
753).

17.30. Contratação por tempo determinado do art. 37, IX, da CF/88 – (Info 748)

A lei do ente federativo que regulamente o art. 37, IX, da CF/88, deverá especificar
as hipóteses emergenciais que justificam as medidas de contratação excepcional.
Caso não o faça, ela será tida por inconstitucional.
STF. Plenário. ADI 3649/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/5/2014 (Info 748)

17.31. CONCEITO DE CARGO TÉCNICO PARA OS FINS DO ART. 37, XVI, “B”,
DA CF/88 – (Info 747) – IMPORTANTE!!!

A CF/88 permite a acumulação de um cargo de professor com outro técnico ou


científico (art. 37, XVI, “b”).
Somente se pode considerar que um cargo tem natureza técnica se ele exigir, no
desempenho de suas atribuições, a aplicação de conhecimentos especializados de
alguma área do saber.
Não podem ser considerados cargos técnicos aqueles que impliquem a prática de
atividades meramente burocráticas, de caráter repetitivo e que não exijam formação
específica.
Nesse sentido, atividades de agente administrativo, descritas como atividades de
nível médio, não se enquadram no conceito constitucional.
STF. 1ª Turma. RMS 28497/DF, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min.
Cármen Lúcia, julgado em 20/5/2014 (Info 747).

17.32. Inconstitucionalidade de dispositivo da CE que preveja modos de investidura


derivada – (Info 746)

É inconstitucional dispositivo de Constituição estadual que assegure ao servidor


público estadual que, na data da promulgação da Constituição, estivesse à
disposição de órgão diferente daquele de sua lotação de origem, o direito de optar
pelo enquadramento definitivo no órgão em que estivesse servindo.
É também inconstitucional o artigo da CE que permita que o servidor que ocupasse
um cargo de nível médio fosse reenquadrado em um de nível superior quando
concluísse curso de nível superior.
STF. Plenário. ADI 351/RN, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/5/2014 (Info 746)
17.33. O art. 170 da Lei 8.112/1990 é inconstitucional – (Info 743)

O art. 170 da Lei n. 8.112/90 prevê que, mesmo estando prescrita a infração
disciplinar, é possível que a prática dessa conduta fique registrada nos assentos
funcionais do servidor.
O STF decidiu que esse art. 170 é INCONSTITUCIONAL por violar os princípios
da presunção de inocência e da razoabilidade.
STF. Plenário. MS 23262/DF, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23/4/2014 (Info 743).

17.34. Contratação por tempo determinado do art. 37, IX, da CF/88 – (Info 742)

A lei do ente federativo que regulamente o art. 37, IX, da CF/88 não poderá prever
hipóteses abrangentes e genéricas de contratações temporárias sem concurso
público.
Além disso, essa lei deverá especificar a contingência fática que caracteriza a
situação de emergência.
STF. Plenário. RE 658026/MG, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 9/4/2014 (Info 742).

17.35. Súmula vinculante 33-STF: aposentadoria especial para servidor público –


(Info 742)

Súmula Vinculante 33-STF: Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as


regras do Regime Geral de Previdência Social sobre aposentadoria especial de que
trata o artigo 40, parágrafo 4º, inciso III, da Constituição Federal, até edição de lei
complementar específica.
STF. Plenário. Aprovada em 9/4/2014.

17.36. Lei que efetivava servidores sem concurso público e modulação dos seus
efeitos – (Info 740)

Lei mineira transformava diversos servidores com vínculo precário com a


Administração em servidores efetivos.
STF julgou inconstitucional a referida Lei por violação à regra do concurso público.
A corte decidiu, contudo, modular os efeitos da decisão.
Com relação aos cargos para os quais não há concurso público em andamento ou
em vigor: a lei continuará produzindo efeitos por um período de até 12 meses.
Com relação aos cargos para os quais há concurso em andamento ou em vigor: os
efeitos da declaração de inconstitucionalidade são imediatos.
Servidores já aposentados (ou que preencheram os requisitos para jubilação), bem
como para aqueles que foram aprovados em concurso público ou que foram
beneficiados pela estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT da CF/88: não se
submetem aos efeitos da decisão (continuarão em seus cargos com a aposentadoria).
STF. Plenário. ADI 4876/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/3/2014 (Info 740).

17.37. Contratação por tempo determinado do art. 37, IX, da CF/88 – (Info 740)
O STF entende que o art. 37, IX, da CF/88 autoriza que a Administração Pública
contrate pessoas, sem concurso público, tanto para o desempenho de atividades de
caráter eventual, temporário ou excepcional, como também para o desempenho das
funções de caráter regular e permanente, desde que indispensáveis ao atendimento
de necessidade temporária de excepcional interesse público.
No caso concreto julgado pelo STF, estava sendo impugnada uma lei do Estado do
Maranhão que permite a contratação, com base no art. 37, IX, da CF/88, de
professores para os ensinos fundamental e médio, desde que não existam
candidatos aprovados em concurso público e devidamente habilitados. A Lei
maranhense prevê que essa contratação deverá ocorrer pelo prazo máximo de 12
meses e o STF conferiu interpretação conforme para que esse prazo seja contado do
último concurso realizado para a investidura de professores. Desse modo, durante
o período de 1 (um) ano, haveria necessidade temporária que justificaria a
contratação sem concurso até que fosse concluído o certame.
STF. Plenário. ADI 3247/MA, rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 26/3/2014 (Info
740).

17.38. O menor sob guarda tem direito à pensão temporária por morte na Lei n.
8.112/90 – (Info 738) – Atenção! Concursos Federais!

O menor que, na data do óbito do servidor, esteja sob a guarda deste último, tem
direito à pensão temporária até completar 21 anos de idade (art. 217, II, "b" da Lei
nº 8.112/90).
Vale ressaltar que é irrelevante o fato de a guarda ser provisória ou definitiva.
STF. 1ª Turma. MS 31687 AgR/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/3/2014 (Info
738).

17.39. Administração pode suspender cautelarmente, no curso de processo


administrativo, pagamento de gratificação supostamente indevida – (Info 737)

Durante o processo administrativo instaurado para apurar a legalidade de


determinada gratificação, a Administração Pública pode determinar, com
fundamento no poder cautelar previsto no art. 45 da Lei n. 9784/99, a suspensão do
pagamento da verba impugnada até a decisão definitiva do órgão sobre a sua
validade no âmbito do procedimento aberto.
STF. 2ª Turma. RMS 31973/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 25/2/2014 (Info
737).

17.40. Lei estadual pode passar a exigir nível superior para cargo público,
aumentando sua remuneração – (Info 734)

É CONSTITUCIONAL Lei estadual que passa a exigir nível superior para


determinado cargo público (que antes era de ensino médio), determinando ainda o
aumento da remuneração paga para os ocupantes desse cargo, que irão agora
receber como servidores de nível superior.
STF. Plenário. ADI 4303/RN, rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/2/2014 (Info
734).
17.41. DESPEDIDA DE EMPREGADO PÚBLICO E MOTIVAÇÃO – (Info 699)

Os servidores concursados de empresas públicas e sociedades de economia mista


prestadoras de serviços públicos não gozam da estabilidade prevista no art. 41 da
CF/88, salvo aqueles admitidos em período anterior ao advento da EC nº 19/1998.
No entanto, em atenção aos princípios da impessoalidade e isonomia, a dispensa
do empregado de empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam
serviços públicos deve ser motivada.
A motivação do ato de dispensa tem por objetivo resguardar o empregado de uma
possível quebra do postulado da impessoalidade por parte do agente estatal
investido do poder de demitir.
STF. Plenário. RE 589998/PI, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 20/3/13 (Info 699).

18. GREVE NO SERVIÇO PÚBLICO


18.1. Compete à Justiça Comum (estadual ou federal) decidir se a greve realizada
por servidor público é ou não abusiva – (Info 871)

A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a abusividade de


greve de servidores públicos celetistas da Administração pública direta, autarquias
e fundações públicas.
STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, j. 1º/8/17 (repercussão geral) (Info 871).
OBS:
Os servidores públicos possuem direito de greve? SIM. Isso se encontra previsto no
art. 37, VII, da CF/88:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
também, ao seguinte:
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites
definidos em lei específica;

Quais são os requisitos para que os servidores públicos possam fazer greve? São
requisitos para a deflagração de uma greve no serviço público:
a) tentativa de negociação prévia, direta e pacífica;
b) frustração ou impossibilidade de negociação ou de se
estabelecer uma agenda comum;
c) deflagração após decisão assemblear;
d) comunicação aos interessados, no caso, ao ente da
Administração Pública a que a categoria se encontre vinculada
e à população, com antecedência mínima de 72 horas (uma vez
que todo serviço público é atividade essencial);
e) adesão ao movimento por meios pacíficos; e
f) a garantia de que continuarão sendo prestados os serviços
indispensáveis ao atendimento das necessidades dos
administrados (usuários ou destinatários dos serviços) e à
sociedade.
Caso os servidores públicos realizem greve, a Administração Pública deverá
descontar da remuneração os dias em que eles ficaram sem trabalhar?
 Regra: SIM. Em regra, a Administração Pública deve fazer o desconto dos
dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos
servidores públicos.
 Exceção: não poderá ser feito o desconto se ficar demonstrado que a greve
foi provocada por conduta ilícita do Poder Público.
STF. Plenário. RE 693456/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 27/10/16 (repercussão geral)
(Info 845).

Suponhamos que ocorra divergência entre os servidores e a Administração Pública


sobre a abusividade da greve realizada e a questão acabe chegando ao Judiciário.
Neste caso, de quem será a competência para decidir se a greve é legal ou não? Trata-
se de competência da Justiça Comum ou da Justiça do Trabalho? Justiça Comum. No
julgamento do MI 708, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 25/10/07, o STF já havia
definido que a competência para julgar questões relativas à greve dos servidores
públicos é da Justiça Comum.

A Justiça Comum será competente mesmo que se trate de empregado público (vínculo
celetista)? SIM. A Justiça Comum será competente mesmo que o vínculo do servidor
com a Administração Pública seja regido pela CLT, ou seja, ainda que se trate de
empregado público.
Sobre o tema, o STF fixou a seguinte tese:
A justiça comum, federal ou estadual, é competente para
julgar a abusividade de greve de servidores públicos celetistas
da Administração pública direta, autarquias e fundações
públicas. STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz
Fux, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, j. 1º/8/2017
(repercussão geral) (Info 871).

Assim, a Justiça Comum é sempre competente para julgar causa relacionada ao


direito de greve de servidor público da Administração direta, autárquica e
fundacional, pouco importando se se trata de celetista ou estatutário.

Vale fazer, contudo, uma importante ressalva: se a greve for de empregados públicos
de empresa pública ou sociedade de economia mista, a competência será da Justiça
do Trabalho.

Estadual ou Federal
 Se os servidores públicos que estiverem realizando a greve forem municipais
ou estaduais, a competência será da Justiça Estadual.
 Se os servidores públicos grevistas forem da União, suas autarquias ou
fundações, a competência será da Justiça Federal.

E se a greve abranger mais de um Estado?


 Se a greve for de servidores estaduais ou municipais e estiver restrita a uma
unidade da Federação (um único Estado), a competência será do respectivo
Tribunal de Justiça (por aplicação analógica do art. 6º da Lei 7.701/88).
 Se a greve for de servidores federais e estiver restrita a uma única região da
Justiça Federal (ex: greve dos servidores federais de PE, do CE, do RN e da
PB): a competência será do respectivo TRF (neste exemplo, o TRF5) (por
aplicação analógica do art. 6º da Lei 7.701/88).
 Se a greve for de âmbito nacional, ou abranger mais de uma região da Justiça
Federal, ou ainda, compreender mais de uma unidade da federação, a
competência para o dissídio de greve será do STJ (por aplicação analógica do
art. 2º, I, "a", da Lei 7.701/88).

18.2. Policiais são proibidos de fazer greve – (Info 860) – IMPORTANTE!!!

O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos


policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de
segurança pública.
É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos
classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para
vocalização dos interesses da categoria.
STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, j. 5/4/17 (repercussão geral) (Info 860).
OBS:
A greve é um direito de todos os servidores públicos? NÃO. Existem determinadas
categorias para quem a greve é proibida.

Os policiais militares podem fazer greve? NÃO. A CF/88 proíbe expressamente que
os Policiais Militares, Bombeiros Militares e militares das Forças Armadas façam greve
(art. 142, 3º, IV c/c art. 42, § 1º).

O art. 142, § 3º, IV, da CF/88 não menciona os policiais civis. Em verdade, não existe
nenhum dispositivo na Constituição que proíba expressamente os policiais civis de
fazerem greve. Diante disso, indaga-se: os policiais civis possuem direito de greve?
NÃO. Apesar de não haver uma proibição expressa na CF/88, o STF decidiu que os
policiais civis não podem fazer greve. Aliás, o Supremo foi além e afirmou que
nenhum servidor público que trabalhe diretamente na área da segurança pública pode
fazer greve.

Carreira policial é carreira de Estado, essencial para a segurança pública: A carreira


policial, disciplinada pelo art. 144 da CF/88, tem como função exercer a segurança
pública, garantindo a “preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas
e do patrimônio. A carreira policial é o braço armado do Estado para realizar a
segurança pública e as Forças Armadas são o braço armado do Estado para garantir a
segurança nacional. Diante da relevância de suas funções e considerando que se trata
de uma atividade que não pode ser exercida pela iniciativa privada, considera-se que
a atividade policial é uma "carreira de Estado". A atividade policial diferencia-se,
contudo, de outras atividades essenciais, como educação e saúde, porque ela não pode
ser exercida por particulares. A segurança pública é, portanto, atividade privativa do
Estado. Vale ressaltar que, diante de suas peculiaridades, a Constituição disciplinou
as carreiras policiais de forma diferenciada, tratando delas em um capítulo específico,
distinto do capítulo dos servidores públicos.

Direito de greve é incompatível com a carreira policial: Não é possível compatibilizar


que o braço armado do Estado faça greve porque isso colocaria em risco a segurança
pública, a ordem e a paz social. Os integrantes das carreiras policiais possuem o dever
de fazer intervenções e prisões em flagrante, sendo isso inconciliável com o exercício
da greve. Como já afirmado, não há possibilidade de nenhum outro órgão da iniciativa
privada suprir a atividade policial. Se esta entra em greve, não há como sua função ser
substituída. Vale ressaltar que a atividade policial, além de ser importantíssima por si
só, se for paralisada, afetará também as atribuições do Ministério Público e do próprio
Poder Judiciário.

Greve não é direito absoluto: A greve não é um direito absoluto e, neste caso, deverá
ser feito um balanceamento entre o direito de greve e o direito de toda a sociedade à
segurança pública e à manutenção da ordem pública e paz social. Neste caso, há a
prevalência do interesse público e do interesse social sobre o interesse individual de
uma categoria. Por essa razão, em nome da segurança pública, os policiais não podem
fazer greve. Importante destacar que a ponderação de interesses aqui não envolve
direito de greve X continuidade do serviço público. A greve dos policiais é proibida
não por causa do princípio da continuidade do serviço público (o que seria muito
pouco), mas sim por conta do direito de toda a sociedade à garantia da segurança
pública, à garantia da ordem pública e da paz social.

Não se trata de aplicar por analogia o art. 142, § 3º, IV: É importante destacar que o
STF afirmou expressamente que, ao decidir que os policiais civis não possuem direito
de greve, não estava aplicando o art. 142, § 3º, IV, da CF/88 por analogia a eles. Não
se trata, portanto, de analogia. A greve é proibida por força dos princípios
constitucionais que regem os órgãos de segurança pública.

Carreira policial possui tratamento diferenciado: A pessoa que ingressa na carreira


policial sabe que estará integrando um órgão com regime especial, que possui regime
de trabalho diferenciado, escala, hierarquia e disciplina. Deve saber também que se
trata de uma carreira cuja atividade é incompatível com o direito de greve.

Estado de defesa e estado de sítio: Eventuais movimentos grevistas de carreiras


policiais podem levar à ruptura da segurança pública, o que é tão grave a ponto de
permitir a decretação do estado de defesa (art. 136 da CF/88) e se o estado de defesa,
em 90 dias, não responder ao anseio necessário à manutenção e à reintegração da
ordem, será possível a decretação do estado de sítio (art. 137, I).

Além dos policiais civis, os policiais federais também estão proibidos de fazer greve?
SIM. O STF entendeu que o exercício de greve é vedado a todas as carreiras policiais
previstas no art. 144, ou seja, não podem fazer greve os integrantes da:
 Polícia Federal;
 Polícia Rodoviária Federal;
 Polícia Ferroviária Federal;
 Polícia Civil;
 Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros militar.

Mediação: Apesar de os policiais não poderem exercer o direito de greve, é


indispensável que essa categoria possa vocalizar (expressar) as suas reivindicações de
alguma forma. Pensando nisso, o STF afirmou, como alternativa, que o sindicato dos
policiais possa acionar o Poder Judiciário para que seja feita mediação com o Poder
Público, nos termos do art. 165 do CPC:
Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução
consensual de conflitos, responsáveis pela realização de
sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo
desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar
e estimular a autocomposição.

Nesta mediação, os integrantes das carreiras policiais serão representados pelos


respectivos órgãos classistas (ex: sindicatos, no caso de polícia civil, federal etc.;
associações, no caso de polícia militar) e o Poder Público é obrigado a participar.

18.3. Administração Pública deve descontar os dias não trabalhados por servidor
público em greve – (Info 845) – IMPORTANTE!!! – (TJSP-2017)

A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação


decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em virtude
da suspensão do vínculo funcional que dela decorre. É permitida a compensação
em caso de acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado que a
greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público.
STF. Plenário. RE 693456/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 27/10/16 (repercussão geral)
(Info 845).
(TJSP-2017-VUNESP): O direito de greve reconhecido constitucionalmente aos
servidores públicos implica que do seu exercício, todavia, poderá resultar o
desconto dos dias paralisados a ser efetuado pela Administração Pública, com
possibilidade de compensação na hipótese de acordo.

OBS:
Os servidores públicos possuem direito de greve? SIM. Isso se encontra previsto no
art. 37, VII, da CF/88:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
também, ao seguinte:
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites
definidos em lei específica;

Este inciso VII afirma que o direito de greve dos servidores públicos será exercido nos
termos e nos limites definidos em lei específica. Esta lei, até o presente momento, não
foi editada. Mesmo sem haver lei, os servidores públicos podem fazer greve? SIM.
Mesmo sem ter sido ainda editada a lei de que trata o art. 37, VII, da CF/88, os
servidores públicos podem fazer greve, devendo ser aplicadas as leis que
regulamentam a greve para os trabalhadores da iniciativa privada (Lei 7.701/88 e Lei
7.783/89). Nesse sentido: STF. Plenário. MI 708, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
25/10/2007.

Quais são os requisitos para que os servidores públicos possam fazer greve? São
requisitos para a deflagração de uma greve no serviço público:
a) tentativa de negociação prévia, direta e pacífica;
b) frustração ou impossibilidade de negociação ou de se
estabelecer uma agenda comum;
c) deflagração após decisão assemblear;
d) comunicação aos interessados, no caso, ao ente da
Administração Pública a que a categoria se encontre vinculada
e à população, com antecedência mínima de 72 horas (uma vez
que todo serviço público é atividade essencial);
e) adesão ao movimento por meios pacíficos; e
f) a garantia de que continuarão sendo prestados os serviços
indispensáveis ao atendimento das necessidades dos
administrados (usuários ou destinatários dos serviços) e à
sociedade.

Caso os servidores públicos realizem greve, a Administração Pública deverá


descontar da remuneração os dias em que eles ficaram sem trabalhar?
 Regra: SIM. Em regra, a Administração Pública deve fazer o desconto dos dias
de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores
públicos.
 Exceção: não poderá ser feito o desconto se ficar demonstrado que a greve foi
provocada por conduta ilícita do Poder Público.
STF. Plenário. RE 693456/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 27/10/16 (repercussão geral)
(Info 845).

Greve é considerada pela lei como suspensão do contrato de trabalho: Os dias em que
o trabalhador fica afastado do serviço com o objetivo de participar da greve são
considerados pela legislação como período de suspensão do contrato de trabalho. Veja
o que diz a Lei nº 7.783/89:
Art. 7º Observadas as condições previstas nesta Lei, a
participação em greve suspende o contrato de trabalho,
devendo as relações obrigacionais, durante o período, ser
regidas pelo acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da
Justiça do Trabalho.

O STF, no julgamento do MI 708, afirmou que este art. 7º deve ser aplicado nas greves
envolvendo servidores públicos.

O contrato de trabalho pode sofrer a paralisação temporária de seus efeitos, embora


mantenha a sua vigência. Essa paralisação pode ser classificada como suspensão ou
interrupção.
Suspensão não há trabalho
(total) não há pagamento de salários
não há contagem do tempo de serviço
não há recolhimento fundiário ou mesmo previdenciário
Interrupção não há trabalho
(parcial) há pagamento de salários
há contagem do tempo de serviço
há recolhimento fundiário ou mesmo previdenciário

Quando a Lei classifica a greve como hipótese de suspensão do contrato de trabalho,


ela está dizendo que não haverá trabalho, mas que também não haverá pagamento de
salários.
Greve é um direito, mas que possui consequências: Segundo o STF, embora a grave
seja possível, porque é um direito constitucional, ela tem consequências. O desconto
dos dias de paralisação é o ônus inerente à greve, assim como a paralisação parcial
dos serviços públicos imposta à sociedade é consequência natural do movimento. Esse
desconto dos dias parados não tem finalidade disciplinar punitiva. Trata-se de um
“afastamento” não remunerado do servidor, na medida em que, embora autorizado
pela CF/88, esta não lhe garantiu o pagamento integral dos vencimentos. Assim, em
razão da ausência de prestação específica do serviço por parte do grevista, os
descontos devem ser realizados.

O administrador público poderá deixar de descontar da remuneração do servidor os


dias em que ele ficou sem trabalhar fazendo greve? NÃO. Ele é obrigado a tomar esta
atitude, não podendo dispor sobre isso. Caso não haja o desconto dos dias paralisados,
isso representará:
 enriquecimento sem causa dos servidores que não trabalharam;
 violação ao princípio da indisponibilidade do interesse público;
 violação ao princípio da legalidade.

O fato de ser permitido o desconto da remuneração, não faz com que, na prática, o
STF esteja dizendo que a greve no serviço público é proibida? NÃO. Ao admitir o
desconto dos dias paralisados, o STF não está negando o exercício do direito do
servidor público de realizar greve. A participação do servidor público em um
movimento paredista é um direito seu, mas esse direito possui limites e ônus, em
especial, por se tratar o serviço público de atividade de importância estratégica para o
Estado em prol da sociedade.

Experiência de outros países: Na maioria dos países onde a greve no serviço público
é permitida, também ocorre o desconto da remuneração dos grevistas, o que tem
mobilizado a criação, inclusive, de fundos de greve, como é o caso do Reino Unido
(“strike fund”), da França e do Canadá (“fonds de grève”), da Espanha e de diversos
países de língua espanhola (“fondo de huelga”) e de Portugal (“fundos de maneio”).

É possível que a lei que venha a regulamentar o inciso VII do art. 37 preveja a greve
no serviço público como hipótese de interrupção (autorizando o pagamento da
remuneração)? SIM. O Min. Dias Toffoli afirmou que não existe vedação para que o
Poder Legislativo preveja na lei que vier a ser editada que o movimento grevista seja
hipótese de interrupção do vínculo.

Este entendimento de que deverá haver desconto na remuneração dos servidores


grevistas já era a posição do STF? SIM. Existem inúmeros julgados anteriores do STF
no mesmo sentido. Como exemplo, cite-se:
(...) Inexiste direito à restituição dos valores descontados
decorrentes dos dias de paralisação. Precedente. MI 708/DF,
Rel. Min. Gilmar Mendes. (...)
STF. 2ª Turma. AI 824949 AgR, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 23/08/2011.

TST: O TST também vem considerando a greve como hipótese de suspensão


contratual (art. 7º da Lei 7.783/89), de forma que os dias de paralisação não devem ser
remunerados, salvo situações excepcionais, tais como aquelas em que o empregador
contribui, mediante conduta recriminável, para que a greve ocorra, ou quando há
acordo entre as partes. (TST, RO nº 1000229-73.2014.5.02.0000, Relatora a Ministra
Dora Maria da Costa, Seção Especializada em Dissídios Coletivos, DEJT 19/12/14).

Não poderá ser feito o desconto se ficar demonstrado que a greve foi provocada por
conduta ilícita do Poder Público: Considera-se assim aquelas circunstâncias em que
o ente da administração tenha contribuído, mediante conduta recriminável, para que
a greve ocorresse. Ex: não haverá desconto se a greve tiver sido provocada por atraso
no pagamento aos servidores públicos ou se houver outras circunstâncias
excepcionais que justifiquem o afastamento da premissa da suspensão da relação
funcional ou de trabalho.

Em vez de realizar o desconto, é possível que os servidores públicos façam a


compensação dos dias parados (ex: trabalhando duas horas a mais por dia)? SIM. A
compensação dos dias e horas paradas ou mesmo o parcelamento dos descontos
poderão ser objeto de negociação, uma vez que se encontram dentro das opções
discricionárias do administrador. Ressalte-se, contudo, que não há uma
obrigatoriedade de a Administração Pública aceitar a compensação.

19. ANISTIADO POLÍTICO


19.1. Pagamento dos valores retroativos a anistiados políticos – (Info 847)

1 - Reconhecido o direito à anistia política, a falta de cumprimento de requisição


ou determinação de providências por parte da União, por intermédio do órgão
competente, no prazo previsto nos artigos 12, parágrafo 4º, e 18, caput, § único, da
Lei 10.559/02, caracteriza ilegalidade e violação de direito líquido e certo.
2 - Havendo rubricas no orçamento destinadas ao pagamento das indenizações
devidas aos anistiados políticos, e não demonstrada a ausência de disponibilidade
de caixa, a União há de promover o pagamento do valor ao anistiado no prazo de
60 dias.
3 - Na ausência ou na insuficiência de disponibilidade orçamentária no exercício
em curso, cumpre à União promover sua previsão no projeto de lei orçamentária
imediatamente seguinte.
STF. Plenário. RE 553710/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 17/11/16 (repercussão geral)
(Info 847).

20. PROVIMENTO DERIVADO


20.1. É inconstitucional lei estadual que transforma cargo de Comissário de Polícia
em Delegado de Polícia – (Info 800)

Em 2001, foi editada uma lei estadual criando cargos e organizando a Polícia Civil
de determinado Estado. Nesta Lei foi previsto que, na estrutura da Polícia Civil,
haveria cargos de Delegado de Polícia e de Comissário de Polícia.
Ainda em 2001, foi realizado um concurso público, com provas específicas para
cada um desses cargos, e os aprovados nomeados e empossados.
Contudo, em 2004, houve duas leis modificando o cargo de Comissário de Polícia.
• a primeira delas afirmou que Comissário de Polícia seria autoridade policial,
juntamente com o Delegado de Polícia, equiparando a remuneração dos dois
cargos.
• a segunda lei, transformando o cargo de "Comissário de Polícia" em "Delegado
de Polícia".
Essas duas leis foram impugnadas por meio de ADI e o STF decidiu que elas são
INCONSTITUCIONAIS porque representaram burla à exigência do concurso
público.
As referidas leis fizeram uma espécie de ASCENSÃO FUNCIONAL dos
Comissários de Polícia porque transformaram os ocupantes desses cargos em
Delegados de Polícia sem que eles tivessem feito concurso público para tanto.
No caso concreto, os Ministros entenderam que, quando o cargo de Comissário de
Polícia foi criado, ele possuía diferenças substanciais em relação ao de Delegado
de Polícia, o que impediria a transformação mesmo sob o argumento de ser medida
de racionalização administrativa.
STF. Plenário. ADI 3415/AM, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 24/9/2015 (Info
800).

20.2. Inconstitucionalidade de lei que preveja provimento derivado – (Info 771)

É materialmente inconstitucional lei estadual que possibilite o provimento


derivado de servidores investidos em cargos de outras carreiras no cargo de auditor
de saúde. Isso constitui provimento derivado, o que viola o art. 37, II, da CF/88, que
exige a prévia aprovação em concurso para a investidura em cargo público (Súmula
685-STF).
STF. Plenário. ADI 2940/ES, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/12/2014 (Info
771).

20.3. INCONSTITUCIONALIDADE DA ASCENSÃO E TRANSPOSIÇÃO – (Info


748)

A ascensão e a transposição constituem formas inconstitucionais de provimento


derivado de cargos por violarem o princípio do concurso público.
STF. Plenário. ADI 3341/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 29/5/14 (Info 748).

21. PENSÃO POR MORTE


21.1. Condição de companheira pode ser provada mesmo sem sentença judicial –
(Info 824)

Não constitui requisito legal para a concessão de pensão por morte à companheira
que a união estável seja declarada judicialmente, mesmo que vigente formalmente
o casamento.
Assim, é possível o reconhecimento de união estável de pessoa casada que esteja
comprovadamente separada judicialmente ou de fato, para fins de concessão de
pensão por morte, sem necessidade de decisão judicial neste sentido.
STF. 1ª Turma. MS 33008/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 3/5/2016 (Info
824).

21.2. Adoção de descendente maior com o único objetivo de deixar pensão por morte
– (Info 785)
Não é legítima a adoção de descendente maior de idade, sem a constatação de
suporte moral ou econômico, com o fim de induzir o deferimento de benefício
previdenciário.
No caso concreto, militar reformado do Exército, antes de falecer, adotou sua
própria neta, que na época tinha 41 anos de idade e era professora do ensino
público estadual. Quando faleceu, a neta habilitou-se para receber a pensão por
morte como dependente do militar. O Exército fez a concessão inicial do benefício,
mas o TCU negou registro à pensão.
O STF considerou que a decisão do TCU foi correta porque a adoção não tinha
suporte moral nem econômico e tinha sido feita com o objetivo de induzir o
deferimento do benefício previdenciário. Logo, não foi legítima, tendo sido
praticada com simulação e fraude à lei.
STF. 1ª Turma. MS 31383/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12/5/2015 (Info
785).

21.3. PENSÃO POR MORTE NO SERVIÇO PÚBLICO: Paridade e integralidade –


(Info 786)

Os pensionistas de servidor falecido posteriormente à EC 41/2003 terão direito à


paridade e à integralidade?

PARIDADE
 Em regra, eles não têm direito à paridade com servidores em atividade;
 Exceção: terão direito à paridade caso se enquadrem na regra de transição
prevista no art. 3º da EC 47/2005.

INTEGRALIDADE
 Os pensionistas de servidor falecido posteriormente à EC 41/2003 não
possuem direito à integralidade (CF, art. 40, § 7º, I), não havendo regra de
transição para isso.

A tese firmada pelo STF em sede de repercussão geral foi a seguinte:


“Os pensionistas de servidor falecido posteriormente à Emenda Constitucional
41/2003 têm direito à paridade com servidores em atividade (artigo 7º EC 41/2003),
caso se enquadrem na regra de transição prevista no artigo 3º da EC 47/2005. Não
têm, contudo, direito à integralidade (artigo 40, parágrafo 7º, inciso I, CF).”
STF. Plenário. RE 603580/RJ, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/5/2015
(repercussão geral) (Info 786).

22. APOSENTADORIA ESPECIAL


22.1. Oficiais de justiça não têm direito à aposentadoria especial – (Info 789)

Aposentadoria especial é aquela cujos requisitos e critérios exigidos do


beneficiário são mais favoráveis que os estabelecidos normalmente para as demais
pessoas.
A CF/88 prevê que os servidores que exerçam atividades de risco têm direito à
aposentadoria especial, segundo requisitos e condições previstas em lei
complementar (art. 40, § 4º, II, “b”).
O sindicato dos Oficiais de Justiça ajuizou, no STF, mandado de injunção coletivo
alegando que os oficiais de justiça exercem atividades de risco, nos termos do art.
40, § 4º, II, da CF/88 e que, apesar disso, até agora, não foi editada uma lei
complementar nacional prevendo aposentadoria especial para eles. Argumentou,
então, que estaria havendo omissão legislativa.
O STF concordou com o pedido formulado?
NÃO. Os Oficiais de Justiça, no exercício de suas funções, até sofrem,
eventualmente, exposição a situações de risco, mas isso, por si só, não confere a eles
o direito subjetivo à aposentadoria especial.
Os Oficiais de Justiça podem até, a depender do caso concreto, estar sujeitos a
situações de risco, notadamente quando no exercício de suas funções em áreas
dominadas pela criminalidade, ou em locais marcados por conflitos fundiários. No
entanto, o STF entendeu que esse risco é contingente (eventual), e não inerente ao
serviço. Não se pode dizer que as funções dos Oficiais de Justiça são perigosas (isso
não está na sua essência). Elas podem ser eventualmente perigosas.
Se uma atividade é eventualmente perigosa, o legislador pode prever que os
servidores que a desempenham tenham direito à aposentadoria especial com base
no art. 40, § 4º, II, da CF/88. Se o legislador não fizer isso, não haverá omissão de
sua parte porque o texto constitucional não exige. Ex: Oficiais de Justiça.
Reconhecer ou não o direito à aposentadoria especial é uma escolha da
discricionariedade legislativa.
Se uma atividade é perigosa por sua própria natureza, o legislador tem o dever de
prever que os servidores que a desempenham terão direito à aposentadoria especial
com base no art. 40, § 4º, II, da CF/88. Se o legislador não fizer isso, haverá omissão
inconstitucional de sua parte porque o texto da CF/88 exige. Aqui não existe
discricionariedade, mas sim um dever do legislador. Ex: carreira policial.
STF. Plenário. MI 833/DF, rel. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o acórdão Min. Roberto
Barroso, julgado em 11/6/2015 (Info 789).

22.2. Aposentadoria especial para servidores públicos e contagem de prazo


diferenciado – (Info 758)

Se o servidor trabalhou sob condições especiais que prejudiquem a sua saúde ou a


sua integridade física, ele poderá se utilizar deste tempo para gozar de
aposentadoria especial, cujo tempo de trabalho é inferior ao da aposentadoria
comum (aplica-se aos servidores o art. 57, caput e § 1º da Lei nº 8.213/91). Ex:
trabalhou 25 anos em atividades insalubres, terá direito à aposentadoria especial
valendo-se das regras dos trabalhadores em geral. Isso é assegurado pelo art. 40, §
3º, III, da CF e a mora legislativa não poderá mais prejudicar o servidor.
No entanto, se o período que este servidor trabalhou sob condições especiais não
for suficiente para que ele goze da aposentadoria especial, ele não poderá converter
este tempo especial usando os índices de conversão previstos para os trabalhadores
em geral (não se aplica aos servidores o § 5º do art. 57 da Lei nº 8.213/91). Isso não
é assegurado pelo art. 40, § 3º, III, da CF e a lei que vier a regular este dispositivo
não precisa tratar sobre este tema. Não se extrai da norma contida no art. 40, § 4º,
III, da CF a existência de dever constitucional de legislar acerca do reconhecimento
à contagem diferenciada e da averbação de tempo de serviço prestado por
servidores públicos em condições prejudiciais à saúde e à integridade física.
Logo, não cabe mandado de injunção para que servidor público pleiteie a
verificação de contagem de prazo diferenciado de serviço exercido em condições
prejudiciais à saúde e à integridade física.
STF. Plenário. MI 3162 ED/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 11/9/2014 (Info
758).

23. DESAPROPRIAÇÃO
23.1. CONFISCO DO ART. 243 DA CF/88: Possibilidade de o proprietário afastar a
sanção do art. 243 da CF/88 se provar que não teve culpa – (Info 851) –
IMPORTANTE!!!

A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal pode ser afastada, desde
que o proprietário comprove que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou
in eligendo.
STF. Plenário. RE 635336/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 14/12/16 (repercussão
geral) (Info 851).
OBS:
Art. 243 da CF/88: O art. 243 da CF/88 prevê o seguinte:
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região
do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas
psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da
lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a
programas de habitação popular, sem qualquer indenização
ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em
lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º.
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico
apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será
confiscado e reverterá a fundo especial com destinação
específica, na forma da lei.

Confisco constitucional: Parte da doutrina denomina este art. 243 de "desapropriação


confiscatória" em virtude de não conferir ao proprietário direito à indenização, como
ocorre com as demais espécies de desapropriação (CARVALHO FILHO, José dos
Santos. Manual de Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 2016, p. 1044).

Outros autores preferem falar em "confisco" (MORAES, Alexandre. Constituição do


Brasil interpretada e legislação constitucional. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2004, p. 2135).

O STF também reafirmou que se trata de confisco. Veja o que disse o Ministro Gilmar
Mendes:
"O instituto previsto no art. 243 da CF não é verdadeira espécie
de desapropriação, mas uma penalidade imposta ao
proprietário que praticou a atividade ilícita de cultivar plantas
psicotrópicas, sem autorização prévia do órgão sanitário do
Ministério da Saúde. Portanto, a expropriação é espécie de
confisco constitucional e tem caráter sancionatório."

Pressupostos: Existem dois motivos que geram esse confisco:


a) o fato de no imóvel estarem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas; ou
b) o fato de no imóvel haver exploração de trabalho escravo.
Extensão da expropriação: A expropriação irá recair sobre a totalidade do imóvel,
ainda que o cultivo ilegal ou a utilização de trabalho escravo tenham ocorrido em
apenas parte dele. Nesse sentido: STF. Plenário. RE 543974, Rel. Min. Eros Grau,
julgado em 26/03/2009.

Procedimento: As regras e o procedimento para essa expropriação estão disciplinados


na Lei 8.257/91 e no Decreto 577/92. Trata-se de um rito muito célere, no qual a Lei
estipula poucos dias para a realização de cada ato processual. Veja abaixo o resumo
do procedimento:
1. Processo judicial. Para haver a desapropriação confiscatória, é necessário processo
judicial que tramita na Justiça Federal.
2. Petição inicial. A União deverá propor uma demanda chamada de "ação
expropriatória" contra o proprietário do imóvel (expropriado). Vale ressaltar que
apenas a União é competente para realizar a expropriação de que trata o art. 243 da
CF/88, não podendo ser feita pelos outros entes federativos.
3. Citação. Recebida a inicial, o juiz determinará a citação do expropriado, no prazo
de 5 dias.
4. Perito. Ao ordenar a citação, o Juiz já nomeará um perito para fazer a avaliação do
imóvel. Este deverá entregar o laudo em 8 dias.
5. Audiência. O juiz determinará audiência de instrução e julgamento, que deverá ser
realizada no prazo máximo de 15 dias, a contar da data da contestação.
6. Mandado de imissão na posse. O juiz poderá imitir, liminarmente, a União na posse
do imóvel expropriando, garantindo-se o contraditório pela realização de audiência
de justificação. Em outras palavras, o magistrado poderá conceder tutela provisória
de urgência determinando que o proprietário saia do imóvel e este fique na posse da
União. Vale ressaltar que o INCRA é quem irá imitir-se em nome da União (art. 6º do
Decreto nº 577/92).
7. Prova testemunhal. Na audiência de instrução e julgamento, cada parte poderá
indicar até 5
testemunhas.
8. Oitiva do Ministério Público. A Lei nº 8.257/91 não prevê, mas o Procurador da
República deverá ser ouvido como fiscal da ordem jurídica, nos termos do art. 178, I,
do CPC/2015.
9. Sentença. Encerrada a instrução, o Juiz prolatará a sentença em cinco dias.
10. Haverá expropriação mesmo que o imóvel esteja em garantia. A expropriação
prevalece sobre direitos reais de garantia, não se admitindo embargos de terceiro
fundados em dívida hipotecária, anticrética ou pignoratícia.
11. Recurso. Da sentença, caberá apelação.
12. Trânsito em julgado. Transitada em julgado a sentença expropriatória, o imóvel
será incorporado ao patrimônio da União. Em seguida, a gleba será destinada à
reforma agrária e a programas de habitação popular.

Não se exige que o proprietário tenha participado: Para que haja a sanção do art. 243,
não se exige a participação direta do proprietário no cultivo ilícito. No entanto, apesar
disso, trata-se de medida sancionatória, exigindo-se algum grau de culpa para sua
caracterização. Assim, mesmo que o proprietário não tenha participado diretamente,
mas se agiu com culpa, deverá ser expropriado. Isso porque a função social da
propriedade gera para o proprietário o dever de zelar pelo uso lícito do seu imóvel,
ainda que não esteja na posse direta.
Mesmo tendo esse dever, poderá provar que não teve como evitar: Esse dever de zelar
pelo correto uso da propriedade não é ilimitado, só podendo ser exigido do
proprietário que evite o ilícito quando estiver ao seu alcance. Assim, o proprietário
pode afastar sua responsabilidade demonstrando que não incorreu em culpa. Ele pode
provar, por exemplo, que foi esbulhado ou até enganado pelo possuidor ou pelo
detentor.

Se agiu com culpa, aplica-se o art. 243: Vale ressaltar, mais uma vez, que, se o
proprietário agiu com culpa, deverá ser expropriado. Essa culpa pode ser in vigilando
ou in eligendo:
 Culpa in vigilando é a falta de atenção com a conduta de outra pessoa. Ocorre
quando não há uma fiscalização efetiva.
 Culpa in eligendo consiste na má escolha daquele a quem se confia a prática
de um ato. Também chamada de “responsabilidade pela má eleição”.
Desse modo, se o proprietário agiu com culpa in vigilando ou in eligendo, deverá
incidir o art. 243 da CF/88.

A responsabilidade do proprietário é subjetiva ou objetiva? A responsabilidade do


proprietário é subjetiva, no entanto bastante próxima da objetiva.

E se houver mais de um proprietário, o que fazer neste caso? Se o imóvel pertencer a


dois ou mais proprietários (condomínio), haverá a expropriação mesmo que apenas
um deles tenha participação ou culpa. Restará apenas ao proprietário inocente buscar
reparação daquele que participou ou teve culpa.

Ônus da prova: Importante destacar que cabe ao proprietário (e não à União) o ônus
da prova. Em outras palavras, caberá ao proprietário provar que não agiu com culpa.

23.2. Desconsideração das conclusões do laudo pericial com base em outras provas
– (Info 817)

A preferência do julgador por determinada prova insere-se no livre convencimento


motivado e não cabe compelir o magistrado a colher com primazia determinada
prova em detrimento de outras pretendidas pelas partes se, pela base do conjunto
probatório tiver se convencido da verdade dos fatos.
STF. Plenário. RE 567708/SP, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min.
Cármen Lúcia, julgado em 8/3/2016 (Info 817).
OBS: O magistrado, com base no livre convencimento motivado, tem a liberdade de
deixar de considerar as conclusões do laudo pericial desde que faça isso de forma
fundamentada. Isso está previsto no art. 479 do CPC 2015:

Art. 479. O juiz apreciará a prova pericial de acordo com o disposto


no art. 371, indicando na sentença os motivos que o levaram a
considerar ou a deixar de considerar as conclusões do laudo,
levando em conta o método utilizado pelo perito.

Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos,


independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na
decisão as razões da formação de seu convencimento.
Ao tecer comentários sobre este art. 479, Daniel Amorim Assumpção Neves explica
que:
"O sistema de valoração das provas, adotado pelo sistema
processual brasileiro, é o da persuasão racional, também chamado
de livre convencimento motivado. Significa dizer que não existem
cargas de convencimento pré-estabelecidas dos meios de prova,
sendo incorreto afirmar abstratamente que determinado meio de
prova é mais eficaz no convencimento do juiz do que outro. Com
inspiração nesse sistema de valoração das provas, o art. 479 do Novo
CPC prevê que o juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo se
convencer com outros elementos ou fatos provados no processo."
(NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Novo CPC comentado.
Salvador: Juspodivm, 2016, p. 784).

24. PRECATÓRIO
24.1. É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia mista? –
(Info 858) - IMPORTANTE!!! ATENÇÃO!!! ADVOCACIA PÚBLICA!!! – (TJDFT-2015)

É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras


de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial.
STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info
858).
OBS:
Regime de precatórios: O art. 100 da CF/88 prevê que, se a Fazenda Pública Federal,
Estadual, Distrital ou Municipal for condenada por sentença judicial transitada em
julgado a pagar determinada quantia a alguém, este pagamento será feito sob um
regime especial chamado de “precatório”:
Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas
Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de
sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem
cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos
créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de
pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais
abertos para este fim.

O regime de precatórios é um privilégio instituído em favor da Fazenda Pública,


considerando que ela não terá que pagar imediatamente o valor para o qual foi
condenada, ganhando, assim, um "prazo" maior.

Quem tem o privilégio de pagar por meio de precatório? A quem se aplica o regime
dos precatórios? As Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais. Essa
expressão abrange:
 União, Estados, DF e Municípios (administração direta);
 Autarquias;
 Fundações;
 Empresas públicas prestadoras de serviço público (ex: Correios);
 Sociedades de economia mista prestadoras de serviço público de atuação
própria do Estado e de natureza não concorrencial.
Aplicação do regime dos precatórios às sociedades de economia mista: As sociedades
de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado formadas
majoritariamente com capital público, mas possuindo também capital privado. Em
virtude dessas características, havia divergência se o regime dos precatórios poderia
ser aplicado para as sociedades de economia mista. O STF pacificou o tema no sentido
de que é possível, mas desde que essa sociedade de economia mista seja prestadora
de serviço público de atuação própria do Estado e de natureza não concorrencial. É
o que foi decidido no Plenário da Corte, publicado no Info 858.

Não atuar em regime de concorrência e não objetivar lucro: Segundo o STF, para que
a sociedade de economia mista goze dos privilégios da Fazenda Pública, é necessário
que ela não atue em regime de concorrência com outras empresas e que não tenha
objetivo de lucro. Confira:
(...) Os privilégios da Fazenda Pública são inextensíveis às
sociedades de economia mista que executam atividades em
regime de concorrência ou que tenham como objetivo
distribuir lucros aos seus acionistas. Portanto, a empresa
Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. - Eletronorte não
pode se beneficiar do sistema de pagamento por precatório de
dívidas decorrentes de decisões judiciais (art. 100 da
Constituição). (...)
(STF. Plenário. RE 599628, Rel. Min. Ayres Britto, Relator p/
Acórdão Min. Joaquim Barbosa, julgado em 25/05/2011).

Assim, se a sociedade de economia mista atuar em mercado sujeito à concorrência ou


permitir a acumulação ou a distribuição de lucros, neste caso ela se submeterá ao
regime de execução comum aplicável às demais empresas do setor privado.

24.2. É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia mista? –


(Info 812) – IMPORTANTE!!! ATENÇÃO!!! ADVOCACIA PÚBLICA!!!

As sociedades de economia mista prestadoras de serviço público de atuação própria


do Estado e de natureza não concorrencial submetem-se ao regime de precatório.
O caso concreto no qual o STF decidiu isso envolvia uma sociedade de economia
mista prestadora de serviços de abastecimento de água e saneamento que prestava
serviço público primário e em regime de exclusividade. O STF entendeu que a
atuação desta sociedade de economia mista correspondia à própria atuação do
Estado, já que ela não tinha objetivo de lucro e o capital social era majoritariamente
estatal. Logo, diante disso, o STF reconheceu que ela teria direito ao processamento
da execução por meio de precatório.
STF. 2ª Turma. RE 852302 AgR/AL, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/12/2015
(Info 812).

(MPSC-2016): Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, as


sociedades de economia mista prestadoras de serviço público de atuação própria
do Estado e de natureza não concorrencial submetem-se ao regime de precatório.
25. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
25.1. Lei estadual não pode incluir os titulares de serventias extrajudiciais no regime
próprio de Previdência Social – (Info 777)

Duas Leis estaduais incluíram no regime próprio de Previdência Social os titulares


de serventias extrajudiciais (notários e registradores).
Tais leis foram declaradas inconstitucionais.
Os titulares de serventias notariais e registrais exercem atividade estatal, entretanto
não são titulares de cargo público efetivo, tampouco ocupam cargo público. Não
são servidores públicos. Logo, a eles não se aplica o regime próprio de Previdência
Social previsto para os servidores públicos (art. 40 da CF/88).
Desse modo, a lei estadual não poderia tê-los incluído no regime próprio de
previdência social. As leis estaduais acima desviaram-se do modelo previsto na
CF/88 e usurparam a competência da União para legislar sobre o tema.
STF. Plenário. ADI 4639/GO e ADI 4641/SC, Rel. Min. Teori Zavascki, julgados em
11/3/2015 (Info 777).

25.2. Lei estadual não pode conceder isenção de contribuição previdenciária para
todos os servidores aposentados e pensionistas que tiverem doença incapacitante –
(Info 776)

O Estado-membro pode tratar sobre o regime próprio de previdência social de seus


servidores por meio de lei, não sendo necessário que tal regulamentação seja feita
na Constituição estadual.
As normas estaduais, contudo, deverão observar as regras da CF/88, em especial
aquelas previstas no art. 40.
Determinada lei estadual previu que os servidores públicos aposentados e
pensionistas que fossem portadores de doenças incapacitantes não iriam pagar
contribuição previdenciária (seriam isentos). O STF afirmou que essa regra
estadual está em confronto com o § 21 do art. 40 da CF/88, considerando que a Carta
Federal previu que os servidores públicos aposentados e pensionistas que sejam
portadores de doenças incapacitantes devem pagar contribuição previdenciária se
o valor dos proventos por eles recebidos superar o dobro do teto do RGPS (dobro
do maior valor de aposentadoria do INSS).
Assim, a norma da lei estadual deve receber interpretação conforme para que
respeite essa previsão do art. 40, § 21 da CF/88.
STF. Plenário. ADI 3477/RN, rel. orig. Min. Cezar Peluso, red. p/ o acórdão Min. Luiz
Fux, julgado em 4/3/2015 (Info 776).

26. SERVIDORES TEMPORÁRIOS


26.1. É constitucional a quarentena para recontratação de servidores temporários
prevista no art. 9º, III, da Lei 8.745/93 – (Info 869)

No âmbito da administração pública federal, é vedada a contratação temporária do


mesmo servidor antes de decorridos 24 meses do encerramento do contrato anterior.
Tal regra está prevista no art. 9º, III, da Lei nº 8.745/93:
Art. 9º O pessoal contratado nos termos desta Lei não
poderá:
III - ser novamente contratado, com fundamento nesta Lei,
antes de decorridos 24 (vinte e quatro) meses do
encerramento de seu contrato anterior, salvo nas hipóteses
dos incisos I e IX do art. 2º desta Lei, mediante prévia
autorização, conforme determina o art. 5º desta Lei.

O STF, ao analisar um caso concreto envolvendo a contratação temporária de


professores, decidiu que essa regra é constitucional e fixou a seguinte tese:
“É compatível com a Constituição Federal a previsão legal
que exija o transcurso de 24 (vinte e quatro) meses,
contados do término do contrato, antes de nova admissão
de professor temporário anteriormente contratado.”
STF. Plenário. RE 635648/CE, Rel. Min. Edson Fachin, j. 14/6/17 (repercussão geral)
(Info 869).
OBS:
Exceção ao princípio do concurso público: A CF/88 instituiu o “princípio do concurso
público”, segundo o qual, em regra, a pessoa somente pode ser investida em cargo ou
emprego público após ser aprovada em concurso público (art. 37, II). Esse princípio,
que na verdade é uma regra, possui exceções que são estabelecidas no próprio texto
constitucional.

Assim, a CF/88 prevê situações em que o indivíduo poderá ser admitido no serviço
público mesmo sem concurso. Podemos citar como exemplos:
a) cargos em comissão (art. 37, II);
b) servidores temporários (art. 37, IX);
c) cargos eletivos;
d) nomeação de alguns juízes de Tribunais, Desembargadores, Ministros de Tribunais;
e) ex-combatentes (art. 53, I, do ADCT);
f) agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias (art. 198, § 4º).

Vamos estudar agora apenas a hipótese dos servidores temporários (art. 37, IX, da
CF/88).

Redação do art. 37, IX: O art. 37, IX, prevê o seguinte:


IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público;

O inciso IX do art. 37 consiste em uma norma constitucional de eficácia limitada,


dependendo, portanto de lei para produzir todos os seus efeitos. Mais abaixo veremos
que lei é essa.

Servidores temporários: Os servidores que são contratados com base nesse


fundamento são chamados de servidores temporários.

Características: Para ser válida, a contratação com fundamento no inciso IX deve ser...
- feita por tempo determinado (a lei prevê prazos máximos);
- com o objetivo de atender a uma necessidade temporária; e
- que se caracterize como sendo de excepcional interesse público.

Processo seletivo simplificado: A contratação com base no inciso IX ocorre sem a


realização de prévio concurso público. A lei, no entanto, pode prever critérios e
exigências a serem observadas pelo administrador no momento de contratar. Ex.: a
Lei 8.745/93, que rege o tema em nível federal, exige, em regra, que os profissionais a
serem contratados sejam submetidos a uma espécie de processo seletivo simplificado
(art. 3º), ou seja, um procedimento mais simples que o concurso público, por meio do
qual, no entanto, se possa selecionar os melhores candidatos à função e de maneira
impessoal. A contratação para atender às necessidades decorrentes de calamidade
pública, de emergência ambiental e de emergências em saúde pública prescindirá de
processo seletivo.

Lei de cada ente deverá reger o tema: Repare que o inciso IX fala que LEI estabelecerá
os casos de contratação. Não se trata de uma só lei. O que esse dispositivo está
afirmando é que cada ente da Federação deverá editar a sua própria lei prevendo os
casos de contratação por tempo determinado. Não poderia uma só lei dispor sobre o
tema porque é preciso que se respeite a autonomia administrativa dos entes.
 Ex.1: no âmbito federal, a lei que rege o tema é a Lei 8.745/93.
 Ex.2: em Goiás, quem traz as hipóteses é a Lei estadual 3.664/00.
 Ex.3: em Manaus, a contratação por prazo determinado deverá observar a Lei
municipal 1.425/2010.

ATENÇÃO: Ao prestar concursos estaduais/municipais, é importante verificar se o


edital exige a lei de contratação por tempo determinado. A lei de cada ente irá prever
as regras sobre essa contratação, ou seja, as hipóteses em que ela ocorre, seu prazo de
duração, direitos e deveres dos servidores, atribuições, responsabilidades etc. Vale
ressaltar que a referida lei não poderá contrariar a moldura (os limites) que o inciso IX
do art. 37 da CF/88 deu ao tema.

Atividades de caráter regular e permanente: No serviço público, há algumas


atividades que são regulares e permanentes. Exs.: servidores das áreas de saúde,
educação e segurança pública.
Por outro lado, existem atividades que possuem caráter eventual, temporário ou
excepcional. Ex.: servidores para a realização do censo pelo IBGE.

É possível que, com fundamento no inciso IX, a Administração Pública contrate


servidores temporários para o exercício de atividades de caráter regular e permanente
ou isso somente é permitido para atividades de natureza temporária (eventual)? SIM.
O art. 37, IX, da CF/88 autoriza que a Administração Pública
contrate pessoas, sem concurso público, tanto para o
desempenho de atividades de caráter eventual, temporário ou
excepcional, como também para o desempenho das funções
de caráter regular e permanente, desde que indispensáveis ao
atendimento de necessidade temporária de excepcional
interesse público.
STF. Plenário. ADI 3068, Rel. p/ Ac. Min. Eros Grau, j.
25/08/04.
STF. Plenário. ADI 3247/MA, Rel. Min. Cármen Lúcia, j.
26/3/14 (Info 740).

A natureza da atividade a ser desempenhada (se permanente ou eventual) não será o


fator determinante para se definir se é possível ou não a contratação de servidor com
base no art. 37, IX, da CF/88.
Para saber se é legítima a contratação com base no art. 37, IX, deverão ser analisados
dois aspectos:
a) a necessidade da contratação deve ser transitória (temporária);
b) deve haver um excepcional interesse público que a justifique.

Ex.1: a atividade de um médico em um Estado possui natureza permanente (regular),


considerando que é dever do ente estadual prestar saúde à população (art. 196 da
CF/88). Em regra, os médicos devem ser selecionados por meio de concurso público.
Ocorre que é possível imaginar situações em que haja uma necessidade temporária de
médicos em número acima do normal e de forma imediata, o que justifica, de forma
excepcional, a contratação desses profissionais sem concurso público, por um prazo
determinado, com base no inciso IX. É o caso de uma epidemia que esteja ocorrendo
em determinada região do Estado, na qual haja a necessidade de médicos especialistas
no tratamento daquela moléstia específica para tentar erradicar o surto. Logo, será
permitida a contratação de tantos médicos quantos sejam necessários para solucionar
aquela demanda (exemplo da Min. Cármem Lúcia).

Ex.2: no caso concreto julgado pelo STF, estava sendo impugnada uma lei do Estado
do Maranhão que permite a contratação, com base no art. 37, IX, da CF/88, de
professores para os ensinos fundamental e médio, desde que não existam candidatos
aprovados em concurso público e devidamente habilitados. A Lei maranhense prevê
que essa contratação deverá ocorrer pelo prazo máximo de 12 meses e o STF conferiu
interpretação conforme para que esse prazo seja contado do último concurso realizado
para a investidura de professores. Desse modo, durante o período de 1 (um) ano,
haveria necessidade temporária que justificaria a contratação sem concurso até que
fosse concluído o certame. STF. Plenário. ADI 3247/MA, rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 26/3/2014 (Info 740).

Em resumo, mesmo em atividades públicas de natureza permanente, como as


desenvolvidas nas áreas de saúde, educação e segurança pública, é possível, em tese,
a contratação por prazo determinado para suprir uma demanda eventual ou
passageira.

Regra do art. 9º, III, da Lei nº 8.745/93: No âmbito da administração pública federal, é
vedada a contratação temporária do mesmo servidor antes de decorridos 24 meses do
encerramento do contrato anterior. Tal regra está prevista no art. 9º, III, da Lei nº
8.745/93:
Art. 9º O pessoal contratado nos termos desta Lei não poderá:
III - ser novamente contratado, com fundamento nesta Lei,
antes de decorridos 24 (vinte e quatro) meses do
encerramento de seu contrato anterior, salvo nas hipóteses
dos incisos I e IX do art. 2º desta Lei, mediante prévia
autorização, conforme determina o art. 5º desta Lei.

O STF, ao analisar um caso concreto envolvendo a contratação temporária de


professores, decidiu que essa regra é constitucional e fixou a seguinte tese:
É compatível com a Constituição Federal a previsão legal que
exija o transcurso de 24 (vinte e quatro) meses, contados do
término do contrato, antes de nova admissão de professor
temporário anteriormente contratado.
STF. Plenário. RE 635648/CE, Rel. Min. Edson Fachin, j.
14/6/17 (repercussão geral) (Info 869).

A regra do art. 9º, III, da Lei 8.745/93 é salutar porque evita que uma função
temporária seja transformada em algo ordinário. Dessa forma, o referido dispositivo
é necessário e adequado para preservar a impessoalidade do concurso público.
Assim, não configura ofensa à isonomia a previsão legal de proibição, por prazo
determinado, de nova contratação de candidato já anteriormente admitido em
processo seletivo simplificado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público.

Obs1: apesar de a redação da tese mencionar apenas “admissão de professor”, o certo


é que o art. 9º, III, é constitucional, razão pela qual a vedação existe para outros cargos.
O que o STF fez foi declarar constitucional o art. 9º, III, da Lei nº 8.745/93. Constou a
menção expressa aos professores porque o caso concreto julgado no RE abrangia essa
categoria.

Obs2: vale ressaltar que inúmeras leis estaduais e municipais repetem a redação do
art. 9º, III, da Lei nº 8.745/93. Tais leis também são constitucionais.

26.2. Lei de contratação temporária não pode prever hipóteses genéricas nem a
prorrogação indefinida dos contratos – (Info 858)

São inconstitucionais, por violarem o art. 37, IX, da CF/88, a autorização legislativa
genérica para contratação temporária e a permissão de prorrogação indefinida do
prazo de contratações temporárias.
STF. Plenário. ADI 3662/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 23/3/17 (Info 858).
OBS:
Exceção ao princípio do concurso público: A CF/88 instituiu o “princípio do concurso
público”, segundo o qual, em regra, a pessoa somente pode ser investida em cargo ou
emprego público após ser aprovada em concurso público (art. 37, II). Esse princípio,
que na verdade é uma regra, possui exceções que são estabelecidas no próprio texto
constitucional.

Assim, a CF/88 prevê situações em que o indivíduo poderá ser admitido no serviço
público mesmo sem concurso. Podemos citar como exemplos:
a) cargos em comissão (art. 37, II);
b) servidores temporários (art. 37, IX);
c) cargos eletivos;
d) nomeação de alguns juízes de Tribunais, Desembargadores, Ministros de Tribunais;
e) ex-combatentes (art. 53, I, do ADCT);
f) agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias (art. 198, § 4º).

Vamos estudar agora apenas a hipótese dos servidores temporários (art. 37, IX, da
CF/88).

Redação do art. 37, IX: O art. 37, IX, prevê o seguinte:


IX — a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público;
O inciso IX do art. 37 consiste em uma norma constitucional de eficácia limitada,
dependendo, portanto de lei para produzir todos os seus efeitos. Mais abaixo veremos
que lei é essa.

Servidores temporários: Os servidores que são contratados com base nesse


fundamento são chamados de servidores temporários.

Características: Para ser válida, a contratação com fundamento no inciso IX deve ser...
- feita por tempo determinado (a lei prevê prazos máximos);
- com o objetivo de atender a uma necessidade temporária; e
- que se caracterize como sendo de excepcional interesse público.

Processo seletivo simplificado: A contratação com base no inciso IX ocorre sem a


realização de prévio concurso público. A lei, no entanto, pode prever critérios e
exigências a serem observadas pelo administrador no momento de contratar. Ex.: a
Lei 8.745/93, que rege o tema em nível federal, exige, em regra, que os profissionais a
serem contratados sejam submetidos a uma espécie de processo seletivo simplificado
(art. 3º), ou seja, um procedimento mais simples que o concurso público, por meio do
qual, no entanto, se possa selecionar os melhores candidatos à função e de maneira
impessoal. A contratação para atender às necessidades decorrentes de calamidade
pública, de emergência ambiental e de emergências em saúde pública prescindirá de
processo seletivo.

Lei de cada ente deverá reger o tema: Repare que o inciso IX fala que LEI estabelecerá
os casos de contratação. Não se trata de uma só lei. O que esse dispositivo está
afirmando é que cada ente da Federação deverá editar a sua própria lei prevendo os
casos de contratação por tempo determinado. Não poderia uma só lei dispor sobre o
tema porque é preciso que se respeite a autonomia administrativa dos entes.
 Ex.1: no âmbito federal, a lei que rege o tema é a Lei 8.745/93.
 Ex.2: em Goiás, quem traz as hipóteses é a Lei estadual 3.664/00.
 Ex.3: em Manaus, a contratação por prazo determinado deverá observar a Lei
municipal 1.425/2010.

ATENÇÃO: Ao prestar concursos estaduais/municipais, é importante verificar se o


edital exige a lei de contratação por tempo determinado. A lei de cada ente irá prever
as regras sobre essa contratação, ou seja, as hipóteses em que ela ocorre, seu prazo de
duração, direitos e deveres dos servidores, atribuições, responsabilidades etc. Vale
ressaltar que a referida lei não poderá contrariar a moldura (os limites) que o inciso IX
do art. 37 da CF/88 deu ao tema.

Lei que institua hipóteses abrangentes e genéricas é inconstitucional: O STF entende


que a lei do ente federativo regulamentando o art. 37, IX, da CF/88 não poderá prever
hipóteses abrangentes e genéricas de contratações temporárias sem concurso público.
Além disso, essa lei deverá especificar a contingência fática que caracteriza a situação
de emergência.
Exemplo: em um caso concreto, o STF analisou a constitucionalidade da LC 4/90, do
Estado do Mato Grosso, que dizia o seguinte:
Art. 263 Para atender a necessidade temporária de excepcional
interesse público, poderão ser efetuadas contratações de
pessoal por tempo determinado.
Art. 264 Consideram-se como de necessidade temporária de
excepcional interesse público as contratações que visem a:
(...)
VI - atender as outras situações motivadamente de urgência.

Os Ministros entenderam que o referido inciso VI desse art. 264 permite, de forma
muito genérica, a contratação temporária de servidores, o que se mostra
inconstitucional. STF. Plenário. ADI 3662/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
23/3/2017 (Info 858).

Lei que permita a prorrogação indefinida do prazo das contratações é


inconstitucional: O art. 37, IX, da CF/88 afirma que a contratação deverá ocorrer por
tempo determinado. Apesar disso, algumas leis municipais e estaduais burlam essa
regra e estabelecem a possibilidade de os contratos temporários serem prorrogados
indefinidamente, ou seja, sem limite de vezes. Essa prática é considerada
inconstitucional pelo STF.
Exemplo: veja o que prevê o § 1º do art. 264 da LC 4/90:
Art. 264 Consideram-se como de necessidade temporária de
excepcional interesse público as contratações que visem a:
(...)
§ 1º As contratações de que trata este artigo terão dotação
específica e não poderão ultrapassar o prazo de 06 (seis)
meses, exceto nas hipóteses dos incisos II, IV e VI, cujo prazo
máximo será de 12 (doze) meses, e inciso V, cujo prazo
máximo será de 24 (vinte e quatro) meses, prazos estes
somente prorrogáveis se o interesse público,
justificadamente, assim o exigir ou até a nomeação por
concurso público.

O STF julgou inconstitucional essa parte final (em amarelo) do § 1º acima transcrito.
Isso porque ela permite a prorrogação indefinida do prazo de contratações
temporárias, o que não se coaduna com o art. 37, IX, da CF/88.

ATENÇÃO: neste caso concreto, o STF julgou inconstitucionais o inciso VI e o § 1º do


art. 264 da LC 4/90-MT, mas modulou os efeitos da declaração de forma que somente
irá surtir efeitos um ano após a data da publicação da ata de julgamento. Em outras
palavras, até lá, as pessoas que estão contratadas temporariamente com base nesses
dispositivos poderão continuar trabalhando.

26.3. Lei que prevê hipóteses genéricas de contratação temporária é inconstitucional.


Lei que autoriza contratação temporária para projetos educacionais ordinários é
inconstitucional – (Info 829)

A LC 22/2000, do Estado do Ceará, autoriza a contratação de professores, por tempo


determinado, para atender necessidade temporária de excepcional interesse
público nas escolas estaduais. O art. 3º da referida Lei prevê diversas hipóteses nas
quais é possível a referida contratação.
O STF afirmou que, em tese, é possível a contratação temporária por excepcional
interesse público (art. 37, IX, da CF/88) mesmo para atividades permanentes da
Administração (como é o caso de professores). No entanto, o legislador tem o ônus
de especificar, em cada circunstância, os traços de emergencialidade que a
justificam.
As alíneas "a, b, c, d, e" preveem a contratação temporária caso o titular se afaste
para gozar de licenças ou para fazer cursos de capacitação. O STF reputou que tais
hipóteses são constitucionais já que elas descrevem situações que são alheias ao
controle da Administração Pública, ou seja, hipóteses que estão fora do controle do
Poder Público e que, se este não tomasse nenhuma atitude, poderia resultar em
desaparelhamento transitório do corpo docente. Logo, para tais situações está
demonstrada a emergencialidade.
A alínea "f" previa que poderia haver a contratação temporária para suprir "outros
afastamentos que repercutam em carência de natureza temporária". O STF
entendeu que esta situação é extremamente genérica, de forma que não cumpre o
art. 37, IX, da CF/88.
O parágrafo único do art. 3º autoriza a contratação temporária para que a
Administração Pública pudesse implementar "projetos educacionais, com vista à
erradicação do analfabetismo, correção do fluxo escolar e qualificação da população
cearense". O STF entendeu que esta previsão também é inconstitucional porque
estes são objetivos corriqueiros (normais, ordinários) da política educacional.
Desse modo, esse tipo de ação não pode ser implementado por meio de contratos
episódicos (temporários), já que não constitui contingência especial a ser atendida.
STF. Plenário. ADI 3721/CE, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 9/6/16 (Info 829).

26.4. Competência da Justiça Comum (Info 807) - IMPORTANTE!!!

A justiça comum é competente para processar e julgar causas em que se discuta a


validade de vínculo jurídico-administrativo entre o poder público e servidores
temporários.
Dito de outra forma: a Justiça competente para julgar litígios envolvendo
servidores temporários (art. 37, IX, da CF/88) e a Administração Pública é a
JUSTIÇA COMUM (estadual ou federal).
A competência NÃO é da Justiça do Trabalho, ainda que o autor da ação alegue que
houve desvirtuamento do vínculo e mesmo que ele formule os seus pedidos
baseados na CLT ou na lei do FGTS.
STF. Plenário. Rcl 4351 MC-AgR/PE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão
Min. Dias Toffoli, julgado em 11/11/2015 (Info 807).

26.5. CONTRATO DE TRABALHO TEMPORÁRIO DECLARADO NULO E


INAPLICABILIDADE DO ART. 19-A DA LEI 8.036/90

O art. 19-A da Lei nº 8.036/90 deve ser aplicado também nas hipóteses em que a pessoa
foi contratada temporariamente, nos termos do art. 37, IX da CF/88?
A 1ª Turma do STF decidiu que SIM. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço -
FGTS é devido aos servidores temporários, nas hipóteses em há declaração de
nulidade do contrato firmado com a Administração Pública, consoante decidido
pelo Plenário do STF, na análise do RE 705.140-RG, Rel. Min. Teori Zavascki (STF. 1ª
Turma. ARE 839606 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11/11/2014).
É importante, no entanto, ressaltar que o STJ possui precedente mais antigo em
sentido contrário: STJ. 1ª Turma. AgRg nos EDcl no AREsp 45.467-MG, Rel. Min.
Arnaldo Esteves Lima, julgado em 5/3/2013 (Info 518).
27. TRIBUNAL DE CONTAS
27.1. Fiscalização do TC sobre pessoas jurídicas de direito privado que recebem
recursos públicos – (Info 768)

Os Tribunais de Contas possuem competência para fiscalizar pessoas jurídicas de


direito privado que recebam recursos públicos. Ex: associações. Todo aquele que
administra recursos e bens públicos está sujeito à fiscalização perante o Tribunal
de Contas, independentemente de ser pessoa jurídica de direito público ou
privado. Essa competência sempre esteve prevista de forma implícita no inciso II
do art. 71 da CF/88. Em 1998, o parágrafo único do art. 70 foi alterado pela EC 18
para deixar isso ainda mais explícito.
O simples fato de a associação que recebeu recursos públicos estar sendo
processada por improbidade administrativa não impede que ela seja condenada
pelo Tribunal de Contas a ressarcir o erário se constatada alguma irregularidade.
Isso porque as instâncias administrativa (TCU) e judicial (improbidade) são
independentes (arts. 12 e 21, II, da Lei 8.429/92).
STF. 1ª Turma. MS 26969/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/11/2014 (Info 768).

27.2. Desnecessidade de intimação pessoal do julgamento pelo TCU – (Info 754)

Nos processos que tramitam no TCU não é necessária a intimação pessoal da data
em que será realizada a sessão de julgamento, bastando que essa informação seja
publicada em veículo de comunicação oficial (imprensa oficial).
STF. 2ª Turma. MS 28644/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
12/8/2014 (Info 752).

28. INTERVENÇÃO ESTATAL NA PROPRIEDADE PRIVADA


28.1. Tombamento
28.1.1. Ato do Poder Legislativo que efetiva o tombamento e que pretenda alterar as
condições de tombamento regularmente instituído pelo Poder Executivo

O Supremo Tribunal Federal - STF - no julgamento da ADI no 1.706-4, publicada


no "Diário da Justiça" de 12/9/2008, posicionou-se no sentido de que o tombamento
é constituído mediante ato do Poder Executivo, que, observada a legislação
pertinente, estabelece o alcance da limitação ao direito de propriedade. Dessa
forma, ato do Poder Legislativo que efetive o tombamento e, de igual modo, aquele
que pretenda alterar as condições de tombamento regularmente instituído pelo
Poder Executivo são inconstitucionais, dada a sua incompatibilidade com o
princípio da harmonia entre os Poderes.
STF, ADI no 1.706-4, publicada no "Diário da Justiça" de 12/9/2008.

(TJPI – 2015 – FCC): O tombamento é constituído mediante ato do Poder Executivo que,
observada a legislação pertinente, estabelece o alcance da limitação ao direito de
propriedade, ato emanado do Poder Legislativo não podendo alterar essas restrições. De
acordo com o ordenamento jurídico brasileiro vigente, tal como compreendido
pelo Supremo Tribunal Federal, a afirmação está correta, eis que o ato do Poder
Legislativo, alterando tombamento concretamente fixado por ato do Poder
Executivo, seria incompatível com o princípio da harmonia entre os Poderes. BL:
ADI 1706-4 do STF.

29. AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA


29.1. Inconstitucionalidade de lei que preveja plantão criminal para escritório de
prática jurídica da Universidade estadual – (Info 840)

É inconstitucional lei estadual que preveja que o escritório de prática jurídica da


Universidade Estadual deverá manter plantão criminal nos finais de semana e
feriados para atender pessoas hipossuficientes que sejam presas em flagrante.
Esta lei viola a autonomia administrativa, financeira, didática e científica
assegurada às universidades no art. 207 da CF/88 (inconstitucionalidade material).
Além disso, contém vício de iniciativa (inconstitucionalidade formal), na medida
em que foi usurpada a iniciativa privativa do Governador.
STF. Plenário. ADI 3792/RN, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 22/09/2016 (Info 840).

30. BENS PÚBLICOS


30.1. Não se pode caracterizar as terras ocupadas pelos indígenas como devolutas –
(Info 873)

As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União (art. 20, XI, da
CF/88) e, portanto, não podem ser consideradas como terras devolutas de domínio
do Estado-membro.
STF. Plenário. ACO 362/MT e ACO 366/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 16/8/17
(Info 873).
OBS:
Desapropriação indireta: A desapropriação indireta ocorre quando o Estado (Poder
Público) se apropria de um bem sem observar as formalidades previstas em lei para a
desapropriação, dentre as quais a declaração indicativa de seu interesse e a
indenização prévia. Trata-se de um verdadeiro esbulho possessório praticado pelo
Poder Público. A desapropriação indireta é também chamada de apossamento
administrativo.

O que a pessoa faz no caso de desapropriação indireta?


 Se o bem expropriado ainda não está sendo utilizado em nenhuma
finalidade pública: pode ser proposta uma ação possessória visando a manter
ou retomar a posse do bem.
 Se o bem expropriado já está afetado a uma finalidade pública: considera-se
que houve fato consumado e somente restará ao proprietário ajuizar uma
“ação de desapropriação indireta” a fim de ser indenizado. Nesse sentido é o
art. 35 do Decreto-Lei 3.365/41.

Terras devolutas: Terras devolutas são aquelas que não tem nenhuma utilização
pública específica e que não se encontram, por qualquer título, integradas ao domínio
privado. As terras devolutas pertencem, em regra, aos Estados-membros, com exceção
daquelas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções
militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, que são de
propriedade da União (art. 20, II).

Feitos estes esclarecimentos, imagine a seguinte situação: O Estado de Mato Grosso


ajuizou contra a União e a Funai ação ordinária de indenização por desapropriação
indireta, sob a alegação de que as rés teriam incluído, dentro do perímetro de áreas
indígenas, terras devolutas que pertenceriam ao Estado autor. Em outras palavras,
Mato Grosso alegou que a União, no momento de fazer a demarcação de terras
indígenas, utilizou parte de terras devolutas que pertenceriam ao Estado, razão pela
qual ele deveria ser indenizado por isso.

O pedido foi aceitou pelo STF? NÃO. O STF julgou improcedente a ação.

Os laudos antropológicos juntados aos autos deixaram claro que as áreas em questão
eram habitadas historicamente por indígenas. Diante disso, o STF reconheceu que a
titularidade das terras não é do Estado do Mato Grosso, sendo indevida, portanto, a
indenização pleiteada.
Vale ressaltar que, desde a Constituição de 1934 é reconhecida a proteção da posse
dos indígenas das terras que tradicionalmente ocupam. Assim, desde a Carta de
1934, não se pode caracterizar as terras ocupadas pelos indígenas como devolutas.

30.2. Continuam pertencendo à União os terrenos de marinha situados em ilha


costeira que seja sede de Município – (Info 862) – IMPORTANTE!!!

A EC 46/05 não interferiu na propriedade da União, nos moldes do art. 20, VII, da
Constituição Federal, sobre os terrenos de marinha e seus acrescidos situados em
ilhas costeiras sede de Municípios.
STF. Plenário. RE 636199/ES, Rel. Min. Rosa Weber, j. 27/4/17 (repercussão geral)
(Info 862).

31. REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA


31.1. ADI proposta contra a Lei nº 11.952/2009 – (Info 882)

A Lei 11.952/2009 trata sobre a regularização fundiária das ocupações incidentes em


terras situadas em áreas da União, no âmbito da Amazônia Legal.
O STF deu intepretação conforme ao art. 4º, § 2º da Lei para dizer que é
inconstitucional qualquer interpretação que permita a regularização fundiária das
terras ocupadas por quilombolas e outras comunidades tradicionais da Amazônia
Legal em nome de terceiros ou de forma a descaracterizar o modo de apropriação
da terra por esses grupos. Em outras palavras, os quilombolas e outras
comunidades tradicionais não podem perder suas terras em caso de regularização
fundiária.
O STF também deu intepretação conforme ao art. 13 da Lei para afastar quaisquer
interpretações que concluam pela desnecessidade de fiscalização dos imóveis
rurais até quatro módulos fiscais, devendo o ente federal utilizar-se de todos os
meios referidos em suas informações para assegurar a devida proteção ambiental e
a concretização dos propósitos da norma para, somente então, ser possível a
dispensa da vistoria prévia, como condição para a inclusão da propriedade no
programa de regularização fundiária de imóveis rurais de domínio público na
Amazônia Legal. Em outras palavras, a União deve utilizar-se de todos os meios
para assegurar a devida proteção ambiental e a concretização dos propósitos da
norma, para somente então ser possível a dispensa da vistoria prévia como
condição para inclusão da propriedade no programa de regularização fundiária de
imóveis rurais de domínio público na Amazônia Legal.
STF. Plenário. ADI 4269/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 18/10/2017 (Info 882).
OBS:
Art. 4º (...)
§ 2º As terras ocupadas por comunidades quilombolas ou
tradicionais que façam uso coletivo da área serão
regularizadas de acordo com as normas específicas,
aplicando-se-lhes, no que couber, os dispositivos desta Lei.

Art. 13. Os requisitos para a regularização fundiária dos


imóveis de até 4 (quatro) módulos fiscais serão averiguados
por meio de declaração do ocupante, sujeita a
responsabilização nas esferas penal, administrativa e civil,
dispensada a vistoria prévia.

32. CONSELHOS PROFISSIONAIS


32.1. Conselhos profissionais não estão sujeitos ao regime de precatórios – (Info 861)
– IMPORTANTE!!!

Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de


Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN, CRO) não se submetem ao regime de
precatórios.
STF. Plenário. RE 938837/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco
Aurélio, j. 19/4/17 (repercussão geral) (Info 861).

32.2. Constitucionalidade da Lei 12.514/2011 – (Info 842)

A Lei 12.514/11, que trata sobre as contribuições (anuidades) devidas aos Conselhos
Profissionais, é constitucional.
Sob o ponto de vista formal, esta Lei, apesar de ser fruto de uma MP que
originalmente dispunha sobre outro assunto, não pode ser declarada
inconstitucional porque foi editada antes de o STF declarar ilegítima a prática do
“contrabando legislativo” (ADI 5127/DF).
Ainda quanto ao aspecto formal, esta Lei não trata sobre normas gerais de Direito
Tributário, motivo pelo qual não precisava ser veiculada por lei complementar.
Sob o ponto de vista material, a Lei respeitou os princípios da capacidade
contributiva, da vedação ao confisco e da legalidade.
STF. Plenário. ADI 4697/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 06/10/16 (Info 842).
OBS:
Qual é a natureza jurídica dos Conselhos Profissionais (exs.: CREA, CRM, COREN,
CRO etc.)? Os Conselhos Profissionais possuem natureza jurídica de autarquias
federais. Exceção: a OAB que, segundo a concepção majoritária, é um serviço público
independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no
direito brasileiro.
Anuidades: Os Conselhos podem cobrar um valor todos os anos dos profissionais que
integram a sua categoria. A isso se dá o nome de anuidade (art. 4º, II, da Lei 12.514/11).
Veja o que diz também a Lei nº 11.000/2004:
Art. 2º Os Conselhos de fiscalização de profissões
regulamentadas são autorizados a fixar, cobrar e executar as
contribuições anuais, devidas por pessoas físicas ou jurídicas,
bem como as multas e os preços de serviços, relacionados com
suas atribuições legais, que constituirão receitas próprias de
cada Conselho.

Exercem atividade tipicamente pública: Esses Conselhos são criados por lei e possuem
personalidade jurídica de direito público, exercendo uma atividade tipicamente
pública, qual seja, a fiscalização do exercício profissional. Os Conselhos são dotados
de poder de polícia e poder arrecadador. STF. 1ª Turma. MS 28469, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 09/06/2015.

Qual é a natureza jurídica dessas anuidades? Tais contribuições são consideradas


tributo, sendo classificadas como “contribuições profissionais ou corporativas”,
estando prevista no art. 149 da CF/88:
Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir
contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e
de interesse das categorias profissionais ou econômicas,
como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas,
observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem
prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às
contribuições a que alude o dispositivo.

Fato gerador: O fato gerador das anuidades é a existência de inscrição no conselho,


ainda que por tempo limitado, ao longo do exercício (art. 5º da Lei nº 12.514/2011).

Execução fiscal: Como a anuidade é um tributo e os Conselhos profissionais são


autarquias, em caso de inadimplemento, o valor devido é cobrado por meio de uma
execução fiscal.

Competência: A execução fiscal, nesse caso, é de competência da Justiça Federal, tendo


em vista que os Conselhos são autarquias federais (Súmula 66 do STJ).

32.3. Os Conselhos de Fiscalização Profissional estão isentos de custas processuais?


– (Sem Info) – (TRF4-2014)

Os Conselhos Profissionais, apesar de sua natureza autárquica, não estão isentos


do pagamento de custas judiciais, conforme previsão expressa do art. 4º, parágrafo
único, da Lei nº 9.289/96.
Assim, o benefício da isenção do preparo conferido aos entes públicos previstos no
art. 4º, caput, da Lei 9.289/1996 é inaplicável aos Conselhos de Fiscalização
Profissional.
STF. 1ª Turma. RMS 33572 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 09/08/2016.
STJ. 1ª Seção. REsp 1338247/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 10/10/2012
(recurso repetitivo)
(TRF4-2014): O benefício da isenção do preparo, conferido aos entes públicos
previstos no art. 4º, caput, da Lei nº 9.289/96, é inaplicável aos conselhos de
fiscalização profissional. BL: STF, RMS 33572 AgR e STJ, Resp 1338247/RS.

32.4. Os Conselhos Profissionais, para contratarem "funcionários", precisam fazer


concurso público? – (Sem Info) – (MPGO-2016) (PGMSP-2014)

Como os Conselhos Profissionais são autarquias exercendo uma atividade


tipicamente pública (fiscalização do exercício profissional), precisam respeitar a
regra do art. 37, II, da CF/88, que exige concurso público para a contratação de
servidores.
Assim, quando os Conselhos de Fiscalização Profissional vão fazer a contratação
de seu pessoal é imprescindível a realização de concurso público.
STF. 1ª Turma. MS 28469, Rel. Min. Luiz Fux, j. 09/06/15.
STF. 2ª Turma. RE 758168 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 24/06/14.

Exceção: OAB. O STF decidiu que a OAB, quando vai contratar seus empregados,
não precisa realizar concurso público (STF ADI 3026).
(MPGO-2016): Os Conselhos de fiscalização profissional, por possuírem natureza
jurídica de autarquia corporativa, devem se submeter aos princípios
constitucionais concernentes à Administração Pública, inclusive o da exigência de
realização de concurso público para contratação de pessoal. BL: STF, MS 28469 e
RE 758168 AgR.

32.5. Para o exercício de toda e qualquer profissão, é necessário que a pessoa se


inscreva no respectivo Conselho Profissional (ex: o músico é obrigado a se inscrever
na Ordem dos Músicos do Brasil)? – (Sem Info) – (MPDFT-2013)

Nem todos os ofícios ou profissões podem ser condicionados ao cumprimento de


condições legais para o seu exercício.
Na verdade, a regra é a liberdade. Assim, apenas quando houver potencial lesivo
na atividade é que pode ser exigida inscrição em conselho de fiscalização
profissional (exs: advogado, médico etc.).
A atividade de músico prescinde de controle. Constitui, ademais, manifestação
artística protegida pela garantia da liberdade de expressão. Logo, para que o músico
exerça sua profissão não é indispensável a sua prévia inscrição na Ordem dos
Músicos do Brasil.
STF. Plenário. RE 414426, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 01/08/2011.

(MPDFT-2013): Apenas quando houver potencial lesivo na atividade é que pode


ser exigida inscrição em conselho de fiscalização profissional. BL: STF, RE 414426.
33. FUNDEF
33.1. União deverá indenizar Estados prejudicados com o cálculo incorreto do
VMNA – (Info 876)

O valor da complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento


do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) deve ser calculado
com base no valor mínimo nacional por aluno extraído da média nacional.
A complementação ao Fundef realizada a partir do valor mínimo anual por aluno
fixada em desacordo com a média nacional impõe à União o dever de
suplementação de recursos, mantida a vinculação constitucional a ações de
desenvolvimento e manutenção do ensino. Em outras palavras, os Estados
prejudicados com o cálculo incorreto do valor mínimo nacional por aluno deverão
ser indenizados por conta do montante pago a menor a título de complementação
pela União no período de vigência do FUNDEF, isto é, nos exercícios financeiros
de 1998 a 2007.
Essa indenização abrange apenas os danos materiais, não sendo devidos danos
morais coletivos por conta desse repasse a menor.
STF. Plenário. ACO 648/BA, ACO 660/AM, ACO 669/SE e ACO 700/RN, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, j. 6/9/2017 (Info 876).

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