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AÇÃO DE USUCAPIÃO

Prof. Ms. Karol Araújo Durço


karoldurco@gmail.com

 A Ação de Usucapião de Terras Particulares está prevista no Código


de Processo Civil (CPC), no Livro IV – Dos Procedimentos Especiais, Título
I – Dos Procedimentos Especiais de Jurisdição Contenciosa, disciplinada
nos artigos 941 a 945.
 Por conseguinte, é uma ação de conhecimento, de jurisdição
contenciosa, classificada como procedimento especial, com
particularidades que a diferenciam do procedimento ordinário.
 O procedimento previsto no CPC abrange a usucapião de terras
particulares e a servidão predial.

 A propriedade dos bens imóveis pode ser adquirida através da


transcrição do título de sua transferência no registro de imóveis, da
acessão, do usucapião e do direito hereditário. É o que prescreve o Código
Civil, nos artigos 1238 ao 1248 e 1784.
 O usucapião é uma das espécies de aquisição da propriedade,
fundamentada na posse e na passagem do tempo. O código civilista prevê o
instituto da usucapião, como modo de aquisição da propriedade, nos artigos
1.238 e seguintes.
 Portanto, o usucapião é modo originário de aquisição do domínio,
através da posse mansa e pacífica, por determinado espaço de tempo,
fixado na lei.

 O usucapião pode requerer vários requisitos para a sua ocorrência. Primeiramente, é


necessário que o bem possuído possa ser objeto de aquisição por seu intermédio ( res habilis), o que
não sucede, por exemplo, com os bens públicos de uso comum, de uso especial e os dominiais e as
coisas fora do comércio. Em regra, também não se submetem à usucapião as terras devolutas, que são
as terras pertencentes ao domínio de qualquer das entidades estatais e que não se acham utilizadas
pelo Poder Público, nem destinadas a fins administrativos específicos. Exceção à regra, o usucapião
especial admite a aquisição da propriedade pela posse de terras devolutas.
 Pode ser exigido do possuidor o justo título (titulus). É, na definição do professor MARCATO:
“Aquele que seria hábil à transferência do domínio, não fosse o fato de emanar de quem não é o
proprietário do bem, ou, ainda, de padecer de vício ou defeito que lhe retire a idoneidade para tanto”.
Também são requisitos para a aquisição pela usucapião a posse mansa e pacífica (possessio) e estar o
possuidor munido de boa-fé (fides).
 Posse mansa e pacífica é a que vem sendo exercida no tempo pelo possuidor, sem qualquer
oposição por parte do proprietário do bem ou de terceiro. Deve ainda ser justa a posse, pois a violência
e a clandestinidade, enquanto perdurem, impedem a ocorrência do usucapião, ao passo que a
precariedade a impossibilita permanentemente. Há de se ressaltar que a posse deve ser exercida com
animus domini, ou seja, como se dono fosse. Animus domini é a intenção do dono de ter como sua a
coisa possuída, de ser realmente o titular do direito sobre a coisa.

 a) Usucapião constitucional especial: O usucapião constitucional especial está


prevista nos artigos 182 e 183 da Constituição Federal (CF) (usucapião constitucional especial
urbana ou pro misero) e no artigo 191 (usucapião constitucional especial rural ou usucapião
pro labore rural). Divide-se o usucapião constitucional especial urbana ou pro misero em pro
misero e pro labore.
 Usucapião pro misero individual: O usucapião urbana pro misero tem também
previsão no Estatuto da Cidade, é individual e tem como requisitos o tempo (cinco anos), a
área (menor ou igual a duzentos e cinqüenta metros quadrados), o uso para moradia, a
possibilidade de individualizar, a successio pessessionis, o não ser o possuidor proprietário de
outro imóvel e ser exercida (a usucapião, pelo mesmo agente) apenas uma única vez.
Também está previsto no artigo 1.240 do Código Civil (CC).
 Usucapião pro misero coletiva: É outra espécie de usucapião constitucional, previsto
no Estatuto da Cidade. Tem como requisitos o tempo (cinco anos), a dimensão da área urbana
(superior a duzentos e cinqüenta metros quadrados), o uso para moradia, a impossibilidade de
ser individualizada, a successio possessiones e a accessio possessionis. Assim como o
usucapião pro misero individual, não pode ser exercida além de uma única vez e o possuidor
não pode ter outra propriedade.

 b) Usucapião constitucional especial rural: É a modalidade


instituída no artigo 191 da Carta Federal e no Estatuto da Terra. Para a
aquisição, devem ser preenchidos os requisitos do tempo (cinco anos), área
usucapida de até cinqüenta hectares, utilizada para moradia e trabalho, não
ser proprietário o usucapiente de outra propriedade e ser o instituto utilizável
apenas uma vez, pela mesma pessoa.
 c) Usucapião extraordinária É a modalidade prevista no artigo 1.238
do Código civilista. Tem por requisitos apenas o tempo da posse (quinze
anos), independentemente de justo título e boa-fé. O tempo para aquisição
por esta modalidade será reduzido para dez anos se o possuidor houver
estabelecido no imóvel a sua moradia habitual ou realizado obras ou
serviços de caráter produtivo.

 d) Usucapião ordinária: Modalidade estabelecida no artigo


1.242 do CC, tem por requisitos o justo título e a boa-fé, além da
posse pelo período de dez anos. Em sendo o imóvel utilizado
para moradia do usucapiente ou prestar-se a obras ou serviços de
caráter produtivo, o tempo para a aquisição será reduzido para
cinco anos.
 A legitimidade ativa para a propositura da ação
pertence ao possuidor do imóvel (não necessariamente o
atual).
 Segundo GRECO FILHO (2008: 248), “o objeto da
ação é a declaração da propriedade de terras particulares”.
 Admite-se que o objetivo da ação seja a declaração,
mas não o seu objeto. O objeto da ação de usucapião é o
bem imóvel usucapido ou utilizado em servidão. O que visa
(pretende)o autor, ao propor a ação, é a declaração judicial.

 A ação de usucapião será proposta no foro onde está


situado o imóvel.
 Se existir juízo especializado na Comarca, perante ele será
processada (Vara de Registros Públicos). Caso a União ingresse
justificadamente no feito, a competência para processá-lo e julgá-
lo será da Justiça Federal. Nas Comarcas que possuam varas
especializadas da Fazenda, municipal ou estadual, cabe a elas o
processamento e julgamento da ação de usucapião, sempre que
ingressem no feito, justificadamente, a Fazenda Municipal ou a
Estadual.

 Como produz efeitos erga omnes, toda a coletividade, a princípio, tem capacidade de
figurar no pólo passivo, desde que demonstre interesse, justificadamente. São litisconsortes
passivos necessários os réus certos: o proprietário, registrado na matrícula do imóvel, e os
confrontantes. Os réus incertos e eventuais interessados serão citados por edital.
 Se réu certo não for localizado – estiver em lugar incerto -, restará incluído no rol dos
réus incertos, citados por edital. Vale dizer que, uma vez que a sentença final produz efeitos
erga omnes, qualquer interessado que demonstre interesse jurídico poderá ingressar no pólo
passivo.
 A revelia dos réus e não a dos interessados desencadeia a nomeação do curador
especial do art. 9º, inciso II, do Código de Processo Civil (COSTA MACHADO, 2008: 1313).
Cabe aqui um parênteses: o autor refere-se, naturalmente, à revelia dos réus certos –
o proprietário indicado no registro do imóvel e os confrontantes.
 Por último, cientificadas as Fazendas, se qualquer delas demonstrar interesse na
causa, manifestar-se-á por contestação nos autos, passando a integrar o pólo passivo da
ação.

 A petição inicial deverá obedecer aos requisitos do artigo 282


(genéricos) e os do artigo 942 (específicos) do CPC. Além de descrever
pormenorizadamente o imóvel objeto da ação, será o pedido instruído com
a planta detalhada deste, elaborada por profissional habilitado segundo as
técnicas da topografia (COSTA MACHADO, 2008: 1312), e requererá a
designação de audiência de justificação da posse e a citação pessoal
daquele em cujo nome estiver registrado o imóvel usucapiendo, dos
confinantes (laterais e fundos) e a citação por edital dos terceiros
interessados ausentes, incertos e desconhecidos.
 Deverá ser a petição inicial também instruída com a certidão positiva
ou negativa do registro de imóveis, para a identidade do proprietário do bem
ali registrado e com certidões negativas da existência de ação possessória
que vise o bem objeto da ação.

 A intervenção do Ministério Público como fiscal da lei nos processos de


usucapião se justifica por três motivos: primeiro, sob o ponto de vista material, o
usucapião é forma originário e excepcional de aquisição da propriedade, de sorte
que existe indisponibilidade em certo grau nos litígios que versem sobre tal
matéria, o que impede, por exemplo, que os efeitos da revelia sejam produzidos;
segundo, afirma-se em doutrina que há um interesse de toda a sociedade de que
não se adquiram por usucapião terras de quem não tenha tido conhecimento da
ação e que, assim, não haja podido defender-se (Pontes de Miranda – como se
vê, o jurista vincula a intervenção à exigência do procedimento-edital); e, em
terceiro, a consumação do prazo de usucapião provoca uma crise de veracidade
ou de segurança no sistema de registro, porque esse passa a não traduzir mais a
verdadeira situação jurídica do imóvel, pela alteração informal da titularidade do
domínio.

 O direito é adquirido pela posse e o transcurso do tempo, preenchidos os


requisitos de admissibilidade. Dessa forma, a sentença tem natureza
eminentemente declaratória, posto que tal sentença não constitui o domínio, mas
apenas o declara em favor do autor.
 A aquisição da propriedade por usucapião é de natureza originária e pode
ser alegada em defesa de ação possessória ou de reivindicatória, por exemplo.
Dessa forma, pode o juiz reconhecer o direito à usucapião, ainda que não
postulado em juízo, mas alegado em defesa do direito. Porém, para a obtenção do
título é preciso que seja utilizado o procedimento formal especial.