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I – PARTE 1: DAS IDEIAS, SUA ORIGEM, COMPOSIÇÃO,

CONEXÃO, ABSTRAÇÃO, ETC

Diferentemente de Déscartes que, em suas Meditações Metafísicas questiona


a existência do mundo exterior, Hume não é cético quanto à existência desse
mundo e nem está preocupado com a distinção entre o mundo externo e o
interno. O que interessa ao filósofo é investigar os fundamentos e modos que
permitem conhecer o mundo externo. Por isso, o filósofo já inicia o Tratado da
Natureza Humana, lançando os fundamentos conceituais que nortearão a
"filosofia da experiência" desenvolvida no restante de sua obra.

Segundo o filósofo, todo o conteúdo da mente humana é formado por


percepções. Estas se distinguem entre impressões e ideias. Para justificar essa
distinção, Hume apresenta duas diferenças: a primeira diz respeito à força ou à
vivacidade com que as impressões se apresentam à mente. As impressões são
as percepções originárias e, portanto, são mais vivas e fortes que as ideias.
Como exemplos de impressões, Hume cita as sensações, as paixões e as
emoções. Fica claro, portanto, que o filósofo considera que ter impressões é o
mesmo que sentir. As impressões podem ser impressões de sensação, que
nascem na alma originariamente, de causas desconhecidas; e impressões de
reflexão, que derivam em grande parte das ideias. Já as ideias são imagens
fracas das impressões no pensamento. Assim, ter ideias significa pensar.

A segunda diferença diz respeito ao critério de "prioridade": uma vez que as


impressões precedem as ideias, Hume nega a possibilidade de existência de
"ideias inatas". Para o filósofo, sequer é possível imaginar algo que nunca
tenha sido apreendido pelos sentidos anteriormente: todos os pensamentos, e
mesmo a imaginação, se utiliza dos dados sensíveis.1

Tanto as impressões quanto as ideias podem ser simples ou complexas. As


impressões simples não admitem divisão em partes e são nos dadas

1Conf. REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia: de Spinoza a Kant. 2005,
pp. 133 – 136.
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imediatamente como tais (por exemplo, uma cor: vermelho). As impressões


complexas são compostas por múltiplas combinações feitas pelo intelecto
humano, por meio da faculdade da imaginação (por exemplo, uma fruta: maçã.
A percepção desta envolve diversos aspectos como cor, cheiro, tamanho,
gosto, etc.).

A imaginação pode separar e unir ideias simples, a partir de princípios


universais, entre eles a qualidade associativa, "pela qual uma idéia
naturalmente introduz outra" (HUME, 2009, p. 35). Essa associação é
naturalmente feita pelo hábito2 a partir de três modos de associação de ideias:
semelhança, contigüidade no tempo ou espaço, e causa e efeito.

A imaginação passa facilmente de uma idéia a qualquer outra que


seja semelhante a ela (...) É também evidente que, como os sentidos,
ao passarem de um objeto a outro, precisam fazê-lo de modo regular,
tomando-os em sua contigüidade uns em relação aos outros, a
imaginação adquire, por um longo costume, o mesmo método de
pensamento, e percorre as partes do espaço e do tempo ao conceber
seus objetos. (HUME, 2009, p. 35)

Como consequência da afirmação acima, conclui-se que é necessário


desconstruir o todo o sistema de relações causa-efeito a que estamos
acostumados, uma vez que a experiência não o sustenta. Pela experiência
observamos fatos sequenciais, contudo não significa que haja uma implicação
necessária (causalidade) entre eles. Essa suposta causalidade não é uma
característica do mundo natural, mas “resulta apenas da regularidade ou
repetição em nossa experiência de uma conjunção constante entre fenômenos
que, por força do hábito, acabamos por projetar na realidade, tratando-a como
se fosse algo existente” (MARCONDES, 2010, p. 188).

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Algumas ponderações importantes sobre o princípio do hábito em Hume são feitas por
REALE; ANTISERI (2005, p. 137): O princípio do hábito é para Hume um dos fenômenos mais
extraordinários da mente humana, e ele o evoca eficazmente sobretudo em sua famosa crítica
à relação entre causa e efeito: o hábito é, com efeito, o princípio com base no qual, da simples
constatação da contigüidade e sucessão entre dois fenômenos, se infere também a
necessidade da conexão entre os dois fenômenos, considerando-os um como "causa" e o outro
como "efeito"; uma vez formado, o hábito gera em nós uma crença, que justamente nos dá a
impressão de implicação com a conexão necessária entre uma "causa" e um "efeito".
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Assim, partindo do raciocínio de que "para provar a validade de cada idéia


sobre a qual se discute é necessário apresentar sua relativa impressão"
(REALE; ANTISERI. 2005, p. 136) Hume, numa clara referência à metafísica
aristotélica, critica a validade da ideia de substância ao tratar de objetos
materiais e pessoas. Para Hume, a ideia de substância não se deriva de
nenhuma impressão, seja impressão de sensação, seja de reflexão. Por isso, o
autor considera que

Tudo que percebemos é uma coleção de qualidades,


persistentemente associadas umas às outras. Se a substância for
definida como aquilo que é capaz de existência independente, então
as únicas substâncias são as impressões e idéias. (QUINTON, 1999,
p. 18)