Вы находитесь на странице: 1из 3

II – PARTE 3: DO CONHECIMENTO E DA PROBABILIDADE

Na terceira parte da seção 1, Hume enumera sete tipos de relações filosóficas1,


e as divide em dois grupos: semelhança, proporção em quantidade ou número,
graus em qualquer qualidade e contrariedade são relações que “dependem
unicamente das idéias que comparamos”. Já as relações de identidade,
relações de tempo e lugar, e causalidade são aquelas que “podem ser
mudadas sem nenhuma mudança nas idéias”. Dessas relações apenas as do
primeiro tipo “podem ser objeto de conhecimento e certeza”, constituindo o
“fundamento da ciência”. Das quatro relações do primeiro grupo, três “podem
ser descobertas à primeira vista”, ou seja, intuitivamente: semelhança, graus
em qualquer qualidade e contrariedade (HUME, 2009, pp. 97-98).

Assim, as únicas disciplinas científicas são a aritmética e a álgebra; todas as


demais caem no domínio da probabilidade. Ainda assim, é um erro supor que
as idéias matemáticas sejam objeto de uma visão pura e intelectual. O mesmo
vale para as chamadas idéias abstratas. Todas as idéias têm origem empírica,
em impressões.

Sobre o estudo das outras três relações (identidade, relações de tempo e lugar,
e causalidade), Hume considera necessário inicialmente esclarecer a noção de
raciocínio: “Todos os tipos de raciocínio não passam de uma comparação, e de
uma descoberta das relações [...] que dois ou mais objetos guardam entre si”
(HUME, 2009, p. 101). Todavia, quando dois objetos estão presentes aos
sentidos, trata-se antes de percepção do que de raciocínio propriamente dito.
Desse modo, o filósofo não considera como raciocínio as relações de
identidade e relações de tempo e lugar, mas apenas a relação de causalidade,
pois apenas essa relação estabelece conexões entre os objetos. Portanto, de
todas as relações filosóficas, observa-se que apenas a causalidade fornece
informações sobre a conexão entre objetos, que são apreendidas pelos
sentidos.

1Na Parte 1, Seção 5, Hume introduz o tema das relações que é retomado na Parte 3, Seção
1.
6

A partir dessa consideração e, apoiado na afirmação de que todas as ideias


provêm de uma impressão, Hume se propõe a buscar de que impressão a ideia
de causalidade surgiu e conclui que ela nasce das relações de contigüidade e
sucessão entre os objetos.

Criticando o conceito de que a causa de algo é simplesmente aquilo que o


antecede, Hume afirma que deve haver uma conexão necessária para se
determinar a causa de algo. Sua investigação, a partir desse ponto, se
concentra em descobrir a impressão que originou a ideia de conexão
necessária.

Hume se opõe aos que defendem a necessidade da existência de uma causa e


justifica sua tese com diversos argumentos: i) ainda que todo efeito
pressuponha uma causa, isso não implica que todo ser tenha que ser
precedido por uma causa; ii) a ideia de causa não faz parte do conjunto de
relações que o filósofo considerou ser "objeto de conhecimento e certeza"; iii) a
ideia de causa não se baseia em uma impressão correspondente, ou seja, a
experiência não nos mostra que haja uma causa para as coisas.

Hume vai além e afirma que a conexão necessária não é experimentada, mas
sim inferida. Essa inferência é criada pelo hábito que temos de, constatando a
contigüidade e a sucessão de certos eventos, afirmar a existência de causas e
efeitos. Esse hábito, uma vez formado, gera em nós uma crença na existência
de uma conexão necessária e de relações de causa e efeito.

Portanto, segundo Hume, a chave para a solução do problema está


na "crença", que é um sentimento. Assim, de ontológico-racional, o
fundamento da causalidade torna-se emotivo-arracional, ou seja,
transfere-se da esfera do objetivo para a esfera do subjetivo (REALE;
ANTISERI. 2005, p. 139).

O ceticismo desenvolvido por Hume chega ao seu clímax quando, em outras


passagens do Tratado da Natureza Humana, nega que os objetos corpóreos
sejam substâncias. Para o filósofo, aquilo que nós captamos nada mais são do
que feixes de impressões e ideias, que se apresentam a nós tão
constantemente que imaginamos existir um princípio que constitui o
7

fundamento da coesão entre aquelas percepções. Contudo, esse princípio não


é uma impressão, mas apenas um modo de nosso de imaginar as coisas que
acreditamos existir fora de nós, pois, conforme já afirmado por Hume
anteriormente, tudo aquilo que não provém de uma impressão não tem
validade objetiva.