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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

CAPÍTULO 1: DECAIMENTO E MISTURA DE POLUENTES NO


MEIO AQUÁTICO
Este capítulo visa conceituar a questão do transporte de
poluentes no meio ambiente e em particular as aplicações
voltadas para o meio ambiente aquático

1 QUALIDADE DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS

A qualidade das águas superficiais está em constante mudança sob a ação das
atividades naturais e do homem. As variações atmosféricas e o uso do solo são
os principais agentes geradores dos constituintes que aportam aos meios
aquáticos, e de alguma forma promovem a alteração de sua qualidade. A
engenharia de forma geral e principalmente a engenharia Ambiental tem
dedicado esforços ao desenvolvimento de tecnologias para a gestão,
preservação, uso racional e conservação das águas, incluindo nestes o
desenvolvimento de ferramentas para a avaliação e previsão da qualidade das
águas, em todas as suas formas de ocorrência.
As águas superficiais são aquelas abertas a atmosfera, e que estão sujeitas às
forçantes naturais, tais como a precipitação, a radiação solar e ao aporte de
constituintes dos terrenos. Se contrapõem às águas subterrâneas e às águas
glaciares em termos de facilidade de uso, sendo por este motivo consideradas
como as mais importantes em termos econômicos e de preservação. Estas
águas incorporam constituintes em diferentes fases do ciclo hidrológico, seja
quando atravessam a camada de ar atmosférico durante as precipitações,
durante a interceptação vegetal, no escoamento superficial até os rios e lagos e
durante sua permanência nestes corpos hídricos.
Em diferentes momentos, aportes derivados da ação antrópica1, como esgotos
domésticos e industriais e também resíduos de origem difusa alteram os
principais indicadores da qualidade da água. O escoamento nos rios e canais,
a circulação nos lagos e reservatórios e a descarga nos estuários e oceanos
encarregam-se de criar um ambiente para que diversos processos possam
atuar, alterando a concentração dos chamados constituintes presentes na
água.
Atualmente, a gestão da qualidade das águas superficiais vai muito além do
problema da fonte pontual de poluentes (Chapra, 2008), que era o foco
principal nos anos 1980, para abarcar outros tipos de fontes de poluição, desde
os despejos aquecidos das usinas termelétricas até o aporte de constituintes
tóxicos como os resíduos da queima do PVC em áreas urbanas e os
disruptores endócrinos, presentes em áreas onde a criação animal é
significativa.

1
feitos, processos, objetos ou materiais antropogénicos são aqueles derivados de atividades
humanas, em oposição a aqueles que ocorrem em ambientes naturais sem influência
humana.Este termo é muitas vezes utilizado no contexto de externalidades ambientais na
forma de resíduos químicos ou biológicos que são produzidos como subprodutos de atividades
humanas.

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São utilizadas três ferramentas principais na gestão da qualidade das águas


superficiais, o monitoramento (1), a análise teórica(2) e a modelação
matemática(3). Embora cada ferramenta tenha suas vantagens, todas também
tem pontos desfavoráveis, fazendo que apenas o uso conjunto seja realmente
produtivo nos problemas de gestão ambiental.

2 CONSTITUINTES E QUALIDADE DA ÁGUA

As principais variáveis indicadoras da qualidade da água em um manancial


superficial incluem a temperatura, o oxigênio dissolvido, a salinidade, os
nutrientes (N e P), a matéria orgânica na forma de DBO, DQO ou COT, o
fitoplancton (algas) e os sólidos suspensos. Ainda que muitos outros
indicadores podem ser relevantes, estão são, em primeiro plano, o que se
considera como indicadores gerais de um corpo hídrico
De forma geral os constituintes presentes na água podem ser agrupados da
seguinte forma:
• Sólidos dissolvidos: compostos orgânicos e inorgânicos presentes na
coluna d’agua e na interface com o fundo.
• Sais (Não orgânicos): presentes nos corpos d’água em geral e
particularmente nos estuários, como os cloretos, iodetos e etc.
• Temperatura: forçante principal na maioria das reações químicas de
decaimento e crescimento, é função da radiação solar e despejo.
• Esgotos orgânicos: fontes de constituintes como o carbono, o nitrogênio
e o fósforo.
• Nutrientes: usualmente restrito ao N e P, representa a fonte de vida para
o fitoplancton.
• Metais: usualmente associados às atividades antrópicas, também pode
ser característico do ambiente natural
• Materiais radioativos: indicadores de atividades antrópicas prejudiciais a
saúde humana.
• Herbicidas: nome genérico dado aos tóxicos utilizados na agricultura
(agroquímicos) tais como os defensivos agrícolas, pesticidas vegetais e
animais e demais insumos.
• Flora: representa a vida vegetal, notadamente o fitoplancton.
• Fauna: representa a vida animal, notadamente o zooplancto,
invertebrados e peixes.

A poluição da água resulta da introdução de constituintes na mesma (matéria


ou energia) de modo a torná-la prejudicial ou impeditiva de um determinado
uso, para o homem e outras formas de vida, ou impróprias para uma
determinada meta estabelecida para este bem. Deve ser observado que
poluição é um conceito diferente de contaminação, geralmente associado a

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alguma propriedade presente na água e que é particularmente nociva ao


consumo humano.
A qualidade da água é afetada por • Fontes Pontuais: valores
diversos fatores, com conseqüências característicos associados aos
facilmente detectáveis. As principais processos de tratamento e tipo
conseqüências do aporte de de ocupação/atividade.
constituintes que deteriora a qualidade
de um corpo hídrico superficial são • Fontes Difusas: valores
variáveis no tempo, associados
• Elevação da temperatura. ao regime hidrológico, uso do
• Aumento da concentração de solo, atividade econômica.
sólidos dissolvidos totais
resultando em alteração na cor e transparência.
• Presença de matéria orgânica, causando alteração no odor e no sabor.
• Presença de micro-organismos patogênicos.
• Presença de nutrientes, principalmente fósforo.
• Alterações de PH
• Presença de compostos tóxicos
• Presença de corantes
• Presença de espuma, resultado das substâncias tensoativas
(surfactantes)
• Radioatividade

A elevação da temperatura provoca, entre outros efeitos, a aceleração das


reações químicas de oxidação, além de atuar no metabolismo do fitoplancton e
do zooploancton. A concentração de sólidos altera a transparência e em
conseqüência a propagação da luz e da temperatura, afetando o
comportamento térmico do corpo hídrico. A matéria orgânica é um indicativo do
aporte de esgotos, que resulta, além da queda do oxigênio dissolvido essencial
à fauna aquática, no aumento das concentrações de fósforo e nitrogênio,
nutrientes para a flora aquática.
Os tóxicos e a radioatividade são indicativos das ações antrópicas
descontroladas sobre o uso do solo, assim como os corantes e espumas
indicam a existência de atividades especificas como a agricultura e o manuseio
de substancias com potencial nuclear.

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Figura 2-1: Proliferação de algas e espumas na superfície de corpos hídricos são indicadores de poluição
As características de uso e ocupação do solo da bacia hidrográfica contribuinte
bem como o uso pretendido para o manancial são aspectos mais importantes a
serem considerados na escolha das variáveis a serem consideradas para o
monitoramento e controle da qualidade da água. A relevância e a significância
dos resultados obtidos através do monitoramento de qualidade apenas poderão
ser analisados levando em consideração o monitoramento hidrológico de
quantidade.
A tabela a seguir indica o significado das principais variáveis utilizadas no
monitoramento de qualidade das águas, e que são utilizadas na gestão de
mananciais e recursos hídricos de forma geral.
Tabela 2-1: Variaveis de Qualidade da Água (Porto ET all, 2009)
Unidade de
Variável Significado Observações
medida
Podem atribuir cor à água, compostos de As partículas interferem na absorção e
íons metálicos naturais, matéria orgânica, transmissão da luz. A cor de uma
Depende do
corantes sintéticos e partículas em amostra pode ser dividida em cor
Cor método de
suspensão. aparente e cor verdadeira (medida
análise
após a eliminação das partículas em
suspensão).
Função das características geológicas e Em programas de monitoramento a
Dureza total climáticas da região, relacionada utilização desta variável é útil para
mg/l CaCO3
principalmente a sais de íons cálcio e demonstrar a concentração de cátions
magnésio. bivalentes na água.
Indicadores Gerais

Função de despejos industriais e Geralmente, o odor não é incluído em


domésticos que podem criar odores na programas de monitoramento, porém a
água devido ao estímulo da atividade simples observação desta variável no
Odor biológica. Solventes orgânicos, momento da coleta, pode auxiliar na
combustíveis e óleos entre outras escolha das demais variáveis a serem
substâncias também podem resultar em monitoradas.
odor na água.
Variável importante que influencia vários A variação do pH num corpo hídrico
processos biológicos e químicos. depende de vários fatores naturais,
Variações bruscas de pH podem indicar como clima, geologia e vegetação.
presença de efluentes industriais. Lagos Mudanças que ocorrem ao longo do
eutrofizados apresentam pH elevados. tempo no pH devem ser melhor
pH
analisadas. O valor do pH afeta de
maneira significativa outras variáveis
como o aumento da solubilidade de
metais, redução da disponibilidade de
nutrientes e processos biológicos.

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Unidade de
Variável Significado Observações
medida
ST (Sólidos Refere-se a substâncias remanescentes A análise de sólidos possibilita uma
totais) do processo de evaporação da amostra visão geral sobre a qualidade da água
de água e sua secagem subseqüente. que esta sendo analisada e pode
SST (Sólidos Através do processo de filtração, estes revelar a ocorrência de processos
suspensos sólidos podem ser divididos em dois específicos nos corpos da água e na
mg/l
totais) grupos: Sólidos em suspensão totais e bacia de drenagem.
SDT (Sólidos sólidos dissolvidos totais.
dissolvidos
totais)
A temperatura afeta processos químicos, A temperatura dos corpos hídricos
físicos e biológicos os quais influenciam varia com o clima sendo que em
outras variáveis de qualidade da água. alguns, esta variação pode ocorrer em
o
Temperatura C Estratificação vertical de temperatura períodos de 24 horas.
observada em ambientes lênticos afeta
significativamente a qualidade do corpo da
água.
A concentração de oxigênio dissolvido nos A medida da concentração de OD em
corpos da água depende da temperatura, um programa de monitoramento de
salinidade, turbulência, atividade qualidade é extremamente importante,
Oxigênio fotossintética e pressão do oxigênio na pois indica problemas de poluição. A
dissolvido atmosfera. É essencial para todas as sua medida deve estar sempre
mg/l
formas de vida aquática e tem papel associada à temperatura e deve ser
OD fundamental no processo de comparada com a concentração de
autodepuração. A sua concentração na saturação que é função da salinidade
água é bastante variável tanto a nível do corpo da água.
espacial quanto temporal.
A turbidez está associada à presença de Em muitas situações, turbidez elevada
μT (unidade matéria em suspensão na água (silte, pode significar processos erosivos,
de turbidez) argila, partículas coloidais orgânicas e manejo inadequado do solo e
UNT inorgânicas, plâncton e microrganismos). lançamento de despejos industriais e
Turbidez
(Unidade A turbidez interfere nos processos domésticos na bacia. A turbidez é
Nefelométrica biológicos que ocorrem na água porque significativamente afetada pelas
de turbidez) interfere no processo de transmissão da condições hidrológicas da bacia.
luz.
A condutividade elétrica mede a A condutividade elétrica é uma medida
capacidade que a água tem de transmitir muito simples e traz informações
corrente elétrica e está diretamente importantes sobre a qualidade da água
relacionada à concentração de espécies e por isso a sua medida é bastante
iônicas dissolvidas, principalmente recomendada num programa de
inorgânicas. Esta medida pode ser monitoramento de qualidade da água.
Condutividade μS/cm
relacionada com a concentração de A condutividade elétrica varia com a
elétrica (mS/m) sólidos dissolvidos totais o que facilita na temperatura.
avaliação do corpo hídrico, pois é uma
medida direta. Valores superiores a 1.000
μS/cm podem indicar problemas de
poluição.

O carbono orgânico presente na água é O carbono orgânico total representa o


resultado dos organismos vivos presentes material dissolvido e particulado. O
Carbono na água e também do lançamento de carbono inorgânico interfere no
orgânico total despejos. Pode ser utilizado para indicar o resultado da análise e deve ser
mg/L C
grau de poluição de um corpo hídrico. eliminado antes das medidas.
COT Valores superiores a 10 mg/L podem
indicar contaminação por despejos
industriais ou domésticos.
Clorofila são pigmentos que estão A concentração da clorofila-a é
presentes em muitos organismos influenciada pela intensidade luminosa
fotossintetizantes e existem em 3 formas: e pela temperatura, além da presença
a,b e c. A mais abundante é a clorofila-a de nutrientes. Em programas de
que representa 1% a 2% da massa de monitoramento, esta variável é uma
Nutrientes

Clorofila μg/L
algas planctônicas. A concentração de boa indicadora de processos de
clorofila-a é um indicador do estado trófico eutrofização.
de corpos hídricos, pois o crescimento de
organismos planctônicos está diretamente
relacionado à presença de nutrientes.
Variável Unidade de Significado Observações

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Unidade de
Variável Significado Observações
medida
medida
Nutriente essencial para os organismos Trata-se de nutriente limitante para o
vivos, podendo estar presente nos corpos processo de eutrofização. Na pesquisa
Fósforo total hídricos na forma dissolvida e particulada. sobre as fontes de contaminação por
mg/l
P Elevadas concentrações indicam poluição fósforo, é importante avaliar as
que pode estar relacionada a despejos atividades desenvolvidas na região.
domésticos ou industriais
A presença de Nitrogênio nos corpos Geralmente, o nitrogênio presente em
Série do
hídricos, nas suas mais variadas formas, despejos domésticos está na forma
Nitrogênio
inclusive orgânica, resulta de processos orgânica, sendo convertido à forma
N-NO3 biogênicos naturais que ocorrem no solo amoniacal, nitrito e nitrato a medida
(Nitrato) ou na água, do lançamento de despejos que a matéria orgânica vai sendo
mg/L N industriais ou domésticos. Elevadas degradada. Para avaliação das
N-NO2 concentrações de compostos da série do principais fontes de nitrogênio em
(Nitrito) nitrogênio pode ser um indicativo de corpos da água é necessário investigar
poluição por matéria orgânica. as atividades desenvolvidas no local e
N-NH4
associar com a forma predominante de
(Amoniacal)
nitrogênio encontrada
Pode ser definida como a quantidade A análise da DBO está sujeita a vários
necessária de oxigênio para que os fatores intervenientes. A respiração das
microrganismos aeróbios presentes na algas presentes nos corpos hídricos
amostra, oxidem a matéria orgânica. utilizam oxigênio o qual não será
Dessa forma, pode ser entendido como a utilizado no processo de
Demanda medida aproximada da quantidade de biodegradação. A presença de
Bioquímica de matéria orgânica biodegradável presente substâncias tóxicas aos
Oxigênio mg/l O2 na amostra. Em águas naturais não microrganismos responsáveis pela
poluídas a medida de DBO é inferior a 2 biodegradação podem reduzir o
DBO mg/L. processo. O tempo para análise desta
variável pode dar origem a resultados
distintos. Os resultados da análise de
DBO devem ser avaliados com critério,
utilizando-se outras variáveis na
conclusão.
A DQO é uma medida indireta da A análise da DQO é rápida e simples,
quantidade de material orgânico e viabilizando a sua realização em
inorgânico, susceptível à oxidação praticamente todas as regiões do país.
Demanda química por um oxidante energético. Não
Química de é uma variável específica, pois não
Oxigênio mg/l O2 possibilita identificar as espécies que
foram oxidadas e nem fazer a distinção
DQO entre materiais orgânicos e inorgânicos.
Valores elevados de DQO podem indicar
problemas de contaminação dos corpos
hídricos por despejos industriais.
O Bário pode estar presente nas águas
Bário naturais devido aos processos de
mg/L Ba desgaste de rochas ígneas e
Ba sedimentares. É bastante utilizado em
processos industriais.
Desgaste de rochas, lixiviação de solos e Concentrações elevadas em corpos
outros processos naturais são as causas hídricos podem indicar a ocorrência de
Boro da presença de Boro em corpos hídricos. problemas de poluição. A análise em
mg/L B
B conjunto com outras variáveis pode
ajudar na identificação da principal
INorgânicos

fonte de poluição.
Esta sempre presente nos corpos A elevação da temperatura e atividade
hídricos, pois proveniente de rochas ricas fotossintética pode reduzir a
em minerais de cálcio.É um dos íons concentração do cálcio na água por
Cálcio responsáveis pela dureza da água. As ocasião da sua precipitação na forma
mg/L Ca
Ca atividades industriais e processos de de carbonato de cálcio. Os compostos
tratamento de água podem contribuir para de cálcio são estáveis na água na
o aumento da concentração de cálcio nos presença de dióxido de carbono.
corpos hídricos.

Cianeto Os cianetos ocorrem em águas de forma A estações quentes e ensolaradas


mg/L CN iônica ou como ácido cianídrico favorecem o processo de oxidação
CN fracamente dissociado e pode formar bioquímica do cianeto. Outro processo
complexos com metais. A sua presença que contribui também para essa

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Unidade de
Variável Significado Observações
medida
em corpos hídricos é resultado de redução é a adsorção no material
atividades industriais, principalmente suspenso e nos sedimentos de fundo
aquelas associadas ao tratamento de
superfícies metálicas por eletrodeposição.
A presença de elevadas concentrações de A relevância da medida de
cloretos nas águas está frequentemente concentração de cloretos na água esta
associada aos esgotos domésticos, de no fato de ser um elemento
Cloreto maneira que o seu monitoramento pode conservativo podendo ser relacionado
mg/L Cl
Cl ser utilizado como um indicador de com processos de poluição por
contaminação fecal ou para avaliar a esgotos.
extensão do processo de dispersão de
esgotos nos corpos hídricos.
O fluoreto é originado do desgaste de Uma vez encontrado nos corpos
minerais que o contenham em sua hídricos, a menos que seja resultante
Fluoreto composição, sendo que as emissões de de processos de poluição, não é
mg/L F efluentes líquidos e atmosféricos de certos provável que a sua concentração seja
F processos industriais também podem significamente alterada com o tempo.
contribuir para a presença de fluoretos em
corpos hídricos.
Pode ser proveniente de rochas, porém os A disposição inadequada de baterias
Lítio seus sais e derivados são utilizados em contendo lítio pode contribuir para a
mg/L Li
Li vários segmentos industriais. O lítio é presença de lítio nos corpos hídricos.
facilmente absorvido pelas plantas.
Elemento comum nas águas naturais, Dependendo das características do
resultante principalmente do desgaste de solo da bacia de drenagem, a
rochas, o magnésio juntamente com o concentração de magnésio nos corpos
cálcio contribui para a dureza da água, hídricos pode variar numa faixa muito
Uma vez que é um elemento essencial ampla.
para os organismos vivos, está presente
Magnésio mg/L Mg
em muitos compostos organometálicos e
na matéria orgânica. A contribuição de
magnésio proveniente de processos
industriais é pouco significativa. O
magnésio não é uma variável importante
nos processos de poluição.
O potássio é encontrado em águas O monitoramento desta variável pode
naturais em baixas concentrações devido auxiliar na identificação de fontes
Potássio a resistência das rochas que contém este responsáveis por problemas de
mg/L K
K elemento ao intemperismo. Pode atingir contaminação por nutrientes
os corpos hídricos pelo lançamento de
efluentes industriais
Em função da sua elevada solubilidade, o
Sódio sódio é encontrado em todos os corpos
mg/L Na hídricos. O aumento de sua concentração
Na pode ser resultado de despejos industriais
e domésticos
O sulfato está presente naturalmente na O sulfato associado aos íons cálcio e
água devido a muitos processos, sendo a magnésio faz com que a dureza da
Sulfato forma mais estável do elemento enxofre. água seja classificada como
mg/L SO4 Os processos industriais podem adicionar permanente.
SO4 quantidades significantes de sulfato as
águas naturais, principalmente aqueles
relacionados a atividade de mineração.

Sulfeto A presença de sulfeto na forma H2S não Em condições aeróbias o sulfeto é


dissociado em águas superficiais é convertido rapidamente para enxofre
H2S mg/L H2S resultado do processo de degradação ou íon sulfato.
anaeróbia da matéria orgânica. Elevadas
(não concentrações de sulfeto indicam poluição
dissociado) por despejos industriais ou domésticos.
O urânio é um elemento radioativo que
está presente em praticamente todas as
Urânio mg/L U rochas e solos, o que o torna um elemento
onipresente nos corpos hídricos.
U
Processos de mineração, indústrias de
fertilizantes a base de fosfatos podem ser
responsáveis para a elevação de urânio

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Unidade de
Variável Significado Observações
medida
nos corpos hídricos.
A sua presença em corpos hídricos resulta
do processo de desgaste dos minerais
que contém alumínio, lançamento de
despejos industriais e processos de
Alumínio mineração. O alumínio não é
mg/L Al
Al significativamente acumulado pelas
plantas e animais. A solubilidade deste
elemento é função do pH sendo que
somente em águas ácidas ou alcalinas,
poderá ocorrer a dissolução do alumínio.
A sua presença na água decorre do No meio aquático a espécie
desgaste natural de rochas que predominante encontrada de arsênio é
contenham este elemento, da dissolução a inorgânica, forma menos tóxica que a
e deposição de partículas emitidas nos orgânica.
processos de fundição de minérios de
Arsênio mg/L Ar cobre e chumbo e uso de compostos que
contenham arsênio. Este elemento é
atualmente utilizado em ligas metálicas
para fabricação de baterias,
semicondutores e diodos, além de
pesticidas orgânicos.
A sua presença nos corpos hídricos é
Cádmio decorrente do lançamento de efluentes
mg/L Cd
Cd industriais e também pela poluição difusa
causada por fertilizantes.
A presença de chumbo nos corpos
hídricos é principalmente devida às
atividades humanas (queima de
Chumbo combustíveis fósseis e processos de
mg/L Pb
Pb incineração), processos de mineração,
lançamento de despejos industriais ou
deposição de material particulado na
água.
Metais

O aumento da sua concentração na água


pode ser resultado de atividades de
mineração, processamento do metal,
Cobre processos de combustão, despejos
mg/L Cu industriais e domésticos. A concentração
Cu do cobre na água é função do pH sendo
absorvido pela matéria orgânica, óxidos
hidratados de ferro e manganês e pela
argila.
As atividades de tratamento de superfícies
metálicas, beneficiamento de couros e
têxteis contribuem para a presença de
cromo nos corpos hídricos. No meio
Cromo mg/L Cr
aquático, o cromo pode estar presente na
forma solúvel ou como sólidos em
suspensão, adsorvido em materiais
argilosos, orgânicos ou óxidos de ferro.
As atividades de processamento de O ferro está presente na forma
minério de ferro e as suas ligas, insolúvel em ambientes lóticos (ferro
contribuem para a sua presença nos trivalente). Em ambientes lênticos,
corpos hídricos. Estações de tratamento principalmente junto ao fundo, está
Ferro mg/L Fe
que utilizam sais de ferro no tratamento e presente na forma solúvel (ferro
descartam o lodo nos corpos hídricos bivalente).
podem ser uma fonte contribuinte deste
elemento na água.
É utilizado na fabricação de ligas
Manganês metálicas e defensivos agrícolas, o que
mg/L Mn
Mn pode contribuir para a presença de
manganês nos corpos hídricos.
Mercúrio A presença de mercúrio nos corpos
mg/L Hg hídricos é resultado da deposição
Hg atmosférica e drenagem superficial, além

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Unidade de
Variável Significado Observações
medida
do desgaste natural de rochas e
contribuição de despejos industriais e
domésticos.
A sua presença nos corpos hídricos pode
ser resultados de processos naturais ou
das atividades humanas. Despejos de
indústrias de tratamento de superfícies
Zn mg/L Zn
metálicas e de sistemas de resfriamento
que utilizam compostos de zinco
contribuem para o aumento da sua
concentração nos corpos hídricos.

A presença em corpos hídricos está


associada à sua utilização como
defensivo agrícola e também no controle
Aldrin +
μg/l de insetos, sendo resultante da deposição
Dieldrin
atmosférica e drenagem superficial,
devido a sua persistência no meio
ambiente.
Amplamente utilizada na fabricação de O fenol é rapidamente degradado no
resinas sintéticas, podendo ser utilizado ambiente aquático, a menos que a sua
como agente de desinfecção em vários concentração seja elevada causando
Fenóis mg/l
produtos. Em corpos hídricos, é resultado inibição da atividade biológica.
do lançamento de despejos industriais e
domésticos.
São de grande importância para o
monitoramento da qualidade dos corpos
Orgânicas

hídricos, pois causam diversos danos,


podendo interferir no processo de troca
Óleos e
mg/l gasosa entre a água e atmosfera e
graxas
reduzir a concentração do oxigênio
dissolvido. A presença destes elementos
em corpos hídricos é resultado do
lançamento de despejos industriais.
Os surfactantes englobam as substâncias A maior parte dos tensoativos utilizados
ativas presentes nos detergentes e outros é biodegradável, porém se não existem
produtos utilizados nas atividades sistemas de tratamento para promover
humanas. A sua presença nos corpos a sua degradação, ele permanecerá
Tensoativos hídricos é resultado de despejos ativo no meio e sua degradação
mg/l LAS industriais e domésticos. Os tensoativos ocorrerá por processos naturais os
LAS afetam o processo de aeração da água e quais ficam prejudicados pela sua
altera a tensão superficial. A formação de presença.
espumas propicia a concentração de
poluentes, inclusive organismos
patogênicos.

As variáveis de qualidade da água são organizadas, de acordo com a


legislação brasileira (CONAMA 357/2005) de forma a estabelecer metas para a
preservação dos corpos hídricos de acordo com seu uso potencial. Veja na
tabela a seguir os potenciais usos associados às águas doces e seus
parâmetros.

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Tabela 2-2: Classes de Enquadramento para Águas Doces (CONAMA 357/2005)


Classe   Uso 
Especial  a) ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção;
b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e, 
c)  à  preservação  dos  ambientes  aquáticos  em  unidades  de  conservação  de  proteção 
integral. 
1  a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado; 
b) à proteção das comunidades aquáticas; 
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, 
conforme Resolução CONAMA no 274, de 2000; 
d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam 
rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película; 
e) à proteção das comunidades aquáticas em Terras Indígenas 
2  a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional; 
b) à proteção das comunidades aquáticas; 
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, 
conforme Resolução CONAMA no 274, de 2000; 
d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e 
lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto; 
e) à aqüicultura e à atividade de pesca. 
3  a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional ou avançado;
b) à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras; 
c) à pesca amadora; 
d) à recreação de contato secundário; e 
e) à dessedentação de animais. 
4  a) à navegação; e 
b) à harmonia paisagística. 

Tabela 2-3: Padrões de Qualidade das Águas Doces CONAMA 357/05


Classe   Parâmetros 
1  a) não verificação de efeito tóxico crônico a organismos, de acordo com os critérios 
estabelecidos pelo órgão ambiental competente, ou, na sua ausência, por instituições 
nacionais ou internacionais renomadas, comprovado pela realização de ensaio 
ecotoxicológico padronizado ou outro método cientificamente reconhecido. 
b) materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes; 
c) óleos e graxas: virtualmente ausentes; 
d) substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes; 
e) corantes provenientes de fontes antrópicas: virtualmente ausentes; 
f) resíduos sólidos objetáveis: virtualmente ausentes; 
g) coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato primário deverão ser 
obedecidos os padrões de qualidade de balneabilidade, previstos na Resolução CONAMA 
no 274, de 2000. Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 200 
coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais, de pelo menos 6 
amostras, coletadas durante o período de um ano, com freqüência bimestral. A E. Coli 
poderá ser determinada em substituição ao parâmetro coliformes termotolerantes de 
acordo com limites estabelecidos pelo órgão ambiental competente; 
h) DBO 5 dias a 20°C até 3 mg/L O2; 
i) OD, em qualquer amostra, não inferior a 6 mg/L O2; 
j) turbidez até 40 unidades nefelométrica de turbidez (UNT); 
l) cor verdadeira: nível de cor natural do corpo de água em mg Pt/L; 
m) pH: 6,0 a 9,0. 
Clorofila a 10 μg/L 
Densidade de cianobactérias 20.000 cel/mL ou 2 mm3/L 

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Classe   Parâmetros 
Sólidos dissolvidos totais 500 mg/L
2  I ‐ não será permitida a presença de corantes provenientes de fontes antrópicas que não
sejam removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração convencionais; II 
‐ coliformes termotolerantes: para uso de recreação de contato primário deverá ser 
obedecida a Resolução CONAMA no 274, de 2000. Para os demais usos, não deverá ser 
excedido um limite de 1.000 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou 
mais de pelo menos 6 (seis) amostras coletadas durante o período de um ano, com 
freqüência bimestral. A E. coli poderá ser estabelecidos pelo órgão ambiental 
competente; 
III ‐ cor verdadeira: até 75 mg Pt/L; 
IV ‐ turbidez: até 100 UNT; 
V ‐ DBO 5 dias a 20°C até 5 mg/L O2; 
VI ‐ OD, em qualquer amostra, não inferior a 5 mg/L O2; 
VII ‐ clorofila a: até 30 μg/L; 
VIII ‐ densidade de cianobactérias: até 50000 cel/mL ou 5 mm3/L; e, 
IX ‐ fósforo total: 
a) até 0,030 mg/L, em ambientes lênticos; e, 
b) até 0,050 mg/L, em ambientes intermediários, com tempo de residência entre 2 e 40 
dias, e tributários diretos de ambiente lêntico. 
3  a) não verificação de efeito tóxico agudo a organismos, de acordo com os critérios 
estabelecidos pelo órgão ambiental competente, ou, na sua ausência, por instituições 
nacionais ou internacionais renomadas, comprovado pela realização de ensaio 
ecotoxicológico padronizado ou outro método cientificamente reconhecido; 
b) materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes; 
c) óleos e graxas: virtualmente ausentes; 
d) substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes; 
e) não será permitida a presença de corantes provenientes de fontes antrópicas que não 
sejam removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração convencionais; 
f) resíduos sólidos objetáveis: virtualmente ausentes; 
g) coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato secundário não 
deverá ser excedido um limite de 2500 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 
80% ou mais de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com 
freqüência bimestral. Para dessedentação de animais criados confinados não deverá ser 
excedido o limite de 1000 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais 
de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com freqüência 
bimestral. Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 4000 coliformes 
termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras coletadas 
durante o período de um ano, com periodicidade bimestral. A E. Coli poderá ser 
determinada em substituição ao parâmetro coliformes termotolerantes de acordo com 
limites estabelecidos pelo órgão ambiental competente;  
h) cianobactérias para dessedentação de animais: os valores de densidade de 
cianobactérias não deverão exceder 50.000 cel/ml, ou 5mm3/L; 
i) DBO 5 dias a 20°C até 10 mg/L O2; 
j) OD, em qualquer amostra, não inferior a 4 mg/L O2; 
l) turbidez até 100 UNT; 
m) cor verdadeira: até 75 mg Pt/L; e, 
n) pH: 6,0 a 9,0. 
Clorofila a 60 μg/L 
Densidade de cianobactérias 100.000 cel/mL ou 10 mm3/L 
Sólidos dissolvidos totais 500 mg/L 
4  I ‐ materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes; 
II ‐ odor e aspecto: não objetáveis; 
III ‐ óleos e graxas: toleram‐se iridescências; 
IV ‐ substâncias facilmente sedimentáveis que contribuam para o assoreamento de canais
de navegação: virtualmente ausentes; 

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Classe   Parâmetros 
V ‐ fenóis totais (substâncias que reagem com 4 ‐ aminoantipirina) até 1,0 mg/L de 
C6H5OH; 
VI ‐ OD, superior a 2,0 mg/L O2 em qualquer amostra; e, 
VII ‐ pH: 6,0 a 9,0. 

3 MODELAÇÃO DE ÁGUAS SUPERFICIAIS

A modelação é, nas palavras de Picasso, um pouco de arte, nunca é


completamente real, mas contém muito da verdade (Gang Ji, 2008). As
principais razões para o emprego da modelação matemática são (1) o melhor
entendimento dos processos físicos, químicos e biológicos envolvidos e (2) o
desenvolvimento de modelos capazes da representação realística dos corpos
d’água superficiais de modo a permitir a gestão e a tomada de decisão na
gestão.
A modelação de qualidade da água é ‘time consuming’, complexa e envolvente.
Não existe um consenso entre os profissionais sobre a melhor maneira de se
enfocar os diferentes problemas. Muitas vezes, modelos simples podem dar
resultados muito precisos e acurados, enquanto modelos complexos podem
muitas vezes decepcionar.
A modelação da qualidade da água considera basicamente os processos de
Advecção (transporte de massa), Difusão (molecular e turbulenta), Dispersão
(turbulenta), Decaimento e Crescimento (cinético) e ainda as inter-relações
entre os constituintes envolvidos. Em face da importância destes processos, os
modelos podem adotar diferentes cortes da realidade, desde uma simplificação
pontual até a representação completa do efeito tridimensional variado no
tempo.

Modelo Zero-dimensional: as condições Q(t), Ce(t)


hidrodinâmicas e de mistura são homogêneas
a ponto de ser possível a representação dos
V(t)
fenômenos de forma pontual. Geralmente
aplicável aos Laos e reservatórios de pequena
dimensão. V0

Unidimensional: preservam
uma dimensão preferencial,
relacionada a geometria do
corpo hídrico ou ao sentido
preferencial do fluxo, como
nos casos dos rios e
estuários de pequena
largura.

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Bidimensional: indicam a
preponderância de duas dimensões
principais, que podem estar contidas
no plano horizontal ou vertical. É
usualmente aplicado ao caso dos
lagos e reservatórios com pequena
profundidade e estuários de grande
largura.

Tridimensional: em águas profundas,


onde existe a segmentação de camadas em função da diferença de densidade,
provocada pela difusividade e transmissividade térmica, os modelos 3D são os
mais indicados para considerar tanto os efeitos na vertical como as interações
na superfície livre, devido ao vento e radiação solar.

4 UM MODELO CONCEITUAL

Imagine o lançamento de um constituinte qualquer num curso d’água retilíneo e


em movimento permanente uniforme, a montante de uma captação de água.
Este problema é representa a primeira aplicação prática das ferramentas
desenvolvidas pela modelação matemática de qualidade da água. Os passos
para sua solução são:

1) Estabelecimento das metas (estudar a concentração do constituinte ao


longo do trecho de rio)
2) Obtenção de informações de campo (geometria contornos, seção
transversal, vazão, nível d’água, velocidade, rugosidade das margens)
3) Concentrações pré-existentes deste e outros cosntituintes
4) Variação de temperatura
5) Estabelecimento de um modelo de análise
6) Discretização espacial e temporal
7) Calibração do modelo
8) Simulação de horizontes e alternativas
9) Interpretação dos resultados

Para o estabelecimento do modelo de análise, pode-se considerar os


processos intervenientes e que afetam o problema. Quanto maior
complexidade dos processos, mais sofisticado deve ser o equacionamento.
Apenas para exemplo, serão considerados processos independentes e que o
rio pode ser bem representado através de um modelo unidimensional, isto é,
composto por pontos alinhados sobre um eixo disposto na direção do
escoamento.

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Figura 4-1: Problema típico para emprego de modelação matemática de qualidade da água

Diluição inicial: considera como hipótese o lançamento e a perfeita


homogeneização do constituinte na corrente líquida, sendo uma prática
admissível e usual na falta de outras informações.
Qa – Vazão natural afluente no rio
Ca – concentração pré-existente do constituinte
Qe – Vazão de lançamento do constituinte
Ce – concentração de lançamento do constituinte

Qa Ca + QeCe
C1 =
Qa + Qe

Transporte de Massa: compreende o carreamento do constituinte com o fluxo


de massa, também denominado transporte advectivo.

A ⋅ Δx ⋅ ΔC = (U1 A1C1 − U 2 A2C2 )Δt

ΔC ΔC
= −U
Δt Δx

Dispersão: compreende o transporte difusivo, função da agitação molecular e


da turbulência do escoamento, função de um fator de dispersão E.
Conceitualmente este valor é função da turbulência e da viscosidade da água.

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

E ( A1ΔC1 − A2 ΔC2 )
A ⋅ Δx ⋅ ΔC = Δt
Δx
ΔC ΔC − ΔC
=E 1 2 2
Δt Δx

Decaimento: o decaimento pode ser representado genericamente por uma


função exponencial, indicada a seguir, onde C0 é a concentração para t=t0 e k
um coeficiente de decaimento ou reatividade, cuja dimensão é t-1.

C = C0 e − K ⋅t

ΔC
= − kC0 e − K ⋅t
Δt

ΔC
= − kCi
Δt

Sedimentação: considera a deposição por ação gravitacional das partículas do


soluto, com velocidade de sedimentação v (m/s), ao longo de uma coluna
d’água com profundade y (m) sobre a área de fundo, dada por
ΔC v
A ⋅ Δx ⋅ ΔC = v ⋅ C ⋅ Δx ⋅ p ⋅ Δt = ⋅C
Δt y
Combinação dos efeitos
Admitindo-se que os processos são
independentes e lineares pode-se escrever
a equação que permite calcular a
concentração Ct+1, isto é, o valor da
concentração na seção i no instante futuro,
a partir dos valores de Ci, Ci+1 e Ci-1 no instante t.

ΔCi ΔCi ΔCi − ΔCi +1 v


= −U +E − kCi − C
Δt Δx Δx 2
y

⎡ C − Ci −1 C − 2Ci + Ci +1 v (Ci + Ci +1 ) ⎤
Cit +1 = Cit + Δt ⎢− U i + E i −1 − kCi − ⎥
⎣ Δx Δx 2
y 2 ⎦

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

A expressão acima pode ser utilizada para


montagem de um algoritmo em planilha
eletrônica de forma a automatizar o cálculo
da seqüência temporal das concentrações ao
longo do trecho simulado. A figura ao lado
apresenta os dados utilizados no exemplo
cujos resultados podem ser observados nos
gráficos a seguir, para diferentes instantes
de tempo.

Figura 4-2: Perfil longitudinal de concentrações ao longo do trecho de 15 km de rio, nos instantes (a) 100s,
3.600s, 7.200s e 36.000s após o início

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

5 REFERÊNCIAS

Piveli, R. P. et all. Qualidade das Águas e Poluição: aspectos físico-químicos.


ABES, 2006.
James, A et all., Water Quality Modelling, 2nd. Ed. John Wiley & Sons
Ltd.,1993.
Potter, M & Wiggert, D. – Mecânica dos Fluidos Ambiental, Ed. Thompson,
2004.
Chapra, S.C.. - Surface Water Quality Modeling. ,Waveland Press, 2008.
Martins, J.R.S, - Hidrodinâmica Bidimensional – Estudo em Modelo
Matemático, EPUSP, 1989.
Fraguso Jr., C.R. - Modelagem Ecológica em Ambientes Aquáticos. Oficina de
Textos, 2009.
Gang-Ji, Zhen. – Hydrodynamics and Water Quality. Modeling rivers, lakes and
estuaries. Wiley & Sons, 2008.

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CAPÍTULO 2: EQUAÇÕES BÁSICAS


Este capítulo trata das equações básicas do movimento
fluido e de substâncias a partir das equações gerais de
Navier-Stokes, Equação de advecção-dispersão e método
numérico de diferenças finitas.

1 INTRODUÇÃO

Os modelos de qualidade das águas se propõe a simular as variações de


concentração de poluentes a medida que os mesmos se movimento no
ambiente. Alguns poluentes são suficientemente inertes para que suas
concentrações possam ser consideradas invariáveis a não ser como função do
fenômeno físico de transporte por advecção e dispersão. Estes são
denominados constituintes conservativos e freqüentemente são úteis como
traçadores empregados para calibração e validação de modelos de simulação
de qualidade. O mecanismo básico que envolve o processo de advecção e
dispersão será discutido neste capítulo.
Somando-se aos processos de transporte de massa, para a maioria dos
poluentes existem processos físicos, químicos e biológicos que provocam
alterações nas concentrações. Como mostra a Figura 1-1, o processo de
transporte de poluentes é resultado de interações entre o transporte de massa
e processos cinéticos. Os principais fatores determinantes são o tipo do
poluente, a natureza do ambiente e o método de descarga. Um poluente
lançado no ambiente divide-se em séries de subsistemas, nos quais sua
concentração pode crescer ou decrescer devido a uma grande variedade de
mecanismos. Aparentemente não se pode considerar a hidrosfera como uma
camada isolante nos estudos do transporte dos poluentes. Sistemas terrestres,
especialmente o solo podem ter também um papel significante, em função de
processos como a lixiviação.

ATMOSFERA
Processos incluem
oxidação fotoquímica e
dispersão

BIOSFERA ÁGUAS SUPERFICIAIS SEDIMENTOS


crescimento, dominio, sedimentação, resuspenção,
morte dcaimento, advecção, decaimento anaeróbio,
volatilização lixiviação

ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
adsorção e advecção

Figura 1-1: Inter-relação entre os elementos do meio ambiente e o curso dos poluentes

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Nos itens seguintes serão descritas formas de representação dos processos


hidráulicos, físicos, químicos e biológicos que determinam a concentração dos
poluentes.

2 EQUAÇÕES FUNDAMENTAIS

Existem dois mecanismos básicos responsáveis pelo transporte de soluções


dissolvidas e suspensas nos corpos d´água naturais:

Advecção: refere-se ao transporte de massa devido ao movimento da água que


contem o soluto.
Difusão: é o transporte não advectivo, devido a migração do soluto em resposta
a um gradiente de concentração. Pode ocorrer no nível molecular, devido ao
movimento browniano, resultando em movimentos aleatórios das moléculas do
soluto ou numa escala macroscópica devido aos vórtices turbulentos e a
velocidade de atrito.. Estes mecanismos podem ser tratados de forma
separada.
O mecanismo de transporte advectivo é usualmente representado pela
equação da advecção-difusão, que pode ser derivada a partir das equações
fundamentais do escoamento fluido.
A análise do movimento dos fluidos de forma genérica pode ser realizada a
partir das equações básicas da mecânica, as conhecidas leis de Newton e as
duas primeiras leis da termodinâmica. A essência destas leis pode ser
resumida nos seguintes postulados:

a) um corpo considera seu estado de repouso ou movimento retilíneo


uniforme enquanto não é submetido a uma ação externa.
b) O esforço instantâneo aplicado a um corpo é proporcional ao produto de
sua massa instantânea pela sua aceleração instantânea
c) Ação e reação são esforços de mesmo module e direção, com sentidos
opostos
d) Num sistema isolado, o trabalho realizado para a passagem de um
estado A para outro estrado B é totalmente determinado pela diferença
entre as energias nestes estados terminais A e B
e) Existe uma tendência de parte da natureza se apresentar em estado de
desordem progressiva.

Através das equações fundamentais da física procura-se estabelecer as


relações entre as variáveis hidráulicas (profundidade, velocidade, pressão,
massa específica e etc) de modo a expressar em termos de leis de
conservação as funções de massa e do momento aplicáveis aos escoamentos
genéricos.

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

2.1 Conservação da massa

O princípio da conservação da massa num


escoamento pode ser estudado
considerando o volume de controle
genérico através do qual o fluido se
movimenta. Este movimento é
referenciado a um sistema tri-ortogonal
(i,j,k) sendo suas grandezas definidas
segundo as coordenadas (x,y,z). Esta
definição corresponde ao conhecido
tratamento Euleriano.
Figura 2-1: Elemento infinitesimal de fluido
euleriano
Considerando o elemento indicado na
figura, o fluxo líquido que passa pela superfície do elemento na direção x é:
⎡ ∂ (u ) ⎤ ∂ ( ρu )
ρ ⋅ u ⋅ dy ⋅ dz − ρ ⎢u ⋅ dy ⋅ dz + dx ⋅ dy ⋅ dz ⎥ = dx ⋅ dy ⋅ dz
⎣ ∂x ⎦ ∂x
Eq. 2-1
sendo u a componente na direção x do vetor velocidade tridimensional:
r r r r
V = u i + vj + w k
Eq. 2-2
Considerando todas as direções, a variação de massa no intervalo de tempo
dt dentro do volume de controle pode ser expressa por
⎛ ∂ρ ⎞ ⎡ ∂ρu ∂ρv ∂ρw ⎤
⎜ ⋅ dx ⋅ dy ⋅ dz ⎟dt = ⎢− ( ⋅ dx ⋅ dy ⋅ dz + ⋅ dx ⋅ dy ⋅ dz + ⋅ dx ⋅ dy ⋅ dz )⎥ dt
⎝ ∂t ⎠ ⎣ ∂x ∂y ∂z ⎦
Eq. 2-3
A Eq. 2-3 acima é freqüentemente chama de termo local, que descreve as
variações que poderiam ocorrer independentemente do movimento da partícula
fluida. Na equação abaixo, escreve-se a taxa de variação que pode ocorrer
para uma partícula em repouso num determinado ponto:
∂ρ ∂ρu ∂ρv ∂ρw
− = + +
∂t ∂x ∂y ∂z
Eq. 2-4
ou em termos vetoriais
r ∂ρ
div ( ρV ) + =0
∂t
Eq. 2-5
Na verdade, considerando o fluido genérico, isto, é no qual a massa específica
também pode variar nas três dimensões, pode-se desdobrar a expressão da
Eq. 2-5 em:

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

∂ρ ⎛ ∂u ∂v ∂w ⎞ ∂ρ ∂ρ ∂ρ
− = ρ ⎜⎜ + + ⎟⎟ + u +v +w
∂t ⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠ ∂y ∂y ∂z
Eq. 2-6
Os termos do tipo u (∂ / ∂x ) + v (∂ / ∂y ) + w(∂ / ∂z ) são denominados convectivos e
descrevem a taxa de variação devido ao movimento da partícula num campo
de velocidades. A combinação dos termos (∂ / ∂t ) + u (∂ / ∂x) + v (∂ / ∂y ) + w(∂ / ∂z ) e
então denominada derivada substancial ou derivada total e representa a taxa
total de variação de alguma propriedade do fluido em função da movimentação
de uma partícula com velocidades vetorial V. A derivada total pode ser
expressa então por:
D ∂ ∂ ∂ ∂
= +u +v +w
Dt ∂t ∂y ∂y ∂z
Eq. 2-7
Como exemplo, James (1993), considera um avião voando na direção leste (x
crescente) a uma altitude constante. No trajeto do vôo a temperatura está
aumentando à razão de 1 ºC por dia. Para cada 1000 km de viagem a
temperatura aumenta 2 ºC. Assim, o efeito sentido por um corpo estacionado
num ponto qualquer será de 1 ºC/dia. A taxa de variação total da temperatura
para o avião será:
D ∂T ∂ 2
= +u = 1+ u
Dt ∂t ∂y 1000
Eq. 2-8
onde T é a temperatura média diária. Se o avião viaja a 200 km/h então a taxa
de variação total da temperatura a que o avião estará sujeito será de
D 2
= 1 + 200 × 24 × = 10,6º C / dia
Dt 1000
Eq. 2-9
Desta forma, a variação total da massa dentro do volume de controle pode ser
expressa, a partir da combinação da Eq. 2-6 com a Eq. 2-7:
Dρ ⎛ ∂u ∂v ∂w ⎞
+ ρ ⎜⎜ + + ⎟⎟ = 0
Dt ⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠
Eq. 2-10
A Eq. 2-10 é conhecida como ‘Equação da Continuidade’ ou ‘Equação da
Conservação da Massa’, que pode ser ainda simplificada se considerarmos
fluidos incompressíveis, nos quais Dρ / Dt = 0 , isto é, a densidade do fluido
permanece constante com o tempo, o que pode ser verdade para rios e
estuários, porém nem sempre se aplica a lagos e reservatórios com
estratificação, devido à variação nas concentrações de sais ou sólidos em
suspensão.

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2.2 Conservação da Quantidade de Movimento


A conservação da quantidade de movimento deriva-se da Lei de Newton.
Considerando-se a resultante das forças externas sobre o elemento
infinitesimal indicado na Figura 2-1:
r
r ∂V
Fe = ρ ⋅ dV ⋅
∂t
Eq. 2-11
r
A aceleração sobre o elemento, representa pelo termo ∂V / ∂t é dada pelo
desdobramento em três dimensões:
r r r r r
dV ∂V ∂V ∂V ∂V
= +u +v +w
dt ∂t ∂x ∂y ∂z
Eq. 2-12
Os matemáticos utilizam para simplificar a notação o símbolo nabla que
representa:
∂ r ∂ r ∂ r
∀= i + j+ k
∂x ∂y ∂z
Eq. 2-13
Desta forma a aceleração total do elemento pode ser escrita pelo produto
escalar entre o operador nabla aplicado em V e V:
r r
dV ∂V r r
= + (∀ ⋅V ) × V
dt ∂t
Eq. 2-14
e a resultante das forças externas (Fe) sobre o elemento fica:
r
r ⎛ ∂V r r⎞
Fe = ρ ⋅ dV ⋅ ⎜⎜ + (∀ ⋅ V ) × V ⎟⎟
⎝ ∂t ⎠
Eq. 2-15
As forças externas ( Eq. 2-16) atuando no elemento podem ser decompostas
em quatro parcelas, a gravidade, atuando na vertical, a componente rotacional,
que depende da rotação da terra, a componente de pressão, que atua nas
faces do elemento e a componente de cisalhamento, que representará o atrito
nas 6 faces do elemento.

Forças Peso : atua apenas na direção vertical


r r
− Fg = g ⋅ ρ ⋅ dV ⋅ k
Eq. 2-16
Força Rotacional : depende da aceleração de Coriolis ( Ω ) , que mantém a
rotação da Terra, e fica:
r r s
− FR = Ω ⋅ ρ ⋅ dV ⋅ (vi − uj ) Eq. 2-17

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Forças de Pressão:
r ⎛ ∂p ⎞ r ⎛ ∂p ⎞ r ⎛ ∂p ⎞r
− Fp = ⎜ dx ⋅ dy ⋅ dz ⎟i + ⎜⎜ dx ⋅ dy ⋅ dz ⎟⎟ j + ⎜ dx ⋅ dy ⋅ dz ⎟k
⎝ ∂x ⎠ ⎝ ∂y ⎠ ⎝ ∂z ⎠
Eq. 2-18
Forças de Cisalhamento: as forças de cisalhamento são
originadas por tensões de cisalhamento provenientes do
atrito com o fundo e com a superfície (vento e etc). Desta
forma definem-se inicialmente as tensões nas faces do
elemento da forma:

v r r
τ x = τ xy j + τ xz k

r ∂ r ⎛ ∂ ⎞r ⎛ ∂ ⎞r
τx + (τ x )dx = ⎜τ xy + (τ xy )dx ⎟ j + ⎜τ xz + (τ xz )dx ⎟k
∂x ⎝ ∂x ⎠ ⎝ ∂x ⎠
v r r
τ y = τ yx i + τ yz k
Figura 2-2: Tensões de Cisalhamento nas faces
r ∂ r ⎛ ∂ ⎞r ⎛ ∂ ⎞r
τ y + (τ y )dy = ⎜⎜τ yx + (τ yx )dy ⎟⎟i + ⎜⎜τ yz + (τ yz )dy ⎟⎟k
∂y ⎝ ∂y ⎠ ⎝ ∂y ⎠
v r r
τ z = τ zx i + τ yz k
r ∂ r ⎛ ∂ ⎞r ⎛ ∂ ⎞r
τz + (τ z )dz = ⎜τ zx + (τ zx )dz ⎟i + ⎜τ zy + (τ zy )dz ⎟ j
∂z ⎝ ∂z ⎠ ⎝ ∂z ⎠

Compondo-se o esforço resultante através da multiplicação pela área obtém-se


a equação:
r ⎡⎛ ∂ ∂ ⎞r ⎛ ∂ ∂ ⎞r ⎛ ∂ ∂ ⎞ r⎤
− FC = ⎢⎜⎜ (τ yx ) + (τ zx ) ⎟⎟i + ⎜ (τ xy ) + (τ zy ) ⎟ j + ⎜⎜ (τ xz ) + (τ yz ) ⎟⎟k ⎥ dx ⋅ dy ⋅ dz
⎣⎝ ∂y ∂z ⎠ ⎝ ∂x ∂z ⎠ ⎝ ∂x ∂y ⎠ ⎦
Eq. 2-19
Compondo-se as equações anteriores (Eq. 2-15 a Eq. 2-19) e dividindo-se
pela massa específica ρ e pelo volume dV = dx ⋅ dy ⋅ dz , obtém-se a equação da
quantidade de movimento:
r r r r r
Fe = Fg + Fp + FR + FC

r
1 r 1 r ⎛ ∂V r r⎞
− g∀z − ∀p + FR − FC = ⎜⎜ + (∀ ⋅ V ) × V ⎟⎟
ρ ρdV ⎝ ∂t ⎠
Eq. 2-20

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2.3 Escoamento bidimensional


O escoamento em duas dimensões é uma simplificação do caso genérico
tridimensional e tem larga aplicação a rios, estuários e lagos com pequena
profundidade. Para tratamento do escoamento bidimensional considera-se que
a aceleração vertical das partículas no escoamento é pequena e desprezivel
em relação da gravidade. O esquema da Figura 2-3 considera um elemento
bidimensional com altura h e velocidades u e v com pequena variação ao longo
da vertical de modo que:
h h
1 1
U = ∫ u ⋅ dz V = ∫ v ⋅ dz
h0 h0
A Eq. 2-9, considerando-se o fluido incompressível ( ρ = cte ) permite escrever:

Figura 2-3: Esquema do elemento bidimensional

⎛ ∂ρ ⎞ ⎡ ∂ρUh ∂ρVh ⎤
⎜ ⋅ dx ⋅ dy ⋅ h ⎟dt = ⎢− ( ⋅ dx ⋅ dy + ⋅ dx ⋅ dy )⎥ dt
⎝ ∂t ⎠ ⎣ ∂x ∂y ⎦

de onde se obtém a equação da continuidade para o escoamento em duas


dimensões.
∂h ∂U ∂V
+h +h =0
∂t ∂x ∂x
Eq. 2-21
Para a equação da quantidade de movimento tem-se:

r r
dV ∂V r r ∂U r ∂V r ⎡ ∂U ∂U ⎤ r ⎡ ∂V ∂V ⎤ r
= + (∀ ⋅ V ) × V = i+ j + ⎢U +V ⎥ i + ⎢U +V
∂y ⎥⎦
j
dt ∂t ∂t ∂t ⎣ ∂x ∂y ⎦ ⎣ ∂x
Eq. 2-22
As forças intervenientes no elemento bidimensional são:

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Peso: atua apenas na direção vertical, portanto é automaticamente excluída


Rotacional: desprezível a não ser quando atua em grandes dimensões
Pressão: adota-se uma distribuição hidrostática no elemento de forma que a
pressão nas laterais resulta em p = p0 + ρgh

1 ⎡ ∂h 1 ∂p0 ⎤ r ⎡ ∂h 1 ∂p0 ⎤ r
− ∀p = ⎢− g − + − −
∂x ρ ∂x ⎥⎦ ⎢⎣ ∂y ρ ∂y ⎥⎦
i g j
ρ ⎣
Eq. 2-23

Cisalhamento: são consideradas na face de contato com a face superior e


inferior de forma a permitir representar os atritos com o fundo do leito e o efeito
de vento sobre a superfície. Admite-se que o valor de tensão é uniforme no
plano de atuação, sendo positivo quando tem o mesmo sentido que a
velocidade e negativo quando sentidos opostos:


1 r
ρdV
FC = −
1
ρh
[r r
(τ 0 x + τ 0 y )i + (τ wx + τ wy ) j ]
Eq. 2-24

Os valores de τ 0 e τ w são respectivamente as tensões de cisalhamento devido


ao atrito no fundo e ao atrito com o vento, e podem ser estimados a partir dos
coeficientes tradicionais empregados no escoamento hidráulico:
VV
τ 0 = ρg e τ w = ρ ar CarW 2
C2
Eq. 2-25
onde V é a velocidade do escoamento e W a velocidade do vento. O
Coeficiente C pode ser calculado pela expressão de Chezy e Car é um
coeficiente típico de arrastamento pelo ar.

Compondo-se a equação da quantidade de movimento resulta:

U (U 2 + V 2 ) 2 τ wx
1
∂U ∂U ∂U ∂h
+U +V +g + ρg − =0
∂t ∂x ∂y ∂x C 2h ρh

V (U 2 + V 2 ) 2 τ wy
1
∂V ∂V ∂V ∂h
+U +V +g + ρg − =0
∂t ∂x ∂y ∂x C 2h ρh
Eq. 2-26

2.4 Escoamento Unidimensional

Para o escoamento unidimensional, considera-se um elemento de largura


unitária (dy=1) e altura finita h, como ilustra a Figura 2-4. A Eq. 2-3 fica:

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⎛ ∂ρh ⎞ ⎡ ∂ρUh ⎤
⎜ ⋅ dx ⎟dt = ⎢− ( ⋅ dx ⎥ dt
⎝ ∂t ⎠ ⎣ ∂x ⎦
∂h ∂U
+h =0
∂t ∂x
Eq. 2-27

Da equação Eq. 2-26 resulta:

∂U ∂U ∂h UU
+U +g + ρg 2 = 0
∂t ∂x ∂x C h

A generalização para um rio de


seção natural pode ser feita
integrando-se ao longo da largura
B, como mostra a Figura 2-5.
Figura 2-4: Elemento unidimensional

B B
A = ∫ h ⋅ dB Q = ∫ uhdB
0 0

Eq. 2-28

Figura 2-5: Seção de um rio natural


A equação da continuidade resultará em:
∂A ∂Q
+ =0
∂t ∂x
Eq. 2-29
Na quantidade de movimento, de forma semelhante:

∂Q ∂ ⎛ Q 2 ⎞ ∂h QQ
+ ⎜⎜ β ⎟⎟ + gA + g 2 =0
∂t ∂x ⎝ A ⎠ ∂x C Ah
Eq. 2-30
As equações 2.22 e 2.30 são tradicionalmente conhecidas como ‘Equações de
Saint-Venant’.

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3 ADVECÇÃO, DIFUSÃO E DISPERSÃO

3.1 Difusão Molecular e a Lei de Fick


A primeira lei de Fick estabelece que a taxa de transporte de massa ou fluxo
por uma superfície unitária de um líquido, em função da difusão molecular, é
proporcional ao gradiente de concentração c do material no líquido.
∂c
N = − Dm
∂x
Eq. 3-1
onde Dm é o coeficiente de difusão molecular ou constante de
proporcionalidade. Dm è proporcional à temperatura absoluta e inversamente
proporcional ao peso molecular. O sinal negativo indica que a massa escoa das
áreas de maior concentração para de menor concentração devido ao provesso
difusivo.

Para a segunda lei de Fick, emprega-se o mesmo conceito definido no


elemento de volume infinitesimal apresentado na Figura 2-1, considerando que o
mecanismo de transporte é puramente difusivo:

Figura 3-1: Elemento infinitesimal para consideração da concentração


∂c ∂ ∂c ∂ ∂c ∂ ∂c
− = ( Dm ) + ( Dm ) + ( Dm )
∂t ∂x ∂x ∂y ∂y ∂z ∂z
Eq. 3-2
Admitindo-se que o coeficiente de difusão molecular é constante em todas as
coordenadas, pode escrever a taxa de variação da concentração com o tempo
de uma substancia sujeita somente ao processo de difusão molecular, como
função de uma constante de proporcionalidade Dm:
∂c ∂ ⎡ ∂ 2c ∂ 2c ∂ 2c ⎤
= − Dm ⎢ 2 + 2 + 2 ⎥
∂t ∂x ⎣ ∂x ∂y ∂z ⎦
Eq. 3-3
A dispersão de constituintes sujeitos
a processos de advecção de larga
escala e turbulência pode ser feita
matematicamente com base na
equação da continuidade, conforme
mostra a Eq. 2-4:
Figura 3-2:Fluxo de massa de um constituinte de concentração
C

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∂c ∂cu ∂cv ∂cw


− = + +
∂t ∂x ∂y ∂z
Os valores de concentração me velocidade, embora na teoria instantâneos, são
na prática medidos em pequenos intervalos de tempo. Assim, a componente da
velocidade u pode ser expressa como um valor médio u acrescido de uma
flutuação u′ ( Figura 3-3) e assim também as demais componentes:
u = u + u′
v = v + v′
w = w + w′
c = c + c′
Eq. 3-4
Substituindo-se estas velocidades instantâneas na Eq. 3-3 resultará

Figura 3-3: Velocidade média e instantânea


∂(c + c′) ∂(c + c′)(u + u′) ∂ (c + c′)(v + v′) ∂ (c + c′)( w + w′)
+ + + =0
∂t ∂x ∂y ∂z
Eq. 3-5
Os termos podem ser expandidos, desprezando-se os produtos entre os
valores de flutuação e os médios, como C ′u . Desta forma resulta:

∂c ∂c u ∂c v ∂c w ∂c′u′ ∂c′v′ ∂c′w′


+ + + + + + =0
∂t ∂x ∂y ∂z ∂x ∂y ∂z
Aplicando-se a regra da cadeia, dá-se mais um passo da forma:
∂c ∂c ∂c ∂c ⎛ ∂u ∂v ∂w ⎞ ∂C ′u′ ∂C ′v′ ∂C ′w′
+u +v +w + c ⎜⎜ + + ⎟⎟ + + + =0
∂t ∂x ∂y ∂y ⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠ ∂x ∂y ∂z
Eq. 3-6
Para um fluido incompressível, a Eq. 2-10 diz que:
Dρ ⎛ ∂u ∂v ∂w ⎞
+ ρ ⎜⎜ + + ⎟⎟ = 0
Dt ⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠
e assim a Eq. 3-6 se simplifica para:

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∂C ∂C ∂C ∂C ∂C ′u′ ∂C ′v′ ∂C ′w′


+u +v +w + + + =0
∂t ∂x ∂y ∂y ∂x ∂y ∂z
Eq. 3-7
Os produtos cruzados C ′u′ representam a convecção líquida devido ‘as
flutuações turbulentas e por analogia com a Lei de Fick de difusão moelcular,
podem ser representadas por um equivalente coeficiente de difusividade, no
qual o fluxo de massa é proporcional ao gradiente médio da concentração,
sendo Dx, Dy e Dz os coeficientes de difusão turbulenta. Reescrevendo a Eq.
3-7, tem-se:
∂c ∂c ∂c
c′u′ = − Dx c′v′ = − Dy c′w′ = − Dz
∂x ∂y ∂z

∂c ∂c ∂c ∂c ∂ ∂c ∂ ∂c ∂ ∂c
+ u + v + w + (− Dx ) + (− Dy ) + (− Dz ) = 0
∂t ∂x ∂y ∂y ∂x ∂x ∂y ∂y ∂z ∂z
Eq. 3-8
Os valores de Dx, Dy e Dz não são os mesmos em todas as direções, mas
costuma-se por simplificação, adotar um valor fixo Dm para representar uma
difusão homogênea. A Eq. 3-8 é a equação tridimensional de advecção-
difusão, que não tem solução analítica. Os valores para Dm são obtidos a partir
medições de campo com traçadores, para estimativa do valor a ser utilizado
nos cálculos. A Eq. 3-8 pode ser reduzida a uma dimensão tomando-se
valores médios para todos os parâmetros ao longo da seção de um rio ou
estuário, considerando a concentração apenas como função de x e t. Assim:
∂c
A
1
A ∫0
=0 U= u dA
∂y

∂c
A
1
A ∫0
=0 C= c dA
∂z
v=w=0

∂C ∂C 1 ∂ ∂C
+U − (E )=0
∂t ∂x A ∂x ∂x
Eq. 3-9
O coeficiente E é denominado coeficiente de dispersão longitudinal e tem a
dimensão L2/T.

3.2 Transferência de Massa


Se as concentrações são diferentes em duas partes de um sistema, este
sistema tenderá a ajustar-se a uma condição de equilíbrio. A velocidade na
qual este ajuste se dá é proporcional à magnitude da diferença de
concentrações, que é denominada ‘forçante’ ou ‘diferença potencial’ e à área

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da interface entre as duas partes do sistema entre as quais ocorre a


transferência.O fluido ou sólido através do qual o constituinte se movimente
oferece resistência a exte equilíbrio na forma:
(área)(forçante)
fluxo =
resistência
A resistência é usualmente descrita em termos de coeficiente de transporte de
massa. Um coeficiente global é um parâmetro integrado que incorpora os
efeitos de turbulência, tipo de constituinte e é tipicamente uma função da
temperatura.
Um reservatório contém um constituinte a uma concentração uniforme Cw. O
constituinte pode mover-se através da superfície do reservatório, entre a água
e a atmosfera, que tem concentração Ca. A área da superfície é A, o volume V
e ao relação entre o volume e a área é d = V / A sendo d denominado
profundidade média. O balanço de massa então fica:
VdC
= − kA(Cw − Ca )
dt
Eq. 3-10
ou então
dC C
= −k
dt d
Eq. 3-11
cuja solução analítica é
t
−k
C = C0 e d

Eq. 3-12
A direção do movimento é determinada pelo sinal da quantidade (Cw-Ca). Por
exemplo, se um constituinte sintético foi lançado no reservatório então Cw > Ca e
o transporte de massa ocorrerá entre a água e o ar. Se o constituinte for
oxigênio e a o reservatório não está saturado, a transferência de massa,
freqüentemente chamada de reaeração, ocorrerá do ar par a água. A Eq. 3-13
é usualmente utilizada como um modelo de reaeração. O coeficiente kL pode
ser reescrito na forma de um coeficiente volumétrico de reaeração k a = k L A / V ,
com unidade [T-1].
Vdc
= − k L A(cs − c)
dt
Eq. 3-13
dc
= − k a (cs − c )
dt
Eq. 3-14
Outra forma comum de se expressar a concentração de oxigênio na água é
através do déficit de O2, na forma D = (cs − c) . Como dD = dcs − dc

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dD dc
= −ka D − s
dt dt
Eq. 3-15
Se for admitido que os fatores que afetam a concentração de saturação cs
(temperatura, salinidade e pressão) são constantes, então dcs/dt = 0 e:
dD
= −ka D
dt
Eq. 3-16

4 SOLUÇÕES NUMÉRICAS

Muitas das equações diferenciais descritas para avaliação do movimento dos


fluidos e da dispersão de poluentes, como as equações 2.22, 2.30 e 3.9 não
podem ser resolvidas analiticamente em função da complexidade e não
linearidade de seus termos, além de possuírem coeficientes variáveis,
condições de contorno complexas e outros fatores. A solução das equações de
fluxo, assim como da adveção-dispersão, é freqüentemente alcançada com o
emprego do método numéricos, que aproximam os termos destas equações
em elementos passíveis de serem calculados.
O método mais empregado nas aplicações ligadas ao fluxo de água é o das
diferenças finitas, até mesmo quando a solução analítica é possível. O método
de diferenças finitas consiste em aproximar as diferenciais infinitesimais das
equações por diferenças mensuráveis, admitindo que as mesmas possam
operar em variáveis discretas e em pequenos intervalos de tempo. Apesar de
ser uma aproximação, não significa que os resultados serão grosseiros ou
pouco acurados. Mesmo as soluções analíticas podem apresentar erros, em
função dos dados de entrada e, em ambos os casos, a precisão da solução
será sempre função da qualidade dos dados de entrada empregados.

4.1 Solução das Equações de Saint Venant


As equações 2.22 e 2.30, para solução do escoamento não permanente em
superfície livre, podem ser calculadas através de diferentes métodos
numéricos, propostos por diferentes autores, e tem conseguido sucesso na
representação dos escoamentos em rios e canais. Os métodos de maior
aplicação são os denominados ‘Esquema de Preissman’ e Esquema
McCormack’, sendo o primeiro um esquema implícito no tempo e o segundo
um esquema explícito.
Para desenvolvimento de aplicações ligada a dispersão de poluentes, o
esquema McCormack é particularmente adequado, pois se aplica a
praticamente qualquer caso prático e é facilmente programável para uso em
aplicativos de planilha eletrônica.
As equações básicas do escoamento unidimensional nos canais expressam a
conservação da massa e da quantidade de movimento, em termos da vazão
em escoamento num trecho discreto e da cota do nível dágua. As perdas de

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energia por atrito são representadas pelo gradiente energético do trecho,


segundo a expressão de Chézy.
∂Q ∂A
+ =q Eq. 4-1
∂x ∂t
∂Q ∂ ⎛ βQ 2 ⎞ ∂h
+ ⎜⎜ ⎟⎟ + gA + gAS f = qv cos γ Eq. 4-2
∂t ∂x ⎝ A ⎠ ∂x
onde :
A →área da seção transversal do escoamento
Q →vazão em escoamento na seção
h →cota do nível dágua'
y →profundidade'
β →coeficiente de quantidade de movimento
g →aceleração da gravidade
v →velocidade do escoamento contribuinte
q →vazão linear de contribuição lateral no trecho de canal representado.
γ →ângulo de entrada da contrbuição
Sf →declividade da linha de energia

O termo C pode ser estimado através da expressão de Manning ou ainda


através de Darcy-Weissbach:

1 16
C= Rh Eq. 4-3
n
1
⎛ ⎞
2
8g
C = ⎜⎜ ⎟
⎟ Eq. 4-4
⎝ − 2 log 12 Rh ⎠
K

onde:
n →coeficiente de rugosidade de Manning
Rh →raio hidráulico

A Figura 4-1 e a Figura 4-2, a seguir esquematizam os principais termos


envolvidos nas expressões.

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Figura 4-1: Seção transversal Típica

Figura 4-2: Definição dos elementos de cálculo


As equações anteriores podem ser rearranjadas tomando a forma:
1 ∂Q ∂y qe L ∂h
+ = +
B ∂x ∂t B B ∂t
Eq. 4-5

∂Q Q 2 ⎛ ∂β ⎞ Q ⎛ ∂Q ⎞ 2 ∂h Q 2 ⎛ ∂A ⎞
+ ⎜ ⎟ + 2β ⎜ ⎟ + gA(1 − βFr ) + β 2 ⎜ ⎟ + gAS f = qt v cos γ
∂t A ⎝ ∂x ⎠ A ⎝ ∂x ⎠ ∂x A ⎝ ∂x ⎠ h =const
Eq. 4-6
onde
B →largura na superfície livre

Fr →número de Froude do Escoamento V / g .h


L →largura lateral da planície de inundação

4.1.1 Discretização Numérica


A discretização numérica do esquema de MacCormack considera um grid
espaço-tempo conforme o indicado na Figura 4-3, e dois grupos de operadores
para representar por diferenças finitas finitas uma grandeza genérica G,
denominados Preditor e Corretor. Espacialmente, o canal é discretizado
através das seções transversais distanciadas de Δx. O domínio do tempo é
dividido em intervalos Δt.

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Figura 4-3: Discretização numérica do esquema McCormack

• Operador Progressivo – Preditor


∂G Gi* − Git ∂G Git+ i − Git _
G t + Git
= ..... = ..... G = i +1
∂t Δt ∂x Δx 2
Eq. 4-7

• Operador Regressivo – Corretor


∂G Gi** − Gi* ∂G Gi* − Gi*−1 = Gi* + Gi*−1
= ..... = ..... G =
∂t Δt ∂x Δx 2
Eq. 4-8

10

6
Tempo em Dt

2 t**

1 t*

0 t
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Espaço

Figura 4-4: Esquema de Diferenças Finitas Mc Cormack


A aplicação das Eq. 4-7 às equações básicas Eq. 4-5 e Eq. 4-7 definem o
passo de cálculo denominado preditor, da forma simplificada

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⎛ _

Δt ⎜ ⎛ Qit+1 − Qit ⎞⎟
yi = yi + _ ⎜ qs − ⎜ ⎟⎟ ⎟
* t

⎛ _
⎞ ⎜ i+1 ⎜⎝ Δx ⎠⎟
⎜ Bi +1 + Li ⎟ ⎝ ⎠
⎝ ⎠
Eq. 4-9

⎛ _2 _ ⎞
⎜ Q ⎛ β t − β it ⎞ − Q ⎛ Q t − Qit ⎞ _ ⎛ _ _
⎞⎛ y t − y t ⎞ − − ⎟
Qi* = Qit − Δt ⎜ i_+1 ⎜⎜ i+1 ⎟⎟ + 2 β i+1 _i+1 ⎜⎜ i+1 ⎟⎟ − g Ai+1 ⎜⎜1 − β i+1 Fri +1 2 ⎟⎟⎜⎜ i+1 i ⎟⎟− g Ai+1 S fi+1 ⎟
⎜ Ai+1 ⎝ Δx ⎠ Ai+1 ⎝ Δx ⎠ ⎝ ⎠⎝ Δx ⎠ ⎟
⎝ ⎠

_ _
+ qti +1 vi+1 cos γ i+1
Eq. 4-10
Aplicando-se as equações Eq. 4-8, obtém-se o passo Corretor

⎛ ⎞

Δt = ⎛ Q *
− Q *
⎞ ⎟
yi** = yi* + _ _ ⎜ q si − ⎜⎜ i i −1
⎟⎟ ⎟
⎛ ⎞
⎜ Bi + Li ⎟ ⎜⎝ ⎝ Δx ⎠ ⎟

⎝ ⎠
Eq. 4-11

⎛ =2 = _

⎜ Q ⎛ β *
− β *
⎞ =
Q ⎛ Q *
− Q *
⎞ = ⎛ = =
2 ⎞⎛ yi − yi −1 ⎞
* * * * ⎟
Qi = Qi − Δt ⎜ = ⎜⎜
** * i i i −1
⎟⎟ + 2 β i = ⎜⎜
i i i −1
⎟⎟ − g Ai ⎜⎜1 − β i Fri ⎟⎟⎜⎜ ⎟⎟− g Ai S f1 ⎟
⎜ Ai ⎝ Δx ⎠ Ai ⎝ Δx ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ Δx ⎠ ⎟
⎝ ⎠

= =
+ qti vi cos γ i
Eq. 4-12
Os valores finais das incognitas Q e y são calculados após os passos predictor
e corrector da forma:
yit + yi** Qit + Qi**
y t +1 = Q t +1 =
2 2
Eq. 4-13
Muitos autores indicam que o cálculo dos das variáreis Y e Q podem ser
corrigidos através da introdução de uma viscosidade artificial, para
amortecimento das oscilações numéricas de altas ordens derivadas do método
de discretização. Esta correção é dada por:

Δt
y − 2 yi + yi −1 ε i− = k max (ε i − 1 , ε i )
ε i = i +1− Δx
1
2

yi +1 + 2 yi + yi −1
Δt
Eq. 4-15 ε i+ = k max (ε i , ε i + 1 )
Δx
1
2

Eq. 4-14

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Git +1 = Git +1 + ε i + 12 (Git++11 − Git +1 ) − ε i − 12 (Git +1 − Git−+11 )


Eq. 4-16
O coeficiente de amortecimento k, segundo Chaudhry et alli.(1991) deve ser
adotado em cada caso sempre o menor possível, mas suficiente para
amortecimento das oscilações de alta freqüência características. Sendo um
método explicito, a estabilidade numérica é garantida ao ser obedecida as
condições de Courant-Friedrichs-Lewys, conforme indicado pela relação
abaixo:

C n = v + gh ( ) ΔΔxt ≤ 1
Eq. 4-17

4.1.2 Características Geométricas das Seções dos Canais


As características geométricas das seções dos canais naturais são estimadas
através da sub-divisão da área em lamelas verticais. O cômputo dos
parâmetros fica assim definido:
n −1
a) Área Molhada → A = ∑ Ai
1
n −1
b) Perímetro Molhado → p = ∑ pi
1
n −1
c) Largura Superficial → B = ∑ Bi
1
3
⎛ Ai Rh 3 ⎞
2 2

d) Raio Hidráulico → Rh = ⎜ i ⎟
⎜ A ⎟
⎝ ⎠

∑ A (C )
n −1 2
i i Rhi S f
c) Coeficiente β → β =
( )
1

A C Rh S f

4.1.3 Condições Iniciais e de Contorno


As condições iniciais indicam o estado de partida da simulação e representam
a situação de Q(0) e h(0), muitas vezes condicionando a solução final do
problema. Geralmente a condição inicial representa uma situação observada
em campo ou, na falta desta a condição do regime permanente uniforme
compatível com o problema em estudo.
Para a obteção do regime permanente uniforma deve-se considerar a
simulação de um intervalo de tempo em regime permanente gradualmente
variado de forma a garantir a condição inicial correta

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 19


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

As condiões de contorno representam as hipóteses a serem analisadas com o


modelo de regime variado. Em geral empregam-se condições do tipo:
• a montante: hidrograma afluente ou condição de nível d´água conhecida
a partir da operação de uma estrutura hidráulica
• jusante: limnigrama ou relação Q x h, que permita representar a
condição do nível d´água em função do tempo, como o comportamento
do nível de um reservatório, maré ou estrutura hidráulica, ou ainda uma
curva-chave de um rio.
Cota

110

105

100

95

90

85
0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000 18000
Progressiva
Q m³/s

Q m³/s

1000 110 1000 110

800 105 800 105


600 100 600 100

400 95 400 95
200 90 200 90
0 t (h) 85 0 t (h) 85
0,00 5,00 10,00 15,00 0,00 5,00 10,00 15,00
-200 80 -200 80

Figura 4-5: Condições de Contorno a montante e jusante de um canal

4.1.4 Algoritmo de Solução


O algoritmo de solução apresenta 4 etapas para cada passo de tempo:

1. Predictor
a) calculam-se os valores de Q* e y* para os pontos i=1,...n-1,
utilizando-se as equações (7).
b) com as condições de contorno corrigem-se os valores de Q1 ou
y1 e Qn ou Yn.
2. Corrector
a) calculam os valores de Q** e y** para os pontos i=2,... n, com
as equações (8).
b) com as mesmas condições de contorno corrigem os valores de
Q1 ou y1 e Qn ou yn.

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 20


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

3. Cálculo de Y e Q
a) calculam-se os valores de Qt+1 e yt+1 a partir de (9).
b) com Qt+1 e yt+1 estima-se o novo Δt para calculo do passo
seguinte
4. Correção dos valores de Qt+1 e yt+1 através das equações (10).

4.2 Equação da Dispersão


Para ilustração do método será empregada a Eq. 3-9 combinada com um
termo de decaimento como o da Eq. 3-16 e uma fonte constante de
lançamento de constituinte La.
∂C ∂C ∂ ∂C
+U − E ( ) = −kC + La
∂t ∂x ∂x ∂x
Eq. 4-18
A equação Eq. 4-18 é utilizada para descrever um rio com escoamento
unidimensional, coeficiente de dispersão E constante, seção transversal
constante e velocidade constante. A concentração do poluente era variar ao
longo do tempo e da distancia x. No conceito de diferença finita, a área de
integração será ajustada a uma malha retangular e a solução aproximada da
equação diferencial é encontrada nos pontos de intersecção da malha,
partindo-se de valores conhecidos para cálculo dos valores desejados
(presente -> futuro).

Figura 4-6: Malha de discretização de diferenças finitas

4.2.1 Esquema Direto


No método explicito, o processo é similar ao cálculo de equações diferencias
ordinárias, nas quais a solução é obtida passo a passo através do tempo,
partindo-se de uma concentração conhecida. No método explicito, o valor
desconhecido Ci,n+1 é calculado a partir de três valores conhecidos Ci-2,n, Ci,n e
Ci,n+1, para aproximação das diferenciais, como m ostra a Figura 4-6.

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 21


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Examinando cada termo da Eq. 4-18 separadamente:

a) o termo de ordem zero kC pode ser representado por:

kC = k
(C
i ,n + Ci ,n+1 )
2
Eq. 4-19

b) O termo La pode ser representado por ΔLi , o incremento de poluente


descarregado durante o intervalo de tempo no ponto i.
c) O termo de primeira ordem ∂c / ∂t deve ser representado por uma
diferença progressiva, de forma a permitir o avanço do tempo de cálculo:
∂c Ci ,n+1 − Ci ,n
=
∂t Δt
Eq. 4-20
d) o termo U∂c / ∂t deve ser aproximado por uma diferença regressiva, de
forma a permitir representar a advecção pura, isto é, uma partícula no
ponto i-1 deve se mover para um ponto distante Δx num intervalo Δt de
tal forma que Δx / Δt = U :
∂C C − Ci −1,n
U = U i ,n
∂x Δx
Eq. 4-21
e) o termo de dispersão deve ser representado por uma diferença central,
que é derivada a partir da expansão em série de Taylor.
∂ ∂C C − 2Ci , n + Ci −1, n
E ( ) = E i +1, n
∂x ∂x Δx 2
Eq. 4-22
Para que esta solução seja estável é necessário que
ΔtE 1

Δx 2
Eq. 4-23
A relação de diferenças finitas resultante fica então:
Ci ,n+1 − Ci ,n C − Ci−1,n
= −U i ,n
C − 2Ci ,n + Ci−1,n
+ E i+1,n
(C + Ci,n+1 ) + ΔL
− k i ,n
Δt Δx Δx 2 i
2
Eq. 4-24
A Eq. 4-24 pode ser resolvida explicitamente tomando-se como condição de
contorno as concentrações conhecidas na primeira e na última seção. Para
evitar o surgimento de valores negativos nos primeiros intervalos de tempo
sugere-se calcular o primeiro time-step considerando apenas a conveção da
carga ΔLi . A partir do segundo time-step podem ser considerados os demais
termos.

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 22


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

4.2.2 Esquema Centrado no espaço


A Eq. 4-18 pode ser escrita de forma mais genérica como:
∂AC ∂AC ∂ ∂AC
+U −E ( )=S
∂t ∂x ∂x ∂x
Eq. 4-25
Esta equação representa um esquema unidimensional convectivo-difusivo com
seção transversal, velocidade e coeficiente de dispersão variando ao longo da
distancia. Os termos de lançamentos e decaimento são representados pelo
parâmetro S.
Uma melhor aproximação pode ser obtida pelo uso do esquema de diferenças
centrado no espaço no qual os valores são calculados no centro do intervalo
entre (i) e (i+1) como mostra a Figura 4-7:

Figura 4-7: Esquema de diferenças centrado no espaço

( AC )i ,n+1 − ( AC )i ,n
= − ⎡U i−112,n ( AC )i−112,n − U i+112,n ( AC 1 )⎤ +
1
Δt Δx ⎢⎣ i +1 , n ⎥
2 ⎦
1 ⎡ ⎛ ∂( AC ) ⎞ ⎛ ∂( AC ) ⎞ ⎤
+ ⎢ Ei+112,n ⎜ ⎟ − Ei−112,n ⎜ ⎟ ⎥ + Si
Δx ⎢⎣ ⎝ ∂x ⎠i+112,n ⎝ ∂x ⎠i−112,n ⎥⎦

⎛ ∂ ( AC ) ⎞ ( AC )i+1,n − ( AC )i ,n
⎜ ⎟ =
⎝ ∂x ⎠i+112,n Δx

⎛ ∂ ( AC ) ⎞ ( AC )i ,n − ( AC )i−1,n
⎜ ⎟ =
⎝ ∂x ⎠i−112,n Δx
Eq. 4-26

4.2.3 Aplicação Prática


Uma barcaça carregada deixa vazar durante uma hora, 20.000 litros de
substância salina em um rio cujos dados estão indicados abaixo. A
concentração do sal é de 300 mg/L e sabe-se que no rio já se detecta 1 mg/L
do mesmo sal proveniente de fontes difusas. Considerando um trecho de 20
km a jusante do ponto de lançamento, construa um modelo com o auxílio de

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 23


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

um esquema numérico de diferenças finitas para a equação de advecção-


difusão. A seguir responda as seguintes questões:
a) Trace o perfil de máximas concentrações ao longo do canal (envoltória)
b) Quanto tempo depois do acidente, a concentração do sal a 20km do
ponto de lançamento retorna a valores inferiores a 1,5 mg/l?
c) Qual o máximo intervalo de tempo de cálculo que pode ser utilizado sem
interferir nos resultados?
Dados Hidráulicos
Vazão Afluente 25m³/s
Base 20.00m
Taludes 1V:_H 2
Declividade 0.00025m/m
Rugosidade 0.025Manning
Produndidade y 1.47m
Área Molhada 33.72m²
Perímetro Molhado 26.57m
Raio Hidráulico 1.27m
Velocidade 0.74m/s
Coeficiente de Dispersão Longitudinal 1.01/s
Comprimento do Trecho 20km

Solução:
a) envoltória de concentrações máximas
5 .0 0

4 .0 0

3 .0 0
C(i,t)

2 .0 0

1 .0 0

0 .0 0
0 5000 10000 15000 20000
D i stâ n c ia (m )

b) Cerca de 9 horas.
c) Cerca de 1000 s

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 24


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

5 REFERÊNCIAS

Piveli, R. P. et all. Qualidade das Águas e Poluição: aspectos físico-químicos.


ABES, 2006.
James, A et all., Water Quality Modelling, 2nd. Ed. John Wiley & Sons
Ltd.,1993.
Potter, M & Wiggert, D. – Mecânica dos Fluidos Ambiental, Ed. Thompson,
2004.
Chapra, S.C.. - Surface Water Quality Modeling. ,Waveland Press, 2008.
Martins, J.R.S, - Hidrodinâmica Bidimensional – Estudo em Modelo
Matemático, EPUSP, 1989.
Fraguso Jr., C.R. - Modelagem Ecológica em Ambientes Aquáticos. Oficina de
Textos, 2009.
Gang-Ji, Zhen. – Hydrodynamics and Water Quality. Modeling rivers, lakes and
estuaries. Wiley & Sons, 2008.

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 25


CAPÍTULO 3: EQUAÇÃO DA ENERGIA E DISPERSÃO
TÉRMICA
Este capítulo trata da equação da energia na forma
diferencial e de seu emprego na modelação da convecção-
difusão térmica.

1 INTRODUÇÃO
Em muitas das aplicações usuais da engenharia ambiental necessita-se
considerar a variação da temperatura do ar ou da água durante os fenômenos
de transporte e mistura de constituintes. É o caso do lançamento de efluentes
industriais nos quais a temperatura de emissão é superior ou inferior a
temperatura do corpo receptor.

Nas estações de tratamento de esgotos, usinas termoelétricas, industrias


metalmecânicas dentre outras, é comum o lançamento de efluentes em
temperatura superior aquela encontrada nos rios, lagos, estuários e oceanos. A
dispersão da chamada pluma térmica se da na forma de condução através do
contato da massa líquida com o solo e ar e da convecção.

O tratamento deste tipo de escoamento e seus efeitos ambientais pode ser


feito a partir da equação diferencial da energia.

2 EQUAÇÕES DA ENERGIA

Para conceituação da equação da energia torna-se necessário o


estabelecimento de alguns conceitos relativos à trabalho e energia. O fluxo de
calor através de uma área A é dada pela lei de Fourrier

∂T
Q& = − kA
∂n
Eq. 2-1

onde T é a temperatura, A é a área da superfície k a condutividade térmica e n


a direção normal à superfície de área A. O trabalho realizado por uma força é
definido como sendo o produto desta força pela velocidade na direção da força:

τ = pAV
Eq. 2-2

onde pA é a força de pressão e V a velocidade na direção da força. De acordo


com a primeira lei da termodinâmica, a variação da energia de um corpo ou
uma partícula pode ser expressa pelo balanço entre o fluxo de calor e o
trabalho das forças externas sobre o corpo ou partícula. A variação da energia
será expressa na forma da Eq. 2-9 do Capítulo 2:
DE
= τ − Q&
Dt
Eq. 2-3

A Eq. 2-4 apresenta os fluxos de calor pelas faces do elemento infinitesimal já


utilizado na apresentação das equações básicas na forma euleriana. Para a
partícula que ocupa o elemento pode-se escrever:

Figura 2-1: Taxas de Transferência de calor e massa sobre um elemento infinitesimal de


fluido (Potter & Wiggert, 2004)

D ⎛ u 2 + v 2 + w2 ⎞
ρ ⋅ dx ⋅ dy ⋅ dz ⋅ ⎜⎜ + gz + uˆ ⎟⎟
Dt ⎝ 2 ⎠
∂T ⎛ ∂T ∂ 2T ⎞
= k ⋅ dy ⋅ dz ⋅ − k ⋅ dy ⋅ dz ⋅ ⎜⎜ + 2 dx ⎟⎟
∂x ⎝ ∂x ∂x ⎠
⎡ ∂pu ⎤
+ p ⋅ u ⋅ dy ⋅ dz − ⎢ p ⋅ u ⋅ dy ⋅ dz + dx ⋅ dy ⋅ dz ⎥
⎣ ∂x ⎦
∂T ⎛ ∂T ∂ 2T ⎞
+ k ⋅ dx ⋅ dz ⋅ − k ⋅ dx ⋅ dz ⋅ ⎜⎜ + 2 dy ⎟⎟
∂y ⎝ ∂y ∂y ⎠
⎡ ∂pv ⎤
+ p ⋅ v ⋅ dx ⋅ dz − ⎢ p ⋅ v ⋅ dx ⋅ dz + dx ⋅ dy ⋅ dz ⎥
⎣ ∂y ⎦
∂T ⎛ ∂T ∂ T ⎞
2
+ k ⋅ dx ⋅ dy ⋅ − k ⋅ dx ⋅ dy ⋅ ⎜⎜ + 2 dz ⎟⎟
∂z ⎝ ∂z ∂z ⎠
⎡ ∂pw ⎤
+ p ⋅ w ⋅ dx ⋅ dy − ⎢ p ⋅ w ⋅ dx ⋅ dy + dx ⋅ dy ⋅ dz ⎥
⎣ ∂z ⎦
Eq. 2-4
r r r r
onde u, v e w são as componentes do vetor velocidade V = ui + vj + wk e û é a
energia interna do elemento. Sendo a massa da partícula constante, o produto
ρ ⋅ dx ⋅ dy ⋅ dz pode ser eliminado dividindo-se ambos os lados por ele, o que
resulta:

⎛ ∂ 2T ∂ 2T ∂ 2T ⎞ ⎛ ∂pu ∂pv ∂pw ⎞ D ⎛ u 2 + v 2 + w2 ⎞


k ⎜⎜ 2 + 2 + 2 ⎟⎟ − ⎜⎜ + + ⎟⎟ = ρ ⎜⎜ + gz + uˆ ⎟⎟
⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠ ⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠ Dt ⎝ 2 ⎠
Eq. 2-5

Desdobrando-se as diferenciais tem-se que:

⎛ ∂ 2T ∂ 2T ∂ 2T ⎞ ⎛ ∂u ∂v ∂w ⎞ ⎛ ∂p ∂p ∂p ⎞
k ⎜⎜ 2 + 2 + 2 ⎟⎟ − p⎜⎜ + + ⎟⎟ − ⎜⎜ u + v + w ⎟⎟
⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠ ⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠ ⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠
Du Dv Dw Dz Duˆ
= ρu + ρv + ρw + ρg +ρ
Dt Dt Dt Dt Dt
Eq. 2-6

que, eliminando-se os termos nulos resulta em:

Duˆ ⎛ ∂ 2T ∂ 2T ∂ 2T ⎞ ⎛ ∂u ∂v ∂w ⎞
ρ = k ⎜⎜ 2 + 2 + 2 ⎟⎟ − p⎜⎜ + + ⎟⎟
Dt ⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠ ⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠
Eq. 2-7

Costuma-se utilizar a expressão acima na forma simplificada (Potter & Wiggert,


2004):

Duˆ
ρ = k∇ 2T − p∇V
Dt
Eq. 2-8

2.1 Equação da Convecção-Difusão Térmica

Considerando que a energia interna û pode ser escrita na forma de û=cpT,


onde cp é o calor específico do fluido a volume constante, e que ∇⋅V=0. a Eq.
2-8 pode ser simplificada ainda mais para:

DT k
= ∇ 2T
Dt ρC p
Eq. 2-9

k
sendo a relação α = denominada de ‘difusividade térmica’.
ρC p
Se k é uniforme, o que pode ser admitido na maioria dos líquidos, pode-se
considerar na forma bidimensional a equação da energia como sendo:

∂T ∂T ∂T ⎛ ∂ 2T ∂ 2T ⎞
+U +V = α ⎜⎜ 2 + 2 ⎟⎟
∂t ∂x ∂y ⎝ ∂x ∂y ⎠
Eq. 2-10
que é a equação parabólica de convecção-difusão para a temperatura T
(Fortuna, 2000). Na forma unidimensional, aplicável aos rios, tem-se:

∂U ∂U ∂ 2T
+U =α 2
∂t ∂x ∂x
Eq. 2-11

2.2 Escoamentos com Influência da Temperatura

Para análise dos escoamentos com variação de temperatura, devem ser


introduzidas modificações na componente vertical da Eq. 2-29 do Capítulo 2.
Esta equação compreende a velocidade w, na direção z, que é afetada pela
variação da densidade do líquido com a temperatura, introduzindo um empuxo
(positivo ou negativo) sobre a massa de liquido que está abaixo dele.

Para tal, considera-se a aproximação de Boussinesq (Fortuna, 2000) que indica


o desenvolvimento do termo de densidade através das primeiras parcelas da
série de Taylor :

∂ρ
ρ (T ) ≈ ρ 0 + dT
∂t
Eq. 2-12

De forma compacta pode-se escrever:

⎛ 1 ∂ρ ⎞
ρ (T ) ≈ ρ 0 ⎜⎜1 + dT ⎟⎟ = ρ 0 (1 + βdT )
⎝ ρ 0 ∂t ⎠
Eq. 2-13
Onde β é o coeficiente de expansão térmica do líquido.

A força externa atuante na direção z, devido ao empuxo gerado pela diferença


de densidade fica:

ρ0
Femp = (1 − βdT ) g
ρ
Eq. 2-14
Compondo-se a equação da quantidade de movimento com o fator de variação
da densidade resulta:

∂u ∂u ∂u ∂u 1 ∂p τ
+u +v +w + + ρgτ ox − wx = 0
∂t ∂x ∂y ∂z ρ ∂x ρ

∂v ∂v ∂v ∂v 1 ∂p τ
+u +v +w + + ρgτ oy − wy = 0
∂t ∂x ∂y ∂z ρ ∂y ρ

∂w ∂w ∂w ∂w 1 ∂p
+u +v +w + + ρgτ oz + (1 − β (T − T0 ) = 0
∂t ∂x ∂y ∂z ρ ∂w
Eq. 2-15

A solução pode então ser feita determinando-se a temperatura T em cada


elemento a partir da equação de convecção-difusão térmica Eq. 2-10.

3 SOLUÇÕES NUMÉRICAS

A solução da Eq. 2-10 pode ser obtida através do esquema de diferenças


apresentado no Capítulo 2, denominado ‘centrado no espaço’, onde os valores
são calculados no centro do intervalo entre (i) e (i+1) como mostra a Figura 3-1:

∂T ∂uT ∂vT ⎛ ∂ 2T ∂ 2T ⎞
+ + = α ⎜⎜ 2 + 2 ⎟⎟
∂t ∂x ∂y ⎝ ∂x ∂y ⎠

Figura 3-1: Esquema de diferenças centrado no espaço

A solução geral fica:

(
Ti ,nj+1 = Ti ,nj + Δt − CONVi ,nj + VISCin, j )
onde i,j representa o ponto da malha e CONV o termo convectivo da equação e
VISC o termo viscoso:

∂uT ∂vT (uT )i+ 12, j − (uT )i− 12, j (uT )i , j + 12 − (uT )i , j − 12
CONVi ,nj = + = +
∂x ∂y Δx Δy
ui+ 12, jTi+ 12, j − ui− 12, jTi− 12, j ui , j + 12Ti , j + 12 − ui , j − 12Ti , j − 12
CONVi ,nj = +
Δx Δx

⎛ 1 + Su ⎞ ⎛ 1 − Su ⎞
Ti+ 1 , j = ⎜ ⎟Ti , j + ⎜ ⎟Ti+1, j
2 ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠
⎛ 1 + Su ⎞ ⎛ 1 − Su ⎞
Ti− 1 , j = ⎜ ⎟Ti , j + ⎜ ⎟Ti−1, j
2 ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠
⎛ 1 + Sv ⎞ ⎛ 1 − Sv ⎞
Ti , j + 1 = ⎜ ⎟Ti , j + ⎜ ⎟Ti , j +1
2 ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠
⎛ 1 + Sv ⎞ ⎛ 1 − Sv ⎞
Ti , j −1 / 2 = ⎜ ⎟Ti , j + ⎜ ⎟Ti , j −1
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠

ui , j + ui+1, j
u i+ 1 , j =
2 2
ui , j + ui−1, j
u i− 1 , j =
2 2
vi , j + vi+1, j
vi+ 1 , j =
2 2
vi , j + vi−1, j
vi− 1 , j =
2 2

Su = sinal (ui +1 / 2, j )

Sv = sinal (vi , j +1 / 2 )
Eq. 3-1

⎛ ∂ 2T ∂ 2T ⎞ ⎛ Ti−n1, j − 2Ti ,nj + Ti+n1, j Ti ,nj −1 − 2Ti ,nj + Ti ,nj +1 ⎞


VISCi , j = α ⎜⎜ 2 + 2 ⎟⎟ = α ⎜⎜ + ⎟

⎝ ∂x ∂y ⎠ ⎝ Δx 2 Δy 2 ⎠
Eq. 3-2
4 REFERÊNCIAS
James, A et all., Water Quality Modelling, 2nd. Ed. John Wiley & Sons Ltd.,
1993.
Potter, M & Wiggert, D. – Mecânica dos Fluidos Ambiental, Ed. Thompson,
2004.
Chapra, S.C.. Surface Water Quality Modeling. MacGraw-Hill, 1997.
Martins, J.R.S, Hidrodinâmica Bidimensional – Estudo em Modelo Matemático,
EPUSP, 1989.
Fortuna, Armando O. – Técnicas Computacionais para Dinâmica dos Fluidos,
Ed. USP, São Carlos, 2000.
Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

CAPÍTULO 4: PROCESSOS EM RIOS


Este capítulo trata de diversos modelos de análise e
modelação de qualidade da água em rios.

1 INTRODUÇÃO
Os rios têm, desde a pré-história, sido o caminho natural para lançamento e
disposição de detritos domésticos, da agricultura e industriais no meio
ambiente. Isto se deu pelo fato de que os cursos d´água, pelo fato de estarem
situados invariavelmente nos pontos mais profundos dos vales, oferecem-se
como um meio fácil de afastar do convívio humano, os rejeitos de forma geral.

James & Elliot (1993) listam algumas das características que transformaram os
rios em depósitos naturais de lixo e outros contaminantes:

- são caminhos naturais das águas servidas para o mar;


- permitem o processo rápido de mistura para diluição e dispersão
- retardam a sedimentação e a re-suspensão, que espalha os sedimentos
sobre uma grande área
- apresentam condições de escoamento turbulento, que causa uma rápida
re-aeração.

Com o passar do tempo, alterações indesejáveis na flora e na fauna aquáticas


e presença de constituintes nocivos à saúde passaram a comprometer o uso
destes recursos, criando a necessidade de análise acurada e detalhada do
comportamento das variáveis de qualidade.

A maioria dos modelos para rios procura simular a relação entre a taxa de
DBO, (demanda bioquímica de oxigênio – resultado da ação microbiológica) e
sua influência na concentração de oxigênio dissolvido. A maioria destes
modelos emprega a equação da advecção-difusão, a partir de soluções
teóricas analíticas e soluções numéricas.

No inicio do século 20, a preocupação com a qualidade de água era devido à


saúde pública e ao saneamento, foi nesse
sentido que os modelos começaram a ser
desenvolvidos (Pereira, 2004) . Em 1925
foi proposto o primeiro modelo analítico
para relacionar a concentração de
oxigênio com o lançamento dos esgotos
domésticos nos corpos hídricos,
denominado Equação de Streeter-
Phelps. Em 1967 apenas estes conceitos
foram expandidos para situações mais
realistas, como o escoamento não
Figura 1-1: Representação espacial dos permanente em rios.
modelos (Pereira, 2004)

Os modelos de simulação em rios podem ser de diversas naturezas. É usual,


para fins didáticos classificá-los de acordo com a representação espacial da

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 1


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

simulação, ou discretização espacial, em modelos Zero-dimensionais,


Unidimensionais, Bidimensionais verticais, bidimensionais horizontais e
tridimensionais (Pereira, 2004). Na representação temporal, tem-se os modelos
denominados de ‘regime permanente’ ou ‘steady-state’ e regime não-
permanente ou ‘transients’.

Quanto aos parâmetros de qualidade, os modelos se diferenciam em função


dos constituintes físicos e químicos que simulam, como temperatura,
salinidade, oxigênio, organismos vegetais e patogênicos. Em geral os modelos
de qualidade representam o oxigênio dissolvido simulando os seguintes
processos: degradação ou oxidação da DBO carbonácea, oxidação ou
nitrificação da DBO nitrogênica, re-aeração ou troca de gases com a atmosfera
e a respiração de animais ou vegetais. Quanto ao material em suspensão, são
considerados os processos de sedimentação, re-suspensão e floculação.

O modelo básico de transporte para rios é o da equação de advecção-difusão


unidimensional, na forma:

∂C ∂C 1 ∂ ⎛ ∂C ⎞
+U = ⎜ EA ⎟ + R( x, t ) + La
∂t ∂x A ∂x ⎝ ∂x ⎠
Eq. 1-1

Onde U é a velocidade na direção principal do escoamento , C a concentração


do constituinte A á área da seção transversal, E o coeficiente de difusão
longitudinal, e La uma função associada ao lançamento de um constituinte em
um ponto e R(x,t) uma função associada à variação de concentração devido a
outros processos como o decaimento, o crescimento vegetal e etc.

Nos capítulos anteriores foram estudados métodos de solução da Eq. 1-1


sendo que agora a atenção será direcionada para as variáveis a serem
consideradas nos termos R e La.

2 MODELAÇÃO DOS PARÂMETROS DE QUALIDADE DAS


ÁGUAS
As variáveis de qualidade em
sua grande maioria se
combinam de forma a formar o
denominado ‘ecossistema
aquático’, no qual as
interrelaçãoes entre
constituintes, flora e fauna são
complexas e não totalmente
dominadas. A Figura 2-1
apresenta um diagrama
relacionando o oxigênio
dissolvido com os demais
Figura 2-1: Interrelações entre as variáveis de parâmetros que dependem da
qualidade da água (Brown & Barnwell, 1987) oxidação e da respiração:

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 2


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

- Degradação bioquímica da
matéria orgânica
- Oxidação da amônia
- Respiração animal
- Respiração vegetal
- Produção de oxigênio vegetal
- Reaeração atmosférica e
turbulenta

O diagrama da Figura 2-2 apresenta


as interrelações dita ecológicas entre
as diversas variáveis de qualidade
utilizadas para interpretar o estado de
um corpo hídrico.

Os principais processos a serem


analisados são:
- Reaeração superficial
- Fotosíntese
- Demanda carbônica de O2
- Desoxigenação biológica
- Respiração vegetal
- Respiração animal Figura 2-2: Diagrama de interrelações entre as
- Nitrificação variáveis de qualidade denominado de
Diagrama de relações ecológicas (Pereira,
2004)

2.1 Reaeração

2.1.1 Reaeração Superficial

E o processo natural de incorporação de ar a partir da superfície livre do copo


d´agua. A concentração de O2 depende basicamente da pressão atmosférica
local, da temperatura e da salinidade da água. Para quantificação deste
processo recorre-se ao equacionamento apresentado no Capítulo 2, no qual se
considera um reservatório com água e ar

O O2 pode mover-se através da superfície do


reservatório, entre a água e a atmosfera, que tem
concentração Cs denominada Concentração de
Saturação. A área da superfície é A, o volume V e o
ar atravessa o líquido na espessura ΔH, que é a
relação entre o volume e a área é ΔH = V / A . O
balanço de massa então fica:

VdC
= −k L A(Cs − C )
dt
Eq. 2-1
onde KL é a velocidade de transferência de massa do
oxigênio (m/s) e D o coeficiente de difusão molecular
do oxigênio em água (m2/s)

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 3


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

D
KL =
ΔH
Eq. 2-2

Dividindo-se ambos os lados da Eq. 2-1 por V e rearranjando:

dC A 1
= − k L (Cs − C ) = − k L (Cs − C ) = k 2 (Cs − C )
dt V ΔH
Eq. 2-3
Sendo K2 (s-1 ou dia-1) denominado coeficiente de re-aeração, também
chamado de kar, ka ou kL,a.:
A
K2 = KL
V
A solução analítica da Eq. 2-3 é para t=0 e Cs=0 é:

C = C s (1 − e − k 2 t )
Eq. 2-4
e portanto:

dC
= −k2 (Cs − C )
dt
Eq. 2-5

Outra forma comum de se expressar a concentração de oxigênio na água é


através do déficit de O2, na forma D = (Cs − C ) . Como dD = dCs − dC :

dD dC s
= −k D −
dt dt
Eq. 2-6

Se for admitido que os fatores que afetam a concentração de saturação cs


(temperatura, salinidade e pressão) são constantes, então dCs/dt = 0 e:

dD
= −k 2 D
CsmgO/l

16
dt
14
Eq. 2-7
12

10
A concentração de
8
Saturação Cs depende das
6
condições locais como
4
altitude, temperatura do ar,
2
temperatura da água e
0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
pressão atmosférica. Para
T ºC temperatura da água de
20ºC, ao nível do mar a
Figura 2-3 Variação da Concentração de Saturação com a temperatura
concentração de saturação é
igual a 9,1 mg/l. Utiliza-se a

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 4


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

relação abaixo para correlação entre temperatura e concentração de saturação:

C s = 14,652 − 0,4102T + 7,991 × 10 −3 T 2 − 7,74 × 10 −5 T 3


Eq. 2-8
A influência da salinidade pode ser estimada a partir da relação

1.0754 x 101 2.1407 x 103


ln C od ,satS = ln C od ,satT − S(1.7674 x 10 − 2 − + 2 )
Ta Ta
Eq. 2-9
O coeficiente de re-aeração (velocidade de transferência líquida dividido pela
profundidade de água a ser atravessada) depende muito das condições locais
do curso d´água como temperatura, mistura interna, vento induzindo a mistura,
cachoeiras, correnteza e filmes superficiais. As expressões abaixo permitem
uma estimativa em função dos parâmetros de do escoamento (Brown &
Barnwell, 1987)

Tabela 2-1: Formulações para estimativa de K2 em rios

Eq. 2-10, onde θ é igual a 1,024.


k 2,T = k 2, 20θ T −20
Eq. 2-10

A expressão de O’Connor & Dolbins é


apropriada para rios de profundidade
moderada profundidade moderada à
profunda, com profunda, com velocidade
de moderada à baixa. A fórmula de
Churchill aplica--se a se a profundidades
similares, mas com velocidades
elevadas. A relação de Owens-Gibbs é
utilizada para utilizada para rios mais
rasos.

Figura 2-4 Comparação das Expressões para rios


(Chapra, 1997)

Figura 2-4 Comparação das Expressões para rios


(Chapra, 1997)

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 5


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Tabela 2-2: Relação entre Pressão atmosférica e Solubilidade do Oxigênio em Água para
diferentes temperaturas

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 6


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Tabela 2-3: Fatores de Correção em funcão da salinidade (baseado na condutividade)

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 7


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Para estuários tem-se as expressões

O’Connor - Do é a difusividade do
Dolbins oxigênio em águas
naturais = 2,09 10-5
k2 =
DoU m
cm2/s
H 3/ 2 Um é a velocidade média
durante um ciclo
completo de maré
Banks 0,728U w0,5 − 0,317U w + 0,0372U w2 Uw é a velocidade do
k2 = vento
H
Thomann e e U m 0,728U w0 ,5 − 0,317U w + 0,0372U w2 Combinação dos
Fitzpatrick k 2 = 3,93 * 3 / 2 efeitos
H H

Para lagos têm-se as expressões:

Broecker
(1978):
et al
k L = 0,894U w [ m / dia ] Uw é a velocidade do
vento
Banks (1975) k L = 0,728U w0,5 − 0,317U w + 0,0372U w2
Wanninkhof et al k L = 0,0986U w1, 64 Combinação dos
(1991): efeitos

As figuras abaixo ilustram equipamentos de re-aeração forçada que podem ser


empregados em rios e reservatórios.

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 8


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

2.1.2 Reaeração em Estruturas Hidráulicas, Soleiras e Cascatas

A re-aeração em rios é
influenciada pela presença de
estruturas de controle como
soleiras, vertedouros, barragens,
eclusas e quedas d’água de
forma geral. Butts & Evans
(1983) sugerem a expressão
geral, função da altura da queda Hd:

rd = 1 + 0,38ad b d H d (1 − 0,11H d )(1 + 0,046T )


Eq. 2-11
Onde rd é a relação entre o déficit de oxigênio entre montante e jusante da
soleira, T a temperatura da água em ºC, Hd o desnível e ad e bd são
coeficientes que dependem da qualidade da água e do tipo de barragem
(Chapra & Peletier, 2003)

Tabela 2-4: Valores dos coeficientes ad e bd (Chapra e Pelletier, 2003)

A expressão proposta para cálculo da entrada de oxigênio a jusante da


estrutura é:

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 9


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

⎛ dC ⎞ U C − Ci
⎜ ⎟ = (Cs ,i−1 − s ,i−1 − Ci )
⎝ dt ⎠ soleiras Δx rd
Eq. 2-12

onde Ci-1 e Ci são as concentrações de O2 a montante e jusante da soleira.

2.2 Fotosíntese

É um processo de re-aeração que


depende da biomassa de material
fotosintetisante, por exemplo algas e
outros organismos portadores de
clorofila. O processo depende da
presença de luz e de nutrientes como o
nitrogênio e fósforo, portanto ocorre de
forma senoidal durante o foto período
(nascer e o por do sol). Neste processo
a produção de o2 será máxima no centro
do intervalo de foto período e zero fora
dele. Pmax é a produção máxima de O2 por unidade de biomassa
fotosintetisante (mgO2/s/Kg).

⎛ dC ⎞
⎜ ⎟ = B f [Pmaxsen (2π (t − ts ) )] para t>ts e t< ts + Δt
⎝ dt ⎠ fotosíntese
Eq. 2-13

sendo ts o instante do nascer do sol, Δt o intervalo de foto período e Bf a


biomassa por unidade de volume (mg/l).

2.3 Demanda Carbônica de Oxigênio

2.3.1 Ciclo do Carbono

A biosfera pode ser entendida como um ciclo de vida e morte. Através da


energia do sol, organismos autotróficos (vegetais) convertem nutrientes
inorgânicos simples em moléculas mais complexas. Na fotosíntese, a energia
solar é armazenada na forma de energia química em moléculas orgânicas.
Como resultado, o oxigênio é liberado e o dióxido de carbono é consumido.

A matéria orgânica serve então como fonte de energia para organismos


heterotróficos (bactérias e micro-organismos) no processo inverso de
respiração e decomposição, retornando assim a matéria orgânica para o
estado mais simples inorgânico. Durante esta decomposição, o oxigênio é
consumido e o dióxido de carbono liberado. Este ciclo é representado pela
equação química :

6CO2 + 6H2O ↔ C6H12O6 + 6O2

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 10


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

De acordo com esta reação reversível, o dióxido de carbono e a água são


utilizados para sintetizar a matéria orgânica na forma de açúcar e criar o
oxigênio na reação de fotosíntese e de forma reversa, decompor a matéria
orgânica e consumir oxigênio durante a respiração. A química do ciclo de
produção/decomposição é muito mais complicada do que a reação acima
porque muitos compostos orgânicos são criados e decompostos durante o
processo e outros elementos além do carbono, hidrogênio e oxigênio estão
envolvidos.

Se uma corrente liquida é originalmente limpa, a concentração de oxigênio se


encontra perto da saturação, devido ao contato superficial com o ar
atmosférico. O lançamento de esgotos não tratados causa a elevação dos
níveis de matéria orgânica dissolvida e particulada na água. Este fato tem dois
impactos. No primeiro a matéria orgânica torna a água turva e a luz não
consegue penetrar, suprimindo o
crescimento vegetal. Alguns dos
sólidos se depositam a jusante
do ponto de lançamento criando
uma zona de lodo que pode
emitir maus odores. Em
segundo lugar, a matéria
orgânica serve de fonte de
alimentação para organismos
heterotróficos que, na sua
digestão reduzem a
concentração do oxigênio
dissolvido. Em complemento a
decomposição da matéria
orgânica no leito lodoso também
consome oxigênio.

A medida em que o nível de


oxigênio da água cai, o oxigênio
presente no ar entra na água de
forma a compensar o déficit. A
princípio o consumo de oxigênio
na água e no lodo vence esta
reaeração.

Entretanto, como a matéria


orgânica é assimilada e o
Figura 2-5Clico do Carbono e Oxigênio na água oxigênio cai, haverá um ponto
de equilíbrio, no qual a concentração de oxigênio é critica. Deste ponto em
diante o taxa de oxigênio começa a aumentar porque a maior parte da
descarga terá se sedimentado, iniciando-se o processo de reaeração. Em
complemento, uma grande quantidade de nutrientes liberados durante a
decomposição estarão presentes, motivo pelo qual nesta zona nota-se o
domínio do crescimento vegetal.

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Figura 2-6: Comportamento do OD em um rio com lançamentos orgânicos

Além das mudanças químicas, o esgoto também leva a significantes efeitos


sobre a biota. Pode-se observar que bactérias e mofo (bolor) dominam a
região do lançamento. As bactérias propriamente servem também de alimento
para uma sucessão de organismos do tipo ciliados rotíferos e crustáceos. A
diversidade de organismos maiores diminui drasticamente na zona de
degradação e de decomposição ativas a jusante. Ao mesmo tempo, o número
total de organismos aumenta.

O primeiro passo para modelação do decaimento do OD por ação do carbono


consiste em caracterizar a composição do esgoto e a simulação do semi-ciclo
respiração/decomposição.

C6H12O6 + 6O2 ↔ 6CO2 + 6H2O

O exemplo mais simples consiste em se imaginar açúcar colocado numa


garrafa com água contendo uma concentração inicial de oxigênio O0. Adiciona-
se uma quantidade de bactérias tampando-se a garrafa. Admitindo-se que a
decomposição é uma reação de primeira ordem da forma:

dg
V = −k1Vg
dt
Eq. 2-14

onde g é a concentração de glicose (mg-g/l), k1 a taxa de decomposição na


garrafa (d-1) e V o volume da garrafa (l). Se a concentração inicial de glicose é
g0, esta equação pode ser resolvida analiticamente por

g = g 0 e − k1t
Eq. 2-15

O balanço de massa para o oxigênio pode ser expresso por:

dO
V = −rog k1Vg
dt
Eq. 2-16

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

onde O é a concentração de oxigênio (mgO/l) e rog é a relação estequiométrica


de oxigênio consumido para decomposição da glicose (mg/mg-g). Substituindo-
se as equações:
dO
V = −rog k1Vg 0 e −k1t
dt
Eq. 2-17

Se a concentração inicial de oxigênio é O0, esta equação tem solução da


forma:
O = O0 − rog g 0 (1 − e − k1t )
Eq. 2-18
Exemplo:

2 mg de glicose
250 ml de água
concentração inicial de oxigênio: r0 10 mg/l
taxa de decomposição da glicose k1 0,1 d-1

Concentração inicial de glicose: g0 = 2/250 = 8 mg/l


Relação estequiométrica:

C6H12O6 + 6O2 ↔ 6CO2 + 6H2O

rog= 6 x 2 16 / ( 6 x 12 + 12 x 1 + 6 x 16)
rog= 1,0667 mgO / mg glicose

Assim, o consumo total de oxigênio na


garrafa será:

r0gg0 = 1,0667 x 8 = 8,5333 mg/l

e a concentração de oxigênio na garrafa


ira tender para :

O = 10 – 8,5333 = 1,46667 mg/l

Empregando a equação da reação teremos:


12
Tempo (dias) Glicose (mgO/l) Oxigenio (mgO/l)
0 8,53336 10 10
2 6,986524 8,453164
C mg/l

4 5,720082 7,186722
8
6 4,683207 6,149847
8 3,834286 5,300926
6
10 3,139248 4,605888 Glicose (mgO/l)
12 2,570199 4,036839
4 Oxigenio (mgO/l)
20 1,154865 2,621505
50 0,057497 1,524137
100 0,000387 1,467027 2
200 1,76E-08 1,46664
0
0 50 100 150 200 250
Tempo (dias)

2.3.2 Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)

No exemplo anterior, o processo simulado representa uma reação simples, que


difere em muito do processo que ocorre no esgoto real, composto de diversos
constituintes nos quais cada um se decompõe a diferentes taxas. No inicio da

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

modelação matemática de qualidade da água estas restrições eram


significativamente mais severas em face das limitações tecnológicas para
determinação dos compostos orgânicos. Como conseqüência, os primeiros
modelos de analise de qualidade consistiam em aproximações empíricas
desprezando-se a composição do esgoto real. Desta forma, assim como no
exemplo anterior, a quantidade de oxigênio consumido quando esgoto é
adicionado a um reator fechado denomina-se demanda bioquímica de oxigênio,
ou DBO.

Em termos matemáticos, para quantificar esta reação define-se a variável L


(mgO/l) que representa a quantidade de matéria orgânica oxidável restante na
garrafa, expressa em termos de quantidade de oxigênio equivalente. O balanço
de massa para o sistema fechado pode ser escrito por:

dL
V = − rog k1VL
dt

Se a concentração inicial é L0, a equação pode ser resolvida por

L = L0e − k1t
Eq. 2-19

O oxigênio consumido durante a decomposição pode ser definido por

y = L0 − L = L0 (1 − e − k1t )
onde y será a DBO (mgO/l). Desta
forma, L0 pode ser definido como
sendo a concentração inicial de
matéria orgânica oxidável
(expressa em termos de unidades
de oxigênio necessário para tal)
ou como a concentração de DBO
limite.

O balanço de massa pode ser


Figura 2-7: Ciclo do O2 e da DBO ao longo do tempo escrito na forma:

dO
V = − k1VL0 e −k1t
dt

Se a concentração inicial de oxigênio é O0, a solução pode ser escrita na


forma:

O = O0 − L0 (1 − e − k1t )

Como este desenvolvimento é idêntico ao feito para a garrafa com glicose,


verifica-se que se torna desnecessária a caracterização exata do esgoto
presente e sua relação estequiométrica com o oxigênio.

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

L0 = rog g 0

Entretanto, a quantidade de carbono pode ser medida diretamente no efluente,


de forma que pode-se correlacionar:

L0 = roc Corg

onde Corg é a concentração de carbono orgânico no esgoto (mgC/l) e roc a


relação estequiométrica da massa de oxigênio consumida pela massa de
carbono processada ou digerida mgO/mgC:

6 ⋅ 2 ⋅16
roc = = 2,67mgO / mgC
6 ⋅12
Por fim deve se observar que além da decomposição dos carbonáceos exite
uma demanda adicional de oxigênio necessária para a oxidação das amônias
em nitritos, processo denominado nitrificação, também chamado de NDBO

2.3.3 DBO para Rios

A aplicação deste conceito para um rio deve ser feita levando-se em conta que
além da decomposição, a DBO pode ser removida também pela sedimentação
da matéria orgânica. Aplicando-se a Eq. 1-1 tem-se que:

∂C ∂C 1 ∂ ⎛ ∂C ⎞
+U = ⎜ EA ⎟ + k r L(t ) + La
∂t ∂x A ∂x ⎝ ∂x ⎠

onde kr representa a taxa total de decaimento de DBO, seja por decomposição


(k1) e por sedimentação (ks).
kr = k1 + k3
Eq. 2-20

A taxa de decomposição representará o mesmo papel que k1 no exemplo da


garrafa enquanto que para a sedimentação adota-se:
v
k3 = s
H
Eq. 2-21
sendo vs a velocidade de sedimentação e H a profundidade da água.

Para o caso do regime permanente e uniforme (C e U=constante e E=0) tem-


se:

∂L
0 = −U − k1L
∂x

cuja solução é da forma:

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

k1
− t
L = L0 e U

Eq. 2-22

sendo que L0 pode ser obtido, como dos exemplos anteriores, considerando a
mistura plena na seção do lançamento:

Qw Lw + Qr Lr
L0 =
Qw + Qr

2.3.4 DBO de 5 dias

A DBO de 5 dias é tomada como padrão de referência para os testes de


decomposição de material orgânica. A estimativa da DBO original pode ser
feita por:
L5
L0 =
(1 − e − k1 5 )
Eq. 2-23

Tabela 2-5: Valor estimativo de K1 considerando diferentes condições de decaimento


Tratamento K1 (20ºC) (d-1) DBO5/DBOu
Não tratado 0,35 (0,2-0,50) 0,83
Primário 0,20 (0,10 – 0,30) 0,63
Lodos Ativados 0,075 ( 0,05 – 0,10) 0,31

2.3.5 Re-aeração com matéria orgânica

Retomando a experiência da garrafa, porém agora sem a rolha, tem-se

dL
V = − k1VL
dt
dC
V = −k1VL + k2V (Cs − C )
dt

⎛ dC ⎞
⎜ ⎟ = − k1 L + k 2 (Cs − C )
⎝ dt ⎠ DBO
Eq. 2-24

onde Cs e C são as concentrações de oxigênio como já visto anteriormente, o


termo k2 indica a taxa de absorção de ar pela garrafa aberta e D = Cs–C
representa o déficit de oxigênio dissolvido, que diferenciado produz:

dD dC
=−
dt dt

Substituindo-se as equações tem-se:

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

dD
V = k1VL − k 2VD
dt

Se L = L0 e D=0 para t=0 tem-se um,a solução analítica que pode ser útil:

L = L0e − k1t

k1 L0
D= (e − k1t − e − k 2t )
k 2 − k1
Eq. 2-25

2.3.6 Re-suspensão da material orgânica

A velocidade e a turbulência do escoamento podem alterar a concentração de


DBO em função da re-suspensão de material depositado. O coeficiente de re-
suspensão k4 é pode ser relacionado com a declividade da corrente:
S0 (m/m) K4
0,047 0,1 ⎛ dC ⎞
0,095 0,15 ⎜ ⎟ = k4 L
0,189 0,25 ⎝ dt ⎠ resuspensão
0,473 0,4
Eq. 2-26
0,497 0,6

2.4 Respiração Vegetal

A respiração vegetal é associada à biomassa presente no corpo d´água e a


uma taxa de absorção de O2. Desta forma:

⎛ dC ⎞ Bk
⎜ ⎟ = v 5
⎝ dt ⎠ resp−vegetal h
Eq. 2-27

onde Bv é a biomassa vegetal seca (kg/m2), k5 é a taxa de absorção de O2


(hora-1) e h a profundidade. O valor de k5 pode ser estimado entre 05 a 2 h-1,
sendo usualmente utilizado em torno de 1,5.

2.5 Nitrificação

A oxidação da amônia é uma reação de primeira ordem dependente de um


coeficiente de decaimento da amônia (k6) e da concentração da amônia. O
valor de k6 tipicamente varia entre 0005 a 0,05 sendo usualmente adotado em
torno de 0,02.

⎛ dC ⎞
⎜ ⎟ = k6C NH
⎝ dt ⎠ nitrificação
Eq. 2-28

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

2.6 Efeitos da Temperatura

Os coeficientes de reatividade são geralmente dependentes da temperatura da


água, sendo os valores de referência estabelecidos para 20 ºC. A

Figura 2-4 Comparação das Expressões para rios (Chapra, 1997)


Eq. 2-10 pode ser generalizada de forma a representar as variações dos
parâmetros empregados na modelação de qualidade da água de forma:

kT = k 20θ T − 20
Eq. 2-29

Tabela 2-6: Correção da Temperatura nos coeficientes de reatividade


Reação θ
Oxidação da DBO k1 1,047
Re-aeração k2 1,024
Nitrificação k6 1,08
Respiração vegetal k5 1,047
Crescimento Fitoplancton 1,03
Crescimento Zooplancton 1,07

3 MÉTODOS DE SOLUÇÃO

A soluções da Eq. 1-1 podem ser feitas de forma analítica ou numérica. No


item 3.2, apresentou-se uma solução simplificada (Streeter-Phelps) que permite
a estimativa do déficit de oxigênio em escoamentos com regime permanente e
uniforme. Simplificações como esta, embora restritivas, apresentam vários
resultados práticos interessantes.

As soluções completas, envolvendo vários fatores intervenientes, como a


resuspensão, respiração vegetal e etc exigem soluções numéricas, como
aquelas vistas no Capítulo 2.

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

3.1 Soluções Teóricas

Soluções particulares para a Eq. 1-1 devem satisfazer simultaneamente a


equação diferencial bem como as condições de contorno estabelecidas. As
condições iniciais especificam que valores para La e C são conhecidos no
instante 0 ao longo do eixo X. As condições de extremidade (contorno) são
estabelecidas a uma distancia suficiente do trecho sob análise para que sua
influencia no resultado possa ser aceita. Uma das soluções da Eq. 1-1 é
admitir que o escoamento é permanente, isto é ∂C / ∂t = 0 . Também admite-se
que o trecho em estudo tem escoamento uniforme bem como sua seção
transversal constante e o termo de decaimento de primeira ordem com
coeficiente genérico k. Desta forma a equação resulta:
∂C ∂ 2C
U − E 2 − kC = 0
∂x ∂x
Eq. 3-1
Seja o problema de uma descarga de massa W (kg/dia) em solução num
efluente Qw (m3/dia) em um trecho de rio com descarga natural (água fresca) Q
(m3/dia).

A solução analítica é:
U kE
W (1± 1+ 4 )x
C ( x, t ) = e 2E U2

kE
AU 1 + 4
U2
Eq. 3-2
Na Eq. 3-2 o sinal negativo é utilizado para os x positivos. As figuras abaixo
ilustram o comportamento da solução analítica da Eq. 3-2 para os dados
indicados a seguir.

W 518400kg/dia
k 0.4dia-1
U 0.25m/s 21600m/dia
A 10m²
E 345000m²/dia

Verifica-se que para a situação usual de difusão advectiva e dispersão as


curvas apresentam-se variáveis a montante e jusante (lançamento feito no
ponto o). Se E=0 não há transporte para montante.

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 19


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

C(mg/l)

C(mg/l)
3 3

2.5 2.5

2 2

1.5 1.5

1 1

0.5 0.5

0 0
-5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 -5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
X Km) X Km)

K e E são diferentes de zero K=0


C(mg/l)

2.5

1.5

0.5

0
-5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
X Km)

E=0
Figura 3-1: Solução analítica para descarga contínua
Outra solução particular da equação Eq. 3-1 pode ser obtida par a situação de
lançamento pontual e instantâneo de uma carga W (kg) de material
conservativo (k=0), que resulta em:

( x −Ut ) 2
M − − kt
C ( x, t ) = e 4 Et

A 4πEt
Eq. 3-3
As figures a seguir ilustram o comportamento da solução analítica para os
dados abaixo

W 6000kg
k 0dia-1
A 10m²
E 350000m²/dia

1 1

0.1 0.1

0.2 0.2
C mg/l
C mg/l

0.5 0.4
0.5 0.4

0.8 0.8

0 0
-5 0 5 10 15 Dist (km) 20 -5 0 5 10 15 Dist (km) 20

U=0 U=0,25 m/s


Figura 3-2: Solução analítica para carga concentrada instantânea

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 20


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

3.2 Equação de Streeter-Phelps


Aplicando o conceito para águas naturais em um rio, com uma fonte pontual de
DBO, em regime permanente e uniforme:

∂L
0 = −U − k1L sendo que k1 = kd + ks
∂x

∂D
0 = −U + k1L − k 2 L
∂x

Se L = L0 e D = D0 para t=0 tem-se que

k1
− x
L = L0 e U

k2 k k
− x k1 L0 − 1x − 2x
D = D0 e U
+ (e U
−e U )
k 2 − k1
Eq. 3-4
que é a equação de Streeter & Phelps para escoamento unidimensional. Esta
equação pode ser aplicada para um curso d´água em regime permanente e
uniforme, obtendo-se o perfil da concentração de O2 ao longo do eixo do
mesmo, como mostra o exemplo a seguir. O instante crítico ou de máximo
déficit pode ser obtido analiticamente pela expressão:

1 ⎡k ⎛ k − k ⎞⎤
tc = ln ⎢ 2 ⎜⎜1 − D0 2 1 ⎟⎟⎥
k 2 − k1 ⎢⎣ k1 ⎝ k1 L0 ⎠⎥⎦
Eq. 3-5

10 40
Cs 9mg/l
L0 35mg/l
C (mg/l)

9
35 U 0.8m/s
8
30
K1 0.4dia-1
7 K2 1.5dia-1
6
25 Co 2.5 Dt 0.25
5 D(mg/l) O (mg/l) DBO (mg/l) 20
Do 6.5mg/l
t (dias) X Km) D(mg/l) O (mg/l) DBO (mg/l)
4
15 - - 6.50 2.50 35.00
3
10 0.25 17.28 7.24 1.76 31.67
2 0.50 34.56 7.48 1.52 28.66
5
1 0.75 51.84 7.41 1.59 25.93
0 0 1.00 69.12 7.14 1.86 23.46
0 100 200 300 400 500 600 700
X (Km)
800 1.25 86.40 6.76 2.24 21.23
1.50 103.68 6.33 2.67 19.21
1.75 120.96 5.87 3.13 17.38

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 21


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

3.3 Soluções Numéricas

As soluções numéricas permitem simular o comportamento do oxigênio


considerando efeitos como a advecção, difusão, reaeração devido à presença
de soleiras e barragens e outros, que são desprezados nas soluções teóricas e
admitidos como efeitos englobados nos parâmetros k1 e k2.

A solução proposta por James(1992) é a mesma empregada em modelos


clássicos como o QUAL2E (EPA, 1987) e partem da equação básica (Eq. 1-1)
aplicando-a para a concentração de DBO (L) e OD (C) juntamente com os
efeitos discutidos nos itens 2.1.1,2.3.5, 2.3.6 e 2.4:

∂L ∂L ∂L
+U = E 2 − (k1 + k3 + k 4 ) L + La
∂t ∂x ∂x
∂C ∂C ∂C
+U = E 2 − k1 L + k 2 (C s −C ) + La
∂t ∂x ∂x
Eq. 3-6

Utilizando—se a técnica de solução já empregada no Cap. 3, por diferenças


finitas, obtém-se um método numérico de solução significativamente
aperfeiçoado em relação à equação de Streeter-Phelps e de fácil
implementação em aplicativos de planilha eletrônica.

Li ,n+1 − Li ,n L − Li−1,n
= −U i ,n
L − 2 Li ,n + Li−1,n
+ E i+1,n
(L + Li,n+1 ) + La
− (k1 − k3 + k 4 ) i ,n
Δt Δx Δx 2 i
2

Ci ,n+1 − Ci ,n C − Ci−1,n
= −U i ,n
C − 2Ci ,n + Ci−1,n
+ E i+1,n
(L + Li,n+1 ) + k (C − C ) + La
− k1 i ,n
Δt Δx Δx 2 2 s i ,n
2
Eq. 3-7

Observa-se que o termo advectivo foi considerado em termos de diferenças


regressivas já que o transporte de massa se faz no sentido do escoamento (da
seção i-1 para a seção i). O termo Lai representa o lançamento de DBO com
concentração constante no tempo no trecho i. Rearranjando a equações
obtém-se a Eq. 3-8, que permite o cálculo explícito em dois passos DBO-OD.

⎛ k −k +k ⎞ ⎛ Δt Δt k −k +k ⎞ ⎛ Δt ⎞
Li ,n+1 ⎜1 + Δt 1 3 4 ⎟ = Li ,n ⎜1 − U − 2 E 2 − Δt 1 3 4 ⎟ + Li+1,n ⎜ E 2 ⎟ +
⎝ 2 ⎠ ⎝ Δx Δx 2 ⎠ ⎝ Δx ⎠
⎛ Δt Δt ⎞
Li−1,n ⎜U + E 2 ⎟ + ΔtLai
⎝ Δx Δx ⎠i

⎛ k ⎞ ⎛ Δt Δt ⎞ ⎛ Δt ⎞
Ci ,n+1 ⎜1 + Δt 2 ⎟ = Ci ,n ⎜1 − U − 2 E 2 − Δt ⋅ k 2 ⎟ + Ci+1,n ⎜ E 2 ⎟ +
⎝ 2⎠ ⎝ Δx Δx ⎠ ⎝ Δx ⎠
⎛ Δt
+ Ci−1,n ⎜U
Δt ⎞ k
[ ]
+ E 2 ⎟ − Δt 1 Li ,n+1 + Li ,n + Δt ⋅ k 2Cs + ΔtLa
⎝ Δx Δx ⎠i 2
Eq. 3-8

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 22


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

A estabilidade do método fica condicionada aos parâmetros empregados na


discretização dos termos de 1a. e 2a. ordem:

c=gy
Δt
(U + c) ≤1
Δx
Δt 1
E 2 ≤
Δx 2
Eq. 3-9

3.4 Dados e Condições de Contorno

3.4.1 Coeficiente de Dispersão

A estimativa dos parâmetros para modelação é comumente feita a partir de


estudos específicos e experiências de laboratório. Desta forma, enquanto os
parâmetros K1 e K2 são obtidos a partir de ensaios, outros como o coeficiente
de dispersão, são avaliados a partir de experiências de campo com traçadores
ou marcadores radioativos.

O coeficiente E pode ser estimado analiticamente a partir de relações que


levam em conta a turbulência do escoamento. Fisher (1979) propôs as
expressões da Eq. 3-10 para a dispersão longitudinal (E) e transversal (Et):

U 2B2
Et = 0,6 HU* E = 0,011
HU *
Eq. 3-10

onde H é a profundidade e o termo U* é a velocidade tangencial ou ‘velocidade


de atrito’,definida por:

U * = gHS 0
Eq. 3-11

3.4.2 Comprimento de Mistura

A condição inicial de lançamento pode


ser definida a partir do coeficiente de
dispersão e do comprimento de mistura,
definido com sendo a distancia mínima
para a obtenção das condições de
mistura plena longitudinal. As
expressões a seguir permitem a
estimativa do comprimento d emistura
em função da turbulência do escoamento (Fisher, 1979)

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 23


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

B2
¾ Lançamento lateral ao canal Lm = 0,4U
Et

B2
¾ Lançamento no centro do canal Lm = 0,1U
Et
Eq. 3-12

Figura 3-3: Exemplo de comprimento de mistura em lançamento lateral ao canal

3.5 Modelando a Temperatura

A temperatura interfere nos coeficientes de reatividade k, conforme mostrado


em 2.6. A Eq. 2-8 permite a correção dos valores de k para a temperatura
20ºC para qualquer outro valor. Desta forma torna-se necessária a modelação
da temperatura ao longo do curso d´água. Chapra e Pelletier(2003) propõe o
uso da equação da energia, conforme apresentado no Capitulo 3, da forma:

∂T ∂uT ∂ 2T W J J
+ =α 2 + + sup + fun
∂t ∂x ∂y ρCAδx ρCH ρCH
Eq. 3-13

onde U e T representam a temperatura da água no trecho unidimensional, α é


a difusividade térmica, W a carga térmica pontual (Kcal/dia), Jsu o fluxo de calor
por unidade de área e tempo através da superfície e Jfun o fluxo de calor por
unidade de área e tempo através do fundo.

A difusividade térmica pode ser estimada por α = k / ρC , onde k é a


condutividade térmica da água (0,59 w/mºC), o que resulta α=1,40.10-7 m2/s ou
0,012 m2/dia. Os valores de J dependem de diversos fatores como a Radiação
solar, atenuação atmosférica, atenuação das nuvens, refletividade, radiação
atmosférica de longo período (mais importante), radiação de longo período da
água, condução e convecção moleculares, evaporação e condensação, e
condução através dos sedimentos de fundo.

Para São Paulo, o fluxo médio anual de energia (calor) pode ser estimado em
16.500 kCal/m2dia (800 w/m2). O fluxo de calor através dos sedimentos de
fundo pode ser considerado pela condutividade térmica dos sedimentos,
espessura da camada de sedimentos e temperatura do fundo:

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 24


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

αs
J fun = ρ s Cs (Tsed − T ) [kCal/m2.dia]
H sed
Eq. 3-14
onde α ρ e C são respectivamente a difusividade térmica do sedimento de
fundo, o calor específico e a massa específica deste sedimento. Valores típicos
são obtidos da tabela a seguir:

Tabela 3-1: Propriedades térmicas de materiais


Material Cond Térmica Difusividade Massa Calor
k térmica Especifica Específico
W/mºC 10-7 m2/s Kg/m3 kCal/kgºC
Água 0,59 1,40 1,0 1,0
Argila 1,3 9,8 1,49 0,21
Solo Seco 1,09 3,7 1,50 0,465
Areia 0,59 4,7 1,52 0,19
Solo úmido 1,8 4,5 1,81 0,525
Granito 2,89 12,7 2,7 0,202

A solução numérica pode ser escrita na forma:

W = ρCQLTL [kCal/Dia]

αs
ρ s Cs (Tsed − Ti ,n )
Ti ,n+1 − Ti ,n T −T T − 2Ti ,n + Ti−1,n Wi J H sed
= −U i ,n i−1,n + α i+1,n + + sup +
Δt Δx Δx 2
ρCAΔx ρCH ρCH

Eq. 3-15

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 25


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

4 REFERÊNCIAS
James, A et all., Water Quality Modelling, 2nd. Ed. John Wiley & Sons Ltd.,
1993.

Potter, M & Wiggert, D. – Mecânica dos Fluidos Ambiental, Ed. Thompson,


2004.

Chapra, S.C.. Surface Water Quality Modeling. MacGraw-Hill, 1997.

Martins, J.R.S, Hidrodinâmica Bidimensional – Estudo em Modelo Matemático,


EPUSP, 1989.

Fortuna, Armando O. – Técnicas Computacionais para Dinâmica dos Fluidos,


Ed. USP, São Carlos, 2000.

Pereira, Regis S., Modelos de Qualidade de Água, in ReRH – Revista


Eletrônica de Recursos Hídricos Volume 1 n.1 Jul/Dez 2004, 5-13

Chapra, S.C. and Pelletier, G.J. 2003. QUAL2K: A Modeling Framework for
Simulating River and Stream Water Quality: Documentation and Users Manual.
Civil and Environmental Engineering Dept., Tufts University, Medford, MA.,

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2012 26


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

CAPÍTULO 5: PROCESSOS EM ESTUÁRIOS


Este capítulo tem por objetivo apresentar os conceitos da
modelação de qualidade das águas em estuários

1 INTRODUÇÃO

Os estuários apresentam-se como ambientes aquáticos mais complexos do que os


rios porque muitas vezes apresentam-se como problemas bidimensionais, com efeito
da variação da densidade ao longo da vertical e da variabilidade dos parâmetros no
tempo. James (1993) aponta quatro principais fatores que aumentam a
complexidade dos estuários em relação aos rios:

a) escoamento bi-direcional (a montante e jusante) resultado da interação entre


o escoamento fluvial e os movimentos de maré, o que faz surgir períodos de
águas paradas
b) diferenças de densidade entre a ‘água doce’ proveniente do escoamento
fluvial e das contribuições laterais e efluentes e a água salgada, proveniente
do mar produzem um grau de mistura altamente variável e nos casos onde a
mistura não é completa, o surgimento de correntes de circulação devido à
densidade.
c) Os rios freqüentemente tendem a alargar, a medida em que se aproximam
dos estuários e o corpo d´água resultante é freqüentemente afetado por
padrões de circulação horizontal, induzidos pelas forças de atrito geradas
pelo vento sobre a superfície e pela aceleração de Coriolis.
d) Nas proximidades da boca do estuário, a ação das ondas se torna importante
por induzir correntes adicionais e transporte de sedimentos. Ondas raramente
transportam sedimentos diretamente, com exceção da zona de arrebentação
mas, em águas mais profundas, as velocidades conservam os sedimentos em
suspensão permitindo que os mesmos sejam transportados por correntes de
baixas velocidades.

Em termos da fauna, os estuários são distintos do rio porque representam uma


transição entre a zona de água doce e a água salgada, que é desfavorável para a
maioria das plantas aquáticas, animais e microorganismos. A seção central de um
estuário com salinidade constantemente variável é especialmente desfavorável e
quase sempre não habitada ou ocupada por uma flora e fauna bastante restrita.

Desta forma, a análise do comportamento de constituintes nos estuários tem por


objetivo identificar as populações sob risco, de forma a permitir a aplicação de
padrões ambientais apropriados. Geralmente estes padrões são:

 Não perturbação: variações de O2 inferiores a 1mg/l e ausência de filmes


superficiais
 Peixes locais: limitação nas toxinas e variações de O2 inferiores a 3 mg/l
 Peixes migratórios: limitação nas toxinas e variações de O2 inferiores a 5mg/l

Considera-se portanto como variável de análise a concentração de oxigênio


dissolvido. Entretanto também para os estuários existe a preocupação com a relação
DBO/OD, com a diferença que devido ao maior tempo de detenção nos estuários

EPUSP-PHD-2460 – Martins, J.R.S. – Rev2008 1


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

(em comparação com os rios) existe tempo suficiente para a oxidação completa da
matéria orgânica. Desta forma o conceito de Dbo5 dias e substituído para DBO20 dias .

2 HIDRÁULICA ESTUARINA

2.1 Generalidades

O movimento da água nos estuários é complexo e resulta do escoamento da água


doce e das variações de maré, com influencia adicional do vento. Adicionalmente
existem movimentos verticais e horizontais induzidos pela aceleração de Coriolis,
pelo vento e pela diferença de densidades

O movimento da água nos estuários pode ser representado pelo diagrama mostrado
na Erro! Fonte de referência não encontrada.. Se não existe diferença de
densidade no estuário, então a resultante sobre o ciclo de maré será um movimento
vertical de AA para A’A’. Entretanto, quando existe uma significativa diferença de
densidades a superfície responde mais significativamente pelo movimento advectivo
do que sendo que o fundo, e a resultante do movimento em um ciclo de maré é
alinha BB. Na figura também se verifica que as variações na vazão de água doce
não afeta fundamentalmente este movimento. Altas descargas de água doce
simplesmente aumentam de tamanho da intrusão de água doce no meio estuarino.

Figura 2-1: Efeito da água doce nos estuários

Nem todos os efeitos mencionados são significativos nos estuários sendo


importante, para escolha da técnica de modelação apropriada, avaliar o tipo do
estuário. A forma mais simples desta avaliação consiste na relação D/T onde

D  volume de água doce aportado ao estuário durante o ciclo de maré


T  volume de água movimentado durante a maré, isto é, a diferença entre o
volume de maré alta e baixa.

EPUSP-PHD-2460 – Martins, J.R.S. – Rev2008 2


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Quando D/T é baixo (D/T<0,1), o


estuário tende a ser bem misturado
verticalmente e as isosalinas
tendem a ser verticais.. Quando a
descarga de água doce é mais
importante (0,1<D/T<1,0) o grau de
mistura é reduzido e as isosalinas
tendem a se inclinar. Em estuários
que são dominados pela descarga
de água doce (D/T>1.0) a mistura
entre a água doce e salina é muito
limitada e o fluxo de água doce
tende a escoar por sobre a água
salgada, resultando em isosalinas
que são quase horizontais.

A topografia também tem influência


na determinação do padrão de
mistura nos estuários mais
complexos. Por exemplo, estuários
rasos e largos tendem a ser bem misturados verticalmente mas tem significativas
diferenças na salinidade ao longo da seção transversal. Estuários profundos e
estreitos são freqüentemente bem misturados horizontalmente mas apresentam
estratificação vertical acentuada.

2.2 Marés

Maré é o fenômeno da alteração da altura dos mares e oceanos causado pela


interferência da Lua e do Sol, principalmente, sobre o campo gravitacional da Terra.

Considerando-se o campo
gravitacional terrestre sem
interferências dos demais planetas,
as águas na superfície sofrem uma
aceleração na direção do centro do
planeta, como todos os corpos.
Como os astros, principalmente Lua
e Sol tem massas consideráveis,
que atuam com intensidade
inversamente proporcional à
distância, as acelerações sentidas
nos diversos pontos da Terra não são as mesmas, com capacidade de deformar a
superfície de água.

Desta forma as massas oceânicas que estão mais próximas da Lua sofrem uma
aceleração de intensidade significativamente superior às massas oceânicas mais

EPUSP-PHD-2460 – Martins, J.R.S. – Rev2008 3


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

afastadas da Lua. É este diferencial que provoca as alterações da altura das massas
de água à superfície da Terra.

Quando a maré está em seu ápice


chama-se maré alta, maré cheia ou
preamar; quando está no seu menor
nível chama-se maré baixa ou
baixa-mar. Em média, as marés
oscilam em um período de 12 horas
e 24 minutos. Doze horas devido à
rotação da Terra e 24 minutos
devido à órbita lunar.
A altura das marés alta e baixa
(relativa ao nível do mar médio)
também varia. Nas luas nova e
cheia, as forças gravitacionais do
Sol estão na mesma direção das da
Lua, produzindo marés mais altas,
chamadas marés de sizígia. Nas
luas minguante e crescente as
Figura 2-2: Evolução das marés forças gravitacionais do Sol estão
em direções diferentes das da Lua,
anulando parte delas, produzindo marés mais baixas chamadas marés de
quadratura.

O comportamento das marés é observado no mundo inteiro, principalmente devido a


sua importância para a navegação. Como as alturas derivam de movimentos cíclicos
dos astros é usual a previsão das alturas de maré através de processos de análise
harmônica, onde são determinadas a partir de observações de nível d´água as
alturas associadas às principais componentes astrais

Figura 2-3: Registro maregráfico típico

EPUSP-PHD-2460 – Martins, J.R.S. – Rev2008 4


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Figura 2-4: Estações maregráficas no mundo

Os movimentos relativos da Terra, Lua e Sol provocam um número elevado de


forças periódicas geradoras de maré. As variações da altura de água associadas
podem ser representadas pela soma de um número finito de termos harmônicos
(cossenos) aos quais se dá o nome de constituintes harmônicas da maré. O período
de cada constituinte é determinado a partir de estudos astronômicos. Porém, a
amplitude e a fase da resposta da maré a cada constituinte é impossível de
determinar através das forças geradoras. Chamam-se constantes harmônicas (CH)
aos pares de valores (amplitude, fase) de cada constituinte. As CH não dependem
do tempo e, sendo típicas de cada porto, constituem a base fundamental para a
caracterização da maré num dado local sendo que, delas dependem a boa
qualidade das previsões.

Dá-se o nome de análise harmônica ao processo matemático através do qual a maré


observada num dado local é separada em constituintes harmônicas simples. A sua
finalidade é determinar a amplitude H (em metros) e a fase g (em graus) das
diferentes constituintes harmônicas da maré, a partir da série de alturas de água
registradas. A fase de uma constituinte harmônica de maré é o atraso em relação à
chamada maré de equilíbrio. Na prática, as CH vão ser calculadas como sendo os
parâmetros da seguinte fórmula harmônica que melhor se ajustam às séries
temporais:

n
h(t )  A0    f i H i coswi t  (V0  u ) i  g i  Eq. 2-1
1

onde h(t) é a altura de água no instante t, os valores wi representam as velocidades


angulares das ondas constituintes, V0+u é o seu argumento inicial, isto é o
argumento na maré de equilíbrio para o instante inicial da série de dados e A0

EPUSP-PHD-2460 – Martins, J.R.S. – Rev2008 5


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

representa o nível médio do ponto. A importância da aplicação da fórmula harmônica


deve-se à sua universalidade ou seja, serve para qualquer tipo de maré.

A previsão de maré faz-se igualmente recorrendo à fórmula harmônica, sendo usado


o nível médio adotado no lugar de A0. Diversos programas permitem a realização da
previsão de marés. As constantes harmônicas constituem, assim, a base
fundamental para a boa qualidade das previsões. Devido a obras portuárias e
fenômenos como a erosão e os assoreamentos, as características da maré num
dado local sofrem alterações ao longo do tempo, pelo que é de extrema importância
a renovação freqüente das CH.

Figura 2-5: Níveis de referência para trabalhos envolvendo maré e estuários

Para efetuar uma previsão de maré é necessário portanto o conhecimento dos pares
amplitude e fase das principais componentes que afetam a maré num ponto. A
Marinha do Brasil mantém uma série de estações de medição de maré e fornece
através de seu sitio na internet as constantes dos principais portos brasileiros
(http://www.mar.mil.br/dhn/chm/tabuas/index.htm).

O código abaixo permite o calculo da altura de maré conhecidos os parâmetros


citados:

Height = Datum;
for a = 1 to numconst
Height = Height +
amplitude[a] * nodefactor[a] * cos (speed[a] * time +
phase[a])
next a

O datum é o parâmetro de referência, normalmente a altura do nivel médio do mar.


As amplitudes e as freqüências angulares são padronizadas assim como o fator de
amplitude. Como as amplitudes são definidas em m e a velocidade angular em graus
por dia, o tempo é definido em dias ( e frações) a partir do início do ano. A fase
inclui um ajuste anual, chamado de argumento de equilíbrio e é tabelado subtraído
da fase especifica do local (em graus). De forma a padronizar, a fase é definida de
forma a ter-se o inicio do ano calculo na hora zero do dia 1 de janeiro. Desta forma,

EPUSP-PHD-2460 – Martins, J.R.S. – Rev2008 6


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

a fase é escolhida igual ao meridiano de referencia local (-3 horas : Brasília). Nestes
cálculos não se considera o horário de verão.

Diversos programas de uso livre são disponíveis para o cálculo de previsão de


marés. Estes aplicativos basicamente permitem a determinação das alturas a cada
instante, tendo rotinas otimizadas para a obtenção dos máximos e mínimos
rapidamente. A seguir apresenta-se uma aplicação do programa Jtide, disponível em
www.arachnoide.com.

Figura 2-6: Constantes Harmônicas da Estação Maregráfica de Vitória )ES)

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Tabela 2-1:Velocidade angular das principais constantes harmônicas


J1 15.5854433
K1 15.0410686
K2 30.0821373
L2 29.5284789
M1 14.4966939
M2 28.9841042
M3 43.4761563
M4 57.9682084
M6 86.9523126
M8 115.9364169
N2 28.4397295
2N2 27.8953548
O1 13.9430356
OO1 16.1391017

Figura 2-7: Previsão de maré feita com o programa Jtide (www.arachnoide.com)

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Tabela 2-2: Previsão de Maré para Vitória (ES) feita com o programa Jtide
(www.arachnoide.com)
Dia Hora Local Dia Hora GMT Altura
2008-5-4 03:00:00 2008-5-4 00:00:00 +1,41 Meters
2008-5-4 04:00:00 2008-5-4 01:00:00 +1,50 Meters
2008-5-4 05:00:00 2008-5-4 02:00:00 +1,42 Meters
2008-5-4 06:00:00 2008-5-4 03:00:00 +1,18 Meters
2008-5-4 07:00:00 2008-5-4 04:00:00 +0,84 Meters
2008-5-4 08:00:00 2008-5-4 05:00:00 +0,49 Meters
2008-5-4 09:00:00 2008-5-4 06:00:00 +0,22 Meters
2008-5-4 10:00:00 2008-5-4 07:00:00 +0,10 Meters
2008-5-4 11:00:00 2008-5-4 08:00:00 +0,18 Meters
2008-5-4 12:00:00 2008-5-4 09:00:00 +0,43 Meters
2008-5-4 13:00:00 2008-5-4 10:00:00 +0,79 Meters
2008-5-4 14:00:00 2008-5-4 11:00:00 +1,17 Meters
2008-5-4 15:00:00 2008-5-4 12:00:00 +1,48 Meters
2008-5-4 16:00:00 2008-5-4 13:00:00 +1,64 Meters
2008-5-4 17:00:00 2008-5-4 14:00:00 +1,62 Meters
2008-5-4 18:00:00 2008-5-4 15:00:00 +1,42 Meters
2008-5-4 19:00:00 2008-5-4 16:00:00 +1,08 Meters
2008-5-4 20:00:00 2008-5-4 17:00:00 +0,69 Meters
2008-5-4 21:00:00 2008-5-4 18:00:00 +0,35 Meters
2008-5-4 22:00:00 2008-5-4 19:00:00 +0,14 Meters
2008-5-4 23:00:00 2008-5-4 20:00:00 +0,13 Meters
2008-5-5 00:00:00 2008-5-4 21:00:00 +0,30 Meters
2008-5-5 01:00:00 2008-5-4 22:00:00 +0,61 Meters
2008-5-5 02:00:00 2008-5-4 23:00:00 +0,96 Meters
2008-5-5 03:00:00 2008-5-5 00:00:00 +1,27 Meters
2008-5-5 04:00:00 2008-5-5 01:00:00 +1,46 Meters
2008-5-5 05:00:00 2008-5-5 02:00:00 +1,48 Meters
2008-5-5 06:00:00 2008-5-5 03:00:00 +1,34 Meters
2008-5-5 07:00:00 2008-5-5 04:00:00 +1,05 Meters
2008-5-5 08:00:00 2008-5-5 05:00:00 +0,69 Meters
2008-5-5 09:00:00 2008-5-5 06:00:00 +0,34 Meters
2008-5-5 10:00:00 2008-5-5 07:00:00 +0,11 Meters
2008-5-5 11:00:00 2008-5-5 08:00:00 +0,05 Meters
2008-5-5 12:00:00 2008-5-5 09:00:00 +0,18 Meters
2008-5-5 13:00:00 2008-5-5 10:00:00 +0,48 Meters
2008-5-5 14:00:00 2008-5-5 11:00:00 +0,86 Meters
2008-5-5 15:00:00 2008-5-5 12:00:00 +1,24 Meters
2008-5-5 16:00:00 2008-5-5 13:00:00 +1,52 Meters
2008-5-5 17:00:00 2008-5-5 14:00:00 +1,65 Meters
2008-5-5 18:00:00 2008-5-5 15:00:00 +1,59 Meters
2008-5-5 19:00:00 2008-5-5 16:00:00 +1,35 Meters
2008-5-5 20:00:00 2008-5-5 17:00:00 +1,01 Meters
2008-5-5 21:00:00 2008-5-5 18:00:00 +0,63 Meters
2008-5-5 22:00:00 2008-5-5 19:00:00 +0,33 Meters
2008-5-5 23:00:00 2008-5-5 20:00:00 +0,18 Meters

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

3 MODELOS ESTUARINOS

Várias técnicas são utilizadas com razoável sucesso para modelação do


comportamento estuarino:

a) caixa preta: simula a concentração da variável de qualidade da água como


OD ou DBO relacionada com outra variável de fácil determinação como o
fluxo de água doce.
b) Modelo de segmento: representando o estuário por uma série de tanques
isolados
c) Modelo de segmentos móveis: representa o estuário por uma serie de
tanques moveis, cada um comportando-se como um tanque isolado.
d) Diferenças Finitas: simula as variações de qualidade da água dinamicamente
por sucessivas mudanças nas concentrações dos constituintes em função da
advecção e dispersão calculada através de uma malha fina.

A representação matemática
hidrodinâmica nos estuários mais
complexos é feita a partir das
equações de SaintVenant para
duas dimensões, considerando a
representação bidimensional
horizontal média vertical:

Figura 3-1: Esquema do elemento bidimensional

h dU dV
  S 0
t x x
Eq. 3-1

d U (U  V )  wx
1
U U U h 2 2 2

U V g g g  0
t x y x 2 x C 2d d

d V (U 2  V 2 ) 2  wy
1
V V V h
U V g g  g  0
t x y x 2 y C 2d d

dc dUc dVc  2 dE x c  dE y c


2

     R( x, t )  La
t x y x 2 y 2
Eq. 3-2

Onde:

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

U e V são as velocidades médias verticais nas direções x e y,


h é a cota do nível d´água em relação a uma referencia de nível,
z é a cota de fundo num determinado ponto,
d= h – z,
 é a massa específica da água,
C o coeficiente de Chezy,
Twx e Txy as tensões tangenciais devido ao vento nas direções x e y
c é a concentração do soluto considerado
Ex e Ey os coeficientes de dispersão nas direções x e y
R(x,t) a lei de decaimento/crescimento do constituinte
S o lançamento líquido no ponto
La o lançamento de soluto no ponto considerado.

As técnicas para solução das equações empregam geralmente os métodos de


diferenças finitas usando modelos implícitos, capazes de operarem com altos
números de Courant, evitando-se assim as limitações impostas pelos esquemas
explícitos onde, por questões de estabilidade, fica-se limitado a relação:

1
  1 1 
2

C  t  gd  2  2    1 Eq. 3-3
  x x  

3.1 Modelo de Segmento

Nestes tipos de modelos a complexa hidrodinâmica dos estuários, com a


combinação de advecção e dispersão, é reduzida a uma simples operação de
mistura. É admitido que o estuário possa ser dividido em um número de segmentos,
cada um considerado uniforme e bem misturado de forma que a concentração em
cada seguimento pode ser representada por um único valor. Desta forma, o estuário
pode ser imaginado como uma série de tanques isolados contínuos.

a) Modelo Simplificado

Neste modelo o estuário é dividido em um número de segmentos de comprimento


igual a metade do comprimento de onda da maré. O efluente é admitido como
instantaneamente misturado no seguimento de lançamento e tem as mesmas
características da água doce. A advecção e a dispersão longitudinal transporta o
efluente para o segmento adjacente a jusante enquanto a concentração a montante
é afetada somente pela mistura longitudinal.

É necessário ainda conhecer-se a seção transversal do estuário em cada


seguimento selecionado.

EPUSP-PHD-2460 – Martins, J.R.S. – Rev2008 11


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Figura 3-2: esquema do Modelo Simplificado

É necessário o calculo do tempo de detenção de cada segmento, que é igual ao da


água doce, uma vez que é admitido que o efluente lançado não afeta de forma
significativa o padrão de mistura. Para qualquer segmento n do volume total de meia
maré Vn e salinidade Sn.

Se a salinidade da água do mar é S0 e da água doce igual a zero, o volume de água


do mar do segmento é:

Sn
VSn  Vn Eq. 3-4
S0

o volume da água doce no segmento é:

Sn S  Sn
VFn  Vn  VSn  Vn  Vn  Vn 0 Eq. 3-5
S0 S0

Se a descarga de água doce do rio é Q durante o ciclo de maré, então o tempo de


detenção da água doce no segmento é:

VFn Vn S 0  S n
Rn 
 Eq. 3-6
Q Q S0
O tempo do efluente será o mesmo, conforme a consideração acima.

Considerando que no seguimento N o volume de efluente conservativo


descarregado durante um ciclo de maré é F, no equilíbrio, a quantidade de efluente
aportado no seguimento deve ser igual a quantidade transportada para jusante
durante o ciclo de maré. Fazendo o balanço de massa tem-se:

CnVn
F Eq. 3-7
Rn
onde Cn é a concentração de equilíbrio no segmento n. Rearranjando a equação
anterior resulta:

F  Rn V S  Sn 1 S0  Sn F
Cn  F n 0  Eq. 3-8
Vn Q S 0 Vn S0 Q

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Para uma substancia conservativa, a quantidade transportada para jusante é sempre


igual ao total descarregado no lançamento e a concentração em qualquer segmento
n a jusante será dada por:

S0  S n F
Cn  Eq. 3-9
S0 Q

Para um segmento a montante sujeito ao processo dispersivo apenas, a


concentração do constituinte, Cm , será função da relação entre as salinidades dos
dois seguimentos:

Cm S m

Cn Sn

Sm
Cm  Cn Eq. 3-10
Sn

Utilizando-se as equações anteriores juntamente com a vazão do efluente, a


descarga de água doce, salinidade média da meia maré pode-se então fazer uma
estimativa do comportamento da salinidade ao longo do estuário.

b) Modelo Aperfeiçoado

Neste caso também será considerada a mistura completa entre os segmentos, o


escoamento permanente de água doce e do efluente, além de uma concentração
salina em equilíbrio. O comprimento dos seguimentos será considerado como 1/5 do
comprimento de onda da maré.

Figura 3-3 Esquema do modelo aperfeiçoado

Considerando o estuário dividido em segmentos. O efeito de mistura da maré é


representado por iguais e opostas descargas F entre os seguimentos. Q, V e S são:
a descarga de água doce, o volume da meia maré e a salinidade média da meia
maré, respectivamente. Tomando-se o balanço de massa para a salinidade ao longo
de cada segmento, pode-s escrever uma série de equações nas quais a única
incógnita será o valor de Fi:

Segmento n
F n( S n1  S n )  S n(Q  Qn )  0

EPUSP-PHD-2460 – Martins, J.R.S. – Rev2008 13


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Segmento n+1
F n1( S n2  S n1 )  F n( S n  S n1 )  S n(Q  Qn )  S n1(Q  Qn  Qn1 )  0

Segmento n+2
F n2( S n3  S n2 )  F n1( S n1  S n2 )  S n1(Q  Qn  Qn1 )  S n2(Q  Qn  Qn1  Qn2 )  0
Eq. 3-11

Resolvendo-se estas equações simultaneamente obtém-se os valores de F para


cada segmento, e a partir deste, pode-se aplicar para qualquer outro constituinte
dissolvido ou em suspensão.

Se a concentração C da substancia lançada decai, então a taxa de decaimento da


substancia é kCn1Vn1 , onde k é o coeficiente de decaimento, considerado constante.
O balanço de massa no segmento fica:


(Cn1 ,Vn1 )  Fn (Cn  Cn1 )  Fn1 (Cn2  Cn1 )  Cn (Q  Qn )  Cn1 (Q  Qn  Qn1 )
t
 kCn1Vn1  La  0
Eq. 3-12

onde La é a massa adicionada por ciclo de maré. Este modelo, embora melhor que o
anterior, não pode ser aplicado para reproduzir a concentração de constituintes com
grandes gradientes de concentração devido a discretização espacial adotada. Este,
por outro lado, não é o caso na maioria dos estuários, que tem variações suaves de
concentração.

3.2 Modelo de Diferenças Finitas

No caso de estuários, a equação da advecção-difusão estudada para rios


dificilmente admite a simplificação na qual a área da seção transversal é constante.
Desta forma, pode-se escrever que:

AC AUC  C
  ( EA )  kAC  La  0 Eq. 3-13
t x x x

onde A é a área da seção transversal, U a velocidade no trecho, E a dispersão


longitudinal, k o coeficiente de decaimento e La o lançamento do efluente.

As aproximações numéricas podem ser escritas da forma de diferenças finitas de 6


pontos:

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

C
 
t t  6
 Ai 1 C i 1  Ait1C it1   Ait 1C it 1  Ait C it   Ait11C it11  Ait1C it1 
1  1 t 1 t 1 2 1 
3 6 

AUC
x
 
2x  2
Qi 1 C i 1  Qit11C it11   Qit1C it1  Qit1C it1 
1  1 t 1 t 1 1 
2 

E
 2 AC
x 2

1
4x 2
     
( EA) ti 11  ( EA) ti 1 C it11  C it 1  ( EA) ti 1  ( EA) ti 11 C it 1  C it11 

1
4x 2
    
( EA) ti 1  ( EA) ti C it1  C it  ( EA) ti  ( EA) ti 1 C it  C it1 

 ( AC ) ti 1  ( AC ) ti 
kAC  k  
 2 

Re-arranjando-se a equação acima tem-se:

F  Cit11  G  Cit 1  H  Cit11  I Eq. 3-14

onde os coeficientes F, G e H dependem de parâmetros do instante futuro t+1, e o


coeficiente I dos parâmetros no instante t. A solução é obtida a partir das condições
de contorno de montante e jusante, de forma iterativa.

F
1 t 1
6t
Ai 1 
1
4 x
Qit11 
1

( EA) ti 11  ( EA) ti 1 
4x 2

G
2 t 1
3t
Ai 
1
4 x
Qit11 
1

( EA) ti 11  ( EA) ti 1 
1
  k

( EA) ti 1  ( EA) ti 11  Ait 1
4 x 2
4 x 2
2

H
1 t 1
6t
Ai 1 
1
4 x
Qit11 
1

( EA) ti 1  ( EA) ti 11 
4 x 2

I
1 1 t t

t  6
2 1 
Ai1Ci1  Ait Cit  Ait1Cit1  
1


Qit1Cit1  Qit1Cit1  
3 6  4 x


1
4x 2
    
( EA)ti1  ( EA)ti Cit1  Cit  ( EA)ti  ( EA)ti1 Cit  Cit1  Ait
k
2


I  F  C it11  H  C it11
C it 1  Eq. 3-15
G

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

4 REFERÊNCIAS

James, A et all., Water Quality Modelling, 2nd. Ed. John Wiley & Sons Ltd., 1993.

Potter, M & Wiggert, D. – Mecânica dos Fluidos Ambiental, Ed. Thompson, 2004.

Chapra, S.C.. Surface Water Quality Modeling. MacGraw-Hill, 1997.

Martins, J.R.S, Hidrodinâmica Bidimensional – Estudo em Modelo Matemático,


EPUSP, 1989.

Fortuna, Armando O. – Técnicas Computacionais para Dinâmica dos Fluidos, Ed.


USP, São Carlos, 2000.

Pereira, Regis S., Modelos de Qualidade de Água, in ReRH – Revista Eletrônica de


Recursos Hídricos Volume 1 n.1 Jul/Dez 2004, 5-13

Chapra, S.C. and Pelletier, G.J. 2003. QUAL2K: A Modeling Framework for
Simulating River and Stream Water Quality: Documentation and Users Manual. Civil
and Environmental Engineering Dept., Tufts University, Medford, MA.,

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

CAPÍTULO 6: PROCESSOS EM RESERVATÓRIOS E


LAGOS
Este capítulo tem por objetivo apresentar os conceitos da
análise e modelação de qualidade das águas em lagos e
reservatórios estuários

1 INTRODUÇÃO

A análise e a modelação do decaimento e mistura de poluentes nos ambientes


aquáticos é diferente daquelas feitas para os rios, estuários e mesmo o mar,
apesar dos usos da água serem basicamente os mesmos, como abastecimento
de água, recreação e laser, geração de energia e transporte e navegação.
James (1992) destaca as principais diferenças:

a) lagos e reservatórios raramente recebem grandes descargas de matéria


orgânica a ponto de causarem problemas sérios de depleção de
oxigênio
b) lagos e reservatórios tem tempo de detenção muito maior do que rios e
estuários, o que permite que as algas sejam dominantes e sensíveis aos
nutrientes inorgânicos
c) o tempo de resposta dos lagos e reservatórios à poluição é muito maior
do que o dos rios
d) as principais variações nos indicadores de qualidade das águas se dão
na vertical

Os principais agentes de deterioração da qualidade das águas armazenadas


em lagos e reservatórios, a partir dos elementos orgânicos e inorgânicos
conservados na área inundada (caso dos reservatórios) ou introduzidos
durante e após a inundação são:

a) Carreamento de nutrientes das


habitações pelos esgotos e do
solo agrícola pelas enxurradas,
respectivamente (em especial o
fósforo, nitrogênio e carbono);
a.
b) Transporte de sedimentos da
bacia de drenagem (areia, silte
e argila) e decomposição da
matéria orgânica de plantas e
animais (algas, plâncton, etc.)
existentes no próprio
lago/reservatório; e
c) Introdução de produtos tóxicos Figura 1-1: Agentes de alteração da
(pesticidas e metais pesados), qualidade de lagos e reservatórios
organolépticos (clorofenóis) e
seres patogênicos, pelo ar, pelos esgotos e pela chuva (ácido sulfúrico,
mercúrio, etc.).

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2008


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Nutrientes são elementos essenciais ao desenvolvimento da biota aquática e


que podem, em excesso, provocar a eutrofização dos lagos e reservatórios, ou
seja, o seu enriquecimento exagerado, com danos consideráveis para o meio
ambiente. Os principais nutrientes são o Fósforo, Nitrogênio, Carbono e Sílica

Os sedimentos são materiais sólidos e semi-flúidos depositados no leito dos


lagos e reservatórios graças ao carreamento pelas enxurradas (de areia, silte e
argila) da bacia de contribuição; pela deposição de matéria orgânica em
decomposição (originada na bacia ou na própria água); ou por outro meio.

As substâncias tóxicas permanecem retidas por mais tempo nas águas e


sedimentos dos lagos e reservatórios do que na água corrente dos córregos e
rios, aumentando naqueles o risco à exposição em termos de concentração e
duração, quer para a biota aquática como para o homem, que depende da
água para beber ou de alimentos, como os peixes, retirados dos mesmos.

Os parâmetros comumente utilizados para o estudo dos lagos e reservatórios


são os seguintes:

Físicos: Luz Solar, Temperatura, Turbidez, Sedimentos e Cor

Químicos: Oxigênio Dissolvido, Salinidade, pH, Alcalinidade, Fosfatos e


Nitratos e Outros

Bióticos: - Fitoplâncton, Zooplâncton, Peixes, Crustáceos, Invertebrados


aquáticos

Hidrológicos: Área da superfície, Descarga ou vazão, Tempo de detenção,


Flutuação do N.A., Profundidade, Continuidade

Geomorfológicos: Cobertura vegetal da bacia, Aglomerados urbanos, Mata


ciliar e ripária, Evolução da paisagem

2 PARÂMETROS DE ANÁLISE DE LAGOS E


RESERVATÓRIOS

2.1 Parâmetros Físicos

2.1.1 Radiação Solar

A absorção e redução da luz pela coluna d´água são os principais fatores que
controlam a temperatura e a fotossíntese. A fotossíntese interfere na cadeia
alimentar e fornece a maior parte do oxigênio dissolvido encontrado na água
dos lagos e reservatórios. Os raios do sol são a maior fonte de calor para a
coluna d´água e colaboram na formação dos ventos e na movimentação da
água.

EPUSP-PHD-2460 –Martins, J.R.S. – Rev2008


Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Ao penetrar na coluna d´água, a radiação solar sofre profundas alterações,


tanto na sua intensidade como na qualidade espectral. Estas alterações
dependem, basicamente, das concentrações de material dissolvido e em
suspensão. Destacam-se: a) mudança de direção; b) absorção e transformação
em clorofila e calor; c) dispersão; etc. A soma da absorção e da dispersão,
provoca a atenuação vertical da radiação, cujo coeficiente k pode ser calculado
pela expressão:
ln L0  ln L
k
z

onde Lo é a radiação na superfície, L é a radiação numa dada profundidade e z


é a profundidade em metros.

A tabela abaixo mostra o coeficiente de atenuação vertical médio e seus


limites, segundo Williams e Vicent (1984), em diferentes tipos de lagos
temperados:

Tabela 2-1Coeficiente de Atenuação Vertical (k)


Tipos de Lagos KL Limites
Oligotróficos 0,19 0,10 - 0,28
Mesotróficos 0,53 0,28 - 0,90
Eutróficos 1,86 0,97 - 3,20
Ricos em húmus 2,51 0,81 - 4,51
Túrbidos 6,70 0,34-35,30
FONTE: Fundamentos de Limnologia,Esteves,1998.

A intensidade da luz solar na superfície varia com a estação do ano e com a


nebulosidade, diminuindo com a profundidade da coluna d´água. A fotossíntese
ocorre até aonde a luz alcança em profundidade. A taxa de diminuição da luz
com a profundidade depende do tipo e da quantidade de substâncias
dissolvidas (compostos orgânicos da decomposição vegetal) e dos materiais
em suspensão (partículas do solo da bacia, algas e detritos) na água.

A transparência da água varia de alguns centímetros a dezenas de metros.


Esta região da coluna d´água chama-se zona eufótica e varia com a
capacidade da água em atenuar a radiação subaquática e corresponde à
profundidade onde a intensidade da radiação solar equivale a 1% daquela que
atinge a superfície. A transparência da água pode ser estimada a partir de um
instrumento simples denominado Disco de Secchi, que permite ainda, de forma
indireta, a estimativa do coeficiente de extinção da luz KL.

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Figura 2-1: Disco de Secchi

Figura 2-2: Exemplo de aplicação do disco Secchi

Embora a profundidade do disco de Secchi não forneça dados sobre a


qualidade e a quantidade de radiação solar, pode-se utilizá-la para o cálculo
indireto do coeficiente vertical de atenuação através da expressão de Poole e
Atkins (1929), na qual a profundidade de Secchi é aproximadamente o inverso
de k, ou seja:

1,7
kL 
ZS

A profundidade máxima na qual as algas e as macrófitas (plantas aquáticas)


podem se desenvolver é ditada pelos níveis de luz. Estima-se que nesse ponto
a quantidade de luz disponível seja reduzida à metade ou totalmente daquela
encontrada na superfície. É a chamada zona eufótica. Corresponde,
aproximadamente, de 2 a 3 vezes o limite de visibilidade indicado pelo disco de
Secchi.

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Alguns pesquisadores brasileiros (p.ex., Ishii, 1987) assumem o valor da


profundidade do disco de Secchi como
sendo aquele que corresponde a 10% da
radiação superficial.

Uma vez que a fotossíntese depende


fundamentalmente da luz, mudanças
significativas da sua penetração na coluna
d´água, também produzirão uma variedade
de efeitos (diretos e indiretos) químicos e
biológicos. As variações acentuadas na
transparência da água de um lago,
geralmente, são o resultado das atividades
do homem; quase sempre estão associadas
Figura 2-3: Exemplo do compostamento da
às atividades de uso da terra em sua bacia
penetração da luz de contribuição.

Tabela 2-2: Exemplos de Aplicação do Disco Secchi e estimativa do Estado trófico


LAGO Profundidade Secchi Zona Eufótica Estado Trófico
Lake Tahoe 40 90-136 Oligotrófico
Lake Superior 15 - 20 46 - 60 Oligotrófico
St. Louis Riv. 0.7 5 Sedimento
Ice Lake, MN 2–5 6 - 15 Mesotrófico
Halsted Bay, MN 0,5 <2 Eutrófico

2.1.2 Temperatura da Água

A temperatura da água é ditada pela radiação solar, salvo nos casos de


despejos industriais, de termelétricas e de usinas atômicas que operem nas
margens do lago ou reservatório. A temperatura exerce maior influência nas
atividades biológicas e no crescimento. Também governa os tipos de
organismos que podem viver ali: peixes, insetos, zooplâncton, fitoplâncton e
outras espécies aquáticas, todas têm uma faixa preferida de temperatura para
se desenvolverem. Se essa faixa for ultrapassada (para menos ou para mais),
o número de indivíduos das espécies diminui até se extinguirem totalmente.

A temperatura também influi na química da


água. A água fria, por exemplo, contém mais
Oxigênio dissolvido do que a água quente e,
por outro lado, alguns compostos são mais
tóxicos para a vida aquática nas temperaturas
mais elevadas. A relação entre a temperatura, o
oxigênio dissolvido e a profundidade pode ser
melhor visualizada na figura ao lado

A Tabela abaixo apresenta, em linhas gerais, a


importância da temperatura para a biota
Figura 2-4: Perfil de T O2 e Osat ao longo aquática.
da profundidade

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Tabela 2-3: Relação entre a Temperatura e a Vida Aquática nos Lagos de Clima Temperado (Hemisfério Norte)
TEMPER. NÍVEL VIDA AQUÁTICA
menor14oC baixa Poucas plantas, truta, poucas doenças.
15 a 20oC média Algumas plantas, besouros d´água, algumas doenças.
21 a 27oC alta Muitas plantas, carpa, bagre, muitas doenças de peixes.
maior 27oC muito alta A temperatura começa a reduzir a vida aquática.

A temperatura comanda uma importante característica física da água: a


densidade. A água difere da maioria dos compostos porque ela é menos
densa no estado sólido do que no seu estado líquido (o normal).
Conseqüentemente, o gelo flutua enquanto a água em temperaturas um pouco
acima da temperatura de congelamento tende a afundar. A água é mais densa
a 4ºC e torna-se menos densa tanto nas temperaturas inferiores como
superiores a esse limite.
1,005

0,995
0,99

0,985

0,98

0,975

0,97
y = 7,9719E-09x 3 - 5,3788E-06x 2 + 4,3801E-05x + 9,9984E-01
0,965
R² = 9,9999E-01
0,96
0
0,955
0 20 40 60 80 100 120
Temperatura (ºC) Estado Físico Densidade (g/cm3)

Figura 2-5: Relação entre a densidade e a temperatura da água

A figura acima mostra a relação entre a temperatura e a densidade da água


destilada. Quando as diferenças de temperatura geram camadas d´água com
diferentes densidades, formando uma barreira física que impede que se
misturem e se a energia do vento não for suficiente para misturá-las, o calor
não se distribui uniformemente na coluna d´água, criando assim a condição de
estabilidade térmica, e o ecossistema aquático é considerado estratificado
termicamente. Os estratos ou camadas formados freqüentemente estão
diferenciados física, química e biologicamente. Além da temperatura, a
salinidade da água, por sua maior densidade, também provoca estratificação
de camadas nos lagos.

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Figura 2-6: Estratificação térmica em um lago

Em lagos de regiões tropicais, os fenômenos de estratificação da massa


d´água ocorrem de maneira diferenciada daqueles de regiões temperadas.
Nestes lagos (inclusive no Brasil), o mais comum é a ocorrência de
estratificação e desestratificação diária ou estratificação durante a primavera,
verão e outono, com desestratificação no inverno.

Por outro lado, com níveis de temperatura mais elevadas (superiores a 20oC,
comuns nas regiões tropicais), não há necessidade de grandes diferenças de
temperatura entre as sucessivas camadas, para que se processe a
estratificação térmica da coluna d´água. A explicação, mais uma vez, está na
forma da curva Temperatura-Densidade. Diferenças de apenas 1oC, nos lagos
tropicais, podem provocar e manter a estratificação estável da coluna d´água,
segundo Coelho, da UFMG.

Segundo Thienemann, quando a relação volume do epilímnio/volume do


hipolímnio é igual ou menor do que um, o lago é oligotrófico, pois o hipolímnio
tem volume suficiente para armazenar grandes quantidades de oxigênio. Ao
contrário, quando esta relação é >1, o lago é eutrófico (e tem perfil clinogrado),
pois o pequeno volume do hipolímnio não permite armazenar o oxigênio
suficiente para manter o metabolismo da comunidade sem causar déficit.
Assim, a concentração de oxigênio ao longo da coluna d´água (segundo
Esteves) em lagos temperados, no verão, pode ser utilizada como indicador do
nível trófico destes ecossistemas. O mesmo não ocorre nos lagos de clima
tropical, visto que a decomposição da matéria orgânica morta (detrito orgânico)
no hipolímnio de um lago tropical é 4 a 9 vezes mais rápida (pois a temperatura
é, pelo menos, 20oC maior) do que no hipolímnio de um lago temperado. Este
fato implica, pois, num consumo de O2 de 4 a 9 vezes maior no hipolímnio de
um lago tropical.

Numa situação sem turbulência, o perfil de temperatura seria igual ao da curva


exponencial de extinção da luz. São vários os impactos da estratificação sobre
a qualidade da água; sendo este, na verdade, o principal fator de interferência
nessa qualidade. A estratificação térmica foi observada na prática, pela
primeira vez, em 1880 em lagos suíços.

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Figura 2-7: Perfil de Oxigênio e de Temperatura um lago em região de clima temperado

As camadas de estratificação são consideradas conforme a figura:

EPILIMNIO: quente, menos denso,


turbulento
HIPOLIMNIO: frio, mais denso,
menos turbulento
METALIMNIO: forte variação de
temperatura e contém o
TERMOCLINA, que é um plano
definido pelo maior gradiente de
temperatura ou, no perfil de
Figura 2-8: Camadas de estratificação térmica Oxigênio, a OXICLINA

A posição do metalímnio depende basicamente da quantidade de energia


transferia para o lago, e que é capaz de concretizar a mistura vertical das
camadas. Desta forma, a profundidade de ocorrência da termoclina, ou seja, a
separação ideal das camadas, será basicamente função da radiação solar e do
vento.

2.1.3 Turbidez

A turbidez é a medida da dificuldade de um feixe de luz atravessar uma certa


quantidade de água, conferindo uma aparência turva à mesma. Essa medição
é feita com o turbidímetro ou nefelômetro, que compara o espalhamento de um
feixe de luz ao passar pela amostra, com o de um feixe de igual intensidade, ao
passar por uma suspensão padrão. Quanto maior o espalhamento, maior será
a turbidez.

Os valores são expressos, normalmente, em Unidades Nefelométricas de


Turbidez - UNT, ou em mg/l de Si02 (miligramas por litro em Sílica). A Cor da
água (>15 unidades de cor) e as partículas de carbono, interferem na medida
da turbidez devido às suas propriedades de absorverem a luz. As amostras
devem ser analisadas logo após a coleta (que deve ser feita em recipiente de
vidro ou de PVC bem limpos), pois a turbidez pode mudar se a amostra for
armazenada por um certo tempo.

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As principais causas da turbidez da água são: presença de matérias sólidas em


suspensão (silte, argila, sílica, coloides), matéria orgânica e inorgânica
finamente divididas, organismos microscópicos e algas. A origem desses
materiais pode ser o solo (quando não há mata ciliar); a mineração (como a
retirada de areia ou a exploração de argila); as indústrias; ou o esgoto
doméstico, lançado no manancial sem tratamento. O exame microscópico e
observações in loco do manancial podem ajudar a determinar as causas da
turbidez. Esses materiais se apresentam em tamanhos diferentes, variando
desde partículas maiores (> 1 um), até as que permanecem em suspensão por
muito tempo, como é o caso das partículas coloidais (diam.=10^-4 a 10^-6 cm).

Há que se distinguir entre a matéria suspensa ou sedimento, que precipita


rapidamente, daquela que se precipita vagarosamente e que provoca a
turbidez. A turbidez é encontrada em quase todas as águas de superfície, em
valores elevados (até 2.000 mg/l de SiO2), mas está normalmente ausente nas
águas subterrâneas.

As águas de lagos, lagoas, açudes e represas apresentam, em geral, baixa


turbidez, porém variável em função dos ventos e das ondas que, nas rasas,
podem revolver os sedimentos do fundo. Via de regra, após uma chuva forte,
as águas dos mananciais de superfície ficam turvas, graças ao carreamento
dos sedimentos das margens pela enxurrada. Assim, os solos argilosos e as
águas em movimentação, ocasionam turbidez.

A turbidez, além de reduzir a penetração da luz solar na coluna d´água,


prejudicando a fotossíntese das algas e plantas aquáticas submersas, pode
recobrir os ovos dos peixes e os invertebrados bênticos (que vivem no fundo).
Os sedimentos em suspensão podem carrear nutrientes e pesticidas,
obstruindo as guelras dos peixes, e até interferir na habilidade do peixe em se
alimentar e se defender dos seus predadores. As partículas em suspensão
localizadas próximo à superfície podem absorver calor adicional da luz solar,
aumentando a temperatura da camada superficial da água.

A Tabela abaixo apresenta a turbidez recomendada em alguns usos da água.

Tabela 2-4: Limites de Turbidez Recomendados


USOS DA ÁGUA UNT
Água potável < 0,5 a 5,0
Água subterrânea típica < 1,0
Piscicultura 10 a 40

2.1.4 Sedimentos

Os SEDIMENTOS são materiais sólidos e semi-flúidos depositados no leito dos


lagos e reservatórios graças ao carreamento pelas enxurradas (de areia, silte e
argila) da bacia de contribuição; pela deposição de matéria orgânica em
decomposição (originada na bacia ou na própria água); ou por outro meio.

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A dinâmica dos sedimentos compreende 3 fases em sequência:


a) o arraste de partículas ou decomposição de seres vivos;
b) a sedimentação desses materiais ou a precipitação de elementos; e
c) o acúmulo, deposição ou armazenagem dos mesmos no leito dos lagos e
reservatórios.

As principais ligações ou interfaces dos sedimentos com os lagos e


reservatórios são:

a) Assoreamento
b) Turbidez
c) Fonte de alimentos e habitat para a fauna
d) Retenção de produtos tóxicos

Segundo o Guia de Avaliação de Assoreamento de Reservatórios da Agência


Nacional de Energia Elétrica - ANEEL (Newton O. Carvalho, Brasília, 132 p.,
2000), em relação ao aspecto sedimentológico, as barragens geram uma
redução das velocidades da corrente provocando a deposição gradual dos
sedimentos carreados pelo curso d´água, ocasionando o assoreamento,
diminuindo gradativamente a capacidade de armazenamento do reservatório e
podendo vir a inviabilizar a operação do aproveitamento, além de ocasionar
problemas ambientais de diversas naturezas.

Segundo a mesma fonte, valores de produção de


sedimento altos, como 200 t/km2.ano, são muito Tabela 2-5: Valores de produção de
sedimentos aceitáveis (t/km2.Ano)
prejudiciais, podendo afetar o reservatório com Tolerância Produção
depósitos indesejáveis. Segundo critérios Alta 175
Moderada 70 a 175
internacionais, pode-se considerar os valores da Baixa 35
Tabela abaixo como indicação para estudos.

A turbidez da água é uma conseqüência direta do arraste e deposição dos


sedimentos no leito dos lagos e reservatórios e apresenta danos ecológicos
(alguns temporários), tais como: a) impedimento à penetração da luz solar e,
portanto, dificultando a fotossíntese; b) recobrimento dos ovos de peixes e
outros animais aquáticos e dos seus habitats; e c) outros inconvenientes.

Os sedimentos como alimento e habitat cumprem uma função ecológica muito


importante nos lagos e reservatórios. Existe toda uma comunidade bentônica
que se alimenta dos detritos (ou sedimentos) aí depositados: peixes (como o
bagre da foto), invertebrados aquáticos, e outros.

A retenção de produtos tóxicos pelos sedimentos é, possivelmente, o maior


dano ecológico, depois da eutrofização . Os sedimentos podem ser
considerados a memória de um lago. São neles que a poluição já ocorrida fica
acumulada e armazenada. São medidos em mg/kg de peso seco de Fe, Zn,
Mn, Cu, Pb, Cr, Ni, Cd, Hg, etc.

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2.1.5 Cor

A Cor é uma característica da água que pode fornecer ao pesquisador


importantes indícios de fenômenos naturais (lavagem do solo pelas
enxurradas, p.ex.) ou da efeitos antrópica (proliferação de algas devido o
lançamento de esgotos) ao lago ou reservatório. Dependendo de sua
intensidade, pode interferir na medição da transparência e da turbidez.

Como as descrições verbais são inseguras e subjetivas, ao se registrar a cor


da água de um manancial, é desejável que se utilize um padrão reprodutível de
comparação. A Tabela abaixo apresenta as cores mais encontradas na água
dos lagos e reservatórios.

Tabela 2-6: Cores Usuais e Suas Prováveis Causas


CORES DA ÁGUA ORIGEM PROVÁVEL
Azul Pouco material em suspensão
Verde Rica em fitoplâncton e outras algas
Vermelha Certos tipos de algas ("maré vermelha")
Materiais orgânicos dissolvidos, substâncias úmicas do solo, turfa ou
Amarela/Marrom
material deteriorado de plantas
Mistura de cores Escorrimento de água no solo

2.1.6 Oxigênio Dissolvido

Assim como os animais terrestres, os peixes e outros organismos aquáticos


precisam de Oxigênio para viverem. O Oxigênio também é necessário para
muitas reações químicas que são importantes para o funcionamento do lago ou
reservatório. As principais fontes de Oxigênio para os lagos e reservatórios
são:

 A fotossíntese gerada pela flora aquática


 A atmosfera em contato com a água (ventos, ondas, correntes)
 A liberação através de reações químicas que ocorrem na água.

A Tabela ao lado mostra a influência do Oxigênio


Tabela 2-7Caracterização do OD
Dissolvido para a fauna aquática. Os principais nos lagos e reservatórios
responsáveis pela retirada do Oxigênio da água são: OD causa
zero anoxia
1a2 pobre
 A respiração da fauna e o consumo da flora 3a5 estresse
aquática 7 a 14 OK
 A decomposição da matéria orgânica presente
 As reações químicas entre os produtos

Tabela 2-8: Consumo do O2 nos lagos e reservatórios A Tabela ao lado mostra o


CAUSAS CONSUMO consumo de Oxigênio da água
Cada 1.000 kg de relvas 120 kg dos lagos e reservatórios e
1.000 kg de árvores e arbustos 60 kg
1 kg de aguapés 0,74 kg/m2.d
suas causas

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2.1.7 Salinidade

A salinidade mede a quantidade de sais dissolvidos nas águas dos lagos e


reservatórios. Enquanto nas águas salobras a unidade de medida da
Salinidade é o ppm ou "partes por milhão" ou o mg/l (miligrama por litro), nas
águas doces, uma unidade usual é o ppb (partes por bilhão) ou mesmo o ppt
ou "partes por trilhão". Na água do mar, a Salinidade costuma ser de 35 ppt,
enquanto na água doce, é comum 0,5 ppt.

A Salinidade é maior no Verão e menor no Inverno. A evaporação pode,


também, aumentar a Salinidade. Por outro lado, as chuvas costumam diminuir
a Salinidade.

Na ausência de quaisquer organismos vivos, o lago dispõe de uma grande


série de íons e moléculas oriundos da intemperização dos solos de sua bacia
de drenagem, da atmosfera e do seu leito. Portanto, a composição química de
um lago é fundamentalmente uma função do seu microclima (que afeta sua
hidrologia) e da sua bacia geológica.

Todo lago ou reservatório possui um balanço de íons dos seus três maiores
ânions e dos seus mais importantes cátions. A Tabela abaixo dá uma idéia
dessa composição média

Tabela 2-9: BALANÇO DE ÍONS PARA A TÍPICA ÁGUA DOCE


(Rios, Lagos e Reservatórios)
ânions % cátions %
HCO3 73 Ca 63
SO4 16 Mg 17
Cl 10 Na 15
K 4
outros <1 outros <1

O balanço de íons significa a soma dos íons negativos igual a soma dos
cátions positivos, quando expressos em miliequivalentes. Estes íons estão
geralmente presentes nas concentrações de mg/l (miligramas por litro, partes
por milhão ou ppm), enquanto outros íons, tais como os nutrientes: fosfato,
nitrato e amônia, estão presentes nas dosagens de g/l (microgramas por litro,
partes por bilhão ou ppb). Os sais, como sabemos, são produtos químicos
formados pela reação de um ânion com um cátion; assim, quando o ânion
cloreto (Cl) encontra o cátion cálcio (Ca), forma-se o Cloreto de Cálcio ou
Cl2Ca.

A quantidade total de íons presentes em uma amostra de água é chamada de


SDT (sais dissolvidos totais). Tanto a concentração de SDT como as
quantidades relativas ou proporções dos diferentes íons, influem nas espécies
de organismos que podem melhor se desenvolver nos lagos, além de
participarem de muitas reações químicas importantes que ocorrem nas suas
águas.

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2.1.8 pH

O pH de uma amostra de água é a medida da concentração de íons


Hidrogênio. O pH da água determina a solubilidade (quantidade que pode ser
dissolvida na água) e a disponibilidade
biológica (quantidade que pode ser usada pela
biota aquática) dos constituintes químicos, tais
como os nutrientes (P, N e C) e metais
pesados (Pb, Cu, Cd e outros). A figura abaixo
mostra a Escala do pH. Lagos ácidos tendem a
ter águas claras, porque contêm pouca ou
nenhuma alga. Também podem não conter
peixes. Uma ligeira acidificação da água
aumenta a solubilização dos fosfatos, fazendo
com que maiores quantidades de fósforo
solúvel passem à água em menos tempo. Figura 2-9: Escala de pH

Tabela 2-10: Influencia do pH nos lagos


pH SIGNIFICADO
>=8,5 Sob fotossíntese vigorosa
6,5 a 8,5 Normal
6a7 Levemente ácido
5,6 Água da chuva (referência)
5,5 a 6 Sob perigo
5 a 5,4 Estado crítico
<5,4 Acidificado

2.1.9 Alcalinidade

A Alcalinidade é a medida total das substâncias presentes na água, e capazes


de neutralizarem ácidos. Em outras palavras, é a quantidade de substâncias
presentes na água e que atuam como tampão. Se numa água quimicamente
pura (pH=7) for adicionada pequena quantidade de um ácido fraco seu pH
mudará instantaneamente. Numa água com certa alcalinidade a adição de uma
pequena quantidade de ácido fraco não provocará a elevação de seu pH,
porque os íons presentes irão neutralizar o ácido.

Se um manancial tem abundância de material tampão (alta alcalinidade), ele é


mais estável e resistente às variações de pH. Se, por outro lado, volumes
crescentes de ácidos (a chuva ácida, por ex.) são adicionados ao lago, a sua
capacidade tampão é consumida. Se os solos e rochas do entorno
acrescentam material tampão adicional, a alcalinidade pode, eventualmente,
ser restaurada. Mesmo uma perda temporária da capacidade tampão pode
permitir que sejam atingidos níveis de pH perigosos para a vida aquática.

Tabela 2-11Alcalinidade e Capacidade Tampão


ALCALINIDADE SIGNIFICADO
<10 ppm Baixa capacidade tampão
20 a 200 ppm Boa capacidade tampão

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2.2 Parâmetros Hidrológicos

Os principais parâmetros hidrológicos dos lagos são a Área da superfície, a


Descarga ou vazão afluente e efluente, o Tempo de detenção, a Flutuação do
N.A., a Profundidade e a extensão de ação do vento.

As represas ou reservatórios são ambientes que diferem dos lagos,


fundamentalmente, por 2 fatores: a) introdução constante de sedimentos e
nutrientes dos seus tributários; e b) a água é renovada com maior frequência,
pela ação dos vertedores (menor tempo de concentração ou de residência =
volume/vazão).

2.2.1 Tempo de Detenção

Em termos de comportamento ambiental, quanto mais rápido o lago renova as


suas águas (menor tempo de detenção) melhor, pois assim os poluentes são
expulsos antes que causem danos maiores à biota aquática e ao homem que
usa a água e os peixes do mesmo. Mais rápido, também, ele responderá às
atividades de controle da poluição na bacia.

volume total
t 
r
vazão de saída
onde T é o tempo de detenção (dias); V é o Volume do reservatório (m3) e Q a
Descarga ou vazão (m3/s x 86.400s).

Tundisi e Straskraba, em seu livro Diretrizes para o Gerenciamento de Lagos,


classificam os reservatórios em três grupos, segundo o seu Tempo de
detenção:

a) tR<=15 dias: Curto (reservatório com correntes longitudinais rápidas);


b) tR =15 a 365 dias: Médio; e
c) tR >365 dias: Longo.

Tabela 2-12: Classificação dos Lagos em função do tempo de detenção


TEMPO DET. SIGNIFICADO
< 10 dias similar a rio
10 dias a 1 ano intermediário
> 1 ano caract. lacustre
1 a 20 anos pequeno
20 a 200 anos médio
> 200 anos grande

Tabela 2-13: Características das 10 maiores Usinas Hidrelétricas do Brasil


Nome Rio UF V(km3) A(km2) L(km) H(m) Q(m3/s) C(MW) U(cd) T(d)
Itaipu Paraná MS 29.000 1.460 170 128 12.420 12.600 18 27
Mascarenhas Doce ES 51.800 4 0,5 2 14.500 122 3 41
Sobradinho S.Francisco BA 34.116 4.214 8,5 20 22.080 1.050 6 18
Furnas Grande MG 22.950 1.450 0,5 2 13.000 1.216 8 20
Ilha Solteira Paraná SP 21.060 1.200 5,1 47 34.283 3.230 20 7
Porto Prim. Paraná SP 20.000 2.250 10,3 19 52.800 1.854 18 4
Tres Marias S. Francisco MG 15.278 1.142 2,7 55 8.800 387 6 20
Emborcação Paranaíba MG 12.521 455 1,5 130 7.700 1.192 4 19

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Água Verm. Grande SP 11.025 647 0,2 55 19.848 1.380 6 6


Capivara Paranapanema SP 10.540 515 1,5 49 17.248 640 4 7

2.2.2 Variação do Nível d´água e Profundidade Média

A flutuação do nível d´água pode ser um fenômeno natural e sazonal (em


função da evaporação) ou artificial, ditado pela(s) abertura(s) da(s) comporta(s)
de uma hidrelétrica, por exemplo.

Essa flutuação interfere na área do lago, no volume remanescente, na


profundidade média, na penetração da luz solar e, nos casos extremos, no
revolvimento do lodo do fundo pelas ondas e pelas embarcações, prejudicando
a biota aquática.

No caso das represas, como durante o ano há flutuação da descarga nos


tributários, dependendo do seu volume, estas podem sofrer oscilação
significativa em seu N.A.

Teoricamente, o local mais profundo de um lago, fica na intersecção do


comprimento com a largura máximos; enquanto nas represas ou reservatórios,
geralmente, fica próximo à barragem.

A profundidade mais representativa para um lago é a profundidade média,


obtida quando se divide a área da seção transversal pela largura média. A
profundidade do lago ou reservatório tem a ver com a penetração da luz solar
na coluna d´água (zona fótica) e com a possibilidade da ocorrência da inversão
térmica.

As relações de área superficial e volume em um lago são importantes pois


determinam as porções sujeitas à mistura e a penetração da luz. Pode-se
representar a forma geométrica de um lago considerando-se a idealização
proposta por Junge (1966):

P  6 ZZ med
max
3
onde Zmed é aprofundidade média e Zmáx a máxima atingida pelo reservatório e
P é o parâmetro de forma do reservatório, entre –1 e 1.

Reservatórios artificiais de águas rasas tem relações Cota x área x volume


elipsóides e P é da ordem de 0,6. Reservatórios em rio são geralmente
elípticos e P=-1, enquanto lagos naturais podem comportar-se na faixa –1 e 1.

Para um dado parâmetro de forma, pode-se estimar a relação adimensional


cota-area-volume através das relações:
2
Z  Z 
A(%)  (1  P )  P 
Z max  Z max 

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

2 3
Z  Z   Z 
V (%)  6  3(1  P )   2 P 
Z max  Z max   Z max 

onda A(%) V(%) são respectivamente a fração de área e volume acima da


profundidade Z. Desta forma, a fração de volume contida no epilímnio pode ser
obtida através do cálculo d v(%) para a profundidade correspondente à
profundidade de mistura.

2.2.3 Continuidade (Fetch)

A importância hidrológica de um lago não é medida apenas pela sua extensão


(comprimento e largura), mas também pela continuidade do seu espelho
dágua, cuja maior medida em linha reta (sem cortar qualquer obstáculo físico
como ilhas e penínsulas) é chamada de fetch. A equação de Stevenson-Molitor
é usada no cálculo da altura de ondas em reservatórios:

h  0,092 W  f 0,2614 f  0,76

onde W é a velocidade do vento(km/h) e f é o fetch(km)

As ondas, como se sabe, interferem na agitação da massa líquida (aumentam


a turbidez) e facilitam a dissolução do oxigênio do ar na água.

2.3 Parâmetros Biológicos

Um lago típico possui zonas distintas de comunidades bióticas relacionadas à


sua estrutura física. A zona litorânea fica próxima ás margens e onde a luz
solar penetra até o fundo, permitindo assim a existência de plantas aquáticas
ou macrófitas (emersas, flutuantes e submersas) e delimitando a zona eufótica.
A zona bêntica é formada pelos sedimentos e detritos que se acumulam no
fundo do lago ou reservatório.

A biota é de fundamental importância para o estudo e o controle dos metais


pesados e outras substâncias tóxicas inorgânicas presentes nos sistemas
lacustres. Micróbios, plantas e animais desempenham papéis significativos na
determinação do transporte, formas químicas e transferência de metais para
diversos locais, porém o fator mais importante é o efeito dessas substâncias

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

Figura 2-10: Zoneamento do Reservatório

2.3.1 Fitoplancton

Os fitoplâncton são algas [principalmente dos grupos Pyrrophyta


(dinoflagelados) e Chrysophyta (diatomáceas)], cuja presença e concentração
nos lagos e reservatórios está fortemente associada ao estado trófico do
manancial. As algas (plantas inferiores que não apresentam organização
complexa do corpo e que produzem a fotossíntese) são importantes para o
ecossistema lacustre porque:

 Convertem material inorgânico em orgânico (através da fotossíntese)


 Oxigenam a água (ainda através da fotossíntese)
 Servem como base essencial para a cadeia alimentar
 Afetam a quantidade de luz solar que penetra na coluna d´água

Como muitas plantas superiores, as algas precisam de luz, de suprimento de


nutrientes inorgânicos e de faixas específicas de temperatura para crescerem e
se reproduzirem. Dentre esses fatores, o suprimento de nutrientes
(especialmente o Fósforo) é um dos principais, pois é ele que ditará a evolução
do seu crescimento.

Há uma série de fatores ambientais que influem no crescimento das algas nos
lagos e reserevatórios. Os principais são os seguintes:

 A quantidade de luz solar que penetra na água (afetada pela intensidade


dos raios solares; pela quantidade de material em suspensão; e pela cor
da água);
 A disponibilidade de nutrientes para o crescimento das algas
(determinado tanto pela fonte como pelos mecanismos de remoção);
 A temperatura da água (regulada pelo clima, altitude, lançamento de
efluentes, etc.);
 A remoção física das algas (pelo seu afundamento ou saída através de
um vertedor);

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

 O pastoreio da população algal (por peixes, animais microscópicos e


outros organismos (zooplâncton));
 O parasitismo por bactérias, fungos e outros microrganismos; e
 A competição de outras plantas aquáticas por alimento e luz.

É a combinação destes e de outros fatores ambientais que determinam o tipo


e a quantidade de algas encontradas em um lago. É importante observar,
contudo, que esses fatores estão sempre num estado de fluxo. Isso porque a
multiplicidade de eventos, inclusive a mudança das Estações, o uso dos
terrenos da bacia e as enxurradas que, constantemente, criam "novos
ambientes" no lago.

Essas mudanças ambientais podem ou não apresentar ótimos habitats para o


crescimento ou mesmo a sobrevivência de uma espécie particular de alga.
Consequentemente há, em geral, uma sucessão de espécies diferentes de
algas no lago ao longo do ano e de ano para ano.

Costuma-se utilizar a concentração de clorofila (em ug/l) para expressar a


biomassa fitoplanctônica. Assim, o estudo do fitoplâncton e da biomassa
(Clorofila-a), associado aos parâmetros físicos e químicos, pode detectar
possíveis alterações na qualidade das águas, bem como avaliar tendências ao
longo do tempo, que se reflitam em modificações no habitat ou no
comportamento dos organismos aquáticos. Além disso, a análise dos níveis de
clorofila pode estabelecer uma correlação entre a ocorrência das espécies e a
biomassa e, desta forma, buscar indicadores biológicos da qualidade de água.

As algas (e outras partículas em suspensão) contidas numa amostra de água e


retidas em papel de filtro, serão analisadas em laboratório para a obtenção da
concentração da Clorofila-a. Um dos métodos, consiste na extração, durante 12
horas, com acetona a 90%, dos pigmentos existentes no resíduo da filtração da
amostra de água. Após esse tempo, a solução é centrifugada e o líquido obtido
tem sua absorvância determinada, nos comprimentos de onda específicos
(Aminot e Chaussepied, 1983).

A concentração de clorofila-a na
água está diretamente
relacionada com a quantidade
de algas presentes no
manancial. A concentração
excessiva de algas confere aos
lagos a aparência indesejável
de "sopa de ervilha". As
características da qualidade da
água determinam que espécies
de algas estão presentes.
Lagos com elevados níveis de
nutrientes, tendem a suportar
Figura 2-11: Lago em situação eutrofizada
um maior número de algas do

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que aquelas com baixo nível desses elementos. Outros fatores, como:
temperatura, profundidade, pH e alcalinidade, também influem nas espécies e
no número de algas encontradas nos lagos.

2.3.2 Zooplancton

Lagos e reservatórios, independente de seu tamanho, assim como os grandes


rios, são habitados por inúmeros organismos planctônicos. Esses organismos
estão na base da cadeia alimentar e, graças a seu elevado metabolismo, são
capazes de influenciar processos ecológicos fundamentais, como ciclagem de
nutrientes e magnitude da produção biológica. O zooplâncton é constituído de
consumidores primários (herbívoros) e predadores de diferentes níveis tróficos.

Ao contrário dos ambientes marinhos, o zooplâncton dos lagos e reservatórios,


é composto de poucos grupos de invertebrados aquáticos. São animais
microscópicos, ou muito pequenos, podendo atingir, em poucos casos, alguns
milímetros, que nadam na zona de água aberta dos lagos e reservatórios. Os
principais componentes dessa comunidade são, por ordem de tamanho:

 protozoários: amebas, flagelados, ciliados;


 vermes asquelmintos: rotíferos;
 crustáceos: copépodes e cladóceros;
 insetos: larvas de moscas e de mosquitos; e

Os organismos ciliados, se alimentam de bactérias e algas, a maioria dos


microcrustáceos (cladóceros) se alimentam do fitoplâncton ou são omnívoros
(copépodes) e os peixes se alimentam do zooplâncton. Assim, o zooplâncton
serve para melhorar a qualidade da água, já que controla o desenvolvimento do
fitoplâncton através de sua alimentação seletiva.

Alguns representantes do Zooplâncton, como a Daphnia sp. são usados como


bioindicadores da degradação ambiental. O zooplâncton pode afetar
diretamente a composição e a quantidade de fitoplâncton. A composição das
espécies e o tamanho atingido pelo zooplâncton são ditados pelos peixes que
dele se alimentam, originando um fator indicativo do aspecto, a longo prazo, da
biologia do manancial. O zooplâncton pode ser regulado artificialmente. O
tamanho e a estrutura do zooplâncton são uma importante variável da
qualidade da água.

2.3.3 Peixes

Entre os vertebrados atualmente conhecidos, os peixes formam o grupo mais


rico em espécies (constituem pouco mais da metade do total), atingindo cerca
de 24.600 representantes vivos, exibindo enorme diversidade na sua
morfologia, na biologia e nos habitats que ocupam. A importância da espécie
para o comportamento da qualidade da água em lagos é devido aos seguintes
fatores:

 Constituem rica fonte de alimentos (proteínas)


 Servem à recreação (pesca esportiva e espécies ornamentais)

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 Permitem o manejo ecológico (biomanipulação)


 Podem ser usados como indicadores bióticos.

A classificação dos peixes segundo o hábito alimentar, é a seguinte:

Tabela 2-14: Classificação dos peixes em função do comportamento trófico


Classificação Dieta alimentar
Carnívoro Peixes
Herbívoro Vegetais
Omnívoro Peixes e vegetais
Iliófago Lodo
Detritívoro Detritos
Insetívoro Insetos
Frugívoro Frutas
Invertívoro Moluscos, insetos e invertebrados
Planctófago Plâncton
Larvófago Larvas
Malacófago Moluscos

3 MISTURA EM LAGOS

Geralmente os lagos podem ser classificados em função da freqüência de


mistura a que obedecem no tempo:

 Monomíticos: misturam 1 vez


 Dimíticos: misturam 2 vezes
 Polimíticos: misturam várias vezes
 Meromíticos: raramente misturam até o fundo

Em regiões de clima temperado, os lagos são geralmente monomíticos


enquanto nos climas tropicais assumem comportamento polimíticos,
dependendo do tempo de residência. Lagos meromíticos estão usualmente
associados a outras formas de estratificação como a estratificação por
salinidade. A tabela a seguir ilustra o tempo de detenção e o tipo de mistura de
alguns lagos:

Tabela 3-1: Tempo de detenção e tipo de mistura em lagos brasileiros


Barragem Tr(dias) Prof. Tipo de Diferença de
(m) Mistura temp
Tucuruí 48 70 Monom. 20 C
Três Marias 340 66 Monom. 40 C
Paraibuna, SP 800 104 Monom. 50 C
Americana 30 25 Polim. 50C
Jaguari - Jacareí 510 50 Monom. 70 C

A análise e caracterização do estado mítico de um lago é fundamental para


avaliação da qualidade das águas no mesmo. Em lagos tropicais a
estratificação costuma ser bastante estável, porém nas mudanças de estação,
por exemplo inverno-primavera, podem ocorrer freqüentemente situações de

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mistura freqüentes em função das variações da temperatura do ar. A mistura


nos lagos é condicionada à quantidade de energia fornecida, tendo como
agentes a difusão molecular, a difusão turbulenta, a dispersão, a advecção e a
convecção induzida pela diferença de densidade.

TRABALHO

Figura 3-1: Condição de mistura em um lago

As fontes de energia para a mistura em lagos são as trocas atmosféricas


através da interface ar-água, os ventos que introduzem turbulência e a
advecção, causada pelos fluxos de entrada e saída do lago.

3.1 Trocas Atmosféricas

As trocas com a atmosfera envolvem diversos fatores que dependem das


condições meteorológicas e da própria água, destacando-se entre eles a
radiação solar e a as trocas convectivas. A radiação solar é o fator mais
importante nas análises que envolvem múltiplas estações, que também influem
nas trocas convectivas.

Hsn= radiação solar

H at =radiação da atmosfera

Hw= radiação emitida pelo corpo d’água

He= calor perdido na evaporação

Hc= trocas convectivas


Hsnr= reflexão da radiação solar

H atr =reflexão da radiação


da atmosfera

TAXA LÍQUIDA DE TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA


H= (Hsn + Hat – Hsnr – Hatr)– (Hw + He ± Hc)
depende de cond. meteorol. depende da temp.da água
Figura 3-2: Processos de trocas com a atmosfera

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3.1.1 Radiação Solar

A luz solar é importante como fator de controle da fotosíntese e da fotólise.


Normalmente as estações meteorológicas e climáticas fazem observações de
radiação solar instantânea, permitindo-se uma análise estatística do
comportamento desta forçante. É usual nos estudos considerar-se a radiação
solar como função senoidal do tempo, admitindo-se um valor médio de
potência específica (Langleys/dia = 10 kcal/m2/dia) e uma variação senoidal de
período anual:

H max  H min
H sn  H m  sin(0,0174533 Dia  1,76)
2

onde Hsn é a potência específica da radiação solar (kcal/m2/dia), Hmax e Hmin


representam o máximo e o mínimo observados e Dia é a data no calendário
Juliano (01/01/01 = 1).

O fotoperíodo é um parâmetro fundamental no processamento da fotosíntese e


pode ser considerado, nas aplicações práticas como sendo:

Dia
F (horas )  12  A cos(380  248)
365

sendo A o número de horas de luz no dia subtraído de 12 e Dia a data no


calendário Juliano. O valor A pode ser obtido através da equação de Groden
(1977) que considera a diferença entre o número de horas de luz no dia no
solstício de verão e no equinócio de inverno:

A  0,1414  Lat  Sinal ( Lat ) * 2,413

onde Lat é a latitude local, positiva par ao hemisfério norte e negativa para o
sul. As figuras a seguir ilustram as variações do fotoperíodo da energia da
radiação solar ao longo do ano.
Horas de Insolação / dia

Radiação Solar (kWh por dia

15 30

14
25
13

12 20

11
15
10 Fortaleza
9 Goiania 10
São Paulo
8
Porto Alegra 5
7

6 0

Figura 3-3: Variações sazonais da energia e fotoperíodo

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3.1.2 Temperatura da Água

A temperatura é um importante fator de controle da qualidade da água no lago,


pois influencia virtualmente todos

Temperatura Média Diária ºC


30
os processos, tais como a
estratificação, decomposição, 25 0

fotosíntese, respiração, reprodução 20

e mortalidade de zooplancton e
15
peixes além dos ciclos químicos
como decomposição microbial, 10

volatilização, hidrólise e a 5

bioacumulação. Por outro lado a


0
temperatura raramete varia de
forma rápida nos ecossistemas Figura 3-4: Variação Típica da Temperatura

aquáticos. A estimativa da temperatura para as das vazões de aporte nos


reservatórios e lagos pode ser feita considerando-se apenas a variação do ciclo
anual de forma senoidal, a partir da média e da faixa de variação observadas
em campo:

Tmax  Tmin
T  Tmed  sin (0,0174533(0,987( Dia  Def )  30))
2

onde Tmed é a temperatura média história, Tmax e Tmin os valores máximos e


mínimos, Dia a data na contagem Juliana e Def a defasagem, usualmente
adotada em torno de 90 dias (Ward, 1963).

3.1.3 Vento

O vento é, freqüentemente, a principal fonte de energia para mistura nos lagos,


induzindo ondas na superfície que criam turbulência e condições de efetivação

Figura 3-5: Parâmetros básicos das ondas


da mistura no epilímnio. A transferência de energia dos ventos para a água se
da na forma de atrito na superfície, que ao se deformar aumenta a taxa de
transferência desta energia, num ciclo auto induzido.

O vento é muitas vezes responsável pela oxigenação e pela volatilização de


alguns compostos, sendo medido diretamente nas estações meteorológicas

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através dos anemômetros automáticos, situados a uma altura padrão de 10 m.


São medidas a velocidade (m/s) e a direção (º com o N) O vento é considerado
sempre na direção predominante, ou seja, aquela em que permanece a maior
parte do tempo.

Figura 3-6: Registro de anemômetro automático


Os ventos causam também deformações
maiores na superfície dos lagos,
denominadas seiches ou ‘mares de vento’,
caracterizadas pela inclinação da superfície
livre o que ocasiona alterações de pressão
e favorece as condições de mistura. Os
seixes inclinam tanto a superfície quanto a
termoclina do lago.

Em geral, os ventos induzem correntes


advectivas também importantes nos processos de mistura nos lagos.

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Figura 3-7: correntes Induzidas pelo vento

3.2 Detecção e Estabilidade da Estratificação

Pode-se detectar a estratificação num lago através de diferentes indicadores


além das observações de campo. Nestas, o levantamento de um perfil de
temperatura ou de concentração de oxigênio é suficiente para indicar o
comportamento mítico ou estratificado. O tempo de residência (ou retenção)
também permite um prognóstico sobre a estratificação:

 tr < 1 mês - fraca e instável


 tr > 6 meses - bem definida e estável

A relação entre as forças de flutuação e as forças gravimétricas atuantes na


partícula no lago, denominada de Número de Froude Densimétrico também
permite a avaliação do estado mítico:
LQ  0 FD << 0.3 estratificado
FD  0.1 < FD < 1.0 estratificação fraca
z V g > 1.0 misturado

sendo L o comprimento do reservatório, Q a vazão média de saída, z a


profundidade média, V o volume do reservatório,  a massa específica e  o
gradiente médio de densidade    z

Outro parâmetro importante na identificação da estratificação é o número de


Richardson, que permite avaliar a relação entre as forças de flutuação e as
forças de atrito, indicando o efeito da velocidade na mistura.

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g 
 z Ri > 0.25 - estável
Ri  Ri < 0.25 - instável
 u 
2

 
 z 

Em geral, lagos e reservatórios nas regiões tropicais com grande profundidade


e tempo de residência superior a 6 meses tendem a ter a circulação
comandada por fatores meteorológicos, resultando numa estratificação estável.
Já reservatórios com menos de 20 dias de período de residência, normalmente
rasos, tem a circulação comandada por fatores advectivos, o que leva a uma
condição polimítica.

A termoclina, plano onde se localiza a maior


variação de temperatura, também é
considerada como profundidade de mistura
(Hanna, 1990). Esta profundidade pode ser
estimada a partir de diversas relações
empíricas e, em geral, se dá onde a variação
de temperatura supera 3ºC

log Z mix  0,336 log( L)  0,245

onde Zmix é a máxima profundidade de


mistura e L o fetch do reservatório em m.
Desta forma, o vento está implícito na fórmula Figura 3-8: Profundidade de
de Hanna. Mistura (Termoclina)

3.3 Efeito da Salinidade

As diferenças de salinidade criam condições de estratificação semelhantes


àquelas provocadas pela temperatura. O aporte salino aos lagos e
reservatórios pode se dar de diferentes formas, detacando-se

 Litologia e geoquímica da bacia


 Evaporação
 Ventos predominantes
 Proximidade com o mar
 Presença de aerossóis na atmosfera

A estratificação salina é mais estável do que a térmica, levando a longos


períodos sem mistura e anoxia total no fundo. A figura a seguir ilustra o efeito
combinado da temperatura e da salinidade na massa específica da água.

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>T, >S
+leve

<T, <S
+pesado

Figura 3-9: Efeito da salinidade e temperatura na massa específica da água

A estratificação salina causa muitos problemas ao reservatório, principalmente


quando o mesmo se destina a abastecimento e irrigação, sendo muito difícil a
criação de uma condição de favorável a mistura.

4 MODELOS PARA RESERVATÓRIOS

A modelação de reservatórios pode ser considerada, de acordo com a


estruturação espacial adotada como:

 Modelo zero-dimensional: (concentrado) em que se considera o corpo


d´água completamente misturado, com uma concentração única para
cada parâmetro
 Modelo Unidimensional: representação dos fenômenos que ocorrem
preponderantemente em uma direção
 Modelo Bidimensional: para situações em que existem variações
preponderante em duas direções, geralmente no perfil e no plano.
 Modelo Tridimensional:há a necessidade de se representar o fenômeno
nas três direções.

Como a estratificação produz reduções substanciais no transporte de massa na


vertical, a modelação de lagos depende basicamente da boa modelagem das
condições térmicas. Em geral, quando o objetivo é o de modelar a qualidade da
água numa bacia como um todo, os reservatórios são modelados de forma
concentrada. (0D).

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Decaimento e Mistura de Poluentes no Meio Ambiente

5 REFERÊNCIAS

James, A et all., Water Quality Modelling, 2nd. Ed. John Wiley & Sons Ltd.,
1993.

Potter, M & Wiggert, D. – Mecânica dos Fluidos Ambiental, Ed. Thompson,


2004.

Chapra, S.C.. Surface Water Quality Modeling. MacGraw-Hill, 1997.

Martins, J.R.S, Hidrodinâmica Bidimensional – Estudo em Modelo Matemático,


EPUSP, 1989.

Fortuna, Armando O. – Técnicas Computacionais para Dinâmica dos Fluidos,


Ed. USP, São Carlos, 2000.

Pereira, Regis S., Modelos de Qualidade de Água, in ReRH – Revista


Eletrônica de Recursos Hídricos Volume 1 n.1 Jul/Dez 2004, 5-13

Chapra, S.C. and Pelletier, G.J. 2003. QUAL2K: A Modeling Framework for
Simulating River and Stream Water Quality: Documentation and Users Manual.
Civil and Environmental Engineering Dept., Tufts University, Medford, MA.,

POLUIÇÃO, PROTEÇÃO E USOS MÚLTIPLOS DE REPRESAS. Branco,S.M.,


CETESB, São Paulo, p.104, 1977.

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PHD2460 – NOTAS DE AULA

PROGRAMAÇÃO VBA

1 UTILIZAÇÃO DE MACROS E CÓDIGO VBA


Uma macro é um pequeno programa que contém uma lista de instruções a realizar no Excel.
Como sendo um repositório de operações, uma macro pode executar um conjunto de tarefas
através de um único procedimento o qual pode ser invocado rapidamente.
As instruções que formam o corpo da
macro são escritas num código próprio
designada por VBA – Visual Basic for
Applications e é muito semelhante ao
antigo Basic, ao Pascal e C,m todos
linguagens de programação do tipo
estruturada. A seguir apresenta-se
algumas dicas para utilização desta
facilidade nos modelos do curso.
Para acessar o VBA observe que
 Deverá estar instalado com o Office
 Tecla de Atalho Alt + F11
 Inserir Módulo na planilha de
trabalho

Todas as versões recentes do MS Office


são fornecidas com o VBA nativo. Caso
não consiga encontra-lo utilize o disco de
instalação par ativar.

2 ORGANIZAÇÃO DO CÓDIGO VBA

2.1 Definição de variáveis devem ser definidas no inicio


– Inteiras integer
– Simples precisão single
– Dupla precisão double
– Texto string
– Range – intervalo de células range
– Atribuição de variável
• sinal de igual A = 12 + B ou
• Set r =range(“A10:B20”)

2.2 Operadores
Aritméticos + - * /
Lógico < > =
Booleanos true false

2.3 Controle de Fluxo


 Contador
For i=1 to x step m
....
Next i

 Loop
While
.....
Wend

 Teste Condicionado
IF ..A < B then
A=A+1
Else
A=A–1
End If

 Desvio incondicionado
Goto label
3 INTERAGINDO COM A PLANILHA

 Lendo um valor da célula

As linhas ao abaixo quando executadas


lêem o valor 9.81 da célula A10 e guardam
na variável valor

 Gravando um valor na planilha

As linhas ao ladoo quando executadas escrevem o


conteúdo da variável valor (9.81) da célula A10

4 ESTRUTURANDO O CÒDIGO

4.1 Sub rotina


É um módulo a ser executado geralmente associado à um modo de disparo, como um botão
ou uma hot-key. Veja o exemplo abaixo. A sub rotina define a faixa de células de trabalho e
escreve na coluna 3 do range os valores da coluna o
Para o disparo da sub utiliza-se geralmente um botão, que é inserido na planilha inicial e
associado à uma sub existente em seu modulo VBA. Para criar um deve-se:
– Ativar o menu de formulários
– Posicionar o botão
– Associar a subrotina
4.2 Função
Permite a execução de um código pessoal dentro de uma célula ou de uma sub rotina. A
estrutura é da forma

Function FF(argumentos)
.....
End Function

Os argumentos devem ser sempre explicitados na declaração da função

5 EXEMPLO SIMPLES
Este exemplo permite preparar a planilha de cálculo da equação de advecção-difusão-
dispersão-decaimento considerando diversas atividades como preparar a condição inicial
(botão preparar), calculo passo a passo (step de tempo) e cálculo contínuo. Observar as
funções especiais utilizadas como o DoEvents (para o sistema não travar) e o truque utilizado
para controlar o andamento do programa.
Como o Excel realiza o cálculo das células sempre que um valor é alterado, deve-se
desabilitar o cálculo automático durante a troca de valores entre as células e C, com um
comendo específico:

Application.Calculation = xlCalculationManual
Application.Calculation = xlCalculationAutomatic

Para que o código não fique travado no loop de execução, utiliza-se o comando DoEvents,
que permite ao Windows executar a fila de comandos, retornando em seguida para a próxima
instrução.