You are on page 1of 11

CÁLCULOS EM FARMÁCIA

Luiz Carlos d Silva, MSc – Prof. da Disciplina de Farmacotécnica


1) SOLUBILIDADE
A literatura relata solubilidade de uma substância como sendo o volume de solvente que forma uma
0
solução saturada com 1 grama da substância a temperatura de 25 C (Exemplo:1 grama de ácido
salicílico é solúvel em 460 mL de água a temp. ambiente1 15 mL de água fervente, 3 mL de álcool e 45
mL de clorofórmio - FB III).
Ela pode ser expressa como "a:b" ou "a em b" como "1:5" ou "1 em 5". Isto significa que temos 1 parte
de SOLUTO mais 5 portes do SOLVENTE, resultando numa solução 1:6 ou seja 1 porte do soluto em 6
partes da solução. Exemplificando melhor : Uma solubilidade 1:3 representa que 1 grama do soluto é
solúvel em 3 mL do solvente. Isto resulta numa solução 1:4 (1 parte do soluto em 4 partes da solução).
CONCENTRAÇÃO é a quantidade de soluto contida numa dada quantidade de solução (se for um
líquido). Ela pode ser expressa pelo seu peso (p) ou volume (v). Exemplos:
A) p/v (g/mL) muito utilizada na dissolução de um soluto num solvente para a obtenção de soluções;
B) p/p (g/g) muito utilizada em misturas de pós;
C) v/v (mL/mL) usada na obtenção de uma solução a partir de 2 líquidos miscíveis entre si;
D) Porcentagem "%" (g/100 mL);
0
E) Molaridade "M" (n de moles par Litro de solução);
0
F) Normalidade "N" (n de equivalentes-grama por Litro de solução);
G) Título (1:1.000 ou 1 ppm = uma parte por milhão ou mcg/mL).

De uma forma geral1 os exercícios de cálculo em farmácia resultam numa proporção1 ou sela uma
equação que relaciona duas razões. Exemplo:
a/b = c/d
Como os produtos das extremidades são sempre iguais temos que:
a.d = b.c
ou
a = b.c/d
O primeiro passo para a resolução de problemas é entendê-lo completamente. Leia o problema de ponto
a ponta, cuidadosamente. Destaque as palavras chaves do mesmo. Identifique primeiro a INCÓGNITA,
ou sela o que o exercício está pedindo. Em seguida identifique a informação conhecida, ou seja, os
DADOS que você usará para desvendar a incógnita. Uma vez identificada a incógnita e a informação
dada, você deve achar uma conexão entre elas. A conexão é normalmente um FATOR DE
CONVERSÃO. Utilize este fator para desvendar a incógnita. Esta relação nem sempre é direta. As vezes
é necessário iniciar o exercício a partir do final do enunciado.
Mas não se estresse, com um pouco de esforço e uma boa dose de bom senso você resolverá os
exercícios com facilidade.
1) Um grama de ácido bórico forma uma solução saturada com 18 mL de água. Qual a % (p/p) e (p/v) da
solução, sabendo que o peso total da solução é de 19g ?
2) Como preparar 1 litro de uma solução de gluconato de cálcio a 50% (p/v)?
3) Qual a quantidade de gluconato de cálcio necessária para preparar 500 mL de uma solução a 20%?
4) Como proceder para obter 50 mL de uma solução de gluconato de cálcio a 10% partindo-se da
0
solução obtida na questão n 3?
5) Deseja-se preparar 1 L de uma solução de hidróxido de sódio 1 N. Como Proceder?
6) Partindo-se da solução anterior como preparar 500 mL de uma solução de NaOH 0,3 N?
7) Desejo preparar 120 mL de uma solução de manitol 1:10. Quanto devo tomar de manitol sabendo-se
que ele encontra-se no estado sólido?
8) Hormônios tiroideanos (T3 e T4) são substâncias utilizadas em quantidades tão reduzidas que é
comum estocá-las com um título de 1:1.000. Responda:
A) Como preparar 50 g de uma mistura de T3 e lactose 1:1000?
B) Que quantidade de mistura será necessária para preparar uma capsula contendo 500 mcg de T3?
9) Uma prescrição magistral solicita o preparo de 500 mL de um enxaguatório bucal contendo 10 ppm de
ÍON FLÚOR. Quanto de FLUORETO DE SÓDIO terei de tomar para preparar a formulação sabendo que
o NaF encontra-se no estado sólido?
PESOS ATÔMICOS: Na = 23 F = 19
10) Preciso preparar uma solução contendo 25 mEq de NaCI. Quanto devo tomar de NaCI?
PESOS ATÔMICOS Cl = 35,5 Na = 23

II) PREPARANDO FORMULAÇÕES


No preparo de formulações é importante definir a forma farmacêutica que se deseja. Uma solicitação de
hidróxido de alumínio em veículo aquoso nunca poderá ser preparada na forma de solução, pois o
hidróxido de alumínio é um pó insolúvel. Logo devemos preparar uma suspensão. Antes de iniciarmos
qualquer formulação líquida é importante saber a solubilidade do princípio ativo e dos excipientes. É
importante também saber se ele está disponível na forma sólida ou líquida.
Muitos sais higroscópicos são diluídos em um solvente líquido para evitar a hidratação e hidrólise do
principio ativo. Sais também podem ser diluídos em excipientes inertes (sais heróicos, por exemplo).
Neste caso se a concentração dada for em % ela representa uma relação peso/peso (Ex.: Omeprazol é
comercializado em grânulos inertes num teor de 70% (p/p)).
Formulações expressas em %, cuja quantidade final seja diferente de 100 (grama ou mL), devem ser
rescritas para se descobrir a quantidade de cada componente (ver exercício VIII-3).
Uma fórmula geralmente contém um ou mais princípios ativos e excipientes que não possuem função
farmacológica, mas que contribuem para dar estabilidade à formulação (Exemplos : antioxidantes,
conservantes, corretivos de pH, isotonizantes, flavorizantes, lubrificantes, desagregantes, etc.).
1) Para preparar 50,0g de um gel de ibuprofeno utiliza-se 1g de ibuprofeno em pó. Pergunta-se:
A) Qual a concentração em % desta formulação?
B) Qual a quantidade de ibuprofeno necessária para preparar 240g do gel?
2) Deseja-se preparar um gel contendo ácido glicólico a 8%. Sabendo-se que o ácido glicólico é
comercializado na forma de solução a 70%, qual o volume de solução necessário para preparar 200g do
gel?
3) Dada a formulação abaixo, pergunta-se:
Rx
Indometacina...................5 mg/5 mL
Xarope simples..............120 mL
A) Quantas capsulas de indometacina terei de usar para preparar a formulação acima, sabendo-se que
cada capsula contém 25 mg de indometacina?
B) Sabendo que cada capsula contém 320 mg de uma mistura de pós, quanto devo tomar desta mistura
para preparar a formulação?
4) Um comprimido de Aspirina contém 500 mg de ácido acetil salicílico. Sabendo que o peso médio de
um comprimido é de 580 mg, qual a quantidade de excipiente necessária para o preparo de 20.000
comprimidos?
5) Uma capsula de Binotal contém 500 mg de ampicilina. Sabendo-se que o peso médio da capsula de
Binotal é de 620 mg e que o excipiente utilizado é composto de partes iguais de amido, lactose e PVP,
pergunta-se quantas gramas de lactose serão necessárias para preparar 15.000 capsulas de Binotal?
(DESPREZE O PESO DA CAPSULA VAZIA)
6) Uma capsula de Keflex contém 500 mg de cefalexina. Sabendo-se que a capsula possui um peso
médio de 680 mg e que o excipiente utilizado é composto de uma mistura contendo 10% de amido, 40%
de lactose e o restante de PVP, pergunta-se: quantas gramas de lactose e PVP serão necessárias para
preparar 20.000 capsulas de Keflex. (DESPREZE O PESO DA CAPSULA VAZIA)
7) Quantos pacotes de açúcar (sacarose), contendo 5 kg, serão necessários para a fabricação de 15.000
frascos de 120 mL de xarope simples?
DADO : Xarope simples = Solução saturada de sacarose a 85% (p/p).
8) Qual o teor (concentração em %) de iodo na preparação de 5.000 L de um germicida a base de PVP-I,
sabendo que foram utilizados 250 kg de PVP-l a 10%.
9) Sabendo-se que um analgésico na forma farmacêutica comprimido contém 500 mg de princípio ativo
e que para preparar 20.000 comprimidos utiliza-se 6,0 kg de pôs como excipiente, pergunta-se:
A) Qual o peso médio de cada comprimido?
B) Qual a percentagem de excipiente utilizada em cada comprimido?

III) ADMINISTRANDO DOSES


A administração de doses de um medicamento deve ser feita com o maior rigor, pois um erro pode levar
o paciente a óbito. Esta é uma prática muito comum em farmácias e no ambiente hospitalar. A diferença
é que em hospitais a administração de medicamentos é geralmente realizada por profissionais de
enfermagem e não de farmácia.
As doses são prescritas pelo médico ao paciente através de um documento chamado de receito ou
prescrição médica. Como a indústria farmacêutica produz medicamentos com doses padronizados
(Exemplo: comprimido com 25 mg de captopril ou xarope de amoxacilina contendo 250 mg/5mL),
alterações nas doses padronizados, para adequá-los à é condição do paciente, são comuns em pediatria
e geriatria. Normalmente, parte-se de uma especialidade farmacêutico industrializada e através de
cálculos de proporção chega-se à dose prescrita.
1) Um paciente hospitalizado precisa receber 30 g de NaCI por via endovenosa. Quantas ampolas de
NaCI 19,1% - 10 mL serão necessárias?
2) Quantas ampolas de bicarbonato de sódio 8,4% - 10 mL serão necessárias e para administrar 5 g de
bicarbonato de sódio a um paciente?
3) Qual a quantidade de cloreto de sódio necessária para preparar 55 frascos de 1 L de soro fisiológico
0,9%?
4) Como proceder para obter 3,5 L de soro fisiológico para uso externo partindo-se de ampolas contendo
20 mL de cloreto de sódio a 20% e frascos de 1 L de água destilada?
5) Sabe-se que o sulfato de amicacina encontra-se disponível na forma injetável na concentração de 500
mg/2mL. Qual o volume necessário para administrar 150 mg de sulfato de amicacina a uma criança de
10 anos?
6) Deseja-se preparar 500 mL de um xarope de hidrato de cloral a 4%. Pergunta-se:
A) Quanto precisarei de hidrato de cloral?
B) Sabendo que a dose para sedar uma criança é de 50 mg/kg de peso, quantos mL do xarope deverão
ser administrados à uma criança com 20 kg
7) Um paciente portador de trombose venosa profunda precisa ser medicado com 10.000 Ul de heparina
sódica de 12 em 12 horas, por via intramuscular, durante 15 dias ininterruptos. Quantos frasco-ampolas
de heparina sódica serão necessários sabendo que cada frasco de 5 mL contém 5.000 UI/mL?
8) O sulfato de polimixina tem uma potência de 6.000 U/mg do pó. Solicita-se o preparo de 10 mL de
uma solução contendo 10.000 U/mL. Quanto se deve tomar do pó para preparar a formulação?
9) Precisa-se preparar 60 gramas de uma pomada contendo 150.000 U de nistatina por grama. Quanto
se deve pesar de nistatina sabendo que 4.400U de nistatina USP = 1 mg ?
10) Como preparar 1000 mL de uma solução de permanganato de potássio 1:40.000 usando
comprimidos de 100 mg ?
11) Como preparar 500 mL de uma solução de glicose a 15% partindo-se de uma solução de glicose a
5% - 500 mL e ampolas de glicose 50% - 20 mL ?
12) Sabendo que 1 mL = 20 gotas, em quantas horas serão administradas 1000 mL de sol. fisiológica
0,9% na velocidade de 60 gotas por minuto ?
13) Uma prescrição solicita administrar 500 mL de Glicose 5% em 6 horas. Sabendo que ela foi ligada
(iniciada) ao paciente às 6:00 Hs, pergunta-se:
A) O horário do soro estará adiantado ou atrasado se às 8:00 Hs encontra-se 200 mL da solução no
frasco?
B) Qual deve ser a velocidade de gotejamento para que o soro termine no horário correto?
IV) SOLUÇÃO ESTOQUE
É comum as farmácias magistrais trabalharem com soluções estoque de determinadas substâncias. Isto
facilita o trabalho, pois a solução estoque é mais concentrada e toma-se alíquotas da mesma para o
preparo da formulação. Isto também é válido para bases dermatológicas (Exemplo: O gel de carbopol
pode ser preparado numa concentração maior que a usual e quando necessário toma-se uma alíquota
ao mesmo e dilui-se com água para obter a concentração desejada).
Deve-se tomar cuidado com substâncias que, algum tempo após e serem diluídas, podem sofrer
hidrólise ou outras reações que diminuam sua estabilidade. Isto pode ser minimizado tomando-se
alíquotas da solução e em frascos distintos e levando-os ao congelamento. Quando necessário
descongela-se um frasco e despreza-se o que sobrar. Esta técnica e aumenta o tempo de vida útil das
substâncias instáveis em meio aquoso.
1) Para preparar um frasco de 15 mL de um descongestionante oftálmico incorpora-se 0,01% de cloreto
de benzalcônio como conservante. Quanto deve-se tomar de uma solução estoque de cloreto de
benzalcônio a 17% para preparar 10 frasco do colírio ?
2+
2) Solicita-se preparar uma formulação contendo 10 mEq de Ca . Quanto se deve tomar de uma
solução padrão de CaCl2 a 10% para preparar a formulação ?
V) DENSIDADE E GRAVIDADE ESPECÍFICA
A densidade representa o volume que uma determinada massa ocupa, ou seja :
d = massa/volume.
A densidade da água é utilizada como base para uma escala relativa de densidades . A razão entre a
densidade de uma substância e a água é conhecida como PESO ESPECÍFICO ou GRAVIDADE
o
ESPECÍFICA. A densidade varia com a temperatura. A 4 C a água tem uma densidade de 1,000 g/mL.
Como a divisão por um não muda o valor, o peso específico de uma substância tem o mesmo valor
numérico de sua densidade. Mas o peso especifico é um número adimensional. Exemplo: Uma amostra
de urina pode ter uma densidade de 1,020 g/mL e seu peso específico é simplesmente 1,020.
1) Precisa-se preparar 120 mL de uma solução de ácido clorídrico a 3% (p/v).Sabendo-se que a
densidade do ácido clorídrico concentrado (a 37%) é de 1,18 g/mL quanto deve-se tomar da solução
concentrada para preparar a formulação?
2) Sabendo que a gravidade especifica da manteiga de cacau é de 0,9 e do oxido de zinco de 4,0.
Quanto deve-se usar de manteiga de cacau para preparar 12 supositórios da prescrição abaixo.
DADO : A forma de supositório comporta 2,0 g de manteiga de cacau.
Rx
Oxido de zinco .....................0,3 g
Manteiga de cacau ........... ......q.s.
3) Um paciente deve receber 250 g de uma solução cuja densidade é de 1,05 g/mL. Que volume será
requerido?

VI) SAIS HIDRATADOS, COMPLEXADOS E DILUÍDOS


Os sais, que compõe a grande maioria dos princípios ativos utilizados em farmácia, podem conter água
em seu seio. Quando esta água não faz parte da estrutura cristalina é chamada de água de hidratação e
é facilmente removido pelo processo de secagem em estufa. No entanto, quando esta água faz parte da
estrutura cristalina do sal o processo de retirada é muito mais rigoroso e requer a utilização de
dissecadores. Esta água de cristalização não afetará o sal, mas contribuirá para alterar sua massa que
se torna maior quanto maior for o número de moléculas de água em seu interior.
Nestes casos é comum estabelecer-se um FATOR DE CONVERSÃO, um número adimensional, obtido
da divisão do PM do sal hidratado pelo PM do sal sem água, que representa quanto teremos de pesar o
mais do sal hidratado para obter a quantidade desejada do sal sem água.
Os fármacos também podem se apresentar na forma de sais complexados, exemplo : Embonato de
hidroxizina. Como o efeito farmacológico será exercido pela hidroxizina e não pelo embonato, a dose
preconizada é normalmente dada em função da massa de hidroxizina. Ocorre que o Embonato tem um
peso molecular muito elevado, daí a necessidade de estabelecermos1 novamente, o FATOR DE
CONVERSÃO, ou seja, a razão entre o PESO MOLECULAR do SAL (Embonato de hidroxizina) e da
FORMA BASE (hidroxizina) neste caso:
763,3/374,9 = 2,04
Quando os sais encontram-se diluídos com excipientes inertes que, normalmente atuam como
carreadores, também devemos determinar o fator de correção a fim de que não ocorram erros de dose
(Exemplo: o sal quelato magnésio-glicina possuí somente 10% de magnésio). Sais quelados com
aminoácidos são muito utilizados em medicina ortomolecular, pois repõe os níveis fisiológicos de oligo-
elementos, no entanto, estes oligo-elementos encontram-se num teor tão baixo que a dose é
normalmente fracionada em mais de uma capsula de gelatina.
1)Quanto devo pesar de (MgSO4)7 .H20 para obter 5 g de MgSO4?
PESOS ATÔMICOS : Mg = 24 S = 32 O = 16 H=1
2) A perda de cálcio em mulheres no climatério é extremamente elevada, a ponto de recomendar-se a
reposição de cálcio para evitar fraturas por osteoporose. Calcule o teor de cálcio no saí carbonato de
cálcio e a quantidade deste sal que deve ser ingerida para suprir 600 mg diárias de cálcio.
Dados : CaCO3 PM = 100,09
2+
Ca PA = 40,08
3) Sabendo que o aminoácido quelato zinco-glicina contêm 20% de Zinco, pergunta-se:
A) Qual o fator de CONVERSÃO a ser adotado?
B) Quanto devo tomar de zinco-glicina para preparar uma capsula contendo 25 mg de zinco?
4) Qual o fator de CONVERSÃO para obtenção de clorexidina a partir de gluconato de clorexidina?
PESO MOLECULAR : clorexidina = 505,6
gluconato de clorexidina = 897,8
5) Dada a formulação:
Rx
Vitamina E..................... 2OOmg
Betacaroteno....................25 mg
Selênio ...........................50 mcg
Zinco.................................25mg
L-Arginina.........................10 mg
Para obter 1 capsula

Quanto devo pesar para obter 30 capsulas da formulação abaixo a partir das seguintes matérias primas:
Vitamina E em pó a 50% (p/p), Selênio-complexo contendo 0,2% de selênio, Betacaroteno a 10% (p/p),
Zinco-glicina contendo 20% de zinco, Gluconato de arginina (PM = 321,3).
DADO : PM L-Arginina = 174,2

VI) EQUILÍBRIO HIDRÓFILO LIPÓFILO (EHL)


O EHL é um sistema utilizado para classificar moléculas com características tensoativas. Ele é
importante, pois através dele, podemos planejar qual o melhor tensoativo para estabilizar uma emulsão.
Um tensoativo possui características anfifílicas, isto é, sua molécula possui uma fração polar e outra
apoIar. O sistema elaborado por Griffin em 1948 classifica numericamente uma substância com base em
suas características hidrofílicas (POLAR) e lipofilicas (APOLAR). Quanto maior o equilíbrio entre as
frações polar e apolar, melhores serão as características do tensoativo como agente emulsificante.
Assim como os tensoativos possuem um EHL específico, as emulsões também apresentam um EHL
característico Ele pode ser calculado a partir da porcentagem parcial dos componentes hidrofilicos de
uma formulação. Exemplo:
Dada a formulação:
EHL
Cera Branca.......... 5,0g 15,0
Parafina Liq..........26,0g 10,5
Óleo vegetal ....... 18,0g 9,0
Glicerina ................4,0g
Agente emulsivo ...5,0g
Água dest. q.s.p..100,0 g
Calcule o EHL da emulsão e sugira um tensoativo que estabilize a emulsão.
Para resolver este problema você seguir as seguintes etapas:
A) Calcule a massa total dos componentes oleosos (Cera, Parafina e Óleo vegetal) :5 + 26 + 18 = 49g;
B) Calcule a % parcial de cada um dos componentes oleosos na formulação (massa do componente :
49);
C) Multiplique o EHL da cada componente pela sua % parcial;
D) Some os EHLs parciais e obtenha o EHL do emulsão (10.4).
Teoricamente, o melhor tensoativo para emulsificar uma emulsão é aquele cujo valor do EHL mais se
aproxima ao EHL da emulsão. No entanto, este sistema é apenas orientativo e deve-se testar
tensoativos com valores de EHL próximos ao da emulsão.
Tradicionalmente utiliza-se dois métodos para o preparo de emulsões:
O Método Continental ou da Goma Seca onde adicionamos 1 parte do tensoativo em 4 partes da fase
oleosa, mistura-se e adiciona-se em seguida 2 partes de água e agita-se até que a emulsão fique
estável.
O Método inglês ou da Goma Úmido onde se mistura 1 parte do tensoativo em 2 portes de água,
seguida da adição de 4 partes de óleo.

1) Dada a fórmula da emulsão O/A, calcule o EHL da emulsão e escolha entre os agentes emulsivos
abaixo aquele que, teoricamente, será o mais adequado para estabilizar a emulsão.
EHL
Cera de abelhas 159 15,0
Parafina líquida 20g 10,5
Óleo vegetal 15g 9,0
Glicerina 4 g
Ag. Emulsivo 5g
Agua dest q.s.p. 100 g

A) Goma tragagante 13,2


B) Lauril sulfato de sódio 40,0
C) Monoestearato de polioxietileno 11,1

2) Dada a formulação abaixo, quanto terei de usar de goma arábica utilizando o método de preparo
Continental (4:2:1)?
Rx
Óleo Mineral 30%
Goma Arábica q.s.
Flavorizante q.s.
Água destilada q.s.p. 120 mL

3) Para preparar 120 g de um creme utilizo 3% de Tween 80 (EHL=15) e 1% de Span 40 (EHL=6,7).


Qual o EHL da mistura?

VIII) ISOTONIA
Isotonizar significa adicionar uma substância capaz de igualar a pressão osmótica de uma solução à
pressão osmótica dos líquidos corpóreos.
É importante isotonizar uma solução que entra em contato com mucosas ou que vai ser administrada por
via parenteral, pois elo pode causar irritação, dor ou mesmo use celular por mecanismos de hemólise
(soluções hipotônicas em relação às hemácias) ou Plasmólise (soluções hipertônicas em relação às
hemácias).
O processo de plasmólise pelo uso de soluções hipertônicas pode ser compensado pelo organismo, no
entanto, soluções hipotônicas precisam ser isotonizadas paro evitar hemólise. Existem 2 métodos para
calcular a quantidade de isotonizante necessária:

1) Método do Abaixamento Crioscópico


Este método é baseado na Lei de Raoult que diz que o abaixamento crioscópico (diminuição da
0
temperatura de congelamento) é proporcional ao n de moléculas dissolvidas, qualquer que seja a suo
natureza. Como soluções de diferentes sais, em concentrações equimoleculares (1%) apresenta a
mesma tonicidade com as células podemos usar o abaixamento crioscópico causado por uma solução a
1 % de uma dada substância para calcular quanto devemos adicionar de isotonizante. Deve-se também
considerar que a os líquidos corpóreos (soro, lágrima e muco nasal) apresentam um abaixamento
0
crioscópico de -0,520 C, O abaixamento crioscópico de diversos substância em solução à 1% pode ser
encontrado no Merck índex (∆ 1%). Veja os seguintes exemplos:
A) Em que concentração o Cloridrato de Nafazolina é isotônico?

DADO: ∆ 1% Nafazolina = 0,155


0
ou seja, uma solução aquosa de nafazolina a 1% congela a 0,155 C.
A pergunta que deve ser feita é quantas gramas de nafazolina serão necessárias paro diminuir o ponto
0
de congelamento em 0,520 C, que é abaixamento crioscópico do soro, que é isotônico com as células?
Solução a 1% = 1 g de nafazolina em 100 mL de solução ou,
0
1 g nafazolina : 0,1 55 C
0
x g nafazolina : 0,520 C
x=0,520/10,155 = 3,35 g/100 mL

ou 3,35 %
B) Dado o colírio abaixo, isotonizá-lo com cloreto de sódio:

∆ 1%
Sulfato de Zinco............................30 mg 0,086
Cloreto de benzalcônio................100 mg 0,091
Cloreto de sódio..............................? 0,576
Água destilada .......q.s.p................10 mL

Para resolver este problema siga as passagens:


A)Transforme toda a formulação em % (grama/100 mL) ou 100 mL;

B) Multiplique a massa dos componentes em % pelos respectivos ∆ 1%;


C) Some os abaixamentos parciais;
0
D) Subtraia o abaixamento parcial pelo abaixamento do soro -0,520 C
(0,520 - 0,1168 = 0,4032);
E) Calcule a quantidade de NaCI o ser adicionada para causar um abaixamento crioscópico de
0
0,4032 C, isto é:
0
1 g NaCI : 0,5760 C
x g NaCI : 0,403200 ou x = 0,4032/0,576 =0,70g/100 mL de solução
Como 0,7 g de NaCI isotoniza 100 mL do colírio, para isotonizar 10 mL, precisamos de:
0,7 g NaCl : 100 mL do colírio
x g NaCI : 10 mL do colírio x = 0,07 g
F) Rescreva a formula conforme citada no exercício indicando a massa de NaCI necessária para
isotonizar.

2) Equivalente de Cloreto de Sódio


Neste método utilizamos como referência o fato de que uma solução de NaCI a 0,9% é isosmótica com o
sangue e a lágrima. A partir do método de abaixamento do ponto de congelamento calcula-se o
equivalente de cloreto de sódio de diferentes soluções de uma substância.
Para preparar uma solução isotônica por este método, calcula-se o equivalente osmótico de cada
componente da formulação multiplicando-se a quantidade em gramas de cada componente por seu
equivalente de NaCI a uma dada concentração (1%). Soma-se o equivalente osmótico de cada
componente e subtrai-se da massa de NaCI necessária para preparar x mL de uma solução a 0,9%. A
diferença encontrada representa a quantidade de NaCI que deve ser adicionada para tornar a solução
isotônica. Siga os Exemplos:
A) Em que concentração o ácido bórico é isotônico com a lágrima?
Da tabela do Merck Índex tiramos que 1 g ácido bórico/100 mL eqüivale a 0,50g de NaCl/100 mL, assim:
1g Ác. bórico : 0,50 g NaCI
xg Ác. bórico : 0,90g NaCI x = 0.90/0,5 = 1,8 g/100mL ou 1,8 %.

B) Isotonize a fórmula abaixo sabendo que 1g de nitrato de prata eqüivale à 0,33g de NaCl?
Rx
Nitrato de prata...................0,20g
Cloreto de sódio ................ ?
Água destilada ........q.s.p....20 mL
Veja as seguintes passagens:
A) Quanto de NaCI preciso para preparar 20 mL de uma solução isotônica?
0,9g NaCl : 100mL
x g NaCl : 2OmL x = 0,18g de NaCl

B) 1,0g Nitrato de prata : 0,33 g NaCI


0,2g Nitrato de prata : xg de NaCI x = 0,066 g NaCI

C) Para preparar 20 mL de uma solução isotônica preciso de 0,18 g de NaCI. O nitrato de prata eqüivale
a somente 0,066 g de NaCI, portanto, a quantidade de NaCI necessária para isotonizar a solução é
obtida da diferença:
0,18 - 0,066 = 0,114 g de NaCI
1) Sabendo que cloretos precipitam em contato com a prata, refaça o exercício anterior utilizando o ácido
bórico como isotonizante.
2) Calcule a quantidade de isotonizante a ser adicionada ao colírio abaixo, utilizando o NaCI como
isotonizante:

Rx ∆ 1%
Pilocarpina.........................................50,0mg 0,138
Cloreto de benzalcônio...................... 2,0 mg 0,091
Cloreto de sódio................................. ? 0,576
Água destilada .............q.s.p............. 100,0 mL
Soro humano: 0,520

3) Calcule a quantidade de Cloreto de sódio necessária para isotonizar a fórmula abaixo:


Rx Equivalente de NaCI
Lidacaína.HCI................................... 1,0% 0,22
Cocaína.HCI..................................... 1,0% 0,16
Epinefrina bitartarato.........................0,1% 0,18
Cloreto de sódio ............................... ?
Água destilada....... q.s.p...................50 mL
RESPOSTAS

I - SOLUBILIDADE

1 - A) % (p/p) = 5,26% B) 5,5 > % (p/v) > 5,2.


2 -Tomar 500mg de gluconato de Cálcio e completar o volume para 1Litro com água destilada.
3 - 100g
4 - 25 mL de solução.
5 - Tomar 40g de NaOH e diluir para 1 Litro.
6 - Tomar 150 mL da solução estoque e completar o volume para 500mL.
7 - 12 g
8 - A)Tomar 50 mg de T3 e 49,95 g de lactose
B) 500mg da mistura
9 - 0,011g de NaF
10 - 1,463g de NaCl.

II - PREPARANDO FORMULAÇÕES

1 - A) 2% B) 4, 8g
2 - 22,86 mL
3 - A) 5 cápsulas B) 1,536g
4 - 1,6 Kg
5 - 600 g
6 - Lactose = 1,44Kg PVP = 1,8Kg.
7 - 306 pacotes
8 - 0,5%
9 - A) 800 mg B) 37,5%

III - ADMINISTRANDO DOSES

1 - 16 ampolas
2 - 6 ampolas
3 - 495g
4 - Tomar 157,5 mL de NaCl 20%, contido em 8 ampolas, e adicione água até completar o volume para 3,5 litros.
5 - 0, 6mL
6 - A) 20 g B) 25mL
7 - 12 frascos
8 - 16,67 mg
9 - 2,05 g
10 - 25 mg ou 1/4 do comprimido
11- Acrescentar 111,11 mL de glicose a 50% (6 ampolas) a 388,89 mL de solução de glicose 5%.
12- 5 Horas e 33 minutos
13 - A) Está adiantado B) 27,78 gotas/mL

IV - SOLUÇÃO ESTOQUE
1 - 0,09 mL
2 - 5,55 mL

V -DENSIDADE E GRAVIDADE ESPECÍFICA


1 - 8,24 mL
2 -23,19 g de manteiga de cacau
3 -238,1 mL

VI - SAIS HIDRATADOS, COMPLEXADOS E DILUÍDOS


1- 10,25 g
2 - A) Teor = 40% Ca++ B) 1,5 g de CaCO3
3 - A) Fc = 5 B) 125mg de Zinco-glicina
4 - Fc = 1,775
5 - 24,55 g de matéria-prima

VII - EQUILÍBRIO HIDRÓFILO-LIPÓFILO


1 - A) EHL = 11,4 B) Monoestearato de polietileno
2-9g
3 - EHL = 12,93

VIII - ISOTONIA
1 - 0,228g de Ácido bórico
2 - 0,89g de NaCl
3 - 0,251g de NaCl
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - ALLEN Jr., L. V. - The Art, Science, and Technology of Pharmaceutical Compounding. Washington,
Am. Pharm. Assoc., 319 p., 1998;
2 - ALLEN Jr, L. V. - Secundem Artem - Informações Técnicas para Farmacêuticos e Farmácias
Magistrais. Rx Editora. São Paulo. 2002;
3 - ANSEL, H. C. et alli - Formas Farmacêuticas e Sistemas de Liberação de Fármacos. 8 Ed. Artmed.
Porto Alegre. 2007;
4 ANSEL, H. C. et alli. Manual de Cálculos Farmacêuticos, Ed. Artmed. 2005
5 ANSEL, H. C. et alli - Farmacotécnica - Formas Farmacêuticas e Sistemas de Liberação de
Fármacos. 6 Ed. Ed. Premier. São Paulo. 1999
6 - ANSEL, II. C- et alli - Pharmaceutical dosage forms and drug deliverv svstems. 6 ed., Philade!phia,
Lea & Febiger, 1995;

7 - DICIONARIO DE ESPECIALIDADES FARMACÉUTICAS. Epume. Rio de Janeiro;


8 - FARMAÇOPÉtA BRASILEIRA 4 ed, São Paulo, Atheneu, 1988;
9 - FARMACOPÉIA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL. 1 Ed., São Paulo, Cia Editora Nacional,
1929;
10 - FARMACOPÉIA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL. 2 Ed., São Paulo, Siqueira, 1959;
11 - GENNARO, R – Remington’s Pharmaceutical Sciences. 21 Ed., Easton, Mack, 1995;

12 - HELOU, J. H. et alli - Farmacotécnica. São Paulo, Artpress, 1975;


13 - LUCAS, V., PAMPLONA, A. - Formulário médico-farmacêutico brasileiro, 2 ed., Rio de Janeiro,
Científica, 1959;
14 - MERCK INDEX .12 Ed., Rahway, Merck & Co., 1996;
15 - MONOGRAFIAS FARMACÉUTICAS. Colégio Oficial de Farmacéuticos de la Provincia de Alicante.
Alicante. 2.000;
16 - PRISTA, L. V. N. et alIi - Técnica Farmacêutica e Farmácia Galênica. 3 Vol., Lisboa, Fundação
Calouste Gulbenkian, 1983;
17 - ROBERT, J. E. et alli - Farmacognosia e Farmacobiotecnologia, São Paulo, Ed. Premier, 224 p,
1998;

18 - STOKLOSA, M. J.; ANSEL, H. C - Pharmaceutical calculation. 10 ed., Philadelphia, Willians &


Wilkins, 1996;
19 Thompson, Judith E. – A prática farmacêutica na manipulação de medicamentos. 1 Ed. Porto Alegre,
Artmed, 473p. 2006.
20 - UNITED STATES PHARMACOPOEIA. 23 Ed., Rockville, USP Convention, 1995.