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Competências do Empreendedor ou Capacidades da Firma?

O Impacto das Características Pessoais do Empreendedor e da Orientação


Empreendedora da Firma no Desempenho do Negócio

Sandro Alves de Medeiros

Tiago Aroeira

1. Introdução

O empreendedorismo refere-se à criação e gerenciamento de um novo negócio, no


qual certos riscos são assumidos pelo empreendedor em busca de lucros (DORNELAS, 2001).
O fenômeno do empreendedorismo tem sido apontado como fundamental para o
desenvolvimento de países e sociedades (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR,
2010; SCHUMPETER, 1997, 1961; McCLELLAND, 1961), principalmente a partir do
potencial do empreendedor para buscar novas oportunidades, promover a inovação
(DRUCKER, 2000; KNIGHT, 1997) e contribuir para o desenvolvimento da economia
(COVIN; SLEVIN, 1991). Ao criar novos bens de consumo, novos métodos de produção ou
transporte, novos mercados e novas formas de organização industrial, os empreendedores
contribuem para a ocorrência de um incessante processo revolucionário que altera
internamente a estrutura econômica, destruindo antigos elementos e criando novos
(SCHUMPETER, 1961). Além disso, a criação de novos negócios contribui para a geração de
riqueza e empregos (HECKE, 2011), o que possibilita a prosperidade das economias em todo
o mundo (ALMEIDA, 2013; BRADSHAW; CARRINGTON, 2009).
No âmbito acadêmico, o empreendedorismo apresenta-se como um dos temas que
mais cresce em pesquisas de administração (ALMEIDA, 2013; MORAES, 2012; SANTOS,
2008) e tornou-se presente não somente nesta área, como também em outras áreas de
conhecimentos correlatos (SANTOS, 2008; FILION, 1999). Contudo, apesar do crescimento
do número de pesquisas referentes ao tema, ainda não se pode afirmar que se trata de um
campo de estudo totalmente maduro (SANTOS, 2008).
Diante do processo de amadurecimento do campo de pesquisa do empreendedorismo,
observa-se que o constructo orientação empreendedora (OE) tem sido considerado uma das
poucas contribuições consolidadas desse campo (RAUCH et al., 2009), existindo um corpo de

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conhecimento acumulado relativamente sólido, construído ao longo dos anos por forte
atenção teórica e empírica (COVIN; GREEN; SLEVIN, 2006), tendo recebido substancial
apoio na compreensão das habilidades pessoais e competências organizacionais relevantes
para o sucesso de novos negócios (LUMPKIN; DESS, 1996).
Por outro lado, a literatura está repleta de estudos que levantam características
pessoais de empreendedores e potenciais empreendedores. Muitos desses estudos tentam
relacionar determinadas características comportamentais e atitudinais à intenção de
empreender. Embora sejam inconclusivos, não havendo consenso sobre o conjunto de
características "corretas ou imprescidíveis" (PEACOCK apud DEPIERI, 2005, p. 25) que
possam predizer se uma pessoa é ou não empreendedora, algumas características similares
entre os indivíduos considerados empreendedores são passíveis de verificação (MUNIZ,
2008). Dentre as características mais comuns identificadas nessa literatura estão:
planejamento, identificação de oportunidades, rede de relacionamentos (network) e persuasão.
Características pessoais dos empreendedores têm sido relacionadas ao sucesso de seus
empreendimentos, especialmente no âmbito dos negócios de pequeno porte. Nesse sentido, as
escolhas estratégicas feitas no âmbito das microempresas consistiriam, frequentemente, na
extrapolação da personalidade do empreendedor e na representação de sua própria visão. Tais
decisões seriam guiadas por muitos fatores, tais como as características, valores e expectativas
dos indivíduos que as realizam, e esses fatores poderiam influenciar o desempenho e provável
sucesso do negócio (BLACKMAN, 2003).
Dessa forma, o estudo do fenômeno do empreendedorismo na perspectiva individual
sustenta-se nos argumentos teóricos e empíricos de que existe íntima relação entre as
características individuais do empreendedor e o ato de empreender, com reflexos no
desempenho do negócio. Nesse sentido, vários seriam os fatores que caracterizariam o
empreendedor e poderiam ser determinantes na criação e na condução de seus
empreendimentos, tais como as habilidades de que dispõe, suas necessidades e conhecimentos
e os valores aos quais se apega. Tais fatores estariam interrelacionados e agiriam de modo a se
influenciarem mutuamente (LEZANA; TONELLI, 2004).
Diante disso, questiona-se se o desempenho do negócio pode ser melhor explicado
pelas características pessoais, conforme preconizado pela literatura sobre empreendedorismo,
ou se o constructo orientação empreendedora suplantaria tais características, como preditor do
desempenho do negócio, corroborando estudos empíricos no âmbito da firma e consolidando
a linha de estudo sobre o constructo como a teoria central do empreendedorismo.
Nesse sentido, este estudo de natureza exploratória objetiva verificar o poder

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explicativo do constructo orientação empreendedora (OE), definido como o processo, as
práticas e as atividades de tomada de decisão organizacionais que levam a novos mercados ou
negócios (LUMPKIN; DESS, 1996), para o desempenho do negócio, comparado a
características pessoais apontadas pela literatura como determinantes do desempenho superior
do negócio, especificamente, as características de senso de oportunidade, rede de
relacionamentos (network) e capacidade de planejamento.
O estudo se guia pela seguinte questão: o desempenho da firma é função das
características pessoais de seus gestores (empresários-gerentes) ou da orientação
empreendedora da firma, refletida em suas práticas e processos organizacionais e de decisão?
Para responder a essa questão, a investigação se propõe a verificar as seguintes hipóteses:
(H1) Orientação Empreendedora está positivamente associada com o Desempenho do
Negócio; (H2) Oportunidade está positivamente associada com o Desempenho do Negócio
(H3) Network está positivamente associado com o Desempenho do Negócio; e (H4)
Planejamento está positivamente associado com Desempenho do Negócio.
O estudo faz uso da modelagem de equações estruturais com partial least squares
(PLS), indicado para estudos exploratórios e para construção de teorias (HAIR et al, 2014;
VINZI; TRINCHERA; AMATO, 2010; CHIN, 1998).
No entanto, devido a limitações de espaço e a necessidade de reportar todos os
procedimentos que acompanham a avaliação de modelos estruturais com PLS, o estudo foi
dividido em duas partes, sendo a primeira delas apresentada neste artigo, consistindo do
referencial teórico que fundamenta os constructos analisados e suas relações, assim como a
fase de análise da dimensionalidade dos dados, com o uso da análise fatorial exploratória, e a
de avaliação do modelo de mensuração, com a análise fatorial confirmatória. A segunda parte
do estudo, contendo a avaliação do modelo estrutural para o teste das hipóteses aqui
colocadas, está relatada em outro artigo.

2. Referencial teórico

2.1 Orientação empreendedora

Orientação empreendedora (OE) é definida como o processo, as práticas e as


atividades de tomada de decisão que levam a novos mercados ou negócios (LUMPKIN;
DESS, 1996). Historicamente o constructo OE tem sido analisado no nível da firma,
frequentemente determinado pelo conjunto de comportamentos e práticas gerenciais que
denotam o comprometimento com a orientação empreendedora da organização. Nesse
sentido, organizações que formalmente dedicam tempo, recursos e estabelecem incentivos

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para promover comportamentos inovadores e proativos, além da atitude positiva em relação
ao risco, são consideradas como possuindo forte orientação empreendedora (LYON;
LUMPKIN; DESS, 2000; LUMPKIN; DESS, 1996). A OE pode ainda ser entendida como o
processo de tomada de decisão que as firmas utilizam para legitimar seu propósito
organizacional, sustentar sua visão e criar vantagem competitiva (RAUCH et al., 2009).
Embora tenha havido relativo debate acerca da unidimensionalidade do constructo OE,
a tese mais aceita é a de que a OE é composta por três dimensões independentes (RAUCH et
al., 2009): inovação, risco e proatividade. Inovação consiste na predisposição em se
empenhar em ideias novas e criativas e na experimentação e no processo de criação e
desenvolvimento que pode resultar em novos produtos, serviços ou processos tecnológicos
(LUMPKIN; DESS, 1996; RAUCH et al., 2009). Risco envolve a disposição para agir de
forma arriscada rumo ao desconhecido, comprometer fortemente recursos significativos em
projetos cujos resultados são incertos e investir em mercados desconhecidos e em ambientes
de incerteza (LYON; LUMPKIN; DESS, 2000; RAUCH et al., 2009). Proatividade se refere à
busca por oportunidades ou a perspectiva da busca pela vantagem do "primeiro a se mover",
como esforço para moldar o ambiente por meio da introdução de novos produtos e serviços a
frente dos competidores e agindo em antecipação à demanda futura (LYON; LUMPKIN;
DESS, 2000; RAUCH et al., 2009).
Além dessas três dimensões propostas para o constructo OE, a partir do exame de
pesquisas de outros autores, Lumpkin; Dess (1996) sugeriram outras duas dimensões que,
segundo suas avaliações, apresentavam-se relevantes para o constructo e, por isso, deveriam
ser a ele incorporadas: agressividade competitiva e autonomia. A dimensão agressividade
competitiva representa a intensidade do esforço da organização na busca da superação da
concorrência e possui como principal característica uma proeminente postura agressiva ou a
adoção de respostas agressivas frente a ameaças competitivas (RAUCH et al., 2009). A
dimensão autonomia refere-se à capacidade autônoma da organização para introduzir novos
empreendimentos no mercado, a partir da adoção de ações independentes realizadas por
líderes empresariais ou equipes coordenadas (RAUCH et al., 2009).
A literatura tem documentado o efeito positivo da orientação empreendedora sobre o
desempenho da firma. Os argumentos conceituais sugerem que as firmas se beneficiam dos
esforços provenientes da busca por inovação, responsividade e ousadia (RAUCH et al., 2009).
A premissa subjacente ao argumento é a de que organizações com elevado grau de orientação
empreendedora podem mirar segmentos de mercado premium e cobrar preços mais elevados
dos consumidores, garantindo retornos a frente da concorrência, conseguindo, assim, o

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potencial para alcançarem alto desempenho (RAUCH et al., 2009).
Nesse sentido, firmas que se empenham em processos de inovação, tanto proativa,
advinda dos esforços empreendedores no seio das próprias firmas, como reativa, que emerge
do processo de aprendizagem das firmas, alcançam situação de vantagem em relação às
concorrentes, assegurando a preferência de um dado segmento do mercado, o que, por sua
vez, leva ao desempenho financeiro superior (HUNT; MORGAN, 1996).
Em uma meta-análise da literatura acerta do tema, Rauch et al (2009) confirmaram
significativa relação positiva entre orientação empreendedora e desempenho da firma, com
diferentes efeitos das dimensões sobre a variável resposta (desempenho), indicando que as
dimensões da OE parecem ser moderadores poderosos da relação OE-desempenho.

2.2 Características empreendedoras individuais

Apesar de a análise no nível da firma predominar os estudos no campo do


empreendedorismo (STEWART, 2009; LYON; LUMPKIN; DESS, 2000; LUMPKIN; DESS,
1996), existem relativamente poucos estudos relevantes que objetivam analisar a orientação
empreendedora no âmbito individual do empreendedor (SMITH, 2011). Em estudo clássico,
por exemplo, McClelland (1961) abordou a importância do papel da necessidade de realização
para o empreendedor, afirmando que a motivação para a realização apresenta-se como um
propulsor do comportamento dos empreendedores. Stewart (2009) avaliou as características
de proatividade, inovação e assunção de riscos como antecedentes (e não como indicadores)
da orientação empreendedora entre os empresários de uma organização. Robinson et al.
(1991) avaliaram a orientação empreendedora a partir de uma abordagem atitudinal,
analisando especificamente a relação existente entre orientação empreendedora e o
desenvolvimento das intenções de empreender.
No entanto, deve-se atentar para o fato de que, antes do sucesso de um
empreendimento, deve existir a intenção de empreender, ou seja, antes de existir um
empreendimento, alguém precisa empreender, e antes desse ato, ter a intenção de fazê-lo. A
intenção de empreender refere-se à convicção individual de uma pessoa que pretende abrir um
novo negócio e planeja de forma consciente ter uma empresa em algum momento no futuro
(THOMPSON, 2009), e consiste no primeiro passo para o processo de criação de um negócio
(LINÃN; CHEN, 2009). A intenção empreendedora também pode ser compreendida como
"uma definição pessoal do objetivo de se tornar empreendedor, aliado a um plano para
alcançar este objetivo" (ALMEIDA, 2013, p. 127).
Dentre os fatores pessoais com potencial para influenciar a intenção de empreender,

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destacam-se os valores pessoais, os desejos, as crenças, as necessidades e os hábitos do
indivíduo (HECKE, 2011; AZJEN, 1991). Fatores situacionais como a limitação de tempo, a
dificuldade para a realização da atividade, a influência de outras pessoas, entre outros
(AZJEN, 1991), também contribuem para a não realização do empreendimento.
Características pessoais dos empreendedores têm sido relacionadas ao sucesso de seus
empreendimentos, especialmente no âmbito dos negócios de pequeno porte. Nesse sentido, as
escolhas estratégicas feitas no âmbito das microempresas consistiriam, frequentemente, na
extrapolação da personalidade do empreendedor e na representação de sua própria visão. Tais
decisões seriam guiadas por muitos fatores, tais como as características, valores e expectativas
dos indivíduos que as realizam, e esses fatores poderiam influenciar o desempenho e provável
sucesso do negócio (BLACKMAN, 2003). Dentre as características mais comuns apontadas
pela literatura sobre empreendedorismo, que estariam associadas ao sucesso do negócio estão:
(1) planejamento, (2) identificação de oportunidades, (3) rede de relacionamentos (network)
e (4) persuasão.
Mintzberg; Quinn (2001) apresentam uma associação direta entre o planejamento e o
espírito empreendedor e discutem acerca da relativa importância de se considerar as
influências do comportamento do indivíduo sobre a tarefa de planejar. Os autores afirmam
que o planejamento pode ser conduzido a partir de uma determinada visão pessoal do
empreendedor e apresentar características individuais.
Uma pessoa com característica de planejador é aquela que se prepara para o futuro
(FILION, 2000b; KAUFMAN, 1991). No empreendedor, essa característica é observada a
partir de comportamentos como antecipar fatos e apresentar uma visão futura da organização
(DORNELLAS, 2001), bem como imaginar visões sobre o que deseja alcançar e como obterá
êxito (FILION, 2000a). Nesse sentido, o planejamento vai além do estabelecimento de
objetivos (MORAES, 2012).
Para que um empreendedor seja capaz de planejar o futuro de um negócio é necessário
munir-se de informações, tais como oportunidades de mercado, clientes, concorrentes,
fornecedores, custos, impostos, entre outras, de modo a direcionar o processo de planejamento
e orientar decisões (SANTOS, 1995), além de tentar prever o que pode dar errado (BARON;
SHANE, 2007).
A identificação de oportunidades apresenta-se como uma das características mais
fundamentais para o indivíduo empreendedor, chegando a constituir-se em premissa ao
indivíduo que deseja empreender (MORAES, 2012). Detectar oportunidades é a capacidade
de identificar, explorar e captar o valor das oportunidades de negócio (BIRLEY; MUZYKA,

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2011), que podem advir da identificação de uma necessidade ou deficiência no mercado; (2)
da percepção de que algo pode ser melhorado ou modificado e; (3) da observação de
tendências e de novos produtos ou serviços (DEGEN, 1989). O ato de perceber oportunidades
exige muitas vezes um exercício de intuição por parte do empreendedor, quando precisa lidar
com informações dispersas, abstratas e ambíguas e implícitas em situações de constante
mudança (MARKMAN; BARON 2003).
Por sua natureza, a atividade de empreender pressupõe e induz ao surgimento e
amadurecimento de redes de relacionamentos (DUBINI; ALDRICH, 1991). A importância
atribuída às redes de relacionamento pode ser percebida quando são consideradas como o
ativo mais potente de um empreendedor, por permitirem-lhe acesso ao poder, a informações,
tecnologias e capital (INKPEN; TSANG, 2005; ELFRING; HULSINK, 2003).
As redes de relacionamento (networks) se apresentam como essenciais aos
empreendedores capazes de identificar oportunidades, mas que não possuem nem as
capacidades, nem os recursos para explorá-las (KUSUMAWARDHANI; McCARTHY;
PERERA, 2009). Assim, para realizar determinadas atividades e possuírem acesso a recursos
e mercados, os empreendedores precisam da colaboração de outros agentes econômicos
(ZAIN; NG, 2006).
Além disso, as redes de relacionamento são fundamentais para que os empreendedores
possam adquirir conhecimento a partir da experiência de outros empreendedores, bem como
se beneficiarem do efeito sinérgico da utilização de recursos comuns (CHETTY; HOLM,
2000), além de contribuírem com a minimização dos custos de transação e com a troca de
conhecimentos (ANDREOSSO-O'CALLAGHAN; LENIHAN, 2008).
As redes de relacionamento podem ser classificadas com base na origem dos
relacionamentos, assim distinguidos em duas grandes categorias (KUSUMAWARDHANI;
McCARTHY; PERERA, 2009): (1) redes pessoais ou informais, nas quais são estabelecidos
relacionamentos com parentes, amigos e conhecidos (SHAW, 2006; SAWYER; McGEE;
PETERSON, 2003); e (2) redes organizacionais, em que são estabelecidas relações entre os
atores que possuem atividades comerciais e controlam recursos, tais como clientes,
fornecedores, distribuidores, governo, entre outros (PREMARATNE, 2001).
Persuasão refere-se à capacidade do empreendedor influenciar os resultados em
beneficio próprio (LOPEZ, 2005). O poder de persuasão é apontado como relevante para o
empreendedor por estar diretamente relacionado ao seu sucesso, ligado de forma significativa
à "persuasão verbal e a tipos de influências sociais associadas de que ele possui certas
capacidades” (BANDURA, 1986, p. 399), bem como à potencialização da utilização benéfica

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das redes de relacionamentos (AYRES, 2003; VIDAL; SANTOS FILHO, 2003).
A característica de persuasão do empreendedor pressupõe que ele se utilize de
artifícios tais quais como estratégias para influenciar ou persuadir os outros, pessoas-chave
que lhe facilite o alcance de seus objetivos e seu empenho para desenvolver e manter relações
comerciais (AYRES, 2003). Segundo Muniz (2008), o empreendedor reúne algumas
características como autoconfiança, responsabilidade diante dos riscos enfrentados no negócio
e autonomia nas decisões, que contribuem para sua capacidade de mobilizar pessoas a fim de
obter os resultados almejados. A essas características, somam-se a criatividade e o otimismo,
que potencializam a capacidade de obter a confiança e o apoio das pessoas com as quais
mantêm relações comerciais (DAVID, 2004).

3. Métodos e procedimentos

3.1 Mensuração e coleta dos dados

A coleta de dados se deu por meio de metodologia survey, utilizando a ferramenta


eletrônica "Google Docs". Os respondentes foram acionados por e-mail ou por redes sociais
na internet, sendo solicitados a participar da pesquisa. As variáveis de interesse foram
mensuradas por meio de escala Likert de 7 pontos, com o valor 1 indicando discordância total
e o valor 7 indicando concordância total.
A fim de captar as dimensões do constructo orientação empreendedora, utilizou-se o
instrumento desenvolvido por Stewart (2009), traduzido livremente para o português.
Contudo, dos 18 itens que o compunham, optou-se pela exclusão de três, devido à tendência
do viés do "socialmente desejável". Esse mesmo procedimento foi utilizado por Smith (2011),
orientação que esta pesquisa seguiu.
O instrumento de Stewart (2009) busca levantar características comportamentais de
inovação, proatividade e tolerância ao risco, presentes nos indivíduos, não incorporando as
dimensões agressividade competitiva e autonomia, por estarem estritamente relacionadas ao
âmbito da firma.
Além dos 15 itens da medida de Stewart (2009), outros 13 itens retirados de pesquisas
feitas no Brasil que relacionavam características pessoais de empreendedores ou potenciais
empreendedores foram adicionados, assim como um outro item relacionado à busca de apoio
institucional para o empreendimento. No total, 8 variáveis independentes passaram a compor
o instrumento de coleta, sendo cada uma com os seguintes números de indicadores: Inovação
(5 itens), Proatividade (5 itens), Risco (5 itens), Persuasão (3 itens), Planejamento (3 itens),
Network pessoal (4 itens), Oportunidade (3 itens), Suporte institucional (1 item).

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Duas variáveis dependentes foram estabelecidas; uma para o grupo de respondentes
que se declararam empreendedores, afirmando possuírem e trabalharem em negócio próprio, e
outra para os sujeitos que não possuíam negócio próprio, afirmando possuírem outra
ocupação. A variável dependente para o primeiro grupo foi desempenho do negócio, e para o
segundo grupo, intenção de empreender.
Para a medida da variável dependente, desempenho do negócio, 4 itens foram
desenvolvidos, cada um deles se relacionando com um aspecto do desempenho empresarial:
(1) Atração de novos clientes: Nos últimos seis meses meu negócio atraiu novos clientes; (2)
Retenção de clientes: Nos últimos seis meses meu negócio manteve a clientela fiel; (3)
Faturamento: Nos últimos seis meses o faturamento do meu negócio aumentou, em
comparação ao mesmo período do ano anterior; (4) Lucratividade: Nos últimos seis meses o
lucro do meu negócio aumentou, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Em
cada afirmação, os respondentes concordavam/discordavam, segundo uma escala Likert de 7
pontos.
Esse é um tipo de mensuração perceptiva (RAUCH et al., 2009) do desempenho, que
difere das medidas objetivas, contidas em relatórios financeiros e de vendas das empresas. As
medidas objetivas são consideradas mais isentas da subjetividade dos respondentes e tendem a
ser mais fiéis em relação ao desempenho da firma (RAUCH et al., 2009), mas possuem a
grande desvantagem do acesso à informação, com grande parte dos responsáveis pelas
decisões preferirem não disponibilizar dados relacionados ao desempenho financeiro de suas
organizações, controlando o que, segundo a avaliação desses executivos, deve ser divulgado.
As percepções de executivos e empreendedores acerca de aspectos de suas respectivas
organizações, tais como estratégia, processos decisórios e desempenho são frequentemente
utilizadas em pesquisas no campo do empreendedorismo (NAMAN; SLEVIN apud LYON;
LUMPKIN; DESS, 2000) e a metodologia survey a mais utilizada em estudos que têm como
objeto o constructo orientação empreendedora (MILLER; FRIESEN apud LYON;
LUMPKIN; DESS, 2000).
As desvantagens das medidas perceptivas podem ser resumidas no seu caráter
subjetivo (RAUCH et al., 2009; LYON; LUMPKIN; DESS, 2000), mas suas vantagens
parecem suplantar esse problema. Lyon; Lumpkin; Dess (2000), citando vários autores,
afirmam que altos executivos de organizações ou os próprios empresários são, de fato, as
pessoas que mais conhecem as estratégias de suas firmas e as circunstâncias em que o negócio
se encontra, sendo esses indivíduos as pessoas mais indicadas para falarem sobre suas
organizações, sendo isso ainda mais verdadeiro em pequenas firmas.

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Lyon; Lumpkin; Dess (2000) citam o estudo de Chandler; Hanks (1993), no qual esses
pesquisadores verificaram forte correlação entre os dados provenientes de respostas dadas por
empreendedores e executivos de pequenas firmas acerca do desempenho de suas organizações
e os resultados contidos nos relatórios de venda dessas empresas, constatando ainda forte
evidência de validades convergente e discriminante entre os dois tipos de medida.
Em estudo meta-analítico, Rauch et al. (2009) verificaram associação mais elevada
entre OE e medidas objetivas de desempenho, comparada a medidas perceptivas. Contudo, a
diferença na magnitude dos efeitos da OE em ambos os tipos de medida foi pequena,
sugerindo pouca diferença entre elas.
A partir das evidências apontadas, percebe-se que, apesar de se originarem de
diferentes fontes, as medidas objetivas e perceptivas parecem estar fortemente associadas,
indicando a fidedignidade de ambas para fins de pesquisa. Devido a isso, e considerando as
vantagens das medidas perceptivas para o processo de coleta de dados, optou-se por esse tipo
de medida para a variável desempenho do negócio.
A princípio os pesquisadores intencionavam atingir apenas empreendedores, ou seja,
pessoas que já possuíssem negócio próprio, mas durante os pré-testes foi observada a baixa
adesão desse público ao survey, o que levou à mudança de estratégia na coleta de dados,
ampliando-se a pesquisa para o público geral, com o limite mínimo de 18 anos de idade.
Tal decisão se justifica pela necessidade de se ter uma amostra de tamanho ao menos 5
vezes o número de variáveis a serem analisadas (HAIR et al., 2005) quando um dos objetivos
do estudo for a verificação da dimensionalidade subjacente aos dados por meio da análise
fatorial, como era o caso da primeira etapa desta investigação. Com 29 variáveis de interesse,
a pesquisa exigia o mínimo de 145 respondentes para compor a amostra válida.
Como resultado da estratégia adotada, um total de 291 sujeitos responderam o
questionário on-line. Porém, após o diagnóstico dos outliers multivariados na base de dados e
a consequente decisão de eliminá-los, a amostra válida passou a ser de 248 sujeitos, o que
possibilitou o pleno atendimento das exigências para o uso da análise fatorial exploratória.
Após identificadas as dimensões subjacentes aos dados, a amostra foi separada em
dois grupos, empreendedores e não empreendedores, para fins de análise do modelo
estrutural. Os resultados discutidos neste artigo dizem respeito ao grupo de empreendedores,
que consistiu nos 37 respondentes que afirmaram ser proprietários de um negócio e nele
trabalharem.
A heterogeneidade das observações pode ser uma ameaça à validade dos resultados do
PLS-SEM. Caso exista heterogeneidade na amostra, como nesta investigação, significa que

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dois (ou mais) subgrupos podem estar apresentando diferentes relacionamentos subjacentes
com os constructos (HAIR et al, 2014).
Em geral, os pesquisadores tentam antecipar essa possibilidade, testando se os
parâmetros para um modelo diferem entre grupos diferentes. O tipo de teste de
heterogeneidade aqui executado é chamado de observado (HAIR et al, 2014), pois as
informações que sugerem a possibilidade de diferenças entre os subgrupos que seriam
testados foi antecipadamente conhecida, uma vez que os dois grupos foram separados por
meio de uma questão do survey, conforme explicado anteriormente.
Dessa forma, o presente estudo seguiu a recomendação do procedimento de análise de
grupos separados quando a amostra apresentar subgrupos com características que diferem
entre si, pressupondo que as relações de causa e efeito com os constructos em estudo podem
ser substancialmente diferentes para cada grupo (HAIR et al, 2014).
Questões que levantavam características sociodemográficas (gênero, idade,
escolaridade, etc.) finalizavam o questionário.

3.2 Análise dos dados

A análise da dimensionalidade dos constructos foi realizada com o uso da análise


fatorial das componentes principais, com a rotação varimax.

A fim de testar as hipóteses de interrelação entre os constructos teorizados, utilizou-se


a modelagem de equações estruturais, considerada uma abordagem analítica multivariada de
segunda geração, que suplanta as limitações das técnicas de primeira geração, que só
conseguem examinar uma relação por vez (HAIR et al, 2014), como na regressão linear.

Outra limitação das abordagens de primeira geração diz respeito ao princípio de que
todas as variáveis analisadas devam ser consideradas como observáveis e mensuradas sem
erro (HAENLEIN; KAPLAN, 2004), reduzindo a possibilidade de sua aplicabilidade em
pesquisas que partem de variáveis teóricas não observáveis diretamente, os constructos, como
é o caso da Orientação Empreendedora aqui tratada. As técnicas de segunda geração
incorporam variáveis não observadas na análise e, por esse motivo, se mostram superiores às
técnicas da geração anterior (HAIR et al, 2014).

Duas abordagens são conhecidas para estimar os parâmetros na modelagem de


equações estruturais, uma baseada em estruturas de covariância, nomeada de CB-SEM
(Covariance-based Structural Equation Modeling) e a outra em estruturas de variância,
conhecida por PLS-SEM (Partial Least Squares Structural Equation Modeling). A primeira

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abordagem utiliza estimação por máxima verossimilhança e por isso faz severas exigências
quanto ao pressuposto da normalidade, exigindo grandes amostras para que tal pressuposto
possa ser atendido (MORALES, 2011; HAIR et al, 2005; HAENLEIN; KAPLAN, 2004).

A abordagem do PLS-SEM estima os parâmetros do modelo pelo método dos mínimos


quadrados parciais, que evita restrições sobre a distribuição de dados e sobre o tamanho da
amostra (MORALES, 2011; HAENLEIN; KAPLAN, 2004). Além disso, o PLS-SEM não faz
exigências quanto à escala de medição das variáveis, funcionando sem hipóteses de
distribuição e com variáveis medidas em nível nominal, ordinal ou intervalar (HAENLEIN;
KAPLAN, 2004).

Além disso, ao contrário da abordagem do CB-SEM, o PLS-SEM não possui como


objetivo reproduzir a matriz de covariância da amostra (VINZI; TRINCHERA; AMATO,
2010) e é considerado como uma abordagem de modelagem "soft", na qual não são assumidas
hipóteses severas em relação às distribuições, ao tamanho da amostra e às escalas de medição
(VINZI; TRINCHERA; AMATO, 2010). Devido a essas características, a abordagem do
PLS-SEM é adequada para otimização de predições, servindo como abordagem exploratória
de análise na construção de teorias (HAIR et al, 2014; VINZI; TRINCHERA; AMATO,
2010; CHIN, 1998).

Dessa forma, a abordagem PLS-SEM objetiva maximizar a variância explicada dos


construtos dependentes, estabelecer a significância dos caminhos do modelo e avaliar a
qualidade do modelo de mensuração (CHIN, 2010; HAIR et al., 2012; HAIR; RINGLE;
SARSTEDT, 2011).

Em suma, a abordagem com PLS apresenta vantagens em relação a abordagens com


base em covariância, dentre as quais, as principais estão: (1) possibilidade de mensuração de
constructos latentes a partir de proxies medidas por um ou vários indicadores (variáveis
manifestas); (2) não fazer exigências severas quanto ao tamanho da amostra, conseguindo
estimar parâmetros com poucas observações, o que possibilita sua aplicação a uma ampla
gama de situações quando outros métodos não conseguem; (3) possibilitar a estimação de
modelos muito complexos, com muitas variáveis latentes e manifestas; (4) fazer imposições
menos rigorosas a respeito da distribuição das variáveis e os termos de erro, comparada a
abordagens que utilizam, por exemplo, estimação por máxima verossimilhança; (5) conseguir
lidar com modelos de mensuração tanto reflexivas quanto formativas (HENSELER; RINGLE;
SINKOVICS, 2009). Devido a essas razões o PLS-SEM foi a abordagem de modelagem de
equações estruturais adotada no presente estudo.

12
4. Resultados e discussão

Como já mencionado, a análise da dimensionalidade dos constructos latentes aos


dados foi realizada por meio da análise fatorial com rotação varimax, utilizando-se o pacote
estatístico SPSS, versão 14.0. Para essa análise, a amostra consistiu de 248 sujeitos, após a
eliminação dos outliers multivariados.
Testes de Kolmogorov-Smirnov indicaram a não normalidade dos dados, justificando
a escolha da ferramenta PLS para a análise estrutural (HAIR et al, 2014), que foi realizada
com o uso do software SMART PLS 2.0.

4.1. Análise fatorial exploratória

Em todas as simulações realizadas, os testes de adequação da amostra e de


esfericidade de Bartlett apontaram para a fatorabilidade dos dados. A solução final apresentou
KMO = 0,792 e o Teste de esfericidade de Bartlett com χ² = 1240,354, com 153 graus de
liberdade, confirmando a fatorabilidade dos dados. Em todas as soluções testadas, itens com
carga fatorial inferiores a 0,400 e/ou carregados em mais de um fator foram excluídos.

Primeiramente testou-se a independência das dimensões do constructo Orientação


Empreendedora (OE), quando se verificou que a dimensão Proatividade não emergiu na
análise, tendo 3 dos seus itens agregados à dimensão inovação e um que foi eliminado por
apresentar baixa carga fatorial, segundo os critérios adotados. Um último item apareceu
agregado à dimensão Risco. Diante de tais resultados, optou-se por fatorar conjuntamente
todas as variáveis utilizadas no questionário, chegando-se à uma solução com 5 dimensões
que explicaram 59,512% da variância total.

A dimensão Oportunidade explicou 23,672% da variância total e foi formada pelos


seus 3 indicadores originais e mais o único item da dimensão Proatividade que foi mantido na
solução definitiva, uma vez que todos os demais foram excluídos por não passarem nos
critérios estabelecidos ou por agregarem-se a outro fator. A consistência interna dos itens do
fator, medida pelo Alfa de Cronbach, foi considerada boa (α = 0,833) (HAIR et al. 2005).

As dimensões Risco e Inovação, componentes originais do constructo OE,


explicaram, respectivamente, 13,422% e 8,355% da variância total. A dimensão Risco foi
formada por todos os 5 itens da escala original, enquanto Inovação foi formada por 4 dos 5
itens originais. A consistência interna das dimensões foi considerada aceitável para os padrões
de pesquisa exploratória (HAIR et al., 2005), com a dimensão Risco apresentando α = 0,714,
e a dimensão Inovação α = 0,698.

13
A dimensão Network explicou apenas 1,303% da variância total e foi formada por 3
dos 4 indicadores originais. Sua consistência interna foi baixa (α = 0,325) (HAIR et al.,
2005), assim como a dimensão Planejamento, com α = 0,505, formada por 2 dos 3 itens
originais. Esta dimensão explicou somente 1,229% da variância total.

4.2. Modelagem de equações estruturais com PLS

A modelagem de equações estruturais com PLS utiliza uma combinação de índices


para que a qualidade do modelo estimado seja avaliada, não fazendo uso de apenas um
critério de otimização global. A modelagem com PLS é fortemente orientada para a predição
e, por isso, a validação do modelo está centrada em sua capacidade preditiva (VINZI;
TRINCHERA; AMATO in VINZI et al., 2010).

Basicamente duas partes compõem o modelo estrutural estimado por PLS: o modelo
de mensuração e o modelo estrutural (HAIR et al., 2014), e ambas precisam ser validadas. Na
validação do modelo de mensuração são levados em consideração a consistência interna, as
validades convergente e discriminante e, para modelos de mensuração formativa, a
colinearidade entre os indicadores (HAIR et al., 2014). Já para a validação do modelo
estrutural, são utilizadas avaliações por meio de coeficientes de determinação, relevância
preditiva e tamanho e significância dos coeficientes de caminho (HAIR et al., 2014).

A partir do referencial teórico consultado e dos resultados observados na análise


fatorial exploratória, um modelo estrutural foi elaborado para o grupo de empreendedores. À
medida que as avaliações desse modelo mostravam resultados insatisfatórios, procedimentos
visando à sua melhoria foram sendo tomados, chegando-se a um modelo final, que apresentou
o melhor ajuste aos dados.

4.2.1 Avaliação do modelo de mensuração reflexiva

4.2.1.1 Consistência interna

Como medida de consistência interna, o alfa de Cronbach é uma medida conservadora,


pois assume que todos os indicadores de um constructo são igualmente confiáveis, além do
fato de ser uma medida sensível ao número de itens de uma escala, levando à subestimação da
consistência interna (HAIR et al., 2014).
A confiabilidade composta leva em consideração as diferentes cargas dos indicadores
e por isso se apresenta como uma medida de consistência interna mais adequada para a
avaliação do modelo de mensuração (HAIR et al., 2014).
Na avaliação do modelo de mensuração reflexiva, todos os constructos alcançaram o

14
limite mínimo de 0,60 para a confiabilidade composta, para fins de aceitação em estudos
exploratórios (HAIR et al., 2014), constatando-se consistência interna de todos eles.

4.2.1.2 Validade convergente

Validade convergente é o grau com que uma medida se correlaciona positivamente


com medidas alternativas do mesmo constructo (HAIR et al., 2014). Significa o grau que um
construto explica a variância dos indicadores e está vinculada à comunalidade do construto.
Seu valor deve ser 0,50 ou mais da variância dos indicadores, representando o quanto da
variância pode ser explicada pelo construto (HAIR et al., 2014). Para avaliar a validade
convergente de um constructo, leva-se em consideração as cargas externas de seus indicadores
e a variância média extraída (AVE).
Apesar de os constructos terem apresentado consistência interna acima dos limites de
aceitação, a AVE do constructo Risco indicou baixa validade convergente (AVE = 0,4891).
Na verificação das cargas externas dos indicadores do constructo Risco, dois deles
(<q15RISC5> e <q6RISC2>) apresentaram cargas externas baixas (< 0,700), o que levou à
verificação dos resultados da validade convergente com a eliminação do indicador
<q15RISC5>, aquele que apresentava a menor carga (0,409).
A eliminação do indicador fez elevar a AVE de Risco para 0,5652, justificando a
exclusão do indicador. Já com a eliminação do segundo indicador, a AVE caiu para 0,4837,
obrigando sua permanência no modelo. Durante as alterações, todos os demais constructos
continuaram apresentando consistência interna e validade convergente acima dos níveis
mínimos aceitáveis. O quadro 1 a seguir mostra os resultados da consistência interna e da
validade convergente após as modificações empreendidas no modelo.

QUADRO 2: Avaliação do Modelo de Mensuração - Consistência interna e validade


convergente
Alfa de Confiabilidade
Constructo AVE
Cronbach Composta
Oportunidade 0,8668 0,9108 0,7202
Risco 0,8264 0,8294 0,5652
Inovação 0,7810 0,8575 0,6015
Network 0,5061 0,7441 0,6144
Planejamento 0,4895 0,7874 0,6528
Fonte: Dados da pesquisa

4.2.1.3. Validade discriminante

Validade discriminante é o grau em que um constructo é verdadeiramente distinto de


outros constructos, segundo padrões empíricos (HAIR et al., 2014). Dois critérios são usados

15
para avaliar a validade discriminante, o critério das cargas cruzadas, no qual as cargas
externas de um indicador do construto ao qual está associado devem ser maior do que todas as
suas cargas nos outros construtos, e o critério de Fornell-Larcker, uma abordagem mais
conservadora para avaliar a validade discriminante, na qual a AVE de cada construto deve ser
maior que o quadrado de sua correlação com qualquer outro construto (HAIR et al., 2014).
A tabela a seguir mostra que os valores de cada indicador de um constructo (em
negrito) são maiores no constructo a ele associado, que nos demais constructos, indicando
validade discriminante entre os constructos avaliados. Em outras palavras, o critério das
cargas cruzadas atesta que cada um dos constructos mensura um fenômeno diferente.
Também pelo critério de Fornell-Larcker foi possível confirmar a validade
discriminante dos constructos. No quadro 4, constata-se que a raiz quadrada da AVE de cada
constructo (em negrito) é maior que a maior correlação do constructo com qualquer outro,
estabelecendo-se validade discriminante para todos os constructos, segundo o critério de
Fornell-Larcker.

QUADRO 3: Avaliação do Modelo de Mensuração - Validade discriminante:


Critério das cargas cruzadas
Indicador Inovação Risco Oportunidade Planejamento Network
q10_INOV4 0,7809 0,2560 0,5595 -0,1440 0,3442
q1_INOV1 0,8435 0,1425 0,7025 0,1611 0,2970
q4_INOV2 0,7293 -0,0790 0,5328 0,0050 0,4275
q7_INOV3 0,7435 0,1489 0,4317 0,0078 0,2357
q12_RISC4 0,2215 0,9518 0,0753 0,2836 -0,1224
q3_RISC1 -0,0016 0,6966 -0,1529 0,1400 -0,0577
q6_RISC2 -0,0770 0,4345 -0,1320 0,3278 -0,3006
q9_RISC3 -0,0089 0,8250 -0,1641 0,2571 -0,3265
q14_PROA5 0,6556 0,0679 0,9095 0,0918 0,3595
q19_OPORT2 0,4770 -0,0466 0,7478 -0,0183 0,7220
q22_OPORT3 0,6481 -0,0594 0,9333 0,0742 0,5283
q29_OPORT1 0,6827 0,0151 0,7896 -0,0389 0,5096
q17_PLAN3 0,0825 0,1739 0,1452 0,9001 0,2347
q25_PLAN1 -0,1225 0,2722 -0,1576 0,7038 -0,1156
q24_NETPES2 0,3874 -0,0842 0,3602 -0,0592 0,5170
q26_NETPES3 0,3713 -0,1294 0,5945 0,1488 0,9805
Fonte: Dados da pesquisa

QUADRO 4: Avaliação do Modelo de Mensuração - Validade discriminante:

16
Critério de Fornell-Larcker
Inovação Network Oportunidade Planejamento Risco
Inovação 0,7756 0 0 0 0
Network 0,4187 0,7838 0 0 0
Oportunidade 0,7274 0,6161 0,8486 0 0
Planejamento 0,0055 0,1230 0,0364 0,8080 0
Risco 0,1674 -0,1353 -0,0062 0,2559 0,7518
Fonte: Dados da pesquisa

4.2.2 Avaliação do modelo de mensuração formativa

As medidas de confiabilidade, validade e erro não são utilizadas para construtos


formativos, pois neles existe um conjunto de pressupostos subjacentes que os difere dos
construtos reflexivos. A ênfase das medidas formativas está no estabelecimento de validade
de conteúdo, antes mesmo que os constructos sejam avaliados empiricamente (HAIR et al.,
2014), de modo garantir que os indicadores formativos captem todas (ou pelo menos a maior
parte) das facetas do construto.
Diferentemente dos indicadores reflexivos, que são essencialmente intercambiáveis,
altas correlações não são esperadas entre itens em modelos de mensuração formativos. Altos
níveis de colinearidade entre indicadores formativos são uma questão crítica porque eles têm
impacto na estimação dos pesos e sua significância estatística. Mais especificamente, na
prática, altos níveis de colinearidade elevam os erros padrão e assim reduzem a habilidade
para demonstrar que os pesos estimados são significativamente diferentes de zero. Essa
questão é especialmente problemática em análises por PLS-SEM, por se basearem em
amostras menores, nas quais os erros padrão são geralmente maiores em função do erro
amostral. Além disso, alta colinearidade pode resultar em pesos incorretamente estimados,
bem como em sinais invertidos (HAIR et al., 2014).
O fator de inflação da variância (VIF) é uma medida de colinearidade definida como o
recíproco da tolerância (VIF = 1/TOL). No contexto da modelagem de equações estruturais
com PLS, um valor de tolerância de 0,20 ou menos e um valor VIF de 5 ou mais, indicam que
há um potencial problema de colinearidade (HAIR et al., 2014).
Na avaliação da possibilidade de ocorrência de multicolinearidade entre os indicadores
que formavam o constructo desempenho do negócio, valores VIF acima de 5,0 foram
verificados para os indicadores <40_DESEMP3> e <41_DESEMP4>, diagnosticando-se
assim problemas relacionados à multicolinearidade.
Na busca de uma solução para tal problema, cogitou-se a eliminação do indicador com
maior valor VIF, ainda que isso implicasse na incompletude da cobertura conceitual do

17
constructo desempenho, ao se deixar de fora a faceta faturamento na definição do
desempenho do negócio. A exclusão do indicador mostrou que era, de fato, aquela variável, a
responsável pelos problemas de multicolinearidade naqueles itens. Após a exclusão, os três
indicadores remanescentes não mais apresentaram problemas dessa natureza. O quadro 5 a
seguir mostra os resultados dessa avaliação.

QUADRO 5: Diagnóstico de multicolinearidade entre os indicadores formadores do


constructo desempenho do negócio
Antes da exclusão do indicador Após a exclusão do indicador
Indicador <40_DESEMP3> <40_DESEMP3>
Tolerância VIF Tolerância VIF
38_DESEMP1 0,377 2,654 0,388 2,576
39_DESEMP2 0,520 1,924 0,618 1,619
40_DESEMP3 0,114 8,758 - -
41_DESEMP4 0,140 7,157 0,510 1,959
Fonte: Dados da pesquisa

A verificação dos pesos e cargas externas associadas ao relacionamento de cada


indicador e o constructo formativo, mostrou que pelo menos um deles (<q41_DESEMP4>)
apresentava importância tanto relativa, quanto absoluta. Um segundo indicador
(<q38_DESEMP1>) apresentou relevância relativa (peso externo de -0,609), e o terceiro
indicador (< q39_DESEMP2>), embora não tenha apresentado importância, nem absoluta,
nem relativa, foi mantido no modelo de mensuração, de modo a não mais se perder a
cobertura conceitual do constructo desempenho do negócio. O quadro 6 traz os resultados da
avaliação da relevância e significância dos indicadores para o construto.

QUADRO 6: Pesos e cargas externas dos indicadores formadores do constructo Desempenho


do Negócio
Pesos externos Cargas externas
(Importância relativa) (Importância absoluta)
Amostra Amostra
Estatística t Estatística t
original original
q38_DESEMP1 → DN1 -0,609 0,9695 0,3798 1,241
q39_DESEMP2 → DN1 0,1455 0,2333 0,3257 0,8747
q41_DESEMP4 → DN1 1,2847 2,20362 0,9216 2,56222
1
DN = Desempenho do negócio
2
Significativo ao nível de 5%
Fonte: Dados da pesquisa
5. Conclusões, limitações e agenda de pesquisa

Apesar de ter sido muito pesquisado, pouco se concluiu acerca das características
individuais que levam ao desenvolvimento de novos negócios e à melhoria do desempenho de

18
negócios já existentes. Dentre o corpo de conhecimento consolidados no campo do
empreendedorismo, está o constructo orientação empreendedora e sua relação com o
desempenho da firma.
O presente estudo buscou testar a existência de dimensões independentes relacionadas
ao constructo orientação empreendedora, assim como outras características individuais
preconizadas na literatura como pertencendo a indivíduos com perfil de empreendedor ou
com potencial para empreender. Os resultados, no entanto, não suportaram em plenitude as
hipóteses estabelecidas.
Em primeiro lugar, das três dimensões teorizadas como pertencente ao constructo
Orientação Empreendedora, apenas duas emergiram dos dados. Com isso, somente três das
seis hipóteses formuladas foram apoiadas: (H2) Oportunidade está associada positivamente a
Orientação Empreendedora; (H4) Orientação Empreendedora está associada positivamente ao
Desempenho do Negócio; (H6) Planejamento está associado positivamente ao Desempenho
do Negócio.
As demais hipóteses estabelecidas no estudo não foram suportadas: (H1) Inovação está
associada positivamente a Orientação Empreendedora; (H3) Risco está associado
positivamente a Orientação Empreendedora; e (H5) Network está associado positivamente a
Desempenho do Negócio.
Com a não confirmação da dimensão proatividade e a forte presença da dimensão
oportunidade, o modelo estrutural proposto testou o constructo Orientação Empreendedora
com a substituição dessas dimensões. Os resultados apontaram para a força preditiva do
modelo proposto, sendo a dimensão oportunidade o preditor mais forte para OE, embora o
modelo não tenha sido confirmado em sua significância estatística.
Ainda que as relações entre os constructos não tenham sido estatisticamente
significativas, os coeficientes de caminho e de determinação apontaram para prováveis
relações fortes entre OE e desempenho do negócio, conforme preconizado na literatura.
Por seu caráter exploratório, com uma amostra de tamanho reduzido, o estudo se
mostra limitado, ainda que tenha sido utilizada uma poderosa ferramenta multivariada, que
suporta análises de relacionamentos complexos de variáveis com pequenas amostras.
Contudo, os resultados da investigação ensejam algumas discussões tanto de ordem teórica,
quanto metodológica para futuros estudos.
Frente ao constructo Orientação Empreendedora (OE), a pesquisa contribui para a
discussões referentes à aplicabilidade de determinadas dimensões propostas orginalmente. Ao
se verificar, a partir da análise fatorial exploratória, que a dimensão proatividade não emergiu

19
na análise - tendo 3 dos seus itens agregados à dimensão inovação, um excluído e o último
agregado à dimensão Risco – torna-se possível a orientação para o desenvolvimento de novas
pesquisas que objetivem identificar a forma mais adequada de se considerar (ou não) os
indicadores desta dimensão no constructo OE.
A confirmação da multidimensionalidade do constructo orientação empreendedora e
sua força na predição do desempenho do negócio merecem ser melhor compreendidas,
especialmente em pesquisas no Brasil. Nesse sentido, como agenda para pesquisas futuras
sugere-se investigações que busquem aperfeiçoar e validar um instrumento de avaliação da
OE, tanto no nível da firma, quanto no nível individual e, ao menos na perspectiva individual,
aprofundar o entendimento da dimensão proatividade, comparando-a com a dimensão
oportunidade, haja vista a não confirmação daquela componente da OE e a relevância desta
última no presente estudo.
Nesses estudos futuros torna-se imprescindível a melhoria das medidas de caráter
perceptivo para o desempenho do negócio, além de se buscar combiná-las com medidas
objetivas. O refinamento dessas medidas também passa pelo aprofundamento da discussão do
tipo de mensuração a ser adotado, se reflexiva ou se formativa, discussão não empreendida
por esta investigação, mas cujos resultados obtidos apontam para a adequação de mensuração
formativa.

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