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Nicolau Sevcenko continua sua obra intitulada, A Capital Irradiante: Técnica, Ritmos e

Ritos do Rio, tratando a respeito da questão da " febre desportiva" que surgiu na cidade do Rio
de Janeiro na passagem do século XIX para o século XX. É interessante a maneira como ele
descreve a atenção que passou a ser voltada para o corpo, um verdadeiro culto ao corpo.
A preocupação com o corpo estava diretamente relacionada a preocupação com a saúde.
Surge nesse sentido, uma geração que devotava cuidados com a saúde física e mental, e isso se
refletia nos cuidados em manter o corpo em "forma", e em particular, é nesse contexto que entra
em cena a temática da higienização, que estava atrelada aos novos padrões estéticos de beleza,
comungando com os ideais de eugenia.
É possível percebermos nesse período especificamente, o surgimento dos clubes
desportivos, sendo o primeiro deles o clube de regatas do Flamengo, em seguida foram surgindo
outros. A popularização do clube de regatas do Flamengo, teve um incentivo com a
popularização dos esportes aquáticos, o que propiciado durante a gestão de Pereira Passos, o
iniciador das reformas urbanas no Rio de Janeiro. Ao mencionar o cronista João do Rio,
Sevcenko declara que a princípio houve uma certa resistência quanto a febre desportiva, isso por
parte dos conservadores.
Ao tratar sobre os esportes, há um destaque para a mudança que ocorreu na própria
indumentária. Houve a necessidade de se usar roupas mais leves. Nesse contexto, notamos a
diferença também quanto aos banhos de mar, antes os banhos de mar eram na verdade banhos de
sal, havia toda uma preparação, o horário deveria ser muito cedo para evitar o contato com o sol,
as mulheres usavam trajes " pesados", iam vestidas dos "pés à cabeça". Tudo isso foi sendo
modificado tão logo emergiu a febre desportiva e o culto ao corpo.
As pessoas passaram a ir à praia para realmente tomar banho de mar e sol. Vale salientar
que essas práticas eram recomendações médicas, o que deixa transparecer o domínio que a
medicina já estava exercendo sobre o corpo. Outro fator importante de ser mencionado, diz
respeito a um dos intuitos pelos quais havia toda essa preocupação com a saúde do corpo e da
mente, era justamente para que pudessem suportar as novas demandas trabalhistas advindas do
sistema capitalista.
São notáveis as mudanças de percepção em torno do corpo e dos processos antes, de
cunho profilático, passando ao incentivo a beleza. Um dos nomes que não podemos deixar de
mencionar ao falarmos das reformas urbanas do Rio de Janeiro, é Osvaldo Bilac, este foi um
grande incentivador. Dentre as reformas que foram destacadas, é importante citarmos as
mudanças em objetos, utensílios, como o próprio relógio de pulso, inventado por Santos
Dumont, em substituição dos antigos relógios de bolso. Isso, sem contar nas mudanças
arquitetônicas.
Nesse sentido, são diversas as mudanças que ocorreram no Rio de Janeiro dos fins do
século XIX para o início do século XX. Transformações que perpassaram o comportamento das
pessoas e que são notórias visualmente. De forma prática, além do que já foi dito em linhas
anteriores, é possível percebermos a retirada dos pobres dos centros urbanos para os morros, esse
é apenas um exemplo das reformas urbanísticas que estavam na ordem do dia na cidade do Rio
de Janeiro.