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FERNANDA LOUSADA CARDOSO

Procuradora do Município do Rio de Janeiro,


Mestre em Direito da Cidade,
Professora de Direito Urbanístico.
E-mail: fernandalousada@bol.com.br

DIREITO URBANÍSTICO
LEIS N° 6.766/1979 E 10.257/2001 E MP N° 2.220/2001.
Dicas para realização de provas de concursos artigo por artigo

Layer Leorne Mendes Neto


OAB/CE 30507

6i! edição
Revisada, ampliada e atualizada.

2015

. !

J
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descrito na legislação em vigor, scn1 prejuízo das sanções civis cabíveis.
Dedicatória

À Letícia e à Isabel,
razões do meu viver
SUMÁRIO

Proposta da Coleção Leis Especiais para Concursos.......................... 9


Apresentação......................................................................................... 11

--fLEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO


LEI W 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979................................... 13
CAPÍTULO I
Disposições Preliminares ..................................................................... 18
CAPÍTULO 11
Dos Requisitos Urbanísticos para Loteamento ................................. 27
CAPÍTULO 111
Do Projeto De Loteamento .................................................................. 39
CAPÍTULO IV
Do Projeto de Desmembramento ........................................................ 46
CAPÍTULO v
Da Aprovação do Projeto de Loteamento e Desmembramento ....... 47
CAPÍTULO VI
Do Registro do Loteamento e Desmembramento .............................. 52
CAPÍTULO VII
Dos Contratos ....................................................................................... 70
CAPÍTULO VIII
Disposições Gerais ................................................................................ 89
CAPÍTULO IX
Disposições Penais ................................................................................ 103
CAPÍTULO X
Disposições Finais ................................................................................. 109

ESTATUTO DA CIDADE
LEI No 10.257/2001 ........... :·········.......................................................... 111
CAPÍTULO I
Diretrizes Gerais ................................................................................... 111
Seção II- Do parcelamento, edificação
ou utilização compulsórios................................................................ I28
Seção III- Do IPTU progressivo no tempo ...................................... , 133
Seção IV- Da desapropriação com pagamento em títulos . ... ..... .. ... 13 7
Seção V- Da usucapião especial de imóvel urbano......................... 141
Seção VI- Da concessão de uso especial para fins de moradia...... 157

7
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

Seção VII Do direito de superjicie .... ................ ..... ..................... .. 158


Seção VIII- Do direito de preempção...................... .. ....... .. .. ....... ... 163
Seção IX- Da outorga onerosa do direito de construir................... 169
Seção X- Das operações urbanas consorciadas...... ....................... 173
Seção XI -Da transferência do direito de construir....................... 179
Seção XII- Do estudo de impacto de vizinhança............................. 183
CAPÍTULO IH
Do Plano Diretor................................................................................... 187
CAPÍTULO IV
Da Gestão Democrática Da Cidade..................................................... 204
CAPÍTULO v
Disposições Gerais................................................................................. 208

CONCESSÃO DE USO PARA FINS DE MORADIA


MEDIDA PROVISÓRIA No 2.220,
DE 4 DE SETEMBRO DE 2001.......................................................... 217
CAPÍTULO I
Da Concessão De Uso Especial............................................................. 217
CAPÍTULO H
Do Conselho Nacional
De Desenvolvimento Urbano................................................................ 225
CAPÍTULO IH
Das Disposições Finais .......................................................................... 226

8
PROPOSTA DA COLEÇÃO
LEIS ESPECIAIS PARA CONCURSOS

A coleção Leis Especiais para Concursos tem como objetivo prepa-


rar os candidatos para os principais certames do país. \.
Pela experiência adquirida ao longo dos anos, dando aulas nos prin-
cipais cursos preparatórios do país, percebi que a grande maioria dos
candidatos apenas lêem as leis especiais, deixando os manuais para as
matérias mais cobradas, como constitucional, administrativo, processo
civil, civil, etc .. Isso ocorre pela "falta de tempo do candidato ou porque
falta no mercado livros específicos (para concursos) em relação a tais leis.
Nesse sentido, a Coleção Leis Especiais para Concursos tem a in-
tenção de suprir uma lacuna no mercado, preparando os candidatos para
questões relacionadas às leis específicas, que vêm sendo cada vez mais
contempladas nos editais.
Em vez de somente ler a lei seca, o candidato terá dicas específicas
de concursos em cada artigo (ou capítulo ou título da lei), questões de
concursos mostrando o que os examinadores estão exigindo sobre cada
tema e, sobretudo, os posicionamentos do STF, STJ e TST (principal-
mente aqueles publicados nos informativos de jurisprudência). As ins-
tituições que organizam os principais concursos, como o CESPE, uti-
lizam os informativos e notícias (publicados na página virtual de cada
tribunal) para elaborar as questões de concursos. Por isso, a necessidade
de se conhecer (e bem!) a jurisprudência dos tribunais superiores.
Assim, o que se pretende com a presente coleção é preparar o leitor,
de modo rápido, prático e objetivo, para enfrentar as questões de prova
envolvendo as leis específicas.
Boa sorte!
Leonardo de Medeiros Garcia
(Coordenador da coleção)
leonardo@leonardogarcia. c·om. hr
leomgarcia(âJyahoo.com. hr
www.leonardogarcia. com. br

9
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO
LEI N° 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

1. Diferença entre solo urbano e solo rural. A Lei 6766/79 traz regras sobre
o parcelamento do solo urbano. A primeira grande questão é saber dis-
tinguir o solo urbano do solo rural. A identificação da área como urbana
ou rural definirá a normativa aplicável, bem como o ente federativo com-
petente para legislar sobre a matéria.

A definição da área como urbana ou rural é de grande importância na


seara tributária. Por isso mesmo, o Código Tributário Nacional delega
à lei municipal a definição de solo urbano, na forma do art. 32, § 1º.
Traz, no entanto, a exigência do critério da oferta de serviços públicos
para qualificar o solo como urbano e, por consequência, determinar a
incidência de IPTU.
Assim, caso o terreno seja servido de dois dos cinco serviços públicos
elencados na lei, ele será considerado urbano e, portanto, objeto de
IPTU. A jurisprudência também adota o crjtérjo çla destinação econômi-
ca para definir o imóvel como rural ou urbano.

-7 Aplicação em concurso
• TC/DF-Procurador-2013 - CESPE
"Não se admite ação direta de inconstitucionalidade, perante o STF, cujo
objeto seja ato normativo editado pelo DF no exercício de competência que
a CF reserve aos municípios, tal como a disciplina e polícia do parcelamento
do solo."
A afirmativa está correta. Nosso ordenamento não admite o controle con-
centrado de constitucionalidade de lei municipal, salvo por meio de ADPF,
não por AO IN como aventado no questão.

13
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

...,. Aplicação pelo STJ.

"PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EM-


BARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. IPTU. IMÓVEL SI-
TUADO EM ÁREA URBANIZÁVEL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO
OCORRÊNCIA. EXISTÊNCIA DE LEI MUNICIPAL. MELHORAMENTOS DO
ART. 32, §12, DO CTN. DESNECESSIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRME DO
STJ.
1. O entendimento desta Corte Superior é no sentido de que a exis-
tência de lei municipal tornando a área em discussão urbanizável ou
de expansão urbana, afasta, de per si, a exigência prevista no art.
32, §12, do CTN, é dizer, de qualquer daqueles melhoramentos bási-
cos. Precedentes: AgRg no REsp 191.311/SP, Re . Min: Francisco Fal-
cão, Primeira Turma, DJ de 24/5/2004; AgRg nc Ag 672.875/SP, Rei.
Mio. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 14/11/2005; AgRg no Resp
783.794/SP, Rei. Mio. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe
de 8/2/2010; Ag 1.300.987/SP, Rei. Min. Benedito Gonçalves, Data de
Publicação em 22/6/2010; AREsp 242.408/SP, Rei. Mio. Mauro Cam-
pbell Marques, Data de Publicação em 25/10/2012. 2. Agravo regi-
mental não provido." (STJ, AgRg nos EDcl no REsp 1375925 j PE, Rei.
Mio. Benedito Gonçalves, DJ 26/05/2014)
...,. Aplicação pelo STJ.

"TRIBUTÁRIO. IPTU E ITR. INCIDÊNCIA. IMÓVEL URBANO. IMÓVEL RU-


RAL. CRITÉRIOS A SEREM OBSERVADOS. LOCALIZAÇÃO E DESTINAÇÃO.
DECRETO-LEI N. 57/66. VIGÊNCIA.( ... ) O Decreto-Lei n. 57/66, rece-
bido pela Constituição de 1967 como lei complementar, por versar
normas gerais de direito tributário, particularmente sobre o ITR,
abrandou o princípio da localização do imóvel, consolidando a preva-
lência do critério da destinação econômica. O referido diploma legal
permanece em vigor, sobretudo porque, alçado à condição de lei com-
plementar, não poderia ser atingido pela revogação prescrita na forma
do art. 12 da Lei n. 5.868/72 (... )." (STJ, REsp 472628/RS, Rei. Mio. João
Otávio de Noronha, DJ 27.09.2004)
...,. Aplicação pelo STJ.

"PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO


EM RECURSO ESPECIAL. IPTU. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. INDE-
FERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE
DEFESA NÃO EVIDENCIADO.CLASSIFICAÇÃO DO IMÓVEL. DEFINIÇÃO
PELO ACÓRDÃO RECORRIDO A PARTIR DA LOCALIZAÇÃO E DA DESTINA-
ÇÃO URBANA DO IMÓVEL. REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILI-
DADE .... 2. A propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel estão
sujeitos à incidência do IPTU ou do ITR, a depender da classificação

14
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979
/ . ~

CJV\ \\;u_ü "E6 0l1ÜAL t 'D\:tJI\ND.~\).


do imóvel considerado, em urbano ou rural. Para essa finalidade, a
Primeira Seção, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543-C do
CPC), decidiu que, "[a]o lado do critério espacial previsto no art. 32 do
CTN, deve ser aferida a destinação do imóvel, nos termos do art.. \.':>
do DL 57/1966" (BEsp 1.112.646/SP, Rei. Min. Herman Benjamin, DJe
28/8/2009). 3. No caso dos autos, o Tribunal de origem decidiu pela
incidência do IPTU ao fundamento de que "os imóveis questionados
integram loteamento localizado na zona urbana, e não há absoluta-
mente nenhuma informação, nem sequer por parte do embargante,
de que eles se destinem à exploração das atividades agrárias acima
referidas" ..... 4. Agravo regimental não provido." (STJ, AgRg no AREsp
259607/SC, Rei. Mm. Benedito Gonçalves, DJ 17/06/2013)
O art. 32, §2º, CTN traz o conceito de área de expansão urbana ou urba-
nizável. Este dispositivo viabiliza a aplicação da legislação urbanística em
zonas rurais que interfiram no agrupamento urbano regulado.

O art. 46 da Lei 11977/2009, que estabelece o Programa Minha Casa


Minha Vida, conceitua em seu inciso I a área urbana e no inciso 11 a área
urbana consolidada.

2. Parcelamento do solo para fins urbanos. A finalidade urbana do imóvel


é o que determina a aplicação da Lei 6766/79, na forma do art. 1. As
quatro funções primordiais do solo urbano são, segundo a doutrina, mo-
radia, circulação, lazer e trabalho. Para melhor alcancar a funcjonalidade
do espa\;o whanQ, o Poder Público ordena sua ocupação, de modo a
preservar os interesses da população.

A legislação agrária define o solo rural com base na natureza das terras,
próprias para a agricultura e pecuária, não se importando com a finali-
dade a ser dada aos novos lotes. Por esta razão, é possível que o mesmo
loteamento seja urbano, por conta de seu uso, e também rural, em ra-
zão da natureza da terra, na forma do art. 61, § 22, Lei 4504/64. Nesta
hipótese, o parcelamento deve observar as normas da Lei 6766/79 e ser
submetido ao crivo do INCRA .

...,. Aplicação pelo STJ.

EMBARGOS INFRINGENTES. AÇÃO RESCISÓRIA. DESAPROPRIAÇÃO


PARA FIM DE REFORMA AGRÁRIA. VIOLAÇÃO DE LITERAL DISPOSIÇÃO
DE LEI. INCLUSÃO DE ÁREA URBANA. LOTEAMENTO APROVADO PELA
PREFEITURA MUNICIPAL. VIOLAÇÃO DE DISPOSIÇÃO DE LEI. INEXIS-
TÊNCIA. SÚMULA 343/STF. REVISÃO DE FATOS. PRETENSÃO DE REEXA-
ME DE. PROVA. IMPOSSIBILIDADE. ( ... ) 4. Ademais, é incontroverso no
processo que o Município definiu a área de~apropriada como urbana,
pois "considerar como rural a propriedade desapropriada seria pre-

15
FERNANDA LousADA CARDoso

ciso que os atos municipais de aprovação da planta de plano urba-


nístico do referido loteamento fossem invalidados, fato que não se
deu na espécie" ("verbis" do voto divergente da lavra do Min. Mauro
Campbell Marques) .... O acórdão rescindendo "deu a solução mais
justa, equânime e proporcional à controvérsia", ao considerar parte
urbana e parte rural para fins de indenização da área desapropriada.
("verbis" do voto divergente da Min. Eliana Calmon). 6. Não há ofensa
à lei na interpretação dada pelo acórdão rescindendo, da relataria do
Min. Peçanha Martins, ao entender que a indenização pela desapro-
priação deve levar em consideração o loteamento como sendo misto
(urbano e rural), determinando que "a unidade de medida a ser apli-
cada para as chácaras loteadas é o metro quadrado e para as chácaras
não loteadas é o hectare". EDcl no REsp 363900/GO, Rei. Min. Fran-
cisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 18/12/2003, DJ
28/4/2004) Embargos Infringentes providos, para julgar improcedente
a ação rescisória. (STJ, EAR 3971/GO, Rei. Min. Humberto Martins, DJ
20/09/2011)
3. Histórico legislativo. A Lei 6766/79 é lei federal que estabelece normas
gerais de parcelamento do solo urbano. Revogou parcialmente os Decre-
tos-lei 58/37 e 271/67 e inovou ao tratar o parcelamento do solo urbano
sob a ótica pública. A Lei 6766/79 reconheceu o Estado como sujeito
interessado na adequada ocupação do espaço urbano, imputando-lhe
deveres e direitos na dinâmica firmada com o proprietário privado e a
coletividade, moradora e usuária da região.
-7 Aplicação em concurso.
• Procurador do Município de Natal- 2008. CESPE
"No que concerne ao Estatuto da Cidade, assinale a opção correta.
a) O Estatuto da Cidade é uma lei nacional de desenvolvimento urbano, exi-
gida internacionalmente, e que regulamenta os instrumentos de política
urbana que devem ser aplicados pelos municípios exclusivamente.
b) Segundo o texto constitucional, o plano diretor é o instrumento básico, de
âmbito regional, referente ao desenvolvimento e à expansão das cidades, e
sua elaboração é atribuição dos estados.
c) O plano diretor deve estabelecer diretrizes referentes a circulação, habita-
ção, patrimônio histórico e genético e meio ambiente, bem como a outros
aspectos relacionados com o desenvolvimento das cidades, como política
educacional, taxa de mortalidade infantil e controle da natalidade.
d) O Estatuto da Cidade é uma lei federal exigida constitucionalmente que
regulamenta os instrumentos de política urbana que devem ser aplicados
pela União, pelos estados e, especialmente, pelos municípios."
Gabarito: (etra D

16
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO - LEI NO 6. 766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

4. Competência legislativa. A Constituição da República estabeleceu a


competência concorrente de União, Estados e Distrito Federal para le-
gislar sobre Direito Urbanístico, conforme o art. 24, I, CRFB. No mesmo
passo, conferiu aos Municípios competência para legislar sobre assuntos
de interesse local, na forma do art. 30, I, CRFB.
Assim, por exemplo, compete aos entes municipais estabelecer o zonea-
mento de cada região e as limitações administrativas incidentes no solo
urbano. Na ausencia de lei municipal tratando sobre o tema, aplicar-
-se-á o estabelecido pela lei geral, Lei 6766/79. A complementariedade
prevista no parágrafo único deste artigo deve ser entendida à luz dos
dispositivos comtitucionais hoje em vigor, preservando a harmonia e in-
dependência federativa.
-7 Aplicação em concurso.
• Procurador do Município de Aracaju- 2007- CESPE
"Somente o Distrito Federal (DF) e os territórios podem editar normas gerais
de direito urbanístico, na ausência de lei federal que vise capacitar os muni-
cípios (no caso dos territórios) e as regiões administrativas (em se tratando
do DF) para a execução da política urbana municipal. Essas normas terão sua
eficácia suspensa se estiverem em desacordo com as normas gerais estabele-
cidas pela União por meio da lei federal de desenvolvimento urbano."
A afirmativa está errada. A competência legislativa urbanística é concor-
rente, na forma do art. 24, I cjc art. 30, I, CRFB e art 1 da Lei 6766/79.

• DP/PA-2006.
"Da leitura do art. 24, I da Constituição Federal, deduz-se que ao município
não cabe o direito de legislar sobre a questão urbana, posto que não se
inclui entre os entes federativos para legislar concorrentemente."
A afirmativa está errada. A competência legislativa municipal sobre maté-
ria urbanística decorre do art. 30, I, CRFB.

5. Competência Administrativa. O art. 21, XX, CRFB confere à União com-


petência para instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano. O art.
23, IX, CRFB prevê a competência comum dos três níveis da federação
pa~a promover a melhorias de habitação e saneamento básico. Em razão
deste dispositivo, <2 possível ver programas federais, estaduais e munici-
pais de regularização fundiária.

~ Aplicação em concurso.

• MP/MT/2012- UFMT.
"Quanto à discriminação constitucional das competências urbanísticas, a
Constituição Federal de 1988

1'7
FERNANDA LousADA CARDoso

a) Elenca como competência comum da União, dos Estados, do Distrito Fe-


, dera I e dos Municípios a defesa permanente contra calamidades públicas,
especialmente as secas e as inundações.
b) Atribui competência privativa à União para instituir regiões metropolitanas,
aglomerações urbanas e microrregiões constituídas por Municípios limítro-
fes, para o planejamento, a organização e a execução de funções públicas
de interesse comum
c) Atribui competência privativa à União para legislar sobre responsabilidade
por dano a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e
paisagístico.
d) Estabelece como competência privativa dos Estados e do Distrito Federal a
criação, organização ou supressão de distritos.
e) Fixa a competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios para promover a construção de moradias e a melhoria das
condições habitacionais e de saneamento básico."
Gabarito: letra E

.. ., Capitulo '1
.•· •.·D~po~~~õ~s }>r,éliUÍi!tares
Art, 2~·-o·parêeialllC:ntodo~olo.urbanopoderá·.serféifu médJ~n~eloê
teamelito;ouodesrn~mpramentQ; obser:v.adas as. dil)posições desta Lei e as
das le~isJay~es e~!ad:q~is ;e)1lU1licipais pertinentes. . . · . h ·' ..
§ 1o- Çonsiaera-~e.IQt~ameD,tll a ~~~b(}iv,isão de gleba em lotes de~ti~ados
a edificação~ com 3bel'tura de;ll~rv~s vias de circulação, de I~gradmíros
públicos ?hépr~lo~lg~t~ento,tnc)dific~çã{)~u ampliação das vias ée~i~t~lltes.
§ 2° -co~ésidera2~~é~c~Iil~.p'~r'<!nién~o a.subdi\liSM de gleli~/~~~ºtes
destinados a·edlfiéll9ã6, ~oro aJ)r:ov~itám,~nto dosl~tema viá~•o~~t~sten­
te, desôe.·que rião i111plique naéabeitúra de novas Vias e logra~o~õ~'']1úbli­
cos, nem no prolongaq1ento, modificação ou ampliação desjá.éicistentes.
§ 3" (VETADO)
§ 4° C~msic.le!a~se;Iote o terJ;en~.servido de in:fra-e~~rl,ltura:b~~ica cujas
dimensões atendmn aos índices urÇ>anísticos definidos pelo plano diretor
ou leimunicipalp<lJ:a a.zona emque se situe.(Incluído pela Lei n~ 9.785,
29.1.99) . .
§ 5° A infra-estrutura básica dos parcelamentos é c0nstituidll pé! os equi-
pamentos urbanos de escoafutmtodas águas pluviais; tlu~~~ão.pú­
blica, esgotamento sanitário; abastecimento de
4gua píltá~el;:\llíe~gia
elétrica pública e,domiciliar e viás de circulação; (Redação P.a.illf.pela ·
Lei no 11.445, de2007).

18
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

§ 6° A infra-estrutura básica dos parcelamentos situados nas. zonas ha-


bitacionais declaradas por lei como de int~resse so~ia)i(ZHIS}consisti­
rá, no mínimo, de: (Incluído pela Lein° 9.78.5; 29.1.99) ·.. ·
I- vias de circulação; (Incluído pela Lei n° 9. 785, 29.1.99)
TI- escolilllento das águas pluviais; ·(Incluído pela Lei n° 9.785, 29.1.99)
III- red~ para o abastecimento ·de água potável; c(Incluído pela Lei n°
9.785, 29.1:99)
IV - soluções para o esgotamento sanitário e para a energia elétrica do-
miciliar.(Incluído pela Lei n° 9 .785, 29:.1.99)

1. Áreas de estudo do Direito Urbanístico. O parcelamento do solo urbano


é uma das áreas de estudo do Direito Urbanístico, juntamente com o zo-
neamento, a polícia edilícia e o planejamento urbano. Todas elas envol-
vem normas e princípios dirigidos à organização dos espaços habitáveis.

O parcelamento consiste na divisão do solo em porções juridicamente


autônomas e só deve ser promovido pelo proprietário ou co-proprietá-
rio da área .

2. Espécies de parcelamento. A redação deste artigo aproveitou a ideia


presente no Decreto-Lei 271/67 para distinguir as espécies de parcela-
mento. O loteamento e o desmembramento são espécies de parcela-
mento. A diferença entre eles está na criação de espaços públicos. En-
quanto o loteamento cria ruas, praças, alterando o desenho urbano da
região, o desmembramento apenas divide o espaço privado em unida-
des menores, não alterando a configuração da cidade. Ambos são meios
de dividir o solo urbano.

~ loteamento só surge voluntariamente, ao passo· que o desmembra-


~pode ocorrer por.força de decisão judicial. como ocorre na hipó-
tese de partilha ou arrematação de bens. Nesses casos, não é necessária
~elaboração de projeto a ser submetido à Prefeitura e levado a registro,
por se tratar de formas mais singelas de parcelar o solo urbano.

O loteamento é objeto de registro público, ao passo que o desmembra-


mento é averbado, na forma do art. 167, 111, 4, Lei 6015/73.

As espécies de parcelamento são assunto recorrente nas provas de con-


curso, sempre explorando a distinção entre loteamento e desmembra-
mento.

19
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

~ Aplicação em concurso.
• Vunesp/PGM/Poó/Procurador/2014
Quanto ao parcelamento do solo, nos termos da Lei n. 6.766, de 19 de de-
zembro de 1979, é correta a seguinte afirmação:
a) O loteamento somente poderá ser realizado por pessoa jurídica de nature-
za privada.
b) Não será permitido o parcelamento do solo em terrenos alagadiços e su-
jeitos a inundações, ainda que tomadas as providências para assegurar o
escoamento das águas.
c) Considera-se desmembramento a subdivisão de gleba em lotes destinados
a edificação, tom aproveitamento do sistema viário existente, ainda que
implique na abertura de novas vias e logradouros públicos, ou prolonga-
mento, modificação ou ampliação dos já existentes.
d) Considera-se loteamento a subdivisão de gleba em lotes destinados à edi-
ficação, com abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos
ou prolongamentos, modificação ou ampliação das vias existentes.
e) Não será permitido o parcelamento do solo em áreas de preservação ecoló-
gica ou naquelas onde a poluição impeça condições sanitárias suportáveis,
ainda que já corrigidas.
Gabarito: letra O

• Cespe/Câmara Deputados/Analista Legis/ativo/2014


Realiza desmembramento aquele que subdivide a gleba em lotes com a
finalidade de edificação, se tal subdivisão não implicar na abertura de no-
vas vias e logradouros públicos. O projeto de desmembramento deverá ser
apresentado junto à prefeitura municipal ou ao Distrito Federal, quando for
o caso, de modo a indicar as vias existentes, os loteamentos próximos, o
tipo de uso predominante no local e a divisão de lotes pretendida na área.
A afirmativa estó correta

~ Aplicação em concurso.
• (Procurador do Município -Prefeitura São José dos Campos-SP/2012 - VU-
NESP)
De acordo com termos da Lei Federal nQ 6.766, de 19.12.1979, é correto
afirmar que
a) lote é o terreno desprovido de infraestrutura básica cujas dimensões aten-
dem, no mínimo, os índices urbanísticos definidos pelo Plano Diretor ou lei
municipal para a zona em que se situe.
b) desmembramento é a subdivisão de gleba em lotes destinados a edifica-
ção, com aproveitamento do sistema viário existente que implique na aber-

20
LEr DO PARCELAMENTG DO SOLO URBANO-- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

tura de novas vias e logradouros públicos e prolongamento, modificação ou


ampliação dos já existentes.
c) loteamento é a subdivisão de gleba em lotes destinados à edificação, com
abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos ou prolonga-
mento, modificação ou ampliação das vias existentes.
d) é requisito urbanístico para o loteamento que os lotes tenham área mínima
de 105 m 2 (cento e cinco metros quadrados) e frente mínima de 5 (cinco)
metros, salve quando o loteamento se destinar a urbanização específica
ou edificação de conjuntos habitacionais de interesse social, previamente
aprovados pelos órgãos públicos competentes.
e) não se permite o parcelamento do solo em terreno com declividade igual
ou superior a 20% (vinte por cento), salvo se atendidas exigências específi-
cas das autoridades competentes.
Gabarito: letra c

• CONSULPLAN- 2010- Prefeitura de Santa Maria Mada/ena-RJ


A Lei Federal nQ. 6766, de 19 de dezembro de 1979, ao dispor sobre o par-
celamento do solo urbano, estabeleceu que este poderá ser feito por meio
de loteamento ou desmembramento. Indique a afirmativa que NÃO diz res-
peito à modêlidade de parcelamento decorrente de loteamento:
a) Para esta mcdalidade, as áreas destinadas a sistemas de circulação, a im-
plantação de equipamento urbano e comunitário, bem como a espaços li-
vres de uso público, serão proporcionais à densidade de ocupação prevista
pelo plano diretor ou aprovada por lei municipal para a zona em que se
situem.
b) É considerado a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com
aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique na
abertura de novas vias e logradouros públicos, nem no prolongamento,
modificação ou ampliação dos já existentes.
c) As vias de loteamento deverão articular-se com as vias adjacentes oficiais,
existentes ou projetadas, e harmonizar- se com a topografia local.
d) Antes da elaboração de seu projeto, o interessado deverá solicitar à Pre-
feitura Munkipal, ou ao Distrito Federal quando for o caso, que defina as
diretrizes para o uso do solo, traçado dos lotes, do sistema viário, dos espa-
ços livres e das áreas reservadas para equipamento urbano e comunitário,
apresentando, para este fim, requerimento conforme especificações da lei.
• e) Pode ser definido como a subdivisão de gleba em lotes destinados a edifi-
cação, com abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos
ou prolonga 11ento, modificação ou ampliação das vias existent~s.
Gabarito: ferra B

21
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

• TJ/AC- 2006 juiz- CESPE.


"Loteamento não se confunde com desmembramento. Ambos são formas
de parcelamento do solo urbano, mas somente o segurdo implica a aber-
tura de novas vias de circulação e de logradouros públicos ou, ainda, o .
prolongamento, a modificação ou a ampliação das vias existentes."
A afirmativa está errada. O loteamento é que gera espaço público, alteran-
do o desenho urbano.

• MP/GO- 2005.
"O desmembramento é a subdivisão de gleba em lotes urbanos, com o
aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique na
abertura de novas vias e logradouros públicos, podendo, no entanto, haver
o prolongamento e ampliação das vias existentes."
A afirmativa está errada. Não pode haver prolongamento de vias no des-
membramento, nem qualquer outra alteração do desenho urbano.

..,. Aplicação pelo STJ.

"ADMINISTRATIVO - PARCELAMENTO DO SOLO - LOTEAMENTO -


OBRAS DE INFRA-ESTRUTURA: RESPONSABILIDADE. 1. Embora con-
ceitualmente distintas as modalidades de parcelamento do solo, des-
membramento e loteamento, com a Lei 9.785/99, que alterou a Lei de
Parcelamento do Solo- Lei 6.766/79, não mais se questiona as obriga-
ções do desmembrador ou do loteador. Ambos são obrigados a cum-
prir as regras do plano diretor. 2. As obras de infra-estrutura de um
loteamento são debitadas ao loteador, e quando ele é oficialmen-
te aprovado, solidariza-se o Município. 3. Obrigação solidária a que
se incumbe o loteador, o devedor solidário acionado pelo Ministério
Público. 4. Recurso especial improvido." (STJ, REsp. 2000/0060139-0,
Rei. Min. Eliana Calmon, DJ 24/05/2004).

3. Remembramento. É o oposto do desmembramento. Consiste na união


de duas unidades, criando uma área maior. Assim como o desmembra-
mento, não cria espaço público.

4. Desdobro. O desdobro é a repartição do lote, sem ne::essidade de ur-


banização ou venda por oferta pública. Não gera alteração no desenho
urbano da cidade, nem representa a criação de um nove aglomerado po-
pulacional. Difere do desmembramento por incidir aperas sobre o lote e
não necessariamente se destinar à edificação.

5. Aplicação da Lei 6766/79. A produção dos diversos documentos e a sub-


missão ao controle da Prefeitura só serão exigidas quando o proprietá-
rio do imóvel realizar oferta pública dos terrenos, tendo uma finalidade

22
LEI DO PARCELAMENTO :>O SOLO URBANO- "'em.No'6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

comercial nesta alienação. As normas aqui comentadas não se aplicam,


por exemplo, quando se pretende desfazer um condomínio, com a alie-
nação do todo a terceiro, ou ainda quando houver divisão em razão de
decisão judicial.

Do mesmo modo, quando o terreno a ser loteado possui algum valor


ambiental, como cobertura de florestas, deverão ser observadas as nor-
mas ambientais pertinentes, não bastando a aplicação da lei aqui co-
mentada.

6. Veto ao parágrafo terceiro. O parágrafo terceiro foi vetado por dennir


gleba como todo o terreno que não tenha sido objeto de parcelamento
aprovado ou regularizado e registrado em cartório. Com tal conceito,
seria possível a prática de desdobro de lotes pelos particulares, sem a
observância dos requisitos da Lei 6766/79, que então se aplicaria apenas
à subdivisão de glebas em lotes e não a desdobro destes .
A ausência de um conceito de gleba não deixa a lei incompleta, porquan-
to em seu parágrafo quarto há a conceituação de lote, instituto comple-
mentar à gleba.

7. Competência constitucional. Especificamente em relação ao parcela-


mento, há a previsão do art. 30, VIII, CRFB, que dá competência adminis-
trativa aos municípios .para ordenarem seus territórios.

8. ZHIS. As zonas habitacionais de interesse social, também conhecidas


como áreas de especial interesse social (AEIS), são estabelecidas em
regiões onde o adensamento populacional já é intenso, com a divisão
desordenada do solo urbano, como ocorre em favelas e invasões. Nes-
ses casos, a lei exige, em razão da situação fática já consolidada, menos
requisitos para a regularização e implantação do loteamento urbano. O
art. 47, V, Lei 11977/2009, que institui o Programa Minha Casa Minha
traz uma definição das zonas especiais de interesse social- ZEIS ou A EIS.

~ Aplicação em concurso.
• MPE/RR - 2008- CESPE. "Quanto ao parcelamento do solo urbano, julgue
os itens subsequentes.
São considerados infra-estrutura básica os equipamentos urbanos de es-
coamento de águas pluviais, iluminação pública, redes de esgoto sanitário
e abastecimento de água potável, de energia elétrica pública e domiciliar,
bem como as vias de circulação pavimentadas ou não."
A afirmativa está correta, com base no art. 2, §52.

23
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

- "Para as ZHIS, as exigências para o parcelamento restringem-se às vias de


circulação, ao escoamento de águas pluviais, à rede de abastecimento de
água potável e às soluções para o esgotamento sanitário, para a biodiges-
tão de resíduos sólidos e a energia elétrica domiciliar."
A afirmativa está errada. Aplica-se o art. 2, § 6!1.

- "Os equipamentos públicos de educação, saúde e lazer não fazem parte


obrigatória da infra-estrutura básica, salvo no que se refere às ZHIS onde
por força de lei, fica o poder público local obrigado a restabelecer
ções mínimas de inserção social das comunidades carentes."
condi~ a:
A afirmativa está errada. Aplica-se o art. 2, § 5!1.

Art. 3° Somente será adndtido o pàí'êe1~1Uel1.to do solo· para finsurba-


nos em zonas url>ll.náS, de eXpansã(:Í UrÕána OÍl de lJibanização ê~pecífica,
assim definidas pdo planodiretor.ou apro-vadas por lei munidpa1. (NR)
(Redação dada pela Lei no 9.785, 29.1.99)
,,,,'• 'j e.'· '' ,',·'!

Parágrafo único;.Não,.será ]>ev~~ti~ri ~. pru;celamento .. do .solo:


I - em terrenos alagadiços e' sujeitos a i!mnàaçÕes, antes' cte toí:l:Ía~as as
pro-vidências para. assegumr o escoa:inetito da:s água~; · ·
II- em terrenos que tenham sido atc.r:rados commàterialnociv:o à saúde
púb Iica, sem qu~êf!ejam..prey;i(l.lllente. l)aneados;
> -~~/-~·.'. <· '·,",· ,'· .··,' ,.·.·
III- em terr:e~q ~om,~<lecliyi~àd~,Í~l!l on.s1lperior.\1·3Ü% ~trlp:ta.por
cento), salvo se ~tet1~~a.s e,;i~~ncil}~.eSPq~i~~as d~s aü!oi;i"daêi~~;.Ç~nipe~ ..
tentes; ·· ···. · · · ·" · · · ' · .. • · · · · · · · · · ....
IV- em terrê~qs>Q,tide ~s é0ndiçÔ~~.,~~~lógiC~ts. nii,o acon~elham a edi~
ficação; ·· ·

V - em áreas de presérvação ecológica ou naquelas. onde a poluição im-


peça condições sanitárias suportá-veis, até a sua correção.

1. Área Rural. Mais uma vez a lei utiliza a distinção entre área rural e urba-
na para vedar o parcelamento de áreas rurais, adequadamente divididas
em glebas e não em lotes. O loteamento de área rLral é capitulado como
crime, previsto no art. 50 desta lei.

A lei igualmente veda o loteamento de áreas de risco à saúde de seus


ocupantes e de regiões de preservação ambiental. Tal artigo propicia o
embate entre o desenvolvimento das cidades e a preservação do meio
ambiente, assim como o conflito entre regras urbanísticas municipais e
ambientais de nível federal e estadual.

24
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

..,_ Aplicação pelo STJ.

"RECURSO ESPECIAL. PEDIDO DE REGISTRO DE LOTEAMENTO ÀS MAR-


GENS DE HIDRELÉTRICA. AUTORIZAÇÃO DA MUNICIPALIDADE. IMPUG-
NAÇÃO OFERECIDA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. ÁREA DE PROTEÇÃO
AMBIENTAL. RESOLUÇÃO N. 4/85-CONAMA. INTERESSE NACIONAL.
SUPERIORIDADE DAS NORMAS FEDERAIS. No que tange à proteção ao
meio ambiente, não se pode dizer que há predominância do interesse
do Município. Pelo contrário, é escusado afirmar que o interesse à
proteção ao meio ambiente é de todos e de cada um dos habitantes
do país e, certamente, de todo o mundo. Possui o CONAMA autoriza-
ção legal para editar resoluções que visem à proteção das reservas
ecológicas, entendidas como as áreas de preservação permanentes
existentes às margens dos lagos formados por hidrelétricas. Consis-
tem e as normas de caráter geral, às quais devem estar vinculadas
as normas estaduais e municipais, nos termos do artigo 24, inciso VI
e §§ 12 e 42, da Constituição Federal e do artigo 62, incisos IV e V, e
§ § 12 e 22, da Lei n. 6.938/81. Uma vez concedida a autorização em
desobediência às determinações legais, tal ato é passível de anula-
ção pelo Judiciário e pela própria Administração Pública, porque dele
não se originam direitos .... Qualquer discussão a respeito do eventual
prejuízo sofrido pelos proprietários deve ser travada em ação própria,
e jamais para garantir o registro, sob pena de irreversível dano am-
biental. Segundo as disposições da Lei 6.766/79, "não será permitido
o parcelamento do solo em áreas de preservação ecológica ( ... )" (art.
32, inciso V). Recurso especial provido".(STJ, REsp 194617 /PR, Rei. Min.
Frandulli Netto, DJ 01/07 /2002)

..,_ Aplicação pelo STJ.

"LEIS AMBIENTAIS. APLICAÇÃO. ÁREA URBANA. A Turma, ao prosseguir


o julgamento, por maioria, conheceu do agravo regimental e deu pro-
vimerto ao REsp para anular o acórdão recorrido e determinar que o
Tribunal a quo realize novo julgamento da apelação na ação popular.
Na espécie, trata-se de construção de supermercado que, segundo o
">r' autor da ação popular e o MPF, violou a legislação ambiental. O Tri-
bunal a quo entendeu que a legislação ambiental é inaplicável à área
urbana ao afirmar que "não há de se cogitar de limitações ambientais
ao direito de construir, dentro de zona urbana, mediante licença da
administração municipal". Assim o Tribunal a quo deve reexaminar a
causa sob pena de supressão de instância com a aplicação das nor-
mas atinentes ao meio ambiente (Decreto de Mata Atlântica e Código
Florestal) à área urbana." (STJ, AgRg no REsp 664.886-SC, Rei. Min.
Herman Benjamin, julgado em 4/2/2010. Informativo STJ 421)

25
FmNANDA LousADA CARDoso

-7 Aplicação em concurso
• PGM-RJ- 7 Concurso- Prova Específica
'Particular ergue obra em área particular, sem licença prévia. A cÓnstrução
não é passível de ser legalizada, conforme normas urbanísticas em vigor.
A Edilidade notifica o particular para que realize voluntariamente a demo-
lição do que construiu, sob pena desta mesma demolição ser conduzida
p:los age~t~s. municipais, no ~r.a~o de 48 horas. O particular ajuíza inter- " '
d1to pro1b1tono contra o Munlc1p1o, alegando que seus direitos de posse ·
e de moradia estão sendo ameaçados pela prometida ação de polícia do
governo local. O juízo defere liminar para impedir a demolição. Você é o
Procurador do Município encarregado da defesa do ato local:
a) indique as linhas básicas quanto ao mérito de sua manifestação no proces-
so, em prol do ato municipal, sendo dispensada a abordagem específica das
medidas processuais cabíveis;
b) exponha como enfrentaria a alegação fundada na invocação da tutela do
mínimo essencial, ponderando esse valor com o da tutela do ordenamento
urbanoambiental;
c) analise a extensão e a oponibilidade do instituto da posse contra ato de
polícia;
d) aponte os requisitos formais a serem observados pelo agente público na
prática do ato em questão;
e) qual seria a sua tese, nesse contexto, contra a invocação, pelo particular, do
princípio da inviolabilidade do domicílio."
O Município tem o poder dever de combater as construções erigidas irre-
gularmente, cabendo a ele a tutela da ordem urbana e ambiental tanto
nas áreas públicas, como nas áreas particulares. Deve ser suscitada pelo
candidato a presunção de legitimidade/lega/idade dos atos administrati-
vos, bem como sua auto-executoriedade. O direito difuso de meio ambiente
saudável se sobrepõe ao direito individual de moradia no caso em análise.
Todos os munícipes se submetem ao poder de polícia que, para ser regular-
mente exercido, deve observar o devido processo legal administrativo. O
exercício de qualquer direito real, seja posse, seja propriedade, deve se dar
em observância aos regulamentos administrativos, na forma prevista pelo
próprio Código Civil.

• MP-RJ- XXVII Concurso- Prova Específica


"Através de lei de política urbana um Município proibiu edificações em qua-
dras de um loteamento, em razão dessas terras constantemente se verem
alagadas com o transbordamento de um rio, sendo vedada à concessão de
licenças de obras. O proprietário de um lote, sem obter a licença para edificar
construiu em seu terreno uma habitação e quando a obra já se encontrava
em acabamento nela passou a morar com a família. O Município embargou

26
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

administrativamente obstando a finalização da construção, e a sua Procura-


doria ingressou com ação visando obter autorização judicial para demolir a
casa. O Juiz julgou extinto o processo entendendo faltar ao Município inte-
resse, já que a demolição decorreria do poder de polícia da própria adminis-
tração municipal. Responda fundamentando justificadamente:
a) Pode o município administrativamente impedir ao proprietário de cons-
truir?
b) Quanto à demolição quem tem razão, o juiz ou o município?
O Município tem o poder-dever de exercer seu poder de polícia edifício ad-
ministrativamente e impedir a construção em área cujo parcelamento é
vedado. Os atos administrativos são dotados de auto-executoriedade e por
esta razão não possui o Município necessidade de recorrer ao Judiciário
para realizar aquilo a Constituição lhe determinou como dever, na forma do
art. 30, VIII, CRFB. Por tal motivo, o juiz tem razão em sua decisão.

• MP/SP-2005
"O parcelamento de solo urbano para formação de chácaras de recreio,
mediante venda de frações ideais da respectiva gleba de terras, é havido
como
a} ilegal, por afrontar as disposições contidas na Lei n.º 6.766/79.
b} ilegal, porquanto a formação de chácaras de recreio somente é admissível
em zona rural.
c) legal, uma vez que a Lei n.2 6.766/79 admite o parcelamento do solo para
fins urbanos em zonas urbanas, e a finalidade lazer é considerada como
destinação urbana.
d} legal, desde que o loteador providencie a infra-estrutura básica, como equi-
pamentos urbanos de escoamento das águas pluviais, iluminação pública,
redes de esgoto sanitário e abastecimento de água potável, e de energia
elétrica pública e domiciliar e as vias de circulação.
e} legal, desde que, além de toda infra-estrutura básica, o loteador delimi-
te claramente a área que cada condômino ocupará no regime de quotas
ideais, providenciando as necessárias averbações à margem da respectiva
matrícula."
Gabarito: letra A

Capítulo H
Dos Requisitos Urb:misticos para Loteamento
Art. 4° - Os loteamentos deverilo atender, pelo menos, aos seguintes
requisitos:

27
11
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

I- as áreas destinadas a sistem(\s de circulação, a implantação de equi-


pamento urban(l e comunitário, bem como a espaços livres. de .uso públi-
co, serão proporcionais à densidade de ocupação prevista pelo plano dire-
tor ou aprovada por lei municip~l para a zona em que se situem. (Redação
dada pela Lei 11° 9.785, 29.1.99)
II- os lotes terão área mínima de 125m2 (cento e vinte e cinco metros
quadrados) e frente mínima de 5 (cinco) metros, salvo quando a legis-
lação estadual ou municipal determinar maiores exigências, ou quando o
loteamento se destinar a urbanização específica ou edificação de conjuntos
habitacionais de interesse social, previamente aprovados pelos órgãos pú-
blicos competentes~.
III- ao longo das águas correntes e dormentes e das faixas.de .domínio
público das rodovias e ferrovias, será obrigatória a reserva de uma faixa
não-edificável de 15 (quinze) metros de cada lado, salvo maiores exigên-
cias ela legislação específica; (Redação dada pela Lei 11° 10.932, de 2004)
IV - as vias de loteamento deverão articular-se com as vias adjacentes
oficiais, existentes ou projetadas, e harmonizar-se com a topografia focal.
§ 1o A legislação municipal definirá, para cada zona em que se dívida
o território do Município, os usos permitidos e os índices urbanísticos
de parcelamento e ocupação do solo, que incluirão, obrigatoriamente, as
áreas mínimas e máximas de lotes e os coeficientes máximos de aproveita-
mento. (Redação dad~ pela Lei n° 9.785, 29.1.99)
§ 2° Consideram-se comunitários os equipamentos públícos de educação,
cultura, saúde, lazer e similares.
§ 3° Se necessária, a reserva de faixa não-cdificável vinculada a dutovias
será exigida no 'âmbito do respectivo licenciamento ambiental, observados
critérios e parâmetros que garantam a segurança ela população e a proteção
do meio ambiente, confonne estabelecido nas normas técnicas pertinentes.
(Incluído pela Lei no 10.932, de 2004)

1. Área pública. Cabe ao loteador doar um percentual da área a ser parce-


lada para o ente municipal afetar a serviços públicos, tais como escola e
hospital. O art. 52, Lei 11977/2009, que institui o Programa Minha Casa
Minha Vida autoriza os Municípios a reduzirem a área a ser recebida nos
assentamentos populares já consolidados, facilitando, assim, a regulari-
z<Jção fundiária.
-7 Aplicação em concurso
• CESPE- 2014- Câmara dos Deputados- Analista Legislativo
"Considerando a Lei n.Q 6.766/1979, que dispõe sobre o parcelamento do
solo urbano, julgue os itens subsequentes. No que se refere a loteamentos,

I 28
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO_, LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

na legislação vigente, está prevista a existência obrigatória de uma faixa


não-edificáve! de 15 m ao longo de rios; no entanto, para atender mteres-
ses sociais, legislações municipais específicas podem determinar a redução
da largura dessa faixa:'
A afirmativa está errada. A legislação específica pode exigir uma foi-.
xa não edificável maior, mas nunca menor, na forma do art. 4, 111, Le1
6766/79.

• MPE/RR-2008- CESPE
"As áreas públicas abrangem o sistema de circulação, os equipamentos ur-
banos e comunitários e os espaços livres de uso público. Estas não podem
ser inferiores a 25% da gleba loteada, e caberá ao município definir, para
cada zona em que se divida o seu território, os usos permitidos e os índices
de parcelamento do solo, que incluirão, obrigatoriamente, as áreas míni-
mas e máximas dos lotes e os coeficientes máximos de aproveitamento dos
2
equipamentos públicos na proporção de 2:3 para cada km ."
A afirmativa está errada. Aplica-se o art. 4, I, que em sua redação atual não
estabelece qualquer percentual específico.

2. Definição do lote. A Lei 6766/79 é expressa ao reconhecer a compe-


tência municipal para definir a metragem dos lotes urbanos. Em uma
mesma cidade é possível estabelecer mais de um tamanho de lote, de
modo a estimulêr determinada destinação econômico-social do imóvel,
bem como maio- ou menor adensamento demográfico.

-7 Aplicação em concurso

• Procurador ao Município de Campinas- 2002.


"Os loteamentos deverão atender, dentre outros, o(s) seguinte(s
requisito(s):
a) traçado básico do sistema viário das ruas nele contidas.
b) localização aproximada dos terrenos, destinados a equipamento urbano e
comunitário e das áreas livres de uso público.
~'- c) indicação dos arruamentos contíguos a todo perímetro.
d) a localização das vias de comunicação, das áreas livres, dos equipamentos
urbanos e comunitários, existentes no local ou em suas adjacências, com as
respectivc;s distâncias da área.
e) lotes de áre3 mínima de 125 m2 e frente mínima de cinco metros, salvo
quando hou•Jer legislação com determinação expressa em contrárfo."
Gabarito: letra E

29
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

• MP/G0-2005.
' "Os lotes terão obrigatoriamente área mínima de 150 mz (cento e cinquen-
~a metros quadrados) e frente mínima de 05 m (cinco metros) servido de
tnfra-estrutura básica." '

A a(irmativa está errada. O lote mínimo terá área de 125m2 (cento e vinte
e cmco metros quadrados), conforme previsto no art.4, 11.
4JJ.
3. U.s~~~pião de área ~ínima. Vem aumentando a demanda junto ao Ju-
d1c1ano do reconhecimento de aquisição da propriedade imob'l·, ·
·- d , I 1ana por
u.s_ucap~ao . e ar_:a menor que o lote mínimo definido por lei para a re-
glao. Sao Sltuaçoes em que o ocupante tem a posse dos fundos de um
terre.no ou de ap~n~s um corredor de um grande lote. Nesses casos há 0
conflito entre o d1re1to de propriedade e 0 dever do Ente Público em or-
denar~ espaço urbano; Há quem entenda pela impossibilidade jurídica
do pedido no caso da ~rea usucapienda ser menor que 0 lote mínimo.
Neste caso, buscar-s~-1.a um~ burla à legislação municipal de parcela-
mento do solo. A matena esta pendente de julgamento no STF suscitado
no RExtra 422349/RS. '

..,.. Aplicação pelo STJ.

"AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO. RECURSO ESPECIAL. USUCAPIÃO


ESPECIAL. LEGISLAÇÃO MUNICIPAL. RECURSO ESPECIAL. NÃO CABI-
MENTO. _:RESUESTIONAMENTO. AUSENTE . .5(11\tlULA 211 DO STJ
USUCAPIAO. AREA MENOR QUE MÓDULO URBANO. IMPOSSIBILIDA~
DE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO." (STJ, AgRg nos EDcl no Ag
1407458 I RJ, Rei. M1n. Paulo de Tarso Sanseverino, DJ 14/05/2013
4. Limi~ações Ad~inistrativas. O inciso 111 estabelece áreas onde não é
poss1v~l construir. Trata-se de uma espécie de limitação administrativa
modalidade de intervenção do Estado na propriedade. '

As limita.ções administrativas diferem dos direitos ce vizinhança por tu-


telarem lnte.resse público, diversamente das restrições civis que visam a
preservar o Interesse particular reciprocamente considerado.

-h J~stam_ent: por e~v~lverem interesse público, as lim tações administra-


tivas nao sao pass1v~1s .de transação, são imprescritíveis e irrenunciáveis.
Por outro lado, os ~1.re1tos de vizinhança podem ser acordados, se sujei-
tam a prazo prescnc1onal e são passíveis de renúncia por seus titularesl

I.
MEIRELLES. Direito de construir. 4. ed. atual., São Paulo: Revista dcs Tribunais, 1983, p. 69.

30
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

Por se tratar de matéria civil, as restrições de vizinhança são reguladas


apenas pela União; já as limitações urbanísticas se inserem na compe-
tência concorrente de União e Estados (art. 24, I, CRFB) e dos Municí-
pios, (art. 30, I, CRFB).

..,.. Aplicação pelo STJ.

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. NOVO CÓDIGO FLORESTAL (LEI


12.651/2012). REQUERIMENTO. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO CON-
TRA ACÓRDÃO. INVIABILIDADE. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. RECE-
BIMENTO COMO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 535
DO CPC NÃO APONTADA. AUTO DE INFRAÇÃO.IRRETROATIVIDADE DA
LEI NOVA. ATO JURÍDICO PERFEITO. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 6!!, CA-
PUT, DA LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO.
1. Trata-se de requerimento apresentado pelo recorrente, proprietário
rural, no bojo de "ação de anulação de ato c/c indenizatória", com in-
tuito de ver reconhecida a falta de interesse de agir superveniente do
lbama, em razão da entrada em vigor da Lei 12.651/2012 (novo Código
Florestal), que revogou o Código Florestal de 1965 (Lei 4.771) e a Lei
7.754/1989. Argumenta que a nova legislação "o isentou da punição
que o afligia", e que "seu ato não representa mais ilícito algum", estan-
do, pois, "livre das punições impostas". Numa palavra, afirma que a Lei
12.651/2012 procedera à anistia dos infratores do Código Florestal
de 1965, daí sem valor o auto de infração ambiental lavrado contra si e
a imposição de multa de R$ 1.500, por ocupação e exploração irregu-
lares, anteriores a julho de 2008, de Área de Preservação Permanen-
te nas margens do rio Santo Antônio. 2. O requerimento caracteriza,
em verdade, pleito de reconsideração da decisão colegiada proferida
pela Segunda Turma, o que não é admitido pelo STJ .... 3. Precedente
do STJ que faz valer, no campo ambiental-urbanístico, a norma mais
rigorosa vigente à época dos fatos, e não a contemporânea ao julga-
mento da causa, menos protetora da Natureza: O "direito material
aplicável à espécie é o então vigente à época dos fatos. In casu, Lei
n. 6.766/79, art. 4!!, 111, que determinava, em sua redação original, a
'faixa non aedificandi de 15 (quinze) metros de cada lado' do arroio"
(REsp 980.709/RS, Rei. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma,
DJe 2.12.2008). 4. Ademais, como deixa claro o novo Código Florestal
(art. 59), o legislador não anistiou geral e irrestritamente as infra-
ções ou extinguiu a ilicitude de condutas anteriores a 22 de julho de
2008, de modo a implicar perda superveniente de interesse de agir. Ao
contrário, a recuperação do meio ambiente degradado nas chamadas
áreas rurais consolidadas continua de rigor, agora por meio de pro-
cedimento administrativo, no âmbito de Programa de Regularização
Ambiental - PRA, após a inscrição do imóvel no Cadastro Ambiental
Rural- CAR (§ 22) e a assinatura de Termo de Compromisso (TC), va-

31
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

lendo este como título extrajudicial (§ 3º) V I d"


i f - "' · ··· a e 1zer, os autos de
n raçao Ja constituídos permanecem válidos e bl"•ndad
· 'd· · os como atos
~un Jcos perfeitos que são - apenas a sua exigibilidade monetária
. ca suspensa na esfera administrativa, no aguardo do cumprimento
Integral das obrigações estabelecidas no PRA ou no TC. Tal basta ara
bem de~o~s~r~r que se mantém incólume o interesse de agir na:de-
mandas JUdiCiais em curs_?, não ocorrendo perda de objeto e extin ão
do pro:esso :em resoluçao de mérito (CPC, art. 267, VI). 6. Pedidoçde
reconsJderaçao não conhecido" (STJ PET RE
M. · , no sp 1240122/PR Rei
m. Herman Benjamin, DJ 19/1 2; 2012 ) ' ·
-7 Aplicação em concurso
• OAB/SP- 35Exame.

;As ~imitações administrativas constituem medidas previstas em lei com


0~~ig:~;~t~~~:v~~:ud~e~~~~=s d~o~t~~o~ gde;ac:~~?~ra os propri~tários
direito de propriedade ao bem-e~tar social." ICionar o exerc•c•o do

A afirmativa está correta. As limitações são estabelecidas em prol do in-


teress_e ~omum~ consistindo em modalidade de intervenção do Estado na
propne ade pnvada, em regra, de forma gratuita.

• OAB/SP- 33 Exame.
"As limitações administrativas
a) conferem sempre direito à indenização.
b) t~m caráter individualizado sobre determinado imóvel.
c) t~m efeito geral e, em regra, não geram direito a indenização.
d) so podem ser instituídas por sentença."
Gabarito: letra c
• PGR- 22 Concurso.

t"eSronbarti~vaa ~emática
mcorreta:
das limitações e servidões administrativas assinale a al-
'
a) Pod_e-s: afi~mar qu~, em geral, a limitação administrativa implica uma obri-
gaçao e ~a~-fazer Imposta ao titular do direito de propriedade, ao passo
queti_a slervJdao se refere a um ônus de tolerância que se impõe ao bem do
par cu ar.

b) A insti_tui~ã.o da servi~ão administrativa se faz por acordo judicial ou sen-


te~ça JUdi~lal, _?recedJda sempre de ato declaratório, redundando no direi-
to~ mde~Jzaçaod~ particular que sofrer prejuízo em sua propriedade.
c) A li~Jtaçao _admmJstrativa, por consubstanciar verdadeira redução da vo-
caçao economJca da propriedade, deve ser sempre acom a .
denJzação,_ preservando-se o d•re•to do propnetár o do be~ s~~~=tl~e In-
regime JUrldico limitador. o ao

32
J
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBA~O -·LEI NO 6.766, DF 19 DE DEZEMBRO DE 1979

d) O impedimento de construção ou de desmatamento que atingir a maior


parte da propriedade ou sua totalidade deixa ele ser limitação administra-
tiva, passando a ser considerado interdição do uso da propriedade, com as
consequências daí decorrentes."
Gabarito: letra C

"tl As limitações administrativas condicionam o uso da propriedade. São es-


tabelecidas genericamente e sua instituição não gera indenização para o
proprietário do imóvel, a não ser que reduzam o conteúdo econômico da
propriedade, fato devidamente comprovado pelo interessado.

~ Aplicação pelo STJ.


"ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA.
ÁREA NON AEDIFICANDI. LEI N.!1 6.766/79. INDENIZABILIDADE. DE-
MONSTRAÇÃO DO PREJUfZO. INOCORR~NCIA. ( ... )2. Criação de área
non aedificandi decorreu de disposição legal genérica, uma vez que
imposta a todo titular do domínio de imóveis lindeiros a rodovias,
in casu, o art. 4!1, 111, da Lei de Parcelamento do Solo Urbano, antes
da alteração legislativa trazida pela Lei n.º 10.932/2004, e vigente à
época do alargamento, que preceituava o seguinte: "Art. 4º- Os lote-
amentos deverão atender, pelo menos, aos seguintes requisitos: ( ... )
111- ao longo das águas correntes e dormentes e das faixas de domínio
público das rodovias e ferrovias e dutos será obrigatória a reserva de
uma faixa non aedificandi de 15 (quinze) metros de cada lado, salvo
maiores exigências da legislação específica;" 3. A proibição de cons-
truir advinda de referido preceito legal, tendo em vista o seu caráter
geral e abstrato, não se constitui em servidão administrativa indeni-
zável por natureza, mas, se caracteriza como mera limitação admi-
nistrativa e, por conseguinte, não gera direito à indenização. ( ... ) Em
síntese: Se a propriedade é atingida por uma ato especifico imposto
pela Administração, embora calcada em lei, a hipótese é de servidão,
porque as limitações administrativas à propriedade são sempre ge-
néricas. Se a propriedade é afetada por uma disposição genérica e
abstrata, pode ou não ser o caso de servidão. Será limitação, e não
servidão, se impuser apenas um dever de abstenção: um non face-
re. Será servidão se impuser um pati: obrigação de suportar." (Celso
•' Antônio Bandeira de Mello, in "Curso de Direito Administrativo", Ma-
lheiros, 15ªed., 2003, p. 777-778) ... 8. A indenização pela limitação
administrativa advinda da criação de área non aedificandi, prevista
no art. e.º, 111, da Lei n.º 6.766/79, somente é devida se imposta sobre
imóvel urbano e desde que fique demonstrado o prejuízo causado
ao proprietário da área. ( ... )". (STJ, REsp 750050/SC, Rei. Min. Luiz
Fux, DJ 07/11/2006).

;l
~~ 33
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

..,.. Aplicação pelo STJ.

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. ART. 53S DO CPC. ALEGAÇÃO


GENÉRICA. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. OLEODUTO. AREA NON AEDIFI-
CANDI. LEI DE PARCELAMENTO DO SOLO URBANO. 1. O recurso espe-
cial foi interposto nos autos de ação de desapropriação indireta, pos-
tulando-se indenização consistente no valor da área non aedificandi
ao redor de oleodutos existentes no imóvel do autor. ( ... } 3. É indevijf>
o direito à indenização se o imóvel for adquirido após o implemen'to
da limitação administrativa, porque se supõe que as restrições de uso
e gozo da propriedade já foram consideradas na fixação do preço. 4.
Recurso especial conhecido em parte e provido." (STJ, REsp 1126525,
Rei. Min. Castro Meira, DJ 25/05/2010}

5. Arruamento. É o traçado definidor das vias públicas e espaços livres da


cidade, sendo requisito prévio para o loteamento. As ruas são as vias de
circulação, que permitem a integração entre as diversas regiões da urbe.
Consistem em bens de uso comum do povo, cuja propriedade pertence
à municipalidade.

~ Aplicação em concurso

• Procurador do Município- Prefeitura Londrina-PR/2011 - CONSULPLAN)


São requisitos urbanísticos para loteamento, dentre outros, EXCETO:
a} As áreas destinadas a sistemas de circulação, a implantação de equipamen-
to urbano e comunitário, bem como a espaços livres de uso público, se-
rão proporcionais à densidade de ocupação prevista pelo plano diretor ou
aprovada por lei municipal para a zona em que se situem.
b} Os lotes terão área mínima de 125m 2 e frente mínima de 5 metros, salvo
quando a legislação estadual ou municipal determinar maiores exigências,
ou quando o loteamento se destinar a urbanização específica ou edificação
de conjuntos habitacionais de interesse social, previamente aprovados pe-
los órgãos públicos competentes.
c} A largura das vias deverá ser de, no mínimo, 6 metros.
d} Ao longo das águas correntes e dormentes e das faixas de domínio público
das rodovias e ferrovias, será obrigatória a reserva de uma faixa não-edi-
ficável de 15 metros de cada lado, salvo maiores exigências da legislação
específica.
e} As vias de loteamento deverão articular-se com as vias adjacentes oficiais,
existentes ou projetadas, e harmonizar-se com a topografia local.
Gabarito: letra c

34
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO-- LEI NO 6.766, DE ]9 DE DEZEMBRO DE 1979

..,.. Aplicação pelo STJ .

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. CONDOMÍNIO. LOGRADOU-


RO PÚBLICO. RECONHECIMENTO. COMPETÊNCIA DA CÃMARA DEVE-
READORES. ACÓRDÃO RECORRIDO ADEQUADAMENTE F\.lNOP..NiéN-
TADO. LEI MUNICIPAL 3.317/2001. VALIDADE. LEI 6.766/1979. BEM
DE USO COMUM DO POVO. 1. Discute-se a validade da Lei Municipal
3.317/2001, que reconheceu como logradouro público (e nomeou}
via que, segundo o impetrante, é particular, pois pertencente a con-
domínio fechado (vila}. ( ... )3. In casu, as denominadas "ruas parti-
culares internas do condomínio" são, em verdade, vias asfaltadas,
com meio-fio, sarjetas, postes de iluminação, rede aérea de energia
elétrica e tráfego de veículos automotores, em nada lembrando ve-
redas para pedestres, como as que existem em tantos condomínios
edilícios. (... } 6. O reconhecimento de logradouros públicos é com-
petência municipal, em face de nítido interesse local, nos t~rn:os
do art. 30, I, da Constituição Federal. ( ... } 10. A natureza publica
ou privada de logradouro urbano não depende apenas da vonta-
de dos moradores. No momento em que o particular parcela seu
imóvel e corta vias de acesso aos diversos lotes, o sistema viário
para circulação de automóveis insere-se com.pulsoriame.nt~ na ma-
lha urbana. O que era privado torna-se parcialmente publico, uma
vez que os logradouros necessários ao trânsito dos moradores são
afetados ao uso comum do povo (art. 42, I e IV, da Lei 6.766/1979}.
11. A Municipalidade é senhora da necessidade de afetação dos lo-
gradouros ao uso público, para, então, declará-los como tal. No caso
dos autos, esse reconhecimento pelo Legislativo é evidentemente
adequado. ( ... } não se coloca, no nosso Direito, a possibilidade de
formação de comunidades imunes à ação do Poder Público e às nor-
mas urbanísticas que organizam a convivência solidária e garantem
a sustentabilidade da Cidade, para as presentes e futuras gerações.
13. Ademais, a argumentação relativa à segurança dos moradores é,
na presente demanda, desprovida de relação direta com ~ n:ed1da
impugnada. Isso porque o reconhecimento da natureza publica do
logradouro não impede, por si, que o Poder Municipal, nos l1m1tes
de sua competência, permita o fechamento de vias de acesso ou que
os moradores contratem segurança privada para o local. 14. Recurso
Ordinário não provido." (STJ, RM518107/RJ, Rei. Min. Herman Benja-
min, DJ 04/05/2011}

6. Zoneamento. A legislação municipal determina não só a divisão~~ so~o,


ou seja, seu parcelamento, como também o zoneamento das reg10es a
cidade. o zoneamento define a destinação social das áreas urbanas, fi-
xando zonas residenciais, comerciais, industriais, mistas, etc.

35
FERl'IANDA LousADA CARDoso

O zoneamento é um instrumento de intervenção do Estado na ordem


econômica e na propriedade, visando ao interesse coletivo. Os critérios
e diretrizes para definição das modalidades de uso devem ser estabele-
cidos por lei. Já a fixação das regiões e zonas poderá ser feita por meio
de decreto, visando a atender a mobilidade sócio-econômica da cidade.
A observância do zoneamento é constatada pelo exercício do poder de
polícia municipal que expede licença de funcionamento das atividades
nos estabelecimentos materializada no alvará.
O zoneamento determinará os usos conformes, desconformes e tole-
rados. O uso conforme é aquele indicado para a região onde se situa o
imóvel, gerando direito subjetivo para seu titular. O uso desconforme é
incompatível para o local, segundo definição prévia de zoneamento e, por
isso, não pode ser exercido pelo ocupante do imóvel. Caso haja insistência
pelo particular, a municipalidade pode encerrá-lo, no exercício do poder
de polícia, sem pagar qualquer indenização. É hipótese de uso desconfor-
me estabelecer uma indústria numa zona exclusivamente residencial.
~ Nesta seara, o que gera mais discussão são os usos tolerados que consis-
tem naqueles que anteriormente eram conformes e por posterior altera-
ção de zoneamento passaram a não ser a destinação ideal para a região.
Nesses casos, podem ocorrer duas situações:
a) o uso se torna desconforme, não podendo conviver com a nova vo-
- cação da região, devendo ser encerrado. Em razão de prévio direito
subjetivo do particular, haverá pagamento de indenização pelo Poder
Público em razão do encerramento da atividade;
b) o uso não é mais estimulado pelo Poder Público, mas é admitida sua
- - permanência, sem degradar a re~ião. Assim, a atividade continua, de
forma precária, mas não poderá se expandir, nem novos estabeleci-
mentos com tal destinação poderão existir no local. Em razão da fra-
gilidade da situação, o alvará expedido será de autorização e não de
licença, não gerando direito subjetivo. Na hipótese do uso tolerado
não há indenização ao particular enquanto lhe é permitida a continu-
ação do uso do imóvel.
7. Uso misto. É possível a adoção num mesmo imóvel de mais de um uso,
desde que sejam compatíveis.
É importante destacar que o zoneamento trata da destina&ão, da ativi-
dade desenvolvida no imóvel, não interferindo no aspecto físico do bem,
seja quanto à sua área ou construção. Estes elementos serão definidos
por outras áreas do urbanismo.

36
LEI DO PARCELAME!'TO LC SOLO L'IWAêlO
LEI êlO 6.766, DE !9 DE DEZEMBRO DE \979

~ Aplicação em concurso
• (Procurador do Município- Prefeitura Recife-PE/2008- FCC)
1. A divisão da cidêde em zonas de usos diferenciados tem por funda~ento a
destinação de áreas a suas vocações específicas, com base na funçao soc1al
da propriedade Jrbana.
li. o conteúdo da função social da propriedade urbana é constitucional~ente
definido, cabendo ao Plano Diretor especificar em que graus e cond1çoes os
requisitos const'tucionais serão atendidos.
lll. De acordo com 0 Estatuto da Cidade, é lícito ao Poder Público Municipal
autorizar a alteração do uso do solo em áreas específicas, mediante contra-
partida a ser prestada pelo proprietário.
a) Somente a afirmativa I está correta.
b) Somente a afirmativa li está correta.
c) Somente as afirmativas I e 11 estão corretas.
d) Somente as afirmativas I e 111 estão corretas.
e) Somente as afirmativas 11 e 111 estão corretas.
Gabarito: letn d. A afirmativa 11 está errada porque quem define a ~on­
teúdo da função social da propriedade urbana é o plano diretor e nao a
Constituição cc República.
~ Aplicação pelo STJ. ,
"PROCESSJAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO POPULAR. AUSENCIA
DE LESIV DADE MATERIAL. OFENSA À MORALIDADE ADMINISTR~TIVA.
CABIMEWO. LOTEAMENTO TIPO RESIDENCIAL. TRANSFORMAÇAO EM
TIPO MISTO. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. CERCEAMENTO DE
DEFESA. INOCORRÊNCIA. DIVERGÊNCIA ENTRE JULGADOS DO MES-
MO TR15UNAL. SÚMULA 13/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONA~~N­
TO. SÚMLLA 211/STJ. (... )no caso dos autos, verifica-se pelo h1stonc?
legislativo do Município de Bady Bassitt que o ~nteresse ~~ comu.~l­
dade local sempre foi o de proibir a construçao de hote1s, mote1s,
~· 1•. lanchonetes dançantes e similares às margens da rodovia, cons~a.n~e
l se observa às fls. 450 do acórdão recorrido. S. Compete ao MunJCipiO
legislar scbre questões atinentes a interesse local.' dentre eles, promo-
vendo 0 adequado ordenamento territonal, med1ante planeJamentoe
controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano, CUJa
populaç3<J está sujeita às limitações urbanísticas impostas pelo Poder
Público, cue, in genere, são realizadas em prol do mteresse coletlvo. 6.
sob esse enfoque o acórdão recorrido assentou: ( ... ). Resto~ e~1dent~
que a tr.ansformação do loteamento residencial para de uso m1~to f01
unicamente para atender interesses de algumas pessoas, mclus1ve de
vereadcr do Município, que ali pretendiam construir motéis. A Lei Mu-

37
FERNANDA LüUSADA CA!(LUS(

nicipal n2 1.310/97 padece de vícios, uma ·;ez que foi promulgada para
atender determinadas pessoas, deixando de ~stabelecer regras gerais,
abstratas e impessoais." fls. 451. 7. A título de argumento obter dic-
tum , registre-se, a Lei Municipal 1. 31:J/97, que alterou a destinação
do local de uso residencial, porquanto despida de interesse público,
à míngua de real vantagem para a comun dade, restou revogada seis
meses após a sua edição, consoante óe ilfere do voto-condutor do
acórdão recorrido. (... ) 13. Recurso es::Jedal parcialmente conhecido
e, nesta parte,desprovido." (STJ, REsp. 47L475/SP, Rei. Min. Luiz Fux,
DJ 06/10/2008)

-7 Aplicação pelo TJ-RJ.

"MANDADO DE SEGURANÇA. LEI INSTITUIDORA DO PROJETO DE ES-


TRUTURAÇÃO URBANA (PEU). PLANO DIRETOR DECENAL DA CIDADE
DO RIO DE JANEIRO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. INCONSTITUCIO-
NALIDADE DE LEI. DILAÇÃO PROBATÓRIA. FROCESSO COGNITIVO. AU-
SÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. /1. via mandamental não substi-
tui a ação direta de inconstitucionalidade. Ademais, impõe-se dilação
probatória para que se apure a possibilidade ou não da ocorrência
de alteração dos critérios de ocupação de solo da área da Zona Es-
pecial 5 (ZE-5) através de Lei instituidora do Projeto de Estruturação
Urbana (PEU), tendo em vista os limites impostos pelo Plano Diretor
(art. 76, Anexo 11, da Lei Complementar n2 16/92.RECURSO PROVIDO."
(TJ-RJ, AC 200800138916, Rei. Des. Francisco de Assis Pessanha, DJ
27 /04/2009)

Art. so - O Poder Público competente poderú complcmentanncntc exi-


gir, em cada loteamento, a reserva de faixa non aedijicmuli destinada a
equipamentos mbanos.
Parúgrafo único. Consideram-se urbanos os equipamentos públicos de
abastecimento de água, serviços de esgotos, energia elétrica, coletas de
águas pluviais, r·ede telefônica e gás canalizado.

1. Área Urbana. Como já dito, o que difere a área urbana da rural é a oferta
de serviços públicos que existe na primeira. Por esta razão, o solo urbano
é mais valorizado, já que recebe intenso investimento público. Nesta linha,
também se justifica uma maior intervenção do Pcder Público na ordena-
ção do espaço urbano em comparação à área rural.
-7 Aplicação em concurso
• Cespe/TJ/OFT/Cartórios/lngresso/2014
Incluem-se entre os equipamentos urbanos que de acordo com a Lei n.
6. 766/1979, constituem a infraestrutura básica dos parcelamentos os de

38
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

a) energia elétrica.
b) saúde.
A c) lazer.
d) educação.
e) cultura.
Gabarito: letra A

i Capítll!o Til '


. Do Prójeto D~.l:.otea,~ento'
' · Art. é~ ;A_Jites da' re!aboraÇio do 'pfdjà~::~tl~t~kne~~o, o·. intet:essado
deverá soUcitaf,à PrefeituraJV1uniê~P(l1:o1f~ Dj~jrit<>~~d~ral.quando for
0 caso,qu~ d:efin~ à:s diretr:izes .~arao us~:~o sol~{?-'açado ~os Io_tes~
do sistelll~J.. viário; dos espaç~s. byres ~;das ~ras reserv~das par~ eqmpa
meüto nrbano. e''conúí.J;J.í~rí.<>, ~pJ'e~.e~.!~~.P~.f:p<l,t!l·e~te f1tn> ~equenmento e
platitado iÍnóv~l Mntendo; Jido 1[\'e~~~; .. , ... ·
1

I - as divisas dâ gleb~ a ser loteaçla; · ··


II _as curvas de nível a distância ~deq11ada,.quando exigidas por lei esta-
dual ot1 111unicípal; .. .. · ·
nr- a localização dos cursos d'áglla·.~~sq?r~~ e co11s,~ç:~es ~xi~tentes;
IV- a iridicaçãodos arru;m1entos cqnit~qlJ.~,;tgçlo.9}.'1,erí,p:te!I'~, ~tlocaliza­
ção das yi!ls (je c,~m:gnipação,das áre~~Hv~~~~i,~~~ :9ü1Pap:l~)Jtos urbanos _e
comunitários, eSóstentes no local oú ell):~u!ls adJ!l<;encms, com as respecti-
vas distâncias da área a ser loteada; ·
v_ 0 tipo de uso predoínina~te a que oloteamento se destina;
Vl- as ca;acterísticas, dimensões e localização das zonas de uso contíguas.

1. Processo de loteamento. A partir deste artigo a lei se ocupa de regular o


processo de loteamento de um imóvel, pr,oc~diment.o_formal que_apre-
senta dois importantes sujeitos: o Poder Publico Mun1c1pal e o particu~ar.
É preciso que 0 proprietário decline à municipalid~de_ suas P_r~tensoes
na área e a descrição exata do imóvel para que o orgao municipal, por
sua vez, passe as informações necessárias à elaboração do PAL (~rojeto
aprovado de loteamento), como descreve o artigo seguinte da le1.

o percurso a ser trilhado pelo loteado r é a apresentação da documenta-


ção à Prefeitura para competente aprovação. Num momento postenor,
leva-se 0 projeto aprovado ao RGI para ser registrado. Somente a partir
deste momento haverá um loteamento regular.

39
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

2. Destinação do loteamento. O inciso V prevê a necessidade do projeto


de loteamento estabeleêer seu uso predominante, finalidade que não
poderá ser alterada depois. O uso deverá estar de acordo com o zoneà-
mento da região e, com base nele, será definida a dimensão dos lotes a
serem alienados.
-7 Aplicação em concurso

• CESPE- 2014- Câmara dos Deputados- Analista Legislativo


Considerando a Lei n.2 6.766/1979, que dispõe sobre o parcelamento do
solo urbano, julgue os itens subsequentes. Antes da elaboração do projeto
de loteamento, o interessado deverá solicitar à prefeitura municipal, ou ao
Distrito Fedéral, quando for o caso, a definição das diretrizes para o uso do
solo.
A afirmativa está .correta.

Art. 7o- A Prefeitura Iy1unicipal, ou o Distti.to Federal quaqdo to r o caso,


indicará, nas plantas apresentadas junto com o requerimento, de acordo
com as diretrizes de planejamento estadual e municipal:
I - as ruas ou estradas existentes ou projetada~, que compõem o sistema
viário da cidade. e d9 Município relacionadas com o loteamento pretendido
e a serem respejtadas; .
li - o traçado b~sico do sistema viário principal;
III- a localizaÇão :tproximada dos terrenos destinados a equipamento
urbano e comunitário e. das áreas livres de uso público;
IV - as faixas sanitárias do terreno necessárias ao escoamento das águas
pluviais e.as faixas não edificáveis;
V - a zona ~u zónas de uso predoininante da área, com indicação dos
usos compatíveis~ ,
Parágrafo único. As diretrizes expedidas vigorarão pelo prazo máximo de
quatro anos. (Redação dada.pela'Lei 11° 9,785, 29.1.99)

1. Integração à cidade. Para que a ocupação do solo urbano se dê ordena-


damente, é fundamental que haja a integração entre as áreas que sur-
gem e a estrutura urbana já existente, fundada basicamente na oferta de
serviços públicos. O loteador terá um ganho expressivo ao transformar
sua gleba em lotes, mas para isso deverá transferir terras à municipali- r
dade, investir na infra-estrutura e respeitar o desenho urbano já traçado
para a região.

2. Prazo. Para acompanhar as novas configurações da ordem urbana e de-


mandas sociais, o Direito Urbanístico deve ser dinâmico. Por isso, é fre-
quente a fix<'!ção de prazos de validade de documentos e de realização de

40
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI CIO 6.766. DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

atos administrativos. Nesta hipótese, caso o Município não se manifeste


dentro do prazo legal, o loteador poderá prosseguir com seu processo,
não sendo prejudicado pelas eventuais deficiências do corpo técnico ad-
ministrativo municipal.
Também em razão do dinamismo do Direito Urbanístico, não é comum
reconhecer direitos adquiridos ao particular. Õdi~Tto primeiro_~"~~..':J?!_~­
servado é o da coleti~L9..~.9.e, ,2~~5:~:ªri.9.2_<!~!!!~.!~.~!}-~~r~~s-es
p§rticulares por venttJ,ra..et"yol_yLçi~;
.,... Aplicação pelo STJ.
"ADMINISTRATIVO- RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGU-
RANÇA - REGULARIZAÇÃO DE IMÓVEL URBANO - DIREITO DE PRO-
TOCOLO- ALTERAÇÃO SUPERVENIENTE DA LEGISLAÇÃO- EFEITOS DE
AÇÃO CIVIL PÚBLICA -INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO- RECUR-
SO ORDINÁRIO IMPROVIDO. 1. CONTROVÉRSIA. Sobre a existência de
direito adquirido a regime jurídico fundado em lei revogada, quando
o suposto titular apresentara mero requerimento administrativo.( ... )
4. EFEITOS DO "DIREITO DE PROTOCOLO" NO CASO CONCRETO. Nes-
ta espécie, não há como se resguardar o "direito de protocolo", ou
seja, o direito à aplicação, durante todo o processo administrativo,
do regime jurídico existente no momento do protocolo da petição
inicial, na forma como deseja o recorrente. Precedente do STF. S. ATU-
AÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. A legislação originária, sob a qual se
fundava o protocolo do recorrente, foi escoimada de ilegal e incons-
titucionaL Esses foram os fundamentos da ação civil pública movida
pelo Ministério Público de São Paulo. A severidade dessa increpação
foi tamanha que o Município, ora recorrido, não mais deu sequência
ao procedimento do recorrente e, momentos depois, revogou os atos
normativos impugnados. Recurso ordinário improvido." (STJ, RMS
27641-SP, Rei. Min. Humberto Martins, DJ 14/10/2008).

Art. go Os Municípios com menos de cinquenta mil habitantes e aque-


les cujo plano diretor contiver diretrizes de urbanização panr a zona em
que se situe o parcelamento poderão dispensar, por lei, a fase de fixaçã~
de. diretrizes previstas nos arts. 6".e 7" desta Lei. (Redação dada pela Let
11° 9.785, 29.1.99).

1. Normas gerais. A Lei 6766/79 tem por escopo trazer normas gerais ur-
banísticas a serem utilizadas pelas municipalidades como parâmetros.
Consciente da grande diversidade entre os municípios do nosso país, a
lei, em várias passagens, afasta requisitos administrativos para a implan-
tação de loteamentos e desmembramentos em pequenas cidades, no
intuito de facilitar a rotina das administrações locais que não possuam

41
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

aparato técnico robusto para tal tarefa. No mesmo sentido, há a preocu-


pação do legislador em diminuir ao máximo o número de atos normati-
vos disciplinadores do processo de loteamento.

:'-rt. <r Orientado pcl<)traçádo c .diretrizes oficiais, quando houver; 0 pro-


Jeto, contendo desenhos, memorial descritivo e cronograma de execuÇão
~~s obras com duração máxima de quatro .anos, será apresentado à Pre-'
.feitura .J\1U.nifipal, ou,ao Distrito Federal, quando for o caso; acompanha-
do de ~ertldao atual.!Zada da matrícula da gleba, expedida pelo Cart(>rio
d? ~eg1st~:ode I~óvcis COI1Jpetente, de certidão negativa de tributos mu-
IUcipa!s e do competente instrumento de garantia, ressalvado o disposto
no§ 4o do art. 18. (Redação dada pela Lei n"9.785, 29.1.99)
§ 1o - Os desenhos conterão pelo menos:
I a subdivisão das quadras em lotes, com as respectivas dimensões e
numeração;
II -o sistema de vias com a respectiva hierarquia;
lil - as dimensões lineares e angulares do projeto, com raios, cordas, ar-
cos, ponto de tangência e ângulos centrais das vias; ·
IV - os perfis longitudinais, e transversais de todas as vias de circulação
e praças;
'!--á indicação dos marcos de alinhamento e nivelamento localizados nos
angulos de cwvas e vias projetadas;
VI - a indicação em planta e perfis de todas as linhas de escoamento das
águas pluviais.
§ zo -- O memorial descritivo deverá conter, obrigatoriamente, pelo me-
nos:
I - a descrição sucinta do loteamento, com as suas características e a
fixação da zona ou zonas de uso predominante;
Il - as condições urbanísticas do loteamento e as limitações que incidem
sobre os lotes e suas constmções, além daquelas constantes das diretrizes
fixadas;
II.I- a indicação. das áreas públicas que passarão ao domínio do Municí-
piO no ato de rcgtstro do loteamento;
IV-- a ~nu.meração dos. equipamentos urbanos, comunitários e dos ser-
:VIÇ?s ~ubhcos ou de ut!ltdade pública, já existentes no loteamento e ad-
Jacenctas.
§ 3o Caso se constate, a qualquer tempo, que a certidão da matrícula
apresentada como atual não tem mais correspondência com os reuistms
e a,ver.bações ~miorárias do tempo da sua apresentação, além das ~onsc­
quencias penms cabíveis, serão consideradas insubsistentes tanto as di-
retrizes expedidas antel'ionnentc, quanto as aprovações consequentes
(Incluído pela Lei 11° 9. 785, 29 .1.99) · .

42
LEI DO PARCELAJ\1ENTO DO SOLO URBANO-- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

1o;,. Exigências legais. O projeto de loteamento deve ser acompanhado de


outros documentos que demonstrem a regularidade fundiária e fiscal
do bem, assim como a viabilidade de implantação do projeto. Com isso,
quer-se evitar ação de grileiros, conformando o processo de urbanização
como um instrumento de verificação da adequação registra! e tributária
do imóvel. Os desenhos apresentados devem ser assinados por enge-
nheiro, exigência expressamente prevista pelo Decreto-Lei 58/37 .

2. Exceção. A exceção legal trata da hipótese em que os imóveis serão des-


tinados a parcelamento popular, estando ainda em curso processo de
desapropriação para aquisição pelo Poder Público ou seus agentes dele-
gados. Nesses casos, por evidente, o proprietário constante no registro
público não será ainda o loteador, o que justifica o tratamento diferen-
ciado da lei.

3. Divisão da terra. A gleba é primeiramente dividida em quadras e cada


quadra, em lotes. Os limites das quadras são dados pelas ruas e áreas
públicas assim definidas.

4. Alinhamento. É a divisão entre a propriedade pública e a privada. Define


até onde vai a calçada e o limite de início do lote, de domínio particular.
O alinhamento é determinado pela Prefeitura por meio do PAA (projeto
aprovado de alinhamento). Para o início de determinada construção, é
exigido o alvará de alinhamento.

Posterior alteração do alinhamento pode gerar indenização ao particu-


lar, caso haja a diminuição da área privada. Esta redução importa em ver-
dadeira desapropriação que impõe o pagamento prévio de indenização.

Caso a mudança do alinhamento gere sobras de terrenos não afetos a


serviços públicos ou circulação, estes poderão ser alienados pela muni-
cipalidade. Em regra, as sobras não alcançam a metragem mínima para
constituir o lote, o que determina o interesse em sua aquisição apenas
pelo proprietário lindeiro. A aquisição desta sobra de terreno é chamada
pela doutrina por investidura e diante da ausência de concorrência de
interesses, é hipótese de licitação dispensada, na forma do art. J 7, I. d.
Lei 8666/93.

5. Nivelamento. Consiste na correspondência de determinados pontos das


edificações com o logradouro, de modo a adequar, por exemplo, ent1·ada
e saída de veículos com postes de luz. O nivelamento visa a preservar o
acesso aos imóveis testeiros e a circulação nas vias. Quando do início de
construções, é expedido um alvará de nivelamento.

43
FERNANDA LousADA CARDoso

6. Memorial descritivo. Documento que deve ser apresentado pelo pro-


prietário do imóvel, contendo todas as restrições que incidirão no ter-
reno. Haverá restrições urbanísticas, definidas em prol da possibilidade
de moradia e circulação do terreno, conforme o plano diretor. Haverá
também restrições civis que visam a garantir aos adquirentes dos lotes a
legitimidade da propriedade transferida.

Também é possível estabelecer restrições convencionais, a critério do lo-


teador, desde que estas não contrariem as restrições legais. As restrições
convencionais devem ser levadas a registro e expressas nas escrituras de
compra e venda,de modo vincular os adquirentes e a garantir as carac-
terísticas originais do loteamento, como melhor especificado no art. 29.
~ Aplicação pelo STJ.
"CIVIL. LOTEAMENTO. LEI MUNICIPAL SUPERVENIENTE QUE, SEM DE-
TERMINAR MODIFICAÇÕES NO LOTEAMENTO ORIGINÁRIO, ADMITE
O USO DO SOLO ALtM DOS LIMITES PREVISTOS PELAS RESTRIÇÕES
CONVENCIONAIS. DIFERENÇA ENTRE ALTERAÇÃO URBANÍSTICA DITA-
DA PELO INTERESSE PÚBLICO E LICENÇA PARA CONSTRUIR NO INTE-
RESSE DO PROPRIETÁRIO. O loteador está sujeito às restrições que
impôs aos adquirentes de lotes, não podendo dar aos remanescentes
destinação diversa daquela prevista no memorial descritivo, pouco
importando que a lei municipal superveniente permita a alteração pre-
tendida; as leis urbanísticas só se sobrepõem aos ajustes particulares
quando já não toleram o status quo- hipótese de que não se trata na
espécie, onde tanto o loteamento originário quanto sua pretendida
alteração estão conformados às posturas municipais. Recurso espe-
cial não conhecido." (STJ, REsp 226858, Rei. Min. Ari Pargendler, DJ
07/08/2000).

7. Afastamento. Além da definição do domínio público e da propriedade


privada, o memorial descritivo também deverá trazer a limitação ao
exercício do direito de construir, nomeado pela doutrina de afastamen-
to. A linha do afastamento estabelece dentro do lote a área que pode-
rá ser edificada, definindo as faixas não-edificáveis laterais, frontal e de
fundos. Estas áreas se situam entre a divisa do lote e o limite máximo de
edificação.
8. Recuo. Trata-se da faixa frontal não-edificável; é a área ao longo da tes-
tada do lote privado que deve permanecer sem construção. Tal limitação
deve ser ilustrada no memorial descritivo.
O estabelecimento do recuo é realizado de forma unilateral por part-.1':
do Poder Público, não gerando indenização ao particular, já que típico

44
LEI DO I'ARCELAJ\!ENTO DO SCU URBANO LEI NO 6. 766, ;)E 19 DE DEZEMBRO DE 1979

exemplo de limitação administrativa, fixada de forma genérica. Este gra-


vame deve ser objeto d2 registro junto ao RGI do imóvel.
o projeto que fixa o recuo de determinada região não se sujeita à pres-
crição. É possível que haja alteração nas metragens de recuo. Neste caso,
as novas construções cevem observar tais limites, não se impondo às
antigas edificações a demolição das mesmas. Caso a ampliação do recuo
obstaculize a edificaçãc no lote, esvaziando economicamente aproprie-
dade, é possível a cobr3nça de indenização do Poder Público Municipal.
O recuo, apesar de livre de construções, integra a propriedade privada
e, portanto, é passível je ter sua titularidade adquirida por usucapião.

-7 Aplicação em concurso.
• OAB/RJ 33 Exame -Segunda fase.
"Tem o proprietário direito a reparação de danos em virtude da perda pa-
trimonial decorrente do recuo imposto na legislação municipal para a cons-
trução de calçadas r as vias públicas? Fundamente sua resposta."
Não. o recuo consisce em limitação administrativa e como tal é genérico e
gratuito, não ensejcndo indenização ao particular.

• MP/BA-2008.
"Se lei municipal determina, para a construção de imóveis residenciais em
determinado logradouro, que o proprietário obedeça ao recuo mínimo de
1,5m (um metro e meio) do logradouro público, assinale a alternativa cor-
reta:
a) o dispositivo é exemplo de desapropriação indireta de terreno urbano.
b) Estamos diante de imitação administrativa.
c) A faixa non aedificcndi citada é espaço de servidão administrativa.
d) Tem caráter supressivo de direito de uso, mas é não-indenizável.
e) Por ser uma delimi:ação administrativa, pressupõe a indenizabilidade."

Gabarito: letra b.

-7 Aplicação no TJ-RS

"AÇÃO DEMOLITÓRIA. MUNICfPIO DE BENTO GONÇALVES. GARAGEM


EDIFICADA SEM PROJETO E LICENÇA PARA CONSTRUÇÃO. INOBSER-
VÂNCIA DOS LIMITES DO PASSEIO PÚBLICO E DO RECUO DE AJARDI-
NAMENTO. LEIS COMPLEMENTARES MUNCIPAIS NQ OS E 06 DE 1996,
PLANO DIRETOR URBANO E CÓDIGO DE EDIFICAÇÕES. DEVER DE RE·
GULARIZAÇÃO DO IMÓVEL PELO PROPRIETÁRIO. DEMOLIÇÃO. LIMITA-
ÇÃO ADMINiSTRATIVA DO DIREITO DE CONSTRUIR. PODER DE POLfCIA.

45
FERNANDA LousADA CARDoso

Impõem-se a demolição de construção de garagem realizada com


inobservância dos limites do passeio público, bem como dos recuos
de ajardinamento, afrontando teor da legislação municipal pertinente
(Plano Diretor Urbano e Código de Edificações). Dever de regularização
do imóvel pelo proprietário com a consequente demolição. RECUR-
SO PROVIDO." (TJ-RS, AC Nº 70008134405, Rei. Des. Matilde Chabar
Maia, DJ 04/03/2005)
9. Drenagem. O projeto de loteamento deve indicar as linhas de escoa-
mento das águas pluviais, de modo a viabilizar a drenagem do solo. Com
as grandes enchentes e desastres naturais decorrentes das chuvas de
verão, a drenagem ganha cada vez mais importância dentre os serviços
públicos.

-7 Aplicação em concurso
• Cespe/TJ/DFT/Cartórios/Remoção/2014
De acordo com o disposto na Lei n. 6.766/1979, na infraestrutura básica de
parcelamento de solo urbano em zona habitaciorl31 declarada por lei zona
de interesse social, deve haver
a) escoamento de águas pluviais.
b) rede telefônica.
c) equipamentos públicos de lazer.
d) equipamentos públicos de educação.
e) gás canalizado.
Gabarito: letra A
10. Limitações de higiene e salubridade. São assim consideradas as faixas
não-edificáveis e a fixação de zoneamento do imóvel, informação que
também deve constar do memorial descritivo. As áreas livres permitem
a ventilação da região, bem como adequada iluminação natural. Já 0 zo-
neamento veda que indústrias e atividades comerciais que produzam
poluição física e/ou sonora sejam implantadas em áreas residenciais.
ll.Áreas transferidas ao Poder Público. Outr-o dado relevante a constar
do memorial descritivo são as áreas que serêo transferidas à munici-
palidade, por meio de concurso voluntário, instituto mais atentamente
comentado no art. 22 desta lei.

Capítulo IV
Do Projeto de Desmembramento
Art. 10. Para a apwvação de projeto de desmembramento, o interessado
apresentará requerimento à Prefeitura Municipal, ou ao Distrito Federal

46
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

quando for o caso, acompallluid~de ~ertidj(/;{iuai~ad~:.d~inatrícuta da


gleba, exp7cticta,pelo c.wório •a~ R~~i~~o· ct~;Imf>yeifÇ~ti!li~trxJte, res~ªr~
vaâo o di,sp,q~to p,o § 4" do art.l8;. e!~~ J>la~J~;('l~ imó;V:~i ·a;seridesllJ.embra-
do contendo.: (Redação dAda P.ela Lei n" 9:785;
,•.', ... ,,· 29.l.Q9)
"•'' .-.(" ,, '
··•'' r
I- a indicação das vias existentes e· dosloteai.nentos .prÓximos;
n - a indicação do tipo de uso predominante no local;
!1
UI - a indicação da divisão de lotes pretendida na área. r
Art.ll . .1\pÚcam-:-se ao.desmembramento, no' que couber,. as disposições
urbanísticas vigentes para ás regiões em q~ésesituém ou,.naausência
destas, as· <lisposições .urbanísticas pafâ osfoteamentos. (NR) (Redação
dada pela Lei no 9.785,.29.1.99)
Parágrafo único. O Município, ou o DistritoFedenll.quando ;for o caso,
fixará os requisitos exigíveis para a aprovação de desmembramento de
lotes decorrentes de loteamento cuja destinação da área pública tenha sido
inferior à mínima prevista no § 1o do art. 4° desta Lei.

1. Processo de desmembramento. Mais simplificado que o de loteamento,


por não gerar espaços públicos, o processo de desmembramento tem
tratamento legal sucinto. O Ente Municipal atuará mais efetivamente
nos casos enunciados no parágrafo único do art. 11 que tratam dos des-
membramentos de terrenos situados em loteamentos que não observa-
ram a regra do art. 4, §19, Lei 6766/79.

-7 Aplicação em concurso.
• Cespe/Câmara Deputados/Analista Legislativo/2014
Realiza desmembramento aquele que subdivide a gleba em lotes com a
finalidade de edificação, se tal subdivisão não implicar na abertura de no-
vas vias e logradouros públicos. O projeto de desmembramento deverá ser
apresentado junto à prefeitura municipal ou ao Distrito Federal, quando for
o caso, de modo a indicar as vias existentes, os loteamentos próximos, o
tipo de uso predominante no local e a divisão de lotes pretendida na área.
Gabarito: letra C

Capítulo V
Da Aprovação do ~rojeto
de Loteamento e Desm~~bramento .
Art. 12- O projeto de loteamento e desmenibramento deverá ser aprova-
do pela Prefeitura Municipal, ou pelo Distrito Federal.q]Jando for o caso,

47
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

a quem compete também a fixação das diretrizes a que aludem os arts. 6° e


7" desta Lei, salvo a exceção prevista no artigo seguinte.
§ 1o O projeto aprovado deverá ser executado no prazo constante elo cro-
nograma de execução, sob pena de caducidade da aprovação. (Incluído
pela Lei n° 12608, de 2012).
§ 2° Nos Municípios inseridos no cadastro nacional de municípios com
áreas suscetíveis .à ocort:ência de des,izamentos de grande impacto,
inundações bruscas ou procéssos geológiéos ou bidro16gicos correlatos,
a aprovação do projeto d~ que trata o caput ficará vinculada ao atendi-
mento dos requisitos constantes da carta geotécnica de aptidão à urbani-
zação (Vide Ld:U0 12.608, de 2012)
§ 3° É vedada a aprovação de projeto de loteamento e desmembramento
em áreas de risco definidas como não edificáveis, no plano diretor ou em
legislação dele derivada; (Incluído pela Lei n 6 12.608, de 2012)

1. Aprovação do PAL Entregue toda a documentação cabível pelo particu-


lar, cabe ao órgão municipal a aprovação do projeto. Uma vez aprovado,
a lei exige prazo para execução do projeto, sob pena de necessitar de
nova avaliação junto à Prefeitura. A limitação temporal é justificada pelo
já referido dinamismo do Direito Urbanístico.

2. Áreas de risco. A Lei 12608/2012 acrescentou parágrafos ao dispositivo,


trazendo regra específica aos municípios com áreas propícias a desaba-
mentos de grande impacto, exigindo nestes casos observância à carta
geotécnica de possibilidade de urbanização do local.

O parágrafo terceiro veda o parcelamento em áreas de risco inedificá-


veis. Tal norma se justifica vez que o parcelamento visa a ordenar a ocu-
pação do solo urbano, o que deve ser evitado nas hipóteses de áreas de
risco.
A Lei 12608/2012 foi promulgada em virtude das grandes enchentes
ocorridas no início do ano de 2011, que atingiram especialmente o Esta-
do do Rio de Janeiro.

11>- Aplicação pelo STJ.


"PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. MEDIDA CAUTELAR. EFEITO
SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PEDIDO DE
OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER ANÁLISE, APROVAÇÃO OU PERMISSÃO
DE EMPREENDIMENTOS OU OBRAS NAS ÁREAS DE QUE TRATA A LEI
MUNICIPAL N. 10.617 DE 15.09.2000. VÍCIOS FORMAIS NO PROCESSO
LEGISLATIVO. LESÃO A PADRÕES URBANÍSTICOS. ADEQUAÇÃO DA VIA

48
LEI DO PARCELAME~TO DO SOLO URBANO LEI NO 6.766. DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

ELEITA ACÓRDÃO POR MAIORIA. EXTINÇÃO DO FEITO (ART. 267, VI, DO


CPC). EMBARGOS INFRINGENTES. CABIMENTO. TERCEIRO PREJUDICA-
DO. LEGITIMIDADE.( ... ) 3. Medida Cautelar, com pedido liminar, ajui-
zada por terceiro prejudicado, objetivando atribuir efeito suspensivo a
Recurso Especial, admitido na origem (fl.280/281), interposto contra
acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em
sede de Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado
de São Paulo em face do Município de Campinas, objetivando a con-
denação do demandado à obrigação de não fazer, abstendo-se de ini-
ciar ou prosseguir a análise de qualquer projeto de empreendimento
urbano para a área inserida na Lei Municipal10.617, de 15.12.2000.
4. In casu, a legitimidade da parte, ora Requerente, na qualidade de
terceira interessada, para o ajuizamento da medida cautelar sub exa-
mine exsurge do fato que a decisão proferida nos autos ela Ação Civil
Pública, versando sobre a legalidade do início e prosseguimento de
projetos de empreendimentos urbanos na área inserida na Lei Muni-
cipal 10.617, de 15.12.2000, repercutirá no âmbito de interesses da
empresa, ora Requerente, em razão de a mesma possuir autorização
para a realização de empreendimento imobiliário na área in foco.( ... )
7. O Ministério Público Estadual, por seu turno, não pleiteou a de-
claração de inconstitucionalidade, senão formulou pedidos de efeitos
concretos calcados na premissa de que a lei local era materialmente
ato administrativo de eficácia prática. 8. O Tribunal de Justiça do Esta-
do ele São Paulo, sob esse ângulo, em sede de Embargos Infringentes,
decidiu ser cabível a Ação Civil Pública in foco. (... ) 9. Destarte, os
pedidos formulados na inicial da ação civil pública visam condenação
em obrigação de não fazer, com abstenção dos seguintes atos: (a) ini-
ciar ou prosseguir a análise de qualquer projeto de empreendimento
urbano para a área inserida na Lei Municipal 1C.617, de 15.12.2000;
(b) autorizar ou aprovar qualquer empreendimento urbano na men-
cionada área, e, inclusive, e sobretudo obras de implantação de lo-
teamentos e afins; (c) tramitação e promulgaç:ão de outras leis de
transformação de áreas rurais em urbanas, sern que sejam obedeci-
dos critérios estabelecidos nas Constituição Federal e Estadual, na Lei
Orgânica do Município; no Plano Diretor do Município e no Estatuto
da Cidade; e (d) atividades que importem em continuidade da ativi-
dade de implantação fática de empreendimentos urbanos na referida
área, procedendo, outrossim, à fiscalização da área in foco a fim de
garantir a inatividade no local. 10. O periculum in mora noticiado não
é instrumental; senão material, por isso o que pretende a parte é, em
essência, um bill of indemnity para construir, revelando a pretensão
nítida providência antecipatória-satisfativa, impassível de ser anali-
sada em sede de cautelar. Precedentes do STJ:REsp 772972/SE, PRI-
MEIRA TURMA, DJ 29/10/2007; e REsp 289925/SC, SEGUNDA TURMA,

49
FERNANDA LüUSADA CARDOSO

DJ 22/09/2003. 11. O periculum in mora in CêSU é inverso, por força


mesmo da irreversibilidade ao status quo, acaso desprovido o Recurso
Especial e concluída a obra. 12. Agravo Regimental desprovido." (STJ,
AgRg na MC 15988/SP, Rei. Min. Luiz FUX, DJ 09/02/2010)

Art. 13. Aos Estados caberá disciplinar a aprovação pelos Municípios


de loteamentos e desmembramentos nas seguintes condições: (Redação
dada pela Lei no 9.785, 29.1.99)
I - quando localizados em áreas de interesse especial, tais como as de
proteção aos mananciais ou ao patrimônio cultural, histórico, paisagístico
e arqueológico, assim definidas por legislação estadual ou federal;
n - quando o loteamento ou desmembramento localizar-se em área limí-
trofe do Município, ou que pertença a mais de um Município, nas regiões
metropolitanas ou em aglomerações urbanas, definidas L'111 lei estadual ou
federal;
III- quando o loteamento abranger área supel"ior a 1.000.000 m2 (um
milhão de metros quadrados).
Parágrafo único. No caso de loteamento ou desmembramento localizado em
á1·ea de Município integrante de região metropolitana, o exame e a anu-
ência prévia à aprovação do projeto caberão à autoridade metropolitana.
Art. 14 Os Estados definirão, por decreto, as áreas de proteção espe-
cial, previstas no inciso 1 do artigo anterior.
Art. 15 - Os Estados estabelecerão, por decreto, as normas a que de-
verão submeter-se os projetos de loteamento c desmembramento nas áreas
previstas no art. 13, observadas as disposições desta Lei.
Parágrafo único. Na regulamentação das normas previstas neste artigo,
o Estado procurará atender às exigências urbanísticas do planejamento
municipal.

1. Competência estadual. Em hipóteses previstas na lei, caberá aos es-


tados-membros disciplim;r o processo de aprovação de loteamento e
desmembramento, deve;1do sempre observar a po ítica urbanística tra-
çada pelos municípios. A transferência de competência se justifica em
empreendimentos de grande porte ou naqueles situados em locais que
demandem atenção especial.
-7 Aplicação em concurso.
• CESPE- 2014 - Câmara dos Deputados- Analista Legislativo
Considerando a Lei n.2 6.766/1979, que dispõe sobre o parcelamento do
solo urbano, julgue os itens subsequentes. Caso a área de um loteamento
pertença a dois municípios, a definição das diretrize:; para o traçado dos lo-

50
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

tese do sistema viário caberá ao município onde estiver localizada a maior


área desse loteamento.
A afirmativa está errada. Conforme prevê o art. 13, Lei 6766/79, a aprova-
ção de loteamento que abranja área de dois ou mais Municípios caberá ao
Estado.

!lo- Aplicação pelo STJ.


"PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PARCELAMENTO DO SOLO
URBANO. LOTEAMENTO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO-OCOR-
RÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DA NORMA CONTIDA NO ART. 13 DA LEI
6.766/79. ANUÊNCIA PRÉVIA DE AUTORIDADE ESTADUAL. APLICAÇÃO
DE MULTA E EMBARGO DE OBRA. AFASTAMENTO DAS PENALIDADES
IMPOSTAS COM BASE EM NORMAS DE DIREITO LOCAL. INADEQUAÇÃO
DA VIA ELEITA. ( ... )A aprovação do loteamento pelo Município, segui-
da de registro junto ao Cartório de Registro de Imóveis, produz impor-
tantes efeitos, dentre os quais o de tornar legítima a divisão e a venda
dos lotes. Ultrapassada essa etapa, não se pode mais taxar de irregular
o loteamento aprovado e devidamente registrado. ( ... ) Apesar do re-
gistro, não foi observada, na regularização do loteamento em ques-
tão, a norma inserta no art. 13 da Lei 6.766/79, que, em sua redação
original, anteriormente às alterações promovidas pela Lei 9.785/99,
conferia ao Estado a competência para examinar e anuir, previamen-
te, a aprovação, pelos Municípios, de loteamento e desmembramen-
to, quando localizados em áreas de proteção aos mananciais, assim
definidas por legislação estadual ou federal, resultando, dai, na impo-
sição das penalidades de multa e embargo de obra. ( ... )" (STJ, REsp.
300181/SP, Rei. Min. Denise Arruda, DJ 02/05/2006)

!lo- Aplicação pelo STJ.


"ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LOTEAMENTO IRREGULAR.
ÁREA DE MANANCIAIS. RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO E DO ESTA-
DO. PODER-DEVER. ARTS. 13 E 40 DA LEI N. 6.766/79. 1. As determina-
ções contidas no art. 40 da Lei n. 6.766/99 consistem num dever-poder
do Município, pois, consoante dispõe o art. 30, VIII, da Constituição da
República, compete-lhe "promover, no que couber adequado ordena-
mento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parce-
lamento e da ocupação do solo urbano". 2. Da interpretação sistemá-
tica dos arts. 13 da Lei n2 6.766/79 e 225 da CF, extrai-se necessidade
de o Estado interferir, repressiva ou preventivamente, quando o lo-
teamento for edificado em áreas tidas como de interesse especial,
tais como as de proteção aos mananciais. 3. Recurso especial provido."
(STJ, REsp. 333056/SP, Rei. Min. Castro Meira, DJ 06/02/2006)

51
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

At·t. 16- A lei municipal definirá os prazos para que um projeto de parce-
lamento apresentado seja aprovado ou rejeitado e para que as obras execu-
tadas sejam aceitas ou recusadas.(Redação dada pela Lei n° 9.785, 29.1.99)
§ I" Tr-anscorridos os prazos sem a manifestação do Poder Público, o
projeto será considerado re_jeitado ou as obras recusadas, assegurada a
tndcnizaçào por eventuais danos derivados da omissão. (Incluído pela Lei
n" l) 785, 2l) l .99)
~ 2" Nos Municípios cuja legislação for omissa. os pr·azos serão de
noventa dias para a aprovação ou rejeição e de sessenta dias para a acei-
tação ou recusa fundamentada das obras de urbanização." (Incluído pela
Lei n" 9.785, 29,.1.99)

1. limitação temporal. Nesta passagem a lei deixou de estabelecer ela pró-


pria prazos para a manifestação municipal, delegando a questão para
legislação municipal específica. A indefinição legal não afasta a respon-
sabilidade de edilidade caso a demora do Poder Público traga prejuízos
ao particular, cabendo a este indenização pelos danos gerados.
2. Disposição supletiva. Respeitando a competência municipal, a lei nacio-
nal traz a definição dos prazos a serem seguidos, na hipótese de omissão
na legislação local. As normas gerais aqui previstas são de grande valia
para os municípios que sofrem da falta de aparato técnico necessário à
produção legislativa urbanística.

Art. 17 - Os espaços livres de uso comum, as vias e praças, as áreas


destinadas a edifícios públicos e outros equipamentos urbanos, constantes
do projeto e do memorial descritivo, não poderão ter sua destinação alte-
rada pelo loteador, desde a aprovação do loteamento, salvo as hipóteses
de caducidnde da licença ou desistência do Ioteador sendo neste caso
observadas as exigências do art. 23 desta Lei. ' ' '

1. Definição do projeto. O artigo traz um dos efeitos da aprovação do pro-


jeto de loteamento: a imutabilidade unilateral de seus desenhos e das
áreas a sere:n destinadas ao uso comum. Havendo necessidade de alte-
ração no loteamento, o loteador deverá submeter o projeto a um novo
processo de aprovação do mesmo.

CAPÍTULO VI
Do Registro do Loteamento e Desmembramento
Art. 18 - Aprovado o projeto de loteamento ou de desmembrmnento,
o loteador deverá submetê-lo ao Registro Imobiliário dentro de 180
(cento e oitenta) dias, sob pena de caducidade da aprovação, acompa-
nhado dos seguintes documentos:

52
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO·- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

I - título de propriedade d:J imóvel ou certidão da matrícula, ressalvado o


disposto nos§§ 4" e S0 ; (NR) (Redação dada pela Lei n° 9.785, 29.1.99)
li-- histórico elos títulos ch.: propriedade elo imóvel. abrangendo os últimos
20 (vinte) anos, acompanhado dos respectivos comprovantes;
Ili --certidões negativas:
a) ele tributos federais, costaduais c municipais incidentes sobre o imóvel;
b) de ações reais rcfe:·er.te' ao imóvel, pelo período de 10 (dez) anos;
c) de ações penais com respeito ao crime contra o patrimônio e contra a
Administração Pública;
IV -- certidões:
a) dos Cmtórios de P:·otcstos de Títulos, em nome do loteador, pelo perío-
do de 1O (dez) anos;
b) de ações pessoais rebtivas ao lotcador, pelo período ele 10 (dez) anos;
c) de õnus reais relativos ao imóvel;
d) de ações penais contra<) loteador, pelo período de I O (dez) anos;
V-- cópia do ato ele aprovação elo loteamento e comprovante do termo de
verificação pela Prefeitura Municipal ou pelo Distrito Federal, da execução
das obras exigidas ror legislação municipal, que incluirão, no mínimo,
a execução elas vias de circulação elo loteamento, demarcação dos lotes,
quadras e logradouros e das obras de escoamento elas águas pluviais ou
da, aprovação ele um cr:mograma, com a duração máxima de quatro anos,
acompanhado ele competente instrumento ele garantia para a execução elas
obras; (Redação dada pcl<- Lei no 9.785, 29.1.99)
VI -exemplar do co:1trato-padrão ele promessa de venda, ou ele cessão ou
de promessa de cessão, elo qual constarão obrigatoriamente as indicações
previstas no art. 26 desta ·-"e i;
VII declaração do cônjt:gc elo requerente de que consente no registro do
loteamento.
§ 3° A declaração a que se refere o inciso VII deste mtigo não dispensará
o consentimento do de:larante para os atos de alienação ou promessa de
alienação ele lotes, o·,t de direitos a eles relativos, que venham a ser prati-
cados pelo seu cônjuge.
§ 4°- O título de proprittdade será dispensado quando se tratar de par-
celamento popular, d·estinado as classes de menor renda, em imóvel
declaração de utilidade pública, com processo de desapropriação ju-
dicial em curso e ímisEão provisória na posse, desde que promovido pela
União, Estados, Distrito Federal, Municípios ou suas entidades delegaclás,
autorizadas por lei a in:phntar projetos de habitação. (Incluído pela Lei n°
9.785, 29.1.99)

53
FERNANDA LOUSADA C'ARD:JSO

§.5° No caso de que trata o § 4°, o pedido de registro elo parcelamento,


além dos documentos mencionados nos incisos V c VI deste artigo, será
instruído com cópias autênticas da decisão que tenha concedido a imis-
são provisória na posse, do decreto de desapropriação, do comprovante
de sua publicação na imprensa oficial e, quando formulado por entidades
delegadas, da lei de criação e de seus atos constitutivos. (Incluído pela Lei
n" 9.785, 29.1.99)

1. Fixação de prazo. A pena de caducidade é fixada no caso do loteador


não observar o prazo legal de apresentação do projeto aprovado junto
ao RGI. Trata-se, portanto, de prazo decadencial.

O dinamismo dos centros urbanos exige dos seus agentes a brevidade na


prática dos atos que integram o processo de loteamento do solo. Ultra-
passado o prazo legal, o projeto restará caduco, sendo então possível a
alteração das áreas destinadas a espaços públicos.

Para aproveitamento do antigo projeto, deve ser solicitada a revalidação


do ato administrativo de aprovação, podendo ser exigidas novas forma-
lidades.
,.... Aplicação pelo STJ.

"DIREITO ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL.


DESAPROPRIAÇÃO. UTILIDADE PÚBLICA. IMPLANTAÇÃO. ESTAÇÃO.
TRATAMENTO DE ESGOTO. INDENIZAÇÃ.O. LOTEAMENTO. SUSPENSÃO
PROCESSUAL. PREJUDICIALIDADE. DEMANDA EXTERNA. LIMITE. PRA-
ZO ÃNUO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSENCIA. COTEJO ANALÍTICO.
SÚMULA 284/STF. VIOLAÇÃO. ART. 437 DO CPC. FALTA. PREQUESTIO-
NAMENTO. SÚMULA 211/STJ. LOTEAMENTO. IRREGULARIDADE. AU-
SÊNCIA. REGISTRO IMOBILIÁRIO. PROJETO APROVADO. IMPOSSIBILI-
DADE. CONSIDERAÇÃO. FATOR. INDENIZAÇÃO. DISTINÇÃO. ESCRITURA
PÚBLICA. COMPRA E VENDA. VIOLAÇÃO. ART. 42 DA LEI 6.766/1979.
( ... )5. Para fins de indenização decorrente de desapropriações, não se-
rão considerados como loteados ou loteáveis os terrenos ainda não
vendidos, ainda não compromissados, ou aqueles que sejam objeto
de loteamento ou desmembramento não registrado. Inteligência do
art. 42 da Lei 6. 766/1979. 6. A esse registro não é equivalente o sim-
ples contrato de parceria para estudo da viabilização do loteamento,
ainda que celebrado perante tabelião e mediante escritura pública,
pois a regra do art. 42 da Lei 6.766/1979 deve ser interpretada con-
juntamente com o restante do texto legal, de forma que a validade do
loteamento está atrelada ao registro imobiliário, no prazo de cento
e oitenta dias, do projeto de loteamento ou desmembramento de-

54
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

vidamente aprovado por órgão público municipal competente (art.


18). 7. Recurso Especial conhecido parcialmente e, nessa extensão,
provido." (STJ, REsp 877489/PR, Rei. Min. Mauro Campbell Marques,
DJ 28/02/2014)

2. Finalidade da documentação. Os documentos exigidos por lei para re-


gistro do PAL visam a evitar que se divida e transfira a terceiros imóveis
que já estejam comprometidos com dívidas ou que não pertençam ao
loteado r.

De acordo com o parágrafo segundo, apenas as condenações em ilícitos


contra o patrimônio e a administração pública impedem o registro do
loteamento. As demais condenações só obstaculizarão o registro do lo-
teamento se restar provadas que elas poderão prejudicar os adquirentes
dos lotes. A análise quanto a esta questão cabe ao oficial do registro
público.

3. Outorga uxória. Diante da natureza real do direito que será transferido,


a lei exige a outorga uxória não apenas para a o registro do loteamento,
mas também em todos os demais atos futuros de alienação.

A falta de autorização do cônjuge não inquina o ato de nulo, apenas

·~1,
possibilita ao consorte a resolução do negócio jurídico já estabelecido,
na forma prevista nos arts. 1645 e 1650, CC. O STJ não exige a notificação
do cônjuge para a constituição em mora do contratante. '

,.... Aplicação pelo STJ. \


'
"Processual civil. Civil. Contrato de compra e venda de imóvel. Res-
cisão. Nulidade. Inexistência. Mora. Notificação do cônjuge. Valor
r
do débito. Dispensabilidade. Ausência de prejuízo. ( ... ) O ato pro-
(
cessual analisado atingiu o fim colimado, cediço que não há decla-
ração de nulidade sem que haja prejuízo ao escopo do processo.- A
promessa de compra e venda gera apenas efeitos obrigacionais,
não sendo, pois, a outorga da mulher, requisito de validade do
pacto firmado. - ( ... ). Recurso especial não conhecido."(STJ, REsp.
677117/PR, Rei. Min. Nancy Andrighi, DJ 24/10/2005)

4. Loteamento legalizado. O RGI não aceita projetos que não tenham sido
aprovados pela Prefeitura. Loteamento legal é aquele que é aprovado
pela Prefeitura e levado a registro público. A aprovação de loteamento
é ato~ da municipalidade, não podendo ser substituído por ne-
nhum outro ente da federação. É possível que a União e Estados-Mem-
bros tragam preceitos a serem observados pelos municípios, mas o ato
executivo é do Ente Municipal.

55
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

Há duas modalidades de loteamentos ilegais: os irregulares e os clan-


destinos.
Os irregulares são aqueles que aprovados pela Prefeitura, não são ob-
jeto de registro público. Também são qualificados como irregulares os
loteamentos que são implantados de forma diversa daquela aprovada
pela Prefeitura e registrada no RGI.
Os loteamentos clandestinos são aqueles implantados sem nem receber
a aprovação da Prefeitura. É dever do Poder Público Municipal usar seu
poder de polícia para coibir os loteamentos ilegais, impondo a ordem
urbana em toda a cidade.
-7 Aplicação em concurso
• MPE-GO- 2012- Promotor de Justiça
Quanto ao parcelamento do solo urbano, é incorreto afirmar:
a) a infraestrutura básica dos parcelamentos é constituída pelos equipamen-
tos urbanos de escoamento das águas pluviais, iluminação pública, esgota-
mento sanitário, abastecimento de água potável, energia elétrica pública e
'>omiciliar e vias de circulação;
b) quanto à implantação da infraestrutura básica, o loteador tem duas op-
ções: 1) iniciar a execução das obras e concluí-las antes da comercialização
dos lotes; ou, 2) apresentar um cronograma de implantação de infraestru-
tura básica, com a duração máxima de quatro anos, acompanhado de com-
petente instrumento de garantia para a execução das obras;
c) de acordo com a Lei 6.766/1979, a diferença básica entre loteamento e
desmembramento é que, neste, aproveita-se o sistema viário existente,
não ocorrendo abertura de novas vias e logradouros públicos, nem no pro-
longamento, modificação ou ampliação dos já existentes;
d) loteamento clandestino é aquele que possui aprovação do Poder Público,
registrado ou não, mas que o loteador não providenciou sua execução ou a
execução se deu em desconformidade com o ato de aprovação ou as nor-
mas aplicáveis. O loteamento é irregular quando não possui a aprovação do
poder público e/ou o registro no Cartório de Registro de Imóveis compe-
tente, resultando inviabilizada a matrícula e individualização dos respecti-
vos lotes.
Gabarito: letra D

• MP-RJ- XXXII Concurso- Prova Preliminar- 2011


"As Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva do Estado do Rio de Janeiro
possuem diversos inquéritos civis públicos apurando a existência de lote-
amentos irregulares e clandestinos. Sobre o tema, é correto afirmar que:

56
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO . . . LEI NO 6.766, PE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

a) o parcelamento de solo urbano clandestino é aquele que teve o seu projeto


urbanístico aprovado pelo Município, porém, após ou mesmo antes de sua
inscrição no ofício predial (registro de imóveis), é executado de maneira
diversa do estatuído no seu projeto;

b) o parcelamento de solo urbano irregular é aquele não aprovado pelo Mu-


nicípio, seja porque não foi submetido à aprov0ção, seja porque foi subme-
tido, mas a autorização foi negada;

c) o desmembramento é a subdivisão ela gleba em lotes destinados à edifica-


ção, com aproveitamento do sistema viário existente, desde que não impli-
que a abertura ele novas vias e logradouros públicos, nem prolongamento,
modificação ou ampliação elos já existentes;

cl) o loteamento é uma forma de realização elo parcelamento do solo urbano,


em conformidade com o previsto na Lei nQ 6 . 766/79 . O desmembramento,
apesar de preconizado no citado ato normativo, não é considerado pela lei
uma forma de parcelamento do solo urbano;

e) os requisitos necessários para a implantação de um loteamento em área


urbana são o seu registro no ofício predial competente (registro de imó-
veis) e a sua realização fora de áreas de preservação permanente."

Gabarito: letra C

• MP/G0-2005 .
"o loteamento é considerado clandestino quando regularmente aprovado
pelo poder público e registrado perante o Cartório de Registro de Imóveis,
não implementa as obras de infra-estrutura básica e os equipamentos ur-
banos no prazo definido no projeto original."

A afirmativa está errada. O loteamento clandestino é aquele que não foi


aprovado pela Prefeitura.

• DP/PA- 2006 .
"Na sua essência, favelas são assentamentos humanos precários que resul-
tam, originalmente, da invasão de áreas urbanas privadas e públicas. Em
termos jurídicos, o que distingue as favelas das outras formas de ocupação
precária da terra urbana, comuns no Brasil, como, por exemplo, os chama-
dos loteamentos "clandestinos" ou "irregulares", é, basicamente, o fato de
que os favelados- pelo menos no momento da ocupação original da terra
-não têm qualquer titulo ele posse ou propriedade."

A afirmativa está errada. A favela é uma espécie de loteamento ilegal, po-


dendo ser clandestino ou irregular, conforme o caso concreto.

57
FERNANDA LousADA CARnoso

..,... Aplicação pelo STJ.

"PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. AMBIENTAL. LOTEA-


MENTO CLANDESTINO. NÃO OBSERVÃNCIA AOS REQUISITOS DA LEI
6.766/1979. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTJI.ÇÃO. SÚMULA 284/STF.
REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚ-
MULA 7/STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal !oca! consignou que "em-
bora a ré sinalizasse um condomínio especial horizontal de casas ao
abrigo da Lei no 4.591/64, portanto sinalizava empreender um con-
domínio deitado, isso era apenas virtual, r:orque na realidade pre-
tendia e empreendeu um loteamento irregular" (fl. 2488, e-STJ). ( ... ).
3. Ademais, ao apreciar o pleito, o Tribunêl de origem afirmou, com
base no contexto fático-probatório dos autcs, que: a) a documentação
e a situação fática apontam de forma inequ:voca para a implantação
de loteamento clandestino; b) os documentos e provas trazidos aos
autos são conclusivos ao indicar a tentativa de burla às cautelas da
Lei 6.766/1979; c) as exigências da Lei 4.591/1964 não foram atendi-
das; d) só havia uma proprietária da área, o que afasta a tese de con-
domínio ou co-propriedade; e, finalmente, e) embora a ré sinalizasse
um condomínio especial horizontal de abrigcs, isso era apenas virtual,
porque, na realidade, pretendia e empreendeu um loteamento irregu-
lar. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas,
obstado pelo teor da Súmula 7/STJ. Precedentes. 4. Agravo Regimental
não provido." (STJ, AgRg no AREsp 273897 I SP, Rei. Min. Herman Ben-
jamin, DJ 27/11/2014)
"ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. P.li.RCELAMENTO DE SOLO.
MUNICÍPIO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 1. O Município, em se tratando de
Ação Civil Pública para obrigar o proprietário de imóvel a regularizar
parcelamento do solo, em face do modo clandestino como o mesmo
ocorreu, sem ter sido repelido pela fiscaliza·;ão municipal, é parte le-
gítima para figurar no pólo passivo da demanda. 2. O Município tem
o poder-dever de agir para que loteamento urbano irregular passe a
atender o regulamento específico para a sua constituição. 3. O exer-
cício dessa atividade é vinculada. 4. Recurso provido para que o Mu-
nicípio, conforme chamamento feito na inicial pelo Ministério Público,
autor da ação, figure no pólo passivo da demanda." (STJ, REsp 194732,
Rei. Min. José Delgado, DJ 21/06/1999)

Aplicação pelo STJ.

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇP.O CIVIL PÚBLICA. LOTEA-


MENTO CLANDESTINO. AQUISIÇÃO DE LOTES IRREGULARES. PEDIDO
DE INDENIZAÇÃO EM PROL DOS ADQUIRENTES FEITO PELO MINIS-
TÉRIO PÚBLICO NO ÂMBITO DA AÇÃO CIVlL PÚBLICA. LEGITIMIDADE
ATIVA. 1. O Ministério Público possui legitimidade para, no âmbito
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

de ação civil pública em que se discute a execução de parcelamento


de solo urbano com alienação de lotes sem aprovação de órgãos pú-
blicos competentes, formular pedido de indenização em prol daque-
les que adquiriram os lotes irregulares. E isso por três motivos prin-
cipais. 2. Em primeiro lugar, porque os arts. 12, inc. VI, e 52, inc. I,
da Lei n. 7.347/8S lhe conferem tal prerrogativa. 3. Em segundo lugar
porque, ainda que os direitos em discussão, no que tange ao pedido
de indenização, sejam individuais homogêneos, a verdade é que tais
direitos, no caso, transbordam o caráter puramente patrimonial, na
medida que estão em jogo a moradia, a saúde e o saneamento bá-
sico dos adquirentes e, além disso, valores estéticos, ambientais e
paisagísticos- para dizer o mínimo- do Município (art. 12, inc. IV, da
Lei n. 7.347/85). Aplicação, com adaptações, do decido por esta Corte
Superior na IF 92/MT, Rei. Min. Fernando Gonçalves, Corte Especial,
j. 5.8.2009. 4. Em terceiro e último lugar, porque os adquirentes, na
espécie, revestem-se da qualidade de consumidor- arts. 81, p. C:m .
inc. 111, e 82, inc. I, do CDC. S. Recurso especial provido." (STJ, 1\el. Min.
Mauro Campbell Marques, REsp 743678, DJ 28/09/2009)

S. Efeitos do registro do PAL. O processo de loteamento do solo urbano


tem dois grandes momentos: o de aprovação pela Prefeitura e o de re-
gistro junto ao Ofício de Imóveis competente. Com a conclusão dos re-
gistros, os lotes já poderão ser regularmente negociados.

Já se referiu também ser efeito do registro do loteamento a impossibi-


lidade de sua mudança de modo unilateral, precisando, para tanto, da
concordância das partes interessadas. Além disso, as áreas destinadas à
afetação pública, já referidas no art. 4, I, têm sua propriedade transferi-
da com o registro, como melhor especificado no art. 22.

~ Aplicação pelo STJ.

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO - LEGITIMIDADE DO MINIS-


TÉRIO PÚBLICO - AUSÊNCIA DE INTERESSE EM RECORRER - LOTEA-
MENTO - PARCELAMENTO DO SOLO - REGULARIZAÇÃO - CASAS
POPULARES- REGISTRO IMOBILIÁRIO -INCIDÊNCIA DA LEI 6.766/79-
PRECEDENTE.- Reconhecida a legitimidade do Ministério Público pelo
acórdão recorrido, falece interesse ao órgão ministerial para recorrer
quanto ao tema. -A Lei 6.766/79 disciplinadora dos parcelamentos
do solo não distingue aqueles destinados à indústria, ao comércio, às
residências de luxo ou às casas populares, homenageando sempre os
valores urbanísticos e ecológicos. - O registro imobiliário regulado
pelo art. 18 da Lei 6.766/79 é necessário para a segurança dos imó-
veis adquiridos. - Recurso especial conhecido e provido." (STJ, REsp
247261/SP, Rei. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 16/06/2003) I
!,

59
J.
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

~ Aplicação em concurso.

• MPE/R0-2008- CESPE
"Julgue os itens subsequentes, de acordo com o previsto na Lei Federal de
Parcelamento de Solo Urbano (Lei n.2 6.766/1979).
I. Mesmo depois de registrado, um loteamento pode, em alguns casos, ser
cancelado.
11. Ao contrário do que ocorre no loteamento, no desmembramento, a subdi-
visão da gleba se realiza sem que haja necessidade de abertura de novas
vias de circulação, de logradouros públicos ou de prolongamento, amplia-
ção ou modificação das vias já existentes; além disso, há a possibilidade de
a área mínima dos lotes, no desmembramento, ser inferior à dos lotes de
um loteamento.
111. Desde a data de registro do loteamento, passam a integrar o domínio do
município as vias e praças, os espaços livres e as áreas destinadas a edifí-
CIOs públicos e outros equipamentos urbanos, constantes do projeto e do
memorial descritivo.
iV Aprovado o loteamento pelo poder público, com a expedição do ato admi-
nistrativo ele licença, tem o loteador o prazo de 180 dias para registro do
mesmo, sob pena de pagamento de multa diária.
V. Se o loteador integrar grupo econômico ou financeiro, qualquer pessoa fí-
sica ou jurídica desse grupo, beneficiária de qualquer forma de loteamento
ou desmembramento irregular, será subsidiariamente responsável pelos
eventuais prejuízos causados pelo loteaclor aos compradores de lotes e ao
poder público.
Estão certos apenas os itens
a) I e 111.
b) I e V.
c) 11 e IV.
d) 11 e V.
e) 111 e IV."
Gabarito: letra a. A afirmativa 11 está errada porque também no desmem-
bramento o lote mínimo deve obedecer aos ditames legais. A afirmativa IV
está errada porque a pena para a decurso do prazo é de caducidade e não
de multa. A afirmativa V está equivocada porque a responsabilidade é do
loteador; pessoa física ou jurldica, não do grupo empresarial.

6. Desapropriação. Quando o terreno a ser loteado está sendo objeto de


ação judicial de desapropriação, a lei dispensa os documentos relativos
à propriedade e exige outros referentes ao processo judicial. Os disposi-
tivos se referem especificamente às desapropriações judiciais, já que nas

60
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBA!'-:0 LEI NO 6.766, DE \9 DE DEZEMBRO DE \979

amigáveis a transferência da propriedade se dá anteriormente ao lotea-


mento, cabendo, assim, a exigência ordinária das certidões referentes à
ti tu la ridade.

..,_ Aplicação pelo STJ.

"CIVIL. LOTEAMENTO. CLÁUSULA CONTRATUAL QUE ATRIBUI AOS AD-


QUIRENTES O CUSTEIO DA REDE DE ÁGU.A. POTÁVEL. VALIDADE. LEI N.
6.766/79, ARTS. 18, V, E 26. EXEGESE. I. Não constando dos preceitos
da Lei n. 6. 766/79 vedação a que as despesas de implantação de rede
de água potável em loteamento sejam custeadas pelos adquirentes
dos lotes, em havendo previsão contratual originária e vinculante nes-
se sentido, aqui existente, é procedente a ação de cobrança intentada
pela empresa empreendedora contra os compradores inadimplen-
tes com tal obrigação. 11. Recurso especial conhecido e provido." (STJ,
REsp. 191907/SP, Rei. Min. Aldir Passarinho, DJ 25/05/2004)

Art. 19 - Examinada a documentação e encontrada em ordem, o oficial do


registro de imóveis encaminhará comunicação à Prefeitura e fará publicar,
em resumo c com pequeno desenho ele localização da área, edital do pedi-
do de registro em 3 (três) dias consecutivos, podendo este ser impugnado no
prazo de 15 (quinze) dias contados da data ela última publicação.
§ 1o- Findo o prazo sem impugnação, será feito imediatamente o registro. Se
houver impugnação de terceiros, o oficial elo registro ele imóveis intimará
o requerente c a Prefeitura Municipal, ou o Distrito Federal quando for o
caso, para que sobre ela se manifestem no prazo ele 5 (cinco) dias, sob pena
ele arquivamento elo processo. Com tais manifestações o processo será en-
viado ao juiz competente para decisão.
§ zo- Ouvido o Ministério Público no prazo ele 5 (cinco) dias, o juiz
decidirá de plano ou após instrução sumária, devendo remeter ao inte-
ressado as vias ordinárias caso a matéria exija maior indagação.
§ 3" - Nas capitais, a publicação elo edital se üm1 no Diário Oficial elo
Estado e num elos jornais ele circulação diária. Nos demais Municípios,
a publicação se fará apenas num dos jornais locais, se houver, ou, não
havendo, em jornal ela região.
§ 4° O oficial do registro ele imóveis que efetuar o registro em desa-
COl'ciOcom as exigências desta Lei ficará sujeito a multa equivalente a
I O (dez) vezes os emoiumentos regimentais fixados para o registro, na
época em que for aplicada a penalidade pelo juiz corregedor do cartório,
sem prejuízo elas sanções penais e administrativas cabíveis.
§ 5°- Registrado o loteamento, o oficial de registro comunicará, por
certidão, o seu rcgish·o à Prefeitura.

61
FmNANDA LousADA CARDoso

1. Impugnação judicial. A doutrina indica que a oposição apresentada por


terce,iro deve se fundar em direito real, havendo prova segura do alega-
do. Também se admite oposição pautada na defesa do patrimônio pú-
blico e do meio ambiente. Neste caso, a questão será dirimida no juízo
cível ou ainda no de registros públicos, nas comarcas que tenham esta
especialização. A publicidade do registro do PAL se dá em razão dos efei-
tos erga omnes próprios dos registros públicos.

2. Responsabilidade do oficial. O parágrafo quarto prevê a responsabili-


dade do oficial de registms públicos que promover o ato de registro dos
loteamentos que não observem as normas urbanísticas fixadas pelo Ente
Municipal.

.,... Aplicação pelo STJ.

"CIVIL. VENDA DE FRAÇÃO IDEAL DE TERRAS, PARA TRANSFERIR LOTE


CERTO E DETERMINADO, SEIVl O REGULAR PARCELAMENTO DO SOLO.
IIVlPOSSIBILIDADE. A venda de fração ideal de terras parceladas irre-
gularmente não pode ser objeto de registro imobiliário, porque frau-
da a legislação específica; o Juiz que proíbe o registro desses negócios,
sem a prévia oitiva do proprietário, não fere a garantia do contraditó-
rio, porque só ordenou o que o Oficial do Cartório já estava obrigado a
fazer. Recurso ordinário não provido." (STJ, RIVlS 9876/SP, Rei. IVlin. Ari
Pargendler, DJ 18/10/1999}.

Art. 20 O registro do loteamento será feito, por extrato, no livro pró-


prio.
Parágrafo único. No Registro de Imóveis far-se-á o registro do loteamento,
com uma indicação para cada lote, a averbação das alterações, a abertura
de ruas c praças c as áreas destinadas a espaços livres ou a equipamentos
urbanos.

1. Registro do PAL. Haverá um registro próprio para o projeto de loteamento


e a partir dele poderão ser estabelecidas matrículas imobiliárias específi-
cas para cada lote a ser alienado. Pelo registro do PAL será possível verifi-
car as áreas indicadas para destinação pública, as ruas e os espaços livres.
As áreas públicas em geral não constituem lotes, são áreas definidas
pelo PAL. Só serão lotes com matrícula, tal como ocorre na propriedade
privada, quando sua aquisição pelo Poder Público se der em momento
posterior ao loteamento, seja por meio de desapropriação ou de compra
e venda ordinária.

62
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

2. Fiscalização. Realizado o registro do loteamento, o oficial do registro de-


verá enviar uma certidão à Prefeitura, de modo a viabilizar a fiscalização
do órgão público na implantação do parcelamento.
3. Incorporações imobiliárias. As incorporações consistem nos condo-
mínios em edifícios. Para que haja a regular alienação das unidades,
o incorporador deverá arquivar no registro de imóveis os documentos
previstos no art. 32, Lei 4591/64, dentre eles a incorporação do empre-
endimento.

Art. 21 -Quando a área loteada estiver situada em mais de uma cir-


cunscrição imobiliária, o registro será requerido primeiramente perante
aquela em que estiver localizada a. maior parte da área ·loteada. Pro-
cedido o registro nessa circunscrição, o interessado requererá, sucessiva-
mente, o. registro ~Qloteanle~to e1n e~9a~~~plasdeJ!1ais, c~mprovan~
do perante caga qual• o registr~ efetuado. ~:'1 ~J:trior, ;1té que o loteamento
seja registradoe~todas.Denegado o rttgistr? em qu~lqtier,â;1s círcunscri-
ções, essa ~~çisão.será com~nicada, pelo ofici.~l dl) registro de imóveis,
às demais para efeito de cancelamento dos registros féitos 1 salvo se ocorrer
a hipótese prevista no § 4° deste artigo. · · · · · ·
§ 1o - Nenhum lote poderá situar-se c~ mai~ Qj! uma. circunscrição.
§ 2? -É defeso a() interessado processar sifu..ultaneamente, perante dife-
rentes circunscrições, pedidos de registro do mesmo loteamento, sendo
nulos os atos praticados com infração a .esta norma.
§ 3°- Enquanto nã.o procedidos todo.s os regi~tro~ de qlJe trata este artigo,
considerar-se-á o loteamento como não registrado para os efeitos desta
Lei.
§ 4°- O indeferimento do registro do loteamento em uma Circunscri-
ção não determinará o cancelamento do registro proc.edido em outra,
se o motivo do indeferimento naquela não se estender à área situada
sob a competência desta, e .desde que o interessado requeira a manu-
tenção do registro obtido, submetido o remanescente do loteamento
a uma aprovação prévia perante a Prefeitura Municipal, ou o Distrito
Federal quando for o caso.

1. Loteamento intermunicipal. O artigo regula o processo de registro de


loteamento que abranja mais de um município. Cabe ao loteador buscar
o registro no município onde se localiza a maior parte do empreendi-
mento, regularizando do maior para o menor, respeitando esta ordem
sucessiva. A simultaneidade de registros é punida pela lei com nulidade
dos atos assim praticados. Apenas após o último registro, o loteamento
estará regularizado. I
63
.!
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

O loteamento pode ser intermunicipal, J.á o lote,


semp não, este se situará
re em apenas um município.

Art. 22 - Desde a data de registro d I


o domínio do Munidpio as • . ... . . o oteamento, passam a integrar
destinadas a. ediffdos .púb.li;;_vJas e ptraças, os espaços, livres e as áre.as
...os e ou ros equipamentos b '
tes do projeto e do memorial descritivo. . . ur anos, constan-
Parágrafo único. Na hipótese de ar I .
registrado, o Município oderf rece amento do s~lo Implantado c não
planta de parcelamento el;borad juerer, por mew da apresentação de
cípio e de deé~~ra:ção de que ·. a pe ~ oteador ou aprovada pelo Muni-
registro das áréas destinad.ás ~ ~~:ce ~m~nto se encontra implantado, o
integrar o seu domínio (Incluído l pLu~hco, que passarão dessa forma a
' • pe a e1 llo 12.424, de 2011)
1. Concurso voluntário. Assim é cha d , .
nadas a logradouro público ao m~ .a. a transferencla de áreas desti-
doação legal. O dispositivo defin:Unlclplo. A ~outrina ta~bém fala em
incorporação de áreas ao patrim, ~m d'obsl. efe~tos do registro do PAL. A
d onlo pu lco e um dos r .. t ..
os pela lei para aprovar o loteamento. . equlsl os exigi-

O ato translativo de domínio é o registro do - ,


cie. A transferência, portanto, indePende d ~L le nao ~~ _area em espé-
cr-ição. Sendo tais áreas de n t e u o aquiSitivo e de trans-
a ureza pública sobre I - .
haver usucapião. ' e as nao e possível

~ Aplicação pelo STJ.

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL

~~~,E~~~:zo~L~~~~:R~I·o~!S~EC~~~~~~-A~~~N;:~CRE~~~~E~.E :R~~~~
JURISPRUDENCIAL. NÃO CARA~~~~~~:~-OCORRtNCIA. DIVERGtNCIA
a questão cinge-se em saber se , d' AO .. (... ) 2. Quanto ao mérito,
registro imobiliário para a com ;ov~spã:n~avel o~ não .a inscrição no
cujo loteamento foi aprovado peio Poder Pú~li~:aJ~e~ ppub.~co
da área
entendimento no sentido de . · ac1 co no STJ 0
cartório imobiliário inco que, mdepende.n:emente do registro em
as destinadas ao us~ co,:~~ram-~e ao ~~mmro do Município as áre-
mento. Precedentes ' sen o suficr~nte a aprovação do lotea-
e, nessa extensão, n~~·~~o:i::.c~;J~ ~~~=~~~~;;ci;~mente conhecido
Campbell Marques, DJ 15/10/2010) I ' Rei. Mm. Mauro
2. Loteamentos ilegais. O pará r f , . .
possibilita o registro das áre~sa do ~~c~ acrescido pela Lei 12424/2011
municipalidade, mesmo que inse~~ na asl ao uso com_um em favor da
' as em oteamentos Ilegais. Para tan-
64
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO-- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

to, basta apresentar ao Oficio de RGI a planta aprovada do loteamento e


declaração de que o mesmo já se encontra implantado.

Tal providência viabi.iza a propriedade municipal dessas áreas, legiti-


mando o investimento de verba pública no local. O registro em favor
do Poder Público possibilita a atuação estatal sem a caracterização de
desapropriação indireta, muitas vezes alegada pelo proprietário do lo-
teamento ilegal.

~ Aplicação pelo SlJ.

"PROCESSUAL CIVIL LOTEAMENTO CLANDESTINO. ADQUIRENTES


POSSUIDORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LITISCONSÓRCIO
PASSIVO. 1. Trata-se, na origem remota, de Ação Civil Pública movida
contra loteaaores e representantes de vendas, sob o fundamento de
implantação de loteamento não registrado (clandestino). 2. No dano
ambiental e urbanístico, a regra geral é a do litisconsórcio facultativo.
Segundo a jurisprudência do STJ, nesse campo a "responsabilidade
(objetiva) é solidária" (REsp 604.725/PR, Rei. Ministro Castro Meira,
Segunda Turma, DJ 22.8.2005, p. 202); logo, mesmo havendo "múlti-
plos agentes poluidores, não existe obrigatoriedade na formação do
litisconsórcio", abrindo-se ao autor a possibilidade de "demandar de
qualquer um deles, isoladamente ou em conjunto, pelo todo" (REsp
880.160/RJ, Rei. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma,
DJe 27.5.2010) .... 4. A Segunda Turma do STJ, com a composição atual,
em julgame'1to unânime e em relação ao mesmo loteamento ora em
questão, assim já se posicionou: "Na ação civil pública de reparação
a danos cortra o meio ambiente os empreendedores de loteamento
em área de preservação ambiental, bem como os adquirentes de lo-
tes e seus ocupantes que, em tese, tenham promovido degradação
ambiental, formam litisconsórcio passivo necessário" (REsp 901.422/
SP, Rei. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 14.12.2009, gri-
fo acrescentado). 5. No citado precedente, acrescentou a eminente
Relatora, IV inistra Eliana Calmon, em seu Voto: "Ora, como julgar a
validade do parcelamento e as alterações empreendidas no meio
ambiente unicamente com relação aos empreendedores, excluin-
do os adquirentes e ocupantes que também possam ou já tenham
realizado alterações no bioma protegido pelas normas ambientais?
De fato, a tutela do meio ambiente, como direito difuso, pressupõe
a máxima concentração de medidas para que sua eficácia seja ótima,
revelando-se a ação civil pública como instrumento concretiza dor des-
sa máxima efetividade da reparação e precaução do meio ambiente"
(REsp 901.422/SP, Segunda Turma, DJe 14.12.2009} ..... 7. Embargos
de Declara;ão rejeitados." (STJ, EDcl no REsp 843978/SP, Rei. Min. Her-
man Benjarrin, DJ 26/06/2013)

65
FERNANDA LoUSADA CARDOSO

3. Norma procedimental. A Lei 6015/76, reguladora da atividade notarial,


foi alterada pela Lei 12424/2011 que lhe acrescentou o art. 195-A. O
dispositivo, em consonância com o art. 22, pu aqui comentado elenca
os requisitos necessários para a obtenção do registro de propriedade
pública.
-r> Nesta hipótese, há a dispensa do contrato de doação firmado entre o
loteador e a edilidade. O terreno incorporado ao patrimônio público terá
matrícula própria, distinguindo seu registro das áreas públicas decorren-
tes de loteamentos formais. A lei avança no sentido de regularizar espa-
ços efetivamente utilizados pela coletividade, devendo, por isso, serem
titularizados pelo Poder Público Municipal.
..,._ Aplicação pelo STJ.
,
"PARCELAMENTO DO SOLO. Retificação. Não cabe ação de retificação
de registro, prevista nos arts. 212 e 213 da Lei dos Registros Públicos,
para alterar parcelamento do solo sem aprovação do Município, com
incorporação de área destinada ao arruamento. Arts. 19 e 39 do Dec-
·lei 58/37; 22 e 28 da Lei 6766/79. Recurso conhecido e provido." (STJ,
REsp 468252, Rei. Min. Ruy Rosado Aguiar, DJ 24/03/2003)

..... Aplicação pelo STJ.


"PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO DECLARATÓRIA MO-
VIDA POR PARTICULARES CONTRA MUNICÍPIO OBJETIVANDO A DE-
CLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL
ENTRE AS PARTES EM LITÍGIO OU DECLARAÇÃO DE ILEGALIDADE DA
EXIGÊNCIA DE DEMOLIÇÃO DO PRÉDIO CONSTRUÍDO EM TERRENO
DO QUAL O MUNICÍPIO SE DIZ PROPRIETÁRIO. DISPENSA DE REGIS-
TRO NO REGISTRO IMOBILIÁRIO DOS BENS DE USO COMUM DO POVO.
EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. CONTRATO DE PERMISSÃO DE
USO. BEM AFETADO AO DOMÍNIO PÚBLICO. REEXAME DO CONJUN-
TO-FÁTICO PROBATÓRIO. ANÁLISE DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚ-
MULA N.9S 05 E 07 DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DE-
MONSTRADA. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF.
( ... ) 3. Hipótese em que a questio iuris- extensão da permissão de uso
e seus consectários- foi solucionada pelo Tribunal a quo, à luz da aná-
lise de documentos colacionados aos autos, notadamente certidões
de registro imobiliário e contrato de permissão de uso celebrado pelas
partes, consoante se conclui de excerto do voto-condutor do acórdão
hostilizado às fls. 177/179: "( ... ) Como demonstram os documentos
juntados (certidões imobiliárias contidas às fls. 132/140), desde a par-
tilha de bens de Henrique Cantergiani, na década de trinta, o espaço
ora em litígio destinou-se à abertura de passagem que ora se denomi-
na Rua Irmã Valiera. As transcrições imobiliárias datadas de 13.10.45 a

66
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

30.10.58 todas informam, quando descrevem os lotes, que os mesmos


confrontavam com o prolongamento de uma passagem que é a 1\ua
Irmã Valiera. ( ... ) Assim, diante do exposto pelos herdeiros de Henri-
que Cantergiani, a via pública prevista no loteamento restou afetada
ao domínio público, razão pela qual não havia necessidade do re-
gistro imobiliário, não podendo, via de consequência, ser construí-
do nenhum prédio sobre tal terreno. Estando os autores/apelantes
cientes dos fatos referidos, a construção feita mostra-se apropriação
de área pública, uma vez que omitidas do Município tais informa-
ções quando do pedido de licença para construir. ( ... ) 9. Recurso es-
pecial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido."(STJ, REsp
746487 /RS, Rei. Min. Luiz Fux, DJ 11/09/2008)

~ Aplicação pelo STJ.

"RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. LOTEA-


MENTO. APROVAÇÃO. ÁREA DESTINADA A UMA PRAÇA. TRANSMIS-
SÃO AO DOMÍNIO PÚBLICO. DOCUMENTO ESPECÍFICO DE DOAÇÃO.
IRRELEVÃNCIA. DECRETO-LEI Nº 58/1937. PRECEDENTES DO STF E DO
STJ. POSTERIOR PERMUTA. AUS~NCIA DE COMPROVAÇÃO. SÚMULA
7 /STJ. 1. Cuida-se de ação de desapropriação indireta proposta por
herdeiros do autor do loteamento contra a municipalidade, buscan-
do indenização decorrente de alegado esbulho praticado pelo Poder
Público em áreas que, inicialmente destinadás à efetivação de uma
praça, conforme o projeto aprovado em 1959, teriam sido objeto de
posterior permuta por outros lotes mediante "acordo de cavalheiros"
entre o falecido e os Prefeitos que se sucederam na administração da
municipalidade. 2. A aprovação de loteamento pela Administração
Pública transfere, automaticamente, os bens destinados ao uso co-
mum ou ao uso especial da municipalidade para_ o domínio público,
independente de registro. Precedentes do STF e do STJ. 3. Consideran-
do que a transferência ao domínio público dos bens destinados ao uso
comum (uma praça) se deu com a aprovação do loteamento, em 1959,
cabia aos autores provar que os lotes 49 e 63 voltaram ao patrimônio
privado (fato constitutivo do direito) mediante as permutas que teriam
sido efetuadas pelo alegado "acordo de cavalheiros", em decorrência
das quais a municipalidade teria recebido outros lotes, tudo na forma
do art. 333, I, do Código de Processo Civil.( ... ). 5. Transferidos os lotes
ao domínio público já em 1959 e não comprovado que tais bens vol-
taram à propriedade particular mediante permutas, a ação de desa-
propriação indireta não pode ser julgada procedente, pois é inviável
a indenização a quem não é proprietário. 6. Recurso especial não pro-
vido." (STJ, REsp 1137710/PR, Rei. Min. Castro Meira, DJ 21/06/2013) 11
i
}
67 ! 1~1;
jJ
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

~ Aplicação em concurso.
• Cespe/TCE/PB/Procurador/2014
Acerca do regramento legal sobre o parcelamento do solo para fins urba-
nos, conforme a Lei n. 6. 766/1979, assinale a opção correta.
a) Como regra geral, a infraestrutura mínima com a qual deve contar qualquer
parcelamento do solo urbano restringe-se à existência de rede de abaste-
cimento de água potável e de esgotamento sanitário, bem como energia
elétrica domiciliar.
b) A partir do registro do loteamento, passam a integrar o domínio do municí-
e
pio as vias praças, os espaços livres e as áreas destinadas a edifícios públi-
cos e outros equipamentos urbanos constantes do projeto e do memorial
descritivo.
c) Será admitido o parcelamento do solo para fins urbanos apenas em zonas
urbanas ou de urbanização específica, e que assim forem definidas pelo
plano diretor.
d) o registro de loteamento poderá ser cancelado mediante requerimento
do loteador, desde que conte com anuência da prefeitura e tenham sido
comercializados no máximo 10% dos lotes, garantido aos compradores o
direito à indenização.
e) Tanto o loteamento quanto o desmembramento consistem na subdivisão
·de gleba em lotes destinados à edificação, admitindo-se, em ambas as mo-
dalidades de parcelamento do solo urbano indicadas, o prolongamento dos
logradouros públicos já existentes, embora a abertura de novas vias de cir-
culação somente seja admitida no loteamento.

Gabarito: letra 8

• OP/AL- 2003- CESPE


"No ato de registro de loteamento, a administração pública adquire parte
ela gleba de terras parceladas em quadras e lotes, sem necessidade de efe-
tuar qualquer pagamento."
A afirmativa está correta.

• Procurador do Município de Jaboatão dos Guararapes- 2006.


Passam a integrar o domínio do Município as vias, praças e áreas destina-
das a edifícios públicos no loteamento, desde
a) O registro ela escritura ele doação que o loteador e obrigado a outorgar ao
Município
b) O registro da sentença ou ela escritura de desapropriação definitiva
c) A data do registro do loteamento

68
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

d) A aprovação do loteamento pelo Município


e) Que definidas as diretrizes para o uso do solo, do traçado dos lotes, do
sistema viário e dos espaços livres pela Prefeitura Municipal"
Gabarito: letra C.

• MP/G0-2005
"Desde a data de registro do loteamento, passam a integrar o domínio do
Município, independentemente de escritura pública, as vias e praças, os
espaços livres e as áreas destinadas a edifícios públicos e outros equipa-
mentos urbanos, constantes do projeto e do memorial descritivo."

A afirmativa está correta.

Art. 23- O registro do loteamento só poderá ser cancelado:


I- por decisão judicial;
II - a requerimento do Ioteador, com anuência da Prefeitura, ou do
Distrito Federal quandc for o caso, ell()uanto nenhum lote houver sido
objeto de contrato;
III ·-a requerimento conjunto do loteador e de todos os adquirentes de
lotes, com anuência da Prefeitura, ou elo Distrito Federal quando for o
caso, e do Estado.
§ I o-- A Prefeitura c o Estado sú poderão se opor ao cancelamento se disto
resultar inconveniente comprovado para o desenvolvimento urbano ou se
jú se tiver realizado qualquer melhoramento na área loteada ou adjacências.
~ 2" Nas hipóteses dos incisos li c IIl, o oficial do registro de imóveis
fará publicar, em resumo, edital do pedido de cancelamento, podendo
este ser impugnado no prazo de ]0 (trinta) dias contados ela data da última
publicação. Findo esse prazo, com ou sem impugnação, o processo será
remetido ao _juiz competente para homologação do pedido de cancela-
mento, ouvido o Ministério Público.
§ ] 0 -~A homologação de que trata o parágrafo anterior será precedida de
vistoria judicial destinada a comprovar a inexistência ele adquirentes ins-
talados na área loteada.

1. Efeito do registro do PAL. Além do concurso voluntário, é também efeito


do registro público do PALa impossibilidade de alteração unilateral do
mesmo. Para haver mudança no projeto após seu registro impõe-se a
anuência de todos os interessados ou de outorga judicial. A modificação
exige a publicidade dos atos para preservação dos direitos de terceiros,
tudo reiterado no art. 28.

í-0
FERNANDA LousADA C..xRJJoso

-7 , Aplicação em concurso.
o MP/G0-2004. "Assinale a alternativa correta:
O registro do loteamento só poderá ser cancelado:
a) por decisão judicial;
b) a requerimento do loteador, com anuência da Prefeitura ou do Distrito Fe-
deral, quando for o caso, enquanto nenhum lote houver sido objeto de
contrato;
c) a requerimento conjunto do loteador e de todos os adquirentes de lotes,
com anuência da Prefeitura ou do Distrito Federal quando for o caso, e do
Estado;
d) todas as alternativas estão corretas.
Gabarito: letra D

Art. 24- O processo de loteamento e os contratos depcsitados em cartório


poderão ser examinados por qualquer pessoa, a qualquer tempo, inde-
pendentemente do pagamento de custas ou emolumentos, ainda que a título
de busca.
Capítulo VII
Dos Contratos
A1·t. 25 - São irretratáveis os compromissos de compra e venda, ces-
sões e promessas de cessão, os que atribuam direito a adjudicação com-
pulsória e, estando registrados, c01úiram direito real oponível a terceiros.

1. Matéria civil. A Lei 6766/79 inovou ao tratar do parcelamento do solo


a partir de uma visão publicista. No entanto, não abandonou os aspec-
tos civis do tem1a como a alienação dos lotes e os direitos de terceiros
adquirentes. Este artigo inaugura o capítulo que aborda a matéria, pre-
vendo a estabilidade dos contratos que tenham por objeto direito real.
O atual Código Civil elenca o direito do promitente comprador como di-
reito real, na forma do art. 1225, VIl.

2. Promessa de compra e venda. O contrato de compra e venda de imóvel


é tão relevante que o Código Civil regulou especificamente seu contrato
preliminar, qual seja, a promessa de compra e venda. Ao fazê-lo, atribuiu
o promitente comprador direito real à aquisição do imóvel, tal como pre-
visto nos seus arts. 1417 e 1418.

3. Adjudicação compulsória. Antes da regulação pelo Código Civil de 2002,


o Código de Processo Civil já previa em seu art. 62.9, hoje revogado pela

70
LEI DO I'.·\RCELA\1ENHl DO SOLU URBANO LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRU DE 1979

Lei 11232/2005, o procedimento específico de adjudicação compulsória,


hipótese em que a sentença judicial substitui a vontade da parte que se
nega a celebrar o contrato definitivo de compra e venda. Neste caso, o
título hábil a ser registrado é a sentença judicial.

A adjudicação compulsória é uma espécie de execução de obrigação de


fazer, tema hoje regulado pelos arts. 466-B e 466-C, CPC.

A doutrina ainda discute sobre a necessidade de registro público da pro-


messa de compra e venda para que o promitente comprador tenha direi-
to à adjudicação compulsória. Nos tribunais, a matéria restou pacificada
com a Súmula 239 do STJ.

-7 Aplicação em concurso.
• Cespe/TJ/BA/Cartórios/Remoção/2014
Considerando o disposto no Código Civil e na Lei n. 6.766/1979, que tra-
ta do parcelamento do solo urbano, e o posicionamento adotado pelo STJ
acerca dos direitos do promitente comprador, assinale a opção correta.
a) O promitente comprador pode reivindicar de terceiro o imóvel prometido
à venda.
b) Somente a hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro an-
tes da celebração da promessa de compra e venda terá eficácia perante os
adquirentes do imóvel.
c) Antes de pleitear a rescisão contratual por falta de pagamento, o promiten-
te vendedor deverá constituir o devedor em mora por meio de prévia noti-
ficação, salvo se o compromisso de compra e venda não estiver registrado
no cartório de imóveis.
d) O compromisso de compra e venda tem natureza de contrato preliminar,
pois cria apenas a obrigação de se emitir a declaração de vontade corres-
pondente ao contrato prometido. ··
e) O Código Civil estabelece que, por meio de promessa de compra e venda
registrada no cartório de registro de imóveis, o promitente comprador ad-
quire o direito real à aquisição do imóvel, razão por que o direito do promi-
tente comprador à adjudicação compulsória se condiciona, segundo o STJ,
ao registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis.
Gabarito: letra A

.,._ Aplicação pelo STJ.

Súmula 239- "O direito à adjudicação compulsória não se condiciona


ao registro do compromisso de compra e venda no cartório de imó-
veis."

71
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

4. Semelhança com a compra e venda. Com natureza jurídica de direito


real e a possibilidade de adjudicação compulsória, a promessa de com-
pra e venda passou a produzir os mesmos efeitos que a compra e venda
definitiva.
A diferença resta na hipótese de não haver o pagamento do preço do
bem. No caso da promessa de compra e venda, a rescisão do contrato
determina a recuperação do bem pelo promitente vendedor. No contra-
to de compra e venda definitivo, já tendo ocorrido a transferência do
bem sem reserva de domínio, ele permanece com o comprador inadim-
plente e os prejuízos serão resolvidos em perdas e danos.
5. Arrependimento. Diante da redação deste artigo, o arrependimento do
promitente vendedor só será possível na hipótese de inadimplemento
do preço pelo promitente comprador. O art. 1417, CC admite a previ-
são de cláusula de arrependimento no contrato de promessa de compra
e venda, hipótese em que o promitente comprador não poderá lançar
mão da adjudicação compulsória.

Art. 26- Os compromissos de compra e venda, as cessões ou promes-


sas de ces~ão poderão ser feitos por escritura pública ou por instru-
mento particular, de acordo com o modelo depositado na forma do inciso
VI do art. 18 e conterão, pelo menos, as seguintes indicações:
I- nome, registro civil, cadastro fiscal no Ministério da Fazenda, naciona-
lidade, estado civil e residência dos contratantes;
Il- denominação e situação do loteamento, número e datada. inscrição;
UI - dêscriÇão do lote 'ou dos lotes que forem objeto de compromissos,
confrontações, área e outras características;
IV - preço, prazo, forma e local de pagamento bem como a importância
do sinal;
v-- taxa de juros incidentes sobre o débito em aberto e sobre as prestações
vencidas e não pagas, bem como a cláusula penal, nunca excedente a 10%
(dez por cento) elo débito c só exigível nos casos de intervenção judicial ou
de mora superior a 3 (três) meses;
VI indicação sobre a quem incumbe o pagamento dos impostos c taxa!'
incidentes sobre o lote compromissado;
Vll - declaração das restrições urbanísticas convencionais elo loteamento,
supletivas da legislação pertinente.
§ 1"- O contrato deverá ser firmado em três vias ou extraído em três tras-
lados, .sendo um para cada parte e o terceiro para arquivo no registro imo-
biliário, .após o registro .e anotações devidas.

72
LEl DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO LEl NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

§2°- Quando o contrato houver sido firmado por proctÍradol'de qu~lquer


das partes,. será obrigatório o arquivamento da procuração no Registro
Imobiliário. ·
§ 3°Aclrriite-s~, ~os parcelamentos poprilan;s, a cessão da poss~' em que
estiverem provisoriamente imitidas a Uniãó, .Estados, Distrito . Federal,
Municípios é slÍas entidades delegadas, •o qu~ poderá ocor:rbrpor ·instru-
mento particular, ao qual se atribui, para todos os fins de direito, càráter de
escritura públjca, não se aplicando a disposição doineíso.II do art. 134 do
Código qvil. (Induído pela Lei no 9.785, 29.1.99)
§ .4° A.cessã9 da posse referida no § 3°, cumpridas as obrigações do cessio-
nário, constitui crédito contra o expropriante, de aceitação obrigàtória em
garantia de.contratos de finaneiamentos.habitacionais. (lnduído pela Lei
11° 9 .785, 29d.99)

§ 5° Com o registro da sentença que, em processo de desapropriação,


fixar o valor da indenização, a posse referida no § 3° corivertér-se-á em
propri~dade e a sua cessão, em compW>misso de compra e venda ou venda
e compra, conforme haja obrigações a c'tlmptir ou estejam elas cmnpridas,
circunstância que, demonstradas aó Registro de Imóveis, serão averbadas
na matrkula relativa ao lote. (Induído pela Lei n" 9.785,29.L99)
§ 6° Os compromissos de compra e venda, as cessõ.es e as pr.omessas de
cessão valerão como titulo para o registro d3: propri~dacle do lote adquiri-
do, quando acompanhados da respectiva prova de quitação. (Incluído pela
Lei n" 9.785, 29.1.99). . . .

1. Aspecto formal. O artigo traz as exigências formais para a validade do


contrato de promessa de compra e venda. Tanto o art. 26 como o art.
1417, CC admitem ~anta a escritura pública como a particular para cele-
brar o pré-contrato aqui comentado.
Como já previsto no art. 18, VI, a minuta do contrato deverá ser apre-
sentada pelo loteador quando do registro do PAL. Trata-se, pois, de um
contrato de adesão.
A promessa, juntamente com a comprovação da quitação do preço, é
título hábil ao registro definitivo da propriedade, como dispõe o pará-
grafo sexto.
2. Restrições urbanísticas. A lei autoriza que as partes estabeleçam exigên-
cias mais restritivas daquelas previstas nas normas urbanísticas ,locais
vigentes, na forma do art. 26, VIl. Há, portanto, um espaço de atuação
da vontade privada que será validada desde que conforme o espírito da
lei de tutelar o bem com da ordem urbana.

73
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

..,_ Aplicação pelo STJ.


"PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO, AMBIENTAL E URBANÍSTICO.
LOTEAMENTO CITY LAPA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. AÇÃO DE NUNCIAÇÃO
DE OBRA NOVA. RESTRIÇÕES URBANÍSTICO-AMBIENTAIS CONVEN-
CIONAIS ESTABELECIDAS PELO LOTEADOR. ESTIPULAÇÃO CONTRA-
TUAL EM FAVOR DE TERCEIRO, DE NATUREZA PROPTER REM. DES-
CUMPRIMENTO. PRÉDIO DE NOVE ANDARES, EM ÁREA ONDE SÓ SE
ADMITEM RESIDÊNCIAS UNI FAMILIARES. PEDIDO DE DEMOLIÇÃO.
VÍCIO DE LEGALIDADE E DE LEGITIMIDADE DO ALVARÁ. IUS VARIAN-
DI ATRIBUÍDO AO MUNICÍPIO. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA NÃO-
-REGRESSÃO (OU DA PROIBIÇÃO DE R::TROCESSO) URBANÍSTICO-AM-
BIENTAL. VIOLAÇÃO AO ART. 26, VIl, DA LEI 6.766/79 (LEI LEHMANN),
AO ART. 572 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916 (ART. 1.299 DO CÓDIGO CIVIL
DE 2002) E À LEGISLAÇÃO MUNICIPAL. li.RT. 334, I, DO CÓDIGO DE PRO-
CESSO CIVIL. VOTO-MÉRITO. (... ).3. O interesse público nas restrições
urbanístico-ambientais em loteamentos decorre do conteúdo dos
ônus enumerados, mas igualmente do licenciamento do empreen-
dimento pela própria Administração e da extensão de seus efeitos,
que iluminam simultaneamente os vizinhos internos (= coletividade
menor) e os externos (= coletividade maior), de hoje como do ama-
nhã. 4. As restrições urbanístico-ambientais, ao denotarem, a um só
tempo, interesse público e interesse privado, atrelados simbiotica-
mente, incorporam uma natureza propter rem no que se refere à sua
relação com o imóvel e aos seus efeitos sobre os não-contratantes,
uma verdadeira estipulação em favor de terceiros (individual e co-
letivamente falando}, sem que os proprietários-sucessores e o pró-
prio empreendedor imobiliário original percam o poder e a legitimi-
dade de fazer respeitá-las. Nelas, a sábia e prudente voz contratual
do passado é preservada, em genuíno consenso intergeracional que
antecipa os valores urbanístico-ambientais do presente e veicula as
expectativas imaginadas das gerações -,;indouras. 5. A Lei Lehmann (Lei
6.766/1979} contempla, de maneira expressa, as "restrições urbanísti-
cas convencionais do loteamento, sup etivas da legislação pertinente"
(art. 26, VIl). Do dispositivo legal resulta, assim, que as restrições ur-
banístico-ambientais legais apresentam-se como normas-piso, sobre
as quais e a partir das quais operam e se legitimam as condicionantes
contratuais, valendo, em cada área, por isso mesmo, a que for mais
restritiva (=regra da maior restrição).( ... ) 7. Negar a legalidade ou le-
gitimidade de restrições urbanístico-ambientais convencionais, mais
rígidas que as legais, implicaria recusar cumprimento ao art. 26, VIl,
da Lei Lehmann, o que abriria à especulação imobiliária ilhas verdes
solitárias de São Paulo (e de outras cidades brasileiras), como o Jardim
Europa, o Jardim América, o Pacaembu, o Alto de Pinheiros e, no caso
dos autos, o Alto da Lapa e a Bela Aliança (City Lapa). 8. As cláusulas

74
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

urbanístico-ambientais convencionais, mais rígidas que as restrições


legais, correspondem a inequívoco direito dos moradores de um
bairro ou região de optarem por espaços verdes, controle do aden-
samento e da verticalização, melhoria da estética urbana e sossego.
9. A Administração não fica refém dos acordos "egoísticos" firmados
pelos loteadores, pois reserva para si um ius varlandi, sob cuja égide
as restrições urbanístico-ambientais podem ser ampliadas ou, excep-
cionalmente, afrouxadas. 10. O relaxamento, pela via legislativa, das
restrições urbanístico-ambientais convencionais, permitido na estei-
ra do ius variandi de que é titular o Poder Público, demanda, por ser
absolutamente fora do comum, ampla e forte motivação lastreada
em clamoroso interesse público, ( ... ) 11. O exercício do ius variandi,
para flexibilizar restrições urbanístico-ambientais contratuais, haverá
de respeitar o ato jurídico perfeito e o licenciamento do empreendi-
mento, pressuposto geral que, no Direito Urbanístico, como no Direito
Ambiental, é decorrência da crescente escassez de espaços verdes e
dilapidação da qualidade de vida nas cidades. Por isso mesmo, sub-
mete-se ao princípio da não-regressão (ou, por outra terminologia,
princípio da proibição de retrocesso), garantia de que os avanços ur-
banístico-ambientais conquistados no passado não serão diluídos, des-
truídos ou negados pela geração atual ou pelas seguintes( ... ) 13. O ato
do servidor responsável pela concessão de licenças de construção
não pode, a toda evidência, suplantar a legislação urbanística que
prestigia a regra da maior restrição.( ... ) 15. Irrelevante que as res-
trições convencionais não constem do contrato de compra e venda
firmado entre a incorporadora construtora e o proprietário atual do
terreno. No campo imobiliário, para quem quer saber o que precisa
saber, ou confirmar o que é de conhecimento público, basta examinar
a matrícula do imóvel para aferir as restrições que sobre ele incidem,
cautela básica até para que o adquirente verifique a cadeia dominial,
assegure-se da validade da alienação e possa, futuramente, alegar sua
boa-fé. ( ... ).19. Recurso Especial não provido." (STJ, REsp 302906/SP,
Rei. Min. Herman Benjamin, DJ 01/12/2010)

-7 Aplicação em concurso.
• Vunesp/MP/ES/Assessor/2013
Sobre o parcelamento do solo urbano e as restrições urbanístico- ambien-
tais convencionais, é correto dizer que
a) é possível revogar casuisticamente as convenções particulares firmadas nos
registros imobiliários.
b} incorporam uma natureza "propter rem" no que se refere à sua relação
com o imóvel e aos seus efeitos sobre os não contratantes.

75
Ii
FERNANDA LOUSADA CARDOSO
lj
! c) as cláusulas urbanístico-ambientais convencionais, mais rígidas que as res-
trições legais, são incompatíveis com legislação urbanística mais flexível.
d) declaração das restrições urbanísticas convencionais do loteamento não
podem criar regras de maior restrição urbanística.
e) declaração das restrições urbanísticas convencionais do loteamento só va-
lem para imóveis após seu tombamento.
Gabarito: letra B

• MP/MT- 2012-UFMT
"Em relação à Lei Lehmann, assinale a afirmativa correta:
a) os proprietários podem fixar limitações urbanísticas distintas daquelas fixa-
das em lei, mas estas não podem ser mais restritivas.

b) O propri:t.ário não pode fixar restrições urbanísticas, porque, em relação


ao pnncipio constitucional da legalidade, apenas lei em sentido formal
pode impor condicionamentos aos particulares.

c) Os p~oprietá.rios não podem fixar restrições urbanísticas com 0 poder de


atingir terceiros, uma vez que as convenções somente podem valer entre
as partes envolvidas.

d) Os proprietários podem fixar limitações urbanísticas que podem, inclusive


s:r superiores e mais restritivas do que as que foram fixadas pela legisla~
çao.

e) As convenções entre particulares apenas podem ser fixadas quando houver


lacunas na legislação."

Gabarito: letra D

3. Rol não-taxativo. A lei traz o conteúdo mínimo presente na minuta do


contrato de promessa de compra e venda. As partes podem ajustar ou-
tros itens referentes ao loteamento, como por exemplo, a assunção dos
recursos necessários às obras de infra-estrutura.

Há na doutrina quem entenda abusiva a previsão de transferência aos


a.dquirentes dos custos da urbanização do loteamento. Tal prática viola-
na o art. 51, X, Lei 8078/90, podendo equiparar o promitente vendedor
ao fornecedor.

.._ Aplicação pelo STJ.

"DIREITO CIVIL. A LEI DO PARCELAMENTO DE SOLO URBANO (LEI N2


6.766/79)_ NÃO VEDA O AJUSTE ENTRE AS PARTES NO TOCANTE Á
OBRIGAÇAO DE CUSTEAR DESPESAS COM INFRA-ESTRUTURA SENDO
PORTANTO, VÁLIDA CLÁUSULA CONTRATUAL NESSE SENTIDo'. INEXIS~

76
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

TÊNCIA DE AFRONTA AO ART. 535, 11, CPC. CONTUDO, VIOLAÇÃO AOS


DISPOSITIVOS DA LEI 6766/79, POR ERRÔNEA INTERPRETAÇÃO EXTEN-
SIVA. DISSÍDIO TAMBÉM RECONHECIDO.( ... ) 2. Precedentes da quarta
turma/STJ no sentido de que a lei n.!1 6.766/79, que trata do parce-
lamento do solo urbano, não veda o ajuste das partes no tocante à
obrigação de custear redes de água e esgoto nos loteamentos, sendo
válida, portanto, cláusula contratual que preveja o repasse dos cus-
tos de tais obras aos adquirentes dos lotes". 3. "O que a lei 6. 766/79
contempla, no seu art. 26, são disposições que devem obrigatoriamen-
te estar contidas nos compromissos de compra e venda de lotes, re-
quisitos mínimos para a validade desses contratos, o que não significa
que outras cláusulas não possam ser pactuadas. Em outras palavras,
além das indicações que a lei prescreve como referências obrigató-
rias nos contratos, podem as partes, dentro das possibilidades outor-
gadas pela lei de pactuar o lícito, razoável e possível, convencionar
outras regras que as obriguem". RECURSO CONHECIDO E PROVIDO."
(STJ, REsp 205901/SP, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, DJ 08/09/2008)
4. Cláusula penal. O inciso V prevê cláusula penal no caso de inadimplência
parcial do contrato. Caso a relação seja sujeita ao Código de Defesa do
Consumidor, a multa deve ser restrita a dois por cento, na forma do art.
52, § 12, Lei 8078/90.

A norma aqui comentada é de ordem pública, não podendo as partes


ajustarem de forma diversa.

S. Cessão de posse. Juntamente com a transferência de propriedade, o ar-


tigo prevê a transmissão de posse dos terrenos objetos de desapropria-
ção, onde serão implantados parcelamentos populares. A norma legal
expressamente admite a posse como garantia nos contratos de financia-
mento habitacional, medida que vem sendo adotada pelo Poder Público
no intuito de viabilizar a construção de casas populares. O art. 134, 11 do
Código Civil de 1916 hoje vem previsto no art. 108 do atual Código.

6. Conversão de posse em propriedade. O parágrafo quinto prevê a muta-


ção de posse em propriedade em razão do registro público da sentença
do processo de cesapropriação que fixa o valor da indenização. Confere,
assim, maior garantia aos ocupantes do terreno .

--7 Aplicação em concurso.


• PGE/AL- 2008- CESPE.
"Assinale a opção correta a respeito das regras sobre o parcelamento do
solo urbano.

77
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

a) Os compromissos de compra e venda, as cessões ou promessas de cessão


de lotes poderão ser feitos tanto por escritura pública quanto por instru-
mento particular.

b) Se o loteamento não estiver regularmente inscrito, poderá ser validamente


aposta no contrato cláusula de rescisão por inadimplemento do adquiren-
te.

c) Registrado, o loteamento somente poderá ser cancelado por decisão judi-


cial.

d) São irretratáveis os compromissos de compra e venda de lotes, mas não os


de promessa de cessão.

e) Será condicional a promessa de venda de parcela de loteamento não regis-


trado."

Gabarito: letra A

Art. 27- Se aquele que se obrigou a concluir contrato de promessa de


venda ou de cessão não cumprir a obrigação, o credor poderá notifi-
car o devedor paraoutorg~ do contrato ou oferecimento de impugnação
no prazo de 15 ( qumze) cl!as, sob pena de proceder-se ao registro do
pre contrato, passando as relações entre as partes a serem regidas pelo
contrato-padrão.
§ lo- Para fins deste artigo, terão o mesmo valor de pré-contrato a pro-
~nessa de cessão, a proposta de compra, a reserva de lote ou qualquer outro
u:strumento, do qual conste a manifestação da vontade das partes, a indica-
çao do lote, o preço e modo de pagamento, e a promessa de contratar.
§ 2o - O registro de que trata este artigo não será procedido se a parte
que o requereu não comprovar haver cumprido a sua prestação, nem a
oferecer na fonna devida, salvo se ainda não exigível.
§ 3"- Havendo impugnação daquele que se comprometeu a concluir 0
contrato, observar-se-á o disposto nos artigos 639 c 640 do Código de
P1·occsso Civil.

1. Pré-contrato. O art. 27 traz o regime do pré-contrato, prevendo a pos-


sibilidade de seu registro público. O art. 48, Lei 8078/90 estabelece que
as declarações de vontade previstas nos pré-contratos que envolvam
relações de consumo vinculam o fornecedor.

2. Garantia de execução contratual. Por ser um contrato que em regra en-


volve um alto preço, além de ter por objeto "o sonho da casa própria",
a lei tratou de trazer maiores garantias ao promitente comprador, de

78
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO - LEI NO 6. 7 66, DE 19 DE DEZEMBRO DE !97ff

modo que não haja a frustração da execução do acordo, a partir do mo- I


mento em que este cumpra com sua obrigação de pagamento das pres- i
tações. Hoje tudo vem também especificado no Código Civil, revelador
da jurisprudência dos últimos trinta anos.

3. Artigos revogados. Os arts. 639 e 640 do CPC foram revogados pela Lei
112323/2005 que introduziu no mesmo diploma legal os arts. 466-~ e
466-C que hoje regulam a adjudicação compulsória.

4. Direito de preferência. O promitente comprador tem preferência na


aquisição do imóvel, sendo em relação a ele ineficazes os atos de aliena-
ção e gravame operados posteriormente ao registro do pré-contrato. O
imóvel já não mais poderá garantir dívidas do loteador. O STJ já enten-
deu desnecessário o registro público da promessa de compra e venda
para garantir tal ineficácia.

Aplicação pelo STJ.


"CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE ADJUDICAÇÃO. REGISTRO DO
COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. SÚMULA 239/STJ. FINANCIA-
MENTO DE IMÓVEL. HIPOTECA POSTERIOR. INEFICÁCIA. I- Em conso-
nância com o enunciado 239 da Súmula desta Corte, o direito à adju-
dicação compulsória não se condiciona ao registro do compromisso
de compra e venda no cartório de imóveis. 11 -A hipoteca outorgada
pela construtora ao agente financia dor em data posterior à celebração
da promessa de compra e venda com o promissário-comprador não
tem eficácia em relação a este último. Precedentes. Agravo improvi-
do." (STJ, Ag no Rg 575115/SP, Rei. Min. Castro Filho, DJ 17/12/2004).
S. Defesa do imóvel. No caso do bem prometido vir a ser esbulhado por
terceiro, não havendo interesse do promitente vendedor em exercer seu
direito de sequela, poderá o promitente comprador fazê-lo, uma vez re-
gistrada a promessa.

Caso a promessa não tenha sido registrada, restará ao promitente com-


prador o manuseio de embargos de terceiro, na defesa da sua posse,
conforme prevê o art. 1046, CPC. Esta é a posição do STJ.

~ Aplicação pelo STJ.


"Súmula 84- É admissível a oposição de embargos de terceiro fun-
dados em alegação de posse advinda do compromisso de compra e
venda de imóvel, ainda que desprovido do registro."
-7 Aplicação em concurso.
• MP-RJ- 2009- Prova Específica de Direito Civil

79
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

"A AAIMR- Associação de Adquirentes de Imóveis e Mutuários da Região


dos Lagos - propõe Ação Civil Pública em face da sociedade empresária
Viver Bem, na comarca de lguaba Grande, em razão dos seguintes fatos:
Sessenta pessoas adquiriram terrenos no empreendimento chamado "Lo-
teamento Nova !pitanga", sendo alegado na petição inicial que: a) os ter-
renos vendidos pela sociedade empresária Viver Bem se encontravam em
área de proteção ambiental; b) os terrenos vendidos eram menores do que
o permitido pela legislação; c) a propaganda que ensejou a aquisição dos
terrenos relatava a existência de infraestrutura já montada, em conformi-
dade com a legislação aplicável, o que era inverídico; d) a ocorrência de
dano ambiental em razão da instituição do empreendimento.
O autor da ação formulou os seguintes pedidos: 1 - paralisação imediata
de qualquer construção, bem como cessação das obras de infraestrutura; 2
-ressarcimento material dos danos individuais e coletivos, eventualmente
causados; 3 -dano moral coletivo; 4- demolição de quaisquer obras por-
ventura existentes; 5 - paralisação da comercialização dos terrenos e das
propagandas realizadas; 6- recuperação da área degradada.
A pessoa jurídica Viver Bem foi citada, apresentando as seguintes alegações
em sua peça de defesa: a) a gleba está devidamente registrada no Cartório
do Registro de Imóveis; b) não existe qualquer gravame na matrícula da
citada gleba, além da anotação da existência da Área de Proteção Ambien-
tal e do seu zoneamento; c) não houve concretização de comercialização,
em razão da inexistência de averbação de qualquer contrato no registro
de imóveis; d) somente existem instrumentos particulares de promessa de
compra e venda, o que não constitui negócio jurídico de transferência da
propriedade do imóvel; e) a inocorrência de danos ambientais.
Na fase probatória, ficou comprovado que: a) a venda de terrenos do em-
preendimento continuava sendo anunciada através de prospectos e de
uma rádio comunitária da cidade de Duque de Caxias, Rio de Janeiro; b)
o projeto do loteamento ainda não havia sido aprovado pelo Município e
que o processo administrativo ainda estava tramitando, encontrando-se a
gleba registrada no Cartório do Ofício Único de lguaba Grande em nome
do réu.
O laudo pericial judicial elaborado apresentou as seguintes conclusões:
I. Os terrenos vendidos encontravam-se todos inseridos em área de prote-
ção ambiental, notadamente em zona de conservação ambiental da vida
silvestre, que, em conformidade com o preconizado no plano diretor da
respectiva APA, impedia qualquer tipo de ocupação;
li. Os terrenos descritos nas promessas de compra e venda possuíam metra-
gem menor do que a prevista no projeto que sequer foi aprovado;
111. Não existia nenhuma construção por parte dos adquirentes, nem infraes-
trutura concluída, tendo somente um início de arruamento realizado pelo
empreendedor;

HO
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

IV. O início do arruamento causou dano ambiental, posto que suprimiu vege-
tação nativa da faixa marginal de proteção da Lagoa de Araruama e da zona
de conservação da vida silvestre;
V. O empreendecor não apresentou licença ambiental;
VI. O memorial descritivo do loteamento não está registrado no cartório com-
petente.
Após manifest':lção das partes, os autos são remetidos ao Ministério Pú-
blico para manifestação final. Como Promotor de Justiça, elabore a peça
adequada, enfrentando todas as questões suscitadas pelas partes.

A par dos tópicos referentes ao direito do consumidor e direito ambiental,


o candidato deveria abordar d impossibilidade de se lotear áreas de preser-
vação ambiental (art. 3,V }, d impossibilidade de se criar lotes menores que
o lote mínimo estabelecido pela legislação municipal (art. 4, 11) a obrigação
do loteador de construir infra-estrutura urbana, salvo disposição expressa
no contrato de promessa de compra e venda (art. 26}. Também deve salien-
tar a inobservància do prescrito no art. 18, quanto ao registro do memorial
descritivo, ocorrendo, na prática, a criação de um loteamento clandestino.
A ilegalidade da atuação da sociedade se dá também por falta de registro
do PAL (art. 18 a 20), sendo irrelevante para tanto o registro de propriedade
da gleba como um todo. Além disso as promessas de compra e venda, na
forma do art. 25 a 27, são irretratáveis, estando o negócio jurídico aperfei-
çoado com o contrato, sendo o registro público necessário apenas para a
constituição do direito real. Aplica-se também dispositivos do Código Civil
sobre o tema, Ademais, a Súmula 239 do STJ já pacificou a desnecessidade
de registro público para a aquisição do direito à adjudicação compulsória.

Além dos asçectos cíveis, pode-se abordar as consequências criminais,


plasmadas nos arts. 50, I e 111, qualificados na forma prevista no pu,/. Por
todos esses motivos, os pedidos autorais devem ser julgados procedentes.

Art~ 28 .'-: Qualquer alteração ou cancelamento P:lmial do loteamento


registt.~d?. <J.~.(lendcrlÍ de aCO.J:dO entre OJotea~!>r. e OI? :ld~u~r~:n~~S. de
lotes a#11gi<l.9s pela,altera.yão, l,)elll: COf!1() da aproxa~~o ~el~ J!~ef~tfura
Mlli;tiêi~ili,pll do Pi,sttito Federalquando f9r o caso, d~";e~d~·~~~.<fep~~i­
ta.da riô,R~gistro.de.Jmóveis, .em complemento ao.projeto óngmal, com
a devidã.àverbaçãó.

1. Alteração parcial do loteamento. A modificação aqui prevista difere da-


quela regulada pelo art. 17 que trata apenas da mudança dos <:spaços
públicos. Também se distingue da hipótese elencada no art. 23 que fala
do cancelamento total do parcelamento da gleba. A mudança parcial do
parcelamento deverá ser averbada junto ao registro.

81
FERNANDA LousADA CARDoso

Art. 29- Aquele que adquirir a propriedade loteada mediante ato inter
vivÓs, ou por sucessão causa mortis, sucederá o transmitente e.m todos
os seus direitos e obrigações, ficando obrigado a re~peitar os compro-
missos de compra e venda ou as promessas de cessã(), em todas as suas
cláusulas, sendo nula qualquer disposição em cont~rário, ressalvado o
direito do herdeiro ou legatário de renunciar à herança ou ao legado.

1. Sucessão de adquirentes. Como já dito, é lícrto ao loteador estipular


cláusulas convencionais na implantação do empreendimento, desde que
não contrárias às cláusulas legais. Neste caso, as cláusulas devem cons-
tar do instrumento de compra em venda e do registro, de modo a obri-
garem os futuros adquirentes, seja a transmissão por ato inter vivos, seja
causa mortis.
2. Transmissão de obrigações. O sucessor deverá continuar com o ajuste,
seja respeitando o pagamento do preço, seja assinando o contrato defi-
nitivo, não podendo reaver o bem cuja venda jé fc·ra prometida pelo seu
antecessor.

Art. 30- A sentença declaratória de falência ou é.a insolvência de qual-


quer das partes não rescindirá os contratos de compromisso de compra
e venda ou de promessa de cessão que tenham por objeto a área loteada
ou lotes da mesma. Se a falência ou insolvência for do proprietário da
área loteada ou do titular de direito sobre ela, incumbirá ao síndico ou ao
administrador dar cumprimento aos referidos contrates; se do adquirente
do lote, seus direitos serão levados à praça.

1. Decretação de falência. A preocupação com o cumprimento do contra-


to fez com que o legislador regulasse a hipótese de falência de qual-
quer dos contratantes. Tal dispositivo decorreu da falência de algumas
construtoras, o que também propiciou a produção de nova norma legal,
agora estabelecendo o patrimônio de afetação, este definido como ga-
rantia do cumprimento das obrigações do inco-porador, na forma da Lei
10931/2004.
2. Continuidade dos contratos. A falência de una das partes não deter-
mina a resolução dos contratos. Estes continuarão a ser cumpridos,
sendo que os pagamentos restantes integrarão o ativo da massa fali-
da. A administração do loteamento ficará a cargo do síndico da massa
falida.

82
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

~ Aplicação pelo STJ.

"COISA JULGADA. LIMITES SUBJETIVOS. Embora quitado o imóvel, a


construtora negou-se a outorgar a escritura definitiva. Então, a autora
propôs ação de adjudicação de imóvel em que a sentença julgada
procedente transitou em julgado, expedindo-se mandado para regis-
tro do imóvel, apesar de, já no curso da ação, haver sido registrada a
hipoteca judicial em favor da compradora. Sucede que aquela cons-
trutora foi incorporada por outra sociedade empresarial, sendo regis-
trada a extinção da construtora dois meses após à venda do imóvel
(objeto de disputa) e depois houve a decretação da falência dessa
nova sociedade empresarial. No curso deste processo falimentar, o
síndico requereu a arrecadação do imóvel, daí a ação de restituição
de imóvel, na qual a sentença também julgou procedente o pedido,
ordenando a exclusão do imóvel dos bens arrecadados pela massa fali-
da sob o argumento da existência de coisa julgada; mas, em apelação,
declarou-se nulo o compromisso de compra e venda. Para o Min. Rela-
tor, nos termos do art. 472 do CPC, a sentença da ação de adjudicação
que declarou a validade do negócio jurídico e determinou o registro
da escritura definitiva da venda do imóvel não pode produzir efei-
tos em relação à massa falida, a qual não participou daquela rela-
ção processual, portanto válida a arrecadação do imóvel pela massa
falida. Destacou, ainda, que os autos noticiam o fato de que, antes
da notificação extrajudicial enviada à construtora pela compradora
para compeli-la à realização da escritura definitiva, já era do seu co-
nhecimento a incorporação da construtora por outra sociedade em-
presarial, tal como a própria compradora informou. Assim, no caso,
desconsiderou-se o juízo falimentar competente para dirimir a adjudi-
catória (art. 12, 111, do CPC e art. 63, XVI, do DL n. 7.661/1945), bem
como a participação do MP (art. 70, § 12, do referido DL). Diante do
exposto, a Turma não conheceu do recurso. Precedentes citados: EDcl
no Ag 641.388-RS, DJ 27 /8/2007; REsp 206.946-PR, DJ 7/5/2001, e
RMS 14.554-PR, DJ 15/12/2003." (STJ, REsp 291.634-SP, Rei. Min. Luis
Felipe Salomão, DJ 30/3/2009).

Art. 31 -O contrato particular pode ser transferido por simples tres-


passe, lançado no verso das vias em poder das partes, ou por instrumento
em separado, declarando-se o número do registro do loteamento, o valor da
cessão e a qualificação do cessionário, para o devido registro.
§ 1o A cessão iudepende da anuência do loteador, mas, em relação a
este, seus efeitos só se produzem depois de cientificado, por escrito, pelas
partes ou quando registrada a cessão.
§ 2°- Uma vez registrada a cessão, feita sem anuência do loteador, o ofi-
cial do registro dar-lhe-á ciência, por escrito, dentro de 1O (dez) dias.

83
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

1. Cessão. Norma específica para a cessão do contrato de promessa de


compra e venda, instituto previsto genericamente nos arts. 286 a 298
do Código Civil. Na cessão ocorre a sub-rogação de direitos, devendo a
mesma ser levada a registro, na forma do art. 167, I, n. 20, Lei 6015/76.
2. Anuência do promitente vendedor. Caso a cessão seja procedida sem a
ciência do promitente vendedor, o cedente, no caso o promitente com-
prador, permanece respondendo juntamente com o cessionário pelo
pagamento do preço diante do outro contratante. Nesta hipótese, a es-
critura definitiva será celebrada com o cessionário, não sendo mais o
cedente, promitente comprador, o adquirente do imóvel.
3. Cessão do crédito. É possível também que o cedente seja o promitente
vendedor, que transfere a outrem o crédito do preço do imóvel. Em ra-
zão da cessão transferir apenas direitos pessoais, permanecerá o ceden-
te com a obrigação de celebrar a escritura definitiva de compra e venda.

Art. 32 Vencida e não paga a prestação, o contrato será considerado


rescindido 30 (trinta) dias depois de constituído em mora o devedor.
§ 1o - Para os fins deste artigo o. devedor-adquirente será intimado, a
requerimento do credor, pelo oficial do registro de imóveis, a satisfazer
as prestações vencidas e as que se vencerem até a data do pagamento, os
juros convencionados e as custas de intimação.
§ 2°- Purgada a mora, convalescerá o contrato.
§ 3° - Com.a certidão de não haver sido feito o pagamento em cartório,
o vendedo.r requererá ao oficial do registro o cancelamento da averbação.

1. Rescisão do contrato. A intimação do devedor deve ser pessoal para qui-


tação do débito mais juros e multa, na forma prevista no art. 26, V desta
lei. Caso o devedor se furte a receber a intimação, o oficial constará tal
fato na certidão. A intimação, então será por edital, na forma prevista no
art. 49 desta lei.

Persistindo a inadimplência, o credor poderá requerer o cancelamento


do contrato, instituto previsto no art. 36. O cancelamento não resolve as
questões de direito pessoal eventualmente existentes, subsistindo even-
tual direito a perdas e danos.
2. Cláusula resolutiva expressa. É possível a previsão de cláusula que esta-
beleça a rescisão do contrato no caso de inadimplemento no pagamento
das prestações. Ainda nesta hipótese, a intimação do devedor se faz ne-
cessária.

84
LEI DO PARCELAMEO:TO DO SOLO URBANO LFI NO 6.7(í(). DE \9 DE DEZEMI\RO OE \979

..,.. Aplicação pelo STJ.

"Compra e venda de imóvel. Interpelação. Súmula n2 76 da Corte. 1.


Nos termos da Súmula n2 76 da Corte, exige-se a interpelação prévia
para constituir em mora o devedor, mesmo sem o registro do com-
promisso de compra e venda. 2. Não há passagem para o dissídio
com a cobertura da Súmula nº 83 ela Corte. 3. Recurso especial não
conhecido." (STJ, REsp 526630/SP, Rei. Min. Carlos Alberto Direito, DJ
16/02/2004).

..,.. Aplicação no STJ.

"Súmula 76- A falta do registro do compromisso de compra e vendil


de imóvel não dispensa a prévia interpelação para constituir em mora
o devedor."

Art. 33- Se o credor das prestações se recusar a recebê-las ou furtar-


-se ao seu recebimento será constituído em mora mediante notificação
do oficial do registro de imóveis para vir receber as importâncias de-
positadas pelo devedor no próprio Registro de Imóveis. Deconidos 15
(quinze) dias após o recebimento da intimação, considerar-se-á efetua-
do o pagamento, a menos que o credor impugne o depósito c, alegando
inadimplemento do devedor, requeira a intimação deste para os fins do
disposto no art. 32 desta Lei.

1. Consignação em pagamento. A consignação abrange apenas as parcelas


em atraso a serem pagas pelo comprador. A doutrina esclarece ser a
hipótese tratada na lei de dívida portable, cabendo ao devedor buscar o
credor para adimplir sua obrigação.

Art. 34- Em qualquer caso de rescisão por inadimplemento do adqui-


rente, as benfeitorias necessárias ou úteis por ele levadas a efeito no
imóvel deverão ser indenizadas, sendo de nenhum efeito qualquer dispo-
sição contratual em contrário.
Parágrafo único. Não serão indenizadas as benfeitorias feitas em des-
conformidadc com o contrato ou com a lei.

1. Relação entre as prestações contratuais. O contrato de compra e venda


é espécie de contrato comutativo, de modo que as prestações a serem
cumpridas pelas partes devem revelar um equilíbrio. Em razão de tal ca-
racterística, é conferido também ao promitente vendedor instrumentos
de cobrança da observância contratual.

85
FERNANDA LoUSADA CARDOSO

2. Inadimplemento contratual. A lei trata das hipóteses em que o promi-


tente, comprador não cumpre com sua obrigação de pagar as prestações
ou que o promitente vendedor não aceita as prestações regularmente
pagas. Em havendo a rescisão contratual, será devida indenização pelas
benfeitorias úteis e necessárias. A doutrina defende a aplicação desta
regra também às acessões. As benfeitorias erigidas de forma irregular,
sem aprovação legal, não serão indenizadas.

Caso o promitente vendedor se recuse a pagar os 'Jalores devidos, tem


o promitente comprador, como possuidor de boa-fé, direito de retenção
pelas benfeitorias regulado pelo art. 1219, CC.

,._ Aplicação pelo STJ.

"CIVIL. RESOLUÇÃO DE COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. ART.


34 DA LEI N. 6.766/1979 - LEI LEHMANN. BEN::EITORIAS E ACESSÕES.
RESTITUIÇÃO À SITUAÇÃO ORIGINÁRIA.( ... ) 2. O âmago do art. 34 da
Lei Lehmann é evitar o enriquecimento ilícito de quaisquer das par-
tes, promovendo a restituição à situação originária. Assim, embora o
dispositivo faça menção apenas a benfeitorias. parece claro que abar-
ca também acessões. 3. A ausência de alvara/licença para construir
emitido pela prefeitura municipal é irregularidade que pode ser ou
não sanável, a depender do caso concreto. É temerário reconhecer
- de forma categórica - que a ausência de licença para construir, a
ser emitida pela municipalidade, não constitui irregularidade apta a
obstar eventual condenação à indenização por benfeitorias/acessões
realizadas. A licença para construir é requisito imprescindível a qual-
quer obra realizada em terreno urbano. 4. Co!lforme a mais abalizada
doutrina, construções realizadas sem licença da municipalidade estão
em desacordo com a lei e, assim, sujeitas a sanções administrativas, as
quais não podem ser imputadas ao promitent:: vendedor, porquanto a
posse e o direito de construir haviam sido tra:1smitidos ao promitente
comprador. 5. No caso concreto, é imprescindível a verificação quanto
à possibilidade de ser sanada ou não a irregularidade - consistente
na ausência de alvará/licença da prefeitura para construir-, de modo
a realizar a restituição das partes à situação ê nterior e evitar enrique-
cimento ilícito de quaisquer dos litigantes. 6. Recurso especial parcial-
mente provido."(STJ, REsp 1191862 I PR, Rei. Min. Luis Felipe Salomão,
DJ 22/05/2014)

3. Aplicação do Código de Defesa do Consumidor. Quando o loteado r é so-


ciedade que tem por objeto a comercialização de ates, incide na relação
jurídica estabelecida, as normas do CDC.

86
LEI DO PARCELA!v!ENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

Há quem defenda sempre a aplicação do Código de Defesa do C-onsu-


midor, equiparando o promitente vendedor ao fornecedor. No caso es-
pecífico de indenização referente às benfeitorias, aplica-se o disposto
no art. 51, XVI que comina de nulidade a renúncia à indenização por
benfeitorias necessárias.

,._ Aplicação pelo STJ.

"PROMESSA DE COMPRA E VENDA. Parcelamento do solo. Resolução.


Restituição. CDC. Reconvenção.- O CDC se aplica à relação de consu-
mo estabelecida entre a empresa que comercializa imóveis loteados
urbanos e o promissário comprador, operação que é regulada, no
que tem de específico, pela legislação própria (Lei 6766/79). - Re-
solvido o negócio, cabe a restituição das parcelas mensais pagas pelos
promissários compradores, que já perderam o sinal em favor da promi-
tente vendedora.- A decisão sobre a restituição das partes à situação
anterior integra resolução judicial do contrato e deve ser objeto de
decisão do juiz ainda que não tenha sido requerido pela parte na
contestação ou em reconvenção. Recurso não conhecido." (STJ, REsp.
300721/SP, Rei. Min. Ruy Rosado Aguiar, DJ 29/10/2001)

Art.. 35 - .Oçorrendo .o cancelantento do registro por inadimplemento


do cqntràtq 'e telldq .hàvido o pag[Uni'Jnts. de. mais de mn terço do preço
ajustado; O'.C)lj~ial do registro de úti9veis~'Jn,encion!lrá este fato no ato
do .cancelatl1erito e a quantifl p;1ga; somente será efetuado novo registro
relativo ao mesmo lote, se for comprovada a restituição do valor pago
pelo v:endedor ao titular do registro cancelado, ou mediante depósito em
_dinheiro àsua disposição junto ao Registro de. Imóveis.
§ 1o -Ocorrendo o depósito a que se refere e.ste artigo, o oficial do registro
de iníóveis intinum1. o in~ere~sadopara vir recebê· lo n,;o prazo de 10 (dez)
dias,sób pena de ser devolv~do ao deposit11nte.
§ 2° -:~o c<iso de não sel;' el1co~t:ràdo. q interes~ado, o ofi~ial do registro
de irhên:eis depssita,rá a quàntia ew estal?eleciniento de crédito, set.'lll1do
a ordempreví~ta.noincisol do art. 666 do.Çódigo de Processo Civil, em
de
conún.iom incidência juros e correçãotnónetá.l:ia:

1. Valor do pagamento. Os valores pagos só serão devolvidos casos exce-


dam um terço do total. Até um terço, a quantia persiste com o promiten-
te vendedor, a título de multa.

-7 Aplicação em concurso

• Vunesp/TJ/RJ/Juíz Leígo/2014

87
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

Em se tratando de loteamento, ocorrendo o cancelamento do registro por


inadimplemento do contrato, somente será efetuado novo registro relativo
ao mesmo lote, se for comprovada a restituição do valor pago pelo vende-
dor ao titular do registro cancelado, ou mediante depósito em dinheiro à
sua disposição junto ao Registro de Imóveis, se tiver havido o pagamento
de mais de(do):
a) 1/3 do preço ajustado.
b) 1/2 do preço ajustado.
c) 1/4 do preço ajustado.
d) total do preço ajustado.
e) 2/3 do preço ajustado.
Gabarito: letra A

~ Aplicação pelo STJ.

"PROMESSA. COMPRA. VENDA. VALORES PAGOS. DEVOLUÇÃO. A re-


corrente argumenta não haver qualquer ilegalidade na cláusula in-
serta em contrato de promessa de compra e venda de imóvel que
prevê, para o caso de inadimplemento contratual, a retenção de 30%
dos valores até então pagos pela recorrida promitente compradora.
Afirma, outrossim, que a legalidade da referida cláusula tem respaldo,
ainda, na possibilidade de a parte que não deu causa à rescisão da
avença reter o montante dado a título de arras. Porém, o Min. Relator
destacou que a Segunda Seção deste Superior Tribunal já decidiu que
o promitente comprador, por motivo de dificuldade financeira, pode
ajuizar ação de rescisão contratual, objetivando, também, reaver o re-
embolso dos valores vertidos. ( ... ) Por ocasião da rescisão contratual o
valor dado a título de sinal (arras) deve ser restituído ao reus de bendi,
sob pena de enriquecimento ilícito. O art. 53 do CDC não revogou o
disposto no art. 1.097 do CC/1916 (atual art. 418 do CC/2002), ao
contrário, apenas positivou, na ordem jurídica, o princípio consubs-
tanciado na vedação do enriquecimento ilícito. Portanto, não é de
admitir-se a retenção total do sinal dado ao promitente vendedor. As-
sim, segundo a exegese do art. 418 do ~/2002 c/c o art. 53 do CDC, o
percentual a ser devolvido tem como base de cálculo todo o montante
vertido pelo promitente comprador, nele se incluindo as parcelas pro-
priamente ditas e as arras. (... ) Desse modo, na espécie, não há que se
admitir a majoração do percentual nos termos em que fixados pelas
instâncias ordinárias, de 10% sobre todos os valores pagos. Prece-
dentes citados: EREsp 59.870-SP, DJ 9/12/2002; REsp 355.818-MG, DJ
13/10/2003; REsp 476.775-MG, DJ 4/8/2003, e REsp 896.246-RJ, DJ
15/10/2007." (STJ, REsp 1.056.704-MA, Rei. Min. Massami Uyeda, jul-
gado em 28/4/2009)

88
LEI DO PARCELAMENTO DO ó.O:.o URB,\NO ·-LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE \979

Art. 3~ - O registro do compromisso, cessão ou promessa de cessão só


póderá ser cancelado:
I- por decisão Judicial;
II- a requerimento conjunto das partes contratantes;
III- quando houver rescisão comprovada do contrato.

1. Publicidade da rescisão contratual. Configurada a rescisão contratual,


seja ou não por inadimplemento, impõe-se sua publicidade, por meio do
cancelamento do registro do contrato preliminar. O art. 35 prevê hipóte-
se de devolução de preço parcialmente pago, requisito necessário para
novo registro de prcrressa.

Capítulo VIII
Disposições Gerais
Art. 37- É vedado vender ou prometer vender parcela de loteamento ou
desmembramento nfw registrado.

1. Ilícito civil e penal. A violação a tal vedação constitui ilícito civil e crime,
na forma prevista no art. 50. Com tal disposição, a lei pretende coibir a
existência de constru;ões sem a devida infra-estrutura urbana, e ainda a
lesão a direito de terceiros adquirentes.

~ Aplicação pelo STJ.

"RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RESOLUÇÃO DE CON-


TRATO DE PROMf:SSA DE COMPRA E VENDA. IMÓVEL LOTEADO. PAR-
CELAMENTO iRREGULAR. FALTA DE REGISTRO. NULIDADE DO CONTRA-
TO. 1. Ação de resolução de contrato de compromisso de compra e
venda de imóvel loteado sem o devido registro do loteamento. 2. Ili-
citude do objeto do contrato de promessa de compra e venda por dis-
posiçõe; legéis expressas da Lei n.Q 6.766/79 (arts. 37 e 46) diante da
ausência de regularização do loteamento sem registro ou aprovação
pelo Poder Público. 3. Precedentes jurisprudenciais específicos desta
Corte e dos Tribunais de Justiça do Distrito Federal e do Rio Grande de
Sul. 4. A nulidade do contrato acarreta o retorno dos litigantes ao "sta·
tus quo arte", devendo ser reconhecida de ofício pelo juiz e gerandc
efeitos ''ex tunc". S. RECURSO ESPECIAL PROVIDO." (STJ, REsp 1304370.
Rei. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, DJ 05/05/2014)

89
FERN1\NDA LOUSADA CARDOSO

Art. 38 :-Verifica<;lo que o loteament() o.u ~esmen~bram~uto não se acha.··


registra~()! .O~ re~l~l'J;twrite execufudo ou nQtificfl~O p~l!J;.J:1~ ·'· • · rij4~ ·
nicipàl;~~pelo Distrít()Fedéralquandofor.o caso d7yeráo
. do lote súsp~nder o p~ga1~ento da~ prestaÇões reitànfes 'e n:diiii
teador para suprir a falta~: Jê.;. <;

§.lo- O~J!Tendo'<FsuspénsãO pa~amentp


.do dás prestaçÕe(ltrÇsta11~~J~~.f~r~
ma do captit déste artígd; o adquirente efetuará o depósito dás prestações
.devidas. jum:o ao ·Registro de. Imóveis compet~nte, que as depositllrá em
estabelecim~gto de. ~rédito, segundo a ordem prevista no inciso I do. art. 666
do Código:de Processo Civil, em conta com incidência de juros e 'correção
monetária; cuja movimGntação dependerá de prévia autorização judicíàL
§ 2° -A Prefeitura Municipal, ou o Distrito Federal quando for ocaso, ou
o Ministério Pl1blico, poderá promover a notificação ao Ioteador previs-
ta no caput deste artigo.
§ 3°- Regularizado o loteamento pelo loteador, este promoverájudícial 7
mente a autorização para levantar as prestações depositadas, com os
acréscimos de correção monetária e juros, sendo necessária a citaçí:io da
Prefeitura:,. ou do Distrito Federal quando for o caso, para integrar <i pro-
cesso judicial aqui previsto, bem como àudiência do Ministério Publico.
§ 4o - Após o reconhecimento judicial de regularidade do .loteamento, o
loteador notificará os adquirentes dos lotes, por intermédio do Registro de
Imóveis competente, para que passem a pagar diretamente as prestações
restantes, a contar da data da notificação.
§ 5o - No caso de o loteador deixar de atender à notificação até o
vencimento do prazo contratual, ou quando o loteamento ou desmem-
bramento for regularizado pela Prefeitura Municipal, ou pelo Distrito
Federal quando for o caso, nos termos do art. 40 desta Lei, o Ioteador
não poderá, a qualquer título, exigir o recebimento das prestações
depositadas.

1. Justa causa. É justa causa para suspensão do pagamento das prestações,


a verificação da irregularidade do lote, seja por falta de registro ou por
desvio na sua execução. Todo o processo de implantação do loteamento
deve ser fiscalizado pelo adquirente e pela Prefeitura. Sem a regularida-
de do empreendimento, o adquirente terá problemas futuros para regis-
trar sua propriedade definitiva.

2. Execução judicial. A lei prevê hipótese de consigna:;ão do pagamento ju-


dicial das prestações até que haja a regularização do loteamento. O art.
666, I, CPC foi alterado pela Lei 11382/2006 e traz hoje a regulamenta-
ção dos bens penhorados. Em verdade, caso a Prefeitura assuma a regu-

90
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

larização do local, poderá levantar os valores depositados judicialmente,


conforme se verá nos artigos seguintes. O loteador, então, perderá o
direito de receber tal montante .

..,.. Aplicação pelo STJ.

"ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PARCELAMENTO IRREGU-


LAR. SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DAS PRESTAÇÕES VINCENDAS PARA
AQUISIÇÃO DOS LOTES PELO PROMITENTE-VENDEDOR. DEPÓSITO PE-
RANTE CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. GARANTIA AO ESTADO
DO RETORNO AOS COFRES PÚBLICOS DAS VERBAS EVENTUALMENTE
GASTAS COM A REGULARIZAÇÃO DO LOTEAMENTO. POSSIBILIDADE DE
CUMULAÇÃO COM ASTREINTES. 1. São desnecessárias as ações indi-'
viduais dos adquirentes dos imóveis para obstar o pagamento das
prestações vincendas (i) quando o Judiciário já se manifestou sobre
a questão em ação civil pública por meio de decisão, inclusive com
eficácia erga omnes, e (ii) quando se faz imprescindível que o Muni-
cípio ateste a regularidade da conclusão das determinações legais. 2.
Não se confunde a fixação de astrelntes com a determinação de que
os depósitos das prestações vincendas dos lotes adquiridos sejam
efetuados no Cartório de Registro de Imóveis. Ao passo que as primei-
ras consistem em meio de coerção do demandado ao cumprimento
do fazer ou do não-fazer, a suspensão do pagamento da prestações
vincendas diretamente ao loteador, além de expressar a exigência da
regularização do loteamento ou do desmembramento efetuados ao
arrepio da lei- até em função do interesses coletivos implicados, mes-
mo que transpostos na forma de relações negociais de direito privado
-tem por objetivo manter viável o empreendimento, após a regulari-
zação do loteamento, em benefício dos demais adquirentes de lotes.
3. Ademais, a omissão do loteador em oferecer condições de habitabi-
lidade à população urbana não exonera o Poder Público de seu poder-
-dever. E, se a Municipalidade fizer as obras, é claro que deverá busca r
o ressarcimento junto ao empresário, a cujo patrimônio a lei mesma
imputa esses custos urbanísticos, como contrapartida da ma1s-valiil
que lhe permite alcançar com a realização do loteamento. Dai porque'
o referido depósito também visa garantir ao ente público o retorno ao,,
cofres das verbas possivelmente gastas com a regularização do lotea
mento clandestino e irregular. 4. Recurso especial provido." (STJ, REsp
1189173/ AC, Rei. Mln. Mauro Campbell Marques, DJ 10/11/2010)
"DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. PARCELAMENTO
DO SOLO URBANO. MANDADO DE SEGURANÇA. DECISÃO LIMINAR.
AGRAVO DE INSTRUMENTO. POSSIBILIDADE. ARTIGO 38 E 53-A DA LEI
6766/79. SÚMULA 7/STJ. ( ... ). 2. O Tribunal de origem concluiu que os
documentos juntados aos autos confirmavam a venda dos lotes irregu-

91
FERNANDA LOUSA DA CARDOS( I

lares. Concluir de forma diversa demandaria incursão nos elementos


fáticos e probatórios dos autos, o que é inviável na presente seara, já
que incidente a Súmula 7 /STJ. 3. Ademais, deixou claro que a medida
prevista no § 2!! do artigo 38 da Lei 6766/79, por ter nítida feição
acautelatória, não traria qualquer prejuízo ao recorrente. A ausência
de combate ao fundamento atrai a aplicação da Súmula 283/STF. 4.
Concluindo o julgado pela ausência de comprovação de que a área
tenha sido reconhecida como Setor Especial de Habitação para fins
de regularização Fundiária, rever tal entendimento mostra-se inviável
diante da Súmula 7/STJ. S. Recurso especial não conhecido." (STJ, REsp
693055/PR, Rei. Min. Castro Meira, 27 /03/2009)
1$- Aplicação pelo STJ.
"ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PARCELAMENTO IRREGULAR.
SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DAS PRESTAÇÕES VINCENDAS PARA
AQUISIÇÃO DOS LOTES PELO PROMITENTE-VENDEDOR. DEPÓSITO PE-
RANTE CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. GARANTIA AO ESTADO
DO RETORNO AOS COFRES PÚBLICOS DAS VERBAS EVENTUALMENTE
GASTAS COM A REGULARIZAÇÃO DO LOTEAMENTO. POSSIBILIDADE
DE CUMULAÇÃO COM ASTREINTES. 1. São desnecessárias as ações in-
dividuais dos agquirentes dos imóveis para obstar o pagamento das
prestações vince'~das (i) quando o Judiciário já se manifestou sobre
a questão em ação civil pública por meio de decisão, inclusive com
eficácia erga omnes, e (i i) quando se faz imprescindível que o Municí-
pio ateste a regularidade da conclusão das determinações legais. 2.
Não se confunde a fixação de astreintes com a determinação de que
os depósitos das prestações vincendas dos lotes adquiridos sejam efe-
tuados no Cartório de Registrp de Imóveis. (... ) 3. Ademais, a omissão
do loteador em oferecer co.ndições de habitabilidade à população
urbana não exonera o Poder Público de seu poder-dever. E, se a Mu-
nicipalidade fizer as obras, é claro que deverá buscar o ressarcimen-
to junto ao empresário, a cujo patrimônio a lei mesma imputa esses
custos urbanísticos, como contrapartida da mais-valia que lhe permite
alcançar com a realização do loteamento.( ... ). 4. Recurso especial pro-
vido." (STJ, REsp 1189173/AC, Rei. Min. Mauro Campbell Marques, DJ
10/11/2010)

Art. 39 Será nula de pleno direito a cláusula de rescisão de contrato


por inadimplemento do adquirente, quando o loteamento não estiver I·e-
gularmente inscrito.

1. Co-relação entre as prestações. Como já dito, o contrato de compra e


I venda é modalidade de contrato comutativ~; onde se verifica uma cor-
respondência entre as obrigações a serem cumpridas por ambas as par-
\:
llí 92
LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO

tes. Havendo inadimplemento por uma delas, a outra poderá se escusar


de cumprir com sua prestação, sem que lhe seja imputad~ qualquer pu-
nição. Tal instituto, previsto no Código Civil no art. 476, e denommado
pela doutrina como exceptio non adimp/eti contractus.
Este regime contratual só será válido se o loteament~ for regular, com
todos os documentos pertinentes adequadamente registrados _e aprova~
dos pela Prefeitura. Caso o loteamento seja ilegal, o loteador na~ podera
rescindir 0 contrato em razão do não-recebimento do preço. Nao pode,
pois, 0 loteador irregular constituir o comprador em mora.

-7 Aplicação em concurso
• TJ/PI-Juiz-2012- CESPE
Joana adquiriu lote para pagar em vinte e quatro prestações m:nsais. Após
0
pagamento da quinta parcela, descobriu q.ue o loteamento na~ estava re-
gistrado. Considerando essa situação hipotetlCa, asstnale a opçao correta.
a) Não será lícita a suspensão do pagamento das prestações restantes sem
ordem judicial.
b) A lei veda que a prefeitura regularize o loteamento, mas determina que
notifique o loteador para fazê-lo.
c) A prefeitura deve promover a desapropriaç5o da área para evitar lesão ao
padrão de desenvolvimento urbano. . .
cl) Vendida mais da metade dos lotes, a prefe'ttura poderá afastar o requts1to
de área mínima para a regularização do loteamento.
e) Deverá ser considerada nula, no caso, cláusula de rescisão de contrato por
inadimplemento do adquirente.
Gabarito: letra E

A t 40 __ A Prefeitura MunicipaL ou o Distrito Federal quand.o for o


c<:~, se desatendida pelo Joteador a notiücação, poderá regulanzar l,o.-
te·1mento ou desmembramento não autonzaclo ou executado sem ob?er-
vância elas cletenninações elo ato administrativo de ltccnça, pan~ evitar
lesão aos seus padrões de desenvolvimento urbano e na defesa elos
direitos elos adquirentes de lotes.
§ 1o_ A p 1·efeitura '\1unicipal, ou o Distrito Federal quando .:o.r o ~~:o~
que promover a regularização, na forma dcst.c artrgo, obter,\ .JUdi~I,tl_
antamento das prestações depositadas, com os rcspectrvos
men t e O lev
. ' , . · .. d § I" d art 38
acréscimos de coneção monetana e .JUtO~, nos t:nr:os o , o . ,· n
desta Lei, a título de ressarcimento das rmportan~ras despcndrc~a_s c~I
equipamentos urbanos ou expropriações neccssánas para reguJ,nizar o
loteamento ou desmembramento.

93
FERNANDA LüUSADA CARDOSO

§ 2o -As. importâncias despendidas pela Prefeitura Municipal, ou


pelo·Distnto Federal quando for o caso, para regularizar o loteamento ou
des~nembramento, caso não sejam integralmente ressarcidas conforme
o disposto no parágrafo anterior, serão exigidas na parte faltante do
loteador, aplicando-se o disposto no art. 4 7 desta Lei.

§ 3"- No cas_o.de o loteador não cumprir o estabelecido no parágrafo an-


tenor, a PrefeJtura Municipal, ou o Distrito Federal quando for o caso,
poderá receber as prestações dos adquirentes, até o valor devido.

§ 4o- A Prefeitura Municipal, ou o Distrito Federal quando for o caso


para assegurar a regularização do loteamento ou desmembramento bel~
como o ressarcimento integral de importâncias despendidas, ou ~ des-
pender, poderá promover judicialmente os procedimentos cautelares
necessá1·ios aos fins colimados.

§ 5o A re~ularização de um parcelamento pela Prefeitura Municipal, ou


D1stnto l·ecleral, quando for o caso, não poderá contr·ariar o disposto
nos arts. 3" c 4" desta Lei, ressalvado o disposto no § l" desse último.
(Incluído pela Lei n" 9.785, 29.!.99)

1. Responsabilidade municipal. No caso do loteador não cumprir com sua


obrigação de implantar os serviços públicos necessários ao loteamento,
a Prefeitura deverá assumir tal ônus, urbanizando o local e integrando-
-o à cidade. Para ressarcir os valores despendidos, a Prefeitura pode-
rá levantar as prestações depositadas judicialmente pelos adquirentes,
buscando o restante junto ao loteador ou ainda recebendo os valores
diretamente dos promitentes compradores. É dever da Prefeitura pro-
mover a urbanização da cidade, nos moldes do art. 30, VIII!, CRFB.

-? Aplicação em concurso
• Vunesp/TJ/SP/Juiz/2011
Loteamentos clandestinos ou irregulares vulneram não apenas a Lei n.
6.766/1979, como causam lesão ao meio ambiente, seja mediante ocupa-
ção de Áreas de Preservação Permanente, seja mediante devastação da
cobertura vegetal. Discute-se a responsabilidade atribuível ao Município
por esse parcelamento do solo em desacordo com a lei, cabendo assinalar
que o Município:
I. não tem responsabilidade, toda ela imputável ao empreendedor que não
ajustou o seu empreendimento aos ditames legais;
11. não tem responsabilidade porque aplicou multa e embargou a obra e não
lhe competia, além disso, qualquer outra providência;

94
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

.'lO!\>

111. tem responsabilidade pela regularização do loteamento clandestino, às


suas expensas e de acordo com o poder-dever disposto no art. 30, VIII, da
CF/1988;
IV. tem responsabilidade por não impedir a consumação do dano ambiental e
deve responder juntamente com o loteador pelos prejuízos advindos;
v. tem responsabilidade por sua negligência, está obrigado a promover a re-
gularização do loteamento às expensas do loteador, contra o qual tem ação
regressiva.
Assinale a V (veracidade) ou a F (falsidade) dos assertos e indique a alterna-
tiva correta na sequência adequada.
a) V, F, V, F, V.
b) F, F, F, V, V.
c) F, V, F, V, V.
d) V, F, F, V, V.
e) F, V, F, F, V.
Gabarito: letra B

..,... Aplicação pelo STJ.


"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. JULGA-
MENTO ANTECIPADO DA LIDE. NÃO OCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO
AO DIREITO DE AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO DE
VIOLAÇÃO AOS ARTS. 302, 111, 331, § 22, 332, 333, I E 11 DO C?DIGO
DE PROCESSO CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SUMULA
N. 211 DO STJ. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LOTEAMENTO IRREGULAR. MU-
NICÍPIO. PODER-DEVER. ART. 40 DA LEI 6.766/79. PRECEDENTES DO
STJ. ( ... ) 3. É pacífico o entendimento desta Corte Superior de que o
Município tem o poder-dever de agir para fiscalizar e regularizar lote-
amento irregular, pois é o responsável pelo parcelamento, uso e ocu-
pação do solo urbano, atividade essa que é vinculada, e não discri-
cionária. Precedentes: REsp 432.531/SP, 2~ Turma, Rei. Min. Franciulli
Netto, DJ de 25.4.2005; REsp 448.216/SP, 1~ Turma, Rei. Min. Luiz Fux,
DJ de 17 .11.2003; REsp 131.697 /SP, 2>! Turma, Rei. Min. João Otávio de
Noronha, DJ de 13.6.2005. 4. Recurso especial parcialmente conhecido
e, nessa extensão, não provido." (STJ, REsp 1170929/SP, Rei. Min. Be-
nedito Gonçalves, DJ 27 /05/2010)

.._ Aplicação pelo STJ.


"PROCESSUAL CIVIL. LOTEAMENTO. MUNICÍPIO. PODER-DEVER. LEGI-
TIMIDADE. 1. A jurisprudência do STJ é no sentido de que o Município
tem 0 poder-dever de agir para fiscalizar e regularizar loteamento

95
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

irregular, pois é o responsável pelo parcelamento, uso e ocupação


do solo urbano, atividade essa que é vinculada. 2. Agravo Regimen-
tal não provido." (STJ, AgRg no AREsp 446051 I SP, Rei. Min. Herman
Benjamin,DJ 22/04/2014)
~ Aplicação pelo STJ.

ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LOTEAMENTO IRREGULAR.


DANO AMBIENTAL. RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO. ART. 40 DA
LEI N. 6.766/79. PODER-DEVER. PRECEDENTES. 1. O art. 40 da Lei
6. 766/79, ao estabelecer que o município "poderá regularizar lotea-
mento ou desmembramento não autorizado ou executado sem obser-
vância das determinações do ato administrativo de licença", fixa, na
verdade, um poder-dever, ou seja, um atuar vinculado da municipali-
dade. P;e~edentes. 2. Consoante dispõe o art. 30, VIII, da Constituição
da Republica, compete ao município "promover, no que couber, ade-
quado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do
uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano". (... ) 4. o fato de
o município ter multado os loteadores e embargado as obras realiza-
das no loteamento em nada muda o panorama, devendo proceder
ele próprio e às expensas do loteador, nos termos da responsabilidad~
que lhe é atribuída pelo art. 40 da Lei 6. 766/79, à regularização do
loteamento executado sem observância das determinações do ato ad-
ministrativo de licença. 5. No caso, se o município de São Paulo, mes-
mo após a aplicação da multa e o embargo da obra, não avocou para si
a responsabilidade pela regularização do loteamento às expensas do
loteador, e dessa omissão resultou um dano ambiental, deve serres-
p.onsabilizado, conjuntamente com o loteador, pelos prejuízos dai ad-
vtnd~s, podendo acioná-lo regressivamente. 6. Recurso especial pro-
Vido. (STJ, REsp 1113789/SP, Rei. Min. Castro Meira, DJ 29/06/2009)

2. Exigências leg~is. O artigo trata de uma situação já consolidada, em que


o !oteador fug1u de suas obrigações. O que se busca, portanto, é mini-
mizar o passivo urbanístico gerado pela irregularidade do empreendi-
mento. Por tal motivo, se exige o possível diante da situação fática não
cabendo aqui a observância de todos os requisitos analisados e~ um
projeto de loteamento de área desocupada.

..,.. Aplicação pelo STJ.

"RECURSO ESPECIAL. DIREITO URBANfSTICO. LOTEAMENTO IRREGU-


LAR. MUNICÍPIO. PODER-DEVER DE REGULARIZAÇÃO. 1. O art. 40 da lei
6.766/79 deve ser aplicado e interpretado à luz da Constituição Fede-
ral e da Carta Estadual. 2. A Municipalidade tem o dever e não a facul-
dade de regularizar o uso, no parcelamento e na ocupação do solo
para assegurar o respeito aos padrões urbanísticos e o bem-estar d~

96
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO CRBANO LEI NO 6.766, DF 19 DE DEZEMBRO DE 1979

população. 3. As administrações municipais possuem mecanismos de


autotutela, podendo obstar a implantação imoderada de loteamentos
clandestinos e irre5ulares, sem necessitarem recorrer a ordens judi-
ciais para coibir os abusos decorrentes da especulação imobiliária
por todo o País, encerrando uma verdadeira contraditio in terminis
a Municipalidade opor-se a regularizar situações de fato já consolida-
das. 4. A ressalva do§ 52 do art. 40 da Lei 6.766/99, introduzida pela
lei 9.785/99, possibilitou a regularização de loteamento pelo Muni-
cípio sem atenção aos parâmetros urbanísticos para a zona, origina-
riamente estabeleddos. ( ... ) Observe-se que o legislador, no caso de
regularização de loteamento pelo município, podia determinar a ob-
servância dos padrões urbanísticos e de ocupação do solo, mas não o
fez. Se assim foi, r á de entender-se que não desejou de outro modo
mercê de o interesse público restar satisfeito com uma regularização
mais simples. Dita exceção não se aplica ao regularizador particular.
Esse, para regJiarizar o loteamento, há de atender a legislação vigen-
te. 5. O Município tem o poder-dever de agir para que o loteamento
urbano irregular p3sse a atender o regulamento específico para a sua
constituição. 6. SE ao Município é imposta, ex lege, a obrigação de
fazer, procede a p·etensão deduzida na ação civil pública, cujo esco-
po é exatamente a imputação do facere, às expensas do violador da
norma urbanístico-ambiental. 5. Recurso especial provido" (STJ, REsp.
2002/0084523-8, Rei. Min. Luiz Fux, DJ 17 /11/2003)

Art. 41 -Regularizado o loteamento ou desmembramento pela Prefeitu-


ra Municipal, ou pelo Distrito Federal quando for o caso, o adquirente do
lote, comprovando o depósito de todas as prestações do preço avençado,
poderá obter o registro de propriedade do lote adquirido; valendo para
tanto o compromisso de venda e compra devidamente firmado.

1. Dispensa da escritura definitiva. O artigo prevê hipótese em que não


se exige a escritura de compra e venda definitiva para se alcançar ore-
gistro de propriedade. Neste caso, basta a apresentação da promessa
de compra e venda e a comprovação da quitação do preço. Não há aqui
necessidade de se recorrer às vias judiciais .

Art. 42 -Nas desapropriações não serão considerados como loteados


ou loteáveis, para fins de indenização, os terrenos ainda não vendidos
ou. compromissados, objeto de loteamento ou desmembramento não
registrado.

1. Desapropriação. Em hipótese de desapropriação de terrenos cujo lo-


teamento ainda não foi registrado, não será possível considerar o bem

97
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

como um conjunto de lotes, devendo ser avaliada a unidade inteira, ain-


da não servida de infra-estrutura urbana. Se o objeto de desapropriação
é uma gleba, assim deverá ser considerado na avaliação judicial para
fixação do preço, afastada a incidência da mais-valia urbana.

~ Aplicação pelo STJ.


"ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. AÇÃO RESCISÓRIA. VIOLAÇÃO
DE LITERAL DISPOSIÇÃO DE LEI. JUSTA INDENIZAÇÃO. ARTIGO 42 DA
LEI 6.766/79. NÃO OBSERVÂNCIA. CRITÉRIO UTILIZADO. MÉDIA ARIT-
MÉTICA ENTRE LAUDO PERICIAL ILEGAL E O PARECER DO ASSISTENTE
TÉCNICO. IMPOSSIBILIDADE. LITIGÂNCI/<. DE MÁ-FÉ. NÃO CARACTERI-
ZAÇÃO. 1. No recurso especial a parte ·ecorrente afirma violação do
disposto no artigo 485,V, CPC, 42 da Lei 6. 766/79 e SQ do Decreto-Lei
271/67, ao fundamento de que teria havido violação do princípio da
justa indenização. Fundamenta, em síntese, que ao decidir pelo valor
médio entre aqueles alcançados pelo laudo pericial e aqueles postos
no parecer do assistente técnico, o princípio da justa indenização teria
sido infringido, já que, "o laudo pericial encontrava-se maculado pois
assentado em falsa premissa -a do loteamento hipotético, não po-
deria ser utilizado sequer como base de valor médio. O correto seria a
sua rejeição". 2. O acórdão recorrido considerou como válido o funda-
mento do perito judicial que estabeleceu como loteado (loteamento
hipotético) gleba bruta de terra, afrontando o disposto no artigo 42 da
Lei 6.766/79, porquanto a adoção da média aritmética entre os valores
indicados no laudo do perito judicial e no parecer do assistente não é
técnica compatível com as determinações impostas pelo artigo 12 da
Lei 8.629/1993, nem com o princípio constitucional da justa indeniza-
ção. 3. Assim, a fixação do valor da indenização, nas desapropriações,
tomando por base a existência de um loteamento que não chegou a
se consolidar, vai de encontro ao disposto no art. 42 da Lei 6. 766/79
(Lei de Parcelamento do Solo Urbano), que assim dispõe: "Nas desa-
propriações não serão considerados como loteados ou loteáveis, para
fins de indenização, os terrenos ainda não vendidos ou compromissa-
dos, objeto de loteamento ou desmembramento não registrado." ( ... j
S. Recurso especial provido." (STJ, REsp 1193549/PR, Rei. Min. Maurc
Campbell Marques, DJ 31/03/2011)

~ Aplicação pelo STJ.


"ADMINISTRATIVO. RECURSOS ESPECIAIS. DESAPROPRIAÇÃO DIRETA
POR UTILIDADE PÚBLICA. ADOÇÃO DE LAUDO BASEADO NA MERA
POSSIBILIDADE DE IMPLANTAÇÃO DE LOTEAMENTO NO IMÓVEL EX-
PROPRIADO. IMPOSSIBILIDADE. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO.
RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. ( ... ) 3. O princípio da justa inde-
nização constitui garantia, tanto do expropriado, de ser indenizado

98
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO UR.BA."lO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

pelo prejuízo que efetiv~ente suportou, como do Poder Público, de


pagar somente o necessário à recomposição integral do patrimônio
atingido. 4. A fixação do preço justo não pode embasar-se em mera
hipótese de aproveitamento do imóvel, jamais cogitada pelos expro-
priados antes do procedimento expropriatório. Vale dizer, não se pode
levar em conta a possibilidade de implantação de loteamento em um
imóvel que, antes da intervenção do Poder Público, sempre foi utili-
zado para a atividade agropecuária. S. Tal orientação decorre, inclusi-
ve, da norma contida no art. 42 da Lei 6.766/79 (Lei de Parcelamento
do Solo Urbano), que assim dispõe: "Nas desapropriações não serão
considerados como loteados ou loteáveis, para fins de indenização,
os terrenos ainda não vendidos ou compromissados, objeto de lote-
amento ou desmembramento não registrado." ( ... ) 7. Ademais, a im-
plantação de um loteamento não é um fato corriqueiro, que depende
apenas da vontade do proprietário do imóvel loteado. Para tanto, de-
vem ser preenchidos inúmeros requisitos previstos em lei. Tal fato,
portanto, também obsta a fixação do justo preço com base na mera
possibilidade de implantação de um loteamento na área expropriada,
tendo em vista que a concretização desse ato depende de diversos ou-
tros fatores. ( ... ) 11. Recursos especiais providos, com a consequente
anulação do acórdão recorrido, em razão da adoção de laudo pericial
- apresentado por assistente técnico - dissonante da realidade do
imóvel exprorriado. Por ocasião do novo julgamento, a Corte ele ori-
gem, acaso considere que o valor descrito no laudo oficial tamiJém
não representJ a justa indenização devida em decorrência da presente
desapropriação, deverá determinar· a realização de nova perícra" (STJ,
REsp. 986470/RN, Rei. Min. Denise Arruda, DJ 30/06/2008)

Art. 43 - Oconendo a execução de loteamento não aprovado, a des-


tinação de áreas públicas exigidas no inciso I do att, 4° desta Lei não se
poderá alterar sem prejuízo da aplicação das sanções administrativas, civis
e criminais previstas.
Parágrafo único. Neste caso, o Ioteador ressarcirá a Prefeitura Munici-
pal ou o Distrito Federal quando for o caso, em pecúnia ou em área equi-
valente, no dobro da diferença entre o total das áreas públicas exigidas e
as efetivamente destinadas. (Incluído pela Lei n° 9.785, 29.1.99)

1. Sanção. A implantação de loteamento não registrado não afasta a obri-


gação do loteador de doar áreas ao município. Nesta hipótese, a lei co-
mina o pagamento de valores ou a doação de mais terras em dobro da
diferença entre o exigido pela lei e o efetivamente transferido como for-
ma de compensar a irregularidade promovida,

99
FERNANDA LousADA CARDoso

Art. 44- O Município, o Distrito Federal e o Estado poderão expropriar


áreas urbanas ou de expansão urbana para reloteamento, demolição, re-
construção e incorporação, ressalvada a preferência dos expropriados para
a aquisição de novas unidades.

1. Desapropriação. O processo expropriatório é remédio drástico, já que


importa na transferência compulsória da propriedade privada ao patri-
mônio público. Seu uso é indicado em casos em que o planejamento não
foi hábil a atender às necessidades da região estudada, como ocorre nos
loteamentos irregulares.

O artigo trata de hipótese de desapropriação por interesse social, já que


a propriedade incorporada ao Poder Público será posteriormente trans-
ferida a terceiros interessados. Nesta futura alienação, a lei prevê direito
de preferência dos expropriados, permitindo que estes readquiram sua
propriedade imobiliária após a urbanização do local.

~ Aplicação em concurso.

• (Procurador do Município- Prefeitura Teresina-PI/2010- FCC}


Em relação aos loteamentos urbanos, é INCORRETO afirmar que
a) os interessados em elaborar projetos de loteamento deverão solicitar à
Prefeitura Municipal que defina as diretrizes para o uso do solo, o traçado
dos lotes, do sistema viário, dos espaços livres e das áreas reservadas para
equipamento urbano e comunitário.

b) os espaços livres de uso comum, as vias e praças e áreas destinadas a ou-


tros equipamentos urbanos constantes do projeto não poderão ter sua des-
tinação alterada pelo loteado r, desde a aprovação do loteamento, salvo em
caso de caducidade da licença ou desistência do loteador.

c) aprovado o projeto de loteamento ou de desmembramento, o loteador


deverá submetê-lo ao Registro Imobiliário dentro de 180 (cento e oitenta)
dias, sob pena de caducidade da aprovação.

d) a Prefeitura Municipal poderá, para assegurar a regularização do loteamen-


to ou desmembramento, bem como o ressarcimento integral de importân-
cias despendidas ou a despender, promover judicialmente os procedimen-
tos cautelares necessários a tais fins.

'
\i
e) o Município não poderá expropriar áreas urbanas ou de expansão urbana
para reloteamento, demolição, reconstrução e incorporação.

I
j

Gabarito: letra e
\
I! 100
LEI DO PARCELAMENTO :JO SOLO URBANO-- LEI NO 6.766. DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

Art. 45 - O loteador, ainda que já tenha vendido todos os lotes, ou os


vizinhos, são partes legítimas para promover ação destinada a impedir
construção em desacordo com restrições legais ou contratuais.

1. Norma processual. O art. 26, VI\ prevê expressamente a possibilidade


das partes acordarem restrições distintas daquelas previstas em lei. O
art. 45 traz a consequência processual de tais convenções, ao reconhe-
cer legitimidade ao loteador para questionar· em juízo a observância do
ajustado, ainda qJe tenha alienado integralmente seu domínio.

A legitimidade se dá também aos vizinhos porque o bem jurídico tutela-


do não é patrimonial, mas sim a ordem urbana estabelecida e preserva-
da por meios dos ajustes particulares.

Art. 46- O loteador não poderá fundamentar qualquer ação ou de-


fesa na presente Lei sem apresentação dos registros c conti·atos a que
ela se refere.

1. Requisito de capacidade processual. A lei elege como requisito para tor-


nar a parte processualmente capaz a apresentação dos documentos que
comprovem que seu empreendimento é regular. O loteador violador das
normas urbanísticas não poderá buscar tutela jurisdicional.
/~~»
11-- Aplicação pelo STJ.

"RECURSO ESPECIAL. IMOBILIÁRIO. CIVIL. COMPROMISSO DE COMPRA


E VENDA. LOTEAMENTO (LEI 6.766/79, DE PARCELAMENTO DO SOLO
URBANO). EXECUÇÃO DE PRESTAÇÕES VENCIDAS. VIOLAÇÃO AO ART.
535, 11, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. CONSTITUI-
ÇÃO EM MORA. DESNECESSIDADE. DIES INTERPELLAT PRO HOMINE.
EXCEPTIO NON ADIMPLETI CONTRACTUS. NÃO INCIDÊNCIA. DESCUM-
PRIMENTO IRRELEVANTE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONS-
TRADO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. RECURSO DESPROVIDO.( ... )
2. Comprovada a regularidade do loteamento, com o competente
registro imobiliário, desnecessária a apresentação, pelo loteador, do
contrato de compromisso de compra e venda devidamente registra-
do, providência a cargo do promitente comprador e a seu benefício,
para o aparelhamento da execução das prestações devidas pelo ad-
quirente (Lei 6.766/79, de Parcelamento do Solo Urbano, arts. 26, §
lQ, e 46). 3. Na hipótese em que não se pretende a rescisão contratual,
mas apenas a cobrança ou execução de prestações em atraso, é dis-
pensáveí a notificação prévia para a constituição do devedor em mora
(Lei 6.766/79, art. 32). Incide a regra dies interpellat pro homine. 4.

101
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

Se a falha na execução do contrato é de pequena monta, irrelevante,


fica desautorizado o acolhimento da exceção do contrato não cumpri-
do( ... ) 6. Recurso especial conhecido em parte e não provido." (STJ,
REsp 648780, Rei. Min. Raul Araújo, DJ 07 /05/2014)
"PARCELAMENTO DO SOLO URBANO. LOTEAMENTO NÃO REGULAR-
MENTE INSCRITO. LEI N. 6.766/79. E NULA A CLAUSULA DE RESCISÃO
(ART. 39}. O LOTEADOR NÃO TEM AÇÃO SEM APRESENTAÇÃO DOS
REGISTROS E CONTRATOS (ART. 46). RECURSO ESPECIAL CONHE-
CIDO E PROVIDO." (STJ, REsp. 35649/SP, Rei. Mln. Nilson Naves, DJ
19/12/1994}

Art. 47 -·Se o loteador integrar grupo econômico ou financeiro, qualquer


pessoa fisica ou jurídica desse grupo, beneficiária de qualquer fonna do lo-
teamento ou desmembramento incgular, será solidariamente 1·esponsável
pelos prejuízos por ele c:msados aos compradores de lotes e ao Poder
Público.

1. Responsabilidade solidária. A lei viabiliza a busca de ressarcimento pelo


ilícito urbanístico ao grupo empresarial do qual o loteador faz parte,
aplicando a teoria da desconsideração da pessoa jurídica prevista no art.
28, CDC.

Face à sociedade, o ente municipal se solidariza com o loteador na im-


plantação regular do loteamento. Uma vez realizadas as obras, a Prefei-
tura poderá buscar judicialmente o valor despendido pela assunção da
obrigação de fazer.

Art. 48 - O foro competente para os procedimentos judiciais previstos


nesta Lei será sempre o da comarca da situação do lote.

1. Definição de foro. A norma legal traz o foro competente para as deman-


das judiciais envolvendo o loteamento. O critério é o geográfico, sendo
competente a comarca da situação do lote. Esta é mais uma norma pro-
cessual trazida na lei, que se encontra em perfeita consonância com o
art. 95, CPC.

Art. 49 - As intimações e notificações previstas nesta Lei deverão ser


feitas pessoalmente ao intimado ou notificado, que assinará o compro-
vante do recebimento, e poderão igualmente ser promovidas por meio dos
Cartórios de Registro de Títulos c Documentos da comarca da situação do
imóvel ou do domicílio de quem deva recebê-las.

102
LEI DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO- LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

§1 o _;S,i ô'de~t~liafâl:Ío se reêu~rir ~~~ie91' -~~éBitíf~~to, ·


ou,,se fox;;~~sêo~~~~(!oó seu~;1ta4~~~?~<~ , 'ao.#a aúi-
gê11cia informafâ e.s~'c~rcu~st,ãp~ia/,~o.~fici,. , a'.'>•c~rb,tiçax:á,
',',(, ',,,. ,.,

&ob sua r~sponsa~mda~e. , , , ·,j1',;, , \,);_,1, , , ,, , .


§ 2° - Certijiçaqa .a: ocorrência dos•fatp~;m~J;lçJ.~!l~Qs no;parágrafo ante-
rior a intimação .ou notificação seráfçita ppr .edital na. forma desta Lei,
co~eçandQ 'o pr<17iÕ .a éorrer 1(} ( d,e~)J4ias apó,s;a í~ltiina ptl]~ljcação.
1. Norma procedimental. Regulamento quanto aos atos de comunicação
previstos nesta lei. Nada impede que a notificação se dê também por
carta com aviso de recebimento.

Capitu:lq-IX
Disposições Penais
Art. 50 -Constitui crime contra a Administração Pública:
r - dar início, de qualquer modo, ou efetuar loteamento ou desmem-
bramento do solo para fins urbanos sem autorização do órgão público
~ompete~te, ou em d_esa_cordo com as disposições. ~e~ta Lei ou das nor-
mas pe1tmentes do D1stnto Federal, Estado~.e Mumc1p1os;
II- dar início, de qualquer modo, ou efetu~r loteamento ou desmembra-
mento do solo J)a~;a fins. urbanos sem. OQS~rvância das determinações
constantes do at.o, administratiyo «le li~e95:~~.
. m- faz~~' ou veic~Iar em ptopo~ta; dtmtrato;PJ:o~p~cto ou comunicação
ao p~blico ou a: interessados; afirm~çãôfai.Sa sdbre á lega'lidade de lote-
amento ou desme:il)bramento do solo para fins urbanos; ou ocultar fraudu-
lentamente fato a ele relativo. .
Pena: Reclusão, de 1 (mn) a 4(qüatro) anos, e multa de 5 Ccinco) a 50
(cinquenta)vezes omaior salário mírumo Vigente no Pá~~-

1. Ilícitos penais- a lei tipifica a promoção de parcelamentos irregulares,


bem como a ocultação de vícios relativos a estes empreendimentos.
O bem jurídico tutelado é a ordem urbanística primeiramente sob res-
ponsabilidade do ente municipal e, de forma secundária, de toda a so-
ciedade. Cabe ainda ressaltar que são crimes de perigo abstrato, dispen-
sando a prova do dano efetivo para sua ocorrência.
Os tipos previstos na lei são todas de forma dolosa, exigindo a vontade
do agente em praticar a conduta delituosa.
A estrutura do tipo, tal como apresentada nos incisos I e 11, com a expres-
são "dar início", dificulta a caracterização da tentativa.

103
FERNANDA LousADA CARDoso

Já o inciso li ao falar em veicular, abrangeu qualquer forma de divulgação


do empreendimento irregular.
..,... Aplicação pelo STJ.

"RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PARCELAMENTO IRREGU-


LAR DE SOLO URBANO (ARTIGO 50, INCISO I, COMBINADO COM OPA-
RÁGRAFO ÚNICO, INCISO I, DA LEI 6.766/1979). REGULARIZAÇÃO DO
LOTEAMENTO ANTES DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. ATIPICIDADE
DA CONDUTA. FALTA DE JUSTA CAUSA PARA A PERSECUÇÃO PENAL.
PROVIMENTO DO RECURSO. ( ... ) 2. Ao interpretar o artigo 50, inciso
I, da Lei 6.766/1979, esta Corte Superior de Justiça firmou o entendi-
mento de que se o loteamento é regularizado antes do oferecimento
da denúncia, não se vislumbra a existência de dolo do agente, motivo
pelo qual não há que se falar em crime. 3. No caso em apreço, da lei-
tura da certidão de averbação constante dos autos, depreende-se que
antes de 6.6.2012 já havia sido aprovado o desmembramento do terre-
no de propriedade dos recorrentes, ou seja, quando oferecida a denún-
cia, em 21.6.2012, o loteamento iniciado sem a autorização do órgão
público competente já estava devidamente regularizado, o que revela
a atipicidade da conduta a eles imputada. 4. Recurso provido para de-
terminar o trancamento da Ação Penal n. 0000398-03.2012.8.19.0072,
em trâmite perante a Vara Única da comarca de Paty do Alferes/RJ." á
{STJ, RHC 33909, Rei. Min. Jorge Mussi, DJ 23/10/2013)
"HABEAS CORPUS. PARCELAMENTO IRREGULAR DO SOLO - CRIME
INSTANTÃNEO DE EFEITOS PERMANENTES - ATOS PREPARATÓRIOS
NÃO PUNfVEIS- PACIENTE MENOR DE 21 ANOS NA DATA DOS FATOS
- PRAZO PRESCRICIONAL REDUZIDO À METADE. TRANCAMENTO DE
PROCEDIMENTO PENAL ANTERIOR AO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA.
ORDEM CONCEDIDA. l-No crime de parcelamento irregular do solo
não têm relevância penal os atos meramente preparatórios, sem que
se tenha, de modo efetivo, dado início ao loteamento. 2- O crime de
parcelamento irregular do solo não é crime permanente, mas, sim,
crime instantâneo de efeitos permanentes, logo, o marco inicial do
prazo prescricional é a data do início do loteamento, ou seja, a da
consumação. 3- Sendo o paciente menor de 21 anos, quando da pre-
sumida prática criminosa, o prazo prescricional é reduzido à metade.
4- Ordem concedida para determinar o trancamento do procedimento
instaurado contra o paciente." (STJ, HC 83203, Rei. Min. Jane Silva, DJ
05/11/2007)
"RECURSO EM HABEAS CORPUS. DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO PRO-
t FERIDA PELO STF. ORDEM CONCEDIDA DE OFfCIO. 1. Recurso ordinário

I
não conhecido, já que intempestivo. 2. Determinação do Supremo Tri-
.
i bunal Federal quando do julgamento do habeas corpus lá impetrado

104
.
LEr DO PARCELAMENTO DO SOLO URBANO,_, LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

para que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais proferisse novo julga-


mento, considerando o art. 50, 111, da Lei n. 6.766/1979 como norma
penal em branco, já que vinculada à legislação municipal que regula a
questão do loteamento urbano. 3. Julgamento proferido pelo Tribunal
mineiro em sentido contrário, qual seja, de que o art. 50, 111, da Lei n.
6.766/1979 não é norma penal em branco. 4. Nulidade caracterizada.
Ordem concedida de ofício, para que novo julgamento seja proferido
pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais nos limites fixados pelo Supre-
mo Tribunal Federal." {STJ, RHC 20973, Rei. Min. Sebastião Reis Júnior,
DJ 05/03/2013)
2. Competência - A jurisprudência discute a competência em casos em
que a terra parcelada é da União. Não há ainda uma corrente majori-
tária, havendo acórdãos que reconhecem o interesse da União e outros
que o afastam, diante da tutela da ordem urbana.

Jlb- Aplicação pelo STJ.


"HABEAS CORPUS. CRIME DE PARCELAMENTO DE SOLO. ART. 50 DA LEI
N.2 6.766/79. COMPETÊNCIA. TERRA DA UNIÃO. CONTROVÉRSIA EM
TORNO DO DESCUMPRIMENTO LEGAL DE REGISTRO. INEXISTÊNCIA DE
QUALQUER INTERESSE DA UNIÃO. CONSUNÇÃO AFASTADA NOS AU-
TOS. JUSTIÇA LOCAL. O descumprimento à norma do Registro Público
no caso do parcelamento do solo reclama o interesse local, indepen-
dentemente da titularidade do domínio, a não ser que demonstrado
nos autos o interesse da União para efeito de firmar a competência
federal. In casu, toda a discussão volveu-se para o interesse do Muni-
cípio quanto à irregularidade do parcelamento, tendo as decisões con-
denatórias afastado qualquer outra possibilidade inclusive no tocante
a possível consunção. Ordem denegada para manter a competência da
Justiça Locai." (STJ, HC 39670/RO, Rei. Min. José Arnaldo da Fonseca,
DJ 07 /03/2085)
1!1> Aplicação pelo STJ.
"CRIMINAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PARCELAMENTO IRREGU-
LAR DE SOLO URBANO. COLÔNIA AGRfCOLA VICENTE PIRES/DF. CRI-
ME DIRIGIDO AO ORDENAMENTO URBANÍSTICO DOS MUNICÍPIOS E
DO DISTRITO FEDERAL. NÃO-CONFIGURAÇÃO DE OFENSA A BENS, IN-
TERESSES OU SERVIÇOS DA UNIÃO, AINDA QUE AS TERRAS SEJAM DE
SUA PROPRIEDADE. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. Compete à
Justiça Estadual o processo e julgamento de feito que visa à apuração
de possível crime de parcelamento irregular de solo urbano, pois o
objeto jurídico da Lei n.!! 6.766/79 é a proteção do ordenamento ur-
banístico e ecológico dos municípios e do Distrito Federal. A Lei n.!!
6.766/79 dispõe sobre a ocupação ordenada do solo e, não, sobre a
sua propriedade. Não configurada a ofensa a bens, serviços ou inte-

105
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

resses da União, ainda que o parcelamento seja realizado em terras


de sua propriedade, sobressai a competência da Justiça Comum para
o julgamento do crime previsto no art. 50,. da Lei n.Q 6.766/79.Conflito
conhecido para declarar a competência Juízo de Direito da 1.~ vara Cri-
minal da Circunscrição Judiciária de Taguatinga/DF, o Suscitado."(STJ,
CC 34476/DF, Rei. Min. Gilson Dipp, DJ 26/08/2002)
~ Aplicação pelo STF

"LOTEAMENTO- DESDOBRAMENTO DO SOLO URBANO- TIPO PENAL


-INCISO 111 DO ARTIGO 50 DA LEI NQ 6.766/79- LEGISLAÇÃO- CONSI-
DERAÇÃO. A definição da ocorrência do crime tipificado no inciso 111 do
artigo 50 da Lei nQ 6.766/79 pressupõe o exame da legislação acerca
das posturas municipais, das normas disciplinadoras do loteamento
ou desdobramento do solo para fins urbanos" (STF, HC 86262/MG, Rei.
Min. Marco Aurélio, DJ 07/04/2006)

Parágrafo único. O c~iine definido neste 1.1.rtigo é qualificado, se cometido:


I - por ~cio de. vellda, promessa .de venda, reserva de lote ou quaisquer
outros u~strumentqs .. que manifestem a intenção de vender lote em
lotean;ento ou di(S~I(~nbrament() não re~istrado no Registro de.. Imóveis
compe.tente; . , •. . . .
II- com inexistência de título legítimo de propriedade do ímóvello.tea-
do ou desm~~rado~ ressalvado o disposto no art. 18, §§ 4" e 5", •desta Lei,
01: com O?Jtssao fraudulenta de. fato a ele relativo, se o fato não constituir
cnme mats grave. (Redação dada pela Lei n" 9. 785, 29~1.99)
Pena: R~~lu.são~ ~e ~,\l.lt~) a ,5:(ci~(>()) ~nos, e multa de 10 (dez) a 100
(cem) vçzes o ma10rs~láno mtmmo vigente no País .... ·· ·

1. Crime instantâneo- A promoção de parcelamento irregular é modali-


dade de crime instantâneo com efeitos permanentes. Tal classificação é
fundamental para a contagem do prazo prescricional.

..,. Aplicação pelo STJ.

"PENAL. RECURSO ESPECIAL. CRIME CONTRA O PARCELAMENTO DO


SOLO URBANO (LEI NQ 6.766/79). CRIME INST/I.NTÂNEO COM EFEITOS
PERMANENTES. PRESCRIÇÃO RETROATIVA. O delito previsto no art.
50 da Lei n 9 6.766/79 é instantâneo de efeitos permanentes. o prazo
prescricional, portanto, tem início na data em que se consumou e não
da cessação dos seus desdobramentos. Recurso provido." (STJ, REsp.
566076/DF, Rei. Min. Felix Fischer, DJ 19/12/2003)

106
LEI DO PARCELAlv!ENTO DO SOLO URBANO LEI NO 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979

2. Norma penal em branco. Os tipos previstos no art. 50 estão integral-


mente definidos, dispensando complementação por meio de outro ato
normativo. Sendo assim, tem aplicação imediata.

Jl>- Aplicação pelo STJ.

"Parcelamento do solo (Lei 6.766/79). Sentença (condenatória). De-


núncia (inépcia formal). Alegação (tardia). Norma penal em branco.
Defesa (falta). 1. É tardia a alegação de denúncia inepta após cum-
prido e acabado o ofício jurisdicional ordinário, ainda que penda de
julgamento agravo contra decisão denegatória de recurso extraordi-
nário. 2. O inciso 111 do art. 50 da Lei 6.766/79 não é norma penal em
branco, isto é, não é tipo legal de crime que necessite de integração
por outras disposições. 3. O que constitui nulidade é a falta de defesa;
a deficiência ainda depende de prova do prejuízo. Caso em que nem
deficiência há. 4. Habeas corpus denegado. Liminar revogada." (STJ, HC
38609/MG, Rei. Min. Nilson Naves, DJ 01/07/2005).
3. Atipicidade. Não se configura o delito penal quando, apesar de não ha-
ver o título de propriedade, o loteamento é realizado por Ente Público
que está promovendo a desapropriação do bem, na forma do art. 18,
§§42 e 52.

.$til ~ Aplicação em concurso.


• MP/SE- Prova Objetiva- 2010- CESPE
"Cardoso resolveu, por conta própria, criar um parcelamento de solo em
área pública sem registro em cartório. Colocou piquetes demarcando os
lotes e pediu para Carlos, corretor de imóveis, vender os lotes, com o que
este concordou. Considerando essa situação hipotética e o previsto na Lei
de Parcelamento de Solo Urbano (Lei n.º 6.766/1979), as condutas de Car-
doso e Carlos constituem, respectivamente,
a) crime e contravenção penal.
b) infração administrativa e atividade ilícita.
c) atividade ilícita e infração administrativa.
d) contravenção penal e crime .
e) crime e crime."
Gabarito: letra E

~ Aplicação pelo STF.

"Loteamento irregular (L. 6.766/79, art. 50, I, e§ 12, I e 11): inexistência


do crime quando o loteamento e as promessas de venda incrimina-
das foram promovidos pelo município, quando já imitido liminar-
mente na posse da área, exatamente para esse fim, em processo de

107
•.·~·
':
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

desapropriação: inexigibilidade em tal caso da prévia aquisição do do-


mínio do imóvel e do registro do loteamento, como reclamado por lei
na hipótese de loteamentos empresariais privados." (STF, HC 74725/
RS, Rei. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 22/08/97).

Art. 51 - Quen~, de qua~quer modo, concorra para a prática dos crimes


prev~stos no arttgo antcnor desta Lei incide nas penas a estes cominadas,
considerados em especial os atos praticados na qualidade de mandatá-
rio de loteador, diretor ou. gerente de sociedade.
Parágrafo único. (VETADO) (Incluído pela Lei n° ~.785, 29.1.99)

1. R_egularida,de_do t'oteamento- O parágrafo único, vetado pela Presidên-


Cia da Republ1ca, afastava expressamente a tipicidade nos casos em que
o lo_te:_amento era regularizado antes do oferecimento da denúncia. Tal
dec_1s~o se d_eu por base no magistério do Min. Paulo Costa Leite que
defin1a os cnmes capitulados por esta lei como crimes formais, vez que
cometldos contra a Administração Pública. Em assim sendo, irrelevante
para a caracterização do delito sua materialidade.
-) Aplicação em concurso. '~-·
• MP/MG- 47 Concurso.
"Quando se tratar de parcelamento do solo urbano, mediante loteamento
ou desmembramento, segundo o que dispõe a Lei n2 6.766/79, não poderá
ser efetivada venda ou promessa de venda de suas parcelas, sem que 0
lotean:ento ou desmembramento esteja registrado no Cartório de Registro
d~ lmove1s competente, constituindo tal conduta crime previsto na mesma
le1, que poderá ser elidido com a posterior regularização do parcelamento."
A afi:mativa está errada. A regularização posterior não afasta a conduta
cnmmosa, por ser o crime formal, na linha do entendimento do Min. Paulo
Costa Leite.
Hoje, a jurisprudência do STJ se consolidou no sentido de reconhecer tal
atipicidade. O Direito Penal funciona, assim, como instrumento intimida-
dor das condutas delituosas.
..,._ Aplicação pelo STJ.
"C~IMINAL. HC. LOTEAMENTO DE SOLO URBANO. TRANCAMENTO DA
AÇAO PENAL. REGULARIZAÇÃO ANTES DO OFERECIMENTO DA DENÚN-
CIA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA EVIDEN-
CIADA. ORDEM CONCEDIDA. Hipótese em que os pacientes realizaram
loteamento de solo urbano, sem prévia autorização dos órgãos públi-
cos competentes e em desacordo com as disposições legais. Se 0 lo-
teamento encontrava-se regularizado antes do oferecimento da de-
núncia, não há que se falar em conduta típica. Precedentes. Ausência

108
LEI DO PARCELAMENTO DO S•)LO URBANO··· LEI NO 6.766, DE I 9 DE DEZEMBRO DE 1979

de justa causa para a ação penal evidenciado, ensejando a reparação


do constrangimento ilegal pela via do habeas corpus. Deve ser cassa-
do o acórdão recorrido para trancar a ação penal instaurada contra
os pacientes. Ordem concedida, nos termos do voto do Relator." (STJ,
HC56726/SP, Rei. Min. Gilson Dipp, DJ 01/08/2006)

Art. 52 -Registrar loteamento ou desmembramento não aprovado pe-


los órgãos competcnt;)s, registrar o compromisso de compra e venda, a
cessão oü promessa d.e cessão de direitos, ou efetuar registro de contrato de
venda de loteamento ou desmembramento não registrado.
Pena: Detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, c multa de 5 (cinco) a 50 (cin-
quenta) vezes o maior salário mínimo vigente no País, sem prejuízo das
sanções administrativas cabíveis.

Capitulo X
Disposições Finais
Art. 53 - Todas as alterações de uso do solo rural para fins urbanos
dependerão de pt·évia audiência do Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária- INCRA, do Órgão Metropolitano, se houver, onde
se localiza o Município, c da aprovação da Prefeitura Municipal, ou
do Distrito Federal =tuando for o caso, segundo as exigências da legisla-
ção pertinente.

1. Zona cinzenta. Tod::> o município tem uma região de transição entre a


área urbana e a rural, caracterizada ou não como zona de expansão ur-
bana. A alteração definitiva da área rural para urbana depende do acom-
panhamento da Prefeitura e do INCRA para sua adequada regularização
e posterior parcela :nento.

Art. 53-A. São considerados de intet·esse público os parcelamentos


vinculados a planos ou programas habitacionais de iniciativa das Pre-
feituras Municipais e do Distrito Federal, ou entidades autorizadas por
lei, em especial as regularizações de parcelamentos e de assentamentos.
(Incluído pela Lei n" 9.785, 29.1.99)
Parágrafo único. Às ações c intervenções de que trata este artigo não será
exigível documentação que não seja a mínima necessária e indispensá-
vel aos registros nc cartório competente, inclusive sob a forma de certidões,
vedadas as exigêndas e as sanções pertinentes aos particulares, especial-
mente aquelas que visem garantir a realização de obras c serviços, ou qué vi-
sem prevenir questões de domínio de glebas, que se presumirão asseguradas
pelo Poder Público respectivo." (Incluído pela Lçi n° 9.785, 29.1.99)

109
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

1. Flex.ibilização .na documentação. A lei, no intuito de fomentar os empre-


en~lmentos _vmculados a programas habitacionais, dispensa documen-
taçao que nao seja essencial para efetivar o registro público do imóvel.

Art. 54- Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.

110
EsTATUTO DA CIDADE
LEI N° 10.257/2001

Capítulo I
Diretrizes Gerais
Art.l" W(l execução d~ política urba~a~ de que tratamos arts. 182 e 183
da Çqns,tituiçí\o~lf~derfll;. se.ra ap~i<;ado rfprexi~>to nestflLeL .
···aeltoniiriada.·Estatuto
~i,J;ij~fe~sesocial que
0 ...... _
.... ·do lie~coletivo, da
;fiem,colJ.lÓ~·dp~qiíÜibrio am-

1. Previsão Constitucional. A Lei 10257/01 veio regulamentar o art. 182,


#I trazendo as diretrizes gerais da política urbana, em especial do uso da
propriedade urbana. A ocUJ2i':JS.ãO do solo urbano deverá observar o inte-
res.sed<Lc.QI~_ti\LLçlª.d-e...ê-ª.P..L'ª.âS!rVjl_,Ç_ªQ-ª.9 meio-ambiente. As normas aqui
previstas são de ordem pública, intransacionáveis por particulares.

2. Estatuto da Cidade. A Lei 10257/01 traz normas gerais e instrumentos


jurídicos úteis na ordenação do espaço urbano. Este diploma legal é mais
amplo que a Lei 6766/79 que aborda apenas o parcelamento do solo
urbano. Aqui haverá normas sobre planejamento urbano, sobre exercí-
cio do direito de construir e zoneamento, sistematizando e inovando as
regras urbanísticas até então vigentes em nosso ordenamento.

7 Aplicação em concurso.
• Procurador do Município de Aracaju- 2007- CESPE
"Lei federal de desenvolvimento urbano exigida constitucionalmente, o
Estatuto da Cidade regulamenta os instrumentos de política urbana que
devem ser aplicados pela União, pelos estados e pelos municípios."
A afirmativa está correta.

111
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

r- garantia do direito â'cld~~es,sus~entáveis, entendic:Íó como o direito à


terra urbana, à mor:adht;'~!> s~ne~fiJént(),al.hbiçnt~I,,ã inrra-esttiltura urba-
na, ao transporte eí'tós
serviÇos plÍblicos, ao trabalho é ao l:.:zer, para as
pxeseutes e~a_Ç.ÔJ~s;, ,
rr- gestão democrática pór~eio da participação da pópulação, e de as-
sociações representativas dos, vários segmentos da comurtidadé na formu-
lação, execução e acompanhamento de ,planos, programas e projetos, de
desenvolvimento urbano; ,
m- cooperação, entre os go~efuíôs~~ibi~iati~a privada cps dí!ni,?i~ setor~,
da sociedade rio processo de uftíanmtção, elllatendímentp ao int9ress~ social i
IV_, plauejamento do desenv(llvimento das cidades, âa distriouiÇão espa-
cial da populaç~o e d4s ~tiYl~~~es (!<?Ol1ÔJ,1:1Ícas do Mupiçipio e cfP:terrjtqrio
sob sua área de in,flliêncift, ciç~o,di'La:evitar e corrigir as cJ!storç,Çí,es c! o cres-
cimento urbano e seus eteitos,fiega~ivos $óbf:e 9 nieiq aml>iente;, ,
V - oferta dé equipiunerito{urfi~~os e comunitários, ttanSJ)orte 7 ser-
viços públicos aqequados aosjnteres~es e necessidades da população e às
características locais; , , , , ,
VI - ordenação e controle .iiocu~6,4o~olo, de foima ~ é\íit~r: -
a) a utilizaçã~,fhrideqti~~~ d~Üm~V'eís urb.anos;
b) a proxi~idad~:Je n~o~ ~~~i;..p~fi~~is ou i~~onvenientes;
c) o parcelameuto d~ sotri, ~··edificação ou o uso excessivos ou inadequa-
dos em relação à infra-estrutUra urbana;
d) a instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar
COJl}Q_J?_QJQ::;_geradores de tráfcs:o, sem a previsão da infra-estrutura corres-
pondente;
c) a retenção especulativa de imóvel urbano, que resulte na sua subutilí-
zação ou não utilização; ·'
f) a deterioração das áreas urbanizadas;
g) a poluição e a degradaçã~ ambiental;
h) a exposição dâ po}ltllli'Çãó a riscli.s de desastres naturais; (Incluído
pela Lei 12608, de 20l2): ··
VIl - integração e ~ómplelhérttatidltde entre as atividades urbanas e
rurais, tendo em vistà o desenvoivimerito socioeconômico do Município e
do território sob sua área de influência;
VIU - adoção de padr~es •.· il.~ e. C\)nsulllo de 9~n~ ~ ~~rviços
e de expaJ1são 'e'ac,~n~~,; · •· · · >qs.lünit:e~da .. ~l.l,St~,Utâbilidade
an:d:>ie~t~l, so'e" ·.... " "!
d~ hifliJ.êhCiá*~·~,'/>'· .+,!,o:,·:;~'"~~·
!Pi9
. do
e ,terrii(i);icf~!)h;.~u.fl:.áre'l:
· ·. ",··· ·<·/···j'P'·'···":·<>c<J'' t.··· ~
' ' . ; . ' '; /,'~ '<}:·:; .' f,<'·~/.~;·:·;·.{
·c·~·

112
ES"[,\TUI'O DA CIDADE LEI N° 10,257/2001

rx~.justa;distribuição dos benefícios e .ônus decorrentes do processo


<l~ rirl>-;;iZaÇã-;;;·--------

X- ad(\quação elos instrumentos de política econômica, tribütária c fi-


nanceira. e dos gastos públicos aos objetivos do desenvolvimento urbano,
de modo a privilegiar os investimentos geradores de bem-estar geral e a
fruição dos bens pelos diferentes segmentos sociais;·
XI- recuperação dos investimentos do Poder Público de que tenha re-
sultado.:â,Y,alorizaçãn.de_ímóv.eis._w:banosi· •
XII- prot~ção, preservação e recuperação do meiQ ambiente natural e
construido, elo patrimônio cultural, histórico, artístico, paisagístico e ar-
queológico; · ·
XIII- .audiência do Poder Público ~unicipal e da popi~Iação. interessa-
da nos processos de implantação de empreendimentos ou atividades com
efeitos potencialme::tte negativos sobre o meio ambiente natural ou cons-
tmido; ó conforto ou a segurança da população;
XIV- r.~gtdarizaçio fundiária e urbanização de áreas. ocupadas por
popuía'Ção de baixa renda mediante. o estabelecimento_ de no1m,~s espe-
ciais de urbanização, uso e ocupação do solo e edificação, consideradas a
situáção socíocconômica da popuiação c as normas ámbientais;
XV - siútplificação da legislação de parcelamento, uso e ocupação do
solo e das nom1as edilícias, com vistas a permitir a redução dos eusros c o
aumento da oferta elos lotes e unidades habitacionais;
XVI - isonomia de condições para os agentes públicos e privados na
promoção de empreendimentos c atividades relativos ao processo de urba-
nização, atendido o interesse social.
XVII- estimulo à utilização, nos parcelamentos do solo e nas edificações
urbanas, de sistemas operacionais; padrões construtivos e aportes tec-
nológicos que ob,jetivem a redução de impactos ambientais c a econo-
mia de recursos naturais. (Incluído pela Lei n" 12,836, de 20 13)

1. Diretrizes gerais. Os objetivos aqui traçados são o esqueleto da política


urbana que se visa implantar nas cidades brasileiras, Com elas, Q_i}sca-se
potencializar as funções da cidade, alcançando um~ql:Jj!JqJ:iQ_~Iltreelas.
É-a mélterTãTizã-Çâõ do direito a-umã-~idacie 5-ust~ntável, respeitando a
Junção social da propriedade urbana, prevista no art. 182, § 2º, CRFB.
Os parâmetros aqu definidos são vetores de interpretações das normas
urbanísticas e modelos a serem testados na análise da ação administra-
tiva,

113
FERNANDA LoUSADA CARDoso

2. Função social da cidade. O artigo inovou ao reconhecer à cidade uma


função social, que não se limita à propriedade imobiliária. A cidade é
vista como uma unidade, cujos integrantes são as inúmeras proprieda-
des que devem ser ocupadas e exploradas em respeito às necessidades
e possibilidades da urbe.

7 Aplicação em concurso:
• Vunesp/PGM/São Paulo/Procurador/2014
As diretrizes gerais da política urbana são, nos termos do Estatuto da Cida-
de (Lei n. 10.257 /01), dentre outras:
a) Garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra
rural, à moradia e ao saneamento básico.
b) Cooperação entre os governos, a iniciativa privada e os demais setores da
sociedade no processo de urbanização, em atendimento ao interesse so-
cial.
c) Ordenação e controle do uso do solo, de forma a minimizar a proximidade
de usos incompatíveis ou inoportunos.
d) Integração entre as atividades urbanas e semiurbanas, objetivando o de-
senvolvimento macroeconômico do município.
e) Regularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas por pessoas hi-
possuficientes mediante o estabelecimento de normas gerais de urbaniza-
ção e uso do solo.
Gabarito: letra 8

• lESES- TJ-PB- Titular de Serviços de Notas e Registros- 2014


o Estatuto da Cidade prevê em seu texto a ordenação e controle do uso do
solo, como forma de evitar:
1. A utilização inadequada dos imóveis urbanos.
11. A poluição e a degradação ambiental.
111. o parcelamento do solo, a edificação ou o uso excessivos ou inadequados
em relação à infraestrutura urbana.
IV. A instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar como
polosgeradoresde tráfego, sem a previsão da infraestrutura correspondente.
A sequência correta é:
a) Apenas as assertivas li e IV estão corretas.
b) Apenas as assertivas I, 11 e IV estão corretas.
c) Apenas as assertivas I e li estão corretas.
d) As assertivas I, li, 111 e IV estão corretas
Gabarito: letra D

114
EsTATL'TO DA CIDADE-- LEr N" 10.257/2001

• Vunesp/DPE/MS/2012
Em consonância com o Estatuto da Cidade (Lei Federal n. 10.257 /01):
a) o direito de superfície, que abrange o direito de utilizar o solo ou o espaço
aéreo relativo ao terreno, é concedido pelo proprietário ao superficiário a
título oneroso ou gratuito, mediante contrato por prazo certo.
b) os instrumentos para garantir a gestão democrática da cidade são os deba-
tes, audiências públicas, a iniciativa popular de projeto de lei e a preven-
ção.
c) dentre as diretrizes gerais da política urbana encontram-se a simplificação
da legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo e das normas edilí-
cias com vistas a permitir a redução dos custos e o aumento da oferta dos
lotes e unidades habitacionais.
d) o objetivo da política urbana é a isonomia de condições para os agentes pú-
blicos e privados na promoção de empreendimentos e ativid~des relativos
ao processo de urbanização, atendido o interesse social.
Gabarito: letra C

• MPE-RS- 2014- Assistente Social


Tomando por base que a Lei n2 10.257/2002, conhecida como Estatuto da
# Cidade, considere as diretrizes da política urbana listadas abaixo.
I. Garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra
urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao
transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes
e futuras gerações.
11. Cooperação entre os governos, a iniciativa privada e os demais setores da
sociedade no processo de urbanização, em atendimento ao interesse so-
cial.
111. Recuperação dos investimentos do Poder Público da qual não tenha resul-
tado a valorização de imóveis urbanos.
Quais são corretas?
a) Apenas 1
b) Apenas 2
c) Apenas 3
d) Apenas 1 e 2
e) 1, 2 e 3.
Gabarito: letra d

• Vunesp/CM/São José dos Campos/Advogado/2014


Com vistas no que dispõe a Lei n. 10.257/2001, assinale a alternativa cor-
reta:

115
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

a) Compete aos Municípios legislar sobre normas gerais de direito urbanísti-


co.
b) Constitui um instrumento da política urbana, dentre outros, o planejamen-
to municipal, em especial, o zoneamento ambiental.
c) o proprietário urbano não poderá conceder a outrem o direito de superfí-
cie do seu terreno.
d) O direito de preempção não poderá ser exercido pelo Poder Público no
caso de constituição de reserva fundiária.
e) O plano diretor não poderá fixar áreas permitidas de alteração do uso do
solo.
Gabarito: letra B

• TJ-AC- Juiz- 2012- CESPE


De acordo com o Estatuto das Cidades, as diretrizes da política urbana in-
cluem
a) a garantia do direito a cidades sustentáveis e a cooperação entre os go-
vernos, iniciativa privada e demais setores da sociedade no processo de
urbanização, em atendimento do interesse social 'l!!l!'
b) a garantia de acessibilidade aos equipamentos urbanos e a gestão demo-
crática por meio da atividade parlamentar
c) a cooperação entre o governo, a iniciativa privada e as organizações não
governamentais no atendimento do interesse social e a gestão integrada
do sistema de gerenciamento de trânsito nos municípios com população
igual ou superior a quinhentos mil habitantes.
d) a gestão descentralizada dos recursos hídricos e o planejamento integrado
do sistema de esgotamento sanitário.
e) a cooperação intermunicipal no processo de elaboração do zoneamento in-
dustrial e o plano de manejo de parques, praças e áreas verdes dos espaços
urbanos.
Gabarito: letra a

• DPE-AC- 2012-CESPE
Assinale a opção correta em relação à defesa da ordem urbanística.
a) o planejamento ele construção ele ruas e ele prédios de forma a garantir
fluxo tranquilo, tanto do transporte terrestre quanto do aéreo, não se en-
quadra como diretriz da ordem urbanística.
b) A justa distribuição dos benefícios advindos do processo de urbanização
bem como dos ônus dele decorrentes não se inclui entre as preocupações
relacionadas à ordem urbanística.
EsTATUTO DA CmADE ·-LEI N° 10.257/200 l

c) Caso o dano por falta de investimento em infraestrutura, como a falta de


água frequente ou defeitos na rede de esgoto, atinja apenas alguns bairros
de determinado município, estará configurada violação a direito difuso.
d) A regularização fundiária e a urbanização de áreas ocupadas por popula-
ção de baixa renda, mediante o estabelecimento de normas especiais de
urbanização, é matéria afeta ao direito de propriedade e, como tal, não diz
respeito ao direito urbanístico.
e) A lei reconhece como direito coletivo em sentido amplo a ordem urbanís-
tica, sendo um dos objetivos da política urbana o pleno desenvolvimento
da propriedade urbana, razão pela qual a construção de condomínios em
região arborizada deve ser precedida de estudo de impacto ambiental.
Gabarito: letra e

• TRF- 2 Região- 2011- CESPE


Assinale a opção correta, considerando a função social da propriedade e
seus consectários.
a) A desapropriação-sanção, aplicada à propriedade urbana que não cumpra
sua função social, tem por finalidade transferir permanentemente o imóvel
ao poder público.
b) De acordo com entendimento do STJ é impossível a revogação de cláusulas
de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade impostas por
testamento em imóvel, com base no princípio da função social da proprie-
dade.
c) A edificação compulsória da propriedade urbana que não cumpria sua fun-
ção social não se transfere ao novo adquirente do imóvel.
d) Uma das diretrizes do plano diretor, instrumento necessário ao cumpri-
mento da função social ela propriedade urbana, consiste em impedir a ina-
dequada utilização do imóvel e a retenção especulativa que interfiram nos
projetos de desenvolvimento urbano.
e) Nos casos de desatendimento da função social da propriedade em áreas
urbanas com mais de vinte mil habitantes, a imposição de imposto sobre
a propriedade territorial urbana progressivo independe ela existência de
plano diretor, ao contrário do que ocorre com a edificação compulsória e a
eles a p ropri ação-sanção.
Gabarito: letra O

• MP/ES-2010- Prova Objetiva- CESPE


"A cidade representa a expansão criativa do homem, pois resulta da ação
humana como agente modificador da natureza para a criação e amp'liação
do espaço urbano. Acerca desse assunto, assinale a opção correta.
a) O estudo de impacto ambiental, apesar ele constituir instrumento ela Políti-
ca Nacional de Meio Ambiente, só pode ser empregado no meio natural.

117
FERNANDA LC!lJSADA C'ARDUSU

b) A matéria urbanística não foi abordada, nem de modo indireto, pelo legis-
, lador constituinte; só existe regulamentação do tema nos planos diretores
estaduais.
c) A competência para ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais
das cidades e garantir o bem-estar de seus habitantes é do município.
d) O Estatuto da Cidade não disciplina o planejamento municipal, pois isso
deve ser feito pelo plano diretor.
e) No ordenamento bra.sileiro, não há previsão de usucapião especial de imó-
vel urbano."
Gabarito: letra C

• MP/PA-2006.
"A propriedade urbana e o seu exercício, consoante sua função social, so-
frem formação e condicionamento de acordo com as normas urbanísticas
municipais e demais disposições e diretrizes nacionais e estaduais referen-
tes à matéria. Por consequência, estará condicionado o seu exercício ao de-
senvolvimento das funções urbanísticas da cidade, quais sejam: habitação,
lazer, trabalho e circulação."
A afirmativa está correta.

3. Direito às gerações futuras. O que se pretende com a lei é regulamentar


a presente ocupação do solo urbano parél._Qossibilitar às geraç§e.sJuturas
o conforto que uma c!<j~.9-~--.S:~!~.l:l.t~r..<:lcJ.~.~I:>~n:!-ill.ª-D_gj-ª.9...<lSlf.~~çe aos
seus moradores.
O planejamento expressamente envolve atividades econômicas, servi-
ços públicos e tratamento às questões sociais, ultrapassando os limites
geográficos do município. É preciso estudar também os limites entre as
cidades, de modo a melhor orientar o fenômeno da conurbação, a con-
tinuidade geográfica entre duas ou mais cidades.
-7 Aplicação pelo TJ-RJ.
"IMÓVEL ABANDONADO. CADASTRAMENTO DE INVASORES. CON-
DIÇÕES PRECÁRIAS DE HABITAÇÃO. ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL.
PODER-DEVER DE AGIR. LEGALIDADE DO ATO. Agravo de instrumen-
to. Ação civil pública. Comando para realização de cadastramento de
invasores de imóveis sob pena de multa cominatória. Inconformismo
do ente político municipal. Está a Administração -em sentido lato -
jungida ao ordenamento legal que diz respeito à sua atuação, inclusive
como decorrente do comando constitucional e infraconstitucional. De-
cisão que se revela como mera atividade administrativa, com o fito
de identificar aqueles que se encontram em condições precárias de
habitação. Poder-dever de agir do Município violado pelo mesmo,

118
EsTATUTO DA CIDADE- LEI N" 10.257/200!

em face da inércia do mesmo em assim atuar. Inteligência do art. 182


da CF/88 e do art. 22, inciso I e IV do EstatutQ da Cidade. Manuten-
ção da decisão e não provimento do agravo de lnstrumento."(TJ-RJ, AI
200800221902, Rei. Des. Pedro Freire Raguenet, DJ 21/01/2009).
4. Gestão democrática. A Lei 10257/01 preza pela oitiva dos moradores da
cidade, de suas associações e demais segmentos da sociedade na defi-
nição das prioridades urbanas e no comprometimento com o bem-estar
social. A união também se dá em âmbito governamental, com a partici-
pação dos três níveis da federação no planejamento do desenvolvimen-
to da cidade.
S. Uso do solo urbano. A lei prevê como diretriz o uso adequado e com-
patível dos imóveis, evitando-se não apenas o sub-uso e a r:etenção es-
peculativa, mas também o uso excessivo da terra que leve à sobrecarga
da estrutura urbana ou à geração de passivo ambiental. São elencadas
diversas situações que devem ser evitadas, vedações cuja eficáç_!a é_LQle-
diata, independe~~~3'__f..~!ura regulamentação.
Nesse passo, ~Lei 1_~60?J1Q12,.acrescentou a alínea h ao inciso VI deste
flrtigo para alertar sobre os riscos de submissão da população urbana
a desastres naturais. O planejamento urbano deve, assim, estar atento
a este perigo que atinge muitas cidades brasileiras sujeitas a acidentes
naturais decorrentes da inadequada urbanização destaque dado pela
inserção do inciso XVII no art. 2, determinando o estímulo à a~~~.-9- d.e
padrões construtivos que reduzam os impactos ambientais.
6. Repartição dos investimentos urbanos. A lei traz a urbanização como
uma tarefa comum da sociedade e do Poder Público, este representado
nas três esferas da federação. Por isso, defende a repartição de ônus e
bônus, prevendo instrumentos jurídicos hábeis à recuperação do capital
investido pelo Poder Público, tais como a contribuição de .fl1E!Ihoria e a
desapropriação por zona.
7. Preservação cultural e natural. No mesmo passo que se promove o de-
senvolvimento da cidade, deve-se vigiar a preservação do patrimônio
CUltUra l~de m Õ-do-â -conse-rvaX9S_ ÇQ)J_St ru ÇÕEi_5._9_g_y_ill_p__r_.b.L~tfuJ~Q~~_çu·JturaJ
;eSUaCO-~_"Çj_a...çQJTI_o._a~biente natiJ~L .

-7 Aplicação em concurso
• Vunesp/PGM/Poá/Procurador/2014
Nos termos do Estatuto da Cidade, a polftica urbana tem por objetivo or-
denar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da proprie-
dade urbana, mediante diretrizes gerais, dentre as quais podemos citar:

119
FERNANDA LOIJSADA CARDOSO

a) garantia do direito a cidades autossustentáveis, entendido como direito à


terra rural para a monocultura, à infraestrutura rural, ao transporte e aos
serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gera-
ções.
b) ordenação e controle do uso do solo, de forma a evitar a exposição da po-
pulação a riscos de desastres sobrenaturais.
c) adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expan-
são rural compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental, social
e econômica do município e do território sob sua área de influência.
d) gestão monocrática por meio da participação da população e de associa-
ções representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação,
execução e acompanhamento de planos diretores, programas e projetos de
desenvolvimento urbano.
e) proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural e constru-
ído, do patrimônio cultural, histórico, artístico, paisagístico e arqueológico.
Gabarito: letra E

8. Acesso à moradia. Todo processo de urbanização deve viabilizar o maior


número possível de moradias sustentáveis, compatíveis com o habitat
dos munícipes. Para tanto,.é-preciso que os parâmetros urbanísticos~ia­
biJizem a regularização de casas da população de baixa renda, permitin-
do sua integração ao tecido urbano. A regularização fundiária permite a
conversão de situações fáticas em direitos reconhecidos, conferindo à
população estabilidade em suas moradias.

9. Estatuto da Metrópole. A Lei 13089/2015, que instituiu o Estatuto da


Metrópole, estabelece que as diretrizes aqui referidas devem ser obser-
vadas pela governança interfederativa das regiões metropolitanas. Elen-
ca, ainda, em seu art. 7, outras diretrizes gerais a serem acrescidas as
aqui comentadas.
~ Aplicação em concurso
• MP/RN- 2009- Prova Objetiva- CESPE
"Acerca das diretrizes gerais da política urbana, assinale a opção correta à
luz do Estatuto da Cidade- Lei n.º 10.257/2001.
a) A desapropriação é instrumento de política urbana.
b) O tombamento de imóveis não é considerado instrumento de política urba-
na.
c) o rlano diretor é parte integrante do processo de planejamento municipal,
devendo suas diretrizes e prioridades estar incorporadas no plano pluria-
nual e nas diretrizes orçamentárias, com exceção do orçamento anual.

120
EsTAil.JTO D,\ CmADE -- Lr:r N° 10.257/2001

d) A lei que institui o plano diretor, aprovado por lei municipal, deve ser revis-
ta, pelo menos, a cada dois anos.
e) O plano diretor é obrigatório para cidades com mais de dez mil habitantes."
Gabarito: letra A

~ Aplicação pelo STJ.


"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PRA-
ÇAS, JARDINS E PARQUES PÚBLICOS. Q!_R_EITQÀ CIDADE_SUSHNT_,Õ,VE_l.
ART. 2~LJfiÇI_SQS__ Lf::!',1,[)6_~_E[JJl.25?/Q~ (ESTATUTO DA CIDADE). DO-
AÇÃO DE BEM IMÓVEL MUNICIPAL DE USO COMUM À UNIÃO PARA
CONSTRUÇÃO DE AGÊNCIA DO INSS. DESAFETAÇÃO. COMPETÊNCIA.
INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 150/STJ. EXEGESE DE NORMAS LOCAIS
(LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE ESTEIO/RS). 1. O Ministério Público
do Estado do Rio Grande do Sul ajuizou Ação Civil Pública contra o
Município de Esteio, em vista da desafetação de área de uso comum
do povo (praça) para a categoria de bem dominical, nos termos da
Lei municipal 4.222/2006. Esta alteração de status jurídico viabilizou
a doação do imóvel ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS,
com o propósito de instalação de nova agência do órgão federal na
cidade. ( ... ). 3. Tais espaços públicos são, modernamente, objeto de
disciplina pelo planejamento urbano, nos termos do art. 2Q, IV, da
lei 10.257/01 (Estatuto da Cidade), e concorrem, entre seus vários be-
nefícios supraindividuais e intangíveis, para dissolver ou amenizar di-
ferenças que separam os seres humanos, na esteira da generosa aces-
sibilidade que lhes é própria. ( ... ) Daí o_c!ever nãq.,91?.9:JçLQ11áii9~.o
administrador de instituí-los e conservá-los ade~sJam~J:l.!e, como
elementos indispensáveis ao. diretto à cidade susten:tável, que envol-
ve, simultaneamente, os interesses das gerações presentes e futuras,
co_11soant~Q.AI!,_2,~,J, ºª--~gL~Q,l.?2/Q_!_(J;_sj:ª1.Y1osli!_Cidade). (... ) 7. De
toda sorte, registre-se, em obiter dictum, que, embora seja de inequí-
voco interesse coletivo viabilizar a prestação de serviços a pessoas de
baixa renda, não se justifica, nos dias atuais, que praças, jardins, par-
ques e bulevares públicos, ou qualquer área verde municipal de u_;;o
CQ!Jlurn._ç!p__[!Q.V(l, Sc9f.r:;;mutesafetaçãQ...Mra a edificação de pr~_ç!.im._e
const;ri!ç§.g~,_gove~nam~IJ.!.CJ.UU2.1! n}1q, tanto mais aci se considerar, nas
_cidades brasileiras, a insuficiência ou absoluta carência desses lugares
de convivência social. ( ... ) Assim, em tese, poderá o Ministério Públi-
co, se entender conveniente, ingressar com Ação Civil Pública contra
o Município recorrido, visando obter compensação pelo espaço verde
urbano suprimido, de igual ou maior área, no mesmo bairro em que se
localizava a praça desafetada. 8. Recurso Especial não provido." (STJ,
REsp 1135807 /RS, Rei. Min. Herman Benjamin, DJ 08/03/2012)

121
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

Art. 3° Compete à União, entre outras atribuições de ir.:teresse dá política


urbana: · ·
I ~·legislar ~obre noÍ·mas geraiS de direito urbanístico;
II - legislar sobre normns parn. n coopernção entre a União, os EsÍ<ldos,
o Distdto Federal e psMunicípios em relação à políticaurban}l;t~ndo.em
o
vista equilíbrio
o ~
do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional·
' >_, ' ' ' ' ' ' '. ,,. ' ' '

.. III - p~omo~et:, ,por iniciativa própria e· em conjun.to com os. Estados, o


Distrito F.ederal e os.Municípios, programas de construção de mura<Uas
e a,,melhoria .das ~onciíyões habitacionais e de saneamento básiGo; .
.·.IV- instituir.UJ.t#r~~~ para o desem'olvimento urb~no, inólusivêhabi-
. tação, sane~n1enf9 .l)ásiéo e transpol'tlils urbanos; < . .1:. ; t ~

... Y _.: ~lJborar ~~êi'iB,~:~_E!~!~~-·~,~~i;n~i~. e r~gion~is ,de ~id~~a§:ão ·do


t\'i.n:jj:.ói:í~..ê.:d,éJlese,tt.Yolvimen~nômko e. social.. · · · · .... · . ·

1. Competências administrativa e legislativa federaL b artigo apenas re-


pete o já estabelecido em texto constitucional nos arts. 21, XX, 23, IX,
parágrafo único e 24, I, todos da CRFB.
..,. Aplicação pelo STJ.
"CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO RESCISÓRIA. LEGITIMI-
DADE DO MUNICÍPIO PARA ATUAR NA DEFESA DE SUA COMPETÊN-
CIA CONSTITUCIONAL. NORMAS DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE.
COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR. EDIFICAÇÃO LJTORÃNEA. CONCESSÃO
DE ALVARÁ MUNICIPAL. LEI PARANAENSE N. 7.389/80. VIOLAÇÃO. 1. A
atuação do Município, no mandado de segurança no qual se discute
a possibilidade de embargo de construção de prédios situados den-
tro de seus limites territoriais, ~::9.?~.!!!.:s!efesa de seu próprio djrgjto
subjetivo ~.E!:~S._E;!~~~L~':'~5~mp~!~_nciªJ?'ª-!:.i!.Jegislar sobnnatérias
de interesse local (art. 30, I, da CF/88), bem como de garantir a vali-
dade dos atos administrativos correspondentes, como a expedição de
alvará para construção, ainda que tais benefícios sejam diretamente
dirigidos às construtoras que receiam o embargo de suas edificações.
Entendida a questão sob esse enfoque, é de se admitir a legitimidade
do município impetrante. 2. A teor do disposto nos arts. 24 e 30 da
Constituição Federal, aos Municípios, no âmbito do exercício da com-
petência legislativa, cumpre_.'ª-_~b~E!rllªl1_cl~-.9~Il9Lmas egitad~.e.la
União e pelos Estados, c<~_ll!Q_~~~f_erg!l.~l:!~.A.H!Q!gção das pai_~@;gJ:ts_
na_!_Lirais notáve!s e ao meio ambiente, 11ão p()d~D.9Q.fQil!rélr!<:Hªs,
mê§_!~Q-~O_tl1e11te legislarem circunstânciasreman_~g;g,QJ:es. ( ... ) 4. A
Lei Municipal n. 05/89, que instituiu diretrizes para o zoneamento e
uso do solo no Município de Guaratuba, possibilitando a expedição

122
EsTATUTO DA CIDADE - LEI N° 1O.257/2001

de alvará de licença municipal para a construção de ediffcios com


gabarito acima do permitido para o local, está em desacordo com
as limitações urbanísticas impostas pelas legislações estaduais então
em vigor e fora dos parâmetros autorizados pelo Conselho do Lito-
ral, o que enseja a imposição de medidas administrativas coercitivas
prescritas pelo Decreto Estadual n. 6.274, de 09 de março de 1983.
Precedentes: RMS 9.279/PR, Min. Francisco Falcão, DJ de 9.279/PR,
1ª T., Min. Francisco Falcão, DJ de 28.02.2000; RMS 13.252/PR, 2ê T.,
Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 03.11.2003. 5. Ação rescisória
procedente." (STJ, AR 756/PR, Rei. Min. Castro Meira, DJ 14/04/2008)

Capítulo li
Dos Instrumentos Da Politica Urbana ·

Seção!
Dos instrumentos em geral
Art. 4" Para os fins desta Lei, serão utilizados, entre outros instrumentos:
I- planos nacionais, regionais e estaduais de ordenação do território e de
desenvolvimento econômico e social;
II - planejamento das regiões metropolita}!as, aglomerações urbanas e
micr~~giões;
III- planejamento municipal, em especial:
a) plano diretor;
b) disciplina do parcelamento, do uso e da ocupação do solo;
-~2_zoneamento ambiental;
d) plano plurianual;
e) l.llr:etrizes or!tamentárias e orçamento anual;
t) g,'"-stão orcl!_l!!.~ntári~.J!!!!·ticip;!!}.va;
g) planos, programas e projetos setoriais;
h) planos de desenvolvimento econômico e social;
IV - institutos tributários e financeiros:
_f) imposto sobre a propriedade predial c territorial urbana IPTU;
!?) contribuição de melhoria;
~ incentivos e benefícios fiscais e financeiros;
V- institutos jurídicos e políticos:
a) desapropriação;
b) servidão administrativa;
c) limitações administrativas;

123
,.
i!
.1.!
:;
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

1
I
F

d) tombamento ele imóveis ou de mobiliário urbano;

I
e) instituição de unidades de conservação;
t) instituição de zonas especiais de interesse social;
g) concessão de direito real de uso;
h) concessão de uso especial para fins de moradia;
i) parcelamento, edificação ou utilização compulsórios;
j) usucapião especial de imóvel urbano;
1) direito de superfície;
m)_direito_de preempção;
n) outorga onerosa do direito de construir c de alteração de uso;
o) transferência do direito de construir;
p) operações urbanas consorciadas;
~gul:~~!~~são fundiár!~;
r) as~istência técnica c juddica gratuita para as comunidades e gmpos
socra1s menos favorec~cl.<?.~ · -
s) referendo popular e plebiscito;
t) demarcação urbanística para fins de regularização fundiária; (In~do
pela Lei 11° 11977, de 2009)
u) legitimação de posse. (Incluído pela Lei 11977, ele 2009)
VI- estudo prévio de impacto ambiental (ElA) e estudo prévio de im-
pacto de vizinhança (EIV)

1. Instrumentos de Direito Urbanístico. Como já dito, a Lei 10257/01 é


mais abrangente que a Lei 6766/79, trazendo normas de planejamento,
de regulação do direito de construir e outros instrumentos relevantes
para o controle da ocupação das cidades. Este artigo elenca deforma
não taxativa, os iRstrumentos que estão à disposição do Po~er Público
para estimular a ordenação urbana. A lei divide os institutos em cinco
gr~pos, mas ~aderia organizá-los em apenas dois: instrumentos de pla-
nejamento e Instrumentos jurídicos.

2. Estatuto da Metrópole. A Lei 13089/2015 que instituiu 0 Estatuto da


Metrópole elenca em seu art. 9 os instrumentos de desenvolvimento
urbano integrado, referindo-se expressamente aos aqui estudados.

tm seu inciso V cita a possibilidade de se definir zonas de aplicação com-


partllhada dos instrumentos urbanísticos previstos aqui no Estatuto da
Cidade.

12-t
EsTMUTO DA CIDADE LEI N" 10.257/2001

3. Planejamento. O planejam~ntg::J~\/-~~E':l!!is_etoria1J!Q_ran_g_~f!9()_a_s~ec­
tos físicos do solo, q[Jf_stÇíes ~cQD.Õ.mlcas, social~_9sçameD.tária.?J.9rnbien­
tais e urbanísticas. O planejamento visa sempre à organização dos espaços
habitáveis, buscando o equilíbrio entre os vários setores urbanos. A Lei
12587/2012 regula a mobilidade urbana, exigindo planejamento no siste-
ma de transportes da cidade.

4. Regularização fundiária. O tema foi detalhadamente regulamentado


pela Lei 11952/2009 que em seu art. 30 prevê os requisitos a serem
observados pelo Município na sua promoção. Ademais, a regularização
fundiária foi prevista como hipóteses de licitação dispensada na forma
do art. 17, I, g, Lei 8666/93.

A Lei 11977/2009 trouxe em seu art. 46 o conceito de regularização fun-


diária. A mesma lei alterou o Estatuto da Cidade para inserir como insti-
tutos jurídicos a demarcação urbanística e a legitimação de posse.

-7 Aplicação em concurso.
XLVI Concurso Magistratura- TJ-RJ- 2014
71. São instrumentos da política urbana:
a) o plano nacional de ordenação do território e de desenvolvimento econô-
mico e social e, no âmbito do planejamento municipal, em especial o plano
diretor e o zoneamento- ambiental, excluindo-se os planos, programas e
projetos setoriais.
b) o parcelamento, a edificação ou a utilização compulsórios do solo não edi-
ficado, subutilizado ou não utilizado, a depender de decreto municipal para
área incluída no plano diretor.
c) o imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana -IPTU e a contri-
buição de melhoria, configurados como institutos tributários e financeiros.
d) o plano nacional de ordenação do território e de desenvolvimento eco-
nômico e social e, no âmbito municipal, em especial o plano diretor, ex-
cluindo-se a concessão de direito real de uso de imóveis públicos que não
poderá ser contratada coletivamente.
Gabarito: letra C

• Cespe/Câmara Deputados/Analista Legislativo/2014


Entre os instrumentos urbanísticos utilizados inclui-se o favorecimento de
estoques de terras para a promoção pública de moradias.
A afirmativa está correta.

• Cespe/Câmara Deputados/Analista Legislativo/201)


Os instrumentos urbanísticos garantem a preservação do patrimônio his-
tórico, arquitetônico e paisagístico, com exclusividade, para o uso privado.

125
FER:-IANDA LOUSADA C.<\RDOSO

Aafirma~va :stá errada. A preservação do patrimônio histórico, arquitetô-


niCO e pmsag1stico visa também o uso coletivo dos bens.

• Cespe/Câmara Deputados/Analista Legislativo/2014


A transferência do direito de construir e do direi:c, de preempção são insti-
tutos tributários e financeiros da política urbana nunicipal.
~ afirmativa ~stá errada. Ambos os institutos são, :w classificação do art. 4,
Institutos }undicos e políticos.

• Cespe/Câmara Deputados/Analista Legis/ativo/2014


Antes do Estatuto da Cidade não havia instru 11entos urbanísticos para
cumpnr a promessa dos Planos Diretores de garantir o desenvolvimento
urbano equilibrado, harmônico e sustentável.

A afirmativa está errada. O Estatuto da Cidade cor.tribuiu para a sistemati-


zação dos instrumentos urbanísticos. No entanto. muitos deles já existiam,
como os planos de urbanização, o usucapião e o plano diretor.
• TJ-AC-Juiz-2012-CESPE
O Estatuto da Cidade prevê como institutos juríd cos e políticos da política
urbana

a) a contribuição de melhoria e o tombamento de imóveis.


b) a preempção e o plano de desenvolvimento econômico e social.
c) a desapropriação e a instituição de unidades de conservação.
d) o direito de superfície e a gestão orçamentária pêrjcipativa.
e) o IPTU e a concessão do direito real de uso.
Gabarito: letra C

• MP/G0-2005.
"São institutos jurídicos e políticos da instrumenta ização da política urba-
na, nos termos do Estatuto da Cidade:

a) regularização fundiária, direito de superfície, direito de preempção e plano


diretor

b) instituição de zonas especiais de interesse social, tombamento de imóveis


ou de mobiliário urbano, diretrizes orçamentárias E orçamento anual
c) contribuição de melhoria, zoneamento ambienta, parcelamento ou edifi-
cação compulsórios e desapropriação

d) servidão administrativa, operações urbanas consorciadas, limitações admi-


nistrativas e outorga onerosa do direito de construir"
Gabarito: letra D

126
EsTATUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

• MPE-RN-2009-CESPE
"Acerca das diretrizes gerais da política urbana, assinale a opção correta à
luz do Estatuto da Cidade - Lei n.Q 10.257/2001.
a) A desapropriação é instrumento de política urbana.
b) O tombamento de imóveis não é considerado instrumento de política urba-
na.
c) O plano diretor é parte integrante do processo de planejamento municipal,
devendo suas diretrizes e prioridades estar incorporadas no plano pluria-
nual e nas diretrizes orçamentárias, com exceção do orçamento anual.
d) A lei que institui o plano diretor, aprovado por lei municipal, deve ser revis-
ta, pelo menos, a cada dois anos. -
e) O plano diretor é obrigatório para cidades com mais de dez mil habitantes.''
Gabarito: letra A

§ lo Osinstrumentos men:cionados neste artigo regem-:sepela legislação


· quelhes é própria, observado o dispostoúesta Lei.

1. Legislação específica. A lei trouxe instrumentos inéditos no ordenamen-


to jurídico. Para a aplicação efetiva de muitos deles, será preciso pro-
dução legislativa específica, a ser elaborada pelas Câmaras Municipais.
Para o~nstitutos já existentes, vale a aplicação subsidiária da legislação
civil e administrativa, desde que não contrarie as diretrizes aqui previs-
tas.

§ zo Nos casos de programas e projetos habitacionais de interesse social,


desenvolvidos por órgãos ou entidades da Administração Pública com atu-
ação específica riessa área, a concessão de direito real de uso de imóveis
públicos poderá ser contratada coletivamente.

1. Concessão real de uso para fins de moradia. A seção que regulava esta
espécie de concessão de uso foi vetada pelo Poder Executivo que, em
momento posterior, editou sobre o tema a Medida Provisória 2220/01.
No entanto, ao vetar o assunto, o Executivo deixou em vigor este pará-
grafo que prevê a forr:0a coletiva da conç_~s..?lí.QJi.~_J.JSO, seguindo o previs-
to para a usucapião~-~p_e.E~<:l.LL1_r.E?_na.

§ 3° Os instrumentos previstos neste artigo que demandam dispêndio de


recursos por parte do Poder Público municipal devem ser objeto de
controle social, garantida a participação de comunidades, movimentos e
entidades da sociedade civil.

127
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

1. Controle social. O dispêndio de verba pública importa em controle da


sociedade. Este dispositivo revela o prin.:=íp~~~-~_!5est~~-~emocrátic~~-das
cidades que norteia a política ur.Q.ªna e v_gm __ P-IAsmad_Q!JS!_CQDsti_tuição
no art. 29, XII.

Seção Il
Do parcelamento, edific,ação ou utilização compulsórios
Art. s.:
Lei municipal espeéffieapara área incluída no piaM diretor
poderá determinar o parcelamento, a edificação ou a utilizaçí}ó com-
pulsórios do sol,o url}ano .ní}o ed;~<;ado, subutilizado ou .n~~ utili-
zado, devendo :fixar as condições e os prazos para itupleinentação,da
referida obrigação.''

1. Assento Constitucional. O instituto em comento está disposto no art.


182, § 42, I, CRFB. A previsão constitucional faz-se necessária, vez que o
parcelamento, edificação e uso compulsórios atingem o âmago do direi-
to de propriedade, direito fundamental, na forma do art. 5, XXII, CRFB.
Em razão deste novo instrumento, a perpetuidade, qualidade inerente
aosdireitos reais, deixa de exis~tir ~r()p_r:i_~t::lª<:l~\JLQanª-'_A Constif..uição
nâo t"õíera maiso.nãõ=u-so:-Pã-ssando a exigir urp.a-rmo).p-r:ietlatte-pe'sitiva,
p_rodutiva, que traga benefícios para o titular ep_~ra a_c::~~~de.
-7 Aplicação em concurso.

• Cespe/Câmara Deputados/Analista Legislativo/2014


O Estatuto da Cidade forneceu nova base jurídica para o tratamento da
terra urbana no Brasil, no tocante à imposição de limitações de direito de
propriedade.
A afirmativa está correta.

2. Natureza Jurídica. O parcelamento, edificação e uso compulsórios im-


põem ao proprietário uma obrigação de fazer, positiva, visando ao me-
lhor aproveitamento do imóvel. Com isso, combatem-se os espaços
urbanos indesejáveis que apenas desperdiçam a estrutura urbana insta-
lada.
l Para a aplicação do instituto, é preciso que o plano diretor da cidade
preveja as áreas onde será possível a imposição da sa_t:J_s:~o. Além disso,
exige-se lei municipal específica gue fixe o procedim'ª-Oio, as condições
e prazos cabí~eJ~. ôfF.
3. Uso compulsório. O texto constitucional fala apenas em parcelamen-
to e edificação compulsórios, não tratando do uso compulsório. Há na

128
EsTATUTO DA CIDADE- LEI N° I 0.257/2001

doutrina quem macule de inconstitucional a imposição le~~l d~ uso


compulsório. Outros, no entanto, tomam o us~ corr:_o exem~lifi~açao do
parcelamento e edificação, não identificando Vl_ola<;:ao_constlt~~~onal. Na
mesma linha, a lei também repele o sub-uso, atacando a pratlca de es-
peculação imobiliária tão comum nos centros urbanos.

-7 Aplicação em concurso.

I • Cespe/Câmara Deputados/Analista Legis/ativo/2014


"Conforme lei específica que determina a utilização c~mpu~s_ó~ia de solos
urbanos, os proprietários de lotes nessas áreas, que nao .ed1fica-los ou su-

I butilizá-los, poderão ter seu imóvel desapropriado med1ante pagamento


em títulos da divida pública."
A afirmativa está correta.

• DP/SE-2005- CESPE.
"O poder público municipal pode exigir do proprietário do ~oi o ,~rbano não-
-edificado que ele faça uma edificação, de forma compulsona.
A afirmativa está correta.

§ 1o Considera-se subutilizado o imóvel:


r_, cujo aproveitamento seja inferior ao mini mo defiü1do no plat\0 dire-
tor.ou em legislação dele decorrente;
Ilf- (VETADO)

Sub-uso. o instrumento não visa apenas a combater os vazios urb~nos,


:1.. mas também_ as prQprLecJéJcl~?.9Uen?gJ_ê_l)1_?uat()~l~~=~g_:_~~~~(J~elt~:;?a
p:c;_r:.;;~~d~~~ s.1lt:~n_:r-~.:::e:r:~Y-!?_ã~~3:X.:t>Y~:S~a~ªõ}5~f?::-g~?~ -~VLtél~s e .a Ira ~1
8.
~jeÇêOrr(constru ções in adequa cl.a sà..cl~~til} aç§l() d<:J l_r:D.Q.~l \'I<
0

2 ~

§ 2. Uso ilegal. O dispositivo vetado equiparava o sub-uso aos ulsoos promtovi-


~
~
"-
Si
8 dos em desacordo com a legislação urbanística e ambienta .. vet~ eve
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o por justificativa a distinção entre o uso ilegal e o sub-uso. A ilegalidade
lli
não importa em sub-uso; cada qual, para sua identificação, dema~~a
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~ 8
tratamento jurídico distinto. Não será com o parcelamento c_ompulson~
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2
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§ que a municipalidade combaterá o uso ilegal ou promovera .sua legal~­
o
~ tD zação; para tanto, 0 Poder Público dispõe de outros mecan1:mos, ta1s
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::; "õ como aplicação de multa, embargo de obra, edital de demoliçao, dentre
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outros.
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õu "'"i! 3. Rol taxativo. Lei municipal não poderá ampliar o conceito de imóvel su-
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o
u butilizado, já que a Carta Maior estabelece em seu art. 182, § 4 2 que
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~
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~
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\U
FERNANDA LousADA CARDOSO

os instrumentos urbanísticos disponíveis ao Poder Público Municipal


devem ser regulados por lei federal, não transferindo competência ao
legislativo municipal.

-7 Aplicação em concurso:
• Procurador do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina- 2005.
"A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das
funções sociais da cidade e da propriedade urbana; e como diretrizes ge-
rais, entre outras, ordenar e controlar o uso do solo, de forma a evitar a
retenção especulativa de imóvel urbano que resulte na sua subutilização
ou na não utilização."
A afirmativa está correta.

• MP/MG- 46 concurso.
"O denominado "Estatuto da Cidade" impõe normas restritivas ao Direi-
to de Propriedade em prol do Direito Coletivo, buscando pôr em prática a
função social da propriedade, impondo ao imóvel urbano não edificado,
subutilizado ou não utilizado, por meio de decreto municipal, com fixação
de prazos e condições, a sua utilização compulsória, obedecendo aos requi-
sitos previstos naquele estatuto."
A afirmativa está errada. A matéria demanda lei específica, não podendo
ser regulada por decreto.

§ 2° O Jnoprietário será notificado pelo Poder Executivo municipal


para o cumprimento da obrigação, devendo a notificação ser averbada
no cartório de registro de imóveis.

1. Aproveitamento feito pelo proprietário. A lei não permitiu que o Ente


Municipal desse diretamente um uso ao imóvel. A municipalidade pode
apenas notificar o titular de sua obrigação, só o substituindo quando
caracterizada a hipótese de desapropriação-sanção.
2. Registro público. A lei prevê a averbação da notificação ao proprietário
como forma de dar efeitos erga omnes à cobrança da obrigação de fazer.
O ato registra! está previsto no art. 167, 11, 18, Lei 6015/73. Com tal me-
canismo,_ o fu tu ro___f!_r_Q_p cL~!~r: ig n_êj()_J:>-º.9.~r.<'l.iJJ~EªL.9.~.?_co n b~.Sllll e Q!() da
a!LI"ª~ªº-!Il!:!.n.lgJ>~L<?.<:Ontra ele também se irnporá a e_x_ig~J1Ci~ debem
aproveitar_()imóvel.
A averbação da notificação apresenta especial importância quando se
constata que muitos dos proprietários, sem condições financeiras para
explorar o imóvel, alienarão o bem de modo a se eximir da exigência le-

130
ES"li\TUTO DA CiDADE - LEr N° I 0,257/200 I

gal. Havendº o registro público,_2_f_oder Público__podeJ:-ª.Ç9brau:!.º_IJ-ºVo


adg(Jjr=_ente o ll_SO adeg_lJ_ªdo do bem, como disposto no art. 6.
No caso do proprietário não ter condições financeiras para dar o devido
uso ao bem, poderá ele participar do consórcio imobiliário, na forma do
art. 46 desta lei.

§ 3° A notificação far-se-á:
I por funcionário do órgão competente do "Poder Público municipal, ao
proprietário do imóvel ou, no caso de este ser pessoa juridica, a guem tenha \
poderes de gerência geral illl..administracão;
Il - por edital quando frustrada, EOr três_:r_ezes, a tentativa de notificação
ml__f()_rma Erevista pelo_inciso L
§ 4" Os prazos a que se refere o caput não poderão ser inferiores a:
I- um ano, a partir da notificação, para que seja protocolado o projeto
no órgão municipal competente; '
li -· dois anos, a_nartir da aprovacão do projeto, para iniciar as obras do
empreendimento.

1. Normas~erais. A lei federal traz os requisitos de forma da notificação,


de modo a evitar que a escusa do recebimento impeça a contagem do
prazo legal. A previsilo dos prazos valerá se a lei municipal não dispuser
sobre o tema, definin.do-os para cada etapa da atuação administrativa.

2. Procedimento administrativo. A notificação deve se dar no bojo de um


processo administrativo onde sej.ê_Í_@DqL!eado o contradit_<?_ri_<J_ao part:i-
cular, com direito à defesa e r~ç_l:J_r~g, de modo a afastar eventual alega-
ção de nulidade junto ao Judiciário. Cumpre-se assim, a exigência cons-
titucional do devido processo legal administrativo.

3. Ciência ficta. A notificação poderá ser pessoal ou por edital. Nesse caso,
recomenda-se que a publicação do ato administrativo se dê na imprensa
oficial e em jornal de grande circulação, de modo a observar o princípio
da publicidade, plasmado no art. 37, CRFB.

-7 Aplicação em concurso.
• Procurador do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina- 2005.
"É facultado do Poder Público Municipal exigir do proprietário do solo ur-
bano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova o seu adt:·
quado aproveitamento, sob pena de imediata desapropriação do 1rnóve1,
com pagamento em titulos da dívida p1.Jblica."

UI
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

A afirmativa está errada. Não se trata de uma faculdade do município exigir


o adequado uso do imóvel, mas sim um dever do Ente Público. Ademais,
caso o proprietário não atenda à notificação, deverá o Município aplicar o
/PTU progressivo e não promover a desapropriação do imóvel.

• Procurador do Município de Cuiabá- 2007.


"O proprietário de imóvel urbano subutilizado, cujo parcelamento, edifi-
cação ou utilização compulsória tenha sido determinado por lei municipal,
deverá ser notificado para implementar referida condição no prazo máximo
de 3 (três) meses."
A afirmativa está errada. Os prazos mínimos estão previstos no parágrafo
quarto.

• DPE/PI, Prova Objetiva, CESPE/UNB


"Quanto aos instrumentos de indução do desenvolvimento urbano e direi-
to à moradia, assinale a opção correta.
a) Lei municipal específica poderá determinar o parcelamento compulsório
do solo urbano não edificado. Entretanto, é vedado ao poder público reali-
zar a notificação da obrigação por edital.
b) A notificação do Poder Executivo municipal para edificação do solo urbano
não utilizado, dispensa a averbação no cartório de registro de imóveis.
c) O prazo de uma utilização compulsória do solo urbano não edificado é de,
no mínimo, 3 anos.
d) Se uma lei municipal determinar a edificação compuliria do solo urbano
em determinado imóvel, caso ele venha a ser transmitido por ato inter vi-
vos, as obrigações de edificação não se transferem.
e) No âmbito do planejamento municipal, o plano diretor, o zoneamento am-
biental e a gestão orçamentária participativa figuram como instrumentos
ela política urbana.
Gabarito letra E

§ s• Em empreendimentos de grande porte, em caráter excepcional, a lei


municipal específica a que se refere o caput poderá prever a conclusão
em etapas, assegurando~se que o projeto aprovado compreenda o empre-
endimento como um todo.
Art. 6" A transmissão do imóvel, por ato inter vivos ou causa mortis,
posterior à data da notificação, transfere as obrigações de parcelamento,
edificação ou utilização previstas no art. 5° desta Lei, sem interrupção de
guaisquer prazos.

1. Sucessão. A transmissão da obrigação só é possível graças à publicidade


que é dada à notificação, de modo a afastar qualquer alegação de nuli-
dade na continuidade da contagem de tempo.

132
ESTATUTO DA CrDADE- LEI N° 10.257/2001

Seção lll
Do IPTU progressivo no tempo
Art. 7" Em caso de c!~~_I:!IItlJlri!ll_gn!Q_das_sQ..llilições_ul!l.s_p.razns.. pre-
vistos na forma do cap...Yt.Jlo art,__S" desta Lei, ou não sendo cumpridas
as etapas previstas no § 5" do art. 5" desta Lei, o Município procederá
à aplicação do imposto sobre a proprieda~reêíiãf e territorial urb~~
nat!P'l: U) progressivo n.2.. temp~J-'º-ç.~Jan~e a J!llllQ.!.~S!9.Q!Lt!liU!i'!iia
pd!LprazQ.....de .doso !ll!~~J!1tç_c,!!:tiY.9S.
§ lo o vàlor da alíquota a ser aplicado a cada ano será fixado na lei es-
r.ecífica a que se refere o caput do art. 5° desta Lei e M.OJ~ce®.rti.d!UJ.s
vezes o val.or referente ao aJ.!Q_~nterior,_!espeitada a alíquotá máxima
de quinze EO!:_.<:~_Ilí:~.- ~
§ 2" <?aso a obrigação de parcelar, edificar ou utilizar não esteja atendida
em cmco anos, o Município manterá a cobrança pela alíquota máxi-
ma, .at~ que se cumpra a_ referida obt·igação, garantida a prerrogativa
prevtsta no art. 8".
§ 3°É vedada a concessão de isenções ou de anistia relativas à tributa-
ção progressiva de que trata este artigo.

1. Instrumentos sucessivos. A tributação progressiva do IPTU só será possí-


vel após a i..D..Qbservância pelo proprietário dos prazos definidos na seção
anterior. A sucessão entre os instrumentos tem assento constitucional
na forma do art. :J&.=?J_§_A_g_. '
Ademais, por se tratar de tributo, a imposição do IPTU progressivo res-
peita o princípio da anterioridade, plasmado no art. 150, 111, b, CRFB.
Log_~!-Cl._l_«=:i __9l1~.in_sti!l1~~~-.P.r:<:>.!.~~ss~_ de a~otas somente ses~_é!.Qiicada
ap...Qâ_o decurso do Q.!il.IQ.I.~_gª-1_.

A imposição da tributação progressiva é atuação vinculada do Poder


Público fY.luDic.~pal que não possui diséridonariedade no exercício desta
atividade sà-nCionatória. ·· · .·, · ''

Caso o proprietário apresente projeto de aproveitamento do imóvel


cumprindo sua obrigação urbanística, será suspensa a tribut_ª_çªo _pro~
gressiva do IPTU no e.~~IE(~iQ.?_~g!:IJnte. Nessa hipótese, se o proprietário
não realizar as obras, será reiniciada a majoração extrafiscal.
-7 Aplicação no TJ-RJ

"AGRAVO INTERNO NA APELAÇÃO CÍVELTRIBUTÁRIO. EMBARGOS À


EXECUÇÃO FISCAL. PROGRESSIVIDADE DO IPTU. INCONSTITUCIONALI-
DADE. ALÍQUOTA MÍNIMA. DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE

133
FERNANDA LOUSADA CA!WOSC

COM REDUÇÃO DE TEXTO. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO D_O EG.


S.T.F. POSSIBILIDADE DE ESTRATIFICAÇÃO Cl.JANTO A DESTINAÇAO DO
BEM. A possibilidade de apJ[ç-ªç_i!c,u:l_g_-ªltCJ\:Lq1as:l.if.!lJ~Jlt:lªitª-Jll!ªn!9 ~­
de~tin.aç_ªQ....e uti!@ção do l;l~.ITI.L.nos casos de progressividade de ali-
quota do IPTU anterior à Emenda Constitucional 29/2000, for paclfic__a-
da pelo Eg. S.T.F., definindo a forma como se operaria a interpretaçao
das leis municipais que contemplavam a progressividade. Sendo ass1m,
_ havendo a pre.ri:;-ª-º-..M..alí.qY.otas.. diferenciadas.ruLplano...diretor ~o
M_@icípi<_>-' est~_s:llPlQ.!!@_t'ªri.ª·º--t:9J1cJ.ªº·JLI;l.S9IDR.lgm.l;lD1ªLI.:!~Jec!;'!J.to
constitucional que per:_'!l!!.E!ii~Ê~t:tis:ã.o_c!~l_f!l_p_~sto cg_'!l_Earater ~?n­
cionador por ª_fr9 _r:!!a.. Hlii}Ç~() social dê! flr_<>p~iedade. Desprovimento
do agravo." (TJ-RJ, AC 0051730-14.2001.8.19.0001, Rei. Des. Lucia MI-
guel Lima, j.8/08/2009)
-7 Aplicação no TJ-MG.

"Apelação Cível - IPTU - Progressividade- Lei Municipal 1206/91 -


Inconstitucionalidade- Inconstitucionalidade- Lei Municipal 2257/06
- Princípio da Anterioridade Nonagesimal - Inobservância. - O IPTU
progressivo no tempo é instrumento de oolítica urbana específico e
aplicado caso não seja observada a determinação do Poder Público
de uso e edificação compulsórios, de aco-co com o que determ111a o
plano diretor do Município.- Ao relacionar como critérios a n~tu.reza
da ocupação, a existência de edificação e melhoramentos no 1movel,
0 legislador municipal modificou a própria base de cálculo do IPTU,
que deve estar adstrita ao valor venal do imóvel, nos termos do art.
33 do CTN.- Pelo principio da anterioridade nonagesimal, é vedado à
União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, sem prejuízo
de outras garantias asseguradas ao contribuinte, cobrar tributos, antes
de decorridos noventa dias da data em qu~ haja sido publicada a lei
que os institui ou os aumentou e, ainda, no mesmo exercício financei-
ro. Negaram provimento" (TJ-MG, Proc. 1.0313.07.227584-2/001, Rei.
Des. Dárcio Mendes, DJ 25/11/2008)

2. Progressividade extrafiscal. A majoração da alícuota não tem por obje-


tivo aumentar a arrecadação do Poder Público, mas sim fazer com que
o proprietário dê uma adequada destinação ao seu imóvel. A finalidade
é, portanto, social e difere do objetivo firmado pela progressiVIdade pre-
vista no art. 156, § lQ, I, CRFB, que visa apenas a obter recursos para as
necessidades do Tesouro.

Por ostentar uma finalidade social, o ~uiTl__~,[lt()~_dg__iiJ}l?_~to nií.o..te.rn por


fundamento a capacidade contributivacj() suj~_i~Q.P_é32,~_iy__Q_,_Q.\!~_g,i!.@.stada
e;;, prestígio ao interes__?e urb~ístic~nvolvido. Em razão da extrafisca-
lidade, alguns autores não admitem a possibilidade de confisco quando

134
EsTATUTO DA CIDADE LEI N° 10.257/2001

da imposição da alíquota em seu grau máximo. Outros, no entanto, afir-


mam que é possível se caracterizar o confisco em tributações extrafis-
cais, devendo para tanto ser considerado o eventual esvaziamento da
riqueza sob o qual incide o imposto.

A tributação diferenciada será mantida até que o clzoprietário cumpra


sua obrigação de bem aproveitar o imóvel. Passados cinco ai')_Q~_Q_E;_RfO­
gressividade, será possível à mur:ljcipalidade desaprowiar o bem com
P-ªgamento da indenizaç:~g-~n:lJ:ítulos da dívida gública.

3. Benefícios tributários. Por se. tratar de uma sanção, não há espaço para
a incidência de isenções ou anistias, institutos que beneficiam o contri-
buinte afastando o pagamento de tributo ou de penalidades fiscais.

-7 Aplicação em concurso.

• CAU-RJ- Agente de fiscalização - IADES- 2014


Considerando os instrumentos de política urbana trazidos no Estatuto da
Cidade, assinale a alternativa correta quanto ao disciplinamento do Impos-
to sobre a Pro~dade Predial e Territorial Urbana (IPTU).
a) O IPTU é tratado n·a referida lei somente no sentido de remessa à regula-
mentação em competente legislação municipal própria.
b) O plano diretor poderá determinar o parcelamento, a edificação ou a uti-
lização compulsórios do solo urbano não edificado, subutilizado ou não
utilizado, devendo fixar as condições e os prazos para implementação da
referida obrigação.
c) Caso a obrigação de parcelar, edificar ou utilizar não esteja atendida em
10 anos, o município manterá a cobrança pela alíquota máxima, até que se
cumpra a referida obrigação.
d) É expressamente vedada a concessão de isenções ou de anistia relativas à
tributação progressiva de que trata a referida lei.
e) Em empreendimentos de grande porte, em caráter excepcional, o plano di-
retor poderá prever a conclusão em etapas, assegurando-se que o projeto
aprovado compreenda o empreendimento como um todo.
Gabarito: letra O

• MP/ES-2005
"Lei municipal específica autorizará a concessão de isenções ou de anistia
relativas a aplicação do imposto sobre a propriedade predial e territorial
urbana (IPTU) progressivo."
A afirmativa está errada. A lei é clara ao vedar a concessão de isenções ou
anistia para esta espécie tributária.

135
FERNANDA LOUSADA C..\RDOSO

~ Aplicação no TJ-RS.
"TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IPTU. IMÓVEIS NÃO EDIFI-
CADOS. PORTO ALEGRE. PROGRESSIVIDADE NO TEMPO PELO NÃO
CUMPRIMENTO DA FUNÇÃO SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. PRE-
CEDENTES DO STF. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO ANTERIOR À CONSTI-
TUIÇÃO DE 1988. RECEPÇÃO. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. 1.
Consoante jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal é
inconstitucional a Lei Complementar n2 7/73 do Município de Porto
Alegre, com a redação conferida pela Lei Complementar 212/89, que
instituiu alíquotas progressivas em razão do valor venal do imóvel.
Por idêntico fundamento, também, é inconstitucional a instituição da
progressividade do IPTU no tempo pelo não cumprimento da fun-
ção social da propriedade (edificação) antes da regulamentação do
artigo 182 da Constituição da República. Tal somente veio a ocorrer
com a edição da Lei n!! 10.257, de 10 de julho de 2001 (Estatuto da
Cidade). 2. A restituição do IPTU pago a maior por força da lei reputada
inconstitucional deve obedecer à legislação anterior. Precedentes do
STF. ( ... ).Recursos desprovidos. Sentença mantida em reexame neces-
sário." (TJ-RS, Apelação e Reexame Necessário NQ 70005954698, Des.
Rei. Maria Isabel de Azevedo Souza, DJ 30/06/2003)
..,.. Aplicação pelo STJ.

"TRIBUTÁRIO. IPTU. AÇÃO DE EXECUÇÃO~ INCLUSÃO DE EXERCfCIOS


POSTERIORES. POSSIBILIDADE. EXTENSÃO Dfll COISA JULGADA. PRE-
CEDENTES. 1. A ação de conhecimento reconheceu a inexistência de
relação jurídica tributária do IPTU, devido o descumprimento, por
parte do Município, das disposições contidas no Estatuto da Cidade
(Lei n. 10.257 /2001). 2. O STJ entende que o efeito da coisa julgada
tributária estende-se em relação aos lançamentos posteriores quan-
do a decisão trata de relação de direito material, declarando a ine-
xistência de relação jurídico-tributária. 3. Com efeito, se os exercícios
posteriores a 2001 mantêm a ilegalidade constatada pela instância a
quo, perpetrando cobrança do tributo pelo regime da tarifa progres-
siva, sem o cumprimento dos requisitos instituídos- descumprimen-
to das disposições do Estatuto da Cidade (Lei Federal n. 10.257 /01)-
fica configurada a violação da coisa julgada, estendendo seus efeitos
à ação executiva, visto que não houve modificação nas circunstâncias
de fato ou de direito ocorridas na relação jurídica estabelecida.( ... ).
5. Caberá ao juízo da execução verificar se nos exercícios posteriores
a legislação local manteve a cobrança da tarifa progressiva nos mol-
des julgados ilegais, ou se já ocorrera modificação legislativa apta a
tornar a cobrança do IPTU legitimada. Inviável a análise de referida
questão nesta Casa Superior, porquanto necessário adentrar na esfe-

136
EST/üUTO Di\ CiDADE LEI N" I 0.257/2001

ra de interpretação da lei local. Agravo regimental improvido." (STJ,


AgRg no AgRg no AREsp 117494/PR, Rei. Min. Humberto Martins, DJ
02/05/2012)

\
0 Seção/V
Da desapropriação com pagamento em títulos
Art. S~.Decorridos çinco anos de C()brança do lPTU progressivo sem
que: o. proprietário ~enha cumprido a obrigação de pateélatXl.C~ltO, edificação
ou )ltilização,>o Municíºio poderá proceder à d,Çsapropriação do imó-
vel, com pagamento em títulos da.dívidâ.pública.
§ l" ()s tftulos da dívida. pública terão p~évia a,erovação pelo Spm!.<!o
Federal.eserão r~ta~l,Q.~no prazo de até de?L!!.!!!!§., ~t:n:prestações anu-
ais, iguai:'l e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os
juros legais de seis por cento ao ano.
§ 2° o val.ór real da indenização:
I -:-refletirá o valor da base de cálculo do IPTU, .descontado o montan-
te ineorpora<io em função de obras realizadas pelo Podér. Público áreana
onde o'nlesmo se localiza após__ª_ngj:ifiç_ª-çª()_ç1~m!~Jrl1t~Q..]_1odo_llrt, 5o
destaLéi; · ··
Il":" não.coinputará expectativas de g~llÀQ_$.,1!!!ó:!:!!~.&~§§al!t,~~;.~ti!lrQi~!ll-
~~WS:J.!~li!«.!~· . .. .
§ 3"6s.~Í~l~~· dq que trata .este artigo ~l'io;.t~r.ão ~~dér!il>erat()ri() para
pa,g)lp:i~~t,fl•d:~ tributos. · ·
·
§.J.~; Wipiq 0procederá ao•adequa,d:o aprovei,tam~nt() do Í1U6vel no
p~âz(l ·.. j~o d~ cinco anos, contàdoapartir,d$:;sua.iucorporação ao.
.t?a~~~~p;pu~lic(): • . . ...... . . . .. . .. · . · ;;.:,.•.;, .• ··
>§~~.Q' '' . ·:~jtll~~~to do·imóov~ip()derã:.súeíie ·r ire tamente pelo
:Pnd~r~ . ~ Q~ por meio·d,:lll'll,Ç*~ç~~ ót(.~o. a terc~it;os, ob-
sery~ •.~~~~· l)éss,es casos, o devi(i();~l:o~~<li~ent ...·.· . tório.. ,
.· §ô'r ~iQ~fí1 ;m:anüiJas para o <ldquh;et1tq d~ itnóvC,í:l,l()s;termos ciº §.s" ·as
· mesthas,::()hrigações qe parcel~m~entq, edijÍcai,íão ó.ty,tttiliza,Ção. pr.ev,istas no
~-'5.~·;9-~$-~);.ei., ;~:~·'"
,,;/(
,\ ,

1. Desapropriação-sanção. Esta modalidade de aquisição compulsória da


propriedade difere daquela prevista no art. 5, XXIV, CRFB e especifica-
mente prevista para imóvel urbano no art. 182, §32, CRFB. A garantia
reconhecida ao proprietário pelo ordenamento jurídico é bem mais tê-
nue da dispensada ao titular que cumpre a função social de seu imóvel,
gerando algumas diferenças que serão aqui analisadas.

137
FERNANDA LousADA CARDoso

Primeiro observa-se que a perda da propriedade se dá em virtude do


descumprimento de obrigações urbanl;?tic!'LLPmQ......Pio..Qrietário e não
porque o Poder Público vê no imóvel interesse social--o~~tilidade pú-
blica. Por tal razão a doutrina chama esta espécie de desapropriação de
desapropriação-sanção.

Em razão de sua motivação, dispensa-se nesta espécie de desapropria-


ção a expedição de decreto expropriatório. Não há que se falar em falta
de publicidade, porque esta medida é a terceira de uma ordem sucessiva
de sanções a serem impostas ao proprietário recalcitrante.

Apenas os entes municipais poderão promover esta desapropriação, desde


que oplal1o..dJL~t9J:JJ..Jgv~jé!~~<!f:~_s_Q_n.<J~_a ~all_~§o _eoderá ser imposta. Por
outro lado, a desapropriação ordinária pode ser. e-;ecutada pel~s três entes
da federação e seus delegados, devidamente autorizados para tanto.

~~demais, o que será indenizado nesta hipótese é o valor real do imóvel \f


e nã~ ~
seuj_usto valor.. própria_ lei af_asta do valor re. ai os lucros c~. s~·a·n.-
\ .···
te_:>~)~~~~~o m_e~_rl_S_êl!~!:' ()~_\:!_!11 a 1s-~-ª-L@..!lr.i?_ª!!ª_g~_r-ª9 ·ª.P-ºL'i? r Q-ª._Q@J j_ca1 / __

+A;~!r~~q;~~~i~~·;,ª~o;;~es:;~~&~~~;~~~=sd~~~tr~b~:;~~~~~;~~~~jt
das apõs a -~ptificação do proprietário prevista no art. 5, § 29.
':)c·~ c., . /;\ , ', ~
Por fim/a forma de pagamento difere da desapropriação ordinária, onde
se paga previamente e em moeda corrente. No caso em estudo, a indeni-
zação é paga por títulos da dívida pública, com prazo de resgate máximo
de dez anos. Na tabela seguinte, esquematizamos as diferenças entre as
duas espécies de desapropriação.

Forma de
Espécies Motivação Avaliação .Sujeito Ativo
·.· pagamento
Desapropriação Interesse Justo Prévio e em União, estados,
ordinária social ou utili- valor dinheiro municípios e
dade pública entes delegados
Desapropriação- Descumpri- Valor Títulos Municípios
sanção menta de ônus real da dívida
urbanístico pública com
prazo de até
dez anos

2. Procedimento. O rito processual a ser seguido é aquele previsto nos


arts. 11 a 30 do Decreto-Lei 3365/41, que neste particular, vale como
norma geral para as desapropriações. Em virtude do interesse público

138
EsTATUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

envolvido, o processo não se suspende, nem se interrompe, ainda que


o proprietário do imóvel resolva dar um fim adequado ao bem. Vige, in
casu, a nqrm_a do art~+-'-_.OL~S/41. reveladora do !l(in.ciplo_.da.ln.inter-
.Ll.)J.2tiVidade.
3. Emissão de títulos da dívida pública. Para pagamento da propriedade
imobiliária adquirida, o Ente Municipal emitirá títulos da dívida pública,
títulos estes que não poderão ser usados pelo propri<?tárLQ..D.Q.P~ªr:n<:n­
to gg_!r_Lbutos:·A emissêi~ dos.titulos depende de autorização do Senado
Federal, na forma do art. 52, IX, CRFB. Por depender do aval do órgão
legislativo federal, a doutrina entende que a decretação de desapropria-
ção pela municipalidade é uma faculdade.

4. Aproveitamento do imóvel. A aquisição do imóvel pela municipalidade


transfere ao Ente Público a obrigação de dar ao bem devida destinação
no prazo guinquenal, __9__ contar do final do processo expro!lli.atório. ÍÜ\
{descumprimento ~esta obrigação importa em improbidade ªdf!1Jrüâ!Db
\ijya, na_JQI!Ttª:do__ªr.L2.6~L~1ê..Lei.\caso a edilidade não tenha interes-
se em explorar o imóvel diretamente, poderá promover sua alienação a
terceiros, mediante processo licitatório.
No edital do certame é. de boa cautela haver a previsão de prazo para
que o novo adquirente dê bom uso ao imóvel. Ademais, em razão de sua
finalidade, deve constar impedimento ao antigo proprietário de partici-
par da concorrência.

-7 Aplicação em concurso.
• Vunesp/PGM/São Paulo/Procurador/2014
Decorridos cinco anos de cobrança do IPTU progressivo sem que o propr1e
tário tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou utii1Zil
çâo, o Município poderá proceder à desapropriação do imóvel com pagz,.
menta em títulos da dívida pública, em relação à qual se estabelece que.
a) o aproveitamento do imóvel poderá ser efetivado diretamente pelo Poder
Público ou por meio de permissão a terceiros, dispensando-se, nesse caso,
procedimento licitatório.
b) o Município procederá ao aproveitamento do imóvel no prazo mínimo de
quatro anos, contado a partir da sua afetação ao patrimônio público.
c) o valor real da indenização não computará expectativas de ganhos, lucros
cessantes e juros compensatórios.
d) os títulos da dívida pública terão poder liberatório para pagamento de tri-
butos.

139
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

e) os títulos da dívida pública terão aprovação prévia pela Câmara de Deputa-


dos e serão resgatados no prazo de até cinco anos, em prestações anuais,
iguais e sucessivas.
Gabarito: letra C

• PGE/AL- 2008- CESPE


O Estado tem o poder de intervir na propriedade. As formas de se realizar
essa intervenção podem ser divididas em dois grupos: as que retiram algu-
mas das faculdades relativas ao domínio do bem (intervenções restritivas)
e as que geram a transferência da propriedade do particular para o Estado
(intervenções ~upressivas). O Estatuto da Cidade (Lei n.2 10.257/2001) pre-
vê tanto intervenções restritivas como supressivas. Com relação ao tema
acima apresentado, discorra acerca da intervenção do Estado na proprieda-
de privada, abordando, necessariamente, os seguintes aspectos:
- fundamento(s) constitucional(is) que autoriza(m) a intervenção do Estado
na propriedade;
- princípio da hierarquia federativa (ou ordem hierárquica) na realização da
intervenção;
- aparente incompatibilidade entre o art. 8.2 da Lei n.2 10.257/2001 e o art.
5.2, XXIV, da Constituição Federal de 1988;
- intervenções restritivas e supressivas constantes da Lei n.2 10.257/2001, iden-
tificando em quais situações e a forma como tais intervenções ocorrem;
- relação entre o direito de preempção previsto no Estatuto da Cidade e o
previsto nos artigos de 513 a 520 do Código Civil"
;
O candidato deve fundamentar sua resposta nos art. 5, XXIII, XXIV e XXV e
art. 182, todos da CRFB. Deve discorrer sobre a questãil dos interesses de
cada ente federativo; distinguir as espécies de desapropriação; dissertar
sobre instrumentos do EstatUto da Cidade como o parcelamento compulsó-
rio, a outorga onerosa do direito de construir, a transferência do direito de
construir e, por fim, tratar a diferença entre os regimes civil e administrati-
vo do direito de preempção, tal como abordado no capítulo próprio do livro.
'\
• MP/BA-2008.
"A desapropriação por descumprimento da função social da propriedade
urbana é da competência exclusiva dos municípios, desde que tenham Pla-
no Diretor aprovado por lei, sendo o valor da indenização pago em títulos
da dívida pública, aprovados pelo Senado Federal."
A afirmativa está correta.

• MP/DF-2009.
"As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia, justa e
integral indenização em dinheiro, títulos do tesouro ou precatórios."

140
EsTATUTO DA CIDADE- LEr N" 10.257/2001

A afirmativa está errado. Na desapropriação-sanção a indenização não


será integral, tampouco prévia, considerando-se apenas o valor venal do
imóvel e paga posteriormente por titulas da dívida pública.

• TRF- 2!.! Região- 2009- CESPE


"A CF contempla hipótese de desapropriação de imóvel urbano não edifica-
do mediante pagamento em títulos da dívida pública municipal."
A afirmativa está correta

Seção V
~ Da usucapião especial de imávelurbano
Art. 9° Aquele que possuir como sua :Jrea ou e(l.if!_çação urbana de até_.
duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterrupta-
mente e..senL.op.osiçã.Q,_utiliz.'lll..J.L~ara !)Ua moradia ou de. sua família,
adquirir-lhe-á o domínio, d~~<!<::.9!!e não seja proprietário de outro i.rnóvg:l
urbano ou rural. --·-
§ 1o O título de domínio será conferido ao homem .ou à mulher, ou a
ambos, independentemente do estado civil.
§ 2° O direito de que trata este artigo 1_Il_í!Q_~er~econhecido ao mesmo
'P-Ossuidor mais d~VeZJ.
§ 3" Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno
direito, a posse de seu antecessor, d_esd_e__que_j;Lresida_nn..lmólLeLpo.r
oc~er.t:J.J.Ul...d;LsllC.Cssilo.

1. Destinação social. Esta modalidade de usucapião, por visar a aquisição


de moradias, o.ão. pode. .se_r_exe.r.çlda p_o_r_p_g~_soas jurídicas, a penas por
pessoas físicas. Também em razão do cunho social, cada pessoa só será
beneficiada uma única vez, evitando assim a concentração .Qg_Jmóv.gjs
pelo mes~o_ero_p_rie!ári()_EOr meio deste in_~trumento. Cabe ao autor da
ação demonstrar em juízo não possuir outros imóveis durante o p__gríodo
de exercício d~_p.Q~!i_gQ_U.§Ucapionem.
A lei exige a destinação do imóvel como moradia, mas não impõe o uso
exclusivo. Assim o fim comercial de parte do imóvel não descaracteriza
(a IISll c a pi §o, \_de~dequ-epreponcierantemente-ober1J=:~.~sL1í.~i:'do-CO.oiQ]
l.residêncjaJ
2. Posse ad usucapionem. A lei exige o animus domíní do ocup'élnte que
deve exercer sobre o bem as mesmas faculdades do proprietário. Por
tal razão n_~_se apJj_ç_~-~~!~ instituto aos lo_catários gue, na vigência do
contrato, exercem posse ad ínte_r_ciicta_,_<:;grT) âQJJTIQ_de..dono_d.o_b_em.

141
FERNANDA LousADA C.-\RDoso

3. Sucessio possessionis. O parágrafo terceiro prevê a transferência da pos-


se causa mortis. Para que ocorra a continuidade no cômputo do prazo i:
p r~cisoq I.J~....o.. hE:! rc!E:!i.m j ª-r~~.id.iUl.QJQ.ca1n_ç_é_JLQc.a...d.Q_~_ãQ...Q.92!.élD~­
d()l'_l~st_~_,<:~_~()__~_eg.:;_~E!-~ec::()rr:.~otE!__çlél~Ql2.LrJc;-'-

lNo caso de haver mais de um herdeiro, e_IJem todos habitarem o irn_gy_el,


a doutrina admite o aproveitamento da posse de um para os demais, de
modo a considerar a posse exercida pelo autor da herança:J

4. Objeto da usucapião. O limite legal de metragem abrange o terrE;>Il_Q_~a


construção.! A área urbana assim considerada é a definida em lei munici-
pal, como previsto no Estatuto da Cidade.

1!1>- Aplicação pelo STJ


"PROCESSO CIVIL. USUCAPIÃO. POSSE. /\NIMUS DOMINI NÃO CONFI-
GURADO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. 1.
( ... ). 3. Imóveis destinados à população de baixa renda e financiados
por meio do Sistema Financeiro de Habitação, gerido pela Caixa Eco-
nômica Federal, {lã o estão_.?J!l~iJqs à aqyi_siçãQ.()J:iginária pela usuçª-
ª
Pl.ªC>.J.l rba n e_spe ciª I g_o Is!e.ll!!Q_ Q<,l_Çj_ç@__ck_?._~,Jl.QJLe r íodQs!gs.LrJÇO
anos de posse previsto no art. ~Q da Leio, :J.Q257./2.0..Ql,_a_~gf__Q,r:Qrn.o­
vi.élosatosjurídicos necessários àretornadªgrgfirJ.ª-DSiam~o.to. 4. Para
efeitos da usucapião, mesmo a especial urbana, a posse exercida com
animus domini ultrapassa a mera vontade de possuir, devendo resultar
do título pelo 9.1:lélLÇ,_ depda, deJQIDJ.ª_illd.e p_Qs_sgçfe_ç.QI.UID.te...d.e..r.ela-
ções contratuais que afetem o proprietário do imóvei.Q.~?..cLIJ~Ü! do
ãninJUs domini. s~-R:ecür5;-~~;;~~~;;!'despro~id·~:·; (srJ~REsp 1221243/
PR~ReTM-l~ão Otávio de Noronha, DJ 10/03/2014)
~li>- Aplicação pelo STJ
"AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. USUCAPIÃO
ESPECIAL. IMÓVEL COM ÁREA TOTAL DE 300 M 2 • ACÓRDÃO. ENTEN-
DIMENTO. PEDIDO IMPOSSÍVEL EM FACE DOS REQUISITOS PREVISTOS
NO ART. 1~p DA CF. FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS. EXTINÇÃO DO
PROCESSO SEM 1'\ESOLUÇÃO DO MÉRITO. ART. 295, C/C O ART. 267
DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NO ÂMBITO DO STJ. VIOLAÇÃO
DOS ARTS. 1.240 DO CC E 330 DO CPC. SÚMULAS N. 7/STJ E 284/STF.
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Se o acórdão recorrido adotou
o entendimento de que não era juridicamente possível a pretensão
de adquirir, por usucapião especial, o domínio de imóvel urbano
com área registra I superior à metragem prevista no art. 193 da Cons-
tituição Federal, não cabe, em recurso especial, alegações a esse res-
peito, tendo em vista tratar-se de fundamento eminentemente cons-
titucional. 2. Se, para alterar as premissas fáticas fixadas no acórdão

142
Es'IArUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

recorrido quanto à metragem do imóvel, há necessidade de reexame


do conjunto probatório dos autos, o recurso especial não reúne con-
dições de conhecimento, nos termos da Súmula n. 7 /STJ. (... ). 4. Agra-
vo regimental desprovido." (STJ, AgRg no AREsp 418598 I RS, Rei. Min.
João Otávio de Noronha, DJ 10/10/2014)

111-- Aplicação no TJ-RJ.


"Apelação Cível. Ação de Usucapião Urbano. Aplicação dos artigos 183
da Constituição Federal e 92 da Lei 10.257/2001, que estabelecem um
pressuposto territorial, qual seja, a área a ser usucapida não pode ser
superior a 250m2 (duzentos e cinquenta metros quadrados). Se a pre-
tensão recai sobre imóvel"que mede lO,OOm_ gg_fr~n~.J.,u..e..medindo
35,00m de extensão por ambos os ladg2_~_isic), como expressamen-
te-aftrmâcl~-j:;'â--iniciaf:~erifica-se que a área objeto da presente lide
possui 350m2 (trezentos e cinquenta metros quadrados), portanto
i'superior ao permitido pela Carta Magna e pelo Estatuto da Cidade.
!?edido juridicamente impossível. Extinção do processo sem julga-
mento do mérito. Honorários de sucumbência fixados em percentual
excessivo, diante da simplicidade da causa, razão peia qual se impõe
a sua redução para 10% sobre o valor da causa. Recurso parcialmente
provido." (TJ-RJ, AC 2005.001.07230, Rei. Des. Joaquim Alves de Brito,
DJ 19/05/2006)
~li>- Aplicação no TJ-RJ.
"APELAÇÃO CÍVEL- PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA POR FAL-
TA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL EM QUE SE BASEIA- REJEI-
ÇÃO EXPRESSA MENÇÃO NO DECISUM DO EMBASAMENTO LEGAL UTI-
LIZADO- USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA PREENCHIMENTO CONJUNTO
DOS REQUISITOS DO ART. 18ª DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL- AUTORA
QUE POSSUIU COMO SUA ÁREA URBANA DE 150M2, DE FORMA ININ-
TERRUPTA E SEM OPOSIÇÃO, UTILIZANDO-A.COMO SUA MORADIA,
NÃO SENDO PROPRIETÁRIA DE OUTRO IMÓVEL RURAL OU URBANO
- CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
À DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO QUE SE AFASTA- INSTITUTO DA
CONFUSÃO- SÚMULAS N. 80 DESTE E. TJ/RJ E N. 241 DO C. STJ- RE-
CURSO DESPROVIDO - DECISÃO MANTIDA." (TJ-RJ, AC n2 0005427-
08.2005.8.19.0063, Rei. Des. Mario Guimarães Neto, j. 08/11/2011)

111-- Aplicação no TJ-RJ.


"USUCAPIÃO ESPECIAL URBANO. REQUISITOS COMPROVADOS. Trata-
-se de ação de usucapião extraordinário, fundada no art. 9!2 da Lei
10.257/2001 (Estatuto das Cidades) e art. 183 da CF.( ... ).4-No mérito,
o Apelado atendeu os requisitos do art. 92 do Estatuto das Cidades e
do art. 183 da CF.A posse restou comprovada, tendo ficado evidente

143
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

que o Autor sempre agiu como se proprietário fosse. As testemunhas


ouvidas informaram que participava de assembléias condominiais, pa-
gava tributos que recaiam sobre o bem, condutas que além de indica-
ram posse, firmam a certeza de que o mesmo agiu com animus domini
Realmente, até o trânsito em julgado da ação de anulação de testa-
mento, ocorrido em 17/03/1992, não podia o autor exercer sua posse
mansa e pacificamente, até porque questionava a sua participação
no patrimônio do seu ex-companheiro, dono do imóvel, todavia, já
se sentia proprietário do patrimônio do falecido companheiro. Defini-
da as pendengas, a partir de março de 1992, passou o Espólio Réu a
deter o direito de reintegrar-se na posse do bem, contudo, não o fez,
permanecendo inerte por mais de 11 anos, até que em 2003 resolveu
acioná-lo por via reintegratória. Como sempre se sentiu proprietário,
continuou na posse do bem, adquirindo-o por usucapião após OS anos
de posse exclusiva, mansa e pacífica.S- Pela leitura dos artigos 183
da LC e 9!! da Lei 10257/2001não há como concluir que a usucapião
especial urbano está restrito a terrenos e não a edificações. Recurso
desprovido, nos termos do voto do Desembargador Relator." (TJ-RJ, AC
0145028-55.2004.8.19.0001, Rei. Des. Ricardo Rodrigues Cardozo, j.
25/01/2011)
5. Demais requisitos para aquisição da propriedade. O prazo de cinco
anos não começa a contar a partir do advento desta lei, fllª-?__Qgj:exto
constitucional, documento que primeiramente previu esta modalidade
de usucapiãõ:-vale ressaltar que a Lei 10257/01, diferentemente do Có-
digo Civil, não exige justo título, nem boa-fé do adquirente para configu-
rar a usucapião. Abaixo esquematizamos as diferenças entre a usucapião
urbana e a ordinária regulada pelo Código Civil.

Lei Pessoa Moradia Apenas uma Apenasse Apenas o


10257 física vez já morar no animus domi-
bem ni por 5 anos
Código Pessoa Sem Sem limite de Art. 1243, Título, boa-fé,
Civil física e definição vezes CC arl}!Jl!J_S
j JJ.J:Í.Çfu; a doflJ{'lLDO

~ Aplicação pelo TJ-RJ.

"APELAÇÃO CfVEL- USUCAPIÃO URBANO - Previsão na Constituição


Federal, no Código Civil e no Estatuto da Cidade. -Inocorrência dos re-
quisitos da boa-fé e justo título nesta modalidade de usucapião.-- Pre-
sença dos requisitos necessários por parte da autora: posse inconteste

144
Es·~:·\TUTO DA CrDADE- LEI N" 10.257/2001

e ininterrupta por OS (cinco) anos, área inferior a 250m2, inexistência


de outra propriedade urbana ou rural por parte da usucapiente. -lna-
plicabilidade do art. 2.028 do novo Código Civil, por não tratar a hipó-
tese de usucapião ordinário.- Notificação extrajudicial que não tem o
condão de interromper o lapso prescricional de OS (cinco) anos, diante
do inciso V do art. 202 da atual Lei Civil. Usucapião que se declara a
favor da autora, mantendo-se a gratuidade de justiça.- PROVIMENTO
DO RECURSO. "(TJ--RJ, AC 200600131579, Rei. Des. Sidney Hartung, DJ
14/12/2006),

-7 Aplicação em concurso.

• Cespe/Câmara Deputados/Analista Legislativo/2014


Jorge, cidadão que não possui qualquer imóvel registrado em seu nome,
tem ocupado, de forma mansa e pacífica, um lote de 140 m2 na cidade de
Pirenópolis (GO), utilizando-o para sua moradia, pois acredita tê-lo adquiri-
do validamente. Se Jorge tiver sido beneficiário de usucapião urbana, deve-
rá obedecer ao prazo mínimo de dez anos para adquirir domínio do imóvel.
A afirmativa está errada. O prazo mínimo para a usucapião especial urbana
é de cinco anos.

• c!:espe/Tl/DFT/Cartórios/lngresso/2014
Considere que Sílvio e Adriana, proprietários de pequeno imóvel rural de
quarenta hectares no estado X, tenham-se mudado para o DF, onde ocu-
pam, há dez anos, um imóvel urbano de duzentos metros quadrados, para
moradia. Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei n. 10.257/2001,
Sílvio e Adriana
a) poderão adquirir o imóvel urbano por usucapião, e seu herdeiro legítimo
poderá continuar na posse, em caso de sucessão.
b) poderão adquirir o domínio do imóvel urbano por usucapião, desde que
sejam casados.
c) estarão impedidos de adquirir o domínio do imóvel urbano por usucapião.
d) poderão adquirir o imóvel urbano por usucapião, desde que a ocupação
tenha sido ininterrupta.
e) poderão adquirir o imóvel urbano por usucapião, independentemente de
oposição no referido período.
Gabarito: letra c

• {Procurador do Município -Prefeitura São José dos Campos-SP/2012 - VU-


NESP}
Nos termos do Estatuto da Cidade, adquirirá o domínio da propriedade,
por meio da usucapião especial urbana, aquele que não seja proprietário

145
FERNANDA LouSADA CARDoso

de outro imóvel e que utilizar; para sua moradia ou de sua família, área ou
edificação de até
a) 200m 2, por cinco anos, ininterruptamente e sem c posição.
b) 250m 2, por cinco anos, ininterruptamente e sem c posição.
c) 250 m', por dez anos, ininterruptamente e sem op:::>sição.
d) 350m', por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição.
e) 350m 2, por dez anos, ininterruptamente e sem o:Josição.
Gabarito: letra b

• Procurador do Município de Salvador- 2006.


"Como característica específica da usucapião espEcial urbana, relativamen-
te à forma geral de usucapião, tem-se:
a) A dispensa da comprovação da posse de boa-fé e do justo título
b) A necessidade da posse mansa e pacífica por período determinado de tem-
po.
c) O caráter não-jurisdicional de seu reconheciment:J. que pode ser efetuado
ex offtcio pelo Registro de Imóveis.
d) a sua limitação a imóveis com área constituída de 250 metros quadrados,
por expressa disposição constitucional
e) a impossibilidade de caracterização da continuidêce da posse antiga pel;s
herdeiros do antigo possuidor."
Gabarito: letra a.

• Ministério Público do Tribunal de Contas de Santa Catarina- 2005.


"Atendendo a expresso dispositivo constitucional. o Estatuto da Cidade
assegurou a aquisição de domínio de área urbana de até duzentos e cin-
quenta metros quadrados, situada em imóvel público, por aquele que, não
sendo proprietário, possa provar a posse por cinco anos, sem interrupção,
aplicando-se-lhe a Lei 11101, de 9 de fevereiro de 2005."
A assertiva está errada. A Lei 11101/2005 trata de recuperação judicial,
extra-judicial e falência, não se aplicando à usucap.'ão especial urbano.
Procurador do Município de Ribeirão Preto- 2007.
"O usucapião especial de imóvel urbano se opera em área de até 250 m2,
exigindo-se a posse ininterrupta por dez anos."
A assertiva está errada. O prazo previsto em lei e na Constituição (art. 183}
é de cinco anos.

• Procurador do Município de Cuiabá- 2007.


"O usucapião especial de imóvel urbano somente poderá beneficiar o pos-
suidor que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural, ressal-

146
EsTATUTO DA CiDADE- LEI N° 10.257/2001

vada a possibilidade de reconhecimento desse direito ao mesmo possuidor


por, no máximo, duas vezes."
A afirmativa está errada." O parágrafo segundo do artigo prevê expressa-
mente que o direito só será reconhecido uma única vez ao ocupante.

• DP/PA - 2006.
"Sobre o usucapião especial de imóvel urbano, a doutrina aponta duas fi-
nalidades precípuas para serem cumpridas. A primeira seria a de instru-
mento para regularização fundiária, assegurando o direito de moradia à
população de baixa renda. Desta forma, através deste instrumento, seria
revertida a exclusão da maioria da população brasileira à propriedade ur-
bana. A segunda finalidade seria a do cumprimento da função social da
propriedade urbana, forçando a utilização de espaços vazios, sob pena da
perda da propriedade e democratizando, assim, o acesso à propriedade."
A afirmativa está correta.

Art. 10. As'Jir_g~l_S_l!_I:_Q!!.~!!JS com mais de_!~!l.?-~.!1-g>_!i_~- cii!.<I!'..<:.!I!:l_l__l_lfôtn.>_s


qunslrfLQQ!i! ocupadas por população de_!J.:~i~.!!._t:.Ç.!LCh.U!.ª.!:.ª-.!i!H!Jllora.dia,
p(.>r·<:i~(:~~--:~'-lY:<i:ininte.•:rliPta;~-~'It_('~S.C.'].l_~.P_qs.i_çii_<!_, ondc_.não for ,pos-
sível identificar~s tet·~eiJ(JS ()C_~;!p_~~or cad_~U.J.<J.~.~!~idor, siiu susc.:p-
tívcis serem usucapidas coletivamente, desde que os possuidor.:s não
sejamproprietá!~~~~-u.!ro i~_l_~ve! urbano ou..nu:al.
§ 1o O possuidor pode, para o fim de coutar o prazo exigido por este
at·tigo, acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas
sejam contínuas.
§ 2° A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declarada
pelo juiz, mediante sentença, a qual servirá de título:,para registro no
cartório de registro de imóveis.
§ 3° Na sentença, o juiz atribuirá igual fração ideal de terreno a ca_ill_l
possuidor, independentemente da dimensão do terreno que cada um ocu-
pe, salvo hipótese de ac~rdo e~cr.!t..!Lg1tJe os condôminos. est11b.ekc.e.udo
frações ideais difercnciad_as.
§ 4° O condomínio especial constituído é indivisível, não sendo passí-
vel de extinção, salvo deliberação favorável tomada por, no mínimo, .d.o.is_
terços do~_ç_ondômino~, no caso de execução de urbanização posterior à
constituição do condomínio.
§ 5° As deliberações relativas à admiuistração do condomínio especial
serão tomadas po1· maioria de votos dos condôminos presentes, obrigan-
do também os demais, discordantes ou ausentes.

147
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

1. Constitucionalidade da forma coletiva. Este instrumento visa primor-


dialmente às favelas e invasões que surgem desordenadamente, sendo
u níãocu paÇãõ-ín-aTstínta Cfãcõmünldade.gúe vlv'e'nõTõca I ::íi"fscu-te.:se
na
do'ütriM- ~~stitucio~a'iidã"d;-d;t~rm~--~~~~ti~ da us~~~pião, vez que
,a Carta Constitucional previu apenas a m·o-éfaHcrà~ª~ ifidlvTdj:ii]j Entende-
mos inexistir vício de inconstitucionalidade, vez que a usucapião é form;;J
de aquisição da propriedade, r:natéria de direito civil que dispensa assen-
to constitucional, bastando para sua legalidade a previsão na legislação
federal pertinente.

2. Início da contagem do prazo aquisitivo. Outra discussão da doutrina se


dá em relação ao início da contagem do prazo prescricional aquisitivo.
Há quem defenda que, por ser nova modalidade de usucapião, o prazo
deveria se iniciar com o advento da Lei 10257/01, desconsiderando a
posse anterior. Outros, no entanto, entendem que o cômputo do prazo

l
\
·desde o advento da nova Carta Constitucional, já que a nova modalidade
não criou gravame maior a ser suportado pelo proprietário. Ademais, a
\Lei 10257/01 teve prazo de vacância de três meses, no intuito de evitar
\surpresas aos proprietários de imóvel urbano.

-7 Aplicação pelo TJ-MG.


"AÇÃO DE USUCAPIÃO - USUCAPIÃO ESPECIAL COLETIVO URBANO -
PREVISÃO NA LEI 10.257/2001 - FORMA DE CONTAGEM DO PRA~O
LEGAL PARA A INCID~NCIA DA PRESCRIÇÃO AQUISITIVA- SENTENçA
MANTIDA. - O usucapião especial coletivo urbano foi instituído pela
Lei 10.257/2001 (Estatuto da Cidade), como instituto autônomo da-
quele que prevê o usucapião especial de imóvel urbano, previsto origi-
nariamente no art. 183 da Constituição Federal, e regulamentado pela
referida lei infraconstitucional. - O prazo de cinco anos de exercício
da posse deve ser contado a partir da vigência do Estatuto da Cidade,
ou seja, noventa dias após a data de sua publicação (09/10/2001), de
sorte que, sendo a posse reclamada na demanda, anterior à vigên-
cia da lei que instituiu o usucapião especial coletivo urbano, não há
como acolher o pedido inicial. Negaram provimento." (TJ-MG, Proc.
2.0000.00.436552-0/000, Rei. Des. Maurício Barros, DJ 02/04/2005)
3. Requisitos legais. A modalidade coletiva tem requisitos semelhantes ao
da forma individual/A ocupação, além de se espalhar em área superior
a 250 metros quadrados, não deve viabilizar a i<:J~ntifi.f.êJ..ç?o dad.,.Q.QS.?.es
individuais. Vale realçar que a lei lança mão de conceito jurídico inde-
terminado ao falar em "população de baixa renda". Caberá ao juiz, no
caso concreto, aferir se o grupo ocupante do fmóvelapresenta tal carac-
terística social. A análise a ser aqui realizada distingue do exame feito

J 148
EsTATUTO DA CmADE -- LEJ N" 10.257/200 l

quando da verificação dos beneficiários da justiça gratuita, na forma da

Lei 1060/50. /~>~zt3~~i~;.~,'u ~ "....~\t cltJ 'l/llllOJ\"~~'


.· · · . . . . '
4. Accessio possessíonis. 'Çis!i_ntân\~i1J~:<:JiJ.9rlii-ªJ.O::illvi.iliiaJ:~ a lei permite a
soma de posses entre pessoas vivas, desde que estas sejam contínuas.

5. Criação de condomínio. O juiz, ao reconhecer a usucapião, criará um


condomínio entre os ocupantes da área. O estabelecimento de frações
}_9eais permite,illém 9.~reg_ularizaç§()~ll1n<:li~~1?.d9·1Q'Z~~Trit.~rven~~
'mlJ..O_Lç_iQ.aj_nec:~_ssária à urbanização da região.\
'.,.---_

A indivisibilidade do condomínio decorre da natureza da ocupação, que


não autoriza a identificação da posse exercida por cada um. Sua extinção
só será possível após a Jrbanização, quando destacável cada proprieda-
de e mediante a aprovação de dois terços dos condôminos. As delibe-
rações se darão por maioria sir:npJ~s.\POr-raTtadeprevlsaoTegal, não se\
\ãl5Tícãaqu iõ.direito de i.~~f~r-ª~<::!~-~-~!E~().?._Ço_t:l_cl_QtnLIJ.9s .. PI~Yi~.t9.. no arU
\1l?~.cJ~) Cc)digo Civi.L

6. Urbanização. A interve1ção municipal, levando serviços públicos ao lo-


cal, é fundamental para a integração da área, não só jurídica, mas tam-
bém de fato ao restan-:e da cidade. No entanto, para viabilizar a ação
do Pode r Pú b Ii co, ~-I.~C:-º IJ1.l'!D.9.ªY§i..9.!Jf__Qi.JJ1 o \élJ!P..r.e_s...QQ.~~~à.edilid.a.d e
as áreas correspondentes às vias de acesso, nos moldes do art. 22, Lei
6 zJi§T79,::ª~--m:.~ic?~ãJ;;;:&iti.6_~~r~~:.:~t;_;iç~-~:.m~D'i~i·liª-'. n~-·ini-Fiiã-~~i.K6=.c!e_
se r_':'iç_o_~E.~~ Ii5=os ~~-i~_<::~!:'2_()_~1~_02~r:._~_:!~'?,_E.ú b l!5a e cana Ii za çã o d ~-~~-u as.
-7 Aplicação em concurso.
• DPE-MG- 2014-Defensor Público
Analise a situação a seguir.
A Associação de Moradores da Vila X ajuizou, expressamente autorizada
por seus associados e como substituta processual destes, uma ação de
usucapião especial coletiva. A inicial da referida ação narrou que, situada
em uma área total de 5 mil metros quadrados, a Vila X seria o bairro mais
carente da cidade e que todos os seus moradores seriam pessoas de baixa
renda. Narrou ainda que os moradores da Vila X adquiriram seus lotes, cada
um deii).9!S.il.<:l9_.~(l.ll!Z~.9f!1~k9.5,..ill@dra.Q..Qs, de um mesmo vendedor, me-
diante promessas particulares de compra e venda, de sorte que, há aproxi-
madamente seis anos, todos os adquirentes construíram as suas moradias
na localidade. Contudo, conforme constou na inicial, após já resicjirem no
local, os moradores da Vila X não conseguiram registrar os lotes em seus
nomes, posto que a pessoa que lhes vendeu os terrenos não era o proprie-
tário registra! dos rresmos e não tinha autorização para fazê-lo.ylnclusive,
afirmou a exordial cue os moradores da Vila X, individualmente, tentaram

149
FERNANDA LousADA CARDO:' O

obter judicialmente a adjudicação compulsória dos imóveis, sem êxito,


'posto tratar-se de uma venda a!l2.f2..E()f!li'!E Nesse sentido, pugnou pela
procedência da usucapião especial coletiva em favor de seus associados.
Considerando a narrativa acima, bem ccmo o disposto na Lei n9
10.257/2001, são dadas as proposições 1 e 2.
1. Apesar de uma das diretrizes da Lei n9 10.257/2001 ser a regularização
fundiária e urbanização de áreas ocupadas por população de baixa renda,
neste caso, é tecnicamente impertinente o ajuizamento da ação de usuca-
pião especial coletiva proposta pela Associação de Moradores da Vila X.
PORQUE,
2. Nos termos da Lei n2 10.257/2001, apenas aquele que pos-
suir como sua área ou edificação urbana de até duzentos e cin-
quenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e
sem opos1çao, utilizando-a para sua moradia ou de sua família,
poderá adquirir-lhe a propriedade por mei::J da usucapião especial ur-
bano, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
Assinale a alternativa CORRETA.
a) As proposições 1 e 2 são verdadeiras, sendo que a segunda justifica a pri-
meira.
b) As proposições 1 e 2 são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primei-
ra.
c) A proposição 1 é verdadeira e a proposição 2 é falsa.
d) A proposição 1 é falsa e a proposição 2 é verdadeira.
Gabarito: letra b
..
• MPE-SP-2012-Promotor de Justiça
Dentre os instrumentos da política urbana, previstos no Estatuto das Cida-
des (Lei no 10.257/2001), figuram a desapropriação e a usucapião especial
de imóvel urbano. A propósito desses instrumentos, é correto afirmar:
a) É obrigatória a intervenção do Ministério Públ co nas ações de desapropria-
ção e de usucapião especial de imóvel urbanc.
b) Na ação judicial de usucapião especial de imóvel urbano, o rito processual
a ser observado é o ordinário.
c) Associação de moradores da comunidade, com regular personalidade jurí-
dica, é, por si própria, parte legítima para a ação de usucapião urbana.
d) A aquisição individual de domínio pela usucapião especial de imóvel urba-
no só poderá ocorrer em imóveis não edificados de até 250 m 2 •
e) Áreas urbanas com mais de 250m 2 , ocupadas por população de baixa ren-
da para sua moradia, por mais de 5 anos inirterruptamente e sem oposi-
ção, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente
Gabarito: letra e

150
Es·rP.TUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

• PGR. 20 concurso.
"Conceitue a chamada usucapião coletiva, prevista no Código Civil, e des-
creva os aspectos que a aproximam e a afastam da usucapião especial cole-
tiva de imóvel urbano, prevista no Estatuto das Cidades."
O aluno deve descrever o instituto previsto no art. 10, Lei 10.257/01
e aquele previsto no art. 1228, § 42, CC. A principal diferença consiste no
pagamento existente no instituto do Código Civil, o que inocorre aqui. O
Código Civil também não exige que a população que ocupa o bem seja des-
favorecida economicamente, como fala o Estatuto da Cidade.
)A sentença, no caso do instituto civil, será t{tu. lo constitutivo c!_. ~;._pJ.QP[if!da-)
\Je,_QQ_QQsso_!]J!e na usucapião .coletiva a se..nJe.JJ.Ça é qp__enas !J.eclaratória. ,

• Procurador do Município de Ribeirão Preto- 2007.


"O usucapião coletivo é permitido para áreas com mais de 250m2, ocupa-
das por população de baixa renda para sua moradia, de forma ininterrupta,
por dez anos."
A assertiva está errada. O prazo previsto em lei é de cinco anos.

Aplicação pelo TJ-RJ.


"AGRAVO INOMINADO. APELAÇÃO CÍVEL. USUCAPIÃO. Os autores
pretendem a declaração de propriedade do imóvel discriminado sob
o fundamento de que possuem o bem há mais de 19 anos. Propuse-
ram a presente ação com base no art. 10 da Lei 10.257/2001, Estatuto
da Cidade, a qual prevê a Usucapião Coletiva. A pretensão foi julgada
procedente. Todavia, embora os autores tenham proposto Ação de
Usucapião Coletiva, requerendo a declaração de propriedade, o juízo
monocrático entendeu que houve equívoco na petição inicial, motivo
pelo qual aplicou as disposições do Código Civil por serem mais bené-
ficas aos demandantes. Os autores ocupam o Lote n9 155 de proprie-
dade do réu e pretendem obter a declaração de sua propriedade, sob
o fundamento de possuírem o bem há mais de 19 anos. Para que seja
declarado o direito de propriedade, tendo como base a Usucapião
Coletiva do Estatuto da Cidade, faz-se necessário que os requisitos
do art. 10 estejam presentes. Vale ainda registrar que não houve pro-
va segura de que o bem em questão é rural ou urbano. De acordo
com a análise dos documentos, presume-se que o mesmo é rural,
pois o apelante pagou nos anos de 1992 a 1995 o Imposto sobre a
Propriedade Territorial Rurai-ITR. Sendo assim, de uma forma ou de
outra, não cabe prosperar a pretensão autoral, devendo ser julgado
improcedente o pedido de declaração de propriedade do bem ocupa-
do. DECISÃO PROFERIDA PELO RELATOR QUE SE MANTÉM. AGRAVO
DESPROVIDO." (TJ-RJ, AC 0001099-84.2005.8.19.0079, Rei. Des. Ferdi-
naldo do Nascimento, j. 24/05/2011

151
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

~ Aplicação no TJ-RS.
"USUCAPIÃO COLETIVA. ESTATUTO DA CIDADE. ÁREA SUPERIOR A
250M. POSSE DESQUALIFICADA. REQUISITOS NÃO PREENCHIDOS. INA-
DEQUAÇÃO DO PEDIDO. Usucapião coletiva, art. 10 da lei nQ 10.257/01
(Estatuto da Cidade). Posse desqualificada, originada em contrato de
locação e posteriormente precária pela tolerância do proprietário.
Composse (vários membros da mesma família) da mesma área supe-
rior a 250m 2 . Inadequação do pedido. Requisitos não preenchidos.
Ação improcedente. Sentença mantida. Negaram provimento." (TJ-RS,
Apelação Cível NQ 70013121827, Rei. Des. Carlos Rafael dos Santos Jú-
nior, DJ 11/04/2006)

Art. 11. Na pendência da ação de usucapião especial urbana, ficarão


sobrestadas quaisquer outras ações, petitórias ou J!Ossessórias 1 que ve-
n h;Í~n a~<>cx:-p.ropostas..reTii.t.i.YI.1Jl!&.J.lliLao i m <2.Y2Ul.:~.!!fªI2.Í.~.nc\o.

1. Processo judicial. A ação de usucapião prevalece sobre outras deman-


das que envolvam posse ou domínio do imóvetfPélr:.él.el,li!.él.!:él_P[JIJiica~~-º
d~.çJecisões contraditórias, SJJR.ere-se __él_él\J~LQ_él_Ǫ()_J[Jr1_t_()_~_~GI_~_ê!._P_!:9-
p~~}!_l:IE~~~ação de usucapião.{(-
~ Aplicação em concurso.
"AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
AÇÃO DE USUCAPIAO PROPOSTA APÓS A ARREMATAÇÃO DO IMÓVEL.
DECISÃO AGRAVADA. MANUTENÇÃO. Constatando-se que a execução
suspensa pelo juízo de primeiro grau, foi ajuizada em data anterior
à propositura da ação de usucapião e que não se configura como es-
pécie de ação possessória ou petitória, é inaplicável, no caso, a regra
contida no art. 11 da lei n.!? 10.257/2001 (Estatuto da Cidade). Agravo
Regimental improvido." (STJ, AgRg no REsp 1237623, Rei. Min. Sidnei
Benetti, DJ 26/05/2011)

Art. 12. São vd.rti!Sklegítirnlis par~.a/ pr,opo~itura\43. aç~o,.de :psueapião

rL~~~;~;~;~~t~~~~~~~%~.;~~~~i~~~~~~4~,~f~'
m-.. qom?su
· riiilli.de, tic;!gul~ .
J,•;~·~iissoci~ção.?~··n,.pr~49rê~.&a·~omu~
iWl!l pel:sótu'Ilttlá'tiW1~~dt~níi(tesde que·
e~~~i~,\~itte~(~,~~t~w~~~~~Jt ;• ,. prestilitados: ' ,'· i' ': 1

152
EsTATUT:::l DA CIDADE ·- LEr N° lO. 2 57/2001

'")'

§ 1~,:Na~~1to de usu(.l~pião especial urbana. é Qbrig~tória.a inteiv~nÇ~o do


Mini$tériQ, Público. ·
· § 2° P'·k~fdrt~~a os beneficios dajustfç~ ~,da~ssistê'tí~íajÚdiciáí:ia gt'ahlita,
inchisiYeperante o éártório de registro c\d imóveis.

1. Litisconsórcio. Os ocupantes de determinada área poderão ajuizar a


ação em conjunto, formando litisconsórcio. A lei:_ ao pre~~r sua .forma-
ção em momento posterior ao ajuizamento da açao, class1fica o litiscon-
sórcio em facultativo, modalidade também reconhecida pela doutrina.
lj__Ll_S_l!_C-ª_Q.@_(_)__~_C?_L~tiv~_clif~.r~ da usucapião conjunta, onde vários aut_o~es
que exercem posses individualizada~~~~~~:-~.9~erer em JU~o
a-decl . ão __.;i.\JiL.PíQPLi~dq_çjeJfifâ" usu.cap_Iª-.Q_ÇOnrunta FiáJl cu m_LjlaÇSJ~­
(~U~ iv.i_~L!:l.él..~SJI etiva ,___Q_Q~d i<!9..:L~!Il..2.º'_jD.,ÇJ..nd í.v~.L_çlLante
~a situação fática da _posse exe.r..c~~~ J?t?.!.~~~~J~.:u:~~;;~~~~JI"!d,i~!J.I.l~_i;lf!l_~llt~_:
Porest:ã'razãó; na usucapião coletiva, o litlsconsorc!O sera sempre uni-
tário, ao passo que na usucapião conjunta e!e ~erá, ~'I'::..r~gfi-~~i}:!.\~~es.
;,.Apenas na situação de composse, o litisconsorc1o sera unlfãno, Ja que a
'posse nesta hipótese é única. ·.:'\-
2. Legitimação extraordinária. A lei reconhece à associação legitimidade
para pleitear em juízo direito de seus associados.
~ Aplicação em concurso.
• Procurador do Mu11icfpio de Ribeirão Preto- 2007.
"A associação de moradores, atendidas certas exigências, pode ser admiti-
da como parte legítima em ação de usucapião especial urbana."
A afirmativa está correta.
3. Ministério Público. A intervenção do Ministério Público como fiscal da
lei é obrigatória nas ações de usucapião. Suaf;:dtél ggré)nljljçlade no pro-
cess().
~ Aplicação pelo TJ-RJ.
"Ação de usucapião especial urbano. Sentença que extinguiu o feito
sem resolução do mérito, por entender que o pedido era juridicamen-
te impossível. Anulação da sentença que se impõe. Ausência de inti-
mação do M.nistério Público. Considera-se nulo o processo, no caso
de falta da intimação do Ministério Público, quando obrigatória a
sua intervenção. Manifesta violação aos arts. 84, 246 e 944 do CPC.
ANULAÇÃO DO PROCESSO, EX OFFICIO, a partir do momento em que
o Ministério Público deveria ter sido intimado. Retorno do.s autos ao
Juízo de origem. Prejudicado o exame do apelo interposto pelos auto-
res" (TJ-RJ, AC n 0188296-95.2008.8.19.0001, Rei. Des. Sirlei Biondi, j.
10/08/2011}

153
FERNANDA LOUSADA C.-\RDUSO

-7 Aplicação em concurso.
• MP/MG- 44 concurso.
"São partes legítimas para a propositura da ação de usucapião especial ur-
bana o possurd_or, ~soladamente ou em litisconsórcio originário ou superve-
~Iente, a assoc1açao de moradores da comunidade, regularmente constitu-
Ida, com personalidade jurídica, desde que explicitamente autorizada pelos
representados; e o Ministério Público como substituto processual."
A afirmativa está errada. O Ministério Público não atua como substituto
processual, apenas como fiscal da lei.

Art. 13. A ~sucapiã~ especial de imóvel urbano poderá ser invocada


como maténa de defesa, valendo a scnten~a que a reconhecer como tí~
tulo para registro no cartório de registro de imóveis.

1. Usucapião em defesa. Para que a alegação de usucapião em defesa sur-


ta os mesmos efeitos que na ação própria, é de boa cautela que 0 juiz
se ce~~ue de alguns cuidados formais, c~ apresentação de planta
? ª_
e s cn ti va d 'ª-_@gLÊj_Q_e__ Ln_!j_fl!ill:~_Q._ç!!;l_â..Es:w=J:H:lE.~.EllQ.!lçg.? e çJ e
-f;[Crico s
_Interessados. Desta forma, evitar-se-ão futuras nulidades no título de
propriedade a ser constituído.

-7 Aplicação em concurso.
• MPE-SP-2012-Promotor de Justiça
:rratando-se da usucapião especial de imóvel urbano, assinale a alternativa
Incorreta:
a) Aquele_ que possuir como sua área ou edificação urbana de até duzentos
e cm_q~enta. ~etros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem
opos.Iç~o, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á 0
domm10, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural;
b) O herdeiro legítimo continua, de pleno direito, a posse de seu antecessor
desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão; '
c) As áreas urbanas com mais de duzentos e cinqüenta metros quadrados
ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos:
Ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os ter-
renos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas
~ol~tivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro
1movel urbano ou rural;

d) Poderá ser invocada como matéria de defesa, valendo a sentença que a


reconhecer como prova emprestada em ação de usucapião que venha a ser
proposta para fins da prescrição aquisitiva do imóvel disputado;

154
Es1Al'UTO DA CIDADE- LEI N° I 0.257/2001

e) A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declaracia pelo juiz,


r
mediante sentença, a qual servirá de título para registro no cartório de
registro de imóveis.
Gabarito: letra d
• MP/MG- 47 Concurso.
"Segundo a Lei nº 10.257/01 (Estatuto da Cidade), a usucapião especial
de imóvel urbano poderá ser invocada como matéria de defesa, porém a
sentença que a reconhecer não servirá como título para registro no cartório
de registro de imóveis, para tanto, deverá ser proposta ação especifica para
reconhecimento deste tipo de usucapião especial, cujo rito processual a ser
observado é o sumário."

A afirmativa está errada. A sentença vale como titulo a ser levado a registro
público.

At·t. 14. Na ação judicial de usucapião especial de imóvel urbano, o rito


processual a ser observado é o sumário.

1. Procedimento. A lei prevê o rito sumário para a ação de usucapião. Tal


dispositivo vem sendo criticado, por vários motivos. Primeiro porque
nesta espécie de demanda despiscienda é a audiência de conciliação, já
que o interesse.público en\/o_lvjc:J~i~E.E:c:l_~_gl!§lg_(J.E:r.tiPc:> <:J.etr_élr:Jsação.
Ademais, este rito impõe ao autor a produção antecipada de provas, o
que é de difícil obtenção pela parte. Outrossim, é comum a necessidade
de prova pericial, o que vai de encontro com a brevidade exigida pelo
procedimento.

2. legitimidade passiva. A jurisprudência ainda não é pacífica quanto à le-


gitimidade do ente municipal para figurar no pólo passivo da relação
processual na ação de usucapião especial coletiva. Se por um lado, a de-
cisão judicial poderá trazer impacto urbanístico para parcela da cidade,
por outro, o ente público não é titular do direito material discutido, qual
seja, direito de propriedade.

Entendemos que não deva o ente municipal figurar no pólo passivo, por-
quanto não ter seu patrimônio atingido. Eventual urbanização ou regu-
larização da área cuja propriedade seja reconhecida judicialmente será
executada administrativamente ou até exigida judicialmente com base
no art. 40, Lei 6766/79, consistindo dever jurídico autônomo do discuti-
do na ação de usucapião.

155
i

lt
•..
'f
!í'.
t

~
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

Aplicação em concurso.

!I • TJ-PB- 2014 -lESES- Titular de Serviços de Notas de Registros


'· De ac~rdo com Estatuto da Cidade na ação judicial de usucapião especial
n de 1movel urbano, o rito processual a ser observado será:
a) O sumário.
b) O ordinário.
c) O previsto na lei 9.099/95.
d) O Rito Especial.

Gabarito: letra A

~ Aplicação pelo TJ-RJ

'AGRAVO INOMINADO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. 1. USUCAPIÃO


COLETIVA URBANA. ARTIGO 10 DO ESTATUTO DA CIDADE. 2. LEGITI-
MIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO. ENTE COMPETENTE PARA ORDENAR
O PLENO DESENVOLVIMENTO DA CIDADE E DA PROPRIEDADE URBA-
NA. 3 .. LITISCONSÓR~IO NECESSÁRIO. CARACTERIZAÇÃO. A DECISÃO
DE MERITO AFETARA A ESFERA JURÍDICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE
JANEIRO. 4. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO. RITO PROCESSUAL ADEQUA-
DO. CO~.P~EXIDA~E DA CAUSA. 5. INOMINADO NÃO PROVIDO.( ... ) 2. ~·
O Mun!c!plo _do RIO de Janeiro, onde está situado o imóvel urbano
ob;eto da açao de usucapião coletiva, tem legitimidade passiva para
a demanda, tendo em vista a sua pertinência subjetiva com a cau-
sa, pois nela será debatida matéria referente à política urbana- ins-
trum_ento P:'l? qual se busca ordenar o pleno desenvolvimento das
funçoes
· · soc1a1s
I' da cidade e da propriedade urbana , como defi n1·d o no
'~c1so V, a mea 'i' do artigo 4Q da Lei 10.257/01. 3. Referindo-se a rela-
çao de ~ireito material objeto da ação de usucapião coletiva urbana à
:oncretização de políticas urbanas e a regularização de ocupações de
are.as urbanas por populações de baixa renda, é evidente que 0 Muni-
cfplo terá ~ua esfera jurídica afetada pela decisão proferida, havendo
po~tanto, 1mprescindibilidade da sua alocação no pólo passivo da re~
laçao processual, de forma a configurar litisconsórcio passivo necessá-
riO. ( ... ).4. O artigo 14 da lei nQ 10.257I 2001 (Estatuto da Cidade) r _
. d" P e
~'u. o proce 1mento sumário para as ações de usucapião especial de
1movel u~bano. Entretanto, é ele inaplicável ao caso em tela, diante da
complexidade da causa de usucapião coletiva, impondo-se então
adoção do ri~o ordinário, tendo em vista o grande número ~e poss~~
dores envolvidos e a necessidade de realização de prova pericial com-
plexa, ~aracterísticas essas incompatíveis com aquele procedimento.
Ademais, de nada adiantaria manter um rito mais célere ao processo
se a complexidade e o grande porte da causa sugerem a adoção de

156
EsTAT\TfO DA CIDADE-- LEI N° 10.257/2001

um procedimento mais detalhado, apto a transmitir maior segurança


jurídica às partes envolvidas, porquanto a real finalidade do processo
é garantir a etetividade da tutela jurisdicional, como instrumento da
entrega de jurisdição adequada e tempestiva, proporcionando a com-
posição dos conflitos sempre pautada na segurança jurídica e na am-
pla defesa, assegurando, constantemente, o devido processo legal. 5.
Recurso não provido." (TJ-RJ, AI 0027402-42.2009.8.19.0000, Rei. Des.
José Carlos Paes, j. 26/08/2009)

~ Aplicação pelo TJ-MG.


"Ação de Usucapião Coletivo, com respaldo no Estatuto da Cidade,
Lei 10.257/2001, impropriamente denominada de Ação Civil Pública.
O Conselho tvlunicipal das Associações ele Moradores de Valença tem
legitimidade ativa pa-a propor a ação de usucapião coletivo, conforme
estabelece o artigo :'..2, inciso 111 c/c artigo 10 da Lei 10.257/2001. O
Ministério Público funciona como custos legis, não podendo integrar
a demanda como litisconsorte ativo, por ausência de legitimidade
extraordinária prevista no Estatuto da Cidade, observando-se o re-
gramento do parágrafo 12 do artigo 12 mencionado. O Município de
Valença não integra o pólo passivo da demanda e, na eventualidade
de regularizãr o loteamento, poderá obter o ressarcimento das im-
portâncias despendidas, com base no artigo 40 e seus parágrafos e
43 e parágrafo único da Lei 6766/79, pela via própria. Excluído o ente
público do pólo passivo, o feito deverá ser julgado pelo Juízo da 1" Vara
da Comarca de Valença Desprovimento do Agravo de Instrumento."
(TJ-RJ, AI 200400209005, Rei. Des. Camilo Ruliere, DJ 24/11/2005)

Seção VI
Da concessão de uso especial para fins de moradia

Art. 15. (VETADO)


Art. 16. (VETADO)
Art. 17. (VETADO)
Art. 18. (VETADO)
Art. 19. (VETADO)
Art. 20. (VETADO)

1. Razões de veto. O Poder Executivo vetou integralmente a seção que dis-


punha sobre a concessão de uso especial para fins de moradia na pro-
messa de melhor regulamentar a matéria em momento posterior. Hou-
ve crítica quanto à previsão da concessão de uso de edificação urbana,
além do próprio terreno. Destacou-se também não ter a norma legal

157
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

distinguido os imóveis públicos de uso comum dos demais, estes sim


passíveis de terem seu uso transferido ao particu ar.

O veto também realçou a falta de uma data-lirTite para o reconhecimen-


to do direito, bem como a omissão de prazo para que 0 Poder Público
processe os pedidos da concessão de uso.

O instituto veio previsto na Medida Provisória 2220/01 que comentare-


mos em sequência a esta lei.

Seçiio VII
Do direito tle superjlde
Art. 21. O proprietário urbano podení conceder a outrem o direito de
superfície do seu terreno, ROr tempo determinado ou indeterminado
ll:!<;diante escritura públiÇ2.__rsg_istntda no car!fuls> de registr()çi~jnÍ~y~}~~-- '
§ 1" O direito de supert1cie abrange o direito de utilizar o solo, o subsolo
ou o espaço aéreo relativo ao terreno, na forma es:abelecida no contrato
respectivo, atendida a legislação urbanística.

§ 2" A concessão do direito de supert1cie poderá ser oratuita ou onerosa.


=·------·-··
§ 3" O superfiS,!~-~E!~!!_q_erá integralmente.J?2l\l.?_ cn5,;.;rr..g.Q§_ c tribJJtps
que inciclireJ~1 súbre a 1~r'opriedade superticiária, arcm:do, ainda, proJ;~r­
cwnalmente a sua parcela de ocupação efetiva, com os ::ncargos e tributos
sobre a área objeto da concessão do direito de superfki~. salvo disposição
em contrário do contrato respectivo.

[§ 4" Q direito de superf1cie__p?d<::. sei_transt!,:_r.ido:t t(!r·~eirillL2.!J~ci_çs;i_çl_~_


LO.s termos do contrato resp_ect1vo.
§ 5" P9r morte do supcl·ficiário, os seus direitos transmitem-sc..JLS.í!lls
h~. . '

1. Novo direito real. O Estatuto da Cidade inovou ao prever o direito de


superfície no solo urbano. Sua regulação mais aMpla veio em momento
posterior, com o advento do Código Civil em 2002. A superfície importa
na suspensão do princípio da acessão, previsto no art. 1253, CC, que in-
forma que o principal segue o acessório, sendo do proprietário da terra
a titularidade da plantação ou da construção ali re3lizada.

A norma aqui comentada é administrativa, visa sellpre a tutelar o inte-


resse público. Nesta modalidade de superfície vale o princípio da lega-
lidade, plasmado no art 37, CRFB que estabelece que a Administração
Pública só pode fazer aquilo previsto em lei.

158
EsTATUTO DA CIDADE LEI N° 10.257/2001

-7 Aplicação em concurso.
• TJ/AC- 2006- juiz- CESPE
"A propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e a do subsolo corres-
pondentes, em altura e profundidade úteis ao seu exercício, ressalvadas
as exceções previstas na Constituição e em leis especiais. No entanto, a lei
federal autoriza o chamado direito de superfície, adotado pela idéia de solo
criado, por meio do qual o proprietário pode, de forma onerosa ou não,
transferir o direito de construir em favor de terceiro, de forma a satisfazer
os interesses definidos pela política urbana."
A afirmativa está correta.

• Procurador do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina - 2005.


"O proprietário de solo urbano poderá conceder a outrem o direito de su-
perfície de seu terreno, que abrange o direito de utilizar o solo, o subsolo
e o espaço aéreo relativo ao terreno, por tempo determinado ou indeter-
minado, mediante escritura pública registrada no cartório de registro de
imóveis, atendida a legislação urbanística."
' A afirmativa está correta.

2. Distinção entre a superficie prevista no Código Civil. Importante desta-


car de início a diferença entre o regime do Estatuto da Cidade e aquele
previsto no Código Civil. Em primeiro lugar, estes dispositivos só tratam
do solo urbano 1J-ª-.-ªkL.flyil prevê também a superficie de solo rural.

Além disso, como já dito, o interesse aqui envolvido é o coletivo, da co-


munidade. Nas disposições civis o que se preserva são os interesses das
partes interessadas. Por isso, para se definir se será utilizado o Código
Civil ou a lei 10.257, é importante verificar o objeto de transferência,
a finalidade que se quer dar ao bem e o interesse.jurídico envolvido.
Por exemplo, a alienação de superficie para a criação de um jardim,
ou de uma quadra de esportes é negóçio jurídico que afeta apenas às
partes envolvidas. Já a superficie para a construção de uma passare-
la, ou de um estacionamento subterrâneo é contrato que tem reper-
cussões urbanísticas e, por isso, deve contar com a participação do
\
~n.t~._-_M\.!nicjp-ªJ,.jns:;_LçlJoç:lQ,.Jnç_as.u,_as normas p(Jblicas do Estatuto._çl-ª~
t:Jfl.c:~_de.
Por envolver interesse público, as normas aqui estudadas são inafastá-
veis, de ordem pública, como expressamente previsto no art. 1, pu. Já as
normas do Código Civil, por tutelar interesse privado, podem ser nego-
ciadas entre as partes.

159
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

A transferência da superfície pelo Estatuto da Cidade pode ser por pra-


zo determinado ou indeterminado. Já no Código Civil, a alienação só se
da.rá.);LQf....J?,razo determinad~, na forma do""'!':".~:X?_E?.~••S:S:·
O Código Civil não admite a transferência da superfície de subsolo inde-
pendentemente do solo, autorizando apenas a obra em subsolo quando
inerente ao Q_i;llg!:.Q. da concessão, na. forma do i:lLt.l3_9_~pu.
Segue em sequência quadro esquematizando as diferenças entre os dois
ordenamentos reguladores da superfície.

Lei Solo Determinado ou Solo e Não há


Público
10257 urbano indeterminado subsolo possibilidade
Solo Não ad-
Código
urbano Determinado mite do Privado É possível
Civil
e rural .s.u.bs.o Io

1 Art. 22. Em caso de alien.a~\~od.o tet:re!l.O, ou do direito de ~uperfjci~, ~


superficiário e o proprietário, respectivamente, terão direito ide prefe.:.
rência, em igt~aldàde de condições à ofertade terceiros: .. ..

1. Semelhanças entre os regulamentos. Tanto no Estatuto da Cidade como


no Código Civil, há previsão do direito de preferência em favor das par-
tes contratantes em caso d<=. pgsteriorªJi~Q.:JÇffi_~_QQ...QJreitQ__r_~_ªIL.?.~Lª da
s up e r~c i_e_, s_ej~__cl.~..e_rg_er i e_9_~_c!_e.
Em ambos os casos é possível a celebração de transferência do direito
real na forma onerosa ou gratuita. Os dois regimentos também admitem
a transferência da supertLçJs;.jnter vivos ou causa mortis.

A_s u p~r_fi~ ie_~!~ nto_~.<:l-~-~cJ. ii.<:J Ç~v, i_! C() rl1.9..•~.?.. ~s!-~.!':1!9..~ Q~ d e!_tra_':_~f_e_L~
o direito de construir ou de plantar, mas não admite a transmissão da
p7opriedade superfiCi~'ri"a"'con-sTstênte na plantàção'6ú cônit~uçã'o. Não
há autorização legal para a transferênda t'ã'o=-sômêú'ife'âã'pTànfáÇão ou
da construção já realizada, ou seja, da propriedade superficiária. Nosso
ordenamento, portanto, não admite a superfície por cisão.
Por fim, em ambos há a previsão da transferência de tributos e encargos
ao superficiário. Importante ressaltar que para que tal disposição seja
oponível à Fazenda, é preciso que haja alteração na legislação tributária
pertinente.

160
EsTATUTO DA CIDADE -- LEr N" 10.257/2001

Questão polêmica diz respeito à possibilidade de usucapião do direito


de superfície. Como se trata de uma exceção à regra do princípio da
acessão, só será possível a limitação da usucapião do direito real de su-
perfície quando houver sido previamente determinada a separação da
superfície da nua-propriedade pelo proprietário. Assim, a regra é que a
posse com animus domini do imóvel determine a usucapião de sua pro-
priedade. Só s~-!~SJ_n_ll_~E.~!J._a usucaQ@o d~_?_l!.P~rfície se o QOSS\Jld9Lfor
s u pgr_fj c i á rru_.D.ªQ....Q_Q.LO.PJletáLi.o._do.b..e.nL

Tal regra é de suma importância para os casos de usucapião de bem pú-


blico, o que é expressamente vedado por nossa Carta Maior, no art. 183,
CRFB. Nesse caso, o ocupante poderia alegar usucapião da superfície
e não da propriedade plena, dado que só poderia ser admitido SE:!Q!:.Et'
-+.via mente o Ente Público, proprietário do bem, houv~-~~-~_i_':ll_a_9o~ su-
' perfu:.ie doj_rnc)vel. Casc:: __t::()ny~~io, n§~-~~-q~~~-;ef~'i'âr e~ usuc~pião de
superfície, mas sim de \~0.~1_5 o que e JUridicamente 1mposs1vel pelo
nosso ordenamento.
~ Aplicação em concurso.
• MP/MG-2003
"O direito de superfície pode ser transferido a terceiros, obedecidos os ter-
mos do contrato celebrado."
A afirmativa está correta.

• TJ-RJ- XLII Concurso - Prova Específica.


"Quanto ao direito de superfície, explicitar, fundamentadamente:

a) sua natureza jurídica


b) a forma de sua constituição mediante concessão;
c) a forma de sua constituição mediante cisão;
d) a controvérsia relacionada à aquisição pela via da usucapião
Todos os itens perguntados na questão foram abordados nos comentários
aos artigos que tratam do direito de superficie na Lei 10257/01.

Art. 23. Extingue-se o direito de superfície:


I~ pelo advento do termo;
TI ~ pelo descumprimento das obrigações contratuais assumidas pelo
supcrficiário.

161
FERNANDA LousAo,, CAimuso

1. Relação contratual. Assim como ocorre na transferência da proprieda-


de,- o direito real de superfície tem SljCI__t@nsi_~r:t§ncia ~fetivadSJ_ç_oJR.O
registro público do contrato de com_m:ª..g_·y~_nda. Neste ajuste entre as
partes deve haver previsão relativa aos valores a serem pagos, à respon-
sabilidade pelo:;_!~i~':l!()~, e à destinação a ser dada ao imóvel. Em geral,
a superfície é transferida para uma finalidade específica e sua inobser-
vância pelo superficiário enseja a resolução do contrato.
----·-
----~ -----~ ----------····
-------·---~····-·--·-··· ,..

• Por ser exceção ao princípio da acessão, a superfície não se presume;


, sua criação e transferência só ocorrerão por manifestação de vontade
I ... . . . ... .. ... ... ................ .. ...... .. ......................... - -.. - -....... •.
1expressa.l Por esta razão, só será possível a usucapião de su_perfície se,
previamente, houver-~ docum~!<:J..9~?!?.E~I]d()__a propriedade super-
fiçlária. Sem um ajuste prévio, não se pode presumir a divisão da pro-
priedade plena.
~ Aplicação em concurso.
• TJ-SE- 2008- CESPE
"O direito de superfície é a concessão para se construir ou plantar em solo
alheio. A constituição desse direito opera-se por contrato oneroso, durante
a sua vigência, e o detentor da propriedade superficiária poderá modificar
unilateralmente a destinação da utilização do terreno, quando essa não
beneficiar a propriedade economicamente."
A afirmativa está errada. O contrato de superficie pode ser gratuito ou one-
roso (art. 21, § 2!2) e a alteração da destinação do bem é causa de extinção
da superficie, na forma do art. 23, 11.

Art.· 24. Extinto o direito de superfície, o proprietário recuperará o


pleno domiuio do terreno, bem como das acessões e benfeitorias introdu-
zidas no imóvel, independentemente de indenização, se as partes não
houverem estipulado o contrário no respectivo contrato.
§ I o Antes do tcnno final do contrato, extinguir-se-á o direito de superfície
se o superficiário der ao terreno destinação diversa daquela para a qual
for concedida.
§ 2° AmctinçãQ d1~ d.irçitQ...<ie superfície será averbada no cartório de re-
gistm de im.ó.veis. ·

1. Reunião da propriedade. Com a transferência da superfície, o imóvel


passa a ter o proprietário e o superficiário, este titular do direito de su-
perfície. Com a extinção da superfície, a propriedade plena se reúne na
pessoa de seu titular. Por se tratar de direito real, é essencial que se faça
o registro junto ao RGI.

162
ESTATUTU DA CIDADE- LEI N° 10.257/200!

Seção VIII
\ Do diret"'to de preeln]Jçllo
<l:,
;\.rt. 25. O direito de preempção confere '~o Poder Púi,Iiço municipàl
preferência para aquisiçãó de imóvel urõano objeto de álieíiação one-
rosa entn• particulares. . . . . . .· . . .. -
§ 1o Lei municipal, baseada no plano dir#or, delimitará as áreas em
que incidirá o direito de preempção e fixará prazo de vigência, não supe-
tior a cinco anos, renovável a partir de um ano após o decurso do J2!1!ZO
ipicialde vigência. · ·· · ·
§ 2° O direito de preempção fica assegurado dlirante o prazo de vigência
fixado na fonna do§ 1°, iuaw~mettkdo uúmero dç alicnaçiie.s...
referentes ao me1jmo imóvef. . · .

1. Preferência. A preempção é uma restrição ao poder de dispor do pro-


prietário, consistente numa preferência estabelecida pela lei, em favor
do Poder Público Municipal. É uma obrigação de fazer a ser observada
Ptlo proprietário do imóvel que deve notificar o Ente Municipal caso
pretenda alienar onerosamente seu bem.

É importante distinguir a preempção aqui estudada da perempção, que


significa a perda do direito.

CQJ110 toda eqll_alquer preferência, o valor a ser pago peiQE_Qt~.. IY}.LIQici-


pal será o mesmo oferecido pelo PCir:tjctjJar. A regulamentação deve visar
evitar fraude entre particulares que pretendam simular a alienação de
imóveis, forjando preços fora de mercado. As normas do Código Civil po-
dem ser aplicadas subsidiariamente, CQ_m...Q_Ql_?põe o art. 4L§ 12 desta lei.
·-------~

2. Requisitos legais. Para a incidência da preferência, mister se faz a previ-


são do instituto no plano diretor e sua regulamentação por meio de lei
municipal, expressamente especificando as áreas de sua aplicação.

3. Hipóteses de incidência. A preempção ocorrerá nas hipóteses de trans-


ferência da propriedade de forma onerosa. IN'~Õ·i~cide, portanto, em .j
alienação de domínio útil ou de super.ff_cj~, "@_mpouco el11_êlU~n.açê?ês
gr::ªJ.LJ.it<:JS.S_()~g__<:loações e transmissão de herança. Destaque-se ainda
.. ,.-·-·· -·--·-··---·-·
···---·~-- --~--·--

não incidir a norma em casos de transferência da propriedade sem o


~~ elemento voH_~-~~! ~~~~-oc'?!!..~-~~.-:.~~.sos. de evicção, desaprc:priação_ e
us.ucapião.

163
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

A lei é clara ao prever a preferência em negócios celebrados entre parti-


culares. Assim, não incide tal regra em alier~_a.ções realizadas por pessoas
jurídicas de direito público.

4. Preponderância do interesse público. Por envolver o interesse munici-


pal em bem ordenar a ocupação do espaço urbano, a preferência aqui
~-estudada prevalece sobre outras prelações privadas.KQ.I:lliLãJIQ.[Q.Ç~ :1.
"f-~elação ao bem alugado e a do condômino sobre a coisa comum,~
-7 Aplicação em concurso.
• MP/MT- 2012- UFMT
"Sobre o direito de preempção regulado no Estatuto da Cidade, é correto
afirmar:
a) Exige que todos os particulares notifiquem previamente o município para
que o exerça, uma vez que na hipótese, deve ser considerado o princípio di!õ
prevalência do interesse público sobre o particular.
b) Assegura que o poder público municipal possa proteger imóveis de inte-
resse cultural desde que estes se encontrem localizados na área de abran-
gência que tenha sido definida em lei, e que tenham sido consideradas as
diretrizes fixadas no respectivo plano diretor.
c) O município poderá exercê-lo perante os particulares visando à criação de
parque municipal, desde que tenha origem em declaração de uq!idade pú-
blica da área, assegurando-lhe o direito à indenização prévia e e~ dinheiro.
d) Sujeita os proprietários que possuírem imóveis nas áreas que tenham sido
reconhecidas por decreto de interesse púbico, e assegura que o município,
após notificado para exercê-lo, faça-o em até cinco anos.
e) Condiciona que os proprietários que detenham imóveis em áreas assim re-
conhecidas em lei notifiquem previamente o poder público municipal para
que o exerça no prazo de cinco anos."
Gabarito: letra A

• TJ/PI- juiz- 2007.


"O direito de preempção municipal tern natureza jurídica de limitação ad
rninistrativa."
A afirmativa está correta.
• Ministério Público do Tribunal de Contas de Santa Catarina - 2005.
"Delimitada a área em que incidirá, por prazo determinado, o direito de
preempção do Município, na forma do Estatuto da Cidade, o proprietário
do imóvel, o proprietário do imóvel ali situado que deseje aliená-lo, deverá
notificar sua intenção ao Poder Público Municipal."
A assertiva está correta.

164
EsTATLTO DA CIDADE- LEI N° l 0.257/2001

• PGR- 22 concurso.
"Propriedade urbanística .... 2. Propriedade urbana e seu significado jurídi-
co. 3. Uso do solo urbano: direito de superfície e direito de preempção. 4.
Zoneamento urbano."
Os temas perguntados já foram discorridos neste livro.

• MP-MG-2003.
"O direito de preempção é previsto em favor do Municfpio e incide sobre a
alienação onerosa entre particulares."
A afirmativa está correta.

• MP-ES- 2005.
"O direito de preempção confere ao Poder Público municipal preferência
para aquisição de imóvel urbano objeto de alienação onerosa entre parti-
culares, em qualquer área do município."
A afirmativa está errada. O direito de preempção só poderá ser aplicado
nas áreas definidas em lei.

~5
\2} Diferenças entre a perempção do Código Civil. A preferência prevista
no Estatuto da Cidade se distingue da regulada pela lei civil em vários
aspectos. Primeiro, quanto à figura do preemptor. A norma administrati-

t::;~~ê(:~t~n3ai;~~~~-~~~~c~~:~ç~:;~b-~~~~gc;~~liQ~§~~a~~~~~~~~~]
quanto o preferente.

A preempção urbanística decork de im.Q.Q~Jção J~_gal,....@__Q<Le.s.tex.a_.psi-


vad~refe_r.~r:~i~--~~-c::_<?EEE:!_~~-~l~-E!~.-~~!.r:~~.~.E.§.I!~?_:__ü objeto é mais
amplo na lei civil, al::rangendo bens móveis e imóveis, incidindo apenas
em imóveis na normativa do Estatuto da_Cldade. A finalidade urbanística
deve se~a daquelas previstas\~ já na lei civil dispensa-se a
previsão de finalidade na aquisição do bem, bastando para tanto a von-
tade do preferente.

Por fim, o aspecto temporal. O Estatuto da Cidade estabelece o prazo


máximo de cinco anos para vigência da preferência, restrição que não
existe no Código Civ I, o que nos autoriza a admitir implicitamente a apli-
cação do pacto por prazo indeterminado. Insta destacar que o prazo pre-
visto no Estatuto dõ Cidade, firmado para vigência da preempção, tem
natureza decadencial.

Esquematizamos abaixo as diferenças entre os tratamentos legais:

165
FERNANDA LousADA CARDoso

Norma · 'Nat;Jur. ··. Objeto ···· Finalidàde

Lei Imposição Bem Município


Art. 26 Art. 25, § 12 1
10.257 legal i~ e DF

Vontade Bem móvel lndetermi-


C. Civil Livre Livre
das partes
--
e imóv'êf nado

6. Alienações diversas. O Ente Municipal poderá exercer a preferência no


prazo fixado em lei, mesmo que já tenham ocorrido algumas alienações.
A norma não limita o número de negócios jurídicos a serem realizados
no período. E~º-9. Jgdos eles_Q_M!LfliQQlQ.J;l.eve ser oQ!i.fi..çj;l_d_o~ re-
abrindo oportunidade para exercer sua faculdade de aquisição do bem.
A aquisição, in casu, não é precedida d-e-certame licitatprio, por força-do-
art. 25, Lei 8666/93. • ,~Y. 1.\o<\:,\, ~~ ti'>, ·\''-'·.:-\iYJ~l\, À\ •..ey.co ·.:,'.\t"'"

Art. 26. O direito de preempção será exercido sempre que o Poder Pú-
blico necessitar de áreas para:
I- rcgJ.Ilarizaçíioq fu,ndiária;
li- execução de programas e projetos habitacionais de interesse social;
IIl - constituição de reserva fundiária;
IV - orde.namel1to edirecionamento da expansão urbana;
V- implantação de equipamentos urbanos c comunitários;
VI- criação de espaços públicos de lazer e áreas verdes;
VII - cri~ção de unida<les de conservação ou proteção de outras áreas de
interesse.ambieutál; · ·
VIII- proteção d~ áreas de interesse histórico, cultural ou paisagístico;
IX- (VETADO)
Parágrafo único. A lei municipal prevista no § ! 0 do art. 25 desta Lei de-
verá enquadrar cada área em que incidirá o direito de preempção em
uma ou mais das fmtílidades enumeradas J2QL!êli!9...3!11i.go.

1. Finalidade do instrumento. No intuito de evitar que o mecanismo seja


utilizado para atender perseguições políticas e interesses pessoais, a lei
exige que seja justificada a fixação da preferência entre um dos objetivos
previstos neste artigo.

O inciso IX foi vetado justamente por trazer uma justificativa genérica,


relativa a interesse social e utilidade pública. Expôs o Executivo não ser

166
EsTATUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

possível o uso da discricionariedade na restrição ao direito fundamental


da propriedade. A destinação do imóvel fora da finalidade legal caracte-
riza improbidade administrativa, na forma do art. 52, 111.

-7 Aplicação em concurso.
• (Cespe/Câmara Deputados/Analista Legislativo/2014)
"Caso necessite de áreas para constituir reservas fundiárias, o poder públi-
co poderá exercer o direito de preempção."
A afirmativa está correta.

• Procurador do Município de Cuiabá - 2007.


"Pelo direito de preempção, o Poder Público poderá exercer o direito de
preferência para aquisição de imóvel urbano para fins de regularização fun-
diária."
-A afirmativa está correta.

• 409 Exame da Ordem -Prova Específica de Direito Administrativo- CESPE


~osé, proprietário de imóvel onde nasceu e viveu poeta de renome na-
cional, pretende aliená-lo a Lucas, que ofereceu a melhor proposta. Entre-
tanto, nos termos do plano diretor do Município onde se localiza o imóvel,
este deveria ser utilizado como museu da cidade, razão pela qual o Municí-
pio pretende adquiri-lo. Em face desta situação hipotética, na condição de
parecerista do Município, indique a providencia a ser tomada para que o
município adquira o imóvel, caso não seja viável a realização de desapro-
priação."
Poderá o município utilizar-se do direito de preempção, de acordo com o
prev~~.!!.o inciso vtll_fjó-ari.-26-êTãl.ein.fi1iii57Zioõi:rvo ênt:ãiiTà;Cievéi'c/
haver lei municipal que, baseada no plano diretor do município, identifique
o imóvel que será objeto da preempção, conforme determinação do pará-
grafo único do mesmo dispositivo e o art. 25, §1º.

Art. 27. O proprietário deverá notificar sua intenção de alienar o imó-


vel, para que o Município, no prazo máximo de trinta dias, manifeste
por escrito seu interesse em comprá-lo. ·
§ 1o À notificação mencionada no caput será anexada proposta de compra
assinada por terceiro interessado náaquisíçã9 do imóvel, da qual consta-
rão preço, condições de.pagamento e prazo de validade;
§ 2° O l\11Úíicipio fará publicar, emór'gão 9pcial e em pelo menos um jor-
nal local .ou regiom!l de grande circulação, edital de.av!s~ <la notificação
recebi(la nos termos do caput e d;t int()llÇ~o.de aqui~i~o do imóvel nas
'condições da pr()posta apresentada. ·· ·· ·. ' ·.. · · ·· ·

J67
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

§ 3" Transcorrido o prazo .mencionado no caput sem manifestação,


fica o proprietário autorizado a realizar a alienação para terceiros, nas
condições da proposta apresentada.
§ 4" Concretizada a venda a terceiro, o proprietário fica obrigado a
apresentar ao Município, no prazo de trinta dias, cópia do instrumento
P.úblico de alienação do imóvel.
§ 5" A alienaÇão processada em condições diversas da ptoposta apresen-
tada é_n.:uJ.a..de..pli:mt.dlr.eitn. ·
? 6" Ocorrida â hipótescprevistat\o § 5" o Município poderá adql}irir o
tmóyel pelo valor da base de cálculo do IPTU ou Qelo valor indicado na
pmnosta aQresentàda, se este for inferior~~·

1. Publicidade. A lei prevê um procedimento que privilegia a publicidade


dos atos, permitindo seu controle pelos administrados.
2. Causa de nulidade. A alienação do imóvel por condições diversas das
informadas à municipalidade é causa de nulidade do negócio jurídico,
possibilitando ao Ente Municipal a aquisição do bem pelo seu valor ve-
nal. A diversidade, por suposto, deve trazer condições benéficas ao pre-
ferente. Caso o preço tenha sido maior daquele ofertado ao município, a
alienação, apesar de apresentar preço distinto, será válida e eficaz.
3. Improbidade Administrativa. Caso o Ente Municipal adquira o bem por
valor acima do mercado, eg-ªEAS.ª-f.:?_Ç_!.~Jj_~ad.'ª-ª.JJII.J2I.2J?idad~ administra-
tiva, n~JQrma ~~U.?J_'{!I..I.
4. Desistência. O Ente Municipal poderá desistir da aquisição do bem~té 0
momento do pagamento, ressarcindo o proprietário, caso tal ato tenha
lhe gerado algum prejuízo comprovado.

-7 Aplicação em concurso.
CAU-RJ- 2014- fADES- Agente de Fiscalização
Qual instituto do Estatuto da Cidade permite que lei específica, baseada no
plano diretor, disponha sobre as áreas que gerem a obrigação do proprietá-
rio de notificar sua intenção de alienar o imóvel, para que o município, no
prazo máximo de 30 dias, manifeste por escrito seu interesse em comprá-
-lo?
a) Transferência do direito de construir
b) Direito de superfície
c) Dir·eito de preempção
d) Desapropriação
e) Outorga onerosa do direito de construir.
Gabarito: letra C

168
EsTATUTO DA CIDADE- LEI N" 10.257/2001

SeçãoiX .
Da outorga onerosa do direito de construir
Art. 28. O plano diretor poderá fixar áreas nas quais .o direito de cons-
truir poderá ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento bá-
sico adotado, ~.~!!i~te co~_!~artÍd~ a ser prestada pelo beneftciãtlo-:-
§ 1" Par~ os efeitos desta Lei, c~e,.fieiente de ae!.oveitamento é a relação
eittre a área edLf!~ávg!~!Lárea do terreno.
§ 2" Op)ano diretor poderá fixar coeficiente de apr~vdtamento bási-
co único para toda a zona urbana ou diferenciado para áreas especificas
dentro da zona urbana. .
§ 3" O plano diretor definirá os limites máximos a serem atingidos
pelos coçficientes de aproveitamento, considerando .a proporcionalida-
de entre a infra-estrutura existente e o aumento de densidade esperado
em cada área.

1. Nomenclatura. O Estatuto da Cidade utilizou a expressão outorga onero-


sa do direito de construir para tratar do ir:Lst:it:_Ll_tQ_~onhecid~...Q~Ia doutri-
na como solo crLª-ç!o. Na verdade, a-º1!.to_rgª-g~rará o solo criado""' consis-
tente na faculdade de exercer o direito de construir além do coeficiente
·-------.··-·---·•-••"''"'""""
,,.~~--.-•···-~~, -~n·o~·-r~~--~-·--··•--~-- ~--~-··-------·-•·•~·-·-·~----····•··-•--·~--

de aproveitar_:l]_~_t:l!C?__b._á~ico.
O solo criado pode ser superior ou inferior, conforme ocupe o espaço aé-
reo ou o subsolo da propriedade. O solo criado é finito, correspondendo
à faixa situada entre o coeficiente básico de aproveitamento e o limite
máximo passível de ser aproveitado, este previsto pelo plano diretor.
2. Requisitos. Para a concessão da outorga, mister se faz a previsão das
áreas onde poderá haver a faculdade no plano diretor. É possível e legíti-
mo que em algumas áreas da cidade não seja possível a outorga onero-
st,\.Q]ilile_ Cfã~If~~5:~9·:I~~~ ·c<?n-stãfaÇ[ª-i r·
Também se exige a existência de lei municipal que preveja o procedi-
mento de concessão, as contrapartidas, os prazos e as isenções.
3. Coeficiente de aproveitamento. Sua definição vem no parágrafo primei-
ro e não se confunde com a taxa de ocupação que é a relação entre a
área do terreno e a projeção da construção sobre o solo.
O coeficiente poderá ser variável, conforme a estrutura da região e sua
ocupação populacional. Sua fixação deve atender aos princípios da im-
pessoalidade, da proporcionalidade e da finalidade que se deseja dar
ao imóvel, consistindo num instrumento de diálogo entre o direito de
construir e o zoneamento.

169
FERNANDA LOUSADA C\IWOSO

O coeficiente é o limite entre o direito de construir inerente à proprie-


da~e, direito subjetivo do titular, e aquele que só poderá ser exercido
mediante uma contraprestação a ser definida em lei.
-7 Aplicação em concurso.

• Procurador do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina - 2005.


"O plano diretor poderá fixar áreas nas quais o direito de construir poderá
ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico adotado me-
diante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário, hipótese conh~cida
como outorga onerosa do direito de construir."
A afirmativa está correta.

o Procurador do Município de Ribeirão Preto - 2007.


"Na outorga onerosa do direito de construir, o Plano Diretor não permitirá
que o proprietário do imóvel construa acima do coeficiente de aproveita-
mento básico adotado."
A afirma_ti~a está errada. A outorga é justamente para possibilitar que 0
proprtetano possa construir além do coeficiente básico de aproveitamento
dentro do limite a ser suportado pela região. '
~ MP/MG-2003
"A outorga onerosa do direito de construir, ou "solo criado" consiste na
possibilidade conferida pelo Poder Público ao proprietário de 'exercer 0 di-
reito de construir acima do coeficiente previsto em lei."
A afirmativa está correta.

Art. 29. O _Plano dh·etor poderá fixar áreas nas quais poderá serpenniti-
da alt~raçao de uso do solo, mediante contrapartida a ser prestada pelo
beneficiário.

1. o.utorga onerosa de alteração de uso do solo. O título da seção da lei


disse menos que deveria, já que há a previsão não apenas da outorga

~;~~ ~~1~e~:':~:~~eg~~::'{~;;~;;é~~~c~é;,d~~~~~~e;~~,n~
0

~ss1m aconselhem.
/

Art. 30. I .. ei municipal específica estabelecerá as condições a serem ob-


servadas para a~utorga onerosa do direito de construir e de àlteraf~
de uso, detenniuaudo: · ·· ··
1-- a fónnula de cálculo pani a cobrança;
LI- os casos passiveis de isenção do pagamento daoútorga;
lii -- a contrapartida do beneficiário

170
EsTATUTO DA CIDADE LEI N° 10.257/2001

1. legislação específica. A lei trará a forma de cálculo das contrapartidas,


as modalidades possíveis e o procedimento a ser observado pelo inte-
ressado em exercer a faculdade aqui comentada.

A lei também deverá prever se somente o proprietário ou possuidor po-


derá adquirir o potencial construtivo do seu imóvel ou se será possível
a a~l~§.Q_qQ__~Q~--~!l.aj_?..RêE?__utiliza~-e~_utro imóv:=IL.cJf:?St_c:__<:_ando-
-se 9 dir~i!Od(;!cons!rl!i[_cJé,!~ri~d~. Neste último caso, a doutrina
sugere a adoção de um processo licitatório simplificado, como o leilão,
para que se dê tratamento isonômico ao interesse particular (art. 2, IX)
da forma mais benéfica ao interesse municipal.

..,.. Aplicação pelo STJ.

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO


CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. AUSÊNCIA DE PRE-
QUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA
211/STJ. ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO. ONALT. EXAME PRÉVIO DA LEI
COMPLEMENTAR DISTRITAL N. 294/2000. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA
280/STF. PRECEDENTES. 1. Descumprido o necessário e indispensável
exame dos dispositivos de lei invocados pelo acórdão recorrido, apto a
viabilizar a pretensão recursal do recorrente, de maneira a atrair a inci-
dência das Súmulas 282 e 356/STF, sobretudo ante a ausência de opo-
sição dos cabíveis embargos declaratórios a fim de suprir a omissão do
julgado .... 3. Não obstante a previsão contida no Estatuto das Cida-
des (art. 4!!, inciso V, alínea "n", c/c o art. 29 da Lei n. 10.257 /2001),
. a análise da controvérsia relativa à legalidade da exigência de pa-
gamento prévio da Outorga Onerosa da Alteração de Uso (ONALT),
para fim de expedição de alvará de funcionamento, demanda, neces-
sariamente, o exame de norma local, qual seja, a Lei Complementar
Distrital n. 294/2000, que estabelece a exigência da referida outorga.
4. O exame de normas de caráter local é inviável na via do recurso
especial, em face da vedação prevista na Súmula 280 do STF, segundo
a qual "por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário"_
Agravo regimental improvido."(STJ, AgRg no AREsp 41384/DF, Rei. Min.
Humberto Martins, DJ 14/10/2011)
2. Contrapartida. O interessado pode realizar o pagamento do solo criado
em dinheiro, por meio de transferência de imóveis, ou SJinda_ÇQJJ?trl1indo
infra-estrutura urbana. OLJ_ __b_ªbi@~Q_Qa[sLI2IQg[a_mas.de...interesse social.
Tal definiǧ-; compe-tirá ao Município, conforme a orientação urbanística
que se apresente mais adequada.

3. Isenções. A dispensa de pagamento da outorga pode se dar por força de


situações objetivas, como localização do imóvel ou alguma característica

171
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

física da região, ou em razão de situações subjetivas. Esta seria a hipótese


de se outorgar gratuitamente o solo criado a uma entidade sem fins lucra-
tivos, ou para outro ente federativo. Este tema também deverá ser tratado
pela legislação municipal.

4. Natureza jurídica do valor pago. A doutrina discute se o montante a


ser pago pelo interessado teria natur;;~~-j~-r-íd·i~~-t~ibutiri~-~-Ü-~~nsistiria
e~Q. públj_ç_g:_ Êntencfemos seja umaêontrã-prestaÇ'âü à-âCíuTsTÇão do
solo criado, que onerará a estrutura urbana já existente. Se tributo fosse,
e taria revisto no art. 4 IV e não no inciso.JLtfrata-se de uma prestaçã ,
decorrente de ajuste contratual, da manifestação de vontade das partes
P.m ônu: 7
de.s.ej.arL~..L..J.
ser observado pelo intere_s_~<!9.Q_para adg_L!irir....Q..2.oiQ_criac:l.g
.

O STF já teve oportunidade de enfrentar a questão e, por unanimidade, •


entendeu se tratar de um ônus a se~ suportado pelo interessado que
queira exercer o direito de construir além do coeficiente básico de-;p;:Q-
veitamE?nto. ---

~ Aplicação pelo STF.

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI N. 3.338/89 DO MUNICfPIO DE FLO-


RIANÓPOLIS/Se. SOLO CRIADO,_,NÃO CONFIGURAÇÃO COMO TRIBU-
-l'O. OUTORGA ONEROSA DO DIREITO DE CRIAR SOLO. DISTINÇÃO EN-
TRE ÔNUS, DEVER E OBRIGAÇÃO. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE.
ARTIGOS 182 E 170, 111 DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. Solo criado
é o solo artificialmente criado pelo homem (sobre ou so• o solo
natural], resultado da construção praticada em volume superior ao
permitido nos limites de um coeficiente único de aproveitamento.
2. OUTORGA ONEROSA DO DIREITO DE CRIAR SOLO. PRESTAÇÃO
DE DAR CUJA SATISFAÇÃO AFASTA OBSTÁCULO AO EXERCÍCIO, POR
QUEM A PRESTA, DE DETERMINADA FACULDADE. ATO NECESSÁRIO.
ÔNUS. Não há, na hipótese, obrigação. Não se trSjta de tcib_yto. Não
se trata de imposto. F~~atriblJi.y~l-ª-º..QJ:Q.P.IÜiltáJ:i,Q.___de_imó.lle.l.,.
mercê da qual S_e lhe p_e~mite O_t:!_xercício do direito de construir aci-
ma do coeficiente ú n ic..Q_WLaRxo:~~itãro~ntçÍ_~;ÇiÇ!i~R.ê~ro~-Çi;:tg:uui-
nada área, desde gue satisfeita m:.~_s_!ªçl!Q.~..§__j:lar__g~g-~nsubstancia
-Ônus. Onde não há obrigação não pode haver tributo. Di;ti~Çã~-~~t~~
.. ?n!.!.~~er e obr~a~-~-~-~ii.!Q.sle\!!_Qo e.. ii.IJ;,Q..o,g_ç_~_grio. 3. ÔNUS
DO PROPRIETÁRIO DE IMÓVEL URBANO. Instrumento próprio à po-
lítica de desenvolvimento urbano, cuja execução incumbe ao Poder
Público municipal, nos termos do disposto no artigo 182 da Consti-
tuição do Brasil. Instrumento voltado à correção de distorções que
o crescimento urbano desordenado acarreta, à promoção do pleno

172
ESTATUTO DA CIDADE--· LEI N" 10.257/2001

desenvolvimento das funções da cidade e a dar concreção ao prin-


cípio da função social da propriedade [art. 170, 111 da CB]. 4. Recurso
extraordinário conhecido, mas não provido." (STF, RExtra 38704 7 /SC,
Rei. Min. Eros Grau, DJ 02/05/2008)

Art. 31. Os recursos auferidos com a adoção da outorga onerosa do direito


de construir e de alteração ele uso serão aplicados com as finalidades
previstas nos incisos I a IX do art. 26 desta Lei.

1. Destinação da verba. Privilegiando a natureza urbanística do instrumen-


to a lei restringe as destinações a que deve ser dada a quantia recebida
p~lo solo criado. Ayiolação deste artigo imQgrta e improbidade adminis-
trativa na forma do art. 52, IV, desta lei.
,------'----------·~·.-o•NM••·--~·-----

"' SeçãoX
Das operações urbanas consorciadas
Art. 32. Lei municipal específica, ~poderá deli-
mitar área para aJ!!i.~_a_ç}tº-.<!~erações conso.rg.l!illl$: ·
§ 1" Considera-se operação urbana consorciada o-~~n~o de interven-
ções c medidas coordenadas pelo Poder ~ú.blico muntciPal, c?m a ?ar-
ticipação dos~proprie!ários, moradores, usuanos perma~entes c ~~vcstt~o­
rcs priyado~.,_$_9_m o o]?~~an~ar ~mJ!!!la ár?a: transf?r~açoes
urbanísticas estruturais, melh.YJ:Ll!.~~.!U.!!-Y!l-lrul~~al.
§ 2;;-p~[o;;r pt~vís·~;; ;~;erações urbanas consorciadas, entre outras
medidas:
~--I'\- a modificação de índices e características de parcelamento, uso e
'6-liupaçãÕdÕ sõiõêsubsolõ: b'cm como alterações das normas edilicias1
considerado o impacto ambiental delas decorrente;
\~l 7 a regidarização de construções, reformas ou ampliàções executa-
das emdesacordo com a legislação vigente.
~:a concessão de incentivos a operaçõ~na.s.queutilizam tec-
nÕlogias visando a redução de impactos.ambientais, c que comprov~m
a utilização, nas construções c uso de edificações urbanas, dé tecno~ogtas
que reduzam os impactos ambientais e economizem re.cursos naturats, es-
pecificadas as modalidades ele dcsign c de obras a serem contempladas."
(Incluído pela Lei no 12836, de 2013)

1. Requisitos legais. Para o Município promover operação urbana consor-


ciada, é preciso que o plano diretor estabeleça a área de ,atu,ação e lei
municipal especifique os procedimentos, as possíveis alterações na_~
normas edilícias, no uso e ocupação do SQL<2.:. [~ma previsão ª(?__
pj_a.rw\
@E;;!?!~~~c?':P-.e!açãos~-~acula de inconstitucionalidade_,_)

173
FERNANDA LousADA CARDoso

2. Finalidades. Seu objetivo é alcançar cumulativamente a valorização am-


biental, melhorias sociais e promover transformações urbanísticas estru-
turais. As_f!1~L~!=JEi5J_S __?gciai:;_i_r:r:~pQ!lél.r.D.~IJ:l..!!:J.ais s~rviços de saúde, edu-
cação e moradia ª-..2QRll1iKª.Q._de bilLl@..L~n.Q.a. A infra-estrutura urbana
engloba sistema de coleta de águas pluviais, de esgotamento, asfalto,
iluminação pública, calçamento, dentre outros.
A valorização ambiental abrange a preservação do patrimônio his-
tórico-cultural e o meio ambiente natural. Esse foi tutelado pela Lei
12.836/2013 que inseriu dentre as medidas possíveis na operação urba-
na consorciada, a possibilidade de concessão de incentivos à adoção de
tecnologias que economizem recursos naturais.
3. Pólo multilateral. A operação consorciada envolve vários interessados,
todos sob a coordenação do Poder Público Municipal. Participam pro-
prietários, moradores, investidores e usuários em geral. E a concretiza-
ção da cooperação entre governos e iniciativa privada, plasmada no art.
2, 11 e 111, visando à justa distribuição de ônus decorrentes da urbaniza-
ção, objetivo previsto no art. 2, IX.

4. Operação interligada. A operação integrada/consorciada difere da og_g-


raç;;ío interligélfiª-9.lJ_~_s._~__ç!estina a resolver proble..r.!l.~.~"_s!.§.~.Javelase_9cu­
pações de população dr:; baixa renda, e!!.~C.!!Yendo apenas o Poder Públi-
co.~as ár~ Na operação interligàâa ha alteração do
parcelamento do solo, dos índices de construção e em contrapartida, g
QI,cprietário doa alg_um~..9-~1!.-~-~-~5:.~..~U.ESJ!:l!!l.bui ~~ con_?trução de casas
pQQulares ou na implai}J:.illjí_Q_Q_~_outro~serviços públicos.

Tanto a operação interligada como a consorciada devem apresentar um


plano de viabilidade urbanística.

5. Medidas integrantes da operação. O rol previsto no parágrafo segundo


é exemplificativo, podendo ser inseridas novas medidas no conjunto da
operação consorciada.
-7 Aplicação em concurso.
• TJ-PB- 2014- Titular de Serviços de Notas e Registros
"O conjunto de intervenções e medidas coordenadas pelo Poder Público
municipal, com a participação dos proprietários, moradores, usuários per-
manentes e investidores privados, com o objetivo de alcançar em uma área
transformações urbanísticas estruturais, melhorias sociais e a valorização
ambiental", legalmente é defino como o conceito de:
a) Consórcio imobiliário.

174
EsTATUTO DA CiDADE LEI N° 1O.257/2001

b) Operação urbana consorciada.


c) Operação urbana cooperada.
d) Parceria de gestão municipal urbana.
Gabarito: letra b
• Procurador do Município de Cuiabá- 2007.
"Por meio de operação urbana consorciada, o Poder Público Municipal ~o­
derá editar decreto alterando as normas edilícias para pro~_over melnonas
urbanísticas estruturais e concessão de direito de superfície para os ocu-
pantes de áreas em processo de regularização."
A afirmativa está errada. o art 32 não prevê a concessão _do direito ~e su-
perfície como um dos instrumentos integrantes da operaçao consorcwda.

• MP/MG-2003 _
~ "O objetivo das operações urbanas consorciadas reside na implantaçao de
programas urbanísticos de melhoria."
A afirmativa está correta.

Art. 33. Da lei específica ÇJ_ue aprovar a ope:ação urbanaqonsorci,a~a c~ns­


tará 0 plallO de operação urbana consorciada, contendo,.no mmnno.
I - definiÇão da área a ser atingida;
U programa ~;Jásico de ocupação da área; _ .
111 _programa de atendimento econômiCo e ~ocial para a populaçao dire-
tamente afetada pela operação; ·
IV -finalidades da operação;
v- estudo prévio de impacto de vizíu~anÇa; ·...... < •
· VI- contrapartida a ser exigida dosp~~PJ~é~ios, usuáJ:ios penn~n~nte~
e investidores privados em função da utl1i2:~~~ d?sbene~cws p~evi~to~
nos iÍlcísosl e n e m do § 2" do art 32 des~ ~et; Çinclmdo pel<~ Le1 n
12836,de 2013) .·. . ·.. .· ......•... · · •·-·• . <. _ ·..· .••·..••..••.· .
VII -fôrma ~e controle da operação, obrlgat~ilafi1~ht~ cgmpártilhado com
repres~U:tação da sociedade civil: · · ·. ·. · .. •. _•..• · · · · ·•. .
VIII-:-.naturezados incel'tti~osa ;;erem.conceq~do~ ~l~sp:ppriet~rios, usu-
ários peJ.nlanentes e investidores priva<l~~;.umaye~ !!t~ndJ;do.~ d~sposto no
·inciso .Jll~<? '§ do art. 32 destaLeL (Ip:eluído,~el.a,Le.l.;l11 2836, de 201 3)
zo
Requisitos da lei. o conteúdo mínimo da lei específica é este previsto
l. no art. 33, 0 ~~-não impede gue a norma tra~a novos elem~DiQ~,_tç_çlos
atinentes à operação con~orciada. A lei devera co.n:e.r o. plan~ de opera-
ção;-éom a previsão da contrapartida arcada pela m1c1ativa pnvada. Deve

175
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

esmiuçar os benefícios sociais e econômicos trazidos para a população


atingida pelo projeto, bem como as finalidades primordiais da interven-
ção e o estudo de impacto de vizinhança, elucidando os efeitos colate-
rais trazidos pela operação, respeitando o previsto no art. 2, XIII. J:Leye
t(azer também a forma de participação de representantes da sociedade
cW-il. -

As construções a serem regularizadas, deverão sê-las conforme o pla-


no da operação urbana. A~ração deve promover uma melhoria não
--------------~---- ..

a_pe nas física, f!l.i'l.?..!9 m_!)é m .2-QC i é:!1...§.~!Lm uI a..o.d.Q.a.J;terroanê.ncla_da..p.o.pu-


_@s.ão local e trazendo para ela as vanta_g,!!'~.-g_l!~..llrna_ cidade orden.9da
__a_pre_s..enta. Este instrumento não deve ser expulsório ou excludente da
parcela da população que mais necessita da atuação do Poder Público.

O art. 33 ganha novo inciso que determina a inclusão na lei que regu-
lar a operação urbana consorciada a discriminação dos incentivos dados
àqueles que adotarem tecnologia ambiental.

-7 Aplicação pelo TJ-RJ.


"APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. TUTELA DE DIREITO DIFUSO.
OPERAÇÃO URBANA CONSORCIADA. ART. 32 DA LEI N2 10.257/2001.
MUNICÍPIO DE NITERÓI. SENTENÇA DE EXTINÇÃO DO PROCESSO COM
RESOLUÇÃO DE MÉRITO. PRESCRIÇÃO. Muito embora a tutela do meio
ambiente urbanístico encontre equivalência com a tutela do direitot
subjetivo a um meio ambiente preservado, nos moldes delineados
pelo artigo 225 da Constituição Federal, do qual se extrai, numa lei-
tura antropocêntrica, o direito materialmente difuso a um meio am-
biente ecologicamente equilibrado, evitando-se, assim, um conflito
intergeracional, sendo este imprescritível, tal equivalência não pode
ser tomada em termos absolutos. No caso, a pretensão do recorrente
não está coberta por este manto da imprescritibilidade, pois o bem
da vida pretendido envolve não a tutela de direito difuso a um meio
ambiente sadio para as presentes e futuras gerações, mas a provável
lesão aos munfcipes, em razão da desídia da Administração Pública
Municipal no tocante à responsabilidade no que concerne aos atos
de gestão, porquanto teria deixado de cobrar justa contrapartida de
seu consorciado privado, no fomento da transformação urbanística
estrutural, no afã de promover melhorias sociais, contribuindo, ainda
que de forma indireta, para o enriquecimento sem causa da primeira
ré, ora, segunda apelada. Nesse passo, correta a sentença recorrida ao
adotar, por analogia, o prazo prescricional de cinco anos consignado
no artigo 21 da Lei n24717 /65, por se tratar do exercício de pretensão

176
ES""ATUTO DA CiDADE LEI N° 1CL257/2001

reparatória. Recurso a que se nega provimento."(TJ-RJ, AC 0006473-


45.2010.8.19.0002, Rei. Des. Luiz Felipe Francisco, j. 25/10/2011}
2. Parceria público-privada. Embora não haja empecilho jurídico, enten-
demos não seja indicado à municipalidade dar à operação consorciada
figura de PPP, possível in casu na modalidad~ concessão administrati~.
Isto porque, a Lei 11079/2004 exige em seu art. 5 o prazo mínimo de
cinco anos de prestação do serviço, tempo longo demais para o dinamis-
m~~~Direito .':!~P~t:_í:;!ico. Ademais, o mesmo dispositivo exige que não
se contrate especificamente obras ou fornecimento de equipamentos,
devendo haver a combinação das prestações entregues pelo parceiro
privado.

Nesta nova edição revemos nosso entendimento anterior no sentido da


inadequação de uso da PPP para fins urbanísticos. O que se constata
nas nossas cidades é a existência de várias áreas urbanas deficientes
em infra-estrutura que só seria plenamente instalada com a ajuda da
iniciativa privada. Pgr~_?_L:!§Vez, o montante ~os investimentos envolvido __
rec.omenda a celebração de contratos de médio ou long.2__era~g_Q_~_fll_Qs.lo
a c~ o~inf~~s..s~=-ç[~i!L~~~-i~;,lt~fi-cj,ªnçl.Q_,ª"··çgmunJ.d.SJ de
com as O~§.S re_9lizadas.

Esse modelo foi adotado na cidade do Rio de Janeiro na região portuária,


havendo hoje ali investimento público e privado no intuito de resgatar
uma área anteriormente degradada. A delegação será realizada median-
te licitação e a remuneração do particularvirfd-âexPIO"~~~ espaÇos
públicos ou p_riv~d~~-9~~~e~~~}I~r-~m.•~i9..2i-ã·:·A empresa contrataêiaserá
responsável pelas aquisições de terrenos que se fizerem necessárias,
aplicando-se em todos os casos a Lei 8987/95.

§ l 0s retursos obtidos peloPoder PúbliCo municipal nà.fonna do inciso


0

VI deste artigo serão aplicados exclusivamente na próprià operação


urbana consorciada.

1. Vinculação no destino da verba. No intuito de afastar desvios indesejá-


veis, a lei exige que todo o montante angariado na operação seja nela in-
vestido, evitando que se destine a despesas ordinárias da Administração
Pública, o que configura improbidade administrativa, na forma. do art.
52, v.
Já as contraparticas ofertadas pela iniciativa privada, parceira da ope-
ração, podem abranger outras áreas, como, por exemplo, a doação de

177
FERNANDA LousADA CARDOso

terrenos em outra r:_~ião ou ~Q.!}_stru_ç~_~_r;!~_~.:;~C?l.~-~-J?.9E.~C?.~--9_~.ê.~de


~-1)1 lugares a serem indicados pela Pref~ll;~_ca.

§ 2° A partir da aprovação da .lei específica de que trata ocaput, são nu-


las. as licenç~~ ~ ~utorizações a cargo do Poder Público municipal expedi-
das e1~1desaconl.o com o plap.o de operação urbana conson:'ia4fl·

1. Novo ordenamento. Com a edição do plano de operação consorciada,


todos os atos administrativos deverão observar o novo regime, sob pena
de nulidade. As licenças já deferidas sob a égide do antigo ordenamento
permanecem válidas, já que consistem ato jurídico perfeito. Caso a mu-
nicipalidade pretenda cancelá-las, deverá fazê-lo mediante o pagamento
de indenização.

Art. 34. A lei específica que aprovar a operação urbana consorciada po-
derá prever a emissão pelo Município de quantidade detem1inada de cer-
tificados de pc)tj.mcial l)dicional de construção 1 g_ue serão alienados em
Iêi.Ião 0 u utiliiàdos diretamente no pagamento das obras necessárias à
próptia operaÇão.
§ 1o Os certificados de potencial adicional de construção serão livre-
mente negociados, mas conversíveis em direito de construir unicamen-
te na área objeto da openição.
§ 2" Apresentado pedido de licença para construir, o certificado de poten-
cial adicional será utilizado uo pagamento da área de construção que
supere os padrões estabelecidos pela legislação de uso e ocupação do
solo, até o limite fixado pela lei específica que aprovar a operação urbana
consorciada.

1. CEPAC's. No intuito de levantar fundos para a execução da operação


consorciada, a lei permite a emissão de títulos de crédito representati-
vos do potencial adicional de construção na região. Para tanto, é preciso
que a edilidade proceda a um estudo do potencial construtivo existente
na área acima do coeficiente básico de aproveitamento e dentro do limi-
te máximo de construção na região.
Cada certificado representa uma outorga onerosa e, em razão de seu
valor pecuniário, poderá ser livremente negociado, utilizado, inclusive,
como investimento financeiro, conforme seja a valorização da área ser
urbanizada. Recomenda-se que sua alienação seja feita pela modalidade
licitatória do leilão, de modo a garantir o respeito ao princípio da igual-
dade.

178
EsTATUTO DA CIDADE LEI N° 10.257/2001

A emissão de certificados não é requisito para a realização de uma ope-


ração consorciada. Se quiser fazê-lo, o Município deverá regulamentar
sua expedição na lei específica.

~1·t. 34"'A.. Nas regiões metroeoli(anas ownas aglomerações urbanas ins-


tltrlídas por lei complementar estªdual, poderão ser realizadas operações
urbanas consorciadas inteifederativas, aprovadas porteis estaduais es-
pecíficas: (lneluido pela Lei n° 13.089, de2015) .

Parágrafo único, A:s disposições dos:p:ts. 32 a 34 desta Lei aplicam-se às


operações .ur))anas consorciadas int~;:rfe.derptiyas previstas no caput deste
artigo, no que couber. (Incluído pela Lei n° 13.089. de 2015)

1. Região metropolitana. A Lei 13089/2015 instituiu o Estatuto da Metró-


pole, visando a ordenar o planejamento, gestão e execução de funções
~ públicas de interesse comum em regiões metropolitanas.
O artigo 34-A inserido no Estatuto da Cidade por essa lei autor_iza a rea-
lização de operação urbana consorciada que abranja mais de um muni-
cípio, tendo por referência geográfica, a metrópole. Por ser de aplicação
intermunicipal, a operação urbana consorciada aqui referida deverá ser
aprovada por lei estadwal.

Seção XI
Da transferência do direito de construir
(

Art. 35.l..e~ l!!,!lllicipal, baseada no plano diretor, poderá autorizar o pro-


pri,etárío de imÓvel urbario, privado ou público, ~ exercer'em outro local,
ou alienar, médiante escritura pú~!i,ça.,_o direito de construir previsto
no"plano diretor ou em legislação urbanística dele deçprrente, quando o
referido imóvel for conside1·ado necessário para :fins de:
implantação de equipamentos urbanos e comunitários;
ii - preservação, quando o imóvel for considerado de interesse histórico,
ambiental, paisagístico, social ou cultural;
UI servir a programas de regularização fundiária, urbanização de áre-
as ocupadas por população de baixa renda e habitação de interesse social.
§ 1° A mesma faculdade poderá ser concedida ao proprietário que doar ao
Poder Público seu imóvel, ou parte dele, para os fins previstos nos incisos
I a I1I do caput.
§ 2° A lei municipal referida no caput cstabel.ecení as condições relativas
à aplicação da transferência do direito de construir.

179
II
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

1. Requisitos legais. Como ocorre com os demais instrumentos, para a


aplicação da transferência do direito de construir é preciso que haja a
previsão no plano direto..!:_ das _ár~§~--~n9_~_<:J_ __9~~it~--'!~ CO!!?_!_r"ui_r___pode
ser destacado da P-rop_d._~g-ª-_sl~_bE:n-1 com()<:Jn~~-~l~ pode!:~-~~L.E:~.r.<::i_clo
inde.pendeotemente..dodomínio.

Ademais, lei municipal regulamentará a concessão do direito de cons-


truir ou a autorização para sua alienação, estabelecendo os critérios
para tanto, bem como q_p_rocedi.!Jie'l!9_?3LObser_y~jo pelo i_!;ter~-~sa­
do. A transferência pode ocorrer entre terrenos de mesma titularidade,
quando será objetiva, ou entre proprietários diversos, sendo nesta hipó-
tese uma transferência subjetiva.

De todo o modo, a norma federal já determina que a transferência só


se dará quando houver a afetação do bem imóvel ao interesse público
d-~-tal ~-d~q~e impeça total ou parcialmente o exercício ~o direito de
-------------------·-~---·~----·

construir.
2. Pressuposto lógico. Para que haja a transferência do direito de, cons-
truir é preciso que o proprietário reúna os requisitos necessários ao
exercício da edificação no terreno de sua propriedade. É bom ressal-
tar que a transferência não alterará a substância do potencial cons-
trutivo, que será exercido nos mesmos moldes que seria no terreno
originário.

A transferência do direito de construir pressupõe a admissibilidade na


região do solo criado, já que a construção dentro do coeficiente básico
de aproveitamento é inerente à toda propriedade. Dessa forma, só terá
interesse em adquirir direito de construir ou transferir seu exercício o
proprietário que tenha seu bem em zona prevista no plano diretor como
de possível execução de solo criado.

Outrossim, é fundamental que antes de autorizada a transferência, a


municipalidade proceda a um estudo para verificar o limite máximo de
absorção do potencial construtivo na região, de modo a não gerar uma
sobrecarga na estrutura urbana.
3. Finalidade. O instituto de transferência do direito de construir permite
que a municipalidade ingresse em imóveis que sejam do seu interesse
sem que precise gastar quantias vultosas como ocorre na desapropria-
ção. Neste caso, a moeda de troca é o potencial construtivo delimitado
pela legislação urbanística.

1Q{\
Es1i\1'CTO DA CmADE LEI N° 10.257/2001

Há na doutrina justificável temor de que o instituto gere vários terrenos


despidos de potencial construtivo, o que acarretaria no surgimento de
vazios urbanos indesejáveis na cidade.

4. Forma. Como se trata de direito imobiliário, a lei exige a que sua aliena-
ção se dê po~ meio de e.:;critura pública, com posterior registro, para que
hajaa__11ecessária publicidade da alienação do direito de construir.
---~------·•·--·--~~- .- •"""••·-----·--·• w-----------
No caso da alienação ser promovida por ente público, impor-se-á auto-
rização legal específica.

5. Hipóteses legais. A transferência só será autorizada pela lei nos casos


previstos no art. 35, todos eles de intenso interesse público a justificar
forte intervenção municipal no bem.

6. Contrapartida. A lei também admite a transferência de potencial cons-


trutivo como contrapartida à doação realizada pelo proprietário de um
bem de interesse público.

7. Distinção com a outorga onerosa. Na outorga onerosa a relação se dá


entre Município e proprietário, recebendo o Município_ª--SQ_ntrª-_P_<l_rtic:Ja
Pe~-~SQ...ci<?._ di rei_!.2.9.~--~o n st ru.lr..êJ.~.m d_g__ç_g_ efü: i en_te b ás i_ç_Q....çj_c;__~w r o:_
veitamento, pr_c:>_;tJ_cl_~_!:!E~-~~--i_r:_~~.!:~do ~ar~~~ r.
Já na transferência do direito de construir a relação pode se dar entre
dois proprietários, sem a participação da municipalidade. Ademais, mes-
mo nas hipóteses em que o Ente Municipal promove a transferência há
a distinção da outorga, já que neste caso quem recebe a contrapartida
é o particular, sendo o interesse público determinante para a realização
do negócio jurídico.
-7 Aplicação em concurso.
o Procurador do Município de Niterói- 2014- FGV
Sobre o Estatuto da Cidade, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para
a falsa.
( ) O parcelamento, a edificação e a utilização compulsórios são, em regra,
contratos adminis:rativos firmados entre o particular e o Poder Público Mu-
nicipal de forma a adequar o uso e a fruição do imóvel privado à sua função
social.
( ) A cobrança do IPTU progressivo é medida de finalidade extrafiscal e advém
de descumprimer,to das regras previstas no Plano Diretor, na forma dos
artigos 59, 62 e 7Q do Estatuto da Cidade.
() Odireito de preempção é a extinção da hipoteca pelo decurso temporal de
trinta anos (Art. 1.485 NCC, com nova redação dada pela Lei n2 10.931/04).

181
FERNANDA LousADA CARDoso

() A outorga onerosa do direito de construir (solo criado), pela doutrina mais


'abalizada, será sempre um acréscimo ao direito de construir além do coefi-
ciente básico de aproveitamento estabelecido pela lei e até o limite que as
normas edílicas admitirem.
( ) A Transferência do Direito de Construir é prevista exclusivamente com
o fim de viabilizar a preservação de imóveis ou áreas de valor histórico.
As afirmativas são, respectivamente,
a) F,F,F,F e V
b) V,V,V,F e F
c) F,V,F,V e F
d) F,V,V, F e F
e) V,V,F,V eV
Gabarito: letra C

• Procurador do Município de Salvador- 2006.


"A transferência do direito de construir entre duas áreas pertencentes ao
mesmo proprietário é providência que:
a) depende de previsão específica no plano diretor, sendo este suficiente para
sua realização.
b) decorre diretamente do direito de propriedade constitucionalmente asse-
gurado, constituindo prerrogativa do proprietário.
c) pode ser imposta pelo poder público, mediante lei específica, com funda-
mento na função social da propriedade.
d) pode ser autorizada pelo Poder Executivo, para área :Jrevista no Plano Dire-
tor, independentemente de lei específica autorizativ3.
e) Depende de lei específica para área prevista no Plan:J Diretor, podendo ser
efetuada a requerimento do proprietário."
Gabarito: letra E

,..... Aplicação pelo STJ.


"ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. TOMBAMENTO. EXCESSO DE
EXECUÇÃO. INDENIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRANSFERÊNCIA DO DI-
REITO DE CONSTRUIR. ART. 35 DO ESTATUTO CAS CIDADES. SÚMULA
280/STF POR APLICAÇÃO ANALÓGICA. REEXAIV E DE FATOS E PROVAS
OCORRIDOS NO PROCESSO DE CONHECIMENTO. INVIABILIDADE NA
VIA RECURSAL ELEITA. SÚMULA 7/STJ. 1. Em razão do que dispõe o
art. 35 do Estatuto da Cidade, para saber acerca da possibilidade de
se transferir o direito de construir quando o imóvel for tombado, é
necessária a análise de Lei do Município de Santos. Por essa razão,
patente a incidéncia da Súmula 280/STF, por aplicação analógica, a in-

182
EsJATUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

viabilizar o conhecimento da presente insurgência. 2. Para infirmar as


conclusões do acórdão recorrido (inexistência de causa supervenien-
te à sentença e a extinção do direito de compensação pela ação de
conhecimento), com o fito de acolher a apontada violação ao artigo
741, inciso VI, do CPC, demandaria incursão no contexto fático-pro-
batório dos autos, o que é defeso em recurso especial, nos termos da
Súmula 7 desta Corte de Justiça. 3. Agravo regimental não provido."
(STJ, AgRg no AREsp 179340/SP, Rei. Min. Mauro Campbell Marques,
DJ 26/11/2012)

1. Condição. A Lei 10257/01 inaugurou em nosso ordenamento a disciplina


lêgal do estudo de impacto de vizinhança. Para sua exigência municipal,
é preciso que lei seja promulgada trazendo os aspectos que devam ser
pesquisados pelos técnicos para fins de concessão da licença de constru-
ção e funcionamento do empreendimento.
No entanto, a par da exigibilidade da elaboração do estudo, permanece
o Município com o poder-dever de exercer sua polícia edilícia e de zo-
neamento.
2. Natureza jurfdica. O EIV visa a prevenir a área urbana de danos que ve-
nham a ser causados pelo novo empreendimento. O estudo revela uma
política urbana de harmonização dos interesses envolvidos, consistindo
numa limitação administrativa imposta ao proprietário, seja ele público
ou privado. O objetivo final é obrigar o empreendedor a adotar medidas
preventivas que afastem o desequilíbrio urbano.

3. Objeto. O EIV será exigido não apenas nas cons!!:,~ç:_õe_~~-!:llll~1:..a.f!l_~~m na


pro m oç~ªj;.i),lida.des..q.u.av~ha.rrL.a.p.eLturbar...arudem.ur.bana. A ava-
liação, portanto, passa pelo direito de construir e pelo zoneamento, defi-
nidor das possíveis destinações dadas ao imóvel. O art. 35, LC 101/2009,
do MRJ, exige a elaboração de EIV para a implantação da operação urbana
consorciada na região do Porto.

183
FER~A~Dt\ L< JljSALJA CAIU)( 1St)

4. Hipóteses de incidência. O EIV não será exigido apenas na criação de


novos estabelecimentos, mas também em suas ampliações e n~s alte~a­
çõ_~~_das atividades desenvolvidas.

~
ão obstante o artigo fale em área urbana, é de boa cautela que se exija
comentado estudo em situações onde o empreendimento seja fora do
erímetro urbano, mas gere repercussões nos limites da cidade.

Art. 37. O .EIV será executado de forma a contemplar ós efeitos positivos


e negativol.i.llo empreendimento ou atividade quanto à qualidade de vida
da população resil:lente na. área. e suas proximidades, incluindo a a;nálise,
no minimo, das seguiúfes qüestões:
I ,a.d.cusa.m~lltQ..WlDUla'ciona!i
li - ~m!!J!.!U!lentos urbanos e comunitários;
III - .~so e ocupação do s,olo;
IV - va!.Qrização imohili;í.r:iai
e
v- getàç.ão de tráfego demanda por transporte público;
VI - ventilação e iluminação;
VII- paisagem urbana e patrimônio natural e cultural.

1. Âmbito de estudo. O EIV deve sopesar os interesses dos usuários da


região onde se estabelecerá a nova atividade ou construção. Para tanto,
)d_gy_g_ç__qn_sid~rar nã9_ê!fl_en9s os moradores da área, mas_tamb~~~g__~)_es'\
1que dela_l!.?l!.fr!:lg[D,.....fQffiQ...Q~ que ali t_c~alh,am_Q_u_...lt.-ª_~?_eiam__r:_9tin!2ira-j
lrnente. -J

A constatação de efeitos negativos por si só não obstaculiza a autoriza-


ção da atividade. É preciso verificar se haverá necessidade de alguma
compensação, de intervenção administrativa ou se o desgaste produzido
será passível de tolerância pela comunidade.
2. Rol exemplificativo. O rol do art. 37 é exemplificativo, ou seja, traz o
mínimo que deve ser abordado pelo estudo, podendo a lei municipal
abranger outros aspectos a serem investigados.
3. Adensamento populacional e estrutura urbana. Consiste no contingen-
te de pessoas que residem ou usam cotidianamente determinada região.
É 2~eci~9 que o EIV verifique se a nova atividaqg__gerará adensamen_!Q
populacional e se ~ste será absorvido pela estruturê__l:JI_lJ_?J:!-ª..~_l<_i.S~§:_QtEõn_o
IOG<:)L

184
EsTATUTO DA CmADE ···· LEI N" I 0.257/200 I

Paralelo a este estudo, devem ser levantados os equipamentos urbanos


disponíveis na região, como rede de esgotos, saneamento básico e ilu-
minação.
4. Zoneamento e parcelamento. O estudo deve elencar as destinações do t
imóvel, verificando se elas são compatíveis com a área, levando-se em (
consideração as metragens referentes à divisão do solo e a construção
L erigida.
S. Valorização imobiliária. O surgimento de um shopping, de um hospital,
·~de um estádio de esportes pode trazer valorização ou desvalorização à
área onde ele se situe. Uma pesquisa sobre os valores de mercado deve
ser apresentada no EIV. Somente ()ef!Jprel2ndirn~IJ.~()q~~-g~~~T.P.~()fLJ.!l9a
desy2)_g_ri;cação imobiliária dever.áp.s.er..v..edado r;u;üo..P_o_d.eLP.úbli.c:o .Muni-
c~A valorização ou não do empreendimento faz parte do risco do
negócio e por isso não deve ser considerado quando da expedição da
licença de funcionamento.
6. Impacto nas vias públicas. Aspecto fundamental a ser pesquisado pelo
estudo é a possível geração de trânsito nas redondezas da nova cons-
trução. É preciso que se estime a quantidade de veículos circulando e
:estacionados. Havendo um aumento significa~vo, cabe à edi~-c!_~_~_e__e_~igir(
\ d O~!J:lP r e e_o.ç;l_~ d QLª_QI~_\/.L?.ª-º· de esta c i q na r:!J..f21lt9_~11l~\l..P...r:Qi~t o. \
I
7. Ventilação. Na avaliação da construção, deve ser verificada a manuten-
ção da circulação de ar e entrada de luz natural, medidas de saúde públi-
ca, vez que impeditivas da proliferação de doenças contagiosas.
8. Paisagem urbana. É preciso constatar se ocorrerá alteração na ambiên-
cia urbana com o advento da nova construção. Para tanto, leva-se em
conta as construções vizinhas, o patrimônio cultural acaso existente na
vizinhança.
-7 Aplicação em concurso.
• (Procurador do Município- Prefeitura Teresina-PI/2010- FCC)
Para a instalação de shopping center no Município de Teresina, deve serre-
alizado estudo prévio de impacto de vizinhança {E IV). Assinale a alternativa
INCORRETI\ de acordo com o Estatuto da Cidade.
a) A apresentaçãc por parte do empreendedor do EIV à administraçã.o pública
municipal é um pré-requisito para obtenção das licenças ou autorizações
de construç3o, ampliação ou funcionamento de empreendimentos ou ati-
vidades eco1ômicas geradoras de impacto em área urbana do Município.

185
FERNANDA LOlJSADA CARDOSO

b) O EIV deverá contemplar tantos os efeitos positivos quanto os efeitos nega-


tivos do empreendimento ou atividade em relação à qualidade de vida da
'população residente na área e suas proximidades.
c) Dentre as questões a serem analisadas estão o adensamento populacional;
equipamentos urbanos e comunitários; uso e ocupação do solo; valoriza-
ção imobiliária; geração de tráfego e demanda por transporte público; ven-
tilação e iluminação; paisagem urbana e patrimônio natural e cultural.
d) A elaboração do EIV e sua aprovação substituem a realização e aprovação
do estudo prévio de impacto ambiental.
e) O plano diretor deve conter no mínimo dispositivo sobre as operações ur-
banas consorciadas, que por sua vez devem conter entre seus elementos
dispositivos sobre o EIV.
Gabarito: letra d

Parágrafo único. Qar~se-;i.publil!idade' aos documeutf..s integrante~ 'dí:l


EIV, que ficarão dispol1íveis.JL'!n!.~, no_ órgão coiTipeteuté do RoÔ.er~
Público municipal, por qualquer interessado. · · ·

1. Participação popular. Por envolver o interesse da coletividade, a lei exi-


ge que se dê publicidade ao EIV, permitindo que os moradores deem
sugestões e façam questionamentos quanto aos aspectos levantados,
concretizando a diretrizg_r:g,vist,S~ no art. 2"' 11.

Art. 38 7 A elaboração do EIV não substitui a elaboração e a aprovação


de estudo prévio de impacto ambiental (ElA), requeridas nos termos da
legislação ambiental. ·

1. Instrumentos complementares. O estudo de vizinhança não substitui o


estudo de impacto ambiental, embora este preveja dentre seus requi-
sitos a avaliação da paisagem urbana. É importante ressaltar que o EIV
é de competência exclusiva municipal, enquanto que o ElA se insere na
competência concorrente de União, estados e municípios para promover
a proteção ao meio ambiente natural.

-7 Aplicação em concurso.
• FGV- 2011- OAB- Exame de Ordem Unificado 111- Primeira Fase
O Estudo de Impacto de Vizinhança- EIV é uma espécie do gênero Avalia-
ção de Impacto Ambiental e está disciplinado no Estatuto da Cidade, que
estabelece e enumera os instrumentos da poiítica de desenvolvimento ur-
bano, de acordo com seus arts. 4Q e 36 a 38. A esse respeito, assinale a
alternativa correta.

186
EsTATUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

a) As atividades de relevante e significativo impacto ambiental que atingem


mais de um Município são precedidas de estudo de impacto de vizinhança.
b) o estudo de impacto de vizinhança só pode ser exigido em área rural pelo
órgão ambiental municipal.
c) A Avaliação de Impacto Ambiental é exigida para analisar o adensamento
populacional e a geração de tráfego e demanda por transporte público ad-
vindos da edificação de um prédio.
d) A elaboração de estudo de impacto de vizinhança não substitui a e\a'oo-
ração de estudo prévio de impacto ambiental, requerida nos termos da
legislação ambiental.
Gabarito: letra D

Procurador do Município de Cuiabá- 2007.


"O Estudo de Impacto de Vizinhança será exigido para obras de impacto
ambiental significativo, suprindo a exigência do estudo prévio de impacto
ambiental nos empreendimentos urbanísticos."
A afirmativa está errada. O artigo 38 é expresso ao afirmar que o E/V não
substitui o ElA.

Capitulo 111
Do Plano Diretor
\
Art. 39. A propriedade urbaua cumpre sua função social quando aten-
de às exigências fundament<)is de ordenação da cidade expressas no pla-
no dil·etor, assegurando _o atendimento das necessidades dos cidadão_E
quanto à qualidade. de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das
atividades econômicas, respeitadas as diretrizes previstas no art. 2" desta
Ler·. .
1~ Conteúdo do plano diretor. O plano diretor visa a organizar os espaços
habitáveis. Para isso, vai dizer de forma concreta qual é a função social
do imóvel urbano, potencializando as funções da cidade. A elaboração
do plano diretor deve ter por base as diretrizes previstas no art. 2. Seu
assento constitucional está expresso no art. 182, § 1Q.

Por ser a ferramenta principal do planejamento urbanístico municipal,


o plano diretor apresentará aspectos físicos, econômicos, sociais e ad-
ministrativos. É um·lnstrumento norteador das ações urbanísticas muni-
cipais e não um projeto de obras; por isso mesmo não deve apresentar l
I
plantas nem memoriais descritivos.

-7 Aplicação em concurso.

187 I
/;
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

• Vunesp/CM/São José dos Campos/Advogado/2014


(_), aprovado por lei municipal, é o instrumento básico da política de
desenvolvimento e expansão urbana. Nos termos da Lei n. 10.257/2001,
completa corretamente a lacuna a expressão:
a) O estatuto das cidades
b) O plano regional de desenvolvimento urbano e social
c) O plano diretor
d) O planejamento das regiões metropolitanas ·'11(!1

e) O planejamento das aglomerações urbanas


Gabarito: letra C

• FUMARC- 2011 -Prefeitura de Nova Lima- MG- Procurador Municipal


Baseando-se na Constituição, a função social da propriedade urbana:
depende exclusivamente do uso racional e adequado do solo.
depende do cumprimento das normas federais de direito do trabalho.
depende do cumprimento do plano diretor.
deve ser apurada por meio de índices previstos em lei.
Gabarito: letra C

• COPEVE- 2010- Prefeitura de Penedo- AL- Procurador Municipal


Considerando-se a relação entre os dispositivos de um Plano Diretor Muni-
cipal e outras normas legais, é correto afirmar que
A) as normas do Plano devem atender às regras e aos princípios do Estatuto
da Cidade (Lei n.º 10.257/01), que criou normas gerais sobre Direito Urba-
nístico que devem ser respeitadas por todos os Municípios.
b) as normas do Plano prevalecem em relação a quaisquer outras leis locais
sobre assuntos de desenvolvimento urbano, exceto normas estabelecidas
por leis locais posteriores, aprovadas com o quórum qualificado de dois
terços dos membros da Câmara Municipal.
c) as normas do Plano, por exigência da Constituição federal de 1988, devem
ser aprovadas pelo quórum qualificado de dois terços dos membros da Câ-
mara Municipal.

d) os Planos de Municípios acima de 20.000 (vinte mil habitantes devem ser


homologados pela Assembleia Legislativa do respectivo Estado.
e) os Planos de Municípios acima de 20.000 (vinte mil) habitantes devem ser
homologados pelo Ministério das Cidades, como condição da transferência
de recursos federais para o desenvolvimento urbano.
Gabarito: letra A

Procurador do Município de Natal- 2008- CESPE.

188
EsTATUTO DA CmADE -- LEI N" I 0.257/200 I

"O plano diretor deve definir os critérios para a utilização dos instrumentos
estabelecidos no Estatuto da Cidade. Esses critérios incluem os relativos a:
a) processo administrativo, parcerias público-privadas, concessão de licenças
ambientais e alteração dos padrões de qualidade ambiental.
b) outorga onerosa do direito de construir, operações urbanas consorciadas,
transferência do direito de construir e zonas especiais de interesse social.
c) outorga do direito de ocupação, licenciamento para a exploração dos re-
cursos minerais, consórcios interestaduais, transferência de titulação do
direito de propriedade rural e concessão de benefícios fiscais a associações
de moradores.
d) parcelamento do espaço aéreo, classificação das águas, localização dos sí-
tios Ramsar e separação, coleta e processamento de material reciclável."
Gabarito: letra 8

3. Forma. O Estatuto da Cidade não exige forma qualificada de lei para


editar o plano diretor, bastando, assim, a edição de lei ordinária, salvo
previsão diversa da lei orgânica municipal. Por envolver gastos públicos
e apresentar forte caráter técnico, é de cautela que a lei seja da iniciativa
do Chefe do Executivo.

-7 Aplicação em concurso.
• Procurador do Município de Aracajú- 2007- CESPE.
"A função social da propriedade não se limita à propriedade rural, abran-
gendo também a propriedade urbana. A função social desta é cumprida
quando se atendem as exigências fundamentais de ordenação da cidade
expressas no plano diretor, conforme previsto pelo Estatuto da Cidade."
A afirmativa está correta.

• Procurador do Município de Aracajú- 2007- CESPE.


"Para alcançar os objetivos da política urbana e para garantir condições dig-
nas de vida, pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e cum-
primento da função social da propriedade, cabe ao plano diretor estabele-
cer como normas imperativas aos particulares e agentes privados as metas
e diretrizes da política urbana, os critérios para verificar se a propriedade
atende sua função social e as normas condicionadoras do exercício desse
direito."
A afirmativa está correta.

• Procurador do Município de São Paulo - 2004.


"Em se tratando de política urbana, o plano diretor constitui instrumento

189
FERNANDA LOUSADA CAIZUUSO

a) pelo qual a União estabelece diretrizes gerais para o pleno desenvolvimen-


to das funções sociais da cidade e a garantia do bem-estar de seus habitan-
, tes.

b) obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, podendo os Es-
tados, em suas respectivas Constituições, estabelecerem a obrigatoriedade
da adoção de plano diretor para municípios com população inferior a esse
limite, a fim de direcionar melhor a expansão urbana.
c) básico da política de desenvolvimento e expansão urbana, devendo ser
aprovado pela Câmara Municipal e contar com a anuência prévia do órgão
metropolitano respectivo, quando o Município integrar região metropolita-
na.

d) pelo qual o Município dá cumprimento à função social da propriedade ur-


bana, ao exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano
não-edificado ou subutilizado que promova o seu adequado aproveitamen-
to, sob pena, inclusive, de parcelamento ou edificação compulsórios.
e) pelo qual a política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Pú-
blico Municipal, de acordo com as diretrizes fixadas em lei estadual ob-
jetiva a redistribuição de renda, alcançada através da progressividad'e do
imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana."
Gabarito: letra D

Art. 40. O plano direto1·, aprovado por lei municipal é o instrumento


b:1sico da política de desenvolvimento e expansão urbana.

1. Forma. O Estatuto da Cidade não exige forma qualificada de lei para


editar o plano diretor, bastando, assim, a edição de lei ordinária, salvo
previsão diversa da lei orgânica municipal. Por envolver gastos. públicos
e apresentar forte caráter técnico, é de cautela que a lei seja da iniciativa
do Chefe do Executivo.

2. Pressuposto lógico. O plano diretor é a base de toda a legislação urba-


nística que deve ser produzida pelos municípios. A lei municipal concre-
tizará os parâmetros e objetivos definidos no plano geral. Diversos ins-
trumentos previstos no Estatuto da Cidade só poderão ser implantados
se tratados pelo plano diretor, razão pela qual se entende o plano diretor
como ato-condição.

3. Ferramenta necessária. O plano diretor é requisito para que 0 Município


receba a propriedade ou a concessão de uso de área federal destinada à
regularização fundiária, conforme previsto na Lei 11952/2009.

-7 Aplicação no TJ-RJ.

190
ESTATUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

"APELAÇÃO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Direito Urbanístico. Lei nº 7.347/85.


Meio-Ambiente. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 182 e 225. Lei Munici-
pal de Niterói nº 1. 732/99. "Operação Integrada". Inconstitucionalida-
de parcial do Decreto Regulamentador. Delegação genérica do Poder
Legislativo para o Executivo. Responsabilidade pública objetiva. Ile-
galidade da aprovação e execução do empreendimento imobiliário.
Desmedido saturamento urbano para aquela área da cidade. Sério
comprometimento da boa fluência do tráfego de carros e da livre mo-
vimentação no entorno pelos circundantes. Preservação da Ordem
Urbanística como fator de sadio desenvolvimento humano. Inob-
servância do Plano Diretor de Niterói. Dano material e dano moral
coletivo caracterizados. Reincidência específica. Princípio processual
da iniciativa probatória do juiz. Isenção do pagamento das custas pro-
cessuais, inclusive, a taxa judiciária e verba honorária pelo MUNICÍPIO
Réu. PROVIMENTO DO RECURSO." (TJ-RJ, 0033116-74.2009.8.19.0002,
Rei. Des. Pedro Saraiva, j. 16/11/2011)
-7 Aplicação no TJ-RJ.

"ARGUIÇÃO INCIDENTAL DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N.108/2003


QUE ALTEROU A LEI N. 463/1984 DO MUNICÍPIO DE MARICÁ. DECLA-
RAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. Lei que alterou o
plano diretor urbano de até então, que fora criado percebendo-se as
características de cada terreno, com estudos de viabilidade geográfica,
e sócio-econômica e com participação da sociedade e que proibia de
modo instransponível a construção daquele tipo de empreendimento
naquela área. Lei que serviu de solução ao legislativo local para regu-
larizar e legalizar construção já em andamento, e que violava o anti-
go plano diretor. Edição de lei complementar 108/2003, de uma hora
para outra transformando o zoneamento restrito daquela área em um
zoneamento possível. Ao invés de adequarem o empreendimento à
lei preexistente, os legisladores, abandonando qualquer princípio
consagrado constitucionalmente de gestão democrática e popular na
formação do plano diretor do município, bem como à moralidade ad-
4# ministrativa, à impessoalidade e à igualdade material, criaram uma
norma casuística, expedida em indubitável desvio de finalidade. Lei
feita com o fim de adequar situação premente de uma construção até
então ilegal, é claramente inconstitucional, pois viola os mais comezi-
nhos princípios constitucionais da elaboração legislativa e da função
da lei, caracterizando óbvio desvio de finalidade. Lei que viola os arti-
gos 234, 111 e VIII e principalmente o artigo 236 da Carta Estadual. Viola
também por questão de principiologia o artigo 182 da Magna Carta.
Arguição de inconstitucionalidade que se conhece e se acolhe." (TJ-RJ,
RI 0031110-66.2010.8.19.0001, Rei. Des. Nilza Bitar, j. 25/04/2011)

191
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

§ 1° 0 plano diretor é pa~e;,~nt~grante rl() flfOCeSSOd~:};t~j~j~mento


municipal, devendo o plànp"pluriamúll, as. ~iretí:ize~ orça' ·· <. • rias e o
orçamento anual incorporar as diretrizes e as prioridades.fiefe tidas.
§ 2° O plano diretor deverá ell~lobar o território do Murtiéfpio.como um
todo.

1. Coordenação. Por englobar diversos projetos importantr para a cidade,


o plano diretor· deve ter suas metas elencadas nos outr·os instrumentos
de planejamento como o plano plurianual e a lei de diretrizes orçamen-
tárias.

2. Abrangência. O plano diretor considera todo o território municipal, in-


clusive áreas rurais eventualmente existentes em seu perímetro. A abor-
dagem municipal, no entanto, será sempre urbanística, tratando das
áreas de expansão urbana ou de serviços públicos, não podendo legislar
sobre direito agrário, matéria de competênciá legislativa federal.

A qualificação do território como urbano não exclui a possibilidade de


existirem áreas agrícolas ou com restrições ambientais, situações que
podem determinar a restrição da ocupação da região.

-7 Aplicação em concurso.

• Cespe/Câmara Deputados/Analista Legislativo/2014

"Em municípios com áreas extensas e pouco habitadas, o plano diretor


pode restringir-se a apenas uma parte do território."

A afirmativa está errada. O plano diretor, conforme o ort 40,§22, Lei


10257/2001, deve abranger todo o território do Município.

§ 3o A lei que instituir o plano diretor cleverá ser revista, pelo menos, a
cada dez anos. ·

1. Revisão. Como pedra angular da política urbana da cidade, é salutar que


se revise o plano diretor no prazo máximo de dez anos, acompanhando,
assim, o dinamismo próprio do direito urbanístico.

192
EsTATUTO DA CIDADE- Lm N° 10.257/2001

§ 4o;r~·0 prcocf!SSO d!.! elaboração do pl~n~ diretor e nafíscaliz;~ç~o ~e


~ua implementação, os Poderes Legislativo e ExecutiVo mumctpats
garantirão:
.,I r _ a promoção de audiências públicas ~ debates ~o:n a participação
da população e de associações representattvas dos vanos segmentos da
comunidade;
II- a publicidade quanto aos documentos e informações produzidos;
m -- 0 acesso de qualquer interessado aos documentos e informações
produzidos.

1. Aspectos processuais. O dispositivo trata do processo legisl,ati~o g~ran­


tindo 0 respeito aos princípios da publicidade e da transp,ar~ncJa: E pre-
ciso que, antes da celebração das audiências, o Poder Publico d1vulg~e
em tempo hábil a pauta dos temas a serem debatidos e a documentaçao
pertinente à matéria.

os documentos devem estar expostos em locais de fácil acesso à popula-


ção, cabendo ainda à Administração atender às consultas formuladas er:n
prazo pré-estabelecido. A inobservância destas regras procedimentais
importa em improbidade administrativa, com base no art. 52, VI.

-7 Aplicação pelo TJ-RJ:


"REPRESENTACAO POR INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI MUNICIPAL.
PLANO DIRETOR. ALTERACAO DO PROJETO. AUSENCIA DE PARTICI-
PACAO POPULAR. PROCEDENCIA DO PEDIDO. DIRETA DE INCONSTI-
TUCIONALIDADE. LEI QUE ALTEROU PLANO DIRETOR DA CIDADE. AU-
StNCIA DE PARTICIPAÇÃO POPULAR. PROCEDtNCIA DO PEDIDO. Plano
Diretor que introduziu alterações no zoneamento do Município de
Barra do Piraí. Na elaboração e execução de planejamento urbano
deverá ser assegurada a gestão democrática e participativa da cida-
de, conforme dita o artigo 359 da Constituição do Estado do Rio de
Janeiro. Inexistência de qualquer participação popular no processo
legislativo que resultou na lei Complementar n. 004/2008.Afro~ta
aos artigos 358, VIII e 359, caput da Constituição Estadual. PROCEDEN-
CIA DA REPRESENTAÇÃO." (TJ-RJ, RI 0034721-61.2009.8.19.0000, Rei.
Des. Alexandre Varella, DJ 07/04/2011)
-7 Aplicação em concurso.
• Procurador do Município de Natal- 2008- CESPE.
"De acordo com as diretrizes expressas no Estatuto da Cidade, no que se
refere ao plano diretor, é essencial:

193
FERNANDA LüUSADA CARDOSO

a) a participação da população e de associações representativas dos vá-


rios segmentos econômicos e sociais, não apenas durante o processo de
elaboração e votação, mas, sobretudo, na implementação e gestão das
decisões.
b) a participação das organizações não-governamentais internacionais que
atuam na defesa do meio ambiente no diagnósticc dos problemas socioam-
bientais, no plano de manejo sustentável da reser.:a da biosfera, na criação
das estações ecológicas, nos programas de reversão do superaquecimento
global e na gestão das bacias hidrográficas.
c) o engajamento da sociedade civil organizada e do movimento sindical na
determinação da localização das zonas especiais de interesse social e na
organização do acesso aos equipamentos públicos, :Jem como na esco-
lha dos veículos utilizados no transporte dos portadores de necessidades
especiais.
d) o apoio dos partidos políticos, das agências de fomento, dos organismos
internacionais e dos órgãos de segurança pública."
Gabarito letra a.

.,... Aplicação pelo STJ.

"RECURSO ORDINÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. LICENÇA DE


OBRAS DE MODIFICAÇÃO E REFORMA NO MORRO DA URCA E NO
MORRO DO PÃO DE AÇÚCAR E LICENÇA PARA A INSTALAÇÃO DE ELE-
VADORES DESTINADOS A DEFICIENTES FÍSICOS. ALEGADA OMISSÃO
DO PREFEITO DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO. NÃO-EVIDENCIADA
A PRESENÇA DE SUPOSTO DIREITO LÍQUIDO E CERTO. DISCRICIONARIE-
DADE DA MUNICIPALIDADE. NÃO-CABIMENTO DE INTERFERÊNCIA DO
PODER JUDICIÁRIO NA ESPÉCIE. Consoante asseverado pela impetran-
te, bem como pela autoridade apontada cc·mo coatora e pela Corte
Estadual, uma vez que os Morros da Urca e do Pão de Açúcar são bens
tombados pela União Federal, qualquer obra neles realizada deve ter
a "aprovação prévia por diversos outros órgãos que realizarão os estu-
dos necessários à outorga da referida licença" (f. 96) .... De fato, não
foi feita ou não ficou comprovada a retirada dos elementos estranhos
ao Plano Diretor, tais como quiosques, estandes e lanchonete, esta
construída em 1992, nem foi realizado estudo de impacto ambiental,
devidamente aprovado, imprescindível à apreciação da pretensão ao
licenciamento" (fl. 96) .... Ainda que assim não fosse, com fulcro no
princípio da discricionariedade administrativa e na supremacia do
interesse público, a Municipalidade tem liberdade para decidir pela
conveniência ou não da execução da obra. Como ensina Hely Lopes
Meirelles, "só o administrador, em contato com a realidade, está em
condições de bem apreciar os motivos ocorrentes de oportunidade e

194
ESTATUTO DA CIDADE-· LEI N" 10.257/2001

conveniência na prática de certos atos ( ... ). Só os órgãos executivos é


que estão, em muitos casos, em condições de sentir e decidir adminis-
trativamente o que convém e o que não convém ao interesse coletivo".
Recurso ordinário improvido." (STJ, RMS 19535/RJ, Rei. Min. Franciulli
Netto, DJ 31/05/2006)
~ Aplicação no TJ-RS.

"AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI MUNICIPAL. ALTERA-


ÇÃO NO PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO DE SAPIRANGA. AUSÊNCIA
DE AUDIÊNCIA PÚBLICA. OFENSA AO ESTATUTO DA CIDADE- LEI NQ.
10.257/2001- BEM COMO ÀS CONSTITUIÇÕES ESTADUAL E FEDERAL.
São inconstitucionais as leis municipais n!!s 3.302, 3.303, 3.368, 3.369,
3.404, 3.412, 3.441 e 3.442, todas de 2004, do Município de Sapiranga,
editadas sem que promovida a participação comunitária para a deli-
beração de alteração do plano diretor do município sem a realização
de audiência pública prevista em lei. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE."
( TJ-RS, Ação Direta de Inconstitucionalidade N!! 70015837131, Rei.
Arno Werlang, DJ 13/04/2007)
-7 Aplicação no TJ-RS .

"ADIN. PLANO DIRETOR. PARTICIPAÇÃO POPULAR. ESTATUTO DA CIDA


DE. AUDIÊNCIAS PÚBLICAS. PROCESSO LEGISLATIVO. VÍCIO FORMAL.
INOCORRÊNCIA. PARTICIPAÇÃO POPULAR. FORMA. AUTONOMIA MU-
NICIPAL. 1. Segúndo a Lei n!2 10.257, de 10 de julho de 2001 (Esta-
tuto da Cidade) - que regulamentou o artigo 182 da Constituição da
República - deve ser garantida a gestão democrática por meio de
audiências públicas, debates, publicidade e amplo acesso a docu-
mentos e informações, no processo de elaboração do plano diretor
e na fiscalização. Não disciplinou, todavia, o Estatuto da Cidade o
procedimento a ser seguido. 2. É da competência dos Municípios, no
exercício da autonomia municipal, definir a forma a ser adotada para
garantir a participação popular na elaboração do plano diretor. 3. Na
falta de definição legal pelo Município da participação popular no
processo de elaboração do plano diretor, a realização de audiências
"iipúblicas, antes da remessa do projeto à Câmara de Vereadores é
suficiente para garantir a exigência da participação popular. Hipót~se
em que eventual deficiência na participação importaria em ilegalidade
por violação à lei nacional n!2 10.257/2001, e não em violação direta
à Constituição. Ação julgada improcedente." (TJ-RS, Ação Direta de
Inconstitucionalidade N2 70019551563, Rei. Maria Isabel de Azevedo
Souza, DJ 15/10/2007)

§ 5° (VETADO)

195
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

1. Justificativa de veto. Este dispositivo cominava de nulidade o plano di-


retor que não observasse o processo legislativo previsto no art. 40. A
norma foi vetada, pois não cabe à União estabelecer regras do processo
legislativo municipal, tema a ser tratado pela Constituição Brasileira e
pela Lei Orgânica de cada município.

Art. 41. O pla:rió.ditetor é: obrigàt()riít pata cidades:


íÍil.i~''·"clf~rifêíiiií,It'~hlt~ht~s;
1
I - com ,• '' . , . '•''•, ''',''Ç'/Jf:'·,· -·'
II - integrantes ~e regiões metropolitanas. e aglomerações urbanas;
III onde o Poder Público municipal pretenda utilizar os instrumentos
previstos no § 4° do art. 182 da Constihlição Federal;
!V ·· integrantes de áreas de especial interesse turístico;
V inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades
com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional.
VI- incluídas no .cadastro nacional de Municípi).)s com áreas suscetiveis
à ocorrência d~ desli:z;ament~s de grande impacto, inundações bmscas
ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos. (Incluído pela Lei n°
12.608, de 2012)
§ 1o No caso da realização de empreendimentos ou atividades enqua-
drados no inciso V docap1,1t; os .:ecursos técnicos e finanç.eiros para
a elaboração. do plano d,i~etor es.tar.ão inseridos entre as medidas de
compensação adotadas.
• • ' t

§ 2° No càso de cidades'cowwais de quinhentos mil habitantes, deve-


rá ser elaborado umtplano<d~.transporte urbano integrado,.compatível
com o plano direto.i ou nelé inserido• ·

~
1. Hipóteses de obrigatoriedade do plano diretor. O art. 41 ampliou as
hipóteses em que a elaboração do plano diretor é obrigatória. O art. 182
§ 12 estabelecia a obrigação legislativa apenas para as cidades com mais
de vinte mil habitantes. A doutrina diverge quanto à constitucionalidade
de tal ampliação.

Há quem defenda que a Carta Maior, ao prever a obrigatoriedade para as


cidades com mais de vinte mil habitantes, estabeleceu o limite mínimo.
Pode portanto a União, no exercício de sua competência para legislar
normas gerais (art. 24, § 12, CRFB), ampliar as hipóteses em que a elabo-
ração do plano é obrigatória.

196
EsTATUTO DA CIDADE LEI N° I 0.257/200 1

Outros, no entanto, identificam vício de inconstitucionalidade na norma,


já que lei não poderia estabelecer obrigações onde a Constituição não
o fez.
A Lei 12608/2012 inseriu no rol das hipóteses de obrigatoriedade do pla-
no diretor as cidades situadas em áreas suscetíveis a deslizamentos ou
inundações de grandes impactos. Como já referido, tal norma decorreu
das fortes chuvas que assolaram a região serrana do Estado do Rio de Ja-
neiro no verão de 2011. É mais uma expressão da necessidade do Direito
Ambiental andar de mãos dadas com o Direito Urbanístico.
2. Empreendimentos de impacto regionaLA lei exige a elaboração do_pla-
no diret_or.gl!andohouver a criação de empreendimento ou atividade de
impacto regior1aT.".As a~~0.:ª.~-des de impacto local exigirão ape~as_o Ei\T'"'
3. Plano de desenvolvimento urbano integrado. A Lei 13089/2015, Estatu-
to da Metrópole, estabelece em seu art. 10 a necessidade de elaboração
pelas...r.egiões_meir.o.p.clit.aoas e aglomerª_ç_Qgs urbanas do plano_cj_~_de­
se nvQJyim\ÕOt.Q t,JfQéliiQ)nt_t:eg r(3_d()_él_s~r:..êl.PLO.\f_a dg P.C>.r... le i --~-~!.:Jd u a I.
O art. 10, §22, Lei 13089/2015 esclarece que a elaboração do plano de
desenvolvimento urbano integrado n_ãQ~~)(irn~.Q.JYI..!LO..LdpjQ_.d_e__apr.mtar
seu...plano...di.t:e.tor.
4. Ausência de prazo. ~~o caso do município não elaborar seu plano dire-
tor, ficará privado de lançar mão de diversos instrumentos urbanísticos
previstos nesta lei. Ademª1~-ª?~-ªll1.9.r:i.çl_él.9~?. r:.~~EC>~?-~-v~)~~-~C>.. f.l.~.~-élli­
zadas,tipi~çadas efl1.b.ipótes~.?..c:l~.LrnP.r.Qbic:léJ.dt:e...él.Q.!Jlin_LS.!.rél!iY.ª-'·[Ia forma
d(). él.!:!..:...~2:1. ':{)d_esta lei.
-7 Aplicação em concurso.
• FCC- 2014- Prefeitura de Recife- PE- Procurador
Com relação ao Plano Diretor, definido pelo Estatuto da Cidade (Lei Federal
nQ 10.257/2001) como um dos instrumentos de política urbana, é correto
afirmar que:
a) o processo de elaboração do plano diretor não permite a participação da
população e tamoouco de associações representativas de segmentos da
comunidade.
b) o plano diretor é obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes.
c) o plano diretor é parte integrante do processo de planejamento municipal,
mas não deve, obrigatoriamente, englobar o território do Município como
um todo.
d) a lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a cada
cinco anos.

197
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

e) o plano diretor é dispensável para cidades integrantes de áreas de especial


interesse turístico

Gabarito: letra B

• MP/MT- 2012- UFMT


"À luz da matéria urbanística, assinale a assertiva INCORRETA.
a) É o Plano Diretor do município que estabelece quando uma propriedade
urbana cumpre a sua função social.
b) A realização de Estudo de Impacto Ambiental para determinado empreen-
dimento supre a necessidade de realização do Estudo de Impacto de Vizi-
nhança.
c) Os planos diretores são obrigatórios para todas as cidades onde o Poder
Público municipal pretenda utilizar os instrumentos do parcelamento ou
edificação compulsórios, IPTU progressivo no tempo e desapropriação com
pagamento de títulos, inclusive para aqueles com menos de vinte mil habi-
tantes.
d) A instituição de Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) permite a apli-
cação de normas especiais de uso e ocupação do solo para fins de regula-
rização fundiária de áreas urbanas ocupadas em desconformidade com a
legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo e de edificações.
e) O art. 145, inciso 11, da Constituição Federal prevê o instituto da contribui-
ção de melhoria que nada mais é do que o retrato do princípio urbanístico
da "afetação das mais-valias ao custo da urbanificação" concretizado no
Código Tributário Nacional (arts. 81 e 82) e no Estatuto da Cidade (art. 2,
IX; art. 4, IV, "b")."
Gabarito: letra C i.

• PGR- 24 Concurso.
"Em um Município de dezoito mil habitantes vive uma iQJQOitante.cornu-
nidade indígena há muito tempo. A área de ocupação indígena foi indevi-
damente reduzida aó-TôngÕ.dcftempo e é insuficiente. Existe a pretensão
de instalar alguns empreendimentos nas redondezas. É necessário plano
diretor para este Município 7 E estudo prévio de impacto de vizinhança para
esses empreendimentos?"
Abordar as correntes relativas à constitucionalidade do art. 41 da lei. Quan-
to ao estudo prévio, ressaltar que ele será necessário nos empreendimentos
que, mesmo situados fora da cidade, gerem impacto no município.

• Procurador do Município de Salvador- 2006.


"De acordo com o Estatuto da Cidade, não é hipótese que determina a
obrigatoriedade do Plano Diretor:

198
ESTATUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

a) possuir o município mis de 30.000 (trinta mil) habitantes.


b) utilizar-se o município de instrumentos de política urbana previstos nesse
estatuto.
c) inserir-se o território municipal em área de relevante interesse ecológico
d) pertencer o município a região metropolitana
e) integrar o município área de interesse turístico"
Gabarito: letra C

• Exame de Ordem OAB 2009.2 Prova Objetiva. CESPE/UNB


"O plano diretor, aprovado pela câmara municipal, é obrigatório para cida-
des que tenham mais de vinte mil eleitores, nos termos do que dispõe o
Estatuto das Cidades."
A afirmativa está errada. A lei exige o plano diretor para cidades com mais
de vinte mil habitantes.

Art.-42._0pl~q~ diretor deve'rá, toúter.Jt,o·.nifu.imo:

li - disposiçõ'e~ r~queridas pelo!l art~. is;zs, 29,32 e ~5 desta Lei;


m- sistema de acompanhamento e contr~l~.
1. Conteúdo mínimo. O artigo sistematizou as normas legais que exigem a
previsão no plano diretor dos instrumentos aqui regulados, bem como
as áreas de sua aplicação, privilegiando, assim, a segurança jurídica.
Também deve o plano diretor tratar das normas de 'fiscalização e acom-
panhame114o dos projetos urbanísticos nele previstos.
-7 Aplicação em concurso.
• LVI Concurso- 2014- TJ-RJ-Juiz
O plano diretor é o instrumento básico da política de desenvolvimento e
expansão urbana e, como tal, demanda, para a sua existência e validade,
o preenchimento de alguns requisitos. Fale sobre esses requisitos, como
elementos de formação do plano diretor, procurando abordar o maior nú-
mero possível deles.
O candidato deve abordar a existência de requisitos formais do Plano Dire-
tor, previstas no art. 39 e seus parágrafos e materiais, previstos no art. 42,
42-A e 42-8, todos da Lei 10257/01

199
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

• {Procurador do Município- Prefeitura São José dos Campos-SP/2012- VU-


NESP)

A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exi-


gências fundamentais de ordenação da cidade expressas no Plano Diretor,
assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qua-
lidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades eco-
nômicas, respeitadas as diretrizes previstas na Lei Federal n.Q 10.257, de
10.07.2001. Nesse contexto, é correto afirmar que

a) o Plano Diretor, aprovado por lei municipal, é o instruilí)€nto básico da po-


lítica de desenvolvimento e expansão urbana.

II b) o Plano Diretor é desagregado do processo de planejamento municipal,


devendo, entretanto, o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e o
orçamento anual incorporar as diretrizes e as prioridades nele contidas.
c) o Plano Diretor poderá englobar o território do Município como um todo.
d) a lei que instituir o Plano Diretor deverá ser revista, pelo menos, a cada
quinze anos.

e} no pmcesso de elaboração do Plano Diretor e na fiscalização de sua im-


plementação, os Poderes Legislativo e Executivo municipais facultarão a
promoção de audiências públicas, porém, se realizadas, serão garantidos a
publicidade e o acesso de qualquer interessado aos documentos e informa-
ções produzidos.
Gabarito: letra a

• Procurador do Município de Aracaju- 2007- CESPE.


O plano rJiretor é um instrumento opcional para o poder público municipal
aplicar ao proprietário de imóvel urbano, de forma sucessiva, o parcela-
mento o<.~ edificação compulsórios, o imposto sobre a propriedade predial
e territorial progressivo no tempo e a desapropriação para fins de reforma
urbana."

A afirmativa está errada. A existência de plano diretor é compulsório para


a aplicação dos institutos citados no questão.

• Procurador do Município de Aracaju- 2007- CESPE.


"O plano diretor define os critérios para a utilização dos instrumentos esta-
belecidos no Estatuto da Cidade, tais como a outorga onerosa do direito de
construir, as operações urbanas consorciadas, a transferência do direito de
construir e as zonas especiais de interesse social."
A afirmativo está correto.

,.,i\i\
ESTATUTO DA CIDADE- LEI N° I 0.257/2001

'
8,> .• .· . ·. ·.ê:: .·. · ..•. ·. ·....· .·. •. · .• ·.•·.·•. .· .. · •. . .•....••.
A.~t; 42·A: 'Além do .conteúdd previsto ~o . arL 42, o plano .d1retor dos
··Mur:i!iipips~ne:luidos no cadastro11~Cíbt1al de müniyfpios comáreas sns-.
~_:etiveis.•à.·.ocorrênCia·<lg_~~.fos(lç•grJlJl~uiidações
. •?#:scas ()tÍ4~ro;:e~osgeológicos ou ltidrÔlógicoscorrelatos cleyçi·ií con~
;üw: (Xn6l\iH1o pela Lei n° 12.608, de~012) . .. . . .
.. 1:-.~~~íi.flietros dU!:'!!~d!!!!!~~--~so e ocnp~!;ãojlo; §ol!1,Jc de modo
a
protnovei~diversidade de usos e a:CGtlfrlO~lirpara a geração .de emprego e
renâa~(It}dJuitlopelaLci n" 12.608; dc2012) ·
H ~ map~ahlértto contendo as ateas suscetíveiS à ocorrênc.ia: de desliza-
mentos de.grarde impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou
hidrológicos Cvrrelatos; (Incluítlo pela Lei n° 12.608, de 2012) ..
m ~ planejllmcnto de ações de intervenção preventiva c realocação de
população de áreas de risco de desastre; (Incluído pela Lei no 12.608, de
2 () 12) ---"·--··-·

IV- medidas de drenagem urbana necessárias à prevenção e àmitigação


de impactos ch:: desastres; e (Incluído pela Lei n" 12.608, de 20 12)

V·- diretrizes p.ara a regularização fundiária de assentamentos urbanos


irregulares, se houver. observadaG a Lei n" ll. 977, de 7 de julho. de 2009,
e demais norr:1as federais e estaduais pertinentes, e previsão de áreas para
habitação de mteressc social por meio. da demarcação de zonas especiais
de ip.teresse social e de outros instrumentos de política urbana, onde o uso
habitacional for permitido. (Incluido pcla.Lei no 12:608, de 2012)
VL- .fdentificação. c diretrizes para a preservação e ocupação das áreas
verdes municipais, .quando for o caso, com vistas à redução da Í\npennea-
bilização das dc.lades. (incluído pela Lei n" 12.983, de 2014)
§ ·1 ° A identificação e o mapeamento de áreas de risco levarão em conta
as cartas gcotécnicas. (Incluído pela Lei n" 12.608, de 2012)
§ 2" O conteúdo do plano diretor deverá ser compatível com as dispo-
sições insertas nos planos de recursos hídricos, formulados consoante
a Lei 11° 9.4J 3, de 8 de janeiro de 1997. (Incluído pela Lei 11° 12.608, de
2012)
§ 3" Os Municípios adequarão o plano diretor às disposições deste ar-
tigo, por ocasi:ão de sua nwisão, observados os prazos legais. (fncluído
pela Lei n" 12.()08, de 20 12)
§ 4° Os Municípios cnqua<Irados no inciso VI do art. 41 desta ·Lei e que
não tenliampl2"1lo diretor aprovado terão o pt·azo de 5 (cinco) anos par·a
.o S()U encaminh:1mento para aprovação pela Câmara Municip~l. (In-
cluído pela Lei n" 12.608, de 20 12)

201
1. lei 12608/2012 o t 42 ..
, . ar . -A se dinge especialmente aos municípios si-
tuados em areas de risco d d
, . e esastres naturais, exigindo conteúdo obri-
gatono para seus planos diretores. Nestas cidades e' l·m . .
. - • penosa a un1for-
m1zaçao entre a norma urbanística aqui estudada e os
levantamentos
geotécnicos e hídricos.

2. Prazo para adequação. O parágrafo 3 º traz norma de direito intertem-


poral escla.recendo que tal adequação deverá ocorrer quando da revisão
do plano diretor em vigor. No caso de cidades ainda sem pl
se 0 p d ano, concede-
- . razo e 5 anos para o encaminhamento de projeto dele·
sentido. 1 nesse

~ Aplicação em concurso

• (Procurador do Muníclpío- Prefeitura Teresina-PI/2010- FCC)

~s diretrizes de p~lítica urbana, cujo objetivo é ordenar o pleno desenvol-


Vimento das funçoes sociais da cidade e da propriedad b
'd I e ur ana, estabele-
Ci as pe o Estatuto da Cidade, determinam a

a) complexificação da legislação de parcelamento, uso e ocupação do sol


das n"or~as edilícias, com vistas a permitir a observância da situação soc~o~
economlca da população e a legislação ambiental.
b) garantia do direito a cidades sustentáveis, limitando- se po t t
cimento das média . ' r an o, o cres-
.d d , se pequenas Cidades, para garantir às gerações futuras
Cl a es sustentave1s.

c) realização .da _gestão democrática por meio da participação da população


e de asso_claçoes representativas dos vários segmentos da comunidade na
formulaçao, execução e acompanhamento d I
. e P anos, programas e projetos
d e d esenvolv1mento urbano.

d) realização da regularização fundiária e urbani-a•-ão de a'


_ L ~ reas ocupadas por
popu~açao de baixa renda, independentemente de serem áreas de riscos.
e) adoçao de privilégios para os agentes privados na promoção d
d. . . e empre-
~n lmentos e atividades relativos ao processe de urbanização, atendido o
Interesse social.
Gabarito: letra c.

202
EsTATUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

Art. 42~B. Os Municipios que pr~tendam ampliar o seu perímetro ur-


bano apos a data de publicação desta Lei·deverão .elaborar eroj~toesee~
cíf!çtl.q.ue..;.ctmtenha, no mínimo: (fncluido pela Lei n° 12.608, de 20 12)
I- demarcação do novo perímetro urbano; (Incluído pela Lei no 12.608.
de2012)
li -· delimitação dos trechos com restrições à urbanização c dos trechos
sujeitos a controle especial em função de ameaça de desastres naturais;
(Incluído pela Lei no 12.608, de 2012)
IIl - definição de diretrizes específicas e de áreas que serão utilizadas
para infraestrutura, sistema viário, equipamentos e instalações públi-
cas, urbauas e sociais; (Incluído pela Lei n° 12.608, de 2()12)
IV- definição de parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo,
de modo a promover a diversidade de usos e contribuir para a geração de
emprego e renda; (Incluído pela Lei U0 12.608, de 2012)
V- a previsão de áreas para habitação dt!interesse social por meio da
demarcação de zonas especiais de interesse social e de outros instrumentos
de política urbana, quando o uso habitacional for permitido; (fncluído pela
Lei n" 1.2.608, de 2012) ··
VI - ·défi~íção de diretrizes e instrumentos •específicos para proteção
ambiental e do patrimônio histórico e ~ultural; e (Incluído pela Lei no
12.608; de 2012) ·
VII - defiuição de mecanismos para gara11tir a justa. distribuição dos
ônus .e ~enefícios decorrentes do processo d~ urb.anização do tenitório
:\',.>-'"' ' ' ' ,/ .> ' >
de expansão:. urbana e a recuperação paJ;a a coletividade da valorização
imobiliária res.ultante da ação do poder público.
§ 1o O projeto especifico de que trata o caput deste artigo deverá ser ins-
ti!.!!ído l!~~~i m!l_ll_iS.!P.!l!:.<l.l!!~~der às diretrizes do planQ .diretor, ql.llllldo
houver;{~cltiido pela Lei .no 12.608, de 2()12)

§ 2° Q~Ád~o}!hmo ~iJ."etor contemplarªs exigêns:l~~ estabelecidas no


caput .~}\11micipio ficará dispensado da elaboração do projeto especí~~··
fico déque trat:i'"õCãpuraeste artigo (Incluído pela Lei n° 12.608, de 2012)
f3õ A ;p;~~~çã~"'J~-p;~j;;~;-de parcehtmento do: solo no novo perí-
metro urbano ficará condicionada à existência.do projeto específico
e dever~obeciecer às suas disposições, (Incluído pela.Lei 11° 12.608, de
Wl~ .. . .

1. Alteração legal. O Art. 42-B trata do tema antes regulado pelo antigo
art. 42-A, utilizando, no entanto, redação distinta. Não se trabalha mais
com a figura do plano de expansão urbana, referindo-se a lei generica-
mente a projeto urbanístico a ser veiculado por ato normativo, conforme

203
FERNANDA LousADA CARDoso

redação do §1º. A leitura da norma em vigor revela a preocupação do


legislador em simplificar o aparato legal necessário para a efetivação de
medidas necessárias ao ordenamento urbano, visando, precipuamente
as cidades de pequeno e médio porte.

2. Plano de expansão urbana. Função precípua do planejamento, a pre-


venção é mais uma vez destacada pela inserção deste artigo. As diretri-
zes e planos urbanísticos devem abranger não só as áreas já urbaniza-
das, mas também as de futura ocugacão, de modo a evitar aglomerações
in c.lesel?-~.<:1~---~rlJ~ re9.S..J!~__pJeS_~~ffi.Q .<LrTJ..bi~D!ê.L~_ç_L!_Itt,~..@.L Os e~d os
dessas áreas podem estar previstos no plano diretor ou em \Jm plano de
expansão urbana.

..·.·•. ,Cil~í~~J"\T: ·. . ·. . .: . . ) ~
• · •. ~~ Ge,s~ãp pé~d~tlíf!ca n~ C(da~.~·· • r·_._ .•.. ·
Art. 43. Jlilra a~antfu ~ es . .. ••. ;Üic~~á:~td~d~·•ct;i~~i~~s~r úti_li-

I-
o·:
zados, eptreoutr()s,êos~se@itl_ ···.·.··.·stmhlentos:._ . ·.... · ·.··.•·• .•
ór~ã,os cole~~4o~, d,~ ~~lítJ.~.!l-,~~~.lú,ut, ~ps .nív~is ~~êiG~~test~duar .
é, :·····-··

e mumcíp(l:l; · • , ~;·;:·. ·.;~·~·.


j • • / · .. ·• ! '.'' /• • • ·. :· ••.·

I1 - debates, audiências e consultas públicas;


TI1 -conferências sobre assuntos de interesse urbano, nos níveis nacional
estadual e municipal; '
IV - iniciativa p.opular de proJeto de lei e de planos, programas e proje-
tos de dcscnvolvtmento urbano; ·
V -(VETADO)

1. Norma processual. Os instrumentos que concretizam a gestão democráti-


ca da cidade têm todos faceta processual, devendo ser observados quan-
do da realização de leis e atos administrativos urbanísticos. As garantias
previstas neste capítulo devem estar presentes durante o processo admi-
nistrativo, político, legislativo e orçamentário da gestão urbana.

2. Conceito. A gestão democrática consiste na consulta à sociedade na exe-


cução cotidiana das tarefas e serviços da administração urbana.

3. Conselhos. São órgãos colegiados cada vez mais presentes na Adminis-


tração Pública, integrados por representantes do Poder Público e da so-
c_ie.d~de, ambos os setores com representantes, preferencialmente, pa-
;t0anos1h. Ademais, os três níveis da federação de~~!::o...EI:Star:_p..res~Q!~-~nos
~_nse __ o..s.

204
ESTATUTO DA CIDADE -- LEI N° 10.257/2001

Os conselhos são criados por lei de iniciativa do Chefe do Executivo (art.


61, parágrafo primeiro, 11) e regidos por regulamento referendado pelo
Executivo que dispõe sobre seus componentes, a duração dos mandatos,
as atribuições e seu poder consultivo ou deliberativo. Os conselhos têm
assento constitucional no art. 29, XII, CRFB. Para que apresentem um
bom funcionamento é importante que tenham pessoal com capacidade
técnica.
4. Audiências e consultas. Consistem no contraditório a ser instaurado no
processo administrativo. A consulta é realizada por meio de documen-
tos, pedidos e esclarecimentos escritos, dispensando a realização de um
encontro entre os interessados. Já a audiência é eminentemente oral e
se dá numa reunião com os envolvidos, não se exigindo destes um vín-
culo específico com a matéria a ser debatida .
Ambas traduzem os princípios da pu~!~~~~~9_<:J?rtL37, CRFB), do devido
processoi_~Jar!:_~..õ-~l_y!ÇHFB),-CÍa am~ d~_f~saJ.~!:__S, LV,_ CRFBj e o
di rei to à informação,_ preyis~?D().a!!.: ..~..?S.X_>:Ç_Ij_I,___ÇR~J?,.,
Cada m u n icí f:> i o d eve_rá ~S.!ª!:?_§J e c~_r:_g_ua soLQ n de-ª- r e éJ.liz-ª_ç_ãQ_d_e_t.<lli
i~strumeoi9~S.:-~t;D:Lo.b.rJgéltéJrj<l_, ..?.()b pena cj~nulidé!_ç!5ô!. O Estatuto da Ci-
d-;;;d~J~ previu uma hipótese em que a consulta será compulsória, como
se vê do art. 37, parágrafo único.
s. Conferências. Este é mais um mecanismo na formação da cultura par-
ticipativa da população em temas urbanos, temas que invariavelmente
afetam diretamente a vida das pessoas. Neste capítulo, visa-se a efeti-
vação da diretriz plasmada no art. 2, 11 desta lei, criando uma oportu-
nidade para que se façam esclarecimentos técnicos quanto ao assunto
discutido.
6. Iniciativa popular. Será possível a apresentação à Câmara Municipal dos
assuntos não afetos à iniciativa privativa do Chefe do Executivo, aplican-
do-se aqui o art. 61, parágrafo segundo. A iniciativa pop_l:l_~?!~_l:i_rll. d_ireito
pc:'íti~?_P.rev!_s.!'?..!29~0!!!_.U1_.Ç!iFB.
1. Veto. O inciso V tratava do plebiscito e do referendo e foi vetado por
questão de forma. Entendeu o Chefe do Executivo que o tema já estava
devidamente regulado pela Lei 9709/98, não devendo o Estatuto da Ci-
dade trazer previsões específicas da aplicação dos institutos em matéria
urbanística.
Assim, por se tratar de técnica legislativa, o veto não representa óbice à
aplicação desses institutos nos processos administrativos que envolvam
matéria urbanística.
205
FERNANDA LOUSADA CAJWOSU

-7 Aplicação em concurso

,o FUNDEP- 2014- CAU-MG -Advogado

A Lei nQ 10.257/01, que regulamenta os Artigos 182 e 183 da Constituição


Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana _ Estatuto da C-
dades, defi~indo, inclusive, alguns instrumentos q Je devem ser utiliz;dors
para garantir a gestão democrática da cidade. Estão dentre os instrumentos
destacados na lei, EXCETO:

a) Debates, audiências e consultas públicas.

b) Plebiscito e referendum, no âmbito nacional, estadJal e municipal confor-


me competência de cada ente. '

c) Iniciativa popular de projeto de lei e de programas de desenvolvimento


urbano.

d) Órgãos colegiados de política urbana, nos níveis nacional, estadual e muni-


Cipal.
Gabarito letra B

" (Procurador do Município- Prefeitura Teresina-PI/2010- FCC)


As diretrizes de política urbana, cujo objetivo é ordenar 0
pleno desenvol-
v~mento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, estabele-
cidas pelo Estatuto da Cidade, determinam a

a) complexificaçã·o· ~a legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo e


das n~r~as ediiJcJas, com vistas a permitir a observância da situação socio-
economJca da população e a legislação ambiental.

b) g.arantia do dir~it.o a cidades sustentáveis, limitando- se, portanto, o cres-


c~mento das medias e pequenas cidades, para garantir às gerações futuras
Cidades sustentáveis.

c) realização .da _gestão democrática por meio da participação da população


e de asso_c1açoes representativas dos vários segmentos da comunidade na
formulaçao, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos
de desenvolvimento urbano.

d) realizaç~o da reg.ularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas por


populaçao de ba1xa renda, independentemente de sErem áreas de riscos.
e) ado~ão de privilégios para os agentes privados na :Jromoção de empre-
endimentos e atividades relativos ao processo de urbanização, atendido o
Interesse social.
Gabarito: letra c

206
ESTATUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

Art. 44. No âmbito municipal, a gestão orçamentária participativa de


que trata a alínea f do inciso III do art. 4° desta Lei incluirá a realização
de debates, audiências c consultas ,públicas sobre. as propostas do
plano plurianual, da lei de diretrizes qrçamentárhts e do orçamento
anu;ll, c.~mo.condição obrigatqri~par~;~*.iJ~apro:vação pela Câmara Mu-
nicipaL: · ····· · · · · ··· ·· · ·· ;;;;;· · ·· · · ·
':,~~;;:Y_,-i,;' '

1. Gestão orçamentária. A participação popular também se dará na ela-


boração das leis orçamentárias e nas definições dos gastos e investi-
mentos públicos, tudo observando a Lei de Responsabilidade Fiscal, LC
101/2000.
-7 Aplicação pelo TJ-RJ.

MANDADO DE SEGURANCA CONTRA ATO DE PREFEITO MUNICIPAL.


ORÇAMENTO MUNICIPAL INEXISTÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO
DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA. Mandado de segurança. Ato do Prefei-
to do Município de São Gonçalo que encaminhou a Lei orçamentária
para aprovação na Câmara Municipal, sem observância dos artigos 44
e 45 da Lei 10.257/2001, de 10.07.2001, conhecida como Estatuto da
Cidade. Pedido referente ao cancelamento da liberação das verbas ao
orçamento dé 2001. Se o encaminhamento se deu no exercício an-
terior, em 2000, portanto, antes da edição do Estatuto da Cidade,
.lfião há ilegalidade a ser sanada pela via mandamental. Não obstante
possa ter ocorrido erro na redação do pedido, referindo-se equivoca-
damente a "orçamento de 2001", o impetrante não procedeu à retifi-
cação devida. Inexistência de direito líquido e certo a ser amparado
por mandamus. Segurança denegada." (TJ-RJ, MS 2002.004.01378,
Rei. Des. Roberto Wider, DJ 31/03/2003).

Art. 4?. 'Ç>s,organismos gestores das r~giões. D1c,tropolitan~Jit\t:_


ra."2E.~m;!Jan~)ncluirão obrigatória e significativa participação. da po-
pulação e de. associações representativas .dos .vários se entos da comu-
Jliaãaé;ge-mõ o· a garantir o controle direto de suas atividades e _Q.J2!_ç_no
exercícig ga çjdadania.

1. Gestão metropolitana. Os projetos que envolvam interesses de mais de


um município poderão ser acompanhados pela população, que exercerá
o controle social, plasmado no art. § 32. Tal participação é ainda po-
tencializada pelo disposto no art 74, parágrafo segundo que viabiliza a
denúncia ao Tribunal de Contas da União.

207
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

, CapííuloV
Disposições Gerais
< 'i '

Art. 46_. O Poder Público m.,iticipill poderá facúltarao prqprietátio


de área atingida pela. ob,rigaçãÓ de que trata .o caput d(J,ar_t,_ 5~,~c;;.sta Lpi,
a requerimento deste;_·o-.estabelecimento de consgrdo:im(l~ili;lrjp co~o
forma de v:iabilizaç~o .fhtaJ}êe~ra d.o :tP!OVeitamento do imó:v.~J:.
§ I o Considera-se c 0 nsór~io itnobiliário a forma de_ via!,!ilizaçã~ de pJa~os
de urbanização: ou edificação·eonneio da gual o eroprietáÍ!ig;tr.!lD§fere
ao Poder Públicomunici[!alsç_uJ~ e, após a realizaéão'ida§oht:!)s,
recebe,, com .01ento,_ u-..i.dades •imobiliárias devidameufe::tlrbaniza-
das ou e adas.. -----···
§ 2" O valor dasunidades i.mobíliárias a serem entregues· a9 p;r9~rietário
será correspondente ao valor do imóvel antes da execução•dasobra~,
observado o disposto ilo § 2" do art. 8" desta Lei. ·

1. Faculdade. A lei prevê uma faculdade ao particular que tenha seu imóvel
submetido ao parcelamento, uso e edificação compuls~rios e não tenha
condições financeiras de dar uso adequado ao seu berl\.
Para ser estabelecido o consórcio é preciso que o particular faça reque-·
rimento neste sentido junto à administração municipal. A análise do re-
querimento é discricionária, cabendo ao administrador avaliar a conve-
niência e oportunidade em celebrar o referido acordo.
2. Permuta. Por meio do consórcio, o dono do terreno o transfere ao Po-
der Público Municipal que, em momento posterior, o pagará através de
unidades imobiliárias. Consiste, na verdade em uma permuta, já que a
alienação do imóvel é paga com a transferência de outros bens, tudo
realizado no bojo da execução de um projeto urbanístico:Qn_çide;..ilJJ.\!i o
é][t.533, Código Civil]
O valor a se1- pago ao proprietário será aquele aferido antes das obras
urbanísticas. Embora o artigo faça remissão ao art. 8, § 22, entendemos
inadequada a consideração do yalor .Y~é!l do bem. Isto porque, na fi-
gura do consórcio não há o aspecto punitivo claramente existente na
desapropriação-sanção, inexistindo razão para a desvalorização do bem
privado.
Finalizado o projeto urbanístico, caso o Ente Municipal não cumpra o
acordo, deverá o particular buscar seu direito nas vias judiciais.

Art. 47. Os trib.utos sobre imóveis urbanos, assim como as tarifas relati-
vas a serviços públicos urbanos, serão diferenciados em função do inte-
resse social.

208
Em\TUTO DA CIDADE·· LEI N" 10.257/2001

Art:JS .. Nqs.casos.de programas e J;>ro.ietos habit~ciiJ.n~is de iut~re~se


social; dWsê11Yolvidos por órgãos ou. entidades da Admmtstr:~ão P~bl~ca
cofuiátll~~ãO específica nessa área, OS Contratos d.e COJ1C~SsaO d~ _direitO
real de usrnde im~:veis públicos: . ·. ·
r- terã~,'-~~ratorios os fins de direito, cª_t.;!kr de e~c~itur~ ~~bliÇ~, não se
apliqaitdb:() dispos~o no inciso lldo art, l34 do Codtgo ClVll,
rr~ OOIIS.titJJ~ll:ci~a eni garantia de contratos
de :financiamentos.habitacionais.

1. Acesso à moradia. No intuito de facilitar a aquisição de moradia por


meio da conces~ão especial de uso, ~,J!:J._~as~a a solenidade eL~YJ~;~~-~­
arL)..08. Có..QlgQ....Çly_l.l..Q~. ~.P02, referente à forma, tomando como validos
os contratos celebrados de modo privado.

2 . Garantia. A admissão da concessão de uso para fins de moradia como


garantia também está prevista no art:?f1_ffi_l._:~.._~I~--'=~-~_1,3L9} __e no art.
l:1,1§elJ14_~U?·Jo7.

3 . Dispensa de licitação. o art. 17, 1, i, Lei 8666/93, com redação dada pela
Lei 11952/2009. previu como hipóteses de licitação dispensada a c~nces­
são de direito real de uso d~er_t::as_!~~erais rurais na Amazônia destinadas
a regularização fundiária.

Art. 49~ .Os Estados e Municípios terão o pra:zo d~ novent~ dia~, a


partir da entrada em vigor desta Lei, para fixar pra~o,s,_porleJ, para_ a
expedi.çíio de diretrizes de empreen~imeritos ut:b._am~ttcos, ap,rov~çao
de _l:lróje,~~s de. ,Parcelamento .e. de edt:ficação, reahza~ao 4~ v~~tonas e
e}(pe~~ã~;~~ termo de veriftcação e conclusão qeol:lr~s, . .· . . ·.· ••·· ... ····-·•.
.Paf~gtkfq'rtni,;;O. N~9 sendo cu~pridà a•deten~inay~(). do cap~t;,~ca esta-
be1êcid();Ó;pt;azo de sessenta dias para.lt reabzaç~~ decad:tu"llt<~o~ ~e­
ferfdo~'4to~ íldm:inistrativos, que valerá até que os Estados e Mumc1p10s
disPo11hamem lei de fonna diversá. ·

L Processo administrativo. A fixação de prazos para a prática de atos ad-


ministrativos integrantes a processos é tema de competência de cada
ente federativo. Assim, transborda a esfera de norma geral a previsão de

209
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

prazos processuais que devem ser definidos por estados e municípios no


âmbito de sua autonomia.

Tal dispositivo, portanto, não vale nem como norma subsidiária na hipó-
tese de eventual omissão legislativa do ente competente.

Art. 50. Os Municípios que estejam enquadrados na obrigação previs-


ta nos incisos I e II do caput do àrt. 41 desta Lei e qu·::: não tenham plano
diretor aprovado na data de entrada em vigor desta Lei deverão aprová-
-lo. até 30 de junho de 2008. (Redação dada pela Lei n" 11.673, 2008).

1. Prazo diferenciado. O art. 50 desta lei trouxe pr3zo específico para ela-
boração do plano na hipótese dos incisos I e li deste artigo. Nas demais
hipóteses, a elaboração do plano diretor passa p::Jr uma decisão política
de implantar instrumentos urbanísticos, ou criar área de especial inte-
resse turístico ou sediar grandes empreendimentos. Nestes casos, uma
vez tomada a decisão, deve o Município elaborar a norma legal aqui es-
tudada.

A Lei 11673/2008 prorrogou o prazo para elabo.·ação do plano diretor


até junho de 2008.

Art. 51. Para os efeitos desta Lei, aplicam-se ao Distrito Federal e ao


Governador do Distrito I<'ederal as disposições relativas, respectiva-
mente, a l\1unicípio e a ]>refeito.

1. Assento constitucional. O Distrito Federal exerce em seu território as


competências municipais, na forma do art. 32, § 1;?, CRFB. Por força des-
te artigo, aplica-se ao Governador e aos deputados do Distrito Federal as
normas referentes às condutas de improbidade administrativa, previstas
no art. 52.

Art. 52. Sem prejuízo da punição de outros agentes públicos envolvidos


e da aplicação de outras sanções cabíveis, o Prefeito incorre em improbi-
dade administrativa, nos termos da Lei n" 8.429, de 2 de junho de 1992,
quando: · ·
I-(VETADO)
li - deixar de proceder, no prazo de cinco anos, o adequado aproveita-
mento do imóvel incorporado ao patrimônio público, contonne. o dispos-
to no § 4 o do art. 8" desta Lei;

210
EsTATl.:To DA CiDADE LEI N" I 0.257/200 I

m -utilizar áreas obtidas por meio do direito de preempção em desacor-


do com o disposto no art. 26 desta Lei;
IV_ aplicar os recursos auferidos com a outorga onerosa do direito de
construir e de alteração de uso em desacordo com o previsto no art.
31 desta Lei;
v - aplicar os recursos auferidos com operações ~onsorci~das em de-
sacordo com o previsto no § 1• do art. 33 desta Le1;
VI _ impedir ou deixar de garantir os requisitos contidos nos incisos I
a UI do§ 4"do art. 40 desta Lei;
VII _ deixar de tomar as providências n.ecessá.rias para ga~antir a ob-
servância do disposto no§ 3" do art. 40 e no art. 50 desta Le1;
VIII_ adquirir imóvel objeto de direito de preempção, nos, t~nnos dos arts.
25 a 27 desta Lei, pelo valor da proposta apresentada, se este for, compro-
vadamente, superior ao de mercado.

1. Sujeito ativo. Embora se destaque usualmente a possibílida~~ do Prefei-


to cometer atos ímprobos, o caput do art. 52 é claro ao admitir como su-
jeito ativo outros agentes pt'1blicos., co~o sec~etários e vereadores. que
contribuam p a.riLSJ....R.@jj_ç_ª_QQ.u:i.RQ.LéLq]dlpJ:.~V Isto s·
Cas~- 0 ~rticularcolabore para a ação ímproba será responsabilizado
por meio de ação civil pública.
2. Dever de probidade. É probo aquele que age ho~e~tame_nte ~a ~ondu­
ção de suas funções e obrigações diante da Admtnlstr~ça.o. Publ1ca, ze-
lando pela correção da atividade administrativa, bem JUrtdlco tutelado
p,elas normas de improbidade. .
3. Norma não-autônoma. Os dispositivos do art. 52 não podem s.er ~~llca­
dos autonomamente já que não prescrevem a sanção aos qu.e mc1d.1rem
em suas hipóteses. Para a aplicabilidade da norma. ser:á.~.Y-eLtfi~ar
se houve enriquecime.ntQ ilíci!.Q....Qrejuízo ao erário otJ atenta.do...a.o.s.pnn~
cíPTos-daÃd"mitilitr.ação para se enquadr2.L.e_o.tre...o.s...ar.ts...9_,..1.ü_e..11 da lei
8429/92.
4. Veto. o dispositivo previa como conduta ímproba o impedimentopelo
agente público da participação de comunidades e entidades da socieda-
de civil no controle social, na forma prevista no art. 4, § 3 9 .
o veto se fundamentou na dificuldade de verificação da tipicidad.e da
conduta a ser analisada, diante da amplitude dos conceitos envolv1dos,
tais como controle social e participação das comunidades. A nor~a, por
sua natureza, feriria a segurança jurídica necessária à sua aplicaçao.

211
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

Aduziu-se ainda, ser a questão de cunho político e não administrativo, de


modo a recomendar ausência da aplicação das normas da Lei 8429/92.
5. Hipóteses legais. Os tipos foram analisados nos institutos a que se refe-
rem.

-7 Aplicação em concurso.
• MPE-RS- Assessor Jurídico - 2014
O Estatuto da Cidade, Lei nQ 10.257, de 10 de julho de 2001, prevê que, sem
prejuízo da punição de outros agentes públicos envolvidos e da aplicação
de outras sanções cabíveis, poderá incorrer o prefeito em improbidade ad-
ministrativa. A esse respeito, considere as seguintes ações.
1. Deixar de proceder, no prazo de dez anos, o adequado aproveitamertto do
imóvel incorporado ao patrimônio público, conforme o disposto no § 4Q do
art. SQ da Lei nQ 10.257/01.
2. Utilizar áreas obtidas por meio do direito de preempção em desacordo com
o disposto no art. 26 da Lei n!! 10.257/01.
3. Não aplicar os recursos auferidos com a outorga onerosa do direito de
construir e de alteração de uso em desacordo com o previs~ no art. 31 da
Lei nQ 10.257/01.
4. Adquirir imóvel objeto de direito de preempção, nos termos dos arts. 25
a 27 da Lei nQ 10.257/01, pelo valor da proposta apresentada, se este for,
comprovadamente, superior ao de mercado.
Quais dessas ações caracterizam improbidade administrativa praticada por
prefeito?
a) apenas1 e 2;
b) apenas 1 e 3;
c) apenas 2 e 3;
d) apenas 2 e 4;
e) 1, 2, 3 e 4.
Gabarito: letra O

• MP/BA- 2008.

"Segundo a Lei Federal 10257/01, o Plano Diretor é obrigatório para ci


dades integrantes de especial interesse turístico, e na fiscalização de sua
elaboração e implementação o Poder Executivo garantirá a promoção de
audiências públicas com a participação da população e de associações re-
presentativas dos vários segmentos da comunidade, incorrendo o Prefeito
em improbidade administrativa caso impeça ou deixe de garantir a realiza-
ção de tais atos."
A afirmativa está correta.

212
EsTAruTo DA CIDADE-·· LEI N" I 0.257/200 I

• MP/ES- 2005.
"Sem prejuízo da punição de outros agentes públicos envolvidos e da apli-
cação de outras sanções cabíveis, o Prefeito incorre em improbidade admi- ·
nistrativa, nos termos da Lei n. 8.429/92, quando deixar de tomar as pro-
vidências necessárias para garantir que a lei que instituiu o plano diretor
deverá ser revista, pelo menos, a cada dez anos."
A afirmativc; está correta.

-7 Aplicação pelo STF.


RECLAMAÇÃO. USURPAÇÃO DA COMPETtNCIA DO SUPREMO TRIBU-
NAL FEDERAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CRIME DE RESPON-
SABILIDADE. AGENTES POLÍTICOS.!. PRELIMINARES. QUESTÕES DE
ORDEM ..... 11. MÉRITO. 11.1.1mprobidade administrativa. Crimes de
responsabilidade. Os atos de improbidade administrativa são tipifica-
dos como crime de responsabilidade na Lei nQ 1.079/1950, delito de
caráter político-administrativo. 11.2.Distinção entre os regimes de res-
ponsabilização político-administrativa. O sistema constitucional brasi-
leiro distingue o regime de responsabilidade dos agentes políticos dos
demais agentes públicos. A Constituição não admite a concorrência
entre dois regimes de responsabilidade político-administrativa para
os agentes políticos: o previsto no art. 37, § 42 (regulado pela Lei n!l
8.429/1992) e o regime fixado no art. 102, I, "c", {disciplinado pela
Lei n!! 1.079/1950). Se a competência para processar e julgar a ação
de improbidade (CF, art. 37, § 4Q) pudesse abranger também atos
praticados pelos agentes políticos, submetidos a regime de responsa-
bilidade especial, ter-se-ia uma interpretação ab-rogante do dispos-
to no art. 102, I, "c", da Constituição. 11.3.Regime especial. Ministros
de Estado. Os Ministros de Estado, por estarem regidos por normas
especiais de responsabilidade (CF, art. 102, I, "c"; Lei n!! 1.079/1950),
não se submetem ao modelo de competência previsto no regime
comum da Lei de Improbidade Administrativa {Lei nQ 8.429/1992).
11.4.Crimes de responsabilidade. Competência do Supremo Tribunal
Federal. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal pro-
cessar e julgar os delitos político-administrativos, na hipótese do art.
102, I, "c", da Constituição. Somente o STF pode processar e julgar Mi-
nistro de Estado no caso de crime de responsabilidade e, assim, even-
tualmente, determinar a perda do cargo ou a suspensão de direitos
políticos. 11.5.Ação de improbidade administrativa. Ministro de Estado
que teve decretada a suspensão de seus direitos políticos pelo prazo
de 8 2nos e a perda da função pública por sentença do Juízo da 14"
Vara ca Justiça Federal - Seção Judiciária do Distrito Federá!. Incom-
petência dos juízos de primeira instância para processar e julgar ação
civil de improbidade administrativa ajuizada contra agente político

213
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

que possui prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal,


por crime de responsabilidade, conforme o art. 102, 1, "c", da Consti-
tuição. 111. RECLAMAÇÃO JULGADA PROCEDENTE." (STF, Rei. 2138, Rei.
Min. Nelson Jobim, DJ 17/04/2008).
~ Aplicação pelo STJ.
"IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. EX-PREFEITO. BENS. A Turma rei-
terou o entendimento de que ex-prefeito não está no rol das auto-
ridades submetidas à Lei n. 1.079/1950, que versa sobre os crimes
de responsabilidade; logo, poderá responder por seus atos na via da
ação civil pública de improbidade administrativa. Quanto à indisponi-
bilidade dos bens, para que se reveja a decisão do Tribunal a quo, ne-
cessário o reexame fático-probatório, vedado pela Súm. n. 7 deste Su-
perior Tribunal. Precedentes citados: REsp 861.419-DF, DJ 11/2/2009,
e AgRg no Ag 685.351-PR, DJ 21/11/2008."(STJ, REsp 949.452-SP, Rei.
Min. Francisco Falcão, julgado em 24/3/2009).

Art. 53. Revogado pela Medida Provisóiia 2180-35

1. Tutela coletiva à ordem urbanística. O art. 53 alterava o art. 1 da Lei


7347/85 incluindo como bem jurídico a ser tutelado pela ação civil públi-
ca a ordem urbanística. A Medida Provisória revogou tal dispositivo, mas
em seu art. 6 determinou a alteração da Lei 7347/85, inserindo outros
bens jurídicos tutelados coletivamente, dentre eles a ordem urbanística.
Desta forma, houve a mudança do fundamento legal, mas a tutela cole-
tiva da ordem urbana restou assegurada.

Art. 54. O art. 4o da Lei n" 7 .347, de 1985, passa a vigorar com a seguinte
redação:
"Art. 4" Poderá ser ajuizada ação cautelar para os fins desta Lei, ob-
jetivando, inclusive, evitar o dano ao nwin amhipntP, ao t•onsnmidor,
à ardem nrb:mí~L9..!LJ:lo5..P.YD.li_ç_9ireiW.u!ç__ _yg_l_QL.!!!:t.b.tico, estético,
históric.Q._t~p_ills.ªgí;i(:ic 0 (VETADO)." (NR)

1. Tutela coletiva. A lei que regulamenta a ação civil pública previu a possi-
bilidade de tutelar a ordem urbanística ern sede cautelar. Tal iniciativa é
louvável, já que reconhece a natureza transindividual da ordem urbana
que deve por todos ser cuidada. '

A natureza coletiva do bem aqui tratado é revelada também na previsão


de instrumentos como o estudo de impacto de vizinhança, a gestão de-
mocrática e a forma coletiva da usucapião.

214
EsTATUTO DA CIDADE- LEI N° 10.257/2001

1- .......... :: .................................... ,........................................................... ..


~·~(''':' . . '

28) dass~~tenças declaratórias de usucapião, independente da regula~


ridadeld~:~arcelamento do solo ou da e~~ficação;
........... ~ ...'.{.. ,:'•···· .. ·•.············ .. ··········:::···· ... :,.::::.,'.. ::: ..,., .. ~ ... "'.""··:·· ....... " (NR)

1. Vigência efêmera. A alteração na Lei 6015 pretendeu possibilitar a re-


alização do registro da sentença de usucapião independentemente da
regularização fundiária da região onde se situa o imóvel. Ocorre que o
afastamento de tal exigência teve pouquíssimo tempo de vigência, vez
que o texto da Medida Provisória 2220/01 revogou a redação em co-
mento.

Art. 56•. 0art. 167, inciso I, da Lei n" 6.015, de 1973; passa a vigorar
acresci4otdos seguintes itens 37, 38 e 39; . ·

~:_~:~t\{1;0~E~: : :;:~; ;:~: ~: : : ·.: : :·.·.;.: : :·:·.: ·.: : : : : : : : : ~:.: : : : : : :·.: ·.·.·.·.·.·.·.·.·......
37) do;'tet~os administrativos ou das sentenças decl~ratórias da con-
cessã~l'de ps~ especi;d par;t fins de monÍdia, fndependente da regulari-
dade'clo'Ii~rcelamento do solo ou daedijiéação;
38) (VETADO)
39) da constituição do direito de superfície de imóvel urbano;" (NR)

1. Natureza jurídica. Embora tenha seu regulamento vetado nesta lei, a


concessão de uso para fins de moradia ingressou em nosso ordenamento
através da Medida Provisória 2220/01, sendo elencada como direito real
no art. 1225, XI, Código Civil com redação dada pela Lei 11481/2007. O
veto à alínea 38 é consequência do veto aos arts. 15 a 20 deste Estatuto.
O registro do termo de concessão de uso para fins de moradia dá publici-
dade do gravame que incide sobre o imóvel, de modo a informar a todos
que o proprietário não dispõe livremente do seu bem.
2. Direito real. Para a constituição do direito real, mister se faz seu assento
público no registro imobiliário. Por tal motivo, em boa hora a previsão da
alínea 39 que determina o registro da constituição do direito de superfície.

215
Art 57. O. art 167,, ~~ís~flrr(~a ~~t;#~;~fiYt~, deÚgl3}>~~s~~~ayígprrf .
acrescido· dos selfoirit~siif~W1~~'; X2::e:zw ;, . ·· . . ·~~;, '·f{ ;t,i' . ·

~:::. ~~~.·.·:: :::::::~~·~:·;::3:;:I~."1:~ji?é·~~iiJrr::(;;II:.·;;~::-·~:.·::;.:/j;r!J!;iE/U!f/;;::;,·:: ~...


18) da notificaÇíi,óparli.pàfÇ~t~trí~~f~~·~~ificaç;io 6t!i~~~!l'çt~(compul::·.··
só rios d.eilllóyÇJ.U:~~lt~~;: ~~\f,Ji~ ~i,~·;·'i:·>::.·,,. 1, .... , \'.';~~~tt;é,;
.. ·\ · :, ( ·. ·' ·
19) da extinç~oc<J~ cónc()'s~ã,~{~~ ~~~,~~pc~f:tl'pal':ítfi~s.~a,e::: ~ifi;{ .
20) da extinção.M. diteittr de'.~pp~t~~i~doj~xóv~iit.~b~J~;~~:p;tii),:

1. Continuidade. As averbações permitem o acompanhamento por qual-


quer interessado do histórico do imóvel, com todas as mutações por ele
sofridas. É um consectário lógico dos princípios da publicidade e da con..,
tinuidade, base de todo o sistema registra! brasileiro.

1. Vacatio /egis. A Lei 10257/01 teve período de vacância superior ao da


maioria dos atos legislativos para possibilitar aos proprietáfios urbanos
ciência e organização em relação às diversas obrigações e ônus inciden-
tes sobre o solo urbano.
CONCESSÃO DE USO PARA FINS DE MORADIA
MEDIDA PROVISÓRIA N° 2e220,
DE 4 DE SETEMBRO DE 2001

Capitqlol
D.a Concessão De. Uso,,Especial
;· ''.,
'., ;' ·~. r ' '

· A.rt:l~~~ttele qu~, até 30. de .iunlwde 2001, possuiucónto s~u, por cin-
co;ano$~lp.iittérr:up'tamente e sem oposição, nté duzentos e cinqnenta
metros .qJ!~~rcndos.deimóvel público situado em ~írea m':bann, lüílizan-
do~óp.IJ.Jé~'s'(la moradia ou de suafamília; tem o d~reito àconcessão de
us() esp.ecial:'para fins de moradia em relação ao .bem objeto da'posse,
<t:e~<t:~!q~~~ão sejil pr.oprietário oU concessionário, a qualquer título, de
outre itil:é\'Véfutbano .oti mral. ·
··,·~ 1~'·~~~~~e$são ~leúso espeéialpanHihs de moradia será conferida de
forin~l~~~t#itaaó homem ou à mhlhér, ou: a ambos; independentemente
do estadÓ.~Mt
§ :2<; .Q;d~reito .de que> trata este artigo não será .re.co,nbe.cido ao '!~esmo
mais.~~ umav~z. < ·..•.. ··•·•... . ·. ·.· · ·•· .·.· •
~ 3?·~.. eitos.d~ste arti~o~ o lte~d~iiol!)gdil!l(},:Ç~Ilttrilla, âb'pl~no
'êóllêe
.
. ·
di~e.~toL •.......... s~e de seu' anteqessor, •des,dé que j á•residà nmimtSvel por
oqásiã{i}1d~·abettura da sucessão! · ·

L Destinação específica. Este diploma legal regula a concessão de uso, tal


como pr~vista no DL 271/67, com a finalidade específica de criação de
moradia, çlireito fundamental social, na forma do art. 6, CRFB, com reda-
ção dada pela Emenda Constitucional 26.

2. Limite temporal. A norma prevê a data de junho de 2001 como limite


para a reunião dos requisitos legais, dotando o direito de transitorieda-
de. A permanência do instituto tal como previsto originalmente pela Lei
10257/01 foi um dos motivos plasmados no veto presidencial à lei.

3. Requisitos legais. Os requisitos para a configuração do direito em mui-


to se assemelham aos estabelecidos para a usucapião, diferind?-se por
aqui tratar de imóvel público. Trata-se de mais uma hipótese de direito
real, sendo necessá-io para sua formação o registro público do título
competente.

217
FERNANDA LousADA CARDoso

O texto legal vetado previa a possibilidade de concessão de uso de edi-


fic<;~ção,
sem referência à metragem mínima. O Chefe do Executivo, em
suas razões de veto, expôs não ser possível a previsão de edificações sem
limites objetivos, o que dificultaria a concessão coletiva do direito real.

A concessão de uso para fins de moradia também pode se dar em imó-


veis remanescentes de desapropriação que tenham sido transferidos
para empresa pública ou sociedade de economia mista, na forma do art.
25, Lei 11481/2007.
4. Concessão gratuita. A outorga do uso é reconhecida de forma gratuita
aos seus ocupantes independentemente do estado civil. A estabilidade
da moradia não passa, portanto, pela formação de família. A gratuidade
na outorga não impede que a Administração Pública fixe contribuição de
melhoria na hipótese de urbanização do local.
5. Soma de posses. A norma previu a soma de períodos de ocupação ape-
nas na hipótese de falecimento do antecessor, não admitindo a acessio
possessionis. Para que seja possível a continuidade dos períodos, exige-
-se que o herdeiro já more no local à época do falecimento do autor da
herança, não bastando a posse decorrente da saisine.

-7 Aplicação em concurso.

• Cespe/Câmara Deputados/Analista Legislativo/2014


A usucapião especial de imóvel urbano se aplica apenas a imóveis públi-
cos, e a concessão de uso especial para fins de moradia se aplica a imóveis
privados.
A afirmativa está errada. A usucapião se aplica aos bens privados e a con-
cessão de uso especial para fins de moradia, aos bens públicos.
• MP/RJ- 2009- Prova Preliminar
"É juridicamente possível que o possuidor de terreno público tenha direito
adquirido à outorga de concessão de uso especial para fins de moradia ?
É cabível esse tipo de concessão no que concerne a imóveis funcionais no
âmbito da administração federal ?"
Sim, basta reunir os requisitos previstos no art. 1, MP 2220/01. No caso de
imóveis funcionais, este instituto não se aplica, vez que não há posse com
animus domini, mas sim mera detenção. O servidor ocupa o imóvel com o
consentimento da Administração Pública.
• TJ/PI- juiz- 2007
"A concessão de uso para fins de moradia, que decorre do poder discricio-
nário da Administração Pública, tem natureza jurídica de contrato adminis-
trativo."

218
CONCESSAO DE USO PAR/' FINS DE MORADIA- MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.220

A afirmativa está errada. A concessão de uso, na forma prevista na MP


2220/01 é ato vinculado e tem natureza jurídica de direito real.

...,. Aplicação pelo STJ

"CIVIL E PROCESSUAL CIVIL AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE..


AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONCES-
SÃO DE USO ESPECIAL PARA FINS DE MORADIA. BEM PÚBLICO. MP N.
2.220/2001. ANIMUS DOMINI. AUStNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
ÁREA EFETIVAMENTE OCUPADA. IRRELEVÂNCIA DA ÁREA DO IMÓVEL.
1 3. O art. 1!! da Medida Provisória n. 2.220/2001 não limita o tama-
nho total do imóvel público, mas exclusivamente a parcela ocupada
pelo possuidor, para fins de concessão do uso especial previsto no
art. 183, § 12, da Constituição Federal. 4. O Tribunal local, com suporte
nos elementos probatórios dos autos e aplicando o dispositivo legal,
concluiu estarem preenchidos os requisitos legais, fazendo constar
expressa observação de que a área ocupada pelo interessado estaria
discriminada. Sobre o tema, o agravo regimental não trouxe argumen-
tos capazes de infirmar a decisão agravada, sobretudo em relação à
incidência do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. 5. Agravo regimental
improvido." (STJ, AgRg no AREsp 333647 I RS, Rei. Min. Antonio Carlos
Ferreira, DJ 19/02/2015)

Art. 2" Nos imóveis de que trata o art. 1°, com mais de duzentos e cin-
quenta metros quadrados, que, até 30 de junho de 2001, estavam ocu-
pados por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os
terrenos ocupados por possuidor, a concessão de uso especial para fins
de moradia será conferida de forma coletiva, desde que os possuidores
não sejam proprietários ou concessionários, a qualquer título, de outro
imóvel mbano ou rural.
§ I 0 O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este
artigo, acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas
sejam continuas.
§ 2" Na concessão de uso especial de que trata este artigo, será atribuída
igual fração ideal de terreno a cada possuidor, independentemente
da dimensão do terreno que cada um qcupe, salvo hipótese de acordo
escrito entre os ocupantes, estabelecendo frações ideais diferenciadas.
§ 3° A fração ideal atTibuída a cada possuidor não poderá ser superior a
duzentos e cinquenta metros quadrados.

1. Modalidade coletiva. A concessão será coletiva quando não houver


possibilidade de identificação das posses individuais. A lei fala em po-

219
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

pulação de baixa renda, conceito jurídico indeterminado a ser definido


pelo juiz e pelo administrador na análise das circunstâncias do caso
concreto.

Neste caso, ocorrerá a co-titularidade entre os ocupantes. A lei é omis-


sa quanto à administração desta coletividade, devendo ser aplicadas as
normas civis referentes ao condomínio.

2. Soma de posses. Diversamente do que ocorre com a espécie individual,


a lei admite a soma de posses entre pessoas vivas na forma coletiva, não
exigindo que se mantenha o mesmo número de possuidores, mas ape-
nas o estado de impossibilidade de individualização das posses.

3. Frações do imóvel. Na concessão coletiva do uso, serão definidas fra-


ções ideais idênticas para cada ocupante, salvo se houver acordo esta-
belecendo de modo contrário. O limite do tamanho da fração ideal é de
duzentos e cinquenta metros quadrados, metragem máxima na aquisi-
ção da forma individual.

Art. 3° Será garantida. a opção d~ ex'e;c~r os direitos. de,qu,~;~~tam os


arts. I o e 2" tamT:;ém ao.s oc!lP~nt~~., i"e~lan'llen~e inserifq~, ~Ç,_,_~óve~s
públicos,.com :.lté~~~~nt9~~:j!inqueY:t:r>J.netfôS <J.U~d··•· . '•tl~{(Jn.ã!J •..
dos Estados,. dÓ Distfito Fe(l~t~l ~ (f~~>l\:iuni~ípiós, que es ~J •siruâíió'f<
em área urbana, PA;fonna do.regglatrie~to,

1. Inconstitucionalidade da norma. A concessão de uso de bens públicos


tem seu assento constitucional no art. 183, § 12, CRFB. No entanto, a
Carta Maior deixou para a legislação infraconstitucional sua regulamen-
tação.

Alguns autores refutam a previsão constitucional citada, ao argumento


de que o art. 183 trata de aquisição de propriedade, não podendo prever
sobre direito real em bem público.

De todo o modo, a Medida Provisória 2220/01 é norma federal que trata


da gestão de bens públicos. Assim, não poderia onerar bens estaduais e
municipais, cuja gestão compete a cada ente federativo.

Segundo grande parte da doutrina, ao prever o direito real oponível a


Estados-Membros e Municípios, a norma federal violou o pacto federa-
tivo que reconhece a cada nível da federação autonomia no uso de seu
patrimônio.

22()
CONCESSÃO DE USO PARA FINS DE MORADIA MEDrDA PROVISÓRIA N° 2.220

Há ainda quem interprete a concessão de uso para fins de moradia não


como um direito subjetivo público do ocupante, mas como uma faculda-
de da Administração que poderá outorgá-la ou não. Com esta interpre-
tação, afastar-se-ia o vício de inconstitucionalidade acima comentado,
preservando-se a independência de cada ente na gerência de seu patri-
mônio.

Além do vício de inconstitucionalidade, identifica-se vício de legalidade já


que a norma, ao estabelecer a oneração do patrimônio público, não pre-
vendo a receita correspondente, violou a Lei de Responsabilidade Fiscal.

-7 Aplicação pelo TJ-SP.


"Concessão de uso especial de moradia. Previsão constitucional. Cons-
titucionalidade da Medida Provisória 2220/01. Jurisprudência des-
te E. TJ/SP. Requisitos para a concessão preenchidos. Vislumbrando
dano à coletividade, cumpria à requerida oferecer alternativa viável
ao pedido da autora e, em não o fazendo, não pode impedir a con-
cessão. Decisão acertada. Recurso improvido." (TJ-SP, Apelação Cível
5844204100, Rei. Maia da Cunha, DJ. 20/10/2008}.

-7 Aplicação em concurso.
• PGE/RJ- 2010- Prova Específica de Direita Civil
"João e Maria, companheiros, vivendo sob o mesmo teto desde janeiro de
1995, têm dois filhos e ocupam imóvel público que invadiram no início da
convivência. O imóvel está situado em área urbana da Cidade do Rio de
Janeiro e mede 232 metros quadrados. João e Maria não são titulares de
outro imóvel urbano ou rural. O poder público notifica-os estabelecendo
prazo de sessenta dias para a desocupação do referido bem. Pergunta-se:
quais os direitos de João e Maria?

O candidato deve discorrer sobre a concessão especial de uso para fins de


moradia, abordando seus requisitos, natureza jurídica e a discutida cons-
titucionalidade da norma em face de bens estaduais e municipais. Deve
ainda citar os artigos da Medida Provisória 2220/01.

Art. 4° N:o .caso de a ocupação acarretar risco à vida ou à saúde dos ocu-
pantes, o Pôder Público garantirá ao possuidor o exercício do direito de
que tratam os arts. 1o e 2° em outro local.

1. Áreas de risco. A ocupação em área sujeita a desabamento ou que en-


seje qualquer outro risco à saúde dos moradores dá aos particulares o
direito de moradia em novo local, onde haja a necessária segurança.

221
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

-7 Aplicação pelo TJ-MG.

"AÇÃO CIVIL PÚBLICA - MINISTÉRIO PÚBLICO - DEFESA DO MEIO


AMBIENTE- LEGITIMIDADE - POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO
- CF/88, ESTATUTO DA CIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA 2.220/2001-
OCUPAÇÃO DE FAIXA DE DOMÍNIO DE RODOVIA- DIREITO À MORADIA
- PRESERVAÇÃO AMBIENTAL- MUNICÍPIO- DEVER DE FISCALIZAR -
OMISSÃO- RESPONSABILIDADE ..... O pedido está amparado nos arts.
182,183 e 225 da CR/88, assim como no Estatuto da Cidade a na Me-
dida Provisória 2.220/2001, mas principalmente na referida Medida
Provisória, porque a ocupação de terras públicas por mais de cinco
anos de área nfío superior a 250m 2 , confere a todo aquele ou aquela,
desde que não possua outro imóvel urbano ou rural, o direito à con-
cessão de uso especial para fins de moradia. Não há incompatibilida-
de entre o direito à moradia e o direito ao meio ambiente sustentável.
Diante da impossibilidade de realizar-se o direito à moradia no local,
em se tratando de faixa de domínio de rodovia estadual, com um ga-
soduto em seu subsolo e intercepta dores de sistema de esgotamento
sanitário, ele deve ser privilegiado e concedido às famílias em outro
lugar adequado. Em se tratando de travessia, estrada dentro do perí-
metro urbano, compete à Prefeitura Municipal a aprovação para a sua
construção, o que não afasta a competência municipal para fiscalizar o
uso da faixa de domínio da rodovia. A omissão ao dever de fiscalizar
do Município, que culminou na ocupação da faixa de domínio da ro-
dovia, implica a sua responsabilidade pela retirada e reassentamen-
to das famílias. Negaram provimento ao agravo retido e reformara a
sentença em parte, no reexame necessário, prejudicados os recursos
voluntários." (TJ-MG, Proc. 1.0024.04.290502-6/001, Rei. Des. Dárcio
Mendes, DJ 17/05/2007)

Art. 5o É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito


de que tratam os arts. 1o e 2° em outro local na hipótese de ocupação de
imóvel:
I de uso comum do povo;
II- destinado a projeto de urbanização;
nr - de interesse da defesa nacional, da preservação ambiental e da prote-
ção dos ecossistemas natmais;
IV --reservado à construção de represas e obras congêneres; ou
V- situado em via de comunicação.

1. Transferência de local. O artigo elenca as hipóteses em que o Poder Pú-


blico tem a faculdade de conceder o uso em local distinto do ocupado

222
CONCESSAO DE USO PARA FINS DE MORADIA- MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.220

pelo particular. Esta situação difere da tratada no art. 4 onde o Poder


Público tem o dever de transferir o morador do local habitado, diante
do risco à saúde.
A falta de previsão desta nova hipótese de transferência do local de
concessão de uso foi também citada nos motivos do veto presidencial
à previsão legal deste direito real no Estatuto da Cidade. Em regra, as
áreas de preservação ambiental e destinadas ao uso comum devem ser
preservadas de ocupação privada, cabendo ao Executivo a análise do
caso concreto.

Art. 6° O título de concessão de uso especial para fins de moradia será


obtido pela via administrativa perante o órgão competente da Adminis-
tração Pública ou, em caso de recusa ou omissão deste, pela via judicial.
§ 1o A Administração Pública terá o prazo máximo de doze meses para
decidir o pedido, contado da data de seu protocolo.
§ 2° Na hipótese de bem imóvel da União ou dos Estados, o interessado
.-leverá instruir o requerimento de concessão de uso especial para fins de
moradia com certidão expedida pelo Poder P(lblico municipal, que ateste
a Iocaliza~ã.o do imóv~l em área urbl!na ef1,S\la destinação para moradia
do ocupante ou de sua família.
'•' 'n • O
· ·
§ 3° Em cas~ de açãojudícial, a concessão ~e ilso especial para fins de
m.oradia.será de,~ll)rada pelo:juiz,,medill.Qte,sentença:. ·
§ 4° o ti(úlo confêriClo por viaadmfuistrativ~ii.!.por sentença judicial ser-
virá para efeito de registro no cartório de:r~g'istro de imóveis.

1. Manifestação expressa. A norma exige para a constituição do direito


a expressa manifestação da Administração Pública, não bastando sua
omissão para caracterização da outorga de uso. Cêlso haja recusa ad-
ministrativa, o interessado poderá recorrer às vias judiciais por meio de
ação declaratória.
A previsão de prazo para a emissão de parecer do Poder Público é ino-
vação do texto da Medida Provisória, já que a lei nada dizia a respeito,
omissão que propiciou críticas do Executivo em sua mensagem de veto.
A declaração da outorga de uso, seja administrativa, seja judicial, será
documento hábil para ser levado a registro público.
2. Documento municipal. No caso do imóvel ser federal ou estadual, ca-
berá ao particular apresentar certidão municipal atestando a natureza
urbana do bem, além de sua destinação residencial. A concessão de uso
não abrange imóveis rurais, nem bens com uso distinto de moradia.

223
FERNANDA LousADA CARDoso

-7 Aplicação em concurso.
o (Vunesp/PGM/São Paulo/Procurador/2014}
Acerca do direito de concessão de uso especial para fins de moradia, a Me-
dida Provisória n. 2.220/01, estabelece que:
a) é intransferível.
b) sua extinção dá-se no caso do concessionário adquirir a propriedade, sen-
do despicienda a averbação no cartório de registro de imóveis.
c) em caso de ação judicial, a concessão respectiva poderá ser declarada por
sentença arbitral.
d) a Administração Pública terá o prazo máximo de 18 meses para decidir
acerca do pedido do título de concessão respectivo.
e) o título de concessão será obtido pela via administrativa perante o órgão
competente da Administração Pública ou, em caso de recusa ou omissão
deste, pela via judicial.
Gabarito: letra E

Art. 7° o d.iteit.): d,~é cd~~é~~ã~;'({~ uso CSf)COlai."''"">""i-i'né "fdi\ljtrl,ôr~clüt é


transferível por ato lnf~r:~l!lJJ,?s f}'qcam;_(z ittorti~;

1. Direito patrimonial. Uma vez reconhecida a concessão de uso, pofil'êrá o


particular transferi-la a terceiros. Não se trata, portanto, de direito per-
sonalíssimo, tal como ocorre com o usufruto.
A alienabilidade da concessão revela a dificuldade do Poder Público em
resgatar o uso do imóvel, uma vez reconhecido o direito real do ocupan-
te. O novo adquirente deve manter a destinação de moradia do bem,
sob pena de extinguir o direito.

224
CONCESSACI DE LiSO PAHA FINS DF MORADIA MEDIDA PHOVISÓRIA N° 2.220

1. Finalidade social. As modalidades de extinç~io do direito real dão bem a


dimensão do aspecto social do instituto. Só serão beneficiários da norma
aqueles que usem o imóvel para fins de moradia e não tenham outro
bem seja em propriedade, seja em concessão.

Art~ 9~ J~;fàcultado ao Poder Público .competente da.r autorização de


úso àquele .que, a.té 3o <fe .i unho de 2001, possuiu cÓmo seu, por cinco
anos, iuitíterruptamentc e sem ~,>posição, .até dt1zentos e cinquenta me-
tros quadrados de hnóvcl público situàdo em área urbana, utilizando-
-o para fins comerciais. ·
§ 1o A autorização de uso de que trata este artigo será conferida de forma
gratuita.
§ 2" O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este
miigo, acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas
sejam contínuas.
§ 3" Aplica-:se à autorização de uso prevista no caput deste artigo, no que
couber,'o disposto nos arts. 4• c 5" desta Medida Provisória.

1. Autorização de uso. Instituto de natureza mais precária que a conces-


são, a autorização é destinada aos imóveis comerciais. A administração
pública tem a faculdade de autorizar o uso ao particular que reunir os
requisitos da lei . estes semelhantes aos da concessão. Aqui também é
permitida a soma de posses entre vivos.
Em razão da precariedade do vínculo estabelecido, não se aplica à au-
torização os artigos 7 e 8 deste texto. A autorização será dada em outro
imóvel quando ocorrer as hipóteses dos artigos 4 e 5 desta norma legal.

Capítulo li
Do Conselho Nacional
De Desenvolvimento Urbano
Art. 10. Fica criado o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano
- CNDU, órgão ddiberativo c consultivo, integrante da estmtma da Presi-
dência da República, com as seguintes competências:
T - propor dirctl'izcs, instrumentos, normas e prioridades ela política na-
cional de desenvolvimento urbano;
II ··- acompanhar c av11liar a implementação da política nacional ,de
desenvolvimento urbano, em especial as políticas· de habitação, ele sa-
neamento básico e ele transportes urbanos, e recomendar as providências
necessárias ao cumprimento de seus objetivos;

225
FERNANDA LOUSADA CARDOSO

IU ~ prp,pQr.a edição de. nQrmas. gerais de direito m:b\}nístico.(;) m~mi­


festar~se'sqbre propostas de alteração da legislação pertinente ao desenvol-
vunento urbano;
IV - e~itir orientações e recomendações sobre a aplicação da Lei no
10.257,de.10 dejulho de 2001, e dos demais atos normativos relacionados
ao desenvolvimento urbano;
V --; ~~C)~~~xer a coopentção entre os governos da União, dos. Esta~os,
do Distl(Ít(> f/ederal e dos Municípios e a sociedade civil na formulaçao e
execuçãq•cia }JO,Jítica na.cional de desenvolvimento urbano; e
. .., ~1i~~rar: oreghnento interno·
VI "'',;',,,i' ' :

1. Execução da política urbana. No exercício de sua competência comum, a


União cria um órgão colegiado para orientar a implementação da política
urbana, viabilizando a eficácia do Estatuto da Cidade.

Art; l:li () CNDU ~ .compost9·.por seu ]>residente, pelb, :P,l~mirio. e por


uma Sec~etaría-Éxecutiva 1 cujas atribuições serão definidas em decreto.
Parági:~fo Ut}ito. O CNDU p~deríi iustit,ui~ comitês técni.cos. de asses.so-
rament9 ná fonnà do regÍlnento intemo.
,',,-:·.<'f:~f.·?··~ '.'>> ·,':_,' ' '; · ;. ' ,;
Art. 12. O, P.resídcute da R,.epúblicfl disporá sobre a .estrutura do
CND q,ra;c~mposição do seu Plenário e a designação. dos membros e su~
plentes do Conselho e dos seus comitês técnicos.
Art.l3.Aparticipação noCNDU e nos comitês técnicos não. será re-
munérada. . .
Art•• Ú.• :A-sfllnções de,membro do ÇNDU e dos comitês .técnicos serão
consid.eradas prestação de relevante interesse público e aausência ao
trabalho:<!ela~ decorrente será abqnada e computada como jomada efetiva
de tra~a;lhp, pàra todos oseféitos'legais.

1. Quadro administrativo. Os artigos tratam da estrutura e funcionamento


do CNDU, abordando questões como remuneração, jornada de trabalho
e integrantes.

··.'.:.:.:·. ~.·.•. . ~. •. . .. ~a~i~I()JIIF. •


·· ••.•• • .· , Da!)·;~s~()stÇões <mats .. . .· ·.·
Ál{:. vi f;ri?clsqtdo,art ló~!dái~ino'ó;015; de3Ldede~et~~l'~;dyl973,
~à'' Ór~r\:olll ~s seguirif~s·altenições: . . ·, "' ·,.·· . . . ..
i~i~~i~~.r:!••:,'j;?.;~.. },;~. {...... ,.. :..'.~;~; .. L:.. ~ ................. l ............. :.·.·· ···•';; ;'!:.;; ·: ·: ·
.>

226
CoNCESSÃO DE USO PARA FINS DE MORADIA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.220

28) das sentenças declaratórias de usucapião;


. . . . . . . . o • • • • • o. o o • • • • • • • o • • • • • • • • • • • • • ' . . . . . . . . . . . o o • • • • • • • • • • • • • • • • ~· o • • ' • • • • • • • o • • • • • • • • ·~ • • • • • • • • • • • • • • • • o • • • o ••

3 7) elos termos administrativos ou das sentenças declaratórias da con-


cessão de uso especial para fins de moradia;
····················································································································
40) do contrato ele concessão de direito real de uso ele imóvel público."

1. Nova redação. A Medida Provisória 2220/01 mudou a redação da Lei


10.257/01, retirando a expressão "independente da regularidade do
parcelamento do solo ou da edificação". Assim, hoje, para se obter o
registro público da sentença de usucapião ou do título da concessão es-
pecial de uso para fins de moradia, é preciso que sejam observadas as
normas urbanísticas da área onde se situa o imóvel. O registro da sen-
tença permite a livre disposição do bem pelo seu titular.

Art. 16. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua pll-
blicação.

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