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CLASSIFICAÇÃO DE MACIÇOS ROCHOSSO

ENGENHARIA DE MINAS - UFPE

CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS DA UFPE

CURSO DE ENGENHARIA

GEOTECNIA

CLASSIFICAÇÃO DE MACIÇOS

JOSÉ LINS ROLIM FILHO

ROLIM.J.L.F
CLASSIFICAÇÃO DE MACIÇOS ROCHOSSO
ENGENHARIA DE MINAS - UFPE
INTRODUÇÃO:

A avaliação do comportamento de uma escavação e a previsão do sistema de suporte mais


conveniente a ser realizado em um maciço rochoso requer prioritariamente o conhecimento das
propriedades do corpo e suas características de auto sustentação. As grandezas das tensões
envolvidas nas vizinhanças da obra e as deformações correspondentes dependem de um número
razoável de variáveis de difícil quantificação, relativas às características de heterogeneidade,
anisotropia, compartimentação (natureza, orientação, freqüência, e persistência das
descontinuidades) as características da própria rocha e escavação (natureza, geometria, e método
construtivo).

Essa complexidade de fatores explica a necessidade de se reunir os corpos rochosos de


acordo com comportamentos geomecânicos semelhantes, devidamente relacionados com suas
feições geológicas mais relevantes, que permitam a priori, estabelecer princípios gerais e bases de
correlação nas etapas de projeto.

Das necessidades acima descritas surgiram várias classificações, tendo como primeira destas
os trabalhos de Therzaghi (1946), seguidos por Rabceviski (1957), Laufer (1958), Deere (1964),
Ikeda (1970), Wickham (1972), Bieniawski (1974-1976), Barton (1974) Rocha (1976) etc., todas
essas classificações foram baseadas em compilações, ordenações e correlações de dados empíricos,
atribuindo pesos a fatores que influenciavam, em ordem de importância, na estabilidade das obras.
Desta forma apesar de uma análise destes dados deve ser muito criteriosa é inquestionável a sua
importância em maior ou menor escala, em fornecer subsídios confiáveis para estabelecer
estimativas preliminares do comportamento da escavação, assim como poder avaliar mesmo que
preliminarmente os riscos e custos da obra projetada.

O sucesso da classificação geomecânica para obras subterrâneas tem incentivado o seu uso
nos mais diversos tipos de obras (fundações, taludes etc.) Tabela 01 sistemas e objetivos.

TABELA DE OBJETIVOS DAS CLASSIFICAÇÒES


SISTEMA DE OBJETIVOS GERAIS
CLASSIFICAÇÃO
Therzaghi (1946), Sistema de suporte com cambotas, identificação das feições geológicas e
cargas atuantes (fator de carga – critério qualitativo).
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Rabceviski (1957) Sistema de suporte com cambotas, concreto projetado e moldado –
introdução do conceito de auto suporte.
Laufer (1958) Sistema de suporte com cambotas, concreto projetado e moldado, conceito
de auto suporte. Confirmando o conceito anterior.
Deere (1964) Sistema de suporte com cambotas, concreto projetado e moldado, e
ancoragens metálicas, Introdução de RQD (rock quality designation)
Ikeda (1970) Sistema de suporte com cambotas, concreto projetado e moldado, conceito
de auto suporte caracterizando o método construtivo (uso de explosivos).
Wickham (1972) Sistema de suporte com cambotas metálicas estendendo os resultados para
ancoragens e concreto projetados. RSR (rock strutural rating).
Bieniawski (1974 - Tempo de auto sustentação, parâmetros de resistência, Métodos
1976) construtivos, e sistema de contenção.
Barton (1974) Tempo de auto sustentação, parâmetros de resistência, Métodos
construtivos, e sistema de contenção e relações empíricas das cargas sobre
o suporte. Critério Q (NGI (Instituto Geológico da Noruega)).
Rocha (1976) Caracterização de cargas atuantes nos sistemas de contenção (ocasional e
sistemático) (critério de deslocamento de massas instáveis).

Critérios de classificação:

Todo sistema de classificação geomecânico incorpora critérios específicos intimamente


relacionados com o objetivo proposto (método de escavação, sistema de contenção, cargas atuantes
etc.), sendo tanto menos subjetivo, quanto maior a ênfase em parâmetros qualitativos e tanto mais
funcional quanto mais simples e diretas forem as características selecionadas para representar os
diferentes elementos condicionantes da interação escavação - maciço rochoso.

Numa concepção integrada, estas características devem abranger necessariamente os


elementos inerentes ao processo construtivo e nas características geomecânicas do meio físico local,
em função da disponibilidade das informações obtidas, evolução, porte e importância da obra.

A tabela 02 indica a classificação com os físicos e geológicos a que estão relacionados.

ÍNDICE CARACTERÍSTICO T R D I W BI BA R
1 - ROCHA
TIPO * *
ESTRUTURA * * * *
GRAU DE ALTERAÇÃO * * * *
MINERAIS EXPANSIVOS * * * *
RESISTÊNCIA A ESFORÇOS * * * *
2 – DESCONTINUIDADES
ORIENTAÇÃO *
ESPAÇAMENTO * * * * * * *
RUGOSIDADE * * * *
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ALTERAÇÃO * * *
ABERTURA * * *
PREENCHIMENTO * * * *
FAMÍLIAS * *
3 – MACIÇO ROCHOSO
RQD * * *
VELOCIDADE SÔNICA *
ÁGUA * * * * * * *
TENSÃO IN SITU * * * * * *
4 – MÉTODO CONSTRUTIVO
MÉTODO CONSTRUTIVO SIM NÃO SIM SIM NÃO SIM SIM NÃO
5 INDICE/DESCONTINUIDADE
INDICE/DESCONTINUIDAD 7/1 7/1 4/1 5/0 9/4 9/6 12/6 6/5
E
NOMENCLATURA ACIMA
T = TERZAGHI 1946 R = RABCEWISCZ 1957
D = DEERE 1970 I = IKEDA 1970
W = WILCKHAM 1974 BI = BIENIAWISKI 1976
BA = BARTON 1974 R = ROCHA 1976

Com todo o aparato acima, as limitações intrínsecas à natureza heterogênea, anisotropia e


descontinuidades dos maciços rochosos, assim como a interação escavação-suporte-maciço, é
obvio, portanto que a generalização é questionável em si mesma e a abordagem de obras
simplesmente equacionalizada com os critérios de classificação pode induzir a graves equívocos.

Poe outro lado, o pleno conhecimento das restrições e objetivos de uma dada classificação,
aliado ao bom senso crítico e experiência própria, permite a adequação dos princípios gerais a
condições específicas (predominância de determinado fator de influencia e condicionantes
reologicos), tornando consistente sua utilização em larga escala.

Verifica-se que a seleção das características consideradas mais importantes, em termos de


comportamento dos maciços rochosos, depende dos objetivos propostos e experiência de cada
autor. Com este contexto, é importante investigar as possíveis correlações entre os diferentes
sistemas, permitindo estabelecer, a partir daí uma única análise de classificação do maciço (limitada
à formulação dos mecanismos de interação suporte-maciço e sistemas de contenção mais adequados
a ser aplicado).

CLASSIFICAÇÃO DE THERZAGHI

Em 1946, K THERZAGHI sintetizou em um sistema de classificação de maciços rochosos a


sua experiência adquirida com a execução de túneis ferroviários na região dos Alpes, que utilizava
como suporte elementos construídos por cabotas metálicas interconectadas e firmemente acunhados
contra o maciço isto por blocos de madeiras, que assim serviam como células de carga.

A estimativas das cargas atuantes no contorno da escavação, que é uma função do grau de
deteriorização das condições de resistência do maciço, foram corrobadas por ensaios em modelos
reduzidos de areia, para o caso de maciços rochosos muito fraturados.
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O fato de tal comparação acima descrita deve-se ao fato de que rochas completamente
fraturadas e ou trituradas, tendem a se comportar e apresentar o fenômeno de arqueamento típico
das Arias. Com a escavação, o relaxamento da massa de rocha induz um deslocamento do material
em direção ao vazio, cuja mobilização é resistida pelo confinamento lateral entre blocos e zonas
fragmentadas e pelo atrito ao longo das fronteiras de mobilização. A rocha fragmentada comporta-
se como material granular, atua no sentido de transmitir a maior parte das pressões de sobrecarga às
massas de solo situadas lateralmente à escavação.

A partir dos ensaios em modelos, Terzaghi constatou que a largura da zona de arqueamento,
(BI) é maior que a Largura da escavação B, sendo BI=B+H na hipótese de rochas completamente
fraturadas e a espessura da zona arqueada é 1,5 ( B + H ). Uma outra constatação feita é que acima
da região mobilizada pelo vazio da escavação, as alterações do comportamento do corpo isto é as
tensões atuantes não se alteram. A partir destas constatações conclui-se que na pior das hipóteses o
sistema de contenção irá resistir a uma carga correspondente a uma altura H expressa pôr (C’*Bl)
onde C é uma constante que é função da compartimentação do maciço.

Após a execução do suporte, as tensões continuam a aumentar ao longo do tempo, a urna


velocidade decrescente, atingindo um acréscimo na tensão final HP(ult) da ordem de 15%. O
intervalo de tempo decorrido até atingir o seu valor último é uma função da qualidade do sistema de
contenção. Assim, neste caso, é imprescindíveis à construção imediata do revestimento e o
acunhamento correto do mesmo, devendo ser previsto um aumento da carga com o tempo na fase
final do projeto.

Nível do terreno

ZONA
MOBILIZADA

B+H

45 + φ/2 ONDE φ = 45
H

B = 1,5 (B+H) = HP

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A tabelas abaixo (rochas completamente fraturadas) apresenta valores de HP para as
condições limites de deformação da abóbada da escavação, obtidos em ensaios com modelos
utilizando areias secas. A pratica tem confirmado que os valeres reais são via de regra, bastante
próximos aos valores mínimos de Hp desta tabela. Isso mostra que as deformações do contorno
durante a escavação são suficientes para induzir a mobilização total do arqueamento da massa de
rocha. O fenômeno de arqueamento não é afetado pela percolação da água que pôr outro lado,
provocam acréscimo da ordem de 100% nas cargas atuantes.

A abordagem de Terzaghi englobou a avaliação do comportamento da escavação executada


em maciços rochosos desde a rocha sã e intacta até maciços de rochosos muito fraturados e
alterados. A seguir estão expostos os princípios básicos de sua classificação, identificando-se os
tipos geomecânicos dos maciços, os mecanismos de instabilidade e a natureza dos sistemas de
contenção, onde o autor classifica os maciços rochosos em nove categorias subdivididas em classes
a depender de suas características fisico-mecânicas.

Rocha completamente Hp Deformação na abobada


fraturada
Compacta Hp(min) = 0,27 (B+H) 0,01(B+H)
Hp(max) = 0,60 (B+H) >0,15(B+H)
Fofa Hp(min) = 0,47(B+H) 0,20(B+H)
Hp(Max) = 0,60(B+H) >0,15(B+H)

CLASSE I ROCHA SÃ E INTACTA


Descrição Inexistência de juntas ou fissuras, não ocorrendo ruptura por planos
preferenciais.
Mecanismo Projeção de lascas por alívio de tensões “Rock Burst” em maciços sujeitos a
de estados de intensa de formação elástica; estados de tensões in situ e inalterado
instabilidade pela escavação.
Natureza do Revestimento de proteção para controle do fenômeno, qualquer suporte capaz
revestimento de resistir a 2 t/m2 é suficiente Hp = 0.

CLASSE II ROCHA ESTRATIFICADA OU XISTOSA


Descrição Baixa resistência ao longo da interface, com maior ou menor incidência de
juntas.

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Mecanismo ESTRATIFICAÇÃO HORIZONTAL: os planos de estratificação e as juntas
de transversais definem blocos de rocha que se comportam como vigas, (Figura C
instabilidade II-A) a super-escavação depende dos espaçamentos das juntas, a ação de
explosivos e a distância entre a frente de trabalho e a zona revestida, raramente a
superescavação deve atingir uma altura igual a 0,5B (Figura CII-B). A natureza
do revestimento vai depender da grandeza da superescavação.

ESTRATIFICAÇÃO VERTICAL: a sobreescavação depende essencialmente da


distancia entre a frente de trabalho e a zona já revestida. A massa de rocha
potencialmente instável é resistida pelo atrito interno entre os planos de
estratificação (Figura ClI-C), o revestimento é dimensionado tendo em conta
esforços equivalente a urna carga de 0,25B
ESTRATIFICAÇÃO INCLINADA: os empuxos desenvolvidos dependem do
angulo β que define o mergulho dos planos e do atrito interno entre estes. O
triângulo de forças define o empuxo P para o dimensionamento do revestimento
a carga de rocha pode variar de 0,25 a 0,50B. (Figura ClI-D)
Natureza do Revestimento com função resistiva, de acordo com a orientação dos planos de
revestimento estratificação.

CLASSE III ROCHA FISSURADA


Descrição Ocorrência de juntas ou fissuras, sem comprometimento da unidade estruturai
do maciço.
Mecanismo Condições de super escavação e revestimento similar a classe II. O caráter
de aleatório e irregular das fissuras pode conduzir a amplas variações de cargas
instabilidade atuantes, possibilidades de rock burst".
Natureza do Como função resistente, de acordo com a orientação das fissuras Hp = 0 ou
revestimento Hp = 0,25B

CLASSES ROCHA MODERADAMENTE FRATURADA E MUITO FRATURADA


IV e V
Descrição Ocorrências de juntas e fissuras preenchidas ou não, formando blocos de
fragmentos de tamanhos variados, com ligação ou independentes.
Mecanismo Mecanismo similar ao fenômeno de arqueamento das areias grossas compactas
de Ruptura progressiva de domo na zona compreendida entre a frente de trabalho e
instabilidade o revestimento executado. O tempo de auto sustentação dos domos (stand up
time) depende da geometria, dimensão do bloco, natureza das juntas e da
distância da frente de trabalho e a zona já revestida.
Natureza do Revestimento como função resistente, para impedir o progresso de ruptura
revestimento progressiva dos domos de rocha de rocha instável. Pressão lateral pequena ou,
inexistente. Desconsiderar a cimentação do material de preenchimento, das
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juntas e admitir a presença de água (condição crítica).
Moderadamente fraturada Hp inicial = O Hp final entre 0,25 a 0,35 (B+H).
Multo fraturada Hp inicial = 0 a 0,6(B+H) Hp final entre 0,35 a 1, 1 (B+H).

CLASSE VI ROCHA COMPLETAMENTE FRATURADA


Descrição Característica de material granular, fragmentos generalizados isentos de
processos de decomposição química.
Mecanismo Relaxamento da massa rochosa no entorno da escavação desenvolvendo-se o
de fenômeno de arqueamento típico de materiais granulares. Pressões laterais
instabilidade consideráveis, estimada em Ph = 0,3 γ ( 0,5 H + HP), sendo γ o peso específico
da rocha triturada.

Natureza do Revestimento corno função resistente de caráter imediato à escavação e


revestimento contando com acunhamentos adequados. Considerar acréscimos de carga ocorre
num tempo da ordem de 15% e em caso de percolação d'água da ordem de
100% HP = 1, 1 (B+H).

CLASSE ROCHA ALTERADA COM ARGILAS


VII, VIII,
VIX
Descrição Rochas submetidas a. processos totais ou parciais de decomposição química, até
atingir a qualidades de materiais argilosos com ou sem características de
expansibilidade.
Mecanismo Fenômeno de arquearnento associado a outros fenômenos típicos de rnateriais
de argilosos como degradação progressiva, acréscimos significativos do
instabilidade carregamento com o tempo, aumento de unidade e expansibilidade do material e
perda progressiva da resistência intimamente associadas à natureza dos argilo-
minerais presentes, efeito de profundidade da escavação e permeabilidade das
argilas.
Natureza do Revestimento como função resistente, pressões elevadas ao longo do contorno
revestimento da escavação. A utilização de cambotas circulares é recomendável no caso de
rochas não expansiva é imperiosa. No caso de rochas expansivas, ao contrário
de todos os outros casos analisados, é imprescindível garantir uma folga
conveniente entre o revestimento e o maciço, ou seja, o acunhamento deve ser
exercitado no sentido de permitir o alivio das tensões devido a expansão da
rocha alterada.
Rochas expansivas são aquelas que apresentam um acréscimo de volume
superior a 2% pela imersão em água de amostras da rocha sã.
Rocha não expansiva a moderada profundidade Hp entre 1, 1 a 2,1 (B+H)
Rocha não expansivas a profundidades elevadas HP entre 2,1 a 4,5(B+H)
Rocha expansivas Hp até 75m (independe de (B+H).

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OBS:

A classificação de Terzaghi incorpora critérios muito genérico e qualificativo, sem escala de valores
para os parâmetros relativos a qualidade do maciço. Entretanto a aplicação dos seus princípios é
prática generalizada, embora se confrontando sistematicamente com as limitações intrínsecas de
uma abordagem subjetiva. .

Figura C II-A

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0,5 B

Figura CII-B

0,25B

Figura ClI-C

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0,25B

P = (W-u cos β)tg(β-θ) + usenβ

P β

B
θ

Q W Figura ClI-D

Classificação de Rabcewiski. (1957) e Lauffer (1958)

Lauff'er (1958) buscou correlacionar o período de estabilidade ou tempo de auto sustentação


"Stand-up time", período de tempo decorrido entre a abertura da escavação e os primeiros sinais de
instabilidade perceptíveis da abobado, e o comprimento do vão não revestido (dimensão
característica da escavação ou a distância do revestimento executado à frente de trabalho,
tornando-se a condição mais crítica), com a qualidade do maciço, subdividindo em classe A (classe
1 de Terzaghi) a G (classes VI, VII, VIII e IX de Terzaghi). A correlação proposta pôr Lauffer
encontra-se representada na Figura abaixo.

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V
Ã
O
COLAPSO IMEDIATO
N
Ã
O
ESCORAR
R
A
E B
V
E C
S
D
T AUTO SUSTENTÁVEL
E
I
D F
O
G

1min 10min 1 hora 1 dia 1 sem 1 mês 1 ano 10 anos 100 anos

TEMPO

Classificação de Deere et al., 1970

Uma contribuição de grande impacto e que tentou quantificar a qualidade dos maciços
rochosos, foi dada pôr Deere em 1964, isso através da proposta de um índice capaz de quantificar o
padrão geomecânico do maciço,, obtido diretamente a partir da análise de testemunhos de
sondagens convencionais. Este índice denominado RQD "rock quality designation" corresponde a
uma variante do conceito clássico de recuperação, específico para as proporções de testemunhos
maiores que 2 diâmetros, o que para trechos de sondagens (diâmetro NX ) equivale a 10cm. As
diferentes classes de maciços incorporam faixas específicas de valores de RQD, permitindo
correlações com a proposta de Terzaghi e proposições relativas ao sistema de contenção.

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Espaçamento das fraturas

2 5 10 15 20 50

RQD

2 10 25 50 75 90 95 98

Classe de Terzaghi

IX VIII VII VI V IV III II I

Recornendações de Deere para Túneis

RQD Método Sistema de contenção


Construt. Cambotas ancoragem concreto
Metálicas projetado
RQD > 90 1 Utilização ocasional Utilização Aplicação local ou ausente
EXCELENTE Hp 0 a 0,2 B ocasional ou
ausente
2 Utilização ocasional Utilização Aplicação local (5 a 7,5 cm
local Hp 0 a 0,3 ocasional ou de espessura ou não.
ausente
75 <RQD<90 1 Utilização ocasional Utilização Aplicação local (5 a 7,5cm
Bom (1,5 a 1,8m) Hp 0 a ocasional espaço de espessura)ou não.
0,4B entre 1,5 a 1,8m
2 Elementos leves Elementos Aplicação ocasional local
(1,5 a 1,8m) Hp 0,3 espaçamentos entre (5 a 7,5cm de espessura)
a 0,6B 1,5 a 1,8m
50<RQD<75 1 Elementos leves a Elementos Aplicação na abobada (5 a
Médio medios (1,5 a 1,8m) espaçamentos 10cm)
Hp 0,4 a 1,0 B regulares de 1,2 a
1,8m
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2 Elementos leves a Elementos Aplicação na abobada (>
médios 1,2 a 1,5m espaçamentos 10cm)
Hp 0,6 a 1.3 B regulares de 0,9 a
1,5m
25<RQD<50 1 Elementos Elementos Aplicação na abobada e
Ruim circulares médios a espaçamentos lados 10 a 15 cm,
pesados (0,9 a regulares de 0,9 a associados a tirantes
1,2m) Hp 1,0 a 1,6 1,5m
B
2 Elementos Elementos Aplicação na abobada e
circulares médios a espaçamentos lados >15 cm, associados a
pesados (0,6 a regulares de 0,6 a tirantes
1,2m) Hp 1,3 a 1,0 1,2m
B
RQD < 25 1 Elementos Elementos Seção plena > 15cm
Muito ruim circulares médios a espaçamentos associado a cambotas
pesados (0,6m) Hp regulares de 0,6 a pesadas.
1,6 a 2,2 B 1,2m
2 Elementos Elementos Seção plena > 15cm
circulares médios a espaçamentos associado a cambotas
pesados (0,6m) Hp regulares de 0,5 a pesadas.
1,6 a 2,2 B 0,9m
Rocha alterada 1 Elementos Elementos Seção plena > 15cm
mat esmagado circulares extras espaçamentos associada a cambotas muito
ou expansivo 2 pesados (0,6 a regulares de 0,5 a pesadas.
1,2m) Hp até 75m 0,6m

OBS: 1 escavação mecânica B largura da escavação até 12m


2 escavação convencional Hp fator de carga therzaghi

Cording, Hendron e Deere (1972), estabeleceram correlações do RQD com parâmetros Hp


modificado de Terzaghi, constatando boa concordância no caso de revestimento utilizando
cambotas metálicas. No caso de tirantes, tais correlações são muito afetadas pela mobilização da
resistência do maciço e pela maior eficiência do método construtivo.

A não dependência do carregamento com as dimensões da escavação, no caso de contensão


do maciço por ancoragem, é enfatizada a partir de dados coligados pelos autores, e sistematizados
na figura abaixo. Estes resultados reafirmam as limitações da aplicabilidade do mecanismo de
carregamento rochoso proposto por Terzaghi às condições especificas de sua abordagem,

Merritt (1972) salientou as dificuldades de adoção do RQD corno elemento de avaliação do


comportamento geomecânico de um maciço rochoso, em função da influência do material de
preenchimento de suas descontinuidades, embora tenha proposto correlações deste parâmetro com
escolha do sistema de contenção.

Breakk e Hoard (1972) investigaram detalhadamente esta questão, abordando diferentes


tipos de preenchimento das juntas e a influencia direta das mesmas sobre o comportamento da
escavação, enfatizando a correspondência de tais efeitos mesmo a grandes profundidades e
correlacionando ainda uma série de outros fatores relevantes na análise do problema. Vide tabela a
seguir.

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Muito Ruim Médio Bom a


C ruim excelente
a
r
g
a
Cambotas metálicas
d
e

r
o
c
h
a Tirantes

RQD %

Correlação entre RQD e Hp (Deere 1972)

Pressão na abobada kgf/cm2 N = 0,3

P(teto) = n B γ N = 0,2

N = 0,1

10 20 30
Dimensão da
escavação(m)

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100
Escavação sem revestimento com ancoragem local
75

Ancoragem 1,2 a 1,8m R


50 Q
50 D

25
Cambotas metálicas

10 20 30 40 50 60 ft

Largura da escavação

Merritt 1972

Material Mecanismo potencial de coportamento


predominante Na frente de Com o decorrer do tempo
nas juntas escavação
Argila Expansibilidade e “pressão por mecanismo de empolamento
expansiva desagregação, “swelling”e prensagem “squeeze”sobre o suporte,
pressão sobre a esmagamento e arraste do material de
couraça “shield preenchimento.
Argila não Afrouxamento e Pressões de prensagem ou esmagamento sobre o
expansiva desagregação revestimento, afrouxamento e desagregação devido
causados por as variações ambientais.
mecanismo de
prensagem
Clorita, grafita, Desagregação de Possibilidades de cargas elevadas particularmente
talco pequenos fragmentos. em presença de água.
serpentinito
Fragmentos de Carreamento de Cargas pequenas sobre o revestimento,
rocha. material, período de possibilidades de carreamento de material quando
estabilidade muito não confinado.
curto
Calcita porosa Condição favorável Possibilidade de dissolução com comprometimento
ou gipsita da estabilidade do maciço.
lamelar

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Wickham, Tiedemam e wilcker (1972) consideraram alguns destes fatores para avaliar os
maciços rochosos através de um parâmetro denominado RSR (rock structure rating), por meio do
qual estabeleceram correlações para a escolha do suporte utilizando cambotas metálicas. Não é
recomendável a extrapolação dessas correlações para sistemas de contenção com ancoragem e
concreto projetado, embora prevista para a classificação. Procedimento análogo foi adotado por
Rocha (1976) para avaliação da qualidade dos maciços rochosos por meio de um parâmetro
característico (MR).

Os estudos acima evidenciaram a necessidade de uma metodologia de classificação


geomecânica para projetos de engenharia e mineração envolver uma etapa preliminar de
características geológica-geotécnica do maciço capaz de identificar suas condições de
heterogeneidade, anisotropia e descontinuidades mediante a qualificação de parâmetros
representativos de suas funções mais relevantes. Essas características potencialmente influenciam
sobre o comportamento do maciço, em face das solicitações oriundas da execução da escavação
estão sumarizadas na tabela a seguir.

PARÂMETRO NIVEL DE CARACTERIZAÇAO


Litologia ou Caracterização de feições geológicas típicas e/ou comportamento geotécnico
padrão estrutural específico.
Padrão Caracterização da çompartimentação do maciço, mediante o levantamento da
de natureza, orientação, freqüência, persistência, espaçamento, abertura,
descontinuidades rugosidade e alteração das paredes, natureza do material de preenchimento
(particularmente a expansibilidade)
Estado inicial das Caracterização da influência das pressões confinantes e litostáticas sobre as
tensões. características de resistência e compressibilidade de, maciço. anisotropia.
Grau de Caracterização do processo de alterabilidade do maciço pela ação de
alteração mecanismos fisico~químicos, com base ria variação de suas característica, de
permeabilidade, resistência e compressibilidade.
Ação da água Influência da ação da água na matriz rochosa e no material de preenchimento,
incluindo posição do lençol freático, estimativas de possibilidades, zonas de
preferência de percolação e grandeza das pressões neutras desenvolvidas.

A análise paramétrica do comportamento do maciço rochoso, envolve a abordagem de


inúmeros outros fatores, tais como; natureza, geometria e dimensão da escavação, natureza do
método construtivo, natureza e metodologia de execução do revestimento, orientação relativa da
escavação face ao sistema de descontinuidades do maciço, tempo decorrido após a escavação etc.

As tentativas de racionalização dos inúmeros parâmetros condicionantes do comportamento


do maciço face a natureza da obra em implantação (túneis, barragens, rninerações etc.) conduziram
a sistemas de classificação bem mais elaborados, mediante a setorização dos maciços em classes
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através do ordenamento hierárquico de suas características mais significativas, incorporando uma
rnetodologia de cunho geral e capaz de inferir determinados desempenhos e interação
suporte/maciço.

Classificação de Bieniawski.

O sistema de classificação, proposto pôr Bienlawski de 1984 tendo sua proposta inicial em
1974, incorpora os princípios de relevância dos fatores envolvidos considerando os seguintes
parâmetros:

1- Resistência a compressão simples (índice de compressão puntiforme).


2 –RQD
3 - Espaçamento entre descontinuidades.
4 - Padrão das descontinuidades
5 - Ação da água subterrânea.
6 - Orientação relativa das descontinuidades/escavação.

Considerações a respeito dos parâmetros utilizados (Interpretação do autor)

RESISTÊNCIA A COMPRESSÃO, SIMPLES: apesar de considerar o maciço fraturado conforme


o parâmetro 2 (RQD), este valor é bastante significativo haja vista, ser um indicativo de
rompimento de blocos e ruptura de relevo das rugosidades quando estas não permitem dilatância. O
autor acha a partir deste fato que urna análise de resistência a ruptura por cisalhamento teria mais
significado exceto no que se refere a interferência na convergência das paredes laterais dos túneis.

RQD: Este é um parâmetro de alta importância na, classificação de maciços rochosos, apesar de ser
uma grandeza linear não deve ser desprezado, o autor sugere que o RQD deva ser tornado e
interpretado tridimensionalmente dando uma maior qualidade ao parâmetro.

Espaçamento das descontinuidades: este parâmetro indiretamente identifica a qualidade dos blocos
fraturados e sendo assim quantifica a fragilidade do corpo sofrer rompimento.

Padrão das descontinuidades: neste Bieniawski procurou reunir, as características de abertura,


persistência, rugosidade, alteração das paredes e condições do material de preenchimento, com a
reunião de todos estes elementos, Bieniawiski procura identificar as possibilidades da ação de
dilatância e fragilidade das juntas frente às escavações.

Ação das águas subterrâneas: assim como na mecânica dos solos, a ação da água é um fator de peso
na degradação da resistência ao deslizamento de superfícies, isso graças não só a sua ação
lubrificante como ainda pela ação da pressão neutra que age entre as superfícies adjacentes.

Orientação relativa descontinuidades/escavação: a orientação das descontinuidades em relação a


escavação é considerada corno um ajuste e analisado em separado, em relação a natureza da obra,
sendo considerada como condição favorável aquela em que o deslocamento da escavação é
coincidente com o mergulho da descontinuidade e desfavorável o inverso.

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CLASSIFICAÇÃO DE MACIÇOS ROCHOSSO
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Orientação relativa descontinuidade/escavação

favorável
desfavorável

O grau de alteração, parâmetro introduzido nas primeiras propostas, foi suprimido, como
índice básico, uma vez que este já se encontra embutido nos índices de resistência da rocha intacta.

A partir da atribuição relativa de pesos em função dos níveis de variação dos parâmetros
analisados procedem-se a classificação do maciço pelo somatório dos pontos obtidos, o
denominado "Rock Mass Rating (RMR)", o qual permite inferir valores de referência para os
parâmetros de resistência do maciço e para o tempo de autosustentação, bem como estabelecer
correlações com outras grandezas corno módulo de deformabilidade e vão livre (distância sem
suporte).

Adicionalmente Bieniawski recomenda possíveis alternativas para adoção do sistema de


suporte de acordo com a classificação do maciço rochoso, considerando a seção tipo com o
formato em ferradura largura de 10m, escavada com utilização de explosivos e sob um estado de
tensão vertical inferior a 25Mpa.

Parâmetro Valores índices – POSITIVOS


1 Resist. Puntforme >10 4-10 2-1 1-2 <1 não
da recomendável
rocha Compressão >250 100-250 50-100 25-50 5- 1- <1
intacta Simples 25 5
Pesos 15 12 7 4 2 1 0
2 RQD 90-100 75-90 50-75 25-50 <25
Pesos 20 17 13 8 3
3 Espaçamento >2 0,6-2 0,2-0,6 0,06-0,2 <0,06
Pesos 20 15 10 8 3
4 descontinuidade Superf. Superf. Superf. Superf. Superf. com
muito pouco pouco estriada preenchida
rugosa rugosa rugosa preenchida com argila
sem leve muito <5mm ou <5mm ou
alteração alteração alterada abertura abertura
preenchi abertura abertura entre 1 e >5mm
mento <1mm >1mm 5mm
Pesos 30 35 20 10 0
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5 Água Vazão de Nula >10 l/min 10- 25=125l/min >125l/min
água/ l0m 25l/min
de túnel
u/σ* Nula 0.0-0,1 0,1-0,2 0,2-0,5 >0,5
Condição Seco Úmido úmido gotejando Fluxo alto
do maciço
Pesos 15 10 7 4 0
* relação tensão neutra na descontinuidade e a tensão principal natural maior

Direção da descontinuidade com relação ao eixo da escavação ( negativos)


Dir. Perpendicular Paralela Qualquer
Merg. Mergulho favorável Mergulho desfavorável Mergulho Mergulho
Α 45-90 20-45 45-90 20-45 45-90 20-45 0-20
Cond Não favorável moderado não muito Moderado desfavorável
. reajusta favorável desfavorável
Pesos Túneis -2 -5 -10 -12 -5 -10
neg. Fund. -2 -7 -15 -25 -7 -15
taludes -5 -25 -50 -60 -25 -50

Valores do RMR ( rock mass rating)


Somatório dos pesos (RMR) 81-100 61-80 41-60 21-40 <20
Classe de maciço I II III IV V
Condição geral Muito bom bom regular Ruim Muito ruim

Índices do maciço rochoso


Classe de maciço I II III IV V
Coesão (KPa) >400 300-400 200-300 100-200 <100
Atrito interno φ <45 35-45 25-35 15-25 <15
Tempo médio de 10 anos 6 meses 1 semana 10 horas 30 minutos
autosustentação para 15m para 8m para 5m para 2,5m para 1m

A partir do RMR calculado pôr Bieniawski pode-se entrar no gráfico de correlação abaixo e
obter-se o tempo de autosustentação da escavação.

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20

COLAPSO IMEDIATO
15
SUPORTE EXIGIDO
80
10 60

V 40
à 6
O
20
2
SUPORTE NÃO EXIGIDO
1

0,1 1 10 100 1000 10000


100000
TEMPO DE AUTOSUSTENTAÇÃO EM HORAS

Bieniawski sugere ainda para um sistema de contenção por ancoragem, o seu


dimensionamento, envolvendo comprimentos, espaçamentos dos tirantes e elementos geométricos
da escavação. Para maciços muito fraturados e grandes vãos, recomenda-se a superposição de dois
estágios de atirantamentos, visando a estabilidade global da rocha nas vizinhanças da escavação
numa outra fase (ancoragens longas) Vide tabela a seguir.

RECOMENDAÇÕES DO SISTEMA DE CONTENÇÃO


Classe do Método construtivo Sistema de contenção
maciço Tirantes 20mm Concreto Cambotas
projetado metálicas
RMR I Escavação em seção plena Utilização Conc. projetado Localizada
91-100 avanço 3m eventual de ancoragem
RMR II Escavação seção plena ; Ancoragem Uso eventual na Não utilizada
61-90 avanço 1 a 1,5, 20m entre o localizada 3m abobada 50mm de
suporte e a frente de comprimento espessura
espaçamento
2,5m eventual
malha de
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contenção
RMR III Escavação parcial; 1,5 a 3m Ancoragem 50 a 100mm na Não utilizada
41-60 de avanço, instalação de sistemática nas abobada 30mm ao
suporte após cada fogo, paredes e longo das paredes
10m entre a frente e o abobada
suporte
RMR IV Escavação parcial 1 a 1,5m Ancoragem 100 a 250mm de Utilizada
21-40 avanço, instalação do sistemática nas espessura na ocasionalmente
suporte concumitantemente paredes e abobada e 100mm elementos leves
com a escavação, 10m entre abobada ao longo das espaçamento
a frente e o suporte. paredes 1,5m
RMR V Escavação em seção Ancoragem 150 a 200mm de Utilizar
<20 múltipla 0,5 a 1,5m de sistemática nas espessura na elementos
avanço, instalação de paredes e abobada e 150mm médios a pesados
suporte concumitantemente abobada ao longo das espaçados 0,75m
com a escavação, concreto paredes e 50mm revestimento na
projetado logo após a na frente de soleira
abertura. escavação

COMPRIMENTOS DOS TIRANTES


ANCORAGEM PARA PAREDES LATERAIS ANCORAGEM DE TETO
L > H/5 L > 2S
L>3M
L/2 L > B/2 (B>6M)
Para L > 3 a 5M (6<B<18M)
0,9 <S<1,5A L> B/4 (18<B<30M)
2m
L........................................COMPRIMENTO DOS TIRANTES
S........................................ESPAÇAMENTO ENTRE TIRANTES
A.......................................BLOCO POTENCIALMENTE INSTÁVEL
B.......................................COMPRIMENTO DO VÃO
H.......................................ALTURA DA ESCAVAÇÃO

Classificação.de Barton, Lien el Lunde:

A partir de um grande número de dados, Barton (1974), e pesquisadores do NGI


(Norwegian Geotechinical Institute), propuseram um novo parâmetro "Q" para 'ficar os maciços
rochosos, este último como sendo o produto de funções (condições de fraturas, condições de
superfícies e por último condições de tensões).

Sendo RQD - o índice geornecânico de Deere, e Jn o númeo de famílias de fraturas


(descontinuidades) tem-se (RQD./Jn) as condições de fraturas.
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Chamando Jr de índice de rugosidade e Ja a alteração nas paredes tem-se (Jr/Já) as


condições das superfícies das fraturas.

E por último chamando de Jw o índice de fluência da água e SRF (stress Reduction Factor)
o estado de tensão do maciço tem-se (Jw/SRF) as condições de tensão no maciço rochoso.

Destes fatores tem --se que: Q = RQD/Jn * Jr/Ja * (Jw/SRF) um índice de qualidade do corpo.

Fisicamente, os termos entre parênteses da expressão de "Q" podem ser interpretados como
parâmetros quantitativos dos efeitos isolados das dimensões dos blocos, da resistência ao
cisalhamento ao longo das, superfícies das juntas e das tensões atuantes "'in sítu" respectivamente.

Convém salientar a não inclusão da orientação relativa das descontinuidades em face da


escavação, embora seus efeitos estejam refletidos na avaliação deste índice.

Dois aspectos devem ser destacados na classificação de Barton, quais sejam: a influência
(das dimensões da cavidade e sua finalidade na escolha do tipo de suporte. A última reflete a
diferença no coeficiente de segurança adotado por projetístas em função da responsabilidade
exígida em diferentes situações).

A partir dos parâmetros analisados nas tabelas específicas expostas a seguir é possível a
obtenção de Q.

A PADRÃO GEOMECÂNICO Valores de RQD %


A muito ruim 10 – 25
B ruim 25 – 50
C regular 50 -75
D bom 75 – 90
E excelente 90 - 100
PARA RQD < 10 ADOTAR RQD = 10

B CONDIÇÕES DE COMPARTIMENTAÇÃO DO MACIÇO Valores de Jn


A fraturas esparsas ou ausentes 0,5 – 1,0
B uma família de fratura 2
C uma família de fratura + fraturas esparsas 3
D duas famílias de fraturas 4
E duas famílias de fraturas + fraturas esparsas 6
F três famílias de fraturas 9
G três famílias de fraturas + fraturas esparsas 12
H muito fraturado, quatro ou mais famílias de fraturas. 15
I rocha completamente fraturada (triturada) 20
Para intercessões usar Jn = 3Jn e para emboque usar Jn = 2 Jn
O autor Considera intercessão e emboque o comprimento 3 vezes maior das dimensões

C CONDIÇÕES DE RUGOSIDADE Valores de Jr


FRATURAS CONTATO ROCHA-ROCHA, SEM DESLOCAMENTO RELATIVO < 10cm
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A fraturas não persistentes 4,0
B fraturas rugosas ou irregulares, onduladas 3,0
C fraturas lisas, onduladas 2,0
D fraturas polidas onduladas 1,5
E fraturas rugosas irregulares planas 1,5
F fraturas lisas planas 1,0
G fraturas polidas ou estriadas planas 0,5
FRATURAS SEM CONTATO ROCHA-ROCHA, COM DESLOCAMENTO RELATIVO
H fraturas preenchidas com material argiloso 1,0
I fraturas preenchidas com material granular 1,0
ACRESCENTAR 1,0 AO VALOR DE Jr QUANDO O ESPAÇAMENTO MÉDIO ENTRE
FRATURAS FOR SUPERIOR A 3m.

D CONDIÇÕES DE ALTERAÇÃO NAS PAREDES Valores de Ja Φr


FRATURAS CONTATO ROCHA-ROCHA, SEM DESLOCAMENTO RELATIVO
A paredes resistentes, compactas, com preenchimento impermeável 0,75 ------
B paredes sem alteração, pigmentação superficial insipiente 1,00 25-35
C paredes levemente alterada, película material arenoso ou micáceo 2,00 25-30
D paredes com película material silto arenoso pequena fração argila 3,00 20-25
E paredes com película de material mole (mica, clorita,talco etc) 4,00 8–16
FRATURAS CONTATO ROCHA-ROCHA, COM DESLOCAMENTO RELATIVO
F paredes com película arenosa, fragmentos de rocha 4,00 25-30
G paredes com preenchimento contínuo espessura < 5mm, preenchido 6,00 16-24
com argila fortemente sobre-adensada
H paredes com preenchimento contínuo espessura < 5mm, 8,00 12-16
preenchimento argila adensada.
I paredes com preenchimento argila expansiva com ação de água 8,00-12,00 6–12
FRATURAS SEM CONTATO ROCHA-ROCHA, COM DESLOCAMENTO RELATIVO
J zona com preenchimento de fragmentos de rocha e argila 6,00-8,00
K caracterizada condição das argilas 8,00-12,00
L zona com material arenoso ou silte-argiloso, pequena fração de argila 5,00 6-24
M zona contínua preenchida com argila. 10,00-13,00
N caracterizada condição das argilas 13,00-20,00
Φr ângulo de atrito residual (indicativo das propriedades mineralógicas dos produtos alterados.

E CONDIÇÃO DE ÁGUA Valores de Jw U (kgf/cm2)


A escavação a seco < 5l/min 1,00 <1,0
B afluência média de água carrega preenchimento 0,66 1,0-2,5
C afluência elevada de água em rochas competentes de fraturas 0,50 2,5-10,0
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não preenchidas
D afluência elevadas de água carreamento significativo do 0,33 2,5-10,0
preenchimento
E afluência excepcionalmete elevadas de água jatos sobre 0,1-0,2 >10
pressão, decaindo com o tempo
F afluência excepcionalmete elevadas de água jatos sobre 0,05-0,1 >10
pressão, sem decaimento com o tempo
Valores de U (tensão neutra)
Reduzir valores de Jw no caso de instalar dispositivos de drenagem (C a F)

F1 Condição de tensão no maciço (zonas de baixa resistência) Valores de SRF


A ocorrência múltipla contendo material argiloso ou rocha quimicamente 10,0
decomposta (qualquer profundidade)
B ocorrência específica contendo material argiloso ou rocha quimicamente 5,0
decomposta (profundidade de até 50m)
C ocorrência específica contendo material argiloso ou rocha quimicamente 2,5
decomposta (profundidade > 50m)
D ocorrência múltipla de zona de cisalhamento em rocha competente, isenta 7,5
de argila (qualquer profundidade)
E ocorrência específica zona de material cisalhada em rocha competente 5,0
isenta de argila (profundidade de até 50m)
F ocorrência específica zona de material cisalhada em rocha competente 2,5
isenta de argila (profundidade > 50m)
G ocorrência de juntas abertas e intenso fraturamento do maciço 5,0
No caso da ocorrência de zona de baixa resistência relevante, mas não interceptado pela
escavação, recomenda-se a redução dos valores de SRF de 25 a 50%.
Condição de tensão no maciço (Rocha incompetente)
H Tensões moderadas 5,0-10,0
I Tensões elevadas 10,0 -20,0
OBS : Rocha incompetente (comportamento plástico as deformações)

F2 Condição de tensão no maciço (Rocha competente comportamento rijo)


σ1,3 tensões principais σc / σ1 σt / σ 1 Valores de SRF
σc,t tensões compressão e tração
J Tensões baixas >20 >13 >2,5
K Tensões moderadas 10-200 0,66-13 1,0
L Tensões elevadas (problemas de estabilidade de 5-10 0,33-0,66 0,5-2,0
paredes)
M condições moderadas de rock burst 2,5-5 0,16-0,33 5-10
N condições intensa de rock burst <2,5 <0,16 10-20
OBSERVACOES
1 – No Caso de tensões superficiais adotar SRF =5 quando a profundidade da abobada for
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menor que a dimensão característica da escavação (largura do vão).
2 – Para maciços muito anisotrópicos, introduzir correções em σt de acordo com os seguintes
critérios.
A – se σ1 /σ3 < 10 reduzir σc para 0,8 σc e σt para 0,8 σt
B - se σ1 /σ3 > 10 reduzir σc para 0,6 σc e σt para 0,6 σt
Condição de tensão no maciço (Rocha expansiva)
O – Tensões moderadas 5-10
P – Tensões elevadas 10-20

Observações adicionais:

1 – O índice RQD pode ser estimado indiretamente a partir do numero total de fraturas por
unidade de volume (Jv), através da seguinte expressão:

RQD = 115 - 3,3 Jv ( considerar RQD = 100 para valores de Jv <4,5)

2 – Na aferição dos valores de Jn, feições geológicas relevantes como acamamentos.


xistosidade, foliação etc, devem ser consideradas como uma família de fraturas, adicional, desde
que apresentem uma contribuição sistemática. Em caso contrario, recomenda-se considerá-las sob a
designação genérica “fraturas esparsas”.

3 – O termo (Jr/Ja), representativo das características de resistência ao cisalhamento do


maciço analisado, deve incorporar um valor que represente efetiva e potencialmente a condição
mais critica de instabilidade. Essa relação não deve ter necessariamente o valor mínimo possível
(valor extremo do comportamento das zonas de menor resistência), uma vez que a orientação
relativa das mesmas a escavação pode ser mais favorável que outras não criticas em termos de
resistência. Assim, o critério a ser adotado e tomar (Jr/Ja) critico e não mínimo.

4 – As características de resistência da rocha intacta assumem significado relevante, no caso


de maciços pouco fraturados, isentos de material argiloso de preenchimento. Nesta hipótese, as
condições de estabilidade vão depender fundamentalmente do comportamento tensão-deformação
da rocha e os efeitos de anisotropia são fracamente desfavoráveis.

5 – As estimativas dos valores de resistência a compressão e tração da rocha intacta devem


ser obtidos para condições de saturação (se assim ocorrer no meio). Por outro lado, estas
estimativas devem ser bastante conservativas para rochas que experimentam deterioração acentuada
em presença de água.

CLASSIFICACAO DE MACICOS EM FUNCAO DE Q (BARTON 1974)


PADRAO GEOMECANICO DO MACICO VALORES DE Q
Pessimo (extremamente ruim) <0,01
Extremamente ruim 0,01 - 0,10
Muito ruim 0,10- 1,00
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Ruim 1,00 – 4,00
Regular 4,00 – 10,00
Bom 10,00 – 40,00
Muito bom 40,00 – 100,00
Ótimo 100,00 – 400,00
Excelente (extremamente bom) > 400,00

Com o objetivo de relacionar o parâmetro Q como sistema de contenção a ser adotado,


Barton definiu um parâmetro adicional, denominado dimensão equivalente ou virtual expressa por:

De = L/ESR

L e a dimensão característica do túnel (maior das dimensões).

ESR é o índice de suporte da escavação (Excavation Support Ratio) correspondendo a uma


medida dos riscos de uma eventual ruptura do maciço rochoso em função da natureza da obra em
implantação. Estes valores são definidos na tabela a seguir:

Valores índices de suporte (Barton 1976)


Natureza da escavação Valores de ESR
A – galerias provisórias 3,0 – 5,0
B – galerias permanentes de minas, túneis de adução (exceto dutos forcados) 1,6
túneis piloto, câmaras e galerias para escavação de grande porte etc.
C – escavação de estocagem, estação de tratamento de águas, túneis 1,3
rodoviários e ferroviários, (obras correntes e túneis de acesso).
D – escavações para casa de forca, túneis rodoviários e ferroviários (obras 1,0
especiais), obras de defesa, emboques e intercessões de túneis.
E – escavações para centrais nucleares, túneis metroviários, instalações para 0,8
desenvolvimento de atividades humanas.
O valor de ESR e aproximadamente i inverso do coeficiente de segurança adotado em projetos
de estabilidade de taludes em maciços rochosos.

Conhecidos o valor de Q e ESR, pode-se estimar o comprimento máximo do vão sem necessidade
de suporte o que e dado por:

Lmax = 2 ESR Q0,4


No caso de suporte provisório, recomenda-se tomar Q = 5 Q ou reduzir o valor da
dimensão equivalente de um fato igual a 2/3, adotando-se procedimentos análogos ao caso de
revestimentos permanentes. A metodologia proposta permite ainda a determinação das cargas
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atuantes através de relações empíricas indicadas na tabela abaixo. Para Q > 100, a escavação e
considerada autoportante, exigindo apenas ancoragens localizadas para estabilização de eventuais
blocos soltos.

Relações para cargas atuantes em suportes permanentes (Barton 1976)


Estrutura considerada Cargas kgf/cm2
Teto (Jr>3) 2Q-1/3 /Jr
Teto (Jr<3) 2Q-1/3 /3Jr
Paredes altas 2Q-1/3 /3JrJn1/2 para Q>10 tomar Q = 5Q
Valores de Q Q>10 tomar Q = 5Q
0,1<Q<10 Q = 2,5Q
Q< 0,1 Q=Q

Comprimento das ancoragens em metros, usadas em suporte permanente


Tirantes teto 2+0,15B/ESR
Chumbador teto 0,40 B/ESR
Tirante paredes 2+0,15H/ESR
Chumbador paredes 0,35 H/ESR
H e B dimensões em metros

Na proposta de Barton são caracterizados 38 tipos diferentes de suporte, identificados


através de um ábaco em função dos parâmetros Q e De. Estas recomendações estão sistematizadas
na tabela a seguir, adaptada na compilação estabelecida por Hoek e Brow (1980), em que
introduziram observações adicionais as originais apresentadas.

A tabela a seguir é subdividida nos quadros I, II, III. A partir dos valores dos parâmetros Q,
De, RQD/Jn, e Jr/Ja, onde se obtém padrões alfanuméricos no quadro I, que indicam os sistemas de
suporte indicados pelos autores, que são devidamente caracterizados no quadro II. Além da
indicação geral do sistema de suporte, observações adicionais ao quadro I e sistematizadas no
quadro III, onde em III.1 são feitas as complementações referentes as observações numéricas. Já no
quadro III.2 destinam-se as observações alfa numéricas.

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1 Sistema de contenção (Barton)


Q De RQD/Jn Jr/Ja Suporte Observações
P(MPa)
>400 20 - 100 A 1,a
<0,001
100 – 400 12 – 88 A 1,a
0,005
8,5 – 19 >20 A
8,5 – 19 <20 B5 1,a
40 – 100 14 – 30 >30 B4
0,025 14 - 30 <30 B3 – D
23 – 72 >30 C6 b
23 – 72 <30 C4 – D
5 – 14 >10 >1,5 A – B3 2
5 – 14 <10 >1,5 B3 2
5 – 14 <10 <1,5 B3,- E1 2
15 – 23 >10 C5 – D 2–3–b
10 – 40 15 – 23 <10 C5 – F1 2–3–b
0,050 9 – 15 B3 – D 2–4–b
15 – 40 >10 C5 – D 2–3–5–b
15 – 40 <10 C4 – F1d 2–3–5–c
30 – 65 >15 C5 – D 2 – 6 – 7 – 13 – b
30 – 65 >15 C5 - F1d 2 – 6 – 7 – 13 - b
4 – 10 3,5 - 9 >30 A 2–a
0 ,100 3,5 – 9 >10 e <30 B2 2
6–9 <10 B2 – E1 2
7 – 10 <5 B2 – E1 2
7 – 10 >5 B2 – D 2–a
10 – 15 <5 C3 – E1 2–4
10 – 15 <5 C3 – D 2–4–a
12 – 20 C4 – F1d 2–3–c
20 – 29 C4 – F2a 2–3–5–c
24 – 35 C4 – F2b 2 – 3 – 5 – 13 – c
35 – 52 C4 – F2f 2 – 6 - 7 – 13 – c
2,1 – 6,5 <12,5 <0,75 E1 2
2,1 – 6,5 >0,75 B1 2
2,1 – 6,5 >12,5 <0,75 B1 = E1 2
4,5 - 11,5 <10 >1 E3 2
1–4 4,5 - 11,5 <30 <1 B1 – F1a 2–c
0,150 4,5 - 11,5 >10 <30 B1 – D 2–a
4,5 - 11,5 >30 B1 2
8 – 15 C3 – F1d 2–c
15 – 24 C3 – F2a 2–3–5–8–c
18 – 30 C3 - F2a 2–3–5–c
30 – 46 C3 – F2e 2 – 6 – 7 - 13 – c
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1A Sistema de contenção (Barton)


Q De RQD Jr/Já Suporte Observações
P(MPa) /Jn
1,5 – 4,2 >10 >0,5 B1 2–b
1,5 – 4,2 <10 <0,5 B1 – F1b 2–c
3,2 – 7,5 B1 – C2 – E2 – F1c 2 – 10 – 11 – 12 – 14 – c
0,4 -1 6 – 12 B1 – C2 – F1c – F2b 2 – 10 – 11 – 12 – 14 – c
0,225 12 – 18 C2 – F1f – G 2 – 10 – 11 – 12 – 14 – c – e
15 – 20 C2 – F2c 1 – 3 – 10 – 13 – c
15 – 38 C2 – H3 5 – 9 – 10 – 12 – 13
20 – 30 C2 – F2g 2 – 3 – 5 – 10 – 13 – c
30 – 38 C2 – F3d 2 – 5 – 6 – 10 – 13 – c – f
0,1– 0,4 1 – 3,1 <0,2 C2 – F1b c
0,300 5
1 – 3,1 >5 >0,2 B1 – E1
5
1 – 3,1 <5 >0,2 B1 – F1b c
5
2,2 - 6 >5 C2 – F1a 10 – c
2,2 – 6 <5 F1c 10 – c
2,2 – 6 C2 – F1c 9 – 11 – 12 – c
4 – 14,5 <1,5 C2 – G 10 – 12 – e
4 – 14,5 >4 C2 – F1c 10 – c
4 – 14,5 >1,5 F1h 10 – c
4 – 14,5 <4 C2 – H2 9 – 11 – 12
11 – 20 C2 – F2h 4 – 5 – 10 – 12 – 13 – c
11 – 34 C2 – H4 5 – 9 – 11 – 12 – 13
20 - 34 C2 – F3f 3 – 5 – 10 – 12 – 13 - f
0,01–0,1 1 – 3,9 <2 F1 – D 10 – c
0,500 1 – 3,9 F1 – G 9 – 11 – c
1 – 3,9 >2 C2 – F1a 10 – c
2 - 11 >0,2 C2 – F1c 10 – c
5
2 – 11 <0,2 F2d 10 – c
5
2 – 11 C2 – H1 9 – 11 – 12
6,5 – 15 C2 – F3c – H5 3 – 4 – 9 – 10 – 11 – 12 – 13 – c
-f
15 - 28 C2 – F3c – H6 3 – 9 – 10 – 11 – 12 – 13 – c - f
<0,01 1–2 C1 – F2b 9 – 10 – 11 – 12 – c
1,200
1 – 6,5 C1 – F3b 9 – 10 – 11 – 12 - c - f
4 – 10 C2 – F3h 4 - 9 – 10 – 11 – 14 – c – f
10 - 20 C2 – H7 3 - 9 – 10 – 11 – 12 - 14 – c – f

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H SISTEMA DE CONTENÇÃO
A Ancoragem ocasionais localizadas
B Ancoragem sistemática com chumbadores B1 B2 B3 B4 B5
Espaçamento (m) 1 1,5-2 1,5-2 2,3 2,3-3
C Ancoragem sistemática com chumbadores C1 C2 C3 C4 C5 C6
Espaçamento (m) 0,5-1 1 1-1,5 1-2 1,5-2 2-3
D Ancoragem com tela metálica
E Concreto projetado E1 E2 E3
Espessura (mm) 20 25 25 -
30 50 75
F Concreto projetado F1 F2 F3
Espessura (mm) a 25 100 200
50 150 500
b 50 100 200
200 600
c 50 150 200
75 200 750
d 50 150 300
100 250 400
e 50 150 300
125 300 1000
f 75 200 400
100 250 600
g 75 200 700
150 300 1000
h 75 200 700
250 400 2000
G Concreto modulado
Espessura (mm) 200
400
H Concreto modulado com armadura H1 H2 H3 H4 H5 H6 H7
Espessura (mm) 200 300 300 400 44 600 1000
600 500 1000 1200 1500 2000 3000

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III – I Observações numéricas adicionais

1 – A natureza do suporte a ser executado em maciços classificados geomecânicamente de ótima ou


excelente qualidade dependerá em larga escala da técnica do desmonte a fogo. No caso de
desmonte de controle uniforme (Smooth blasting), o suporte poderá tornar-se desnecessário. Para
superfícies muito irregulares (rough blasting), recomenda-se a aplicação de concreto projetado,
especialmente para alturas de escavação superior a 25m.

2 – Em condições de intensa atividade de (rock burst), a utilização de tirantes protendido com


placas de apoio de grandes dimensões é freqüente, espaçados de cerca de 1m (0,80
ocasionalmente), cessando o fenômeno. Procede-se a instalação do revestimento final.

3 – Variações freqüentes dos comprimentos de ancoragem em uma mesma escavação (3,5 a 7m).

4 - Variações freqüentes dos comprimentos de ancoragem em uma mesma escavação (2,3 a 4m).

5 – Utilização freqüente de tirantes protendidos adicionais, espaçados de 2 a 4m.

6 - Variações freqüentes dos comprimentos de ancoragem em uma mesma escavação (6.8 a 10m).

7 - Utilização freqüente de tirantes protendidos adicionais, espaçados de 4 a 6m.

8 – Diversas escavações para casa de força, incluídas nesta categoria fazem uso sistemático ou
adicional de ancoragens conjugadas a instalação de telas metálicas e concreto moldado na abobada
(250 a 400mm de espessura) como suporte permanente.

9 – Hipótese de ocorrência de materiais expansivos, garantir folga conveniente para permitir o


alívio das tensões de expansibilidade.

10 - Hipótese de não ocorrência de argilasexpansivas ou rochas esmagadas (Squenenzing rock).

11 - Hipótese de ocorrência de rochas esmagadas. Adotar sistema bastante rijo como suporte
permanente.

12 – Na hipótese de ocorrência de materiais expansivos ou esmagados, o suporte primário


compreenderá ancoragens em condições de RQD/Jr > 1,5, provavelmente em combinação com
concreto projetado. Para maciços fraturados RQD/Jn <1,5, recomenda-se a aplicação de concreto
projetado em várias camadas. A instalação sistemática de tirantes protendidos após a execução do
suporte definitivo ( anéis de concreto projetado ou moldado), para redução das cargas atuantes, é
recomendável desde que RQD/Jn <1,5 ou em presença de argilas, a não ser que sejam utilizados
tirantes protendidos de resina, solução a ser adotada também em maciços de qualidade geomecânica
extremamente ruim, Condições extremas de expansibilidade ou carregamento podem exigir a
extensão do revestimento até a frente de escavação, possivelmente utilizando o próprio (shield) no
processo de concretagem e inclusive, com eventual colocação de suporte preliminar na própria
frente de escavação.

13 – Escavação em secção múltipla por razões de segurança em condições de relação comprimento


do vão > 15 ESR.

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14 - Escavação em secção múltipla com concomitante instalação do sistema de suporte em
condições extremas de compressibilidade (maciços de péssimo padrão geomecânico com
comprimento do vão > 10 ESR).

III – II Observações alfa numéricas adicionais

A – Nos países escandinavos é comum a utilização de “perfobolts” constituídos por tubos vazados
inseridos em furos no maciço rochoso e posteriormente injetado, ocorrendo extrusão da argamassa
plástica pela inserção de uma barra de aço através do tubo. Não sendo possível a protensão destes
dispositivos, é comum a instalação de placas de apoio ou parafusamento simples da extremidade da
barra (os autores recomendam a seguir o emprego de variantes deste processo de acordo com a
experiência de cada país).

B – A utilização de telas metálicas é freqüente para controle de estabilidade de zonas do maciço


potencialmente instável com o decorrer do tempo, mediante fixação através de chumbadores
espaçados de 1,0 a 1,5m e pinos intermediários de ancoragem.

C - A utilização de telas metálicas conjuntamente com concreto projetado deve atender


especificações de abertura e controle de oxidação, de modo a permitir a livre penetração do
concreto entre vazios e o contato pleno com a rocha. As telas não devem ter peso considerável,
permitindo o seu livre manuseio ( telas típicas com fios de 4,2mm de diâmetro e malha de 100
mm).

D – Em maciços de qualidade geomecânica muito ruim, o emprego de chumbadores nos moldes


propostos por Barton, implica numa instalação imediata desta ancoragem com a escavação, o que
nem sempre é possível face a natureza diferenciada dos serviços necessários no interior da
escavação. Nesta hipótese, recomenda-se o uso de tirantes protendidos, como os trabalhos de
injeção sendo executados em etapas posteriores.

E – Espessuras de ordem de 200mm para revestimentos em concreto moldado são praticamente


instáveis, sendo mais recomendável espessuras da ordem de 254mm ou 300mm.

F – Espessuras da ordem de 2000mm para suporte em concreto projetado requer diversas camadas
de aplicação, tornando esse procedimento bastante inviável pratica e economicamente. O emprego
de concreto moldado seria uma alternativa mais indicada. Em casos de necessidade de o suporte
estender-se até próximo a frente de escavação, o concreto projetado com espessura entre 50 e
10mm seria geralmente satisfatório, particularmente com o uso conjugado de tirantes protendidos.
Adotando-se anéis de concreto moldado como sistema definitivo de revestimento. Uma variante
possível consiste em uso combinado de concreto projetado e cambotas metálicas pesadas.

Considerações finais:

 Análises racionais do comportamento dos maciços rochosos, inseridos no âmbito de


aplicação ou finalidades proposta para o mesmo, pressupões uma seleção criteriosa de
parâmetros que terão influência significativa na caracterização do modelo geomecânico em
questão. Neste contexto, os sistemas de classificação anteriormente abordados constituem
poderosos instrumentos para a consolidação destes objetivos.
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 O sistema RMR representa um avanço sobre as metodologias anteriores, graças a


incorporação de um razoável número de parâmetros de caracterização. A restrição básica da
metodologia RMR está associada utilização simultânea ao RQD com outras variáveis
condicionadas pelas mesmas características geomecânicas (espaçamento de fraturas, como
exemplo). A rigor, o RQD seria um parâmetro dispensável no sistema RMR.
Especificamente em relação aos tempos de autosustentação do maciço, as análises pela
classificação de Bieniawiski tendem a ser muito conservativas (Barton 1976), praticamente
em mineração subterrânea (Albuquerque 1990).

 O sistema Q incorpora o parâmetro RQD como uma medida de espaçamento das juntas,
sendo o seu valor não influenciado pela presença de rochas fracas. Em termos práticos,
porém, isso resulta em uma redução significativa da fração inicial (RQD/Jn) na expressão de
Q. quando na ocorrência de rochas fracas no maciço analisado. Cuidados específicos devem
ser considerados em tais casos uma vez que tal concepção reflete uma experiência regional
do autor. Restrições análogas ao sistema RMR devem ser extrapolados a avaliação dos
tempos de autosuporte do maciço, ainda que, neste caso, pela metodologia de Barton, sejam
realçadas as influência da forma da escavação e dos procedimentos de detonação.

 Em ambos os sistemas, obtém-se razoável precisão em termos de estimativas de vão


máximo e sistemas de suporte requeridos. É importante ressaltar, mais uma vez a
incompatibilidade conceitual dos parâmetros Q e RMR. Assim correlações diretas entre
valores destes índices são desprovidas de sentido, já que um e outro quantificam padrões
distintos.

 O sucesso da utilização de classificação geomecânica para obras subterrânea tem


incentivado a ampliação do seu uso para outros tipos de obras. Diferentes pesquisadores
têm incentivado a ampliação do seu uso para outros tipos de obras. Diferentes
pesquisadores tem desenvolvido estudos complementares, visando adaptar as metodologias
convencionais a obras específicas, tais como aplicações em mineração subterrânea
(Kendorski et al. 1983, Laubscher 1984).

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