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01 Reforma trabalhista: o que mudou

e-book

REFORMA TRABALHISTA:
O QUE MUDOU?
Os principais pontos e como ela pode
aparecer em concursos públicos
concurseria.com.br
Reforma trabalhista: o que mudou?

04 Os principais pontos da Reforma

06 Jornada de trabalho

09 Intervalo intrajornada não usufruído

12 Banco de horas e Compensação de jornada

14 Acordado sobre o legislado

20 Fracionamento das férias

21
ÍNDICE

Indenização extrapatrimonial (dano moral)

23 Gestante e trabalho insalubre

25 Novos regimes de trabalho

27 Terceirização

29 Acordo para extinção do contrato de trabalho


04 Reforma trabalhista: o que mudou?

Os principais pontos
da Reforma
Depois de muitas discussões e tumultos po- Mais de cem pontos da Consolidação das
líticos, a Lei nº 13.467/2017 foi publicada. Leis do Trabalho (CLT) foram modificados,
Apresentando inúmeras alterações na legis- entre eles os dispositivos que tratam das
lação trabalhista, tanto no âmbito material férias, da remuneração do empregado e da
quanto no aspecto processual, o texto foi jornada de trabalho. Questões que envol-
aprovado no dia 11 de julho pelo Senado vem trabalhadoras gestantes, flexibilização
Federal e, no dia 13 do mesmo mês, sancio- de horários e intervalos intrajornada tam-
nado pelo Presidente da República, tendo bém sofreram alterações para permitir que
sido publicado no Diário Oficial da União empregados e empregadores negociem
no dia seguinte. As novas regras entram em sobre esses aspectos, prevalecendo o com-
vigor 120 dias após a sua publicação. binado sobre o que estiver disposto em lei.
05 Reforma trabalhista: o que mudou?

Como dito, as mudanças são inúmeras,


mas nós trazemos neste e-book as princi-
pais alterações promovidas pela reforma
trabalhista no âmbito material, todas elas
apresentadas com um comparativo entre
a antiga e a nova legislação para você ficar
bem atento e não cair em pegadinha nas
provas de concurso.

Importante: Em regra, os editais determi-


nam que a prova terá por base a legislação
vigente na data de publicação do edital, ou
seja, mesmo que a prova seja aplicada após
a entrada em vigor da Reforma, se o edital
foi publicado antes provavelmente ainda
valerá a norma antiga.
06 Reforma trabalhista: o que mudou?

Jornada de Trabalho
O art. 4º da Consolidação das Leis do Traba- dinário) o tempo que o empregado, por esco-
lho (CLT) considerava como tempo de serviço lha própria, permanece na empresa para bus-
efetivo o período em que o empregado es- car proteção pessoal, em caso de insegurança
tivesse à disposição do empregador, aguar- nas vias públicas ou más condições climáti-
dando ou executando ordens, o que incluía o cas, ou para exercer atividades particulares,
tempo gasto nas dependências da empresa entre as quais se incluem práticas religiosas,
com troca de uniforme, higiene pessoal e descanso, lazer, estudo, alimentação, ativida-
deslocamento entre a portaria e o local exato des de relacionamento social, higiene pesso-
da prestação do serviço, por exemplo. al, e troca de roupa ou uniforme quando não
houver obrigatoriedade de realizar a troca na
A nova lei, por sua vez, acrescenta ao art. 4º empresa. Esse período não será computado
da CLT o parágrafo 2º, que exclui expressa- como jornada extraordinária nem mesmo se
mente da jornada de trabalho (não sendo, ultrapassar o limite de cinco minutos previsto
portanto, computado como período extraor- no art. 58, §1º, da CLT.
07 Reforma trabalhista: o que mudou?

Ainda no que tange à jornada de trabalho,


a reforma trabalhista alterou o texto do art.
58, §2º, da Consolidação das Leis do Traba-
lho para determinar que...

...“O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência


até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retor-
no, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o
fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de
trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador”.
A redação anterior incluía na jornada de
trabalho o tempo despendido com trans-
porte quando, tratando-se de local de difícil
acesso ou não servido por transporte públi-
co, o empregador fornecesse a condução.
08 Reforma trabalhista: o que mudou?

Também houve mudança no tocante ao


trabalho em regime de tempo parcial,
em relação ao qual havia uma limitação
a jornadas de 25 (vinte e cinco) horas
semanais. A Lei nº 13.467, por sua vez,
...“é facultado às partes, median-
admite a fixação da jornada em 36 (trin-
ta e seis) horas semanais sem possibili-
te acordo individual e escrito,
dade de horas extras, ou em 26 (vinte e
seis) horas semanais com possibilidade
convenção coletiva ou acordo
de até 6 (seis) horas extras por semana
(pagas com o acréscimo de 50%).
coletivo de trabalho, estabelecer

Outro ponto importante diz respeito


horário de trabalho de doze horas
à fixação da chamada jornada 12 x 36
(doze por trinta e seis), que consiste em
seguidas por trinta e seis horas
12 (doze) horas de trabalho seguidas por
36 (trinta e seis) horas de descanso. Essa
ininterruptas de descanso, obser-
possibilidade só seria admitida quando
prevista em convenção coletiva, mas a
vados ou indenizados os interva-
reforma trabalhista acrescentou à CLT o
art. 59-A, segundo o qual...
los para repouso e alimentação”.
09 Reforma trabalhista: o que mudou?

Intervalo intrajornada
não usufruído
O art. 71 da CLT prevê que, em qualquer tra-
balho contínuo cuja duração não exceda seis
horas diárias, é obrigatória a concessão de
um intervalo para repouso ou alimentação,
de no mínimo uma hora, salvo acordo ou
contrato coletivo em sentido contrário, não
podendo tal intervalo ultrapassar o limite
de duas horas. No caso de jornadas que não
excedam seis horas de trabalho, o intervalo
obrigatório é de quinze minutos quando
a duração ultrapassar quatro horas. Em
qualquer caso, o intervalo de descanso não
é computado na duração do trabalho.
10 Reforma trabalhista: o que mudou?

Como era antes, e como ficou


Antes da reforma trabalhista, caso o inter-
valo para repouso e alimentação não fosse
integralmente usufruído, o empregado
faria jus ao recebimento do valor corres-
pondente a todo o intervalo como jornada
extraordinária, ou seja, com acréscimo de
50% (cinquenta por cento) sobre o valor da
remuneração da hora normal de trabalho,
com natureza salarial. Com a nova redação
atribuída ao parágrafo 4º do art. 71 da CLT,
porém, ...

...“A não concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajorna-


da mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e
rurais, implica o pagamento, de natureza indenizatória, apenas do
período suprimido, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento)
sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho”.
11 Reforma trabalhista: o que mudou?

Note que a regra anterior determinava o


pagamento sobre todo o intervalo, ainda
que parte fosse usufruído, enquanto a nova
norma considera como base para o paga-
mento somente a fração do intervalo não
usufruída pelo funcionário. Além disso, antes
se atribuía natureza salarial a esse pagamen-
to, e agora tal parcela passa a ter natureza
indenizatória, ou seja, sem reflexo em outras
verbas.

Cumpre destacar, ainda, que passa a ser


admitida a negociação quanto ao intervalo
intrajornada, desde que respeitada a dura-
ção mínima de 30 (trinta) minutos.
12 Reforma trabalhista: o que mudou?

Banco de horas e
Compensação de jornada
Em regra, nos termos do art. 7º, XIII, da
Constituição Federal, a jornada de trabalho
não deve ser superior a oito horas diárias
e quarenta e quatro horas semanais. Para
evitar que o empregador desembolse o pa-
gamento de horas extraordinárias nos casos
em que a jornada ultrapassar esse limite, fo-
ram criados dois mecanismos que, embora
distintos, geram certa confusão: o banco de
horas e a compensação de jornada. Ambos
são formas de prorrogação da jornada sem
o pagamento de horas extras, mas cada um
com suas características particulares.
13 Reforma trabalhista: o que mudou?

O sistema de compensação de jornada, que O sistema de banco de horas, por sua vez, só
só poderia ser adotado por norma coletiva poderia ser instituído por negociação coleti-
ou acordo individual escrito, foi criado para va, e a compensação poderia ser feita em um
permitir o ressarcimento de horas extras prazo bem mais extenso: um ano. Já a nova
eventualmente trabalhadas por meio de legislação autoriza a instituição do banco de
folgas (a prestação habitual de horas extra- horas mediante acordo individual escrito,
ordinárias descaracterizava o acordo), de- desde que a compensação ocorra no período
vendo a compensação ocorrer no prazo de máximo de seis meses.
um mês. Com a nova regulamentação, o pra-
zo para a compensação continua sendo de Cumpre destacar, o limite de horas a serem
apenas um mês, mas passa a ser permitida a acrescidas continua sendo de duas horas
adoção desse sistema por acordo individual por dia, e, caso não haja compensação, as
tácito ou escrito, e a prestação de horas horas extraordinárias devem ser pagas com
extras habituais deixa de descaracterizar o acréscimo de pelo menos 50% (cinquenta
regime de compensação de jornada. por cento).
14 Reforma trabalhista: o que mudou?

Acordado sobre o legislado


Um dos pontos que mais chamou atenção na Lei da
Reforma Trabalhista (e talvez o mais polêmico também)
foi a abertura para a possibilidade de que acordos feitos
entre empregados e empregadores se sobreponham
às regras previstas na legislação vigente. Essa modifi-
cação traz um importante reflexo para as decisões judi-
ciais – se antes o Poder Judiciário tinha plena autonomia
para declarar nula uma cláusula coletiva que contrarias-
se a lei, com a reforma trabalhista a Justiça do Trabalho
passa a balizar sua atuação pelo princípio da intervenção
mínima na autonomia da vontade coletiva, devendo se
limitar a analisar a conformidade dos elementos essen-
ciais do negócio jurídico, previstos no art. 104 do Código
Civil (agente capaz; objeto lícito, possível, determinado
ou determinável; forma prescrita ou não defesa em lei).
15 Reforma trabalhista: o que mudou?

Até então não se admitia que acordos e


convenções coletivas de trabalho deliberas-
sem sobre matérias como saúde e seguran-
ça no trabalho, limites de jornada e interva-
los. A Lei nº 13.467/2017, porém, acrescenta
à Consolidação das Leis do Trabalho o art.
611-A, segundo o qual...

...“A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros dis-
puserem sobre: I – pacto quanto à jornada de trabalho, observados os limites constitucionais; II – banco de
horas anual; III – intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superio-
res a seis horas; IV – adesão ao Programa Seguro-Emprego (PSE), de que trata a Lei nº 13.189, de 19 de no-
vembro de 2015; V – plano de cargos, salários e funções compatíveis com a condição pessoal do empregado,
bem como identificação dos cargos que se enquadram como funções de confiança; VI – regulamento empre-
sarial; VII – representante dos trabalhadores no local de trabalho; VIII – teletrabalho, regime de sobreaviso,
e trabalho intermitente; remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas percebidas pelo empregado,
e remuneração por desempenho individual; X – modalidade de registro de jornada de trabalho; XI – troca
do dia de feriado; XII – enquadramento do grau de insalubridade; XIII – prorrogação de jornada em ambien-
tes insalubres, sem licença prévia das autoridades competentes do Ministério do Trabalho; XIV – prêmios de
incentivo em bens ou serviços, eventualmente concedidos em programas de incentivo; XV – participação nos
lucros ou resultados da empresa”.
16 Reforma trabalhista: o que mudou?

Art. 611-B. Constituem objeto ilícito de convenção cole-


tiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente,
a supressão ou a redução dos seguintes direitos:
Por outro lado, a nova norma trouxe ex-
pressamente um rol de matérias que não I - normas de identificação profissional, inclusive as
podem ser regulamentadas por acordo ou anotações na Carteira de Trabalho e Previdência Social;
convenção coletiva de trabalho (rol até en-
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego invo-
luntário;
tão inexistente na CLT), o qual está previsto
III - valor dos depósitos mensais e da indenização resci-
no novo art. 611-B da Consolidação das
sória do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);
Leis do Trabalho, a seguir reproduzido:
IV - salário mínimo;
V - valor nominal do décimo terceiro salário;
VI - remuneração do trabalho noturno superior à do
diurno;
VII - proteção do salário na forma da lei, constituindo
crime sua retenção dolosa;
VIII - salário-família;
IX - repouso semanal remunerado;
X - remuneração do serviço extraordinário superior, no
mínimo, em 50% (cinquenta por cento) à do normal;
XI - número de dias de férias devidas ao empregado;
XII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo me-
nos, um terço a mais do que o salário normal;
XIII - licença-maternidade com a duração mínima de
17 Reforma trabalhista: o que mudou?

cento e vinte dias;


XIV - licença-paternidade nos termos fixados em lei;
XV - proteção do mercado de trabalho da mulher, me-
diante incentivos específicos, nos termos da lei;
XVI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sen-
do no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XVII - normas de saúde, higiene e segurança do traba-
lho previstas em lei ou em normas regulamentadoras
do Ministério do Trabalho;
XVIII - adicional de remuneração para as atividades
penosas, insalubres ou perigosas;
XIX - aposentadoria;
XX - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do
empregador;
XXI - ação, quanto aos créditos resultantes das relações
de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para
os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois
anos após a extinção do contrato de trabalho;
XXII - proibição de qualquer discriminação no tocante
a salário e critérios de admissão do trabalhador com
deficiência;
XXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insa-
lubre a menores de dezoito anos e de qualquer traba-
lho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de
18 Reforma trabalhista: o que mudou?

aprendiz, a partir de quatorze anos;


XXIV - medidas de proteção legal de crianças e adoles-
centes;
XXV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vín-
culo empregatício permanente e o trabalhador avulso;
XXVI - liberdade de associação profissional ou sindical
do trabalhador, inclusive o direito de não sofrer, sem
sua expressa e prévia anuência, qualquer cobrança ou
desconto salarial estabelecidos em convenção coletiva
ou acordo coletivo de trabalho;
XXVII - direito de greve, competindo aos trabalhadores
decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os
interesses que devam por meio dele defender;
XXVIII - definição legal sobre os serviços ou atividades
essenciais e disposições legais sobre o atendimento das
necessidades inadiáveis da comunidade em caso de
greve;
XXIX - tributos e outros créditos de terceiros;
XXX - as disposições previstas nos arts. 373-A, 390, 392,
392-A, 394, 394-A, 395, 396 e 400 desta Consolidação.
Parágrafo único. Regras sobre duração do trabalho
e intervalos não são consideradas como normas de
saúde, higiene e segurança do trabalho para os fins do
disposto neste artigo.
19 Reforma trabalhista: o que mudou?

Além da ampliação dos temas que podem ser


disciplinados em acordo ou convenção coletiva
de trabalho, outros pontos também passam a
ter maior flexibilidade, admitindo-se sua regu-
lamentação em acordo individual de trabalho,
a exemplo do já mencionado banco de horas,
além de outros que serão analisados individual-
mente a seguir.

Cumpre destacar, ainda, que, antes da refor-


ma trabalhista, as condições estabelecidas em
convenção coletiva, quando mais favoráveis ao
empregado, prevaleciam sobre aquelas estipu-
ladas em acordo. Com a nova redação atribuída
ao art. 620 da CLT, porém, ...

...“As condições estabelecidas em acordo coletivo de


trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas
em convenção coletiva de trabalho”.
20 Reforma trabalhista: o que mudou?

Fracionamento das férias


Segundo a CLT, as férias só poderiam ser
fracionadas em casos excepcionais, em
dois períodos, um dos quais não poderia
ser inferior a dez dias corridos. Menores de
dezoito anos e maiores de cinquenta anos
não poderiam fracionar suas férias.

Com a reforma na legislação trabalhista,


porém, as férias poderão ser divididas em
até três períodos, desde que um deles te-
nha no mínimo quatorze dias corridos e os
outros tenham no mínimo cinco dias corri-
dos cada. Além disso, passa a ser admitido
o fracionamento das férias por funcionários
menores de dezoito ou maiores de cin-
quenta anos.
21 Reforma trabalhista: o que mudou?

Indenização extrapatrimonial
(dano moral)
Não é incomum na Justiça do Trabalho que
o reclamante acrescente aos seus pedidos
um de indenização por danos morais. Até
então, se considerada devida tal indeniza-
ção, a mesma seria fixada pelo juiz de acor-
do com a sua discricionariedade, pois não
havia limites. A Lei da Reforma Trabalhista,
porém, passou a regulamentar a reparação
por danos morais, estabelecendo critérios
objetivos para a sua fixação.

Segundo a nova regulamentação, ao apre-


ciar o pedido o juiz deverá considerar a
natureza do bem jurídico tutelado; a inten-
22 Reforma trabalhista: o que mudou?

sidade do sofrimento ou da humilhação; a de retratação espontânea; o esforço efetivo para


possibilidade de superação física ou psi- minimizar a ofensa; o perdão, tácito ou expresso; a
cológica; os reflexos pessoais e sociais da situação social e econômica das partes envolvidas;
ação ou da omissão; a extensão e a duração e o grau de publicidade da ofensa. Se julgar pro-
dos efeitos da ofensa; as condições em cedente o pedido, o juiz deverá fixar a indenização
que ocorreu a ofensa ou o prejuízo mo- em favor de cada um dos ofendidos com base nos
ral; o grau de dolo ou culpa; a ocorrência seguintes parâmetros:

a) Ofensa de natureza leve: até três vezes o último salário contratual do ofendido;
b) Ofensa de natureza média: até cinco vezes o último salário contratual do ofendido;
c) Ofensa de natureza grave: até vinte vezes o último salário contratual do ofendido;
d) Ofensa de natureza gravíssima: até cinquenta vezes o último salário contratual do ofendido.

Na hipótese de reincidência entre partes idênticas o juiz


poderá elevar ao dobro o valor da indenização, e, no
caso de o ofendido ser pessoa jurídica, a indenização
observará os mesmos parâmetros, mas em relação ao
salário contratual do ofensor.
23 Reforma trabalhista: o que mudou?

Gestante e trabalho insalubre


No ano de 2016, a Lei nº 13.287 acrescentou
à CLT o art. 394-A, segundo o qual “A em-
pregada gestante ou lactante será afastada,
enquanto durar a gestação e a lactação, de
quaisquer atividades, operações ou locais
insalubres, devendo exercer suas ativida-
des em local salubre”.

Tal dispositivo, portanto, vedava que mu-


lheres grávidas e lactantes exercessem suas
funções em local insalubre, qualquer que
fosse o grau de insalubridade.
A reforma trabalhista, por sua vez, alterou
a redação do dispositivo legal mencionado
supra e passou a permitir que a mulher
24 Reforma trabalhista: o que mudou?

trabalhe, durante sua gestação, em condi-


ções insalubres em graus mínimo e médio,
ou seja, o afastamento só será obrigatório no
caso de insalubridade em grau máximo. No
entanto, se a funcionária gestante apresentar
atestado de saúde emitido por médico de
sua confiança recomendando o afastamento
durante a gestação, a mesma deverá ser afas-
tada das atividades consideradas insalubres
também em grau médio ou mínimo. No caso
de lactantes, o trabalho poderá ser exercido
qualquer que seja o grau de insalubridade,
salvo se a funcionária apresentar atestado
de saúde, também emitido por médico de
sua confiança, recomendando o afastamento
durante a lactação.
25 Reforma trabalhista: o que mudou?

Novos regimes de trabalho:


teletrabalho (home office) e
trabalho intermitente
A Lei nº 13.467/2017 regulamenta dois sistemas
de trabalho que até então não possuíam regu-
lamentação: o teletrabalho, ou home office, e
o trabalho intermitente. O primeiro é caracteri-
zado pela prestação do serviço preponderante-
mente fora das dependências do empregador,
cumprindo ressaltar que o comparecimento
esporádico à empresa não descaracteriza o
regime. Segundo a nova regulamentação, o
teletrabalho deve ser pactuado por escrito, de-
vendo o contrato especificar as atividades que
26 Reforma trabalhista: o que mudou?

serão realizadas pelo funcionário. O empre- multaneamente a diferentes empregadores.


gador fica responsável pelo pagamento das Uma vez adotado o regime de trabalho inter-
despesas relativas à aquisição ou manuten- mitente, o início do período de trabalho deve
ção dos equipamentos necessários ao traba- ser comunicado ao empregado com pelo
lho remoto, bem como pelo reembolso das menos três dias de antecedência, e ao final
despesas previstas em contrato. de cada período o empregado terá direito ao
recebimento imediato das seguintes parce-
O teletrabalho pode ser posteriormente con- las: remuneração; férias proporcionais com
vertido em regime presencial (e vice-versa), acréscimo de um terço; décimo terceiro salá-
mas enquanto durar o sistema não haverá rio proporcional; repouso semanal remune-
controle de jornada. rado; adicionais legais; e depósitos do FGTS.

O trabalho intermitente, por sua vez, é de-


finido como aquele no qual a prestação de
serviços, com subordinação, não é contínua,
ocorrendo com alternância entre períodos de
prestação de serviço e períodos de inativida-
de. Também deve ser pactuado por escrito e
possibilita ao empregado prestar serviços si-
27 Reforma trabalhista: o que mudou?

Terceirização
A terceirização nada mais é que a contra-
tação de trabalhadores por empresa inter-
posta, ou seja, o interessado na prestação
do serviço não contrata diretamente o
empregado, mas sim uma empresa cujos
funcionários prestam o serviço desejado.
Conforme entendimento consolidado pelo
Tribunal Superior do Trabalho (Súmula
331), a terceirização só era admitida para
atividades-meio do empregador, e essa
situação foi inclusive regulamentada pela
Lei nº 13.429, de março de 2017. A reforma
trabalhista, por sua vez, passou a admitir a
terceirização em qualquer tipo de ativida-
de da empresa, inclusive para contratação
28 Reforma trabalhista: o que mudou?

de funcionários diretamente relacionados


à atividade-fim. Fica vedada, contudo, a
contratação de ex-empregado como tercei-
rizado no prazo de dezoito meses a contar
de sua demissão.

Ficam asseguradas aos empregados da


empresa prestadora, quando os serviços
forem prestados nas dependências da
tomadora, as mesmas condições relativas
à alimentação garantidas aos emprega-
dos da contratante, quando oferecida em
refeitório, bem como o direito de utilizar
os serviços de transporte e ao atendimen-
to médico ou ambulatorial existente nas
dependências da contratante ou em local
por ela designado. Além disso, a empresa
interposta (contratada) e o tomador de
serviços (contratante) poderão estabelecer
que os empregados da contratada farão jus
a salário equivalente ao pago aos emprega-
dos da contratante.
29 Reforma trabalhista: o que mudou?

Acordo para extinção do


contrato de trabalho
A Consolidação das Leis do Trabalho não re-
gulamentava a possibilidade de acordo para
a extinção do contrato de trabalho. Logo,
ou o contrato de trabalho se extinguia por
iniciativa exclusiva do empregador (com ou
sem justa causa), ou por iniciativa exclusiva
do empregado. Em regra, no caso de resci-
são do contrato de trabalho, o empregado
tem direito ao recebimento de saldo de sa-
lário, férias proporcionais (com o acréscimo
de um terço), décimo terceiro salário pro-
porcional e aviso prévio (se indenizado). Em
se tratando de demissão sem justa causa,
30 Reforma trabalhista: o que mudou?

passa a ter direito, ainda, à multa de 40% (quaren-


ta por cento) do FGTS.

A Lei nº 13.467/2017, por sua vez, gerou bastante


polêmica ao permitir que o contrato de trabalho
seja extinto por acordo entre empregado e em-
pregador, caso em que serão devidas as seguintes
verbas trabalhistas: metade do aviso prévio, se
indenizado, e metade da indenização sobre o
saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS) – ou seja, a multa passa a ser de 20% (vinte
por cento) –, além da integralidade das demais
verbas trabalhistas. Além disso, em caso de acor-
do o funcionário fica autorizado a movimentar da
conta vinculada no FGTS até 80% (oitenta por cen-
to) do valor dos depósitos, mas fica impedido de
ingressar no Programa de Seguro-Desemprego.
31 Reforma trabalhista: o que mudou?

Além dessas mudanças, muitas outras foram promovidas


na legislação trabalhista, mas nós procuramos enumerar
aqui, didaticamente, as principais alterações trazidas pela
Lei nº 13.467/2017 no âmbito do Direito material, sempre
com um comparativo entre a antiga e a nova regulamen-
tação, a fim de que você consiga não apenas responder
às questões objetivas da sua prova, mas também, se for o
caso do seu concurso, discorrer um pouco sobre o assun-
to em uma eventual questão dissertativa.

Nunca é demais lembrar: fique atento à data do seu edital


e à determinação nele constante acerca da vigência das
leis. Em regra, os editais determinam que a matéria será
cobrada com base na legislação vigente à data de publica-
ção do próprio edital, ou seja, se o edital do seu concurso
já foi publicado ou se ele for publicado durante a vacatio
legis de 120 (cento e vinte) dias prevista para a Lei da
Reforma Trabalhista, preocupe-se apenas com a normati-
zação antiga, pois a nova regulamentação ainda não será
cobrada na sua prova.
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