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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

MÓDULO: SISTEMA LOCOMOTOR


Arlindo Ugulino Netto
Rayza Prado

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

MÓDULO: LOCOMOTOR 2015


Arlindo Ugulino Netto, Rayza Prado.

O módulo LOCOMOTOR trata do sistema diretamente responsável pelo deslocamento do corpo humano que
são: o sistema esquelético, abrangendo anatomia dos ossos, histologia cartilaginosa e óssea; o sistema muscular
tratando dos músculos do dorso, tórax e membros bem como sua histologia; e, por fim, o sistema articular, que engloba
as estruturas que permitem os movimentos de flexibilidade do corpo. Há também o estudo da formação desses sistemas
e a fisiologia da contração esquelética e lisa.
Este módulo objetiva trazer um estudo fácil e dinamizado e tem por fontes as referências indicadas pelos
professores sendo guiado pelos slides e aulas administradas.

ÓTIMOS ESTUDOS!!!

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MÓDULO: LOCOMOTOR 2015


Arlindo Ugulino Netto, Rayza Prado.

EMBRIOLOGIA DO SISTEMA ESQUELÉTICO

Na 3ª semana embrionária, as duas colunas de Mesoderma Paraxial se dividem em corpos cuboides chamados
Somitos que, por sua vez, se dividirão em Esclerótomo, ventromedial e formará vertebras e costelas, e Demomiótomo,
dorsolateral e originará mioblastos e fibroblastos.

HISTOGÊNESE DO OSSO
O osso pode se formar a partir de dois tecidos: mesênquima, principalmente em ossos chatos, ou cartilagem,
ossos longos. São células envoltas por matriz intercelular rica em colágeno e substancia amorfa.

OSSIFICAÇÃO INTRAMEMBRANOSA
Mesênquima se diferencia em osteoblasto, que formará o tecido osteóide (sem calcificação). Fosfato de cálcio
se deposita neste tecido e as células vão se calcificando até se transformarem em osteócitos. Essa ação do osteoblasto
é mais comum na periferia do osso, tornando-o mais compacto. Internamente, pela ação dos osteoclastos (origem
hematopoiética), o osso apresenta aspecto esponjoso, onde o mesênquima se diferencia em medula óssea que, no
decorrer da vida pós-natal, se transforma em medula óssea amarela.

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OSSIFICAÇÃO ENDOCONDRAL
A ossificação acontece no fim do período embrionário (8ª semana) nos membros necessitando de
suplementação se cálcio e fósforo materno. Ocorre sobre modelos preexistentes de cartilagem. O centro primário de
ossificação encontra-se na diáfise do osso, as células cartilaginosas se multiplicam e vão sendo calcificadas, desse
modo o pericôndrio recebe camada de osso e passa a ser periósteo. As células hematopoiéticas encontradas no interior
dos ossos longos são formadas a partir da invasão de células de tecido conjuntivo vascularizado que se diferenciam,
bem como há diferenciação em células em osteoblastos. O sentido desse crescimento se dá DIÁFISE → EPÍFISE, e
promove crescimento longitudinal do osso.
O centro secundário de ossificação está nas epífises dos ossos e só começam a se ossificar após o
nascimento, se espalham em direção às extremidades e as únicas regiões que permanecem cartilaginosas são a placa
cartilaginosa epifisária e cartilagem articular (hialina). Quando ocorre a ossificação completa da placa epifisária cessa o
crescimento ósseo e se dá por volta dos 20 anos de idade. A placa tem fundamental importância para detectar
problemas hormonais de crescimento como nanismo e gigantismo.

CORRELAÇÕES CLÍNICAS
 Raquitismo: Doença que acomete crianças com deficiência em vitamina D
prejudicando a absorção de cálcio no intestino. A placa cartilaginosa se
desenvolve anormalmente e os ossos ficam arqueados, são encurtados e
deformados e o aparecimento se dá entre 6 meses e 2 anos. Os sintomas são
irritabilidade, atraso na erupção dentária, fraqueza muscular; o tratamento
poder ser por suplementação de vitamina D e cálcio, caso esteja no início, ou,
em casos mais avançados, cirurgia corretiva.





DESENVOLVIMENTO DAS ARTICULAÇÕES


As articulações se desenvolvem com o aparecimento do mesênquima interzonal durante a sexta semana e se
assemelham às adultas na oitava. São classificadas em:
 Articulações Fibrosas: mesênquima interzonal diferencia-se em tecido fibroso denso.
 Articulações Cartilaginosas: mesênquima se diferencia em cartilagem hialina. Ex: suturas do crânio
 Articulações Sinoviais: diferencia-se da seguinte forma
o Forma ligamento capsular e outros ligamentos perifericamente;
o Mesênquima desaparece centralmente e dá origem a cavidade articular;
o Cápsula é revestida por uma membrana sinovial que secreta o líquido sinovial rico em ácido
hialurônico com função se lubrificar articulação.

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DESENVOLVIMENTO DO ESQUELETO AXIAL


É composto de crânio, coluna vertebral, esterno e costelas. Na quarta semana do desenvolvimento embrionário
essas estruturas circundam o tubo neural e notocorda.

DESENVOLVIMENTO DA COLUNA VERTEBRAL


A notocorda, além da importância para o sistema nervoso, é fundamental para a formação das vértebras, que se
desenvolvem ao seu redor enquanto ela degenera. Nos espaços entre as vertebras se expande e forma o núcleo
pulposo posteriormente circundado por fibras, o anel fibroso. O disco intervertebral é a junção do núcleo com o anel
fibroso e esse ajuda a lubrificar as vertebras.
Na sexta semana centros de formação de cartilagem aparecem em cada vértebra mesenquimal e formam o
centrum cartilaginoso. A condrogênese se espalha até que uma coluna vertebral cartilaginosa se forme. A ossificação só
está totalmente completa por volta dos 25 anos. Usualmente se tem 7 vertebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares e 5
sacrais. Pode acontecer que um indivíduo tenha variação

DESENVOLVIMENTO DAS COSTELAS


As costelas se desenvolvem a partir dos processos costais mesenquimais das vértebras torácicas sendo
cartilaginosas no período embrionário e se ossificam no período fetal. São 7 pares de costelas verdadeiras, 5 pares de
costelas falsas e 2 pares de costelas flutuantes.

DESENVOLVIMENTO DO ESTERNO
O esterno se forma a partir de um par de faixas verticais de tecido embrionário, barras esternais, que vão
migrando para a região central e se fundem craniocaudalmente formando molde gelatinoso. A ossificação se conclui no
período fetal, com exceção do processo xifoide que só ossifica na infância.

DESENVOLVIMENTO DO CRÂNIO
O crânio se desenvolve a partir do mesênquima ao redor do encéfalo e consiste em:
 Neurocrânio Cartilaginoso: base cartilaginosa do crânio formada pela fusão de várias cartilagens, ossificação
endocondral e inicia-se com o osso occipital,corpo do esfenoide e osso etmoide, forma a base do crânio.
 Neurocrânio Membranoso: ossificação que forma a calota craniana é intramembranosa, ocorre no mesênquima
dos lados e da região superior do encéfalo. No feto os ossos do crânio são separados por faixas de tecido
conjuntivo fibroso que permite mobilidade na passagem pela cavidade pélvica no nascimento, as suturas. Há
seis grandes áreas fibrosas onde as suturas se encontram as fontanelas.

CORRELAÇÕES CLÍNICAS
 Espinha bífida: não fechamento normal dos arcos vertebrais, podendo externar medula ou nervos.

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 Escoliose: desvio da coluna vertebral para um dos lados. Quando congênita, as vertebras da coluna são
assimétricas, tamanhos diferentes ou faltando partes. Cirurgia reparatória.

 Síndrome do primeiro arco: há defeito da formação dos arcos faríngeos que dão origem às estruturas da
cabeça e pescoço como mandíbula, maxilar, orelha, nariz. Síndrome de Treacher Collins Subdesenvolvimento
dos ossos da face (defeito nas pálpebras, orelhas deformadas, inclinação para baixo das pálpebras), rara e com
incidência de 1/40000 nascidos vivos. Síndrome de Pierre Robin tem-se então rosto defeituoso com hipoplasia
da mandíbula, fenda palatina, defeito nos olhos e orelha, micrognatia (mandíbula pequena).

 Acrania: crânio ausente, pode acompanhar com extensos defeitos na coluna vertebral, é associada a mero ou
anencefalia um a cada 1000 nascimentos.

 Microcefalia: crianças nascem com abóbada craniana menor, as fontanelas se fecham no início da infância e as
suturas no primeiro ano, porém não é causada pelo precoce fechamento, é consequência do mal
desenvolvimento do sistema nervoso central em que o cérebro não cresce muito.

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 Craniossinostose: fechamento da sutura antes do nascimento


o Escafocelia (fechamento prematuro da sutura sagital)

o Braquicefalia (fechamento prematuro das suturas coronais -bilateral)

o Plagiocefalia (fechamento prematuro da sutura coronal em apenas um lado)

o Trigonocefalia (fechamento prematuro da sutura frontal)

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o Oxicefalia (fechamento prematuro da sutura coronal ou de todas as suturas)

DESENVOLVIMENTO ESQUELETO AXIAL


Consiste nas cinturas peitoral e pélvica e nos ossos dos membros. Na quinta semana, o mesênquima se
condensa formando brotos dos membros, na sexta o molde dos membros sofrem condrogênese e forma moldes ósseos
de cartilagem hialina. Esses moldes iniciam-se primeiro nos membros superiores e logo após, inferiores, numa
disposição próximo-distal. Oitava semana a ossificação tem início nas diáfises, com 12 semanas os centros primários de
ossificação já apareceu em quase todos os ossos. A clavícula é a primeira a se ossificar, o fêmur logo em seguida.

A crista ectodérmica é o que direciona o crescimento do mesênquima do broto e habilita para formar elementos
cartilaginosos específicos.

CORRELAÇÕES CLÍNICAS
 Meromelia, Amelia, Micromelia: trata-se da ausência de uma parte (meroamelia) ou de todo o membro
(amelia). A micromelia é quando os segmentos das extremidades estão presentes porém anormalmente curtos.

Meromelia Amelia Micromelia

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 Sindactilia: fusão dos dedos das mãos ou dos pés

 Polidactilia: maior numero de dedos nas mãos ou nos pés

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Arlindo Ugulino Netto, Rayza Prado.

HISTOLOGIA: TECIDO MUSCULAR

As células musculares são especializadas por apresentar a capacidade de realizar a contração, tornando
possível a locomoção dos animais. São células alongadas e são denominadas estriadas ou lisas de acordo com a
presença ou ausência de proteínas contráteis miofibrilares, que se repetem regularmente formando miofilamentos.
A energia mecânica para a contração é retirada da hidrólise do ATP.
Alguns termos são utilizados para células musculares, como: a membrana da célula muscular é denominada
sarcolema, citoplasma é sarcoplasma, o R.E.L. é o retículo sacroplasmático e as mitocôndrias são sarcossomos.
Como as células musculares são alongadas, são comumente chamadas de fibras musculares.
Os três tipos musculares (estriado esquelético, liso e estriado cardíaco) tem origem no mesoderma.
Especialmente o músculo cardíaco, origina-se do mesoderma somático e do mesoderma esplancnopleural. Os músculos
esqueléticos são originados principalmente do mesoderma somático.

MÚSCULO ESTRIADO ESQUELÉTICO


O músculo esquelético é composto por células multinucleadas, longas e cilíndricas, que
apresentam estriações transversais que se contraem voluntariamente para facilitar os movimentos do
corpo.
No desenvolvimento embrionário, os mioblastos (células precursoras das células musculares) se
fundem formando os miotúbulos, que são células multinucleadas e cilíndricas. Esses miotúbulos formam
os miofibrilas (circundadas por mitocôndrias), que são constituídas pelos miofilamentos responsáveis
pela contração do músculo.
A força relativa de uma fibra muscular depende do seu tamanho. Enquanto a força de todo
músculo é função do numero e espessura das fibras.

ENVOLTÓRIOS
Os envoltórios do músculo esquelético são:
 Epimísio: envolvem o músculo e são formados por tecido conjuntivo denso não modelado
 Perimisio: deriva do epimísio e envolve os feixes das fibras musculares.
 Endomísio: Ele envolve as fibras musculares. É composto por fibras reticulares e por uma lâmina externa
(lamina basal).

OBS: Os tendões e aponeuroses, responsáveis por ligar músculos a ossos e outros tecidos, são contínuos com os
envoltórios do tecido conjuntivo do músculo, agindo utilizando forças contráteis para movimentos.

MICROSCOPIA OPTICA
As fibras musculares são células
multinucleadas em que o núcleo situa-se
perifericamente. Pequenas células satélites
localizam-se em depressões rasas das fibras
musculares atuando como células
regeneradoras. As miofibrilas nas fibras
musculares dispõem-se paralelamente
apresentando estrias causadas pelas bandas
claras (presença de miosina ou actina) e
bandas escuras (presença de miosina e actina).
As bandas escuras são denominadas
Banda A. Seu centro é ocupado por uma área
clara, a Banda H que está dividida ao meio
pela Linha M. As bandas claras são as Bandas
I e estão divididas por uma linha escura, a
Linha Z. A região da miofibrila delimitada entre
duas Linhas Z é denominada Sarcômero, que
é a unidade morfofuncional do músculo. A
contração muscular se dá a partir do momento
que este sarcomero diminui de tamanho
(aproximação das Linhas Z).

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OBS: Túbulos T, Retículo Sarcoplasmático e Tríades. São elementos essenciais para a contração do músculo
esquelético. Os túbulos T são longas invaginações tubulares que se colocam especificamente no plano da junção das
Bandas A e I. Logo, cada sarcômero possui 2 conjuntos de túbulos T. Associados a esses túbulos, está o retículo
sarcoplasmático localizado da mesma maneira desses túbulos. O retículo está envolvido no armazenamento de cálcio
intracelular, formando uma rede em torno de cada miofibrila e apresenta cisternas terminais em cada junção A – I.
Então, duas dessas cisternas sempre estão intimamente apostas a um túbulo T, formando a tríade.
Tríade = 2 Cisternas terminais (Retículo Sarcoplasmático) + Tubulos T

O retículo sarcoplasmatico regula a contração muscular através do sequestro (que leva ao relaxamento) e da liberação
(que leva a contração) de íons cálcio no sarcoplasma. O estímulo desencadeador para a liberação de cálcio é a onda de
despolarização transmitidas pelos túbulos T, que causa a abertura dos canais liberadores de Cálcio das cisternas
terminais, havendo a liberação desse íon na proximidade das miofibrilas.

CONSTITUIÇÃO DAS MIOFIBRILAS


As miofibrilas são compostas por miofilamentos finos e grossos interpostos. Os grossos são semelhantes a
bastões paralelos e entrelaçados aos finos e são compostos principalmente pela miosina. Enquanto os miofilamentos
finos (figura abaixo) são compostos por actina.

1. Filamentos Grossos: são compostos por moléculas de miosina alinhadas extremidade por extremidade. Cada
molécula de miosina que a compõe é composta por duas cadeias pesadas idênticas e por dois pares de cadeias
leves.
 Meromiosina Leve: semelhante a um bastão compostas por duas cadeias polipeptídicas em forma de
bastão enrolado.
 Meromiosina Pesada: são as duas cabeças globulares com as duas porções proximais, formadas por
cadeias polipeptídicas enroladas uma em torno da outra.

2. Filamentos Finos: são compostos por duas cadeias de filamentos de actina F (formada por actinas G,
representadas pelas esferas beges no desenho acima) enrolados um em torno do outro, associados a
tropomiosina (em amarelo no desenho) e troponina (Tn, em azul no desenho). As troponinas são constituídas
por três polipeptídios globulares: o TnT (liga toda a molécula de Troponina a Tropomiosina), a TnC (grande
afinidade por Cálcio) e a TnI (liga-se a actina, impedindo a interação desta com a miosina enquanto a célula
estiver relaxada).

CONTRAÇÃO MUSCULAR
Essa contração obedece a “Lei do Tudo ou Nada” (necessita de um limiar mínimo de excitação para que haja a
contração) e é seguida pelo relaxamento do músculo. A contração do músculo esquelético obedece a seguinte
sequência:
1) Um impulso gerado ao longo do sarcolema é transmitido ao interior da fibra através dos túbulos T, de onde é
transmitido para as cisternas terminais do retículo sarcoplasmático.

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2) Os íons cálcio saem das cisternas, através de canais de liberação de cálcio, devido a despolarização dos túbulos
T. O cálcio cai no citosol e se ligam a subunidade TnC da troponina, alterando sua conformação.
3) A mudança da conformação desloca a tropomiosina para uma posição mais profunda, desmascarando o sítio
ativo (sitio de ligação da miosina) da molécula da actina.
4) O ATP presente na miosina (filamento grosso) é hidrolisado (ATP  ADP + Pi), permanecendo ligado a cabeça
da miosina (meromiosina pesada), estabelecendo sua ligação com a actina F, a qual vai estar livre do TnI uma
vez que o cálcio desempenhou o papel de liberar o sitio de ligação da miosina na actina. Esta ligação causa o
encurtamento do sarcômero, caracterizando a contração muscular.

RELAXAMENTO DO MUSCULO ESQUELETICO


Enquanto a concentração de cálcio estiver alta no citosol, os filamentos de actina permanecem ligados aos de
miosina. Cessando o impulso de estimulo, o cálcio deixa de ser liberado e ocorre o relaxamento muscular, que acontece
obedecendo a seguinte sequência:
1) As bombas de cálcio impulsionam-os para as cisternas terminais com o auxilio da proteína sequestrina.
2) Os níveis de cálcio diminuem no citosol e levam o TnC (troponina C) a perder Cálcio. Então a tropomiosina volta
a posição normal do relaxamento, mascarando o sitio ativo da actina.

FONTE DE ENERGIA PARA CONTRAÇÃO MUSCULAR


As células musculares utilizam 3 mecanismos para obtenção de energia:
 Sistema de Energia Fosfogênio: utiliza energia do ATP e da fosfocreatina dando contração máxima durante 9
segundos (3 segundos do ATP e 6 segundos da fosfocreatina).
 Sistema Glicogênio – Acido Lático: é uma energia adicional a partir do metabolismo anaeróbico fornecendo
contração máxima durante 90 a 100 segundos.
 Sistema Aeróbico: sustenta atividade física repetitiva (como o que ocorre em maratonas), e não a contração
máxima.

INERVAÇÃO DO MUSCULO ESQUELETICO


Todos os músculos esqueléticos recebem pelo menos dois tipos de fibras nervosas: uma motora (que induz a
contração) e as sensitivas (vão para os fusos).
As fibras musculares e o neurônio motor formam a unidade motora do músculo.

JUNÇÕES MIONEURAIS
É o local onde ocorre a transmissão do impulso do neurônio motor para a fibra muscular esquelética. A porção
terminal de cada ramo arborizado do neurônio dilata-se e cobre as placas motoras terminais de fibras musculares
individuais. As junções mioneurais são formadas pela terminação do axônio, fenda sinaptica e membrana da célula
muscular.

Botulismo: é causado pela ingestão de comida enlatada mal preservada. A toxina clostridiun butolinun
interfere na ligação do acetil colina, causando a paralisia muscular podendo levar a morte.
Miastenia Grave: é uma doença auto imune que o organismo produz anticorpos contra os receptores de
acetilcolina, bloqueando-os. Esse quadro pode levar a infecções pulmonares, comprometimento respiratório e
morte subsequente.
Neurotoxinas: algumas toxinas (bungarotoxina) expelidas por venenos de cobras podem se ligar a receptores
de acetilcolina causando a paralisia, levando a morte.

OBS: A rigidez cadavérica que ocorre após a morte é causada pela falta de ATP, impedindo a dissociação da actina com
a miosina.
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MÚSCULO ESTRIADO CARDÍACO


O músculo cardíaco é um músculo estriado involuntário que está restrito ao coração e a
região proximal das veias pulmonares. Suas células são originadas do mesênquima esplâncnico
cujas células dão origem ao epicárdio e miocárdio.
Essas células apresentam-se com grande núcleo oval, podendo ser binucleadas. As células
cardíacas formam junções de ponta a ponta denominadas discos intercalares que possuem,
transversalmente, desmossomos e zônulas de aderência e na parte lateral, junções comunicantes.
Essas junções funcionam possibilitando um rápido fluxo de informações célula a célula.

ORGANELAS
As estrias das fibras musculares são idênticas às do músculo esquelético. O mecanismo de
contração também é idêntico, entretanto, há algumas diferenças importantes relacionadas aos
túbulos T e retículo endoplasmático. Este não possui as cisternas terminais e sim pequenas
terminações que formam com os túbulos T as díades.
Com isso, o retículo sarcoplasmático perde grande parte da função de armazenar cálcio.
Desse modo, o cálcio flui para os túbulos T (que possui o dobro do tamanho em relação aos do músculo esquelético) e
penetram nas células musculares.
Diferentemente das fibras musculares esqueléticas, as cardíacas possuem potencial de ação prolongado,
causado pela abertura de canais lentos de cálcio e sódio, possibilitando a entrada lenta e contínua de muitos desses
íons, mantendo a ligação da actina e miosina (contração) por mais tempo.
A despolarização (retorno ao relaxamento) é feita por canais lentos de potássio que possibilitam também um
potencial de ação prolongado.

Hipertrofia cardíaca: não há aumento no numero de fibras miocárdicas, mas as células musculares
cardíacas tornam-se mais longas e com diâmetro maior. Isso causa uma disfunção em todo o processo
cardiovascular

MÚSCULO LISO
As células do músculo liso não possuem estrias e nem túbulos T. Estão presentes nas paredes
das vísceras ocas, vasos sanguíneos ductos das glândulas compostas, trato urinário e gastrointestinal. As
células desse músculo são involuntárias sendo controladas pelo sistema nervoso autônomo.
As fibras musculares lisas são células curtas e fusiformes com núcleo central. O citoplasma
dessas células possuem filamentos finos (compostos por actina, tropomiosina, mas não contém troponina)
e filamentos grossos (compostos por miosina). Na contração, a interação da actina com a miosina é de
longa duração e não obedece a “Lei do Tudo ou Nada”.
Há dois tipos de músculo liso: músculo liso multiunidades e unitário.
 Músculo Liso Multiunidades: podem se contrair independentemente uma das outras, pois cada
célula possui suprimento nervoso próprio.
 Músculo Liso Unitário: possui junções comunicantes e as fibras nervosas só estão presentes em
algumas células musculares.

REGENERAÇÃO DOS MÚSCULOS


 Músculo esquelético: aparentemente não tem capacidade de regeneração. Contudo, em pequenas lesões, as
células satélites podem realizar a função regenerativa, causando a hiperplasia.
 Músculo cardíaco: não possui nenhuma capacidade regenerativa. Em caso de lesão (por exemplo, infarto) o
tecido lesionado é substituído por tecido fibroso (tecido de cicatrização).
 Músculo liso: possuem capacidade regenerativa, pois suas células são capazes de realizar a mitose. Essa
regeneração pode ser feita pelos pericitos indiferenciados.

CÉLULAS MIOEPITELIAIS E MIOFIBROBLASTOS


As células mioepiteliais possuem actina e miosina e são capazes de contrair. Estão presentes em algumas
glândulas, como a mamária, auxiliando na liberação de sua secreção.
Os miofibroblastos assemelham-se aos fibroblastos, mas contém actina e miosina e têm capacidade de
contração, auxiliando na erupção dentária e na contração das feridas.

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FIBRAS VERMELHAS, BRANCAS E INTERMEDIÁRIAS


 Fibras vermelhas: ricas em proteínas mioglobinas, tendo mais capacidade de receber oxigênio. Apresenta
contração mais lenta por precisar de muito oxigênio, porém não se fatigam facilmente.
 Fibras brancas: pobres em mioglobinas, tendo menos capacidade de receber oxigênio. Apresenta contração
mais rápida, mas fatigam facilmente e possuem contração mais forte.

REVISÃO

Característica Musculo esquelético Musculo cardíaco Musculo liso


Sarcômeros Sim Sim Não
Núcleos Multinucleado; localização Um ou dois; localização Um; localização central
periférica. central.
Retículo Bem desenvolvido com Mal definido, alguns Pouco retículo endoplasmático (mas
Sarcoplasmatico cisternas terminais terminais pequenos não envolvido no armazenamento de
cálcio)
Túbulo T Sim, pequenos, participam Sim, grandes, participam Não
na formação das tríades na formação das díades
Junções celulares Não Discos intercalares Nexus (junções comunicantes)
Contração Voluntária (“Tudo ou Involuntária, rítmica e Involuntária, lenta e vigorosa; não é
Nada”) espontânea “Tudo ou Nada”
Controle de Cálcio Calsequestrina nas Cálcio de fontes Cavéolas
cisternas terminais extracelulares
Ligação de Cálcio Toponina C Troponina C Calmodulina
Regeneração Sim, através das células Não Sim
satélites
Mitose Não Não Sim
Fibras nervosas Somáticas motoras Autônomas Autônomas
Tecido Conjuntivo Epimísio, perimísio e Bainhas de tecido Bainhas de tecido conjuntivo e
endomísio conjuntivo e endomísio endomísio
Características Longas; cilíndricas; com Células ramificadas; discos Células fusiformes sem estrias;
distintivas núcleos periféricos intercalares; uninucleadas uninucleadas

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HISTOLOGIA: TECIDO CARTILAGINOSO

A cartilagem possui uma matriz firme flexível resistente as tensões mecânicas e secreta a matriz à qual se torna
presa. A cartilagem está envolvida na formação óssea endocondral (servindo de molde para os ossos) e formação óssea
intra-membranosa (formação de ossos chatos a partir de membranas pré-existentes).

CARACTERÍSTICAS GERAIS
 Tecido conjuntivo especializado, sendo um pouco mais rígido que o TCPD e mais flexível.
 Consistência rígida.
 Superfície ligeiramente elástica e muito lisa.
 Não possui vasos sanguíneos, linfáticos e nervos.
 Tem metabolismo baixo.

FUNÇÕES
 Suporte de tecidos moles;
 Reveste superfícies articulares;
 É essencial para formação e crescimento dos ossos longos;
 Facilita o deslizamento dos ossos nas articulações: reveste extremidades ósseas nas articulações protegendo-as
de maiores atritos;
 Forma o molde inicial de muitos ossos durante o desenvolvimento embrionário.

CONDROBLASTOS
São células situadas no pericôndrio semelhantes a fibroblastos, e estão próximas à cartilagem, podendo
facilmente multiplicar-se por mitose. Originam os condrócitos: os condroblastos criam lacunas e formam os condrócitos.

CONDRÓCITOS
Os condrócitos, in vivo, ocupam toda a lacuna; nos preparados histológicos aparecem retraídos. Suas principais
características são:
 Os periféricos são achatados e os centrais mais arredondados;
 Têm núcleo grande, nucléolo proeminente, citoplasma pouco corado, muitas mitocôndrias, RER e Complexo de
Golgi desenvolvido;
 Secretam colágeno, principalmente o tipo II, proteoglicanas e glicoproteínas;
 Vivem sob baixas tensões de oxigênio, degradando a glicose por mecanismo anaeróbio;
 Os nutrientes chegam do sangue por difusão, através da água de solvatação e pelo bombeamento promovido
pelas forças de compressão.

OBS: Os condrócitos são como condroblastos inativos. Porém, alguns raros, ainda têm capacidade de produzir
substâncias.
OBS: Na cartilagem, dentro de uma lacuna, pode haver vários (de 1 a 8) condrócitos (grupos isogênicos), que se
originam, por mitose, de um mesmo condroblasto.

COMPOSIÇÃO DA MATRIZ
É composta por proteoglicanas (condroitina 4 e 6
sulfatada e queratana sulfatada): até 200 moléculas de
proteoglicanas podem estabelecer ligações não covalentes com
01 molécula de ácido hialurônico.
Compostos de agrecana preenchem o interstício entre
os feixes de fibras colágenas.
As cadeias laterais de GAGs das PGs formam pontes
eletrostáticas com o colágeno. A glicoproteína de adesão
condronectina conecta os condrócitos à MEC.

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OBS: O ácido hialurônico liga-se as proteoglicanas, fixando as fibras colágenas, dando à cartilagem a sua resistência
característica. A condronectina vai fixar as fibras colágenas às células da cartilagem.
OBS: A consistência firme da cartilagem se deve às ligações eletrostáticas entre as GAGs sulfatadas e o colágeno, e à
grande quantidade de moléculas de água presas às GAGs (água de solvatação).

CARTILAGEM
A cartilagem não tem vasos sanguíneos, linfáticos ou nervos. Suas células recebem nutrientes do tecido
conjuntivo vascularizado que o envolve. A matriz extracelular é composta por glicosaminoglicanos, proteoglicanos, fibras
de colágeno e fibras elásticas, dando à cartilagem função amortecedora, além disso, cobre a superfície articular dos
ossos, possibilitando o deslizamento sem fricção.

PERICÔNDRIO
O pericôndrio é uma bainha de tecido conjuntivo que cobre a maior parte da cartilagem. É composta por uma
camada fibrosa externa e uma camada celular interna que secreta matriz extracelular. Ela é vascularizada,
fornecendo nutrientes para a cartilagem. Suas funções são de servir como fonte de novos condrócitos para o
crescimento, além da nutrição da cartilagem.
 Externa: fibrosa (colágeno tipo I), com fibroblastos e vasos sanguíneos;
 Interna: celular (células condrogênicas).

TIPOS DE CARTILAGEM

CARTILAGEM HIALINA
A cartilagem hialina é a mais abundante no corpo e é composta principalmente por fibras de colágeno tipo II.
Podem ser encontrados na superfície articular dos ossos, anéis dos brônquios e traqueia, nariz e laringe. Esta cartilagem
constitui o molde de muitos ossos durante o desenvolvimento embrionário (forma o primeiro esqueleto do embrião).

HISTOGÊNESE E CRESCIMENTO DA CARTILAGEM HIALINA


A cartilagem hialina é originada de células mesenquimatosas que se reúnem para formar massas densas
denominadas centro de formadoras de cartilagem. Essas células se diferenciam em condroblastos e estes passam a
secretar matriz extracelular em torno de si. Essa matriz envolve os condroblastos aprisionando-os em lacunas. Os
condroblastos aprisionados nas lacunas são chamados de condrócitos, que são capazes de se dividir, formando grupos
de duas a quatro células denominados grupos isógenos. As células de um grupo isógeno separam-se umas das outras
em lacunas individuais promovendo o crescimento intersticial.
As células mesenquimatosas presentes na periferia da cartilagem diferenciam-se em fibroblastos. Estes por sua
vez secretam um tecido conjuntivo denso não modelado dando origem ao pericôndrio (camada fibrosa externa formada
por fibras colágenas tipo I e a camada interna celular – células condrogênicas). As células condrogênicas do pericôndrio
dão origem aos condroblastos, e começam a sintetizar a matriz, caracterizando o crescimento por aposição.
 Crescimento Intersticial: o crescimento intersticial ocorre somente na fase inicial da formação da cartilagem
hialina e nas placas epifisárias dos ossos longos, com orientação paralela ao eixo maior do osso, tornando o
osso mais longo.

 Crescimento aposicional: o crescimento aposicional estabelece o crescimento de todo o resto da cartilagem do


corpo em um processo controlado que pode continuar durante toda a vida da cartilagem.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

CÉLULAS DA CARTILAGEM HIALINA


 Células Condrogênicas: são células fusiformes originadas de células mesenquimatosas e podem se diferenciar
em condroblastos e células osteoprogenitoras.
 Condroblastos: são originadas de duas fontes: as células condrogênicas da camada celular interna do
pericôndrio (crescimento aposicinal) e as células mesenquimatosas (crescimento intersticial).
 Condrócitos: são condroblastos envolvidos pela matriz extracelular. A matriz extracelular em torno dos
condrócitos é pobre em colágeno e rica em condroitino-sulfato, que contribui para a basofilia, metacromasia
(capacidade de mudar a cor do corante) e reação PAS+ (para determinar a presença de muco) dessa região
(Matriz Territorial); A Matriz Interterritorial é mais rica em colágeno II e pobre em proteoglicanas.

M ATRIZ DA CARTILAGEM HIALINA


É formada por fibras de colágeno tipo II, proteoglicanos e fluidos extracelular. A matriz extracelular é dividida em
duas regiões: matriz terterritorial (em torno de cada célula da lacuna, onde há presença de substâncias que se coram
mais densamente), rica em colágeno e pobre em proteoglicanos; e a matriz interterritorial (envolve a matriz territorial,
que se coram mais claras), pobre em colágeno tipo II e rica em proteoglicanos.

OBS: A calcificação é um processo normal e integral da formação endocondral do osso. Ocorre com a degeneração da
cartilagem hialina quando os condrócitos se hipertrofiam e morrem. Assim, a matriz começa a calcificar-se. Esse
processo está envolvido também no envelhecimento causando uma menor mobilidade e dor nas articulações. A
regeneração da cartilagem é pobre, exceto em crianças. Nelas, as células condrogenicas penetram na lesão e forma a
nova cartilagem. Quando a lesão é grande, as células formam um tecido conjuntivo denso, afim de reparar a lesão.

SUPERFÍCIE ARTICULAR
 Membrana Sinovial:
 Macrófagos (Células A)
 Fibroblastos (Células B)

 Líquido Sinovial:
 Ácido hialurônico
 Glicoproteínas (lubricina)
 Exsudato plasmático

CARTILAGEM ELÁSTICA
A cartilagem elástica assemelha-se a cartilagem hialina exceto por possuir fibras elásticas na matriz e no
pericôndrio. Está presente no pavilhão da orelha, tuba auditiva interna e externa, epiglote e laringe.
A camada fibrosa externa do pericôndrio é formada por fibras elásticas. As fibras elásticas estão interpostas por
fibras de colágeno tipo II, o que lhe dá uma maior flexibilidade.

FIBROCARTILAGEM
Ao contrário da cartilagem hialina e elástica, ela não possui pericôndrio e sua matriz possui fibras de colágeno tipo
I. Ela está presente nos discos intervertebrais, na sínfise púbica, nos discos articulares e ligadas ao osso.
A fibrocartilagem está associada à cartilagem hialina e ao tecido conjuntivo denso que se assemelha. Ela não
possui grandes quantidades de matriz, mas poucas fibras de colágeno tipo I.
Um exemplo clássico da incidência de fibrocartilagem são discos intervertebrais. Neles, a fibrocartilagem está
interposta entre as coberturas da cartilagem hialina, da superfície articular das vértebras sucessivas. Cada disco contém
um centro gelatinoso chamado núcleo pulposo (composto por células da notocorda emersas em uma matriz rica em
acido hialurônico). Grande parte do núcleo pulposo está envolvida pelo anel fibroso, o qual dá resistência contra forças
de tração enquanto o núcleo resiste a forças de compressão.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

OBS: O disco intervertebral rompido significa o rompimento do anel fibroso através do qual o núcleo pulposo faz
extrusão. Esta condição ocorre principalmente na região lombar das costas, quadro conhecido como hérnia de disco,
causando dor grave e intensa na região dorsal e inferior devido ao deslocamento do núcleo, o qual passa a comprimir os
nervos espinhais inferiores.

HISTOGÊNESE DAS CÉLULAS CARTILAGINOSAS EM GERAL


 Origem Mesenquimatosa (células-tronco): As
cartilagens são inicialmente formadas no embrião a
partir de células do mesênquima, que sofrem ação de
hormônios diferenciantes. Com isso, essas células
mesenquimáticas retraem seus prolongamentos e
tornam-se arredondadas.
 Maturação: As células multiplicam-se e formam
aglomerados de células com citoplasma basófilo,
semelhantes aos condroblastos, mas ainda com
pouca matriz.
 Formação de Condroblastos e da Matriz: inicia-se
a síntese de matriz, afastando os condroblastos uns
dos outros e aprisionando-os em lacunas dentro da
matriz.
 Diferenciação: As células aprisionadas passam a se chamar condrócitos que ainda se dividem, formando
grupos de 2 ou mais células (grupos isógenos).

MECANISMOS DE REGULAÇÃO

OBS:
 Mulher: na puberdade, a mulher produz muito estradiol, inibindo praticamente a produção de matriz
extracelular.
 Homem: produz testosterona, que estimula mais a síntese de matriz.
 Bebês e Infantes: diz-se que é saudável tomar banhos de Sol para que haja uma maior absorção de
vitamina D no tecido cartilaginoso e ósseo.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

HISTOLOGIA: TECIDO ÓSSEO

Os ossos formam o esqueleto, estrutura essencial de sustentação do corpo humano. Ele também protege órgãos
vitais como o encéfalo, medula espinhal, coração e pulmão além de servir de local para inserção de músculos,
participando do sistema locomotor e participar do armazenamento de minerais, principalmente o cálcio. Os ossos contêm
uma cavidade interna que abriga a medula óssea, órgão hematopoiético responsável pela produção das células do
sangue.
Todos os ossos são recobertos, tanto na superfície interna como na externa, por camadas de tecido contendo
células osteogênicas. Internamente, tem-se o endósteo (tecido conjuntivo frouxo), que contém uma camada de células
osteogênicas e osteoblastos. Externamente, o osso é revestido pelo periósteo (tecido conjuntivo denso), que nele é
composto por fibras externas de colágeno tipo I e substância fundamental rica em proteoglicanos e glicoproteínas.

MATRIZ ÓSSEA
A matriz óssea, considerada como material extracelular calcificado, é constituída por componentes orgânicos e
inorgânicos. Como não existe a difusão de substancias através da matriz calcificada do osso, a nutrição dos osteócitos
depende de canalículos que perfuram esta matriz. Esses canalículos possibilitam as trocas de moléculas e íons entre os
capilares sanguíneos e os osteócitos.

COMPONENTE INORGÂNICO
A parte inorgânica dos ossos constitui cerca de 65% de seu peso seco. Os principais constituintes são: cálcio,
fósforo, magnésio, citratos e bicarbonato. O cálcio e fósforo estão presentes na forma de cristais de hidroxiapatita que
esta ordenada entre as fibras de colágeno tipo I dando ao osso força e dureza. Os cristais atraem água formando a capa
de hidratação, permitindo trocas de íons com o fluido extracelular.

COMPONENTE ORGÂNICO
O componente orgânico do osso é composto principalmente por fibras de colágeno tipo I, mas também é
possível identificar outras estruturas como glicosaminoglicanos sulfatados (condroitino-sulfato e queratan-sulfato). Estes
glicosaminoglicanos se ligam covalentemente formando os proteoglicanos curtos. Estes por sua vez se ligam ao ácido
hialurônico formando os compostos de agrecanos. É possível também identificar a presença de glicoproteínas
(osteocalcina, osteopontina e sealoproteína).

CÉLULAS DO TECIDO ÓSSEO

CÉLULAS OSTEOPROGENITORAS
As células osteoprogenitoras são originárias das mesenquimatosas embrionárias, elas têm a capacidade de
realizar mitose e se diferenciar em osteoblastos. Em condições de baixa de oxigênio, essas células podem diferenciar-se
em células condroblásticas. As células osteoprogenitoras são mais abundantes no período de crescimento ósseo
intenso.

OSTEOBLASTOS
Os osteoblastos são produzidos a partir da
diferenciação das células osteoprogenitoras, sua principal
função é a secreção de matriz óssea orgânica (fibras
colágeno tipo I, proteoglicanos, glicosaminoglicanos).
Estão localizados na superfície dos ossos como células
colunares ou cuboides (semelhante a um arranjo de
epitélio simples). Além disso, os osteoblastos lançam
prolongamentos curtos que entram em contato para
formar as junções comunicantes.
Ao fazer a exocitose da matriz óssea, os
osteoblastos vão se envolvendo por essa matriz, ficando
situados em regiões denominadas lacunas, para formar os
osteócitos.
A maior parte da medula óssea vai ser calcificada
entre a matriz e os osteoblastos formando-se uma
camada delgada que os separam: o osteoide.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

Essas células possuem receptores ainda para hormônios paratireoidianos. Quando esse hormônio se liga aos
receptores, as células secretam ligante osteoprotegerina (OPGL), um fator indutor da diferenciação dos
préosteoclastos em osteoclastos, como o fator osteoclastoestimulante, que ativa os osteoclastos a reabsorverem ossos.

OSTEÓCITOS
Os osteócitos são células ósseas maduras derivadas dos osteoblastos que ficaram aprisionados dentro das
lacunas (um osteócito apenas por lacuna) da matriz extracelular calcificada. Das lacunas, irradiam canalículos que
abrigam os prolongamentos citoplasmáticos dos osteócitos. Esses prolongamentos entram em contato entre si,
formando junções comunicantes, permitindo a comunicação de íons e pequenas moléculas.
Os osteócitos são essenciais para a produção da matriz óssea, e sua morte é seguida por reabsorção da matriz.

OSTEOCLASTOS
São células gigantes e multinucleadas derivadas de um precursor na
medula óssea comum com os monócitos: a célula progenitora granulócita
macrófago. Os osteoclastos desempenham papel na reabsorção óssea
(participam dos processos de remodelação dos ossos) e estão localizadas
nas lacunas de Howship. Um osteoclasto está dividido em 4 regiões:
 Zona Basal: maior concentração de organelas. Está mais distante
das lacunas de Howship.
 Borda Ondulada: é a parte da célula responsável pela reabsorção
óssea. Ela possui projeções digitiformes, fazendo-a mudar
continuamente de forma ao se projetarem, formando o
compartimento subosteoclástico.
 Zona Clara: está localizada na periferia da borda ondulada. Possui
muitos filamentos de actina que formam o anel de actina,
contribuindo para as integrinas da plasmalema da zona clara manter
contato com a periferia óssea da lacuna de Howship.
 Zona Vesicular: está localizada entre a zona basal e a borda ondulada. É rica em vesículas endocíticas e
exocíticas que transportam enzimas lisossômicas para o compartimento subosteoclástico.

MECANISMO DE REABSORÇÃO OSSEA


Dentro dos osteoclastos, a enzima anidrase carbônica catalisa a informação de acido carbônico a partir de água
+ - +
e CO2. Na célula, o acido carbônico dissocia-se em H e HCO 3. Os íons bicarbonato, juntamente com o Na cruzam o
+
plasmalema da borda ondulada e penetram nos capilares próximos. As bombas de H presentes na borda ondulada
+
transportam ativamente o íon H para o compartimento subosteoclasto, reduzindo o pH do microambiente. Com isso, a
matriz é dissolvida devido à acidez e os minerais vão para os osteoclastos, e destes para a corrente sanguínea.
Hidrolases, metaloproteinases lisossômicas como a colagenase e a gelatinase, secretadas pelo osteoclastos,
degradam os componentes da matriz óssea, facilitando a sua absorção.

CONTROLE HORMONAL DA REABSORÇÃO OSSEA


A atividade de reabsorção óssea dos osteoclastos é regulado por dois hormônios: o paratormônio (estimula os
osteoblastos a liberar OPGL, estimulando, assim, a ação dos osteoclastos) e a calcitonina, produzidos respectivamente
pela paratireoide e tireoide. Além disso, participam desse controle: o estrógeno, o GH/IGF, 1,25-diidroxivitamina D, etc.

ESTRUTURA DO OSSO
Os ossos são classificados de acordo com sua forma anatômica
 Ossos Longos: Corpo situado entre duas cabeças. Ex: Tíbia
 Ossos Curtos: Possuem aproximadamente mesma largura e comprimento. Ex: Ossos do Carpo
 Ossos Chatos: São achatados delgados semelhantes a placas. Ex: Ossos da caixa Craniana
 Ossos Irregulares: Tem forma irregular. Ex: Esfenoide e Etmoide
 Ossos Sesamoides: Formam-se dentro de tendões. Ex: Patela

OBSERVAÇÃO MACROSCÓPICA DO OSSO


Em uma observação mais atenta aos ossos é possível classificar os ossos em compactos e esponjosos. Além
disso, é possível identificar nos ossos esponjosos as trabéculas e espículas. Estas se projetam da a superfície interna do
osso compacto para a cavidade da medula.
A medula óssea é composta por dois tipos: medula óssea vermelha, produtora de células do sangue e a medula
amarela constituída principalmente por gordura. O corpo de um osso longo é composto por duas epífises separadas pela
diáfise. Em pessoas em crescimento é possível identificar a placa epifisária, que separa a diáfise da epífise.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

A superfície articular dos ossos é revestida por cartilagem hialina, altamente polida, que reduz a fricção dos
ossos que se articulam. A placa epifisária e a metáfise são responsáveis pelo crescimento do osso em comprimento.
A diáfise é coberta pelo periósteo exceto nos tendões e onde os músculos se inserem no osso e na superfície
articular dos ossos. O periósteo é formado por tecido conjuntivo denso não-modelado, rico em fibras colágenas e são
fixas nos ossos pelas fibras de Sharpey. A camada externa ajuda a distribuir o suprimento sanguíneo enquanto a
camada celular interna possui células osteoprogenitoras e osteoblastos.

OBSERVAÇÕES MICROSCÓPICAS
Na observação microscópica é possível identificar dois tipos de ossos: Primário e secundário.
 Primário (Imaturo / não lamelar): é o primeiro osso a se formar durante o desenvolvimento fetal e durante a
reparação óssea. Ele é rico em osteócitos e em feixes de colágeno não modelado, que, mais tarde serão
substituídos por osso secundário.
 Secundário (maduro / lamelar): é osso maduro composto por lamelas paralelas ou concêntricas. Nesses ossos
apresentam trabéculas que se ligam com lacunas vizinhas formando uma rede de canais intercomunicantes, que
facilitam o fluxo de nutrientes hormônios, íons e produtos do catabolismo dos e para os osteócitos.

SISTEMAS LAMELARES DO OSSO COMPACTO SECUNDÁRIO


Nesse tipo de osso, existem quatro tipos de sistema de lamelas: Lamelas Circunferenciais externas e
internas, Sistema do Canal de Havers (osteon) e Lamelas intersticiais.
1. Lamelas Circunferenciais externas: estão situadas logo
abaixo do periósteo. Formam a região mais externa da diáfise
e contém fibras de Sharpey que ancoram o periósteo ao osso.
2. Lamelas Circunferênciais internas: envolvem
completamente a cavidade da medula óssea. Delas projetam-
se trabéculas para a cavidade da medula.
3. Sistema de Canal de Havers: cada sistema é composto por
cilindros de lamelas dispostas concentricamente em torno de
um espaço vascular denominado Canal de Havers. Dentro de
cada lamela, os feixes de colágeno são paralelos, mas com
orientação perpendicular ao das lamelas adjacentes. Cada
canal de Havers é forrado por uma camada de osteoblastos e
células osteoprogenitoras, que abrigam um feixe
neurovascular com tecido conjuntivo associado – são os
canais de Volkmann (unem os canais de Havers de osteons
adjacentes).
4. Lamelas Intersticiais (intermediárias): estão localizadas entre os osteons e estão envolvidas por linhas
cimentantes (uma delgada camada que envolve tanto os osteons quanto as lamelas intersticiais), compostas
principalmente por fibras de colágeno e substancia fundamental calcificada.
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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

HISTOGÊNESE DO OSSO
Durante o desenvolvimento embrionário, a formação do osso pode ocorrer de duas maneiras: intramembranosa
ou endocondral.
O primeiro osso a se formar é o osso primário, que mais tarde será reabsorvido e substituído pelo secundário,
que permanece por toda vida e é reabsorvido lentamente.

FORMAÇÃO OSSEA INTRAMEMBRANOSA


É o processo que ocorre na maioria dos ossos chatos (ossos frontal, parietal, partes do occipital e do temporal),
maxilares, além de contribuir para o crescimento dos ossos curtos e para o crescimento em espessura dos ossos longos.
Esse processo ocorre dentro do tecido mesenquimatoso, que é ricamente vascularizado. As células
mesenquimatosas se diferenciam em osteoblastos e estes passam a secretar a matriz óssea formando uma malha de
espículas entreabertas. Esta região de osteogênese é denominada centro primário de ossificação.
A calcificação segue-se rapidamente após a formação do osteoide. Os osteoblastos presos em sua matriz
tornam-se osteócitos.

Tecido mesenquimal diferenciado  células osteoprogenitoras  osteoblastos  espículas, trabéculas  osteócito

A continuidade da atividade mitótica das células mesenquimatosas dá origem às células osteoprogenitoras


indiferenciadas que dão origem aos osteoblastos.
Com o estabelecimento da rede de trabéculas, o tecido conjuntivo vascularizado situado nos interstícios
transforma-se em medula óssea.
A parte da membrana conjuntiva que não sofre ossificação passa a constituir o endósteo e o periósteo.

FORMAÇÃO OSSEA ENDOCONRAL


A maioria dos ossos longos e curtos forma-se por este tipo de ossificação, que ocorre em duas etapas:
 Forma-se um molde de cartilagem hialina em miniatura: a cartilagem hialina sofre modificações, havendo
hipertrofia dos condrócitos, redução da matriz cartilaginosa a finos tabiques, sua mineralização e a morte dos
condróctios por apoptose.
 O molde de cartilagem cresce e serve de esqueleto estrutural para desenvolvimento do osso, sendo reabsorvida
e substituída por este osso: as cavidades previamente ocupadas pelos condrócitos são invadidas por capilares
sanguíneos e células osteogênicas vindas do conjuntivo adjacente. Essas células diferenciam-se em
osteoblastos, que depositarão matriz óssea sobre os tabiques de cartilagem calcificada. Desse modo, aparece
tecido ósseo onde antes havia tecido cartilaginoso sem que ocorra transformação deste tecido naquele; os
tabiques de matriz calcificada da cartilagem servem apenas de ponto de apoio à ossificação.

ACONTECIMENTOS NA FORMAÇÃO ÓSSEA ENDOCONDRAL


1) Na região em que haverá formação óssea no embrião, desenvolve-se a cartilagem hialina, podendo esta
desenvolver-se pelo crescimento intersticial ou pelo crescimento por aposição. Os condrócitos da cartilagem
se hipertrofiam, acumulam glicogênio em seu citoplasma, dilatando suas colunas.
2) Concomitantemente, a região média da diáfise da cartilagem torna-se vascularizada. Quando isto ocorre, o
pericôndrio transforma-se em periósteo e as células condrogenicas em osteoprogenitoras.
3) Sobre a superfície do molde cartilaginoso, osteoblastos secretam matriz óssea formando um colar ósseo
subperiósteo por ossificação intramembranosa.
4) Esse colar ósseo impede a difusão de nutrientes para os condrócitos hipertrofiados, causando sua morte.
Este processo é responsável pela presença de lacunas, formando várias cavidades (como a futura cavidade
da medula óssea).

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

5) Os osteoblastos escavam furos no colar ósseo, permitindo que um botão periósteo, composto por células
osteoprogenitoras, células hematopoiéticas e vasos sanguíneos penetrem nas cavidades dentro do molde da
cartilagem.
6) As células osteoprogenitoras diferenciam-se em osteoblastos, que passam a secretar matriz óssea formando
um complexo cartilagem calcificada/osso calcificado.
7) Os osteoclastos começam a reabsorver o complexo dilatando a cavidade da medula. Com a continuação
desse processo, a diáfise da cartilagem é substituída por osso, exceto nas placas epifisárias.

ACONTECIMENTOS QUE OCORREM NO CENTRO SECUNDÁRIO DE OSSIFICAÇÃO


Os centros secundários de ossificação começam a formarem-se nas epífises em ambas as extremidades do
osso. Células osteoprogenitoras invadem a cartilagem da epífise, diferenciam-se em osteoblastos e começam a secretar
matriz óssea sobre o esqueleto cartilaginoso. Estes acontecimentos ocorrem, e a cartilagem é substituída por osso,
exceto na cartilagem articular e na placa epifisária.

CRESCIMENTO DO OSSO EM COMPRIMENTO


Os condrócitos da placa epifisária proliferam e participam do processo de formação óssea endocondral. Essa
proliferação ocorre no lado epifisário e a substituição por osso se dá do lado diafisário da placa.
A placa epifisária (que fica entre a epífise e a diáfise) é dividida em cinco zonas:
 Zona de Repouso (Cartilagem de Reserva): Onde existe cartilagem hialina sem qualquer alteração
morfológica. Os condrócitos na matriz possuem alto potencial em atividade mitótica.
 Zona de Proliferação: condrócitos em proliferação rápida formando grupos isogênicos em fileiras ou colunas
paralelas no sentido longitudinal do osso.
 Zona de Maturação e Hipertrofia: os condrócitos amadurecem, hipertrofiam e acumulam glicogênio e lipídios
no citoplasma. Os condrócitos entram em apoptose.
 Zona de Calcificação: ocorre a mineralização dos delgados tabiques de matriz cartilaginosa e termina a
apoptose dos condrócitos.
 Zona de Ossificação: esta é a zona em que aparece tecido ósseo. Capilares sanguíneos e células
osteoprogenitoras originadas do periósteo invadem as cavidades deixadas pelos condrócitos mortos. As células
osteoprogenitoras se diferenciam em osteoblastos, que formam uma camada contínua sobre os restos da matriz
cartilaginosa calcificada. Sobre esses restos de matriz cartilaginosa, os osteoblastos depositam a matriz óssea.
A matriz óssea calcifica-se e aprisiona os osteoblastos, que se transformam em osteócitos. Desse modo,
formam-se as espículas ósseas, com uma parte central de cartilagem calcificada e uma parte superficial de
tecido ósseo primário.

CRESCIMENTO DO OSSO EM LARGURA


O crescimento da diáfise em circunferência se dá por crescimento por aposição. As células osteoprogenitoras
da camada osteogênica do periósteo proliferam e se diferenciam em osteoblastos, que começam a depositar matriz
óssea sobre a superfície subperiosteal do osso.

CALCIFICAÇÃO ÓSSEA
A calcificação começa quando há deposição de fosfato de cálcio sobre a fibrila de colágeno. Esta calcificação é
estimulada por alguns proteoglicanos e pela osteonectina.
2+ 3-
Os osteoblastos liberam vesículas contendo íons Ca e PO 4, cAMP, ATP, pirofosfatase, proteínas ligantes de
2+
cálcio e fosfosserina. A membrana da vesícula da matriz possui numerosas bombas de cálcio, que transportam íons Ca
para dentro da vesícula. Com o aumento da concentração desse íon, ocorre cristalização e o cristal de hidroxiapatita em
crescimento rompe a membrana estourando a vesícula da matriz, liberando seu conteúdo.
A alta concentração de hidroxiapatita de cálcio, liberada pelas vesículas, agem como ninhos de calcificação, e
juntamente com a presença de fatores de calcificação e proteínas ligantes de cálcio, promove a calcificação da matriz.

REMODELAÇÃO ÓSSEA
No adulto, a formação e a reabsorção de osso permanecem em equilíbrio, enquanto o osso é remodelado para
atender às forças aplicadas sobre ele. Entretanto, o osso cortical e o osso esponjoso não são remodelados da mesma
maneira, pois os osteoblastos e as células osteoprogenitoras do osso esponjoso estão contidos dentro dos limites da
medula óssea, e por isso, estão sob influencia direta das células da medula.
A estrutura interna do osso adulto é remodelada continuamente com novo osso sendo formado e o osso morto
ou o que está morrendo, sendo absorvidos. Este processo está relacionado aos seguintes fatos:
 Os sistemas de Havers são substituídos continuamente.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 O osso precisa ser reabsorvido em uma área e ser adicionado em outra para adequar-se às mudanças das
tensões exercidas sobre ele (peso, postura, fraturas, etc.).

OBS: as lamelas intersticiais observadas no osso adulto são restos de sistemas de Havers remodelados.

FRATURAS
Após uma lesão, osso sofre uma séria de processos de reparo (formação óssea intramembranosa e endocondral)
responsável pela volta de sua integridade.
A) Vasos sanguíneos são rompidos perto da fratura e a hemorragia causada é a responsável pela formação de
um coágulo de fibrina, interrompendo o suprimento vascular.
B) O coágulo sanguíneo que preenche o local da fratura é invadido por pequenos capilares e por fibroblastos
provenientes do tecido conjuntivo circundante, havendo a formação de tecido de granulação e a migração de
células inflamatórias é intensa. Além disso, há a liberação de mediadores químicos e fatores de crescimento.
C) O coágulo é invadido por células osteoprogenitoras provenientes do endosteo, formando um calo de osso
trabecular. A camada mais profunda das células osteoprogenitoras em proliferação se diferenciam em
osteoblastos e começam a produzir um colar ósseo, aderindo-se ao osso morto. Outras células
osteoprogenitoras (com pouca oxigenação) se diferenciam em condroblastos, gerando uma camada
intermediária de cartilagem.
D) Toda a cartilagem recém-formada passa a ser substituída por osso primário formado por ossificação
endocondral, unindo os fragmentos de ossos por pontes de osso esponjoso, sendo necessário remodelar o local
da lesão. Com isso, há substituição do osso primário por secundário e o desaparecimento do calo. Todo o osso
morto acaba sendo reabsorvido por osteoclastos e substituído por osteoblastos que invadiram a região.

FATORES QUE DETERMINANTES DO PICO DE MASSA ÓSSEA


 Tipo de receptor herdado para vitamina D
 Estado nutricional
 Intensidade de atividades físicas
 Estado hormonal

CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES


 Diartroses ou Articulações Sinoviais: são articulações móveis que permitem movimentos amplos. Sua
estrutura é complexa e devemos identificar: Cavidade articular: onde encontramos a sinóvia (membrana
sinovial que forra internamente a cavidade articular), superfícies ósseas articulares, cartilagem articular (que
reveste a superfície óssea articular e a cápsula articular). Nas diartroses devemos identificar formações
fibrocartilaginosas que são: Lábios (orlas ou rodetes) comumente encontrados na articulação escápulo-umeral
como é o caso do lábio glenoidal; discos, encontrados nas articulações clavículo-esternal e têmporo-mandibular,
e meniscos, encontrados nas articulações dos joelhos, descrevem a forma de meia lua.
 Sinartroses ou Articulações Fibrosas: As articulações fibrosas incluem todas as articulações nas quais os
ossos são mantidos por tecido conjuntivo fibroso também conhecido como ligamento sutural.
 Sincondroses: cartilagem do tipo hialina que, com o passar do tempo (fim do crescimento), ossificam,
passando a se chamar sinostoses.
 Sindesmoses: articulações fibrosas localizadas entre os ossos longos do esqueleto apendicular do
antebraço e da perna.

24
Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

Nanismo: retardo do crescimento em crianças com deficiência de vitamina D, sem a qual, a mucosa intestinal não
absorve cálcio.
Gigantismo: crescimento exagerado dos ossos em crianças.
Acromegalia: ocorre nos adultos com excesso de secreção de somatotrofina, causando um espessamento
anormal dos ossos.
Osteoporose: diminuição da massa óssea devido à queda dos níveis de estrógeno, diminuindo a atividade de
osteoblastos. Com isso, a reabsorção óssea por meio dos osteoclastos passa a ser maior.
Raquitismo: ocorre em crianças com deficiência em vitamina D. Distúrbios na calcificação das cartilagens, ossos
deformados.
Osteomalácia: deficiência de vitamina D em adultos.
Tumores ósseos:
 Condromas (benigno)
 Condrossarcomas (maligno)
 Osteomas (benigno)
 Osteossarcomas (maligno)

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

MÓDULO: LOCOMOTOR 2015


Arlindo Ugulino Netto, Rayza Prado.

FISIOLOGIA: TRANSMISSÃO NEUROMUSCULAR

UNIDADE MOTORA
Uma fibra muscular é inervada por um único motoneurônio, mas um
motoneurônio pode inervar várias fibras musculares (o que prova que a
secção de apenas um segmento medular não corresponde, obrigatoriamente,
à paralisia de um músculo, mas apenas uma paresia, ou seja, fraqueza).
Portanto, uma unidade motora pode ser definida como um só neurônio
motor alfa mais as fibras musculares que ele inerva.
As fibras musculares de uma mesma unidade motora ficam muito
dispersas por todo o músculo. Quando é necessário um controle muscular
fino e preciso, tal como nos músculos extraoculares ou nos pequenos
músculos da mão, as unidades motoras só têm poucas fibras musculares.
Entretanto, nos grandes músculos dos membros, tais como o glúteo máximo,
onde não é necessário controle preciso, um nervo motor único pode inervar
várias centenas de fibras musculares. A existência de permite, ainda, que
haja o revezamento para economia de energia determinando quantas e quais
unidades serão usadas.
Dos diversos tipos de unidade, podemos destacar:
 Unidade motora R ou Fast fatigable (FF): fibra muscular de grande força e baixo tempo contrátil; larga, grande
e “branca”. Apresenta motoneurônios grandes com axônios calibrosos, com alto limiar de excitabilidade, de
condução e de frequência de disparo. Contudo, apresentam baixa resistência à fadiga. Realizam, praticamente,
um metabolismo anaeróbico (sendo muito pobre em mitocôndrias e em mioglobinas e, por esta razão, são
chamadas de fibras brancas), convertendo glicose até lactato.
 Unidade motora L ou Slow (S): fibra muscular de pequena força e tempo contrátil; curta, fina e “vermelha”.
Apresenta motoneurônios pequenos com axônios finos, com baixo limiar de excitabilidade, de condução e de
frequência de disparo. Contudo, apresenta alta resistência à fadiga. Faz metabolismo aeróbico (apresenta
mitocôndrias e mioglobina, demonstrando-se avermelhada), que quebra a glicose por meio do ciclo de Krebs e
Cadeia respiratória. São capazes também de consumir ácidos graxos por meio da β-oxidação.
 Unidade motora Intermediária ou Fast, Fatigable Resistent (FFR): intermediária entre as anteriores.
45
OBS : O treinamento constante faz com que a fibra muscular produza mitocôndrias cada vez mais, o que gera um
condicionamento físico adaptativo. Isto quer dizer que, com o passar do desenvolver da atividade física, o indivíduo se
torna cada vez mais capaz de realizar tal atividade com mais facilidade e menos desgaste físico.

JUNÇÕES NEUROMUSCULARES NO MÚSCULO ESQUELÉTICO


Assim que cada grande fibra mielinizada alfa chega a um músculo esquelético, ele se ramifica por várias vezes.
O número de ramos depende das dimensões da unidade motora.
Um ramo isolado, em seguida, termina sobre uma fibra muscular, no local referido como junção neuromuscular
(mioneural) ou placa motora. A maioria das fibras musculares é inervada por apenas uma placa motora. Ao chegar à
fibra muscular, a fibra nervosa perde sua bainha de mielina e se ramifica em terminações muito finas. O axônio
expandido e sem revestimento ocupa uma goteira na superfície da fibra muscular (cada goteira é formada pela
invaginação do sarcolema). O assoalho desta goteira é formado por numerosas pregas (pregas juncionais) que servem
para aumentar a área de superfície do sarcolema que fica próxima do axônio sem revestimento. O espaço entre o
sarcolema e o terminal sináptico chama-se fenda sináptica. A placa motora é reforçada pela bainha de tecido conjuntivo
da fibra nervosa, o endoneuro, que se torna contínua com a bainha de tecido conjuntivo da fibra muscular, o endomísio.
Tem-se então que a Placa Motora = Membrana nervosa + Fenda sináptica + Membrana muscular.

ACOPLAMENTO EXCITAÇÃO-CONTRAÇÃO
Na placa motora (ou mioneural), região em que há a relação do neurônio motor
α com a fibra muscular por ele inervada, assim que chega o potencial de ação (com
2+
abertura de canais de Ca regulados por voltagem no axônio), ocorre a liberação de
vesículas contendo acetilcolina.
A região muscular associada à placa motora apresenta receptores nicotínicos
que quando a acetilcolina se liga leva a abertura de canais colinérgico que permite a
2+, + +
entrada apenas de íons positivos como Ca Na e K , uma vez que possui cargas
negativas na abertura levando a uma despolarização da célula motora (potencial da
2+
placa motora). Este potencial de ação leva a abertura de canais de Ca volt-
26
Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

dependentes nos túbulos T, que promovem um efluxo considerável destes íons a partir dos retículos sarcoplasmáticos,
gerando uma mudança na conformação da actina e miosina que compõe a fibra muscular, o que determina a contração.
O retorno do cálcio para o retículo, para que cesse a contração, se dá pela presença de uma enzima, cálcio
sequestrina, que atrai o íon e também por uma bomba de cálcio presente no membrana do retículo sarcoplasmático.
Uma vez que a acetilcolina tenha cruzado a fenda sináptica e ativado os canais iônicos na membrana pós-
sináptica, ela é imediatamente hidrolisada pela enzima acetilcolinesterase (AchE), o acetil é metabolizado e a colina é
reabsorvida por células satélites para formação de mais acetilcolina. Após a redução das concentrações de ACh na
fenda, os canais iônicos se fecham.
Ao redor das miofibrilas, permitindo a comunicação do meio intracelular como líquido extracelular, existe uma
rede de túbulos, os túbulos T. Os túbulos T se ligam às cisternas terminais do retículo sarcoplasmático, e o potencial de
ação da membrana também propaga ao longo do seu trajeto provocando a contração muscular. O potencial
rapidamente se propaga entre os túbulos através do sarcolema liberando uma grande quantidade de íons cálcio que
estão presentes dentro dos túbulos e se espalham entre as miofibrilas causando a contração, esta permanece enquanto
houver cálcio disponível no meio. O sequestro de cálcio para o retículo sarcoplasmático por meio da calsequestrina e
bomba de cálcio com gasto de energia nos túbulos T, faz com que a contração seja interrompida.
1 2+
OBS : Na medida em que se acrescentam maiores concentrações de Ca na fibra muscular, esta apresenta, cada vez mais, uma
maior força de concentração, até chegar ao seu limite específico.
2
OBS : A sequência de eventos que ocorrem na placa motora pela estimulação do nervo motor pode ser resumida do modo a seguir:
ACh  Receptor para ACh do tipo nicotínico e abertura dos canais regulados pela ACh 
+
Influxo de Na  Geração do potencial da placa motora.
+
Potencial da placa motora (se for suficientemente grande)  Abertura dos canais regulados de Na 
+
Influxo de Na  Geração de potencial de ação muscular.
2+
Potencial de ação muscular  Liberação aumentada de Ca  Contração da fibra muscular.
Hidrólise imediata da acetilcolina pela AchE  Fechamento dos canais regulados pela ACh  Repolarização da fibra
muscular.
3
OBS : Caso haja uma alta frequência de impulsos nervosos as vesículas de acetilcolina são diminuídas de tal forma que os impulsos
deixam de ser transmitidos à fibra muscular, é o chamado Fator de Segurança, que leva à fadiga da junção neuromuscular.

Há três tipos de drogas que influenciam na transmissão da junção neuromuscular.


 Estimulam por ação semelhante à acetilcolina
No caso desses fármacos chegarem ao sítio receptor da placa, eles podem produzir as mesmas alterações que a
acetilcolina, imitando suas ações. Quando uma contração se cessa as áreas despolarizadas geradas por elas pelo
vazamento de íons promove um novo potencial de ação. Alguns exemplos são a nicotina, o carbacol e a
metacolina, e levam ao estado de espasmo muscular.
 Estimulam inativando a acetilcolinesterase
Essas drogas, ao inativarem a acetilcolinesterase, fazem com que haja o acúmulo de acetilcolina no espaço
sináptico estimulando sem parar a fibra, provocando também espasmos que podem até levar à morte por asfixia
caso ocorra na laringe. As drogas são: neostigmina e fisostigmina, que permanecem inativando por horas, e o
fluorofosfato de diisopropil, que permanece até por semanas.
 Bloqueiam a transmissão
Outros fármacos competem com a acetilcolina (agentes bloqueadores competitivos), que são as drogas
curariformes tais como a tubocurarina, que faz com que o músculo esquelético relaxe e não se contraia pois
impede que acetilcolina se ligue ao canal colinérgico.

Miastenia Gravis
Anticorpos atacam os íons sódio controlados pela acetilcolina, assim, as fibras nervosas não conseguem enviar
sinais suficientes para a contração da fibra muscular. Faz-se o uso de drogas anticolinesterásicas para acúmulo
de acetilcolina. Em casos graves pode causar morte por paralisia dos músculos respiratórios. A Miastenia Gravis
deve ser diferenciada de outra síndrome miastênica bastante conhecida, que é a síndrome de Eaton-Lambert.

Síndrome de Eaton-Lambert Miastenia Gravis


 Reflexos reduzidos ou abolidos  Reflexos mantidos
 Disautonomias como boca seca e importância  Ausente
 Anticorpos contra canais de Cálcio pré-  Anticorpo contra receptor pós-sináptico de acetilcolina
sinápticos
 Padrão incremental  Padrão decremental

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

FISIOLOGIA: CONTRAÇÃO DO MÚSCULO ESTRIADO ESQUELÉTICO

ANATOMIA FISIOLÓGICA DO MUSCULO ESQUELÉTICO


As células do músculo estriado, chamadas fibras musculares, são compostas por milhares de miofibrilas que, por
sua vez, se constituem de actina e miosina, responsáveis pela aparência estriada do músculo e dispostas em
sarcômeros. A disposição desses miofilamentos no sarcômeros se dá da seguinte maneira:
 São delimitados pelos Discos Z, filamentos de proteína que cruza a miofibrila e onde se ligam os
filamentos de actina transversalmente;
 Faixas I só possuem actina, são as regiões claras dos sarcômeros;
 As Faixas A são compostas de miosina e actina interdigitadas, ficam entre as faixas I e são constantes
em tamanho na contração;
 A Faixa H é composta apenas por miosina e é central à faixa A;
 A Linha M é onde os filamentos de miosina se prendem, é central à Faixa H.

O que mantem a união dos filamentos de actina e miosina são proteínas flexíveis que atuam como arcabouço
chamadas titinas.
As miofibrilas estão suspensas no sarcolema, líquido intracelular rico em potássio, magnésio e fosfato, além de
inúmeras mitocôndrias para fornecimento de energia (ATP) e o retículo sarcoplasmático que as circundam.

MECANISMO MOLECULAR DA CONTRAÇÃO MUSCULAR


A contração muscular ocorre pelo deslizamento dos filamentos de actina e miosina, que se comunicam através
das pontes cruzadas, na presença de íons cálcio e com gasto de ATP.
O filamento de miosina possui dois tipos de cadeias, a pesada, que vai formar a cauda da miosina em dupla
hélice e no fim terá uma projeção, e a cadeia leve, localizada ao redor dessas projeções formando a cabeça da miosina.
As projeções são flexíveis e é nela que ocorre a comunicação com o filamento de actina por meio das pontes cruzadas.
Na cabeça ainda encontra-se uma enzima ATPase responsável por gerar energia para sua flexão e extensão
promovendo movimento entre os filamentos.
Já o filamento de actina é composto por uma dupla hélice de
actina, que possui um sítio ativo com ADP onde interagirá com as pontes
cruzadas, e tropomiosina, que recobre os locais ativos da actina durante
o repouso. A troponina é formada por 3 subunidades, troponina I, C e T,
que liga-se à tropomiosina. A subunidade I se liga à actina, a T à
tropomiosina e a troponina C é o local onde os íons cálcio se ligam,
estimulando o aprofundamento da tropomiosina descobrindo assim os
sítios ativos da actina permitindo o deslizamento entre os filamentos.

28
Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

Com a área ativa da actina descoberta, inicia-se o movimento de força das cabeças da miosina em direção aos
braços. A energia do ATP clivado é armazenada e quando há inclinação da cabeça da miosina o Pi liberado da miosina
se solta e liga ao ADP de uma nova área ativa da actina, assim sucessivamente.

TENSÃO DA CONTRAÇÃO MUSCULAR


A não sobreposição dos filamentos de miosina e actina
indicam nenhuma tensão sobre a fibra. A tensão máxima ocorre
quando todos os filamentos de actina estão sobrepostos havendo ou
não o encontro no centro do filamento de miosina (diferença entre B
e C no gráfico). Quando há a aproximação dos dois discos Z com a
miosina a tensão ativa da fibra muscular diminui e com a
continuidade da contração o encurtamento do sarcômero continua e
diminui drasticamente a tensão.

29
Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

FISIOLOGIA: CONTRAÇÃO DO MÚSCULO LISO

As fibras dos músculos lisos são bem menores quando comparadas


com as do músculo esquelético e diferem também quanto ao arranjo físico
interno de suas fibras, porém mantém a atração actina-miosina, sem a
presença do complexo troponina, para promover a contração e é ativado por
íons cálcio com gasto de energia.
Existem dois tipos de fibras musculares lisas. O músculo liso
multiunitário é constituído por fibras separadas e recobertas por uma
membrana basal glicoproteica isolante tornando-as independentes umas das
outras, é estimulada principalmente por sinais nervosos, são encontrados no
músculo da íris e piloeretores. Já o músculo liso unitário ou sincicial ou,
ainda, visceral trata-se de uma massa de fibras em forma de folhetos ou
feixes que são ligados por junções comunicantes e atuam em unidade. É
encontrado na maior parte das vísceras e o controle é geralmente exercido
por estímulos não nervosos.

ORGANIZAÇÃO DAS FIBRAS


No músculo liso os filamentos de actina estão em maiores quantidades que os de miosina. Eles partem dos
corpos densos, análogos aos discos Z, e se sobrepõem a um único filamento de miosina. Os corpos densos se ligam à
células adjacentes, membrana celular e também estão dispersos no interior da célula, e é através deles que a força de
contração é transmitida entre as células. As pontes cruzadas das miosinas possuem uma polarização lateral, ou seja,
seus lados se dobram para lados diferentes permitindo uma maior contração das fibras em comparação às esqueléticas,
quase 3 vezes mais.

CARACTERÍSTICAS DO MÚSCULO LISO COMPARADAS AO ESQUELÉTICO


As fibras do músculo liso possui diâmetro menor e apresenta contrações prolongadas que podem durar horas,
isso se deve à menor atividade da enzima ATPase. O musculo pode manter uma contração prolongada, forte e com
baixo consumo de energia, o mecanismo de trava, com estímulo contínuo às fibras seja ele nervoso ou endócrino. A
contração prolongada resulta em poucos ciclos de fixação entre as pontes cruzadas e a actina, já promovendo um baixo
consumo energético quando comparado ao esquelético. Outra diferença é que uma vez excitado, o músculo liso demora
a se contrair e alcançar a contração plena porém a força da contração é igual ou até mesmo maior que o esquelético e o
poder de encurtamento também é maior.

MECANISMO DE CONTRAÇÃO
Como já mencionado, as fibras do músculo liso contém filamentos de actina e miosina responsáveis pela
contração. Esta ocorre inicialmente com o aumento da concentração de íons cálcio no meio intracelular que pode
acontecer por estímulos neurais, hormonais ou estiramento da célula.
2+
O Ca vai se ligar a calmodulina, esse complexo cálcio-calmodulina vai ativar a miosina quinase que por sua vez
provoca a fosforilação da cadeia reguladora na cabeça da miosina permitindo, então, a ligação entre actina e miosina
gerando a contração muscular.
Quando os níveis de cálcio diminuem, uma enzima chamada fosfatase da miosina cliva o fosfato da cadeia leve
reguladora que desfosforila-se cessando a interação actina-miosina. O tempo para o relaxamento muscular depende,
então, da quantidade de fosfatase ativa na célula.

JUNÇÕES NEUROMUSCULARES
As fibras nervosas autônomas que inervam o músculo liso
não fazem contato direto com as células musculares. Há junções
difusas que são responsáveis por secretar substâncias
transmissoras que irão se difundir nas células.
No axônio há interrupções das células de Schwann, as
varicosidades, onde se encontra vesículas como nas placas
motoras do músculo esquelético, umas contém acetilcolina e
outras norepinefrina. Nas células do músculo liso o estímulo pode
ser inibitório ou excitatório, pois possuem os dois receptores,
quando a acetilcolina for substancia inibitória, a norepinefrina será
excitatória e vice versa.

30
Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

POTENCIAIS DE AÇÃO DO MÚSCULO LISO VISCERAL


Os potenciais de ação do músculo visceral (unitário) ocorrem da mesma forma que no músculo esquelético. O
principal responsável para gerar o potencial de ação são os íons cálcio, os íons sódio possuem pouca influência sobre
os músculos lisos. Os potenciais ocorrem de duas maneiras: em ponta e em platô
 Potenciais em Ponta: acontece na maior parte dos músculos lisos unitários, tem curta duração, cerca de 10-
50ms, e podem ser desencadeados por estímulos elétricos, hormonal, estiramento, geração espontânea da
própria fibra muscular ou substâncias transmissoras de fibras nervosas.
 Potenciais em Platô: após o inicio da despolarização, a repolarização acontece de forma lenta, pode estar
associada ao prolongamento da contração dos músculos lisos como o ureter, vasos e útero em certas
condições.

OBS1: A geração espontânea de potencial de ação no músculo liso pode ocorrer devido ao bombeamento de ions positivos que
podem gerar ondas lentas que quando alcançarem amplitudes suficientes provocam um ou dois potenciais de ação. Isso desencadeia
a contração rítmica da musculatura lisa, como ocorre no intestino.

FUNÇÃO DO CÁLCIO NA CONTRAÇÃO


O influxo de cálcio na fibra muscular lisa tanto é responsável
diretamente pela contração ligando-se à calmodulina, como também pela
despolarização da membrana. A fonte de cálcio para a contração, ao contrário
do músculo esquelético, é extracelular, e o tempo necessário para a difusão
chama-se período de latência. O fim da contração muscular se dá pelo
trabalho ativo das bombas de cálcio que retiram o cálcio de dentro da célula
para fora e para dentro do retículo sarcoplasmático. A diminuição do cálcio
extracelular essa a contração do músculo.
Próximo às membranas da célula encontra-se o retículo
sarcoplasmático e na membrana pequenas invaginações, as cavéolas, que
fazem contato com o retículo. Ao transmitir um potencial de ação para as
cavéolas elas provocam o os túbulos sarcoplasmáticos a liberarem íons
cálcio.

31
Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

MÓDULO: LOCOMOTOR 2015


Arlindo Ugulino Netto; Prof. Roberto Guimarães Maia.

ANATOMIA: SISTEMA ESQUELÉTICO

O sistema esquelético consiste no conjunto de órgãos rijos e esbranquiçados, denominados ossos, constituídos
por um tecido fundamental, o tecido ósseo, os quais quando reunidos formam o esqueleto, responsável por dar à forma
do corpo humano e ainda desenvolver várias outras funções.

ESQUELETO
Conceito de Esqueleto: conjunto de estruturas responsáveis por constituir o arcabouço de um órgão ou do corpo
humano como um todo, e ainda desempenhar diversas outras funções.

OBS: O esqueleto do corpo humano é constituído por ossos, porém, órgãos como o coração também exibem esqueleto,
não de tecido ósseo e sim de Tecido Conjuntivo Fibroso.

FUNÇÕES DO ESQUELETO
As principais funções do esqueleto são:
 Arcabouço
 Sustentação
 Locomoção
 Proteção de órgãos vitais
 Armazenamento de Íons
 Hematopoese

TIPOS DE ESQUELETO
 Esqueleto Articulado: onde os ossos se apresentam unidos uns aos outros.
o Articulado Natural: onde as peças ósseas estão unidas entre si pelos próprios meios de união que os
mantinham unidos quando em vida (cartilagens e ligamentos).
o Articulado Artificial: onde as peças ósseas estão unidas entre si através de peças de metal.
o Articulado Misto: quando na união entre alguns ossos do esqueleto se utilizam os meios naturais, e para
outros se recorre a meios artificiais.

 Esqueleto Desarticulado: as peças ósseas estão isoladas umas das outras.

NÚMERO DE OSSOS
Número de Ossos
Ossos do crânio 08
Ossos da face 14
Coluna vertebral 26
Osso hioide 01
Ossículos da orelha 06
Costelas e esterno 25
Membros superiores 64
Membros inferiores 62
Total 206

O número de ossos pode variar de acordo com os seguintes fatores:


 Fator etário: na infância a subdivisão de alguns ossos determina um número maior de peças no esqueleto da
criança quando comparado ao adulto, já na idade senil, a fusão (através de sinosteoses) que acontece,
principalmente, entre os ossos da calota craniana, vai gradativamente diminuindo o número de ossos no
esqueleto.
 Fator individual: compreende uma situação que ocorre em um único indivíduo, alterando o número de ossos no
seu esqueleto, como por exemplo, a persistência da sutura frontal no adulto, subdividindo o osso em dois, ou a
presença de ossos extranumerários.

DIVISÃO DO ESQUELETO
 Esqueleto Axial: é constituído pelos ossos que formam o longo eixo do corpo humano: ossos da cabeça, da
coluna vertebral, e do tronco.

32
Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Esqueleto Apendicular: Está representando pelos ossos que formam o arcabouço dos membros superiores e
inferiores. Incluem o cíngulo e a parte livre.

CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS


A principal forma de classificar os ossos leva em consideração, o comprimento, largura, e espessura dos
mesmos, considerando também as relações entre estas dimensões e a sua influência na determinação da forma do
osso.
Assim são classificados os seguintes grupos:
 Ossos Longos: neste grupo há o predomínio do comprimento sobre as outras dimensões. São constituídos por
um corpo com uma escavação central, o canal medular; e duas extremidades, as epífises. Excluindo-se a
escápula, o osso do quadril, patela, e os ossos do carpo e tarso, todos os demais ossos do esqueleto
apendicular dos membros superior e inferior, são ossos longos. Todos os ossos longos são divididos em três
partes, o corpo, e duas extremidades dilatadas, as epífises, uma proximal e outra distal. Durante o período de
crescimento, entre as epífises e o corpo encontramos um disco de cartilagem, o disco epifisal; esta é a região do
osso onde encontramos a denominada metáfise. No centro do corpo encontramos uma escavação: a cavidade
medular.
 Ossos Curtos: observamos que existe um equilíbrio nas três dimensões. Apresentam uma forma que lembra
um cubo.
 Ossos Planos: há o predomínio do comprimento e da largura sobre a espessura. São ossos bastante delgados.

Alguns ossos do esqueleto, em razão de suas particularidades morfológicas ou de exigências funcionais,


apresentam uma forma incompatível com os grupos antes descritos, havendo então a necessidade do aparecimento de
novos grupos:
 Ossos Irregulares: são ossos envolvidos com funções altamente elaboradas. Sua morfologia complexa é o
resultado das exigências funcionais que sempre acompanham os ossos deste grupo. Encontramos ossos
irregulares na composição da face, base do crânio, e coluna vertebral. Além desses ossos também apresentam
forma irregular o osso hioide, e os ossículos da orelha média.
 Ossos Pneumáticos: nestes ossos encontramos uma ou mais cavidades, denominadas seios, revestidas por
mucosa, e contendo ar no seu interior. Ossos pneumáticos são encontrados no esqueleto axial da cabeça. São
ossos pneumáticos: o frontal, as maxilas, etmoide, o esfenoide, e os ossos temporais. Todos os ossos deste
grupo se relacionam com cavidades aéreas. A maioria deles está associada à cavidade nasal, a exceção é o
osso temporal que se comunica com a orelha média.
 Ossos Alongados: neles há o predomínio do comprimento sobre as outras dimensões, porém não podem ser
classificados como longos, pois são achatados e não exibem canal medular. Entram na composição do
arcabouço do tórax, sendo representados pelo osso esterno e pelas costelas.
 Ossos Sesamoides: apresentam forma semelhante a de uma semente, desenvolve-se a partir da substância de
um tendão muscular, ou da cápsula de uma articulação sinovial. A maioria dos sesamoides são também
supranumerários. Os ossos sesamoides são encontrados no esqueleto apendicular. A maioria dos ossos
sesamoides é extranumerária, encontrados no metacarpo e metatarso. Apenas a patela entra na contagem da
série normal.

OBS: O osso hioide não se articula com nenhum outro osso do esqueleto, está suspenso através de músculos e de um
ligamento, na face anterior do pescoço, abaixo da mandíbula e acima da laringe.

ROTEIRO PARA ESTUDO PRÁTICO

OSSO FRONTAL
 Posição anatômica: face convexa voltada para diante, e a porção do osso que apresenta um recorte (incisura
etmoidal) voltada para baixo.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Divisão anatômica
 Margens: parietal; supra-orbital; esfenoidal
 Faces: interna; externa; orbital; temporal
 Parte nasal
 Face externa:
 Arco superciliar
 Glabela
 Túber frontal
 Face interna
 Sulco do seio sagital superior
 Crista frontal
 Face orbital
 Face temporal
 Linha temporal
 Processo zigomático
 Parte nasal
 Incisura etmoidal
 Abertura do seio frontal

OSSO OCCIPTAL
 Posição anatômica: face côncava para cima e para diante, grande abertura ( forame magno ) voltada para
baixo e em direção horizontal.

 Divisão anatômica:
 Margens: mastoidea; lambdoidea.
 Faces: externa e interna.
 Porções: escamosa; basilar.
 Face externa:
 Forame magno
 Protuberância occiptal externa
 Crista occiptal externa
 Côndilo do occiptal
 Canal do nervo hipoglosso
 Canal condilar.
 Face interna:
 Clivo
 Protuberância occiptal interna
 Crista occiptal interna
 Fossas cerebrais e cerebelares
 Sulco do seio sagital superior
 Sulco do seio transverso

OSSO PARIETAL
 Posição anatômica: face côncava para o plano mediano, e ângulo mais agudo para baixo e para diante.
34
Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Divisão anatômica:
 Margens: frontal; occiptal; escamosa; sagital.
 Ângulos: frontal; occiptal; esfenoidal; mastoideo.
 Faces: externa; interna.
 Face externa:
 Túber parietal
 Face interna:
 Sulco da a. Meníngea média

OSSO ETMOIDE
 Posição anatômica: saliência óssea com forma de crista de galo (crista etmoidal) voltada para cima e para
diante.

 Lâmina vertical
 Crista etmoidal
 Lâmina perpendicular
 Lâmina horizontal
 Lâmina cribriforme
 Forames da lâmina cribriforme
 Massas laterais
 Concha nasal superior
 Meato superior
 Concha nasal média
 Meato médio

OSSO ESFENOIDE
 Posição anatômica: asas menores para cima e para diante; processos pterigoides para baixo (fosse pterigoidea,
localizada entre ambos os processos, voltada para trás).

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Divisão anatômica: corpo, asas menores, asas maiores, procesos pterigoides.


 Corpo do esfenoide
o Sela turca
o Abertura do seio esfenoidal
 Asa menor
o Canal óptico
o Fissura orbital superior
 Asa maior
o Faces: temporal; infra-temporal; orbital; cerebral.
o Forame redondo
o Forame oval
o Forame espinhoso
o Processos pterigoides

OSSO TEMPORAL
 Posição anatômica: parte que lembra uma escama voltada para cima, com a face dessa porção que apresenta
uma saliência alongada (processo zigomático) voltada para o plano lateral, e dirigido horizontalmente e para
diante.

 Divisão anatômica: Porção escamosa, porção mastoidea; e porção petrosa


 Porção escamosa
 Processo zigomático
 Fossa mandibular
 Meato acústico externo
 Porção mastoidea
 Processo mastoide
 Incisura mastoidea
 Forame mastoideo
 Porção petrosa
 Eminência arqueada
 Impressão trigeminal
 Meato acústico interno
 Forame estilomastoideo
 Processo estiloide
 Abertura externa do canal carótico
 Abertura interna do canal carótico
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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

OSSO MAXILA
 Posição anatômica: processo frontal para cima e para diante; processo palatino para baixo e para o plano
mediano.

 Divisão anatômica: processos, frontal; palatino; zigomático; e alveolar.


 Seio maxilar
 Hiato maxilar

OSSO MANDÍBULA
 Posição anatômica: face convexa para diante, margem alveolar para cima.

 Divisão anatômica: corpo; ramos.


 Corpo
 Face externa
 Protuberância mentual
 Forame mentual
 Linha oblíqua
 Face interna
 Linha milo-híoidea
 Fóveas submandibular e sublingual
 Ramos
 Face interna
 Forame da mandíbula
 Processo coronoide
 Incisura da mandíbula
 Cabeça da mandíbula

OSSO ZIGOMÁTICO

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

OSSO NASAL

OSSO LACRIMAL

OSSO VÔMER

COLUNA VERTEBRAL
 Divisão anatômica: cervical; torácica, lombar, sacrococcígea.
 Cervical (7 vértebras isoladas)
 Torácica (12 vértebras isoladas)
 Lombar (5 vértebras isoladas).
 Sacro (5 vértebras)
 Coccígeas 3, 4, ou até 5 vértebras

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Posição anatômica de uma vértebra padrão: segmento ósseo cilíndrico (corpo) voltado para diante, saliência
óssea em forma de espinha (processo espinhoso) voltada para trás e para baixo.

 Características gerais:
 Corpo vertebral
 Forame vertebral
 Processo transverso
 Processos articulares
 Processo espinhoso
 Pedículo do arco vertebral
 Lâmina do arco vertebral
 Características regionais:
o Vértebras cervicais: presença dos forames transversários (por onde passam as arteriais vertebrais);
processo espinhoso bifurcado e pouco desenvolvido.

Particularidades:
 1ª vertebra cervical (Atlas) - C1: processo espinhoso ausente; corpo vertebral ausente.

 2ª vertebra cervical (Áxis) – C2: dente do áxis.

 7º vértebra cervical (vértebra proeminente): processo espinhoso prolongado e não bifurcado


(assim como as torácicas).

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

o Vértebras torácicas: presença das fóveas costais superior; inferior e do processo transverso.

o Osso sacro: 5 vértebras fundidas.


 Promontório
 Linhas transversas
 Forames sacrais anteriores
 Crista sacral mediana
 Crista sacral medial
 Crista sacral lateral
 Forames sacrais posteriores

o Osso cóccix: 4 vértebras fundidas.

OSSO ESTERNO
 Posição anatômica: extremidade mais volumosa do osso voltada para cima, face ligeiramente convexa voltada
para diante.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Manúbrio do esterno
 Incisura jugular
 Incisura clavicular
 Corpo
 Ângulo do esterno
 Incisuras costais
 Processo xifoide

COSTELAS
 Posição anatômica: face côncava voltada para dentro, extremidade do osso que apresenta uma saliência em
forma de cabeça voltada para trás; margem do osso aguda e que encontra-se próxima à uma depressão em
forma de sulco voltada para baixo.
 Classificação:
o Costelas verdadeiras: representadas pelos 7 primeiros pares no sentido crânio-caudal, unidas
diretamente ao osso esterno através de suas próprias cartilagens costais;
o Costelas falsas: representadas por três pares unidos ao O. esterno através da cartilagem costal do 7º
par;
o Costelas flutuantes: 2 últimos pares, são denominadas flutuantes por não estarem unidas ao O. esterno.

 Divisão anatômica:
o Corpo:
 Sulco da costela
o Extremidades:
 Cabeça da costela
 Colo da costela
 Tubérculo da costela

ESCÁPULA
 Posição anatômica: para diante a face do osso que apresenta uma ampla fossa, para fora o ângulo que
apresenta uma depressão articular.

 Divisão anatômica: faces: costal e dorsal; margens: superior, medial, e lateral;


o Face costal:
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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Incisura da escápula
 Fossa subescapular
o Face dorsal:
 Espinha da escápula
 Fossa supra-espinal
 Fossa infra-espinal
 Acrômio
o Lateral
 Cavidade glenoide da escápula
 Tubérculo supraglenoidal
 Tubérculo infraglenoidal

CLAVÍCULA
 Posição anatômica: extremidade mais volumosa do osso voltada para o plano mediano (onde se articula com o
esterno); para diante, a margem do osso que apresenta sua maior convexidade (que fica voltada medialmente);
e para baixo, a face mais irregular do osso (que apresenta uma depressão em forma de goteira).

 Divisão anatômica: faces: superior e inferior; margens: anterior e posterior;


 Extremidades: external e acromial
 Corpo da clavícula
 Sulco do músculo subclávio
 Tubérculo conóide

ÚMERO
 Posição anatômica: para cima e voltado para o plano mediano a extremidade do osso que apresenta uma
saliência articular em forma de esfera; para trás e para baixo, a face da extremidade inferior que apresenta uma
ampla depressão articular.

 Divisão anatômica: o osso está dividido em duas epífises, proximal e distal, unidas pela diáfise.
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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

o Epífises proximal
 Cabeça do úmero
 Colo anatômico
 Colo cirúrgico
 Tuberculo maior
 Tuberculo menor
 Sulco intertubercular
o Diáfise
 Tuberosidade do M. Deltoide (face anterior)
 Sulco do nervo radial (face posterior)
o Epífises distal
 Epicôndilo medial
 Epicôndilo lateral
 Capítulo do úmero (lateralmente)  articula-se com o rádio
 Tróclea do úmero (medialmente)  articula-se com a ulna
 Fossa coronoidea
 Fossa radial
 Fossa do olécrano (face posterior)

ULNA
 Posição anatômica: extremidade mais volumosa do osso voltada para cima, grande incisura encontrada nesta
extremidade voltada para diante, e incisura de menor dimensão voltada para o plano lateral.

 Divisão anatômica: o osso está dividido em duas epífises, proximal e distal, unidas pela diáfise.
 Olécrano
 Incisura troclear
 Processo coronoide
 Incisura radial
 Tuberosidade da ulna
 Cabeça da ulna
 Processo estiloide da ulna

RÁDIO
 Posição anatômica: extremidade achatada do osso voltada para baixo, com saliência em forma de processo
encontrada nessa extremidade voltada para o plano lateral.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Divisão anatômica: o osso está dividido em duas epífises, proximal e distal, unidas pela diáfise.
o Cabeça do rádio
 Circunferência articular
 Fóvea articular
 Colo do rádio
o Corpo do rádio
 Tuberosidade do rádio
o Epífise distal:
 Face articular carpal
 Processo estiloide do rádio

OSSOS DA MÃO
 Divisão anatômica: a mão é dividida para estudo anatômico em três regiões: do carpo; metacarpo; e dos dedos.
o Ossos do carpo:
 Fileira proximal (de lateral para medial): escafoide; semilunar; piramidal; pisiforme.
 Fileira distal (de lateral para medial): trapézio; trapezoide; capitato; hamato.
o Ossos dos dedos:
 Falanges: proximal; média; distal.
 Exceção - Polegar: falanges proximal e distal.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

OSSO DO QUADRIL (“BACIA”)


 Posição anatômica: face do osso que apresenta uma grande cavidade articular voltada para o plano lateral,
forame de grandes dimensões voltado para baixo e para diante.

 Divisão anatômica: face glútea; margens: superior; inferior; anterior; posterior.


 Acetábulo:
 Fossa do acetábulo
 Face semilunar
 Forame obturado
 Face auricular
 Linha arqueada
 Linha glútea anterior
 Linha glútea posterior
 Linha glútea inferior
 Crista ilíaca
 Espinha ilíaca ântero-superior
 Espinha ilíaca ântero-inferior
 Espinha ilíaca póstero-superior
 Espinha ilíaca póstero-inferior
 Espinha isquiática
 Incisuras isquiáticas: Maior e Menor

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

FÊMUR
 Posição anatômica: para cima e para o plano mediano a extremidade do osso que apresenta uma saliência
articular em forma de esfera; para trás a face da extremidade distal do osso separada por uma profunda fossa.

 Divisão anatômica: corpo; epífise proximal; epífise distal.


o Cabeça do fêmur
 Fóvea da cabeça do fêmur
 Colo do fêmur
 Trocânter maior
 Trocânter menor
 Linha intertrocantérica
 Crista intertrocantérica
o Extremidade inferior do fêmur:
 Côndilo medial
 Côndilo lateral
 Fossa intercondilar
 Face patelar (anteriormente)
 Epicôndilo medial
 Epicôndilo lateral

PATELA
 Posição anatômica: o osso apresenta uma forma triangular. Sendo assim, em posição anatômica, deveremos
voltar o ápice do triângulo para baixo; para o plano lateral e para trás a face articular do osso que apresenta
maiores dimensões (basta apoiar o osso numa mesa sobre a crista que divide as duas faces articulares
posteriores; para onde o osso tender a cair, será o seu lado correspondente).

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Divisão anatômica: face anterior; face posterior.


 Base da patela
 Ápice da patela
 Face articular

TÍBIA
 Posição anatômica: extremidade mais volumosa do osso voltada para cima; porção da extremidade distal do
osso que apresenta uma saliência em forma de processo (maléolo medial) voltada para o plano mediano.

 Divisão anatômica: corpo; epífise proximal; epífise distal.


 Côndilos medial e lateral
 Tuberosidade da tíbia
 Face articular fibular
 Maléolo medial
 Incisura fibular

FÍBULA
 Posição anatômica: para baixo a extremidade mais achatada, com sua face articular voltada para o plano
mediano, e sua margem convexa voltada para diante.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Divisão anatômica: corpo; epífise proximal; epífise distal.


 Face articular da cabeça da fíbula
 Ápice da cabeça da fíbula
 Maléolo lateral

OSSOS DO PÉ
 Ossos do tarso:
o Fileira posterior: Tálus e Calcâneo.
o Fileira anterior: navicular, cuboide, cuneiforme medial, cuneiforme intermédio e cuneiforne lateral.
 Ossos do metatarso: I; II; III; IV; V.
 Ossos dos dedos (pododáctilos):
o Falanges: proximal; média; distal
o Exceção - Hálux: apenas falanges proximal e distal.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

ANATOMIA: SISTEMA MUSCULAR

O sistema muscular consiste no conjunto de órgãos denominados “músculos”, dotados da capacidade de


diminuir o seu comprimento, a qual denominamos de contração. Eles determinam toda a dinâmica do nosso corpo,
desde o deslocamento dos ossos até o peristaltismo das vísceras.
No que diz respeito à ação locomotora, correspondem a parte ativa do aparelho locomotor, graças ao poder de
contração das células que compõem o tecido dos músculos, as fibras musculares.

VARIEDADES DOS MÚSCULOS


 Músculo Liso: Encontrado na composição da parede das vísceras. É involuntário.
 Músculo Estriado Cardíaco: Corresponde a camada média das paredes do coração. É involuntário.
 Músculo Estriado Esquelético: Está associado ao esqueleto. É voluntário.

MÚSCULOS ESTRIADOS ESQUELÉTICOS


Os componentes funcionais dos músculos esqueléticos são:
 Ventre Muscular: Representa a parte média do músculo, apresenta coloração vermelha, sendo constituído por
fibras musculares, por isso é a parte responsável pela contração.
 Tendões: Estão localizados nas extremidades dos músculos, sua cor e branca. Têm forma cilíndrica ou de fita.
São constituídos por tecido conjuntivo denso, por isso não apresentam poder de contração. Servem para fixar o
músculo.
 Aponeuroses: Sua única diferença para um tendão é sua forma laminar.

Associado aos músculos estriados esqueléticos, podemos encontrar os seguintes anexos:


 Fáscia Muscular de Revestimento: Membranas conjuntivas que revestem o ventre muscular, isolando os
músculos e, facilitando o deslizamento entre si, ainda funcionam como bainha elástica de contenção.
 Bainhas Fibrosa e Sinovial dos Tendões: a bainha fibrosa corresponde a um túnel através do qual tendões
longos atravessam uma articulação, sendo protegidos do atrito produzido pelo contato desses tendões com os
ossos ou com a superfície cutânea. A bainha sinovial reveste internamente a bainha fibrosa e libera líquido
sinovial para facilitar o deslizamento dos tendões.
 Bolsas Sinoviais: Sacos Sinoviais contendo líquido sinovial, interpostos entre os tendões e as superfícies ósseas,
para evitar o atrito entre eles.

Com relação aos pontos de fixação, devemos entender os conceitos de ponto fixo e móvel. Nos membros, nos
movimentos habituais, a origem sempre será proximal e a inserção distal.
 Ponto Fixo (Origem): corresponde ao tendão muscular fixado à peça óssea que durante o trabalho muscular não
sofre deslocamento.
 Ponto Móvel (Inserção): corresponde ao tendão muscular fixado à peça óssea que sofre o deslocamento durante
o trabalho muscular.

OBS: São exemplos variados de pontos de fixação muscular:


 Ossos: M. braquial
 Pele: Mm. Da Face
 Mucosa: ex. M. Genioglosso
 Órgãos: ex. Mm. Extrínsecos do Olho
 Cartilagens: ex.M. tireo-Hióide
 Articulações: ex. Pterigóideo lateral

CLASSIFICAÇÃO DOS MÚSCULOS ESTRIADOS ESQUELÉTICOS


Os músculos estriados esqueléticos podem apresentar, assim como com os ossos, diversas possibilidades para
sua classificação. Sua classificação não enseja uma perfeita ressonância entre os autores.
As classificações que serão apresentadas nos próximos parágrafos representam um apanhado daquelas mais
utilizadas pelos diversos autores, sem nenhuma pretensão de esgotar este Tema.
 Quanto à situação: os músculos estriados esqueléticos podem ser separados quanto à situação, levando-se em
consideração a disposição deles em relação à fáscia muscular de revestimento.
o Superficiais: são músculos que se encontram localizados acima da fáscia muscular de revestimento em
contato íntimo com face profunda da pele onde se fixam por uma dos Tendões.
o Profundos: Estão situados abaixo da fáscia muscular de revestimento e não possuem fixação na pela.

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Quanto à forma: segue o paradigma utilizado para classificação dos ossos, assim, encontramos músculos:
o Longos: neles o comprimento predomina sobre as outras dimensões, ex: M. Sartório.
o Curtos: apresentam equivalência entre suas dimensões, ex: M. Quadrado Femoral.
o Planos: Neles há o predomínio do comprimento e da largura sobre a espessura, ex: M. Oblíquo Externo
do Abdome.

 Quanto à orientação das fibras:


o Paralela: as fibras deste grupo muscular são paralelos entre si e em relação aos tendões, ex: Mm.
Longos – M. Esternocleidomastóideo (1); Mm. Largos – M. Glúteo Máximo (2).
o Oblíqua: as fibras deste grupo muscular são oblíquas ao longo eixo dos membros e também aos
tendões, ex: Mm. Semi-Peniforme (SP) – Extensor Longo dos dedos do Pé (3); Peniforme (P) – Reto
Femoral (4); Multipeniforme – M.Deltóide (5).
o Esfíncteres: suas fibras circulares formam anéis para regular a passagem de substâncias ao longo de
um ducto, ex: Esfíncteres da uretra (6) e do ânus(7).
o Orbiculares: Apresentam fibras dispostas em círculos concêntricos, produzindo a constricção de
aberturas naturais ex: M. Orbicular do Olho

 Quanto ao ponto fixo: Nesta classificação separamos os Mm. de acordo com o número de tendões, ou cabeças,
que ele irá apresentar em sua fixação proximal, assim poderemos identificar três grupos:
o Mm. Bíceps: apresenta 02 tendões em sua fixação proximal, ex: M. Bíceps Braquial (BB).
o Mm. Tríceps: apresenta 03 tendões em sua fixação proximal, ex: M. Tríceps Sural (TS).
o Mm. Quadríceps: apresenta 04 tendões em sua fixação proximal, ex: M. Quadríceps Femoral (QF).

 Quanto à Ação Muscular:


o Flexores: realizam movimentos responsáveis por reduzir o ângulo das articulações, ex: Mm. Anteriores
do Braço: Córaco-Braquail (1); Bíceps Braquial (2), braquial(3).
o Extensores: seus movimentos determinam o aumento do ângulo das articulações, ex: M.Posterior do
Braço: M. Tríceps braquial.
o Rotadores: ao realizar sua contração determinam que um segmento do corpo gire em torno de um eixo
longitudinal, ex: Mm. Redondos maior e menor.
o Adutores: Mm. que ao contrair-se aproximam um segmento do corpo do plano mediano, ex: M. Peitoral
Maior.
o Abdutores: Mm. que ao contrair-se afastam um segmento do corpo do plano mediano, ex: M. Deltóide.
o Pronadores: ao contrair-se voltam a face palmar para o plano posterior, ex: M. Pronador Redondo
o Supinadores: ao contrair-se voltam a face palmar para o plano anterior, ex: M. Supinador.

 Quanto à Função Muscular:


o Agonistas: representa o principal músculo envolvido com um movimento. Ex: músculos anteriores do
braço – produzindo a Flexão do Antebraço.
o Antagonistas: músculo que se opõe ao trabalho do agonista, com objetivo de regular a rapidez ou
potência de ação desse músculo. Ex: Mm. Posteriores do Braço, durante a Flexão do Antebraço
produzida pelos Mm. Anteriores do Braço.
o Sinergistas: sua ação elimina um movimento indesejável executado pelo agonista. Ex: Mm. Extensores
do Carpo impedindo a flexão do pulso pelos Mm flexores dos dedos quando da flexão das falanges.
o Fixadores: atuam secundariamente durante o movimento de um agonista para determinar o equilíbrio do
corpo. Ex: Mm. do Dorso agindo sobre a coluna, quando o indivíduo abaixa-se para apanhar algo no
chão.

Importância clínica: os músculos estriados esqueléticos são órgãos de importância clínica ligada a capacidade de
absorção de medicamentos pelos constituintes do tecido muscular. Por isso são excelentes vias para administração de
injeções medicamentosas (medicações por via intramuscular).

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Arlindo Ugulino Netto; Rayza Prado ● MEDRESUMOS 2015 ● LOCOMOTOR

 Injeção dorso-glútea: A partir da crista ilíaca, traça-se uma linha imaginária vertical, a qual atravessa
longitudinalmente o glúteo máximo, dividindo-o ao meio. Do início da fenda inter-glútea, osso cóccix, traça-se
uma nova linha imaginária que encontra em ângulo reto a linha tracejada a partir da crista ilíaca. Dos 04
quadrantes, a injeção deverá ser realizada no quadrante superior e lateral do M. glúteo máximo.
 Injeção Ventro-glútea: Coloca-se a palma da mão no trocânter maior do osso fêmur. Com o dedo médio
localizado na espinha ilíaca ântero-superior, afasta-se o dedo indicador em direção a crista ilíaca. A agulha
deverá ser introduzida no espaço compreendido entre os dedos indicador e o dedo médio.
 Injeção no Vasto lateral: Com a palma de uma das mãos palpa-se a extremidade proximal do músculo abaixo
do trocânter maior. A extremidade distal do músculo é palpada com o auxílio de uma das mãos acima do côndilo
lateral do osso fêmur. A introdução da agulha deverá ser feita na parte média do músculo.
 Injeção deltoide: mede-se quatro dedos abaixo do acrômio da escapula. Introduza a agulha em um ângulo de
90º.

PRINCIPAIS MÚSCULOS ESTRIADOS ESQUELÉTICOS POR REGIÃO

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ROTEIRO PRÁTICO

MÚSCULOS DA CABEÇA
 Superficiais (Mm. da face)
 M. Orbicular do olho
 M. Nasal
 M. Occipitofrontal
 M. Prócero
 M.levantador do lábio superior e asa
do nariz
 M. Risório
 M. Abaixador do ângulo da boca
 M. Orbicular da boca
 M. Mentual
 M. Bucinador
 Mm. Zigomáticos maior; menor

 Profundos (Mm. Mastigadores):


 M.temporal
 M. Masseter
 Mm. pterigóideos: lateral e
medial

MÚSCULOS DO PESCOÇO
 Superficial: M. Platisma.
 Profundo:
 M. Esternocleidomastoideo
 M. Digástrico
 M. Esterno-hióideo
 M. Esternotireodeo
 M. Milo-hióideo
 M.estilo-hióideo
 M. Omo-hióideo
 M. Tíreo-hióideo

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MÚSCULOS DO TÓRAX
 M. Peitoral maior
 M. Peitoral menor
 M. Serrátil anterior
 M. Intercostais internos
 M. Intercostais externos
 M. Esternal
 M. Subclávio

MÚSCULOS DO DORSO
 M. Trapézio
 M. Latíssimo do dorso
 Aponeurose toracolombar
 M.serrátil posterior inferior
 M.serrátil posterior superior
 M. Rombóide maior e menor
 M. Levantador da escápula
 M. Esplênio da cabeça
 M. Psoas (maior) e (menor)
 M. Quadrado do lombo

MM. DO ABDOME: REGIÃO ANTERO-LATERAL


 M. Reto do abdome
 Interseccões tendíneas
 Bainha do m. Reto do abdome
 M. Oblíquo externo do abdome
 M. Oblíquo interno do abdome
 M.transverso do abdome
 M. Cremaster

MM. DO ABDOME: REGIÃO SUPERIOR


 M. Diafragma
 Centro tendíneo

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MM. DO OMBRO
 M. Deltóide
 M. Subescapular
 M. Infraespinal Músculo do “manguito rotador”
 M. Supra-espinal
 M. Redondo menor
 M. Redondo maior

MM. DO BRAÇO / REGIÃO ANTERIOR


 M. Bíceps Braquial: cabeça/porção longa e cabeça/porção
curta.
 M. Braquial
 M. Coracobraquial

MM. DO BRAÇO / REGIÃO POSTERIOR


 M. Triceps braquial:
 Cabeça longa
 Cabeça lateral
 Cabeça medial
 Tendão do tríceps braquial

M. DO ANTEBRAÇO/ANTERIOR
 M. Palmar longo
 M. Braquiorradial
 M. Flexor superficial dos
 Dedos
 M.flexor profundo dos dedos
 M.flexor ulnar do carpo
 M.flexor radial do carpo

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 Flexor longo do polegar


 M. Pronador redondo
 M. Pronador quadrado

REGIÃO POSTERIOR DO ANTEBRAÇO


 M. Extensor dos dedos
 M. Braquioradial
 M. Extensor radial longo do carpo
 M. Extensor radial curto do carpo
 M. Supinador
 M. Extensor do dedo mínimo
 M. Extensor ulnar do carpo
 M. Ancôneo
 M. Abdutor longo do polegar
 M. Extensor curto do polegar
 M. Extensor longo do polegar
 M. Extensor do dedo do polegar

MM. DA MÃO
 M. Oponente do polegar
 M. Flexor curto do polegar
 M. Abdutor curto do polegar
 M. Lumbrical:
 M. Lumbrical da mão I
 M. Lumbrical da mão II
 M. Lumbrical da mão III
 M. Lumbrical da mão IV
 M. Oponente do dedo mínimo
 M. Flexor curto do dedo mínimo
 M. Abdutor do dedo mínimo

MM. DO QUADRIL
 M. Glúteo máximo
 M. Glúteo médio
 M. Glúteo mínimo
 M. Piriforme
 M. Gêmeo superior e inferior
 M. Obturador interno
 M. Quadrado femural

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MM. DA COXA / REGIÃO ANTERIOR


 M. Sartório
 M. Quadríceps da coxa:
 M. Reto da coxa
 M. Vasto medial
 M. Vasto lateral
 M. Vasto intermédio
 M. Tensor da fáscia lata

MM. DA COXA / REGIÃO MEDIAL


 M. Grácil
 M. Pectíneo
 M. Adutor longo da coxa
 M. Adutor curto da coxa
 M. Adutor magno da coxa

MM. DA COXA / REGIÃO POSTERIOR


 M. Bíceps da coxa: Cabeça longa e curta
 M. Semi-tendíneo
 M. Semimembranáceo

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MM. DA PERNA / REGIÃO ANTERIOR


 M. Tibial anterior
 M. Extensor longo do hálux
 M. Extensor longo dos dedos

MM. DA PERNA / REGIÃO POSTERIOR


 M. Tríceps da perna:
 M. Gastrocnêmio medial e lateral
 M. Sóleo
 M. Plantar
 M. Popliteo
 M. Flexor longo dos dedos
 M. Flexor longo do hálux
 M. Tibial posterior

MM. DA PERNA / REGIÃO LATERAL


 M. Fibular longo
 M. Fibular curto

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MM. DO PÉ
 M. Flexor curto do halux
 M. Flexor curto dos dedos
 M. Abdutor do halux
 M. Lumbrical:
 M. Lumbrical da mão I
 M. Lumbrical da mão II
 M. Lumbrical da mão III
 M. Lumbrical da mão IV
 M. Aponeurose plantar
 M. Abdutor do dedo mínimo

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ANATOMIA: SISTEMA ARTICULAR

Sistema que tem por função promover a união dos ossos do corpo, podendo permitir ou não mobilidade entre
eles, e faz isso por meio das articulações, que é um ponto de união tanto entre dois ossos como entre osso e cartilagem.
As articulações podem ser em 3 tipos:
 Fibrosas: ossos são unidos por tecido rico em fibras colágenas.
 Cartilagíneas: ossos unidos por cartilagem hialina ou fibrocartilagem.
 Sinoviais: a união acontece por meio de uma cavidade articular unidos por tecido denso não modelado e
ligamentos acessórios, permitindo assim, liberdade de movimentação.

ARTICULAÇÕES FIBROSAS
Como não possuem cavidade articular eos ossos são unidos de forma compacta por tecido fibroso, permitem
pouco ou nenhum movimento. São elas:

 Suturas: presentes principalmente no crânio, classificadas de acordo com a forma de suas superfícies.
o Planas: superfícies articulares retas. Ex: internasal, intermaxilar.

o Serratil: aspecto de dentes de serra. Ex: coronal (entre osso frontal e parietal), lambdóidea (entre osso
parietal e occipital) e sagital (entre ossos parietais).

o Escamosa: assemelha-se a uma escama, onde a superfície de um osso se sobrepõe à do outro. Ex:
escamosa (entre osso parietal e temporal), esfeno-escamosa (entre osso esfenóide e temporal).

o Esquindilese: uma parte articula-se em forma de cunha e a outra como um sulco. Ex: esfenovomeral
(entre osso esfenóide e vômer).

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 Gonfose: articulação fixa em que um pino encaixa em uma concavidade e que apresenta o periodonto, um
tecido conjuntivo fibroso denso. Ex: Sindesmose dentoalveolar (encaixe dos dentes no alvéolo da maxila ou
mandíbula.

 Sindesmose: apesar de ser fibrosa, como há uma distância maior entre os ossos, permite pouco movimento.
Ex: tíbio-fibular (ligamento), membrana interóssea do antebraço e da perna (lâmina).

ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS
União por meio de cartilagens que permitem pouco ou nenhum movimento.
 Sincondroses: ossos unidos por cartilagem hialina que permite leve curvamento no inicio da vida e também o
crescimento do osso até ser totalmente substituída por tecido ósseo.
o Inter-óssea: entre ossos. Ex: Esfeno-occipital.

o Intra-óssea: dentro do osso. Ex: Manubri-esternal (entre manúbrio e corpo do esterno, nesse caso é
uma variação anatômica).

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 Sínfise: unidos por fibrocartilagem, pode promover resistencia e absorção de impacto. Ex: Intervertebral (discos
vertebrais), Manubri-esternal (entre manúbrio e corpo do esterno), púbica (une porções púbicas dos ossos do
quadril).

ARTICULAÇÕES SINOVIAIS
Apresentam cavidade articular que permitem amplo movimento e são geralmente reforçadas por ligamentos. Os
ossos são recorbertos por cartilagem articular (hialina) na região da articulação e entre eles há ainda o líquido sinovial
composto de ácido hialurônico que é secretado por células da membrana sinovial e tem como função lubrificar,
amortecer impactos e fornecer nutrientes para a região articular, bem como proteção com a presença de células
fagocíticas.
Outra característica desse tipo de articulação é a presença da cápsula articular que circunda a cavidade e une
os ossos da articulação. Ela possui uma membrana externa, a cápsula fibrosa, de tecido conjuntivo denso modelado
mas permite a movimentação dos ossos dentro da articulação. Está presa no periósteo do ossos prevenindo seus
deslocamentos, é nessa cápsula que encontramos os ligamentos. Internamente à cápsula fibrosa temos a membrana
sinovial composta por tecido frouxo e fibras elasticas e produz o líquido sinovial.

Os ligamentos acessórios que podem ser intracapsular (ligamentos cruzados anterior e posterior do joelho),
extracapsular (ligamento patelar, colateral tibial, colateral fibular) ou ainda à distância (ligamentos esfenomandibular e
estilomandibular).

Existe ainda os discos articulares (têmporomandibulares, esternoclaviculares), lábios articulares (articulações


do ombro e quadril) e meniscos (articulação do joelho) que, de forma geral, têm como função a manutenção da
estabilidade, modificar a face articular para melhor encaixe dos ossos e direcionamento do líquido sinovial para o lado
que possui maior atrito.

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 Articulações planas: permitem movimentos laterais, para frente e para trás. Ex: intercarpais, intertarsais,
esternoclaviculares, acromioclaviculares, vertebrocostais.

 Gínglimo: movimento angular de dobradiça, encaixe de uma face convexa em uma côncava. Ex: articulações do
cotovelo, dos dedos, do joelho.

 Trocóide: processo arredondado gira em torno de uma bainha, rotação ao redor de um eixo central. Ex:
articulação rádio-ulnar proximal.

 Condilar ou Elipsóideas: encaixe entre projeção oval de um osso com uma depressão oval de outro, permite
movimentos de flexão, extensão, abdução e adução. Ex: articulação do punho e temporomandibular.

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 Selar: união reciprocamente côncavas e convexas, permite abdução, adução, flexão e extensão. Ex: articulação
carpo-metacárpica do polegar, calcâneo-cuboídea.

 Esferóide: encaixe de uma esfera em um receptáculo, permite movimentos em vários planos. Ex: articulação do
ombro e do quadril.

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