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ORTODONTIA ata W At MITO OU REALIDADE? ex c.uBED Livros de Odontologia Mande um email para club_med@outlook.com e faca seu pedido. 1.1001 DICAS EM ORTODONTZA € SEUS SEGREDOS - EZEQUIEL E. RODRIGUES VAFIES 2.ANATOMEA HISTOLOGIA EMBRIOLOGIA DOS DENTES: BATH-BALOGH S.ANCORAGEM ESQUELETICA EM ORTODONTIA - ROBERTO SHIMIZU ‘ATLAS CIRURGZCA NA IMPLANTCDONTEA - MECHAEL 5. LOCK 5 ATLAS DE ODONTOLOSTA 2015 - GUTA PRATICO DE DEMONSTRACAO AO PACTENTE @.BELEZA 00 SORRISO ~ ANORE CALLEGARE T.BELEZA DO SORRISO TT ANDRE CALLEGARI 8. BIOLOGIA CELULAR TECIDUAL PARA DENTESTAS - VICTOR ARANA 9.CAESY - ONONTOLOGIC SIMULATOR 10, CAMINHOS DA POLPA - STEPHEN COHEN 11, CARGA IEDIATA E IMPLANTES 05 TEOINTEGRADOS - LUIS EDUARDO PADOVAN 12, CEFALOMETRIA « TECNICAS DE OIAGNCSTICOS E PROCEDEMENTOS - MARIO VEDOVELLO FILHO 15, CIRURSTA ORAL E MAXTLOFACTAL JAMES R. HUPP 14, CERURGTAS PLASTICAS - PERIODONTATS E PERITMPLANTARES - EDUARDO SAB-CHUJET 15, CONTROVERSIAS NA ORTODONTIA & ATLAS DE BIOLOGIA DA MOVINENTAGAO ~ ALBERTO CONSOLARO 16, DENTISTICA, SAUDE E ESTETICA - EWERTON NOCHI CONCEIGAO 17. ENDoDONTEA~PRENCHFTOS E PRATECAS ~ MANNOUD TORABINETAD 18, ENDODONTIA: TRATAMENTO DE CANATS RADICULARES - MARIO ROBERTO LEONARDO 19. ENXERTOS GSSEOS EM INPLANTODONTIA - RENATO MAZZONETTO 20, FARMACOLOGIA PARA DENTISTAS: YAGIELA 21, IMAGINOLOGIA E RADTOLOGTA ODONTOLOGICA - WATANABE / ARITA 22, INPLANTES DENTATS CONTEMPORANEOS - CARL E, MISCH 23, IMPLANTES DENTARIOS: BABBUSH 24, INPLANTES EM AREAS ESTETICAS: CONCEITOS ATUAIS DE CIRURGIA E PROTESE - FERNANDO HAYASHE 25, LASER NA ODONTOLOGIA: CONVISSAR 26. MANUAL DA TECNICA DO ARCO SEGNENTADO -PAULO CESAR RAVELI CHEAVENE 27. MANUAL DE ANESTESIA LOCAL MALAMED 28, MANUAL DE ODONTOPEDIATRIA: CAMERON 29, MCGRACKEN'S PROTESE PARCTAL REMOVIVEL: CARR 50. MEDICINA ORAL t MAXILOPACIAL: SCULLY 51. METAS TERAPEUTICAS INDIVIDUALIZADAS - LEOPOLDINO CAPELOZZA 532, MICROBTOLOGTA E IMUNOLOSIA NA ODONTOLOGIA: SAMARANAYAKE 33. KINI-DAPLANTES EM ORTODONTIA: CONCEITOS TNOVADORES EM ANCORAGEM - LUDWAI/BOWMAN 34, RINE-TAPLANTES: GUIA TEORICO € PRATICO - LUCIANO LADETA JR. 3B. MORDIDA ABERTA UM DESAFIO: TRATAMENTO DE CASOS ESQUELETICOS - TANNE FILHO 36. OESTUDODA ARTENA ORTODONTEA “HUGO TREVISE 37, OPASSO A PASSO CIRURGICO NA ORTOOONTEA: DA INSTALACKO A PROTESE - MARCO A, BTANCHINE 38, 0 PASSO A PASSO DA PROTESE SOBRE INPLANTES - ANTONIO CARLOS CARDOSO 39, 0 SISTEMA AUTOLTGAVEL - SEGREDOS CLENTCOS ~ ALAN RODRIGUES 40, 0 TRATAMENTO ORTODONTECO COM ARCO RETO - JORGE 6REGORET 41, ODONTOLOGTA RESTAURADORA: FUNDAMENTOS TECNICOS « LUIZ NARCISO BARATEERT 42, ODONTOPEDIATRIA - THE SMYLE CHANNEL 43. ODONTOPEDIATRIA NA PRIMEIRA ENFANCTA - MARIA SALETE NAHAS P. CORREA 44, ORTODONTIA- ROBERT E, MOYERS 48. ORTODONTEA COM EXCELENCTA - JURANDIR BARBOSA 46. ORTODONTIA CONTEMPORANEA: PROFFIT 47, ORTODONTIA CONTEPORANEA - WILLIAM 8 PROFFIT 48. ORTODONTIA E SEUS DISPOSITIVOS - JOSE ROBERTO RAMOS 48, ORTODONTIA EM ADULTOS - MARCOS JANSON 50. ORTODONTTANA ODONTOPEDTATRIA: WELBURY 51, ORTODONTIA OBJETEVA - MARCOS JANSON, 52, ORTODONTIA: DIGNOSTICO € PLANEJAMENTO CLENICO - FLAVIO VELLINT FERREIRA 53, PATOLOGTA ORAL E MAXILOFACTAL! NEVILLE 54, PHILIPS MATERIATS DENTARIOS: ANUSAVICE 55, PROTESE SOBRE IMPLANTES: PLANEJAMENTO, PREVISISILIDADE € ESTETICA - CE, FRANCISCHONE 56, PROTESE TOTAL: CONVENCIONAL E SOBRE INPLANTES - DANIEL TELLES. 57, PROTESES DENTATS SOBRE IMPLANTES - CARL €. MISCH 58, PROTESES FIXAS - LUIZ FERNANDO PECORARO 439, PROTOCOLOS EM ORTODONTIA: DIAGNGSTECO, PLANEJAMENTO E MECANICA CLAUDIO R AZENHA 60. RADIOLOGIA ODONTOLOGICA’ WHATTES 61. RADTOLOGTA ORAL FUNDAMENTOS € INTERPRETACOES: WHITE 62, REABILITAGAO ESTETICA EM PROTESE FIXA (ANALISE ESTETICA)- MAURO FRADEANT 63, REABILITACAO ESTETICA EM PROTESE FIXA CTRATAMENTO PROTETICO) - MAURO FRADEANT 64, REABSORCOES DENTARTAS NAS ESPECTALIDADES CLINICAS ~ ALBERTO CONSOLARO. 65, RECONSTRUCAO TECIDUAL ESTETICA, PROCEDIMENTOS PLASTICOS E REGENERATIVOS - JULIO CESAR JOLY 66, RESTAURACOES ADESIVAS DE PORCELANA-- PASCAL MAGNE 67. REVISTA CLINTCA - OR LUIZ NARCTSO BARATIERT fh SEMULADOR BE TMPLANTES HOLPHEN, 68, SIMULADOR DE ORTODONTIA DOLPHIN 70, SESTENAS ERTTY: ORTODONTZA/DTM/OCLUSAO - ERTTY SILVA 7. TIPS: DICAS EM ORTODONTEA ESTETICA - RONALDO HIRATA 72, TRATAMENTOS DAS DESORDENS TEMPORAMANDIOULARES: OKESON 73. WHEELER ANATOMTA DENTAL FISIOLOGIA € OCLUSAO- ASH Crtodons prevetva inerceplor: mito oureaiade? compan 2015 nat Regine de Aes “en ordrtorgare sins prtntaes enods peta Ca ett blest pce er ean ganic poser inoue ‘ger do oupe seo. mad, 98 dence, mec. 093869 ce (gaara cuodton nde qie ass ramen, ot eos pasa. oreo et Tose Rogues Aan Furi ‘acho! Furr Hareen ca eer Prt ten Caparo one, Pa sosio oni org Sine fue ga Gt, 118: Zor C7016 100 ergs Po Fen 3-18 css ote aioe ntmacnai de Cases na Puts (C1) Dakio. Arma, Reon Reape 6 ‘rode vet acetate? Aarts eatin ens, 4 Mai: Dol Pes, 203, 568 :205 275m, 1 omer pean 2 Cacti Tae AUTOR Prof. Dr. Renato Rodrigues de Almeida + Graduado em Odontologia pelo Instituto Americano de Lins ~ Faculdade de Odontologia de Lins (FOL), em 1962 + Professor da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru - USP, de 1965 a 2005, + Doutor em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru - USP, em 1972. + Especialista em Ortodontia pelo Conselho Federal de Odontologia, em 1973. Especialista em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares pelo Conselho Federal de Odontologia, fem 2003, Livre-Docente em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru - USP, em 2005 + Professor Titular da Faculdade de Odontologia de Lins - UNIMEP, de 1978 a 2006, Professor Doutor da Associago de Ensino de ‘Marlia - UNIMAR, de +990 a 1993 Professor Titular da Universidade Cidade de $530 Paulo - UNICID, de 1998 a 2005, Professor Senior da Faculdade de Odontologia de Bauru = USP, desde 2008. + Diretor do CORA - Centro Odontologico Rodrigues de Almeida, desde 1996, + Professor Titular do Curso de Mestrado Académico ‘em Ortodontia da Universidade Norte do Parana (UNOPAR), Campus de Londrina / PR, desde 2008, rralmeidazon1@bol.com.br COLABORADORES Marcio Rodrigues de Almeida = Mestre e Ooutor em Ortedontia pela Faculdade de Odontolocia de Bauru - USP. Pos-doutorado em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru USP. + Professor Titular do curso de Mestrado Académico em Ortocontia da Universidade Norte do Parana (UNOPAR), Campus de Londtina/ PR. Renata Rodrigues de Almeida-Pedrin = Mestre e Doutora em Ortodontia pela Faculdade de (ontologia de Bauru ~ USP. Pos-doutorada em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru - USP. ~ Especialista em Radiologia pela Faculdade de Odontologia de Bautu - USP = Professora Assistente do Programa em Biologia Oral, ea de concentragio Ortodonta (Mestrado Academica), e da ‘gtaduagao da Universidade do Sagrado Coracdo (USC), Celina Martins Bajo Insabralde + Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela Faculdade de (Odontologia de Lins (FOL). Professora do Curso de Especiaizacao do Centro Odontologia Rodrigues de Almeids (CORA), sob os 2uspicios da Faculdade INGA - Maringé / PR Dedicatoria A Deus, pela segunda oportunidade de vida, sem a qual nada disso teria acontecido, A minha esposa Odete, pelo carinho, compreensio ¢ paciéncia durante toda trajetéria de vida Aos meus filhos, Marcio e Renata, Nada mais gratificante para um pai do que ver um filho dar continuidade ao seu trabalho, trensformando um sonho em realidade. ‘Orgulho-me de vocés. AGRADECIMENTOS Ao Professor Doutor Décio Rodrigues Martins, meu agradecimento especial pelo convite para participar do corpo docente da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de Sao Paulo, na disciplina de Ortodontia, e pelo convivio durante 45 anos. Lembrarei sempre de uma frase que voce repetia aos seus discipulos: ”Seja um Ortodontista com 0 maitisculo’. Aos demais colegas e amigos da disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de Sao Paulo, Asnaldo Pinzan, José Fernando Castanha Henriques, Marcos Roberto de Freitas, Guilherme Janson, Daniela Garib, pelo aprendizado, amizade e respeito. Aos professores e colegas do Mestrado em Odontologia, area de Ortodontia, da Universidade Norte do Parand (UNOPAR), Campus de Londrina / PR, Ricardo Navarro, Paula Oltramari-Navarro, Marcio Rodrigues de Almeida, Ana Claudia Conti e Thais Maria Freire Fernandes, pelo carinho e amizade dedicados 8 minha pessoa. ‘Ao CORA - Centro Odontolégico Rodrigues de Almeida, meus agradecimentos a equipe de docentes dos Cursos de Especializacao e, em especial, a Celina Martins Bajo Insabralde para quem rendo minhas homenagens, pelo carinho e dedicacao 20s alunos e 8 Ortodontia. ‘Aos meus alunos de graduaco e pés-graduacao durante essa jornada, pelo convivio e aprendizado constante e, em especial, ao doutorando Luis Eduardo Aléssio Jr., pelo auxilio nas tabelas e interpretacao dos tracados cefalométricos. ‘Aos pacientes que, gentilmente, se submeteram a sessées drduas de fotografias, passu ¢ passu, pata que este livie se tomasse uma realidade. ~ AGRADECIMENTOS ESPECIAIS Meus agradecimentos especiais ao Daniel Selmo (Bonne), e aos funciondrios da Dental Press Jinior Bianchi e Ronis Furquim Siqueira, na producao editorial desse livro. Agradeco, ainda, a0 Luis Sérgio Vieira e Pedro Paulo (Péo), pela exceléncia na construcdo da mesa clinica e dos aparelhos utilizados nessa obra. Muito obrigado. “agradeco por todas as dificuldades que enfrentei: nao fosse por Peet ree cae eect ones Ce ea Cou eee eae nom are CMa Sumario Etiologia das Mas OclUSBES............ nnn 020 Capitulo oz: Mantenedores e Recuperadores de Espaco....... Mordida Cruzada Anterior. Capitulo og: Mordida Cruzada Posterior .. Capitulo Diagnéstico, Planejamento e Tratamento da Mé Oclusao de Classe Il. 4 Capitulo 06: Mordida Aberta Anteriov..... 286 Capitulo Apinhamento Dentario: Desenvolvimento, Classificagao e Tratamento... 346 Capitulo 08: Tratamento da Classe Il na Dentadura Mista com o Aparelho Extrabucal Conjugado (Splint de Thurow)... 394 Capitulo oo: Mecanica 4x2: Abordagem Precoce das Mas Oclusées. 426 Cepitu Placa Labioativa e sua Aplicac3o Clinica 456 Copitulo vi: Mas Oclusdes Atipicas 488 iulow2: Placa de Hawley: Versatilidade Clinica... ssn cennecenn Referéncias...... Prefacio Prefaciar um livro & sempre tarefa de grande responsabilidade ¢, muitas vezes, apresenta um bom grau de dificuldade, Prefaciar a obra do doutor Renato Rodrigues de Almeida, porém, chega a ser ficil, além de se configurar em imensa alegria. Isso porque, caro leitor, tenho 0 privilégio de figurar entre os amigos desse competente profissional desde o infcio de sua carrcira. Moramos juntos nos idos dos anos 60, quando iniciavamos nossa carreira na acolhedora Faculdade de Odontologia de Bauru — a FOB-USP. Eu no Departamento de Radiologia, ele na Ortodontia, E jé naquela época ele demonstrava talento ¢ determi nagdo, sem deixar de expressar simplicidade e humildade — como fazem, alifs, as pessoas de grande valor. E seu valor extrapola os limites dos departamentos ¢ das clinicas odonto~ ligicas... Seu valor esté na lisura de seus atos, na ética de vida, marcado na linda familia que construiu, A familia Rodrigues de Almeida, a propésito, estd unida por lagos de sangue ¢ também pela paixio dedicada 4 Odontologia. Juntos, e de coracio, eles formam, hoje, 0 CORA (Centro Odontolégico Rodrigues de Almeida). E 0 que vocé encontrard por aqui, afinal? Numa equilibrada combinagio de experincia académica ¢ clinica, © doutor Renato retine neste livro conhecimentos adquiridos em mais de quatro décadas de arduo e dedicado trabalho. Sem diivida, com essa obra, brinda a Odontologia brasileira com um conteiido que deve ser leitura obrigatéria para quem pensa em trilhar a especialidade da Ortodontia. Ao autor, portanto, levanto simbolica- mente um brinde com gosto de amizade. José Alberto de Souza Freitas (Tio Gastio) Apresentacéo Apés aproximadamente um século de desenvolvimento ¢ evolugio da Ortodontia, chegamos a0 3° Milénio sem um consenso undnime a respeito de uma pergunta reali~ zada pela maioria dos odontélogos. QUAL E A BPOCA IFAT. PARA SE INICIAR 0 TRATAMENTO. DAS MAS OCLUSOES? Os trabalhos cientificos, opini6es de profissionais e experiéncias clinicas relacionadas 20 tratamento precoce apontam vantagens e desvantagens da abordagem preventiva e inter ceptora, buscando aleangar uma resposta para a questio acima, Para a maioria, 0 tratamento precoce propicia um ambiente dentofacial mais favorivel, guiando e controlando a erupgio dos dentes para posigSes normais nos arcos dentérios superior e inferior, reduzindo sobremancira as discrepincias esqueléticas por meio do re~ direcionamento do crescimento facial, minimizando — ou até mesmo eliminando — a necessidade de tratamentos complexos durante a dentadura permanente. Jé diz o ditado que prevenir vale mais do que curar. ‘Com vistas nesse conccito de intervir, ou nfo, precocemente, teve origem 0 titulo desse livro (Ortodontia Preventiva e Interceptora: Mito ou Realidade?), Esse livro € 0 produto do trabalho érduo de muitas pessoas encorajadas pela citagio de Charles Tweed, nos idos de 1960, de que “o conhecimento iré, gradualmente, substituir a mecdnica severa ¢, em um futuro muito préximo, a grande maioria dos tratamentos ortodénticos sera executada durante 0 perfodo da dentadura mista, do crescimento desenvolvimento craniofacial, antes da dificil idade da adoleseéneia™. Nio resta diivida de que a esséncia do tratamento precoce, indiscutivelmente, consiste no aproveitamento do crescimento dos pacientes jovens para favorecer a corregio das deformi- dades dentoesqueléticas. Na dentadura permanente, a pequena ou ausente quantidade de crescimento residual limita as opgdes de tratamento. (A abotdigesn uitupédica precoce atenua a complexidade da corresio ortodintica das mas oclusdes. Além disso, se a segunda fase do tratamento ortodéntico for necesséria, consumira um menor perfodo de tempo, devido 3 limitada quantidade de movimentagio dentéria requerida. Obviamente, a intervengio ortopédica precoce, corrigindo a origem do problema — ou seja, a relacio anteroposterior alterada entre maxila e mandfbula —, restringird a necessidade de extragdes dentirias. Ademais, o controle de espago durante 0 perfodo de transicio, ou dentadura mista, com a manutengio ea recuperagio de espaso ee th: para os dentes permanentes em erupgio, encerra fundamental importincia na prevengio de extragdes faturas. As vantagens da Ortodontia Preventiva ¢ Interceptora sio indiscutiveis, no apenas com relagio & oclusio, mas também quanto aos beneficios psicol6gicos. A percepgio de beleza influencia no desenvolvimento psicologico desde a infincia até a fase adulea, Criangas mais belas sio mais sociveis, mais aceitas por seus colegas, 0 que contribui sobremaneira para © desenvolvimento da autoestima. Aquele pensamento simplista de tratar toda mé oclusio apés a erupgio de todos os dentes permanentes ignora as potencialidades biolégicas ineren- tes ao processo de crescimento e desenvolvimento do ser humano. Assim, podemos inferir que a abordagem preventiva e interceptora das més oclusdes apresenta vantagens indiscuti- ‘eis, ¢ apenas o comodismo ¢ o desconhecimento sio capazes de ignor’-la ‘A meta principal desse livro € nortear ¢ incentivar o leitor, de forma simples e didatica, a interceptar as més oclusdes nos estigios incipientes, antes que se transformem em comple- xas, Recomendamos esse livro para os alunos da graduacio com interesse em Ortodontia, pos-graduagio Lato sensu ¢ Strict sensu em Ortodontia. ‘Os capitulos dessa obra foram cuidadosamente selecionados ¢ ordenados com um contetdo rico em casos clinicos tratados com variados protocolos e tipos de aparelhos removiveis e fixos, na sua grande maioria acompanhados em longo prazo. Capitulo 1 ~Etiologia das Mas Oclusées. Esse capitulo é de importincia capital para os cirurgides-dentistas, especialistas ou nfo, porque é com ele que o profissional mostra o seu conhecimento sobre a origem das m4s oclusGes, é imprescindivel para a realizagio de um bom exame e diagnéstico ortodéntico do paciente. Capitulo 2 ~ Mantenedores e Recuperadores de Espago. Nesse capitulo é apresen- tada uma variedade de diferentes tipos de aparelhos removi vantagens, desvantagens ¢ uma vasta casufstica clinica. is € fixos, bem como suas Capitulos 3 e 4 = Mordida Cruzada Anterior e Posterior. Os capitulos 3 ¢ 4 des- crevem, de forma clara e sucinta, a prevaléncia, etiologia ¢ o diagnéstico diferencial — se favordvel ou desfavordvel. Apresenta, ainda, uma gama de aparelhos removiveis ¢ fixos, com (8 seus componentes e ativagio. Capitulo 5 ~ Ma Oclusio de Classe III. Esse capitulo aborda, de forma simples, 0 diag- néstico diferencial da mé oclusio de Classe III. Apresenta, ainda, o plano de tratamento com ‘uma versatilidade de aparelhos, nos virios casos clinicos acompanhados em longo prazo. Capitulo 6 — Habitos Bucais e Mordida Aberta Anterior. Talvez esse seja 0 tema ptincipal ¢ mais controverso desse livro, devido 4 sua associagio ¢ complexidade. Serio apresentados 11 casos clinicos com Mordida Aberta Anterior iniciados nas dentaduras de- cidua e mista, tratados com aparelhos removiveis e fixos, acompanhados em longo prazo. Capitulo 7 - Apinhamento Dentirio. Assunto de interesse para odontopediatras ¢ or todontistas, discutido nesse capitulo com énfase na sua classificagio, diagnéstico ¢ trata~ mento, incluindo casos clinicos de extragio seriada acompanhados em longo prazo. Capitulo 8 - Interceptagao precoce da Mé Oclusio de Classe II, divisio 1. O tratamento precoce da Classe Il, divisio 1, € um dos temas mais discutidos e contro- versos da literatura ortodéntica, Nesse capitulo, © autor relata os diversos aparelhos € filosofias e apresenta casos elinicos tratados com 0 uso do “Splint de Thurow”, também conhecido como “AEB Conjugado”, durante a fase do crescimento. Capitulo 9 - Mecnica 4x2. Nesse capitulo discute-se, de forma simples ¢ didética, as alteragSes anterossuperiores — como diastemas interincisivos, a corregio do apinhamento dos incisivos ¢ a sobremordida profanda —, com uma riqueza de casos clinicos tratados duranwe a fise da dentadura inista, udlizandu-se a seciuica 42. Capitulo 10 - Placa Labioativa: Versatilidade e Simplicidade no Tratamento Or- todéntico. Com certeza o leitor ficard surpreso com a versatilidade ¢ aplicabilidade da Placa Labioativa, com as suas vantagens na interceptacao das mas oclusbes na dentadura mista, associada a outros aparclhos. Capitulo 11 - Mas Oclusdes Atipicas. Como exemplo de mas oclusdes atipicas, fo~ ram selecionados casos clfnicos que apresentavam dentes supranumerérios, odontomas € agenesias, tratados com o envolvimento multidiscipl Capitulo 12 ~ Versatilidade Clinica da Placa de Hawley. Nao restam diividas de que a estabilidade do tratamento ortodéntico esté diretamente relacionada com a conten¢io. Nese capitulo se abordard a Placa de Hawley na interceptagio das més oclusdes incipientes na dentadura mista, bem como os virios tipos de placas de contengao passiva apés a finali- zacio do tratamento ortodéntico, com suas vantagens ¢ desvantagens, Prof. Dr. Renato Rodrigues de Almeida Cr TiC ema Etiologia das Mas Oclusées INTRODUGAO © capitulo que aborda a etiologia das mas ochusdes torna-se polémico, uma vez que toda mf oclusio apresenta uma origem multifatorial, € no uma tinica causa especifica Uma interagao de varios fatores pode influenciar no crescimento € no desenvolvimento dos maxilares, suscitando as més oclusdes. © conhecimento desses fatores caracteriza © caps Jo da etiologia das mas oclusdes, que deve ser de dominio do clinico geral, do odontopediatra e do ortodontista De acordo com os pesquisadores da metade do século passado, um em cada quatro in- dividuos apresentava mi oclusio que requeria tratamento ortodéntico. Atualmente, essa incidéncia tem aumentado progressivamente, aleangando um ntimero preocupante para a populagio, Esse fato deve-se principalmente 3 evolugio do homem, na escala filogenética, em relagio ao desenvolvimento craniofacial, aos babitos alimentares e sociais, € 3 mistura émica. Segundo a teoria da redugio terminal, a face humana perpassa por um processo evo~ utivo, ocorrendo uma diminuigao dessa, 20 mesmo tempo em que o crinio experimenta uum aumento no seu t imho (Fig. 1.1). fio do homer. Terdéncia retrognata da face Com a redugao do tamanho da face e dos maxilares, 0 espaco para acomodar todos as den- tes torna-se limitado; consequentemente, o iiltimo dente de cada série tende a desaparecer (terceiros molares, segundos pré-molares ¢ incisivos laterais). Isso no ocorre repentina- mente, pois trata-se de um processo delongado e de cariter hereditério, que passa de gera~ fo para geracio, onde a primeira apresenta um dente com forma anémala (microdontia) e, posteriormente, alguns de seus sucessores jé niio mais possuirao esse dente, Aaalimentacio nos tempos atuais também contribui para a “involugio” da fice, com con- sequente aumento das mas oclusdes. No passado, os alimentos eram mais duros ¢ fibrosos, exigindo um grande esforco da musculatura facial durante a mastigagio. Atualmente, apre- sentam-se pastosos e, portanto, ficeis de serem consumidos com uma menor participagio da masculatura facial, comprometendo 0 crescimento ¢ o desenvolvimento da face. ‘A abordagem da etiologia da més oclusGes geralmente classifica todas as causas em fatores locais, ou intrinsecos, e sistémicos, ou extrinsecos. Essa classificagio pode, no entanto, ge~ rar diferentes consideragdes acerca de uma mé oclusio entre 0s profissionais. No intuito de explicar as possiveis causas das mAs oclusdes, outras classficagées foram propostas. A sugerida por Guardo (1953) refere-se is causas hereditirias e conggnitas, gerais, locais ¢ as causas proximais (habitos bucais). Salzman dividiu os fatores etiolégicos em pré-natais ¢ pés-natais, observando uma i fluéncia direta ou nio desses fatores causadores de mi oclusio Posteriormente, Moyers sugeriu uma Equagio Ortodéntica para a interpretagio da etiolo~ gia das mis oclusdes. Essa equagio representa uma expressio concisa do desenvolvimento de todas as deformidades dentofaciais. Hereditarias (causas de desenvalvimento de origem desconhecida) Continuo ou ‘Traumatismos intermitente ‘Agentes tisicos Habitos Diferentes faixas etérias Enfermidades MA nutrigao Pont: Moyers BB, 199, OORT Vea aTge ss) Cae VOue a A classificacio por nés utilizada assemelha-se 4 proposta por Guardo (1953), € nesse capitulo apresentaremos uma abordagem dos fatores etiolégicos genéticos ¢ as causas adquiridas gerais e locais FATORES GENETICOS Os estudos contemporineos do crescimento ¢ desenvolvimento craniofacial e da oclusio apontam a genética e © meio ambiente como os principais fatores etiolégicos das mis oclu- sGes. Existem certas caracteristicas raciais ¢ familiares que podem comprometera morfolo- gia dentofacial de um individno, pois elas obedecem a um padrio genético. Mossey, em 1999, em um trabalho sobre a heranga da mé oclusio, definiu mé oclusio se- gundo Andrews como um significativo desvio de uma oclusio normal ou ideal, ¢ citou os principais componentes da oclusio: ~ © tamanho da maxila. ~ O tamanho da mandibula. ~ A relagio entre as hases dsseas, Classe I, Classe II, Classe TIT, ¢ os fatores que determinam seu equilibrio ou desequilibrio. ~ A forma dos arcos dentérios ~ © tamanho ea forma dos dentes. = O mimero de dentes. = A morfologia do tecido mole ¢ © comportamento dos labios, lingua e muscula- tura peribucal Sci diivida alguma, a genética constitui um dos principais fatores ctiolégicos das més coclusées e, para confirmar a sua participagio na determinagio das semelhangas familiares, Krogman em 1972, em seu trabalho “Crestimento da crianga”, questionou duas situagSes interessantes ¢ rotineiras que sio realizadas por familiares e amigos quando do nascimento de uma crianga. E menino ou menina? E com quem se parece? A pergunta com quem se parece est diretamente ligada 3 heranga, e 0 autor finaliza dizendo que “a alegria de se identificar semelhangas num bebé & © reconhecimento do fato de que tragos fisicos sio herdados, tém base genética e seguem uma linha familiar.” As anomalias de tamanho dentirio, representadas pelas macro ¢ microdontias, podem gerar més oclusdes como apinhamentos ¢ diastemas, respectivamente. Na maioria das, ve7es, quando um individuo apresenta dentes maiores (macrodontia) ou menores (mi- crodontia) do que o normal, muito provavelmente alguém da familia também € ou foi portador dessa anomalia (Fig. 1.2A, 1.2B). TEE} Microdontia dos incsivosllerais superiors. Entretanto, quando podemos considerar um dente como tendo tamanho normal ou no? Existem tabelas, como as de Graber, Moyers, Moorrees ¢ outras, que mostram as médias dos diimetros mesiodistais dos dentes deciduos e permanentes. Contu- do, as anomalias de tamanho dentério, por associarem-se & genética, sio facilmente diagnosticadas clinicamente ¢ por meio da hist6ria familiar (anamnese), descartando a necessidade de averiguagdes em tabelas especificas. As anomalias de forma, que encontram-se intimamente relacionadas 3s anomalias de tamanho, também sio de- terminadas principalmente pela heranga e interferem diretamente na oclusio. A ano- malia mais prevalente consiste na forma conoide do incisivo lateral superior, seguida por outras formas atfpicas menos frequentes como dentes com ciispides em garra (talon cusp), geminagio e fasio (Fig. 1.3A a 1.3M). A geminacio tem origem na divisio de um germe dentério em dois dentes, com coroa grande, dupla ou bifida, e uma tinica raiz, com somente um canal. A fusio é 0 resultado. da uniio de dois germes dentirios, com duas coroas, duas raizes, duas camaras pulpares € dois condutos. Pode ser completa, coroa ¢ raiz, ou incompleta, s6 coroa ou s6 raiz. ‘As anomalias de néimero, na sua grande maioria, sio de origem genética, ¢ podem tam= bém estar associadas a deformidades congénitas como a displasia ectodérmica e a disostose cleidocraniana. Diversos autores acreditam que os dentes supranumeririos ¢ as agenesias dentérias, além de apresentarem originariamente um componente genético, também estio relacionadas a0 atavismo € 3 evolucio do homem, respectivamente. fica e torogréfica evidenciando a uso dentéia Sequincia reciogra f .3F 1.30, 1.34, © papel da hereditariedade no estudo das n fs oclusdes de gémeos idénticos (monozi- goticos) também representa significativa importincia na determinagio das caracteristicas morfologicas ¢ dentofaciais. Os estudos de Lundstrém (1955) revelaram que gémeos i ticos geralmente apresentam a mesma mé oclusio, que nao ocorre necessariamente nos Sticos (Fig. 144 a 14H, 1.54 a 1.5)). Isso acontece porque os gémeos monozigéticos apresentam, essencialmente, a mesma composigao genética e, entio, as di- gémeos heterozig ferencas entre eles (quando ocorrem) dependem de fatores nao genéticos, como os do meio 1eos heterozigéticos, por sua vez, apresentam uma disparidade de 50% do ambiente. Os cédigo genético, como nos casos de irmios fraternos (Fig. 1.64 a 1.6]) FREIXEEIIE Fotopratias extra e intrabucas toleradiogratias em norma lateral de gémees irticos, evidenciando © mesmo padi de ‘rescimento facial eas earactvisticas da ocluséo. TEESE Fotogratias oxrae ntabucaie Ce telerradiogratias em narma lateral ‘oe gomeas idénticas, videncian mesmo padio de crascimento facial, as ccaracterisicas da oolusdo ea simiaridade os valores cefalométricns. CE re] ae B10 aa | Zz Seana PS) Seo TS as te CC a i aa Ce a a Outro fitor hereditério que contribui para a clevada frequéncia de uma mé oclusio é a mistura étnica. Nas populagdes raciais homogéneas (grupos ¢ neticamente puros), quase no se observa ind oclusio, enquanto nos grupos que apresentam grande mistura é prevaléncia de més oclsdes aumenta significativamente. Atualmente, observa-se um in- ca tenso cruzamento entre as ragas branca, negra ¢ amarela, contribuindo sobremaneira para ‘© aumento das més oclusées © tipo facial, geneticamente determinado, também influencia nas caracteristicas dentofa- cias e representa um importante fator etioldgico de algumas mis oclusdes. Encontram-se 1na populagio basicamente trés tipos de configuracio facial: 0s braquifaciais, que possuem a largura facial predominando 3 altura; os dolicofaciais, apresentando uma predominancia da altura em re io & langura facial; e os mesoficiais, que representam um grupo com caracte~ risticas intermedisrias entre os braquifaciais ¢ os dolicofaciais (indice de Kollman). Certas més oclusdes apresentam-se intimamente relacionadas 3 morfologia facial, como o desen- volvimento de uma mordida aberta em um individuo dolicofacial ¢ de uma sobremordida profinda num jovem braquifacial (Fig. 1.7A a 1.7F). TEZEEEG A, 8) Paciente braquifacial, ou face curta, apresentando sobremordida profunda; ©, D) paciente dolicotacial,o apresentando mordida aberta; © E, F) paolente mesotackal, ou face equlibrada, com bom padi de ockusto, face tenga, [As mis oclusdes de ordem esquelética (Classes II ¢ IIT) possuem um componente gené- tico na sua etiologia (Fig. 1.8). Na maioria dos casos, quando um individuo apresenta uma mé oclusio de Classe III ou II, muito provavelmente algum dos seus antecedentes também a exibiu. Esse fato pode ser facilmente comprovado observando-se as fotogra fias das geracdes anteriores (Fig. 1.8A a 1.8D), a TEETISEED Vistas latcais xtra e intrabucais evdenciando més octusOes esquetéicas de Classe I, visto 1, e Cassel © padrio de crescimento esquelético facial & condicionado geneticamente. © leitor pode observar que, aos cinco anos de idade, © paciente apresenta uma face longa com mordida aberta anterior. Esse padrio, indelével 3 face e a0 passar dos anos, estampa-se nas Figuras 1.9G ¢ 1.9H. Observa-se que o padrio vertical de crescimento no somente foi mantido, mas foi exacerbado, assim denunciando o carter de manutengio ¢ estabe- lecimento precoce dessa mé oclusio, 523m ‘83 10m T2a9m a2 ELEIEE] Fotccraias exrabucals de parle elradiogratias em norma lateral mostranc 0 desenvolvimento de uma ma ocusde do Cassell esquetética Entre 05 fatores genéticos, serio abordadas algumas sindromes com efeito direto sobre as estruturas dentocraniofaciais, como: Disostose cleidocraniana A disostose cleidocraniana constitui uma deformidade geralmente associada 3 heredita- riedade, que também pode provocar alteragdes na cavidade bucal (Fig. 1.10A a 1.10N). Além do sinal clinico mais caracterfstico, a hipoplasia da clavicula, os aspectos bucais mais frequentemente observados sio: Maxila hipopldsica Protrusao mandibular Erupgao tardia dos dentes permanentes Dentes supranumerérios Hipoplasia do cemento (0 itrabueal rontal mostrando morda aber anterior e ateago na sequlncia de erypgo dos dentes bucal em visas latras, TRRIISETIS Vistas exrabucais de jovem com postura normal ¢ “ombro a ombro’,¢ vistas intrabucais mostrando seu aspecto oclusal. Displasia ectodérmica E uma anomalia de cariter hereditério caracterizada pela filta de desenvolvimento dos tecidos de origem ectodérmica. Os pacientes com essa anomalia geralmente apresen tam anormalidades de cabelo, unhas, cflios, pele dentes, fice, € gkindulas anexas (sebé ceas ¢ sudoriparas, principalmente), além de apresentarem uma aparéneia de senilidade (Fig. L.11A a L.11F). © fato de tera perspiragio comprometida, devido ao mimero reduzido hipertermia, com crises febris constantes durante a de glindulas, leva o paciente fincia, as quais podem, inclusive, proporcionar comprometimentos neurolégicos. A pele apresen- e ressecada. O cabelo, os cilios ¢ as sobrancelhas encontram-se em ta-se macia, porém, fi niimero reduzido. As principais caracteristicas intrabucais e faciais sfo descritas a seguir. Auséncia total (agenesia) ou parcial (oligodontia) dos dentes Dimensao vertical reduzida Tergo inferior facial reducido Auséncia de osso alveolar Maxilares pouco desenvolvidos bios protuberantes ‘como labios protuberantas, maulaves pauoa daservalics, auséncia de csso alveolar e presenca de pouces dertes (agenesia) Incontinéncia pigmentar ou sindrome de Bloch-Sulzberger Essa sindrome € uma doenca envolvendo pele ¢ anexos, de provivel origem genética de carter dominante, relacionada ao cromossomo X; portanto, acomete apenas 0 sexo feminino, na infincia, Os sinais e sintomas mais frequentemente observados sto: ano- malias oculares, assimetria facial, distrofia nasal, anomalias do couro cabeludo, desor- dens do sistema nervoso e anomalias dentérias (Fig, 112A a 1.121). Dentre as anomalias dentérias, pode-se destacar: Agenesias Anomalias de forma, como dentes conoides, dentes geminados ou fusionados e dens in dens Hipoplasia de esmatte (BEGEEEE Raciogratias periapicais ‘eidenciande aromas de fra - dene in dons 6 gominagao dentéra, Fissuras de labio e/ou palato Esse tipo de malformacio congénita caracteriza-se pela falta de fsio entre os processos palatinos ¢/ou dos segmentos que formam o lébio superior, e compromete invariavelmente 0 arco dentério superior, em maior ou menor extensio, de acordo com o tipo de fissura Segundo Spina (1972), as fissuras labiopalatais classificam-se nos trés grupos descritos a guir, de acordo com a sua localizagio, tendo como referencia anatémica o forame incisivo, Grupo I - Fissuras pré-forame incisivo: compreende o grupo das fissuras que cnvol~ vem somente o palato primério. Podem variar desde uma fissura cicatricial no libio superior até um rompimento completo do palato primério envolvendo o lébio superior, © rebordo alveolar ¢ o assoalho da fossa nasal, terminando na regio do forame incisivo (Fig, 1.134 a 1.13H). Podem, ainda, se apresentar: direita (completa ou incompleta) UNILATERAIS 7 esquerda (completa ou incompleta) completa completa BILATERAIS - ‘MEDIANAS 7 incompleta - incompleta -, o cee PF TEEEIEEEES Fissurapré-forame unatoral esquorda ncomplota TARRED Fissurapré-orame bilateral incomplete, IBEEIREG Frese ot srame mectaraincorpita ABEIREBED Fissura pré-forame mediana completa, Grupo II - Fissuras trans-forame incisivo: sio as fissuras que englobam o libio superior ¢ 60 palato em todo a sua extensio. Todo individuo que apresenta esse tipo de fissura possui mé oclusio (Fig, 1.144 a 1.14D). As fissuras desse grupo podem ser: direita UNILATERAIS esquerda BILATERAIS a BEIERTEY Fssur rans-orame unilateral drota, mam a FREGRERED) Fsoua vane forame biter Grupo III - Fissuras pés-forame tética, uma vez que o envolvimento anatémico limita-se & regio posterior ao forame in- fila sio frequentes (Fig. 1.15, 1.15B). icisivo: sio as fissuras que menos comprometem a ¢s- cisivo, mas 0s problemas fimcionais relacionados 3 £ Nesse grupo as fissuras podem ser: TOTAIS palato duro e mole PARCIAIS somente palato mole TREIIERES) Fesura pbs-loraraincorplta e completa Ainda, segundo a classificagio de Spina h4 outro grupo, que compreende as fissuras raras da fac Grupo IV - Fissuras raras da face (Fig. 1.16A, 1.16B) 1) Fissuras Obiiquas 2) Fissuras Transversais, 3) Fissuras do labia inferior a DBEEIEBEED Fissuras rors da tac. No Brasil, a prevaléncia de pacientes fissurados é de 1 para cada 650 individuos. A lite~ ratura demonstra, de forma uninime, que as fissuras de palato sio mais frequentes e mais, graves (extensio) no sexo feminino. Os dados do Hospital de Reabilitagio de Anomalias Craniofaciais, da Universidade de Sao Paulo, nao fazem excegio ao revelar que, dos pa- cientes com fissura isolada de palato, aproximadamente 59% sio do sexo feninino ¢ 41% do sexo masculino. Isso se explica pelo dimorfismo sexual em relagio ao periodo de fusio. dos processos palatinos Baseado em modelos hipotéticos de fechamento do palato humano, alguns autores suge riram que o palato secundario de embrides femininos se fecha numa velocidade menor do que o de embrides masculinos. A elevacio e a subsequente fusio dos processos palatinos ocorrem com alguns dias de atraso nos embrides femininos. No embriio masculino, ob- serva-se 0 fechamento do palato sccundiério durante a séciua sentana de vida inurauterina, intrauterina, Esse retardo no tempo de fechamento do palato secundério feminino indica enquanto no sexo feminino esse perfodo coincide com a metade da oitava semana de vida tuma maior suscetibilidade desse sexo aos agentes teratogénicos. | | ANOMALIAS DENTARIAS DE NUMERO: AGENESIA E SUPRANUMERARIO Agenesia A agenesia dentéria constitui a anomalia de desenvolvimento mais comum da denti- ao humana, ocorrendo em aproximadamente 25% da populagao. O terceiro molar re- presenta o dente mais afetado por essa anomalia, exibindo uma prevaléncia de 20,7%. Excluindo-se os terceiros molares, a prevaléncia de agenesia é de aproximadamente 4,3, a 7,8%. Os segundos pré-molares inferiores representam os dentes mais comumente ausentes, seguidos pelo incisivo lateral superior e pelos segundos pré-molares superio- res, Em pacientes leucodermas, a ocorréncia da agenesia dentiria poderia ser classifica da como: comum, quando afeta os segundos pré-molares inferiores, os incisivos laterais superiores € os segundos pré-molares superiores; menos comum, gue inclui, em ordem decrescente de ocorréncia, os incisivos centrais inferiores, os incisivos laterais inferiores € primeiros pré-molares superiores, caninos superiores ¢ segundos molares inferiores; e raras, compreendendo, em ordem decrescente de frequéncia, a agenesia de primeiros ¢ segundos molares anperiores, caninas inferiores, primeiros molares infériores ¢ incisivos centrais superiores. E importante lembrar que existe uma diferenca étnica na prevaléncia de agenesias. Estudos epidemiolégicos mostram uma menor prevaléncia de agenesias em pacientes negros, se comparados aos leucodermas; enquanto os asiéticos tendem a mos- trar uma frequéncia aumentada de agenesia. Existem, também, diferengas entre os sexos na prevaléncia de agenesias. Os estudos de Muller et al. (1970) ¢ Dermaut et al. (1986) apontam diferengas entre os sexos numa prevaléncia de 3:2 no sexo feminino, ‘Ap agcuesiay dentitiay yeralinente apresentarn-se simétricas, ocorrendo, porranto, bilate- ralmente, Observa-se uma excegio em relagio aos incisivos laterais superiores, que fre~ quentemente esto ausentes de maneira unilateral; nesses casos, quase sempre o homélogo apresenta anomalia de forma (conoide) ou de tamanho (microdontia). As agenesias dentérias interferem diretamente na oclusio, podendo ocasionar: oclusio traumitica, inclinagio dos dentes adjacentes, diastemas, além de uma estética indesejével ¢ provaveis problemas fonéticos (Fig. 1.17A, 1.17B; 118A a 118K; 1.19A, 1.19B ¢ 1.20). [BEEIEEEE Raciogratas potapicais mostrando agenesia de segundo pré-mlar initio: FED rraciogratia periapical mastando a ausénca do segundo pré-molar(agenesia comum) e do sogundo motar superior dire, classicada como agenesia ara Supranumerarios A harmonia facial caracteriza-se pela forma, posicio e niimero de dentes anteriores, ¢ é na regio antcrossuperior, principalmente, que ocorre cor maior frequéncia (aproximada- mente 90%) 0 aparecimento de dentes supranumeririos. A incidéncia na populagio, de forma geral, é de 1 a 3%, sendo mais prevalente no sexo masenlina, nama propargia de 2-1 Muitas teorias tm sido sugeridas para explicar a etiologia dos dentes supranumeririos: (1) a genéti quisadores encontraram vérios membros com supranumeritios por duas geragdes consecu- . com os estudos em linhagem geneal6gica de algumas familias onde os pes- tivas; 2) a dicotomia, que 6a divisio do germe dentirio em dois dentes; (3) 0 atavismo, que significa o retorno & forma primitiva dos antropoides, que possufam 12 dente: a mais que © Homo sapiens; ¢ (4) hiperatividade da la ina dentéria, que parece ser a teoria mais aceita, Apresengade dentessupranumerariosna dentadura decfdua é previsivel (Fig, 1.21A.a1.21D), | porém, nas dentaduras permanente e mista pode ocorrer — no sendo rara — a presenga | dde mesiodens isolado ou em pares, com forma conoide ou “em pera”, e aspecto de micro- dontia. Outros supranumerdrios que ocorrem na dentadura permanente sio os terceiros pré-molares, de formagio tardia, uni ou bilateralmente na mandibula e na maxila. Geral- mente esses dentes apresentam normalidade na sua forma e tamanho. As consequéncias da presenca de um supranumeritio mesiodens sio: bloqueio de erupgio dos incisivos per manentes; erupgio tardia, devido a retengio prolongada dos dentes decéduos; diastemas erincisivos; erupsio ectépica; desenvolvimento de cistos; reabsorges radiculares e cceragdes das raizes dos incisivos permanentes (Fig. 1.22.a 1.27), (EES vistas itvatucaise radiograicas evidercianco dantadura decidua de is, com 5 @ 6 incshos suparices, respectvamante Vistas intrabucas ¢radiogricas mostrando véros supranumerérios mesiodans inompidoa © ‘ira6ss608, bloqueando a erupgae dos incsvos permanentes, FEIIEEEE Vistas ntrabucsis mostrando mesiadene irompio bloqueando a eruoea do incisive permanente direc, TEEIIEIEZE Visas intrabucais mostrando incisivos laters superiores esquerdos supranumeréis, Vista inirahurals aspacin radingrfion vitancianln nh ork gin causa pe um sunranumerdon masiodons nttadsseo bloqueanco a erupgao do incisivo permanente dieito, TEESE v: intrabucaleraciogalias mostiando a prasenga de is pré-molaes inlerioras trompidos e intadseecs, [EH] adiograta panordimioa evidenciando a presenga de quartos molars ineriores (sas) Anquilose A anquilose dentétia, encontrada com frequéncia entre os 6 € 12 anos de idade, € uma alteracio de erupgio devido 4 unio do cemento c/ou dentina com o osso alveolar. A infraoclusio € notada clinicamente e, possivelmente, advém de uma filha genética ou congénita do ligamento periodontal e trauma oclusal por pressio excessiva durante a mastigagao. A participagio da genética na infraoclusio € verdadeira, uma vez que os tra~ balhos pertinentes apontam uma grande ocorréncia em individuos de uma mesma fami~ lia e, muitas vezes, associadas a outras anomalias dentérias também de origem genética, como: erupgio ectépica de caninos permanentes, microdontias ¢ agenesias. Nos casos de agenesia de segundo pré-molar, geralmente 0 segundo molar deciduo se encontra abaixo do plano ochusal (Fig, 1.28A, 1.28B). A frequéncia da anquilose varia muito nos diferen- tes estudos realizados: de 3,2 a 9,2% das criangas nas fases da dentadura decidua ¢ mista, Essa variagio € devida 4 diferenga da faixa evéria das criangas pesquisadas nos diferentes estudos. A maior prevaléncia ocorre na regio posterior e nos molares deciduos, ¢ 0 pri~ meiro molar deciduo inferior é 0 dente mais acometido, A presenga de um molar deciduo em infraoclusio pode provocar: a inclinagio dos dentes vizinhos, a redugao do comprimento do arco dentitio, impacgao do dente permanente € erupgio ectépica (Fig. 1.29A a 1.29) Cistos As patologias como cistos ¢ tumores também podem ser consideradas como fatores ctioldgicos de més oclusses, principalmente por causarem desvios de erupgio dentaria (Fig. L.30A, 1.30B, 1.30C) TENET Padogratias pancréicae iapical mosrando 0 desiocamerte do game Go primar eré-mole inter, provocaco por Um isto. a TEETH Reciografia panordmica ‘edenciando 0 desiocamento do canino Erupgao ectopica dos dentes permanentes A cctopia do primeiro molar permanente, geralmente o superior, é um exemplo clissico de desvio de erupgio. © dente assume uma trajetéria para mesial, ocasionando a prematura reabsorgio cervical ¢ radicular da face distal do segundo molar decfduo. A incidéncia da ectopia dos primeiros molares permanentes & de 2 a 4% da populagio infantil. Dependendo do grau de impac¢io, ela pode ser reversivel ou irreversivel. Na erup= cio reversivel, 0 primeiro molar permanente quase sempre apresenta autocorrecio, jd na erupgio irreversivel ocorre a reabsorgio ¢ esfoliagio precoce do segundo molar deciduo, com redugio do comprimento do arco dentirio e perda total de espago para o sucessor permanente (segundo pré-molar) (Fig. 1.31A a 1.311). i. [EIEN 1) Aspect ediottoo da erupctoextpica do prieito molr paneer. B) Aspect recogilico da peda do lespago ands a esto precoce do sagunce molar deisvoe pera Ge espago para eruprio do segundo présmalar TESTERS c) Ascect rxsogrtiion da mpacgéo do prima moar parranente inferior D) Resbsorgio rewooaca no saqunde molar dacisuo [EXTENT Radiogratias pariapicas lateral cite ¢ lateral esquarda mostrando a impacto dos primeios molares permanentes © reabeor¢do das faces dstais dos segundos molares deolduoe (seas) ETE) Aspeco invabucal da erupgio ect6pica apes a perda do ‘segundo molar deciduo @ migragdo do primeio molar permanent. TESTER Vistas inabucais mostrenco erupgo ectépica dos segundos molars pormanentes superires e incSsivos laterals superiores, Freio labial superior O fieio labial superior consiste em uma lamina fibrosa de tecido conjuntivo, com forma triangular, No recém-nascido, esse freio estende-se desde © libio superior até inserir-se na papila lingual, cruzando o rebordo alveolar, Durante © desenvolvimento da oclusio, a insergio fibrosa do freio desloca-se paulatinamente para a superficie vestibular do processo alveolar, alcangando as proximidades do limite mucogengival. A persisténcia da insergao baixa do fireio labial superior, apés 0 desenvolvimento completo da dentadura permanente, tem sido apontada como um dos principais fatores etiolégicos do diastema interincisivos centrais. No entanto, devemos deixar claro que © diastema su- perior exibe uma etiologia multifatorial, desde que outros fatores podem determiné-Lo: 1) Agenesia dos incisivos laterais superiores. 2) Microdontia dos incisivos laterais superiores. 3) Discrepincia dente-osso positiva. 4) Presenga do supranumeririo mesiodens. 5) Lesdes patolégicas, como cistos na regio interincisivos centrais. 6) Hibitos de sucgio de dedo, chupeta, labios; interposigio lingual, de lipis ou caneta, Graber enfutizou ainda que, na presenga de win diastena imtetincisives Causado por diver sos desses fatores etiolégicos, o freio labial superior pode manter-se inserido por lingual, dificultando a identificacio da real participagao da insergio fibrosa na manutencio do dias- tema. Surge, entio, a discussio semelhante 3 do ovo e da galinha: quem velo primeiro? Deve-se terem mente que todos esses fatores etiolégicos do diastema interincisivos centrais apresentam sua importincia ao avaliarmos um paciente durante a dentadura permanente Nos estigios anteriores do desenvolvimento da oclusio — dentigdes decidua e mista —, 6 diastema interincisivos central apresenta-se como caracteristica normal e fisiol6gica que, segundo Taylor (1939), esta presente em 97% das criangas durante a erupcio dos incisivos centrais superiores permanentes. Com a erupgio dos incisivos laterais superiores perma~ nentes essa porcentagem diminui para 46% ¢, aps a erupcio dos caninos superiores per ‘manentes, essa prevaléncia cai para 7%; & sobre esse néimero que se concentram os fatores etiolégicos responsiveis pelo diastema anteriormente discutido (Fig. 1.32A a 1.32)) IEEE Dopiuigto com inteposigéo tingual e respective ciastem = [EERE Vita: itrabucais evidonciando ciastemas em gémeos univ. Insergio baka do treo labial syporor, com Isquemia da papilapalaina FEED suturaintermaxitarterminada er piano. CAUSAS AMBIENTAIS As deformages adquiridas, que podem provocar uma mf oclusio, caracterizam os fatores tiolbgicos pos-natais. Essesfatores dividem-se em: gerais, locais ¢ proximais (habitos bucais). Gerais Dentre as causas gerais, pode-se destacar 0s fatores trauméticos ¢ os fatores nutricionais, ‘Traumatismos: acidentes trauméticos durante o parto, quando da utilizagio de frceps, podem provocar fratura do céndilo ¢ hipoplasia da mandibula. Os traumatismos envolven- do os dentes deciduos podem provocar sua perda precoce ou, ainda, afetar o germe dentéio permanente, causando desvios de erupgio, dilaceragSes radiculares ¢ defeitos na estrutura dentéria. O tecido cicatricial decorrente de queimaduras com comprometimento da face pode produzir alteragdes nas posiges dentérias e, ainda, deformidade dos maxilares quan- do esses encontrarem-se em fase de crescimento ¢ desenvolvimento (Fig. 1.33A a 1.33]). |) Figuta mostrando a proxmidade enve as izes dos dentes decids e os germs dos dentes pemmanantes (van der Linden, 1986), B) Traumatismo dos incisivos centais dec‘duos, com consequenleincinagSio dos incisivos permanentes para lingual, provocando a motdida cruzada anterior de um ou mais dente, Desvio de enupgo dos incsivos contais permanentes, coma consequéncia de um traumatismo, e erupgio eetépica leva @ retoncde prolongada do incisvo deciduo traumalizado. car” Traumatismo do incisive central permanente, com fratura abso do ponto de cortato @ consequente perda de espago uma semana a: co eciderte TTraumetismo de maior gravidade alingindo dantas e asso (vista intrabucal frontal e aspecto raciogrético) Fatores nutricionais Estudos apontam a alimentagio como fator preponderante para 0 crescimento ¢ desen- volvimento fisico do individuo, mas no confirmam a sua participac3o na incidéncia das sds udusdes. Porém, vale lembrar que uma alimentagio balanceada ¢ mais sélida exige maior esforgo da musculatura peribucal, com consequente desenvolvimento da maxila e da mandibula ¢ uma autéclise mecinica na limpeza dos dentes. A redug3o do agticar também contribui para a higidez dos dentes, prevenindo, dessa forma, a cérie dentéria, Salzmann asseverou que uma falha nutritiva nas criangas em crescimento e desenvolvi- mento provoca um retardo dos centros de ossificagio. Outras pesquisas demonstraram que a deficiéncia de vitaminas A, B, C e D, da riboflavina e do iodo pode contribuir para as més-formagdes esqueléticas e dentérias (Fig. 1.344, 1.34B, 1.34C). Locais Os itens que constituem o grupo etiolégico das causas adquiridas locais representam 0s fatores mais diretamente relacionados & cavidade bucal ¢ talvez sejam, para 0s otto- dontistas, as causas mais importantes das mas oclusses. Portanto, devem ser detectados precocemente pelo cirurgiio-dentista, de forma a proporcionar um adequado desen- volvimento dos arcos dentartos. Perda prematura dos dentes deciduos Os dentes deciduos contribuem para a fonacio, degluticio, mastigagio e estética adequa- das, além de servirem como mantenedores de espagos ¢ guias de erupgio para os dentes petmanentes. Quando se perde prematuramente um dente deciduo, ocorre o rompimento do equilibrio dentirio, propiciando a mesializagio dos dentes posteriores, distalizagio dos anteriores ¢ extrusio dos antagonistas. Assim, fltard espago para a erupgio de alguns dentes permanentes, determinando més oclusdes. Esse fito no ocorre com a perda de dentes de: duos na regio anterossuperior, porque as coroas dos incisivos permanentes jf esto formadas ‘eatuam como mantenedores de espagi como o bloqueio de crupgio de um incisivo central pela presenga de um supranumerdtio do em condigdes normais. Nos casos de anormalidades, tipo mesiodens, o incisivo lateral isrompe antes que 0 central, com inclinagio para mesial e grande perda de espago — ver Figuras 1.25A e 1.25B — (Fig. 1.35A a 1.35P). EERIE) aciogratias panorérnicas ¢ periapical mostrando tata do espagos para a orupcito do dontes parmanentes, or extragio prematura de dentes deciduos. xtragao prematura dos primetos e segundos motares dectdvos, com consequente perda de espago para a erupgéo do sogundo pré-molar (cet) Perda de dentes permanentes A oclusio dentéria caracteriza-se pela intercuspidagio de um dente superior com dois ink riores, com excegio dos titimos dentes superiores e dos incisivos centrais inferiores, man tendo, dessa forma, o equilibrio na cavidade hucal (Fig. 1.36, 1.368) Os dentes sio exemplos vivos de uma unio perfeita: um nio fica distante do outro. Quan- to hi quebra do equilibrio por extragio de um elemento dentirio — como, por exemplo, na Figura 1.36, de um incisivo central superior ou de um primeiro molar permanente observa-se: inclinagio para mesial e distal, na procura de um ponto de contato; redugio do comprimento do arco dentirio, desvios da linha média ¢ giroversées. Caries As céries dentétias, principalmente as interproximais, sio responsiveis pela redugio do comprimento do arco dentirio, além de provocarem, muitas vezes, a extragao prematura de dentes deciduos. Ainda hoje, a incidéncia da cérie dentéria no nosso pais é a maior res- ponsével pelo aumento do niimero de més oclusdes (Fig. 1.37A a 1.37D). fi TEXZIEEEG Primeicos molares permanentes com incinagdo para mesial devia & destuigdo por cies das faces dstals os segundos molares deciduos superior @ineror,respectvamanto, TERETE Cities de mamadeira, com desiruico das coroas ¢ reduce do comprimento dos arcos dentarios superiores, HABITOS BUCAIS Durante a vida pré-natal, por volta da 32! semana, o ser humano jé comega a exercer a suogio dos dedos, lingua ¢ labios. No nascimento, o bebé apresenta a fungio da sucga0 coupletanente desenvolvida, A macuragio desse sistema propicia 0 desenvolvimento apro- priado das fungdes bucais, para a sua sobrevivencia apés o nascimento. Por meio da amamentagao, o bebé busca a satisfagao nutricional fazendo um esforgo para a obtengio do alimento, exercitando as regides peri ¢ intrabucais. Além disso, experimenta 0 estimulo agradavel do toque dos labios, da lingua ¢ da mucosa palatina com o sei materno, associando esse estimulo a sensagbes agradéveis como 0 carinho ¢ © calor do corpo da mac. Na tentativa de prolongar essa sensagio de prazer, a crianga, ap6s satisfuzer a demanda fisiol6- ica, persiste no exercicio da suegio. A chupeta efou o dedo podem satisfazer essa necessidade sensorial motora — ou seja, a necessidade de exercitagdo da musculatura bucal —, promo- vendo uma autossatisfagdo na auséncia da mie. Entretanto, 0 uso desses artificios pode levar a dependéncia, que se intensificaré quanto maior for a falta de atengio por parte dos pais, principalmente sca mie for ausente. A utilizagdo da amamentagio artificial deve obedecer certos critérios quando introduzida na dieta do recém-nascido. © bebé deve receber na cavidade bucal uma quantidade suficiente de iquido para estimulé-lo a sugar, Rotineira~ mente, a mie aumenta 0 orificio do bico da mamadeira para deixar passar mais liquido. diminuindo, assim, os exercicios de sucgi0, Essa deficiéncia na succao ocasiona a flacidez da musculatura de sustentagio da lingua, dos labios e da mandibula. Com o aumento do otificio da mamadeira, a lingua posiciona-se anteriormente na tentativa de evitar 0 engas- gamento, devido ao maior volume de liquido na cavidade bucal. E importante salientar que 0 tamanho do bico da mamadeira é diretamente proporcional 3 mé oclusio provocada, pois, sendo grande, iré manter a lingua no assoalho da cavidade bucal, impedindo que essa se cleve para exercer a pressio de dentro para fora, compensando a forga desenvolvida pela ‘musculatura externa de fora pata dentro (Fig. 1.38A, 1.38B). |A) Mamadeira com 0 apoio dos tos e posigdo corrata

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