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LIVROS APÓCRIFOS

LIVROS
APÓCRIFOS

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LIVROS APÓCRIFOS

LIVROS
APÓCRIFOS

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LIVROS APÓCRIFOS

CONTEÚDO

CAPÍTULO 01 .................................................................................................................... 6

LIVROS APÓCRIFOS OU DEUTEROCANÔNICOS ...................................................... 6

A. INTRODUÇÃO.............................................................................................................. 6
B. DEFINIÇÃO DA NOMECLATURA ............................................................................... 7

CAPÍTULO 02 .................................................................................................................. 10

DIFERENÇAS ENTRE AS BÍBLIAS HEBRAICAS, PROTESTANTES E CATÓLICAS . 10

A. DIFERENÇAS BÁSICAS ............................................................................................ 10


B. LIVROS APÓCRIFOS DA SEPTUAGINTA ............................................................... 11
C. COMO OS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS ..................................................... 11

CAPÍTULO 03 .................................................................................................................. 14

POR QUE OS LIVROS APÓCRIFOS NÃO SÃO ACEITOS PELOS PROTESTANTES


..................................................................................................................................... 14

A. ALGUMAS RAZÕES PARA A REJEIÇÃO ................................................................ 14


B. TESTEMUNHAS CONTRA OS APÓCRIFOS ........................................................... 18

CAPÍTULO 04 .................................................................................................................. 24

VISÃO PANORÂMICA DOS LIVROS APÓCRIFOS E PSEUDOEPÍGRAFOS ............. 24

A. LIVROS APÓCRIFOS INSERIDOS NO ANTIGO TESTAMENTO ........................... 24


B. OS APÓCRIFOS EM SUA ORDEM ATUAL .............................................................. 24
C. TEXTOS ACRESCENTADOS AOS LIVROS CANÔNICOS ..................................... 30
D. OS LIVROS APÓCRIFOS NA SEPTUAGINTA E NA VULGATA LATINA ............... 31
E. LIVROS PSEUDOEPÍGRAFOS ................................................................................. 32
F. LIVROS APÓCRIFOS DO NOVO TESTAMENTO .................................................... 33

CAPÍTULO 05 .................................................................................................................. 36

RESUMO DOS LIVROS APÓCRIFOS – LENDAS, ERROS E HERESIAS .................. 36

A. RESUMO DOS APÓCIFROS..................................................................................... 36


B. LENDAS, ERROS E HERESIAS NOS APÓCRIFOS ................................................ 38

CAPÍTULO 06 .................................................................................................................. 46

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LIVROS APÓCRIFOS

REFUTAÇÃO À POSIÇÃO ROMANA EM DEFESA DOS APÓCRIFOS ...................... 46

A. RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES ROMANISTAS .......................................................... 46


B. RESUMO E CONCLUSÃO......................................................................................... 57

CAPÍTULO 07 .................................................................................................................. 62

A IGREJA CATÓLICA E O CÂNON ............................................................................. 62

A. POSTURA CATÓLICA ANTE O CÂNON .................................................................. 62


B. CONCLUSÃO ............................................................................................................. 65

BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................... 67

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CAPÍTULO 01

LIVROS APÓCRIFOS OU DEUTEROCANÔNICOS

A. INTRODUÇÃO

Na Constituição Dogmática sobre Revelação Divina, o Concílio


Vaticano II, no capítulo sobre Escritura Sagrada na Vida da Igreja,
declarou que "Ela (a igreja) sempre considerou as Escrituras junto com
a tradição sagrada como a regra suprema de fé, e sempre as
considerará assim”.

Da declaração anterior, nós, os cristãos evangélicos, rejeitamos, desde


logo, a tradição sagrada como regra de fé. Ficamos, pois, em terreno
comum com os católicos romanos no que diz respeito às Escrituras. No
entanto, nisto também existe uma diferença de suma importância. Isto
tem relação com os livros do cânon do Velho Testamento. No livro
Consultas dei Clero, parágrafo 207, se transcreve assim o decreto
emitido pelo Concilio de Trento sobre as Sagradas Escrituras:

"Se alguém não receber como sagrados e canônicos estes livros


inteiros, com todas as suas partes, tal como se encontram na Antiga
Versão Vulgata, seja anátema." Seguindo a mesma posição
doutrinária, o Concilio Vaticano II, no capítulo sobre "A inspiração
Divina e a Interpretação da Escritura Sagrada", se pronunciou da
seguinte maneira: "Aquelas realidades divinamente reveladas, contidas
e apresentadas na Escritura Sagrada, foram reduzidas à escritura sob
a inspiração do Espírito Santo. A Santa Madre Igreja, descansando

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sobre a crença dos apóstolos, sustenta que os livros, tanto do Velho


como do Novo Testamento, em sua totalidade, com todas as suas
partes, são sagrados e canônicos, porque, havendo sido escritos sob a
inspiração do Espírito Santo, têm a Deus como seu autor e foram
transmitidos como tais à igreja mesma”.

Mas, quando a Igreja Católica Romana se refere ao cânon do Velho


Testamento, ela inclui uma série de livros que os protestantes chamam
de "Apócrifos", mas os católicos de "Deuterocanônicos", os quais não
aparecem nas versões evangélica e hebraica da Bíblia. O resultado
disto foi que na opinião popular dos católicos existem duas Bíblias:
uma católica e a outra protestante. Mas semelhante asseveração não é
certa. Só existe uma Bíblia, uma Palavra (escrita) de Deus. Em suas
línguas originais (o hebraico e o grego), a Bíblia é uma só e igual para
todos. O que nem sempre é igual são as versões ou traduções dela
aos diferentes idiomas. Neste estudo iremos mostrar porque nós,
cristãos evangélicos, não aceitamos os chamados, "Livros Apócrifos", e
consequentemente rejeitamos com provas sobejas, as alegações
romanistas de que tais livros possuem canonicidade e inspiração
divina.

B. DEFINIÇÃO DA NOMECLATURA

1. APÓCRIFOS

Na realidade, os sentidos da palavra "apocrypha" refletem o


problema que se manifesta nas duas concepções de sua
canonicidade. No grego clássico, a palavra apocrypha significava
"oculto" ou "difícil de entender". Posteriormente, tomou o sentido
de "esotérico" ou algo que só os iniciados podem entender; não os

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de fora. Na época de Irineu e de Jerônimo (séculos III e IV), o


termo apocrypha veio a ser aplicado aos livros não-canônicos do
Antigo Testamento, mesmo aos que foram classificados
previamente como "pseudepígrafos". Desde a era da Reforma,
essa palavra tem sido usada para denotar os escritos judaicos
não-canônicos originários do período intertestamentário. A questão
diante de nós é a seguinte: verificar se os livros eram escondidos a
fim de ser preservados porque sua mensagem era profunda e
espiritual, ou porque eram espúrios e de confiabilidade duvidosa.

• Natureza e número dos apócrifos do Antigo Testamento

Há quinze livros chamados apócrifos (catorze se a Epístola de


Jeremias se unir a Baruque, como ocorre nas versões
católicas de Douai). Com exceção de 2 Esdras, esses livros
preenchem a lacuna existente entre Malaquias e Mateus e
compreendem especificamente dois ou três séculos antes de
Cristo.

2. CÂNON

CÂNON - (de origem semítica, na língua hebraica "qãneh" em Ez


40.3; e no grego: "kanón" em Gl 6.16"), tem sido traduzido em
nossas versões em português como, "regra", "norma".

• Significado literal: vara ou instrumento de medir.

• Significado figurado: Regra ou critérios que comprovam a


autenticidade e inspiração dos livros bíblicos; Lista dos
Escritos Sagrados; Sinônimo de ESCRITURAS - como a regra
de fé e ação investida de autoridade divina.

• Outros significados: Credo formulado (a doutrina da Igreja

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em Geral); Regras eclesiásticas (lista ou série de


procedimentos).

3. CANÔNICO

CANÔNICO - Que está de acordo com o cânon. Em relação aos


66 livros da Bíblia hebraica e evangélica.

4. PSEUDOEPÍGRAGO

Significado da palavra PSEUDOEPÍGRAFO - Literalmente significa


"escritos falsos" - Os apócrifos não são necessariamente escritos
falsos, mas, sim não canônicos, embora, também contenham
ensinos errados ou hereges.

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CAPÍTULO 02

DIFERENÇAS ENTRE AS BÍBLIAS HEBRAICAS,


PROTESTANTES E CATÓLICAS

A. DIFERENÇAS BÁSICAS

1. BÍBLIA HEBRAICA

a. Contém somente os 39 livros do V.T.

b. Rejeitam os 27 do N.T. como inspirado. Também não aceitam


Jesus como messias.

c. Não aceitam os livros apócrifos incluídos na Vulgata (versão


Católico Romana)

2. BÍBLIA PROTESTANTE OU EVANGÉLICA

a. Aceita os 39 livros do V.T. e também os 27 do N.T.

b. Rejeita os livros apócrifos incluídos na Vulgata, como não


canônicos

3. BÍBLIA CATÓLICA

a. Contém os 39 livros do V.T. e os 27 do N.T.

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b. Inclui na versão Vulgata, os livros apócrifos ou não canônicos


que são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1º e
2º de Macabeus, seis capítulos e dez versículos acrescentados
no livro de Ester e dois capítulos de Daniel. A seguir a lista dos
que se encontravam na Septuaginta:

B. LIVROS APÓCRIFOS DA SEPTUAGINTA

Septuaginta é o nome da versão da Bíblia hebraica para o grego koiné,


traduzida em etapas entre o terceiro e o primeiro século a.C. em
Alexandria.

Dentre outras tantas, é a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o


grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre,
o Grande.

A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou


Septuaginta, palavra latina que significa setenta, ou ainda LXX), pois
setenta e dois rabinos trabalharam nela e, segundo a lenda, teriam
completado a tradução em setenta e dois dias.

3 Esdras, 4 Esdras, Oração de Azarias, Tobias, Adições a Ester, A


Sabedoria de Salomão, Eclesiástico (Também chamado de Sabedoria
de Jesus, filho de Siraque), Baruque, A Carta de Jeremias, Os
acréscimos de Daniel, A Oração de Manassés, 1 Macabeus, 2
Macabeus, Judite.

C. COMO OS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS

No ano de 1545, o papa Paulo III convocou um concílio (reunião de


bispos), cujas primeiras reuniões foram realizadas na cidade de Trento,
na Itália. Ao final de longos anos de trabalho, terminados em 1563, o

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concílio apresentou um conjunto de decisões destinadas a garantir a


unidade da fé católica e a disciplina eclesiástica.

Uma das resoluções foi a aprovação, em 8 de abril de 1546, da


inserção dos livros apócrifos como meio de combater a Reforma
protestante. Nessa época os protestantes combatiam violentamente as
doutrinas romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação
pelas obras, etc. Os romanistas viam nos apócrifos, base para tais
doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como canônicos.

Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também


depois. Nesse tempo os jesuítas exerciam muita influência no clero. Os
debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra
os franciscanos. O biblista católico John L. Mackenzie em seu
"Dicionário Bíblico" sob o verbete, Cânone, comenta que no Concílio de
Trento houve várias "controvérsias notadamente candentes" sobre a
aprovação dos apócrifos.

Mas o cardeal Pallavacini, em sua "História Eclesiástica" declara mais


nitidamente que em pleno Concílio, 40 bispos dos 49 presentes
travaram luta corporal, agarrado às barbas e batinas uns dos outros...
Foi nesse ambiente "espiritual", que os apócrifos foram aprovados. A
primeira edição da Bíblia católico-romana com os apócrifos deu-se em
1592, com autorização do papa Clemente VIII.

Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos,


colocando-os entre o Antigo e Novo Testamentos, não como livros
inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário histórico. Isto
continuou até 1629. A famosa versão inglesa King James (Versão do
Rei Tiago) de 1611 ainda os trouxe. Porém, após 1629 as igrejas
reformadas excluíram totalmente os apócrifos das suas edições da
Bíblia, e, "induziram a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sob
pressão do puritanismo escocês, a declarar que não editaria Bíblias

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LIVROS APÓCRIFOS

que tivessem os apócrifos, e de não colaborar com outras sociedades


que incluíssem esses livros em suas edições." Melhor assim, tendo em
vista evitar confusão entre o povo simples, que nem sempre sabe
discernir entre um livro canônico e um apócrifo e também pelo fato do
que aconteceu com a Vulgata! Melhor editá-los separadamente.

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CAPÍTULO 03

POR QUE OS LIVROS APÓCRIFOS NÃO SÃO


ACEITOS PELOS PROTESTANTES

A. ALGUMAS RAZÕES PARA A REJEIÇÃO

Há várias razões porque os protestantes rejeitam os Apócrifos. Eis


algumas delas:

1. PORQUE COM O LIVRO DE MALAQUIAS O CÂNON BÍBLICO


HAVIA SE ENCERRADO

Depois de aproximadamente 435 a.C não houve mais acréscimos


ao cânon do Antigo Testamento. A história do povo judeu foi
registrada em outros escritos, tais como os livros dos Macabeus,
mas eles não foram considerados dignos de inclusão na coleção
das palavras de Deus que vinham dos anos anteriores. Quando
nos voltamos para a literatura judaica fora do Antigo Testamento
percebemos que a crença de que haviam cessado as palavras
divinamente autorizadas da parte de Deus é atestada de modo
claro em várias vertentes da literatura extrabíblica.

• 1 Macabeus: (cerca de 100 a.C.), o autor escreve sobre o altar:

"Demoliram-no, pois, e depuseram as pedras sobre o monte da


Morada conveniente, à espera de que viesse algum profeta e se

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LIVROS APÓCRIFOS

pronunciasse a respeito" (l Mac 4.45-46). Aparentemente, eles


não conheciam ninguém que poderia falar com a autoridade de
Deus como os profetas do Antigo Testamento haviam feito. A
lembrança de um profeta credenciado no meio do povo
pertencia ao passado distante, pois o autor podia falar de um
grande sofrimento, "qual não tinha havido desde o dia em que
não mais aparecera um profeta no meio deles" (l Mac 9.27;
14.41).

• Josefo: (nascido em c. 37/38 d.C.) explicou: "Desde Artaxerxes


até os nossos dias foi escrita uma história completa, mas não
foi julgada digna de crédito igual ao dos registros mais antigos,
devido à falta de sucessão exata dos profetas" (Contra Apião
1:41). Essa declaração do maior historiador judeu do primeiro
século cristão mostra que os escritos que agora fazem parte
dos "apócrifos", mas que ele (e muitos dos seus
contemporâneos) não os consideravam dignos "de crédito
igual" ao das obras agora conhecida por nós como Escrituras
do Antigo Testamento. Segundo o ponto de vista de Josefo,
nenhuma "palavra de Deus" foi acrescentada às Escrituras
após cerca de 435 a.C.

• A literatura rabínica: reflete convicção semelhante em sua


frequente declaração de que o Espírito Santo (em sua função
de inspirador de profecias) havia se afastado de Israel "Após a
morte dos últimos profetas, Ageu, Zacarias e Malaquias, o
Espírito Santo afastou-se de Israel, mas eles ainda se
beneficiavam do bath qôl" (Talmude Babilônico, Yomah 9b
repetido em Sota 48b, Sanhedrín 11 a, e Midrash Rabbah sobre
o Cântico dos Cânticos, 8.9.3).• A comunidade de Qumran:
(seita judaica que nos legou os Manuscritos do Mar Morto)

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também esperava um profeta cujas palavras teriam autoridade


para substituir qualquer regulamento existente (veja 1QS 9.11),
e outras declarações semelhantes são encontradas em outros
trechos da literatura judaica antiga (veja 2Baruc 85.3 Oração de
Azarias 15). Assim, escritos posteriores a cerca de 435 a.C. em
geral não eram aceitos pelo povo judeu como obras dotadas de
autoridade igual à do restante das Escrituras.

• O Novo Testamento: não temos nenhum registro de alguma


controvérsia entre Jesus e os judeus sobre a extensão do
cânon. Ao que parece, Jesus e seus discípulos de um lado e os
líderes judeus ou o povo judeu, de outro, estavam plenamente
de acordo em que acréscimos ao cânon do Antigo Testamento
tinham cessado após os dias De Esdras, Neemias, Ester, Ageu,
Zacarias e Malaquias. Esse fato é confirmado pelas citações do
Antigo Testamento feitas por Jesus e pelos autores do Novo
Testamento. Segundo uma contagem, Jesus e os autores do
Novo Testamento citam mais de 295 vezes, várias partes das
Escrituras do Antigo Testamento como palavras autorizadas por
Deus, mas nem uma vez sequer citam alguma declaração
extraída dos livros apócrifos ou qualquer outro escrito como se
tivessem autoridade divina.

A ausência completa de referência à outra literatura como palavra


autorizada por Deus e as referências muito frequentes a centenas
de passagens no Antigo Testamento como dotadas de autoridade
divina confirmam com grande força o fato de que os autores do
Novo Testamento concordavam em que o cânon estabelecido do
Antigo Testamento, nada mais nada menos, devia ser aceito como
a verdadeira palavra de Deus.

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LIVROS APÓCRIFOS

2. PORQUE A INCLUSÃO DOS APÓCRIFOS FOI ACIDENTAL

A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma


nova dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico.
Pelo ano 300 antes de Cristo, a colônia de judeus na cidade de
Alexandria, Egito, era numerosa, forte e fluente. Morrendo
Alexandre, seu domínio dividiu-se em quatro remos, ficando o
Egito sob a dinastia dos Ptolomeus. O segundo deles, Ptolomeu
Filadelfo, foi grande amante das letras e preocupou-se com
enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Com
este objetivo, muitos livros foram traduzidos para o grego.
Naturalmente, as Escrituras Sagradas do povo hebreu foram
levadas em conta, apreciando-se também a grande importância
que teria a tradução da Bíblia de seus antepassados da Palestina
para os judeus cuja língua vernácula era o grego.

Segundo um relato de Josefo, o Sumo Sacerdote de Jerusalém


Eleazar enviou, a pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada
de 72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do
Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco. A tradução
continuou depois, não se completando senão no ano 150 antes de
Cristo.

Esta tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta ou


Versão dos Setenta (por terem sido 70, em número redondo, seus
tradutores), foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas,
não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às
tendências helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos
fizeram adições e alterações e, finalmente, sete dos Livros
Apócrifos foram acrescentados ao texto grego como Apêndice do
Velho Testamento. Os estudiosos acham que foram unidos à
Bíblia, por serem guardados juntamente com os rolos de livros

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LIVROS APÓCRIFOS

canônicos, e quando foram iniciados os Códices, isto é, a


escrituração da Bíblia inteira em um só volume, alguns escribas
copiaram certos rolos apócrifos juntamente com os rolos
canônicos.

Todos estes livros, com exceção de Judite, Eclesiástico, Baruque


e 1 Macabeus, estavam escritos em grego, e a maioria deles foi
escrita muitíssimos anos depois de o profeta Malaquias, o último
dos profetas da Dispensação antiga, escrever o livro que leva o
seu nome. O que se pode concluir daí é que, quando a
Septuaginta era copiada, alguns livros não canônicos para os
judeus eram também copiados. Isso também poderia ter ocorrido
por ignorância quanto aos livros verdadeiramente canônicos.
Pessoas não afeiçoadas ao judaísmo ou mesmo desinteressadas
em distinguir livros canônicos dos não canônicos tinham por igual
valor todos os livros, fossem eles originalmente recebidos como
sagrados pelos judeus ou não.

Mesmo aqueles que não tinham os demais livros judaicos como


canônicos certamente também copiavam estes livros, não por
considerá-los sagrados, mas apenas para serem lidos. Por que
não copiar livros tão antigos e interessantes? Estes livros,
entretanto, têm a importância de refletir o estado do povo judeu e o
caráter de sua vida intelectual e religiosa durante as várias épocas
que representam, particularmente, a do período chamado
intertestamentário (entre Malaquias e João Batista, de 400 anos);
é, talvez, por estas razões que os tradutores os juntaram ao texto
grego da Bíblia, mas os judeus da Palestina nunca os aceitaram
no cânon de seus livros sagrados.

B. TESTEMUNHAS CONTRA OS APÓCRIFOS

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LIVROS APÓCRIFOS

Traremos agora o depoimento de várias personagens históricas que


depõe contra a lista canônica "Alexandrina", como consta na
Septuaginta, Vulgata e em todas as versões das Bíblias católicas
existentes. Pelo peso de autoridade que representam esses vultos, são
provas mais do que suficientes e esmagadoras contra a inclusão dos
Apócrifos no Cânon bíblico.

1. FLÁVIO JOSEFO

A referência mais antiga ao cânon hebraico é do historiador judeu


Josefo (37-95 a.C.). Em Contra posição ele escreve: "Não temos
dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só
vinte e dois, contendo o registro de toda a história, os quais,
conforme se crê, com justiça, são divinos." Depois de referir-se
aos cinco livros de Moisés, aos treze livros dos profetas, e aos
demais escritos (os quais "incluem hinos a Deus e conselhos pelos
quais os homens podem pautar suas vidas"), ele continua
afirmando: "Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos
dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado
digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época,
visto que a sucessão dos profetas cessou.

Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é


percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se
passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa
alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles
qualquer coisa que seja." Josefo é suficientemente claro. Como
historiador judeu, ele é fonte fidedigna. Eram apenas vinte e dois
os livros do cânon hebraico agrupados nas três divisões do cânon
massorético. E desde a época de Malaquias (Artaxerxes, 464-424)
até a sua época nada se lhe havia sido acrescentado. Outros livros

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LIVROS APÓCRIFOS

foram escritos, mas não eram considerados canônicos, com a


autoridade divina dos vinte e dois livros mencionados.

2. ORIGENES

No terceiro século d.C., Orígenes (que morreu em 254) deixou um


catálogo de vinte e dois livros do Antigo Testamento que foi
preservado na História Eclesiástica de Eusébio, VI: 25. Inclui a
mesma lista do cânone de vinte e dois livros de Josefo (e do Texto
Massorético) inclusive Ester, mas nenhum dos apócrifos é
declarado canônico, e se diz explicitamente que os livros de
Macabeus estão "fora desses [livros canônicos]”.

3. TERTULIANO

Aproximadamente contemporâneo de Orígenes era Tertuliano.


(160-250 d.C.) o primeiro dos País Latinos cujas obras ainda
existem. Declara que os livros canônicos são vinte e quatro.

4. HILÁRIO

Hilário de Poitiers (305-366) os menciona como sendo vinte e dois.

5. ATANÁSIO

De modo semelhante, em 367 d.C., o grande líder da igreja,


Atanásio, bispo de Alexandria, escreveu sua Carta Pascal e alistou
todos os livros do nosso atual cânon do Novo Testamento e do
Antigo Testamento, exceto Éster. Mencionou também alguns livros
dos apócrifos, tais como a Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de
Sirac, Judite e Tobias, e disse que esses "não são na realidade

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LIVROS APÓCRIFOS

incluídos no cânon, mas indicados pelos Pais para serem lidos por
aqueles que recentemente se uniram a nós e que desejam
instrução na palavra de bondade".

6. JERÔNIMO

Jerônimo (340-420 d.C.) propugnou, no Prologus Galeatus. A


citação pertinente de Prologus Galeatus é a seguinte: "Este
prólogo, como vanguarda (principium) com capacete das
Escrituras, pode ser aplicado a todos os Livros que traduzimos do
Hebraico para o Latim, de tal maneira que possamos saber que
tudo quanto é separado destes deve ser colocado entre os
Apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de
Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque, e Judite e Tobias e o
Pastor (supõe-se que seja o Pastor de Hermas), não fazem parte
do cânon. Descobri o Primeiro Livro de Macabeus em Hebraico; o
Segundo foi escrito em Grego, conforme testifica sua própria
linguagem".

Jerônimo, no seu prefácio aos Livros de Salomão, menciona ter


descoberto Eclesiástico em Hebraico, mas declara em sua
convicção que a Sabedoria de Salomão teria sido originalmente
composta em Grego e não em Hebraico, por demonstrar uma
eloquência tipicamente helenística. "E assim", continua ele, "da
mesma maneira pela qual a igreja lê Judite e Tobias e Macabeus
(no culto público), mas não os recebe entre as Escrituras
canônicas, assim também sejam estes dois livros úteis para a
edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da
Igreja"); e noutros trechos, prima pelo reconhecimento de apenas
os vinte e dois livros contidos no hebraico, e a relegação dos livros
apócrifos a uma posição secundária. Assim, no seu Comentário de

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LIVROS APÓCRIFOS

Daniel, lançou dúvidas quanto à canonicidade da história de


Suzana, baseando-se no fato que o jogo de palavras atribuído a
Daniel na narrativa, só podia ser derivado do grego e não do
hebraico (inferência: a história foi originalmente composta em
grego). Do mesmo modo, em conexão com a história de Bel e a do
Dragão, declara; "a objeção se soluciona facilmente ao asseverar
que esta história especifica não está incluída no texto hebraico do
livro de Daniel. Se, porém, alguém fosse comprovar que pertence
ao cânone, seríamos obrigados a buscar uma outra resposta a
esta objeção"

MELITO: A mais antiga lista cristã dos livros do Antigo Testamento


que existe hoje é a de Melito, bispo de Sardes, que escreveu em
cerca de 170 d.C.

"Quando cheguei ao Oriente e encontrei-me no lugar em que


essas coisas foram proclamadas e feitas, e conheci com precisão
os livros do Antigo Testamento, avaliei os fatos e os enviei a ti.
São estes os seus nomes: cinco livros de Moisés, Gênesis, Êxodo,
Números, Levítico, Deuteronômio, Josué, filho de Num, Juízes,
Rute, quatro livros dos Remos, 'os dois livros de Crônicas, os
Salmos de Davi, os Provérbios de Salomão e sua Sabedoria,"
Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos, Jó, os profetas Isaías,
Jeremias, os Doze num único livro, Daniel, Ezequiel, Esdras."

É digno de nota que Melito não menciona aqui nenhum livro dos
apócrifos, mas inclui todos os nossos atuais livros do Antigo
Testamento, exceto Éster. Mas as autoridades católicas passam
por cima de todos esses testemunhos para manter, em sua
teimosia, os Apócrifos! AS HERESIAS DOS APÓCRIFOS.

Uma das grandes razões, talvez a principal delas, porque nós


evangélicos rejeitamos os Apócrifos, é devido a grande quantidade

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LIVROS APÓCRIFOS

de heresias que tais livros apresentam. Fora isso existe também


lendas absurdas e fictícias e graves erros históricos e geográficos,
o que fazem os apócrifos ser desqualificados como palavra de
Deus. A seguir daremos um resumo de cada livro e logo a seguir
mostraremos seus graves erros.

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LIVROS APÓCRIFOS

CAPÍTULO 04

VISÃO PANORÂMICA DOS LIVROS APÓCRIFOS E


PSEUDOEPÍGRAFOS

A. LIVROS APÓCRIFOS INSERIDOS NO ANTIGO TESTAMENTO

Estes livros não faziam parte do Cânon hebraico, mas todos eram mais
ou menos aceitos pelos judeus de Alexandria que liam o grego, e pelos
de outros lugares; e alguns são citados no Talmude. Esses livros, a
exceção de 2 Esdras, Eclesiástico, Judite, Tobias, e 1 dos Macabeus,
foram primeiramente escritos em grego, mas o seu conteúdo varia em
diferentes coleções.

B. OS APÓCRIFOS EM SUA ORDEM ATUAL

1. ESDRAS

I (ou III) de Esdras: é simplesmente a forma grega de Ezra, e o


livro narra o declínio e a queda do reino de Judá desde o reinado
de Josias até à destruição de Jerusalém; o cativeiro de Babilônia,
a volta dos exilado, e a parte que Esdras tomou na reorganização
da política judaica. Em certos respeitos, amplia a narração bíblica,
porém estas adições são de autoridade duvidosa. O historiador
Josefo é o continuador de Esdras. Ignora-se o tempo em que foi
escrito e quem foi o meu autor.

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LIVROS APÓCRIFOS

II (ou IV) de Esdras: Este livro tem estilo inteiramente diferente de


1º de Esdras. Não é propriamente uma história, mas sim um
tratado religioso, muito no estilo dos profetas hebreus. O assunto
central, compreendido nos caps. 3-14, tem como objetivo registrar
as sete revelações de Esdras em Babilônia, algumas das quais
tomaram a forma de visões: a mulher que chorava, 9.38, até
10.56; a águia e o leão, 11.1 até 12.39; o homem que se ergueu
do mar, 13.1-56. O autor destes capítulos é desconhecido, mas
evidentemente era judeu pelo afeto que mostra a seu povo. (A
palavra Jesus, que se encontra no cap. 7.28, não está nas versões
orientais.) A visão da águia, que é expressamente baseada na
profecia de Daniel (2º Esdras 12.11), parece referir ao Império
Romano, e a data de 88 A.D. até 117 A.D. é geralmente aceita.
Data posterior ao ano 200 contraria as citações do v. 35 cap. 5 em
grego por Clemente de Alexandria com o Prefácio: “As­sim diz o
profeta Esdras.” Os primeiros dois e os últimos dois capítulos de 2º
Esdras, 1 e 2, 15 e 16 são aumentos; não se encontram nas
versões orientais, nem na maior parte dos manuscritos latinos.
Pertencem a uma data posterior à tradução dos Setenta que já
estava em circulação, porquanto os profetas menores já aparecem
na ordem em que foram postos na versão grega, 2º Esdras, 1.39,
40. Os dois primeiros capítulos contêm abundantes reminiscências
do Novo Testamento e justificam a rejeição de Israel e sua
substituição pelos Gentios, 2º Esdras, 1.24,25,35-40; 2.10,11,34),
e, portanto, foram escritos por um cristão, e, sem dúvida, por um
judeu cristão.

2. TOBIAS

Tobias: Este livro contém a narração da vida de certo Tobias de

25
LIVROS APÓCRIFOS

Neftali, homem piedoso, que tinha um filho de igual nome, O pai


havia perdido a vista. O filho, tendo de ir a Rages na Média, para
cobrar uma dívida, foi levado por um anjo a Ecbatana, onde fez um
casamento romântico com uma viúva que, tendo-se casado sete
ve­zes, ainda se conservava virgem. Os sete maridos haviam sido
mortos por Asmodeu, o mau espírito nos dias de seu casamento.
Tobias, porém, foi animado pelo anjo a tornar-se o oitavo marido
da virgem-viúva, escapando à morte, com a queima de fígado de
peixe, cuja fumaça afugentou o mau espírito. Voltando, curou a
cegueira de seu pai segregando-lhe os escurecidos olhos com o
fel do peixe que já se tinha mostrado tão prodigioso. O livro de
Tobias é manifestamente um conto moral e não uma história real.
A data mais provável de sua publicação é 350 ou 250 a 200 A.C.

3. JUDITE

Judite: É a narrativa, com pretensões a história, do modo por que


uma viúva judia, de temperamento masculino, se recomendou às
boas graças de Holofernes, comandante-chefe do exército assírio,
que sitiava Betúlia. Aproveitando-se de sua intimidade na tenda de
Holofernes, tomou da espada e cortou-lhe a cabeça enquanto ele
dormia. A narrativa está cheia de incorreções, de anacronismos e
de absurdos geográficos. É mesmo para se duvidar que exista
alguma cousa de verdade; talvez que o seu autor se tenha
inspirado nas histórias de Jael e de Sisera, Jz 4.17-22. A primeira
referência a este livro encontra-se em uma epístola de Clemente
de Roma, no fim do primeiro século. Porém o livro de Judite data
de 175 a 100 A. C., isto é, 400 ou 600 anos depois dos fatos que
pretende narrar. Dizer que naquele tempo Nabucodonosor reinava
em Nínive em vez de Babilônia não parecia ser grande erro, se

26
LIVROS APÓCRIFOS

não fosse cometido por um contemporâneo do grande rei.

4. SABEDORIA DE SALOMÃO

Sabedoria de Salomão: Este livro é um tratado de Ética


recomendando a sabedoria e a retidão, e condenando a Iniquidade
e a idolatria. As passagens salientam o pecado e a loucura da
adoração das imagens, lembram as passagens que sobre o
mesmo assunto se encontram nos Salmos e em Isaías (compare:
Sabedoria 13.11-19, com Salmos 95; 135.15-18 e Isaias 40.19-25;
44.9-20). É digno de nota que o autor deste livro, referindo-se a
incidentes históricos para ilustrar a sua doutrina, limita-se aos fatos
recordados no Pentateuco. Ele escreve em nome de Salomão; diz
que foi escolhido por Deus para rei do seu povo, e foi por ele
dirigido a construir um templo e um altar, sendo o templo feito
conforme o modelo do tabernáculo. Era homem genial e piedoso,
caracterizando-se pela sua crença na imortalidade. Viveu entre
150 e 50 ou 120 e 80, A.C. Nunca foi formalmente citado, nem
mesmo a ele se referem os escritores do Novo Testamento,
porém, tanto a linguagem, como as correntes de pensamento do
seu livro , encontram paralelos no Novo Testamento (Sab. 5.18-20;
Ef 6.14-17; Sab. 7.26, com Hb 1.2-6 e Sab. 14.13-31 com Rm
1.19-32).

5. ECLESIÁSTICO

Eclesiástico: também denominado Sabedoria de Jesus, filho de


Siraque. É obra comparativamente grande, contendo 51 capítulos.
No capítulo primeiro, 1-21, louva-se grandemente o sumo

27
LIVROS APÓCRIFOS

sacerdote Simão, filho de Onias, provavelmente o mesmo Simão


que viveu entre 370 - 300, A.C. O livro deveria ter sido escrito
entre 290 ou 280 A.C., em língua hebraica. O seu autor, Jesus,
filho de Siraque de Jerusalém, Eclus 1.27, era avô, ou, tomando a
palavra em sentido mais lato, antecessor remoto do tradutor. A
tradução foi feita no Egito no ano 38, quando Evergeto era rei. Há
dois reis com este nome, Ptolonmeu III, entre 247 a 222 A.C., e
Ptolomeu Fiscom, 169 a 165 e 146 a 117 A.C. O grande assunto
da obra e a sabedoria. É valioso tratado de Ética. Há lugares que
fazem lembrar os livros de Provérbios, Eclesiastes e porções do
livro de Jó, das escrituras canônicas, e do livro apócrifo, Sabedoria
de Salomão. Nas citações deste livro, usa-se a abreviatura Eclus,
para não confundir com Ec abreviatura de Eclesiastes.

6. BARUQUE

Baruque: Baruque era amigo do Jeremias. Os primeiros cinco


capítulos do seu livro pertencem à sua autoria, enquanto que o
sexto é intitulado “Epístola de Jeremias.” Depois da introdução,
descrevendo a origem da obra, Baruque 1.1,14, abre-se o livro
com três divisões, a saber:

Confissão dos pecados de Israel e orações, pedindo perdão a


Deus, Baruque 1.15, até 3.8. Esta parte revela ter sido escrita em
hebraico, como bem o indica a introdução, cap. 1:14. Foi escrita
300 anos A.C.

Exortação a Israel para voltar à fonte da Sabedoria, 3.9 até 4.4.

Animação e promessa de livramento, 4.5 até 5.9. Estas duas


seções parece que foram escritas em grego, pela sua semelhança
com a linguagem dos Setenta. Há dúvidas, quanto à semelhança

28
LIVROS APÓCRIFOS

entre o cap. 5 e o Salmo de Salomão, 9. Esta semelhança dá a


entender que o cap. 5 foi baseado no salmo, e portanto, escrito
depois do ano 70, A.D., ou então, que ambos os escritos são
moldados pela versão dos Setenta. A epístola de Jeremias exorta
ou judeus no exílio a evitarem a idolatria de Babilônia. Foi escrita
100 anos A.C.

7. MACABEUS

Primeiro Livro dos Macabeus: E um tratado histórico de grande


valor, em que se relatam 05 acontecimentos políticos e os atos de
heroísmo da família levítica dos Macabeus durante a guerra da
independência judaica, dois séculos A.C. O autor é desconhecido,
mas evidentemente é judeu da Palestina. Há duas opiniões quanto
à data em que foi escrito; uma dá 120 a 106 A.C., outra, com
melhores fundamentos, entre 105 e 64 A.C. Foi traduzido do
hebraico para o grego.

Segundo Livro dos Macabeus: É inquestionavelmente um


epítome da grande obra de Jasom de Cirene; trata principalmente
da história Judaica desde o reinado de Seleuco IV, até à morte de
Nicanor, 175 e 161 A.C. É obra menos importante que o primeiro
livro. O assunto é tratado com bastante fantasia em prejuízo de
seu crédito, todavia, contém grande soma de verdade. O livro foi
escrito depois do ano 125 A.C. e antes a tomada de Jerusalém, no
ano 70 A.D.

Terceiro Livro dos Macabeus: Refere-se a acontecimentos


anteriores à guerra da independência. O ponto central do livro e
pretensão de Ptolomeu Filopater IV, que em 217 A.C. tentou
penetrar nos Santo dos Santos, e a subsequente perseguição

29
LIVROS APÓCRIFOS

contra os judeus de Alexandria. Foi escrito pouco antes, ou pouco


depois da era cristã, data de 39, ou 40 A.D.

Quarto Livro dos Macabeus: É um tratado de moral advogando o


império da vontade sobre as paixões e ilustrando a doutrina com
exemplos tirados da história dos Macabeus. Foi escrito depois do
2º Macabeus e antes da destruição de Jerusalém.

C. TEXTOS ACRESCENTADOS AOS LIVROS CANÔNICOS

1. ADIÇÃO À HISTÓRIA DE ESTER

Ester: Acréscimo de capítulos que não se acham nem no hebreu,


nem no caldaíco. O livro canônico de Ester termina com o décimo
capítulo. A produção apócrifa acrescenta dez versículos a este
capitulo e mais seis capítulos, 11-16. Na tradução dos Setenta,
esta matéria suplementar é distribuída em sete porções pelo texto
e não interrompe a história. Amplifica partes da narrativa da
Escritura, sem fornecer novo fato de valor, e em alguns lugares
contradiz a história como se contém no texto hebreu. A opinião
geral é que o livro foi obra de um judeu egípcio que a escreveu no
tempo de Ptolomeu. Filometer, 181-145 A.C.

2. ADIÇÃO À HISTÓRIA DE DANIEL

O cântico dos três mancebos (jovens): Esta produção foi


destinada a ser Intercalada no livro canônico de Daniel, entre
caps. 3.23,24. É desconhecido o seu autor e ignorada a data de
sua composição. Compare os versículos, 35-68 com o Salmo 148.

A história de Suzana: É também um acréscimo ao livro de Daniel,

30
LIVROS APÓCRIFOS

em que o seu autor mostra como o profeta, habilmente descobriu


uma falsa acusação contra Suzana, mulher piedosa e casta.
Ignora-se a data em que foi escrita e o nome de seu autor.

Bel e o dragão: Outra história introduzida no livro canônico de


Daniel. O profeta mostra o modo por que os sacerdotes de Bel e
suas famílias comiam as viandas oferecidas ao ídolo; e mata o
dragão. Por este motivo, o profeta é lançado pela segunda vez na
caverna dos leões. Ignora-se a data em que foi escrita e o nome
do autor.

Oração de Manassés, rei de Judá quando esteve cativo em


Babilônia. Compare, 2º Cr 33.12,13. Autor desconhecido. Data
provável, 100 anos A. C.

D. OS LIVROS APÓCRIFOS NA SEPTUAGINTA E NA VULGATA


LATINA

É, talvez, do 1º século d.C. Ainda que os livros apócrifos estejam


compreendidos na versão dos Setenta, nenhuma citação certa se faz
deles no Novo Testamento. É verdade que os Pais da igreja muitas
vezes os citaram isoladamente, como se fossem Escritura Sagrada,
mas, na argumentação, eles distinguiam os apócrifos dos livros
canônicos.

Jerônimo, em particular, no fim do 4º século, fez entre estes livros uma


claríssima distinção. Para defender-se de ter limitado a sua tradução
latina aos livros do Cânon hebraico, ele disse: “Qualquer livro além
destes deve ser contado entre os apócrifos”.

Agostinho, porém (354-430 d.C.), que não sabia hebraico, juntava os


apócrifos com os canônicos como para os diferençar dos livros
heréticos. Infelizmente, prevaleceram as ideias deste escritor, e ficaram

31
LIVROS APÓCRIFOS

os livros apócrifos na edição oficial (a Vulgata) da Igreja de Roma.

O Concilio de Trento, 1546, aceitou “todos os livros... com igual


sentimento e reverência”, e anatematizou os que não os consideravam
de igual modo. A Igreja Anglicana, pelo tempo da Reforma, nos seus
trinta e nove artigos (1563 e 1571), seguiu precisamente a maneira de
ver de S. Jerônimo, não julgando os apócrifos como livros das Santas
Escrituras, mas aconselhando a sua leitura “para exemplo de vida e
instrução de costumes”.

E. LIVROS PSEUDOEPÍGRAFOS

Nenhum comentário sobre os livros apócrifos pode omitir estes


inteiramente, porque de ano para ano está sendo mais compreendida a
sua importância. Chamam-se Pseudoepígrafos, porque se apresentam
como escritos pelos santos do Antigo Testamento. Eles são
amplamente apocalípticos; e representam esperanças e expectativas
que não produziram boa influência no primitivo Cristianismo. Entre eles
podem mencionar-se:

• Livro de Enoque (etiópico), que é citado em Judas 14. Atribuem-


se várias datas, pelos últimos dois séculos antes da era cristã.

• Os Segredos de Enoque (eslavo), livro escrito por um judeu


helenista, ortodoxo, na primeira metade do primeiro século d.C.

• O Livro dos Jubileus (dos israelitas), ou o Pequeno Gênesis,


tratando de particularidades do Gênesis duma forma imaginária e
legendária, escrito por um fariseu entre os anos de 135 e 105
a.C.

• Os Testamentos dos Doze Patriarcas: é este livro um alto


modelo de ensino moral. Pensa-se que o original hebraico foi

32
LIVROS APÓCRIFOS

composto nos anos 109 a 107 a.C., e a tradução grega, em que a


obra chegou até nós, foi feita antes de 50 d.C.

• Os Oráculos Sibilinos, Livros III-V, descrições poéticas das


condições passadas e futuras dos judeus; a parte mais antiga é
colocada cerca do ano 140 a.C., sendo a porção mais moderna
do ano 80 da nossa era, pouco mais ou menos.

• Os Salmos de Salomão, entre 70 e 40 a.C.

• As Odes de Salomão, cerca do ano 100 da nossa era, são,


provavelmente, escritos cristãos.

• O Apocalipse Siríaco de Baruque (2º Baruque), 60 a 100 a.C.

• O Apocalipse grego de Baruque (3º Baruque), do 2º século,


a.C.

• A Assunção de Moisés, 7 a 30 d.C.

• A Ascensão de Isaias, do primeiro ou do segundo século d.C.

F. LIVROS APÓCRIFOS DO NOVO TESTAMENTO

Sob este nome são algumas vezes reunidos vários escritos cristãos de
primitiva data, que pretendem dar novas informações acerca de Jesus
Cristo e Seus Apóstolos, ou novas instruções sobre a natureza do
Cristianismo em nome dos primeiros cristãos. Entre os Evangelhos
Apócrifos podem mencionar-se:

• O Evangelho segundo os Hebreus (há fragmentos do segundo


século);

• O Evangelho segundo Tiago, tratando do nascimento de Maria


e de Jesus (segundo século);

• Os Atos de Pilatos.(Segundo século).

33
LIVROS APÓCRIFOS

• Os Atos de Paulo e Tecla (segundo século).

• Os Atos de Pedro (terceiro século).

• Epístola de Barnabé (fim do primeiro século).

• Apocalipses, o de Pedro (segundo século).

Ainda que casualmente algum livro não canônico se ache apenso a


manuscritos do N.T., esse fato é, contudo, tão raro que podemos dizer
que, na realidade, nunca se tratou seriamente de incluir qualquer deles
no Cânon.

34
LIVROS APÓCRIFOS

35
LIVROS APÓCRIFOS

CAPÍTULO 05

RESUMO DOS LIVROS APÓCRIFOS – LENDAS,


ERROS E HERESIAS

A. RESUMO DOS APÓCIFROS

1. TOBIAS (200 A.C.)

É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel (pai de


Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael.

Apresenta:

• Justificação pelas obras - 4:7-11; 12:8

• Mediação dos Santos - 12:12

• Superstições - 6:5, 7-9, 19

• Um anjo engana Tobias e o ensina a mentir 5:16 a 19

2. JUDITE (150 A.C.)

É a História de uma heroína viúva e formosa que salva sua cidade


enganando um general inimigo e decapitando-o. Grande heresia é
a própria história onde os fins justificam os meios.

36
LIVROS APÓCRIFOS

3. BARUQUE (100 A.D.)

Apresenta-se como sendo escrito por Baruque, o cronista do


profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da
destruição de Jerusalém. Porém, é de data muito posterior,
quando da segunda destruição de Jerusalém, no pós-Cristo. Traz
entre outras coisas, a intercessão pelos mortos - 3:4.

4. ECLESIÁSTICO (180 A.C.)

É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas


heresias:

• Justificação pelas obras - 3:33,34

• Trato cruel aos escravos - 33:26 e 30; 42:1 e 5

• Incentiva o ódio aos Samaritanos - 50:27 e 28

5. SABEDORIA DE SALOMAO (40 A.D.)

Livro escrito com finalidade exclusiva de lutar contra a


incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era
Cristã). Apresenta:

• O corpo como prisão da alma - 9:15

• Doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma 8:19 e 20

• Salvação pela sabedoria - 9:19

6. I MACABEUS (100 A.C.)

Descreve a história de 3 irmãos da família "Macabeus", que no

37
LIVROS APÓCRIFOS

chamado período ínterbíblico (400 a.C. 3 d.C.) lutam contra


inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra.

7. II MACABEUS (100 A.C.)

Não é a continuação do 1 Macabeus, mas um relato paralelo,


cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu.

Apresenta:

• A oração pelos mortos - 12:44 – 46

• Culto e missa pelos mortos - 12:43

• O próprio autor não se julga inspirado -15:38-40; 2:25-27

• Intercessão pelos Santos - 7:28 e 15:14

8. ADIÇÕES A DANIEL

Capítulo 13 - A história de Suzana - segundo esta lenda Daniel


salva Suzana num julgamento fictício baseado em falsos
testemunhos.

Capítulo 14 - Bel e o Dragão - Contém histórias sobre a


necessidade da idolatria.

Capítulo 3:24-90 - o cântico dos 3 jovens na fornalha.

B. LENDAS, ERROS E HERESIAS NOS APÓCRIFOS

1. LENDAS

Tobias 6.1-4 - "Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na


primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis

38
LIVROS APÓCRIFOS

que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À sua


vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor,
ele lançou-se a mim. E o anjo disse-lhe: Pega-lhe pelas guerras, e
puxa-o para ti. Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o começou
a palpitar a seus pés.

2. ERROS HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS

Os Apócrifos solapam a doutrina da inerrância porque esses livros


incluem erros históricos e de outra natureza. Assim, se os
apócrifos são considerados parte das Escrituras, isso identifica
erros na Palavra de Deus. Esses livros contêm erros históricos,
geográficos e cronológicos, além de doutrinas obviamente
heréticas; eles até aconselham atos imorais (Judite 9.1O,13). Os
erros dos Apócrifos são frequentemente apontados em obras de
autoridade reconhecida. Por exemplo:

O erudito bíblico DL René Paehe comenta: "Exceto no caso de


determinada informação histórica interessante (especialmente em
1. Macabeus) e alguns belos pensamentos morais (por exemplo
Sabedoria de Salomão).

Tobias... Contém certos erros históricos e geográficos, tais como


a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1.15)
em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomado por Nabucodonosor
e por Assuero (14.15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares...
Judite não pode ser histórico porque contém erros evidentes... [Em
2 Macabeus] há também numerosas desordens e discrepâncias
em assuntos cronológicos, históricos e numéricos, os quais
refletem ignorância ou confusão..

39
LIVROS APÓCRIFOS

3. HERESIAS

1) Artes mágicas e feitiçarias

Tobias 6.5-9 - "Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse


peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis. Feito isto,
assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo para o
caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até
chegassem a Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias
perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que
me digas de que remédio servirão estas partes do peixe, que tu
me mandaste guardar: E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu
puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o
seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem
como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles.
E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e
sararão"

• Este ensino que o coração de um peixe tem o poder para


expulsar toda espécie de demônios contradiz tudo o que a
Bíblia diz sobre como enfrentar o demônio.

• Deus jamais iria mandar um anjo seu, ensinar a um servo


seu, como usar os métodos da bruxaria para expulsar
demônios.

• Satanás não pode ser expelido pelos métodos enganosos da


feitiçaria e bruxaria, e de fato ele não tem interesse nenhum
em expelir demônios (Mt 12.26).

• Um dos sinais apostólicos era a expulsão de demônios, e a


única coisa que tiveram de usar foi o nome de Jesus (Mc
16.17; At 16.18)

2) Esmolas e obras para perdão dos pecados

40
LIVROS APÓCRIFOS

Tobias 12.8, 9 - "É boa a oração acompanhada do jejum, dar


esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro; porque a
esmola livra da morte [eterna], e é a que apaga os pecados, e
faz encontrar a misericórdia e a vida eterna".

Eclesiástico 3.33 - "A água apaga o fogo ardente, e a esmola


resiste aos pecados".

• Este é o primeiro ensino que se encontrar basicamente em


todas as seitas heréticas.

• A Salvação por obras destrói todo o valor da obra vicária de


Cristo em favor do pecador. Se caridade e boas obras
limpam nossos pecados, nós não precisamos do sangue de
Cristo. Porém, a Bíblia não deixa dúvidas quanto o valor
exclusivo do sangue como um único meio de remissão e
perdão de pecados:

Hb 9:11, 12, 22 - "Mas Cristo... por seu próprio sangue,


entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido
uma eterna redenção ...sem derramamento de sangue não
há remissão."

I Pe 1:18, 19 - "sabendo que não foi com coisas


corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da
vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos
vossos pais, mas com precioso sangue, como de um
cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo,"

• Contradiz Bíblia toda. Ela declara que somente pela graça de


Deus e o sangue de Cristo o homem pode alcançar
justificação e completa redenção:

Romanos 3.20, 24, 24 e 29 - "Ninguém será justificado


diante dele pelas obras da lei... sendo justificados

41
LIVROS APÓCRIFOS

gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que há


em Cristo Jesus. A quem Deus propôs no seu sangue.
Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé,
independentemente das obras da lei”.

3) Orações para perdoar pecados

Eclesiástico 3.4 - "O que ama a Deus implorará o perdão dos


seus pecados, e se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido
na sua oração de todos os dias".

• O perdão dos pecados não está baseado na oração que se


faz pedindo o perdão, não é fé na oração, e sim fé naquele
que perdoa o pecado, a oração por si só, é uma boa obra
que a ninguém pode salvar. Somente a oração de confissão
e arrependimento baseadas na fé no sacrifício vicário de
Cristo traz o perdão (Pv. 28.13; I Jo 1.9; I Jo 2.1,2).

4) Orações pelos mortos

2 Macabeus 12:43-46 - "e tendo feito uma coleta, mandou 12


mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em
sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e
religiosamente a ressurreição, (porque, se ele não esperasse
que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar,
teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); e
porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade
estava reservada uma grandíssima misericórdia. É, pois, um
santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam
livres dos seus pecados".

• É neste texto, de um livro não canônico, que contradiz toda a


Bíblia, que a Igreja Católica Romana baseia sua do
purgatório.

42
LIVROS APÓCRIFOS

• Este é novamente um ensino para desviar o homem da


redenção exclusiva pelo sangue de Cristo, e não por orações
que livram as almas do fogo de um lugar inventado pela
mente doentia e apostata dos teólogos católicos romanos.

• Após a morte o destino de todos os homens é selado, uns


para perdição eterna e outros para a Salvação eterna - não
existe meio de mudar o destino de alguém após a sua morte.
Veja Mt. 7:13,13; Lc 16.26

5) Purgatório

Este é o ensino herético da Igreja Católica Romana, de que o


homem, mesmo morrendo perdido, pode ter uma segunda
chance de salvação.

Sabedoria 3.1-4 - "As almas dos justos estão na mão de Deus,


e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos
insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi
considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como
um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles
sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está
cheia de imortalidade".

• A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na ultima


parte deste texto, onde diz: "E, se eles sofreram tormentos
diante dos homens, a sua esperança está cheia de
imortalidade".

• Ensinam que o tormento em que o justo está, é o purgatório


que o purifica para entrar na imortalidade.

• Isto é uma deturpação do próprio texto do livro apócrifo.

Leia atentamente as seguinte textos das Escrituras, que

43
LIVROS APÓCRIFOS

mostram a impossibilidade do purgatório: I Jo 1.7; Hb 9.22;


Lc 23.40-43; I6: 19-31; I Co 15:55-58; I Ts 4:12-17; Ap 14:13;
Ec 12:7; Fp 1:23; Sl 49:7-8; II Tm 2:11-13; At 10:43)

6) A mentira dos anjos

Tobias 5.15-19 - "E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to


reconduzirei. Tobias respondeu: Peço-te que me digas de que
família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: Procuras saber
a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com
teu filho? Mas para que te não ponhas em cuidados,, eu sou
Azarias, filho do grande Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu
és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não ofendas por
eu desejar conhecer a tua geração.

• Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade,


sem violar a própria lei santa de Deus. Todos os anjos de
Deus foram verdadeiros quando lhes foi perguntado a sua
identidade. Veja Lc 1.19

7) Mulher que Jejuava Todos os Dias de Sua Vida

Judite 8:5,6 - "e no andar superior de sua casa tinha feito para
si um quarto retirado, no qual se conservava recolhida com as
suas criadas, e, trazendo um cilício sobre os seus rins, jejuava
todos os dias de sua vida, exceto nos sábados, e nas
neomênias, nas festas da casa de Israel"

• Este texto legendário tem sido usado pela Igreja Romana


relacionado com a canonização dos "santos" de idolatria. Em
nenhuma parte da Bíblia jejuar todos os dias da vida é sinal
de santidade. Cristo jejuou 40 dias e 40 noites e depois não
jejuou mais.

• O livro de Judite é claramente uma produção humana, uma

44
LIVROS APÓCRIFOS

lenda inspirada pelo Diabo, para escravizar os homens aos


ensinos da igreja Católica Romana.

45
LIVROS APÓCRIFOS

CAPÍTULO 06

REFUTAÇÃO À POSIÇÃO ROMANA EM DEFESA


DOS APÓCRIFOS

A. RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES ROMANISTAS

Os livros apócrifos do Antigo Testamento têm recebido diferentes graus


de aceitação pelos cristãos. A maior parte dos protestantes e dos
judeus aceita que tenham valor religioso e mesmo histórico, sem terem,
contudo, autoridade canônica. Os católicos romanos desde o Concilio
de Trento têm aceito esses livros como canônicos.

Mais recentemente, os católicos romanos têm defendido a ideia de


uma deuterocanonicidade, mas os livros apócrifos ainda são usados
para dar apoio a doutrinas extra bíblicas, tendo sido proclamados como
livros de inspiração divina no Concílio de Trento. Outros grupos, como
os anglicanos e várias igrejas ortodoxas, nutrem diferentes concepções
a respeito dos livros apócrifos. A seguir apresentamos um resumo dos
argumentos que em geral são aduzidos para a aceitação desses livros,
na crença de que detêm algum tipo de canonicidade e suas respectivas
refutações.

1. ARGUMENTO CATÓLICO Nº 1

Alusões no Novo Testamento. O Novo Testamento reflete o

46
LIVROS APÓCRIFOS

pensamento e registra alguns acontecimentos dos apócrifos. Por


exemplo, o livro de Hebreus fala de mulheres que receberam seus
mortos pela ressurreição (Hebreus 11.35), e faz referência a 2
Macabeus 7 e 12. Os chamados apócrifos ou pseudoepígrafos são
também citados em sua amplitude pelo Novo Testamento (Jd
14,15; 2Tm 3.8).

REFUTAÇÃO: Apela-se frequentemente ao fato que o Novo


Testamento usualmente emprega a tradução da LXX ao citar o
Antigo Testamento. Portanto, já que a LXX continha os Apócrifos,
decerto os Apóstolos do Novo Testamento reconheciam a
autoridade da LXX inteira conforme então se constituía. Além
disto, argumentam, é um fato que ocasionalmente apela-se a
obras fora do "Cânone Palestiniano". Wíldeboer' e Torrey"
colecionaram todas as instâncias possíveis de tais citações ou
alusões a obras apócrifas, incluindo-se várias que apenas são
hipotéticas.

Mas toda esta linha de argumentos é realmente irrelevante para a


questão em pauta, sendo que nem se alega que qualquer uma
destas fontes seja proveniente dos apócrifos romanos. Na maioria
dos casos as obras que supostamente foram citadas
desapareceram há muito tempo - obras tais como o Apocalipse de
Elias e a Assunção de Moisés (da qual sobrou um fragmento
latino). Só num único caso, a citação de Enoque 1:9 em Judas 14-
16, é que a fonte citada sobreviveu. Há citações de autores gregos
pagãos, também no Novo Testamento. Em Atos 17:28, Paulo cita
de Arato, Phaenomena, linha 5; em 1 Coríntios 15:33, cita da
comédia de Menander, Thais. Certamente ninguém poderia supor
que citações tais como estas estabelecem a canonicidade ou de
Arato ou de Menander. Pelo contrário, o testemunho do Novo

47
LIVROS APÓCRIFOS

Testamento é muito decisivo contra a canonicidade dos quatorzes


livros apócrifos.

Demais disso, a alegação de que em muitas partes os escritos do


Novo Testamento refletem influências dos livros Apócrifos, é
deveras frágil demais para ser sustentada, pois se fosse assim, o
livro de Enoque citado por Judas seria digno de muito mais crédito
no sentido de canonicidade do que os Apócrifos romanos. Judas
cita versículos inteiros deste livro, enquanto os apócrifos adotados
nas Bíblias romanas não aparecem nenhuma vez com citações
inteira ou em partes. Seguindo o mesmo raciocínio dos católicos
poderíamos então canoniza-lo também! Então dizemos que
virtualmente todos os livros do Antigo Testamento são citados
como sendo divinamente autorizados, ou pelo menos há alusão a
eles como tais. Embora acabe de ser esclarecido que a mera
citação não estabelece necessariamente a canonicidade, é
inconcebível que os vários autores do Novo Testamento
pudessem ter considerado como canônicos os quatorze livros dos
Apócrifos Romanos, sem ter feito uso deles em citações ou
alusões.

2. ARGUMENTO CATÓLICO Nº 2

Emprego que o Novo Testamento faz da versão Septuaginta. A


tradução grega do Antigo Testamento hebraico, em Alexandria, é
conhecida como Septuaginta (LXX). Foi a versão que Jesus usou
e é a versão mais citada pelos autores do Novo Testamento e
pelos cristãos primitivos. A LXX continha os livros apócrifos. A
presença desses livros na LXX dá apoio ao cânon alexandrino,
mais amplo, do Antigo Testamento, em oposição ao cânon
palestino, mais reduzido que os omite.

48
LIVROS APÓCRIFOS

REFUTAÇÃO: Mas não, de modo nenhum certo que todos os


livros na LXX foram considerados canônicos, mesmo pelos
próprios judeus de Alexandria. Bem decisiva contra isto é a
evidência de Filon de Alexandria (que viveu no primeiro século
d.C.), assim como o judaísmo oficial em outros lugares e épocas.
Apesar de ter citado frequentemente os livros canônicos do
"Cânone Palestiniano", não faz uma citação sequer dos livros
Apócrifos. Isto é impossível reconciliar com a teoria de um
"Cânone Alexandrino" maior, a não ser que porventura alguns
judeus de Alexandria não tivessem recebido este "Cânone
Alexandrino" enquanto outros o reconheciam.

Em segundo lugar, relata-se de fontes fidedignas que a Versão


Grega de Áquila foi aceita pelos judeus alexandrinos no segundo
século d.C., apesar de não conter os livros Apócrifos. A dedução
razoável desta evidência seria que (conforme o próprio Jerônimo
esclareceu) os judeus de Alexandria resolveram incluir na sua
edição do Antigo Testamento tanto os livros que reconheciam
como sendo canônicos, como também os livros que eram
"eclesiásticos", isto é, foram reconhecidos como sendo valiosos e
edificantes, porém não são infalíveis.

Apoio adicional para esta suposição (que livros subcanônicos


possam ter sido conservados e utilizados juntamente com os
canônicos) foi recentemente descoberto nos achados da Caverna
4 de Qumran. Ali, no coração da Palestina, onde seguramente o
"Cânone Palestiniano" deve ter sido autoritativo, pelo menos dois
livros Apócrifos se fazem representar - Eclesiástico e Tobias.

Um fragmento de Tobias aparece num pedacinho de papiro, outro


em couro; há também um fragmento em hebraico, escrito em
couro. Vários fragmentos de Eclesiástico foram descobertos ali, e

49
LIVROS APÓCRIFOS

pelo menos na pequena quantidade representada, concordam


bem exatamente com massorético de Eclesiástico do século onze,
descobertos na Genizá de Cairo na década de 1890. Quanto a
isto, a Quarta Caverna de Qumran também conservou obras
pseudoepígrafas tais como o Testamento de Levi, em aramaico, o
mesmo em hebraico, e o livro de Enoque (fragmentos de dez
mss.diferentes!). Decerto, ninguém poderia argumentar com
seriedade que os sectários tão estreitos de Qumran consideravam
como canônicas todas estas obras apócrifas e pseudoepígrafas só
por causa de terem conservado cópias delas. A Palestina é que
era o lar do cânon judaico, jamais a Alexandria, no Egito. O grande
centro grego do saber pertencia no Egito, não tinha autoridade
para saber com precisão que livros pertenciam ao Antigo
Testamento judaico. Alexandria era o lugar da tradução apenas,
não da canonização. O fato de a Septuaginta conter os apócrifo
apenas comprova que os judeus alexandrinos traduziram os
demais livros religiosos judaicos do período intertestamentário ao
lado dos livros canônicos.

3. ARGUMENTO CATÓLICO Nº 3

Os mais antigos manuscritos completos da Bíblia. Os mais antigos


manuscritos gregos da Bíblia contêm os livros apócrifos inseridos
entre os livros do Antigo Testamento. Os manuscritos Aleph (N), A
e B, incluem esses livros, revelando que faziam parte da Bíblia
cristã original.

REFUTAÇÃO: Isto, porém, é verdade apenas em parte.


Certamente os Targuns aramaicos não os reconheceram. Nem
sequer o Pesita siríaco na sua forma mais antiga continha um
único livro apócrifo; foi apenas posteriormente que alguns deles

50
LIVROS APÓCRIFOS

foram acrescentados. Uma investigação mais cuidadosa desta


reivindicação reduz a autoridade sobre a qual os Apócrifos se
alicerçam a apenas uma versão antiga, a Septuaginta, e àquelas
traduções posteriores (tais como a Itala, a Cóptica, a Etiópica, e a
Siríaca posterior) que foram dela derivadas.

Mesmo no caso da Septuaginta, os livros Apócrifos mantêm uma


existência um pouco Incerta. O Códice Vaticano ("B") não tem 1 e
2 Macabeus (canônicos segundo Roma), mas Inclui 1 Esdras (não
canônico segundo Roma). O Códice Sinaítico ("Alef") omite
Baruque (canônico segundo Roma), mas inclui 4 Macabeus (não-
canônico segundo Roma). O Códice Alexandrino ("A") contêm três
livros apócrifos "não-canônicos": 1 Esdras e 3 e 4 Macabeus.
Então acontece que até os três mais antigos mss. da LXX
demonstram considerável falta de certeza quanto aos livros que
compõem a lista dos Apócrifos, e que os quatorze aceitáveis à
Igreja Romana não são de modo algum substanciados pelo
testemunho dos grandes unciais do quarto e do quinto séculos. Os
escritores do Novo Testamento quase sempre fizeram citações da
LXX, mas jamais mencionaram um livro sequer dentre os
apócrifos. No máximo, a presença dos apócrifos nas Bíblias cristãs
do século IV mostra que tais livros eram aceitos até certo ponto
por alguns cristãos, naquela época. Isso não significa que os
judeus ou os cristãos como um todo aceitassem esses livros como
canônicos, isso sem mencionarmos a igreja universal, que nunca
os teve na relação de livros canônicos.

4. ARGUMENTO CATÓLICO Nº 4

A arte cristã primitiva. Alguns dos registros mais antigos da arte


cristã refletem o uso dos apócrifos. As representações nas

51
LIVROS APÓCRIFOS

catacumbas às vezes se baseavam na história dos fieis registrada


no período intertestamentário.

REFUTAÇÃO: As representações artísticas não constituem base


para apurar a canonicidade dos apócrifos. As representações
pintadas nas catacumbas, extraídas de livros apócrifos, apenas
mostram que os crentes daquela era estavam cientes dos
acontecimentos do período intertestamentário e os consideravam
parte de sua herança religiosa. A arte cristã primitiva não decide
nem resolve a questão da canonicidade dos apócrifos.

5. ARGUMENTO CATÓLICO Nº 5

Os primeiros pais da igreja. Alguns dos mais antigos pais da igreja,


de modo particular os do Ocidente, aceitaram e usaram os livros
apócrifos em seu ensino e pregação. E até mesmo no Oriente,
Clemente de Alexandria reconheceu 2 Esdras como inteiramente
canônico. Orígenes acrescentou Macabeus bem como a Epístola
de Jeremias à lista de livros bíblicos canônicos.

REFUTAÇÃO: Muitos dos grandes pais da igreja em seu começo,


dos quais Melito (190), Orígenes (253), Eusébio de Cesaréia
(339), Hilário de Poitiers (366), Atanásio (373 d.C), Cirilo de
Jerusalém (386 d.C), Gregório Nazianzeno (390), Rufino (410),
Jerônimo (420), depuseram contra os apócrifos.

Nenhuns dos primeiros pais de envergadura da igreja primitiva,


anteriores a Agostinho, aceitaram todos os livros apócrifos
canonizados em Trento. Então será mais correto dizer que alguns
dos escritores cristãos antigos pareciam fazer isto.

6. ARGUMENTO CATÓLICO Nº 6

52
LIVROS APÓCRIFOS

A influência de Agostinho. Agostinho (c. 354-430) elevou a


tradição ocidental mais aberta, a respeito dos livros apócrifos, ao
seu apogeu, ao atribuir-lhes categoria canônica. Ele influenciou os
concílios da igreja, em Hipo (393 d.C.) e em Cartago (397 d.C.),
que relacionaram os apócrifos como canônicos. A partir de então,
a igreja ocidental passou a usar os apócrifos em seu culto público.

REFUTAÇÃO: O testemunho de Agostinho não é definitivo, nem


isento de equívocos. Primeiramente, Agostinho às vezes faz supor
que os apócrifos apenas tinham uma deuterocanonicidade (Cidade
de Deus,18,36) e não canonicidade absoluta. Além disso, os
Concílios de Hipo e de Cartago foram pequenos concílios locais,
influenciados por Agostinho e pela tradição da Septuaginta grega.
Nenhum estudioso hebreu qualificado teve presente em nenhum
desses dois concílios. O especialista hebreu mais qualificado da
época, Jerônimo, argumentou fortemente contra Agostinho, ao
rejeitar a canocidade dos apócrifos. Jerônimo chegou a recusar-se
a traduzir os apócrifos para o latim, ou mesmo incluí-los em suas
versões em latim vulgar (Vugata latina). Só depois da morte de
Jerônimo e praticamente por cima de seu cadáver, é que os livros
apócrifos foram incorporados à Vulgata latina. Além disso, quando
um antagonista apelou para uma passagem de 2 Macabeus para
encerrar um argumento, Agostinho respondeu que sua causa era
deveras fraca se tivesse que recorrer a um livro que não era da
mesma categoria daqueles que eram recebidos e aceitos pelos
judeus.

Esta defesa ambígua dos Apócrifos, da parte de Agostinho, é mais


do que contrabalançada pela posição contrária adotada por
Atanásio (que morreu em 365), tão reverenciado e altamente
estimado tanto pelo Oriente como pelo Ocidente como sendo o

53
LIVROS APÓCRIFOS

campeão da ortodoxia trinitária. Na sua Trigésima Nona Carta,


parágrafo 4, escreveu: "Há, pois, do Antigo Testamento vinte e
dois livros", e então relaciona os livros que são aqueles que se
acham no TM (Texto Massorético), aproximadamente na mesma
ordem na qual aparecem na Bíblia Protestante. Nos parágrafos 6 e
7 declara que os livros extra bíblico (Lê., os quatorze dos
Apócrifos) não são incluídos no Cânone, mas meramente são
"indicados para serem lidos". Apesar disto, a Igreja Oriental mais
tarde demonstrou uma tendência de concordar com a Igreja
Ocidental em aceitar os Apócrifos (o segundo Concílio Trulano em
Constantinopla, em 692). Mesmo assim, havia muitas pessoas que
tinham suas reservas quanto a alguns dos quatorze, e finalmente,
em Jerusalém, em 1672, a Igreja Grega reduziu o número de
Apócrifos canônicos a quatro; Sabedoria, Eclesiástico, Tobias e
Judite.

7. ARGUMENTO CATÓLICO Nº 7

O Concílio de Trento. Em 1546, o concilio católico romano da pós-


reforma, realizado em Trento, proclamou os livros apócrifos como
canônicos, declarando o seguinte:

O sínodo [...] recebe e venera [...] todos os livros, tanto do Antigo


Testamento como do Novo [incluindo-se os apócrifos] -
entendendo que um único Deus é o Autor de ambos os
testamentos [...] como se houvessem sido ditados pela boca do
próprio Cristo, ou pelo Espírito Santo [...] se alguém não receber
tais livros como sagrados e canônicos, em todas as suas partes,
da forma em que têm sido usados e lidos na Igreja Católica [...]
seja anátema.

54
LIVROS APÓCRIFOS

Desde o concílio de Trento, os livros apócrifos foram considerados


canônicos, detentores de autoridade espiritual para a Igreja
Católica Romana.

REFUTAÇÃO: A ação do Concílio de Trento foi ao mesmo tempo


polêmica e prejudicial. Em debates com Lutero, os católicos
romanos haviam citado Macabeus, em apoio à oração pelos
modos (v. 2Macabeus 12.45,46). Lutero e os protestantes que o
seguiam desafiaram a canonicidade desse livro, citando o Novo
Testamento, os primeiros pais da igreja e os mestres judeus, em
apoio. O Concílio de Trento reagiu a Lutero canonizando os livros
apócrifos. A ação do Concílio não foi apenas patentemente
polêmica, foi também prejudicial, visto que nem os quatorze livros
apócrifos foram aceitos pelo Concílio. Primeiro e Segundo Esdras
(3 e 4 Esdras dos católicos romanos; a versão católica de Douai
denomina 1 e 2 Esdras, respectivamente, os livros canônicos de
Esdras e Neemias) e a Oração de Manassés foram rejeitados. A
rejeição de 2 Esdras é particularmente suspeita, porque contém
um versículo muito forte contra a oração pelos mortos (2 Esdras
7.105). Aliás, algum escriba medieval havia cortado essa seção
dos manuscritos latinos de 2 Esdras, sendo conhecida pelos
manuscritos árabes, até ser reencontrada outra vez em latim por
Robert L. Bentley, em 1874, numa biblioteca de Amiens, na
França.

CATÓLICOS CONTRA OS APÓCRIFOS

Essa decisão, em Trento, não refletiu uma anuência universal,


indisputável, dentro da Igreja Católica. Os católicos não foram
unânimes quanto a inspiração divina nesses livros. Lorraine
Boetner (in Catolicismo Romano) cita o seguinte: "O papa
Gregório, o grande, declarou que primeiro Macabeus, um livro

55
LIVROS APÓCRIFOS

apócrifo, não é canônico.

Nessa exata época (da Reforma) o cardeal Cajetan, que se


opusera a Lutero em Augsburgo, em 1518, publicou Comentário
sobre todos os livros históricos fidedignos do Antigo Testamento,
em 1532, omitindo os apócrifos. Antes ainda desse fato, o cardeal
Ximenes havia feito distinção entre os apócrifos e o cânon do
Antigo Testamento, em sua obra Poliglota com plutense (1514-
1517), que por sinal foi aprovada pelo papa Leão X. Será que
estes papas se enganaram? Se eles estavam certos, a decisão do
Concílio de Trento estava errada. Se eles estavam errados, onde
fica a infalibilidade do papa como mestre da doutrina? Tendo em
mente essa concepção, os protestantes em geral rejeitaram a
decisão do Concílio de Trento, que não tivera base sólida.

8. ARGUMENTO CATÓLICO Nº 8

Uso não-católico. As Bíblias protestantes desde a Reforma com


frequência continham os livros apócrifos. Na verdade, nas igrejas
anglicanas os apócrifos são lidos regularmente nos cultos
públicos, ao lado dos livros do Antigo e do Novo Testamento. Os
apócrifos são também usados pelas igrejas de tradição ortodoxa
oriental.

REFUTAÇÃO: O uso dos livros apócrifos entre igrejas ortodoxas,


anglicanas e protestantes foi desigual e diferenciado. Algumas os
usam no culto público. Muitas Bíblias contém traduções dos livros
apócrifos, ainda que colocados numa seção à parte, em geral
entre o Antigo e o Novo Testamento. Ainda que não-católicos
façam uso dos livros apócrifos, nunca lhes deram a mesma
autoridade canônica do resto da Bíblia. Os não-católicos usam os

56
LIVROS APÓCRIFOS

apócrifos em seus devocionais, mais do que na afirmação


doutrinária.

9. ARGUMENTO CATÓLICO Nº 9

A comunidade do Mar Morto. Os livros apócrifos foram


encontrados entre os rolos da comunidade do Mar Morto, em
Qumran. Alguns haviam sido escritos em hebraico, o que seria
indício de terem sido usados por judeus palestinos antes da época
de Jesus.

REFUTAÇÃO: Muitos livros não-canônicos foram descobertos em


Qumran, dentre os quais comentários e manuais. Era uma
biblioteca que continha numerosos livros não tidos como
inspirados pela comunidade. Visto que na biblioteca de Qumran
não se descobriram comentários nem citações autorizadas sobre
os livros apócrifos, não existem evidências de que eram tidos
como inspirados. Podemos presumir, portanto, que aquela
comunidade cristã não considerava os apócrifos como canônicos.
Ainda que se encontrassem evidências em contrário, o fato de
esse grupo ser uma seita que se separa do judaísmo oficial
mostraria ser natural que não fosse ortodoxo em todas as suas
crenças. Tanto quanto podemos distinguir, contudo, esse grupo
era ortodoxo à canonicidade do Antigo Testamento. Em outras
palavras, não aceitavam a canonicidade dos livros apócrifos.

B. RESUMO E CONCLUSÃO

Resumindo todos esses argumentos, essa postura afirma que o amplo


emprego dos livros apócrifos por parte dos cristãos, desde os tempos
mais primitivos, é evidência de sua aceitação pelo povo de Deus. Essa

57
LIVROS APÓCRIFOS

longa tradição culminou no reconhecimento oficial desses livros, no


Concílio de Trento, como se tivessem sido inspirados por Deus. Mesmo
não-católicos, até o presente momento, conferem aos livros apócrifos
uma categoria de paracanônicos, o que se deduz do lugar que lhes dão
em suas Bíblias e em suas igrejas.

O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia


22 (ou 24) livros em hebraico, que, nas Bíblias dos cristãos, seriam 39,
como já se verificara por volta do século IV a.C. As objeções de menor
monta a partir dessa época não mudaram o conteúdo do cânon. Foram
os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que
obtiveram grande circulação entre os cristãos, por causa da influência
da tradução grega de Alexandria. Visto que alguns dos primeiros pais
da igreja, de modo especial no Ocidente, mencionaram esses livros em
seus escritos, a igreja (em grande parte por influência de Agostinho)
deu-lhes uso mais amplo e eclesiástico. No entanto, até a época da
Reforma esses livros não eram considerados canônicos. A
canonização que receberam no Concílio de Trento não recebeu o apoio
da história. A decisão desse Concílio foi polêmica e eivada de
preconceito, como já o demonstramos.

Que os livros apócrifos, seja qual for o valor devocional ou eclesiástico


que tiverem, não são canônicos, comprova-se pelos seguintes fatos:

1) A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos.

2) Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do Novo


Testamento.

3) A maior parte dos primeiros grandes pais da igreja rejeitou sua


canonicidade.

4) Nenhum concilio da igreja os considerou canônicos senão no final


do século IV.

58
LIVROS APÓCRIFOS

5) Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata,


rejeitou fortemente os livros apócrifos.

6) Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma,


Rejeitaram os livros apócrifos.

7) Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a


presente data, reconheceu os apócrifos como inspirados e
canônicos, no sentido integral dessas palavras.

À vista desses fatos importantíssimos, torna-se absolutamente


necessário que os cristãos de hoje jamais usem os livros apócrifos
como se foram Palavra de Deus, nem os citem em apoio autorizado a
qualquer doutrina cristã. Com efeito, quando examinados segundo os
critérios elevados de canonicidade, estabelecidos, verificamos que aos
livros apócrifos falta o seguinte:

1) Os apócrifos não reivindicam ser proféticos.

2) Não detém a autoridade de Deus. O prólogo do livro apócrifo


Eclesiástico (180 a.C.) diz:

"Muitos e excelentes ensinamentos nos foram transmitidos pela Lei,


pelos profetas, e por outros escritores que vieram depois deles, o que
torna Israel digno de louvor por sua doutrina e sua sabedoria, visto não
somente os autores destes discursos tiveram de ser instruídos,
também os próprios estrangeiros se podem tomar (por meio deles)
muito hábeis tanto para falar como para escrever. Por isso, Jesus, meu
avô, depois de se ter aplicado com grande cuidado à leitura da Lei, dos
profetas e dos outros livros que nossos pais nos legaram, quis também
escrever alguma coisa acerca da doutrina e sabedoria...Eu vos exorto,
pois a ver com benevolência, e a empreender esta leitura com uma
atenção particular e a perdoar-nos, se algumas vezes parecer que, ao
reproduzir este retrato da soberania, somos incapazes de dar o sentido

59
LIVROS APÓCRIFOS

(claro) das expressões." Este prólogo é um auto reconhecimento da


falibilidade humana.

3) Contém erros históricos (v. Tobias 1.3-5 e 14.11) e graves


heresias, como a oração pelos mortos (2 Macabeus 12.45,46; 4).
4) Embora seu conteúdo tenha algum valor para a edificação nos
momentos devocionais, na maior parte se trata de texto repetitivo;
são textos que já se encontram nos livros canônicos.
5) Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros
canônicos.
6) Os apócrifos nada acrescentam ao nosso conhecimento das
verdades messiânicas.
7) O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originalmente
apresentados, recusou-os terminantemente.

A comunidade judaica nunca mudou de opinião a respeito dos livros


apócrifos. Alguns cristãos têm sido menos rígidos e categóricos; mas,
seja qual for o valor que se lhes atribui, fica evidente que a igreja como
um todo nunca aceitou os livros apócrifos como Escrituras Sagradas.
"Eis as razões porque definitivamente rejeitamos os Apócrifos"

60
LIVROS APÓCRIFOS

61
LIVROS APÓCRIFOS

CAPÍTULO 07

A IGREJA CATÓLICA E O CÂNON

A. POSTURA CATÓLICA ANTE O CÂNON

Os católicos alegam que os protestantes devem confiar em sua


tradição para saber que livros devem incluir no cânon Bíblico. O
argumento diz que desde que não há um "índice inspirado" da Bíblia,
então nós somos forçados a confiar na tradição católica para saber que
livros pertencem realmente à Bíblia, e que livros não pertencem.

Os católicos ainda alegam que foi a igreja de Roma, que determinou o


cânon bíblico nos Concílios de Hipona (393 d.C.) e Cartago (397 d.C.),
e somente por isso que hoje os protestantes sabem quais livros são
inspirados, e quais não são. Consequentemente, é à Igreja Romana
que deveríamos nos submeter em questões de fé e decisões
doutrinárias. Contudo, o argumento acima é espúrio por diversas
razões as quais nós iremos comentar logo abaixo:

Cartago e Hipona

Primeiramente, os Concílios de Cartago e Hipona não estabeleceram o


cânon à Igreja como um todo. Até mesmo "A Nova Enciclopédia
Católica" em inglês assegura o fato de que o Cânon não esteve
oficialmente estabelecido à Igreja Ocidental até o Concílio de Trento no
século XVI e que até mesmo uma autoridade tal como Gregório - o
Grande, que posteriormente veio a ser papa havia rejeitado os
Apócrifos como canônicos.

62
LIVROS APÓCRIFOS

Jerônimo, chamado de doutor da igreja, fez uma clara distinção entre


os livros que considerava canônicos e eclesiásticos. Quanto ao ultimo
grupo ele declarou que poderia circular pela Igreja como literatura útil,
mas não foi reconhecida como Escritura Sagrada e autorizada para fins
doutrinários.

A situação permaneceu obscura nos séculos seguintes. Por Exemplo,


João Damasceno, Gregório o Grande, Walafrid, Nicolas de Lyra
continuaram a duvidar da canonicidade dos livros deuterocanônicos.
Segundo a doutrina católica, o critério usado para definir o cânon
bíblico é a decisão infalível da Igreja. No entanto esta tal decisão nunca
foi tomada antes do Concílio de Trento. Que isto não tinha sido feito
antes de Trento é provado pela incerteza que persistia até o tempo
deste Concílio.

Houve pais da igreja de grande influência antes dos Concílios Africanos


do Norte que rejeitariam o julgamento destes dois Concílios tais como
Orígenes, Melito de Sardes, Atanásio, Cirilo de Jerusalém, Gregório de
Nazianzeno, Hilário de Poitiers, Epifânio, Basílio o Grande, Jerônimo,
Rufino e muitos outros. Eles defendiam que os livros do Velho
Testamento foram em número de 22 ou às vezes 24, dependendo de
como os livros eram agrupados. Isto corresponde ao cânon Judaico
que não aceitava os livros apócrifos como sendo canônicos. Jerônimo,
que gastou muitos anos estudando na palestina e que teve a ajuda de
mestres judaicos, rejeitou os apócrifos porque aqueles livros não foram
reconhecidos como canônicos pelos Judeus.

A objeção que os católicos levantam é que se a Septuaginta incluía


esses livros é prova de que os judeus alexandrinos tiveram um cânon
mais extenso que seus irmãos palestinenses. Todavia isso não passa
de mera especulação. Eles fazem esta afirmação porque os livros
apócrifos são incluídos em alguns dos antigos manuscritos que temos

63
LIVROS APÓCRIFOS

da Septuaginta. Mas se isto prova alguma coisa, prova no máximo que


a Septuaginta incluía os livros apócrifos junto com os livros canônicos
do velho Testamento para propósitos de leitura, e não que eles fossem
recebidos como canônicos. O manuscrito mais antigo que possuímos
da Septuaginta remonta ao 4º ou 5º século d.C. Sendo assim eles não
refletem necessariamente a crença dos Judeus de Alexandria sobre os
apócrifos. Também, esses manuscritos da Septuaginta contêm livros
tal como III Macabeus que nunca foi aceito como canônico por Roma.
Acrescenta-se a isso, como importante fato, que Orígenes e Atanásio
mesmo sendo de Alexandria, ambos rejeitaram os livros apócrifos
como sendo canônicos. O único livro apócrifo que Atanásio incluiu na
sua lista foi Baruque, mas isto devido ao fato de ele ter pensado que
este livro fazia parte do livro de Jeremias.

Hipona e Cartago foram concílios locais que não tiveram autoridade


ecumênica. Em adição, podemos dizer que mesmo aqueles dois
Concílios contradizem o Concílio de Trento em um ponto importante.
Primeiramente, Hipona e Cartago declara que 1 Esdras e 2 Esdras são
canônicos. Eles estão referindo aqui à versão Septuaginta de 1 e 2
Esdras. Nesta versão 1 Esdras é uma adição apócrifa a Esdras
enquanto 2 Esdras é a versão Judaica de Esdras-Neemias do cânon
Judaico. O Concílio de Trento, entretanto declara que 1 Esdras é
realmente o Esdras do cânon Judaico e 2 Esdras é Neemias do cânon
Judaico. Trento omite a versão da Septuaginta de 1 Esdras.

Outro ponto que prova ser as alegações católicas infundadas é o fato


de que a prática universal da Igreja como um todo até o tempo da
Reforma foi seguir o julgamento de Jerônimo que havia rejeitado os
apócrifos. Aqueles livros tiveram a permissão de serem lidos na Igreja
para fins de edificação, mas nunca foram considerados autorizados
para estabelecer doutrinas. Parece que a igreja dava dois significados

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para o termo "canônico" em relação aos livros da Bíblia: um mais lato


no sentido de incluir todos os livros que foram permitidos serem lidos
nas igrejas e outro mais restrito que incluía unicamente aqueles livros
que foram considerados como autoridade para estabelecer doutrina.

O caso da Glossa Ordinária - Esta Glosa foi um comentário bíblico


autorizado para a Igreja Ocidental como um todo. Seu prefácio declara
que a Igreja permite a leitura dos livros apócrifos somente para a
devoção e instruções e costumes, mas que eles não possuem
nenhuma autoridade para decidir controvérsias em matérias de Fé. Ele
ainda declara que há 22 livros do AT e apela para os testemunhos de
Orígenes, Jerônimo e Rufino.

B. CONCLUSÃO

As reivindicações que a igreja romana faz sobre o cânon são


historicamente insustentáveis. Ela sugere que nós deveríamos receber
seus ensinos como autoridade suprema por causa desta questão do
cânon, pressupondo que foi ela quem nos deu a lista correta dos livros
canônicos. Mas isto equivale aos fariseus exigirem que Jesus
recebesse seus ensinos como autoridade suprema simplesmente
porque como Judeus eles tinham determinado que livros fizessem
parte do cânon.

Mesmo que as reclamações da Igreja Romana estivessem corretas


com respeito ao cânon, isto não prova de maneira alguma que ela está
automaticamente correta em todas as áreas pertinentes à sã doutrina,
e que nós deveríamos obedecê-la e receber como autenticas suas
doutrinas extra bíblicas, não mais do que Jesus deveria receber as
doutrinas ou seguir os fariseus hipócritas. As principais doutrinas
romanas contradizem as sagradas escrituras tais como a Tradição

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LIVROS APÓCRIFOS

Oral, o Papado, Maria, os sacramentos, o purgatório, além do que o


seu cânon é diferente do cânon da igreja primitiva.

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LIVROS APÓCRIFOS

BIBLIOGRAFIA

1. Merece Confiança o Antigo Testamento?, Gleason L. Archer. Jr.


Ed. Vida Nova.
2. Introdução Bíblica, Norman Geisler e William Nix. Ed. Vida.
3. Panorama do Velho Testamento, Ângelo Gagliardi Jr. Ed. Vinde.
4. O Novo Comentário da Bíblia vol I, vários autores. Ed. Vida Nova.
5. Evidência Que Exige um Veredito vol I, Josh McDowell. Ed.
Candeia.
6. Os Fatos sobre "O Catolicismo Romano", John Ankerberg e John
Weldon. Ed. Chamada da Meia-Noite.
7. Catolicismo Romano, Adolfo Robleto. Ed. Juerp.
8. Estudos particulares de, Pr. José Laérton - IBR Emanuel - (085)
292-6204.(internet)
9. Estudos particulares de, Paulo R. B. Anglada.(internet)
10. Teologia Sistemática, Green. Ed. Vida Nova.

11. Anotações particulares do autor. Presb. Paulo Cristiano

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