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MUROS DE ARRIMO

Prof. José Augusto D. Martins


Jan/2016
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Capítulo 10
MUROS DE ARRIMO
10.1– Considerações gerais

Entende-se por muros de arrimo (ou de contenção) como sendo estruturas de paredes
verticais ou levemente inclinadas, para contenção lateral do solo evitando que o mesmo assuma
sua inclinação natural, suportadas por fundações rasas ou profundas.
Os muros podem ser construídos em alvenaria de tijolos, de pedras, em concreto simples,
concreto ciclópico, concreto armado, gabiões, solo-cimento ensacado, pneus, ou outros
elementos especiais.
Os muros de arrimo podem ser classificados quanto ao tipo em de gravidade e de flexão.
Podem também ser com e sem tirantes.

Figura 10.1 – Muro de arrimo: terminologia

10.1.1 – Muro de gravidade

Muros de gravidade são estruturas construídas para combater ao empuxo com o seu peso
próprio, constituído com pedra, concreto simples, concreto ciclópico, concreto armado,
gabiões, solo-cimento ensacado e pneus usados, utilizados para alturas pequenas (h < 5m).
Quando o muro é de pedra, mesmo tendo dimensões horizontais elevadas sua construção é
fácil e de baixo custo, além de ter uma boa drenagem devido ao material empregado, como
mostra a Figura 10.2.
Destaca-se que muitos acidentes com muros de arrimo estão relacionados ao acúmulo de água
no maciço que aumenta em muito o empuxo atuante. Por isso, é fundamental o projeto, a
execução e a manutenção de um eficiente sistema de drenagem.

Figura 10.2 – Muro de gravidade: alvenaria de pedra


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10.1.2 – Muro de flexão

Os muros de flexão são construídos em concreto armado ou alvenaria estrutural,


normalmente com seção transversal em “L”, espessura de parede variável e altura elevada.
A forma da base da fundação, permite que a parte do solo sobre o seu calcanhar aumente a
estabilidade do muro ao tombamento devido ao empuxo do terreno. A Figura 10.3, mostra um
muro de flexão em com terrapleno inclinado e outro com terrapleno horizontal.

Figura 10.3 – Muro de flexão: em concreto armado

Para melhorar a condição de estabilidade esse tipo de muro pode ter sua base ancorada
com tirantes, ou mesmo com chumbadores quando assentes em rocha.
Quando o muro é muito alto (acima de 5m), o empuxo se torna elevado, e é usual a
utilização de paredes com espessuras menores, reforçadas com vigas na vertical de altura da
seção transversal vaiável (contrafortes), para combater o esforço e aumentar a resistência ao
tombamento. Em geral, adota-se para espaçamento dos contrafortes a distância de 70% da
altura do muro. Ver Figura 10.4.

Figura 10.4 – Muro de flexão: em concreto armado com contrafortes


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10.2 – Verificação da estabilidade

Para o projeto de um muro de arrimo, independentemente do tipo de seção, é assumido um


pré-dimensionamento em função da experiência profissional do engenheiro. O professor Jaseph
E. Bowles, autor do livro “Foundation Analysis and Design”, sugere as informações constante
na Figura 10.5, como ponto de partida para a construção de um muro de arrimo.

Figura 10.5 – Muros de arrimo: pré-dimensionamento

A partir da prefixação das dimensões, faz-se a verificação da estabilidade do muro para as


seguintes condições: deslizamento, tombamento, capacidade de carga da fundação e ruptura
global, como indicado na Figura 10.6.
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Figura 10.6 – Muros de arrimo: verificação da estabilidade

10.2.1– Esforços solicitantes

Os esforços solicitantes devido ao empuxo do terreno podem ser obtidos pelas teorias de
Coulomb e de Rankine, que satisfazem o equilíbrio de esforços vertical e horizontal, sendo a
última a mais empregada.
A Figura 10.7, mostra para um muro de concreto em terrapleno inclinado de ângulo ß, os
esforços solicitantes pela teoria de Rankine.

Pa = Ea = empuxo ativo do terreno de inclinação ß


Wc = peso próprio do muro de concreto
Ws = peso próprio do aterro ou maciço do solo sobre a base do muro
V = a resultante de cargas verticais na base do muro

Figura 10.7 – Muros de arrimo: esforços solicitantes


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Sabe-se que um elemento do solo a uma profundidade z, está sujeito a:


 pressão vertical: v = ( s) . z
 pressão horizontal: h = ka . v = ka . ( s) . z
Onde: s – peso específico do solo (sem informação adicional, adota-se: 1,8 tf/m3)
ka, significa o coeficiente de empuxo ativo do solo. Pela teoria de Rankine, para terrapleno
inclinado (i = ß), em um solo com ângulo de atrito Φ, vem:

No caso de terrapleno horizontal (i = ß = 0), a expressão acima fica: ka = tg2 (450 – Φ/2),
que para solos com Φ = 300, dá: ka = 1/3 = 0,333.
A Figura10.8, mostra a variação da pressão horizontal ao longo do muro de altura H, com
valor máximo (tf/m2), em sua base.

h = ka . (s) . H
Figura 10.8 – Muros de arrimo: empuxo ativo

O valor da resultante do empuxo ativo do solo, por metro linear de muro, aplicado no terço
médio de sua base, é a resultante do diagrama da figura acima, e vale:
Ea = 1/2 . ka . ( s) . H2

Se houver sobrecarga no maciço (em aterro de rodovias classe 1, esse valor é 0,5 tf/m2), a
pressão horizontal do muro será eq = ka . q, conforme mostrado na Figura 10.9.

Figura 10.9 – Muros de arrimo: empuxo da sobrecarga no aterro


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O valor da resultante do empuxo da sobrecarga no maciço ou aterro, por metro linear de


muro, aplicada na metade da altura, é a resultante do diagrama da figura acima, e vale:
Eq = ka . q . H

10.2.2 – Verificação ao tombamento

Como estudado em fundações, faz-se necessário a verificação da estabilidade do muro ao


tombamento em torno da extremidade de sua base. A verificação deve atender:
Mest ≥ 1,5 Mtomb

A Figura 10.10 mostra a carga vertical W e o empuxo do terreno Ea, e seus pontos de
aplicação. A verificação do tombamento do muro deve ser feita com a redução dos esforços ao
ponto A.
Na verificação do tombamento, bem como no deslizamento da base do muro que veremos
a seguir, é usual e a favor da segurança desprezar o empuxo passivo do solo.

Figura 10.10 – Muro de arrimo: verificação ao tombamento

10.2.3 – Verificação ao deslizamento

A favor da segurança, é usual na verificação ao deslizamento desprezar o empuxo passivo


do solo (Ep), que ocorre no sentido oposto ao empuxo ativo.
A carga horizontal de estabilidade é obtida multiplicando-se a carga normal N pelo ângulo
de atrito do solo Φ. Ou seja, Hest = N tgΦ, conforme indicado na Figura 10.11. A estabilidade
ocorrerá quando: Hest ≥ 1,5 Hatuante

W E
a
a

Ep

Hest
B

Figura 10.11 – Muro de arrimo: verificação ao deslizamento


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Para aumentar a resistência ao deslizamento, muitas vezes utiliza-se dentes na base da sapata,
como indicado na Figura 10.1.

10.2.4 – Capacidade de carga da fundação

A capacidade de carga da fundação consiste na verificação da segurança contra a ruptura e


deformações excessivas do terreno de fundação (s atuante ≤ s adm). O muro é considerado
rígido, portanto as tensões são lineares ao longo de sua base, e o estudo deve seguir ao
desenvolvido nos capítulos 1 à 3 deste curso, levando em conta os critérios de pequena e
grande excentricidades e as tensões admissíveis do terreno, para os esforços indicados na
Figura 10.7.

10.2.5 – Segurança contra a ruptura global

Essa verificação refere-se à segurança do conjunto muro-solo contra a possibilidade de


ruptura do terreno segundo uma superfície de escorregamento ABC (Figura 10.12), utilizando
os conceitos de análise da estabilidade geral da mecânica dos solos.

Figura 10.12 – Muros de arrimo: ruptura global

A verificação da segurança do sistema de contenção, em relação a estabilidade geral,


consiste em verificar o mecanismo de ruptura global do maciço ou do aterro. Neste caso, a
estrutura de contenção é considerada como um elemento interno à massa de solo, que
potencialmente pode se deslocar como um corpo rígido. Essa verificação consiste em garantir a
segurança à rotação de uma massa de solo que se desloca ao longo de uma superfície cilíndrica.
Deve-se ter:
Mestabilidade ≥ 1,5 Minstabilizante

10.3 – Cálculo das armaduras

Para o cálculo das armaduras no estado limite de ruptura são utilizados os critérios e
tabelas da disciplina de concreto armado, considerando as paredes do muro como uma laje em
balanço engastadas na fundação. Os esforços e as armaduras são calculados por faixa de metro
linear do muro (As/m).
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No caso de muro com contrafortes as paredes normalmente são calculadas como lajes
armadas na horizontal que transmitem as reações para as nervuras e estas calculadas como
vigas em balanço engastadas na fundação.

As Figuras 10.13, 10.14 e 10.15, exemplificam os esforços solicitantes na parede e na


sapata do muro, e mostra o detalhamento das armaduras de um muro de flexão em concreto
armado.

Figura 10.12 – Muro de arrimo: diagrama de esforço cortante e momento fletor

Figura 10.13 – Muro de arrimo: tensões atuantes na sapata


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Figura 10.14 – Muro de arrimo: detalhe da armadura