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UNIVERSIDADE DE SÃO P A UL O

Faculdade de Direito

EXECUÇÃO

DO . C ONT R A T O PRELIMINAR

j *

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et ti, Jv.

)
Curso de Pós-Gradução

17 D i re i to Civi 1

J DEP.° DIR . CIVIL ~


I BTBL10TÉCA ESPÍNOLA

347. 4 4 : 347.952 LHOC


Tôlle TES a u 1o
1982 2
027268
Função e estrutura do contrato preliminar

Este trabalho se inicia, esperanço

samente com certeza, pela evocação


§ l
do dito de um pensador jurídico i-
Dimensão pratica
da taliano que, reputado genial
contratação preliminar por m u i t o s , no mínimo merece o qua

lxficativo de singular. Caracteri­

zado em seu estilo pelo emprego am

pio, constante e consciente das metáforas, proclamava repetida

mente que a "ciincia do direito nascida e crescida na bibliote

ca está condenada â anemia, para não dizer ã tuberculose. 0

remédio não é outro senão a reincarnação dos conceitos com as


■í. .
imagens tiradas da realidade" (1). Noutro estudo, porém, deixa

va claro que, para a imprescindível observação dessa realida­

de, a ciência do direito se encontra numa posição infortunada.

Os livros não bastam, mas os experimentos, que são a reprodu­

ção artificial da experiência, não se permitem nos estudos ju­

rídicos. "Não podem ser reproduzidos, para aprender ou para

ensinar, uma greve, um homicídio ou atos danosos. Os porqui­

nhos da índia não nos podem prestar os mesmos serviços que pro

(1) Francesco Carnelutti, Metodologia do d i r e i t o , tij


boa, Escola Tipográfica das Oficinas de Sao Jose, 19 4 0, n *: 22,
.02 .

porcionam aos fisiólogos" (2). As regras de direito não estão

encerradas nos códigos como numa vitrina; operam na vida. Na

escola, porém, não hã contratos' vivos para mostrar. A maneira

de se saber, ou de se descobrir, o que ê, verdadeiramente, um

contrato, ê observar, com os próprios olhos, o drama da contra

tação — o contraste de interesses, o embate, às vezes áspero,

outras vezes cordial, aparentemente frio, ou malicioso, dos su

jeitos da operação econômica; as marchas e contra-marchas, os

sacrifícios e as pressões — ■ que aos advogados cabe, muitas ve

zes, traduzir num papel, e que se pode ver resumido, ccm sabor

paradoxal, na definição lapidar dalgum artigo de lei.

Não se pode negar, por outro lado., que, com o advento

das chamadas sociedades de m a s s a s , as categorias da teoria ju—

riõdica denominadas contrato e autonomia privada, pelas quais

se descreve o comportamento dos sujeitos económicos em atua­

ção num plano de igualdade, no qual estabeleceriam o equilí­

brio de seus recíprocos interesses, não encontra correspondên­

cia acentuada no sistema social, tendencialmente voltado à con

centração do capital e â centralização dos poderes burocráti­

cos (3) .
t o campo tradicional de atuação dos particulares, en­

tretanto, remanesce ainda intenso. E nesse cotidiano hã um sem

número de operações econômicas que dão substrato a uma catego­

ria jurídica que se chama contrato preliminar, prê-contrato ou

promessa de contratar.

(2) Francesco Carnelutti, Carta a mis hijos, in jj*s ^-u_


dios de derecho procesal, Beunos Aires, EJEA, 1952, v. 2, p.
567-568.
(3) Pietro Barcello ira, L a formaciõn dei jurista, ^ _i_n
Pietro Barcellona, Dieter Hart e Ulrich MUckenburger, L_a—
maciõn del jurista; capitalismo mo no p o 1 í s t ico e cultura jurid_i
ca, Madrid, E d itoria 1 C i v i t a s , 1977 , p. 16^17; v., outrossim,
Francesco Galgano, Diritto p r i v a t o , P a d o v a , C e d a m , 1981, p.^
215-216; Cesare Salvi (organizador), Categoric .giuridicho c
rapporti so ciai 1 ; il problema dei negozio gluridico,
' w.
.0 3 .

Os juristas que a abordam constroem raciocínios, for­

mulam explicações e dão exemples para situâ-la e apreender o

seu funcionamento nos quadros de uma determinada ordem normati

va. Mas, se cs livros não bastam, quem se interessa por estu­

dar e escrever sobre cs contrato preliminares, precisa, antes

de tudo, "vivenciã-los", o que implica, talvez necessariamente,

certa subjetivização do argumento, aliás peculiar aos advoga­

dos militantes, sempre dispostos- a narrar, a ouvintes pouco

dispostos a ouvir, "os seus casos".

Por todas essas razões e que, nesse parágrafo ini-


w

ciai, intitulado "dimensão prática do contrato preliminar",op­

tou o autor por um cômodo porém objetivo meio-termo. Aqui, pa­

ra avançar a imagem do que se passa, concretamente, com o as­

sunto a ser tratado, e procurar manter a almejada conexão en­

tre a teoria e a prática, convém partir de algumas espécies

.reais, retiradas da jurisprudência •

Numa delas, certas pessoas, parentes entre si, cele­

braram um documento particular no qual contratavam que um de­

terminado imóvel ficaria na posse de uma delas, a qual, em con­

trapartida, renunciaria a sua parte ideal em herança que esta­

va para ser dividida entre os mesmos contraentes, sendo que,

num segundo momento, depois de efetivada a renúncia, poderia

o possuidor exigir a contratação definitiva desse negócio de

permuta cuja formação progressiva fora convencionada (4).

Em outro curioso acórdão, discute-se caso em que um

indivíduo, inspirado no evidente benefício que uma rodovia pro

Feltrinelli, 1978 , pas s im . B r e v i t e r , mas com precisão, Tercio


Sampaio_Ferraz J r . , 0 destino do contrato, in Revista do Advo-
g_ac[o, Sao Paulo, Associação dos Advogados de São Paulo 198 2
9/49: 9 9

. ,„(4) *evist:ados Tribunais. 513:99, ac5rdão da 5a. Ca­


mará Civil do TJSP, rei. Des. Oliveira Lima.

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