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SAÚDE MENTAL

Blue Whale (o jogo suicida da baleia azul). Verdade


ou mito?

escrito por
Jóice Bruxel

O que é Blue Whale e como funciona?


Blue Whale é um jogo online que tem como finalidade o suicídio. Os participantes do jogo
devem realizar tarefas e enviar registros de seus feitos para os curadores ou então postar na
web algumas mensagens subliminares, como uma foto de uma baleia azul, por exemplo.
Curadores são as pessoas que delegam e também recebem o comprovante das tarefas
(vídeos, fotos) e resumidamente, manipulam os jogadores através da persuasão, para que eles
permaneçam no jogo. Acredita-se também que os curadores ameacem e chantageiem os
participantes, no caso de algum deles querer desistir.
No total são 50 tarefas. Apesar de ter acesso as supostas tarefas, eu não vou as expor aqui,
pois não quero que este texto seja usado de forma errada.
Resumidamente, as tarefas vão desde tarefas simples (como desenhar uma baleia), assistir
vídeos psicodélicos e de terror de madrugada, como também a tarefas mais complexas, como
de automutilação, por exemplo. E sim, a última das 50 tarefas, é o suicídio.
P.S.: Existem várias tarefas de automutilação, e a automutilação pode ser visível! Fique atento
aos sinais! Preste atenção nas pessoas que o cercam!
O que fazer se alguém próximo a mim estiver jogando o jogo?
Como devo proceder?
O primeiro passo é manter a calma! Eu sei que você deve estar assustado, mas o seu
comportamento neste momento não pode ser impulsivo, rude ou agressivo.
Antes de qualquer coisa, você precisa acolher a outra pessoa, amar, tratar com carinho
respeito e afeto. Sim, o afeto é muito importante nessas horas e faz toda a diferença.
Sente com ela, converse, e ouça mais do que qualquer outra coisa. Abrace. Pergunte como ela
se sente, o motivo pela qual ela entrou no jogo e mostre que você está ao lado dela,
incondicionalmente. Não a julgue. Em hipótese alguma, a culpe. Você não precisa entender,
mas precisa acolher. Não menospreze a forma como ela se sente. As batalhas são individuais
e invisíveis. Tenha sempre consciência disso.
Não deixe a pessoa sozinha e procure ajuda psicológica e psiquiátrica com urgência. Essa
pessoa precisa de tratamento e cuidado.
Mas entenda: o cuidado não é só terapêutico e medicamentoso, é também afetivo. Cuide dela.
Permaneça atento.

Mas quem é que jogaria um jogo desses, se tem como finalidade,


a morte?
Tenho ouvido (e lido) muitos comentários maldosos a respeito do tipo de pessoa que entraria
em um jogo que tem como objetivo final, a morte. Comentários preconceituosos e totalmente
equivocados, fazendo uma salada mista sobre suicídio, depressão e transtornos mentais.
É muito provável que alguém que se sinta atraído ou desafiado a jogar esse tipo de jogo, seja
uma pessoa que já tenha ideação suicida, e é mais provável ainda que esta ideação esteja
atrelada a depressão ou algum transtorno, como Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), por
exemplo. Pode ser também alguém que esteja emocionalmente fragilizado ou simplesmente
alguém muito curioso (apesar de menos provável, acredito que seja possível).
Você não precisa entender como uma pessoa que participaria do jogo pensa ou o que ela
sente, mas você precisa respeitar. Todo o seu achismo é baseado na sua vivência, na sua
perspectiva e percepção. Antes de sair julgando ou reproduzindo falas completamente
equivocadas sobre depressão, suicídio e transtornos mentais, leia, pesquise, busque conteúdo.
Aprenda. Isso também é urgente.
Suicídio não é opção, é a falta de uma opção. É desespero. Cansaço. Sofrimento. Desistência.
Busca. Ambiguidade: uma forma de encontrar na morte, uma opção à vida. É perturbador. É
um fim que para muitos, representa um novo início.
E não, provavelmente você não vai entender e não precisa. E eu espero que você não precise
sentir na pele para aprender a respeitar.
Mas afinal de contas, o jogo é verdade ou mito? As pessoas
estão realmente morrendo por causa dele?
Não sei. O fato é que não é possível afirmar que a causa das mortes é o jogo, em si. E na
verdade, se você chegou até aqui, o que eu quero dizer pra você é que pouco importa. O que
realmente importa é que os números não mentem: o suicídio tem aumentado de uma forma
brutal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a cada 40 segundos, uma pessoa se
suicida no mundo.
E essa deve ser a nossa causa: o suicídio. Ou melhor, a prevenção dele. Independente de este
jogo ser verídico e ser a causa de várias mortes mundo a fora (ou não), o problema é real,
atual, e ele está perto de nós. Do nosso lado. De todos nós. Aqui e agora.
Preste atenção nas pessoas que estão perto de você. Seja afetuoso. Tenha empatia. Se
disponibilize a ajudar e se preocupe verdadeiramente. Busque informação.
Como eu citei no artigo sobre os ​4 mitos frequentes sobre o suicídio​, existe uma ambivalência
no ato, ao mesmo tempo em que o sujeito vai atrás da morte (o que para ele, pode significar a
finalização de algum problema ou até então de uma existência, que para ele, pode não fazer
mais sentido), ele deseja algum tipo de intervenção externa. Algo que solucione o seu
problema e lhe dê algum tipo de direcionamento.
Grande parte dos suicídios poderia ser evitado se houvesse algum tipo de intervenção. O outro
também é responsabilidade sua!
P.S.: Se você chegou até aqui porque por algum momento, passou pela sua cabeça participar
do jogo ou se suicidar, não tenha vergonha de pedir ajuda. Eu e muitas pessoas podemos lhe
ajudar. Envie-me uma mensagem, nós podemos conversar!
Você também pode entrar em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida) através do
número 141 ou pelo site: ​www.cvv.org.br
Você não está sozinho (a)!
Jóice Bruxel
Psicóloga CRP-08/25350
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