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SAÚDE MENTAL

A minha experiência com a depressão – e o que


você pode aprender com isso

escrito por
Jóice Bruxel

Depressão é frescura. Você não está doente, você é preguiçoso!


Quantas vezes você já ouviu essa frase (ou outras similares)? Quantas vezes você precisou
engolir comentários maldosos e totalmente sem conhecimento, de pessoas que acreditam ter
certeza, do que elas não fazem a menor ideia?
Do fundo do meu coração, eu espero que você que está lendo este texto, não seja uma das
pessoas que replicam esse tipo de fala, mas se for, continua lendo, porque você sim está
doente e foi picado pelo mosquitinho da ignorância, e pra ser curado meu (minha) caro (a), só
com doses cavalares de conhecimento (e alguns “puxões de orelha”).
E pra você que não replica esse tipo de frase e também nunca teve depressão, eu recomendo
doses extras de empatia… Porque se você ainda não teve ou conviveu (o que eu acho pouco
provável), em algum momento você irá conviver com alguém que tenha depressão. E você
precisa aprender a lidar com isso. Precisa dar e ser o apoio. Precisa enxergar com olhos
amorosos.
As pessoas com as quais você convive, também são responsabilidade sua!

Você não precisa entender. Precisa respeitar e acolher.


Seria muita pretensão da minha/sua/nossa parte, querer que você entenda a depressão do
outro, ou os motivos e fatores que o levaram ao adoecimento, mas tenha consciência: você não
precisa entender tudo, o mundo não gira em torno de você ou do que é importante pra você –
independente do seu entendimento, você precisa respeitar e acolher.
Eu ouço e leio comentários absurdos sobre depressão. E além de absurdos, muitas vezes,
altamente prejudiciais para alguém que já está fragilizado. E esses comentários surgem de
todos os lados, da internet, de pessoas de meu convívio, de amigos, enfim, de pessoas feitas
de carne e osso, e em diferentes níveis de instrução.
É um bombardeio de “achismos” totalmente equivocados, e frente a isso eu não posso mais me
calar, e é justamente por isso que estou escrevendo este texto. Pra dizer pra você, que tem
depressão, que eu te entendo! E pra você que não valida sentimentos, doenças, e modos de
ser e estar, alheios, que você precisa urgentemente ampliar o seu olhar e pesquisar sobre o
assunto.
Depressão NÃO é falta de Deus!
Se a cada vez que eu ouvisse isso, eu ganhasse um real, eu provavelmente já estaria com uma
bela poupança.
E não, depressão não é falta de Deus. Independente da sua crença, não caia nesse mérito.
Depressão é uma doença (ou um distúrbio afetivo), que implica diferentes fatores: social,
químico e biológico.
Você leu a parte do químico, certo? Existem diversas evidências que comprovam alterações
químicas no cérebro do indivíduo deprimido.
Esse tipo de fala não ajuda ninguém. Se você crê em Deus, suas ações devem ser
correspondentes… Seja você um representante de Deus para o outro. Praticar a empatia,
acolher, aceitar incondicionalmente é um bom começo.
Quando você tiver vontade de falar pra alguém com depressão que ela precisa de Deus,
substitua a sua fala por um abraço! Represente Deus! Aliás, Deus é amor e não julgamento,
certo?

A minha experiência com a depressão


Ué, Jóice. Mas você é psicóloga, e já teve depressão? Como assim?
Sim. Eu tive depressão na adolescência. Fiz acompanhamento psicológico e medicamentoso.
E é o que eu indico. Psicoterapia aliada ao uso de medicamento (quando necessário) é
importante.
O medicamento pode agir no “sintoma”, é mais imediato, mas a psicoterapia age na causa. No
fundo. No que você, muitas vezes, mantém guardado em um bauzinho velho, dentro do seu
coração, da sua alma e da sua mente, pra não ter que lidar, pra não ter que encarar. Porque
dói. Enfrentar dói. Mas é importante. É preciso.
Pra você se tornar o seu melhor, você precisa aprender a lidar com o que você tem de pior.
A dor tem um papel fundamental em quem nós somos. Lidar com a nossa dor é lidar com a
verdade, e a verdade nos liberta, rompe as nossas amarras, nos permite chegar ao fundo do
poço, para nos tornarmos inteiros novamente.

Eu descobri a minha depressão quando cheguei ao fundo do poço, porque eu não tinha alguns
dos sintomas mais comuns, como por exemplo: humor depressivo, desânimo, ausência de
sentido na vida, dificuldade de concentração. No meu caso, os sintomas predominantes eram a
irritabilidade, ansiedade, desinteresse pelas coisas que antes eu gostava e eram importantes
pra mim. Outra coisa que eu tinha muito, de uma forma muito intensa (inclusive fiz vários
exames na época), eram pontadas na cabeça. Pontadas avassaladoras, que quase me faziam
desmaiar de tão intensas.
Aos poucos, todas as cores me pareciam cinza. A alegria, a risada que eu sempre tive,
permaneciam, mas de uma forma forjada. De fora, pra fora. E não de dentro, pra fora. Faziam
parte só na aparência. Porque eu tentava fazer de conta que estava tudo bem, tentava
acreditar nisso, inclusive. Eu achava que ia passar, que era algo momentâneo. Eu segui essa
linha até que eu não consegui mais suportar e desmoronei.
Eu vivia irritada, dava uma proporção gigante para coisas que antes, eu não daria importância
alguma. Tudo me afetava profundamente. Mas eu achava que era por causa da adolescência,
porque eu sempre ouvia falar que adolescentes eram “aborrecentes”, então, eu achava que até
aí, estava tudo normal.
Eu cheguei ao fundo do poço e teve uma hora em que eu precisei de ajuda.
Tive a sorte de ter pais amorosos, acolhedores e carinhosos que me acolheram e me
compreenderam, que validaram os meus sentimentos, e procuraram ajuda especializada. Sem
cobranças, sem preconceitos, sem imposições.
Porque pra quem via de fora, eu não tinha motivos. Que audácia seria uma menina como eu,
que sempre teve tudo, sempre teve amor, cuidado, amparo, saúde, ter depressão, certo?
Errado. Para ter depressão basta ser humano.
Obviamente os meus sofrimentos não eram tão terríveis quanto muitos sofrimentos alheios,
mas eram meus, e eu não consegui lidar com eles, na época.

O que pra mim foi muito doloroso, talvez você “tirasse de letra”. Assim como o que pode causar
extremo sofrimento pra você, talvez, nem me afete. Tenha sempre em mente:
Não há como mensurar o sofrimento alheio!
Essa é outra fala que replicam por aí… “Há tanta gente pior que você, você tem tudo, deveria
agradecer pela vida que tem”. Blá, blá, blá.
Eu sempre fui grata, e sou mais grata a cada dia que passa.
Depressão também não tem a ver com gratidão
Existe possibilidade de melhora!
Ah, você quer saber como eu estou hoje? Eu estou bem, obrigada. Tão bem que eu dedico a
minha vida a ajudar as pessoas a enfrentarem os seus obstáculos.
Obviamente eu tenho dias tristes, mas tristeza é diferente de depressão. A tristeza é um
sentimento natural e legítimo, além do mais, só conhecemos a alegria por causa da tristeza.
Tristeza não é o problema, o problema é paralisarmos nela, permanecermos tristes.
Para sermos inteiros, precisamos nos permitir doer.
Aprender a lidar com os nossos sentimentos é sadio, ​não reprimir o que você sente​ e ser fiel ao
que você sente é importante.
Independente do diagnóstico, somos todos seres humanos, necessitados de amor, de
acolhimento, de carinho e empatia.
Há possibilidade de melhora. E muita possibilidade. O primeiro passo é buscar ajuda. Ignorar o
que te falam, deixar pra lá os “achismos” alheios. Nós não damos conta de tudo, o tempo todo.
Ser forte não é dar conta de tudo, ser forte é conhecer os nossos limites. E todos nós temos.
Não ultrapasse os seus limites. Peça ajuda antes!
Existem pessoas que podem te ajudar, você não precisa enfrentar isso sozinho!
Uma pessoa com depressão não precisa de motivação, ela
precisa de acolhimento e empatia!
NÃO adianta falar pra uma pessoa com depressão nenhuma das frases a seguir:
“você precisa se ajudar”; “você precisa sair de casa”; “você tem que se esforçar”; “você não é
mais a mesma”; “você tem que pensar positivo”; “você precisa levantar da cama”; “você deveria
sair um pouco”. Entre tantas outras similares.
O fato é: uma pessoa com depressão não precisa de um incentivador ou motivador emocional.
Ela sabe que deveria sair de casa, deveria sair da cama, se arrumar, comer, tomar banho,
enfim, fazer as coisas como sempre fez, mas a questão é que ela não consegue! É como se
ela tivesse “amarras” invisíveis. Independe da “força de vontade”. Porque muito provavelmente
ela não tenha mais força. Aliás, você acha mesmo que alguém escolhe ficar assim?
Depressão não é legal. Não é romântico. Não é preguiça e nem algo “da moda” (como eu já
ouvi pessoas falando).
Falas como as que eu citei acima, podem empurrar a pessoa mais pra baixo do que ela já está.
Você quer fazer com que ela se sinta mais impotente frente a própria vida ou quer mesmo
ajudar? Você está preocupado com ela ou só está frustrado por ela não corresponder às
expectativas que você tem sobre ela?
Ao invés de falar isso, mesmo que as suas intenções sejam ótimas, tente praticar a empatia.
Acolha, abrace, ouça. Pergunte como ela se sente. Ouça mais do que fale. Estenda a mão.
Ofereça ajuda e tente pensar com ela alternativas de ajuda.
O que eu acho fundamental? Psicoterapia. E em alguns casos, acredito na importância do
tratamento medicamentoso, em paralelo.
CONCLUSÃO
Cada caso é um caso. Cada ser é um ser. Não meça o outro pela sua própria perspectiva e
percepção. Tente enxergá-lo através do ângulo dele mesmo. Tente se colocar no lugar do
outro. Pratique a empatia!
Para ampliar a sua visão, sugiro também a leitura do meu ​artigo sobre suicídio.
Jóice Bruxel
Psicóloga CRP-08/25350
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