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18/03/2018 ConJur - Opinião: A indefinição de parâmetros para cálculo da CFEM-Consumo

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OPINIÃO

A indefinição de parâmetros para o cálculo


da CFEM-Consumo desde 1º de janeiro
18 de março de 2018, 16h54 Imprimir Enviar 11 0

Por Paula Azevedo de Castro, João Henrique de Carvalho Raso e Pedro


Henrique Garzon Ribas

Dentre as diversas modificações trazidas pela Medida Provisória 789/2017,


posteriormente convertida na Lei 13.540/2017, destaca-se aquela que
expressamente incluiu no texto da Lei 7.990/1989 o consumo do bem
mineral como momento de ocorrência do fato gerador da CFEM1 (hipótese
essa até então prevista apenas em ato infralegal).

Além de fixar a utilização do bem mineral como fato gerador da CFEM-


Consumo, a legislação definiu suas possíveis bases de cálculo: o preço
corrente do bem mineral ou o valor de referência, ambos a serem LEIA TAMBÉM
regulamentados pela ANM2. REGULARIZAÇÃO E FISCALIZAÇÃO
Michel Temer sanciona lei que cria a
Não bastando tal fato, tem-se ainda que a nova legislação trouxe também Agência Nacional de Mineração
uma norma de transição, que estipulou que, até o dia 31 de dezembro de
2017, a base de cálculo da CFEM nessa hipótese seria o valor de consumo3. CONSULTOR TRIBUTÁRIO
MP de royalties de mineração está
Noutras palavras, somente a partir de 1º de janeiro de 2018 as novas bases repleta de inconstitucionalidades
de cálculo da CFEM-Consumo (preço corrente do bem mineral ou seu valor
de referência) teriam eficácia para fins de cobrança pela União da aludida NOVO FÔLEGO
compensação financeira. MPs sobre Funrural, PDV e Código de
Mineração são renovadas
Todavia, o fato que merece especial atenção é que, por expressa
CONTAS À VISTA
determinação legal, a escolha por uma das possíveis bases de cálculo da
MP de revitalização da indústria
CFEM-Consumo deverá necessariamente ser feita por ato da própria Agência
mineral é apenas aumento da CFEM
Nacional de Mineração, o qual, por sua vez, deverá ser precedido de
consulta pública. Veja-se: OPINIÃO
Opinião: Mudar código minerário
“Art. 2º As alíquotas da Compensação Financeira pela Exploração de
com MP é decisão equivocada
Recursos Minerais (CFEM) serão aquelas constantes do Anexo desta Lei,
observado o limite de 4% (quatro por cento), e incidirão:
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(...)

II - no consumo, sobre a receita bruta calculada, considerado o preço Linkedin RSS Feed
corrente do bem mineral, ou de seu similar, no mercado local, regional,

https://www.conjur.com.br/2018-mar-18/opiniao-indefinicao-parametros-calculo-cfem-consumo 1/4
18/03/2018 ConJur - Opinião: A indefinição de parâmetros para cálculo da CFEM-Consumo

nacional ou internacional, conforme o caso, ou o valor de referência,


definido a partir do valor do produto final obtido após a conclusão do
respectivo processo de beneficiamento;

(...)

§ 10. Para fins da hipótese prevista no inciso II do caput deste artigo, ato
da entidade reguladora do setor de mineração, precedido de consulta
pública, estabelecerá, para cada bem mineral, se o critério será o preço
corrente no mercado local, regional, nacional ou internacional ou o valor
de referência”.

A leitura do enunciado destacado acima leva à seguinte compreensão: para


que seja feita a quantificação e cobrança do crédito de CFEM-Consumo, a
entidade reguladora do setor da mineração — a ANM — deverá determinar,
para cada bem mineral, qual o critério será utilizado para fins determinação
da base de cálculo da CFEM-Consumo (preço corrente ou valor de
referência). Trata-se de verdadeira condição de eficácia da norma contida
no inciso II do artigo 2º da Lei 8.001/1990, com redação dada pela Lei
13.540/2017.

Apesar da aludida regulamentação do tema ainda depender, primeiramente,


da conclusão da consulta pública aberta no último dia 1º, fato é que o
problema ora posto ainda se revela pendente de solução.

Ou seja, a ANM ainda não expediu a normativa que definirá, após essa
consulta pública, se o parâmetro para fins de cálculo da CFEM-Consumo será
o preço corrente (e qual será ele — local, regional, nacional ou
internacional), ou se o sujeito passivo da exação deverá valer-se do valor de
referência.

E não é só.

Em que pese a metodologia para apuração do valor de referência ter sido


estabelecida pelo Decreto 9.252/2017, em obediência ao disposto no
parágrafo 14 do artigo 2º da Lei 13.540/2017, também resta pendente a
definição sobre quais serão os valores que comporão as tabelas que servirão
de parâmetro para definição, por exemplo, dos fatores de ajustes
estabelecidos pelo Executivo4, o que também foi colocado em consulta
pública em 1º de março.

Em suma, desde 1º de janeiro de 2018, não há, por falta de regulamentação


da ANM, base de cálculo definida para fins de mensuração do valor a ser
pago a título de CFEM-Consumo. E, diante da incompletude da norma,
entendemos não ser possível a cobrança da exação sobre os fatos geradores
ocorridos nesse hiato.

De fato, se não existe a previsão normativa da base de cálculo da CFEM-


Consumo, não se pode exigir o recolhimento de qualquer valor nesse
período. Ademais, mesmo que venha uma regulamentação posterior, essa
jamais poderia retroagir, pelos princípios da legalidade, irretroatividade e
segurança jurídica.

Assim, entendemos que eventual pagamento da CFEM-Consumo, decorrente


de fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 2018 (com vencimento a
partir de março), enquanto pendente de regulamentação pela ANM, será
feito com base em parâmetros revogados ou sem fundamento legal.

1 Lei 13.5402017: “Art. 6º A exploração de recursos minerais ensejará o


recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos
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Minerais (CFEM), nos termos do § 1o art. 20 da Constituição Federal, por


ocasião: (...)
IV - do consumo de bem mineral”.
2 Lei 13.540/2017: “Art. 2º As alíquotas da Compensação Financeira pela
Exploração de Recursos Minerais (CFEM) serão aquelas constantes do Anexo
desta Lei, observado o limite de 4% (quatro por cento), e incidirão: (...)
II - no consumo, sobre a receita bruta calculada, considerado o preço
corrente do bem mineral, ou de seu similar, no mercado local, regional,
nacional ou internacional, conforme o caso, ou o valor de referência,
definido a partir do valor do produto final obtido após a conclusão do
respectivo processo de beneficiamento”.
3 Lei 13.540/2017: “Art. 4º Esta Lei entra em vigor: (...)
II - em 1º de janeiro de 2018, quanto às alterações efetuadas no inciso II do
caput e no § 9º do art. 2º da Lei no 8.001, de 13 de março de 1990, constantes
do art. 2º desta Lei”.
4 Lei 13.540/2017. § 14. Os valores de referência de que tratam os incisos II e
III do caput deste artigo serão definidos pela entidade reguladora do setor
de mineração a partir de metodologia estabelecida em decreto do Presidente
da República, de modo que jazida de maior teor da substância de interesse
implique aumento relativo do valor de referência.
Decreto 9.252/2017: “Art. 2º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se:
I - valor de produção - soma das despesas operacionais e administrativas,
diretas e indiretas, incorridas até a última etapa de beneficiamento do bem
mineral; e
II - fator de ajuste - índice estabelecido por meio de ato da entidade
reguladora do setor mineração, por meio de tabela, para cada substância
mineral.
(...)
Art. 5º O índice de enriquecimento será calculado, para as hipóteses
previstas no art. 3º, com o objetivo de identificar o fator de ajuste nas
tabelas a serem publicadas em ato normativo da entidade reguladora do
setor de mineração”.

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Paula Azevedo de Castro é advogada, membro da Comissão de Direito Minerário da OAB-


MG, especializada em Direito Minerário, Ambiental, Administrativo, Regulatório e
Empresarial, especialista em Regime Jurídico dos Recursos Minerais pela Faculdade de
Direito Milton Campos, MBA em Direito da Empresa e da Economia pela FGV e MBA
Executivo Internacional pela Ohio University.

João Henrique de Carvalho Raso é advogado, membro da Comissão de Direito Minerário da


OAB-MG, especializado em Direito Minerário, Processual Civil e Administrativo/Regulatório
e especialista em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral – FDC.

Pedro Henrique Garzon Ribas é sócio do escritório Maneira Advogados, professor e


coordenador de Curso de Especialização em Direito Tributário e Aduaneiro da PUC-Minas e
mestrando em Direito Tributário pela USP.

Revista Consultor Jurídico, 18 de março de 2018, 16h54

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