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Língua Portuguesa 3

Literatura Colonial

Capítulo 1
01. d) ( )
Classifique as cantigas abaixo, usando o código: Pero Rodriguez, da vossa molher
I. de amor III. de escárnio
II. de amigo IV. de maldizer non creades mal que vos ome diga,
a) ( ) ca entend’eu dela que ben vos quer
e quem end’al disser, dirá nemiga (1);
Pela ribeira do riso salido (1)
e direi-vos em que lhe entendi:
trebelhei (2), madre, con meu amigo:
amor ei migo, que non ouvesse; (3) en outro dia, quando a fodi,
fiz por amigo que non fezesse! (4) mostrou-xi-mi muito por voss’amiga.
Pela ribeira do rio levado Martim Soares
trebelhei, madre, com meu amado:
Vocabulário: 1. mentiras, falsidades.
amor ei migo, que non ouvesse,
fiz por amigo que non fezesse!
Leia o texto a seguir e responda à questão 02.
João Zorro
Vocabulário Ai, madre, bem vos digo:
1. “Pela margem onde corre o rio”; mentiu-mh o meu amigo:
2. “brinquei”;
3. “Antes não tivesse tanto amor comigo”; sanhuda lh’and’eu’.
4. “Fiz pelo meu amigo o que não devia ter feito”. Do que mh-ouve jurado,
b) ( ) pois mentiu per seu grado,
Ua donzela coitado sanhuda lh’and’eu’.
d’amor por si me fez andar;
e en sas feituras falar Non foi u ir avia.
quero eu, come namorado: mais bem des aquel dia
rostr’agudo como foron, sanhuda lh’and’eu’.
barva no queix’eno granhon (1),
e o ventre grand’e inchado. Non é de mi partido,
Sobrancelhas mesturadas, mais por que mh-á mentido,
grandes e mui cabeludas,
sanhuda lh’and’eu’.
Sobre-los olhos merjudas;
In: PINA, Julieta Moreno. O tempo e a palavra.
e as tetas pendoradas
Porto, Portugal: Areal editores, 1991, p.33.
e mui grandes, per boa fé;
a un palm’ e meio no pé
Vocabulário
e no cós três polegadas.
Pero Viviães
Madre: mãe
Vocabulário: 1. bigode Sanhuda lh’and’eu’: ando zangada com ele
c) ( ) Mentiu per seu grado: mentiu porque o quis fazer
Que razon cuidades vós, mia senhor, Non foi u ir avia: não foi aonde havia de ir
dar a Deus, quand’ant’El fordes, por mi, Non é de mi partido: não rompi (o relacionamento)
que matades, que vos non mereci com ele
outro mal se non que vos ei amor,
02.
aquel maior que vol’ eu poss’aver;
O paralelismo é um recurso muito utilizado no gênero
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ou que salva (1) lhi cuidades fazer lírico de várias épocas e consiste na repetição de ver-
da mia morte, pois per vós morto for? sos ou na correspondência de construções sintáticas.
D. Dinis Transcreva da cantiga os versos que utilizam esse
Vocabulário: 1. desculpa recurso e justifique essa utilização.
49
03. Unifesp 05.
Leia a cantiga seguinte, de Joan Garcia de Guilhade. Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo
Un cavalo non comeu E ai Deus, se verrá cedo!
á seis meses nen s’ergueu
mais prougu’a Deus que choveu, Ondas do mar levado,
creceu a erva, se vistes meu amado!
e per cabo si paceu, E ai Deus, se verrá cedo!
e já se leva!
Se vistes meu amigo,
O porque eu sospiro!
Seu dono non lhi buscou E ai Deus, se verrá cedo!
cevada neno ferrou:
mai-lo bon tempo tornou, Se vistes meu amado
creceu a erva, porque ei gran cuidado!
e paceu, e arriçou, E ai Deus, se verrá cedo!
Martim Codax
e já se leva!
Cossante
Seu dono non lhi quis dar Ondas da praia onde vos vi,
cevada, neno ferrar; Olhos verdes sem dó de mim,
mais, cabo dum lamaçal Ai avatlântica!
creceu a erva,
e paceu, e arriç’ar, Ondas da praia onde morais,
Olhos verdes intersexuais.
e já se leva!
Ai avatlântica!
CD Cantigas from the Court of Dom Dinis. harmonia mundi usa, 1995.

A leitura permite afirmar que se trata de uma cantiga de: Olhos verdes sem dó de mim,
Olhos verdes, de ondas sem fim,
a) escárnio, em que se critica a atitude do dono do
Ai avatlântica!
cavalo, que dele não cuidara, mas, graças ao bom
tempo e à chuva, o mato cresceu e o animal pôde
Olhos verdes, de ondas sem fim,
recuperar-se sozinho.
Por quem jurei de vos possuir,
b) amor, em que se mostra o amor de Deus com o Ai avatlântica!
cavalo que, abandonado pelo dono, comeu a erva
que cresceu graças à chuva e ao bom tempo. Olhos verdes sem lei nem rei
c) escárnio, na qual se conta a divertida história do Por quem juro vos esquecer,
cavalo que, graças ao bom tempo e à chuva, ali- Ai avatlântica!
mentou-se, recuperou-se e pôde, então, fugir do In Estrela da vida inteira, José Olympio/ INL, 1970.
dono que o maltratava. Manuel Bandeira
d) amigo, em que se mostra que o dono do cavalo Aponte semelhanças entre a cantiga de Martim Codax
não lhe buscou cevada nem o ferrou por causa do e o poema do poeta modernista Manuel Bandeira.
mau tempo e da chuva que Deus mandou, mas
mesmo assim o cavalo pôde recuperar-se. 06.
e) maldizer, satirizando a atitude do dono que ferrou o I. ( )
cavalo, mas esqueceu-se de alimentá-lo, deixando- Rui Queimado morreu com amor
o entregue à própria sorte para obter alimento. em seus cantares, par Sancta Maria,
04. Mackenzie-SP por a dona que gran ben queria,
Sobre a poesia trovadoresca em Portugal, é incorreto e, por se meter por mais trovador,
afirmar que: porque lh’ela non quis [o] ben fazer,
a) refletiu o pensamento da época, marcada pelo fez-s’el en seus cantares morrer,
teocentrismo, o feudalismo e valores altamente mas ressurgiu depois ao tercer dia!
moralistas.
b) representou um claro apelo popular à arte, que Esto fez el por ua sa senhor
passou a ser representada por setores mais baixos que quer gran ben, e mais vos en diria:
da sociedade. porque cuida que faz i maestria,
c) pode ser dividida em lírica e satírica. enos cantares que fez a sabor
d) em boa parte de sua realização, teve influência de morrer i e desi d’ar viver;
provençal. esto faz el que x’o pode fazer,
e) as cantigas de amigo, apesar de escritas por mas outro’omem per ren non [n] o faria. (...)
trovadores, expressam o eu lírico feminino. P. Garcia Burgalês
50
II. ( ) 07.
En gran coita, senhor, Uma das afirmativas abaixo, feitas sobre os romances
que pelor que mort’ é, de cavalaria, não está correta nem pode ser justificada
em hipótese nenhuma. Qual é ela?
vivo, per bõa fé,
a) A Demanda do Santo Graal pertence ao ciclo de
e polo vosso amor Carlos Magno e aos doze pares de França.
esta coita sofr’eu b) Não se sabe quem é o autor do Amadis de Gaula,
por vés, senhor, que eu romance datado do início do século XVI.
vi pelo meu gran mal c) Um dos importantes ciclos de cavalaria é o do rei
D. Dinis
Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda.
d) Os romances de cavalaria têm sua origem nas can-
III. ( ) ções de gesta (poemas com temas guerreiros).
Vaiamos, irmã, vaiamos dormir e) A penetração do romance de cavalaria em Portugal
aconteceu no século XIII, durante o reinado de
nas ribas do lago, u eu andar vi Afonso III.
a las aves meu amigo.
08.
Vaiamos, irmã, vaiamos folgar
A Sant’lag’en romaria ven
nas ribas do lago, eu vi andar
el-rei, madr’, e praz-me (1) de coraçon
a las aves meu amigo por duas cousas, se Deus me perdon,
Fernando Esguio
eu que tenho que me faz Deus gran ben:
ca vere’i (2) el’rei nunca vi
IV. ( ) e meu amigo, que ven con el i.
Ua donzela coitado Vocabulário: 1. me dá prazer; 2. aí

d’amor por si me faz andar,


Através das cantigas trovadorescas, podemos conhe-
e en sas feituras falar cer muita coisa sobre a Idade Média. Sobre a estrofe
quero eu, come namorado: acima, responda:
rostr’agudo como foron, a) A que fato comum da Idade Média ela faz referên-
barva no queix’e eno granhon, cia?

e o ventre grand’e inchado. b) Qual a importância de tal fato para a compreensão


da sociedade medieval?

Sobrancelhas mesturadas, 09. UniCOC-SP


grandes e mui cabeludas, Ondas do mar de Vigo,
sobre-los olhos merjudas; Se vistes meu amigo!
e as tetas pendoradas E ai, Deus, se verrá cedo!
e mui grandes, por boa fé;
a un palm’e meio no pé Ondas do mar levado,
Se vistes meu amado!
e nos cós três polegadas.
E ai, Deus, se verrá cedo!
Pero Viviães

Se vistes meu amigo,


V. ( )
O por que eu sospiro!
Pero eu dizer quysesse, E ai, Deus, se verrá cedo!
creo que non saberia
dizer, nen er poderia, Se vistes meu amigo,
per poder que eu ouvesse Poer que hei gran cuidado!
a coyta que o coytado E ai, Deus, se verrá cedo!
Martim Codax
sofre que é namorado,
nen er sey quen mh-o crevesse. Com relação ao texto, é incorreto dizer que:
D. Dinis a) justifica a presença de recursos estilísticos que
Relacione: contribuem para o caráter musical do poema o
a) Cantiga de amor fato de, no contexto em que ele foi produzido, a
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b) Cantiga de amigo literatura ser veiculada literalmente.


c) Cantiga de escárnio b) a musicalidade do texto é adequada, estilistica-
d) Cantiga de maldizer mente, à expressão de conteúdos emotivos.
51
c) sua musicalidade advém apenas da regularidade 13.
das rimas emparelhadas e da presença do re- Leia atentamente o poema abaixo. Trata-se de uma
frão. homenagem que o poeta modernista Manuel Bandeira
d) pertence ao gênero lírico. (1886-1968) presta ao Trovadorismo.
e) pertence a um estilo de época vinculado, ideolo-
gicamente, ao teocentrismo. Mha senhor, com’oje dia son,
Atan cuitad’e sen cor assi!
10.
São características da cantiga de amigo: E par Deus non sei que farei i,
a) amor platônico e sentimento feminino. Ca non dormho á mui gran sazon.
b) amor cortês e queixa da ausência do amado. Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
c) amor de mulher e sentimento espontâneo. Meu coraçon non sei o que ten.
d) queixas do poeta e diversificação de assuntos. Noit’e dia no meu coraçon
11. Nulha ren se non a morte vi,
Assinale a alternativa incorreta. E pois tal coita non mereci,
a) Na cantiga de amor, encontramos a purificação do Moir’eu logo, se Deus mi perdon.
apelo erótico, isto é, a idealização do amor.
Mha senhor, ai meu lum’e meu ben,
b) Na cantiga de amigo, o “eu lírico” é feminino e canta
a saudade do amigo (namorado) que partiu. Meu coraçon non sei o que ten.
c) A cantiga de maldizer utiliza muitas vezes o ero- Aponte no poema elementos formais e temáticos
tismo. que caracterizem o texto como uma referência ao
d) A cantiga de escárnio é uma sátira direta e de Trovadorismo.
humor picante.
14.
12. Unicamp-SP
Senhor, quando vos vi
Texto I
e que fui vosco falar,
Noutro dia, quando m’eu espedi (1)
sabed’agora per mi
de mia senhor, e quando mi’houv’a ir (2)
e me non falou foi que non morri, que tanto fui desejar
que, se mil vezes podesse morrer, vosso ben; e pois é si,
meor (3) coita me fora de sofrer! que pouco posso duar,
e moiro-m’assi de chan;
Vocabulário: 1. despedi; 2. tive de ir; 3. menor.
porque mi fazedes mal,
Texto II
Toda gente homenageia e de vós non ar ei al,
Januária na janela mia morte tenho na man.
Até o mar faz maré cheia D. Dinis
Pra chegar mais perto dela
O pessoal desce na areia Quais são os indícios que nos permitem classificar a
E batuca por aquela cantiga anterior como de amor?
Que, malvada, se penteia 15. Mackenzie-SP
E nem escuta quem apela. Assinale a alternativa incorreta a respeito do Trova-
dorismo em Portugal.
Os dois textos lidos são bastante separados no tempo.
a) Nas cantigas de amigo, o trovador escreve o po-
O primeiro foi escrito por um nobre, D. João Soares
ema do ponto de vista feminino.
Coelho, trovador de grande produção que viveu no
século XIII, em Portugal. O segundo é uma letra de b) Nas cantigas de amor, há o reflexo do relaciona-
música escrita pelo compositor brasileiro contemporâ- mento entre senhor e vassalo na sociedade feudal:
neo Chico Buarque de Hollanda. Apesar da distância, distância e extrema submissão.
ambos os textos abordam uma mesma postura da c) A influência dos trovadores provençais é nítida nas
amada a que se referem. cantigas de amor galego-portuguesas.
a) Que postura é essa? d) Durante o Trovadorismo, ocorreu a separação
b) Aponte os versos em que a postura se evidencia, entre a poesia e a música.
em cada um dos textos. e) Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em
c) Qual o efeito dessa postura, para o trovador, no livros ou coletâneas que receberam o nome de
texto I? cancioneiros.
52
16. 17.
Queixa No mundo non me sei parelha(1)
Um amor assim delicado mentre(2) me for como me vai,
Você pega e despreza ca já moiro por vós – e ai,
Não o devia ter despertado
mia senhor branca e vermelha,
Ajoelha e não reza
Dessa coisa que mete medo queredes que vos retraia(3)
Pela sua grandeza quando vos eu vi en saia!
Não sou o único culpado Mau dia me levantei
Disso eu tenho a certeza
que vos enton non vi fea!
Princesa
Surpresa E, mia senhor, des aquel dia, ai,
Você me arrasou me foi a mi mui mal,
Serpente e vós, filha de don Paai
Nem sente que me envenenou
Moniz, e ben vos semelha(4)
Senhora, e agora
Me diga onde eu vou d’haver eu por vós guarvaia(5)
Senhora pois eu, mia senhor, d’alfaia
Serpente nunca de vós houve nen hei
Princesa
Um amor assim delicado valia dua correa.(6)
Nenhum homem daria Vocabulário: 1. igual; 2. enquanto; 3. retrate; 4. bem
Talvez tenha sido pecado vos parece; 5. roupa luxuosa; 6. coisa sem valor.
Apostar na alegria
Você pensa que eu tenho tudo Esta é a primeira cantiga medieval portuguesa de que
E vazio me deixa se tem notícia. Sua classificação não é tão simples
Mas Deus não quer quanto possa parecer em uma primeira leitura.
Que eu fique mudo a) Quais são os argumentos que podem ser usados
E eu te grito essa queixa para defender a hipótese de se tratar de uma
Um amor assim violento cantiga de amor?
Quando torna-se mágoa b) Que outro tipo de classificação ela pode ter? Jus-
tifique sua resposta.
É o avesso de um sentimento
Oceano sem água
18.
Ondas: desejos de vingança
Don Meendo, vós veestes
Nessa desnatureza
Batem forte sem esperança falar migo noutro dia;
Contra a tua dureza e na fala que fezestes
Princesa perdi eu do que tragia.
Surpresa
Ar(1) querredes falar migo
Você me arrasou
Serpente e non querrei eu, amigo.
Nem sente que me envenenou Vocabulário: 1. novamente.
Senhora, e agora
a) A cantiga anterior é de escárnio ou de maldizer?
Me diga onde eu vou
Justifique sua resposta.
Senhora
Serpente b) Qual a crítica que o autor faz ao satirizado?
Princesa
19. Vunesp
Princesa
Surpresa Estava a formosa seu fio torcendo
Você me arrasou Paráfrase de Cleonice Berardinelli
Serpente Estava a formosa seu fio torcendo
Nem sente que me envenenou Sua voz harmoniosa, suave dizendo
Senhora, e agora Cantigas de amigo.
Me diga onde eu vou
Amiga
Estava a formosa sentada, bordando,
Me diga
Sua voz harmoniosa, suave cantando
VELOSO, Caetano: In Cores, nomes. LP Polygram nº. 6328381, 1982.
Cantigas de amigo
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A cultura trovadoresca deixou claras influências na


cultura de língua portuguesa. Aponte na canção dada – Por Jesus, senhora, vejo que sofreis
características que a aproximem de uma das cantigas De amor infeliz, pois tão bem dizeis
trovadorescas. Cantigas de amigo.
53
Por Jesus, senhora, eu vejo que andais (...) Entre os lugares a que seu recado chegou foi a
Com penas de amor, pois tão bem cantais cidade do Porto, onde suas cartas não foram ouvidas
Cantigas de amigo. em vão. Mas, como foram vistas, com o coração, muito
prestes logo se ajuntaram todos, especialmente o povo
– Abutre comestes, pois que adivinhais miúdo, que alguns outros dessa comunal gente, duvi-
In: Cantigas de trovadores medievais em português moderno. dando, receavam muito de poer em tal feito mão.
Rio de Janeiro. Org. Simões, 1953.
Então aqueles que chamavam arraia miúda disseram a
um, por nome chamado Álvaro da Veiga, que levasse a
I. O paralelismo é um dos recursos estilísticos mais
bandeira pela vila, em voz e nome do Mestre de Avis;
comuns na poesia lírico-amorosa trovadoresca.
e ele refusou de a levar, mostrando que o não devia
Consiste na ênfase de uma idéia central, às vezes
de fazer, o qual logo foi chamado traidor, que era da
repetindo expressões idênticas, palavra por pala-
parte da Rainha, dando-lhe tantas cutiladas, e assim de
vra, em séries de estrofes paralelas. A partir dessas
vontade, que era sobeja cousa de ver. Este morto, não
observações, responda às questões abaixo.
se fez mais naquele dia; mas juntaram-se todos o outro
a) O poema se estrutura em quantas séries de estro- seguinte, com sua bandeira tendida, na Praça, tendo
fes paralelas? Identifique-as. ordenado que a levasse um bom homem do lugar,
b) Que idéias centrais são enfatizadas em cada série que chamavam Afonso Anes Pateiro: e, se a levar não
paralelística? quisesse, que o matassem logo, como o outro.
Afonso Anes soube desta parte, por alguns deles que
II. Considerando-se que o último verso da cantiga eram seus amigos, e bem cedo pela manhã, primeiro que
caracteriza um diálogo entre personagens; consi- o convidassem pera tal obra, foi-se à praça da cidade,
derando-se ainda que a palavra abutre grafava-se onde já todos eram juntos pera a trazer pelo lugar, e
avuytor, em português arcaico, e considerando-se antes que lhe nenhum dissesse que a levasse, deitou ele
que, de acordo com a tradição popular da época, mão da bandeira, dizendo ele altas vozes, que o ouviram
era possível fazer previsões e descobrir o que está todos: Portugal, Portugal, pelo Mestre de Avis! (...)
oculto, comendo carne de abutre, mediante essas
três considerações: 21.
a) identifique a personagem que se expressa em O registro da ação popular revela-nos um Fernão
discurso direto, no último verso do poema; Lopes:
a) medieval. d) humanista.
b) interprete o significado do último verso, no contexto
b) regiocêntrico. e) satírico.
do poema.
c) lírico.
20.
22.
Leia o texto a seguir e indique as diferenças e as
O trecho lido é teocêntrico ou antropocêntrico? Jus-
semelhanças entre este texto e as cantigas de amor
tifique.
e de amigo.
Cantiga sua partindo-se 23.
João Ruiz de Castelo Branco Após a leitura do texto anterior, responda às questões
Senhora, partem tão tristes a seguir.
meus olhos por vós, meu bem, a) Que característica de Fernão Lopes é evidenciada
que nunca tão tristes vistes no texto?
outros nenhuns por ninguém. b) O texto lido pode ser caracterizado como teocên-
trico ou antropocêntrico? Justifique.
Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida, 24. Vunesp
tão cansados, tão chorosos, Então se despediu da Rainha, e tomou o Conde pela
da morte mais desejosos mão, e saíram ambos da câmara a uma grande casa que
era diante, e os do Mestre todos com ele, e Rui Pereira e
cem mil vezes que da vida.
Lourenço Martins mais acerca. E chegando-se o Mestre
com o Conde acerca duma fresta, sentiram os seus que
Partem tão tristes os tristes, o Mestre lhe começava a falar passo, e estiveram todos
tão fora d’esperar bem, quedos. E as palavras foram entre eles tão poucas, e tão
que nunca tão tristes vistes baixo ditas, que nenhum por então entendeu quejandas
outros nenhuns por ninguém. eram. Porém afirmam que foram desta guisa:
– Conde, eu me maravilho muito de vós serdes homem
In S. Spina. Presença da literatura portuguesa. a que eu bem queria, e trabalhardes-vos de minha
São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1969. desonra e morte!
– Eu, Senhor? disse ele. Quem vos tal cousa disse,
Texto para as questões de 21 a 23. mentiu-vos mui grã mentira.
O trecho a seguir pertence a uma das crônicas de O Mestre, que mais tinha vontade de o matar, que
Fernão Lopes. Nele, D. João, Mestre de Avis, sabendo de estar com ele em razões, tirou logo um cutelo
que Castela estava prestes a invadir Portugal (Revolu- comprido e enviou-lhe um golpe à cabeça; porém
ção de Avis), manda recados a cidades e aldeias, no não foi a ferida tamanha que dela morrera, se mais
sentido de que o povo o ajude a defender a terra. não houvera.
54
Os outros todos, que estavam de arredor, quando viram 27. Mackenzie-SP
isto, lançaram logo as espadas fora, para lhe dar; e Marque a alternativa incorreta a respeito do Huma-
ele movendo para se acolher à câmara da Rainha, nismo.
com aquela ferida; e Rui Pereira, que era mais acerca,
a) Época de transição entre a Idade Média e o Re-
meteu um estoque de armas por ele, de que logo caiu
em terra, morto. nascimento.
Os outros quiseram-lhe dar mais feridas, e o Mestre b) O teocentrismo cede lugar ao antropocentrismo.
disse que estivessem quedos, e nenhum foi ousado c) Fernão Lopes é o grande cronista da época.
de lhe mais dar. d) Garcia de Resende coletou as poesias da época,
O texto transcrito anteriormente é de Fernão Lopes e publicadas em 1516 com o nome de Cancioneiro
pertence à Crônica de D. João I. As crônicas de Fernão geral.
Lopes caracterizam-se por tentarem reproduzir a ver- e) A Farsa de Inês Pereira é a obra de Gil Vicente cujo
dade histórica como se esta tivesse sido testemunha- assunto é religioso, desprovido de crítica social.
da. Por outro lado, é com Fernão Lopes que a língua
portuguesa inicia o percurso da sua modernidade. 28. Unicamp-SP
Nestes termos, assinale, nas alternativas a seguir Leia com atenção os fragmentos de poemas trans-
indicadas, a que melhor caracteriza o trecho transcrito critos abaixo.
da Crônica de D. João I. Fragmento 1
a) Narração realista e dinâmica que quase nos faz
visualizar os acontecimentos. Trova à maneira antiga
b) Fidelidade absoluta aos acontecimentos históricos. Francisco de Sá de Miranda, 1595
c) Utilização de uma linguagem elevada, de acordo Comigo me desavim,
com a reprodução dos fatos históricos. Sou posto em todo perigo;
d) Preocupação em mencionar os nomes de todas não posso viver comigo
as pessoas presentes à morte do Conde. nem posso fugir de mim.
e) Exaltação do feito heróico do Mestre ao matar o (...)
inimigo do Reino. Que meio espero ou que fim
do vão trabalho que sigo,
25. pois que trago a mim comigo,
Apesar das diferenças entre os dois estilos, alguns tamanho imigo de mim?
temas permanecem sendo explorados na poesia do (imigo = inimigo)
Humanismo. Leia os dois textos a seguir (o texto I é
Fragmento 2
uma cantiga de amor e o texto II é uma poesia palacia-
na) e aponte a semelhança temática entre eles. Dispersão
Mário de Sá-Carneiro, 1913
Texto I
Perdi-me dentro de mim
Ir-vos queredes, mia Senhor, Porque eu era labirinto,
e fiqu’end’(1) eu con gran pesar, E hoje, quando me sinto,
que nunca soube ren(2) amar É com saudades de mim.
(...)
ergo(3) vós, dês quando vos vi.
E sinto que a minha morte –
E pois que vos ides d’aqui, Minha dispersão total –
senhor fremosa, que farei? Existe lá longe, ao norte,
Nuno Fernandes Torneol Numa grande capital.
Vocabulário: 1. por isso; 2. outra coisa; 3. exceto.
Ambos os poemas tratam do tema das relações do eu
Texto II consigo mesmo, mas desenvolvem-no de maneira dife-
rente. Exponha em que consiste esse desenvolvimento
Ó meu bem, pois te partiste diferenciado do tema, em cada poema.
dante meus olhos, coitado,
os ledos me farão triste, 29. UEL-PR
Não queiras ser tão senhora:
os tristes desesperado.
casa, filha, e aproveite;
Diogo de Miranda
não percas a ocasião.
26. Queres casar por prazer
No tempo de agora, Inês?
Segundo é fama, el-rei de Castela trazia até cinco mil
homens de lança (...) e muitos bons besteiros, que (...)
eram bem seis mil, segundo escrevem alguns. sempre eu ouvi dizer:
Fernão Lopes, Crônicas d’EI-Rei D. João, 1ª parte Ou seja sapo ou sapinho,
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ou marido ou maridinho,
Conforme podemos depreender do texto acima, Fernão
tenha o que houver posses
Lopes tinha especial interesse pela pesquisa histórica.
Qual o significado desse interesse, no contexto do Este é o certo caminho.
Humanismo? VICENTE, Gil. Farsa de Inês Pereira. São Paulo: SENAC, 1996. p. 82.
55
Com base nessas palavras e nos conhecimentos sobre e) As duas obras apresentam estrutura de auto; assi-
o Humanismo, é correto afirmar: milam, portanto, tradições populares e constroem
a realidade por meio da crítica. Como autos, são
a) O Humanismo procura retratar a realidade de
forma ingênua, revelando uma visão idealizada representações teatrais que contêm vários atos.
do mundo expressa pelo verso “casa, filha, e
32. Fuvest-SP
aproveite”.
Considere as seguintes afirmações sobre o Auto da
b) O fragmento citado trata o casamento como resul- barca do inferno, de Gil Vicente:
tado de um envolvimento amoroso pleno. I. O auto atinge seu clímax na cena do Fidalgo, per-
c) A leitura do fragmento confirma que o Humanismo, sonagem que reúne em si os vícios das diferentes
embora dirigido a um público palaciano, adota categorias sociais anteriormente representadas.
alguns padrões do discurso popular, como se II. A descontinuidade das cenas é coerente com o
observa nos quatro últimos versos. caráter didático do auto, pois facilita o distancia-
d) O verso “Este é o certo caminho” indica o predo- mento do espectador.
mínio de uma visão idílica e idealizada em grande III. A caricatura dos tipos sociais presentes no auto
parte do discurso humanista. não é gratuita nem artificial, mas resulta da acen-
tuação de traços típicos.
e) O olhar humanista, no fragmento citado, imprime Está correto apenas o que se afirma em:
à união conjugal uma motivação sentimental. Tal
a) I d) I e II
postura suplanta o lirismo amoroso presente em
algumas cantigas trovadorescas. b) II e) I e III
c) II e III
30. Mackenzie-SP
33. Mackenzie-SP
Gil Vicente, autor representativo do Humanismo em
Portugal, (1) revela-nos, em sua obra lírica, (2) uma Ninguém:
ambivalência típica desse período: (3) de um lado, a Tu estás a fim de quê?
ideologia teocêntrica do mundo medieval; (4) de outro,
influenciado pelo antropocentrismo emergente, (5) é o Todo Mundo:
A fim de coisas buscar
analista mordaz da sociedade portuguesa do século
que não consigo topar.
XVI. É essa ambivalência que o situa como autor de Mas não desisto,
transição: (6) entre o Humanismo e o antropocentris- porque o cara tem de teimar.
mo. (7) Dos fragmentos destacados:
a) todos estão corretos. Ninguém:
Me diz teu nome primeiro.
b) todos estão incorretos.
c) apenas 4 e 5 estão incorretos. Todo Mundo:
d) apenas 2 e 7 estão incorretos. Eu me chamo Todo Mundo
e passo o dia e o ano inteiro
e) apenas 2, 5 e 7 estão incorretos.
Correndo atrás de dinheiro,
31. PUC–SP seja limpo ou seja imundo.
Esta questão refere-se às obras Auto da barca do in-
Belzebu:
ferno, de Gil Vicente, e Morte e vida severina (auto de
Vale a pena dar ciência
natal pernambucano), de João Cabral de Melo Neto.
e anotar isto bem,
Leia as alternativas a seguir e assinale a correta. Por ser fato verdadeiro:
a) As duas obras apresentam uma crítica à sociedade que Ninguém tem consciência,
de suas épocas: a de Gil Vicente, a partir das almas E Todo Mundo, dinheiro.
que representam classes sociais e profissionais de
Portugal, a de João Cabral, a partir de personagens No trecho, Carlos Drummond de Andrade reconstruiu,
representativas de tipos sociais do Nordeste. com nova linguagem, parte de um texto de importante
b) As duas obras apresentam construções poéticas dramaturgo da língua portuguesa.
diametralmente opostas, uma vez que uma empre- Trata-se de:
ga o verso decassílabo e a outra, a redondilha. a) Gil Vicente. d) Sá de Miranda.
c) As duas obras apresentam aspectos em comum, b) Dom Diniz. e) Fernão Lopes.
como o julgamento e a condenação, isto é, em am- c) Luís Vaz de Camões.
bas, as personagens são julgadas e condenadas
após a morte. 34. Fuvest-SP
d) As duas obras apresentam o julgamento ocorrendo Indique a afirmação correta sobre o Auto da barca do
na consciência de cada personagem. Entretanto, a inferno, de Gil Vicente.
execução da justiça, em Auto da barca do inferno, a) É intrincada a estruturação de suas cenas, que
é somente realizada pelo Diabo, e, em Morte e vida surpreendem o público com o inesperado de cada
severina, pela miserabilidade da vida. situação.
56
b) O moralismo vicentino localiza os vícios não nas insti- 38. UniCOC-SP
tuições, mas nos indivíduos que as fazem viciosas. Considere as seguintes asserções sobre o teatro de
c) É complexa a crítica aos costumes da época, já Gil Vicente.
que o autor é o primeiro a relativizar a distinção I. Autos pastoris, autos de moralidade e farsas são
entre o Bem e o Mal. gêneros cultivados pelo autor.
d) A ênfase desta sátira recai sobre as personagens II. O espírito crítico do teatro vicentino não poupa o
populares, as mais ridicularizadas e as mais se- clero corrupto, que é ridicularizado.
veramente punidas.
III. As personagens do autor representam tipos so-
e) A sátira é aqui demolidora e indiscriminada, não fazen- ciais como alcoviteiras, velhos ridículos, maridos
do referência a qualquer exemplo de valor positivo. ingênuos, nobres pedantes, entre outros.

35. Unitau-SP Deve-se firmar que:


Em relação a Gil Vicente, é incorreto dizer que: a) I, II e III estão corretas.
a) recebeu, no início de sua intensa atividade literária, b) apenas I e III estão corretas.
influência de Juan del Encina. c) apenas II e III estão corretas.
b) sua primeira produção teatral foi Auto dos Reis d) apenas I e II estão corretas.
Magos. e) apenas II está correta.
c) suas obras se caracterizaram, antes de tudo, por
serem primitivas e populares. 39.
d) suas obras surgiram para entretenimento nos (...) Vêm quatro cavaleiros cantando. Trazem, cada
ambientes da corte portuguesa. um, a cruz de Cristo, por quem a mais por sua santa
fé católica morreram em poder dos mouros.
e) seu teatro caracterizou-se por observações satíri-
cas às camadas sociais da época. Diabo Cavaleiros, vós passais
e não perguntais onde is?
36. PUC-SP
Ainda sobre a peça O Velho da horta, considerando o Cavaleiro Vós, satanás, presumis?
texto como um todo, é correto afirmar-se que: Atentai com quem falais!
a) a reza do “Pai Nosso” que inicia a peça, prepara o
leitor para o desenvolvimento de um texto funda- Outro cavaleiro Vós que nos demandais?
mentalmente religioso, confirmado, inclusive, pela siquer conhece-nos bem.
ladainha proferida pela alcoviteira. Morremos das partes d’além,
b) o velho relaciona-se, ao longo da peça, com quatro E não queiras saber mais.
mulheres, das quais uma é a moça por quem se
apaixona e com quem, correspondido, acaba se Diabo Entrai cá! Que coisa é essa?
casando. Eu não posso entender isso!
c) a farsa tem como argumento a paixão de um velho
Cavaleiro Quem morre por Jesus Cristo
por uma moça de muito bom parecer, por causa
não vai em tal barca como esta!
dela (e por via de uma alcoviteira) acaba gastando
toda a sua fortuna.
Tornam a proseguir, cantando, seu caminho direto à
d) o texto se organiza a partir de uma estrutura ver- barca da Glória, e tanto que chegam, diz o Anjo:
sificatória que revela ritmo poético, marcado por Anjo Ó cavaleiros de Deus,
versos livres e por ausência de esquema rímico. a vós estou esperando,
e) o diálogo estabelecido entre o velho e a moça cria que morrestes pelejando
condições para o arrebatamento amoroso de am- por Cristo Senhor dos céus!
bos e revela ausência de ironia e de menosprezo Sois livre de todo o mal,
de qualquer natureza. santos por certo sem falha,
que quem morre em tal batalha
37. UniCOC-SP merece paz eternal.
Na Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente: E assi embarcam.
a) retoma a análise do amor do velho apaixonado,
Considerando a leitura feita, responda ao que se
desenvolvida em O Velho da horta.
pede:
b) mostra a humilhação da jovem que não pode esco- a) De que peça teatral de Gil Vicente foi extraído o
lher seu marido, tema de várias peças desse autor. trecho acima?
c) descreve a revolta de uma jovem confinada aos b) Por que se pode dizer que Gil Vicente, nessa
serviços domésticos. passagem, assume atitude medieval?
d) conta a história de uma jovem que assassina o 40.
PV2D-07-POR-34

marido para se livrar dos maus-tratos. Leia atentamente o trecho a seguir, da peça Auto da
e) aponta, quando Lianor narra as ações do clérigo, barca do inferno, de Gil Vicente. Nele, o personagem
uma solução religiosa para a decadência moral de Parvo reage ao convite do Diabo para que entre na
seu tempo. barca que o conduziria ao inferno.
57
PARVO Ao Inferno, em hora-má?! 43.
Hiu! Hiu! Barca do cornudo, Em 1531, um terremoto abalou Portugal. Alguns frades de
(...) Santarém interpretaram o fato de tal forma que desconten-
Entrecosto de carrapato! tou o dramaturgo Gil Vicente. Ele então resolveu escrever
Hiu! Hiu! Caga no sapato, uma carta ao rei D. João III, narrando o fato e mostrando
Filho da grande aleivosa! sua posição. Segue-se o trecho inicial da carta:
Tua mulher é tinhosa Os frades de cá não me contentaram, nem em
púlpito, nem em prática, sobre esta tormenta da terra
e há de parir um sapo
que ora passou; porque não bastava o espanto da
metido num guardanapo,
gente, mais ainda eles lhes afirmavam duas cousas,
neto de cagarrinhosa! que os mais fazia esmorecer. A primeira, que polos
Furta cebolas! Hiu! Hiu! grandes pecados que em Portugal se faziam, a ira
Excomungado nas igrejas! de Deus fizera aquilo, e não que fosse curso natural,
Burrela, cornudo sejas! nomeando logo os pecados por que fora; em que
(...) pareceu que estava neles mais soma de ignorância
Perna de cigarra velha, que de graça do Spírito Santo.
Caganita de coelha, a) Segundo Gil Vicente, que interpretação os frades
Pelourinho de Pampulha, deram ao terremoto?
Rabo de forno de telha. b) Como Gil Vicente interpreta o terremoto?
c) Qual o sentido dessa oposição no contexto
a) Qual a reação do Parvo? humanista?
b) Que estrato social o Parvo representa?
c) Moralmente, como se pode caracterizá-lo? 44. Fuvest-SP
Aponte a alternativa correta em relação a Gil Vicente.
41. Fuvest-SP a) Compôs peças de caráter sacro e satírico.
Todo o Mundo Folgo muito d’ enganar b) Introduziu a lírica trovadoresca em Portugal.
e mentir nasceu comigo. c) Escreveu a novela Amadis de Gaula.
Ninguém Eu sempre verdade digo d) Só escreveu peças em português.
sem nunca me desviar. e) Representa o melhor do teatro clássico português.
(Belzebu para Dinato)
Belzebu Ora escreve lá, compadre, 45.
Não sejas tu preguiçoso! O tipo mais insistentemente observado e satirizado
Dinato Quê? é o clérigo, e especialmente o frade. Trata-se de fato
Belzebu Que Todo o Mundo é mentiroso de uma classe numerosíssima, presente em todos os
E Ninguém diz a verdade. setores da sociedade portuguesa, na corte e no povo,
Auto da Lusitânia — Gil Vicente na cidade e na aldeia.
O texto afirma que: O texto crítico refere-se a qual autor? Além do frade, cite um
a) todo o mundo é mentiroso. outro tipo humano satirizado pelo autor em questão.
b) Ninguém é mentiroso.
46.
c) Todo o Mundo diz a verdade. O ditado popular que serviu de inspiração a Gil Vicente
d) ninguém diz a verdade. para escrever a peça Farsa de Inês Pereira é: Mais
e) Todo o Mundo é mentiroso. quero asno que me leve que cavalo que me derrube.
Nesse ditado, a que deve ser associado o personagem
42. Umesp Brás da Mata? Justifique sua resposta.
Assinale a alternativa em que se encontra uma afirma-
ção incorreta sobre a obra de Gil Vicente. 47. PUC-SP
O argumento da peça Farsa de Inês Pereira, de Gil
a) Sofre influência de Juan del Encina, principalmente
Vicente, consiste na demonstração do refrão popular
no teatro pastoril de sua primeira fase.
“Mais quero asno que me carregue que cavalo que me
b) Seus personagens representam tipos de uma vasta derrube”. Identifique a alternativa que não corresponde
galeria de estratos da sociedade portuguesa da ao provérbio, na construção da farsa.
época. a) A segunda parte do provérbio ilustra a experiência
c) Por viver em pleno Renascimento, apega-se aos desastrosa do primeiro casamento.
valores greco-romanos, desprezando os princípios b) O escudeiro Brás da Mata corresponde ao cavalo,
da Idade Média. animal nobre, que a derruba.
d) Um dos maiores valores de sua obra é ter contra- c) O segundo casamento exemplifica o primeiro
balançado uma sátira contundente com o pensa- termo, asno que a carrega.
mento cristão. d) O asno corresponde a Pero Marques, primeiro
e) Suas obras-primas, como a Farsa de Inês Perei- pretendente e segundo marido de Inês.
ra, são escritas na terceira fase de sua carreira, e) Cavalo e asno identificam a mesma personagem
período de maturidade intelectual. em diferentes momentos de sua vida conjugal.
58
48. 50.
Leia as três afirmações a seguir a respeito da Farsa No trecho abaixo, do Auto da barca do inferno, de Gil Vi-
de Inês Pereira. cente, temos a chegada do fidalgo ao porto das almas.
I. Pode ser colocada como representante do teatro Anjo Que quereis?
de costumes vicentino.
Fidalgo Que me digais,
II. Encaixa-se na tradição da farsa medieval so- pois parti tão sem aviso,
bre o adultério feminino desenvolvida por Gil se a barca do paraíso
Vicente. é esta em que navegais.
III. Inês Pereira é uma moça que vive na vila e pre-
Anjo Esta é: que demandais?
tende subir de condição.
Fidalgo Que me deixeis embarcar,
a) Todas estão corretas. sou fidalgo de solar,
b) Todas estão incorretas. é bem que me recolhais
c) Apenas I e II estão corretas. Anjo Não se embarca tirania
d) Apenas I e III estão corretas. neste batel divinal.
e) Apenas II e III estão corretas. Fidalgo Não sei porque haveis por mal
que entre a minha senhoria.
49.
Anjo Pera vossa fantesia
Leia o texto que segue para responder às três questões mui estreita é esta barca.
posteriores.
Inês a) Quais são as causas da condenação do Fidalgo
Renego deste lavrar ao inferno?
e do primeiro que o usou b) Quais as razões que ele alega para ir para o céu?
ao diabo que o eu dou, 51.
que tão mau é de aturar; A cena seguinte, da peça Auto da barca do inferno,
ó Jesus! Que enfadamento, apresenta a chegada do parvo Joane no porto das
almas.
que cegueira e que canseira! Anjo Quem és tu?
Eu hei de buscar maneira Joane Samica alguém.
de viver a meu contento. Anjo Tu passarás, se quiseres;
porque em todos os teus fazeres,
per malícia non erraste,
Coitada, assim hei de estar
tua simpreza te abaste
encerrada nesta casa para gozar dos prazeres.
como panela sem asa
A expressão “samica” quer dizer “talvez”. Assim, Joane
que sempre está num lugar? diz ser “talvez alguém”. O que essa fala indica?
Isto é vida que se viva? a) A indecisão de Joane quanto à sua própria identida-
Hei de estar sempre cativa de. Ele está confuso depois da conversa mantida
desta maldita costura? com o Diabo, momentos antes, que o convenceu
a tornar-se um pecador. Por essa indecisão, é
Com dois dias de amargura condenado ao purgatório.
haverá quem sobreviva? b) A presunção de Joane quanto à sua condição
social. Apesar de simplório, ele disfarçava sua
Hei de ir para os diabos pobreza freqüentando a aristocracia e cometendo
pequenos furtos para sustentar seus luxos. Por
se continuo a coser. essa presunção, é condenado ao inferno.
Oh! Como cansa viver c) O desprezo de Joane pelo Anjo. Conhecedor de
sozinha, no mesmo lugar. suas virtudes, ele acredita que seu lugar no céu
Todas folgam, e eu não. está garantido, não necessitando da aprovação do
Anjo para embarcar. Esse desprezo faz com que
Todas vêm e todas vão o Anjo se recuse a levá-lo.
onde querem, menos eu. d) A desconfiança de Joane. Confundindo a barca do
Hui! E que pecado é o meu, céu com a do inferno, ele imagina que o Anjo é o
ou que dor de coração? Diabo tentando enganá-lo: por isso, teme revelar
sua identidade. Ludibriado pelo Diabo, acaba indo
para o inferno.
a) Qual a reclamação de Inês Pereira nessa pas-
e) A modéstia e a simplicidade de Joane. Na sua
PV2D-07-POR-34

sagem?
humildade, não se considera em condições sequer
b) Que atitude ela tomaria para escapar de sua de afirmar-se como alguém, daí a dúvida que ex-
situação? pressa. Esse tipo de atributo é que o faz merecedor
c) Quais as conseqüências dessa atitude? do céu.
59
52. Unifesp a) Por que os cavaleiros são perdoados dos seus
Sobre a Farsa de Inês Pereira, é correto afirmar que pecados? Justifique a sua resposta.
é um texto de natureza:
b) Que atitude do autor se revela através dessa
a) satírica, pertencente ao Humanismo português, passagem?
em que se ridiculariza a ascensão social de
Inês Pereira por meio de um casamento de 55.
conveniências.
Velho – Oh coitado! A minha é!
b) didático-moralizante, do Barroco português, no
qual as contradições humanas entre a vida ter- Mocinha – Agora, má-hora, é vossa!
rena e a espiritual são apresentadas a partir dos Vossa é a treva.
casamentos complicados de Inês Pereira.
Mas ela o noivo a leva.
c) religiosa, pertencente ao Renascimento português,
no qual se delineia o papel moralizante, com vistas Vai tão leda, tão contente,
à transformação do homem, a partir das situações uns cabelos como Eva;
embaraçosas vividas por Inês Pereira. Aosadas que não se lhe atreva
d) reformadora, do Renascimento português, com forte toda a gente!
apelo religioso, pois se apresenta a religião como
O noivo, moço tão polido,
forma de orientar e salvar as pessoas pecadoras.
não tirava os olhos dela,
e) cômica, pertencente ao Humanismo português,
no qual Gil Vicente, de forma sutil e irônica, critica e ela dele. Oh que estrela!
a sociedade mercantil emergente, que prioriza os É ele um par bem escolhido!
valores essencialmente materialistas.
Velho – Ó roubado,
53. PUC-SP da vaidade engano,
da vida e da fazenda!
Diabo, Companheiro do Diabo, Anjo, Fidalgo, Onze-
neiro, Parvo, Sapateiro, Frade, Florença, Brísida Vaz, Ó velho, siso enleado!
Judeu, Corregedor, Procurador, Enforcado e Quatro Que te meteu desastrado
Cavaleiros são personagens de Auto da barca do em tal contenda?
inferno, de Gil Vicente.
Analise as informações a seguir e selecione a alter- Se os jovens amores
nativa incorreta, cujas características não descrevam os mais têm fins desastradas
adequadamente a personagem. que farão as cãs lançadas
a) Onzeneiro idolatra o dinheiro, é agiota e usurário; no canto dos amadores?
de tudo que juntara, nada leva para a morte, ou Que sentias,
melhor, leva a bolsa vazia.
triste velho, em fim dos dias?
b) Frade representa o clero decadente e é subjuga-
Se a ti mesmo contemplaras,
do por suas fraquezas: mulher e esporte; leva a
souberas que não sabias,
amante e as armas de esgrima.
e viras como não vias,
c) Diabo, capitão da barca do inferno, é quem apressa
o embarque dos condenados; é dissimulado e e acertaras.
irônico.
d) Anjo, capitão da barca do céu, é quem elogia a Quero-me ir buscar a morte,
morte pela fé; é austero e inflexível. pois que tanto mal busquei.
e) Corregedor representa a justiça e luta pela apli- Quatro filhas que criei
cação íntegra e exata das leis; leva papéis e eu as pus em pobre sorte.
processos. Vou morrer.
Elas hão-de padecer,
54.
porque não lhes deixo nada;
O trecho a seguir retrata a fala do Anjo no julga-
de quanta riqueza e haver
mento de quatro cavaleiros cristãos que tinham
morrido nas guerras cristãs. Leia-o e responda o fui sem razão despender,
que se pede. mal gastada.

Anjo: Ó Cavaleiros de Deus,


O trecho anterior é o diálogo final da peça O velho
a vós estou esperando, da horta, que narra a seguinte história: um velho rico
que morrestes pelejando apaixona-se por uma jovem e apela para uma alco-
viteira que possa ajudá-lo a conquistar a amada. A
por Cristo, Senhor dos Céus!
alcoviteira vai enganando o velho que, ao final, nem
Sois livres de todo mal, conquistou a jovem e perdeu seu dinheiro. Ao termi-
Santos por certo sem falha, nar a narrativa, ele reconhece seu erro e lamenta o
que quem morre em tal batalha abandono a que deixara a família e, assim, as coisas
voltam a seus devidos lugares. A par disso, responda
merece paz eternal. às questões seguintes.
60
I. Aponte o item que melhor caracteriza as atitudes 57. Unicamp-SP
de Gil Vicente diante da sociedade, através dessa Leia agora as seguintes estrofes, que se encontram
peça. em passagens diversas de Farsa de Inês Pereira, de
a) Medieval e anticlerical Gil Vicente.
b) Moralista e antropocêntrica Inês Andar! Pero Marques seja!
c) Satírica e teocêntrica Quero tomar por esposo
d) Anticlerical e satírica quem se tenha por ditoso
de cada vez que me veja.
e) Moralista e pessimista
Por usar de siso mero,
asno que leve quero,
II. Conte as sílabas poéticas e marque a opção do e não cavalo folão;
metro dominante. antes lebre que leão,
a) 5 sílabas (redondilha menor) antes lavrador que Nero.
b) 6 sílabas
Pero I onde quiserdes ir
c) 7 sílabas (redondilha maior)
vinde quando quiserdes vir,
d) 8 sílabas estai quando quiserdes estar.
e) 9 sílabas Com que podeis vós folgar
Que eu não deva consentir?
56. UniCOC-SP
Nota: folão, no caso, significa “bravo”, “fogoso”.
Leia atentamente as proposições a seguir.
I. Os cancioneiros foram os principais trovadores do a) A fala de Inês ocorre no momento em que aceita
período conhecido como Trovadorismo. casar-se com Pero Marques, após o malogrado
matrimônio com o escudeiro. Há um trecho
II. O humanismo é um período de transição que vai do
nessa fala que se relaciona literalmente com
final da Idade Média ao início da Idade Moderna.
o final da peça. Que trecho é esse? Qual é o
III. O caráter alegórico do teatro de Gil Vicente pode pormenor da cena final da peça que ele está
ser tomado como exemplo de crítica social. antecipando?
Assinale: b) A fala de Pero, dirigida a Inês, revela uma
a) se I, II e III forem corretas. atitude contrária a uma característica atribuída
ao seu primeiro marido. Qual é essa caracte-
b) se I e II forem corretas.
rística?
c) se I, II e III forem incorretas.
c) Considerando o desfecho dos dois casamentos de
d) se II e III forem corretas. Inês, explique por que essa peça de Gil Vicente
e) se somente I for correta. pode ser considerada uma sátira moral.

Capítulo 2
58. 59.
A propósito do Renascimento cultural, julgue as afir- Considerando os traços identificadores do Renasci-
mações. mento, aponte a alternativa errada.
I. Um dos seus traços marcantes foi o raciona- a) Imitação dos clássicos antigos
lismo que atendia às aspirações da burguesia, b) Preocupação com a técnica
no sentido de alcançar um domínio mais com- c) Racionalismo e universalismo
pleto da natureza objetivando aumentar seus d) Atitude apaixonada diante da natureza
lucros. e) Equilíbrio, harmonia e concisão
II. O Renascimento retirou da Igreja o monopólio 60.
da explicação das coisas do mundo, fato que “Do que ao meu gado sobeja (1)
culminou no empirismo científico dos séculos XVII
Vou vivendo ano por ano;
e XVIII.
pouco ou muito que ele seja,
III. A arte renascentista comprometia-se predominan- a ninguém não faço dano,
temente com os valores católicos, pois objetivava
e não se há ao pouco enveja.”
legitimar o monopólio religioso católico.
Sá de Miranda
Assinale a alternativa correta. Vocabulário: 1. sobra
a) I e III. No trecho anterior, o poeta clássico português Sá de
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b) Apenas I. Miranda expressa uma das noções mais caras do


c) Apenas II. estilo.
d) Nenhuma. a) Que noção é essa?
e) Todas. b) Como ela aparece no texto?
61
61. Bardo, foste os deuses mais as ninfas,
O Classicismo teve início em Portugal, em 1527, as ondas em furor, céus em delírio,
quando o poeta Sá de Miranda levou para aquele país astúcias, pragas, guerras e cobiças,
o chamado dolce stil nuovo. Quais eram as novidades lodoso material fundido em ouro.
formais básicas desse novo estilo? ***
Luís, homem estranho, pelo verbo
62. Unicamp-SP
és, mais que amador, o próprio amor
Cantiga sua, partindo-se latejante, esquecido, revoltado,
João Roiz de Castelo Branco, 1516
submisso, renascendo, reflorindo
Senhora, partem tão tristes em cem mil corações multiplicado.
meus olhos por vós, meu bem, ***
que nunca tão tristes vistes Camões – oh som de vida ressoando
outros nenhuns por ninguém. em cada tua sílaba fremente
de amor e guerra e sonho entrelaçados...
Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida, Carlos Drummond de Andrade. A paixão medida
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos a) Qual é a relação entre Luís de Camões e o Clas-
cem mil vezes que da vida. sicismo?
b) Retire referências do texto de Drummond relacio-
Partem tão tristes os tristes, nadas à obra de Camões.
tão fora de esperar bem,
que nunca tão tristes vistes 64.
outros nenhuns por ninguém. Conheça-me a mim mesmo: siga a veia
Natural, não forçada; o juízo quero
Soneto
Aquela triste e leda madrugada, De quem com juízo e sem paixão me leia.
cheia toda de mágoa e de piedade, Na boa imitação, e uso, que o fero
enquanto houver no mundo saudade, Engenho abranda, ao inculto dá arte,
quero que seja sempre celebrada. No conselho do amigo douto espero.
Muito, ó Poeta, o engenho, pode dar-te.
Ela só, quando amena e marchetada Mas muito mais que o engenho, o tempo, e
saía, dando ao mundo claridade, [ estudo;
viu apartar-se de uma outra vontade,
Não queiras de ti logo contentar-te.
que nunca poderá ver-se apartada.
É necessário ser um tempo mudo!
Ela só viu as lágrimas em fio, Ouvir, e ler somente: que aproveita
que duns e doutros olhos derivadas, Sem armas, com fervor cometer tudo?
se acrescentaram em grande e largo rio. Caminha por aqui. Esta é a direita
Estrada dos que sobem ao alto monte
Ela viu as palavras magoadas, Ao brando Apolo, às nove Irmãs aceita.
que puderam tornar o fogo frio
Do bom escrever, saber primeiro é fonte.
e dar descanso às almas condenadas.
Camões
Enriquece a memória de doutrina
Ambos os poemas desenvolvem o tema da dor da Do que um cante, outro ensine, outro te conte.
separação, mas tratam-no de forma diferente. Exponha (...)
em que consiste esse tratamento diferenciado do tema, Corta o sobejo, vai acrescentando
em cada poema. O que falta, o baixo ergue, o alto modera,
63. Tudo a ua igual regra conformando.
Leia atentamente o texto a seguir e responda ao que Ao escuro dá luz, e ao que pudera
se pede. Fazer dúvida aclara: do ornamento
História, coração, linguagem Ou tira, ou põe: com o decoro o tempera.
Dos heróis que cantaste, que restou
Sirva própria palavra ao bom intento,
senão a melodia do teu canto?
As armas em ferrugem se desfazem, Haja juízo, e regra, e diferença
os barões nos jazigos dizem nada. Da prática comum ao pensamento.
É teu verso, teu rude e teu suave Antônio Ferreira
balanço de consoantes e vogais,
teu ritmo de oceano sofreado O texto é uma carta em versos escrita por Antônio
que os lembra ainda e sempre lembrará. Ferreira (1528-1569), dirigida a Diogo Bernardes.
Tu és a história que narraste, não Nela, o autor mostra a concepção de poesia de
o simples narrador. Ela persiste sua época. Aponte as características clássicas
mais em teu poema que no tempo neutro, presentes no texto, transcrevendo os trechos que
universal sepulcro da memória. as explicitam.
62
65. Inatel-MG a) A suspeita de amor que o poeta declara na con-
clusão.
Uma das características a seguir não é própria do
Renascimento cultural. Assinale-a. b) O jogo de contradições e perplexidades que ator-
a) O racionalismo do homem mentam o poeta.
b) A paixão pelos prazeres mundanos c) O fato de todos perguntarem ao poeta porque
c) O repúdio aos ideais medievais assim anda.
d) A intensificação do monopólio cultural exercido d) O fato de o poeta não saber responder a quem o
pela Igreja interroga.
e) O individualismo do homem e) A utilização de um soneto para relato das suas
amarguras.
66. Ufla-MG
Amor é fogo que arde sem se ver; Texto para as questões de 68 a 70.
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente; Texto I
é dor que desatina sem doer.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um não querer mais que bem querer;
É um contentamento descontente;
é um andar solitário entre a gente;
É dor que desatina sem doer.
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É um não querer mais que bem querer;
É querer estar preso por vontade; É solitário andar por entre a gente;
é servir a quem vence, o vencedor; É nunca contentar-se de contente;
é ter com quem nos mata, lealdade. É cuidar que se ganha em se perder;
Camões
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade, Texto II
se tão contrário a si é o mesmo Amor? Amor é fogo? Ou é cadente lágrima?
Luís Vaz de Camões. Obras completas
Pois eu naufrago em mar de labaredas
Que lambem o sangue e a flor da pele acendem
O poeta tenta definir o amor por meio do uso de antí- Quando o rubor me vem à tona d’água.
teses, que se seguem umas às outras. Indique a que
expressa, com mais ênfase, o tema do texto.
E como arde, ai, como arde, Amor,
a) “Um contentamento descontente” Quando a ferida dói porque se sente,
b) O próprio amor, pois é contrário a si mesmo. E o mover dos meus olhos sob a casca
c) A invisibilidade do amor Vê muito bem o que devia não ver.
d) O fato de o amor ferir e não causar dor. Ilka Brunhilde Laurito
e) Querer sempre mais, sem contentar-se.
68. Mackenzie-SP
67. Vunesp Assinale a alternativa correta.
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio; a) O texto I, com sua regularidade formal, recupera
do texto II o rígido padrão da estética clássica.
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco e nada aperto. b) Os dois textos, ao negarem a concepção carnal
do amor, enaltecem o platonismo amoroso.
É tudo quanto sinto, um desconcerto; c) O texto I e o texto II são convergentes no que se
da alma um fogo me sai, da vista um rio; refere à concepção do sentimento amoroso.
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto. d) O texto II contesta o texto I no que se refere ao
ponto de vista sobre o amor.
Estando em terra, chego ao céu voando, e) Os dois textos convergem quanto à forma e à
num’hora acho mil anos, e é de jeito linguagem, mas divergem quanto ao conteúdo.
que em mil anos não posso achar um’hora.
69. Mackenzie-SP
Se me pergunta alguém por que assi ando, Assinale a alternativa correta sobre o texto II.
respondo que não sei; porém suspeito
a) A liberdade formal dos quartetos, associada à
que só porque vos vi, minha Senhora.
contenção emotiva, é índice da influência parna-
PV2D-07-POR-34

siana.
O soneto transcrito é de Luís de Camões. Nele se
acha uma característica da poesia clássica renas- b) Por seguir os princípios estéticos clássicos, sua
centista. Assinale essa característica, em uma das expressão é de teor mais universalista que indivi-
alternativas. dualista.
63
c) O caráter reflexivo das interrogativas iniciais im- Em relação ao poema, considere as seguintes afir-
pede que a linguagem seja marcada por índices mações.
de emotividade. I. O poeta elabora um modelo de mulher perfeita e
d) Recupera, do estilo camoniano, a preferência por superior, idealizando a figura feminina.
imagens paradoxais, como, por exemplo, “mar de II. O poeta não se deixa seduzir pela beleza feminina,
labaredas.” assumindo uma atitude de insensibilidade.
III. O poeta sugere desejo erótico ao se referir à figura
e) Vale-se de recursos estilísticos conquistados pelos
mitológica de Circe.
modernistas, por exemplo, versos decassílabos e
expressão coloquial. Quais estão corretas?
a) Apenas I.
70. Mackenzie-SP b) Apenas III.
Assinale a alternativa correta sobre o texto I. c) Apenas I e II.
a) Expressa as vivências amorosas do eu lírico em d) Apenas I e III.
linguagem emotivo-confessional. e) I, II e III.
b) Apresenta índices de linguagem poética marcada
pelo racionalismo do século XVI. 73. Unicamp-SP
c) Conceitua o amor de forma unilateral, revelando Leia o seguinte soneto de Camões:
o intenso sofrimento do coração apaixonado.
d) Notam-se, em todos os versos, imagens poéticas
Oh! Como se me alonga, de ano em ano,
contraditórias, criadas a partir de substantivos
concretos. a peregrinação cansada minha.
e) Conceitua positivamente o amor correspondido e, Como se encurta, e como ao fim caminha
negativamente, o amor não correspondido. este meu breve e vão discurso humano.

71. Vai-se gastando a idade e cresce o dano;


Em uma carta dirigida a Alcáçova Carneiro, secretário perde-se-me um remédio, que inda tinha.
de Estado do rei D. João III, o poeta clássico português Se por experiência se adivinha,
Antônio Ferreira expressa a seguinte opinião:
qualquer grande esperança é grande engano.
Santa alma, real zelo; a quem só guia Corro após este bem que não se alcança;
Amor, justiça, e paz, cujos bons meios no meio do caminho me falece,
Em ti busca, em ti acha, em ti confia. mil vezes caio, e perco a confiança.
São letras, justas armas, dois esteios
Firmíssimos de Império só tenhamos.
Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
a) No texto, verificamos a valorização do trabalho se os olhos ergo a ver se inda parece,
intelectual. Quais os versos que expressam essa
da vista se me perde e da esperança.
valorização?
b) O que o poeta quis dizer com esses versos? a) Na primeira estrofe, há uma contraposição expres-
sa pelos verbos “alongar” e “encurtar”. A qual deles
c) Qual é a relação entre essa valorização e o
está associado o cansaço da vida e qual deles se
Classicismo?
associa à proximidade da morte?
72. UFRGS-RS b) Por que se pode afirmar que existe também uma
Leia o soneto a seguir, de Luís de Camões. contraposição no interior do primeiro verso da
segunda estrofe?
Um mover de olhos, brando e piedoso,
c) A que termo se refere o pronome “ele” da última
sem ver de quê; um riso brando e honesto,
estrofe?
quase forçado, um doce e humilde gesto,
de qualquer alegria duvidoso; 74. UFPA
O poema Os lusíadas traz à tona a descoberta do
um despejo quieto e vergonhoso; caminho marítimo para as Índias, apresentando in-
um desejo gravíssimo e modesto; formações que abarcam história, geografia, ciências,
uma pura bondade manifesta astronomia, mitologia etc. O episódio do Gigante
indício da alma, limpo e gracioso; Adamastor é um exemplo dessa variedade de assun-
tos que o poema apresenta e sobre ele não é correto
um encolhido ousar, uma brandura; afirmar o seguinte:
um medo sem ter culpa, um ar sereno; a) Adamastor representa os medos de todos os
um longo e obediente sofrimento: navegadores que passaram, antes de Vasco da
Gama, pela costa africana.
Esta foi a celeste formosura b) O episódio é uma criação poética em que se
da minha Circe, e o mágico veneno destacam referências ao passado e ao futuro das
que pôde transformar meu pensamento. conquistas portuguesas.
64
c) Um dos momentos líricos, no episódio, é aquele Mas um velho, de aspeito venerando, (= aspecto)
do encontro do gigante com Thetys, relatado na Que ficava nas praias, entre a gente,
estrofe 52. Postos em nós os olhos, meneando
d) A “alta esposa de Peleu”, Thetys, cede aos ape- Três vezes a cabeça, descontente,
los de Adamastor e isso facilita a passagem dos A voz pesada um pouco alevantando,
portugueses pelo cabo das Tormentas. Que nós no mar ouvimos claramente,
e) O episódio faz menção ao casal amoroso, Sepúl- C’um saber só de experiências feito,
veda e Leonor, o que ressalta a presença do lírico Tais palavras tirou do experto peito:
no poema épico camoniano. “Ó glória de mandar, ó vã cobiça
75. Desta vaidade a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
Está o lascivo e doce passarinho C’uma aura popular, que honra se chama!
Com o biquinho as penas ordenando; Que castigo tamanho e que justiça
O verso sem medida, alegre e brando, Fazes no peito vão que muito te ama!
Expedindo no rústico raminho. Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!
O cruel caçador, que do caminho
Dura inquietação d’alma e da vida
Se vem calado e manso desviando,
Fonte de desamparos e adultérios,
Na pronta vista a seta endireitando, Sagaz consumidora conhecida
Lhe dá no estígio lago (1) eterno ninho. De fazendas, de reinos e de impérios!
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Desta arte o coração, que livre andava Sendo digna de infames vitupérios;
(Posto que já de longe destinado), Chamam-te Fama e Glória soberana,
onde menos temia, foi ferido. Nomes com quem se o povo néscio engana.
Porque o Frecheiro cego me esperava,
Para que me tomasse descuidado,
Os versos de Camões foram retirados da passagem
Em vossos claros olhos escondido. conhecida como O velho do Restelo. Nela, o velho:
a) abençoa os marinheiros portugueses que vão atra-
Vocabulário: 1. Inferno
vessar os mares à procura de uma vida melhor.
Luís Vaz de Camões b) critica as navegações portuguesas por considerar
a) Comente a forma do poema mostrado. que elas se baseiam na cobiça e busca de fama.
c) emociona-se com a saída dos portugueses que
b) Qual é a comparação feita no poema?
vão atravessar os mares até chegar às Índias.
c) Quem é o “Frecheiro cego”? A utilização dessa d) destrata os marinheiros por não o terem convidado
imagem indica que aspecto do Classicismo? a participar de tão importante empresa.
e) adverte os marinheiros portugueses dos perigos
76.
que eles podem encontrar para buscar fama em
Leia o trecho a seguir, retirado do canto III de Os outras terras.
lusíadas:
78.
“Tu, só tu, puro Amor, com força crua,
Sobre Os lusíadas, é errado afirmar o seguinte.
Que os corações humanos tanto obriga, a) Trata-se de um poema de estrito interesse na-
Deste causa à molesta morte sua, cionalista, pois celebra fatos gloriosos da história
Como se fora pérfida inimiga. portuguesa, que em nada se relacionam com a
situação do mundo em sua época.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
b) São compostos segundo modelos da epopéia
Nem com lágrimas tristes se mitiga, clássica da Antigüidade (Homero, Virgílio) e dos
É porque queres, áspero e tirano, poemas épicos mais recentes do Renascimento
italiano (Ariosto, sobretudo).
Tuas aras banhar com sangue humano.”
c) O verso utilizado é o decassílabo clássico (es-
CAMÕES, Luís de. In TUFANO, Douglas. De Camões a Pessoa. pecialmente o heróico) e as estrofes, de modelo
SP, Moderna, 1994, pp. 18. italiano, são as oitavas-rimas.
Com base no trecho e no seu conhecimento sobre d) Os dez cantos do poema se dividem em proposição
a obra, responda por que o poeta atribui a culpa do (os feitos heróicos portugueses), invocação (às
assassinato ao amor. Tágides), dedicatória (a D. Sebastião), narração
(da viagem de Vasco da Gama) e epílogo (encer-
PV2D-07-POR-34

77. UFSCar-SP ramento, em tom desalentado).


A questão adiante baseia-se no poema épico Os lusía- e) Episódios importantes do poema, como os de Inês de
das, de Luís Vaz de Camões, do qual se reproduzem, Castro e do Gigante Adamastor, incluem-se na longa
a seguir, três estrofes. narrativa de Vasco da Gama ao rei de Melinde.
65
79. UFSCar-SP 82. Vunesp
Partimo-nos assim do santo templo Apontam-se, a seguir, algumas características atribuí-
das pela crítica à epopéia de Luís Vaz de Camões, Os
Que nas praias do mar está assentado,
lusíadas. Uma dessas características está incorreta.
Que o nome tem da terra, para exemplo, Trata-se de:
Donde Deus foi em carne ao mundo dado. a) concepção da história nacional como uma se-
Certifico-te, ó Rei, que se contemplo qüência de proezas de heróis aristocráticos e
militares.
Como fui destas praias apartado,
b) apologia dos poderes humanos, realçando o orgu-
Cheio dentro de dúvida e receio,
lho humanista de auto-determinação e do avanço
Que a penas nos meus olhos ponho o freio. no domínio sobre a natureza.
Camões. Os Lusíadas, Canto 4.º 87 c) efabulação mitológica.
O trecho faz parte do poema épico Os lusíadas, escrito
d) contraposição da experiência e da observação
por Luís Vaz de Camões e narra a partida de Vasco da
direta à ciência livresca da Antigüidade.
Gama para a viagem às Índias.
a) Em que estilo de época ou época histórica se situa e) eliminação do pan-erotismo, existente na parte
a obra de Camões? lírica, em favor da ênfase mais objetiva na narração
b) Para dizer que o nome do templo é Belém, Camões dos feitos lusitanos.
faz uso de uma perífrase: Que o nome tem da
terra, para exemplo,/Donde Deus foi em carne ao 83. Fuvest-SP
mundo dado. Em que outro trecho dessa estrofe,
Camões usa outra perífrase? No mar tanta tormenta, tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida;
80. Fuvest-SP Na terra, tanta guerra, tanto engano,
Tu, só tu, puro amor, com força crua,
Tanta necessidade aborrecida!
Que os corações humanos tanto obriga,
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Deste causa à molesta morte sua,
Onde terá segura a curta vida,
Como se fora pérfida inimiga.
Que não se arme e se indigne o Céu sereno
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Contra um bicho da terra tão pequeno?
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano, Nessa estrofe, Camões:
Tuas aras banhar em sangue humano. a) exalta a coragem dos homens que enfrentam os
Camões, Os lusíadas – episódio de Inês de Castro.
perigos do mar e da terra.
b) considera o quanto o homem deve confiar na
Vocabulário: providência divina que o ampara nos riscos e nas
adversidades.
Molesta: lastimosa; funesta
Pérfida: desleal; traidora c) lamenta a condição humana ante os perigos, os
Fero: feroz; sanguinário; cruel sofrimentos e as incertezas da vida.
Mitiga: alivia; suaviza; aplaca d) propõe uma explicação a respeito do destino do
Ara: altar; mesa para sacrifícios religiosos homem.
e) classifica o homem como um bicho da terra, dada
a) Considerando-se a forte presença da cultura da a sua agressividade.
Antigüidade Clássica em Os lusíadas, a que se
pode referir o vocábulo “Amor”, grafado com mai- 84. Mackenzie-SP
úscula, no 5º verso? Sobre Os lusíadas, é incorreto afirmar que:
b) Explique o verso “Tuas aras banhar em sangue a) quando a ação do poema começa, as naus portu-
humano”, relacionando-o à história de Inês de guesas estão navegando em pleno oceano Índico,
Castro. portanto, no meio da viagem.
81. Unifap b) na invocação, o poeta se dirige às Tágides, musas
do rio Tejo.
A que novos desastres determinas
De levar estes reinos a esta gente? c) na Ilha dos Amores, após o banquete, Tétis con-
Que perigos, que mortes lhe destinas, duz o capitão ao ponto mais alto da ilha, onde lhe
Debaixo dalgum nome preminente? desvenda “a máquina do mundo”.
Os versos de Camões são parte do(a): d) tem como núcleo narrativo a viagem de Vasco da
a) invocação. Gama a fim de estabelecer contato marítimo com
b) proposição. as Índias.
c) episódio Batalha de Ourique. e) é composto por sonetos decassílabos, manten-
d) dedicatória. do, em 1102 estrofes, o mesmo esquema de
e) episódio O velho do Restelo. rima.
66
85. FCC-SP d) lamenta que, apesar de ter dominado os mares e
Nem cinco sóis eram passados que de vós partíramos, descoberto novas terras, Portugal acabe subju-
quando a mais temerosa desdita pesou sobre nós. Por gado pela Espanha.
uma bela noite dos idos de maio do ano traslato, perdía- e) tem como objetivo elogiar a bravura dos portugue-
mos a muiraquitã; que outrem grafara muraquitã, e alguns ses e o faz através da narração dos episódios mais
doutos, ciosos de etimologias esdrúxulas, ortografam valorosos da colonização brasileira.
muyrakitan e até mesmo muraquéitã, não sorriais!
Nesse fragmento da “Carta pras Icamiabas”, em Ma- 89.
cunaíma, de Mário de Andrade, encontramos: Pode-se afirmar que o Velho do Restelo é:
a) uma paródia do estilo clássico lusitano.
a) personagem central de Os lusíadas.
b) um elogio à eloqüência dos parnasianos.
b) o mais fervoroso defensor da viagem de Gama.
c) a valorização da linguagem utilizada pela estética
c) símbolo dos que valorizam a cobiça e a ambi-
do século XVIII.
ção.
d) uma apologia ao estilo pretensioso e à oratória
vazia de conteúdo. d) símbolo das forças contrárias às investidas marí-
timas lusas.
e) uma sátira aos romances indianistas do século
XIX. e) a figura que incentiva a ideologia expansionista.

86. 90.
A estrofe a seguir pertence ao canto X de Os lusíadas.
(...) Não acabava, quando uma figura
Trata-se de uma fala da deusa Tétis ao capitão Vasco
Se nos mostra no ar, robusta e válida, da Gama, na Ilha dos Amores.
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida, Aqui, só verdadeiros, gloriosos
Os olhos encovados, e a postura Divos estão, porque eu, Saturno e Jano,
Medonha e má e a cor terrena e pálida; Júpiter e Juno, fomos fabulosos
Cheios de terra e crespos os cabelos, Fingidos de mortal e cego engano.
A boca negra, os dentes amarelos. (...) Só para fazer versos deleitosos
Servimos; e, se mais o trato humano
Forneça o nome do episódio em que a figura descrita
na estrofe anterior aparece e informe o que essa figura Nos pode dar, é só que o nome nosso
personifica. Nestas estrelas pôs o engenho vosso.

87. UFPA No trecho, Tétis:


Ó mar salgado, quanto do teu sal a) afirma que os deuses gregos e latinos são supe-
São lágrimas de Portugal! riores aos deuses católicos.
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, b) lamenta que os homens jamais se referem aos
Quantos filhos em vão rezaram! deuses em suas obras artísticas.
Quantas noivas ficaram por casar c) afirma que os deuses gregos e latinos só existem
na imaginação dos homens.
Para que fosses nosso, ó mar!
d) mostra que a ambição dos homens se equipara
aos poderes divinos.
Esse poema de Fernando Pessoa retoma, no século
XX, a temática da expansão ultramarina também e) narra a decadência portuguesa após a viagem de
utilizada por: Vasco da Gama.
a) Gil Vicente em seus autos. 91.
b) D. Dinis em seus poemas de amor.
No mais, Musa, no mais, que a lira tenho
c) D. Dinis em seus poemas de amigo.
Destemperada e a voz enrouquecida,
d) Camões em sua épica.
E não do canto, mas de ver que venho
e) Bocage em seus sonetos.
Cantar a gente surda e endurecida.
88. O favor com que mais se acende o engenho
Em Os lusíadas, Camões: Não no dá a Pátria, não, que está metida
No gosto da cubiça e na rudeza
a) narra a viagem de Vasco da Gama às Índias.
Dua austera, apagada e vil tristeza.
b) tem por objetivo criticar a ambição dos navegantes
Camões, Os lusíadas, X, 145
portugueses que abandonaram a pátria à mercê
dos inimigos para buscar ouro e glória em terras a) Quem é a “gente surda e endurecida” a que se
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distantes. refere a estrofe?


c) afasta-se dos modelos clássicos, criando a epo- b) Qual a acusação que o poeta faz a essa gente?
péia lusitana, um gênero inteiramente original na c) Como se pode entender essa acusação no pano-
época. rama português da época?
67
92. a) conclama os deuses a auxiliarem os portugueses
Sobre Os lusíadas, é correto afirmar que: na Ásia como recompensa pelos ásperos perigos
a) os deuses pagãos presentes no poema represen- da viagem.
tam a admiração de Camões pela grandeza do b) encontra acolhida a suas palavras entre os deuses
mundo antigo e sua descrença no cristianismo. maiores e menores.
b) Baco é favorável à empresa dos portugueses; Mar- c) reconhece a grandeza do povo lusitano, que
te e Vênus se opõem a ela; Júpiter toma sempre enfrenta o mar desconhecido em frágeis embar-
o partido de Baco. cações.
c) o episódio da ilha dos Amores representa a mere- d) aceita as justificativas de Baco para impedir a
cida recompensa pelos grandes feitos portugue- chegada dos navegadores portugueses à Índia.
ses, feitos que os elevam ao nível dos deuses e) mostra dúvidas quanto à possibilidade de que os
antigos. feitos do povo lusitano venham a suplantar a glória
d) o Velho do Restelo representa, no poema, a opinião dos gregos e romanos.
progressista da sociedade portuguesa.
96. Fuvest-SP
e) o episódio sobre a morte de Inês de Castro é uma
ficção camoniana absolutamente épica. Responda às seguintes questões sobre Os lusíadas,
de Camões:
93. a) Identifique o narrador do episódio no qual está
A estrofe abaixo pertence ao poema Os lusíadas, de inserida a fala do Velho do Restelo.
Camões. b) Compare, resumidamente, os principais valores
Assim lho aconselhara a mestra experta: que esse narrador representa, no conjunto de Os
Que andassem pelos campos espalhadas; lusíadas, aos valores defendidos pelo Velho do
Que, vista dos barões a presa incerta, Restelo, em sua fala.
Se fizessem primeiro desejadas.
97. Fuvest-SP
Algumas, que na forma descoberta
Em Os lusíadas, as falas de Inês de Castro e do Velho
Do belo corpo estavam confiadas,
do Restelo têm em comum:
Posta a artificiosa fermosura,
a) a ausência de elementos de mitologia da Antigüi-
Nuas lavar se deixam na água pura.
dade clássica.
Assinale a parte do poema a que pertence a estrofe b) a presença de recursos expressivos de natureza
transcrita. oratória.
a) Proposição. c) a manifestação de apego a Portugal, cujo território
essas personagens se recusavam a abandonar.
b) Invocação.
d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e
c) Dedicatória.
conquistador.
d) Narração.
e) o emprego de uma linguagem simples e direta,
e) Epílogo. que se contrapõe à solenidade do poema épico.
94. UFRGS-RS 98. Mackenzie-SP
Assinale a alternativa incorreta. Sobre Os lusíadas, é incorreto afirmar que:
No canto V de Os lusíadas:
a) é dividido em cinco partes e dez cantos.
a) Adamastor representa os perigos enfrentados pe-
b) o Canto I contém a introdução, a invocação, a
los navegadores lusitanos na travessia do oceano
dedicatória e o início da narrativa.
Atlântico para o oceano Índico.
c) a pedido do rei de Melinde, Vasco da Gama conta
b) os portugueses assistem à transformação do
partes da história de Portugal.
gigante Adamastor em penedo quando tentam
ultrapassar a parte mais meridional da África. d) os deuses reúnem-se no Olimpo para decidir a
sorte dos portugueses.
c) apesar das ameaças do gigante, os navegantes
prosseguem, esperando ardentemente que os e) no Canto X, a fala do Velho de Restelo acusa os
perigos e castigos profetizados sejam afastados. portugueses de vaidade e cobiça excessivas.
d) a nuvem negra que se desfaz, antes associada ao 99. Unicamp-SP
Cabo das Tormentas, abre novas esperanças em
Mas um velho, de aspecto venerando,
relação aos objetivos da viagem.
(...)
e) a voz de “tom horrendo e grosso” do gigante
Adamastor, ao dar lugar a um “medonho choro”, A voz pesada um pouco alevantando,
deixa ver aos navegadores que o perigo já fora (...)
afastado. Tais palavras tirou do experto* peito:
– Ó glória de mandar, ó vã cobiça.
95. UFRGS-RS Desta vaidade a quem chamamos Fama.
Assinale a alternativa correta. Ó Fraudulento gosto, que se atiça
No canto I de Os lusíadas, na passagem que narra o Cua aura popular, que honra se chama.
concílio dos deuses, Júpiter: Camões, Os lusíadas, canto IV.
68
... e então uma grande voz se levanta, é um labrego** O trecho a seguir pertence a Os lusíadas. Leia-o e
de tanta idade já que o não quiseram, e grita subido responda às questões 102 e 103.
a um valado***, que é púlpito dos rústicos. Ó glória de Cessem do sábio Grego e do Troiano
mandar, ó vã cobiça, ó rei infame, ó pátria sem justiça, As navegações grandes que fizeram;
e tendo assim clamado, veio dar-lhe o quadrilheiro Cale-se de Alexandre e de Trajano
uma cacetada na cabeça, que ali mesmo o deixou A fama das vitórias que tiveram;
por morto. Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
José Saramago, Memorial do convento, p. 293.
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
*experto – que tem experiência
Que outro valor mais alto se alevanta.
**labrego – indivíduo grosseiro, rude, tosco (...)
***valado – elevação de terra que limita propriedade 102. Vunesp
rústica
Uma leitura atenta da estrofe citada revela que o conte-
Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.
údo dos primeiros seis versos é retomado e sintetizado
nos últimos dois versos. Interprete a estrofe de acordo
Confrontando os fragmentos, percebe-se que Memorial
com esta observação.
do convento dialoga com os clássicos. O episódio do
Velho do Restelo, do Canto IV de Os lusíadas, refere-se
103. Vunesp
ao engajamento voluntário dos portugueses na grande
empresa que foi a descoberta de novos mundos. Já A oitava apresentada constitui a terceira estrofe de Os
no Memorial do convento, entretanto, o recrutamento lusíadas, de Luís de Camões, poema épico publicado
para Mafra deu-se, em geral, à força. em 1572, obra máxima do Classicismo português.
a) Cite ao menos uma razão que levou “o rei infame” O tipo de verso que Camões empregou é de origem
de Memorial do convento a tornar obrigatório italiana e foi introduzido na literatura portuguesa
o engajamento de todos os operários do reino, algumas décadas antes, por Sá de Miranda. Quanto
quaisquer que fossem suas profissões. ao conteúdo, o poema Os lusíadas toma como ponto
b) Quem era esse “rei infame” a que se refere o de referência um episódio da história de Portugal.
trecho citado e em que século essa ação do Baseado nesses comentários e em seus próprios
romance se passa? conhecimentos, releia a estrofe citada e indique:
a) o tipo de verso utilizado (pode mencionar simples-
c) Aponte, no trecho, ao menos uma passagem que
mente o número de sílabas métricas);
indique a irreverência de Saramago em relação ao
b) o episódio da história de Portugal que serve de
texto de Luís de Camões.
núcleo narrativo do poema.
100. Mackenzie-SP
104. Fuvest-SP
Põe-me onde se use toda a feridade,
I. Eis aqui se descobre a nobre Espanha,
Entre leões e tigres, e verei Como cabeça ali de Europa toda
Se neles achar posso a piedade II. Eis aqui quase cume da cabeça
Que entre peitos humanos não achei. De Europa toda, o reino Lusitano,
Ali, co’o amor intrínseco e vontade Onde a terra se acaba e o mar começa
Naquele por quem morro, criarei III. A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
Estas relíquias suas, que aqui viste,
E toldam-lhe românticos cabelos
Que refrigério sejam da mãe triste. Olhos gregos, lembrando.

O trecho evidencia características: O cotovelo esquerdo é recuado;


a) da poesia trovadoresca. O direito é em ângulo disposto.
b) do Barroco português. Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
c) de um auto vicentino.
A mão sustenta, em que se apóia o rosto.
d) da poesia lírica de Antero de Quental.
e) da poesia épica camoniana. Fita, com olhar sphyngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
101. Mackenzie-SP
O tom pessimista apresentado por Camões no epí- O rosto com que fita é Portugal.
logo de Os lusíadas aparece em outro momento do
poema. Os textos I e II iniciam respectivamente as estâncias
Isso acontece no episódio: 17 e 20 do canto III de Os lusíadas, de Luís Vaz de
a) do Gigante Adamastor. Camões, e o texto III é um poema do livro Mensagem,
de Fernando Pessoa.
PV2D-07-POR-34

b) do Velho do Restelo.
a) A que movimento literário pertence cada um dos
c) de Inês de Castro.
autores?
d) dos Doze de Inglaterra. b) De que recurso comum aos dois textos se valem
e) do Concílio dos Deuses. os autores para elaborar a descrição da Europa?
69
105. Fuvest-SP 1. Natura: talento, qualidade inata, índole, aptidão.
Já vai andando a récua dos homens de Arganil, 2. Virgílios nem Homeros: referência aos dois poetas
acompanham-nos até fora da vila as infelizes, que vão épicos da Antigüidade Clássica.
clamando, qual em cabelo, Ó doce e amado esposo,
3. Pios Enéias: Enéias generosos, piedosos; referên-
e outra protestando, Ó filho, a quem eu tinha só para
cia ao protagonista da Eneida, de Virgílio.
refrigério e doce amparo desta cansada já velhice
minha, não se acabavam as lamentações, tanto que 4. Aquiles feros: Aquiles bravos, guerreiros; referên-
cia ao protagonista da Ilíada, de Homero.
os montes de mais perto respondiam, quase movidos
de alta piedade (...) 5. Ventura: destino, sorte, experiência de vida.
José Saramago. Memorial do convento.
6. Engenho: habilidade, capacidade.
Em muitas passagens do trecho transcrito, o narrador cita
textualmente palavras de um episódio de Os lusíadas, 7. Tão remisso: acanhado, embotado, negligente,
visando a criticar o mesmo aspecto da vida de Portugal desleixado.
que Camões, nesse episódio, já criticava. O episódio
camoniano e o aspecto criticado são, respectivamente: A leitura atenta da estrofe transcrita de Os lusíadas
a) O Velho do Restelo; a posição subalterna da mu- permite concluir corretamente que:
lher na sociedade tradicional portuguesa. a) Camões antecipa uma das críticas que fará, mais
b) Aljubarrota; a sangria populacional provocada tarde, no epílogo do poema, aos portugueses de
pelos empreendimentos coloniais portugueses. sua época.
c) Aljubarrota; o abandono dos idosos decorrente dos
empreendimentos bélicos, marítimos e suntuários. b) o poeta retoma o mesmo tom ufanista da propo-
d) O Velho do Restelo; o sofrimento popular decor- sição, na qual, logo na apresentação do poema,
rente dos empreendimentos dos nobres. revela seu descontentamento com a decadência
e) Inês de Castro; o sofrimento feminino causado de seu país.
pelas perseguições da Inquisição. c) afastando-se do rigor formal dos decassílabos e
da oitava-rima, o poeta vale-se de uma forma livre,
106. UniCOC-SP criada por ele mesmo.
Podemos afirmar que, na época da expansão mercan-
d) há uma reclusa explícita da influência clássica
tilista, havia duas correntes de opinião em Portugal:
de Virgílio e de Homero, exemplos negativos que
uma fundada em valores medievais, mais preocupada
fazem os portugueses “tão ásperos”, tão “austeros”
com a agricultura e com princípios da velha nobreza
e “tão rudes”.
fundiária; outra voltada para a renovação do perfil
econômico do país, mais preocupada com o comércio e) a citação de heróis da cultura greco-latina, como
e com os princípios da burguesia em ascensão. Aquiles e Enéias, revaloriza elementos tradicionais
Na obra Os lusíadas, uma das cenas marcantes é a de cultura ibérica medieval, que remontam à época
do Velho do Restelo. A partir das afirmações expostas, da dominação romana.
assinale a alternativa correta.
a) O velho se identifica com a segunda corrente 108.
apresentada na afirmação. Dos episódios “Inês de Castro” e “O Velho do Reste-
b) O velho se identifica com a primeira corrente lo”, da obra Os lusíadas, de Luiz de Camões, não é
apresentada na afirmação. possível afirmar que:
c) O velho, como era uma pessoa estudada e de
a) “O Velho do Restelo”, numa antevisão profética,
origem nobre, conhece bem a situação econômica
previu os desastres futuros que se abateriam
de Portugal na época.
sobre a pátria e que arrastariam a nação por-
d) O velho não se posiciona sobre as navegações.
tuguesa a um destino de enfraquecimento e
Seu discurso é sobre questões metafísicas.
marasmo.
e) O velho, por sua idade e falta de sensatez, apre-
senta um discurso que não deve ser avaliado. b) “Inês de Castro” caracteriza, dentro da epopéia
camoniana, o gênero lírico porque é um episódio
107. UniCOC-SP que narra os amores impossíveis entre Inês e seu
Lamentando o descaso dos portugueses, seus con- amado Pedro.
temporâneos, para com a arte da poesia, diz Camões, c) Restelo era o nome da praia em frente ao templo
em Os lusíadas: de Belém, de onde partiam as naus portuguesas
Por isso, e não por falta de natura, nas aventuras marítimas.
Não há também Virgílios nem Homeros;
d) Tanto “Inês de Castro” quanto “O Velho do Restelo”
Nem haverá, se este costume dura, são episódios que ilustram poeticamente diferentes
Pios Enéias nem Aquiles feros. circunstâncias da vida portuguesa.
Mas o pior de tudo é que a ventura
e) O Velho, um dos muitos espectadores na praia,
Tão ásperos os fez, e tão austeros, engrandecia com sua fala as façanhas dos navega-
Tão rudes e de engenho tão remisso, dores, a nobreza guerreira e a máquina mercantil
Que a muitos lhe dá pouco ou nada disso. lusitana.
70
Leia o texto a seguir e responda às questões de Estavas, linda Inês, posta em sossego,
109 a 111. De teus anos colhendo doce fruito,
As armas e os barões assinalados, Naquele engano da alma ledo e cego,
Que, da Ocidental praia lusitana, Que a fortuna não deixa durar muito,
Por mares nunca dantes navegados, Nos saudosos campos do Mondego,
Passaram muito além da Taprobana, De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Entre perigos e guerras esforçados, Aos montes ensinando e às ervinhas,
Mais do que prometia a força humana. O nome que no peito escrito tinhas.
Entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram: Os lusíadas, obra de Camões, exemplificam o gênero épi-
E também as memórias gloriosas co na poesia portuguesa, entretanto oferecem momentos
Daqueles reis que foram dilatando em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O
episódio de Inês de Castro, do qual o trecho exposto faz
A Fé, o Império, e as terras viciosas
parte, é considerado o ponto alto do lirismo camoniano
De África e Ásia andaram devastando, inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como
E aqueles que por obras valerosas um todo, pode afirmar-se que seu núcleo central:
Se vão da lei da morte libertando: a) personifica e exalta o amor, mais forte que as
Cantando espalharei por toda parte, conveniências e causa da tragédia de Inês.
Se a tanto me ajudar o engenho e a arte. b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro
e o casamento solene e festivo de ambos.
Cessem do sábio grego e do troiano
c) tem como tema básico a vida simples de Inês de
As navegações grandes que fizeram; Castro, legítima herdeira do trono de Portugal.
Cale-se de Alexandre e de Trajano d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinan-
A fama das vitórias que tiveram; do aos montes o nome que no peito escrito tinha.
Que eu canto o peito ilustre lusitano e) relata em versos livres a paixão de Inês pela
A quem Netuno e Marte obedeceram. natureza e pelos filhos e sua elevação ao trono
português.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta. 113. Fuvest-SP
Camões, Os lusíadas, I, pp. 1-3. Considere as seguintes afirmações sobre a fala do
Velho do Restelo, em Os lusíadas:
109.
I. No seu teor de crítica às navegações e conquistas,
Quem são os “barões assinalados” a que se refere o
encontra-se refletida e sintetizada a experiência
poeta na primeira estrofe?
das perdas que causaram, experiência esta já acu-
mulada na época em que o poema foi escrito.
110.
Na segunda estrofe, o poeta aponta dois dos motivos II. As críticas aí dirigidas às grandes navegações e
que, segundo ele, teriam levado os portugueses à às conquistas são relativizadas pelo pouco crédito
expansão marítima. atribuído a seu emissor, já velho e com um “saber
a) Aponte os versos em que esses motivos estão só de experiências feito”.
explicitados. III. A condenação enfática que aí se faz à empresa
b) Explique os sentidos desses versos. das navegações e conquistas revela que Camões
c) Aponte uma passagem da obra que desmente a teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou
visão expressa pelo poeta nesses versos. o feito quanto o exaltou.

111. Está correto apenas o que se afirma em:


Na terceira estrofe, pode-se ler um verso que resume a) I. d) I e II.
o conteúdo de todo o poema. Transcreva esse verso b) II. e) I e III.
e explique-o. c) III.
112. PUC-SP 114.
Tu só, tu, puro amor, com força crua Um dos mais famosos sonetos de Camões assim se
Que os corações humanos tanto obriga, inicia:
Deste causa à molesta morte sua, Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Como se fora pérfida inimiga.
Não tenho logo mais que desejar,
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
PV2D-07-POR-34

Pois em mim tenho a parte desejada.


Nem com lágrimas tristes se mitiga,
Você diria que no quarteto apresentado podemos
É porque queres, áspero e tirano, perceber a visão platônica que Camões tem do amor?
Tuas aras banhar em sangue humano. Por quê?
71
115. 120. Mackenzie-SP
Camões distinguiu-se, na literatura portuguesa, entre Sobre a lírica camoniana, é incorreto afirmar que:
outras razões: a) boa parte de sua realização se encontra na poesia
a) por ter sido o primeiro escritor clássico de Portugal. de inspiração clássica.
b) por ter sido o maior caricaturista da sociedade b) sua temática é variada, encontrando-se desde
portuguesa do século XVI. temas abstratos até tradicionais.
c) por ter criado o teatro popular. c) no aspecto formal, é toda construída em versos
d) por ter escrito a melhor interpretação poética dos decassílabos em oitava rima.
valores espirituais, morais e cívicos que distin- d) sonda o sombrio mundo do eu, da mulher, da
guiam a civilização portuguesa. natureza e de Deus.
e) muitas vezes, o poeta procura conceituar o amor,
116. lançando mão de antíteses e paradoxos.
Quais são os temas da lírica camoniana?
121. Fuvest-SP
117. Qual a diferença mais significativa entre a poesia épica
Sobre a lírica de Camões, é correto afirmar que: e a lírica: o tipo de verso empregado ou o conteúdo?
a) é composta inteiramente segundo modelos do Justifique sua resposta.
Classicismo renascentista.
b) é composta com versos de “medida nova”, total- 122.
mente adaptada à técnica renascentista. Cara minha inimiga, em cuja mão
c) tem em seu centro a tentativa de compreensão da Pôs meus contentamentos a ventura,
natureza, do amor e do mundo. Faltou-te a ti na terra sepultura,
d) tem como elemento fundamental a visão sensual Por que me falta a mim consolação.
do amor, sempre carregada do sentido físico,
erótico. Eternamente as águas lograrão
e) mostra uma atitude puramente emocional, sem a A tua peregrina fermosura;
reflexão e o racionalismo próprios do Classicismo.
Mas, enquanto me a mim a vida dura,
118. Sempre viva em minha alma te acharão.
Sobre a lírica camoniana, é incorreto afirmar que:
E, se os meus rudes versos podem tanto
a) está escrita em medida velha e medida nova, isto
é, em versos redondilhos e versos decassílabos, Que possam prometer-te longa história
respectivamente. Daquele amor tão puro e verdadeiro,
b) apresenta-se no estilo clássico e no estilo ma-
neirista, sendo este último uma transição para o Celebrada serás sempre em meu canto;
Barroco. Porque, enquanto no mundo houver memória,
c) expressa-se em temática variada, contendo Será minha escritura teu letreiro.
principalmente temas como o “desconcerto do Luís de Camões
mundo”, “a mutabilidade das coisas” e o “ideal de
perfeição”. a) Aponte e explique a antítese que há no início do
d) estabelece, através da introspecção, um amplo poema.
painel da sociedade portuguesa do início do século
XVI. b) Neste poema, há referência a um acontecimento
e) busca, além da universalização, uma visão platô- que parece ter relação com um dado da biografia
nica do conceito amoroso. de Camões: a perda da amada. Segundo o poema,
em que circunstâncias se deu essa morte? Quais
119. Mackenzie-SP os versos que se referem a ela?
Desde seu descobrimento, escreveu-se sobre o Brasil. c) Qual o tipo de verso empregado? Trata-se da
Alguns escritores, após tal evento, compuseram textos medida velha ou da nova?
com o propósito fundamental de retratar não só a terra d) Por que se trata de um soneto? Qual seu esquema
recém-descoberta como também as características de de rimas?
seus habitantes. Trata-se, pois, de uma literatura de
teor informativo, apesar de se encontrarem, às vezes, 123.
algumas passagens onde se mostram elementos Soneto do amor total
artísticos.
Aponte a alternativa em que se encontra o nome de um Amo-te tanto, meu amor... não cante
texto que não se encaixe nessa tendência. O humano coração com mais verdade...
a) Carta do descobrimento Amo-te como amigo e como amante
b) Tratado da terra do Brasil Numa sempre diversa realidade.
c) Tratado descritivo do Brasil
d) Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal Amo-te a fim de um calmo amor prestante
contra as de Holanda E te amo além, presente na saudade.
e) História da província de Santa Cruz, a que vulgar- Amo-te, enfim, com grande liberdade
mente chamamos Brasil Dentro da eternidade e a cada instante.
72
Amo-te como um bicho, simplesmente 125. UFBA
De um amor sem mistério e sem virtude As manifestações literárias no Brasil do século XVI
Com um desejo maciço e permanente. foram, fundamentalmente:
a) relatos de viajantes e missionários estrangeiros e
E de amar assim, muito e amiúde escritos catequéticos de Anchieta.
É que um dia em teu corpo de repente b) poemas épicos indianistas e poesia lírica de caráter
Hei de morrer de amar mais do que pude. religioso.
Vinícius de Moraes. Livro dos sonetos.
c) teatro de sátira política e crônicas sobre o cotidiano
das pequenas cidades.
A crítica costuma apontar Vinícius de Moraes como
d) obras de caráter pedagógico, de circulação
um dos herdeiros da lírica camoniana. Aponte seme-
restrita.
lhanças entre as duas obras tanto do ponto de vista
temático quanto formal. e) cartas dos colonos aos familiares da metrópole e
documentos de protesto contra a escravização dos
124. negros.
A terra 126. Fuvest–SP
Esta terra, Senhor, me aparece que da ponta Na lírica de Camões:
que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra a) método usado para a composição dos sonetos é
o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, a redondilha maior.
será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e b) encontram-se sonetos, sátiras, odes e autos.
cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgu- c) cantar a Pátria é o centro das preocupações.
mas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas
d) encontra-se uma fonte de inspiração de muitos
brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de
poetas brasileiros do século XX.
arvoredos. De ponta a ponta é tudo praia-palma, muito
chã e muito formosa. (...) e) a mulher é vista em seus aspectos físicos, despo-
Nela até agora não pudemos saber que haja ouro, jada de espiritualidade.
nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem
127. Unicamp-SP
lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares,
assim frios e temperados como os de Entre-Douro e Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e
Minho.(...) não se sente;
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é gra- É um contentamento descontente; / É dor que
ciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo,
desatina sem doer;
por bem das águas que tem.
Lírica de Camões, seleção, prefácio e notas
Caminha, Pero Vaz de. A carta de Caminha.
de Massaud Moisés

Carta de Pero Vaz


A terra é mui graciosa, Terror de te amar num sítio frágil como o mundo.
Tão fértil eu nunca vi. Mal de te amar neste lugar de imperfeição
A gente vai passear, Onde tudo nos quebra e emudece
No chão espeta um caniço,
Onde tudo nos mente e nos separa.
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro. Sophia M. B. Andresen, Terror de amar, em
Tem goiabas, melancias, Antologia poética.
Banana que nem chuchu.
Dos dois textos transcritos, o primeiro é de Luís Vaz
Quanto aos bichos, tem-nos muitos,
de Camões (século XVI) e o segundo, de Sophia M.B.
De plumagens mui vistosas.
Andresen (século XX).
Tem macaco até demais.
Diamantes tem à vontade, Compare-os, discutindo, através de critérios formais
Esmeralda é para os trouxas. e temáticos, aspectos em que ambos se aproximam
Reforçai, senhor, a arca, e aspectos em que ambos se distanciam.
Cruzados não faltarão,
Vossa perna encanareis, 128. Vunesp
Salvo o devido respeito.
Língua Portuguesa
Ficarei muito saudoso
Se for embora daqui.
Última flor do Lácio, inculta e bela
MENDES, Murilo. História do Brasil.
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
Os dois textos, representantes de dois períodos literá-
A bruta mina entre os cascalhos vela...
rios distantes, revelam duas perspectivas diferentes.
PV2D-07-POR-34

Indique:
Amo-te assim desconhecida e obscura,
a) a diferença entre o texto original e o segundo, em
Tuba de alto clangor, lira singela,
função da descrição da terra;
que tens o trom e o silvo da procela
b) o período literário a que corresponde cada texto. E o arrolo da saudade e da ternura!
73
Amo o teu viço agreste e o teu aroma b) Assim, quando o batel chegou à foz do rio, esta-
De virgens selvas e de oceano largo! vam ali dezoito ou vinte homens pardos, todos
Amo-te, ó rude e doloroso idioma, nus, sem nenhuma roupa que lhes cobrisse suas
vergonhas.
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!” c) Mas a terra em si é muito boa de ares, tão frio e
E em que Camões chorou, no exílio amargo, temperados como os de Entre-Douro e Minho, por-
O gênio sem ventura e o amor sem brilho! que, neste tempo de agora, assim os achávamos
como os de lá. Águas são muitas e infindas. De
Olavo Bilac, Tarde (1919) tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la,
Língua dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem.
(a Violeta Gervaiseau) d) Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar, me
Gosto de sentir a minha língua roçar parece que será salvar esta gente. E esta deve
A língua de Luís Camões. ser a principal semente que Vossa Alteza em ela
Gosto de ser e de estar deve alcançar.
E quero me dedicar e) Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão
A criar confusões de prosódia traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram
E uma profusão de paródias para a terra, como quem diz que os havia ali.
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões. 131. Unama-PA
Gosto do Pessoa na pessoa Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Da rosa no Rosa, Até a oitava da Páscoa
E sei que a poesia está para a prosa Topamos aves
Assim como o amor está para a amizade. E houvemos vista de terra
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixa os portugais morrerem à míngua, Os selvagens
“Minha pátria é minha língua” Mostraram-lhes uma galinha
– Fala Mangueira! Quase haviam medo dela
Flor do Lácio Sambódromo E não queriam pôr a mão
Lusamérica latim em pó E depois a tomaram como espantados
O que quer
O que pode primeiro chá
Esta língua? Depois de dançarem
Caetano Veloso, em Velô (1984) Diogo Dias
Além de Luís de Camões, que aparece mencionado Fez o salto real
nos dois textos, o poema de Caetano menciona outros
dois escritores. Cite pelo menos uma obra importante as meninas da gare
de cada um destes dois literatos. Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
129. E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Leia o texto seguinte, retirado de um poema de Ca- Que de nós as muito bem olharmos
mões. Não tínhamos nenhuma vergonha.
Aquela cativa Oswald de Andrade, Poesias reunidas

Que me tem cativo, A terra é tão fermosa


Porque nela vivo e de tanto arvoredo
Já não quer que viva. tamanho e tão basto
Eu nunca vi rosa que o homem não dá conta.
Em suaves molhos
Que para meus olhos No clarão matutino
Fosse mais fermosa. os tucanos rombudos
a) Qual o tipo de verso empregado no poema? eram como figuras
b) Trata-se de um poema tipicamente clássico? Jus- a lápis encarnado
tifique sua resposta.
c) A expressão “cativo(a)” quer dizer “escravo(a)”. e que houvessem fugido
Sabendo disso, responda: o que o poeta quis dizer
nos dois primeiros versos? do caderno escolar
em que Deus aprendia
130. desenho, em menino.
O culto à natureza, característica da Literatura Brasi-
leira, tem sua origem nos textos da Literatura de In- Tupis em alvoroço,
formação. Assinale o fragmento da Carta de Caminha
que já revela a mencionada característica: Tribos guerreiras, mansas,
a) Viu um deles umas contas de rosário, brancas; troféus verdes na ponta
acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, dos chuços e das lanças.
e lançou-as ao pescoço. Jequitiranabóias.
74
Colar de osso ao pescoço, 132. UFV–MG
vermelhas araçóias, Sobre José de Anchieta, é incorreto afirmar que:
cocares multicores. a) cultivou especialmente os autos, buscando, na ale-
goria, tornar mais acessíveis às mentes indígenas
Cada qual com o seu sol os conceitos e os dogmas do cristianismo.
de plumas à cabeça. b) no teatro, o Auto de São Lourenço destaca-se
Guerreiros da manhã como obra catequética de influência medieval.
c) na poesia lírica, encontram-se suas mais belas
que haviam já descido composições, expressivas de uma fé profunda.
dos Andes à procura d) apesar de pautada na língua e na cultura do índio,
da Noite, que estaria sua produção literária não se caracteriza como
literatura já tipicamente brasileira.
para os lados do Atlântico.
e) sua obra teatral, marcadamente alegórica e anti-
..........................................
religiosa, moldou-se nos padrões renascentistas.
Cassianos Ricardo, Martim Cererê

133. Ufla-MG
Os excertos mostrados, de poetas da 1ª fase do Mo- Todas as alternativas sobre o Padre José de Anchieta
dernismo, têm seu referencial na origem e na formação são corretas, exceto:
da Literatura Brasileira. Assinale a alternativa que a) Foi o mais importante jesuíta em atividade no Brasil
identifica esse referencial. do século XVI.
a) Literatura dos jesuítas — Auto de São Lourenço b) Foi o grande orador sacro da língua portuguesa,
com seus sermões barrocos.
b) Literatura dos viajantes — Carta do Descobrimento
c) Estudou o tupi-guarani, escrevendo uma cartilha
c) Literatura dos viajantes — Tratado da terra do sobre a gramática da língua dos nativos.
Brasil d) Escreveu tanto uma literatura de caráter informa-
tivo como de caráter pedagógico.
d) Seiscentismo — Prosopopéia
e) Suas peças apresentam sempre o duelo entre
e) Seiscentismo — Sermão da sexagésima anjos e diabos.

Capítulo 3
134. UniCOC-SP O tempo cobre o chão de verde manto,
É correto afirmar que a estética barroca se valeu de: Que já coberto foi de neve fria,
a) um acentuado equilíbrio em suas manifestações E em mim converte em choro o doce canto.
artísticas, em que o homem se sente capaz de
igualar as capacidades dos deuses, que sempre E afora este mudar-se cada dia,
o favorecem.
Outra mudança faz de mor espanto:
b) uma insatisfação em relação à vida de sua época,
Que não se muda já como soía.
dando destaque ao sofrimento amoroso e à reli-
Luís Vaz de Camões
giosidade inata do homem.
c) uma linguagem rebuscada, entremeada de inver-
Texto 2
sões e figuras, mostrando um homem em conflito
É a vaidade, Fábio, nesta vida,
entre o pecado e o perdão divino.
Rosa, que da manhã lisonjeada,
d) um requinte formal, de uma linguagem castiça em
sonetos que muitas vezes procuravam descrever Púrpuras mil, com ambição dourada,
objetos raros e preciosos, como vasos e taças. Airosa rompe, arrasta presumida.
e) uma postura bastante otimista, pois o cientificismo
da época valoriza especialmente a ação humana. É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
135. UniCOC-SP Florida galeota empavesada
Texto 1 Sulca ufana, arrasta destemida.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança; É nau, enfim, que em breve ligeireza,
Todo o mundo é composto de mudança, Com presunção de Fênix generosa,
Tomando sempre novas qualidades. Galhardias apresta, alentos preza:
PV2D-07-POR-34

Continuamente vemos novidades, Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa,
Diferentes em tudo da esperança; De que importa, se aguarda sem defesa
Do mal ficam as mágoas na lembrança, Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?
E do bem (se algum houve...) as saudades. Gregório de Matos
75
Assinale a alternativa correta sobre os textos dados. Todas as características barrocas citadas podem ser
a) O texto 1 é claro exemplo de poesia neoclássica, identificadas no texto, exceto:
enquanto o texto 2 é nitidamente barroco. a) gosto pelas antíteses.
b) A temática de ambos é a mesma: o desconcerto b) jogo de palavras.
do mundo. c) contraposição de espírito e matéria.
d) jogo de idéias.
c) Enquanto o texto 1 aborda a temática do descon-
e) raciocínio rebuscado.
certo do mundo, o texto 2 combate a vaidade e o
culto da aparência.
138. Fuvest-SP
d) O texto 1 é exemplo de poema cuja temática é a
O cultismo e o conceptismo, aspectos contrastantes
frustração amorosa, assunto sutilmente abordado
fundidos no Barroco, relacionam-se respectivamente
no texto 2.
a todas as oposições a seguir, exceto:
e) O texto 2 é um caso de poesia encomiástica, em
que se presta homenagem a alguém, no caso a a) forma e conteúdo. d) vida e morte.
Fábio, possivelmente um amigo do poeta. b) sentidos e inteligência. e) fantasia e raciocínio.
c) imaginação e razão.
136. UFPB
Leia o texto abaixo e responda ao que se pede. 139.
Soneto da separação Ofendido vos tem minha maldade,
É verdade, Senhor, que hei delinqüido,
De repente do riso fez-se o pranto Delinqüido vos tenho, e ofendido,
Silencioso e branco como a bruma Ofendido vos tem minha maldade.
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto. Maldade que encaminha a vaidade,
Vaidade que todo me há vencido,
De repente da calma fez-se o vento Vencido que ver-me e arrependido,
Que dos olhos desfez a última chama Arrependido a tanta enormidade.
E da paixão fez-se o pressentimento Gregório de Matos
E do momento imóvel fez-se o drama. Que aspectos da arte barroca são encontrados no
trecho exposto?
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante 140. UFPE
E de sozinho o que se fez contente. Discreta e formosíssima Maria
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Fez-se do amigo próximo o distante Em tuas faces a rosada Aurora,
Fez-se da vida uma aventura errante
Em teus olhos e boca, o sol e o dia:
De repente, não mais que de repente.
............................................................
Vinícius de Moraes
Goza, goza da flor da mocidade
Um dos recursos instaurados pela contemporaneidade Que o tempo trata a toda ligeireza
poética é a “liberdade de expressão”, que possibilitou, E imprime em toda flor sua pisada.
inclusive, a permanência de modelos clássicos do
Gregório de Matos
fazer poético. Em Soneto da separação, observa-se
o resgate da forma fixa, além do uso da antítese para
Boa-noite, Maria! Eu vou-me embora,
expressar a angústia da separação.
A lua nas janelas bate em cheio.
a) Retire do poema duas antíteses.
Boa-noite, Maria! É tarde...é tarde...
b) Que estilo de época acrescenta à presença de
antíteses o exagero expressivo como reflexo de Não me apertes assim contra teu seio.
um intenso conflito espiritual? .........................................................
Mas não me digas descobrindo o peito
137. Fuvest-SP
Mar de amor onde vagam meus desejos
Leia atentamente o texto.
Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem Castro Alves

a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que


saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, Nos versos acima, o lirismo barroco, em Gregório de
ao Japão; os que semeiam sem sair são os que se Matos, e o romântico, em Castro Alves, apresentam
contentam com pregar na pátria. Todos terão sua ra- pontos de divergência e convergência, apesar de per-
zão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em tencerem a movimentos literários diferentes, distancia-
casa, pagar-lhes-ão a semeadura: aos que vão buscar dos por séculos. As convergências se devem a que:
a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura, e a) a visão do amor, fundamentada na religiosidade
hão-lhes de contar os passos. Ah! dia do juízo! Ah! contra-reformista, elimina a expressão do amor
pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço: físico, sublimando o sentimento.
os de lá, com mais passos... b) as relações amorosas são apresentadas de uma
Padre Antônio Vieira maneira sensual e ardente.
76
c) o tema do Carpe diem faz referência ao aprovei- c) O cultismo é perceptível no rebuscamento da
tamento da vida e da beleza, na sua brevidade; linguagem, pelo abuso no emprego de figuras
esse tema aparece em ambos como uma reflexão semânticas, sintáticas e sonoras. O conceptismo
sobre a transitoriedade das coisas. valoriza a atitude intelectual, o que se concretiza
d) utilizando o discurso direto, os poetas descrevem no discurso pelo emprego de sofismas, silogismos,
suas amadas recorrendo a metáforas alusivas a paradoxos.
elementos da natureza. d) O cultismo na Espanha, Portugal e Brasil é também
e) em ambos os poemas, as mulheres são descritas conhecido como gongorismo e seu mais ardente
como figuras contraditórias, simultaneamente defensor, no Sermão da Sexagésima, propõe a
angelicais e demoníacas. primazia da palavra sobre a idéia.
141. e) Os métodos cultistas mais seguidos por nossos
Assinale a alternativa incorreta. poetas foram os de Gôngora e Marini, e o concep-
O Barroco surgiu como reação aos ideais da Idade tismo de Quevedo foi o que maiores influências
Média e à valorização demasiada da Antigüidade deixou em Gregório de Matos.
Clássica, apresentando:
a) a fusão do teocentrismo com o antropocentrismo. 145.
b) predomínio do equilíbrio em todas as formas ar- Explique o conceito de “cultismo”, recurso tão encontra-
tísticas. do nos textos barrocos. Utilize, para isso, os seguintes
c) estilo rebuscado como manifestação de angústia. versos de Gregório de Matos:
d) predomínio de forma, cor e riqueza, em detrimento O todo sem a parte não é o todo;
de conteúdo. A parte sem o todo não é parte;
e) a fusão do pecado com o perdão. Mas se a parte faz o todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo o todo.
142. Fuvest-SP

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia. Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
Depois da luz, se segue a noite escura,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em tristes sombras morre a formosura, Em qualquer parte sempre fica todo.
Em contínuas tristezas e alegria.
146. Ufla-MG
Na estrofe acima, de um soneto de Gregório de Matos
Assinale a alternativa que contém características
Guerra, a principal característica do Barroco é:
incompatíveis com o estilo de época conhecido por
a) o culto da Natureza. Barroco.
b) a utilização de rimas alternadas. a) Contradições, sobrenatural humanizado, céu e
c) a forte presença de antíteses. terra ligados.
b) Gosto pela polêmica, pelo panfleto, colisão de cores
d) o culto do amor cortês. e excesso de relevos.
e) o uso de aliterações. c) Sentido de universalidade, racionalismo e objeti-
vidade.
143. d) As coisas, pessoas e ações não são descritas, mas
Duas atitudes diferentes, dois diferentes processos: apenas evocadas e refletidas através da visão das
a atitude sensual de rebusca do mais pulcro e personagens.
fulgurante para o encanto dos olhos; a atitude in- e) Largo sentimento de grandiosidade e esplendor, de
telectual, que formula o conceito engenhoso, para pompa e grandeza heróica, expressos na tendência
deliciado pasmo do espírito dialético. De comum, ao exagero e ao hiperbólico.
apenas o objetivo de surpreender pela singularidade
espantosa. 147. Uniube-MG
Hernâni Cidade Castigada, desfeita, malograda, [a mariposa]
Quais são os dois processos a que se refere o crítico Por ousada, por débil, por briosa,
português, respectivamente? Ao raio, ao resplendor, à luz formosa,
Cai triste, fica vã, morre abrasada.
144.
O texto lembra que na estética barroca foram fre-
Sobre cultismo e conceptismo, os dois aspectos qüentes:
construtivos do Barroco, assinale a única alternativa a) a tendência ao narrativo, a impessoalidade da
incorreta. expressão e do léxico, a concisão.
a) O cultismo opera através de analogias sensoriais, b) a economia de recursos de estilo, o uso de léxico
valorizando a identificação dos seres por metáfo- não-poético, a reiteração das idéias.
ras. O conceptismo valoriza a atitude intelectual, c) a prolixidade, a tendência ao descritivo, a reitera-
a argumentação. ção das idéias.
PV2D-07-POR-34

b) Cultismo e conceptismo são partes construtivas do d) o uso intenso de metáforas, a extrema contenção,
Barroco que não se excluem. É possível localizar a economia de recursos expressivos.
no mesmo autor e até no mesmo texto os dois e) o uso de contrastes, a impessoalidade da expres-
elementos. são, o uso de léxico não-poético.
77
148. FCC-BA a) O amor divino pode salvar o ser humano do conflito
de confiar na infinitude do pecado.
Teme o fim, flor ufana, que a temê-lo
b) Como o amor de Cristo é muito maior que o pecado
A própria formosura te convida. do indivíduo, a salvação é certa.
c) A razão que o poder divino impõe ao ser humano
A vós divinos olhos, eclipsados, faz com que ele confie no amor e na salvação.
De tanto sangue e lágrimas cobertos, d) O amor de Cristo, infinito, faz o poeta desejar o fim
Pois, para perdoar-me, estais despertos do ato de pecar.
E, por não condenar-me, estais fechados. e) O conflito divino induz o ser humano a buscar o
O texto barroco, conforme lembram os excertos mos- amor infinito com a salvação.
trados, não raro:
a) se angustia com a fatuidade e a brevidade da exis- 151. Cefet-PR
tência e busca a redenção pela religiosidade. Queimada veja eu a terra,
b) traz ao leitor uma visão paradisíaca da existência, onde o torpe idiotismo
abençoada pelo sacrifício da divindade. chama aos entendidos néscios,
c) é fortemente moralista e exorta o homem a des- aos néscios chama entendidos.
prezar os prazeres e a vida terrena, porque a Queimada veja eu a terra,
divindade o espreita, sempre vigilante. Onde em casa, e nos corrilhos
d) é densamente espiritualizado, fortemente religio- Os asnos me chamam d’asno,
so e descompromissado com a observação da
Parece coisa de riso.
realidade física e com os aspectos materiais do
mundo. Eu sei de um clérigo zote
e) é fortemente emocionado e, por conseqüência, Parente em grau conhecido
valoriza a capacidade do indivíduo de fruir os Destes, que não sabem musa, mau grego e pior latim
aspectos positivos que o mundo lhe oferece. Famoso em cartas, e dados
(...)
149. USF-SP Ambicioso, avarento,
Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te, Das próprias negras amigo.
Te lembrar hoje Deus por sua Igreja;
No fragmento poético-satírico mostrado, o poeta
De pó te fez espelho, em que se veja
Gregório de Matos, ao sair da Bahia colonial, escreve
A vil matéria, de que quis formar-te. sobre essa sociedade e seus integrantes. Podemos
Conforme sugere o excerto, o poeta barroco não raro afirmar que, nesse fragmento, o poeta:
expressa: a) demonstra grande apreço pela sociedade baiana.
a) o medo de ser infeliz; uma imensa angústia em
b) reforça o preconceito em relação ao elemento
face da vida, a que não consegue dar sentido; a
negro.
desilusão diante da falência de valores terrenos e
divinos. c) fortalece uma visão positiva do consórcio das
raças.
b) a consciência de que o mundo terreno é efêmero
e vão; o sentimento de nulidade diante do poder d) usa de antítese, característica da linguagem bar-
divino. roca, para exaltar os baianos.
c) a percepção de que não há saídas para o homem; e) descreve de modo imparcial o meio colonial baiano.
a certeza de que o aguardam o inferno e a desgra-
ça espiritual. 152.
d) a necessidade de ser piedoso e caritativo, paralela Que é terra, homem, e em terra hás de tornar-te,
à vontade de fruir até as últimas conseqüências o Te lembra hoje Deus por sua Igreja;
lado material da vida. De pó te faz espelho em que se veja
e) a revolta contra os aspectos fatais que os deuses A vil matéria de que quis formar-te.
imprimem a seu destino e à vida na terra. Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te,
E como o teu baixel sempre fraqueja
150. ESPM-SP
Nos mares da vaidade, onde peleja,
Considere os versos: Te põe à vista a terra, onde salvar-te.
Mui grande é Vosso amor e meu delito; Alerta, alerta pois, que o vento berra.
Porém pode ter fim todo o pecar, E se assopra a vaidade, e incha o pano,
E não o Vosso amor, que é infinito. Na proa a terra tens, amaina, e ferra.

Essa razão me obriga a confiar


Todo o lenho mortal, baixel humano
Que, por mais que pequei, neste conflito
Espero em Vosso amor de me salvar. Se busca a salvação, tome hoje terra,
Que a terra de hoje é porto soberano.
Esses versos que o poeta barroco Gregório de Matos
dirige a Cristo apresentam uma visão sofismática típica O poema acima desenvolve uma metáfora.
da época. Assinale a opção em que ocorre o mesmo a) De que metáfora se trata?
tipo de argumentação. b) Qual o desenvolvimento que o poema dá a ela?
78
153. 157. PUC-RJ
Dê argumentos que permitam considerar o padre 01 Navegava Alexandre em uma poderosa armada
Antônio Vieira como um expoente tanto da literatura pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse
portuguesa quanto da literatura brasileira. trazido à sua presença um pirata que por ali anda-
va roubando os pescadores, repreendeu-o muito
154. Mackenzie-SP 05 Alexandre de andar em tão mau ofício; porém,
Assinale a alternativa incorreta. ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu
a) Julgada em bloco, a literatura brasileira do qui- assim. – Basta, senhor, que eu, porque roubo em
nhentismo é uma típica manifestação barroca. uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em
b) Na poesia de Gregório de Matos, percebe-se o uma armada, sois imperador? – Assim é. O roubar
dualismo barroco: mistura de religiosidade e sen- 10 pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar
sualismo, misticismo e erotismo, valores terrenos com pouco poder faz os piratas, o roubar com
e aspirações espirituais. muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem
distinguir as qualidades e interpretar as significa-
c) A literatura no Brasil colonial é clássica, tendo
ções, a uns e outros definiu com o mesmo nome:
nascido pela mão dos jesuítas, com intenção
15 Eodem loco pone latronem et piratam, quo regem
doutrinária.
animum latronis et piratae habentem. Se o Rei de
d) Com Antônio Vieira, a estética barroca atinge o Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o
seu ponto alto em prosa no Brasil. ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos têm
e) Não se deve dizer que a literatura seiscentista o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.
brasileira seja inferior por ser barroca, mas sim Fragmento do Sermão do bom ladrão, de Pe. Antônio Vieira.
que é uma literatura barroca de qualidade inferior,
com exceções raras. Uma das mais importantes características da obra do
Padre Antônio Vieira refere-se à presença constante
155. em seus sermões das dimensões social e política,
Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os somadas à religiosa. Comente esta afirmativa em
pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se função do texto acima.
de uma parte está branco, da outra há de estar negro;
se de uma parte está dia, da outra há de estar noite; se 158.
de uma parte dizem luz, da outra hão de dizer sombra; Assinale a alternativa incorreta.
se de uma parte dizem desceu, da outra hão de dizer a) Em seus sermões, de estilo conceptista, o Padre
subiu. Aprendamos do céu o estilo da disposição, e Antônio Vieira segue os moldes da parenética
também o das palavras. medieval.
No excerto, Padre Vieira, condenando o abuso de ____ b) Caracteriza o Barroco a tentativa de unir os valores
______, critica alguns excessos do estilo ________. medievais aos renascentistas.
a) antíteses – barroco c) O poema épico Prosopopéia foi escrito em versos
b) metáforas – arcádico decassílabos e oitava-rima e é considerado o
c) metonímias – romântico marco inicial do Barroco no Brasil.
d) antíteses – arcádico d) Apesar de ser conhecido como poeta satírico,
Gregório de Matos também escreveu poesia lírica
e) metonímias – barroco
e religiosa.
156. PUC-MG e) O cultismo caracteriza-se como uma seqüência
O texto a seguir, de padre Antônio Vieira, pertence ao de raciocínios lógicos, usando uma retórica
estilo barroco. Comprove a afirmação, identificando, aprimorada, que despreza a linguagem rebus-
no trecho, três características do estilo. cada.
Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo
pode proceder de um de três princípios: ou da parte do 159. Fuvest-SP
pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. A respeito do padre Antônio Vieira, pode-se afirmar
Para uma alma se converter por meio de um que:
sermão, há de haver três concursos: há de concorrer a) embora vivesse no Brasil, por sua formação lusi-
o pregador com a doutrina, persuadindo; há de con- tana, não se ocupou de problemas locais.
correr o ouvinte com o entendimento, percebendo; há
de concorrer Deus com a graça, alumiando. Para um b) procurava adequar os textos bíblicos às realidades
homem ver a si mesmo, são necessárias três coisas: de que tratava.
olhos, espelhos e luz. Logo, há mister luz, há mister c) dada sua espiritualidade, demonstrava desinteres-
espelho e há mister olhos. Que coisa é a conversão de se por assuntos mundanos.
uma alma senão entrar um homem dentro de si e ver-se
d) em função de seu zelo para com Deus, utilizava-O
a si mesmo? Para essa vista são necessários olhos,
PV2D-07-POR-34

para justificar todos os acontecimentos políticos e


é necessária luz e é necessário espelho. O pregador
sociais.
concorre com o espelho, que é doutrina; Deus concorre
com a luz, que é a graça; o homem concorre com os e) mostrou-se tímido diante dos interesses dos po-
olhos, que é o conhecimento. derosos.
79
160. UFRGS-RS Quem ama porque o amam, é agradecido; quem ama
Assinale a alternativa que preenche adequadamente as para que o amem, esse só é fino. E tal foi a fineza de
lacunas do texto a seguir, na ordem em que aparecem. Cristo, em respeito a Judas, fundada na ciência que
Padre Antônio Vieira é um dos principais autores tinha dele e dos mais discípulos.
do _____________, movimento em que o homem é Vieira, Sermões.
conduzido pela ______________ e que tem, entre
suas características, o ______________, com seus 162. Vunesp
jogos de palavras, de imagens e de construção, e o O Padre Antônio Vieira (1608-1697), em cuja prosa
_____________ com o uso de silogismo, processo coexistem os princípios barrocos do cultismo e do
racional de demonstrar uma asserção. conceptismo, é considerado um dos maiores oradores
a) gongorismo – exaltação vital – cultismo – precio- de todos os tempos, em língua portuguesa. Em seus
sismo sermões, serve-se freqüentemente do simbolismo das
b) conceptismo – fé – preciosismo – gongorismo Sagradas Escrituras para desenvolver argumentos
c) Barroco – depressão vital – conceptismo – cultismo de raciocínio complexo, mas sempre de modo claro e
d) Conceptismo – depressão vital – gongorismo preciso. No fragmento transcrito, Vieira aborda funda-
– preciosismo mentalmente o tema do “amor”. Releia o texto dado e,
e) Barroco – fé – cultismo – conceptismo a seguir, responda: quantas e quais são as espécies
de “amor”, segundo Vieira?
161.
163. Vunesp
Da mesma maneira, uma coisa é o semeador, e ou-
tra o que semeia; uma coisa é o pregador, e outra o Verifique no texto as menções feitas por Vieira ao
que prega. O semeador e o pregador é nome; o que amor de Cristo pelos apóstolos e, a seguir, justifique
semeia e o que prega é ação; e as ações são as que como se dá o amor de Cristo a Judas, de acordo com
dão o ser ao pregador. Ter nome de pregador, ou ser a argumentação de Vieira.
pregador de nome, não importa nada; as ações, a
164. Vunesp
vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o
mundo. O melhor conceito que o pregador leva ao Em sua argumentação insistente e repetitiva, Vieira
púlpito, qual cuidais que é? É o conceito que de sua sintetiza a sua teoria do amor com a frase: “O amor
vida têm os ouvintes. fino não busca causa nem fruto”. Lendo atentamente a
Padre Antônio Vieira, Sermão da sexagésima.
seqüência do texto em pauta, percebemos que os vo-
Assinale a alternativa que indique a idéia básica do cábulos causa e fruto dessa frase apresentam relação
texto apresentado. contextual, respectivamente, com os conectivos porque
e para que em orações como: “porque me amam” e
a) Vieira defende a separação entre as atividades
“para que me amem”. Partindo desse comentário:
religiosas e as agrícolas, para as quais, naquele
a) explique a relação textual acima mencionada;
tempo, era dedicado o tempo dos padres.
b) justifique-a em função da teoria de amor proposta
b) Vieira defende que os religiosos da época deviam por Vieira.
dividir seu tempo entre a pregação e o trabalho
agrícola. 165. ENEM
c) Vieira despreza a atividade do pregador, que con- A respeito de Padre Antônio Vieira, o crítico literário
siderava extremamente improdutiva e inútil para a Affonso Ávila afirma: “Mas o uso de jogos vocabula-
vida nacional. res do mesmo teor prosseguirá ao longo do discurso,
d) Vieira afirma que as atitudes do pregador, na vida embora diluídos em meio ao vigor persuasório da
pessoal, devem estar totalmente desligadas de composição e atenuados ora por formas de gradação
sua pregação ao púlpito. mais paronomásica ou trocadilhesca, ora pela em-
e) Vieira afirma que as atitudes do pregador, na vida postação mais sóbria de antítese e de paradoxo”. Nos
pessoal, devem coincidir com sua pregação no trechos a seguir, extraídos de Os sermões, de Padre
púlpito. Vieira, assinale a opção que não seja exemplo de ne-
nhuma das características citadas por Affonso Ávila.
Texto para as questões de 162 a 164. a) O polvo, com aquele seu capelo na cabeça, parece
Tão inteiramente conhecia Cristo a Judas, como a um monge; com aqueles seus raios estendidos
Pedro, e aos demais; mas notou o Evangelista com parece uma estrela...
especialidade a ciência do Senhor, em respeito de b) Não diz Cristo: saiu a semear o semeador, senão,
Judas, porque em Judas mais que em nenhum outro saiu a semear o que semeia.
campeou a fineza de seu amor. Ora vede: definindo c) Os mortos são pó, nós também somos pó: em que nos
S. Bernardo o amor fino, diz assim: Amor non quaerit distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos vivos
causam, nec fructum: “O amor fino não busca causa dos mortos, assim como se distingue o pó do pó.
nem fruto”. Se amo porque me amam, tem o amor cau- d) Ah dia do juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-
sa; se amo para que me amem, tem fruto: e amor fino eis com mais paço; os de lá, com mais passos.
não há de ter por quê, nem para quê. Se amo porque e) Os outros ladrões roubam um homem, estes rou-
me amam, é obrigação, faço o que devo; se amo para bam cidades e reinos; os outros furtam debaixo
que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois do seu risco, estes sem temor nem perigo; os
como há de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo, outros, se furtam, são enforcados; estes furtam e
amo, ut amem: amo, porque amo, e amo, para amar. enforcam.
80
166. PUC-SP 168.
Há de tomar o pregador uma só matéria, há de Vieira, em seu sermão, afirma que uma mesma causa
defini-la para que se conheça, há de dividi-la para pode produzir efeitos contrários, conforme a presença
que se distinga, há de prová-la com a Escritura, há de ou não de determinado fator. Com base nesta cons-
declará-la com a razão, há de confirmá-la com o exem- tatação:
plo, há de amplificá-la com as causas, com os efeitos, a) determine o fator que, segundo afirma Vieira, é
com as circunstâncias, com as conveniências que se responsável por fazer com que uma mesma causa
hão de seguir, com os inconvenientes que se devem produza efeitos contrários;
evitar; há de responder às dúvidas, há de satisfazer b) indique o fenômeno físico que Vieira apresenta
às dificuldades, há de impugnar e refutar com toda a como uma das provas do que afirma.
força da eloqüência os argumentos contrários, e depois
disto há de colher, há de apertar, há de concluir, há de 169.
persuadir, há de acabar. Identifique as partes em que se dividem os sermões de
Vieira, indicando o conteúdo de cada uma delas.
Esse trecho do Sermão da Sexagésima, de autoria do
Padre Antônio Vieira, aponta as partes que compõem 170. UFRGS-RS
o discurso argumentativo e ilustra o Barroco, em seu Sobre a obra de Gregório de Matos, é correto afirmar
estilo conceptista. que:
Em que consiste esse estilo? Exemplifique-o com o a) os vícios da colônia são criticados e as autoridades
texto dado. públicas são ridicularizadas.
b) sua infância e sua família são temas recorrentes
Texto para as questões de 167 a 169. em seus poemas.
Sermão do Mandato c) a escravidão é denunciada como instituição per-
versa e desnecessária.
Começando pelo amor. O amor essencialmente é
união, e naturalmente a busca: para ali pesa, para ali d) o elogio da mulher amada está inserido em um
quadro bucólico e pastoril.
caminha, e só ali pára. Tudo são palavras de Platão,
e de Santo Agostinho. Pois se a natureza do amor é e) o ideal da racionalidade resulta na sintaxe simples
e na ordem direta das frases.
unir, como pode ser efeito do amor o apartar? Assim
é, quando o amor não é extremado e excessivo. As 171. UEL-PR
causas excessivamente intensas produzem efeitos
contrários. A dor faz gritar; mas se é excessiva, faz Incêndio em mares d’água disfarçado,
emudecer: a luz faz ver; mas se é excessiva, cega: Rio de neve em fogo convertido.
a alegria alenta e vivifica; mas se é excessiva, mata.
Assim o amor: naturalmente une; mas se é exces- Nesses versos de Gregório de Matos, ocorre um
sivo, divide: Fortis est ut mors dilectio: o amor, diz procedimento comum ao estilo da poesia barroca,
qual seja:
Salomão, é como a morte. Como a morte, rei sábio?
Como a vida, dissera eu. O amor é união de almas; a) a imitação direta dos elementos naturais.
a morte é separação da alma: pois se o efeito do b) a submissão da sintaxe às regras da clareza.
amor é unir, e o efeito da morte é separar, como pode c) a interpenetração de elementos contrastantes.
ser o amor semelhante à morte? O mesmo Salomão d) a ordem casual e descontrolada das palavras.
explicou. Não fala Salomão de qualquer amor, senão e) a exaltação da paisagem nativa.
do amor forte? Fortis est ut mors dilectio: e o amor
172. UFRGS-RS
forte, o amor intenso, o amor excessivo, produz
Sobre a poesia de Gregório de Matos Guerra, é correto
efeitos contrários. É união, e produz apartamen-
afirmar que:
tos. Sabe-se o amor atar, e sabe-se desatar como
Sansão: afetuoso , deixa-se atar; forte, forte rompe a) privilegia os cenários bucólicos percorridos por
pastores e ninfas examinados sob uma perspectiva
ataduras. O amor sempre é amoroso; mas umas
satírica e irônica.
vezes é amoroso e unitivo, outras vezes amoroso e
forte. Enquanto amoroso e unitivo, ajunta extremos b) expõe em sintaxe simples o caráter sereno e
amoroso de um pastor que corteja sua amada com
mais distantes: enquanto amoroso e forte, divide os
promessas de vida amena e burocrática.
extremos mais unidos.
c) expõe em sintaxe complexa e com metáforas
Antônio Vieira. Sermão do Mandato.
antitéticas os dilemas do amor e do espírito no
quadro da Contra-Reforma.
167.
Mencione e explique uma característica do estilo bar- d) privilegia o cenário urbano para denunciar as
roco que Vieira explora com insistência no seguinte arbitrariedades da Inquisição e o racismo dos
PV2D-07-POR-34

trecho: O amor é união de almas; a morte é separação portugueses instalados na colônia.


da alma: pois se o efeito do amor é unir, e o efeito da e) privilegia os cenários palacianos em que ocorrem
morte é separar, como pode ser o amor semelhante intrigas e conspirações envolvendo nobres buro-
à morte? cratas, monges e prostitutas.
81
173. Fatec-SP II. O poema evidencia a “fórmula da ordem barroca”
No colégio dos padres, Gregório de Matos escreveu: ditada por Gérard Genette: diferença transforma-se
em oposição, oposição em simetria e simetria em
Quando desembarcaste da fragata, meu dom Braço de identidade.
Prata, cuidei, que a esta cidade tonta, e fátua*, manda- III. O poema inscreve, no âmbito da linguagem, o
va a inquisição alguma estátua, vendo tão espremida conflito vivido pelo homem do século XVII.
salvajola* visão de palha sobre um mariola*.
Sorriu, e entregou o escrito a Gonçalo Ravasco. De acordo com o poema, pode-se concluir que:
a) são corretas todas as afirmações.
Gonçalo leu-o, gracejou, entregou-o ao vereador.
b) são corretas apenas as afirmações I e II.
O papel passou de mão em mão.
c) são corretas apenas as afirmações I e III.
“A difamação é o teu deus”, disseram, sorrindo. d) é correta apenas a afirmação II.
Ana Miranda, Boca do inferno.
e) é correta apenas a afirmação III.
*fátua: tola; *salvajola: variante de “selvagem”; *mariola: velhaco

175. UEL-PR
O techo ilustra:
Assinale a alternativa cujos termos preenchem corre-
a) a poesia erótica de Gregório de Matos, inspirada na tamente as lacunas do texto inicial.
vida nos prostíbulos da cidade da Bahia e que deu
Como bom barroco e oportunista que era, este poeta de
origem à alcunha do poeta, “Boca do inferno”.
um lado lisonjeia a vaidade dos fidalgos e poderosos,
b) a poesia lírica de Gregório de Matos, voltada para de outro investe contra os governadores, os “falsos fi-
a temática filosófica, em linguagem marcada pelos dalgos”. O fato é que seus poemas satíricos constituem
recursos da estética barroca. um vasto painel .................., que .............................
c) a poesia satírica de Gregório de Matos, dedicada compôs com rancor e engenho ainda hoje admirados
à descrição fiel da sociedade da época, utilizando pela expressividade.
recursos expressivos característicos do barroco a) do Brasil do século XIX – Gregório de Matos
português. b) da sociedade mineira do século XVIII – Cláudio
d) a poesia erótica de Gregório de Matos, carac- Manuel da Costa
terizada pela crítica aos comportamentos e às c) da Bahia do século XVII – Gregório de Matos
autoridades baianas da época colonial. d) do ciclo da cana-de-açúcar – Antônio Vieira
e) a poesia satírica de Gregório de Matos, que re- e) da exploração do ouro em Minas – Cláudio Manuel
presenta, no conjunto de sua obra, uma fuga aos da Costa
moldes barrocos e ataca, no linguajar baiano da
época, costumes e personalidades. 176. UEL-PR
Identifique a afirmação que se refere a Gregório de
174. PUC-SP Matos.
“Aos afetos, e lágrimas derramadas na ausência da a) No seu esforço de criação da comédia brasileira,
dama a quem queria bem.” realiza um trabalho de crítica que encontra segui-
dores no Romantismo e mesmo no restante do
Soneto século XIX.
Ardor em firme coração nascido;
b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado
Pranto por belos olhos derramado;
e o presente: ainda tem os torneios verbais do
Incêndio em mares de águas disfarçado;
quinhentismo português, mas combina-os com a
Rio de neve em fogo convertido:
paixão das imagens pré-românticas.
Tu, que em um peito abrasas escondido; c) Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida
Tu, que em um rosto corres desatado; o mais liberal, o que mais claramente manifestou
Quando fogo, em cristais aprisionado; as idéias da ilustração francesa.
Quando cristal em chamas derretido. d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os
vícios, os ridículos, os desmandos do poder local,
Se és fogo como passas bradamente, valendo-se para isso do engenho artificioso que
Se és neve, como queimas com porfia? caracterizava o estilo da época.
Mas ai, que andou Amor em ti prudente! e) Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na
Minas do chamado ciclo do ouro é prova de que
Pois para temperar a tirania, seu talento não se restringia ao lirismo amoroso.
Como quis que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu parecesse a chama fria. 177. Fuvest-SP
A poesia lírica de Gregório de Matos subdivide-se em
Considere atentamente as seguintes afirmações sobre amorosa e religiosa.
o poema de Gregório de Matos: a) Quais são os dois modos contrastantes de ver a
I. O par fogo e água, que figura amor e contentação, mulher, em sua lírica amorosa?
passa por variações contrastantes até evoluir para b) Como aparece em sua lírica religiosa a idéia de
o oximoro. Deus e do pecado?
82
178. 180.
Fragmento I Num Brasil colonial, pode-se dizer que Gregório de
Matos Guerra e suas obras:
A nossa Sé da Bahia,
a) funcionaram como nosso primeiro jornal.
como ser um mapa de festas,
b) estão desvinculados do contexto da época tanto
é um presépio de bestas,
local como universalmente.
se não for estrebaria:
c) surgem de maneira postiça, sem relação com os
Fragmento II valores do tempo.
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, d) pregaram com veemência a idéia de emancipação
política.
Recobrai-a; e não queirais, Pastor divino,
e) surgem como anunciantes de uma nova era para
Perder na Vossa ovelha a Vossa glória.
o mundo, cheia de harmonia e de paz.
Fragmento III
181.
Não vira em minha vida a formosura,
Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado
Ouvia falar nela cada dia,
Da vossa alta clemência me despido;
E ouvida, me incitava e me movia
Porque, quanto mais tenho delinqüido,
A querer ver tão bela arquitetura.
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
Relacione os textos de poemas de Gregório de Matos
Guerra aos gêneros. Se basta a vos irar tanto um pecado,
Fragmento I ( ) Amoroso A abrandar-vos sobeja um só gemido;
Fragmento II ( ) Sacro Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Fragmento III ( ) Satírico Vos tem para o perdão lisonjeado.

179. UFV-MG Se uma ovelha perdida e já cobrada


Glória tal e prazer tão repentino
A cidade da Bahia
Vos deu, como afirmais na sacra história,
Triste Bahia! Oh, quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada.
Pobre te vejo a ti, e tu a mim empenhado
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Rica te vi eu já, tu a mim abundante.
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

A ti tocou-te a máquina mercante,


Na terceira estrofe há a menção de um episódio bíblico
Que em tua larga barra tem entrado
que se liga diretamente à quase ameaça da última
A mim foi-me tocando e tem tocado estrofe. Indique o episódio e explique tal ligação.
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente 182.
Pelas drogas inúteis que, abelhuda,
Simples aceitas do sagaz brichote. Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor e Anjo juntamente;
Oh, se quisera Deus que, de repente, Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Um dia amanheceras tão sisuda, Em quem, senão em vós, se uniformara:
Que fora de algodão o teu capote!
Quem vira uma tal flor, que a não cortara,
As afirmações a seguir estão corretas em relação ao Do verde pé, da rama florescente;
texto, exceto:
E quem um Anjo vira tão luzente,
a) Fixa, de maneira vivaz, a paisagem física de sua
Que por seu Deus o não idolatrara?
bela cidade, templos, praças e ruas.
b) Além da temática, nota-se, no texto, como marca
tempo/ espaço, certa atmosfera lingüística, própria Se pois como Anjo sois dos meus altares,
da Bahia seiscentista (máquina mercante, brichote Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,
etc.). Livrara eu de diabólicos azares.
c) Poema satírico, com forte dose de realismo na
descrição do ambiente moral da cidade. Mas vejo, que por bela, e por galharda,
d) Compara, em tom de ironia e desencanto, sua Posto que os Anjos nunca dão pesares,
própria situação à daquele outrora próspero núcleo Sois Anjo que me tenta, e não me guarda.
PV2D-07-POR-34

colonial.
e) A obra satírica de Gregório de Matos (de que o so- A imagem da mulher é propositadamente contraditória.
neto é fragmento) é um espelho, visão e denúncia Como se percebe tal contradição? Qual é a relação
de sua época. entre essa contradição e o estilo barroco?
83
183. Sonetos de Gregório de Matos para as questões
186 a 188.
Das alternativas abaixo, apenas uma não apresenta
Soneto I
características da obra do poeta barroco Gregório de
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Matos. Assinale-a.
Depois da Luz, se segue a noite escura,
a) Sentido vivo de pecado aliado à busca do perdão
Em tristes sombras morre a formosura,
e da pureza espiritual.
Em contínuas tristezas a alegria.
b) Poesia com força crítica poderosa, pessoal e
social, chegando à irreverência e à obscenidade. Porém se acaba o Sol, por que nascia?
c) Destaca a beleza física da amada e a sua transi- Se formosa a Luz é, por que não dura?
toriedade. Como a beleza assim se transfigura?
d) Realça a beleza da flora, da fauna e da paisagem Como o gosto da pena assim se fia?
brasileiras, em manifestação nativista.
e) Tentativa de conciliar elementos contraditórios, Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
busca da unidade sob a diversidade. Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
184. UEBA
A respeito de Gregório de Matos, é correto afirmar Começa o mundo enfim pela ignorância,
que: E tem qualquer dos bens por natureza
a) as poesias atribuídas a ele dividem-se em amoro- A firmeza somente na inconstância.
sas, religiosas, encomiásticas, satíricas e fesceni-
nas. Soneto II
Discreta, e formosíssima Maria,
b) embora conhecido como “Boca do Inferno”, escre-
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
veu poesias satíricas sem nenhum poder de crítica,
Em tuas faces a rosada Aurora,
cujos versos não passam de meros “destemperos
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
verbais”.
c) nas poesias amorosas e religiosas, afastou-se Enquanto com gentil descortesia
do português erudito, chegando a criar um estilo O ar, que fresco Adônis te namora,
notadamente brasileiro. Te espalha a rica trança voadora,
d) não foi um poeta cultista, como era de se esperar; Quando vem passear-te pela fria:
enveredou pelo conceptismo para poder expressar
as tensões do espírito barroco. Goza, goza da flor da mocidade,
e) por desprezar a contribuição da linguagem bra- Que o tempo trota a toda ligeireza,
sileira, criou uma poesia, no geral, monótona, E imprime em toda a flor sua pisada.
salvando-se apenas nos poemas fesceninos
(obscenos). Oh não aguardes, que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza
185. Unimep-SP
Há, em Gregório de Matos, ressonância da poesia de Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
Camões. Os versos camonianos: Amor é fogo que arde
sem se ver / É ferida que dói e não se sente; / É um 186.
contentamento descontente; / É dor que desatina sem Identifique a temática comum aos dois sonetos – a
doer influenciaram que versos do poeta brasileiro? qual é também comum na arte barroca.
a) Ardor em firme coração nascido
187.
Pranto por belos olhos derramado;
Identifique, nos dois textos, exemplos de antíteses.
Incêndio em mares d’água disfarçado.
188.
b) E quer meu mal, dobrando os meus tormentos,
Encontre, no soneto I, argumentos que justificam o
Que esteja morto para as esperanças,
conselho dado pelo eu lírico a Maria, no texto II.
E que ande vivo para os sentimentos.
189.
c) Ó tu do meu amor fiel traslado
Mariposa, entre chamas consumida, Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Pois se à força do ardor perdes a vida, Depois da Luz se segue a noite escura,
A violência do fogo me há prostrado. Em tristes sombras morre a formosura,
d) Ontem, a amar-vos me dispus; e logo Em contínuas tristezas a alegria.
Senti dentro de mim tão grande chama,
Que vendo arder-me na amorosa flama. Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
e) Essas luzes de amor ricas, e belas
Vê-las basta uma vez, para admirá-las, Como a beleza assim se transfigura?
Que vê-las outra vez, irá ofendê-las. Como o gosto da pena assim se fia?
84
Mas no Sol e na Luz falte a firmeza, Texto II
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza. O tempo não pára

Disparo como um sol. Sou forte sou por acaso


Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza Minha metralhadora cheia de mágoas
A firmeza somente na inconstância. Eu sou um cara
Cansado de correr na direção contrária
O soneto anterior é um dos mais conhecidos de Gregó-
rio de Matos Guerra. O tema do poema e a linguagem Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
utilizada para expressar esse tema são típicos do estilo Eu sou mais um cara
barroco. Responda às questões. Mas se você achar que eu tô derrotado
a) Qual o tema do soneto?
Saiba que ainda estou rolando os dados
b) Aponte uma figura de linguagem utilizada no texto.
Porque o tempo ... o tempo não pára
c) O que o poeta quis dizer nos dois últimos versos?
Dias sim ...dias não eu vou sobrevivendo sem um
190. UFRJ [arranhão
A certa personagem desvanecida Da caridade de quem me detesta
Soneto A tua piscina tá cheia de ratos
Um soneto começo em vosso gabo: Tuas idéias não correspondem aos fatos
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira, O tempo não pára
Já este quartetinho está no cabo. Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
Na quinta torce agora a porca o rabo;
O tempo não pára.... não pára... não... não pára
A sexta vá também desta maneira:
Na sétima entro já com grã canseira, Eu não tenho data pra comemorar
E saio dos quartetos muito brabo. Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro
Agora nos tercetos que direi?
Direi que vós, Senhor, a mim me honrais Nas noites de frio é melhor nem nascer
Gabando-vos a vós, e eu fico um rei. Nas de calor se escolhe é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Nesta vida um soneto já ditei;
Se desta agora escapo, nunca mais Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Louvado seja Deus, que o acabei. Transformam um país inteiro num puteiro
MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. (org.) José Miguel Wisnik. Pois assim se ganha mais dinheiro
Cazuza
No mundo barroco, predominam os contrastes. Partin-
do das idéias contidas no 1º e nos dois últimos versos 191. UFF-RJ
do soneto de Gregório de Matos, explique a oposição
básica que confere ao texto feição satírica. As estéticas literárias não se confinam a determina-
dos tempos e a determinados autores na expressão
Leia os textos a seguir e responda às questões do sentimento e da visão de mundo. De uma forma
191 e 192. ou de outra, os poetas Gregório de Matos e Cazu-
za (séculos XVI e XX, respectivamente) discutem
Texto I as contradições que, atemporalmente, cercam a
Largo em sentir, em respirar sucinto, existência humana.
Peno, e calo, tão fino e tão atento, Transcreva dois versos seguidos do texto I e dois
Que fazendo disfarce do tormento, versos seguidos do texto II que comprovem o
Mostro que o não padeço, e sei que o sinto. caráter contraditório da visão de mundo de cada
autor.
O mal que fora encubro, ou que desminto,
Dentro no coração é que o sustento:
192. UFF-RJ
Com que para penar é sentimento,
Para não se entender, é labirinto. O poeta Gregório de Matos e o compositor Cazuza,
como homens de seus tempos, apresentam, em certos
Ninguém sufoca a voz nos seus retiros; aspectos, atitudes distintas em relação aos conflitos
Da tempestade é o estrondo efeito: existenciais. O primeiro reconhece a existência dos
Lá tem ecos a terra, o mar suspiros. conflitos que o atormentam. O segundo, além de
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Mas oh! Do meu segredo alto conceito! reconhecer conflitos pessoais, expõe as mazelas que
Pois não chegam a vir à boca os tiros cercam o ser humano em geral. Transcreva, de cada
Dos combates que vão dentro do peito. autor (texto I e texto II), dois versos seguidos que
Gregório de Matos Guerra. Sonetos. confirmem tal afirmativa.
85
Leia os textos abaixo e responda às questões 193 195. UFU–MG
e 194. Leia o poema a seguir.
Texto I Definição do Amor
Bela Floralva, se Amor (...)
me fizesse abelha um dia, Uma ferida sem cura,
uma chaga, que deleita,
em todo o tempo estaria um frenesi dos sentidos,
picando na vossa flor: desacordo das potências.
e quando a vosso rigor Uma dor, que se não cala,
quisesse dar-me de mão pena, que sempre atormenta,
manjar, que não enfastia,
por guardar a flor, então,
um brinco, que sempre enleva.
tão abelhudo eu andara, O Amor é finalmente
que em vós logo me vingara um embaraço de pernas,
com vos meter o ferrão. uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias.
Texto II Uma confusão de bocas,
Que falta nesta cidade?......................Verdade. uma batalha de veias,
Que mais por sua desonra?..................Honra. um rebuliço de ancas,
quem diz outra coisa, é besta.
Falta mais que se lhe ponha?.............Vergonha.
Gregório de Matos, Antologia poética.
O demo a viver se exponha
Marque a alternativa correta.
por mais que a fama a exalta
a) O Gregório de Matos barroco abandona o estilo
numa cidade onde falta clássico, de tema e tratamento nobres e superio-
Verdade, Honra, Vergonha. res, optando por temas prosaicos, e redimensiona
a forma literária elevada para composições mais
(...)
populares, o que implica na conservação do de-
E nos Frades há manqueiras?.............Freiras. cassílabo, como no poema acima.
Em que ocupam os serões?..................Sermões. b) No soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”, Camões
não alcança a definição exata do Amor, definindo-o
Não se ocupam em disputas?..............Putas. pelas indefinições, por considerá-lo um sentimento
Com palavras dissolutas contraditório. Nesse sentido, os versos acima são
uma paráfrase ao famoso poema camoniano.
me concluís na verdade,
c) A vertente maneirista da obra poética de Gregório
que as lidas todas de um frade de Matos é pautada pelas tensões oriundas da
são Freiras, Sermões e Putas. Contra-Reforma, que alertava sobre a fragilidade
humana e a conseqüente necessidade de valorizar
o espiritual. A vertente barroca é voltada para o
O açúcar já se acabou?.......................Baixou. prazer, o riso e a festa: as delícias da vida terrena.
E o dinheiro se extinguiu?..................Subiu. O poema em questão é da vertente maneirista.
d) A partir do verso “O amor é finalmente”, o poeta
Logo já convalesceu?..........................Morreu. afasta as antíteses que corroboram as contradi-
À Bahia aconteceu ções do amor espiritualizado, resumindo o amor
o que a um doente acontece, aos aspectos físicos desse sentimento.

cai na cama, o mal lhe cresce, 196. Mackenzie–SP


Baixou, Subiu, e Morreu. “Quem deixa a Deus por Deus não o perde, antes o
assegura. Deus é Caridade; e, assim, a alma que por
A Câmara não acode?.........................Não pode. respeito da Caridade se priva de Deus, aparta-se donde
na verdade fica, e fica donde parece que se aparta.”
Pois não tem todo o poder?.................Não quer.
Assinale a afirmativa correta a respeito do texto acima.
É que o governo a convence?............Não vence. a) O tratamento dado à temática religiosa mostra que
Quem haverá que tal pense, o fragmento pertence ao Trovadorismo, estilo de
época da Idade Média.
que uma Câmara tão nobre
b) A temática religiosa e o jogo de antíteses presentes
por ver-me mísera e pobre nesse fragmento dissertativo identificam seu estilo
Não pode, Não quer, Não vence. barroco conceptista.
c) O enfoque maniqueísta do narrador, associado à
linguagem emotiva, justifica classificar o fragmento
193.
como romântico.
O texto I é um tipo específico de sátira. Indique o nome d) A linguagem descritiva e a ausência de argumento
que recebe e por quê. dogmático caracterizam o estilo renascentista do
fragmento.
194. e) A linguagem pleonástica na construção de efeitos
Que tipo de crítica evidencia-se no texto II? Cite seg- sinestésicos caracteriza o estilo cultista desse
mentos do texto que comprovem, sua resposta. fragmento narrativo.
86
Capítulo 4
197. c) Ricardo Reis trabalha com a consciência da efeme-
Leia atentamente o texto abaixo e responda ao que ridade da vida: tudo é breve. Dessa consciência,
se pede. surge a necessidade de se aproveitar o tempo
presente (carpe diem), convite que o poeta faz à
O ledo passarinho, que gorjeia amada.
D’alma exprimindo a cândida ternura, d) Aproveitar o tempo, para Ricardo Reis, é simples-
O rio transparente, que murmura, mente viver, deixar a vida decorrer, sem nada dese-
E por entre pedrinhas serpenteia: jar, como se percebe no verso “Desenlacemos as
mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.”
O Sol, que o céu diáfano passeia,
A Lua, que lhe deve a formosura, 199. UFRGS-RS
O sorriso da aurora alegre e pura, Leia as afirmações abaixo sobre o Arcadismo bra-
A rosa, que entre os zéfiros ondeia: sileiro.
I. Os poetas árcades colocavam-se como pastores
A serena, amorosa Primavera, para realizarem, dessa forma, o ideal de uma vida
O doce autor das glórias que consigo, simples em contato com a natureza.
A deusa das paixões, e de Citera:
II. O Arcadismo brasileiro, embora tenha reproduzido
muito dos modelos europeus, apresentou caracte-
Quanto digo, meu bem, quanto não digo,
rísticas próprias, como a incorporação do elemento
Tudo em tua presença degenera, indígena e a sátira política.
‘Nada se pode comparar contigo’. III. O tema do carpe diem, em que o poeta expressa
o desejo de aproveitar intensamente o momento
Explique o último verso do soneto, à luz do Arcadismo. presente, fugaz e passageiro, foi ignorado pelos
árcades brasileiros, excessivamente racionalistas.
198. UFU-MG
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Quais estão corretas?
Sossegadamente fitemos o seu curso e a) Apenas I. d) Apenas II e III.
[aprendamos b) Apenas III. e) I, II e III.
Que a vida passa, e não estamos de mãos c) Apenas I e II.
[enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.) 200. Fuvest-SP
(...)
I. Porque não merecia o que lograva,
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena
Deixei, como ignorante, o bem que tinha,
[cansarmo-nos.
Vim sem considerar aonde vinha,
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos
Deixei sem atender o que deixava.
[como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
II. Se a flauta mal cadente
E sem desassossegos grandes.”
Entoa agora o verso harmonioso,
Ricardo Reis/Fernando Pessoa
Sabei, me comunica este saudoso
Enquanto pasta alegre o manso gado,
Influxo a dor veemente;
Minha bela Marília, nos sentemos
Não o gênio suave,
À sombra deste cedro levantado.
Que ouviste já no acento agudo e grave.
Um pouco meditemos
Na regular beleza, III. Da delirante embriaguez de bardo
Que em tudo quanto vive nos descobre Sonhos em que afoguei o ardor da vida,
A sábia natureza. Ardente orvalho de febris pranteios,
Tomás Antônio Gonzaga
Que lucro à alma descrida?
Marque a afirmativa incorreta.
a) Ricardo Reis e Tomás Antônio Gonzaga são Cada estrofe, a seu modo, trabalha o tema de um bem,
considerados neoclássicos porque resgatam ele- de um amor almejado e passado ou perdido. Avaliando
mentos da tradição literária greco-romana. Uma atentamente os recursos poéticos utilizados em cada
das características do neoclassicismo é tomar a uma delas, podemos dizer que os movimentos literários
natureza como modelo, procedimento observado a que pertencem I, II e III são, respectivamente:
nos versos destes poetas.
a) barroco – arcadismo – romantismo.
b) Os poetas sentam-se e meditam à beira do rio
PV2D-07-POR-34

b) barroco – romantismo – parnasianismo.


e à sombra do cedro. Ricardo Reis e Tomás A.
Gonzaga valem-se desses elementos, rio e cedro, c) romantismo – parnasianismo – simbolismo.
como imagens comparativas do fluir incessante da d) romantismo – simbolismo – modernismo.
vida. e) parnasianismo – simbolismo – modernismo.
87
201. Fatec-SP Preenchidos os parênteses, a seqüência correta é:
Voltaram à baila os deuses esquecidos, as ninfas a) II – I – III – I
esquivas, as náiades, as oréadas e os pastores b) IV – I – II – II
enamorados, as pastoras insensíveis e os rebanhos c) I – II – II – I
numerosos das bucólicas de Teócrito e Virgílio.
Ronald de Carvalho, Pequena história de literatura
d) I – IV – III – I
brasileira. e) II – IV – III – IV

O trecho acima refere-se ao seguinte movimento 204. Ufla-MG


literário: Leia com atenção os juízos estéticos transcritos abaixo
a) Romantismo. d) Parnasianismo. e marque:
b) Barroco. e) Naturalismo.
c) Arcadismo. Juízo I. Intérprete dos anseios do homem seiscentista
solicitado por ideais em conflitos. O fusionismo é a sua
202. FEI-SP tendência dominante – tentativa de conciliar, incorpo-
A poesia desta época, localizada em fins do século rando contrários.
XVIII e início do XIX, caracteriza-se pelo lirismo. Fiéis
ao espírito bucólico e pastoril, os poetas adotavam Juízo II. Procurando libertar a língua de termos es-
pseudônimos e, em seus textos, falavam e agiam púrios, restituindo-lhe uma sobriedade castiça e o
como pastores, tratando de pastoras suas amadas. O rigor de sentido, é a revitalização do pastoralismo e
mundo greco-romano vem completar o quadro lírico bucolismo.
das composições da época. a) se o primeiro se referir ao barroco e o segundo, ao
Assinale a alternativa que contém o período literário a arcadismo.
que se refere o trecho acima: b) se o primeiro se referir ao arcadismo e o segundo,
a) Romantismo. d) Arcadismo. ao barroco.
b) Simbolismo. e) Barroco. c) se ambos se referirem ao barroco.
c) Parnasianismo.
d) se ambos se referirem ao arcadismo.
203. ITA-SP e) se ambos se referirem à literatura dos jesuítas no
As opções a seguir referem-se aos textos A, B, C e D. Brasil.

Texto A ( ) 205. Mackenzie-SP


Ah! enquanto os destinos impiedosos
Assinale a alternativa que não apresenta um trecho
não voltam contra nós a face irada, do Arcadismo brasileiro.
façamos, sim, façamos, doce amada, a) Se sou pobre pastor, se não governo
os nossos breves dias mais ditosos.
Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes;
Texto B ( ) Se em frio, calma, e chuvas inclementes
Ó não aguardes, que a madura idade Passo o verão, outono, estio, inverno;
te converte essa flor, essa beleza,
em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada. b) Destes penhascos fez a natureza

Texto C ( ) O berço em que nasci! oh quem cuidara,

Nos olhos Caitutu não sofre o pranto, Que entre penhas tão duras se criara
E rompe em profundíssimos suspiros, Uma alma terna, um peito sem dureza!
Lendo na testa da fronteira gruta
De sua mão já trêmula gravado c) Musas, canoras musas, este canto
O alheio crime e a voluntária morte. Vós me inspirastes, vós meu tenro alento
Erguestes brandamente àquele assento
Texto D ( )
Que tanto, ó musas, prezo, adoro tanto.
O todo sem a parte não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
d) Meu ser evaporei na lida insana
Mas se a parte faz o todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo. Do tropel das paixões que me arrastava,
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Preencha os parênteses anteriores dos textos dados, Em mim, quase imortal, a essência humana!
obedecendo à seguinte convenção:
I. Gregório de Matos e) Não vês, Nise, este vento desabrido,
II. Tomás Antônio Gonzaga Que arranca os duros troncos ? Não vês esta,
III. Basílio da Gama Que vem cobrindo o Céu, sombra funesta,
IV. Cláudio Manuel da Costa Entre o horror de um relâmpago incendido?
88
206. UFV-MG c) A revelação sincera de si próprio e a confissão
Leia o texto a seguir e faça o que se pede. do padecimento que o inquieta levam o poeta a
romper com o decálogo arcádico, prenunciando a
Ornemos nossas testas com as flores poética romântica.
E façamos de feno um brando leito; d) A desesperança, o abatimento e a solidão, pre-
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito, sentes nas liras escritas depois da prisão do autor,
revelam contraste com as primeiras, concentradas
Gozemos do prazer de sãos amores.
na conquista galante da mulher amada.
Sobre as nossas cabeças,
e) Embora tenha a estrutura de um diálogo, o texto
Sem que o possam deter, o tempo corre, é um monólogo – só Gonzaga fala e raciocina.
E para nós o tempo, que se passa,
Também, Marília, morre. 208. UFV-MG
Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu, Lira XIV. Leia a estrofe de Tomás Antônio Gonzaga e faça o
que se pede.
Todas as alternativas a seguir apresentam caracte-
rísticas do Arcadismo, presentes na estrofe anterior, Os teus olhos espalham a luz divina,
exceto: A quem a luz do sol em vão se atreve;
a) o ideal de ÁUREA MEDIOCRIDADE, que leva Papoila ou rosa delicada e fina
o poeta a exaltar o cotidiano prosaico da classe
média. Te cobre as faces, que são cor da neve.
b) tema do CARPE DIEM – uma proposta para se Os teus cabelos são uns fios de ouro;
aproveitar a vida, desfrutando o ócio com digni- Teu lindo corpo bálsamo vapora.
dade. Ah! não, não fez o Céu, gentil Pastora,
c) o ideal de uma existência tranqüila, sem extremos,
Para glória de amor igual Tesouro.
espelhada na pureza e amenidade da natureza.
d) a fugacidade do tempo, a fatalidade do destino, a Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu, Lira XIV. Parte I, Lira I.

necessidade de envelhecer com sabedoria. Sobre a personagem central feminina, podemos


e) a concepção da natureza como permanente reflexo afirmar que:
dos sentimentos e paixões do eu lírico. a) Marília é mostrada, ao mesmo tempo, como pes-
soa e como encarnação do Amor, como categoria
207. UFV-MG absoluta.
Leia o fragmento de texto a seguir e faça o que se b) Apesar da beleza deslumbrante da amada, não
pede. se verifica, na construção dessa personagem,
qualquer idealização clássica da mulher.
Esprema a vil calúnia muito embora
c) O poeta dirige-se a Marília unicamente como sua
Entre as mãos denegridas, e insolentes,
noiva e futura esposa.
Os venenos das plantas,
d) A beleza luxuriante de Marília contrasta com o ideal
E das bravas serpentes. de serena fruição dos prazeres sadios da vida.
Chovam raios e raios, no seu rosto e) Marília, pela sua intensa sensualidade, representa
Não hás de ver, Marília, o medo escrito: o ideal de amante e não o de noiva ou esposa.
O medo perturbador,
Que infunde o vil delito. 209. UFV-MG
Sobre o Arcadismo no Brasil, podemos afirmar que:
[...]
a) produziu obras de estilo rebuscado, pleno de an-
Eu tenho um coração maior que o mundo. títeses e frases tortuosas, que refletem o conflito
entre matéria e espírito.
Tu, formosa Marília, bem o sabes:
Eu tenho um coração maior que o mundo. b) não apresentou novidades, sendo mera imitação
do que se fazia na Europa.
Tu, formosa Marília, bem o sabes:
c) além das características européias, desenvolveu te-
Um coração .... e basta, mas ligados à realidade brasileira, sendo importante
Onde tu mesma cabes. para o desenvolvimento de uma literatura nacional.
Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu, Parte II, Lira II. d) apresenta já completa ruptura com a literatura
européia, podendo ser considerado a primeira
Sobre o fragmento de texto de Tomás Antônio Gonza- fase verdadeiramente nacionalista da literatura
ga, Marília de Dirceu, assinale a alternativa falsa. brasileira.
a) A interferência do mito na tessitura dos poemas, man- e) presente sobretudo em obras de autores mineiros
tendo o poeta dentro dos padrões poéticos clássicos, como Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da
PV2D-07-POR-34

impede-o de abordar problemas pessoais. Costa, Silva Alvarenga e Basílio da Gama, carac-
b) A interpelação feita a Marília muitas vezes é pre- teriza-se como expressão da angústia metafísica
texto para o poeta celebrar sua inocência e seu e religiosa desses poetas, divididos entre a busca
destemor diante das acusações feitas contra ele. da salvação e o gozo material da vida.
89
210. UFV-MG 213. Mackenzie-SP
Fazendo um paralelo entre Romantismo e Arcadismo, Assinale a alternativa em que os versos evidenciam
podemos concluir que: ideais do Arcadismo.
a) o Arcadismo prenuncia o Romantismo porque já
apresenta ruptura radical com os cânones literários a) Meu canto de morte,
clássicos. Guerreiros, ouvi:
b) o Arcadismo antecede o Romantismo na evasão Sou filho das selvas,
da realidade pelo sonho, pela fantasia e pelo Nas selvas cresci;
mergulho nas profundezas do “eu”. Guerreiros, descendo
c) o Romantismo prolonga aspectos do Arcadismo na Da tribo tupi.
idealização da natureza, da mulher e do amor.
d) o Romantismo dá continuidade ao Arcadismo na b) Torno a ver-vos, ó montes; o destino
atração pelos conflitos entre a alma e a matéria. Aqui me torna a pôr nestes oiteiros;
e) o Arcadismo e o Romantismo perseguem o ideal de Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
expressão livre de esquemas preestabelecidos. Pelo traje da Corte rico, e fino.

211. UEL-PR c) São uns olhos verdes, verdes,


Uns olhos de verde-mar,
Sou Pastor; não te nego; os meus montados
Quando o tempo vai bonança;
São esses, que aí vês; vivo contente
Uns olhos cor de esperança,
Ao trazer entre a relva florescente
Uns olhos por que morri;
A doce companhia dos meus gados.
Que ai de mi!
Os versos acima são exemplos: Nem já sei qual fiquei sendo
a) do espírito harmonioso da poesia arcádica. Depois que os vi!
b) do estilo tortuoso do período barroco.
d) Hão de chorar por ela os cinamomos,
c) do refinamento e da ostentação da poesia parna-
siana. Murchando as flores ao tombar do dia.
d) do intento nacionalista na poesia romântica. Dos laranjais hão de cair os pomos,
e) do humor e do lirismo dos primeiros modernistas. Lembrando-se daquela que os colhia.

212. Mackenzie-SP e) Longe do estéril turbilhão da rua,


Uma das afirmações a seguir não se refere ao Beneditino, escreve! No aconchego
Neoclassicismo nem se relaciona com seu contexto Do claustro, na paciência e no sossego,
histórico-social. Aponte-a. Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
a) “O poeta que não seguir os Antigos perderá de todo
214. Mackenzie-SP
o norte, e não poderá jamais alcançar aquela força,
energia e majestade que nos retratam o famoso e I. Já se afastou de nós o Inverno agreste,
angélico semblante da Natureza. Devemos imitar Envolto nos seus úmidos vapores;
e seguir os antigos: assim no-lo ensina Horácio, A fértil Primavera, a mãe das flores,
no-lo dita a razão; e o confessa todo o mundo O prado ameno de boninas veste.
literário.”
b) “Este é o chamado Século das Luzes, na medida Varrendo os ares, o subtil Nordeste
exata em que se opõe a um certo obscurantismo Os torna azuis; as aves de mil cores
do século anterior e propaga a ciência, o saber Adejam entre Zéfiros e Amores,
e o progresso: Iluminismo, Ilustração, Enciclope- E toma o fresco Tejo a cor celeste.
dismo.”
c) “Nomear um objeto significa suprimir as três quar- II. Oh retrato da morte, oh noite amiga,
tas partes do gozo de uma poesia, que consiste no Por cuja escuridão suspiro há tanto!
prazer de adivinhar pouco a pouco. Sugerir, eis o Calada testemunha de meu pranto,
sonho.” De meus desgostos secretária antiga!
d) “... recriam, em seus textos, as paisagens cam-
pestres de outras épocas, com pastores e pas- Pois manda amor que a ti somente os diga,
toras cantando e vivendo uma existência sadia e Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
amorosa, preocupados apenas em cuidar de seus Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
rebanhos.” Dorme a cruel, que a delirar me obriga.
e) “A arte deveria ser universal, isto é, preocupar-se Os quartetos anteriores apresentam diferentes caracte-
com problemas, verdades e situações eternas do rísticas, embora pertençam à obra do mesmo autor.
homem, do homem de todos os tempos, e não Nos dois primeiros, há típicas atitudes árcades, en-
se limitar a sentimentos de ordem individual ou a quanto que os dois últimos prenunciam o movimento
situações puramente pessoais.” literário posterior.
90
Assinale a alternativa em que aparece o nome do O texto I é barroco; o texto II é arcádico. Comparando-
respectivo autor. os, é correto afirmar, exceto:
a) Antero de Quental. a) os barrocos e árcades expressam sentimentos.
b) Almeida Garrett. b) as construções sintáticas barrocas revelam um
c) Manuel Maria du Bocage. interior conturbado.
d) Antônio Feliciano de Castilho.
c) o desejo de viver o prazer é dirigido à amada nos
e) Cesário Verde.
dois textos.
215. PUC-MG d) os árcades têm uma visão de mundo mais angus-
Texto I tiada que os barrocos.
Discreta e formosíssima Maria, e) a fugacidade do tempo é temática comum aos dois
estilos.
Enquanto estamos vendo claramente
Na vossa ardente vista o sol ardente, 216. UFMG
e na rosada face a aurora fria; Leia o soneto que segue, de Cláudio Manuel da
Costa.
Enquanto pois produz, enquanto cria
Pastores, que levais ao monte o gado,
Essa esfera gentil, mina excelente
Vede lá como andais por essa serra;
No cabelo o metal mais reluzente, Que para dar contágio a toda a terra,
E na boca a mais fina pedraria. Basta ver-se o meu rosto magoado:

Gozai, gozai da flor da formosura, Eu ando (vós me vedes) tão pesado;


Antes que o frio da madura idade E a pastora infiel, que me faz guerra,
Tronco deixe despido o que é verdura. É a mesma, que em seu semblante encerra
A causa de um martírio tão cansado.
Que passado o zenith da mocidade,
Sem a noite encontrar da sepultura, Se a quereis conhecer, vinde comigo,
Vereis a formosura, que eu adoro;
É cada dia ocaso da beldade.
Mas não; tanto não sou vosso inimigo:
Gregório de Matos.

Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro;


Texto II Que se seguir quiserdes, o que eu sigo,
Minha bela Marilia, tudo passa; Chorareis, ó pastores, o que eu choro.
A sorte deste mundo é mal segura;
Todas as alternativas contêm afirmações corretas
Se vem depois dos males a ventura,
sobre esse soneto, exceto:
Vem depois dos prazeres a desgraça.
a) O poema opõe um estilo de vida simples a um
Estão os mesmos deuses estilo de vida dissimulado.
Sujeitos ao poder do ímpio Fado: b) A palavra “guerra” enfatiza a recusa da pastora a
Apolo já fugiu do Céu brilhante, corresponder aos afetos do poeta.
Já foi pastor de gado. c) O sentido da visão é o predominante em todas as
Ah! enquanto os Destinos impiedosos estrofes do poema.
Não voltam contra nós a face irada, d) A expressão “para dar contágio a toda a terra”
Façamos, sim façamos, doce amada, revela a intensidade do sofrimento do pastor.
Os nossos breves dias mais ditosos,
217. UEL-PR
Um coração, que frouxo
A grata posse de seu bem difere, Destes penhascos fez a natureza
A si, Marília, a si próprio rouba, O berço em que nasci: oh quem cuidara
E a si próprio fere. Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza.
Ornemos nossas testas com as flores;
E façamos de feno um brando leito, Os versos anteriores constituem exemplo da:
a) sátira de Gregório de Matos aos poderosos da
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Bahia.
Gozemos do prazer de sãos Amores. b) lírica amorosa de Tomás Antônio Gonzaga.
Sobre as nossas cabeças, c) paisagem bucólica idealizada na poesia de Cláudio
Sem que o possam deter, o tempo corre; Manuel da Costa.
PV2D-07-POR-34

E para nós o tempo, que se passa, d) da sátira de Tomás Antônio Gonzaga ao governa-
dor de Minas.
Também, Marília, morre.
e) ambivalência cultural na poesia de Cláudio Manuel
Tomás Antônio Gonzaga. da Costa.
91
218. ITA-SP Nos versos anteriores, de Cláudio Manuel da Costa,
exemplifica-se o seguinte traço da lírica arcádica:
Torno a ver-vos, ó montes; o destino a) valorização das circunstâncias biográficas do
Aqui me torna a pôr nestes oiteiros; poeta.
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
b) imaginação delirante de paisagens exóticas.
Pelo traje da Corte rico, e fino.
c) valorização das classes humildes, opostas às
Aqui estou entre Almendro, entre Corino, aristocráticas.
Os meus fiéis, meus doces companheiros, d) representação da natureza amena e do sentimento
Vendo correr os míseros vaqueiros bucólico.
Atrás de seu cansado desatino. e) representação da natureza como espelho das
fortes paixões.
Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia, 221. UFV-MG
Que da Cidade o lisonjeiro encanto; Sobre o Arcadismo, anotamos:
1. desenvolvimento do gênero lírico, em que os poe-
Aqui descanse a louca fantasia; tas assumem postura de pastores e transformam
E o que té agora se tornava em pranto, a realidade num quadro idealizado.
Se converta em afetos de alegria. 2. composição do poema “Vila Rica” por Cláudio
Dadas as asserções: Manoel da Costa, o Glauceste Satúrnio.
I. O poema manifesta o conflito do poeta, homem 3. predomínio da tendência mística e religiosa, ex-
nativista provinciano, ligado à terra natal, cuja pressiva da busca do transcendente.
formação superior deu-se na metrópole. 4. propagação de manuscritos anônimos de teor
II. O poema mostra como o autor soube explorar a satírico e conteúdo político, atribuídos a Tomás
característica principal do Arcadismo: a celebração Antônio Gonzaga.
da vida urbana pelo intelectual, consciente das 5. presença de metáforas da mitologia grega na poe-
dificuldades da vida no campo. sia lírica, divulgando as idéias dos inconfidentes.
III. O poema manifesta a preocupação do poeta com
os problemas sociais da época: transferência de Considerando as anotações anteriores, assinale a
riquezas da colônia para a metrópole, oriundas alternativa correta.
da pecuária e empobrecimento do homem do a) Apenas 1 e 3 são verdadeiras.
campo. b) Apenas 2 e 4 são falsas.
Está(ão) correta(s): c) Apenas 2 e 5 são verdadeiras.
a) Apenas a I. d) I e III. d) Apenas 3 e 5 são falsas.
b) Apenas a II. e) II e III. e) Todas são verdadeiras.
c) I e II.
222. UFES
219. UFV-MG Destes penhascos fez a natureza
Considere as afirmações a respeito do Arcadismo bra- O berço, em que nasci! oh queima cuidara,
sileiro. Todas as alternativas estão corretas, exceto: Que entre penhas tão duras se criara
a) Foi o movimento literário que se desenvolveu Uma alma terna, um peito sem dureza!
no século XVIII, quando o “saber” assumiu uma Amor , que vence os tigres, por empresa
importância fundamental. Tomou logo render-me; ele declara
b) Confirmou um dos princípios ideológicos do Ilumi- Contra o meu coração guerra tão rara,
nismo, por uma forte preocupação com a ciência Que não me foi bastante a fortaleza.
e com o raciocínio.
c) Sob o ponto de vista literário reagiu contra o Bar- Pois mais que eu mesmo conhecesse o dano,
roco, retomando a simplicidade e o bucolismo dos
A que dava ocasião minha brandura,
clássicos.
Nunca pude fugir ao cego engano:
d) Empreendeu uma minuciosa análise do persona-
gem, revelando-nos claramente os traços de seu
corpo e de sua alma. Vós, que ostentais a condição mais dura,
e) Vivenciou uma expressiva transformação social, Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
sendo fortemente marcado pelos ideais político- Onde há mais resistência, mas se apura.
filosóficos do enciclopedismo francês. Cláudio Manuel da Costa
ruaruaruasol
220. UEL-PR ruaruasolrua
Sou pastor; não te nego; os meus montados ruasolruarua
São esses, que aí vês; vivo contente solruaruarua
Ao trazer entre a relva florescente ruaruaruas
A doce companhia do meu gado. Ronaldo Azeredo
92
Considerando as obras supracitadas como ilustrativas 224. Mackenzie-SP
da poesia árcade e da poesia concreta, assinale a
opção cuja ordem preenche corretamente as afirma- Leia a posteridade, ó pátrio Rio.
tivas seguintes:
Em meus versos teu nome celebrado,
1. “O __________ é, pois, consciência de integração:
de ajustamento a uma ordem natural, social e – Por que vejas uma hora despertado
literária, decorrendo disso a estética da imitação, O sono vil do esquecimento frio:
por meio da qual o espírito reproduz as formas
naturais, não apenas como elas aparecem à razão, Não vês nas tuas margens o sombrio,
mas como as conceberam e recriaram os bons
Fresco assento de um álamo copado;
autores da Antigüidade.”
Não vês ninfa cantar, pastar o gado
2. “Os elementos de composição característicos da
poesia _________ são a organização geométrica do Na tarde clara do calmoso estio.
espaço e o jogo de semelhanças de significantes.”
3. “Os ___________ se recusavam a uma explora- Turvo banhando as pálidas areias
ção mais completa da psicologia humana, assim Nas porções do riquíssimo tesouro
como se tinham negado a uma concepção mais
O vasto campo da ambição recreias.
imaginativa da linguagem.”
4. “Talvez se pudesse concluir que um poema ___
Que de seus raios o planeta louro ,
_______ seja definido mais ou menos assim: um
tipo de composição poética centrada na utilização Enriquecendo o influxo em tuas veias,
de poucos elementos dispostos no papel de modo Quanto em chamas fecunda, brota em ouro.
a valorizar a distribuição espacial, o tamanho e a
forma dos caracteres tipográficos e as semelhan- O bucolismo presente no texto foge ao modelo árcade.
ças fônicas entre as palavras.” Explique.
5. “A poesia __________ significou o reconhecimento
225.
do poema como objeto também espacial, e da
necessidade de procedimentos composicionais Leia atentamente o texto abaixo e responda ao que
compatíveis com essa realidade.” se pede.
a) 1. Arcadismo; 2. concreta; 3. concretistas; 4. con-
creto; 5. árcade. Ó retrato da morte, ó Noite amiga
b) 1. Concretismo; 2. concreta; 3. concretistas; Por cuja escuridão suspiro há tanto!
4. árcade; 5. concreta. Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!
c) 1. Arcadismo; 2. concreta; 3. árcades; 4. concreto;
5. concreta. Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
d) 1. Concretismo; 2. árcade; 3. árcades; 4. árcade; Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
5. concreta. Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
e) 1. Arcadismo; 2. árcade; 3. árcades; 4. concreto; Dorme a cruel, que a delirar me obriga:
5. árcade.
E vós, ó cortesãos da escuridade,
223. Fantasmas vagos, mochos piadores,
Olha, Marília, as flautas dos pastores Inimigos, como eu, da claridade!
Que bem que soam, como estão cadentes!
Em bandos acudi aos meus clamores,
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Quero a vossa medonha sociedade,
Os zéfiros brincar por entre as flores? Quero fartar meu coração de horrores.

Vê como ali beijando-se os Amores Que traços do texto dado prenunciam o Romantismo, le-
Incitam nossos ósculos ardentes! vando o soneto a classificar-se como pré-romântico?
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores! 226. ESPM-SP
Ah! Marília, que tormento
Naquele arbusto o rouxinol suspira, Não tens de sentir saudosa!
Ora nas folhas a abelhinha pára, Não podem ver os teus olhos
Ora nos ares sussurrando gira: A campina deleitosa,
Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Nem a tua mesma aldeia,
PV2D-07-POR-34

Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,


Que tiranos não proponham
Mais tristeza que a morte me causara.
Indique, nas duas primeiras estrofes, características À inda inquieta idéia
neoclássicas. Uma imagem de aflição.
93
Os seguintes elementos indicam que são de um poeta 230. Mackenzie-SP
arcádico os versos anteriores: Leia o texto abaixo e assinale a alternativa incorreta.
a) “sentir saudosa” e “teus olhos”.
E, se entre versos mil de sentimento
b) “Marília e “campina deleitosa”.
Encontrardes alguns, cuja aparência
c) “sentir saudosa” e “tormento”.
Indique festival contentamento,
d) “tiranos” e “inquieta idéia”.
e) “imagem de aflição” e “não tens de sentir”.
Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do Fingimento,
Texto para as questões 227 e 228.
Cantados pela voz da Dependência.
Texto I Bocage
Olha, Marília, as flautas dos pastores, a) As expressões “mão do Fingimento” e “voz da
Que bem que soam, como estão cadentes! Dependência” são referências metonímicas que
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes revelam a crítica do poeta ao estilo árcade.
Os Zéfiros brincar por entre as flores? b) O padrão formal dos textos de Bocage é típico da
Bocage estética setecentista.
Texto II c) A obra desse poeta divide-se em duas fases:
Ah! Não roubou tudo a negra sorte: árcade e romântica.
Inda tenho este abrigo, inda me resta d) No texto, a expressão “festival contentamento”
O pranto, a queixa, a solidão, e a morte. faz referência à idealização que marca a visão de
Bocage mundo do estilo árcade.
e) Embora a primeira fase da produção poética do
227. Mackenzie-SP autor ainda se prenda ao imaginário árcade, trilhou
No texto I, encontra-se representação da natureza caminhos próprios, resgatando para a poesia lírica
que: portuguesa a linguagem emotiva e confessional.
a) se caracteriza como o locus amoenus (lugar apra-
zível), motivo poético desenvolvido pela estética 231.
árcade.
Alguém há de cuidar que é frase inchada,
b) corresponde a um quadro harmonioso, seguindo
Daquela que lá se usa entre essa gente
modelo típico das cantigas de amor medievais.
Que julga que diz muito e não diz nada.
c) é resultado de uma concepção romântica, carac-
Glauceste Satúrnio (pseudônimo de Cláudio M. de Costa)
terística do mal do século.
d) é expressão da religiosidade cristã que marcou os A doutrina literária do Arcadismo impunha que os
ideais iluministas. poetas criassem seus textos de modo a atender a
e) corresponde a um padrão estético que reflete a cos- muitas convenções. Qual delas está sendo defendida
movisão dos escritores naturalistas do século XIX. no trecho acima?
a) Inutilia truncat (corta o inútil)
228. Mackenzie-SP b) Fugere urbem (fugir da cidade)
Sobre os textos I e II é correto afirmar: c) Aurea mediocritas (equilíbrio de ouro)
a) ambos indicam, por meio do vocativo, a presença d) Locus amoenus (lugar sossegado)
da mulher amada. e) Mimesis (imitação dos clássicos)
b) em I, concretiza-se poeticamente a alegria por
meio da personificação. 232.
c) ambos expressam um lamento frente àquilo que Leia o texto abaixo.
a negra sorte pode roubar do ser humano. Importa, porém, distinguir dois momentos ideais na literatu-
d) em II, o pranto, a queixa, a solidão, e a morte ra dos Setecentos para não incorrer no equívoco de apon-
apresentam-se como algo indesejável. tar contrastes onde houve apenas uma justaposição:
e) em I, a recorrência de exclamação é índice de a) momento poético que nasce de um encontro,
contenção emotiva. embora ainda amaneirado, com a natureza e
os afetos comuns do homem, refletidos através
229. Cefet-MG da tradição clássica e de formas bem definidas,
julgadas dignas de imitação (...);
Fatigado de calma se acolhia
Junto o rebanho à sombra dos salgueiros, b) o momento ideológico, que se impõe no meio do
E o sol, queimando os ásperos outeiros século, e traduz a crítica da burguesia culta aos
Com violência maior no campo ardia. abusos da nobreza e do clero (...).
A.Bosi. História concisa da literatura brasileira.
Não pertence ao estilo literário dos versos acima a
seguinte característica: Assinale a alternativa em que os dois termos preen-
a) ideal de simplicidade. cham as lacunas, respectivamente.
b) aceitação de regras e modelos. a) Barroco – Ilustração
c) crítica ao êxodo urbano. b) Renascimento – Classicismo
d) ânsia de integração na natureza: bucolismo. c) Iluminismo – Arcádia
e) arte vista como recriação idealizada da Ordem d) Classicismo – Iluminismo
Natural. e) Arcádia – Ilustração
94
233. Fuvest-SP d) Do ponto de vista filosófico, o Arcadismo se liga
ao pensamento racionalista da época, ou seja, ao
E em arte aos de Minerva se não rendem movimento enciclopedista.
Teus alvos, curtos dedos melindrosos. e) Alguns poetas árcades já revelam traços prenun-
Indique a característica presente nos versos acima, ciadores do Romantismo.
de autoria de Bocage.
a) Uso de pseudônimos. 237. Unifesp
b) Rompimento com os clássicos. Leia os versos do poeta português Bocage.
c) Recurso à mitologia greco-romana.
d) Predominância do subjetivismo. Vem, oh Marília, vem lograr comigo
e) Tema pastoril. Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.
234.
Deixa louvar da corte a vã grandeza;
Incultas produções da mocidade Quanto me agrada mais estar contigo,
Exponho a vossos olhos, ó leitores. Notando as perfeições da Natureza!
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade e não louvores. Nestes versos:
a) o poeta encara o amor de forma negativa por causa
Ponderai da Fortuna a variedade da fugacidade do tempo.
Nos meus suspiros, lágrimas e amores; b) a linguagem, altamente subjetiva, denuncia ca-
Notai dos males seus a imensidade, racterísticas pré-românticas do autor.
A curta duração dos seus favores. c) a emoção predomina sobre a razão, numa ânsia
de se aproveitar o tempo presente.
E se entre versos mil de sentimento d) o amor e a mulher são idealizados pelo poeta,
Encontrardes alguns, cuja aparência portanto, inacessíveis a ele.
Indique festival contentamento, e) o poeta propõe, em linguagem clara, que se
aproveite o presente de forma simples junto à
Crede, ó mortais, que foram com violência natureza.
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantadas pela voz da Dependência. 238. FGV-SP
Bocage
Assinale a alternativa que apresenta erro na corre-
Nesse poema, o poeta, que adotou o pseudônimo El- lação autor-obra-época, relativamente à literatura
mano Sadino, traduz sua insatisfação com os modelos portuguesa.
árcades que adotou em parte de sua obra. a) Pe. Antônio Vieira – Sermão da Quarta-feira de
a) Dois versos referem-se a dois aspectos da poesia Cinzas – Século XVII.
árcade que discutem o momento de composição b) Gil Vicente – Auto da Barca do Inferno – Século
de um poema. Identifique-os e dê uma possível XVI.
explicação para eles. c) Manuel Maria Barbosa du Bocage – Nova Arcádia
b) Sua insatisfação se revela em indícios de ruptura – Século XVIII.
com o Arcadismo. Localize no poema passagens d) Camilo Peçanha – Clepsidra – Século XIX/XX.
que sustentem essa afirmação. e) Almeida Garrett – Viagens na Minha Terra – Século
XIX.
235. Fuvest-SP
Bocage foi: 239. ESPM-SP
a) o poeta mais representativo do Arcadismo em
Em todas as alternativas abaixo, há versos caracterís-
Portugal.
ticos do Arcadismo, exceto em:
b) o poeta mais representativo do Arcadismo no
Brasil. a) Eu vi o meu semblante numa fonte:
c) um poeta pré-romântico.
Dos anos inda não está cortado;
d) o escritor-chave para a compreensão do Barroco.
e) um cronista medieval. Os Pastores, que habitam este monte,
Respeitam o poder do meu cajado;
236.
Indique a alternativa incorreta. b) Ah! enquanto os Destinos impiedosos
a) O Arcadismo foi uma tendência literária dominante Não voltam contra nós a face irada,
dentro do Neoclassicismo do século XVIII. Façamos, sim façamos, doce amada,
b) As academias em que se reuniam os poetas árca- Os nossos breves dias mais ditosos;
des eram chamadas Arcádias por referência a uma
PV2D-07-POR-34

região da Grécia ligada ao pastoreio e à poesia. c) Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
c) A primeira característica do Arcadismo é sua opo- Teu lindo corpo bálsamos vapora.
sição ao Humanismo, defendendo, por isso, uma Ah! não, não fez o Céu, gentil Pastora,
linguagem rebuscada e labiríntica. Para glória de Amor igual tesouro;
95
d) Se estou, Marília, contigo, 241. Mackenzie-SP
Não tenho um leve cuidado; De acordo com o texto, é correto afirmar que:
Nem me lembra se são horas a) “a noite escura e feia” é a razão da tristeza do eu
De levar à fonte o gado; lírico.
b) a natureza, para o eu lírico, é, nesse contexto,
e) Ó florestas! ó relva amolecida,
expressão da morte.
A cuja sombra, em cujo doce leito
c) a perspectiva da morte iminente torna o eu lírico
É tão macio descansar nos sonhos! angustiado.
Arvoredo do vale! derramai-me d) “a alma” está caracterizada como “matéria lânguida”.
Sobre o corpo estendido na indolência e) “a noite escura e feia” transformou-se em noite
O tépido frescor e o doce aroma! iluminada e silenciosa.

240. 242. Mackenzie-SP


Assinale qual a explicação que não corresponde à Está presente no texto o seguinte traço característico
regra árcade indicada: da poesia de Bocage:
a) Fugere urbem: os árcades defendiam uma vida sim- a) temática religiosa.
ples e natural, junto ao campo, distante dos centros b) idealização do locus amoenus.
urbanos. Tal princípio era reforçado pelo pensamento
c) quebra dos padrões formais clássicos.
do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, segun-
do o qual a civilização corrompe os costumes do d) supremacia dos efeitos sonoros em detrimento da
homem, que nasce naturalmente bom. idéia.
b) Aureas mediocritas: outro traço presente advindo e) linguagem emotivo-racional.
da poesia horaciana é a idealização de uma vida
243. Mackenzie-SP
pobre e feliz no campo, em oposição à vida luxuosa
e triste na cidade. Nesse poema, a referência à cultura mitológica (Zéfiro)
revela influência da estética:
c) Locus amoenus: na poesia árcade, as situações
são artificiais; não é o próprio poeta quem fala de a) romântica.
si e de seus reais sentimentos. No plano amoro- b) simbolista.
so, por exemplo, quase sempre é um pastor que c) trovadoresca.
confessa o seu amor por uma pastora. d) árcade.
d) Carpe diem: o desejo de aproveitar o dia e a vida e) parnasiana.
enquanto é possível – tema já bastante explorado
pelo Barroco – é retomado pelos árcades e faz Texto para as questões de 244 a 246.
parte do convite amoroso.
e) Inutilia truncat: eliminar os excessos, optando
1
por uma linguagem simples sem muitos torneios
verbais. Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
Texto para as questões 241 a 243. De tosco trato, de expressões grosseiro,
Já sobre o coche de ébano estrelado Dos frios gelos e dos sóis queimado.
Deu meio giro a noite escura e feia;
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Que profundo silêncio me rodeia
Neste deserto bosque, à luz vedado! Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
Jaz entre as folhas Zéfiro abafado, E mais as finas lãs, de que me visto.
O Tejo adormeceu na lisa areia;
Graças, Marília bela,
Nem o mavioso rouxinol gorjeia,
Nem pia o mocho, às trevas costumado: Graças à minha Estrela!

Só eu velo, só eu, pedindo à sorte 2


Que o fio, com que está minha alma presa Eu vi o meu semblante numa fonte:
À vil matéria lânguida me corte: Dos anos inda não está cortado;
Os pastores que habitam este monte
Consola-me este horror, esta tristeza;
Porque a meus olhos se afigura a morte Respeitam o poder do meu cajado.
No silêncio total da natureza. Com tal destreza toco a sanfoninha,
Bocage Que inveja até me tem o próprio Alceste:
Vocabulário Ao som dela concerto a voz celeste
coche de ébano: carruagem de madeira escura Nem canto letra, que não seja minha.
jaz: está ou parece morto
mocho: coruja Graças, Marília bela,
lânguida: doentia Graças à minha Estrela!
96
3 249. UFPA
Mas tendo tantos dotes da ventura, A pastora Marília, conforme nos é apresentada nas
Só apreço lhes dou, gentil pastora, liras de Tomás Antônio Gonzaga, carece de unidade de
Depois que o teu afeto me segura enfoques; por isso é muito difícil precisar, por exemplo,
Que queres do que tenho ser Senhora. seu tipo físico. Esta imprecisão da pastora:
É bom, minha Marília, é bom ser dono a) é suficiente para seu autor ser apontado como
De um rebanho, que cubra monte e prado; pré-romântico.
Porém, gentil pastora, o teu agrado b) é fundamental para situar o leitor dentro do drama
Vale mais que um rebanho e mais que um trono. amoroso do autor.
Graças, Marília bela, c) reflete o caráter genérico e impessoal que a poesia
Graças à minha Estrela! neoclássica deveria assumir.
d) é responsável pela atmosfera de mistério, essen-
4 cial para a poesia neoclássica.
(...) e) mostra a intenção do autor em não revelar o objeto
Irás a divertir-se na floresta, do seu amor.
Sustentada, Marília, no meu braço;
Aqui descansarei a quente sesta, 250.
Dormindo um leve sono em teu regaço; Texto I
Enquanto a luta jogam os pastores, Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
E emparelhados correm nas campinas, Que viva de guardar alheio gado;
Toucarei teus cabelos de boninas,
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Nos troncos gravarei os teus louvores.
Dos frios gelos e dos sóis queimado.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela! Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
244. Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
Identifique, estrofe por estrofe, as características E mais as finas lãs, de que me visto.
árcades mais evidentes.
Texto II
245. Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,
Indique, na terceira estrofe, um traço pré-romântico. Fui honrado Pastor da tua Aldeia;
Vestia finas lãs e tinha sempre
246.
A minha choça do preciso cheia.
Há um termo em letra maiúscula que remete a um prin-
cípio da cultura clássica. Qual é e o que significa? Tiraram-me o casal e o mesmo gado.
Nem tenho, a que me encoste, um só cajado.
247. PUCCamp-SP
Pode-se afirmar que Marília de Dirceu e as Cartas Os dois textos são de autoria de Tomás Antônio
chilenas são, respectivamente: Gonzaga e fazem parte da obra Marília de Dirceu,
a) altas expressões do lirismo amoroso e da sátira respectivamente da primeira e da segunda partes.
política, na literatura do século XVIII. Os dois poemas mostram dois momentos diferentes
b) exemplos da poesia biográfica e da literatura da vida de Gonzaga. Aponte de que maneira essas
epistolar cultivadas no século XVII. diferenças aparecem nos textos.
c) exemplos do lirismo amoroso e da poesia de com-
bate, cultivados sobretudo pelos poetas românticos 251. UEBA
da chamada “terceira geração”. Assinale a alternativa correta a respeito do Arcadismo
d) altas expressões do lirismo e da sátira da nossa brasileiro.
poesia barroca. a) Estilo de época que coincidiu com o ciclo do açúcar
e) expressões menores da prosa e da poesia do na Bahia, da mesma forma que o Barroco coincidiu
nosso Arcadismo, cultivadas no interior das Aca- com o ciclo do ouro em Minas Gerais.
demias. b) Sob a influência da Contra-Reforma, o Arcadismo
brasileiro não conseguiu libertar-se do estilo barro-
248. UFPA co, só produzindo obras de inspiração religiosa.
Tomás Antônio Gonzaga expressou, através de alguns c) O estilo árcade é amaneirado à moda dos cul-
de seus poemas, toda a sua revolta pelos reveses da tistas, antítese do estilo natural dos escritores
sua sorte. Tal fato: clássicos.
a) torna-o um poeta pré-barroco. d) Entre as características árcades, destacam-se
b) vai de encontro aos princípios do Arcadismo. o bucolismo, a simplicidade formal e a busca do
PV2D-07-POR-34

c) desvincula-o dos princípios românticos indo ao en- equilíbrio.


contro dos valores modernos que ele professou. e) Tentando fugir à forte influência barroca, o Arca-
d) rompe com a orientação parnasiana de seus versos. dismo brasileiro confundiu-se com o Romantismo,
e) transforma-o em um poeta elegíaco. sobrepondo à racionalidade o sentimentalismo.
97
252. Mackenzie-SP Texto II
Leia as três afirmações que se seguem, referentes à Quando, Lídia, vier o nosso outono
obra Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, e Com o inverno que há nele, reservemos
assinale a alternativa correta. Um pensamento, não para a futura
I. É uma obra composta por vários sonetos, que Primavera, que é de outrem,
aparecem numa seqüência numerada. Nem para o estio, de quem somos mortos,
II. É uma coletânea de poesias amorosas, revestidas Senão para o que fica do que passa
de sentimentalidade e simplicidade. O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
III. Divide-se em duas partes: a primeira, anterior à pri-
Ricardo Reis. Odes.
são do poeta, e a segunda, posterior à mesma.
a) Em que consiste a “filosofia de vida” que a pas-
a) II e III são corretas. sagem do tempo sugere ao eu lírico do poema de
b) Todas são corretas. Tomás Antônio Gonzaga?
c) I e III são corretas. b) Os dois poetas valorizam o momento presente,
d) I e II são corretas. embora o façam de maneira diferente. Em que
e) Todas são incorretas. consiste essa diferença?

253. UFOP-MG 255.


Com relação a Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Vou retratar a Marília,
Gonzaga, assinale a alternativa incorreta. A Marília, meus amores;
a) As liras que compõem o livro são quase sempre Porém como? se eu não vejo
poemas de lirismo amoroso que invocam a pastora Quem me empreste e as finas cores:
Marília, amada do pastor Dirceu. Dar-mas a terra não pode
b) Apesar de invocarem com grande freqüência o Não, que a sua cor mimosa
tema do amor, as liras não apresentam a atmos-
Vence o lírio, vence a rosa,
fera atormentada dos conflitos da paixão, antes
O jasmim e as outras flores.
exaltam a serenidade e a naturalidade na relação
amorosa. Ah! socorre, Amor, socorre
c) Muitas das liras são dedicadas à tarefa de demons- Ao mais grato empenho meu!
trar à bem-amada a ordem e a harmonia das coisas Voa sobre os astros, voa,
naturais. Traze-me as tintas do Céu.
d) Tendo sido Gonzaga um inconfidente, escreveu
esse livro para descrever a situação geral da Por que o poeta se julga impotente para retratar a
Colônia, oprimida pela exploração ferrenha da amada?
metrópole portuguesa.
256. UFPB
e) Algumas liras são destinadas a afirmar a dignidade
Considere o trecho seguinte:
e a valia do pastor Dirceu. Grande parte delas foi
escrita no período em que Gonzaga esteve preso Tenho próprio casal e nele assisto;
e, assim, revela-se, sob o disfarce do pastor, a dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
presença dos dramas pessoais do autor, caído em
das brancas ovelhinhas tiro o leite,
desgraça, no momento da produção dos poemas.
e mais as finas lãs, de que me visto.
254. Unicamp-SP (…) É bom, minha Marília, é bom ser dono
Nos dois poemas a seguir, Tomás Antônio Gonzaga e de um rebanho, que cubra monte e prado;
Ricardo Reis refletem, de maneira diferente, sobre a porém, gentil pastora, o teu agrado
passagem do tempo, dela extraindo uma “filosofia de
vale mais que um rebanho e mais que um trono.
vida”. Leia-os com atenção.
Texto I O fragmento acima demonstra que o seu autor, Tomás
Minha bela Marília, tudo passa; Antônio Gonzaga, vinculou-se ao Arcadismo e foi, ao
a sorte deste mundo é mal segura; mesmo tempo, um antecipador do movimento român-
se vem depois dos males a ventura, tico. Justifique.
vem depois dos prazeres a desgraça.
.......................................................... Texto para as questões 257 e 258.
Que havemos de esperar, Marília bela?
Ornemos nossas testas com as flores,
que vão passando os florescentes dias?
e façamos de feno um brando leito;
As glórias, que vêm tarde, já vêm frias,
e pode enfim mudar-se a nossa estrela. prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Ah! não, minha Marília, gozemos do prazer de sãos amores (...)
Aproveite-se o tempo, antes que faça (...) aproveite-se o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça. e ao semblante a graça.
Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. Tomás Antônio Gonzaga

98
257. Mackenzie-SP Sobre a obra desses autores, analise as afirmativas
Nos versos acima: abaixo.
a) o eu lírico, ao lamentar as transformações notadas 1. A obra de Gonzaga é exemplar do Arcadismo. O
em seu corpo e alma pela passagem do tempo, tema dos versos anteriores é o carpe diem (gozar
revela-se amoroso homem de meia-idade. a vida presente), escrito numa linguagem amena,
b) que retomam tema e estrutura de uma “canção de sem arroubos, própria do Arcadismo.
amigo”, está expresso o estado de alma de quem 2. Despojada de ousadias sintáticas e vocabulares,
sente a ausência do ser amado. a linguagem arcádica, no poema de Gonzaga,
c) nomeia-se diretamente a figura ironizada pelo eu diferencia-se da linguagem rebuscada usada pelo
lírico, a mulher a quem se poderiam fazer convites Barroco.
amorosos mais ousados.
d) em que se notam diálogo e estrutura paralelística, 3. O texto de Vieira, sendo barroco, está pleno de
o ponto de vista dominante é o do amante que metáforas, de linguagem figurada, de termos inu-
vê seus sentimentos antagônicos refletidos na sitados e eruditos, sendo de difícil compreensão.
natureza. 4. Vieira adota a tendência barroca conceptista que
e) a natureza é o espaço onde o amado se sente à leva para o texto o predomínio das idéias, do ra-
vontade para expressar diretamente à amada suas ciocínio, da lógica, procurando adequar os textos
inclinações sensuais. religiosos à realidade circundante.

258. Mackenzie-SP Está(ão) correta(s) apenas:


Quanto ao estilo, os versos: a) 1, 2 e 3. d) 1, 2 e 4.
a) revelam a presença não só de formas mais exage- b) 1. e) 2, 3 e 4.
radas de inversão sintática — hipérbatos —, como c) 2.
também de comparações excessivas, resíduos do
estilo cultista. 260.
b) comprovam a predileção pelo verso branco e pela
ordem direta da frase, característicos da naturali- Dê o título das duas obras mais importantes e o
dade desejada pelos poetas do Arcadismo. nome dos seus respectivos autores, do Arcadismo
c) denotam — pela singeleza do vocabulário, pela brasileiro.
sintaxe quase prosaica — a vontade de alcançar
261. UFRGS-RS
a simplicidade da linguagem, em oposição à arti-
ficialidade do Barroco. Leia os excertos abaixo, extraídos de Marília de Dirceu
d) organizam-se em torno de antíteses, na busca (Lira XIV), de Tomás Antônio Gonzaga.
de caracterizar, em atitude pré-romântica, o amor
ideal e a pureza do lavor da terra. 01. Minha bela Marília, tudo passa;
e) constroem-se pelo desdobramento contínuo de 02. A sorte deste mundo é mal segura;
imagens, compondo um quadro em que a emo- 03. Se vem depois dos males a ventura,
ção é tratada de modo abstrato, de acordo com a 04. Vem depois dos prazeres a desgraça.
convenção árcade.
05. Ornemos nossas testas com as flores
259. UFPE 06. E façamos de feno um brando leito;
Texto 1 07. Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Basta senhor, porque roubo em uma barca sou ladrão, 08. Gozemos do prazer de sãos Amores.
e vós que roubais em uma armada sois imperador? As- 09. Sobre as nossas cabeças,
sim é. Roubar pouco é culpa, roubar muito é grandeza. 10. Sem que o possam deter, o tempo corre;
O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao 11. E para nós o tempo, que se passa,
inferno: os que não só vão, mas que levam de que eu 12. Também, Marília, morre.
trato, são outros... ladrões de maior calibre e mais alta 13. Ah, não, minha Marília,
esfera... Os outros ladrões roubam um homem, estes
roubam cidades e reinos, os outros furtam debaixo de 14. Aproveite-se o tempo, antes que faça
seu risco, estes sem temor nem perigo; os outros, se 15. O estrago de roubar ao corpo as forças,
furtam, são enforcados, e estes furtam e enforcam. 16. E ao semblante a graça.
Pe. Antônio Vieira. Sermão do bom ladrão.
Considere as seguintes afirmações sobre esses
Texto 2 excertos.
Que havemos de esperar, Marília bela? I. Os versos chamam a atenção para a passagem
Que vão passando os florescentes dias? do tempo e expressam um convite aos prazeres
As glórias que vêm tarde já vêm frias; de um amor sadio.
E pode enfim mudar-se a nossa estrela. II. Os versos de 05 a 12 descrevem uma cena amo-
Ah! Não, minha Marília, rosa ambientada na paisagem mineira da cidade
PV2D-07-POR-34

Aproveite-se o tempo, antes que faça então chamada de Vila Rica.


O estrago de roubar ao corpo as forças III. Marília é um nome literário adotado para a referida
E ao semblante a graça. noiva do poeta inconfidente, cujo nome verdadeiro
Tomás Antônio Gonzaga. Lira XIV era Maria Dorotéia de Seixas Brandão.
99
Quais estão corretas? c) seu início é assinalado pela publicação de Obras
a) Apenas I. poéticas, de Cláudio Manuel da Costa.
b) Apenas II. d) revestiu-se de aspectos religiosos ligados à temá-
c) Apenas III. tica medieval.
d) Apenas I e III. e) é comum o aparecimento de referências a figuras
mitológicas clássicas.
e) I, II e III.
265. Vunesp
262. UFRGS-RS
Altéia
1. Nise? Nise? onde estás? Aonde espera
Cláudio Manuel da Costa
Achar-te uma alma, que por ti suspira (…)
Aquele amor amante,
2. Glaura! Glaura! não respondes? Que nas úmidas ribeiras
E te escondes nestas brenhas? Deste cristalino rio
Dou às penhas meu lamento; Guiava as brancas ovelhas;
Ó tormento sem igual!
Aquele, que muitas vezes
3. Minha bela Marília, tudo passa;
Afinando a doce avena,
A sorte deste mundo é mal segura;
Parou as ligeiras águas,
Se vem depois dos males a ventura,
Moveu as bárbaras penhas;
Vem depois dos prazeres a desgraça.
Os poetas árcades brasileiros tinham as suas musas Sobre uma rocha sentado
inspiradoras, a quem se dirigiam freqüentemente em Caladamente se queixa:
seus poemas. Pelas musas evocadas nos versos Que para formar as vozes,
acima, pode-se dizer que seus autores são, respec- Teme, que o ar as perceba.
tivamente: Poemas de Cláudio Manuel da Costa.
a) Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga e Tomás São Paulo, Cultrix, 1966, p. 156.
Antônio Gonzaga.
b) José Basílio da Gama, Cláudio Manuel da Costa Nesse fragmento do romance Altéia, de Cláudio Ma-
e Alvarenga Peixoto. nuel da Costa, acumulam-se características peculiares
c) Tomás Antônio Gonzaga, Silva Alvarenga e Alva- do Arcadismo. Releia o texto que lhe apresentamos
renga Peixoto. e, a seguir:
d) Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga a) aponte duas dessas características;
e Frei Santa Rita Durão. b) justifique sua resposta com, pelo menos, duas
e) José Basílio da Gama, Frei Santa Rita Durão e citações do texto.
Tomás Antônio Gonzaga.
266. Vunesp
263. PUC-SP Leia atentamente o texto abaixo e assinale a alternativa
Encontra-se alusão a um importante ciclo econômico incorreta.
do século XVIII, na segunda passagem de Cláudio Não permitiu o Céu que alguns influxos, que devi
Manuel da Costa: às águas do Mondego, se prosperassem por muito
a) Árvores aqui vi tão florescentes tempo; e destinado a buscar a Pátria, que por espaço
Que aziam perpétua a primavera: de cinco anos havia deixado, aqui, entre a grosseria
Nem troncos vejo agora decadentes. dos seus gênios, que menos pudera eu fazer que en-
tregar-me ao ócio, e sepultar-me na ignorância! Que
b) Turvo banhado as pálidas areias menos, do que abandonar as fingidas Ninfas destes
Nas porções do riquíssimo tesouro rios, e no centro deles adorar a preciosidade daqueles
....................................................... metais, que têm atraído a este clima os corações de
O vasto campo da ambição recreias. toda a Europa! Não são estas as venturosas praias da
Arcádia, onde o som das águas inspirava a harmonia
c) De um ramo desta faia pendurado dos versos. Turva e feia, a corrente destes ribeiros,
Vejo o instrumento estar do pastor Fido. primeiro que arrebate as idéias de um Poeta, deixa
ponderar a ambiciosa fadiga de minerar a terra, que
d) O mel dourado dos carvalhos duros.
lhes tem pervertido as cores.
e) Não vês nas tuas margens o sombrio Costa, Cláudio M. da. Fragmento do Prólogo ao Leitor.
Fresco assento de um álamo copado. In: Candido, A. & Castello, J. A. Presença da literatura brasileira.
São Paulo, Difusão Européia do Livro,1971,
264. Mackenzie-SP vol. I, p. 138.
A respeito do Arcadismo brasileiro, é incorreto afirmar a) O poeta estabelece uma conexão entre as dife-
que: renças ambientais e o seu reflexo na produção
a) assume uma postura de imitação dos ideais re- literária.
nascentistas. b) Cláudio Manuel da Costa manifesta, no texto, a
b) um de seus conceitos básicos é que, na Natureza, sua formação intelectual européia, mas deseja
reside toda a beleza, pureza e espiritualidade. exprimir a realidade tosca de seu país.
100
c) Depreende-se do texto uma forma de conflito entre c) a valorização da vida urbana, em detrimento dos
o academicismo árcade europeu e a realidade ideais de integração na natureza.
brasileira que passaria a ser a nova matéria-prima d) a preocupação em usar uma linguagem requintada,
do poeta. que amenizasse os rigores da natureza hostil.
d) Apesar dos índices do Arcadismo presentes no e) a preocupação em exaltar as atividades agrárias,
texto, há um questionamento do contexto sobre mais que as pseudo-intelectuais.
a validade de adotar esse modelo literário no
Brasil. 269. Cesesp-PE
e) O poeta sofre mediante o fato de não mais poder, I. “O momento ideológico, na literatura do Setecen-
na Europa, contemplar as praias da Arcádia de tos, traduz a crítica da burguesia culta aos abusos
onde retirava suas inspirações poéticas. da nobreza e do clero.”
II. “O momento poético, na literatura do Setecentos,
267. Vunesp
nasce de um encontro, embora ainda amaneirado,
Filinto Elísio (1734-1819) é um poeta neoclássico com a natureza e os afetos comuns do homem.”
português. Sintetize o principal conselho dado por ele
III. “Façamos, sim, façamos, doce amada,
em consonância com a poética do Neoclassicismo para
que um poeta consiga escrever bem. Os nossos breves dias mais ditosos.”
Em defesa da Língua A característica que está presente nestes versos é o
Lede, que é tempo, os clássicos honrados; carpe diem (gozar a vida).
Herdai seus bens, herdai essas conquistas, a) Só a proposição I é correta.
Que em reinos dos romanos e dos gregos b) Só a proposição II é correta.
Com indefesso estudo conseguiram. c) Só a proposição III é correta.
Vereis então que garbo, que facúndia d) São corretas as proposições I e II.
Orna o verso gentil, quanto sem eles e) Todas as proposições são corretas.
É delambido e peco o pobre verso.
270. UEL-PR
.............................................................
No prefácio de suas Obras poéticas, escreveu Cláudio
Abra-se a antiga, veneranda fonte Manuel da Costa:
Dos genuínos clássicos e soltem-se
As correntes da antiga, sã linguagem. Não são estas as venturosas praias da Arcádia, onde
Rompam-se as minas gregas e latinas o som das águas inspirava a harmonia dos versos.
(Não cesso de o dizer, porque é urgente); Turva e feia, a corrente destes ribeiros, primeiro que
Cavemos a facúndia, que abasteça arrebate as idéias de um Poeta, deixa ponderar a
Nossa prosa eloqüente e culto verso. ambiciosa fadiga de minerar a terra, que lhes tem
Sacudamos das falas, dos escritos pervertido as cores.
Toda a frase estrangeira e frandulagem
Afirma o poeta, portanto, que:
Dessa tinha, que comichona afeia
a) a natureza de sua região natal guarda harmoniosa
O gesto airoso do idioma luso.
correspondência com a Arcádia.
Quero dar, que em francês hajam formosas
b) a inspiração, que brota harmoniosa da natureza
Expressões, curtas frases elegantes;
arcádica, é perturbada pela realidade das águas
Mas índoles dif’rentes têm as línguas;
turvas dos rios em mineração.
Nem toda a frase em toda a língua ajusta.
c) a harmonia dos versos arcádicos é embalada pelo
Ponde um belo nariz, alvo de neve,
som dos ribeiros de sua terra, graças à mineração
Numa formosa cara trigueirinha
que lhes turva as águas.
(Trigueiras há, que às louras se avantajam):
d) é preciso esquecer a harmonia dos versos arcá-
O nariz alvo, no moreno rosto,
dicos, em vista da beleza maior dos inspiradores
Tanto não é beleza, que é defeito
rios de mineração.
Nunca nariz francês na lusa cara,
e) a beleza natural dos rios da Arcádia e dos de sua
Que é filha de latina, e só latinas.
terra é afetada pela ambição econômica, que
Feições lhe quadram. São feições parentas.
perverte a uns e a outros.
In: Elísio, Filinto. Poesias. Lisboa: Livraria Sá
da Costa-Editora, 1941, pp. 44 e 51. 271. Mackenzie-SP
A respeito de Cláudio Manuel da Costa, é correto
268. UEL-PR
afirmar que:
O uso de pseudônimos pastoris, como Dirceu (Tomás
a) é o nosso maior representante da poesia barro-
Antônio Gonzaga) ou Glauceste Satúrnio (Cláudio
ca.
Manuel da Costa), e o tratamento de “pastoras”, dado
às musas inspiradoras, são índices que revelam, nos b) as liras de Marília de Dirceu espelham o maior
poetas árcades: momento de sua criação poética.
a) a busca da harmonia entre campo e cidade, que c) desenvolveu-se exclusivamente a tendência épica
em sua obra.
PV2D-07-POR-34

se torna possível quando seus habitantes se en-


contram. d) em seus sonetos, segue a lírica de Camões.
b) a idealização da vida campestre, considerada a e) não se encontra em seus poemas qualquer preo-
verdadeira fonte da poesia. cupação com a natureza brasileira.
101
272. Vunesp 273. Centec-BA
Leia os textos a seguir. Quando o poeta neoclássico pinta uma paisagem como
Convite à Marília um “estado de alma”, podemos dizer que estamos
Já se afastou de nós o Inverno agreste diante de uma paisagem:
A fértil Primavera, a mãe das flores, a) tipicamente neoclássica.
O prado ameno de boninas veste. b) sugestivamente simbolista.
c) rebuscadamente barroca.
Varrendo os ares, o sutil Nordeste d) prenunciadora do Parnasianismo.
Os torna azuis; as aves de mil cores e) antecipadamente romântica.
Adejam entre Zéfiros e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste. 274. Vunesp

Vem, ó Marília, vem lograr comigo Quem vê girar a serpe da irmã no casto seio,
Destes alegres campos a beleza, pasma, e de ira e temor ao mesmo tempo cheio
Destas copadas árvores o abrigo. resolve, espera, teme, vacila, gela e cora,
consulta o seu amor e o seu dever ignora.
Deixa louvar da corte a vã grandeza: Voa a farpada seta da mão, que não se engana;
Quanto me agrada mais estar contigo, Mas ai, que já não vives, ó mísera Indiana!
Notando as perfeições da Natureza!
Bocage, Obras de Bocage. Nesses versos de Silva Alvarença, poeta árcade e
Porto: Lello & Irmão, 1968, p. 142. ilustrado, faz-se alusão ao episódio de uma obra em
Bye bye Brasil que a heroína morre. Assinale a alternativa correta em
Mulher Nordestina – Meu Santo, minha família foi que se mencionam o nome da heroína (1), o título da
embora, meu santo. Filho, nora, neto… Fiquei só com obra (2) e o nome do autor (3).
o meu velho que morreu na semana passada. Agora, a) (1) Moema; (2) Caramuru; (3) Santa Rita Durão.
quero ver o meu povo. Meu santo, me diga, onde é b) (1) Marabá; (2) Marabá; (3) Gonçalves Dias.
que eles foram, meu santo? c) (1) Lindóia; (2) O Uraguai; (3) Basílio da Gama.
Lord Cigano – E eu sei lá? Como é que eu vô d) (1) Iracema; (2) Iracema; (3) José de Alencar.
saber? Quer dizer… eu sei…eu… Eu tô vendo. Eu e) (1) Marília; (2) Marília de Dirceu; (3) Tomás A.
estou vendo a sua família, eles estão a muitas léguas Gonzaga.
daqui.
Mulher Nordestina – Vivos? 275.
Lord Cigano – É, vivos, se acostumando ao Aponte a alternativa em que houver erro.
lugar novo. a) O padre Antônio Vieira, embora sacerdote, foi na-
cionalista (pregou contra os holandeses invasores)
Mulher Nordestina – A gente se acostuma com e se preocupou com problemas sociais (foi contrá-
tudo… Onde é que eles estão agora, meu santo? rio a que os colonos portugueses escravizassem
Lord Cigano – Ah, pêra aí, deixa eu ver! Eu tô os índios).
vendo: eles estão num vale muito verde onde chove b) Gregório de Matos Guerra não passou de um
muito, as árvores são muito compridas e os rios são panfletário; em sua obra satírica, não perdoou a
grandes feito o mar. Tem tanta riqueza lá, que ninguém ninguém; no campo humorístico, chegou à obsce-
precisa trabalhar. Os velhos não morrem nunca e os nidade; no campo lírico, nada produziu; embora
jovens não perdem sua força. É uma terra tão verde… tesoureiro-mor e vigário-geral da catedral da Bahia,
Altamira! não há poesia sua sobre religião levada a sério.
Diálogo do filme Bye bye Brasil (1979). Produzido por Lucy Barreto. c) Uraguai, epopéia de Basílio da Gama, foge a
Escrito e dirigido por Carlos Diegues. estritos moldes camonianos e é sobretudo antije-
suítica.
Os escritores clássicos gregos e latinos produziram d) Santa Rita Durão, quando compõe o Caramuru,
certas fórmulas de expressão que, retomadas ao longo não perde de vista a estrutura formal de Os lusía-
dos tempos, chegaram até nossa modernidade. Uma das.
dessas fórmulas é a chamada tópica do lugar ameno, e) Vida e obra de Tomás Antônio Gonzaga são in-
ou seja, a evocação literária de um recanto ideal, de- dissociáveis de Marília, a quem consagrou muitas
licado, geralmente bucólico, cuja paz e tranqüilidade liras.
servem de palco ao idílio dos amantes e ao sossego
da vida. Simboliza o porto almejado ou o retorno à 276. Cefet-PR
felicidade perdida. Tomando por base este comentário, Marque a alternativa incorreta sobre o Arcadismo
releia os textos em pauta, e, a seguir: brasileiro.
a) aponte, na seqüência de Bye Bye Brasil, dois ele- a) Algumas obras árcades assimilam certa ideologia
mentos da paisagem descrita por Lord Cigano que da época, valorativa da vida natural, do homem
caracterizam Altamira como um lugar ameno; primitivo.
b) localize, no segundo terceto de Bocage, o verso em b) A cosmovisão iluminista, enaltecedora do saber
que se estabelece relação opositiva com a tópica erudito, encontra-se presente em vários poemas
do lugar ameno. dos árcades brasileiros.
102
c) Em Caramuru, obra épica de Santa Rita Durão, 278.
ocorre a apologia do cristianismo.
Este lugar delicioso, e triste,
d) A obra O Uraguai, de Basílio da Gama, liga-se ide-
Cansada de viver, tinha escolhido
ologicamente à política do Marquês de Pombal, à
proporção que retrata de modo positivo a expulsão Para morrer a mísera Lindóia.
dos jesuítas de suas reduções. Lá reclinada, como que dormia,
e) A exaltação da vida simples, do homem natural, Na branda relva, e nas mimosas flores,
do bom selvagem leva os poetas árcades a repu- Tinha a face na mão, e a mão no tronco
diarem em suas obras poéticas o saber erudito. De um fúnebre cipreste, que espalhava
Melancólica sombra. Mais de perto
277. Vunesp
Descobrem que se enrola no seu corpo
Leia os textos a seguir.
Verde serpente, e lhe passeia, e cinge
O Uraguai Pescoço, e braço, e lhe lambe o seio.
(Canto IV – fragmento) (...)
Este lugar delicioso, e triste,
Porém o destro Caitutu, que treme
Cansada de viver, tinha escolhido
Do perigo da irmã, sem mais demora
Para morrer a mísera Lindóia.
Lá reclinada, como que dormia, Dobrou as pontas do arco, quis três vezes
Na branda relva, e nas mimosas flores, Saltar o tiro, e vacilou três vezes
Tinha a face na mão, e a mão no tronco Entre a ira, e o temor. Enfim sacode
De um fúnebre cipreste, que espalhava O arco, e faz voar a aguda seta,
Melancólica sombra. Mais de perto Que toca o peito de Lindóia, e fere
Descobrem que se enrola no seu corpo
A serpente na testa, e a boca, e os dentes
Verde serpente, e lhe passeia, e cinge
Deixou cravadas no vizinho tronco.
Pescoço, e braços, e lhe lambe o seio.
Fogem de a ver assim sobressaltados, Açouta o campo co´a ligeira cauda
E param cheios de temor ao longe; O irado monstro,e em tortuosos giros
E nem se atrevem a chamá-la, e temem Se enrosca no cipreste, e verde envolto
Que desperte assustada, e irrite o monstro, Emnegro sangue o lívido veneno.
E fuja, e apresse no fugir a morte. Leva nos braços a infeliz Lindóia
Basílio da Gama O desgraçado irmão, que ao despertá-la

Caramuru Conhece, com que dor! no frio rosto


(Canto VI, estrofe XLII) Os sinais do veneno, e vê ferido
Perde o lume dos olhos, pasma e treme, Pelo dente sutil o brando peito.
Pálida a cor, o aspecto moribundo. Com mão já sem
Os olhos, em que Amor reinava um dia,
Vigor, soltando o leme,
Entre as salsas escumas desce ao fundo. Cheios de morte; e muda aquela língua,
Mas na onda do mar, que irado freme, Que ao surdo vento, e aos ecos tantas vezes
Tornando a aparecer desde o profundo: Contou a larga história de seus males
“Ah, Diogo cruel!” disse com mágoa,
E, sem mais vista ser, sorveu-se n’água. Nos olhos de Caitutu não sofre o pranto,
Santa Rita Durão E rompe em profundíssimos suspiros,
Lendo na testa da fronteira gruta
A epopéia Os lusíadas (1572) tem servido de modelo
De sua mão já trêmula gravado
aos demais poemas épicos escritos em língua portu-
guesa. As comparações destes com a obra-prima de O alheio crime, e a voluntária morte.
Luís Vaz de Camões são inevitáveis. Releia atenta-
mente os textos apresentados e, a seguir: a) Indique o nome da obra e o autor.
a) aponte, do ponto de vista da versificação, em qual b) Sintetize o enredo do poema.
deles o autor revela seguir mais à risca o modelo c) Aponte, no texto dado, as rupturas com o modelo
camoniano; camoniano.
b) cite duas características do texto escolhido que
evidenciam essa aproximação com a versificação 279.
de Os lusíadas. Qual é o argumento histórico do poema Caramuru?
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103
Língua Portuguesa 3 – Gabarito
01. a) II c) I amorosa, da separação segui- II.
b) III d) IV da de sofrimento por parte do a) A personagem que se ex-
02. Os versos em que ocorre a apaixonado trovador, é outra pressa no último verso é a
utilização do paralelismo são: característica trovadoresca moça apresentada na 1ª série
presente. paralelística.
“mentiu-mh o meu amigo:”,
“mentiu per seu grado”, e “mais 14. A confissão de apaixonado do b) Ao dizer que seu observador
bem des aquel dia”, “mais por eu lírico e a presença do amor adivinhou seus sentimentos,
que mh-á mentido,”. Justifica-se cortês identificado na palavra a moça confessa seu sofri-
essa utilização para enfatizar “Senhor” com que é tratada a mento amoroso que, antes,
que o amado havia mentido mulher amada. ela exprimia indireta e disfar-
para o eu-lírico. 15. D çadamente com as cantigas.
O refrão “sanhuda lh’ and’
16. Cantiga de amor: vassalagem 20. Apontar para a mudança no
eu”, presente no final de cada
amorosa (princesa, senhora), vocabulário (mais fácil), em
estrofe, justifica-se para re-
coita (você me arrasou), eu lírico comparação aos textos trovado-
presentar o quanto a jovem
masculino. rescos. Além disso, permanece
ficou zangada com a mentira
do amado. a temática em que a mulher é
17. a) Presença do eu lírico mas-
culino e abordagem da coita um ser superior (vassalagem
03. A 04. B
amorosa. amorosa) que faz o eu lírico
05. A ambientação no litoral é se-
sofrer (coita).
melhante e também a presença b) Pode ser tomada como can-
do refrão em ambas. tiga de maldizer, por mostrar 21. D
06. I. D IV. C uma situação satírica, ou 22. Texto antropocêntrico, pois
II. A V. A maliciosa (uma moça sendo centraliza o foco nas ativi-
vista seminua), envolvendo dades e paixões humanas,
III. B
alguém claramente identi- terrenas.
07. A ficado (Filha de Don Paai 23. a) Atitude “científica”, detalha-
08. a) Refere-se às romarias, even- Moniz).
tos comuns na época. da na observação dos fatos
18. a) Cantiga de maldizer, por históricos.
b) A referência às romarias indi-
apresentar uma crítica direta b) Texto antropocêntrico, pois
cia a religiosidade medieval,
e explícita a alguém cujo centraliza o foco nas ativi-
aspecto fundamental da
nome é, inclusive, citado dades e paixões humanas,
cultura do período, marcada
(Don Meendo) terrenas.
pelo teocentrismo.
b) O trovador acusa o satiri- 24. A
09. C 10. C 11. D
zado de tê-lo roubado (ou
12. a) Em ambos os textos, a 25. O tema do abandono e o
enganado com sua conversa
amada procura desprezar sofrimento decorrente dele
esperta).
o amante ou aquele que a aparecem tanto na poesia
admira. 19. I. trovadoresca como na poesia
a) A cantiga estrutura-se em palaciana.
b) Texto I ⇒ e me non falou
duas séries paralelísticas: 26. O interesse de Fernão Lopes
Texto II ⇒ E nem escuta 1ª série – estrofes 1 e 2; pela pesquisa histórica indica
quem apela 2ª série – estrofes 3 e 4. a tendência humanista para o
c) O trovador afirma que o Ao final de cada estrofe, cientificismo.
desprezo da amada provo- repete-se o refrão. O úl-
27. E
ca nele uma dor pior que a timo verso não integra o
28. O primeiro texto, a partir de uma
morte. paralelismo.
antítese, acaba por não chegar
13. Formalmente o texto faz refe- b) Na primeira série paralelís-
a uma explicação. Já o segundo
rência ao Trovadorismo, por tica, é enfatizada a imagem
texto, na oposição interior x exte-
meio do uso do português da moça que canta para o
rior, demonstra que o eu poético
arcaico (galego-português), amigo enquanto trabalha; já
sabe em que lugar se perdeu.
apresentando inclusive ex- na segunda série, por meio
29. C 30. D 31. A
pressões próprias da Idade da fala de uma personagem,
Média lusitana (non dormho á são expostos os sentimen- 32. C 33. A 34. B
mui gran sazon/ ai meu lum’e tos da moça, que canta sua 35. B 36. C 37. C
meu ben). O tema da coita infelicidade amorosa. 38. A
104
39. a) Auto da barca do inferno. b) Ele afirma ser “fidalgo de ao período humanista, sendo
b) Pela atitude teocêntrica solar”, isto é, ser de família exemplo de poesia palaciana.
de salvar a alma dos ca- importante e, por isso, me- O 2º texto pertence ao Classi-
valeiros, já que morreram recer o céu. cismo.
defendendo interesses da 51. E 52. E 53. A 63. a) Camões foi o maior repre-
Igreja Católica. 54. a) Porque lutaram em nome de sentante do Classicismo em
40. a) Lança uma série de im- Jesus Cristo. língua portuguesa.
propérios e ofensas ao b) Pensamento teocêntrico b) Heróis que cantaste/armas/
Diabo. barões/oceano/a história
55. I. B e II. C 56. D
b) Representa o homem mais que narraste/deuses/nin-
57. a) O trecho que se relaciona
humilde e simplório. fas/guerras/cobiças/ama-
literalmente com o final da
c) Um homem ingênuo, sem dor/etc.
peça é “asno que me leve
malícia. 64. A carta de Antônio Ferreira
quero”. Pero Marques age
41. E 42. C como um “asno” em duas permite identificar uma série
43. a) Como tendo sido castigo situações: a primeira quan- de elementos clássicos: arte
divino (a ira de Deus fizera do serve de cavalgadura; a como expressão da natureza
aquilo). segunda, por não saber que humana, conceito humanista
b) Como curso natural, fenôme- Inês o traía. antropocêntrico — “Conheça-
no natural, obra da natureza, me a mim mesmo” –; raciona-
b) O primeiro marido de Inês lismo – “O juízo quero! De quem
e não de Deus. – Brás da Mata – tratava-a com juízo, e sem paixão me
c) Indica uma postura mais de modo agressivo e tirâ- leia” –; imitação dos clássicos
independente da ortodo- nico, já Pero dá-lhe total antigos – “Na boa imitação”
xia católica. No contexto liberdade. – ; valorização da bagagem
humanista, isso ilustra a cultural – “Muito, ó Poeta, o en-
c) É uma sátira moral da socie-
passagem de concepções genho pode dar-te./ Mas muito
dade portuguesa da época.
teocêntricas para concep- mais que o engenho, o tempo,
Inês abandona seus ideais
ções antropocêntricas. e estudo” –; referências mito-
com o propósito de levar
44. A lógicas – “Apolo”, “nove Irmãs”
uma vida prazerosa.
45. Gil Vicente. Povo, juízes, agio- –; equilíbrio – “Corta o sobejo,
tas, artesãos etc. 58. C 59. D vai acrescentando/ O que falta,
60. a) Trata-se da noção de equilí- o baixo ergue, o alto modera”,
46. Brás da Mata representa o
brio. “do ornamento / Ou tira ou põe”
cavalo, pois ele “derruba” Inês
b) O poeta, no texto, prega uma –; universalismo – “Tudo a ua
com sua repressão.
existência simples e equilíbra- igual regra conformando” –;
47. E 48. A linguagem clara – “Ao escuro
da, vivendo de seus próprios
49. a) Inês reclama dos serviços recursos, de forma humilde, da luz, e ao que pudera/ fazer
domésticos que a prendem para se manter longe da dúvida aclara” –; sobriedade,
na casa da mãe, desejando inveja. A mediania (ou “aurea contenção –“com o decoro o
viver e folgar como outras mediocritas”) é louvada: não tempera”.
moças. ter muito, nem pouco, apenas 65. D 66. B 67. E
b) Inês optaria por casar-se. o necessário, isto é, o que 68. D 69. D 70. B
Por meio do casamento, está no meio, o equilíbrio. 71. a) Os dois versos finais (“Sãs
ela pensa encontrar a li- 61. Formalmente, a grande novidade letras, justas armas, esteios/
berdade. do dolce stil nuovo era o uso de Firmíssimos de Império só
c) Inês seria aprisionada pelo versos decassílabos (por isso tenhamos.”).
primeiro marido, Brás da chamados de “medida nova”), em b) O poeta coloca, em um
Mata, enquanto ele partis- substituição aos tradicionais ver- mesmo plano de importância
se para a guerra. Assim, sos de redondilha maior e menor para a administração do rei-
ficaria sem a liberdade (que passaram a ser conhecidos no, tanto a força das armas
que pensava obter com como “medida velha”). (“justas armas”) quanto a
o casamento. Depois de 62. O primeiro texto é mais senti- influência do saber (“Sãs
viúva, casaria novamente, mental e emotivo, tematizan- letras”).
valendo-se da experiência do uma experiência amorosa c) No Classicismo, ocorre a va-
para conseguir garantir particular. O segundo mostra lorização da racionalidade,
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a vida livre que sempre uma concepção mais racio- da inteligência, que é exa-
desejou. nalista e generalizadora do tamente o aspecto realçado
50. a) A soberba, a vaidade e a amor, tratado aqui de forma aqui pelo poeta.
exploração dos pobres. universal. O 1º texto pertence 72. A
105
73. a) O verbo “alongar” associa- 86. No episódio conhecido como b) O poema de Fernando
se a cansaço da vida. O “Gigante Adamastor”. Ele re- Pessoa é uma paródia séria
“encurtar” relaciona-se à presentaria a personificação do do texto de Camões. Ambos
proximidade da morte. Cabo das Tormentas. fazem uma descrição do
b) Há, no primeiro verso da 87. D 88. A mapa da Europa através da
segunda estrofe, uma opo- 89. D 90. C personificação de acidentes
sição entre “gastando” e 91. a) A “gente surda e endurecida” geográficos: para Camões,
“cresce”. Quanto mais a a que se refere o poeta são Portugal é “quase cume da
idade avança, mais o poeta seus contemporâneos. cabeça / De Europa toda”;
se aproxima do fim da vida. b) O poeta os acusa de abdica- para Fernando Pessoa,
c) O pronome “ele” refere-se ao rem de suas tradições glorio- é “o rosto com que fita”.
vocábulo “bem”. sas em nome da cobiça e da Esse recurso é a figura de
74. D pura preocupação material, linguagem chamada proso-
75. a) Trata-se de um soneto de- sem grandeza, sem aspira- popéia.
cassílabo. ções maiores. 105. D 106. B
b) O poeta compara o próprio c) O poeta registra o estado de 107. A 108. E
coração com um passarinho. espírito de um povo marca- 109. Os “barões assinalados” (isto
Assim como um caçador do então pela decadência, é, varões ou homens ilustres,
acaba com a vida do se- muito distante das glórias importantes) são os heróis
gundo, o Frecheiro cego dos heróis do poema camo- portugueses das Grandes
acaba com a liberdade do niano, seus antepassados. Navegações. A expressão
primeiro. 92. C 93. D indica o elitismo da concep-
c) O Frecheiro cego é Cupido,
94. B 95. C ção histórica do poeta, que
o deus do Amor na mitologia
96. a) O narrador é Vasco da entendia a História como uma
clássica. Ele é representado
Gama. sucessão de feitos promovidos
por uma criança: um anjo de
b) Vasco da Gama representa a pela aristocracia.
olhos vendados (por isso
modernidade e o ideal expan- 110. a) São os versos 2 – 4 da se-
é chamado de “cego”) que
atira flechas para todos os sionista, enquanto o velho re- gunda estrofe: “Daqueles
lados, acertando aleatoria- presenta o apego à tradição. reis que foram dilatando / A
mente e fazendo com que 97. A 98. E Fé, o Império, e as terras vi-
os flechados se apaixonem 99. a) Porque tinha medo de mor- ciosas / De África e de Ásia
uns pelos outros. rer sem terminar a constru- andaram devastando.
76. Porque a ligação entre Inês e ção do convento de Mafra. b) Nesses versos, o poeta
D. Pedro era mais forte que os b) D. João V. insinua que os motivos
laços aristocráticos. Além disso, c) Para Saramago, “velho” é que teriam levado os portu-
ao responsabilizar o Amor, o po- sinal de incapacidade para gueses a se empenharem
eta atenua a responsabilidade o trabalho; em Camões, na tarefa das Grandes
do pai de D. Pedro pelo crime. “velho” é experiência. Navegações teriam sido a
77. B 78. A expansão do Império e a
100. B 101. B
eliminação do paganismo.
79. a) Camões é autor representati- 102. Os dois últimos versos são uma
vo do Classicismo, movimen- c) No episódio do “Velho do
confirmação, uma ênfase em
to estético renascentista. relação aos anteriores. Vide a Restelo”, outros motivos
b) Pôr freio a penas significa repetição do verbo “cessar”. são revelados, como a
“Não chorar”. 103. a) Decassílabo (10 sílabas cobiça e a ambição que
80. a) O vocábulo Amor grafado poéticas) nortearam a empresa das
com maiúscula no 5º verso navegações lusitanas.
b) Viagem de Vasco da Gama
está relacionado à personi- às Índias, feita em 1498, 111. Trata-se do verso 5 da terceira
ficação do amor, o deus do como parte da constituição estrofe: “Que eu canto o peito
Amor (Eros). do Império Colonial Portu- ilustre lusitano”. Nele, o poeta
b) O poder tirânico do amor foi guês. define a matéria temática de
a causa mortis de Inês de 104. a) L u í s Va z d e C a m õ e s Os lusíadas: a coragem e a
castro, exigência de Eros, que (1525-1580), autor de Os ousadia dos portugueses,
não se satisfaz apenas com lusíadas, é o expoente do que os tornaram superiores
lágrimas e sim com sangue Classicismo lusitano. Fer- aos gregos (o “sábio grego”
humano. nando Pessoa (1888-1935) é Ulisses), troianos (Enéias),
81. E 82. E 83. C é a grande expressão do macedônios (Alexandre) e
84. E 85. A Modernismo português. romanos (Trajano, general).
106
112. A 113. E 124. a) O texto original revela um 139. Basicamente, a religiosidade
114. Sim. A incorporação do objeto olhar encantado com as e os caracteres conseqüentes
amado sem a necessidade da terras descobertas e reple- desse tema: angústia (expec-
materialização. to de sentimento nativista. tativa pelo perdão divino); opo-
115. D O segundo revela olhar sição céu e terra; sinuosidade
irônico e iconoclasta. de raciocínio e de linguagem,
116. Fugacidade das coisas, efe-
b) O primeiro texto pertence além de ser uma mescla de
meridade da vida, preocupa-
ao Quinhentismo e o se- cultismo e conceptismo.
ção com a definição do senti-
gundo, ao Modernismo. 140. D 141. B 142. C
mento amoroso, desconcerto
do mundo, citações bíblicas. 125. A 126. D 143. Cultismo (atitude sensual)
127. Os dois textos discorrem sobre e conceptismo/conceitismo
117. C 118. D
o amor, considerando basica- (atitude intelectual).
119. D 120. C mente as contradições que 144. D
121. A diferença mais significativa é envolvem esse sentimento. 145. O uso abusivo da figura de sin-
o conteúdo. Na poesia épica, Todavia, Camões considera o taxe – silogismo – caracteriza
o conteúdo é narrativo, geral- amor dificultoso em si, ou seja, o cultismo no trecho.
mente com pano de fundo his- faz parte da sua própria essên-
tórico, associado a concepções 146. C 147. C 148. A
cia ser dor, fogo e desconten-
mitológicas. Na poesia lírica, a tamento, disfarçados nos seus 149. B 150. B 151. B
temática expressa os estados opostos: ferida indolor, fogo 152. a) A metáfora que fundamenta
emocionais de um eu lírico. invísivel ou contentamento. o soneto é a associação
O tipo de verso não poderia Para S. Andresen, é o mundo entre o ser humano, ou a
ser colocado como diferença que determina os sofrimentos vida humana, e um barco.
significativa, porque Camões, do amor: “sítio frágil”, “lugar b) No soneto, temos a suges-
por exemplo, escreveu em de- de imperfeição”, onde tudo tão de que o ser humano é
cassílabos tanto poesia épica “quebra, emudece, mente e um barco que navega no
(Os lusíadas) quanto poesia separa”. A simetria formal do mar da vida, sujeito às per-
lírica (Os sonetos). soneto camoniano contrasta turbações do pecado. Para
122. a) A antítese do início do poema com os versos livres e brancos escapar delas, o poeta su-
se expressa através da opo- da poetisa. gere a Igreja, metaforizada
sição entre a vida e a morte: 128. João Guimarães Rosa – Gran- em porto seguro.
a amada está morta, porém de sertão: veredas 153. O Padre Vieira teve atuação
viva nas lembranças dele. Fernando Pessoa – Cancioneiro decisiva na vida política portu-
b) Segundo o poema, essa 129. a) Verso de 5 sílabas, chama- guesa, o que afetava o Brasil,
morte se deu tragicamen- do pentassílabo ou redon- então colônia de Portugal. Por
te, em um naufrágio. Os dilha menor. isso, seus sermões tematiza-
versos que indicam esse b) Não. O Classicismo introdu- vam tanto a realidade lusita-
episódio da biografia camo- ziu em Portugal o chamado na quanto a brasileira. Sua
niana são: “Eternamente verso de “medida nova”, ou biografia confirma: passou
as águas lograrão / A tua seja, o decassílabo. No en- metade da vida em Portugal e
peregrina fermosura”. tanto, durante algum tempo, a outra metade no Brasil.
c) O verso empregado no conviveram a medida nova e 154. A 155. A
poema foi o decassílabo, a medida velha. 156. As características de estilo
verso de medida nova. c) Expressou a relação de barroco presentes no trecho
d) Trata-se de um soneto, servidão que mantém com de Vieira são: apelo à inte-
por possuir catorze versos a sua amada, uma escrava ligência e à compreensão
dispostos em duas estrofes que o retém escravo por racional; argumentação; ex-
de quatro versos (quadras) subjugá-lo sentimental- posição tortuosa; exploração
e duas de três versos (ter- mente. do paradoxo (cegueira/luz);
cetos). Os versos são de- 130. C 131. B 132. E religiosidade; tema da conver-
cassílabos, como mandava são: contra-reformismo.
133. B 134. C 135. C
a tradição clássica, e o es- 157. O fragmento da questão é um
quema de rima é: abba abba 136. a) Como exemplo de antíteses
bom exemplo da preocupação
cde cde, um dos esquemas pode-se citar: riso/pranto;
do Padre Antônio Vieira com
utilizados nessa tradição. triste/contente; calma/ven-
temas de caráter social e de
to; próximo/distante.
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123. Rigor formal (soneto decas- dimensão política. A aproxima-


sílabo), amor racionalizado b) O conflito espiritual é marca
ção e a comparação da figura
e uso de imagens antitéticas do Barroco.
de Alexandre Magno, grande
(últimos versos). 137. C 138. D conquistador do mundo antigo,
107
com a do pirata saqueador evi- pelo sujeito “interesseiro”. 182. Percebe-se no enfoque da
denciam a crítica aos valores Essas são as duas espé- mulher como anjo que guarda,
morais e a visão ideológica do cies de amor preteridas por indiciando um bem, e o anjo
autor. Vieira em função do amor que tenta, indiciando um mal.
(Outras respostas poderão “fino”, que traduz, por sua Tal contradição relaciona-se ao
ser aceitas, desde que aten- gratuidade, o desinteresse dualismo barroco, em que pólos
dam às especificações do – amor que “não há de ter opostos se fazem presentes.
enunciado). por quê, nem para quê”. 183. D 184. A 185. A
158. E 159. B 165. A 186. Os dois sonetos abordam
160. E 161. E 166. O conceptismo é uma das a transitoriedade da vida, a
vertentes da estética barroca. efemeridade dos dias.
162. Para Vieira, há três espécies
Geralmente, o conceptismo 187. No soneto I: “nasce” x “não dura”;
de “amor”: o amor que tem
é associado ao uso da ar- “tristeza” x “alegria”; “firmeza” x
“causa”, aquele que ama por-
gumentação para expressão “inconstância”, dentre outras.
que o amam; o amor que tem
das contradições próprias No soneto II: “flor” e “cinza”,
“fruto”, aquele que ama para
do estilo. No texto de Vieira, “pó”, “sombra” ...
que o amem; e o amor “fino”,
o que se nota é exatamente 188. A transitoriedade da vida e a
que não possui causa nem
o desenvolvimento de um ação do tempo sobre as coisas
fruto, isto é, de quem ama “não
raciocínio. justificam o conselho que o
porque o amam, nem para que
167. O dualismo barroco está eu-poético oferece à Maria, no
o amem”.
presente na utilização de an- segundo soneto, para que ela
163. Cristo amou Judas como a títeses e paradoxos, técnica goze da flor da mocidade.
outros apóstolos na dimensão típica da tendência conceptista
189. a) O soneto fala da fugacida-
do conhecimento que tinha da qual Vieira é o maior repre-
de da vida, a passagem
deles. A Judas, amou-o ciente sentante.
rápida do tempo.
de sua vilania, desinteressa- 168. a) “As causas (...) cega”
b) O texto é repleto de antí-
damente, num exercício de b) “a luz faz (...) cega”
teses (Luz / noite escura;
amor em que não se exige 169. • Intróito ou exórdio – apre- tristes sombras / formo-
nada do outro, nem se usa o sentação do tema. sura; tristezas / alegria;
outro para fins determinados. • Desenvolvimento ou argu- firmeza / inconstância). Mas
A fineza do amor praticado por mentação – defesa da idéia podemos citar também o
Cristo reside na disposição do trazida pelo tema, por meio hipérbato do verso 3: “Em
sujeito amante em exercitar de argumentos. tristes sombras morre a
um sentimento que se com- • Peroração – epílogo com a formosura”.
pleta pelo próprio exercício, reafirmação do sentido mo- c) O poeta afirma que a
isto é, o ato de amar tem como ral e religioso desejado. única coisa firme (isto é,
causa e finalidade a realiza- 170. A 171. C 172. C constante) no mundo é a
ção do próprio sentimento de 173. E 174. A 175. C inconstância. Como se vê,
amor. trata-se de uma afirmação
176. D
paradoxal, bem ao gosto
164. a) O conectivo porque e 177. a) A mulher divinizada e a barroco.
o vocábulo causa pos- mulher mais terrena e
190. As idéias contidas no primeiro
suem o traço semântico sensual.
e nos últimos versos do soneto
comum da causalidade, b) Como homem, Gregório re- se opõem porque, de início, o
da motivação; para que conhece-se pecador e Deus poeta desejava louvar e, no
é fruto, o traço comum da representa a possibilidade fim, dava graças a Deus por
finalidade. de redenção dos pecados. ter acabado a tarefa.
b) Porque relaciona-se con- 178. III, II e I 191. Texto I
textualmente à causa na 179. A 180. A “Largo em sentir, em respirar
apresentação de uma das 181. O episódio é a volta do filho
sucinto,
espécies de amor, o que pródigo. A ligação é feita Peno, e calo, tão fino e tão
traduz uma “obrigação” que pelo fato de o poeta colo- atento,”
é praticada por um sujeito car-se como o filho pródigo,
“agradecido”. Já para que Texto II
cobrando de Deus o mesmo
recupera fruto, explicando “Cansado de correr na direção
perdão paterno bíblico, numa
a espécie de amor que contrária
alusão direta ao que o poeta
implica finalidade, o amor considera a função do Deus Sem pódio de chegada ou
“negociação”, praticado Pai. beijo de namorada”
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192. Texto I 207. A 208. D 209. C 245. A supervalorização do afeto
“Largo em sentir, em respirar 210. C 211. A 212. C da mulher amada, idealizada
sucinto, 213. B 214. C 215. D também como uma Senhora.
Peno, e calo, tão fino e tão 216. A 217. E 218. A 246. Estrela. Significa destino, a for-
atento,” ça que atinge a todos, mortais
219. D 220. D 221. D
“Que fazendo disfarce do tor- e deuses, sem exceção.
222. C
mento, 247. A 248. B 249. C
223. Pastoralismo, bucolismo, influ-
Mostro que o não padeço, e ência da cultura greco-romana 250. Devido ao seu envolvimento
sei que o sinto.” carpe diem etc.. com a Inconfidência Mineira,
“O mal que fora encubro, ou Gonzaga foi preso em 1789. A
224. É um bucolismo sombrio,
que desminto, primeira parte da obra foi escrita
sem a idealização dos tex-
Dentro no coração é que o ainda em liberdade; e a segun-
tos árcades em geral, com
sustento:” da, com o poeta já preso. Seu
uma função expressiva de
romance com Maria Dorotéia
“Pois não chegam a vir à boca mostrar os sentimentos do
Joaquina de Seixas, celebrado
os tiros poeta, atitude nitidamente
na primeira parte, é referido na
Dos combates que vão dentro pré-romântica.
segunda em tom de lamento e
do peito.” 225. Presença de ambientes notur- saudade, misturado à incerteza
Texto II nos e subjetividade, expressa da própria sobrevivência.
especialmente nos dois últi-
“A tua piscina tá cheia de ratos Nos textos, essas diferenças
mos versos.
Tuas idéias não correspondem de situação são evidenciadas
226 B 227. A 228. B já a partir dos tempos verbais
aos fatos”
229. B 230. A 231. A utilizados em cada um deles:
“Eu vejo o futuro repetir o
passado 232. E 233. C presente no primeiro e passa-
do no segundo. Além disso, o
Eu vejo um museu de grandes 234. a) São os seguintes versos:
otimismo orgulhoso do texto
novidades” “Escritos pela mão do Fin-
I é substituído pela saudade
“Te chamam de ladrão, de gimento,/Cantados pela
desiludida no texto II.
bicha, maconheiro voz da Dependência”. No
primeiro, o eu lírico mos- 251. D 252. A 253. D
Transformam um país inteiro
num puteiro” tra-se insatisfeito com a 254. a) Trata-se do carpe diem, isto
idéia de abafar o “eu”; é, o aproveitamento do mo-
“Transformam um país inteiro
no segundo, refere-se ao mento presente, do tempo
num puteiro
presente, do aqui-agora.
Pois assim se ganha mais incômodo de haver mo-
delos a serem seguidos, b) Gonzaga valoriza o presen-
dinheiro”
imitados. te relativo a um processo
193. Poesia fescenina. Por apre- mais longo, ou seja, uma
sentar elementos pornográfi- b) O eu lírico incita o leitor etapa da vida. Reis o faz,
cos em seu conteúdo. a emocionar-se diante da levando em conta apenas
194. Crítica social, abrangendo os obra que produz; vale mais o instante, o momento pre-
aspectos moral, econômico e a emoção que o equilíbrio ciso.
político. formal ou temático de que 255. Porque não existe beleza na
Moral – segunda estrofe o eu lírico se tenha valido terra que se compare à de
Econômico – terceira estrofe em sua obra. Exemplos: Marília.
“Vede-as com mágoa,
Político – quarta estrofe 256. São marcos do Arcadismo: bu-
vede-as com piedade,/Que
195. D 196. B colismo, uso de pseudônimo
elas buscam piedade e não
197. O poeta relativiza a natureza de pastores gregos ou latinos
louvores”.
ao compará-la à amada e, e racionalismo.
235. A 236. C 237. E
conseqüentemente, sobrepôe São marcos que antecipam
a amada, numa tendência 238. C 239. E 240. C o Romantismo: subjetivismo
idealizadora clara em relação 241. A 242. C 243. D e egocentrismo (uso da 1ª
à mulher. Não é uma postura 244. Estrofe 1: bucolismo (fugere pessoa), além de referência
tipicamente árcade e sim pré- urbem) idealizada à mulher amada.
romântica, por essa idealiza- Estrofe 2: pastoralismo; aureas 257. E 258. C 259. D
ção feminina. mediocritas
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260. Marília de Dirceu – Tomás


198. B 199. A 200. A Estrofe 3: aureas mediocritas Antônio Gonzaga.
201. C 202. D 203. A Estrofe 4: pastoralismo, buco- O Uraguay – José Basílio da
204. A 205. D 206. A lismo (locus amoenus) Gama.
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261. D 262. A Adjetivação convencional: 277. a) Santa Rita Durão segue
263. B 264. D “úmidas” ribeiras”; “cristali- mais de perto a forma do
no rio”; “brancas ovelhas”; poema camoniano.
265. a) As características mais evi-
“doce avena”; “ligeiras b) Os elementos formais que
dentes são o bucolismo e o
pastoralismo, concretizan- águas” etc. evidenciam a adesão de
do o ideal de simplicidade 266. D Durão ao modelo camonia-
do Arcadismo, além da 267. O Neoclassicismo procura no são: estrofes de oito ver-
busca da simplicidade for- recuperar valores clássicos. sos (oitava) decassílabos,
mal, que determina o uso Filinto Elísio crê no artista que com esquema de rimas
do heptassílabo, de versos se embebe em fontes latinas abababcc (oitava rima).
brancos alternados com ou gregas, ou seja, fontes 278. a) O Uraguay – José Basílio
rimas imperfeitas e de uma genuinamente clássicas: “Lede da Gama
adjetivação convencional. (…) os clássicos honrados;/ b) Aborda a guerra entre jesu-
b) Pastoralismo: “Aquele herdai os bens, herdai essas ítas e índios do projeto Sete
pastor amante”(…) “Guiava conquistas,/ Que em reinos dos
as brancas ovelhas”. Buco- Povos das Missões contra
romanos e dos gregos/ Com in- tropas portuguesas, como
lismo: todos os elementos
defesso estudo conseguiram”. conseqüência da aplicação
da paisagem campestre:
“úmidas ribeiras”, “cristali- 268. B 269. E do Tratado de Madri.
no rio”, “bárbaras penhas” 270. B 271. D c) Texto sem estrofação e bran-
etc. Heptassílabo: A/que/ 272. a) “É uma terra tão verde…” cos (sem rima), apesar dos
le/pas/tor/a/man/te. Versos e “Tem tanta riqueza (…) versos decassílabos como
brancos: “Aquele pastor trabalhar”. no poema de Camões.
amante”/”Deste cristalino
rio”. Rimas imperfeitas: b) “Deixa louvar (…) grandeza”. 279. Observações sobre a natureza
ribeiras/ovelhas; avena/ 273. E 274. C e sobre usos e costumes da
penhas; queixa/perceba. 275. B 276. B cultura indígena e brasileira.

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