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Titulos de crédito

Disclaimer: Pá, não sei mesmo por que razão é que ainda dão títulos de crédito. Acho que a
insolvência era muito mais interessante. Eu não dei nada disto no meu ano, e os
apontamentos que se seguem é algo muito resumido de uma leitura do PPV/Engrácia
Antunes/Apontamentos. De todo o modo, na segunda feira, estarei livre a tarde toda para
tiragem de dúvidas para o teste. Mais: tentarei estudar melhor os títulos de crédito para vos
ajudar.

Ainda assim, creio que não deva sair assim muitas coisas sobre os títulos de crédito.

Historicidade: Os títulos de crédito surgiram para dar resposta à celeridade que o comércio
sempre exigiu. Os comerciantes frequentemente ficavam investidos em créditos sobre outros
comerciantes, e as dificuldades de circulação de dinheiro levaram a que espontaneamente se
criasse documentos especiais - cartulae. Os documentos serviam para circular, cobrando
créditos – ié, era dinheiro documentado e não se discutia o valor que de lá constava.

O que é um titulo de crédito?

- Documento que incorpora um direito cartolar e autónomo destinado à circulação. Vamos lá


decompor isto:

A)- Documento – ideia de existência, ter suporte físico.

b) direito cartolar – é o que resulta da relação subjacente que deu origem a este documento

c) – autónomo – o documento vale por si só

d) circulação – Serve para ser transmitido

Os títulos de crédito são actos de comércio objectivos.

P. da literalidade:

O que está expresso no título de crédito (o seu sentido objectivo) prevalece sobre a vontade
dos intervenientes. Exemplo: A faz um contrato com B e entrega um cheque com garantia,
havendo uma cláusula que diz “ Eu A, comprometo-me a pagar a quantia de 10 euros ao B,
caso não pague, ele preencherá o cheque” – O A não pagou os 10 euros, e o B, ao preencher o
cheque, acrescentou um “0” – ié, colocou o cheque que a quantia era de 100 euros. Pode o
Banco recusar? Não! Elemento da literalidade. O dinheiro a mais será resolvido por institutos
gerais, por ex, enriquecimento sem causa.

São classicamente apontados como títulos de crédito:


a) Cheque: self explanatory;
b) Letra – ordem de pagamento;
c) Livrança – promessa de pagamento

Dicionário informal sobre a letra:

a)- emitente do título = o sacador;

b)- ordem de pagamento – saque

c) devedor – sacado

d) a ordem de pagamento é destinada a uma certa pessoa – tomador

Endosso – modo de transmissão.

Crédito

É essencialmente a troca de uma prestação presente por uma prestação

futura, ou seja, o diferimento no tempo de uma contra prestação.

O conceito de crédito comporta dois pressupostos básicos:

a) A confiança do credor na honestidade e solvabilidade do devedor, isto

é, na sua aptidão moral e patrimonial para cumprir a obrigação no prazo

concedido, ou, pelo menos o valor das garantias (pessoais ou reais)

constituídas pelo devedor para assegurar a efectivação da prestação a

que obrigou;

b) Decurso do tempo entre a prestação actual do credor e a prestação

futura do devedor, normalmente fixado num período certo ou a prazo; ou, o

carácter futuro ou diferido da prestação do devedor.

A promoção do crédito seja um dos objectivos fundamentais do direito

comercial, cuja prossecução está na base e justifica a especialidade do regime

dos actos do comércio.

31. Função e conceito de título de crédito

Todo o documento necessário para exercer um direito, que é um direito

literal, autónomo, abstracto, que está mencionado nesse próprio documento;


verifica a incorporação do direito nesse título de que somos detentores.

Esse direito que está ínsito nesse título, é designado no nosso sistema por

um direito cartolar, há uma incorporação expressa, uma conexão directa entre

tal documento e o direito que se é titular.

O título de crédito, tem uma eficácia que ultrapassa a de mera constituição do

direito ao título adere permanentemente ao direito, de modo tal que aquele é

indispensável para que o direito possa ser exercido e transmitido, ou seja, para

que o seu titular possa dispor dele. Os títulos de crédito são documentos

dispositivos.

32. Características gerais dos títulos de crédito

A confiança constitui a base do desempenho dos títulos de crédito. Para que

essa confiança exista, é essencial que o regime para eles traçado proteja ao

máximo os interesses do titular do direito, do devedor e daqueles que venham a

adquiri-los de boa fé. Todos eles se disporão a aceitar a emissão e transmissão

dos títulos se puderem ter absoluta confiança em que:

a) O titular é quem tem o título em seu poder e por isso está habilitado

para exercer o direito nele referido;

b) Cada titular poderá com toda a facilidade transmitir esse título, para

realizar o valor dele, sem necessitar de esperar pelo cumprimento da

obrigação correspondente ao direito nele mencionado.

c) O teor literal do título correspondente ao direito que ele representa; e

d) A posição jurídica do actual detentor do título não poderá ser posta em

causa pela invocação de excepções oponíveis aos anteriores detentores

do título.

33. Princípio da incorporação ou legitimação

A detenção do título é indispensável para o exercício e a transmissão do

direito nele mencionado (quem for titular de um título é titular de um direito).

Tal característica consiste em que a posse do título legítima o portador para

exercer ou transmitir o direito. É mais preciso, designar esta característica por


legitimação activa visto que ela se refere à posição jurídica do sujeito activo do

crédito, à sua aptidão para exercê-lo ou transmiti-lo.

A posse, ou melhor a detenção material do título segundo as regras de

circulação que para ele estão defendidas, que confere ao seu possuidor a

legitimação formal para exercer ou transmitir o direito que o título refere.

O regime jurídico dos títulos de crédito assenta numa presunção de boa fé

dos sucessivos detentores do título, através da qual se cimenta e robustece a

formação e manutenção da confiança que constitui a base da aceitação destes

documentos.

Há igualmente que considerar uma legitimação passiva, relativa à posição e

interesse do devedor: este pode desonerar validamente da sua obrigação,

correspondente ao direito cartolar, se a cumprir perante o detentor do título

segundo a respectiva lei de circulação.

34. Princípio da circulabilidade

Os títulos de crédito destinam-se a circular, o que significa que, a sua própria

destinação jurídico-económica implica a potencialidade de serem transmitidos da

titularidade de uma pessoa para a outra sucessivamente, acarretando cada

transmissão do direito sobre o título a transmissão do direito por ele

representado, do direito cartolar.

Porque assim é, os documentos que não comportem a possibilidade de

circulação não podem ser considerados como títulos de crédito.

35. Princípio da literalidade

O direito que está incorporado no título, é um direito literal, porque o

documento vale nos precisos termos que constam no próprio documento. O

direito cartolar é aquele que está no documento independentemente da forma

como foi constituído, da relação subjacente do mesmo.

36. Princípio da autonomia

O tal direito cartolar (incorporado no documento), é em si um direito


autónomo, porque a relação cambiária tem vida própria, não está dependente de

qualquer relação subjacente a essa letra de câmbio. Importa distinguir dois

sentidos:

a) Autonomia face ao direito subjacente

O direito cartolar tem a sua origem numa relação jurídica logicamente anterior

ao surgimento do título de crédito – a relação subjacente ou fundamental – e

que ele é novo e diferente do direito subjacente ou fundamental, tendo um

regime próprio.

Assim, o direito cartolar é autónomo do direito subjacente, e por isso não

podem ser opostos ao portador do título, em princípio, meios de defesa

(excepções) emergentes da relação fundamental (art. 17º in fine LULL).

b) Autonomia face aos portadores anteriores

O direito cartolar é autónomo, segundo este sentido, porque cada possuidor

do título ao adquiri-lo segundo a sua lei de circulação “adquire o direito nele

referido de um modo originário, isto é, independentemente da titularidade do seu

antecessor e dos possíveis vícios dessa titularidade” como se o direito tivesse

“nascido ex-novo nas suas mãos” (art. 16º LULL)

37. Princípio da abstracção

O negócio cambiário é abstracto porque, esse negócio permite preencher um

conjunto de funções económico-jurídicas (ex. compra e venda).

A obrigação cambiária pressupõe sempre a existência de uma relação

jurídica subjacente, a relação pode preencher uma diversidade de funções

económico-jurídicas, a obrigação cambiária só tem um fim – pagamento ou

garantia de pagamento. Não é por esse fim que determina o negócio

cambiário. O negócio cambiário é determinado por outro negócio celebrado

entre as partes – a convenção executiva – é a causa próxima do negócio

cambiário, as partes determinam (através de convenção executiva) a função

desse negócio (art. 17º LULL).


38. Títulos impróprios

Habitualmente não são considerados como títulos de crédito certos

documentos que, muito embora tenham, em geral, as mesmas características

daquelas todavia se afastam deles no tocante à sua função jurídico-económica

e, por isso, quanto à característica da circulabilidade, sendo designados como

títulos impróprios.

Dentro destes documentos, é usual distinguir ainda duas categorias: os

títulos de legitimação e os comprovantes de legitimação.

a) Títulos de legitimação, têm por função conferir ao seu possuidor a

legitimação (activa) para o exercício de certos direitos e,

consequentemente, também conferem à outra parte a correspectiva

legitimação passiva.

b) Comprovantes de legitimação, conferem igualmente a legitimação

activa e passiva relativamente ao exercício de certos direitos, mas nem

sequer têm a possibilidade de circular por serem intransmissíveis.

Tipologia

39. Critério da causa-função, ou do nexo com a relação subjacente

Consideram-se duas espécies de títulos:

São causais os títulos que se destinam a realizar uma típica e única causa-

função jurídico-económica, inerente a um determinado tipo de negócio jurídico

subjacente, do qual resultam direitos cuja transmissão e exercício o título de

crédito se destina a viabilizar ou facilitar.

Os títulos abstractos são aqueles que não têm uma causa-função típica,

pois são aptos a representar direitos emergentes de uma pluralidade

indefinidamente vasta de causas-funções. Além disso, estes títulos são

independentes da respectiva causa: em princípio, o devedor não pode invocar

contra o portador do título, excepções fundadas na relação subjacente, que é a

causa (mediata) da sua obrigação e do correlativo direito do portador.


40. Critério do conteúdo do direito cartolar

A maior parte dos títulos de crédito hoje em uso incorporam direitos de

crédito em sentido estrito, geralmente direitos a uma prestação pecuniária, e por

isso se designam como títulos de crédito propriamente ditos.

Outros títulos, entretanto, denominam-se títulos representativos, porque

incorporam direitos sobre determinadas coisas, em geral mercadorias.

Em terceiro lugar existem os títulos de participação social, assim

designados por incorporarem uma situação jurídica de participação social, ou

seja, o complexo de direitos e obrigações que integra a qualidade de sócio de

uma sociedade. É o que sucede com as acções das sociedades anónimas e em

comandita por acções (arts. 298º segs. e 478º CSC).

41. Critério do modo de circulação

Segundo este critério os títulos podem ser ao portador, à ordem e

nominativos.

a) Títulos ao portador: não identificam o seu titular e transmitem-se por

mera tradição manual, por entrega real do documento (art. 483º CCom): o

titular é quem for o detentor do documento.

b) Títulos à ordem: mencionam o nome do seu titular, tendo este, para

transmitir o título – e, com ele, o direito cartular –, apenas de nele exarar o

endosso (art. 483º CCom): uma declaração escrita, no verso do título,

ordenando ao devedor que cumpra a obrigação para com o transmissário

e/ou manifestando a vontade de transmitir para este o direito incorporado.

c) Títulos nominativos: mencionam o nome do seu titular e a sua

circulação exige um formalismo complexo, do qual é exemplo modelar o

regime da circulação das acções nominativas (art. 326º CSC): para que a

sua transmissão seja válida, deve ser exarada no próprio título, pelo

transmitente, uma declaração de transmissão, bem como nele seja

lavrado o pertence, isto é, que no local adequado seja inserido o nome do

novo titular; além disso, é ainda necessário o averbamento do acto no livro


de registo de acções da sociedade emitente.

42. Critério da natureza da entidade emitente

São títulos públicos aqueles que são emitidos pelo Estado e por outros

entes públicos legalmente habilitados para tanto, aos quais se refere o art. 483º

CCom, como “títulos públicos negociáveis”. São principalmente, os títulos da

dívida pública.

Todos os demais títulos de crédito são títulos privados, por as pessoas ou

entidades que os emitem não terem a natureza de entes públicos, ou porque,

quando tenham essa natureza, actuam de forma indiferenciada em relação aos

entes privados, colocando-se no mesmo plano de actuação destes. É o que se

passa por exemplo, quando um qualquer organismo ou serviço público emite

cheques para efectuar os seus pagamentos.

43. Principais títulos de crédito

a) A letra

É um título de crédito, através do qual o emitente do título – sacador – dá

uma ordem de pagamento – saque – de uma dada quantia, em dadas

circunstâncias de tempo e lugar, a um devedor – sacado – ordem essa a favor

de uma terceira pessoa – o tomador.

Como título de crédito é rigorosamente formal, a letra é destinada à

circulação, a qual se efectua através de endosso, sendo portanto, um título à

ordem. O tomador poderá, portanto, assumir a qualidade de endossante,

transmitindo a letra a um endossado, o qual, por sua vez, poderá praticar acto

idêntico a favor de um outro acto endossado e assim por diante.

O principal obrigado em virtude da letra é o aceitante, que assume a

obrigação de pagar a quantia nela mencionada ao portador legitimado por uma

série ininterrupta e formalmente correcta de endossos, ao tempo do vencimento

e no local devido.

b) A livrança
Menciona uma promessa de pagamento, de uma certa quantia, em dadas

condições de tempo e lugar, pelo seu subscritor ou emitente, a favor do tomador

ou de um posterior endossado que for seu portador legítimo no vencimento.

A livrança é, também um, título à ordem, transmissível por endosso e,

rigorosamente formal, como se constata pelos requisitos mencionados no art.

75º LULL.

c) O cheque

Exprime uma ordem de pagamento de determinada quantia, dada por um

sacador a um sacado, que tem a peculiaridade de ser necessariamente um

banqueiro (art. 3º LUC), uma instituição de crédito habilitada a receber depósitos

de dinheiro mobilizáveis por esta forma, e a favor de uma pessoa denominada

tomador, portanto um meio de pagamento ao próprio depositante ou a terceiro, a

realizar pelas forças do depósito existente na instituição de crédito.

44. A destruição e extravio do documento: a reforma dos títulos de crédito

O título de crédito é um objecto material, um documento escrito geralmente

em papel, o que o torna muito facilmente perecível ou degradável, assim como

sujeito a numerosas causas de perda ou extravio, voluntárias ou involuntárias.

Ora, a característica da incorporação ou legitimação implica que só pode ser

exercido ou transmitido o direito cartolar mediante a posse material do título. E,

por isso, a destruição do documento implica a destruição do título de crédito,

pois impossibilita o exercício ou transmissão do respectivo direito.

A reforma consiste na reconstituição do título, através da emissão de um

novo documento, equivalente ao que foi destruído ou extraviado, possibilitando

assim a incorporação do direito no novo título, ou seja, que o titular fique de

novo legitimado para o seu exercício ou para fazer circular o direito. E isto

porque o título reformado equivale juridicamente ao que desapareceu, como se

fosse o mesmo documento (art. 484º CCom).

45. Extinção do direito cartolar


O título de crédito também se extingue quando ocorre a extinção do direito

nele incorporado, a qual pode ficar a dever-se à generalidade das causas de

extinção das obrigações.

O cumprimento constitui a forma natural e mais frequente de extinção do

direito cartular. Deve porém notar-se que só assim acontece com o cumprimento

efectuado pelo obrigado principal, quando existam outros co-obrigados garantes:

se forem estes a pagar ao portador, ficam investidos no direito cartolar em via de

regresso.

Além disso, o cumprimento deve ser acompanhado da cessação da

circulação do título, pela sua entrega ao obrigado a efectuar o pagamento, para

que não suceda que, apesar de cumprida a obrigação, o título continue a

circular, correndo o obrigado o risco de ter de pagar duas vezes (art. 39º I LULL).

A letra de câmbio

46. Requisitos formais da letra

1º A palavra “letra”:

Tem que constar no próprio texto do título e tem de ser expressa na língua

que é utilizada para a reclamação do título, este requisito adverte logo as

pessoas, para a natureza do título e para o seu regime jurídico.

2º Mandato puro e simples de pagar uma quantia determinada:

Tem de conter uma ordem de pagamento que deve ser pura e simples e

respeitar uma quantia determinada, essa ordem de pagamento emite a letra e

confere à letra, ao título uma identidade própria com o título de crédito, que tem

o regime da letra. O sistema jurídico exige que a ordem de pagamento puro e

simples, não pode ter cláusulas acessórias que condicionem ou restrinjam o

sentido e o alcance da letra (do título). O saque é um acto jurídico que é

incondicionável, tanto assim é, que o art. 2º LULL, vem dizer que a condição que

seja posta no saque “não produzirá efeito como a letra”.

3º O nome daquele que deve pagar (sacado):

O sacado da letra tem de indicar expressamente a pessoa à qual a ordem de


pagamento é dirigida, identificando a pessoa pelo nome completo, ou quando de

forma abreviada esse nome tem de estar de tal forma expresso, para que seja

possível a concreta identificação do sacado sem recurso a outros meios de

prova.

4º Época de pagamento:

Data de vencimento da letra (art. 33º LULL), pode ser pagável – sacada:

- À vista, ou seja, pagável no acto de apresentação ao sacado (art. 34º I

LULL);

- A um certo termo de vista, isto é, vence-se decorrido um certo prazo

sobre o aceite ou o protesto por falta de aceite (art. 35º LULL);

- A um certo termo de data, quer dizer, decorrido um certo prazo sobre

a data do saque;

- Como pagável no dia fixado, na própria letra para esse efeito.

Se na letra não houver qualquer menção da época do pagamento, o art. 2º II

LULL determina supletivamente que a letra se entenderá pagável à vista.

5º Identificação do lugar a efectuar o pagamento:

Se esta referência não constar do título é suprida, nos termos do art. 2º III

LULL, valendo para este efeito, o lugar indicado ao lado do nome do sacado,

como seu domicílio.

Relaciona-se com este requisito a regra do art. 4º LULL, que permite a

chamada letra domiciliada, isto é, pagável no domicílio de um terceiro. O uso

mais corrente desta faculdade consiste na identificação como local de

pagamento de uma dependência de um banco.

6º O nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser

paga (tomador):

Também a indicação do nome do tomador deve ser feita de modo a

possibilitar a sua identificação, em termos semelhantes aos referidos quanto ao

nome do sacado. O art. 3º LULL, permite que o sacador se identifique a si

próprio como tomador.

7º Indicação da data e lugar em que a letra é paga:


Se verificar a falta da data do saque, terá como consequência a não

produção de efeitos daquele título como letra (art. 2º I LULL), se faltar o lugar,

vale como lugar aquele que foi indiciado ao lado do nome do sacador (art. 2º IV

LULL).

8º Assinatura de quem passa a letra (sacador)

O saque é o acto gerador da letra, que implica o nascimento da obrigação

cambiária do sacador, por essa razão é que o sacador tem de assinar a letra. O

sacado só assume a obrigação mencionada nesse título (obrigação cambiária)

se e quando aceitar a ordem dada pelo sacador, assinando de forma transversal

no rosto do título da letra, e é esse acto de assinar do sacado que se denomina

por aceite que converte o sacado em aceitante da letra (art. 28º LULL).

47. A letra em branco ou incompleta

A partir de todos os elementos essenciais enumerados no art. 1º LULL, sobre

o suporte mecânico da letra, o título fica completado nos elementos essenciais

constitutivos do título letra de câmbio, portanto, esse instrumento, esse título fica

a desempenhar a função para que esse título foi emitido por lei.

É muito frequente na prática a emissão de letras que falta um ou mais dos

requisitos do art. 1º LULL, conquanto delas conste pelo menos uma assinatura

feita com a intenção de contrair uma obrigação cambiária 4[4] .

É o que se denomina geralmente de letra em branco (art. 10º LULL) para

haver uma letra em branco é necessário que preencha determinados requisitos:

1) Necessário que o instrumento, contenha já a assinatura de um dos

obrigados cambiários;

2) Que haja o acordo prévio de preenchimento dos elementos restantes.

A letra em branco é em certo sentido uma letra incompleta, porque não

contém no momento da sua emissão, de todos os elementos que se deve

revestir (art. 1º LULL). A LULL, ao contemplar a letra em branco, denominava-a

de letra incompleta (art. 10º LULL). Ou numa acepção mais restrita, as duas

designações, designam realidades distintas: letra em branco, aquela que tem

atrás de si um acordo para o preenchimento ulterior da letra de formação


sucessiva. Enquanto que na letra incompleta, título incompleto, título nulo, que

não poderá valer como letra por falta dos elementos essenciais.

48. Os negócios jurídicos cambiários, o saque

Negócio jurídico cambiário que cria o título de crédito unilateral, abstracto que

prescinde da causa.

Esse acto jurídico tem por objecto uma ordem que resulta da letra, ordem que

é dirigida ao sacado para que esse pague ao tomador ou pague à ordem do

tomador uma certa quantia.

4[4] Em geral do sacador ou do aceitante.

O conteúdo desse negócio envolve sempre uma promessa que é feita pelo

sacador de que o sacado obedecerá sempre a essa ordem, que o sacado

pagará se isso não se verificar, é o próprio sacador que assume essa

responsabilidade 5[5] .

A emissão da letra é sempre consubstanciada no saque (ordem de

pagamento incondicional). Tem como modalidades (art. 30º LULL):

- À ordem do próprio sacador;

- Contra o próprio sacador;

- Por ordem e conta de terceiro.

Ao subscrever o saque, o sacador assume todas as obrigações cambiárias

referidas no art. 9º LULL, aí se estabelece que o sacador é o garante tanto na

aceitação como do pagamento da letra.

O portador que tenha um direito de acção pode pagar-se através do saque de

uma letra à vista, sacada necessariamente sobre um dos co-obrigados, pagável

no domicílio desse co-obrigado – o ressaque (art. 52º LULL), habilitará o credor

cambiário a realizar imediatamente o seu direito se tiver meio de obter

Pode também incumbir juros e encargos resultantes do não pagamento da

letra.
49. O aceite (arts. 21º a 29º LULL)

É a declaração de vontade pela qual o destinatário do saque – sacado –

assume a obrigação cambiária principal, ou seja, a de pagar, à data do

vencimento, a quantia mencionada na letra a quem for o portador legítimo desta

(art. 28º LULL), passando a designar-se como aceitante.

O aceite é necessariamente escrito e assinado pelo sacado na letra.

Exprime-se pela palavra “aceite” ou outra equivalente, mas considera-se

bastante a assinatura do sacado no rosto ou anverso da letra (art. 25º LULL).

Usualmente, o aceite é feito por assinatura transversal do sacado no lado

esquerdo do rosto da letra.

O aceite tem de ser puro e simples (art. 26º LULL), não podendo, ser sujeito

a qualquer condição ou aditado de qualquer modificação ao conteúdo da letra,

sob pena de se ter como recusado, o que faculta de imediato ao portador

exercer o direito de regresso contra os de mais co-obrigados cambiários. Mas

daí não advém a nulidade do aceite, tendo-se o aceitante por obrigado nos

termos da sua declaração. A lei permite, no entanto, que o aceite seja parcial,

isto é, restrito a uma parte da quantia do saque.

Se não for feito o aceite pelo sacado, poderá sê-lo por outra pessoa: é o

chamado aceite por intervenção, que pode ocorrer devido a uma incumbência

expressa na própria letra pelo sacador, um endossante ou um avalista (art. 55º

LULL), ou espontaneamente, sem incumbência (art. 56º LULL).

50. Endosso

O endosso realiza o que alguns chamam “a dinâmica da letra”. Constitui este

acto uma nova ordem de pagamento, dada pelo endossante 6[6] ao sacador para

5[5] O saque é o acto jurídico que cria o título de crédito, neste caso a letra.

que pague a letra, no vencimento, ao portador, através de uma declaração no

verso da letra seguida da assinatura.

O endosso deve ser puro e simples (art. 12º LULL). Por vezes, limita-se à
assinatura do endossante, constituindo então o chamado endosso em branco

(art. 13º LULL). Três modalidades legítimas de endosso em branco:

a) O endosso que contém a ordem de pagamento, a assinatura do

endossante, mas omite o nome do endossante;

b) O endosso constituído unicamente pela assinatura do endossante no

verso da letra ou folha anexa;

c) Endosso ao portador, fórmula: “pague-se ao portador”.

A LULL prevê que qualquer dos endossantes que tenha pago uma letra pode

riscar o seu endosso e dos endossantes subsequentes (art. 50º LULL).

a) Endosso por procuração

Quando o endosso contém a menção – “valor a cobrar” ou “para cobrança”

ou “por procuração” – ou quando o endosso contém qualquer menção que

implique um simples mandato, o art. 18º LULL, diz que o portador pode exercer

todos os direitos emergentes da letra, mas só pode endossar na qualidade de

procurador. O mandato não se extingue por morte ou por incapacidade legal que

sobrevenha ao mandatário.

b) Endosso em garantia

Valor em garantia, valor em penhor, ou quando o endosso contenha qualquer

outra expressão que implique uma caução. O art. 19º LULL, diz que o portador

pode exercer todos os direitos emergentes da letra, mas um endosso que seja

feito por ele, só vale como endosso a título de procuração. Todos os co-

obrigados não podem invocar contra o portador, as excepções fundadas sobre

as relações pessoais deles com o endossante, a menos que o portador ao

receber a letra tenha procedido conscientemente em deterimento.

51. O aval

Constitui um negócio cambiário unilateral, pelo qual um terceiro ou mesmo

um signatário se obriga ao seu pagamento, como garante de um dos co-

obrigados cambiários (art. 30º, 31º LULL). Na falta de indicação expressa do

avalizado, a lei indica supletivamente que o aval valerá a favor do sacador (art.

31º LULL).
O aval pode respeitar à totalidade ou apenas a parte do montante da

obrigação do avalizado (art. 30º LULL).

O aval é uma garantia pessoal, que tem como característica própria, por não

conceder ao avalista o benefício da exclusão prévia, o avalista é solidariamente

responsável (art. 32º e 47º LULL) com os outros subscritores posteriores da

letra.

52. Pagamento por intervenção

Pode realizar-se em todos os casos em que o portador de uma letra,

aceitável, tem o direito de acção antes do vencimento (art. 55º LULL). Nas

6[6] O tomador ou um posterior endossado.

hipóteses de recusa total ou parcial do aceite ou nos casos de falência do

sacado (art. 43º LULL).

Quando for indicada uma pessoa como aceitante por intervenção, o portador

da letra, nunca pode exercer o seu direito de acção antes do vencimento contra

aquele que indicou essa pessoa e contra os signatários subsequentes, a não ser

que tenha apresentado a letra à pessoa designada e que caso esta tenha

recusado o aceite, se tenha feito protesto.

A LULL, admite expressamente, sobre certas condições a figura da letra não

aceitável, isto é, a letra que fica proibida de ser apresentada ao aceite. O art. 22º

LULL, estatui que o sacador pode proibir na própria letra a sua apresentação ao

aceite excepto se tratar de uma letra pagável em domicílio de terceiro, ou de

uma letra pagável em localidade diferente do domicílio do sacado ou de uma

letra sacada a termo de vista.

53. Características da obrigação cambiária

a) Incorporação ou legitimação: só o possuidor legítimo da letra pode

exercer o direito cartolar ou transmiti-lo, isto é, só ele tem legitimação

activa;
b) Literalidade: o conteúdo do direito cartolar e da obrigação a ele

correspectiva são literais, e consequentemente, não podem ser invocados

contra o portador de boa fé quaisquer factos ou circunstancias que

extingam, modifiquem ou impeçam o seu direito, a não ser que

transpareçam do próprio texto do título.

c) Circulabilidade: a letra é manifestamente vocacionada para a

circulação, como título à ordem que é, demonstra-o o regime do endosso.

d) Autonomia: comporta dois sentidos distintos:

· Autonomia do direito cartolar (art. 17º LULL): são inoponíveis ao

portador, as excepções decorrentes das relações pessoais do obrigado

cambiário com os portadores anteriores ou com o sacador.

· Autonomia do direito sobre o próprio título: significa, que o

adquirente do título é um adquirente originário, cujo direito sobre a letra

não está sujeito à arguição de ser ilegítima a sua posse, em virtude da

ilegitimidade de qualquer dos ante possuidores (art. 216º LULL).

e) Abstracção: a característica da abstracção da obrigação cambiária diz

respeito em face da relação subjacente ou fundamental preexistente. Dois

sentidos:

1) Porque não tem causa-função típica, antes pode prosseguir uma

multiplicidade de causas-funções, inerentes a diversos negócios

jurídicos que podem estar na origem da relação subjacente: compra e

venda, mútuo, etc.

2) Porque a obrigação cambiária é independente da causa, e por

consequência, não sofre as consequências dos vícios da sua causa,

isto é, são inoponíveis a portador mediato e de boa fé as chamadas

excepções causais, ou sejam as resultantes de possíveis vícios da

relação subjacente ou fundamental (art. 17º LULL).

f) Independência recíproca: a nulidade de uma das obrigações que a

letra incorpora não se comunica às demais (art. 7º LULL).

54. Vencimento e pagamento da letra


A ordem de pagamento que está inscrita numa letra de câmbio surge desde a

sua origem histórica dessa letra, marcada por uma dilação de vencimento sobre

a data da sua emissão.

A lei no art. 33º LULL, diz expressamente que as letras com vencimentos

diferentes ou com vencimentos sucessivos, são nulas.

As letras são pagáveis à vista, vencem-se mediante a simples apresentação

ao sacado, o que deverá ser feito no prazo de um ano a contar da sua data,

podendo o sacador aumentar ou reduzir esse prazo e os endossantes encurtá-lo

(art. 34º LULL). Também pode o sacador estabelecer que a letra não seja

apresentada antes de certa data, contando-se então o prazo a partir desta (art.

34º LULL).

Na letra a certo termo de vista, o prazo de vencimento conta-se do aceite

ou do protesto por falta dele, entendendo-se o aceite não datado como feito no

último dia do prazo (art. 35º LULL).

Quanto às letras com vencimento em data certa ou a certo termo de

data, deverão ser apresentadas a pagamento na data do vencimento ou num

dos dois dias úteis seguintes (art. 38º LULL).

55. Protesto

A falta de aceite ou a falta de pagamento devem ser certificadas através do

protesto: trata-se de um acto jurídico declarativo, não negocial, praticado

perante um notário, destinado a comprovar e a dar conhecimento aos

intervenientes na cadeia cambiária da falta do aceite ou do pagamento, bem

como a salvaguardar a integridade do direito do portador.

Há dois protestos diferentes:

a) O protesto por falta de aceite: certifica que o sacado se recusou a

aceitar a letra que para tal lhe foi apresentada, ou que apenas a aceitou

parcialmente;

b) O protesto por falta de pagamento: comprova que foi recusado o

pagamento da letra para tal apresentada ao sacado e é feito contra este, já


que, ao aceitar, se obrigou a pagá-la no vencimento (art. 44º LULL).

56. Prescrição

O direito cartolar está sujeito a prazos de prescrição extintiva, diferentes

consoante as posições dos sujeitos cambiários (art. 70º LULL):

a) Contra o aceitante, três anos a contar do vencimento;

b) Do portador contra o sacador e os endossantes, de um ano a contar

da data do protesto, ou do vencimento quando exista uma cláusula “sem

protesto”.

c) Dos endossantes contra os outros e contra o sacado, de seis meses

a contar da data em que o endossante pagou ou foi accionado.

57. Acções de regresso

Todos os subscritores de uma letra são solidariamente responsáveis pelo

pagamento dela perante o portador, o qual poderá accionar todos ou alguns

deles, por qualquer ordem, sem prejuízo de poder vir a accionar os restantes.

Tem o mesmo direito o subscritor da letra que a tenha pago, quanto à acção de

regresso (art. 7º LULL).