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AULA: ESTRUTURA DE

CONTENÇAO

PROF. JAQUELINE BONATTO


CONCEITO

• SOLOS REFORÇADOS:
▫ Um dos modos de melhorar as características de
um maciço terroso consiste na introdução de
elementos resistentes convenientemente
orientados, os quais, pelas suas características,
aumentam a resistência e diminuem a
deformabilidade do maciço.
ATERROS SOBRE SOLOS REFORÇADOS
(ASR)
• Princípio Geral:
▫ inclusão de reforços em uma massa de
solo, conformando uma estrutura
composta (solo - reforço) com
comportamento geotécnico melhorado.
ATERROS SOBRE SOLOS REFORÇADOS
(ASR)

• Inclusão de reforços, sob a forma de lâminas, barras,


mantas, telas, grelhas ou fibras, entre as múltiplas
camadas compactadas de um aterro.
• Podem ser:
▫ muros de solo reforçado (MSR): paramento
vertical ou subvertical.
▫ taludes de solo reforçado (TSR): paramento com
inclinação inferior a 70°.
ATERROS SOBRE SOLOS REFORÇADOS
(ASR)
ATERROS SOBRE SOLOS REFORÇADOS
(ASR)
• Os solos apresentam elevada resistência à
compressão quando confinados, mas não
resistem a esforços de tração (necessidade de
execução de taludes mais abatidos, por
exemplo).

• Solos reforçados: possibilidade de


execução de taludes + íngremes
ATERROS SOBRE SOLOS REFORÇADOS
(ASR)
METODOLOGIA CONSTRUTIVA
EXEMPLO DE OBRA
Aterros em Solos Reforçados (ASR)
• Vantagens das estruturas tipo ASR:
▫ Rapidez e simplicidade das metodologias construtivas;
▫ Não exige o emprego de grandes equipamentos ou de
mão de obra especializada;
▫ Não requer infra-estrutura especial para construção;
▫ Execução em condições desfavoráveis ou de difícil
acesso;
▫ Versatilidade da geometria e dos arranjos
construtivos;
▫ Custos menores que a construção de estruturas
convencionais.
MUROS EM SOLOS REFORÇADOS
Histórico dos Solos Reforçados:
Tempos Antigos
Histórico dos Solos Reforçados:
Tempos Modernos
Terra Armada – Concepção de Projeto
Terra Armada – Metodologia
Construtiva
Terra Armada – Metodologia Construtiva
TERRA ARMADA – EXEMPLO DE OBRA
Tipos de Geossintéticos e Aplicações

• Geossintéticos:
▫ materiais sintéticos fabricados à
base de polímeros e utilizados em obras
geotécnicas, em associação com solos,
rochas ou qualquer outro material de
construção.
- SOLUÇÕES EM GEOSSINTÉTICOS
Terminologia e Classificação
dos Geossintéticos
• Geomembrana -GM
• Geotêxtil -GT
• Geogrelha - GG
• Geoespaçador - GS
• Geoexpandido -GE
• Geocélula - GL
• Georrede - GN
• Geotubo - GP
• Geoforma - GF
• Geocomposto - GC
QUAIS SÃO ALGUMAS DAS FUNÇÕES QUE OS
GEOSSINTÉTICOS PODEM DESEMPENHAR ?

 Filtração

 Controle de Erosão

 Drenagem

 Reforço

Impermeabilização
GEOTÊXTEIS

Geossintéticos com estrutura em


forma de manta que apresentam como
características principais, a
flexibilidade e a permeabilidade.
Tecido Não -Tecido
FILTRAÇÃO
GEOTÊXTEIS
Filtração

Belo Horizonte - MG

Peru
GEOTÊXTEIS

Separação

São Pedro d´Água Branca - MA


GEOTÊXTEIS

Reforço

Prudentópolis - PR
• ETAPAS
CONSTRUTIVAS
GEOGRELHAS

• Geossintético com estrutura plana


constituída por redes retangulares com
elementos ligados por extrusão, adesão
ou entrelaçamento e que têm como
característica principal, alta resistência a
tração associada a um baixo
alongamento.
GEOGRELHAS

MacGrid®
WG
GEOGRELHA

Reforço de base de pavimento


GEOGRELHA
Aterro sobre solo mole
BR 101 – Tijucas – SC
GEOGRELHA E DRENO VERTICAL

Aterro sobre solo mole


GEOGRELHA

Estruturas de contenção
BIOMANTAS

Geossintéticos com estruturas planas


constituídas por fibras naturais ou
sintéticas, que formam uma manta
permeável, flexível e biodegradável.
BIOMANTAS

Revestimentos de taludes
Erosões superficiais

Itu - Rio de Janeiro -


SP RJ
GEOMANTAS

Geossintéticos com estruturas


tridimensionais, altamente
permeáveis e deformáveis.
GEOMANTAS

geomanta Geomanta +
tela
GEOMANTAS

Revestimentos de taludes

Peru

Pereira Barreto - SP
GEOMANTAS

Revestimentos de taludes
GEOMEMBRANA

Geossintéticos com estruturas


flexíveis planas que apresentam
baixíssima permeabilidade.
GEOMEMBRANA

• A superfície pode ser lisa , rugosa ou


texturizada.

• A rugosidade da superfície é muito


importante porque define a aderência
com o material vizinho.
GEOMEMBRANA
GEOMEMBRANA

Aterros sanitários

Telemaco Borba - PR

Joinville -
SC
GEOMEMBRANA

Aterros sanitários

Aterro da Caximba - Curitiba - PR


GEOMEMBRANA

Lagoas de tratamento
GEOMEMBRANA

Lagoas de tratamento
GEOMEMBRANA

Canais
GEORREDES

A estrutura da georrede é formada


especificamente para transmitir fluidos
uniformemente sob uma grande variedade de
condições de campo. As resinas de PEAD utilizadas
na fabricação das georredes, são inertes aos
agentes químicos encontrados na maioria das
aplicações civis e ambientais.
GEORREDES
GEORREDES

Drenos testemunhos
GEOCOMPOSTOS

Estruturas constituídas pela união de


dois ou mais geossintéticos e que
geralmente desempenham função
múltipla onde são aplicados.
GEOCOMPOSTOS DRENANTES
GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Sistema Convencional Solução


Geossintética
GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Tipo jardineira
GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Floreiras e jardineiras
GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Telhados verdes

São Carlos - SP
GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Telhados verdes
GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Duas faces de geotêxtil


GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Estacionamentos e Pátios

São Paulo - SP
GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Aterros sanitários

Joinville - SC
GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Tipo forma perdida


GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Muros de arrimo

Londrina - PR
GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Forma perdida

Rio de Janeiro - RJ
GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Tipo trincheira drenante


GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Trincheiras drenantes viárias


GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Campos desportivos

Estádio Bento de Abreu – Marília - SP


GEOCOMPOSTOS DRENANTES

Campos desportivos

Estádio Orlando Scarpelli (Figueirense) – Florianópolis -


SC
TECIDO+GRELHA
GEODRENOS VERTICAIS
GEOTUBOS

• Estruturas constituídas no formato de um


tubo, com materiais geossintéticos e que
geralmente desempenham função
drenante.
Emendas entre painéis de
geomembranas
• Para obras típicas de contenção, a resistência à
tração do geossintético deve ser obtida em
ensaios realizados sob condições de deformação
plana, sendo o ensaio de tração de tira larga
o mais comumente utilizado.

• Em vista disso, a resistência a tração de um


geossintético ensaiado à tração plana é expressa
em unidade de força por unidade de
comprimento normal à direção solicitada,
kN/m.
DEFINIÇAO DOS
PARAMETROS DE
DIMENSIONAMENTO
DEFINIÇAO DOS PARAMETROS
DE DIMENSIONAMENTO
• As características do solo utilizado com o
reforço interferem diretamente no
comportamento da estrutura de solo reforçado.

• Os solos arenosos são usualmente preferidos


para construção dos aterros de estruturas de
contenção permanentes por possuírem
características geomecânicas adequadas e
capacidade drenante elevada.
DEFINIÇAO DOS PARAMETROS DE
DIMENSIONAMENTO

• A utilização de solos coesivos é limitada por


várias razões:
▫ A aderência entre estes solos e o reforço é baixa e
está sujeita a reduções,
▫ no caso de se desenvolverem pressões neutras
positivas, difíceis de prever e de controlar.
DEFINIÇAO DOS PARAMETROS DE
DIMENSIONAMENTO

• Desvantagens da adoção de solos


coesivos e com alto conteúdo de finos
como material de aterro:
▫ baixa resistência,
▫ variabilidade do teor de umidade,
▫ deformabilidade volumétrica significativa, etc.
DEFINIÇAO DOS PARAMETROS DE
DIMENSIONAMENTO

• A aplicabilidade de solos com alto teor de


finos, na construção de maciços
reforçados vem sendo gradativamente
mais aceita, devido a aplicação dos
geossintéticos.
DEFINIÇAO DOS PARAMETROS DE
DIMENSIONAMENTO

• Um aspecto a ser levado em consideração


é a rigidez relativa solo-reforço.

• A tensão ou deformação de equilíbrio entre os


geossintéticos e o solo depende da relação entre a
rigidez do solo e a rigidez do reforço.
Ângulo de atrito solo/reforço
• O grau de interação entre solo e reforço,
caracterizado pelo ângulo de atrito de
interface (δ), é também avaliado através de
ensaios com geossintéticos e solos (cisalhamento
direto ou arrancamento, por exemplo).

• A obtenção do ângulo de atrito entre solo e


geotêxtil é relativamente fácil.
VALORES TÍPICOS
Jewell e colaboradores (1984) sugerem a expressão abaixo
para a estimativa do coeficiente de interação entre
solo e geogrelha :
• Em vista da extensibilidade dos
geossintéticos e da diferença de níveis de
deformação necessários para romper o
solo e o reforço, é recomendável que o
ângulo de atrito do solo para
dimensionamento seja o valor de
resistência de pico dividido por um fator
de redução.
• Jewell (1996) recomenda que o valor do ângulo
de atrito do solo, obtido para condições de
resistência de pico, seja minorado por um fator
de redução que resulte em um ângulo de atrito
de dimensionamento próximo ao valor do
ângulo de atrito do solo a volume constante
(θ’cv).
VALORES TIPICOS DE θ’cv
• Para solos predominantemente arenosos, o
valor de θ’cv varia tipicamente entre 27° e 38°.
• Para areias limpas à base de quartzo, esse valor é
aproximadamente igual a 33°
• Areias limpas à base de feldspato, 36°

• A presença de parcela significativa de finos ou


mica pode reduzir consideravelmente o valor de
θ’cv.
• A resistência do geossintético a ser utilizada no
dimensionamento de um aterro reforçado deve
ser baseada na expectativa da resistência do
material ao final da vida útil da obra.

• Sendo assim, a Resistência à Tração de


Referência do geossintético é dada por:

• Tref=Tindice/Ffl

• Tref = resistência à tração de referência do geossintético ao final da vida


útil da obra;
• Tíndice= resistência à tração índice obtida em ensaio de laboratório em
condições de deformação plana com duração inferior à vida útil da obra;
• Ffl = fator de redução devido ao efeito de fluência para a temperatura
ambiente esperada na obra.
• O valor de Ffl típico depende das características
do geossintético (polímero constituinte,
processo de fabricação etc.), das características e
condições do ensaio realizado para se obter
Tíndice, das condições de temperatura ambiente
e das características e vida útil da obra.

• Tipicamente, para geossintéticos à base de


poliéster, o valor de Ffl varia de 1,6 a 2.

• Para geossintéticos à base de polietileno e


polipropileno, o valor de Ffl varia de 3 a
5.
• A resistência à tração de projeto do
geossintético é, então:

• onde:
▫ Td = resistência à tração de dimensionamento;
▫ fm = fator de redução devido a incertezas quanto ao
material.
▫ O valor de fm é função da qualidade e acurácia dos
resultados de ensaios de laboratório, bem como
conhecimento e experiência com o produto e outras
eventuais incertezas. (fm > 1,1)
• fdm = fator de redução devido a danos mecânicos
durante a instalação/ construção.
• O valor de fdm depende das condições de instalação do
geossintético, do tipo de material de aterro e dos
cuidados e técnicas de construção (equipamentos e
energia de compactação, por exemplo).
• Os geossintéticos mais leves (menor gramatura, MA) são
mais sensíveis a danos, particularmente os de gramatura
inferior a 300 g/m2.
• As Tabelas abaixo apresentam valores mínimos
recomendados para fdm para geotêxteis e geogrelhas,
respectivamente.
• Quanto menor a gramatura, mais relevantes podem ser
as perdas de resistência devidas a danos mecânicos e
efeitos do ambiente.
• A Tabela apresenta valores mínimos
recomendados para a gramatura do
geossintético em aterros reforçados.
• famb = fator de redução devido a danos
provocados pelo ambiente (ataque por substâncias
agressivas etc.).

• O valor de famb depende das características do


geossintético, particularmente do tipo de polímero
e processo de fabricação, e das condições de
agressividade do meio onde o mesmo será
enterrado (ambientes muito ácidos ou muito
alcalinos). (famb > 1,10).
• Admitindo-se que o esforço no reforço seja igual
à sua resistência à tração de dimensionamento,
obtém-se a seguinte expressão para o
espaçamento necessário entre reforços na
profundidade z:

ka1

Onde:
Td é a resistência à tração de dimensionamento do
geossintético
• Onde:

• θ’1 é o ângulo de atrito efetivo de


dimensionamento do solo.
• Pode-se observar que o espaçamento necessário
entre reforços varia inversamente com a
profundidade.
• Neste caso, pode-se variar o espaçamento entre
reforços ao longo da altura do aterro de modo a
se ter um projeto mais otimizado.
• Tanto no caso de espaçamento constante entre
reforços quanto no caso de espaçamento
variável, a camada de reforço mais solicitada é a
mais profunda, em geral na base do maciço
reforçado (z = H).
• Neste caso, o espaçamento uniforme entre
reforços é dado por:

• A opção de utilizar espaçamento entre reforços


variável ao longo da altura do aterro, embora
economize camadas de reforço, torna a
estrutura menos rígida
• Esta relação de rigidez é traduzida pelo índice
de rigidez relativa (Si)
ESPACAMENTO ENTRE AS CAMADAS DE
REFORÇO
• Para se determinar o espaçamento entre as camadas de
reforço, supõe-se uma distribuição linear de tensões na
face do muro, considerando-se a condição ativa do solo.
• O espaçamento vertical entre camadas de
reforço é dado por:
• O espaçamento entre as camadas de reforço pode
ser constante ou variável ao longo da altura da
estrutura de contenção.

▫ CONSTANTE: produz geralmente um maciço


reforçado mais rígido e apresenta como vantagem um
controle mais fácil durante a construção. Em
contrapartida, esta alternativa representa maior
consumo de reforço.

▫ VARIAVEL: maiores dificuldades construtivas,


permite que os reforços sejam distribuídos de forma a
absorverem aproximadamente a mesma carga. Neste
caso, produz-se um maciço menos rígido e mais
econômico.
ANCORAGEM DO REFORÇO
• O comprimento total da geogrelha pode ser dividido
em 2 parcelas: o comprimento ancorado e o
comprimento inserido na zona ativa.

• Neste caso, o comprimento total do reforço é dado


por:
▫ L = La + Lr

• onde: Lr é o comprimento do reforço na região ativa e La


é o comprimento do reforço na região passiva
ANCORAGEM DO REFORÇO
 Para taludes verticais (β=90°):

Recomenda-se um
comprimento
mínimo de
ancoragem de
1,0m.
• onde:
▫ δ = ângulo de atrito solo-reforço;
▫ FSa = fator de segurança com relação ao arrancamento;
▫ σv = tensão vertical;
▫ H = altura do maciço reforçado
Geometria de um Muro Reforçado com
Geossintético
DISTRIBUIÇAO DAS TENSOES
HORIZONTAIS
• A distribuição de tensões horizontais está
relacionada com a distribuição de esforços no
reforço.

• A distribuição de tensões horizontais também é


influenciada pela compactação, a qual tem efeito
dependente da rigidez dos reforços.
CONSIDERAÇOES FINAIS
• A utilização de geossintéticos em obras de solo reforçado
apresenta vantagens técnicas e econômicas.
▫ baixo custo do método
▫ facilidade e
▫ rapidez de execução.
▫ A inclusão de elementos sintéticos no aterro permite a
adoção de estruturas mais íngremes e com menor
volume de aterro compactado.
▫ Com a utilização de reforço, podem ser empregados
solos locais, de qualidade inferior, que seriam
inadequados para uma estrutura de contenção.
▫ O processo construtivo é simples, não exigindo mão de
obra qualificada, nem equipamentos específicos.
▫ A facilidade de execução permite a execução de obras
em locais de acesso difícil.
▫ O tempo de execução da obra é geralmente reduzido.