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Resumo História

1. Conceitos importantes
 Superprodução: produção de bens em quantidade superior às necessidades do
mercado consumidor. Conduz ao aumento dos stocks e à necessidade de baixa dos
preços a escoar nos produtos ou à sua destruição.
 Crash: movimento muito rápido de descida do preço das acções numa sessão da
Bolsa
 Deflação: baixa generalizada mas não contínua dos preços de alguns produtos.
Pode ser gerada pela diminuição da procura ou pelo aumento da oferta
 Depressão económica: longo período caracterizado por falência de empresas,
elevado desemprego, grande diminuição do consumo, baixos níveis de
investimento e deflação.

2. Origem da crise de 1929


No final da 1ª Guerra e na década de 20, os EUA viveram um período muito bom
economicamente, com grande aumento da produção industrial e agrícola. Mas, por
volta de 1924, a agricultura e a indústria começaram a dar sinais da crise. Produzia-se
mais e em menos tempos, mas também se produzia mais do que o necessário. Assim,
os preços baixaram muito. A oferta cresceu mais do que a procura e entrou-se numa
crise de superprodução.

3. Desenvolvimento e consequências da crise


Nesta altura, houve um aumento do recurso ao crédito e um maior volume de
negócios nas Bolsas de Valores. A Bolsa de Valores de Nova Iorque registou
movimentos fora do comum pois toda a gente queria enriquecer com o negócio das
acções. Esta situação provocou excesso de optimismo e até quem não tinha
experiência investia na bolsa. Assim, a cotação das empresas aumentava, devido à
grande procura, mas os lucros das mesmas não sofriam o mesmo aumento. Havia uma
falsa prosperidade. Os investidores pediam crédito para pagar as acções o que
preocupava os banqueiros e economistas. Assim, as taxas de juro aumentaram o que
tornava difícil pagar as dívidas aos bancos. O mercado de acções abrandou e as
cotações começaram a descer.
No dia 24 de outubro de 1929 dá-se o Crash da Bolsa de Wall Street. Este dia ficou
conhecido como Quinta-feira Negra. Os investidores entraram em pânico, os
accionistas tentaram vender as suas acções e o valor destas baixou rapidamente pois
não havia compradores. A Bolsa entrou em rutura. Os investidores que tinham pedido
empréstimos para pagar as acções, não tinham como os pagar e os bancos declararam
falência. Sem crédito, algumas empresas fecharam e a crise alastrou-se, levando à
falência de empresas. O desemprego aumentou, o consumo diminuiu, os preços
baixaram e verificou-se um processo de deflação. Entrou-se num ciclo de crise, num
período de depressão económica.
4. A mundialização da crise
Após a 1ª Guerra Mundial, os EUA eram a principal potência económica. O Governo
americano tinha cedido elevados empréstimos aos países europeus para se
recuperarem da Guerra e importava grandes quantidades de matérias-primas a países
de várias partes do Mundo. Os EUA eram o motor de outras economias.
Quando a crise de 1929 se instalou, os investidores e o Governo americano retiraram
os capitais que tinham aplicado nos bancos e empresas europeias e reduziram as suas
importações, levando à falência de muitas empresas. A crise alastrou, assim, à Europa.
A Europa e os EUA deixaram de comprar matérias-primas aos países de África, Ásia,
América Latina e Oceânia, levando a que estes entrassem também em crise. Houve,
assim uma mundialização da crise. A década de 1930 ficou marcada por uma quebra
acentuada na produção industrial em todo o mundo. Apenas a URSS (União das
Republicas Socialistas Soviéticas) não foi afectada pois tinha um modelo económico
diferente.
A crise alastrou a todos os sectores da economia e causou incerteza. As famílias
perderam os seus bens e casa, ficaram sem trabalho e sem meios de subsistência.
Neste clima de crise económica:
 Aumentaram as tensões sociais e raciais
 Aumentou a mendicidade
 Aumentou a criminalidade
 Aumentaram os suicidios
5. As crises cíclicas do capitalismo
A crise de 1929 apresenta as características das crises cíclicas do capitalismo. Ocorrem
devido a uma superprodução, acompanhada de grandes quebras na procura que
provocam falências e desemprego. Por vezes, é necessário a intervenção do Estado
para atenuar as consequências.

6. Descrédito do neoliberalismo
A crise de 1929, conhecida como a Grande Depressão, contribuiu para o descrédito do
demoliberalismo (ideologia política e económica que defende o liberalismo e a
iniciativa privada, recusando a intervenção do Estado na economia). Os proprietários
industriais, os agricultores e os operários viram as suas condições de vida degradarem-
se e exigiam a intervenção do Estado na Economia. O desemprego tornou-se uma
realidade, provocando o agravamento dos problemas sociais.

7. Afirmação dos grupos de extrema-direita


A Depressão de 1929 mostrou as fraquezas do capitalismo e da democracia liberal.
Alguns grupos criticavam este modelo económico. Era o caso dos comunistas que viam
a crise como resultado das contradições do capitalismo e queriam aproveitar o
momento, cativando os operários e incitando à luta de classes. Os países derrotados
na 1ª Guerra Mundial, como a Alemanha, ou insatisfeitos com o resultado da Guerra,
como a Itália, sentiram mais a crise o que contribuiu para a formação de grupos de
extrema-direita. Estes grupos eram compostos por ex-militares, profissionais liberais,
estudantes e desempregados que eram cativados por mensagens nacionalistas,
racistas e antiliberais que acusavam os “estrangeiros” de roubarem os postos de
trabalho e estragarem a economia. Mas, a classe média também fazia parte destes
grupos pois receava o avanço dos comunistas e a perda de bens. Assim, aumentavam
os apoiantes dos partidos de extrema-direita, defensores de modelos de governo
totalitários (regime político em que um chefe ou partido controla todas as actividades
politicas, religiosas, económicas, sociais e culturais). Estes grupos divulgavam a ideia
de um Estado forte, com um chefe forte e que salvaria o país da ruína. Foi neste
contexto que se implantou o fascismo de Mussolini, em Itália, e o nazismo de Hitler, na
Alemanha.

8. O Fascismo na Itália
A Itália estava a viver uma crise económica e social. Assustados com a insegurança,
com a contestação operária e com a hipótese do comunismo, os industriais e
proprietários passaram a apoiar o Partido Nacional Fascista, liderado por Mussolini.
Este partido organizava milícias armadas, os “camisas negras”, para perseguir de forma
violenta sindicalistas, grevistas e membros dos partidos de esquerda. Mussolini
prometia repor a ordem e recuperar a economia do país. Em 1922, o rei de Itália, Vitor
Manuel III, com medo de uma guerra civil, convidou Mussolini para formar governo.
Em 1924, realizaram-se eleições e, com algumas fraudes, a maioria foi ganha pelo
Partido Nacional Fascista. Mussolini, o duce, passou a governar de forma autoritária e
tornou-se senhor absoluto de Itália.
9. Os princípios do fascismo
O fascismo é uma ditadura totalitária que defendia:
 Culto ao chefe: este era o salvador da nação que concentrava todos os
poderes, exigindo que os cidadãos que lhe obedecessem
 Primazia do Estado sobre os indivíduos, a ideia do Estado totalitário
 Criação de um partido único e a proibição de todas as formas de oposição,
controladas pela censura e pela polícia politica
 Nacionalismo e imperialismo: apelos à restauração da grandeza e do passado
histórico reforçados pela propaganda
 Corporativismo: criação de associações conjuntas de patrões e operários,
controladas pelo Estado, eliminando os sindicatos (não ocorreu na Alemanha)

10. Nazismo na Alemanha


Após a Guerra, a Alemanha ficou a ser governada por um regime democrático que era
conhecido como a República de Weimar. Este governo era acusado de ter aceitado o
Tratado de Versalhes sem defender os interesses da Alemanha e era responsável pela
situação económica e social do país.
Foi neste clima de descontentamento que o nazismo se afirmou através do partido
Nacional Socialista ou Partido Nazi, liderado por Hitler. Este partido existia desde 1921
e baseava-se numa forte propaganda nacionalista, tendo reunido muitos seguidores.
Defendia a ideia de uma Alemanha forte e rica, mas só para os verdadeiros “alemães”,
assumindo um caracter racista e antissemitismo. Combatia o comunismo e a
democracia em geral. Estas ideias agradaram a muitos cidadãos e a classe média
apoiava Hitler. Em 1933, o presidente da república nomeou Hitler chanceler (chefe de
governo). Nas eleições de 1934, Hitler recorreu a uma forte propaganda e foi eleito
presidente da república, ficando a acumular os dois cargos.

11. As particularidades do nazismo


O Partido Nazi defendia os princípios do fascismo mas com algumas particularidades.
Hitler defendia que a Alemanha tinha sido humilhada no Tratado de Versalhes pelos
estrangeiros e que deveria acabar com as injustiças de que tinha sido alvo. Por isso,
defendia a conquista de um “espaço vital” de uma grande Alemanha que permitisse o
crescimento da “raça ariana”. O nazismo assumia-se como racista, antissemita e
genocidiário, agindo contra os Judeus vítimas de perseguição, expulsão e, mais tarde,
extermínio, no Holocausto (genocídio ou assassinato em massa de cerca de 6 milhões
de judeus, através de um programa de extermínio étnico levado a cabo pelos nazis).

IMPORTANTE:
 Nazismo: regime político totalitários criado por Hitler que recusava a
democracia por a considerar desestabilizadora. Era semelhante ao fascismo
italiano mas com acções mais extremas tanto na ideologia como nos atos,
defendendo ideias racistas e antissemitas.
 Antissemitismo: atitude de hostilidade para com os povos judeus, hebreu ou
israelita. Existe desde a Antiguidade mas manifestou-se de forma marcante na
política nazi.
12. A consolidação dos regimes fascistas: a economia
O nazismo levou a cabo uma política de proteccionismo da indústria alemã. Pôs em
prática um programa de construção de obras públicas com o objetivo de criar emprego
e aumentar o consumo, dinamizando a economia. Às populações era pedido que
trabalhassem mais para recuperar o país. O recurso ao trabalho escravo de presos ou
de não arianos contribuiu para o aumento da produção. O crescimento económico
deu-se com custos sociais.

13. Propaganda e censura


O fascismo impôs-se recorrendo à propaganda e à censura. As ideias fascistas eram
veiculadas através de programas de propaganda divulgados em cartazes, rádio e
televisão. Para incutir nos jovens e na população as ideias do regime, foi criado um
sistema de educação que promovia as ideias fascistas e foram fundadas instituições
como a Juventude Hitleriana, os “camisas castanhas” e a Ligas das Raparigas Alemãs,
os Balilas, os Vanguardistas e a Juventude fascista.
Para intimidar, perseguir e punir os opositores instalando um equilíbrio pelo medo
foram proibidos os partidos da oposição e os sindicatos e foram criados organismos de
censura, a polícia política (Gestapo), as Secções de Assalto (SA) e as Seções de
Segurança (SS). Criaram ainda campos de concentração que serviam para perseguir,
encarcerar, torturar e massacrar Judeus e não arianos.