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Página Textos da Reforma

Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria
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Responsável: Dawson Campos de Lima
E-mail: dawson@samnet.com.br

CONCERTO DE MÚSICA SACRA:


“NÃO FARÁS PARA TI”
Por Manoel Canuto

Algumas igrejas estão promovendo concertos de música sacra


com propósitos culturais. Mas o que a Palavra de Deus afirma e
relata com respeito à apresentação de corais e músicas – cantores
de hinos sacros de louvor a Deus – pelos levitas cantores é que
cantavam unicamente para adorar a Deus no contexto de culto (1
Cr 6.31; 15.21-22; II Cr 23.18; II Cr 5.12; Ne 12.46). Não se vê
em nenhum lugar das Escrituras algum concerto ou apresentação
de hinos e corais para deleite cultural ou entretenimento e
recebendo aplausos.
Michael Horton, em seu livro O Cristão e a Cultura (da Editora
Cultura Cristã e que recomendo), afirma que o cristão pode
participar e fazer cultura mesmo não sacra, sem que isso seja
pecado. Ele diz que deve-se manter a distinção entre o que é
‘secular’ e o que é ‘sagrado’. Na verdade a Reforma não rejeitou
tal distinção, mas rejeitou a hierarquia ligada a ela, como se uma
fosse mais importante ou mais espiritualmente aceitável a Deus
do que a outra. Não podemos negar que no culto judaico havia
aquilo que era separado por Deus e santificado e o que era comum
(louças, panelas, vasos). Os vasos do templo eram sagrados, mas
os de casa eram comuns. Hoje muitos pensam que tudo é santo. É
verdade que Deus está envolvido na totalidade da vida e não se
limita ao religioso. Ou seja, Deus está tão envolvido com a criação
quanto com a redenção; Ele está interessado tanto no comum
quanto no sagrado. Isso é verdade. Mas, enquanto o propósito da
Igreja é adorar a Deus conforme Ele ordenou, e levar o Evangelho
às nações e o mundo possa ser visto como o “teatro da glória de
Deus”, como disse Calvino, este mundo jamais poderá ser meio de
redenção. A cultura e a arte popular não podem redimir.
Vendo assim, os artistas da época da Reforma criaram obras
que servissem tanto ao reino de Deus quanto à cultura secular,
sem confundir os dois. Os artistas na Reforma estranhariam a
expressão hoje tão usada: “Este é um artista cristão.” Mas não
estranhariam a expressão: “Este é um cristão que produz arte.”
Abraão Kuyper observou que, conquanto a fé bíblica possa
inspirar a grande arte, o casamento da religião com a arte acaba
destruindo a ambos.
É verdade que os reformadores negaram o dualismo
neoplatônico entre espírito e matéria, mas eles fizeram distinção
entre “coisas celestiais e coisas terrestres”, pois isso é bíblico.
Quando se pensa não haver distinção entre usos seculares e
sagrados, quase que acabamos com a tradição da musica da igreja
e ao mesmo tempo criamos um estilo de música popular que não
é realmente secular e nem é verdadeiramente sagrada. Então,
tudo termina em pobre arte e má teologia.
Os reformadores insistiam que, já que fomos criados neste
mundo, chamados para este mundo e redimidos deste mundo, não
deveríamos deixar pendurada nossa fé no armário quando
saíssemos para o trabalho; mas eles distinguiam a Igreja do
mundo.
Não há nada errado sobre apreciar um concerto secular por
simples prazer e admiração do que é belo. Isso é perfeitamente
lícito. Mas temos de ser críticos e analíticos ao máximo quanto à
música sacra. Por que? Porque ela não foi feita simplesmente
para nosso entretenimento: ela foi feita para adorar a
Deus! Não foi feita para apresentação cultural em concertos. Não
é para agradar e deleitar as pessoas, mas para louvar a Deus. Não
foi feita nem mesmo para evangelizar. Esta preocupação que
envolve a pureza do culto está no segundo mandamento: a falta
de reverência. Nosso culto e também a música sacra devem
passar pelo crivo da integridade teológica. A música sacra não é
para deleite dos homens, para receber ovação, nem para
enriquecer culturalmente a ninguém, como muitos propõem. Sei
contudo que é uma influência da época em que vivemos e não nos
apercebemos.
Bach e Händel fizeram peças seculares e sagradas e não
confundiram as duas. Mas agora, para nossa tristeza, existe um
estilo que nem é sagrado nem é secular, mas uma fusão de
ambos. Não está certo; pode funcionar e trazer deleite e aplauso,
mas não está certo.
Assim, quando promovemos concertos sacros para entreter e
educar culturalmente, perdemos de vista o que é a adoração,
quebramos o mandamento do Senhor com respeito ao culto;
usamos o nome de Deus em vão e levamos à nossa geração uma
visão irreverente e distorcida do que é louvar a Deus.
Unir “levitas” com “gentios”, quando se reúne crentes com
descrentes para apresentação musical é um ajuntamento
condenável pelas Escrituras. Muitos diriam que se trata de cultura.
Mas esta é uma união que não é vista nas Escrituras.
Creio que não é uma sábia iniciativa por mais bem intencionada
que seja. Nossos filhos serão levados a ver e aprender o que não
deveriam. Com isso, teremos uma Igreja “segundo o mundo”. Esta
é uma simples advertência, mas de importância, creio eu. Uma
boa pergunta a nos ajudar seria: “Deus se agrada disso?”
Teríamos três respostas: (a) “Sim, muito se agrada, aprova e
exige”; (b) “Deus é neutro neste caso” e (c) “Não, Deus não
concorda em se usar cantos sacros de louvor (que só a Ele são
devidos) para entreter e edificar culturalmente as pessoas”. Acho
que a última resposta é a que deve ser considerada.
“Não farás para ti...”, diz o Senhor (Ex 20.4).