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INTIMIDADE, TRATAMENTO DA MULHER E A IGREJA NO BRASIL COLONIAL:

BREVES APONTAMENTOS HISTORIOGRÁFICOS

Luciana Rodrigues de Souza1, Amanda Dutra Hot2.


1
Graduanda em História, Faculdade de Ciências Gerenciais de Manhuaçu, lucianarodrigues214@gmail.com
2
Mestre em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Faculdade de Ciências Gerenciais
de Manhuaçu, amanda_duhot@yahoo.com.br

Resumo - Objetiva-se com este trabalho abordar, a partir de uma perspectiva de discussão bibliográfica, o
dia a dia vivenciado pelas mulheres, no período colonial brasileiro, enfatizando como a igreja e suas
influências religiosas afetaram seus comportamentos. Tenta-se explicar tal relação e convivência e quais
foram as formas de intimidade entre os casais. A despeito do papel importantíssimo da igreja em nossa
sociedade contemporânea, nossa proposta refere-se ao seu papel em tempos coloniais. Verifica-se como a
igreja se articulava para influenciar as diferentes relações sociais, como a convivência familiar, por exemplo.
Visa-se, com isso, apresentar um panorama de uma das áreas de influência da Igreja Católica, como
difusora de dogmas e opiniões que se perpetuam na atualidade, a partir de algumas das produções
bibliográficas sobre a temática.

Palavras-chave: Igreja; Influências; Mulheres; Brasil Colonial; Sociedade.

Área do Conhecimento: História do Brasil Colonial.

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INTRODUÇÃO diz sa com os escravos;
er po escravos e
No princípio se r agregados; enfim,
da colônia, os nti tod diferentes formas de
portugueses vieram me os “organização familiar”
ao Brasil com a nto os (ALGRANTI, 1997,
intenção de colonizar do po p.87). Outro ponto
as terras. Faziam mi ros que merece atenção
visitas curtas, na de é a relação social de
rapidamente, nte no público e privado. O
observando - as e do ss modo de
voltavam a Portugal viv a relacionamento entre
com suas er vid os indivíduos e o
constatações. em a tratamento dado às
Aqueles que primeiro col de mulheres.
chegaram para ôni rel A igreja teve
colonizar as terras as, aç uma influência
portuguesas foram os ou õe significativa na
desclassificados da sej s. sociedade colonial.
metrópole. O a, (N Ela regrava a
sentimento de viver es OV convivência, a atitude
na colônia, de chegar sa AI de homens e
e habitar, não era se S, mulheres, as
muito aceitável, na ns 19 atividades culturais e
verdade, tal processo aç 97, as relações sexuais
gerava um incômodo ão p.3 do matrimônio. A
muito significativo, int 1) igreja católica
como o afirma en repudiava atos
Novais: sa O incômodo considerados
e justificava-se porque pecaminosos, como
Or pe viver em colônias algumas posições
a, rm significava viver fora praticadas entre os
ao an da abundância e dos casais e a relação
me ent costumes amorosa entre
sm e metropolitanos. Não pessoas do mesmo
o de se tinha acesso às sexo. Nas palavras de
te ins roupas, utensílios Mary del Priore
mp tab domésticos, algumas O
o, ilid comidas, domicílios, se
é ad higiene e até as xo
es e, formas de ad
sa pr relacionamentos mit
est ec sociais, essas ido
rut ari escassas e diferentes er
ur ed de Portugal. Para a
a ad então falar de res
fun e, ambiente familiar, trit
da pr temos que entender o
nte ovi sua formação: ex
qu sor geralmente esses clu
e ied sobrados e vivendas siv
las ad (casas habitadas am
trei e, pelas pessoas da ent
ao qu colônia) eram eà
po e compostos por pr
r se famílias de pais com ocr
as ex filhos, sem a esposa; iaç
si pr mãe com filhos, sem ão.
m es o marido; famílias [...]

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Ce br Partindo de Não sendo
rta uto tais perspectivas, o fácil o retorno à
s s presente artigo Portugal, esses
po ani realizará uma breve colonos tiveram a
siç ma discussão função social de
õe is, bibliográfica sobre formar uma
s, qu como se civilização para
vis e relacionavam habitar o lugar,
tas no intimidade, mulheres formando famílias
co tal e Igreja Católica no com os nativos da
mo ato Brasil Colonial, a terra. Para enrijecer
“su gu partir das obras de tal sistema,
jas ar alguns renomados utilizaram-se da
e da estudiosos sobre a miscigenação como
fei m temática, como uma espécie de plano
as” se Ronaldo Vainfas, de dominação e
, u Mary del Priore, Leila aproximação desses
co mo Algranti, Fernando indivíduos (NOVAIS,
nst do Novais e Gilberto 1997, p.29).
ituí nat Freire. As índias
am ur eram as mulheres
pe al”, REFERENCIAL que, no primeiro
ca diz TEÓRICO momento, se
do ia entregavam aos
ve a 1. Formação familiar colonos em troca de
nia Igr e a Igreja utensílios, mas não
l, eja Os jesuítas somente, tal entrega
faz . chegaram às terras fazia parte de sua
en (P brasileiras com a cultura, como
do RI missão de catequizar sugerido no
co O sua população. O fragmento seguinte.
m RE país era
os , completamente O
qu 20 diferente de Portugal. eu
e 11, A cultura dos nativos ro
“us p.4 não se coadunavam pe
am 3) com a de Portugal e o u
de objetivo desse era o sal
tal As mulheres, além de de trazer a tav
me serem condicionadas moralidade religiosa a
reç a obedecer a Igreja europeia para os em
am Católica e seus nativos. Alguns anos ter
gr mandamentos, tinham depois, os ra
an também uma parcela portugueses es
de de culpa nos atos dos chegaram com a cor
re homens dessa intenção de colonizar re
pr sociedade colonial. essas terras, mas ga
ee Eram consideradas sem a intenção de nd
ns diabólicas, permanecerem aqui, o
ão, principalmente eram apenas em
po quando cultivavam a semeadores e, índ
r aparência. Vaidade segundo Sérgio ia
ser feminina era sinônimo Buarque de Holanda, nu
em de luxúria, a igreja tinham a intenção de a;
pio criminalizava esses explorar os
res atos, segundo Mary momentaneamente pr
do del Priore (2011), com os frutos dessa óp
qu penas infernais. colônia (HOLANDA, rio
e 1995, p.102). s

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pa As eu O sacramento
dr mu ro do casamento era
es lhe pe algo importante para
da res u a Igreja, mas somente
Co er po a elite conseguia tal
mp am r sacramento. O
an as um domicílio era o
hia pri pe ambiente onde a
pr me nte família passava a
eci ira ou maior parte do seu
sa sa um tempo e era o lugar
va se ca onde as mulheres se
m ent co socializavam. Essa
de re de intimidade, a que nos
sc ga es aludimos aqui, existia
er re pel somente na Europa, a
co m ho. colônia não conhecia
m ao (F esse significado:
cui s RE prazer, sensualidade
da br IR e pudor eram
do, an E, palavras inexistentes,
se co 20 que somente um
nã s, 13, século depois teria
o as p.1 algum efeito nessa
ato ma 60 sociedade.
lav is ) As mulheres
am ar casavam, tinham
o de Podemos seus filhos, cuidavam
pé nte perceber que nem da casa e a igreja
em s, mesmo as permanecia a sua
car ind autoridades vigília em torno delas.
ne. o sacerdotais Era bastante comum
Mu esf conseguiam se a vaidade, índias e
ito re manter longe dos mulheres brancas
s ga anseios da carne. Os tinham esse hábito,
clé r- colonos tinham uma mesmo com a
rig se forte atração por “pobreza material”
os, na essas índias e, tal (PRIORE, 2011, p.28)
do s aproximação e existente. A igreja se
s pe miscigenação, se preocupava e
out rn dera, não somente associava à mulher
ros as pela beleza das ao pecado e às forças
, de nativas ou ainda pela diabólicas. Essa era a
dei ss falta de companhia e representação da
xar es formação familiar, mulher que se
am qu mas, principalmente preocupavam com a
-se e pela necessidade de aparência.
co su dominação, via
nta pu miscigenação. Não é N
mi nh ousado afirmar que o
na am juntou-se o útil ao afã
r de agradável: as índias de
pel us sentiam a co
a es. necessidade de se ntr
de Da juntar à raça superior ola
va va e essa, por sua vez, a r
ssi m- necessidade de de
dã se dominar. pe
o. ao rto

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a po diá usada pelos Jesuítas
vid u- ria foi por pinturas nas
a se, no igrejas e imagens em
do co s livros, essas gravuras
s mo ma remetiam ao inferno,
fiéi ja is tudo por conta da
s, ma var fiscalização social.
a is iad Em Histórias íntimas,
Re o os Priore aborda os
for fiz as principais pontos a
ma er pe que os clérigos
Ca a, cto faziam sua vigília: de
tóli co . higiene pessoal à
ca m (V tipos de relações
nã a AI sexuais. O prazer
o vid NF sentido pela mulher
se a AS era inaceitável pela
lim da , igreja, e a dor do
ito s 20 parto era forma de
ua fa 10, castigo para essas
re míl p.3 mães, “enfim, o
afir ias 6) prazer feminino era
ma , considerado tão
r as O estado maldito que, no dia do
do rel impunha à igreja, que julgamento final, as
gm aç por sua vez era mulheres
as õe agente de ressuscitariam como
e s organização da homens [...]”
re ent sociedade, através de (PRIORE, 2011,
gr re seus dogmas, p.35).
as pai influenciando as
so se famílias. Não bastava 2. O tratamento da
br filh catequizar os Igreja para com a
eo os, indivíduos, exceto mulher
ca ma negros e escravos, no Baseado em
sa rid princípio do Brasil conceitos sociais e
me os colonial, as religiosos, a mulher,
nto e autoridades católicas na história da
, a es exigiam as humanidade, teve
fim po penitências e sempre um papel
de sa confissões dos secundário: “A velha
dif s, pecados cometidos, amiga da serpente e
un os porque dessa forma do Diabo” (PRIORE,
di- se “era possível ter 2011, p.29), era assim
los nti controle da que a bíblia exprimia
co me consciência” a mulher e os clérigos
mo nto (VAINFAS, 2010, p.36 compartilhavam
no s e 37) daqueles fiéis, dessa mensagem
rm do no livro Trópico dos para com a
a mé Pecados, Vainfas sociedade,
ge sti relata muito bem principalmente com
ral. co todos os aspectos as próprias damas.
Foi s, pecaminosos. Essa Essa imagem fora
alé a autoridade exercida fortalecida pela nudez
m co pela igreja é só uma e poligamia das
e nvi pequena parte do que índias, no início da
pr vê ela implementava. colonização.
eo nci A primeira Confirmamos
cu a forma de intimidação no começo desse

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trabalho que a itui aç para conter o calor
vaidade e sua çã ão sexual também eram
importância era algo o na feitas com frequência.
grave e atiçava a vel so Os sintomas de
cobiça dos homens. A ad cie ardência sexual eram
cristã ideal para a a da dor de cabeça,
igreja seria a mulher ou de problemas no
européia, porque as ex col estomago, insônia.
nativas eram cheias plí oni “Dormir. só de lado,
de impurezas e cit al. nunca de costas,
desejos sexuais, a, (V porque a
muitas delas de AI concentração de calor
satisfaziam os gr NF na região lombar
desejos dos colonos e ad AS desenvolve
eram as índias que ad , excitabilidade aos
eles procuravam no as 20 órgãos sexuais”
momento da em 10, (PRIORE, 2011,
necessidade carnal. gr p.9 p.31).
au 6) Outro ponto
À s para afastar a mulher
for var As mulheres do pecado, era
nic iáv brancas vieram para afastá-las de seu
aç eis o Brasil e eram corpo, elas não
ão , consideradas Marias, poderiam ver a sua
tro as pois remetiam à própria nudez,
pic si santidade e pureza, banhos eram feitos
al mil ao contrário das com roupas, a vagina
nã ad nativas e escravas. era reconhecida
o as “Em vez de receber apenas como órgão
falt às uma educação formal, reprodutivo. As que
ar “so elas eram treinadas higienizavam
am ltei para o casamento - reparando seus pelos
, ras para administrar a pubianos eram
poi do casa, criar os filhos, e consideradas
s, mu tolerar as relações prostitutas, apenas as
no nd extramatrimoniais do mulheres que eram
rm o”, marido com as livres e dormiam com
as tai escravas” (COSTA outros homens eram
be s apud DE SOUZA et quem cuidava dessa
m er al., 2000, p.486). parte intima.
rígi am Os desejos O prazer
da as dos indivíduos dessa feminino não podia
s. mu sociedade colonial, existir já que, na
Índ lhe especialmente os perspectiva da igreja
ias res desejos das Católica, ela era feita
ne qu mulheres, podiam ser para gerar, ser mãe, e
gr e sanados, não a dor do parto era o
as “at somente com os castigo por esse
e en castigos divinos, mas prazer, como falamos
mu ua também com no tópico acima.
lat va tratamentos médicos. “Ninho de pecados”
as, m” Tais tratamentos (PRIORE, 2011,
re o variavam de p.35), era o
du pe medicações tópicas tratamento dado às
zid ca até cirurgias mulheres, pois
as do invasivas. Remédios entendia-se que elas
à da eram feitos com ervas chamavam a atenção
pr for e outras especiarias masculina, fazendo-
ost nic naturais; massagens os pecar. Nesse caso,

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eram também Fa os e
responsáveis pelo nc do est
sofrimento e fracasso ho mí av
desses colonos. no nio am
Carinhos e se s ex
beijos eram mu do po
considerados pecado, lhe im sto
isso porque carne res pé s
com carne aumentava nef rio tod
o desejo sexual. As an lus os
práticas de relações da ita os
íntimas eram s, no se
controladas, método os (V us
contraceptivo e ind AI pa
abortivo era iví NF ss
considerado falta du AS os
grave. O único modo os , tor
de prazer permitido qu 20 na
pelas normas da e 10, va
Igreja era prolongar o vi p.2 m
coito com caricias a mo 34 mi
fim de obter a s ). ss
ejacular, nada mais tra as,
que isso, inclusive ns Para poder pr
tais práticas eram gr fugir das normas da oci
realizadas com edi Coroa e da Igreja, as ss
roupas. Procriação, r o mulheres saiam õe
esse era o termo e o us escondidas em busca s,
motivo de se ter o de seu espaço: lad
relações íntimas. nat ain
Muitas posições eram ur A ha
regradas pelos al co se
clérigos. do stu no
Relações com cor me ve
pessoa do mesmo po ira na
sexo era condenável, cai rec s
motivo de inquisição, ria lus oc
levava à fogueira. m, ão asi
Algumas mulheres, a da õe
assim como alguns pa s s
homens, mantinham a rtir do se
relação com outras do nz dut
mulheres, às sé ela or
escondidas. Houve cul s as,
confissões de o de pa
lesbianismo, mas era XV fa ra
muito difícil serem I, míl as
descobertas, pois na ia qu
eram consideradas alç ea ais
amigas. Muitas ad pe co
relações foram a rm ntri
acobertadas pela do an buí
amizade entre essas Sa ent am
mulheres, o que nto e os
facilitava o pecado e Ofi vig mo
o segredo. Um cio ilâ leq
pecado herético e em nci ue
condenável: tod aa s
os qu de

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rec hoje, está ligado DISCUSSÃO E significa que seja
ad também a que estrato RESULTADOS inutilizável”
oe social pertencem. (GINZBURG, 1987, p.
as O presente Na 20).
alc trabalho analisa a contemporaneidade, Feita esta
ovi bibliografia referente a ciência histórica se ressalva, ou seja, da
teir ao período colonial faz mais democrática. dificuldade de acesso
as, por meio de autores Temos uma gama a algumas fontes par
aju clássicos como enorme de ao estudo sobre a
da Gilberto Freire, possibilidades de intimidade no Brasil
nd Ronaldo Vainfas e pesquisa que partem Colonial, optou-se por
oa Sergio Buarque de desde as mais buscar tais pistas a
tra Holanda. Por meio do simples formas de partir de pesquisas já
ma método qualitativo convivência, o dia a desenvolvidas por
r buscamos entender dia das famílias, até outros historiadores.
en como as mulheres do as novas formas de Tanto a
co Brasil Colônia são interação no ambiente Igreja quanto a
ntr interpretadas por virtual. Como sociedade submetiam
os. esses pesquisadores. entendemos nosso as mulheres ao
(P Usamos a pesquisa mundo presente de domínio das regras
RI qualitativa, pois os forma diferente de um mundo
O dados analisados são começamos também masculino.
RE baseados em a buscar no passado Enclausuradas dentro
, consciência e padrões de de suas casas ou
20 memória que vivia sociabilidade que livres em sociedade,
10, aquelas mulheres na antes passavam mas dotadas de uma
p.4 era intolerante da despercebidos em imagem negativa
9). igreja católica e não nossas análises. socialmente, elas
em números. A forma Outros sofriam de um
Aos poucos, a descritiva também é caminhos são condicionamento
Igreja Católica utilizada para necessários para social que partia de
perseguia a vida de expressar esses conseguirmos atingir todos os lados
seus fiéis, dentro e sentimentos de níveis diferentes de (PRIORE,1993, p. 46
fora do casamento. exploração vivenciada compreensão sobre a 50). E é sobre esse
pelo gênero feminino. esse passado. O viés que calcamos
METODOLOGIA O método dialético foi tema em questão, nossa análise. A
empregado nessa intimidade e Igreja, junto com a
Levando em pesquisa, todos os tratamento da mulher Coroa, fundiu seus
consideração o papel fatos apresentado no Brasil colonial, não dogmas na sociedade
do historiador de ogro neste documento não é algo que se colonial, não muito
que sente cheiro de pode ser empregado encontre facilmente diferente dos dias
carne humana fora de um contexto nas fontes. A intenção atuais. Soubemos
(BLOCH, 2001, p. 54) social. Toda de seus produtores, que a sodomia,
nos propomos a opressão, sentimento, os das fontes, no desejos, modos de
“invadir” a intimidade exploração, período em questão viver, eram
das pessoas por meio mandamentos é nunca foi a de relatar controlados pela
desta leitura a descrito na forma em em detalhes esse tipo doutrina cristã,
contrapelo e que ela ocorreu de dinâmica. Apesar principalmente o
demonstrar como a naquele determinado disso, nas palavras modo de viver das
aforma de contexto, uma era de Carlo Ginzburg mulheres. Eram
compreender as colonial cheia de “não é preciso estigmatizadas e
mulheres no passado falhas e ainda exagerar quando se dominadas pela
calca, em parte, a arcaica, onde as fala em filtros e igreja, mas a mesma
desigualdade inerente mulheres eram meros intermediários igreja que olhava com
ao gênero em nosso objetos aos homens e deformadores. O fato preocupação, era a
presente. A forma à igreja. de uma fonte não ser igreja a qual elas
como as mulheres ”objetiva” (mas nem conseguiam
eram tratadas na mesmo um inventário manobrar para fugir
colônia, assim como é “objetivo”) não daquela realidade e

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tentar conquistar igualdade entre os Laura de Mello e
alguns desejos. Mary sexos ainda não se (org.) História da
del Priore e Ronaldo concretizou. Vida Privada no
Vainfas discutem Brasil. Cotidiano e
muito bem as REFERÊNCIAS vida privada na
questões América portuguesa.
pecaminosas da ALGRANTI, Leila São Paulo: Cia das
colônia e concordam Mezan. Familias e Letras, 1997.
entre si sobre a vida doméstica. In.:
imposição da igreja SOUZA, Laura de PRIORE, Mary
com sua fé. Mello e (org.) História Del. Da Colônia ao
Apenas no da Vida Privada no Império. In: Histórias
século XIX que as Brasil. Cotidiano e íntimas. São Paulo:
mulheres começam a vida privada na
Editora Planeta do
ter alguma voz América portuguesa.
perante um ambiente São Paulo: Cia das Brasil, 2011, p.12 -
tão patriarcal. Outras Letras, 1997. 53.
religiões entram em
contato com a BLOCH, Marc. VAINFAS, Ronaldo.
colônia, com a Apologia da história Trópico dos
importação de ou O ofício do Pecados: moral,
escravos de outras historiador. Rio de sexualidade e
tradições religiosas, Janeiro: Jorge Zahar, inquisição no Brasil.
por exemplo, é que foi 2001. Rio de Janeiro:
havendo um Editora Civilização
relaxamento nessas Brasileira, 2010.
condutas da igreja DE SOUZA, Eros et
para não perder fieis. al. A Construção
Social dos Papéis
CONCLUSÃO Sexuais Femininos.
Revista Psicologia:
Em suma, Reflexão e Crítica,
percebemos que a 2000, 13(3), pp.485-
influência da Igreja foi 496.
muito forte e fez
muitas mulheres GINZBURG, Carlo. O
serem vistas apenas queijo e os vermes:
como um objeto de o cotidiano e as ideias
procriação e de um moleiro
destinadas apenas a perseguido pela
permanecerem no inquisição. 3a. ed.
ambiente familiar. Trad. Maria Betânia
Não votar, não sair na Amoroso. São Paulo:
rua sozinha, não ficar Companhia das
perto de outros Letras, 1987.
homens eram as
HOLANDA, Sergio
condutas esperadas
Buarque de. O
dessas mulheres. A
semeador e
inquisição mostrou-se
ladrilhador. In: Raízes
como a melhor forma
do Brasil. São Paulo:
de conter os anseios
Companhia das
sexuais das pessoas
Letras, 1995, p. 93 a
e ocorreu com muita
139.
frequência.
Hodiernamente, a luta NOVAIS, Fernando A.
das mulheres Condições da
continua, pois embora privacidade na
tenham conseguido Colônia. In.: SOUZA,
muitos avanços, a

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