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Cosmopolitismo global e cosmopolitismo vernacular, Homi Bhabha

Em ensaio denominado “Olhando para trás, indo para a frente: observações


sobre o cosmopolitismo vernacular”, após reconhecer a existência de um “centro” de
poder e, em contrapartida, aqueles situados fora desse centro, Homi Bhabha
prontamente adianta a ruptura com os discursos polarizantes de centro e periferia,
buscando “enfatizar o que significa sobreviver, produzir, trabalhar e criar num sistema
de mundo cujos principais impulsos econômicos e investimentos culturais são
apontados numa direção longe de você, do seu país, do seu povo.” (BHABHA, 2011, p.
174). Tendo como ponto de partida os personagens de V. S. Naipaul, Bhabha procura
diferenciar as noções de cosmopolitismo global e cosmopolitismo vernacular.
O cosmopolitismo global, “de relativa prosperidade e privilégio”,
“prontamente celebra um mundo de culturas plurais e povos localizados na periferia”
(BHABHA, 2011, p. 177-8), sem, no entanto, abandonar o caráter pré-construído no
ganho e no poder. Sugerindo que a globalização deve sempre começar em casa, e não de
cima para baixo como é a concepção cosmopolita global, Bhabha postula que o
cosmopolitismo do tipo vernacular “representa um processo político que visa a metas
compartilhadas de governo democrático, em vez de simplesmente reconhecendo
entidades ou identidades políticas ‘marginais’ já constituídas” (BHABHA, 2011, p.
181).
Para “chegar além e por trás das narrativas de centro e periferia”, é nos
interstícios dessas narrativas que deve agir o cosmopolita vernacular, não se fixando em
discursos previamente prontos, que reconhecem a diferença não na igualdade, mas na
separação, na exclusão, implícita ou explícita. Postura diametralmente aposta à do
cosmopolita global, que

Ao celebrar uma “cultura mundial” ou “mercados mundiais” (...) se move


rápida e seletivamente de uma ilha de prosperidade para outro terreno de
produtividade tecnológica, visivelmente prestando pouca atenção à
desigualdade persistente e à miséria produzida por esse desenvolvimento
desigual e irregular. (BHABHA, 2011. P. 178)

O termo vernacular vem da palavra latina verna, “um escravo nascido em


casa”. Assim, a existência de um cosmopolitismo vernacular em oposição a um
cosmopolitismo global emerge primordialmente daqueles que não têm a liberdade de
cosmopolitismo, concebendo antes mesmo da vivência um projeto cosmopolita de
sobrevivência. O cosmopolita vernacular “mede o progresso global a partir de uma
perspectiva minoritária” (BHABHA, 2011, p. 181), por isso a globalização deve sempre
começar em casa.