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Caminhos

do ferro e da prata
Linhas do Douro e do Minho

Fototipias de Emílio Biel 1887

27
Caminhos
do ferro e da prata
Linhas do Douro e do Minho

PATROCINADORES
A exposição organizada pelo Museu de Lamego, em simultâneo com a edição deste Catálogo, com o tema
“Caminhos do Ferro e da Prata”, constitui-se, sem dúvida como um projeto que mostra o empenho que o seu
Diretor Doutor Luís Sebastian e a sua equipa têm feito para que o Museu de Lamego se torne cada vez mais um com-
ponente ativo e atento à atualidade do território de Lamego e do Douro, nomeadamente através da investigação e
divulgação da História da Região.
Este conjunto de fotografias, apresentadas aqui num formato inédito, pertença da família Mascarenhas Gaivão,
revestem-se de uma importância histórica quase sem paralelo para a história da região duriense da centúria de
oitocentos.
Ainda que tematicamente focadas numa então recentemente construída linha de ferro do Douro, pressente-se
nelas algo mais transcendente, num momento histórico em que o comboio representou para o Douro a grande
aposta estratégica de desenvolvimento, resumindo em imagens todo o orgulho e aspiração futura de uma região.
A largos anos do momento da sua recolha, não deixa também por isso de ser esta exposição uma demonstração do
reconhecimento do valor histórico e patrimonial que a linha do Douro representa nos dias de hoje, para que seja
entendida a necessidade da sua manutenção.

Outubro de 2013
Paula Araújo da Silva
Diretora Regional de Cultura do Norte

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A exposição organizada pelo Museu de Lamego, em simultâneo com a edição deste Catálogo, com o tema
“Caminhos do Ferro e da Prata”, constitui-se, sem dúvida como um projeto que mostra o empenho que o seu
Diretor Doutor Luís Sebastian e a sua equipa têm feito para que o Museu de Lamego se torne cada vez mais um com-
ponente ativo e atento à atualidade do território de Lamego e do Douro, nomeadamente através da investigação e
divulgação da História da Região.
Este conjunto de fotografias, apresentadas aqui num formato inédito, pertença da família Mascarenhas Gaivão,
revestem-se de uma importância histórica quase sem paralelo para a história da região duriense da centúria de
oitocentos.
Ainda que tematicamente focadas numa então recentemente construída linha de ferro do Douro, pressente-se
nelas algo mais transcendente, num momento histórico em que o comboio representou para o Douro a grande
aposta estratégica de desenvolvimento, resumindo em imagens todo o orgulho e aspiração futura de uma região.
A largos anos do momento da sua recolha, não deixa também por isso de ser esta exposição uma demonstração do
reconhecimento do valor histórico e patrimonial que a linha do Douro representa nos dias de hoje, para que seja
entendida a necessidade da sua manutenção.

Outubro de 2013
Paula Araújo da Silva
Diretora Regional de Cultura do Norte

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A exposição “Caminhos do Ferro e da Prata” é o primeiro resultado público de um trabalho de fundo a que o Museu
de Lamego se propôs a partir de 2012: a identificação e inventário de espólios fotográficos familiares com referência
ao Douro.
Por diversas causas, e acasos, coube à família Mascarenhas Gaivão o primeiro contacto. Feita a abordagem, e sendo
esta acolhida da melhor maneira, a dimensão, qualidade e elevado interesse do espólio fotográfico identificado
superou todas as expetativas. Se inicialmente o projeto partiu da premissa de que existiria um vasto, inédito e
interessante manancial de registos fotográficos em posse das famílias durienses, os resultados obtidos apenas na
primeira colaboração levam-nos hoje a considerar que essa valiosa base de informação é, indiscutivelmente,
superior a quaisquer anteriores expetativas, impondo-se a tarefa da sua identificação, inventário e divulgação como
tanto mais importante quanto laboriosa, se não mesmo hercúlea.
Por outro lado, a conservação da memória fotográfica familiar, garantida de geração em geração, por vezes por mais
de um século, encontra-se hoje muitas vezes posta em causa pelo período de cisão geracional em que nos encon-
tramos, em que a rápida alteração de mentalidades, a desvalorização do registo da imagem pela sua banalização
técnica, e a separação e desenraizamento da família moderna levará cada vez mais à desagregação e perca destes
preciosos espólios familiares, no fundo, base da verdadeira memória das gentes e costumes de uma região.
Assim, o que começou por ser “apenas” mais uma iniciativa de abertura do Museu de Lamego à comunidade e à
região, de forma progressiva soube impor-se como um compromisso, uma missão: a de resgatar a memória fotográ-
fica de uma região, das suas gentes e costumes.
Neste primeiro grande passo cabe agradecer à Família Mascarenhas Gaivão a abertura para partilhar a nossa visão,
e à equipa do Museu de Lamego responsável pelo projeto a entrega exemplar à sua concretização.

Outubro de 2013
Luís Sebastian
Diretor do Museu de Lamego
A exposição “Caminhos do Ferro e da Prata” é o primeiro resultado público de um trabalho de fundo a que o Museu
de Lamego se propôs a partir de 2012: a identificação e inventário de espólios fotográficos familiares com referência
ao Douro.
Por diversas causas, e acasos, coube à família Mascarenhas Gaivão o primeiro contacto. Feita a abordagem, e sendo
esta acolhida da melhor maneira, a dimensão, qualidade e elevado interesse do espólio fotográfico identificado
superou todas as expetativas. Se inicialmente o projeto partiu da premissa de que existiria um vasto, inédito e
interessante manancial de registos fotográficos em posse das famílias durienses, os resultados obtidos apenas na
primeira colaboração levam-nos hoje a considerar que essa valiosa base de informação é, indiscutivelmente,
superior a quaisquer anteriores expetativas, impondo-se a tarefa da sua identificação, inventário e divulgação como
tanto mais importante quanto laboriosa, se não mesmo hercúlea.
Por outro lado, a conservação da memória fotográfica familiar, garantida de geração em geração, por vezes por mais
de um século, encontra-se hoje muitas vezes posta em causa pelo período de cisão geracional em que nos encon-
tramos, em que a rápida alteração de mentalidades, a desvalorização do registo da imagem pela sua banalização
técnica, e a separação e desenraizamento da família moderna levará cada vez mais à desagregação e perca destes
preciosos espólios familiares, no fundo, base da verdadeira memória das gentes e costumes de uma região.
Assim, o que começou por ser “apenas” mais uma iniciativa de abertura do Museu de Lamego à comunidade e à
região, de forma progressiva soube impor-se como um compromisso, uma missão: a de resgatar a memória fotográ-
fica de uma região, das suas gentes e costumes.
Neste primeiro grande passo cabe agradecer à Família Mascarenhas Gaivão a abertura para partilhar a nossa visão,
e à equipa do Museu de Lamego responsável pelo projeto a entrega exemplar à sua concretização.

Outubro de 2013
Luís Sebastian
Diretor do Museu de Lamego
Engenheiro
francisco perfeito de magalhães e menezes
2.º Conde de Alvellos (1846 – 1918)

Membro do quadro de Engenheiros de Obras Públicas, Francisco Perfeito de Magalhães e Menezes, 2.º Conde
de Alvellos (15/06/1846 – 26/12/1918), dedicou parte significativa da sua vida aos caminhos de ferro portugue-
ses, através do estudo, planeamento e execução de diversos traçados nacionais. Destaca-se, em particular, a sua
colaboração no planeamento e execução da via, túneis e pontes da linha do Douro, de que esta exposição é um
excepcional reflexo.
Segundo a tradição familiar, este meu Bisavô, de carácter forte, espírito alegre e vivo e de arreigados ideais
monárquicos – que lhe valeram, com a implementação da república, entre outras contrariedades, a exoneração do
cargo de membro do conselho de administração dos Caminhos de Ferro do Estado – era dotado de génio comuni-
cativo e curioso, revelando desde cedo especial interesse pelas áreas da matemática e da engenharia.
Com o seu interesse em recolher os registos fotográficos das, na altura, recém construídas pontes da linha
do Douro, Francisco Perfeito de Magalhães e Menezes deixou para as gerações futuras uma coleção única, que ago-
ra o Museu de Lamego, num notável trabalho de recuperação deste espólio, torna público, divulgando assim, um
pouco mais, da história dos caminhos de ferro portugueses, da engenharia portuguesa e, em particular da, a todos
os níveis admirável, construção da linha do Douro.
Enquanto herdeiro desta coleção, agradeço ao Senhor Diretor do Museu de Lamego, Dr. Luís Sebastien, e em
especial a toda a equipa dirigida pelo José Pessoa, o extraordinário trabalho realizado.

Manuel de Magalhães Mousinho de Albuquerque de Mascarenhas Gaivão


Engenheiro
francisco perfeito de magalhães e menezes
2.º Conde de Alvellos (1846 – 1918)

Membro do quadro de Engenheiros de Obras Públicas, Francisco Perfeito de Magalhães e Menezes, 2.º Conde
de Alvellos (15/06/1846 – 26/12/1918), dedicou parte significativa da sua vida aos caminhos de ferro portugue-
ses, através do estudo, planeamento e execução de diversos traçados nacionais. Destaca-se, em particular, a sua
colaboração no planeamento e execução da via, túneis e pontes da linha do Douro, de que esta exposição é um
excepcional reflexo.
Segundo a tradição familiar, este meu Bisavô, de carácter forte, espírito alegre e vivo e de arreigados ideais
monárquicos – que lhe valeram, com a implementação da república, entre outras contrariedades, a exoneração do
cargo de membro do conselho de administração dos Caminhos de Ferro do Estado – era dotado de génio comuni-
cativo e curioso, revelando desde cedo especial interesse pelas áreas da matemática e da engenharia.
Com o seu interesse em recolher os registos fotográficos das, na altura, recém construídas pontes da linha
do Douro, Francisco Perfeito de Magalhães e Menezes deixou para as gerações futuras uma coleção única, que ago-
ra o Museu de Lamego, num notável trabalho de recuperação deste espólio, torna público, divulgando assim, um
pouco mais, da história dos caminhos de ferro portugueses, da engenharia portuguesa e, em particular da, a todos
os níveis admirável, construção da linha do Douro.
Enquanto herdeiro desta coleção, agradeço ao Senhor Diretor do Museu de Lamego, Dr. Luís Sebastien, e em
especial a toda a equipa dirigida pelo José Pessoa, o extraordinário trabalho realizado.

Manuel de Magalhães Mousinho de Albuquerque de Mascarenhas Gaivão


Exposição Catálogo

Comissariado Textos
José Pessoa (coordenação) Michael Gray
Georgina Pinto Pessoa José Pessoa
Manuela Vaquero Georgina Pinto Pessoa
Manuela Vaquero
Conservação Manuel M.M. A. de Mascarenhas Gaivão
Georgina Pinto Pessoa
Berta Ribeiro Fotografia
Departamento de Fotografia e Inventário do Museu de Lamego 11 Caminhos de ferro e prata
Ampliações digitais José Pessoa José Pessoa
Labfoto Lda Alexandra Pessoa

Concepção e montagem 18 Fotografia e tinta: As Fototipias de Emilio Biel
Inventário e Catalogação
Museu de Lamego Michael Gray
Georgina Pinto Pessoa
Manuela Vaquero
Colecções 23 O silvo de gigantes:
Família Mascarenhas Gaivão Design
entre o vapor da maquina e o suor do homem
Blue Hub Design Georgina Pinto Pessoa

Impressão e Acabamentos 24 Uma nova leitura, um novo olhar
Sprint Manuela Vaquero

Depósito Legal 25 Consolidação e conservação das fototipias / albuminas do álbum nº 9
365058/13 (CAMINHOS DE FERRO DO DOURO E MINHO)

Georgina pinto Pessoa
ISBN
978-989-98657-0-9

Tiragem 27 Linha do douro
1000 exemplares

Data
Outubro 2013 67 Linha do MINHO

AGRADECIMENTOS
Embaixador Dr. António Montenegro | Dr. Giordano Bruno Ferreira | Dr. Abel Lusitano Marado Ferreira | Família Vale | Família Rebelo | Família Marado Ferreira
| Família Branco Marado | Família Ferreira | Engº. Hermínio Quintela | Dr. Paulo Quintela | Dr.ª Aida Ferreira | Centro Português de Fotografia
Exposição Catálogo

Comissariado Textos
José Pessoa (coordenação) Michael Gray
Georgina Pinto Pessoa José Pessoa
Manuela Vaquero Georgina Pinto Pessoa
Manuela Vaquero
Conservação Manuel M.M. A. de Mascarenhas Gaivão
Georgina Pinto Pessoa
Berta Ribeiro Fotografia
Departamento de Fotografia e Inventário do Museu de Lamego 11 Caminhos de ferro e prata
Ampliações digitais José Pessoa José Pessoa
Labfoto Lda Alexandra Pessoa

Concepção e montagem 18 Fotografia e tinta: As Fototipias de Emilio Biel
Inventário e Catalogação
Museu de Lamego Michael Gray
Georgina Pinto Pessoa
Manuela Vaquero
Colecções 23 O silvo de gigantes:
Família Mascarenhas Gaivão Design
entre o vapor da maquina e o suor do homem
Blue Hub Design Georgina Pinto Pessoa

Impressão e Acabamentos 24 Uma nova leitura, um novo olhar
Sprint Manuela Vaquero

Depósito Legal 25 Consolidação e conservação das fototipias / albuminas do álbum nº 9
365058/13 (CAMINHOS DE FERRO DO DOURO E MINHO)

Georgina pinto Pessoa
ISBN
978-989-98657-0-9

Tiragem 27 Linha do douro
1000 exemplares

Data
Outubro 2013 67 Linha do MINHO

AGRADECIMENTOS
Embaixador Dr. António Montenegro | Dr. Giordano Bruno Ferreira | Dr. Abel Lusitano Marado Ferreira | Família Vale | Família Rebelo | Família Marado Ferreira
| Família Branco Marado | Família Ferreira | Engº. Hermínio Quintela | Dr. Paulo Quintela | Dr.ª Aida Ferreira | Centro Português de Fotografia
Caminhos de ferro e prata
José Pessoa

A Fotografia e os Caminhos-de-ferro são os grandes meios resultantes do desenvolvimento regionais ou nacionais3, estas instituições devem inserir-se profundamente na comunidade,
científico, técnico e tecnológico da Revolução Industrial para a transformação do planeta e das no dia-a-dia dos locais em que se situam, na busca dos bens culturais ainda desconhecidos,
sociedades humanas no séc. XIX. complementando e avivando os seus espólios, criando assim Património, na medida em que
As imagens fotográficas permitiram uma nova capacidade de estudar a realidade, instrumento os inventariam, estudam e divulgam. Ao contactarem e auxiliarem os proprietários de docu-
comparativo essencial a todas as frentes do conhecimento, registo documental e expressão cria- mentos históricos, prestam uma ajuda indispensável, disponibilizando as suas capacidades
tiva e artística, uma nova memória, a maior transformação dos limites temporais da memória hu- científicas e técnicas. É óbvio que estes conceitos se estendem a arquivos, bibliotecas, sítios,
mana desde a invenção da Escrita. monumentos e outras instituições, que são realmente o Museu, como nós o entendemos
Os Caminhos-de-ferro rasgaram novos territórios, dando acesso a zonas inexploradas, trans- neste início do séc. XXI.
portando gentes que neles se fixaram constituindo novas povoações, levando instrumentos, ma- O reconhecimento das memórias locais e o contacto com os seus detentores contribui
quinaria e novas profissões, trazendo mercadorias e notícias das novas fronteiras, e tudo isto à decisivamente para atrair novos colaboradores e públicos aos Museus, sedimentando a sua
velocidade superior a 100 km/h (1835) para quem até então só conhecia o passo de cavalo. actividade em todas as frentes. E, sobretudo, constitui um chamamento às novas gerações,
A Fotografia e os Caminhos-de-ferro são contemporâneos e o seu desenvolvimento é perfei- criando-lhes responsabilidades pela herança que receberam e fascinando-os com a história
tamente paralelo: que é sua.
• A primeira via-férrea foi inaugurada em Setembro de 1825, em Darling, Inglaterra, e quatro Nunca deve ser ignorada ou menosprezada a importância dos colecionadores privados e da
meses depois, em Janeiro de 1826, Nicéphore Nièpce realiza a primeira imagem extraída da sua ação salvadora. Aliás foi de coleções privadas que se constituíram os primeiros museus. Mas
câmara escura por um processo físico e químico1. como estes bem sabem, ou pressentem, só a institucionalização do que souberam criar virá a
• Em 1829 a locomotiva Rocket atingia e velocidade vertiginosa de 30 km/h, mas seis anos de- assegurar a sobrevivência e a não dispersão de conjuntos inestimáveis. Infelizmente, como a ex-
pois, em 1835, ultrapassou os 100 km/h, enquanto no mesmo ano Fox Talbot experimentava periência nos ensina e demonstra, as grandes coleções dividem-se por herdeiros, estes mesmos
em Inglaterra os primeiros negativos em papel sensibilizado com sais de prata e Daguerre confrontados com a impossibilidade financeira de resolver partilhas, e, como diz a sabedoria
fixava em Paris os daguerreótipos, primeiro processo fotográfico a ser anunciado e ofereci- popular, “não chegam a netos”. Raros e honrosos exemplos e exceções não constituem regra, em
do ao mundo em Agosto de 1839. que o colecionador teve os meios e a vontade de assegurar em vida o futuro do que conseguiu
• A partir de 1840 os caminhos-de-ferro estão em construção em todos os continentes e os reunir e tanto amou.
retratos fotográficos atingem números extraordinários2, enquanto viajantes, a pé, a cavalo, Mais frequentes ainda são os casos de espólios que permanecem na posse das famílias, sobre-
de barco ou por via-férrea (!) vão captar imagens do planeta que vão abanar os conceitos tudo em tipologias cujo valor de mercado é menos óbvio, correspondência e documentos vários,
científicos existentes e pôr em causa a História então conhecida. livros e…. fotografias. É certo que também estes se dispersam, mas, em certos casos, por falta de
Esses caminhos paralelos de prata e ferro também foram percorridos, na mesma época, em descendentes, acabam por concentrar-se de novo. As famílias, mesmo não tendo uma consciência
Portugal. Fomos encontrá-los no espólio da Família Mascarenhas Gaivão, na Quinta da Azenha, plena da importância do que conservam em gavetas e armários, esconsos e sótãos, em álbuns e
Rio Bom, Lamego. molduras, quando possuidoras de cultura e sensibilidade apropriadas, não ousam deitar fora os
retratos dos mortos, mesmo que já não os identifiquem. Essas imagens ainda respiram vida, só
O Museu e as colecções particulares esperam que as ressuscitemos.
Os Museus são instrumentos fundamentais para o desenvolvimento cultural e científi-
co, industrial e económico, fixadores de identidade e construtores de futuro. Quer sejam São assim os fluxos e refluxos da memória.

1 A definição da Fotografia é muitas vezes esquecida ou ignorada: “A Fotografia é o processo de fixar física ou quimicamente, tornar 3 Aliás esta divisão é puramente administrativa e, infelizmente, por vezes economicista.
permanente e autónoma, a imagem que se forma numa câmara escura”.
2 Substituindo a pintura em miniatura. Ver Freund, Gisèle, Photographie et société, pág. 13, Éditions du Seuil, Paris 1974

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Caminhos de ferro e prata
José Pessoa

A Fotografia e os Caminhos-de-ferro são os grandes meios resultantes do desenvolvimento regionais ou nacionais3, estas instituições devem inserir-se profundamente na comunidade,
científico, técnico e tecnológico da Revolução Industrial para a transformação do planeta e das no dia-a-dia dos locais em que se situam, na busca dos bens culturais ainda desconhecidos,
sociedades humanas no séc. XIX. complementando e avivando os seus espólios, criando assim Património, na medida em que
As imagens fotográficas permitiram uma nova capacidade de estudar a realidade, instrumento os inventariam, estudam e divulgam. Ao contactarem e auxiliarem os proprietários de docu-
comparativo essencial a todas as frentes do conhecimento, registo documental e expressão cria- mentos históricos, prestam uma ajuda indispensável, disponibilizando as suas capacidades
tiva e artística, uma nova memória, a maior transformação dos limites temporais da memória hu- científicas e técnicas. É óbvio que estes conceitos se estendem a arquivos, bibliotecas, sítios,
mana desde a invenção da Escrita. monumentos e outras instituições, que são realmente o Museu, como nós o entendemos
Os Caminhos-de-ferro rasgaram novos territórios, dando acesso a zonas inexploradas, trans- neste início do séc. XXI.
portando gentes que neles se fixaram constituindo novas povoações, levando instrumentos, ma- O reconhecimento das memórias locais e o contacto com os seus detentores contribui
quinaria e novas profissões, trazendo mercadorias e notícias das novas fronteiras, e tudo isto à decisivamente para atrair novos colaboradores e públicos aos Museus, sedimentando a sua
velocidade superior a 100 km/h (1835) para quem até então só conhecia o passo de cavalo. actividade em todas as frentes. E, sobretudo, constitui um chamamento às novas gerações,
A Fotografia e os Caminhos-de-ferro são contemporâneos e o seu desenvolvimento é perfei- criando-lhes responsabilidades pela herança que receberam e fascinando-os com a história
tamente paralelo: que é sua.
• A primeira via-férrea foi inaugurada em Setembro de 1825, em Darling, Inglaterra, e quatro Nunca deve ser ignorada ou menosprezada a importância dos colecionadores privados e da
meses depois, em Janeiro de 1826, Nicéphore Nièpce realiza a primeira imagem extraída da sua ação salvadora. Aliás foi de coleções privadas que se constituíram os primeiros museus. Mas
câmara escura por um processo físico e químico1. como estes bem sabem, ou pressentem, só a institucionalização do que souberam criar virá a
• Em 1829 a locomotiva Rocket atingia e velocidade vertiginosa de 30 km/h, mas seis anos de- assegurar a sobrevivência e a não dispersão de conjuntos inestimáveis. Infelizmente, como a ex-
pois, em 1835, ultrapassou os 100 km/h, enquanto no mesmo ano Fox Talbot experimentava periência nos ensina e demonstra, as grandes coleções dividem-se por herdeiros, estes mesmos
em Inglaterra os primeiros negativos em papel sensibilizado com sais de prata e Daguerre confrontados com a impossibilidade financeira de resolver partilhas, e, como diz a sabedoria
fixava em Paris os daguerreótipos, primeiro processo fotográfico a ser anunciado e ofereci- popular, “não chegam a netos”. Raros e honrosos exemplos e exceções não constituem regra, em
do ao mundo em Agosto de 1839. que o colecionador teve os meios e a vontade de assegurar em vida o futuro do que conseguiu
• A partir de 1840 os caminhos-de-ferro estão em construção em todos os continentes e os reunir e tanto amou.
retratos fotográficos atingem números extraordinários2, enquanto viajantes, a pé, a cavalo, Mais frequentes ainda são os casos de espólios que permanecem na posse das famílias, sobre-
de barco ou por via-férrea (!) vão captar imagens do planeta que vão abanar os conceitos tudo em tipologias cujo valor de mercado é menos óbvio, correspondência e documentos vários,
científicos existentes e pôr em causa a História então conhecida. livros e…. fotografias. É certo que também estes se dispersam, mas, em certos casos, por falta de
Esses caminhos paralelos de prata e ferro também foram percorridos, na mesma época, em descendentes, acabam por concentrar-se de novo. As famílias, mesmo não tendo uma consciência
Portugal. Fomos encontrá-los no espólio da Família Mascarenhas Gaivão, na Quinta da Azenha, plena da importância do que conservam em gavetas e armários, esconsos e sótãos, em álbuns e
Rio Bom, Lamego. molduras, quando possuidoras de cultura e sensibilidade apropriadas, não ousam deitar fora os
retratos dos mortos, mesmo que já não os identifiquem. Essas imagens ainda respiram vida, só
O Museu e as colecções particulares esperam que as ressuscitemos.
Os Museus são instrumentos fundamentais para o desenvolvimento cultural e científi-
co, industrial e económico, fixadores de identidade e construtores de futuro. Quer sejam São assim os fluxos e refluxos da memória.

1 A definição da Fotografia é muitas vezes esquecida ou ignorada: “A Fotografia é o processo de fixar física ou quimicamente, tornar 3 Aliás esta divisão é puramente administrativa e, infelizmente, por vezes economicista.
permanente e autónoma, a imagem que se forma numa câmara escura”.
2 Substituindo a pintura em miniatura. Ver Freund, Gisèle, Photographie et société, pág. 13, Éditions du Seuil, Paris 1974

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A Família Mascarenhas Gaivão: um feliz encontro sições! Em Abril deste ano, graças à aprovação e apoio do Diretor do Museu de Lamego, Dr. Luís reproduzir digitalmente toda a coleção, entregando cópia à Família Mascarenhas Gaivão. Tais com- Saúdam e dão os parabéns, finalmente aos muito dignos empreiteiros, os Ill.mos Snrs. D. Domingos
Em 2009, graças a novas disponibilidades técnicas, procedeu-se ao inventário do espólio fo- Sebastian, foi-nos possível elaborar o projeto de duas mostras e um catálogo à Direção Regional promissos têm vindo a ser cumpridos, estando já fotografado e digitalizado cerca de 50% do espólio. Busquets e Angelo Anchisi que, entre os outros empreiteiros d’esta via ferrea, se distinguiram n’esta em-
tográfico existente no Museu de Lamego. Era constituído por cerca de três centenas de negativos da Cultura Norte, que em boa hora o aprovou. Esta é a curta narrativa de um encontro feliz, que vai decorrendo no interesse mútuo de ambas presa com a maior actividade e bravura, vencendo todos os obstáculos pela imensa quantidade d’agua e
em vidro e provas dos sécs. XIX e início do XX, alguns notáveis mas claramente insuficientes para E como se caracteriza o que ali encontrámos? Eis um breve resumo: as partes, a Família Mascarenhas Gaivão e o Museu de Lamego, bem como da comunidade em dificuldade de terrenos, prevendo e remedeando sempre todas as contrariedades para attingirem seus fins.
constituir uma memória dos povos da região de Lamego e da Beira Douro. Esta ação despertou o • Mais de mil retratos, na sua maioria do séc. XIX, em que estão representados cerca de 200 geral e da História da Fotografia em Portugal.
nosso interesse por uma recolha que constatámos não estar disponível por nenhuma outra insti- fotógrafos e casas fotográficas, os melhores de Portugal, continente e ilhas, como M. Fritz, Com a aprovação superior decidimos elaborar duas exposições para o ano de 2013, que agora
tuição local. Assumimos então o projeto de consultar as famílias locais, cujas casas, quintas, capa- Camacho, Carlos Relvas, Henrique Nunes, Fillon, Rochinni, Emílio Biel, Solas, Muniz Mar- se inauguram:
cidades económicas e sociais, melhores condições teriam para a preservação dessas memórias e tinez e muitos outros, bem como estrangeiros do Brasil, Espanha, França, Inglaterra, Bél-
propor-lhes a realização de uma exposição conjunta das fotografias históricas dos seus antepassa- gica, Alemanha, Suíça e Áustria, em que nos deparamos com assinaturas de Nadar, Disdéri, • “Uma viagem no tempo, do outro lado do espelho”
dos, das paisagens e trabalhos, de camponeses e lidas agrícolas, dos acontecimentos religiosos e Reutlinger, Van Malderen, entre os demais. 100 anos de retrato fotográfico – 1847 -1947
políticos, dos homens, mulheres e crianças, sem qualquer distinção social ou outra. Uma exposi- • Há a destacar neste conjunto quatro daguerreótipos franceses, um dos quais assinado e da- • “Os Caminhos do Ferro e da Prata” – Linhas do Douro e Minho em 1887
ção, um banco de imagens reproduzidas, consultável e de conservação assegurada, um futuro para tado de 1847, bem como diversos ferrotipos e esmaltes. Exposição de fototipias de Emílio Biel
o seu passado em imagens. • Um notável conjunto de fotografias do Oriente, datadas de cerca de 1870, mostrando paisagens
Acreditamos, como já foi referido, que tal contribuiria para uma maior ligação do Museu de rurais e urbanas, gentes e profissões, de locais como a Índia, Ceilão, Java, Timor, China, etc. Não nos sendo possível editar dois catálogos impressos, e não nos parecendo apropriado juntar
Lamego à comunidade, sendo a Fotografia um dos mais privilegiados meios para esta aproximação. • Sessenta e três fototipias assinadas por Emílio Biel, das Linhas de Caminhos-de-Ferro do os dois temas na mesma publicação, com claro prejuízo dos mesmos, esperamos que em futuro breve,
Por vicissitudes várias só iniciámos os nossos primeiros contactos em Abril de 2012. Numa Douro e do Minho. talvez para o início da itinerância, nos seja possível imprimir a história de 100 anos de retrato foto-
primeira fase tivemos várias respostas positivas, as provas fotográficas do séc. XIX foram apare- • Está também representada a casa fotográfica Mello Phot com 3 albuminas e a casa Pinto & gráfico, com a qualidade e representatividade mundial das espécies neste momento à nossa guarda5.
cendo, e contámos desde o princípio com a ajuda preciosa do Embaixador António Montenegro. Reis com 9, restando ainda 2 cujo autor se desconhece. Optámos por publicar o catálogo sobre as fototipias de Emílio Biel e a epopeia da construção
Decisiva se tornou a colaboração da Dr.ª Manuela Vaquero, que então, concluída a sua tese de • Nove albuminas, datadas entre 1884 e 1886, representando a atividade mundial da firma dos Caminhos-de-ferro da Linha do Douro e do Minho, por razões que adiante aduziremos.
doutoramento, se prestou a um voluntariado no nosso Museu. Com a sua ajuda elaborou-se uma Ateliers de Construction Et Chantier Naval de L. D’Andriessens & Cie. – Liège , em locais
lista de prometedores contactos, dos quais um dos primeiros era a Família Mascarenhas Gaivão, tão distantes como o Istmo do Panamá4. Bem como de dois folhetos com as características Emílio Biel e os Caminhos-de-ferro: fototipias, memórias de uma saga Figura 1

onde tinha conhecimento de “existirem algumas fotografias interessantes”. técnicas de equipamentos que, possivelmente, foram utilizados na execução dos túneis da O Álbum da Linha do Douro e imagens da Linha do Minho, com fototipias de Emílio Biel, que
Presumimos que algures em Outubro desse ano nos deslocámos pela primeira vez à Quinta da Linha do Douro. se conservou na Família Mascarenhas Gaivão, foi herdado do bisavô, Francisco Perfeito de Maga- Este texto traz até nós um mundo do trabalho muito diferente do atual. Não conhecemos
Azenha, julgando que uma tarde bastaria para enquadrar as espécies aí existentes. Se a memória • Um panfleto dos trabalhadores do túnel dos Encambalados. lhães Meneses Vilas-Boas, à data engenheiro dos caminhos de ferro e um dos responsáveis pela quem teve a iniciativa de o redigir e imprimir, mas podemos confiar no testemunho que nos presta
não nos atraiçoa, lá ficámos mais de dez dias consecutivos. Depois de apreciarmos a riqueza dos • Uma tarja em seda azul e branca de saudação às entidades governamentais e às chefias do construção, como se comprova pelo panfleto junto (fig. 1), a seguir transcrito: sobre as terríveis dificuldades que os construtores do Caminho de Ferro do Douro tiveram que
álbuns expostos, fomos mergulhando em gavetas e armários, salas e arrumações, à medida que os Caminho de Ferro do Douro. enfrentar.
seus proprietários se iam lembrando de outros locais do solar onde estariam guardados, há muito • Álbuns (16), alguns deles de rica execução em madeira esculpida ou em couro, molduras e “Os capatazes, mineiros e mais operários do Túnel dos Encambalados rendem infinitas graças ao Altís- Em Portugal, depois de vários projetos não realizados, iniciou-se a construção do caminho-
tempo, “velhas fotografias”. outros acessórios.. simo por haver preservado de inúmeros perigos a elles, que, sufocados pelo fumo e mau ar, mas sempre -de-ferro em 1853.
Os atuais proprietários Ana Maria de Moraes Sarmento Moniz Mascarenhas Gaivão e Manuel Que fazer com tal espólio? Antes de mais cabe aqui salientar a boa vontade, o interesse e a con- firmes nos seus postos e sacrificando-se com heróica resignação, romperam a dura pedra para alcançar A construção do caminho-de-ferro do Vale do Douro resultou da vontade dos investido-
Mouzinho de Albuquerque Mascarenhas Gaivão, manifestaram uma grande disponibilidade, eles fiança em nós depositada, pelos Dr.ª Ana Maria de Moraes Sarmento Moniz Mascarenhas Gaivão e honra e glória para os seus superiores. res mercantilistas da cidade do Porto, que então procuravam corresponder a um esforço de
próprios fascinados pelas nossas reações a cada lote que nos traziam. E que lotes! Dr. Manuel Mouzinho de Albuquerque Mascarenhas Gaivão, bem como posteriormente pelo seu industrialização que recuperasse do nosso atraso em relação a outros países europeus, bem
Em Novembro do mesmo ano estava pronto o primeiro inventário, mas ainda não tínhamos filho, Dr. Luís Mascarenhas Gaivão. Grande é a sua generosidade e sensibilidade, depositando no Saúdam e dão os parabéns ao Ex. mº Snr. Lourenço de Carvalho pelo zelo e actividade no seu governo e como a abertura ao interior, nomeadamente às regiões isoladas de Trás-os-Montes e Alto
chegado ao fim. A intervenção empenhada de um dos filhos dos proprietários, Dr. Luís Mascare- Museu de Lamego a responsabilidade de sua preservação (enquanto estiverem em curso as exposi- direcção. Douro, expandindo os seus mercados e possibilitando o transporte de matérias primas e
nhas Gaivão, lembrando-se de outras imagens e novos locais onde se poderiam situar, trouxe-nos um ções programadas) e divulgação, concedendo a esta instituição os direitos de reprodução de todas produtos agrícolas. Aliavam-se a estes interesses os vitivinicultores da região demarcada, que
novo conjunto de espécies, complementares do que já tinha sido reconhecido bem com um conjun- as imagens da sua colecção nas nossas publicações presentes e futuras, em qualquer tipo de suporte. Saúdam e dão os parabéns aos Ex.mos. Snrs. Augusto César Justino Teixeira e Francisco Perfeito de ambicionavam um novo meio, de custos mais reduzidos e maior rapidez, para o escoamento
to de imagens do Oriente, de cerca de 1870, que constituirá o objeto de outra e fascinante exposição, Por parte do Museu de Lamego, para além da estabilização e acondicionamento apropriado de todas Magalhães6, assim como os seus subalternos, pela maneira sábia e prudente com que se houveram n’estes da sua produção. Mas a grandeza do projeto atingia a sua verdadeira dimensão com o corres-
em futuro próximo. Assim, o inventário definitivo da coleção de fotografia da Família Mascarenhas as espécies, do seu inventário, estudo, identificação técnica e descrição, temos o compromisso de grandes e importantes trabalhos. pondente empenho de Espanha na realização de uma via direta entre o interior da península
Gaivão só ficou concluído em Junho deste ano, quase um ano depois do início dos trabalhos. e a exportação por via marítima.
A importância, riqueza e dimensão deste espólio alterou o nosso projeto inicial, fazendo-nos 5 Estará disponível, ainda no ano em curso, um catálogo em versão digital.
O projeto teve início em 1867, mas os primeiros trabalhos de construção do caminho-de-
compreender imediatamente que tínhamos matéria para levar a cabo, não uma mas três expo- 4 A primeira tentativa de construção do Canal do Panamá decorreu entre 1880 e 1890, do projecto francês de Lesseps. 6 O já referido bisavô. -ferro ao Norte do Douro iniciaram-se com a Linha do Minho, a 8 de Julho de 1872. A Régua

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A Família Mascarenhas Gaivão: um feliz encontro sições! Em Abril deste ano, graças à aprovação e apoio do Diretor do Museu de Lamego, Dr. Luís reproduzir digitalmente toda a coleção, entregando cópia à Família Mascarenhas Gaivão. Tais com- Saúdam e dão os parabéns, finalmente aos muito dignos empreiteiros, os Ill.mos Snrs. D. Domingos
Em 2009, graças a novas disponibilidades técnicas, procedeu-se ao inventário do espólio fo- Sebastian, foi-nos possível elaborar o projeto de duas mostras e um catálogo à Direção Regional promissos têm vindo a ser cumpridos, estando já fotografado e digitalizado cerca de 50% do espólio. Busquets e Angelo Anchisi que, entre os outros empreiteiros d’esta via ferrea, se distinguiram n’esta em-
tográfico existente no Museu de Lamego. Era constituído por cerca de três centenas de negativos da Cultura Norte, que em boa hora o aprovou. Esta é a curta narrativa de um encontro feliz, que vai decorrendo no interesse mútuo de ambas presa com a maior actividade e bravura, vencendo todos os obstáculos pela imensa quantidade d’agua e
em vidro e provas dos sécs. XIX e início do XX, alguns notáveis mas claramente insuficientes para E como se caracteriza o que ali encontrámos? Eis um breve resumo: as partes, a Família Mascarenhas Gaivão e o Museu de Lamego, bem como da comunidade em dificuldade de terrenos, prevendo e remedeando sempre todas as contrariedades para attingirem seus fins.
constituir uma memória dos povos da região de Lamego e da Beira Douro. Esta ação despertou o • Mais de mil retratos, na sua maioria do séc. XIX, em que estão representados cerca de 200 geral e da História da Fotografia em Portugal.
nosso interesse por uma recolha que constatámos não estar disponível por nenhuma outra insti- fotógrafos e casas fotográficas, os melhores de Portugal, continente e ilhas, como M. Fritz, Com a aprovação superior decidimos elaborar duas exposições para o ano de 2013, que agora
tuição local. Assumimos então o projeto de consultar as famílias locais, cujas casas, quintas, capa- Camacho, Carlos Relvas, Henrique Nunes, Fillon, Rochinni, Emílio Biel, Solas, Muniz Mar- se inauguram:
cidades económicas e sociais, melhores condições teriam para a preservação dessas memórias e tinez e muitos outros, bem como estrangeiros do Brasil, Espanha, França, Inglaterra, Bél-
propor-lhes a realização de uma exposição conjunta das fotografias históricas dos seus antepassa- gica, Alemanha, Suíça e Áustria, em que nos deparamos com assinaturas de Nadar, Disdéri, • “Uma viagem no tempo, do outro lado do espelho”
dos, das paisagens e trabalhos, de camponeses e lidas agrícolas, dos acontecimentos religiosos e Reutlinger, Van Malderen, entre os demais. 100 anos de retrato fotográfico – 1847 -1947
políticos, dos homens, mulheres e crianças, sem qualquer distinção social ou outra. Uma exposi- • Há a destacar neste conjunto quatro daguerreótipos franceses, um dos quais assinado e da- • “Os Caminhos do Ferro e da Prata” – Linhas do Douro e Minho em 1887
ção, um banco de imagens reproduzidas, consultável e de conservação assegurada, um futuro para tado de 1847, bem como diversos ferrotipos e esmaltes. Exposição de fototipias de Emílio Biel
o seu passado em imagens. • Um notável conjunto de fotografias do Oriente, datadas de cerca de 1870, mostrando paisagens
Acreditamos, como já foi referido, que tal contribuiria para uma maior ligação do Museu de rurais e urbanas, gentes e profissões, de locais como a Índia, Ceilão, Java, Timor, China, etc. Não nos sendo possível editar dois catálogos impressos, e não nos parecendo apropriado juntar
Lamego à comunidade, sendo a Fotografia um dos mais privilegiados meios para esta aproximação. • Sessenta e três fototipias assinadas por Emílio Biel, das Linhas de Caminhos-de-Ferro do os dois temas na mesma publicação, com claro prejuízo dos mesmos, esperamos que em futuro breve,
Por vicissitudes várias só iniciámos os nossos primeiros contactos em Abril de 2012. Numa Douro e do Minho. talvez para o início da itinerância, nos seja possível imprimir a história de 100 anos de retrato foto-
primeira fase tivemos várias respostas positivas, as provas fotográficas do séc. XIX foram apare- • Está também representada a casa fotográfica Mello Phot com 3 albuminas e a casa Pinto & gráfico, com a qualidade e representatividade mundial das espécies neste momento à nossa guarda5.
cendo, e contámos desde o princípio com a ajuda preciosa do Embaixador António Montenegro. Reis com 9, restando ainda 2 cujo autor se desconhece. Optámos por publicar o catálogo sobre as fototipias de Emílio Biel e a epopeia da construção
Decisiva se tornou a colaboração da Dr.ª Manuela Vaquero, que então, concluída a sua tese de • Nove albuminas, datadas entre 1884 e 1886, representando a atividade mundial da firma dos Caminhos-de-ferro da Linha do Douro e do Minho, por razões que adiante aduziremos.
doutoramento, se prestou a um voluntariado no nosso Museu. Com a sua ajuda elaborou-se uma Ateliers de Construction Et Chantier Naval de L. D’Andriessens & Cie. – Liège , em locais
lista de prometedores contactos, dos quais um dos primeiros era a Família Mascarenhas Gaivão, tão distantes como o Istmo do Panamá4. Bem como de dois folhetos com as características Emílio Biel e os Caminhos-de-ferro: fototipias, memórias de uma saga Figura 1

onde tinha conhecimento de “existirem algumas fotografias interessantes”. técnicas de equipamentos que, possivelmente, foram utilizados na execução dos túneis da O Álbum da Linha do Douro e imagens da Linha do Minho, com fototipias de Emílio Biel, que
Presumimos que algures em Outubro desse ano nos deslocámos pela primeira vez à Quinta da Linha do Douro. se conservou na Família Mascarenhas Gaivão, foi herdado do bisavô, Francisco Perfeito de Maga- Este texto traz até nós um mundo do trabalho muito diferente do atual. Não conhecemos
Azenha, julgando que uma tarde bastaria para enquadrar as espécies aí existentes. Se a memória • Um panfleto dos trabalhadores do túnel dos Encambalados. lhães Meneses Vilas-Boas, à data engenheiro dos caminhos de ferro e um dos responsáveis pela quem teve a iniciativa de o redigir e imprimir, mas podemos confiar no testemunho que nos presta
não nos atraiçoa, lá ficámos mais de dez dias consecutivos. Depois de apreciarmos a riqueza dos • Uma tarja em seda azul e branca de saudação às entidades governamentais e às chefias do construção, como se comprova pelo panfleto junto (fig. 1), a seguir transcrito: sobre as terríveis dificuldades que os construtores do Caminho de Ferro do Douro tiveram que
álbuns expostos, fomos mergulhando em gavetas e armários, salas e arrumações, à medida que os Caminho de Ferro do Douro. enfrentar.
seus proprietários se iam lembrando de outros locais do solar onde estariam guardados, há muito • Álbuns (16), alguns deles de rica execução em madeira esculpida ou em couro, molduras e “Os capatazes, mineiros e mais operários do Túnel dos Encambalados rendem infinitas graças ao Altís- Em Portugal, depois de vários projetos não realizados, iniciou-se a construção do caminho-
tempo, “velhas fotografias”. outros acessórios.. simo por haver preservado de inúmeros perigos a elles, que, sufocados pelo fumo e mau ar, mas sempre -de-ferro em 1853.
Os atuais proprietários Ana Maria de Moraes Sarmento Moniz Mascarenhas Gaivão e Manuel Que fazer com tal espólio? Antes de mais cabe aqui salientar a boa vontade, o interesse e a con- firmes nos seus postos e sacrificando-se com heróica resignação, romperam a dura pedra para alcançar A construção do caminho-de-ferro do Vale do Douro resultou da vontade dos investido-
Mouzinho de Albuquerque Mascarenhas Gaivão, manifestaram uma grande disponibilidade, eles fiança em nós depositada, pelos Dr.ª Ana Maria de Moraes Sarmento Moniz Mascarenhas Gaivão e honra e glória para os seus superiores. res mercantilistas da cidade do Porto, que então procuravam corresponder a um esforço de
próprios fascinados pelas nossas reações a cada lote que nos traziam. E que lotes! Dr. Manuel Mouzinho de Albuquerque Mascarenhas Gaivão, bem como posteriormente pelo seu industrialização que recuperasse do nosso atraso em relação a outros países europeus, bem
Em Novembro do mesmo ano estava pronto o primeiro inventário, mas ainda não tínhamos filho, Dr. Luís Mascarenhas Gaivão. Grande é a sua generosidade e sensibilidade, depositando no Saúdam e dão os parabéns ao Ex. mº Snr. Lourenço de Carvalho pelo zelo e actividade no seu governo e como a abertura ao interior, nomeadamente às regiões isoladas de Trás-os-Montes e Alto
chegado ao fim. A intervenção empenhada de um dos filhos dos proprietários, Dr. Luís Mascare- Museu de Lamego a responsabilidade de sua preservação (enquanto estiverem em curso as exposi- direcção. Douro, expandindo os seus mercados e possibilitando o transporte de matérias primas e
nhas Gaivão, lembrando-se de outras imagens e novos locais onde se poderiam situar, trouxe-nos um ções programadas) e divulgação, concedendo a esta instituição os direitos de reprodução de todas produtos agrícolas. Aliavam-se a estes interesses os vitivinicultores da região demarcada, que
novo conjunto de espécies, complementares do que já tinha sido reconhecido bem com um conjun- as imagens da sua colecção nas nossas publicações presentes e futuras, em qualquer tipo de suporte. Saúdam e dão os parabéns aos Ex.mos. Snrs. Augusto César Justino Teixeira e Francisco Perfeito de ambicionavam um novo meio, de custos mais reduzidos e maior rapidez, para o escoamento
to de imagens do Oriente, de cerca de 1870, que constituirá o objeto de outra e fascinante exposição, Por parte do Museu de Lamego, para além da estabilização e acondicionamento apropriado de todas Magalhães6, assim como os seus subalternos, pela maneira sábia e prudente com que se houveram n’estes da sua produção. Mas a grandeza do projeto atingia a sua verdadeira dimensão com o corres-
em futuro próximo. Assim, o inventário definitivo da coleção de fotografia da Família Mascarenhas as espécies, do seu inventário, estudo, identificação técnica e descrição, temos o compromisso de grandes e importantes trabalhos. pondente empenho de Espanha na realização de uma via direta entre o interior da península
Gaivão só ficou concluído em Junho deste ano, quase um ano depois do início dos trabalhos. e a exportação por via marítima.
A importância, riqueza e dimensão deste espólio alterou o nosso projeto inicial, fazendo-nos 5 Estará disponível, ainda no ano em curso, um catálogo em versão digital.
O projeto teve início em 1867, mas os primeiros trabalhos de construção do caminho-de-
compreender imediatamente que tínhamos matéria para levar a cabo, não uma mas três expo- 4 A primeira tentativa de construção do Canal do Panamá decorreu entre 1880 e 1890, do projecto francês de Lesseps. 6 O já referido bisavô. -ferro ao Norte do Douro iniciaram-se com a Linha do Minho, a 8 de Julho de 1872. A Régua

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passou a ter via-férrea a partir de 15 de Julho de 1879, e Pinhão em 1 de Junho de 1880. O que Comecemos por rever o que de mais significativo foi publicado sobre os caminhos do ferro e e esta que lhe garante a sua importância histórica. Dir-se-á que também foi muito importante tendia, Biel era um profissional, obrigado a tratar cada tema do princípio ao fim. O primeiro nunca
faltava até à fronteira teve que aguardar por novo arranque em 1883. Em Espanha estavam em da prata, pelo olhar de Emílio Biel. como editor, mas são as suas capacidades fotográficas que o impulsionam e o municiam para quis receber qualquer proveito monetário da sua atividade fotográfica, o segundo era, por natu-
construção as vias que ligariam Madrid e Salamanca a esta região, a caminho do encontro das O pequeno catálogo editado pelos Encontros de Fotografia de Coimbra, “No Trilho dos Ca- as suas edições. reza, um negociante e um empresário. Partilhavam a paixão pela fotografia e um grande talento
vias em Barca d’Alva. O troço Pinhão – Tua foi inaugurado em 1 de Setembro de 1883. Mas é valos de Ferro”7, de Maria do Carmo Serén, com texto de grande qualidade em que contextualiza No já referido trabalho pode ler-se: “Para além de terem representado a imagem mais apro- como fotógrafos. Relvas e Biel são os grandes expoentes da Fotografia Portuguesa da segunda me-
em 1887 que se regista um esforço extraordinário, numa das zonas mais difíceis. Tua-Pocinho historicamente a expansão do caminho-de-ferro, constitui um marco pioneiro na divulgação das ximada do progresso técnico introduzido pelo Fontismo (Douro Minho e Beira Alta) repre- tade do séc. XIX.
foi posto ao serviço em 10 de Janeiro e a 9 de Dezembro estava pronto Pocinho-Barca d’Alva- imagens que documentam a sua evolução no séc. XIX. Para além das notas biográficas sobre o fotó- sentaram, em termos estéticos, uma autêntica rutura na fotografia portuguesa do séc. XIX. Em Emílio Biel adquire a Casa Fritz em 1873, vai à Golegã em 1875, onde adquire os conhecimen-
Ponte Internacional, ficando assim definitivamente concluído o caminho-de-ferro do Douro, grafo, pouco é referido sobre as espécies originais, a não ser em termos de apreciação estética. São grande parte das fotografias que compõem esses álbuns, particularmente nas mais significativas tos e a permissão de utilizar o processo de fototipia, e não é por acaso que é depois desta data que
realizando-se o festejo respectivo e encontro de composições, portuguesa e espanhola, a meio publicadas trinta e oito fotografias de Emílio Biel, impressas a preto e branco, aproximadamente do conjunto, estamos perante uma abordagem fotográfica totalmente nova, quer pela profunda inicia a sua actividade editorial.
da ponte internacional. Talvez desse evento nos tenha chegado a tarja de seda azul e branca no formato 9x12 cm8, o que é manifestamente insuficiente para uma verdadeira apreciação das riqueza tonal que apresentam, o que revela um extraordinário domínio técnico, quer pelo en- É tempo de consultarmos as verdadeiras e irrecusáveis fontes: as fototipias de Emílio Biel. Elas
(fig. 2), com os seguintes dizeres: mesmas. Tendo em conta as limitações do evento em que se inseriu, não podemos deixar de louvar quadramento cenográfico e monumental da panorâmica que sabe traduzir toda a beleza rude e têm muito para contar, como foram executadas, com que equipamento, em que formato, em que
vivamente esta publicação. inóspita do vale do Douro…”. É outra a nossa interpretação. processo foram colhidas as imagens originais e qual a sua datação mais provável. Tal leitura nunca
“Viva o Ministro das Obras Públicas No seu belo livro sobre o Douro9, António Barreto publica fotografias de Emílio Biel, Alvão e Não se trata de nenhuma rutura, bem pelo contrário, é uma passagem de testemunho. foi feita, ou pelo menos não foi publicada até esta Exposição e este catálogo.
Viva o Director do Caminho de Ferro do Douro Maurício Abreu, mas nenhuma do caminho-de-ferro do séc. XIX. Em 1875 dá-se o que é talvez o acontecimento mais importante para a edição fotográfica em
Viva o Chefe da 3.ª Secção e mais Engenhei- Com texto de Maria do Carmo Serén, e coordenação editorial de Tereza Siza, “Fotografia no Portugal. Carlos Relvas anuncia a aquisição do processo de fototipia a Carl Henrich Jacoby. Emil Ferro e prata: uma aventura fotográfica
Rós do Caminho de Ferro do Douro” Douro: Arqueologia e Modernidade”10 publica as melhores reproduções até esta data das fototi- Jacoby, filho do inventor deste processo de fototipia, veio à Golegã onde passou largo tempo, Podemos concluir que, por uma ocasião festiva de grande significado, a empresa dos Cami-
pias sobre o caminho-de-ferro de Emílio Biel, embora de dimensões reduzidas: quatro em 7,5x10 repartindo o seu saber com vários fotógrafos portugueses, nomeadamente Henrique Nunes, Fon- nhos de Ferro promoveu a realização de um Álbum Fotográfico, certamente no Inverno de 1887
cm, três 16x21,5 cm e uma em 18x50 cm. No capítulo 3, “O Douro encenado: a construção do ca- seca, Silva Pereira, Fernandes e Emílio Biel, que de facto o explorou industrialmente. Carlos Relvas em que se concluiu a Linha do Douro, ao encontro com Espanha na ponte internacional. Sabemos
minho de ferro e Emílio Biel” (p. 88), para além de algumas notas biográficas do fotógrafo, pouco ofereceu a sua utilização gratuita a todos os portugueses. que se realizou uma viagem, como as imagens demonstram, talvez de um ou dois dias, ao longo
acrescenta sobre as próprias imagens, limitando-se a realçar a sua qualidade estética e a importân- Este “curso”, “seminário” ou “estágio”, que decorreu no fantástico Estúdio da Golegã, desta Linha e outra do Minho, podendo o fotógrafo (ou fotógrafos) solicitar a paragem da locomo-
cia do seu conteúdo. reunindo um grupo de notáveis fotógrafos em atividade no nosso País, para além de lhes tiva onde mais lhe conviesse à “tomada de vistas”. As pessoas que o acompanhavam e outras que
proporcionar conhecimentos e técnicas desconhecidas, deve ter marcado profundamente a se encontravam em cada local eram encenadas e advertidas de que não se podiam mexer durante
Emílio Biel: a passagem de um testemunho sensibilidade artística de quem nele participou. É que Carlos Relvas foi um dos mais concei- um determinado espaço de tempo.
Karl Emil Biel (1938-1915) nasceu na Alemanha, filho de uma família de comerciantes burgueses. tuados paisagistas europeus do seu tempo, talvez mesmo o então mais considerado a nível Emílio Biel ganhou o concurso, se é que o houve, pela qualidade dos seus enquadramentos, o
Nada sabemos das razões que o levaram a emigrar para Portugal, com apenas 19 anos (1857). Vem mundial. Biel viu as fotografias que narram toda a grandeza épica da planície ribatejana, das rigor da sua técnica, mas também pela excelência das suas fototipias, positivos colados em grandes
para Lisboa, como funcionário da casa Henrique Schakl, representante de diversas firmas alemãs. suas gentes, dos touros e cavalos, da borda de água, do rio e das suas cheias, dos caminhos cartões impressos com a marca da casa. Esta hipótese é reforçada pela existência já referida de 3
Muda-se para o Porto em 1860, onde desenvolve grande atividade como negociante e empresário. que vão para um local desconhecido; e viu também o mar e as rochas, as serras de Sintra e a albuminas da Mello Phot, 9 da casa Pinto & Reis , e ainda 2 de autor desconhecido, focando os
A tese de mestrado de Paulo Baptista, publicada em 201011, sobre a Casa Biel e as suas edições
Figura 2
da Estrela, com uma modernidade de enquadramentos que superava tudo o que se tinha feito mesmos temas, executadas certamente na mesma ocasião.
fotográficas no Portugal de oitocentos, é certamente a fonte mais desenvolvida e credível sobre os entre nós até então.
Construir caminhos-de-ferro no séc. XIX, com o rigor exigido na fixação de desníveis e curvas, dados biográficos de Emílio Biel. Também não podemos aceitar que o vale do Douro não se caracteriza por uma beleza rude e O Processo
que obrigava a perfurar montanhas em túneis prolongados, era uma tarefa perigosa que exigia o É incerta a data em que terá iniciado a sua atividade fotográfica, mas Biel só deverá ter exer- inóspita, mas se tal parece em muitas imagens da Linha do Douro é porque Biel quer realçar as • Biel usou uma câmara de grande formato, certamente com dorso apropriado para executar
melhor da engenharia do seu tempo. Era portanto natural que se festejasse vivamente a conclusão cido a sua nova paixão a partir do final da década de sessenta. E convém aqui salientar que, ape- dificuldades do ambiente natural em que decorreram os trabalhos daquela obra. negativos 24x30 cm, aliás assim convinha para a execução de cópias em prensa de contacto,
feliz de uma tão grande tarefa. E, evidentemente, que a Companhia dos Caminhos-de-Ferro enco- sar da grande diversidade dos seus interesses comerciais e pessoais, apesar da sua reconhecida Carlos Relvas foi, certamente, uma das influências determinantes, conjuntamente com como então era prática corrente. Dispunha este equipamento de basculamentos e descen-
mendasse imediatamente um Álbum fotográfico comemorativo de tal evento. Aliás já desde 1872 e intensa adesão a tudo o que era novo em termos tecnológicos, é na Fotografia que se exprime Charles Clifford12, na narrativa paisagística de Emílio Biel. Quanto ao domínio técnico, con- tramentos no plano da objectiva e no dorso, só assim sendo possível o rigor das perspectivas
Emílio Biel vinha documentando as novas vias-férreas, como adiante se verá. vém lembrar que o mais determinante é o equipamento e o processo fotográfico que foi usa- e a associação de imagens, em panorâmicas, que se verificam em alguns casos, nomeada-
Se a importância histórica, económica e política da construção desta via-férrea é inegável, para do para a conceção e execução das imagens originais. mente na que nos mostra o “Vale do Douro e Viaduto do Laranjal” (Cat.024).
a região, para o País e para a Península Ibérica, a qualidade e o interesse da coleção de fotografias 7 SERÉN, Maria do Carmo, “No trilho dos Cavalos de Ferro”, Encontros de Fotografia, Coimbra 1993. E vale a pena contrastarmos estas duas grandes personagens. Em que se parecem? Em que • A objectiva utilizada pode ter variado entre 210 mm e 360 mm de distância focal (sendo
8 Vinte da Linha da Beira Alta, doze da Linha do Minho e seis da Linha do Douro.
reunidas num Álbum originalmente concebido para as apresentar, vai para além dos interesses 9 BARRETO, António – DOURO. Edições Inapa, S.A., Portugal, 1993.
diferem? Carlos Relvas foi o característico grande amador, que como tal só fotografava o que en- esta a normal do formato indicado, igual à diagonal do mesmo). A lente cobria o formato
específicos do transporte ferroviário, por toda a informação que contém sobre a vida humana, 10 SERÉN, Maria do Carmo, “Fotografia no Douro: Arqueologia e Modernidade”, Centro Português de Fotografia – Fundação da Casa do com o seu círculo nítido muito justo, dado que em algumas imagens nos aparecem, nos
Douro, Porto 2006.
vestuário e habitações tradicionais, a paisagem, testemunhos de um meio e de um tempo ainda 11 BAPTISTA, Paulo A.R., “A Casa Biel e as suas edições fotográficas no Portugal de Oitocentos” – Edições Colibri, Lisboa, 2010. Reconhecendo
cantos superiores, zonas escurecidas, sendo certo que alguns descentramentos já entravam
tão próximo e já tão distante. embora a qualidade e importância desta recolha, não podemos deixar de registar certas lacunas e ausências. Cortar é pena. 12 Como o refere Michael Gray, em texto deste catálogo. na zona de penumbra e indefinição da imagem projetada no despolido.

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passou a ter via-férrea a partir de 15 de Julho de 1879, e Pinhão em 1 de Junho de 1880. O que Comecemos por rever o que de mais significativo foi publicado sobre os caminhos do ferro e e esta que lhe garante a sua importância histórica. Dir-se-á que também foi muito importante tendia, Biel era um profissional, obrigado a tratar cada tema do princípio ao fim. O primeiro nunca
faltava até à fronteira teve que aguardar por novo arranque em 1883. Em Espanha estavam em da prata, pelo olhar de Emílio Biel. como editor, mas são as suas capacidades fotográficas que o impulsionam e o municiam para quis receber qualquer proveito monetário da sua atividade fotográfica, o segundo era, por natu-
construção as vias que ligariam Madrid e Salamanca a esta região, a caminho do encontro das O pequeno catálogo editado pelos Encontros de Fotografia de Coimbra, “No Trilho dos Ca- as suas edições. reza, um negociante e um empresário. Partilhavam a paixão pela fotografia e um grande talento
vias em Barca d’Alva. O troço Pinhão – Tua foi inaugurado em 1 de Setembro de 1883. Mas é valos de Ferro”7, de Maria do Carmo Serén, com texto de grande qualidade em que contextualiza No já referido trabalho pode ler-se: “Para além de terem representado a imagem mais apro- como fotógrafos. Relvas e Biel são os grandes expoentes da Fotografia Portuguesa da segunda me-
em 1887 que se regista um esforço extraordinário, numa das zonas mais difíceis. Tua-Pocinho historicamente a expansão do caminho-de-ferro, constitui um marco pioneiro na divulgação das ximada do progresso técnico introduzido pelo Fontismo (Douro Minho e Beira Alta) repre- tade do séc. XIX.
foi posto ao serviço em 10 de Janeiro e a 9 de Dezembro estava pronto Pocinho-Barca d’Alva- imagens que documentam a sua evolução no séc. XIX. Para além das notas biográficas sobre o fotó- sentaram, em termos estéticos, uma autêntica rutura na fotografia portuguesa do séc. XIX. Em Emílio Biel adquire a Casa Fritz em 1873, vai à Golegã em 1875, onde adquire os conhecimen-
Ponte Internacional, ficando assim definitivamente concluído o caminho-de-ferro do Douro, grafo, pouco é referido sobre as espécies originais, a não ser em termos de apreciação estética. São grande parte das fotografias que compõem esses álbuns, particularmente nas mais significativas tos e a permissão de utilizar o processo de fototipia, e não é por acaso que é depois desta data que
realizando-se o festejo respectivo e encontro de composições, portuguesa e espanhola, a meio publicadas trinta e oito fotografias de Emílio Biel, impressas a preto e branco, aproximadamente do conjunto, estamos perante uma abordagem fotográfica totalmente nova, quer pela profunda inicia a sua actividade editorial.
da ponte internacional. Talvez desse evento nos tenha chegado a tarja de seda azul e branca no formato 9x12 cm8, o que é manifestamente insuficiente para uma verdadeira apreciação das riqueza tonal que apresentam, o que revela um extraordinário domínio técnico, quer pelo en- É tempo de consultarmos as verdadeiras e irrecusáveis fontes: as fototipias de Emílio Biel. Elas
(fig. 2), com os seguintes dizeres: mesmas. Tendo em conta as limitações do evento em que se inseriu, não podemos deixar de louvar quadramento cenográfico e monumental da panorâmica que sabe traduzir toda a beleza rude e têm muito para contar, como foram executadas, com que equipamento, em que formato, em que
vivamente esta publicação. inóspita do vale do Douro…”. É outra a nossa interpretação. processo foram colhidas as imagens originais e qual a sua datação mais provável. Tal leitura nunca
“Viva o Ministro das Obras Públicas No seu belo livro sobre o Douro9, António Barreto publica fotografias de Emílio Biel, Alvão e Não se trata de nenhuma rutura, bem pelo contrário, é uma passagem de testemunho. foi feita, ou pelo menos não foi publicada até esta Exposição e este catálogo.
Viva o Director do Caminho de Ferro do Douro Maurício Abreu, mas nenhuma do caminho-de-ferro do séc. XIX. Em 1875 dá-se o que é talvez o acontecimento mais importante para a edição fotográfica em
Viva o Chefe da 3.ª Secção e mais Engenhei- Com texto de Maria do Carmo Serén, e coordenação editorial de Tereza Siza, “Fotografia no Portugal. Carlos Relvas anuncia a aquisição do processo de fototipia a Carl Henrich Jacoby. Emil Ferro e prata: uma aventura fotográfica
Rós do Caminho de Ferro do Douro” Douro: Arqueologia e Modernidade”10 publica as melhores reproduções até esta data das fototi- Jacoby, filho do inventor deste processo de fototipia, veio à Golegã onde passou largo tempo, Podemos concluir que, por uma ocasião festiva de grande significado, a empresa dos Cami-
pias sobre o caminho-de-ferro de Emílio Biel, embora de dimensões reduzidas: quatro em 7,5x10 repartindo o seu saber com vários fotógrafos portugueses, nomeadamente Henrique Nunes, Fon- nhos de Ferro promoveu a realização de um Álbum Fotográfico, certamente no Inverno de 1887
cm, três 16x21,5 cm e uma em 18x50 cm. No capítulo 3, “O Douro encenado: a construção do ca- seca, Silva Pereira, Fernandes e Emílio Biel, que de facto o explorou industrialmente. Carlos Relvas em que se concluiu a Linha do Douro, ao encontro com Espanha na ponte internacional. Sabemos
minho de ferro e Emílio Biel” (p. 88), para além de algumas notas biográficas do fotógrafo, pouco ofereceu a sua utilização gratuita a todos os portugueses. que se realizou uma viagem, como as imagens demonstram, talvez de um ou dois dias, ao longo
acrescenta sobre as próprias imagens, limitando-se a realçar a sua qualidade estética e a importân- Este “curso”, “seminário” ou “estágio”, que decorreu no fantástico Estúdio da Golegã, desta Linha e outra do Minho, podendo o fotógrafo (ou fotógrafos) solicitar a paragem da locomo-
cia do seu conteúdo. reunindo um grupo de notáveis fotógrafos em atividade no nosso País, para além de lhes tiva onde mais lhe conviesse à “tomada de vistas”. As pessoas que o acompanhavam e outras que
proporcionar conhecimentos e técnicas desconhecidas, deve ter marcado profundamente a se encontravam em cada local eram encenadas e advertidas de que não se podiam mexer durante
Emílio Biel: a passagem de um testemunho sensibilidade artística de quem nele participou. É que Carlos Relvas foi um dos mais concei- um determinado espaço de tempo.
Karl Emil Biel (1938-1915) nasceu na Alemanha, filho de uma família de comerciantes burgueses. tuados paisagistas europeus do seu tempo, talvez mesmo o então mais considerado a nível Emílio Biel ganhou o concurso, se é que o houve, pela qualidade dos seus enquadramentos, o
Nada sabemos das razões que o levaram a emigrar para Portugal, com apenas 19 anos (1857). Vem mundial. Biel viu as fotografias que narram toda a grandeza épica da planície ribatejana, das rigor da sua técnica, mas também pela excelência das suas fototipias, positivos colados em grandes
para Lisboa, como funcionário da casa Henrique Schakl, representante de diversas firmas alemãs. suas gentes, dos touros e cavalos, da borda de água, do rio e das suas cheias, dos caminhos cartões impressos com a marca da casa. Esta hipótese é reforçada pela existência já referida de 3
Muda-se para o Porto em 1860, onde desenvolve grande atividade como negociante e empresário. que vão para um local desconhecido; e viu também o mar e as rochas, as serras de Sintra e a albuminas da Mello Phot, 9 da casa Pinto & Reis , e ainda 2 de autor desconhecido, focando os
A tese de mestrado de Paulo Baptista, publicada em 201011, sobre a Casa Biel e as suas edições
Figura 2
da Estrela, com uma modernidade de enquadramentos que superava tudo o que se tinha feito mesmos temas, executadas certamente na mesma ocasião.
fotográficas no Portugal de oitocentos, é certamente a fonte mais desenvolvida e credível sobre os entre nós até então.
Construir caminhos-de-ferro no séc. XIX, com o rigor exigido na fixação de desníveis e curvas, dados biográficos de Emílio Biel. Também não podemos aceitar que o vale do Douro não se caracteriza por uma beleza rude e O Processo
que obrigava a perfurar montanhas em túneis prolongados, era uma tarefa perigosa que exigia o É incerta a data em que terá iniciado a sua atividade fotográfica, mas Biel só deverá ter exer- inóspita, mas se tal parece em muitas imagens da Linha do Douro é porque Biel quer realçar as • Biel usou uma câmara de grande formato, certamente com dorso apropriado para executar
melhor da engenharia do seu tempo. Era portanto natural que se festejasse vivamente a conclusão cido a sua nova paixão a partir do final da década de sessenta. E convém aqui salientar que, ape- dificuldades do ambiente natural em que decorreram os trabalhos daquela obra. negativos 24x30 cm, aliás assim convinha para a execução de cópias em prensa de contacto,
feliz de uma tão grande tarefa. E, evidentemente, que a Companhia dos Caminhos-de-Ferro enco- sar da grande diversidade dos seus interesses comerciais e pessoais, apesar da sua reconhecida Carlos Relvas foi, certamente, uma das influências determinantes, conjuntamente com como então era prática corrente. Dispunha este equipamento de basculamentos e descen-
mendasse imediatamente um Álbum fotográfico comemorativo de tal evento. Aliás já desde 1872 e intensa adesão a tudo o que era novo em termos tecnológicos, é na Fotografia que se exprime Charles Clifford12, na narrativa paisagística de Emílio Biel. Quanto ao domínio técnico, con- tramentos no plano da objectiva e no dorso, só assim sendo possível o rigor das perspectivas
Emílio Biel vinha documentando as novas vias-férreas, como adiante se verá. vém lembrar que o mais determinante é o equipamento e o processo fotográfico que foi usa- e a associação de imagens, em panorâmicas, que se verificam em alguns casos, nomeada-
Se a importância histórica, económica e política da construção desta via-férrea é inegável, para do para a conceção e execução das imagens originais. mente na que nos mostra o “Vale do Douro e Viaduto do Laranjal” (Cat.024).
a região, para o País e para a Península Ibérica, a qualidade e o interesse da coleção de fotografias 7 SERÉN, Maria do Carmo, “No trilho dos Cavalos de Ferro”, Encontros de Fotografia, Coimbra 1993. E vale a pena contrastarmos estas duas grandes personagens. Em que se parecem? Em que • A objectiva utilizada pode ter variado entre 210 mm e 360 mm de distância focal (sendo
8 Vinte da Linha da Beira Alta, doze da Linha do Minho e seis da Linha do Douro.
reunidas num Álbum originalmente concebido para as apresentar, vai para além dos interesses 9 BARRETO, António – DOURO. Edições Inapa, S.A., Portugal, 1993.
diferem? Carlos Relvas foi o característico grande amador, que como tal só fotografava o que en- esta a normal do formato indicado, igual à diagonal do mesmo). A lente cobria o formato
específicos do transporte ferroviário, por toda a informação que contém sobre a vida humana, 10 SERÉN, Maria do Carmo, “Fotografia no Douro: Arqueologia e Modernidade”, Centro Português de Fotografia – Fundação da Casa do com o seu círculo nítido muito justo, dado que em algumas imagens nos aparecem, nos
Douro, Porto 2006.
vestuário e habitações tradicionais, a paisagem, testemunhos de um meio e de um tempo ainda 11 BAPTISTA, Paulo A.R., “A Casa Biel e as suas edições fotográficas no Portugal de Oitocentos” – Edições Colibri, Lisboa, 2010. Reconhecendo
cantos superiores, zonas escurecidas, sendo certo que alguns descentramentos já entravam
tão próximo e já tão distante. embora a qualidade e importância desta recolha, não podemos deixar de registar certas lacunas e ausências. Cortar é pena. 12 Como o refere Michael Gray, em texto deste catálogo. na zona de penumbra e indefinição da imagem projetada no despolido.

14 15
• O processo fotográfico foi o do colódio húmido13, único que nessa data (e durante mui- escura móvel, de que serviu Emílio Biel, a porta está aberta, certamente para aliviar o interior dos a caminho da foz, casas de granito e telhados de colmo, pescadores e peixeiras, lavadeiras e lavra- Um catálogo com as fotografias dos Caminhos-de-Ferro, de Emílio Biel, no maior número
to tempo depois) assegurava a excelente resolução que foi transposta para as fototipias14. gases provenientes dos perigosos produtos químicos que constituem o processo de colódio hú- dores, cavalos e bois, montes e vales e, aqui e além, um pequeno pedaço dos tradicionais socalcos. de provas encontrado e impressas num formato o mais aproximado possível dos originais é algo
Tratava-se da aplicação de uma solução de colódio numa chapa de vidro, depois mergulhada mido. Na imagem seguinte em que nos aparece o referido veículo, fig. 217, surge coberto por uma que consideramos muito útil e que ajudará a compreender melhor a importância e riqueza do
numa solução de nitrato de prata. Esta sensibilização tinha que ocorrer no local de execu- tela branca, destinada provavelmente a evitar o efeito da luz branca direta e reflectir o calor da Datação trabalho deste autor, que veio da Alemanha, viveu e criou toda a sua vida entre nós, e teve de par-
ção da fotografia, dado que a chapa tinha que ser exposta e processada ainda húmida, sob radiação solar. Esta tela figura em todas as outras imagens, montada da mesma forma, exatamente Várias datas têm sido atribuídas a este conjunto de fototipias. Todas as anteriores a 1887 es- tir, expulso de Portugal e confiscados todos os seus bens na I Guerra Mundial. Se calhar, ele era
pena de a secagem inviabilizar todo o processo. Teria sido possível o processo de colódio na mesma posição. tão condenadas pela “Ponte Internacional sobre o Águeda” (Cat. 036), que só ficou pronta em “o bom alemão”!
seco, nomeadamente o melhor de todos, à base de tanino, inventado por um português Podemos pois concluir que esta câmara escura serviu para o processo de colódio, único que Dezembro desse ano. As que remetem para 1900-1905, não fazem qualquer sentido. Acreditamos E o rio, do Ouro, o Douro, essa “estrada que anda”19. Onde “por vinhas, sobredos, vales, so-
madeirense, de origem escocesa, Cecil Russell Gordon, Conde da Torre Bela15, mas este necessitaria de tais condições. Não restam quaisquer dúvidas que se trata de um conjunto de fo- que a campanha da Linha do Douro tenha sido executada depois do levantamento da Linha do calcos, searas, serras, atalhos, veredas, lezírias e praias claras, desceram homens sem medo…”20
não assegurava a tal resolução. Ao utilizar o colódio húmido Biel demonstrou como estava tografias realizadas numa única viagem. Já na Linha do Minho não encontramos o mesmo equi- Minho, mas não muito. Na sua grande maioria devem ter sido feitas no segundo semestre de 1887 e ao longo das suas margens, pelo norte e pelo sul, correram veias de ferro, em universos de prata.
empenhado em obter a melhor qualidade, independentemente da sobrecarga de esforços pamento, talvez porque nos aparece atrelado à locomotiva um vagão fechado, proporcionando e impressas em 1888.
que tal implicava. certamente outro tipo de soluções.
Mas como podemos concluir que o levantamento, pelo menos o da Linha do Douro, foi Aspetos técnicos e critérios
executado numa só viagem? E como foi possível a preparação e o processamento no local das Tempo de Pose A rara oportunidade de podermos comparar albuminas e fototipias extraídas dos mesmos ne- Bibliografia
placas de colódio húmido? As imagens fornecem-nos as provas necessárias para sustentar estas Nos finais da década de 1880, mesmo em dias de sol intenso sem nuvens, para o processo de gativos (Cat. 005 e 006, 007 e 008), constituem um dos aspetos técnicos mais interessantes deste ARNOLD, H.J.P. (1977) – William Henry Fox Talbot. Pioneer of photography and man of science.
conclusões. colódio húmido eram necessárias longas poses para se obterem negativos de densidade correcta. espólio, permitindo-nos comparar as qualidades e a resistência ao desgaste do tempo, tendo ainda LONDON: Ed. HUTCHINSON BENHAM Ltd.
O “arrastamento” das correntes de águas rápidas, e os movimentos registados nas figuras humanas em conta que as diferentes espécies permaneceram em conjunto, sujeitas exatamente às mesmas ASHTON, T.S. (1987) – A Revolução Industrial. 5ª Edição. Portugal: Ed. Publicações Europa-América.
A Viagem ou nas copas das árvores indicam que as imagens foram registadas com exposições talvez de 20 condições ambientais. Bem que Emílio Biel imprimiu a sua confiança na durabilidade das fototi- Baptista, Paulo Artur Ribeiro (2010): A Casa Biel e as suas edições fotográficas no Portugal de Oitocentos.
Nas provas respeitantes à Linha do Douro, trinta e três, as mesmas locomotivas aparecem em a 30 segundos. Duas imagens poderiam levantar algumas dúvidas, mas cremos que a explicação é pias, este espólio dá-lhe inteira razão. Lisboa, Edições Colibri.
vinte e seis, cuja identificação foi confirmada por Michael Gray em Inglaterra, onde foram fabrica- simples: na “Estação de Campanha” (Cat.001) aparece um cão em posição perfeitamente rígida, Quanto às dúvidas que por vezes se levantam sobre a natureza fotográfica deste de tipo de BARRETO, António (1993): Douro. Portugal: Edições Inapa, S.A.
das pela Beyer & Peacock Ltd, Manchester. Mas o mais surpreendente é a carroça estranha que se o que seria possível num animal muito obediente, mas já o mesmo não é crível em três patos que impressões a tinta, a resposta é fácil: são fotografias todas as imagens recolhidas na câmara escura, EDER, Maria Josef (1978): History of Photography. New York: Ed. Dover Publications, Inc.
encontra em cima dos atrelados, perfeitamente distinguível em nove dessas imagens. figuram na “Estação de Cete” (Cat. 009). O sentido decorativo do autor levou-o a “adicionar estes seja ela de madeira e fole, com o sem objetiva, formada pelo contacto de uma prensa ou simples- Freund, Gisèle (1974): Photographie et Société. Paris: Éditions du Seuil.
Na fig.316, na primeira imagem que temos da Linha do Douro, distinguimos uma pequena figurantes” à composição, o que era muito fácil. mente um “quarto escuro”, impressas por qualquer meio ou processo. Se assim não o considera- GRAY, Michael Gray, MESQUITA, Vitória, PESSOA, José, ROUILLÉ, André (1994): Frederick William Flower
casinha sobre rodas, com varais para atrelar um animal de tiro. Trata-se sem dúvida da câmara Então e os seres humanos, por vezes dezenas deles na mesma fotografia? Alguns aparecem mos, então a fotografia digital não existe! – Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa. Lisboa: Museu do Chiado / Milão: Electa.
muito nítidos, outros em movimento, vários rastos nos mostram que estiveram lá aqueles que não A existência deste álbum passou por diversas vicissitudes e o seu estado de conservação foi ENCARNAÇÃO, Alexandra; Gray, Michael; Haworth-Booth, Mark; Mesquita, Vitória; Mestre, Víctor; Pessoa,
conseguiram imobilizar-se ou não sabiam do que estava em curso. Mas podemos estar certos que prejudicado por o derramamento de uma substância gordurosa e muito ácida que corroeu seria- José; Rouillé, André; Torrado, Sofia; Vicente, Pedro António (2003): Carlos Relvas e a Casa da Fotografia.
Emílio Biel encenou todas estas personagens, pegando nas que estavam disponíveis e distribuindo- mente os cartões, mas, para nosso encanto, não com seguiu prejudicar as imagens no papel cola- Lisboa: Ed. Museu Nacional de Arte Antiga.
as, avisando-as de que tinham que se manter imóveis até que um sinal desse a pose por concluída. do 18 . Assim optámos por imprimi-las e expô-las no seu verdadeiro enquadramento, respeitando MONTEIRO, António (1998): O Douro. Portugal: Edições Livro Branco, Ldª.
Essa cenografia atinge, por vezes, uma grandeza de “superprodução”, como é o caso da “Esta- mais as opções criativas do fotógrafo. (Fac-Simile da Edição de 1911 – Emílio Biel & Cª – Editores).
ção de Viana” (Cat. 051). Com cerca de cinquenta figurantes, um a um preenchendo os espaços, Juntamente com este álbum, apareceram algumas albuminas do fotógrafo belga Van Malde- Moreira, Tomás (1985): “Emílio Biel: um alemão no Porto”. in O Tripeiro. Série Nova. Vol. VI, nº 11-12.
sozinhos ou em grupos diversos. Nesta dimensão é inédito na Fotografia Portuguesa. ren, datadas de 1886, que aparentam ser o portfólio da firma Systéme Lda. D’ Andriessens & Cie , ROSENBLUM, Naomi (1984): A World History of Fotography. New York: Ed. Abbeville Press, Inc.
É de referir que, em pontes, viadutos, túneis ou outros locais, Biel teve sempre a preocupação de Liège, propondo equipamentos pesados para grandes trabalhos de engenharia. Levam-nos tão ROUILLÉ, André (1982): L’Empire de la Photographie 1839-1870. Paris: Editions le Sycomore.
de inserir uma escala humana, estrategicamente colocada, permitindo avaliar a dimensão da obra longe como o Canal do Panamá, onde então decorria a primeira tentativa francesa. Acreditamos SENA, António (1991): Uma História da Fotografia. Lisboa: Ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda.
em causa. Por exemplo, no “Viaduto do Corgo” (Cat. 030). que alguma daquela maquinaria terá sido utilizada nas obras tão difíceis da Linha do Douro, e SERÉN, Maria do Carmo (1993): Emílio Biel: No trilho dos cavalos de ferro.
Mergulhar nas belas fototipias de Emílio Biel proporciona-nos surpresas que não foram ence- mesmo que o não tenham sido, ilustram os meios técnicos que então se usavam, naquela época, Coimbra: Ed. Encontros de Fotografia.
Figura 3 Figura 4 nadas. Vamos vislumbrar pequenos cais com grupos de barcos atracados, talvez locais de pernoita para tão épicas tarefas, como foi a nossa. Assim figuram na exposição. TÃO, Manuel (1989): História da Linha do Douro. http: www.linhadodouro.net/historia.php.

13 Publicado em 1851, pelo seu criador Frederick Scott Archer (1813-1857). 16 Pormenor de “Ponte do Ferreira” (cat. 004).
14 Se a resolução não existisse nos negativos originais não havia “milagre” que a proporcionasse às fototipias”. 17 Pormenor de “Viaduto das Quebradas” (Cat. O17). 18 Ver texto sobre a intervenção de estabilização e conservação, neste Catálogo, de Georgina Pinto Pessoa.
15 PESSOA, José, “ Frederick William Flower – Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa”. Museu do Chiado – Lisboa, Lisboa 94 / Milão, 19 Como João Martins chamou ao Tejo, mas serve para qualquer rio.
Electa, 1994. 20 ARY DOS SANTOS, José Carlos, in “As Portas que Abril abriu” Lisboa 1975.

16 17
• O processo fotográfico foi o do colódio húmido13, único que nessa data (e durante mui- escura móvel, de que serviu Emílio Biel, a porta está aberta, certamente para aliviar o interior dos a caminho da foz, casas de granito e telhados de colmo, pescadores e peixeiras, lavadeiras e lavra- Um catálogo com as fotografias dos Caminhos-de-Ferro, de Emílio Biel, no maior número
to tempo depois) assegurava a excelente resolução que foi transposta para as fototipias14. gases provenientes dos perigosos produtos químicos que constituem o processo de colódio hú- dores, cavalos e bois, montes e vales e, aqui e além, um pequeno pedaço dos tradicionais socalcos. de provas encontrado e impressas num formato o mais aproximado possível dos originais é algo
Tratava-se da aplicação de uma solução de colódio numa chapa de vidro, depois mergulhada mido. Na imagem seguinte em que nos aparece o referido veículo, fig. 217, surge coberto por uma que consideramos muito útil e que ajudará a compreender melhor a importância e riqueza do
numa solução de nitrato de prata. Esta sensibilização tinha que ocorrer no local de execu- tela branca, destinada provavelmente a evitar o efeito da luz branca direta e reflectir o calor da Datação trabalho deste autor, que veio da Alemanha, viveu e criou toda a sua vida entre nós, e teve de par-
ção da fotografia, dado que a chapa tinha que ser exposta e processada ainda húmida, sob radiação solar. Esta tela figura em todas as outras imagens, montada da mesma forma, exatamente Várias datas têm sido atribuídas a este conjunto de fototipias. Todas as anteriores a 1887 es- tir, expulso de Portugal e confiscados todos os seus bens na I Guerra Mundial. Se calhar, ele era
pena de a secagem inviabilizar todo o processo. Teria sido possível o processo de colódio na mesma posição. tão condenadas pela “Ponte Internacional sobre o Águeda” (Cat. 036), que só ficou pronta em “o bom alemão”!
seco, nomeadamente o melhor de todos, à base de tanino, inventado por um português Podemos pois concluir que esta câmara escura serviu para o processo de colódio, único que Dezembro desse ano. As que remetem para 1900-1905, não fazem qualquer sentido. Acreditamos E o rio, do Ouro, o Douro, essa “estrada que anda”19. Onde “por vinhas, sobredos, vales, so-
madeirense, de origem escocesa, Cecil Russell Gordon, Conde da Torre Bela15, mas este necessitaria de tais condições. Não restam quaisquer dúvidas que se trata de um conjunto de fo- que a campanha da Linha do Douro tenha sido executada depois do levantamento da Linha do calcos, searas, serras, atalhos, veredas, lezírias e praias claras, desceram homens sem medo…”20
não assegurava a tal resolução. Ao utilizar o colódio húmido Biel demonstrou como estava tografias realizadas numa única viagem. Já na Linha do Minho não encontramos o mesmo equi- Minho, mas não muito. Na sua grande maioria devem ter sido feitas no segundo semestre de 1887 e ao longo das suas margens, pelo norte e pelo sul, correram veias de ferro, em universos de prata.
empenhado em obter a melhor qualidade, independentemente da sobrecarga de esforços pamento, talvez porque nos aparece atrelado à locomotiva um vagão fechado, proporcionando e impressas em 1888.
que tal implicava. certamente outro tipo de soluções.
Mas como podemos concluir que o levantamento, pelo menos o da Linha do Douro, foi Aspetos técnicos e critérios
executado numa só viagem? E como foi possível a preparação e o processamento no local das Tempo de Pose A rara oportunidade de podermos comparar albuminas e fototipias extraídas dos mesmos ne- Bibliografia
placas de colódio húmido? As imagens fornecem-nos as provas necessárias para sustentar estas Nos finais da década de 1880, mesmo em dias de sol intenso sem nuvens, para o processo de gativos (Cat. 005 e 006, 007 e 008), constituem um dos aspetos técnicos mais interessantes deste ARNOLD, H.J.P. (1977) – William Henry Fox Talbot. Pioneer of photography and man of science.
conclusões. colódio húmido eram necessárias longas poses para se obterem negativos de densidade correcta. espólio, permitindo-nos comparar as qualidades e a resistência ao desgaste do tempo, tendo ainda LONDON: Ed. HUTCHINSON BENHAM Ltd.
O “arrastamento” das correntes de águas rápidas, e os movimentos registados nas figuras humanas em conta que as diferentes espécies permaneceram em conjunto, sujeitas exatamente às mesmas ASHTON, T.S. (1987) – A Revolução Industrial. 5ª Edição. Portugal: Ed. Publicações Europa-América.
A Viagem ou nas copas das árvores indicam que as imagens foram registadas com exposições talvez de 20 condições ambientais. Bem que Emílio Biel imprimiu a sua confiança na durabilidade das fototi- Baptista, Paulo Artur Ribeiro (2010): A Casa Biel e as suas edições fotográficas no Portugal de Oitocentos.
Nas provas respeitantes à Linha do Douro, trinta e três, as mesmas locomotivas aparecem em a 30 segundos. Duas imagens poderiam levantar algumas dúvidas, mas cremos que a explicação é pias, este espólio dá-lhe inteira razão. Lisboa, Edições Colibri.
vinte e seis, cuja identificação foi confirmada por Michael Gray em Inglaterra, onde foram fabrica- simples: na “Estação de Campanha” (Cat.001) aparece um cão em posição perfeitamente rígida, Quanto às dúvidas que por vezes se levantam sobre a natureza fotográfica deste de tipo de BARRETO, António (1993): Douro. Portugal: Edições Inapa, S.A.
das pela Beyer & Peacock Ltd, Manchester. Mas o mais surpreendente é a carroça estranha que se o que seria possível num animal muito obediente, mas já o mesmo não é crível em três patos que impressões a tinta, a resposta é fácil: são fotografias todas as imagens recolhidas na câmara escura, EDER, Maria Josef (1978): History of Photography. New York: Ed. Dover Publications, Inc.
encontra em cima dos atrelados, perfeitamente distinguível em nove dessas imagens. figuram na “Estação de Cete” (Cat. 009). O sentido decorativo do autor levou-o a “adicionar estes seja ela de madeira e fole, com o sem objetiva, formada pelo contacto de uma prensa ou simples- Freund, Gisèle (1974): Photographie et Société. Paris: Éditions du Seuil.
Na fig.316, na primeira imagem que temos da Linha do Douro, distinguimos uma pequena figurantes” à composição, o que era muito fácil. mente um “quarto escuro”, impressas por qualquer meio ou processo. Se assim não o considera- GRAY, Michael Gray, MESQUITA, Vitória, PESSOA, José, ROUILLÉ, André (1994): Frederick William Flower
casinha sobre rodas, com varais para atrelar um animal de tiro. Trata-se sem dúvida da câmara Então e os seres humanos, por vezes dezenas deles na mesma fotografia? Alguns aparecem mos, então a fotografia digital não existe! – Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa. Lisboa: Museu do Chiado / Milão: Electa.
muito nítidos, outros em movimento, vários rastos nos mostram que estiveram lá aqueles que não A existência deste álbum passou por diversas vicissitudes e o seu estado de conservação foi ENCARNAÇÃO, Alexandra; Gray, Michael; Haworth-Booth, Mark; Mesquita, Vitória; Mestre, Víctor; Pessoa,
conseguiram imobilizar-se ou não sabiam do que estava em curso. Mas podemos estar certos que prejudicado por o derramamento de uma substância gordurosa e muito ácida que corroeu seria- José; Rouillé, André; Torrado, Sofia; Vicente, Pedro António (2003): Carlos Relvas e a Casa da Fotografia.
Emílio Biel encenou todas estas personagens, pegando nas que estavam disponíveis e distribuindo- mente os cartões, mas, para nosso encanto, não com seguiu prejudicar as imagens no papel cola- Lisboa: Ed. Museu Nacional de Arte Antiga.
as, avisando-as de que tinham que se manter imóveis até que um sinal desse a pose por concluída. do 18 . Assim optámos por imprimi-las e expô-las no seu verdadeiro enquadramento, respeitando MONTEIRO, António (1998): O Douro. Portugal: Edições Livro Branco, Ldª.
Essa cenografia atinge, por vezes, uma grandeza de “superprodução”, como é o caso da “Esta- mais as opções criativas do fotógrafo. (Fac-Simile da Edição de 1911 – Emílio Biel & Cª – Editores).
ção de Viana” (Cat. 051). Com cerca de cinquenta figurantes, um a um preenchendo os espaços, Juntamente com este álbum, apareceram algumas albuminas do fotógrafo belga Van Malde- Moreira, Tomás (1985): “Emílio Biel: um alemão no Porto”. in O Tripeiro. Série Nova. Vol. VI, nº 11-12.
sozinhos ou em grupos diversos. Nesta dimensão é inédito na Fotografia Portuguesa. ren, datadas de 1886, que aparentam ser o portfólio da firma Systéme Lda. D’ Andriessens & Cie , ROSENBLUM, Naomi (1984): A World History of Fotography. New York: Ed. Abbeville Press, Inc.
É de referir que, em pontes, viadutos, túneis ou outros locais, Biel teve sempre a preocupação de Liège, propondo equipamentos pesados para grandes trabalhos de engenharia. Levam-nos tão ROUILLÉ, André (1982): L’Empire de la Photographie 1839-1870. Paris: Editions le Sycomore.
de inserir uma escala humana, estrategicamente colocada, permitindo avaliar a dimensão da obra longe como o Canal do Panamá, onde então decorria a primeira tentativa francesa. Acreditamos SENA, António (1991): Uma História da Fotografia. Lisboa: Ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda.
em causa. Por exemplo, no “Viaduto do Corgo” (Cat. 030). que alguma daquela maquinaria terá sido utilizada nas obras tão difíceis da Linha do Douro, e SERÉN, Maria do Carmo (1993): Emílio Biel: No trilho dos cavalos de ferro.
Mergulhar nas belas fototipias de Emílio Biel proporciona-nos surpresas que não foram ence- mesmo que o não tenham sido, ilustram os meios técnicos que então se usavam, naquela época, Coimbra: Ed. Encontros de Fotografia.
Figura 3 Figura 4 nadas. Vamos vislumbrar pequenos cais com grupos de barcos atracados, talvez locais de pernoita para tão épicas tarefas, como foi a nossa. Assim figuram na exposição. TÃO, Manuel (1989): História da Linha do Douro. http: www.linhadodouro.net/historia.php.

13 Publicado em 1851, pelo seu criador Frederick Scott Archer (1813-1857). 16 Pormenor de “Ponte do Ferreira” (cat. 004).
14 Se a resolução não existisse nos negativos originais não havia “milagre” que a proporcionasse às fototipias”. 17 Pormenor de “Viaduto das Quebradas” (Cat. O17). 18 Ver texto sobre a intervenção de estabilização e conservação, neste Catálogo, de Georgina Pinto Pessoa.
15 PESSOA, José, “ Frederick William Flower – Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa”. Museu do Chiado – Lisboa, Lisboa 94 / Milão, 19 Como João Martins chamou ao Tejo, mas serve para qualquer rio.
Electa, 1994. 20 ARY DOS SANTOS, José Carlos, in “As Portas que Abril abriu” Lisboa 1975.

16 17
Fotografia e tinta: As Fototipias de Emilio Biel se as placas fotográficas deviam ser expostas e reveladas húmidas. A sua câmara escura foto- ramentos obtidos. Por isso é que os registos são escassos. As ideias que provocaram e estimularam a investigação e
Michael Gray gráfica pode ser vista com toda a clareza em [Cat.025], uma vista próxima tirada de um plano a experimentação não conheceram fronteiras. Quanto mais descobrimos no que diz respeito aos primeiros passos
inferior, e também em [Cat.002] onde muito provavelmente a porta foi deixada aberta para do processo de fototipia, particularmente em Colonia, Munique, Praga e Viena, mais compreendemos a história
permitir a circulação do ar. secreta e peripatética desta importante arte gráfica.
Ainda hoje, no património fotográfico reconhecido, o nome de Carl Emile Biel está virtual- seu guarda-chuva, de pé a curta distância por trás de um grupo de homens e mulheres próximos Biel fez subtis ajustamentos em várias das vistas que tomou; muitas senão todas, tiveram uma
mente ausente, merecendo aparentemente nada mais do que uma nota de roda pé ou uma ligeira de um quiosque; por trás estão “estacionados” dois burros. Continuando na mesma direção. A pri- dupla impressão usando uma seleção secundária de negativos de céus: um exame detalhado da [ Pré-história da Fototipia
menção: muito pouco é conhecido das suas atividades fora de Portugal. Contudo uma investiga- meira de duas berlindas esperando a chegada do próximo comboio; por trás distingue-se a figura Cat.029] revela uma manipulação adicional evidente; o fumo branco ondulante que sai da chaminé Já em 1816 é perfeitamente claro que Nicèphore Niépce (1765- 1833) dirigiu a sua primitiva
ção substancial feita por Baptista (1994)1 contribuiu consideravelmente para um corpo básico de indistinta e solitária de um homem, talvez o condutor da berlinda; ainda mais para a direita pode da locomotiva e as luzes subtis de reflexos na camara escura foram judiciosamente retocadas. Esta experimentação proto fotográfica tendo como objectivo um método pelo qual ele pudesse formar
informação sobre a carreira e as actividades deste notável indivíduo. Infelizmente tudo o que foi ver-se um homem sentado no muro da estação; por pouco não dávamos conta do rasto fantasma- imagem em particular tem várias pequenas faltas e lesões que nos proporcionam uma clara evi- imagens através da acção da luz, em papel e também em pedra litográfica (1816); mais tarde com
publicado até a data foi-o só na língua portuguesa2. Toda a informação a que tivemos acesso deve- górico de uma outra figura, cinco ou seis metros por detrás do cão preto. dência do uso do colódio húmido; tal como acontece com as leves linhas diagonais visíveis no céu grande sucesso em estanho5 (1824) e finalmente incamara (1826); empregando um tipo de betume
se à gentileza e generosidade de Nuno Borges de Araujo (2012)3, Manuel José Magalhães (2012)4 e Como se estivessem a equilibrar a composição, há um homem de pé conversando com qua- devidas à rápida evaporação do éter. sensível à luz como camada para o mesmo fim6. As primeiras imagens que Niépce criou foram
José Pessoa, sem o qual não poderia ter escrito este ensaio. tro mulheres com as cabeças cobertas por lenços, duas das quais estão sentadas sobre o muro, Trabalhando no campo, mesmo com o melhor equipamento era então uma ocupação insegura; feitas sem o uso da câmara escura e eram executadas pela exposição de uma placa preparada e
Biel foi sem dúvida um notável impulsionador: empresário, homem de negócios, tecnólogo e não possivelmente costureiras. Olhando para o lado direito da estação podemos também ver uma ou moscas, poeiras, porcaria e cabelos podiam aderir à placa negativa húmida, só se tornando visível exposta em firme contacto com uma gravura de linhas simples oleada ou encerada, submetida
menos importante que o resto, fotógrafo e impressor artístico. Parece não ter gostado dos “caminhos mais impressões desvanecidas, entrando ou saindo. Percorrendo com o nosso olhar ao longo do mais tarde quando as placas de fototipia eram preparadas para a impressão. Biel beneficiou grande- diretamente a ação da luz do sol por um período de cerca de 8 horas7. Em certo sentido, o trabalho
já percorridos”. Muito cedo na sua carreira Biel foi motivado para alargar as suas actividades fotográ- pavimento por baixo da fachada da estação e a parede do cais exterior podemos ver, inicialmente, mente da generosidade de Carlos Relvas no que diz respeito à formação que recebeu em fototipia pioneiro de Niépce neste campo foi tão importante como todas as subsequentes afirmações que o
ficas para além do retrato de estúdio, um modo de vida que na metade do século se tinha tornado que o que parecem ser variações de tonalidade da placa fotográfica, são na verdade traços deixa- de Emil Jacobi. Este processo possibilitou criar imagens que se revelaram superiores em todos os consideram como o (único) inventor da fotografia, uma autoria que não é possível fazer em benefí-
excessivamente preenchido. Ele teve conhecimento, sem qualquer dúvida do trabalho de Charles Cli- dos por figuras em movimento; este cais é um cortiço em atividade. Estes fatores permitem-nos sentidos às provas em prata metálica, tanto em termos de qualidade como de longevidade. Assu- cio de um único indivíduo8. A sua vontade e intenção originais não eram a de inventar a fotografia
fford (1820 – 1863), em particular das fotografias monumentais do galês, sobre a construção de pontes estimar, com razoável grau de precisão que a duração da pose do fotógrafo não terá sido maior mindo a responsabilidade por todo o projeto teve um controle absoluto de todos os aspetos e deta- per ce mas obter um meio de reproduzir imagens pela acção da luz.
e trabalhos de engenharia dos primeiros anos da década de 60, uma das várias encomendas efetuadas que 90 segundos, mas mais provavelmente 60 ou até menos. Olhando para o mostrador do relógio lhes em todas as fases de organização, colação, preparação e apresentação do resultado ao cliente. Existiram duas linhas distintas e separadas de desenvolvimento ao longo das quais se de-
sobre o patrocínio da Rainha Isabel II de Espanha. Biel possuía o mesmo nível de intensidade e de fo- podemos ver que o ponteiro dos minutos está só ligeiramente tremido em comparação com o Para uma total compreensão do contexto que antecede a introdução da fototipia é desejável senvolveram os processos de impressão fotomecânica. As metodologias que se basearam no uso
cagem de Clifford; os problemas respeitantes à preservação da imagem eram ainda uma preocupação ponteiro das horas. O significado final que demonstra a temporalidade desta particular imagem percorrermos a evolução da descoberta e desenvolvimento a partir da altura em que se descobriu original do betume da Judeia e aquelas baseadas nas propriedades dos cromatos e do seu efei-
importante dada a grande variação de temperatura e humidade, a que tanto Portugal como Espanha são os rastos paralelos e circulares feitos na gravilha pela berlinda e os montículos de excrementos a sensibilidade à luz dos coloides bicromatados. to nos compostos coloidais descobertos por William Henry Fox Talbot, tendo estes provado ser
estavam sujeitos. deixados pelos cavalos. uma opção mais viável. As primeiras experiências conduziram à emergência de três processos de
Um exame aprofundado das imagens de Emílio Biel revela aspetos da sua metodologia e organi- Todas estas séries de fotografias obtidas nas estações e pontes ao longo da linha do Douro Fotografia em tinta: uma história concisa impressão dominantes – reprográfica (fotogravura, fotolitografia (colotipia) e fotogravura) todos
zação que se mantém ao longo da tarefa que lhe foi confiada pelo contrato da Linha do Douro: por foram cuidadosamente compostas e construídas com um nível de atenção ao detalhe que num referindo particularmente o processo de fototipia eles baseados nas propriedades únicas dos coloides bicromatados. A solubilidade da gelatina bi-
exemplo, a vista elevada a 3/4 da Estação de Campanhã, Porto [cat.001] deve ter sido tirada do terceiro primeiro olhar não aparentam. Felizmente que sobreviveram dois exemplos em que temos ob- Esta pequena introdução está longe de ser completa. Traçar a evolução e o desenvolvimento dos sistemas cromatada é alterada em proporção direta à quantidade de luz a que foi exposta9.
andar do nº 50 da Rua da Estação. Todas as suas fotografias demonstram um grande cuidado na orga- tidas do mesmo negativo uma prova em albumina e uma fototipia. É evidente que a primeira reprográficos posteriores a 1840 foi sempre problemático … sobretudo por causa da natureza sigilosa das práticas As primeiras experiências de William Henry Fox Talbot, aconteceram pouco tempo depois
nização, planeamento e enquadramento das suas imagens. perdeu uma grande parte dos detalhes das luzes altas das formações das nuvens e da superfície profissionais existentes. Antes da invenção da fotografia, compreensivelmente, esta era parte do procedimento do aparecimento de um pequeno artigo cientifíco publicado em 1839 por Mongo Ponton10. Um
É evidente que um exame detalhado das fotografias destas séries que Biel executou com uma do rio, enquanto por outro lado a fototipia ainda conserva uma gama total de tons do negro normal de proteção das capacidades especiais daqueles que se dedicavam ao negócio das artes gráficas e de impres- pequeno numero de impressões simples feitas por Talbot, de ramos de plantas, feitas em 1842,
câmara de campo de grande formato, com todos os movimentos das lentes e do dorso, permi- profundo até à mais delicada alta luz. Como interesse adicional verifica-se que tem claramente são. Grande parte da investigação e da experimentação prática eram produzidas por indivíduos em privado, e as levando-o a compreender que a imagem castanha pálida assim formada se devia à presença de
tiram-lhe manter a integridade da perspectiva e minimizar a possibilidade de alguma distorção maior resolução que a prova em albumina [Cat.007] [Cat.008]. O mesmo é também verdade preocupações comerciais determinavam a protecção de quaisquer vantagens que pudessem obter de todos os melho- gelatina entre as fibras do papel11. Embora ele tivesse conhecimento das descobertas de Vaucuelin
ótica. Talvez devamos por examinar detalhadamente algumas provas chave para descobrir como o para [Cat.006] e [Cat.005].
conteúdo pode revelar mais do que aparenta à primeira vista. O “comboio fotográfico” de Biel aparece em pelo menos em 10 de um total de 30 ima- 5 Um importante redutor de estanho; constituída por Sn [estanho] 75% e Pb [Chumbo]. no tamanho do papel. O processo, atualmente depende da reação do bicromato com os coloides. As soluções coloidais de goma, cola,
Na supramencionada imagem podem-se identificar imediatamente 30 figuras distribuídas a gens. A sua câmara escura móvel era uma estrutura semelhante a uma tenda que era neces- 6 O tipo de betume originário do Próximo Oriente conhecido como betume da Judeia, foi a base do revestimento sensível à luz de albumina, gelatina, açúcar e dextrina partilham todas esta característica. A ação da luz decompões o bicromato para formar o composto
Niépce. Infelizmente não foi capaz de executar uma camada suficientemente espessa para suportar a ação do ácido mordente. de crómio trivalente como uma parte separada das partículas coloidais, removendo a água delas. Como resultado disto os coloides
esmo ao longo do cais aberto da estação. No lado esquerdo distinguem-se duas carroças com qua- sário transportar de local para local. Para cada fotografia era necessário situá-la o mais perto 7 Para uma maior e detalhada informação da vida e do trabalho de Nicèphore Niépce consultar. perdem as suas propriedades higroscópicas e a capacidade da dilatação.
tro trabalhadores dialogando; prosseguindo para a direita encontramos um clérigo apoiado no possível da posição em que ele planeava colocar a câmara, o que era absolutamente essencial http//www. Niepce. Com/home – us.html. 10 Ponton apresentou o seu artigo: [A] “noticia de um método simples e barato de preparar par Desenho Fotográfico, no qual o uso de
8 No contexto deste argumento incluo todos os subsequentes nomeados: Wedgwood, Florence, Niépce, Talbot, Daguerre e Bayard qualquer sal de prata é dispensável”, para a Edinburgh Society of Arts em 1939, descobrindo as propriedades de propriedade à luz do
9 Eder declara que [Mongo] Ponton descobriu a sensibilidade do papel à luz do papel à luz com bicromato de potássio em 1839 e que bicromato de potássio. Tal estava destinado a ser a base de muitos métodos de reprodução fotomecânica.
Talbot descobriu que uma mistura de cola com bicromato se torna insolúvel pela ação da luz. Eder, JM, History Of Photography, XXI, 11 No ano de 1853 o inglês Fox Talbot, talentoso descobridor do calotipo… seguiu as linhas destas importantes observações e descobriu
1 Baptista, Paulo Artur, A Casa Biel, e as suas edições fotográficas de Oitocentos, Edições Colibri, Lisboa, 1994. 3 Comunicação via Email, Novembro 2012. Ccientifique Investigation of the Chemico – Physical basis of photography Dover, 1972, New York 269. Gustave Suckow observou a que a mistura de bicromato de potássio e cola fazia perder inteiramente a sua solubilidade e poder de absorção em água fria depois da
2 Borges de Araujo foi o responsável pela entrada sobre a Fotografia Portuguesa na Enciclopédia de Fotografia, 4 Comunicação via Email, Dezembro 2012. sensibilidade dos cromatos tão cedo como 1832, Mongo Ponton, em 1839, descobriu que uma solução de bicromato de potássio exposição á luz, e nisto baseou o seu processo (heliografia) de gravura em placa metálica. Schnauss, Dr Julius. ,Colotipo, Fotolitografia,
Taylor & Francis editada por John Hannavy, que foi provavelmente primeira vez que o nome Biel foi referido em Inglês. aplicado sobre papel era sensível á luz. No ano seguinte Edmond Becquerel descobriu que o processo era uma reação do bicromato elaboração prática, trs. Middleton Edward C, London, 1899, lliffe.

18 19
Fotografia e tinta: As Fototipias de Emilio Biel se as placas fotográficas deviam ser expostas e reveladas húmidas. A sua câmara escura foto- ramentos obtidos. Por isso é que os registos são escassos. As ideias que provocaram e estimularam a investigação e
Michael Gray gráfica pode ser vista com toda a clareza em [Cat.025], uma vista próxima tirada de um plano a experimentação não conheceram fronteiras. Quanto mais descobrimos no que diz respeito aos primeiros passos
inferior, e também em [Cat.002] onde muito provavelmente a porta foi deixada aberta para do processo de fototipia, particularmente em Colonia, Munique, Praga e Viena, mais compreendemos a história
permitir a circulação do ar. secreta e peripatética desta importante arte gráfica.
Ainda hoje, no património fotográfico reconhecido, o nome de Carl Emile Biel está virtual- seu guarda-chuva, de pé a curta distância por trás de um grupo de homens e mulheres próximos Biel fez subtis ajustamentos em várias das vistas que tomou; muitas senão todas, tiveram uma
mente ausente, merecendo aparentemente nada mais do que uma nota de roda pé ou uma ligeira de um quiosque; por trás estão “estacionados” dois burros. Continuando na mesma direção. A pri- dupla impressão usando uma seleção secundária de negativos de céus: um exame detalhado da [ Pré-história da Fototipia
menção: muito pouco é conhecido das suas atividades fora de Portugal. Contudo uma investiga- meira de duas berlindas esperando a chegada do próximo comboio; por trás distingue-se a figura Cat.029] revela uma manipulação adicional evidente; o fumo branco ondulante que sai da chaminé Já em 1816 é perfeitamente claro que Nicèphore Niépce (1765- 1833) dirigiu a sua primitiva
ção substancial feita por Baptista (1994)1 contribuiu consideravelmente para um corpo básico de indistinta e solitária de um homem, talvez o condutor da berlinda; ainda mais para a direita pode da locomotiva e as luzes subtis de reflexos na camara escura foram judiciosamente retocadas. Esta experimentação proto fotográfica tendo como objectivo um método pelo qual ele pudesse formar
informação sobre a carreira e as actividades deste notável indivíduo. Infelizmente tudo o que foi ver-se um homem sentado no muro da estação; por pouco não dávamos conta do rasto fantasma- imagem em particular tem várias pequenas faltas e lesões que nos proporcionam uma clara evi- imagens através da acção da luz, em papel e também em pedra litográfica (1816); mais tarde com
publicado até a data foi-o só na língua portuguesa2. Toda a informação a que tivemos acesso deve- górico de uma outra figura, cinco ou seis metros por detrás do cão preto. dência do uso do colódio húmido; tal como acontece com as leves linhas diagonais visíveis no céu grande sucesso em estanho5 (1824) e finalmente incamara (1826); empregando um tipo de betume
se à gentileza e generosidade de Nuno Borges de Araujo (2012)3, Manuel José Magalhães (2012)4 e Como se estivessem a equilibrar a composição, há um homem de pé conversando com qua- devidas à rápida evaporação do éter. sensível à luz como camada para o mesmo fim6. As primeiras imagens que Niépce criou foram
José Pessoa, sem o qual não poderia ter escrito este ensaio. tro mulheres com as cabeças cobertas por lenços, duas das quais estão sentadas sobre o muro, Trabalhando no campo, mesmo com o melhor equipamento era então uma ocupação insegura; feitas sem o uso da câmara escura e eram executadas pela exposição de uma placa preparada e
Biel foi sem dúvida um notável impulsionador: empresário, homem de negócios, tecnólogo e não possivelmente costureiras. Olhando para o lado direito da estação podemos também ver uma ou moscas, poeiras, porcaria e cabelos podiam aderir à placa negativa húmida, só se tornando visível exposta em firme contacto com uma gravura de linhas simples oleada ou encerada, submetida
menos importante que o resto, fotógrafo e impressor artístico. Parece não ter gostado dos “caminhos mais impressões desvanecidas, entrando ou saindo. Percorrendo com o nosso olhar ao longo do mais tarde quando as placas de fototipia eram preparadas para a impressão. Biel beneficiou grande- diretamente a ação da luz do sol por um período de cerca de 8 horas7. Em certo sentido, o trabalho
já percorridos”. Muito cedo na sua carreira Biel foi motivado para alargar as suas actividades fotográ- pavimento por baixo da fachada da estação e a parede do cais exterior podemos ver, inicialmente, mente da generosidade de Carlos Relvas no que diz respeito à formação que recebeu em fototipia pioneiro de Niépce neste campo foi tão importante como todas as subsequentes afirmações que o
ficas para além do retrato de estúdio, um modo de vida que na metade do século se tinha tornado que o que parecem ser variações de tonalidade da placa fotográfica, são na verdade traços deixa- de Emil Jacobi. Este processo possibilitou criar imagens que se revelaram superiores em todos os consideram como o (único) inventor da fotografia, uma autoria que não é possível fazer em benefí-
excessivamente preenchido. Ele teve conhecimento, sem qualquer dúvida do trabalho de Charles Cli- dos por figuras em movimento; este cais é um cortiço em atividade. Estes fatores permitem-nos sentidos às provas em prata metálica, tanto em termos de qualidade como de longevidade. Assu- cio de um único indivíduo8. A sua vontade e intenção originais não eram a de inventar a fotografia
fford (1820 – 1863), em particular das fotografias monumentais do galês, sobre a construção de pontes estimar, com razoável grau de precisão que a duração da pose do fotógrafo não terá sido maior mindo a responsabilidade por todo o projeto teve um controle absoluto de todos os aspetos e deta- per ce mas obter um meio de reproduzir imagens pela acção da luz.
e trabalhos de engenharia dos primeiros anos da década de 60, uma das várias encomendas efetuadas que 90 segundos, mas mais provavelmente 60 ou até menos. Olhando para o mostrador do relógio lhes em todas as fases de organização, colação, preparação e apresentação do resultado ao cliente. Existiram duas linhas distintas e separadas de desenvolvimento ao longo das quais se de-
sobre o patrocínio da Rainha Isabel II de Espanha. Biel possuía o mesmo nível de intensidade e de fo- podemos ver que o ponteiro dos minutos está só ligeiramente tremido em comparação com o Para uma total compreensão do contexto que antecede a introdução da fototipia é desejável senvolveram os processos de impressão fotomecânica. As metodologias que se basearam no uso
cagem de Clifford; os problemas respeitantes à preservação da imagem eram ainda uma preocupação ponteiro das horas. O significado final que demonstra a temporalidade desta particular imagem percorrermos a evolução da descoberta e desenvolvimento a partir da altura em que se descobriu original do betume da Judeia e aquelas baseadas nas propriedades dos cromatos e do seu efei-
importante dada a grande variação de temperatura e humidade, a que tanto Portugal como Espanha são os rastos paralelos e circulares feitos na gravilha pela berlinda e os montículos de excrementos a sensibilidade à luz dos coloides bicromatados. to nos compostos coloidais descobertos por William Henry Fox Talbot, tendo estes provado ser
estavam sujeitos. deixados pelos cavalos. uma opção mais viável. As primeiras experiências conduziram à emergência de três processos de
Um exame aprofundado das imagens de Emílio Biel revela aspetos da sua metodologia e organi- Todas estas séries de fotografias obtidas nas estações e pontes ao longo da linha do Douro Fotografia em tinta: uma história concisa impressão dominantes – reprográfica (fotogravura, fotolitografia (colotipia) e fotogravura) todos
zação que se mantém ao longo da tarefa que lhe foi confiada pelo contrato da Linha do Douro: por foram cuidadosamente compostas e construídas com um nível de atenção ao detalhe que num referindo particularmente o processo de fototipia eles baseados nas propriedades únicas dos coloides bicromatados. A solubilidade da gelatina bi-
exemplo, a vista elevada a 3/4 da Estação de Campanhã, Porto [cat.001] deve ter sido tirada do terceiro primeiro olhar não aparentam. Felizmente que sobreviveram dois exemplos em que temos ob- Esta pequena introdução está longe de ser completa. Traçar a evolução e o desenvolvimento dos sistemas cromatada é alterada em proporção direta à quantidade de luz a que foi exposta9.
andar do nº 50 da Rua da Estação. Todas as suas fotografias demonstram um grande cuidado na orga- tidas do mesmo negativo uma prova em albumina e uma fototipia. É evidente que a primeira reprográficos posteriores a 1840 foi sempre problemático … sobretudo por causa da natureza sigilosa das práticas As primeiras experiências de William Henry Fox Talbot, aconteceram pouco tempo depois
nização, planeamento e enquadramento das suas imagens. perdeu uma grande parte dos detalhes das luzes altas das formações das nuvens e da superfície profissionais existentes. Antes da invenção da fotografia, compreensivelmente, esta era parte do procedimento do aparecimento de um pequeno artigo cientifíco publicado em 1839 por Mongo Ponton10. Um
É evidente que um exame detalhado das fotografias destas séries que Biel executou com uma do rio, enquanto por outro lado a fototipia ainda conserva uma gama total de tons do negro normal de proteção das capacidades especiais daqueles que se dedicavam ao negócio das artes gráficas e de impres- pequeno numero de impressões simples feitas por Talbot, de ramos de plantas, feitas em 1842,
câmara de campo de grande formato, com todos os movimentos das lentes e do dorso, permi- profundo até à mais delicada alta luz. Como interesse adicional verifica-se que tem claramente são. Grande parte da investigação e da experimentação prática eram produzidas por indivíduos em privado, e as levando-o a compreender que a imagem castanha pálida assim formada se devia à presença de
tiram-lhe manter a integridade da perspectiva e minimizar a possibilidade de alguma distorção maior resolução que a prova em albumina [Cat.007] [Cat.008]. O mesmo é também verdade preocupações comerciais determinavam a protecção de quaisquer vantagens que pudessem obter de todos os melho- gelatina entre as fibras do papel11. Embora ele tivesse conhecimento das descobertas de Vaucuelin
ótica. Talvez devamos por examinar detalhadamente algumas provas chave para descobrir como o para [Cat.006] e [Cat.005].
conteúdo pode revelar mais do que aparenta à primeira vista. O “comboio fotográfico” de Biel aparece em pelo menos em 10 de um total de 30 ima- 5 Um importante redutor de estanho; constituída por Sn [estanho] 75% e Pb [Chumbo]. no tamanho do papel. O processo, atualmente depende da reação do bicromato com os coloides. As soluções coloidais de goma, cola,
Na supramencionada imagem podem-se identificar imediatamente 30 figuras distribuídas a gens. A sua câmara escura móvel era uma estrutura semelhante a uma tenda que era neces- 6 O tipo de betume originário do Próximo Oriente conhecido como betume da Judeia, foi a base do revestimento sensível à luz de albumina, gelatina, açúcar e dextrina partilham todas esta característica. A ação da luz decompões o bicromato para formar o composto
Niépce. Infelizmente não foi capaz de executar uma camada suficientemente espessa para suportar a ação do ácido mordente. de crómio trivalente como uma parte separada das partículas coloidais, removendo a água delas. Como resultado disto os coloides
esmo ao longo do cais aberto da estação. No lado esquerdo distinguem-se duas carroças com qua- sário transportar de local para local. Para cada fotografia era necessário situá-la o mais perto 7 Para uma maior e detalhada informação da vida e do trabalho de Nicèphore Niépce consultar. perdem as suas propriedades higroscópicas e a capacidade da dilatação.
tro trabalhadores dialogando; prosseguindo para a direita encontramos um clérigo apoiado no possível da posição em que ele planeava colocar a câmara, o que era absolutamente essencial http//www. Niepce. Com/home – us.html. 10 Ponton apresentou o seu artigo: [A] “noticia de um método simples e barato de preparar par Desenho Fotográfico, no qual o uso de
8 No contexto deste argumento incluo todos os subsequentes nomeados: Wedgwood, Florence, Niépce, Talbot, Daguerre e Bayard qualquer sal de prata é dispensável”, para a Edinburgh Society of Arts em 1939, descobrindo as propriedades de propriedade à luz do
9 Eder declara que [Mongo] Ponton descobriu a sensibilidade do papel à luz do papel à luz com bicromato de potássio em 1839 e que bicromato de potássio. Tal estava destinado a ser a base de muitos métodos de reprodução fotomecânica.
Talbot descobriu que uma mistura de cola com bicromato se torna insolúvel pela ação da luz. Eder, JM, History Of Photography, XXI, 11 No ano de 1853 o inglês Fox Talbot, talentoso descobridor do calotipo… seguiu as linhas destas importantes observações e descobriu
1 Baptista, Paulo Artur, A Casa Biel, e as suas edições fotográficas de Oitocentos, Edições Colibri, Lisboa, 1994. 3 Comunicação via Email, Novembro 2012. Ccientifique Investigation of the Chemico – Physical basis of photography Dover, 1972, New York 269. Gustave Suckow observou a que a mistura de bicromato de potássio e cola fazia perder inteiramente a sua solubilidade e poder de absorção em água fria depois da
2 Borges de Araujo foi o responsável pela entrada sobre a Fotografia Portuguesa na Enciclopédia de Fotografia, 4 Comunicação via Email, Dezembro 2012. sensibilidade dos cromatos tão cedo como 1832, Mongo Ponton, em 1839, descobriu que uma solução de bicromato de potássio exposição á luz, e nisto baseou o seu processo (heliografia) de gravura em placa metálica. Schnauss, Dr Julius. ,Colotipo, Fotolitografia,
Taylor & Francis editada por John Hannavy, que foi provavelmente primeira vez que o nome Biel foi referido em Inglês. aplicado sobre papel era sensível á luz. No ano seguinte Edmond Becquerel descobriu que o processo era uma reação do bicromato elaboração prática, trs. Middleton Edward C, London, 1899, lliffe.

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e Bequerel é pouco provável que conhecesse as actividades de Poitevin antes de 1855. Depois de A invenção de Poitevin dos processos de Fotolitografia e Fototipia foram as suas duas desco- O Albertipo foi introduzido primeiramente em 1868, na exposição fotográfica de Hamburgo. Vir- porque é que todos os quatro foram expoentes peripatéticos da segunda metade do seculo XIX.
1847 Talbot começou seriamente a tratar do problema da permanência fotográfica utilizando as bertas mais importantes, conjuntamente com a participação tida no desenvolvimento do proces- tualmente ao mesmo tempo, Jakcob Ausnik (1837-1916) de Praga, Johann Baptiste Obernetter, A ligação entre Carlos Relvas e Carl Heinrich Jacobi foi estabelecida quando se encontraram
propriedades de gelatina bi-cromatada, também em aço, para controlar proporcionalmente a mis- so de carvão. Contudo a sua contribuição em relação ao transfer de carvão e processo de tissue esta de Viena introduziram melhoramentos adicionais, sendo o de Husnik adquirido por Albert que em Paris em 1874, quando ambos exibiam as suas fotografias na 10ª Exposição Universal da Socie-
tura com a qual uma solução de cloreto de platina pudesse revestir a superfície de um intaglio (pla- longe de ser clara, e na opinião do autor continua a ser uma questão aberta. Há também falta de assim eliminou o seu mais serio rival 20. dade Francesa da Fotografia.
ca de impressão). Contudo, pouco depois, ele veio a descobrir que era possível substituir o cloreto informação no que diz respeito às contribuições de vários dos seus contemporâneos trabalhando Tanto Albert como Ausnik usaram uma espessa placa de vidro como suporte coberta com gelati- Em 1875 Emílio Biel estava bem colocado e preparado para tirar vantagem do contrato que
férrico por sal de platina e revestir cobre em vez de aço12. Nas primeiras tentativas Talbot revestiu na Áustria, França, Alemanha, Inglaterra e, em particular na Escócia. Esta ainda recôndita área na bi-cromatada sobre um fino substrato de albumina bi-cromatada A esta camada inferior era dada Relvas tinha estabelecido e subsequentemente aceitou o seu generoso convite para se juntar a
e pré expos um pedaço de gaze fina na tentativa de criar um ecrã que pudesse reter sem perda de das artes gráficas requer um aprofundamento do conhecimento e compreensão do vasto leque uma exposição inicial à luz pelo lado oposto, para endurecê-la e fixá-la à placa de vidro. Uma segunda um conjunto de fotógrafos portugueses na Golegã, para receber instrução em fototipia d Jacobi,
detalhes zonas escuras, que ele descreveu na patente de 1852. No ano seguinte, a 21 de Abril de de interações químicas e óticas muito complexas, que muitos historiadores e investigadores têm camada de gelatina bi-cromatada era então aplicada sobre a primeira, exposta à luz sob um positivo filho do inventor. Presumivelmente voltou para Berlim no ano em que se sabe que imigrou para a
1853, ”Dépose un équivalente de patente englaise en France entitulé Méthode pour produire des gravures”13. ainda que estudar e investigar. de vidro (obtido do negativo original da imagem). América, em 1878, onde se juntou o seu pai em Filadelfia, de acordo com Hartmann Wettman22.
Esta declaração incorporava os progressos de Talbot e o seu uso de gelatina bi-cromatada como Os processos de fotolitografia e fotocolotipia de Alphonse Luis Poitevin foram introduzidos A camada de gelatina resultante endurece na direta proporção à quantidade de luz recebida, Afortunadamente, Leo Vidal publicou em 1879 uma detalhada descrição do procedimento
uma resistência proporcional à ação caustica. Este elemento crucial desta patente providenciou a em França em 1855 e embora Lemercier, Lerbours, Barreswill e Davanne tivessem dado a conhecer após o que a placa é revelada com água quente para remover a gelatina não exposta, formando uma adotado no estúdio de Carlos Relvas, eminente português amador e fototipista, providenciando
Poitevin o elemento por que ele ansiava. os seus processos fotolitográficos em 1852, os seus resultados eram imperfeitos e com insuficiente imagem correspondente, representada em relevo. A imagem em relevo é olifilica, receptiva à tinta, uma descrição detalhada do processo de Carl Heinrich Jacobi:
rendimento de detalhes nas sombras. caracterizada por uma superfície finamente reticulada. As zonas de luzes altas da imagem perma- “Era uma placa de vidro muito espessa finamente polida num dos lados; era limpa com ácido nítrico e mer-
Fotografia a Tinta: Contribuição fundamental de Poitevin Para desenvolver e aperfeiçoar o seu processo de litografia, Poitevim vendeu os seus direi- necem húmidas e consequentemente a tinta não adere. Contudo, este efeito é proporcional. Os gulhada em água destilada. A caixa de secagem usada estava munida com barras de ferro afinadas por parafusos
para a arte da reprodução foto(gráfica) 14 tos de patente a Lemercier compreendendo que não tinha nem o talento nem possivelmente a tons intermédios são criados através da retenção de maiores ou menores quantidades de tinta pela ajustáveis, destinados a fixar as placas com todo o rigor. A meio caminho entre o topo e a base da caixa existe uma
As primeiras experiências fotomecânicas de Alphonse Louis Poitevin15 foram originadas pelo seu motivação ou o interesse para a sua exploração comercial. Todos os seus talentos e esforços se grelha aleatória de finas linhas intersticiais que medeiam os tons entre as luzes correspondentes e placa de ferro por baixo da qual se fixavam jatos de gás. As portas pelas quais se acedia às placas consistiam numa
interesse e subsequente experimentação no processo de daguerreotipo, enquanto estudante de En- dirigiam para o refinamento e melhoramento do seu método. Lemercier generosamente incluiu as áreas escuras. As placas de fototipia possibilitam só impressões relativamente pequenas, neces- fina rede de arame, permitindo o escape do vapor, mas evitando o acesso de insetos. Depois de uma limpeza direta,
genharia Civil na Escola central das Artes e Manufaturas em Paris, no princípio da década de 184016. o seu nome nas atribuições associadas com as suas produções. Poitevin, como Talbot não esta- sitando ser substituídas após terem produzido cerca de quinhentas a mil cópias. as placas eram niveladas com os parafusos ajustáveis, permitindo-lhes a secagem, e depois cobertas com uma ca-
Em 1844, de acordo com Aubenas, Poitevin empregou-se como engenheiro químico nas “Saline royals va em princípio motivado ou dirigido para objectivos comerciais; a história demonstrou que as mada de albumina sensibilizada com bicromato de potássio, aos quais era adicionado 16 gotas de glicerina e mais
de l’Este” e em 1847 retomou os seus estudos e as suas experiências fotomecânicas, com a ajuda e o contribuições destes dois inovadores construíram os fundamentos de todos os processos de artes Interpositivo de carvão em vidro alguns pingos de amónia para obter uma tonalidade amarelo pálida.
encorajamento de Alexandre & Edmond Becquerel – com o apoio adicional de Antoine Balardque gráficas, baseados em imagens reproduzidas e duplicadas com tinta de impressão18. É necessário referir uma inovação ulterior descrita por Wilkinson e introduzida pela Autotype O substrato é filtrado e as placas são cobertas com ele e colocadas de novo nos parafusos niveladores da caixa de
ele conheceu enquanto trabalhava nos Royal Saltworks, onde os três sábios franceses eram inspetores. Company, que era a de efetuar um interpositivo de carvão em vidro (em substituição de outra pla- secagem, que é aquecida a uma temperatura media de 40º C. Em cerca de duas horas as placas estarão secas e são
Algumas afirmações subsequentes feitas a favor de Poitevin, em referência à Elioplastia (patenteada Consolidação e exploração ca de gelatina seca ou um segundo negativo em colódio (existem motivos técnicos sólidos pelos colocadas com o lado da camada para baixo, sobre um pano preto, sendo então expostas por trás a uma luz difusa
em 1855) não sobrevivem a um exame detalhado, particularmente em relação ao trabalho de Pretsch Só a partir de 1870, aquando dos melhoramentos introduzidos por Joseph Albert, de Munique, quais é melhor usar um processo intermedio que dá resultados intrinsecamente mais suaves). (ver durante cerca de meia hora. São de novo colocadas na caixa de secagem, e uma segunda camada de gelatina bi-
em 185417. é que o processo se tornou comercialmente viável e se tornou utilizável para vastas impressões19. o apêndice no final deste artigo). Este positivo, obtido a partir do negativo original de colódio do cromatada é aplicada à qual se juntam alguns pingos de amónia e uma pequena porção de uma solução de cloreto
fotógrafo, aumentava a resolução da prova de fototipia resultante. Oferecia também a possibili- de sódio e sulfato de alúmen. As placas são recolocadas na caixa de secagem, que é então aquecida de 45º a 50º C.
dade de se poder ampliar uma secção do negativo original, continuando a manter um alto grau de Devem estar secas em três horas, e estão então prontas para imprimir sob um negativo num marginador de cópia.
12 Isto tinha a vantagem adicional de que a placa resultante podia ser metalizada por eletrolise e assim aumentar grandemente para com Talbot”. Várias outras publicações com o mesmo titulo apareceram subsequentemente e de alguma forma diferentes
resolução21. O uso desta técnica tornou-se muito utilizado nos anos 80. São então bem lavadas em água filtrada e ressecadas espontaneamente num local sem poeiras.
o numero de provas que podiam ser produzidas por uma só placa. Embora Talbot tentasse preservar a integridade da superfície e com visõess individuais, incluindo a de Beaumont Newhall (New York 1982), Lemagny e Rouille (Cambridg 1967), Turner
da placa de impressão nunca conseguiu que o processo tivesse possibilidades comerciais. Só quando Suone introduziu o processo (Londres 1987), e produções concisas como as de Ian Jeffrey, Photography: A concise History (Londres 1981. Tanto a de Aaron É necessário recordar que os estados germânicos, nesse tempo, ao contrário da Grã-Bretanha, Apos dois ou três dias pode-se proceder à impressão, tendo a superfície sido amaciada depois de se colocar a
de transferência por carvão é que o impressor austríaco Karl Klic foi capaz de realizar o grande sonho de Talbot, fazer com que o Schaaf, Art and Photography (1979) e a de Heinrish Shcwartz, Art and Photography: forerunners and influences (Chicago França e Estados Unidos da América, não tinham um sistema para o registo de patentes. Por isso placa durante sete horas numa solução contendo glicerina e sulfato de magnésio.
processo de gravar fotolítico (fotogravura) se tornasse uma proposta comercial completamente viável incorporando a mais importante e Londres, 1987 providenciaram importante informação contextual relativa á pintura e as artes gráficas.
inovação do austríaco, os meios tons por pontos invertidos. Deve-se salientar que tal não tem relação com o ecran de meios tons 15 Fotografo, engenheiro e químico francês nasceu em 1819 e morreu em Conflans – Sur-Anille, Sarthe, a 4 de março de 1882. o compromisso entre Carlos Relvas e Jacobi contratou o seu uso pessoal e abrangia o de todos os Uma placa muito espessa de vidro é fixada na superfície da pedra litográfica com cola e greda; a adesão é asse-
de Ives – Levy – a função do ecran de Klic era a de manter a integridade da superfície de impressão, alem de que cada discreto “ponto” 16 “Le Multiple Enventions de la Photohraphie “ Aubenas, S, Alphonse Poitvin (1819-1882) Pérennité et Didfusion, (Colloque de la Direction cidadãos portugueses. Incluiu certamente um longo, extenso e profundo ensino de cada aspeto da gurada entre a placa grossa de vidro assim fixada e a parte de trás da placa de fototipia pela aplicação de algumas
invertido ou recesso variava no controle da quantidade de tinta transferida pela placa impressora para o papel, variando de acordo com du Patrimoine, 1998) 110-114
a gama tonal da imagem original. Com a introdução da lamina metalizada e com o ecran de meios tons em pontos invertidos Klic resolveu 17 Ver Nadeau, I, Encyclopaedia of Printing, Photographic and Photomechanical Printing Processes, (New Brunswick, 1994), 125,
operação. Só recentemente é que se tornou evidente que há uma pequena ou nenhuma diferença gotas de água. O conjunto, assim preparado, é colocado na camara da impressora. Se as provas forem perdendo o
todos os grandes problemas que tinham dificultado a introdução da fotogravura. Em muitos aspetos tanto Talbot como Poitevin tinham Elioplastie, (Ger: Hélioplastischer Druck), Photo Mechanical. De acordo com o autor foi inventado por Poitevin e patenteado em entre os métodos de Albert e Husnick, Obernetter ou Jacobi. Era o trabalhar do processo de ca- contraste ao longo do processo de impressão devem ser levemente humedecidas com uma esponja mergulhada na
uma atitude semelhante, que não era nem comercial nem de empresários empenhados. França em 1855 em Inglaterra no mesmo ano. (patente francesa: 24,593; patente inglesa: 2, 816) e era virtualmente idêntica
13 Brevet: 16244 Talbot, patente inglesa método para produzir gravuras sobre placas de aço, por meio da ação dos raios solares combinados ao photo-junto Electrotype Processe de Pretsch, patenteado em Inglaterra em 1854. Refere também a Photogalvanography, 369.
lotipo, os detalhes práticos do modo de realizar que constituíam a chave do sucesso. Isto explica solução atrás mencionada.
com o uso de operação químicas. Salle de Brêvets, Paris. 18 Tessie Du Mothay e Maréchal, de Metz tentaram usar uma folha de cobre em vez da pedra litográfica, sem conseguirem qualquer avanço
14 O mais fiável e mais abrangente conhecimento do desenvolvimento técnico da fotografia, incluindo o primeiro quartel do seculo significativo. A introdução do suporte da placa de vidro foi uma inovação crucial. Uma característica importante da gelatina, durante o
XIX é sem dúvida o de Josephe Maria Eder com a sua History of Photography primeiramente publicada na Alemanha em 1932 processo de endurecimento é que a acção exerce-se da superfície para o interior. A introdução de um substrato que pode ser exposto
e subsequentemente traduzida para ingles por Edward Epstean (Columbia University Press 1945); seguidamente segue-se e endurecido pelo lado oposto da placa de vidro tornou possível menter a integridade dos tons intermédios. 20 De acordo com Schuss, a solução de Ausnik era aplicar um substrato de albumina bi-cromatada no suporte da placa de vidro que já tinha 22 O autor deseja agradecer ao senhor Hartmann Wettman pela sua assistência com informação e fontes generosamente partilhadas,
a Historie de la Photographie, Raymond Lé Cuyer, Bachet, Paris, 1945, embora de certa forma francófona, mas uma contribuição 19 Dependendo da natureza da imagem, podiam-se produzir entre quinhentas a mil cópias. a sua superfície finamente pulverizada com um abrasivo de pedra litográfica. Esta inovação foi o que resolveu o problema da adesão. quando partilhava informação sobre Jacobi, pai e filho, para a exposição de Carlos relvas em 2002.
maior extremamente ambiciosa e de grande alcance. A History of Photography (Thames and Hudson, 1969, de Alison e Helmut 21 As indústrias de impressão e das artes reprográficas eram baseadas na perícia profissional, existindo uma relutância universal em
Gernsheim), foi muito correctamente criticado por Arnold (ver depois) por ser “marcada por uma atitude geralmente hostil partilhar ou revelar detalhes dos seus métodos ou praticas de trabalho.

20 21
e Bequerel é pouco provável que conhecesse as actividades de Poitevin antes de 1855. Depois de A invenção de Poitevin dos processos de Fotolitografia e Fototipia foram as suas duas desco- O Albertipo foi introduzido primeiramente em 1868, na exposição fotográfica de Hamburgo. Vir- porque é que todos os quatro foram expoentes peripatéticos da segunda metade do seculo XIX.
1847 Talbot começou seriamente a tratar do problema da permanência fotográfica utilizando as bertas mais importantes, conjuntamente com a participação tida no desenvolvimento do proces- tualmente ao mesmo tempo, Jakcob Ausnik (1837-1916) de Praga, Johann Baptiste Obernetter, A ligação entre Carlos Relvas e Carl Heinrich Jacobi foi estabelecida quando se encontraram
propriedades de gelatina bi-cromatada, também em aço, para controlar proporcionalmente a mis- so de carvão. Contudo a sua contribuição em relação ao transfer de carvão e processo de tissue esta de Viena introduziram melhoramentos adicionais, sendo o de Husnik adquirido por Albert que em Paris em 1874, quando ambos exibiam as suas fotografias na 10ª Exposição Universal da Socie-
tura com a qual uma solução de cloreto de platina pudesse revestir a superfície de um intaglio (pla- longe de ser clara, e na opinião do autor continua a ser uma questão aberta. Há também falta de assim eliminou o seu mais serio rival 20. dade Francesa da Fotografia.
ca de impressão). Contudo, pouco depois, ele veio a descobrir que era possível substituir o cloreto informação no que diz respeito às contribuições de vários dos seus contemporâneos trabalhando Tanto Albert como Ausnik usaram uma espessa placa de vidro como suporte coberta com gelati- Em 1875 Emílio Biel estava bem colocado e preparado para tirar vantagem do contrato que
férrico por sal de platina e revestir cobre em vez de aço12. Nas primeiras tentativas Talbot revestiu na Áustria, França, Alemanha, Inglaterra e, em particular na Escócia. Esta ainda recôndita área na bi-cromatada sobre um fino substrato de albumina bi-cromatada A esta camada inferior era dada Relvas tinha estabelecido e subsequentemente aceitou o seu generoso convite para se juntar a
e pré expos um pedaço de gaze fina na tentativa de criar um ecrã que pudesse reter sem perda de das artes gráficas requer um aprofundamento do conhecimento e compreensão do vasto leque uma exposição inicial à luz pelo lado oposto, para endurecê-la e fixá-la à placa de vidro. Uma segunda um conjunto de fotógrafos portugueses na Golegã, para receber instrução em fototipia d Jacobi,
detalhes zonas escuras, que ele descreveu na patente de 1852. No ano seguinte, a 21 de Abril de de interações químicas e óticas muito complexas, que muitos historiadores e investigadores têm camada de gelatina bi-cromatada era então aplicada sobre a primeira, exposta à luz sob um positivo filho do inventor. Presumivelmente voltou para Berlim no ano em que se sabe que imigrou para a
1853, ”Dépose un équivalente de patente englaise en France entitulé Méthode pour produire des gravures”13. ainda que estudar e investigar. de vidro (obtido do negativo original da imagem). América, em 1878, onde se juntou o seu pai em Filadelfia, de acordo com Hartmann Wettman22.
Esta declaração incorporava os progressos de Talbot e o seu uso de gelatina bi-cromatada como Os processos de fotolitografia e fotocolotipia de Alphonse Luis Poitevin foram introduzidos A camada de gelatina resultante endurece na direta proporção à quantidade de luz recebida, Afortunadamente, Leo Vidal publicou em 1879 uma detalhada descrição do procedimento
uma resistência proporcional à ação caustica. Este elemento crucial desta patente providenciou a em França em 1855 e embora Lemercier, Lerbours, Barreswill e Davanne tivessem dado a conhecer após o que a placa é revelada com água quente para remover a gelatina não exposta, formando uma adotado no estúdio de Carlos Relvas, eminente português amador e fototipista, providenciando
Poitevin o elemento por que ele ansiava. os seus processos fotolitográficos em 1852, os seus resultados eram imperfeitos e com insuficiente imagem correspondente, representada em relevo. A imagem em relevo é olifilica, receptiva à tinta, uma descrição detalhada do processo de Carl Heinrich Jacobi:
rendimento de detalhes nas sombras. caracterizada por uma superfície finamente reticulada. As zonas de luzes altas da imagem perma- “Era uma placa de vidro muito espessa finamente polida num dos lados; era limpa com ácido nítrico e mer-
Fotografia a Tinta: Contribuição fundamental de Poitevin Para desenvolver e aperfeiçoar o seu processo de litografia, Poitevim vendeu os seus direi- necem húmidas e consequentemente a tinta não adere. Contudo, este efeito é proporcional. Os gulhada em água destilada. A caixa de secagem usada estava munida com barras de ferro afinadas por parafusos
para a arte da reprodução foto(gráfica) 14 tos de patente a Lemercier compreendendo que não tinha nem o talento nem possivelmente a tons intermédios são criados através da retenção de maiores ou menores quantidades de tinta pela ajustáveis, destinados a fixar as placas com todo o rigor. A meio caminho entre o topo e a base da caixa existe uma
As primeiras experiências fotomecânicas de Alphonse Louis Poitevin15 foram originadas pelo seu motivação ou o interesse para a sua exploração comercial. Todos os seus talentos e esforços se grelha aleatória de finas linhas intersticiais que medeiam os tons entre as luzes correspondentes e placa de ferro por baixo da qual se fixavam jatos de gás. As portas pelas quais se acedia às placas consistiam numa
interesse e subsequente experimentação no processo de daguerreotipo, enquanto estudante de En- dirigiam para o refinamento e melhoramento do seu método. Lemercier generosamente incluiu as áreas escuras. As placas de fototipia possibilitam só impressões relativamente pequenas, neces- fina rede de arame, permitindo o escape do vapor, mas evitando o acesso de insetos. Depois de uma limpeza direta,
genharia Civil na Escola central das Artes e Manufaturas em Paris, no princípio da década de 184016. o seu nome nas atribuições associadas com as suas produções. Poitevin, como Talbot não esta- sitando ser substituídas após terem produzido cerca de quinhentas a mil cópias. as placas eram niveladas com os parafusos ajustáveis, permitindo-lhes a secagem, e depois cobertas com uma ca-
Em 1844, de acordo com Aubenas, Poitevin empregou-se como engenheiro químico nas “Saline royals va em princípio motivado ou dirigido para objectivos comerciais; a história demonstrou que as mada de albumina sensibilizada com bicromato de potássio, aos quais era adicionado 16 gotas de glicerina e mais
de l’Este” e em 1847 retomou os seus estudos e as suas experiências fotomecânicas, com a ajuda e o contribuições destes dois inovadores construíram os fundamentos de todos os processos de artes Interpositivo de carvão em vidro alguns pingos de amónia para obter uma tonalidade amarelo pálida.
encorajamento de Alexandre & Edmond Becquerel – com o apoio adicional de Antoine Balardque gráficas, baseados em imagens reproduzidas e duplicadas com tinta de impressão18. É necessário referir uma inovação ulterior descrita por Wilkinson e introduzida pela Autotype O substrato é filtrado e as placas são cobertas com ele e colocadas de novo nos parafusos niveladores da caixa de
ele conheceu enquanto trabalhava nos Royal Saltworks, onde os três sábios franceses eram inspetores. Company, que era a de efetuar um interpositivo de carvão em vidro (em substituição de outra pla- secagem, que é aquecida a uma temperatura media de 40º C. Em cerca de duas horas as placas estarão secas e são
Algumas afirmações subsequentes feitas a favor de Poitevin, em referência à Elioplastia (patenteada Consolidação e exploração ca de gelatina seca ou um segundo negativo em colódio (existem motivos técnicos sólidos pelos colocadas com o lado da camada para baixo, sobre um pano preto, sendo então expostas por trás a uma luz difusa
em 1855) não sobrevivem a um exame detalhado, particularmente em relação ao trabalho de Pretsch Só a partir de 1870, aquando dos melhoramentos introduzidos por Joseph Albert, de Munique, quais é melhor usar um processo intermedio que dá resultados intrinsecamente mais suaves). (ver durante cerca de meia hora. São de novo colocadas na caixa de secagem, e uma segunda camada de gelatina bi-
em 185417. é que o processo se tornou comercialmente viável e se tornou utilizável para vastas impressões19. o apêndice no final deste artigo). Este positivo, obtido a partir do negativo original de colódio do cromatada é aplicada à qual se juntam alguns pingos de amónia e uma pequena porção de uma solução de cloreto
fotógrafo, aumentava a resolução da prova de fototipia resultante. Oferecia também a possibili- de sódio e sulfato de alúmen. As placas são recolocadas na caixa de secagem, que é então aquecida de 45º a 50º C.
dade de se poder ampliar uma secção do negativo original, continuando a manter um alto grau de Devem estar secas em três horas, e estão então prontas para imprimir sob um negativo num marginador de cópia.
12 Isto tinha a vantagem adicional de que a placa resultante podia ser metalizada por eletrolise e assim aumentar grandemente para com Talbot”. Várias outras publicações com o mesmo titulo apareceram subsequentemente e de alguma forma diferentes
resolução21. O uso desta técnica tornou-se muito utilizado nos anos 80. São então bem lavadas em água filtrada e ressecadas espontaneamente num local sem poeiras.
o numero de provas que podiam ser produzidas por uma só placa. Embora Talbot tentasse preservar a integridade da superfície e com visõess individuais, incluindo a de Beaumont Newhall (New York 1982), Lemagny e Rouille (Cambridg 1967), Turner
da placa de impressão nunca conseguiu que o processo tivesse possibilidades comerciais. Só quando Suone introduziu o processo (Londres 1987), e produções concisas como as de Ian Jeffrey, Photography: A concise History (Londres 1981. Tanto a de Aaron É necessário recordar que os estados germânicos, nesse tempo, ao contrário da Grã-Bretanha, Apos dois ou três dias pode-se proceder à impressão, tendo a superfície sido amaciada depois de se colocar a
de transferência por carvão é que o impressor austríaco Karl Klic foi capaz de realizar o grande sonho de Talbot, fazer com que o Schaaf, Art and Photography (1979) e a de Heinrish Shcwartz, Art and Photography: forerunners and influences (Chicago França e Estados Unidos da América, não tinham um sistema para o registo de patentes. Por isso placa durante sete horas numa solução contendo glicerina e sulfato de magnésio.
processo de gravar fotolítico (fotogravura) se tornasse uma proposta comercial completamente viável incorporando a mais importante e Londres, 1987 providenciaram importante informação contextual relativa á pintura e as artes gráficas.
inovação do austríaco, os meios tons por pontos invertidos. Deve-se salientar que tal não tem relação com o ecran de meios tons 15 Fotografo, engenheiro e químico francês nasceu em 1819 e morreu em Conflans – Sur-Anille, Sarthe, a 4 de março de 1882. o compromisso entre Carlos Relvas e Jacobi contratou o seu uso pessoal e abrangia o de todos os Uma placa muito espessa de vidro é fixada na superfície da pedra litográfica com cola e greda; a adesão é asse-
de Ives – Levy – a função do ecran de Klic era a de manter a integridade da superfície de impressão, alem de que cada discreto “ponto” 16 “Le Multiple Enventions de la Photohraphie “ Aubenas, S, Alphonse Poitvin (1819-1882) Pérennité et Didfusion, (Colloque de la Direction cidadãos portugueses. Incluiu certamente um longo, extenso e profundo ensino de cada aspeto da gurada entre a placa grossa de vidro assim fixada e a parte de trás da placa de fototipia pela aplicação de algumas
invertido ou recesso variava no controle da quantidade de tinta transferida pela placa impressora para o papel, variando de acordo com du Patrimoine, 1998) 110-114
a gama tonal da imagem original. Com a introdução da lamina metalizada e com o ecran de meios tons em pontos invertidos Klic resolveu 17 Ver Nadeau, I, Encyclopaedia of Printing, Photographic and Photomechanical Printing Processes, (New Brunswick, 1994), 125,
operação. Só recentemente é que se tornou evidente que há uma pequena ou nenhuma diferença gotas de água. O conjunto, assim preparado, é colocado na camara da impressora. Se as provas forem perdendo o
todos os grandes problemas que tinham dificultado a introdução da fotogravura. Em muitos aspetos tanto Talbot como Poitevin tinham Elioplastie, (Ger: Hélioplastischer Druck), Photo Mechanical. De acordo com o autor foi inventado por Poitevin e patenteado em entre os métodos de Albert e Husnick, Obernetter ou Jacobi. Era o trabalhar do processo de ca- contraste ao longo do processo de impressão devem ser levemente humedecidas com uma esponja mergulhada na
uma atitude semelhante, que não era nem comercial nem de empresários empenhados. França em 1855 em Inglaterra no mesmo ano. (patente francesa: 24,593; patente inglesa: 2, 816) e era virtualmente idêntica
13 Brevet: 16244 Talbot, patente inglesa método para produzir gravuras sobre placas de aço, por meio da ação dos raios solares combinados ao photo-junto Electrotype Processe de Pretsch, patenteado em Inglaterra em 1854. Refere também a Photogalvanography, 369.
lotipo, os detalhes práticos do modo de realizar que constituíam a chave do sucesso. Isto explica solução atrás mencionada.
com o uso de operação químicas. Salle de Brêvets, Paris. 18 Tessie Du Mothay e Maréchal, de Metz tentaram usar uma folha de cobre em vez da pedra litográfica, sem conseguirem qualquer avanço
14 O mais fiável e mais abrangente conhecimento do desenvolvimento técnico da fotografia, incluindo o primeiro quartel do seculo significativo. A introdução do suporte da placa de vidro foi uma inovação crucial. Uma característica importante da gelatina, durante o
XIX é sem dúvida o de Josephe Maria Eder com a sua History of Photography primeiramente publicada na Alemanha em 1932 processo de endurecimento é que a acção exerce-se da superfície para o interior. A introdução de um substrato que pode ser exposto
e subsequentemente traduzida para ingles por Edward Epstean (Columbia University Press 1945); seguidamente segue-se e endurecido pelo lado oposto da placa de vidro tornou possível menter a integridade dos tons intermédios. 20 De acordo com Schuss, a solução de Ausnik era aplicar um substrato de albumina bi-cromatada no suporte da placa de vidro que já tinha 22 O autor deseja agradecer ao senhor Hartmann Wettman pela sua assistência com informação e fontes generosamente partilhadas,
a Historie de la Photographie, Raymond Lé Cuyer, Bachet, Paris, 1945, embora de certa forma francófona, mas uma contribuição 19 Dependendo da natureza da imagem, podiam-se produzir entre quinhentas a mil cópias. a sua superfície finamente pulverizada com um abrasivo de pedra litográfica. Esta inovação foi o que resolveu o problema da adesão. quando partilhava informação sobre Jacobi, pai e filho, para a exposição de Carlos relvas em 2002.
maior extremamente ambiciosa e de grande alcance. A History of Photography (Thames and Hudson, 1969, de Alison e Helmut 21 As indústrias de impressão e das artes reprográficas eram baseadas na perícia profissional, existindo uma relutância universal em
Gernsheim), foi muito correctamente criticado por Arnold (ver depois) por ser “marcada por uma atitude geralmente hostil partilhar ou revelar detalhes dos seus métodos ou praticas de trabalho.

20 21
O silvo de gigantes:
entre o vapor da maquina e o suor do homem
Georgina Pinto Pessoa

A impressão de uma placa de fototipia requer um grande nível de capacidade técnica e perícia e é um processo Difícil e tardia, a modernidade fez se anunciar eivada de boas vontades, de esforços sucessivos, e sinuosa do terreno para acompanhar a plástica volumetria de montes e vales. É assim o norte
longo, muito moroso; as proporções de mistura das diferentes soluções dependem em cada etapa da temperatura sempre promissores, quase nunca cumpridos, num Portugal morno, de paisagens plurais, onde a do país. Recôndito e agreste, a reclamar a necessidade de proximidade e de um tratamento igual.
e humidade e de acordo com Wilkinson só devem ser executadas por um operador já especializado na arte da terra se fundiu com o mar, e gentes de mil paragens aqui ergueram quimeras e daqui construíram Rude e resistente na sua luta contra a letargia das forças que a interioridade teima em manter, faz
litografia”. impérios. erguer vultos maiores. No chão pedregoso e minguado constrói a sobrevivência que à força de
Para concluir este artigo transcrevo uma passagem obtida diretamente de uma publicação A demanda do séc. XIX impõe-lhe um acelerar de passo. As velhas estruturas sustentadas por braços potencia em delicadas fragrâncias e sabores. Chamam-lhe berço aos outeiros onde cresce
largamente distribuída por uma reconhecida autoridade na impressão de fotografias com tinta e um regime fundiário, à frente do qual uma aristocracia mercantil e terratenente se esforçava por o “pão”, às serranias que albergam o casario talhado na pedra, partilhado por homens e animais.
contemporânea de Emílio Biel: manter, denunciam na sua magreza e insuficiência a incapacidade de dar resposta a uma sociedade Aqui, a emergência destes gigantes, é ainda maior. Acompanhamos a construção das linhas do Mi-
Descrição do negativo invertido [interpositivo] por Wilkinson 23. em clara mudança, agora norteada pelos valores liberais, não obstante a obstinada resistência de nho e do Douro guiados pela mestria e sensibilidade do fotógrafo. Param para ele e para nós as lo-
“Capitulo 1. O Negativo. O negativo é o instrumento fundamental de produção de uma boa prova de velhos interesses (internos e externos) e do clima de expressa conflitualidade a que obrigavam. comotivas, escrevendo a vanguarda com o fumo fugidio das chaminés. Entramos em cada estação.
fototipia; pode ser feito por qualquer processo e com qualquer tipo de placa seca, desde que seja suave e delica- As dificuldades sentidas na sua afirmação encontrariam no esforço de industrialização setem- Atravessamos rios sobre pontes sustentadas por maciços pilares, onde se desenham geométricos
do com uma leve sobre-exposição, para evitar que as sombras sejam entupidas com tinta. Os negativos para brista, o fracasso comprometedor das suas políticas, e o consequente atraso das mesmas, ao longo arcos. Os seus vãos abrem mágicas janelas, perspetivas de montes que recortam o horizonte sob
fototipia necessitam de ser invertidos, e é sempre difícil fazer negativos da natureza exatamente do tamanho da 1ª metade do século, catapultando para a 2ª (Fontismo) nova tentativa de concretização. céus nebulosos. Noutras evoca-se a arquitectura do ferro, desnudando a sua estrutura, iludindo
requerido, e assim geralmente é mais conveniente reproduzir, especialmente se é o caso de duas ou mais provas Recuperar o país do seu atraso económico e tecnológico obrigava a uma intervenção do Es- uma singeleza, quase rendilhada, sobre o espelho dos rios. Paramos na entrada de túneis. Regis-
deverem ser obtidas a partir de uma só placa, tendo então os negativos de serem flexíveis de forma a que possam tado, sistemática e organizada, e impunha reformas em áreas tão fulcrais como o ensino, a admi- tamos a subtil grandeza dos socalcos que serpenteiam pirâmides imaginárias, sobre o esforço de
ser obtidas com igual espessura, e de facto a não ser que se usem placas de vidro patenteadas para transportar os nistração, o desenvolvimento industrial e tecnológico e a construção de novas e adequadas vias de gerações. Sentimos o suor dos homens que sulcaram o interior de montanhas para dar passagem
filmes negativos, é preferível que estes sejam flexíveis. [neste contexto devemos recordar que o autor se comunicação e meios de transporte. ao vapor. Veloz porque já urge, porque se faz tarde e o futuro é já aí. Mas há ainda tempo para o
esta a referir a um “filme”de gelatina ou uma membrana de transferência de colódio, e não em Neste contexto assumem particular relevância as vias-férreas e o comboio. Associando as no- detalhe, para as lavadeiras que branqueiam a roupa sobre as rochas junto à margem, os pescadores
celuloide] na reprodução de negativos deve-se usar uma transparência, e esta é melhor quando é feita pelo vas tecnologias, ao célere pulsar desta nova sociedade, os carris atravessam vales, rasgam monta- a quem se adivinham os pensamentos na espera da picada do anzol, os pequenos botes ancorados
processo de carvão, não existindo outro método de as fazer, que possa competir em custo ou em qualidade com nhas, bordejam margens, deixando na paisagem as marcas irreversíveis da sua presença, e o eco em improvisados cais, os transeuntes, os seus gestos, expressões, trajes…Em majestosos enquadra-
este processo. Quando são verdadeiramente necessários os melhores resultados as transparências tem que ser intemporal do silvo desses gigantes que deslizam sobre si. mentos, paisagem de outrora, agora revisitada.
assim feitas, não importa quão hábil seja o operador não poderá produzir transparências por qualquer outro Numa efectiva transversalidade de saberes, que as inovações da ciência e da técnica proporcio- Em cada imagem, a pausa de um tempo, arquivo integral de vivências, ambientes e atmos-
método que se possam comparar com o processo de carvão. Para além de outras vantagens que tem o processo nam e a necessidade / criatividade do homem tão bem (por vezes tão mal!) tem sabido aproveitar, feras, que teimosamente resistiram e se guardaram para nós. Memórias de ontem, documentos
de reprodução do negativo, há a oportunidade para melhorar a partir do original; de um original fraco pode-se o olhar do fotógrafo reteve e perpetuou. vivos de hoje, de sempre. Apelo da consciência e da história para o seu reconhecimento, preser-
fazer um negativo vigoroso e de um negativo duro pode-se obter um mais suave. As transparências de carvão Nestas imagens em Fototipia recolhidas nos finais da década de 70 de oitocentos, por Emílo vação, estudo e divulgação / valorização. Porque os caminhos do futuro também se alicerçam e
podem ser facilmente intensificadas mergulhando-as numa forte solução de permanganato de potássio, e quan- Biel, visualizam-se os marcos de um percurso, onde o ferro se dobrou sobre a morfologia íngreme constroem aqui.
do o negativo original é denso e duro, a transparência é feita com uma gaze de carvão vulgar, em vez de uma
gaze transparente. Quando um negativo original é usado nenhum acidente pode acontecer, tornando-se irre-
parável; mas quando uma reprodução do negativo se parte ou se danifica podemos obter outra imediatamente.”

23 “Photo-Mechanical Processis: A practical guide to Photo – Zincography, Photo-Lithography and Collotype, Wilkinson W. T. London;
Hampton Judd & Co. 1892. A técnica de usar um interpositvo de carvão é raramente senão mesmo nunca referida na literatura técnica
contemporânea, embora o seu uso fosse praticamente universal”.

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O silvo de gigantes:
entre o vapor da maquina e o suor do homem
Georgina Pinto Pessoa

A impressão de uma placa de fototipia requer um grande nível de capacidade técnica e perícia e é um processo Difícil e tardia, a modernidade fez se anunciar eivada de boas vontades, de esforços sucessivos, e sinuosa do terreno para acompanhar a plástica volumetria de montes e vales. É assim o norte
longo, muito moroso; as proporções de mistura das diferentes soluções dependem em cada etapa da temperatura sempre promissores, quase nunca cumpridos, num Portugal morno, de paisagens plurais, onde a do país. Recôndito e agreste, a reclamar a necessidade de proximidade e de um tratamento igual.
e humidade e de acordo com Wilkinson só devem ser executadas por um operador já especializado na arte da terra se fundiu com o mar, e gentes de mil paragens aqui ergueram quimeras e daqui construíram Rude e resistente na sua luta contra a letargia das forças que a interioridade teima em manter, faz
litografia”. impérios. erguer vultos maiores. No chão pedregoso e minguado constrói a sobrevivência que à força de
Para concluir este artigo transcrevo uma passagem obtida diretamente de uma publicação A demanda do séc. XIX impõe-lhe um acelerar de passo. As velhas estruturas sustentadas por braços potencia em delicadas fragrâncias e sabores. Chamam-lhe berço aos outeiros onde cresce
largamente distribuída por uma reconhecida autoridade na impressão de fotografias com tinta e um regime fundiário, à frente do qual uma aristocracia mercantil e terratenente se esforçava por o “pão”, às serranias que albergam o casario talhado na pedra, partilhado por homens e animais.
contemporânea de Emílio Biel: manter, denunciam na sua magreza e insuficiência a incapacidade de dar resposta a uma sociedade Aqui, a emergência destes gigantes, é ainda maior. Acompanhamos a construção das linhas do Mi-
Descrição do negativo invertido [interpositivo] por Wilkinson 23. em clara mudança, agora norteada pelos valores liberais, não obstante a obstinada resistência de nho e do Douro guiados pela mestria e sensibilidade do fotógrafo. Param para ele e para nós as lo-
“Capitulo 1. O Negativo. O negativo é o instrumento fundamental de produção de uma boa prova de velhos interesses (internos e externos) e do clima de expressa conflitualidade a que obrigavam. comotivas, escrevendo a vanguarda com o fumo fugidio das chaminés. Entramos em cada estação.
fototipia; pode ser feito por qualquer processo e com qualquer tipo de placa seca, desde que seja suave e delica- As dificuldades sentidas na sua afirmação encontrariam no esforço de industrialização setem- Atravessamos rios sobre pontes sustentadas por maciços pilares, onde se desenham geométricos
do com uma leve sobre-exposição, para evitar que as sombras sejam entupidas com tinta. Os negativos para brista, o fracasso comprometedor das suas políticas, e o consequente atraso das mesmas, ao longo arcos. Os seus vãos abrem mágicas janelas, perspetivas de montes que recortam o horizonte sob
fototipia necessitam de ser invertidos, e é sempre difícil fazer negativos da natureza exatamente do tamanho da 1ª metade do século, catapultando para a 2ª (Fontismo) nova tentativa de concretização. céus nebulosos. Noutras evoca-se a arquitectura do ferro, desnudando a sua estrutura, iludindo
requerido, e assim geralmente é mais conveniente reproduzir, especialmente se é o caso de duas ou mais provas Recuperar o país do seu atraso económico e tecnológico obrigava a uma intervenção do Es- uma singeleza, quase rendilhada, sobre o espelho dos rios. Paramos na entrada de túneis. Regis-
deverem ser obtidas a partir de uma só placa, tendo então os negativos de serem flexíveis de forma a que possam tado, sistemática e organizada, e impunha reformas em áreas tão fulcrais como o ensino, a admi- tamos a subtil grandeza dos socalcos que serpenteiam pirâmides imaginárias, sobre o esforço de
ser obtidas com igual espessura, e de facto a não ser que se usem placas de vidro patenteadas para transportar os nistração, o desenvolvimento industrial e tecnológico e a construção de novas e adequadas vias de gerações. Sentimos o suor dos homens que sulcaram o interior de montanhas para dar passagem
filmes negativos, é preferível que estes sejam flexíveis. [neste contexto devemos recordar que o autor se comunicação e meios de transporte. ao vapor. Veloz porque já urge, porque se faz tarde e o futuro é já aí. Mas há ainda tempo para o
esta a referir a um “filme”de gelatina ou uma membrana de transferência de colódio, e não em Neste contexto assumem particular relevância as vias-férreas e o comboio. Associando as no- detalhe, para as lavadeiras que branqueiam a roupa sobre as rochas junto à margem, os pescadores
celuloide] na reprodução de negativos deve-se usar uma transparência, e esta é melhor quando é feita pelo vas tecnologias, ao célere pulsar desta nova sociedade, os carris atravessam vales, rasgam monta- a quem se adivinham os pensamentos na espera da picada do anzol, os pequenos botes ancorados
processo de carvão, não existindo outro método de as fazer, que possa competir em custo ou em qualidade com nhas, bordejam margens, deixando na paisagem as marcas irreversíveis da sua presença, e o eco em improvisados cais, os transeuntes, os seus gestos, expressões, trajes…Em majestosos enquadra-
este processo. Quando são verdadeiramente necessários os melhores resultados as transparências tem que ser intemporal do silvo desses gigantes que deslizam sobre si. mentos, paisagem de outrora, agora revisitada.
assim feitas, não importa quão hábil seja o operador não poderá produzir transparências por qualquer outro Numa efectiva transversalidade de saberes, que as inovações da ciência e da técnica proporcio- Em cada imagem, a pausa de um tempo, arquivo integral de vivências, ambientes e atmos-
método que se possam comparar com o processo de carvão. Para além de outras vantagens que tem o processo nam e a necessidade / criatividade do homem tão bem (por vezes tão mal!) tem sabido aproveitar, feras, que teimosamente resistiram e se guardaram para nós. Memórias de ontem, documentos
de reprodução do negativo, há a oportunidade para melhorar a partir do original; de um original fraco pode-se o olhar do fotógrafo reteve e perpetuou. vivos de hoje, de sempre. Apelo da consciência e da história para o seu reconhecimento, preser-
fazer um negativo vigoroso e de um negativo duro pode-se obter um mais suave. As transparências de carvão Nestas imagens em Fototipia recolhidas nos finais da década de 70 de oitocentos, por Emílo vação, estudo e divulgação / valorização. Porque os caminhos do futuro também se alicerçam e
podem ser facilmente intensificadas mergulhando-as numa forte solução de permanganato de potássio, e quan- Biel, visualizam-se os marcos de um percurso, onde o ferro se dobrou sobre a morfologia íngreme constroem aqui.
do o negativo original é denso e duro, a transparência é feita com uma gaze de carvão vulgar, em vez de uma
gaze transparente. Quando um negativo original é usado nenhum acidente pode acontecer, tornando-se irre-
parável; mas quando uma reprodução do negativo se parte ou se danifica podemos obter outra imediatamente.”

23 “Photo-Mechanical Processis: A practical guide to Photo – Zincography, Photo-Lithography and Collotype, Wilkinson W. T. London;
Hampton Judd & Co. 1892. A técnica de usar um interpositvo de carvão é raramente senão mesmo nunca referida na literatura técnica
contemporânea, embora o seu uso fosse praticamente universal”.

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Uma nova leitura, um novo olhar Consolidação e conservação
das fototipias / albuminas do álbum nº 9
Manuela Vaquero
(CAMINHOS DE FERRO DO DOURO E MINHO)
Um mundo novo, absolutamente desconhecido, em que penetrei, o mundo da fotografia! a habitar, porque perduram na memória dos seus descendentes e passaram a fazer parte do
Georgina pinto Pessoa
Uma experiência inovadora na vida, um desafio que abracei sem saber muito bem o quão en- imaginário de quem analisou este admirável espólio.
riquecida iria sair dele. Sempre estive convicta de que o passado é e será sempre a origem do Foi extremamente gratificante encontrar nos álbuns desta Família uma ligação direta ao po- Integram a Colecção de Fotografia Antiga da Família Mascarenhas Gaivão (em depósito O estado destes espécimes, que chegaram até nós, particularmente das fototipias, denunciava
presente, como o presente é um prólogo do futuro. A vida, ao longo dos séculos, é como uma eta lamecense Fausto Guedes Teixeira, poeta que estudei, que analisei e que ficou a fazer parte temporário neste museu) 16 álbuns, dos quais o Nº 09 contém 73 fotografias, (fototipias e albu- as consequências do tempo. As marcas resultantes da acção de fatores de deterioração externa
cadeia constante, indivisível, imutável da qual cada elo representa uma época, não nos querer- do meu imaginário, porque teceu a vida de paixões, de alvoroços e de muitas desilusões. Os seus minas) dos finais do século XIX, com imagens alusivas à construção das linhas férreas do Douro como infiltrações, ausência de acondicionamento e más condições ambientais a que estiveram
mos debruçar e associar ao passado, é o mesmo que pretendermos fragmentar ou desunir os elos familiares, ilustres lamecenses, cujos nomes encontramos afixados em placas de ruas e alame- e Minho, reportando-se na sua maioria (51) ao levantamento feito pelo fotógrafo alemão Emílio sujeitas, conduziram ao seu avançado estado de degradação material, obrigando a delicada inter-
dessa cadeia de continuidade que se adivinha eterna. O elo em que vivemos e que a ela pertence, das, figuram neste espólio e vão saltar, de novo, do esquecimento para a lembrança de todos Biel. Está também representada a casa fotográfica Mello Phot com 3 albuminas e a casa Pinto & venção de higienização e conservação.
é uma herança única das gerações precedentes e não poderemos esquecer que serão os pilares nós. Não poderei deixar de mencionar José Isidoro Guedes, 1º Visconde de Valmor, ou Fausto Reis com 9, restando ainda 2 cujo autor se desconhece. Foram-lhe associadas 8 albuminas do fo- As peças apresentavam gravosas marcas de infiltração de líquido gorduroso e ácido que dani-
das linhagens futuras. Persuadida de que cada época influencia profundamente todos os que Queirós Guedes, 2º Visconde do mesmo título, que se notabilizou por ter instituído um prémio tógrafo Van Malderen, que se encontravam avulsas, com imagens relativas a maquinaria industrial ficou irreversivelmente a maioria, ainda que de forma variável, com acentuada invasão dos cartões
nela viveram e oferecerá, através de escritos, monumentos, vestuário, arte, mobiliário, retratos… anual de arquitetura para o melhor edifício construído em Lisboa – Prémio Valmor. Construir a e tecnológica fornecida pela empresa Ld d’Andriessens & Cie / Constructeurs / Liége-Belgique, e “feliz” salvaguarda das imagens, cuja emulsão foi atingida em menor número e, com algumas
uma melhor compreensão aos vindouros da cultura e do pensamento de cada era e, para que o árvore genealógica desta família, podendo acompanhá-la com retratos de época, foi um desafio que teriam participado na construção destas vias e outras, bem como dois documentos impressos excepções, de forma delével.
seu espírito sobreviva é necessário que se registe… não admira pois, que a fotografia se tenha convidativo e tentador. com a apresentação das suas características e respetivas instruções de funcionamento. Em geral apresentavam um suporte com elevado grau de acidificação com proliferação de
tornado o “espírito do tempo”. Desvendar e estudar este legado fotográfico foi uma mais-valia para quem sobre ele se de- Integra, assim, tipologias diversas, cujas fragilidades físicas e químicas determinam a sua pre- manchas, fungos, resíduos de insetos e seus excrementos. Desvalorizadas, então, no seu conteúdo,
Com o decorrer desse tempo, no elo da cadeia que ocupo, dou cada vez mais valor às frases bruçou e para a cidade de Lamego que, pode assim, ver representadas personalidades que, fa- servação nas condições ambientais em que se encontram e as formas de manipulação a que estão teriam sido reaproveitadas como objectos lúdicos, entretenimento de adultos e crianças, inscre-
e ditos populares, que se encontram impregnados de uma sabedoria ancestral, que foram acu- zendo parte do imaginário coletivo, passarão a figurar nele personificadas. sujeitas, tornando fundamental o conhecimento das suas características e comportamento, bem vendo riscos de jogos tradicionais ou breves esquiços figurativos e abstratos, particularmente no
mulando o saber ao longo das gerações. Quem não conhece a expressão “uma imagem vale por mil Não poderei deixar de mencionar a fabulosa coleção de fototipias, relativas ao Caminho-de- como a observação de princípios básicos de conservação, no sentido de minimizar os efeitos de reverso.
palavras”, sabemos que é autêntica… mas encontrei o verdadeiro significado, a verdadeira erudi- Ferro entre o Douro e Minho de Emílio Biel, que nos conduzem também elas, a um elo da cadeia degradação que o tempo e o meio sempre impõem, prolongando a vida destes objectos, arquivos Após observação e descrição dos espécimes (avaliação do seu estado de conservação e inven-
ção deste dito, que mais não é hoje que um lugar-comum, neste espólio fotográfico da Família em que o homem pretendia transpor rios e montanhas, rasgando rochas e construindo túneis, documentais de excelência, testemunhos de saber e de vida, pontes para infindáveis paragens. tariação), procedeu-se à sua higienização/consolidação, reprodução e acondicionamento em am-
Mascarenhas Gaivão. Entrei no passado a uma velocidade alucinante e aprendi a ver fotografias levantando pontes que transpuseram rios, aproximando os lugares mais remotos dos grandes Sendo a imagem fotográfica resultante da acção da luz sobre um suporte previamente sensi- biente controlado a fim de assegurar a estabilidade das mesmas.
com outros olhos, aprendi não só a olhar mas a “ver com olhos de ver”, observando, entrando centros urbanos, com uma visão cosmopolita de modernidade. O comboio trouxe desenvolvi- bilizado por uma substância fotossensível, envolve no seu percurso o desenvolvimento de uma Os procedimentos a que foram sujeitas tiveram por base uma higienização mecânica (frente e
no quotidiano de pessoas que partiram há muito, que habitaram outros elos da cadeia, mas mento ao Douro, facilitou o escoamento dos seus afamados vinhos, um produto-chave da eco- complexidade de técnicas, procedimentos e o uso de produtos cuja composição química e inte- verso), removendo as sujidades de superfície, partículas sólidas, incrustações e resíduos de excre-
que continuam presentes, são evocados e redescobertos, porque foram fotografados, porque nomia portuguesa, que tiveram a sua verdadeira origem na cidade de Lamego, sendo designados ractividade determinam o seu comportamento. Esta complexidade é acrescida quando estamos mentos, na qual se usaram trinchas planas de pêlos macios, discos de algodão, cotonetes, bisturi,
a sua imagem passou para além do tempo… um tempo que já não é o seu, mas que continuam no século XVI como “Vinhos cheirantes de Lamego”. em presença de espécies do séc. XIX, em período anterior à industrialização da Fotografia, em que lupa, aspirador de baixa potência, água destilada e borracha plástica.
cada fotógrafo adaptava os processos e usava frequentemente metodologias próprias. Os resíduos Procedeu-se a ligeira humidificação do reverso do cartão, ao corte das zonas mais desidratadas
químicos resultantes de precários processamentos fotográficos são também factores conducentes ou cobertas de matéria gordurosa ácida, a fim de minimizar as fragilidades e o risco das zonas
à sua degradação. Nas fototipias, se os pigmentos presentes nas tintas litográficas se apresentam quebradiças. Foi feita a consolidação das margens problemáticas e das quebras com fita de pH
mais estáveis, a sua colagem em cartões de inferior qualidade e o uso de colas de elevada acidez, neutro. As peças foram posteriormente prensadas, planificadas e acondicionadas individualmente
conduzem ao amarelecimento e tornam estes suportes muito quebradiços. em papel acid-free e acomodadas em armários de metal laqueado.
Ao nível da fotografia antiga, consequentemente, é vasta a pluralidade de processos e a diversida- As capas em cartão, sendo o elemento de protecção exterior, sofreram o primeiro impacto e as
de de suportes utilizados. Espécimes particularmente vulneráveis à luz, agente de degradação cumu- consequências mais gravosas da supra mencionada infiltração, apresentando avançado estado de
lativa, sendo a radiação ultravioleta a mais agressiva do espectro e particularmente perniciosa para degradação material, tendo sido objeto de igual processo de higienização e consolidação.
os espécimes expostos em permanência, conduzindo ao progressivo desvanecimento e consequente Procurou-se, todavia, higienizar, estabilizar, consolidar e acondicionar adequadamente os
destruição da imagem. Humidade e temperatura, sobretudo a estabilização da humidade relativa objetos fotográficos, respeitando a sua integridade e restituindo-lhe a sua leitura, devolvendo a
(40% com variações inferiores a 5%), são também factores fundamentais para a sua preservação. dignidade ao documento, contribuindo para o prolongamento da sua vida e da sua fruição e co-
Quando esta não se verifica, não só as peças ficam expostas a reacções químicas como a oxidação da nhecimento pela comunidade/público.
prata, à afectação dos meios ligantes ou à degradação física e biológica dos próprios suportes.

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Uma nova leitura, um novo olhar Consolidação e conservação
das fototipias / albuminas do álbum nº 9
Manuela Vaquero
(CAMINHOS DE FERRO DO DOURO E MINHO)
Um mundo novo, absolutamente desconhecido, em que penetrei, o mundo da fotografia! a habitar, porque perduram na memória dos seus descendentes e passaram a fazer parte do
Georgina pinto Pessoa
Uma experiência inovadora na vida, um desafio que abracei sem saber muito bem o quão en- imaginário de quem analisou este admirável espólio.
riquecida iria sair dele. Sempre estive convicta de que o passado é e será sempre a origem do Foi extremamente gratificante encontrar nos álbuns desta Família uma ligação direta ao po- Integram a Colecção de Fotografia Antiga da Família Mascarenhas Gaivão (em depósito O estado destes espécimes, que chegaram até nós, particularmente das fototipias, denunciava
presente, como o presente é um prólogo do futuro. A vida, ao longo dos séculos, é como uma eta lamecense Fausto Guedes Teixeira, poeta que estudei, que analisei e que ficou a fazer parte temporário neste museu) 16 álbuns, dos quais o Nº 09 contém 73 fotografias, (fototipias e albu- as consequências do tempo. As marcas resultantes da acção de fatores de deterioração externa
cadeia constante, indivisível, imutável da qual cada elo representa uma época, não nos querer- do meu imaginário, porque teceu a vida de paixões, de alvoroços e de muitas desilusões. Os seus minas) dos finais do século XIX, com imagens alusivas à construção das linhas férreas do Douro como infiltrações, ausência de acondicionamento e más condições ambientais a que estiveram
mos debruçar e associar ao passado, é o mesmo que pretendermos fragmentar ou desunir os elos familiares, ilustres lamecenses, cujos nomes encontramos afixados em placas de ruas e alame- e Minho, reportando-se na sua maioria (51) ao levantamento feito pelo fotógrafo alemão Emílio sujeitas, conduziram ao seu avançado estado de degradação material, obrigando a delicada inter-
dessa cadeia de continuidade que se adivinha eterna. O elo em que vivemos e que a ela pertence, das, figuram neste espólio e vão saltar, de novo, do esquecimento para a lembrança de todos Biel. Está também representada a casa fotográfica Mello Phot com 3 albuminas e a casa Pinto & venção de higienização e conservação.
é uma herança única das gerações precedentes e não poderemos esquecer que serão os pilares nós. Não poderei deixar de mencionar José Isidoro Guedes, 1º Visconde de Valmor, ou Fausto Reis com 9, restando ainda 2 cujo autor se desconhece. Foram-lhe associadas 8 albuminas do fo- As peças apresentavam gravosas marcas de infiltração de líquido gorduroso e ácido que dani-
das linhagens futuras. Persuadida de que cada época influencia profundamente todos os que Queirós Guedes, 2º Visconde do mesmo título, que se notabilizou por ter instituído um prémio tógrafo Van Malderen, que se encontravam avulsas, com imagens relativas a maquinaria industrial ficou irreversivelmente a maioria, ainda que de forma variável, com acentuada invasão dos cartões
nela viveram e oferecerá, através de escritos, monumentos, vestuário, arte, mobiliário, retratos… anual de arquitetura para o melhor edifício construído em Lisboa – Prémio Valmor. Construir a e tecnológica fornecida pela empresa Ld d’Andriessens & Cie / Constructeurs / Liége-Belgique, e “feliz” salvaguarda das imagens, cuja emulsão foi atingida em menor número e, com algumas
uma melhor compreensão aos vindouros da cultura e do pensamento de cada era e, para que o árvore genealógica desta família, podendo acompanhá-la com retratos de época, foi um desafio que teriam participado na construção destas vias e outras, bem como dois documentos impressos excepções, de forma delével.
seu espírito sobreviva é necessário que se registe… não admira pois, que a fotografia se tenha convidativo e tentador. com a apresentação das suas características e respetivas instruções de funcionamento. Em geral apresentavam um suporte com elevado grau de acidificação com proliferação de
tornado o “espírito do tempo”. Desvendar e estudar este legado fotográfico foi uma mais-valia para quem sobre ele se de- Integra, assim, tipologias diversas, cujas fragilidades físicas e químicas determinam a sua pre- manchas, fungos, resíduos de insetos e seus excrementos. Desvalorizadas, então, no seu conteúdo,
Com o decorrer desse tempo, no elo da cadeia que ocupo, dou cada vez mais valor às frases bruçou e para a cidade de Lamego que, pode assim, ver representadas personalidades que, fa- servação nas condições ambientais em que se encontram e as formas de manipulação a que estão teriam sido reaproveitadas como objectos lúdicos, entretenimento de adultos e crianças, inscre-
e ditos populares, que se encontram impregnados de uma sabedoria ancestral, que foram acu- zendo parte do imaginário coletivo, passarão a figurar nele personificadas. sujeitas, tornando fundamental o conhecimento das suas características e comportamento, bem vendo riscos de jogos tradicionais ou breves esquiços figurativos e abstratos, particularmente no
mulando o saber ao longo das gerações. Quem não conhece a expressão “uma imagem vale por mil Não poderei deixar de mencionar a fabulosa coleção de fototipias, relativas ao Caminho-de- como a observação de princípios básicos de conservação, no sentido de minimizar os efeitos de reverso.
palavras”, sabemos que é autêntica… mas encontrei o verdadeiro significado, a verdadeira erudi- Ferro entre o Douro e Minho de Emílio Biel, que nos conduzem também elas, a um elo da cadeia degradação que o tempo e o meio sempre impõem, prolongando a vida destes objectos, arquivos Após observação e descrição dos espécimes (avaliação do seu estado de conservação e inven-
ção deste dito, que mais não é hoje que um lugar-comum, neste espólio fotográfico da Família em que o homem pretendia transpor rios e montanhas, rasgando rochas e construindo túneis, documentais de excelência, testemunhos de saber e de vida, pontes para infindáveis paragens. tariação), procedeu-se à sua higienização/consolidação, reprodução e acondicionamento em am-
Mascarenhas Gaivão. Entrei no passado a uma velocidade alucinante e aprendi a ver fotografias levantando pontes que transpuseram rios, aproximando os lugares mais remotos dos grandes Sendo a imagem fotográfica resultante da acção da luz sobre um suporte previamente sensi- biente controlado a fim de assegurar a estabilidade das mesmas.
com outros olhos, aprendi não só a olhar mas a “ver com olhos de ver”, observando, entrando centros urbanos, com uma visão cosmopolita de modernidade. O comboio trouxe desenvolvi- bilizado por uma substância fotossensível, envolve no seu percurso o desenvolvimento de uma Os procedimentos a que foram sujeitas tiveram por base uma higienização mecânica (frente e
no quotidiano de pessoas que partiram há muito, que habitaram outros elos da cadeia, mas mento ao Douro, facilitou o escoamento dos seus afamados vinhos, um produto-chave da eco- complexidade de técnicas, procedimentos e o uso de produtos cuja composição química e inte- verso), removendo as sujidades de superfície, partículas sólidas, incrustações e resíduos de excre-
que continuam presentes, são evocados e redescobertos, porque foram fotografados, porque nomia portuguesa, que tiveram a sua verdadeira origem na cidade de Lamego, sendo designados ractividade determinam o seu comportamento. Esta complexidade é acrescida quando estamos mentos, na qual se usaram trinchas planas de pêlos macios, discos de algodão, cotonetes, bisturi,
a sua imagem passou para além do tempo… um tempo que já não é o seu, mas que continuam no século XVI como “Vinhos cheirantes de Lamego”. em presença de espécies do séc. XIX, em período anterior à industrialização da Fotografia, em que lupa, aspirador de baixa potência, água destilada e borracha plástica.
cada fotógrafo adaptava os processos e usava frequentemente metodologias próprias. Os resíduos Procedeu-se a ligeira humidificação do reverso do cartão, ao corte das zonas mais desidratadas
químicos resultantes de precários processamentos fotográficos são também factores conducentes ou cobertas de matéria gordurosa ácida, a fim de minimizar as fragilidades e o risco das zonas
à sua degradação. Nas fototipias, se os pigmentos presentes nas tintas litográficas se apresentam quebradiças. Foi feita a consolidação das margens problemáticas e das quebras com fita de pH
mais estáveis, a sua colagem em cartões de inferior qualidade e o uso de colas de elevada acidez, neutro. As peças foram posteriormente prensadas, planificadas e acondicionadas individualmente
conduzem ao amarelecimento e tornam estes suportes muito quebradiços. em papel acid-free e acomodadas em armários de metal laqueado.
Ao nível da fotografia antiga, consequentemente, é vasta a pluralidade de processos e a diversida- As capas em cartão, sendo o elemento de protecção exterior, sofreram o primeiro impacto e as
de de suportes utilizados. Espécimes particularmente vulneráveis à luz, agente de degradação cumu- consequências mais gravosas da supra mencionada infiltração, apresentando avançado estado de
lativa, sendo a radiação ultravioleta a mais agressiva do espectro e particularmente perniciosa para degradação material, tendo sido objeto de igual processo de higienização e consolidação.
os espécimes expostos em permanência, conduzindo ao progressivo desvanecimento e consequente Procurou-se, todavia, higienizar, estabilizar, consolidar e acondicionar adequadamente os
destruição da imagem. Humidade e temperatura, sobretudo a estabilização da humidade relativa objetos fotográficos, respeitando a sua integridade e restituindo-lhe a sua leitura, devolvendo a
(40% com variações inferiores a 5%), são também factores fundamentais para a sua preservação. dignidade ao documento, contribuindo para o prolongamento da sua vida e da sua fruição e co-
Quando esta não se verifica, não só as peças ficam expostas a reacções químicas como a oxidação da nhecimento pela comunidade/público.
prata, à afectação dos meios ligantes ou à degradação física e biológica dos próprios suportes.

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Linha do douro
Caminhos do Ferro e da PraTa

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Linha do douro
Caminhos do Ferro e da PraTa

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Estação do Porto (CamPanhã) – Lado do PoEntE
Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 001 4 data C. 1887

29
Estação do Porto (CamPanhã) – Lado do PoEntE
Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 001 4 data C. 1887

29
Estação dE ErmEsindE – Caminho dE FErro do douro PontE do FErrEira – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª - Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 002 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 003 4 data C. 1887

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Estação dE ErmEsindE – Caminho dE FErro do douro PontE do FErrEira – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª - Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 002 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 003 4 data C. 1887

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Estação dE ParEdEs – Caminho dE FErro do douro Estação dE ParEdEs – Caminho dE FErro do douro
Desconhecido Emílio Biel
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica desconhecida 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 006 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 005 4 data C. 1887

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Estação dE ParEdEs – Caminho dE FErro do douro Estação dE ParEdEs – Caminho dE FErro do douro
Desconhecido Emílio Biel
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica desconhecida 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 006 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 005 4 data C. 1887

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PontE sobrE o sousa – Caminho dE FErro do douro PontE sobrE o sousa – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 008 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 007 4 data C. 1887

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PontE sobrE o sousa – Caminho dE FErro do douro PontE sobrE o sousa – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 008 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 007 4 data C. 1887

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Estação dE VaLongo – Caminho dE FErro do douro Estação dE CEtE – Caminho dE FErro do douro
Mello Phot. (?) Emílio Biel
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica (?) Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 004 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 009 4 data C. 1887

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Estação dE VaLongo – Caminho dE FErro do douro Estação dE CEtE – Caminho dE FErro do douro
Mello Phot. (?) Emílio Biel
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica (?) Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 004 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 009 4 data C. 1887

36 37
Estação dE CaídE – Caminho dE FErro do douro Estação dE ViLa mEã – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 010 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 011 4 data C. 1887

38 39
Estação dE CaídE – Caminho dE FErro do douro Estação dE ViLa mEã – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 010 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 011 4 data C. 1887

38 39
Viaduto dE ViLa mEã – Caminho dE FErro do douro Viaduto dE ViLa mEã – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Mello Phot.
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 012 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica (?) – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 013 4 data C. 1887

40 41
Viaduto dE ViLa mEã – Caminho dE FErro do douro Viaduto dE ViLa mEã – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Mello Phot.
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 012 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica (?) – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 013 4 data C. 1887

40 41
Estação dE ViLa mEã – Caminho dE FErro do douro PontE dE FErro sobrE o tâmEga – Caminho dE FErro do douro
Desconhecido Mello Phot.
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica desconhecida 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 014 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica (?) Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 015 4 data C. 1887

42 43
Estação dE ViLa mEã – Caminho dE FErro do douro PontE dE FErro sobrE o tâmEga – Caminho dE FErro do douro
Desconhecido Mello Phot.
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica desconhecida 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 014 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica (?) Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 015 4 data C. 1887

42 43
Estação do marCo – Caminho dE FErro do douro Viaduto das QuEbradas – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 016 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 017 4 data C. 1887

44 45
Estação do marCo – Caminho dE FErro do douro Viaduto das QuEbradas – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 016 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 017 4 data C. 1887

44 45
Viaduto da PaLa - Caminho dE FErro do douro Viaduto da PaLa - Lado inFErior – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 018 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 019 4 data C. 1887

46 47
Viaduto da PaLa - Caminho dE FErro do douro Viaduto da PaLa - Lado inFErior – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 018 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 019 4 data C. 1887

46 47
Viaduto da PaLa E do oViL – Vista gEraL– Caminho dE FErro do douro Viaduto do oViL – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 020 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 021 4 data C. 1887

48 49
Viaduto da PaLa E do oViL – Vista gEraL– Caminho dE FErro do douro Viaduto do oViL – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 020 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 021 4 data C. 1887

48 49
Estação dE mostEirô – Caminho dE FErro do douro Estação dE arEgos – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 022 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 023 4 data C. 1887

50 51
Estação dE mostEirô – Caminho dE FErro do douro Estação dE arEgos – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 022 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 023 4 data C. 1887

50 51
VaLE do douro E Viaduto do LaranjaL – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel
4 Técnica Fototipia (montagem fotográfica – duas imagens) 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 024 4 data C. 1887

53
VaLE do douro E Viaduto do LaranjaL – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel
4 Técnica Fototipia (montagem fotográfica – duas imagens) 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 024 4 data C. 1887

53
PontE do ZêZErE – Caminho dE FErro do douro PontE sobrE o tEixEira – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 025 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 0264 data C. 1887

54 55
PontE do ZêZErE – Caminho dE FErro do douro PontE sobrE o tEixEira – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 025 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 0264 data C. 1887

54 55
Viaduto da sErmEnha – Caminho dE FErro do douro PontE do douro. Vista da margEm dirEita – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 027 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 028 4 data C. 1887

56 57
Viaduto da sErmEnha – Caminho dE FErro do douro PontE do douro. Vista da margEm dirEita – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 027 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 028 4 data C. 1887

56 57
PontE do douro – Vista da margEm EsQuErda – Caminho dE FErro do douro Viaduto do Corgo – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 029 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 030 4 data C. 1887

58 59
PontE do douro – Vista da margEm EsQuErda – Caminho dE FErro do douro Viaduto do Corgo – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 029 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 030 4 data C. 1887

58 59
Viaduto da tEja – Caminho dE FErro do douro túnEis da tEja – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 031 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 032 4 data C. 1887

60 61
Viaduto da tEja – Caminho dE FErro do douro túnEis da tEja – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 031 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 032 4 data C. 1887

60 61
túnEL da VaLEira – Caminho dE FErro do douro Passo da murta – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 033 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 034 4 data C. 1887

62 63
túnEL da VaLEira – Caminho dE FErro do douro Passo da murta – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 033 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 034 4 data C. 1887

62 63
Estação dE barCa d’aLVa – Caminho dE FErro do douro PontE intErnaCionaL sobrE o ÁguEda – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 035 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 036 4 data C. 1887

64 65
Estação dE barCa d’aLVa – Caminho dE FErro do douro PontE intErnaCionaL sobrE o ÁguEda – Caminho dE FErro do douro
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 035 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 036 4 data C. 1887

64 65
Linha do minho
Caminhos do Ferro e da PraTa

67
Linha do minho
Caminhos do Ferro e da PraTa

67
Estação do Porto (CamPanhã) Lado da Via
Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 037 4 data C. 1887

69
Estação do Porto (CamPanhã) Lado da Via
Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 037 4 data C. 1887

69
PontE dE LEça – Caminho dE FErro do minho PontE dE LEça – Caminho dE FErro do minho
Pinto & Reis Emílio Biel
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 038 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 039 4 data C. 1887

70 71
PontE dE LEça – Caminho dE FErro do minho PontE dE LEça – Caminho dE FErro do minho
Pinto & Reis Emílio Biel
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 038 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 039 4 data C. 1887

70 71
PontE do aVE – Caminho dE FErro do minho PontE do aVE – Caminho dE FErro do minho
Pinto & Reis Emílio Biel
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Fotográfica: Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 040 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 041 4 data C. 1887

72 73
PontE do aVE – Caminho dE FErro do minho PontE do aVE – Caminho dE FErro do minho
Pinto & Reis Emílio Biel
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Fotográfica: Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 040 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 041 4 data C. 1887

72 73
PontE do CáVado – Caminho dE FErro do minho Estação do tamEL – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Pinto & Reis
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 042 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 043 4 data C. 1887

74 75
PontE do CáVado – Caminho dE FErro do minho Estação do tamEL – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Pinto & Reis
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 042 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 043 4 data C. 1887

74 75
Estação do tamEL – Caminho dE FErro do minho Viaduto dE durrãEs – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Pinto & Reis
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 044 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 045 4 data C. 1887

76 77
Estação do tamEL – Caminho dE FErro do minho Viaduto dE durrãEs – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Pinto & Reis
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 044 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 045 4 data C. 1887

76 77
Viaduto dE durrãEs – Caminho dE FErro do minho Estação dE BarrosELas – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Pinto & Reis
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 046 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 047 4 data C. 1887

78 79
Viaduto dE durrãEs – Caminho dE FErro do minho Estação dE BarrosELas – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Pinto & Reis
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 046 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 047 4 data C. 1887

78 79
Estação dE Braga – Caminho dE FErro do minho PontE do Lima – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 048 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 049 4 data C. 1887

80 81
Estação dE Braga – Caminho dE FErro do minho PontE do Lima – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 048 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 049 4 data C. 1887

80 81
PontE do Lima – Caminho dE FErro do minho Estação da Viana – Lado do Pátio – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 050 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 051 4 data C. 1887

82 83
PontE do Lima – Caminho dE FErro do minho Estação da Viana – Lado do Pátio – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 050 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 051 4 data C. 1887

82 83
Estação dE Viana – Lado da Via – Caminho dE FErro do minho PontE do Coura – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Pinto & Reis
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 052 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 053 4 data C. 1887

84 85
Estação dE Viana – Lado da Via – Caminho dE FErro do minho PontE do Coura – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Pinto & Reis
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 052 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 053 4 data C. 1887

84 85
PontE do Coura – Caminho dE FErro do minho PontE da arEosa – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 054 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 055 4 data C. 1887

86 87
PontE do Coura – Caminho dE FErro do minho PontE da arEosa – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 054 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 055 4 data C. 1887

86 87
PontE da arEosa – Caminho dE FErro do minho PontE dE aFiFE – Caminho dE FErro do minho
Pinto & Reis Pinto & Reis
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 056 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 057 4 data C. 1887

88 89
PontE da arEosa – Caminho dE FErro do minho PontE dE aFiFE – Caminho dE FErro do minho
Pinto & Reis Pinto & Reis
4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 056 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 057 4 data C. 1887

88 89
PontE dE aFiFE – Caminho dE FErro do minho PontE do ÂnCora – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Pinto & Reis
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 058 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 059 4 data C. 1887

90 91
PontE dE aFiFE – Caminho dE FErro do minho PontE do ÂnCora – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Pinto & Reis
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 058 4 data C. 1887 4 Técnica albumina 4 Casa Fotográfica Pinto & reis – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 059 4 data C. 1887

90 91
PontE do ÂnCora – Caminho dE FErro do minho Estação dE VaLEnça – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 060 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 061 4 data C. 1887

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PontE do ÂnCora – Caminho dE FErro do minho Estação dE VaLEnça – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 060 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 061 4 data C. 1887

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PontE intErnaCionaL soBrE o minho – Caminho dE FErro do minho PontE intErnaCionaL soBrE o minho – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 062 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 0634 data C. 1887

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PontE intErnaCionaL soBrE o minho – Caminho dE FErro do minho PontE intErnaCionaL soBrE o minho – Caminho dE FErro do minho
Emílio Biel Emílio Biel
4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 062 4 data C. 1887 4 Técnica Fototipia 4 Casa Fotográfica antiga Casa Fritz – emílio Biel & Cª – Porto 4 Coleção Família mascarenhas Gaivão 4 inv. cat. 0634 data C. 1887

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Caminhos
do ferro e da prata
Linhas do douro e do minho

Fototipias de emílio Biel 1887


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