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Os Povos Americanos do Sul

Alto Xingu, por Bento Viana


“Levar a sério grupos que já moravam na
América antes da vinda dos portugueses
implica não só pensar a história em nossos
próprios termos, mas entender que existiram
e existem outras formas de compreensão
dessa terra que virou Brasil” (SCHWARCZ,
2015 p. 46)
A chegada na América
 Os povos das América (Amerindios) são descendentes
dos grupos nômades que povoaram a Ásia a
aproximadamente 50-60 mil anos.

 Atualmente a teoria de chegada à América mais aceita


é a teoria da travessia do Estreito de Bering. Segundo
essa teoria, o planeta estava passando um período
glacial causando a expansão das calotas e a
consequente redução dos niveis dos mares e oceanos.
Nesse processo fica exposto um pequeno trecho de
terra entre as penínsulas de Chukotka (extremo
nordeste da Ásia) e a península de Seward (norte da
América do Norte) criando uma ligação transitável
entre os dois continentes.
 A ocupação humana do território brasileiro começou há mais de 10 mil anos.

Quando os europeus chegaram, na virada do século XVI, havia povos espalhados do

Planalto das Guianas ao Pampa Gaúcho, do interior da Amazônia ao litoral. Embora

chamados genericamente de ‘índios’, eram povos diferentes. E a mais evidente prova

disso era sua diversidade linguística. https://www.youtube.com/watch?v=VDUHCDBFINc

◦ “Se no passado, todas as hipoteses eram vistas como mutuamente excludentes,

hoje há uma tendência a operar criticamente com elas, considerando a existência

de migrações secundárias, raciocinando com base em diferentes levas de

povoadores e recuando a datação da presença humana, ao menos no Brasil, para

antes de 12 mil anos. Bandos de caçadores paleoíndios, na busca de ambientes

úmidos e campos de caça da megafauna, se fixaram em cavernas da região da

Lagoa Santa (MG) já ao redor de 16 mil anos. (...) A ocupação da faixa litorânea

está atestada pelos achados de inúmeros sambaquis, sobretudo na região entre

Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, alguns de grandes proporções, cuja datação

remonta principalmente entre 5mil e 2 mil anos.” (OLIVEIRA p. 170)


Questão Demográfica e Populacional
 Segundo o estudo do historiador John Heming, há estimativa (analisando
densidade populacional e fertilidade potencial) de aproximadamente 2,4 milhões
de pessoas nas populações indígenas brasileiras em 1500.

 Comparando a Portugal no mesmo ano, “um levantamento ordenado por D.


Manuel I já ao final do século XV (1498) apontou que Portugal possuia pouco mais
de 1,4 milhão de habitantes” (...) Em 1570 a população indígena fosse da ordem de
800 mil, ou seja, estava reduzida a um terço de seu volume demográfico no início
do seculo XVI” (OLIVEIRA p. 176)

 “Um verdadeiro mortício teve início naquele momento: uma população estimada
na casa dos milhões em 1500 foi sendo reduzida aos poucos a cerca de 800 mil,
que é [aproximadamente] a quantidade de índios que habitam o Brasil
atualmente” ( SCHWARCZ, 2015 p. 40)
A atual população indígena brasileira, segundo dados do Censo
Demográfico realizado pelo IBGE em 2010, é de 896,9 mil
indígenas. De acordo com a pesquisa, foram identificadas 305 etnias,
das quais a maior é a Tikúna, com 6,8% da população indígena.
“O espaço geográfico da colônia não era de maneira alguma um vazio
demográfico, seus primeiros habitantes viviam em configuraçãos socioculturais
bem diferenciadas e estabelceram vínculos distintos com o processo de
colonização, no qual foram essenciais” (OLIVEIRA p. 177)

“ Um dos principais motores da mudança na estrutura das relações


humanas e das instituições a elas correspondentes é o aumento ou
diminuição das populações. Eles tampouco podem ser isolados de
toda teia dinâmica das relações humanas” (ELIAS, p. 38)
 “Seus sintomas [excesso populacional] em sociedades que atingiram

certo grau de diferenciação são, em termos gerais, sempre os mesmos:

aumento das tensões sociais; maior isolamento entre os que ‘têm’, isto

é, numa economia predominantemente de escambo, os que ‘têm terra’,

e os que ‘não têm’, ou de qualquer maneira não têm o suficiente para

se sustentarem de maneira consetânea com seus padrões; e não raro,

maior isolamento, no seio dos que ‘têm’, daqueles que têm mais que o

resto; uma coesão mais pronunciada de pesssoas na mesma situação

social, a fim de resistirem à pressão dos que estão fora ou,

inversamente, um aumento da pressão sobre áreas vizinhas com

populações menores ou defesas mais fracas e, finalmente, um aumento

da emigração e da tendência a conquistar ou pelo menos estabelecer-se

novas terras” (ELIAS p. 41)


Cacicados e Tribos Marginais
 Segundo o Históriador Julian Steward (1949), os povos indígenas
americanos podem ser divididos políticamente (de forma geral)
em cacicados e tribos marginais.
◦ Os cacicados são “sociedade que se localizariam nas ilhas e no litoral
do Caribe, atingindo também o extremo norte da costa do Pacífico;
de culturas de floresta tropical, que se espalhavam pela região
amazônica, ao longo de toda a costa atlântica (até o Uruguai) e no
litoral sul do Pacífico (do Peru ao Chile)”

◦ As tribos Marginais “ocupariam as savanas do Brasil Central, o


Chaco, o cone sul do continente (Uruguai e Argentina) e algumas
pequenas áreas dentro das florestas tropicais”
 Os Cacicados “sem chegar a configurar processos de centralização característicos
da formação de Estado, os cacicados possuíam uma razoável complexidade social,
com uma certa diferenciação entre grupos constitutivos (classes), com chefes
locais e algumas formas da articulação (político-ritual) entre aldeias. As culutras da
floresta tropical praticavam uma agricultura de coivara e sabiam explorar os
recursos aquáticos, possuíam aldeias e a sua organização social estava assentada
no parentesco e no xamanismo” (OLIVEIRA p. 171 )

◦ “Na América vigia um sistema político de chefias centralizadas, nas quais um


líder supremo tinha poderes sobre aldeias e distritos hierarquicamente
subordinados. Diferentemente do que ocorria nos Estados europeus, não
existia, porém, um corpo de funcionários administrativos, nem um exército
permanente. Era o chefe que resolvia disputas, e juntava guerreiros em caso de
conflitos” ( SCHWARCZ, 2015 p. 42)

 “As tribos marginais, por sua vez, possuíam a organização social mais simples,
viveriam sobretudo da coleta e da caça e seriam compostas por pequenos bandos
semi-nômades” (OLIVEIRA p. 171 )
Xamãs, por Sebastião Salgado
 O termo xamã foi adotado, pela antropologia, para se referir a pessoas de uma grande
variedade de culturas não ocidentais, que antes eram conhecidas como : bruxo, feiticeiro,
curandeiro, mago, mágico, vidente, sacerdote, pajé, homem da medicina, o terapeuta, o
conselheiro, o contador de estórias, o líder espiritual e outros. Defini-se o xamanismo como
um conjunto de crenças ancestrais que estabelecem contato com uma realidade oculta, ou
estados especiais (alterados) de consciência, a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio
saúde para si mesmo e para as pessoas

◦ “Para a ciencia ocidental os humanos foram animais e se tornaram humanos, para os


ameríndios todos os animais já foram humanos. (...) Para nós, ocidentais, existiria uma
natureza (que é dada e universal) e várias culturas construídas; já para os ameríndios,
haveria uma cultura para várias naturezas: homem, animais, espiritos. (...) O Xamã teria
lugar de destaque nesse transito entre naturezas, ele seria uma espécie de líder político,
social e espiritual. Porta de entrada de tais culturas, a atividade do xamã é essencial para
entender as sociedades que não discriminam humanos de não humanos: ele é o único
que pode transportar corpos ou tem a propriedade de ler esses diferentes estados.”
( SCHWARCZ, 2015 p. 46)
Religiosidade Guarani
 A criação: A figura primária na maioria das lendas guaranis da criação é Tupã, o Deus trovão e realizador de
toda a criação. Com a ajuda da deusa lua Jaci, Tupã desceu à Terra num lugar descrito como um monte
no Paraguai, e, deste local, criou tudo sobre a face da Terra, incluindo o oceano, florestas e animais. Também as
estrelas foram colocadas no céu nesse momento. Tupã, então, criou a humanidade (de acordo com a maioria
dos mitos guaranis, eles foram, naturalmente, a primeira raça criada, com todas as outras civilizações nascidas
deles) em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de
vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e
do mal e partiu.

 A maioria destas crenças eram baseadas na observação da natureza e do céu. Os índios tinham astronomia
própria e definiam o tempo da colheita, a duração das marés, o tempo das chuvas e através da observação do
céu criavam histórias, mitos, lendas com ensinamentos morais, etc. Esta atividade de astronomia também
serviu para que os índios determinassem muitas regras a respeito de suas atividades de caça, pesca e
agricultura. Observaram também fenômenos como as fases da lua e as estações do ano.

◦ Havia diversos outros deuses que até hoje são conhecidas figuras dos folclores e das lendas brasileiras, como Caapora (deus
guardião dos animais), Tiriricas (deusas do ódio), Pirarucu (deus do mal, que mora no fundo das águas), Yara (deusa dos
lagos), Curupira (protetor das matas) e Araci (deusa da aurora e das madrugadas).
 TUPÃ

◦ Chamado de “O Espírito do Trovão”, Tupã é o


grande criador dos céus, da terra e dos mares,
assim como do mundo animal e vegetal. Além de
ensinar aos homens a agricultura, o artesanato e a
caça, concedeu aos pajés o conhecimento das
plantas medicinais e dos rituais mágicos de cura

 JACI

◦ É a deusa Lua e guardiã da noite. Protetora dos


amantes e da reprodução, um de seus papéis é
despertar a saudade no coração dos guerreiros e
caçadores, apressando sua volta para suas
esposas. Filha de Tupã, Jaci é irmã-esposa de
Guaraci, o deus Sol

 GUARACI

◦ Filho de Tupã, o deus Sol auxiliou o pai na criação


de todos os seres vivos. Irmão-marido de Jaci, a
deusa Lua, Guaraci é o guardião das criaturas
durante o dia. Na passagem da noite para o dia – o
encontro entre Jaci e Guaraci –, as esposas pedem
proteção para os maridos que vão caçar
Aldeia Kaigang em Chapecó SC

Fotos Rafael Benassi - SC - 2012


Os troncos linguisticos
 As classificações como ‘família’ (como a românica e a tupi-guarani) e famílias

de um mesmo ‘tronco’ (como o indo-europeu e o tupi) permitem traçar as

árvores genealógicas das línguas, inclusive indígnas sul-americanas.

 Ao chegar à América, os navegadores europeus encontraram aqui mais de mil

povos com crenças, hábitos, costumes e formas de organização específicas.

Eram faladas mais de 1300 líguas, a maioria delas agrupadas em dois troncos

linguisticos: o tupi e o macro-jê

 Entre os principais povos Tupi estavam os Guarani, os Tupinambá, os Tabajara,

os Carijós e os Tamoio

 Entre os Macro-Jê, haviam os Bororo, Carajás e, no sul e sudeste do país, os

Kaingáng (ou coroados)


Crianças Krahô da família linguistica Jê – Maranhão – Bento Viana
Matriz Jê
◦ “Os coroados têm o cabelo muito preto, fino, liso, luzente e muito abundante; mas
tonsuram-no de maneira a figurar como uma rodilha de cabelo enfiada numa cabeça
calva...fica o centro ou parte superior da cabeça, desnudo, formando uma coroa”
(Notzold. p. 65)

◦ Os povos Jê são “compreendidos como sociedades estruturadas por sistemas de


metades cerimoniais, por grupos etários e segmentos residenciais, combinando
períodos de dispersão com outros de reunião em grandes aldeias” (OLIVEIRA p. 175)

◦ “Nos campos do cerrado. A vegetação é rasteira e arbustiva, e lá os povos Macro-Jê


encontraram sua morada principal. (....) Durante muito tempo, eles foram descritos
como ‘gente barbara’, que não possuai aldeias, agricultura, transporte ou cerâmica. (...)
Os Jê do Brasil apresentam uma estrutura muito distinta daquela encontrada na
floresta tropical. São moveis: vivem em grandes aldeias, a tecnologia de substitência é
simples, mas os adornos corporais são elaborados; não possuem chefes supremos,
embora tenham estruturas de prestígio e insittuições comunitárias e cerimoniais
notáveis” ( SCHWARCZ, 2015 p. 45)
A Matriz Tupi
 No século XVI, um dos grupos de maior população e extensão terrotorial era o dos povos que se
convencionou chamar de tupi-guarani. Eles se espalhavam desde o que é hoje a Argentina até a
Guiana Francesa, do litoral brasileiro à Amazônia peruana. Eram vários povos, mas todos vindos
de uma mesma família linguistica: o tupi-guarani.

◦ “Os grupos indígenas encontrados no litoral pelo português eram principalmente tribos de
tronco tupi. Somavam, talvez, 1 milhão de índios, divididos em dezenas de grupos tribais [e
cacicados], cada um deles compreendendo um conglomerado de várias aldeias de trezentos
a 2 mil habitantes. Não era pouca gente, porque Portugal àquela época teria a mesma
população ou pouco mais (...)É de assinalar que eles haviam domesticado diversas plantas,
retirando-as da condição selvagem para a de mantimento de seus roçados. Entre elas, a
mandioca, o milho, a batata-doce, o cará, o feijão o amendoin (... ) A agricultura lhes
assegurava fartura alimentar durante todo o ano e uma grande variedade de matérias-
primas, condimentos, venenos e estimulantes. Desse modo, superavam a situação de
carência alimentar (...) Permaneciam, porém, dependentes do acaso para obter outros
alimentos através da caça e da pesca, também sujeitos a uma estacionalidade marcada por
meses de enorme abundância e meses de escassez” (RIBEIRO, 28)
 “Apesar da unidade linguistica e cultural que permite classifica-los

numa só macroetnia, os indios do tronco tupi não puderam

jamais unificar-se numa organização política que lhes permitisse

atuar conjugadamente” (RIBEIRO p. 29)

 “Muitos outros povos indígenas tiveram papel na formação do

povo brasileiro. Alguns deles como escravos preferenciais, por

sua familiaridade com a tecnologia dos paulistas antigos

[brasilindios ou bandeirantes] como os Paresi. Outros, como

inimigos irreconciliáveis, imprestáveis para escravos porque seu

sistema adaptativo constratava demais com os dos povos Tupi. É

o caso, por exemplo, dos Bororos, dos Xavente, dos Kayapó, dos

Kaigangs e dos Tapuia em geral” (RIBEIRO p. 31)


Indios Xavantes na Serra do Roncador –MT (José Medeiros 1949)
Populações Amazônicas
 “Outra área muito estudada nos dia de hoje é aquela formada pelo
Rio Xingu, um dos principais afluentes meridionais do Amazonas.
Nessa região se criou um sistema multiétnico e multiliguistico mas
homogeneo culturalmente. Marcado pelo sedentarismo, ele se
baseava na horticultura de mandioca e na pesca. A fartura de
recursos gerou uma sociedade, já nos séculos XV e XVI,
populacionalmente numerosa, além de incentivar uma frequente
interação social, que em nada lembra a imagem tradicional de grupos
isolados e contato esporádico. Implemntou-se um modelo de chefia e
de distinção social em que a hierarquia se combinou com uma
notável autonomia política” (SCHWARCZ, 2015 p. 44)
Waurás – Xingu
Amazônia.

Fotos Bento Viana – AM - 2007


Choque Cultural
 O enfrentamento dos mundos, ou, o choque cultural
foi vivido por ambos povos, ameríndios e europeus:
◦ “O índios perceberam a chegada do europeu como um
acontecimento espantoso, só assimilável em sua visão
mítica do mundo. Seriam gente de seu deus sol, o criador
– Maíra –, que vinha milagorsamente sobre as ondas do
mar grosso. Não havia como interpretar seus designos,
tanto podiam ser ferozes como pacíficos, espoliadores ou
doadores. Provavelmente seria pessoas generosas,
achavam os índios. Mesmo porque, no seu mundo, mais
belo era dar que receber.” (RIBEIRO p. 38)
Gravuras dos
povos indígenas
feitas pelo
naturalista Jean
Baptiste Debret
Indios Xavantes por/com José Medeiros - 1949
Cunhadismo, a colonização sexual e a
mentalidade civilizatória
 Uma das práticas que garantiram a colonização europeia (Portuguesa e
Francesa principalmente) no território americano é a prática do
Cunhadismo.

 Segundo o antropolo Darcy Ribeiro, cunhadismo

◦ “consistia em lhes dar uma moça índia como esposa. Assim, que ele a
assumisse, estabelecia, automaticamente, mil laços que o aparentavam
com todos os membros do grupo (...) Como cada europeu posto na
costa podia fazer muitíssimos desses casamentos, a instituição
funcionava como uma forma vasta e eficaz de recrutamento de mão de
obra para os trabalhos pesados de cortar paus-tinta, transportar e
carregar para os navios. (...) A Função do cunhadismo na sua nova
inserção civilizatoria foi fazer surgir a numerosa camada de gente
mestiça que efetivamente ocupou o Brasil” (RIBEIRO p. 72-73)
 Na visão de Gilberto Freyre, o cunhadismo e a colonização sexual
tinham papel tanto como civilizador do povo indígena, como
biológico e mercantil para criar seres mais aptos ao sistema
coloniail tropical. Porém, a historiadora Mary del Priori chama a
atenção quanto a misogenia de Freyre:

◦ “Pelo intercurso com a mulher índia ou negra, mutiplicou-se o


colonizador em vigorsa e dúctil população mestiça, ainda mais
adaptável do que ele puro ao clima tropical. A falta de gente,
que o aflingia, mais do que a qualquer outro colonizador,
forçando-o à imediata miscigenação foi para o português
vantagem na sua obra de consquista e colonização dos
trópicos. Vantagem para a sua melhor adaptação senão
biológia, social” (FREYRE p. 74-75)
 Uma das consequencias diretas da mentalidade
do cunhadismo associada ao papel de civilizador
trazida pelo colonizador europeu é a subjugação
das mulheres americanas e africanas.

◦ “Afinal, a misoginia racista da sociedade


colonial classificava as mulheres não brancas
como fáceis, alvos naturais de investidas
sexuais, com quem se podia ir direto ao
assunto sem causar melindres (...) Nos
séculos seguintes, à degradação das índas
como objetos sexuais dos lusos somou-se a
das mulatas, das africanas e das caboclas –
todas inferiorizadas por sua condição
feminina, racial e servil no imaginário colonial
(PRIORI p. 46)
Escravidão
 A escravidão indígena começou logo no início da colonização e manteve-se até meados
dos século XVIII, mesmo ilegal:

 Quando os portugueses deram início às atividades produtivas no Brasil, a partir da


criação das capitanias hereditárias, decidiram utilizar os índios para o trabalho escravo,
tonarnado os indígenas a força de trabalho base da economia colonial.

◦ “O índio era tido como um trabalhador ideal para transportar cargas ou pessoas por
terras e por águas, para cultuvo de gêneros e o preparo de alimentos, para a caça e
pesca. Seu papel foi também preponderante nas guerras aos outros índios e aos
negros quilombolas” A situação desses índios arrendados era pior que a dos
escravos tidos pelo senhor a título próprio, uma vez que estes, sendo um capital
humano que se comprara com um bom dinheiro, devia ser zelado, pelos menos
para preservar seu valor venal; enquanto o índio arrendado, (...)daria tanto mais
lucro quanto menos comesse e quanto mais rapidamente realizasse as tarefas para
que era alugado. Esses desgaste humano do trabalho do cativo contituiu uma outra
forma terrível de genocídio imposto a mais de 1 milhão de índios” (RIBEIRO p. 94)
As bandeiras e a escravidão
 A principal forma de busca e conquista de povos indígenas considerados
hostis para a escravização, as bandeiras eram formados principalmente
por colonos (também chamados de paulistas) e seus filhos mestiços
mamelucos (união entre brancos e índias na maior parte das vezes).
Uma consequencia indireta das bandeiras foi o reconhecimento do
território pelos colonizadores europeus.

 Os Brasilíndios, mamelucos ou, mais comumento conhecidos como


bandeirantes, são indivíduos “Gerados por pais brancos, a maioria deles
lusitanos, sobre mulheres índias” que tinham como principal função
adentrar a mata em busca de índios para o trabalho escravo ou
arrendado.
◦ “O que buscavam no fundo dos matos a distâncias abismais era a única
mercadoria que estava a seu alcance: índios para uso próprio e para a
venda; índios inumeráveis, que suprissem as suas necessidades e se
renovassem à medida que fossem sendo desgastados; índios que lhe
abrissem roças, caçassem, pescassem, cozinhassem, produzissem tudo
o que comiam, usavam ou vestiam; índios, peças de carga, que lhes
carregassem toda a caça, ao longo dos mais longos e ásperos
caminhos” (RIBEIRO p. 95)

◦ “Bandeiras sob o comando de Manuel Preto, Antonio Raposo Tavares e


Fernão Dias Paes (...) dizimaram popúlações locais e causaram muito
tensão com os jesuítas e a Coroa”. (...) O fato é que o circulo vicioso
montado nos idos do séculos XVI e XVII era dos mais perversos: a
escassez de mão de obra nativa levava à intensificação e interiorização
de expedições, que faziam novos escravos e expunham populações
indígenas a grande mortandade, por conta tanto das armas como das
epidemias” ( SCHWARCZ, 2015 p. 48)
Guerras e Resistência
 Para os indígenas, a dominação era incompreensível e impraticável devido
ao não reconhecimento das relações hierarquicas e de posse do outro pela
posse e/ou para lucro material. Como principal forma de resistência a
escravidão, os indígenas capturados praticavam suicídios (individuais ou
coletivos) ou fugiam para organizar ataques a seus captores.
 A união entre europeus e indígenas com fins militares foram bem comuns,
especialmente quando existia a presença de grupos indígenas inimigos em
regiões próximas. A mais famosa dessas uniões foi a França Antártida
(1555) e a Confederação de Tamoios (1563 a 67) onde grupos Tupinambás
(RJ) uniram forças aos Carijós (SP) Goitaças e Aimorés (Jês da Serra do mar)
e Franceses (Colonizadores Europeus) contra o domínio dos colonizadores
Português apoiados pelos povos Tupiniquins na região do Rio de Janeiro e
Espirito Santo.
https://www.youtube.com/watch?v=7qnXHr
VORY0
Guerra Justa e o poder do Estado
 Em 1570 a primeira carta régia a respeito da
escravização indígina estabelece o direito a escravidão
dos índios, mas limitada aos aprisionados em “guerra
justa”

 A escravidão por Guerra Justa está relacionada as


antigas práticas greco-romanas, onde o indíviduo que
fosse derrotado em batalha passava a pertencer ao seu
opositor, cabendo a ele a escolha de qual atitude tomar,
podendo escravizá-lo ou matá-lo caso ache justo.
 “Em setembro de 1727, com a justificativa de reagir aos ataques
liderados pelo cacique Ajuricaba, a Tropa de Guerra e Resgates
do Rio Negro desencadeia mais uma “guerra justa” – resposta
portuguesa à recusa indígena em aceitar imposições religiosas,
comerciais, fiscais ou culturais por parte de seus dominadores.
Desta vez, sob o comando do cabo João Paes do Amaral,
acompanhado pelo padre José de Souza. Diante do poderio
militar português, os guerreiros da nação manaó são vencidos,
após honrosa resistência. Como consequência, os indígenas são
capturados, escravizados e comercializados. Este manuscrito
informa que um manaó, “escravo legítimo da Tropa de Guerra”,
é dado diretamente a El Rey, como forma de pagamento do
mais conhecido dos impostos coloniais: o Quinto.”
Relação com os Jesuítas
 A catequese das crianças indígenas foi uma das principais formas de atuação dos
padres jesuítas dentro do processo civilizador do indígena brasileiro.

◦ “No contato de duas culturas, uma mais atrasada e outra mais avançada, quase
sempre a segunda procura destruir ou exterminar na primeira tudo o que se supõe
ser contrário à moral ou aos interesses dos dominadores. Assim fizeram os jesuítas,
educando o culumin à maneira dos europeus” (FREYRE p. 26)

◦ “A personalidade maleável da criança é tão modelada por medos que ela aprende a
agir de acordo com o padrão predominante de comportamento, sejam esses medos
gerados pela força física direta ou pela privação, pela restrição ao alimento ou de
prazeres. (...) A vergonha, o medo da guerra e o medo de Deus, (...) todos eles são
direta ou indiretamente induzidos nele por outras pessoas. Sua força, forma e o
papel que desempenham na personalidade do indivíduo denpendem da estrutura da
sociedade e de seu destino nela” (ELIAS p. 270)
Criança
Xavante, por
José Medeiros
(1949)
Crianças guaranis da aldeia Kuriy em Biguaçu – SC
(Rafael Benassi 2012)
 A Historiadora Mary del Priori traz o relato do Pe. Anchieta
onde pode-se perceber a visão dos jesuítas quanto ao seu
papel civilizador perante os povos indígenas, aqui
representados pelo ato de vestir.
◦ “A nudez e a poligamia dos índios ajudavam a demonizar sua
imagem. Considerados não civilizados, a tentativa dos jesuítas
em cobri-los resultou, muitas vezes, em situações cômicas como
a relatada por padre Anchieta:
 Os índios da terra de ordinário andam nus e quando muito vestem
alguma roupa de algodão ou de pano baixo e nisto usam de primores a
seu modo, porque um dia saem com gorro, carapuça ou chapeu e o mais
nu, outro dia saem com seus sapato ou botas e o mais nu (...) e se vão
passear somente com o gorro na cabeça sem outra roupa e lhe parece
que vão assim mui galantes” (PRIORI p. 20)
 “Também foi evidentemente nefasto o papel dos
jesúitas, retirando os índios de suas aldeias dispersas
para concetrá-los nas reduções, onde, além de
servirem aos padres e não a si mesmos e de morrerem
nas guerras dos portugueses contra os índios hostis,
eram facilmente vitimados pelas pragas de que eles
próprios, sem querer, os contaminvam. É evidente que
nos dois casos, o propósito explicito dos jesuítas não
era destruir os índios, mas o resultado de sua política
não podia ser mais letal se tivesse sido programada
para isso” (RIBEIRO p. 51)
A atuação do Padre Antônio Vieira
 “[Vieira] Arrancou do rei leis favoráveis aos índios e
combateu os apresamentos arbitrários. Pregou
sermões contra os escravistas (...) mas não primava
por tentar compreender o índios, como Anchieta no
século anterior. Pregando a missionários, chegou a
chamá-los de selvagens terríveis. (...) Vieira não
amava aos índios, mas a catequese da Cia de Jesus.
De todo modo, os colonos o odiavam, e em 1661,
deram um basta: expulsaramo-no, e aos demais
jesuítas”
Economia Moral e Pau-Brasil
 Carater Exploratório:

◦ “ Não se criaram estabelicimentos fixos e definitivos. Os traficantes se


aproximavam da costa, escolhendo um ponto abrigado e próximo das
matas onde se encontrava a essência procurada, e ali embarcavam a
mercadoria que lhes era trazida pelos indígenas” (...) “ A exploração do
Pau-brasil, mesmo de forma indireta, não serviu em nada para fixar
qualquer núcleo de povoamento no país. Nem era de esperá-lo. Não
havia interesse em localizar-se num ponto, quando a madeira
procurada se espalhava aos azares da natureza e se esgotava
rapidamente pelo corte intensivo. A industria extrativa do pau-brasil
tinha necessariamente de ser nômade; não ser capaz, por isso, de dar
origem a um povoamento regular e estável” (Prado Jr 25-26)
Demarcação de Terras
◦ Dentre os temas mais complexos sobre os povos indígenas (no passado e atualidade) é a questão
do direito e demarcação sobre as terras. Segundo a Constituição de 1988, a partir da demarcação, a
terra passa a ser bem inalienável ao povo indígena a quem ela foi declarada, porém, devido a
tradição agro-exportadora da economia brasileira, muitas dessas terras são alvo de disputa
constante, causando muitas vezes chacinas de populações indígenas inteiras.

 As Etapas da demarcação são: 1. Estudo de identificação feita por um antropologo da FUNAI; 2.


Aprovação do relatório da observação pelo presidente da FUNAI; 3. Contestação caso ocorra situações
de conflito; 4. Validação do território feito pelo Min. Da Justiça; 5. Demarcação Física feitas por agentes
da FUNAI e INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária); 6. Homologação assinada
pelo(a) Presidente da República.

 Questão da PEC 215: Atualmente, tramita no Congresso Nacional a Proposta de Ementa Constitucional
n215 que preve a transferência da responsabilidade de Homologação (6 etapa da demarcação de terras
indígenas) da Presidência da República para a Presidência do Congresso. Esta manobra política visa,
através do atual Presidente da Camara, o Dep Rodrigo Maia (PMDB- RJ), dar mais voz e força as
chamadas politicas agrárias da bancada ruralista que buscam a ampliação do direito de uso da terra aos
grandes produtores latifundiários. (https://www.cartacapital.com.br/politica/pec-215-e-aprovada-em-
comissao-da-camara-quais-os-proximos-passos-6520.html )
Bibliografia.
 DEL PRIORI, Mary. Histórias Intimas: sexualidade e erotismo na História
do Braisl. São Paulo: Ed.Planeta do Brasil, 2011. p. 11 – 55
 ELIAS, Nobert. O processo civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.
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